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4. Diffindo


Fic: Good Enough - Bellatrix&Voldemort


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Capítulo 4 – Diffindo


        


         Quanto mais o tempo passava, mais tempo eu passava com o Lorde das Trevas. Eu podia dizer que ele era um amante excepcional, mas isso seria um grande eufemismo. Cada beijo seu, cada pequeno toque, era como o paraíso. Eu não precisava de mais ninguém, e deixei todos os meus outros amantes de lado. Até mesmo Rodolphus foi preterido, eu só dormia com ele quando era necessário. Agora sim, eu pensava, nós dois parecíamos um casal de verdade. Ele até reclamava disso às vezes, mas era raro. Meu marido era bonito afinal, e muito bom de cama, e eu sabia que ele tinha várias amantes para satisfazê-lo.


         Enquanto isso, o poder do meu Lorde aumentava rapidamente. Muitos bruxos se uniam aos Comensais da Morte, e muitos desejavam fazê-lo. Em certo ponto, nos tornamos tão numerosos que apenas o Lorde – e eu, talvez – conhecia todos eles. Ele me dissera que era assim que ele queria que fosse, que nem os próprios Comensais soubessem quem estava do nosso lado ou não. Desse modo, se um de nós fosse capturado nunca poderia entregar todos os outros, era um movimento muito esperto. Estávamos também conseguindo apoio de várias criaturas, nossos aliados naturais. Dementadores fugiam de Azkaban e vagavam por vilarejos trouxas, trazendo dor e miséria, ou seguiam os Comensais em algumas de suas missões para atacar nossos inimigos. Gigantes desciam das montanhas e causavam grandes destruições. Foram os melhores anos da minha vida, aqueles eram nossos tempos de ouro.


          Quanto mais o terror se espalhava, contudo, mais perigosos se tornavam os Aurores. O Ministério lhes dera permissão para usar quaisquer meios para nos deter, e eles se dispunham cada vez mais a usar os nossos meios. É claro, nem todos os Aurores tinham essa posição, mas nenhum deles hesitava antes de lançar uma maldição da morte. De qualquer modo, tanto a quantidade quanto a qualidade pesavam a balança para o nosso lado. E a cada vitória da qual eu trazia notícia, meu Mestre se enchia de satisfação, e comemorávamos juntos da melhor maneira que podia haver: na cama. Ele adorava quando eu voltava de uma batalha, não havia nada que o excitasse como me ver torturando e matando, e nada que me excitasse como torturar e matar. Éramos perfeitos juntos.


         Tão perfeitos, que em certo ponto começamos a despertar suspeitas nos Comensais. Meus colegas nãos eram tão burros quanto eu pensava – ou, talvez, só tivessem a mente suja – e começaram a reparar em algumas coisas, como o fato de ser mais fácil me encontrar na casa do Lorde do que em minha própria casa, ou o fato de que enquanto todos iam embora depois das reuniões eu quase sempre ficava para trás. Alguns deles tinham a audácia de me perguntar se eu estava tendo um caso com o Lorde, e eu sempre dava respostas ambíguas ou evasivas, que os deixavam mais intrigados que antes. Outros, eu sabia, falavam às minhas costas. Eu não me importava, estava acostumada a ser alvo de fofocas, desde a época de Hogwarts. Até que um dia esses boatos chegaram nos ouvidos do meu marido.


         - Bellatrix, você está dormindo com o Lorde das Trevas? - ele me perguntou certa noite, quando jantávamos. Quase engasguei com o vinho dos elfos, tamanha a surpresa. Olhei para ele do outro lado da mesa, sem conseguir decifrar sua expressão.


         - Ah, você ouviu esses boatos também? Francamente, não vai me dizer que acredita em todas as histórias que os Comensais espalham, principalmente sobre sexo. Aquilo que Nott disse mês passado sobre as orgias que os Malfoy fazem, por exemplo, é a pior mentira que eu já ouvi! Me apresente uma mulher mais puritana que Narcissa, e eu te apresento um Dementador com olhos.


         Rodolphus riu, e pedi a Merlin que eu o tivesse distraído. - É, mas o boato sobre o strip tease da Alecto Carrow era verdade, eu mesmo vi, e ainda tenho pesadelos com isso! E não tente desviar do assunto, querida, eu ainda quero saber se você está dormindo ou não com o Lorde.


         Eu sabia que esse momento iria acabar chegando, então já havia cogitado minhas opções e já sabia o que dizer. Eu poderia simplesmente dizer que não, e tinha uma boa chance de que ele acreditasse. Entretanto, se algum dia ele descobrisse que eu mentira, nunca mais teríamos a mesma amizade, sua confiança estaria perdida para mim. Se eu lhe contasse agora, porém, também havia uma boa chance de que ele surtasse e eu perdesse sua amizade de qualquer jeito. Considerei então como andava minha relação com o Lorde, se seríamos capazes de mantê-la em segredo por mais tempo ou não, e essa foi a questão determinante. Com todos os Comensais desconfiando, por mais que nunca tornássemos nada oficial, a verdade ia acabar aparecendo. Sem contar que, do modo que tudo era explosivo e incontrolável quando estávamos juntos, era só uma questão de tempo para que eu pulasse nos baços dele depois de uma missão ou para que um Comensal nos surpreendesse em algum lugar. Ainda assim, queria ter certeza de que meu marido não teria uma má reação.


         - Por que está tão interessado em com quem eu durmo agora, Roldy? Nunca fizemos questão de saber o nome dos amantes um do outro antes. - falei, parecendo displicente e provocativa.


         - Ora, porque o Lorde não é um amante qualquer, minha cara. Ele é nosso chefe e... bem, é o Lorde das Trevas! Não é como se você estivesse simplesmente dormindo com algum outro Comensal. - ele não parecia irritado, e eu tomei isso como um bom sinal. Respirei fundo. Chegara a hora.


         - E o que você faria se eu dissesse que sim? - eu disse firmemente, levantando uma sobrancelha. Os olhos negros de Rodolphus se arregalaram em espanto.


         - Então é verdade? - ele falou, soltando uma risada histérica que eu não sabia como interpretar. - Merlin, isso é... não sei. Não sei o que pensar, Bella. Por um lado eu me sinto estranho, vencido, eu acho. Talvez um pouco enciumado. Quer dizer, eu sempre gostei de pensar que, de todos os seus amantes, eu era o melhor, assim como você é a minha melhor, e por isso você sempre voltava para minha cama. Isso faz algum sentido? Mas contra o Lorde das Trevas eu não posso competir!


         - Por outro lado... - eu disse, receosa do que viria a seguir.


         - Por outro lado, acho que estou orgulhoso por você. Sempre me orgulhei do fato de você ser seu braço direito, a pessoa mais próxima ao Lorde. Pensar que minha esposa é a única Comensal a ir para a cama do Lorde das Trevas, acho que é uma honra.


         Foi a minha vez de rir, uma risada cheia de alívio. A lealdade dele de fato não tinha limites, assim como a minha. Nesse momento eu percebi o quanto eu acertara me casando com ele, nenhum outro marido teria essa posição, nenhum outro Comensal me entendia como Rodolphus.


         - Se isso te faz se sentir melhor, querido, você era de fato meu melhor amante antes que eu começasse a dormir com o Lorde. - eu disse, sorrido abertamente.


         - Faz, sim, bem melhor. Saber que fui superado apenas pelo Lorde é uma boa massagem no meu ego. - ele falou, e rimos juntos.


         Eu não podia estar mais espantada com a reação de Rodolphus. Eu sempre soube de sua lealdade infinita, mas não imaginava que ela superasse seu orgulho masculino. Sempre achei que, no fundo, ele tivesse um certo sentimento de posse sobre mim, já que me amava e tudo mais, mas aparentemente sua cabeça não funcionava assim. Eu, contudo, havia recebido minha massagem no ego ao ouvi-lo dizer que eu era a única a dormir com o Lorde. Por mais que eu soubesse que meu marido nem ao menos tinha meios para saber se aquilo era verdade, não podia deixar de me deleitar com aquela ideia. A única. Eu não suportava imaginar meu Lorde, meu amor, dormindo com mais ninguém.


         No dia seguinte àquele jantar, fomos convocados a uma pequena reunião. Milorde queria acabar com um repórter do Profeta Diário que vinha publicando matérias que encorajavam as pessoas a se voltarem contra nós. Parece que até agora ninguém havia seguido seus conselhos, mas ele vinha ganhando certa popularidade. O Lorde nos instruiu a matá-lo e fazer com que seu corpo fosse encontrado no meio do Beco Diagonal, o mais mutilado possível mas ainda reconhecível. Ah, como eu adorava meu trabalho!


         Depois da reunião, fiquei para trás enquanto os outros iam embora. Assim que o último idiota aparatou, eu e o Lorde nos beijamos com ardor. Já havia alguns dias que eu não o via, e estava louca por suas carícias. Enquanto seus lábios me consumiam, seus dedos já abriam o meu vestido, tocando cada pedaço de pele que expunha. Ele me levantou um pouco pela cintura e eu me sentei na mesa atrás de mim, onde há pouco estávamos decidindo a morte do jornalista. Mordi o lábio quando ele passou a beijar meu pescoço e tratei de me livrar da camisa dele, enroscando minhas pernas em seu quadril.


         - Rodolphus sabe. Sobre nós dois. - murmurei, minha voz falhando quando ele mordeu a curva do meu pescoço.


         - Eu sei, ele não conseguia pensar em outra coisa durante e reunião. - ele disse contra minha pele, e passou os lábios para meu seio enquanto sua mão acariciava o outro, me fazendo reprimir um gemido. - Nunca vi ninguém tão feliz em ser corno.


         Soltei uma risada, passando os dedos por seu cabelo. - Fiquei feliz por não ter afetado a lealdade dele por você. - eu disse, e ele me puxou mais para perto e apertou meu mamilo já exposto, arrancando o gemido que eu tentava reprimir. Ele adorava quando eu demonstrava minha lealdade. - Acho que é porque ele nos ama demais para se importar, a mim e a você, de jeitos diferentes, é claro.


         - Não é só por isso. - ele falou, levantando o rosto e me olhando nos olhos. Sua voz já estava afetada pela excitação e eu adorava ouvi-lo daquele jeito, ainda mais quando ele sussurrava tão próximo aos meus lábios como agora. - É porque ele nunca teve você assim, completamente, como eu tenho. Se ele tivesse, se ele soubesse como é, nunca ia querer outra coisa, e nunca dividiria com ninguém.


         Beijei-o com toda a paixão que eu tinha, mal acreditando em suas palavras. Te todos os elogios que eu já recebera, absolutamente todos, nenhum tinha me afetado como aquele. Vindo da boca do Lorde, ainda por cima, aquilo tomava proporções muito maiores. Era a coisa mais próxima a uma declaração de amor que ele jamais chegaria, era praticamente uma demonstração de afeto! Dissolvi-me totalmente naquele beijo e deitei-me na mesa, puxando-o junto.


         - Ainda assim, você me divide com ele. - eu sussurrei, voltando a mim, quando os lábios dele retornaram para os meus seios e suas mãos começaram a acariciar minhas pernas.


         - Divido? - ele disse, sarcástico. Não, não dividia, eu percebi. Não importava que eu ainda dormisse com meu marido de vez em quando – de vez em nunca. Eu era do Lorde e de mais ninguém, e nada podia mudar isso.


        


 


         Por mais que aqueles fossem os tempos de ouro para os Comensais, na casa dos Black, minha família vivia um período agitado. Narcissa se casou dois anos depois de mim com Lucius Malfoy, nenhuma surpresa. Andrômeda continuava desaparecida, sujando o nome da nossa família. Eu tentava procurar por ela em minhas horas livres, mas Milorde estava certo quando disse que minhas folgas seriam cada vez menores. Ele sempre estava certo, afinal. Sem contar que, em várias das horas livres que eu tinha, eu preferia passá-las na casa dele, me derretendo em seus braços, do que em uma busca infrutífera pela minha irmã renegada. O Lorde também acertara, afinal, quando dissera que a traidora não causaria problemas a nós.


         No ano seguinte ao casamento de Narcissa, meu pai morreu de infarto. Infarto, uma morte tão comum para um Black! Uma morte que eu nunca queria ter, diga-se de passagem. Se eu tivesse que morrer, queria que fosse em batalha, lutando pelo meu Lorde. Não posso dizer que não me afetei pela morte de meu pai. Admito que fiquei triste, mas apenas por alguns dias, e logo o esqueci. A pior parte da morte dele era que Milorde tinha perdido um ótimo Comensal, e um dos seus primeiros. Com a morte de meu pai, contudo, minha pobre mãe ficou inconsolável. É certo que ela havia casado muito bem duas de suas filhas, mas nenhuma delas havia lhe dado um neto ainda, e a desonra de Andrômeda somada à tragédia de meu pai a fizeram ver tudo pelo lado negativo. Morreu seis meses depois, sabe-se Merlin de quê. Imagino que seja de desgosto.


         A mansão ficou, então, aos cuidados dos meus tios, Orion e Walburga. Foi aí que as coisas começaram a ficar realmente ruins para os Black. Tio Orion nunca parava em casa, quando não estava trabalhando ou em alguma missão para Milorde, estava no Caldeirão Furado enchendo a cara ou se cercando de prostitutas. Tia Walburga, além de ainda abalada pela perda do irmão e da cunhada, ficava uma fera com a atitude do marido e quase não dava atenção para os dois garotos. Não fiquei surpresa, então, quando Sirius fugiu de casa quando completou dezesseis. O garoto sempre fora fraco, assim como Andrômeda, com um amor inexplicável pelos trouxas e sangues ruins. Minha tia quase ficou louca quando isso aconteceu, mas ela era muito mais forte que minha mãe (era uma Black, afinal), e resistiu bem.


         Enquanto isso, Regulus se esforçava para ser o filho perfeito e honrar nosso nome, atitude que eu admirava, apesar de saber que meu primo mais novo não era exatamente o melhor tipo de Black. Ele era como Narcissa, frágil e assustado, e eu sempre receava que eles dois se quebrassem. Lembro-me, porém, de algo que meu pai uma vez me falou sobre os Black que tinham essa natureza. Na época, eu não era mais que uma criança, estava irritada que Narcissa não entendia minhas brincadeiras. Então meu pai me olhou nos olhos e disse:


         - Escute, Bellatrix, e não se esqueça disso. Existem dois tipos de Black: aqueles como você e Andrômeda, que sempre sabem o que querem e fazem tudo para conseguir, que têm uma presença forte e sempre se destacam entre outros bruxos. E existem aqueles como Narcissa, que parecem mais frágeis e vulneráveis; mas em certo momento, num momento decisivo, esse tipo de Black ganha uma força impressionante e surpreende a todos com essa força. Então seja paciente com sua irmã, um dia ela irá ganhar a força dela e vocês duas se entenderão melhor.


         Até então, creio que Narcissa ainda não tinha encontrado essa tão clamada força, mas eu sabia que meu pai estava certo sobre haverem dois tipos de Black. Andrômeda, assim como Sirius, era de fato como eu, embora os dois tivessem suas ambições voltadas para o lado errado. Eu via que Narcissa e Regulus eram iguais também, e tinha medo que, se ganhassem essa força que deviam ganhar, eles também a direcionassem contra o Lorde das Trevas. Eu não receava tanto de Narcissa agora que ela estava casada com um bom Comensal, apesar de absolutamente desprezível como pessoa, pois eu imaginava que ela seria tão submissa ao marido quanto minha mãe fora, e por isso estava segura.


         Regulus, contudo, era outra história, e eu não confiava tanto no meu primo. Por isso, foi um alívio para mim quando, um ano depois de Sirius fugir de casa, seu irmão mais novo resolveu se juntar aos Comensais da Morte. Como não podia deixar de ser, eu descobrira aquilo do jeito mais estranho e embaraçoso possível. Eu estava voltando de um pequeno trabalho, apenas cuidando do desaparecimento de um funcionário do Ministério, direto para a casa do Lorde, louca para dar-lhe as notícias sobre meu sucesso. Aparatei no hall, e pendurei minha capa escura já com os olhos na sala. De onde eu estava, conseguia ver apenas um pedaço do aposento, e Milorde estava exatamente no meu campo de visão, virando o rosto para mim.


         - My Lord, tudo ocorreu bem! - eu disse, andando depressa para ele. Fiz uma leve reverência com a cabeça, sorrindo maliciosa. Eu já quase não o reverenciava quando estávamos sozinhos, não havia necessidade, mas eu gostava de fazê-lo quando chegava de uma missão. Me aproximei então até quase tocá-lo, e falei numa voz mais baixa e provocante – Fiz tudo que você mandou, do jeito que você mandou...


         - Muito bem, Bella. Você será devidamente recompensada... no momento apropriado. - ele falou, sorrindo, e a leve mudança em seu tom de voz ao final da frase foi o suficiente para me fazer perceber que não estávamos sozinhos. Merda. Me virei para o lado, o canto da sala que eu não conseguia ver do hall quando cheguei. Meu tio Orion e seu filho mais novo estavam ali, parecendo constrangidos. Mil vezes merda.


         - Tio Orion, Regulus, que bom ver vocês! - eu falei, colocando no rosto meu sorriso de moça de família. Minha vontade era de começar a rir daquela situação ridícula, mas me controlei.


         - Bom te ver também, Bellatrix, vejo que está muito bem. - disse meu tio, olhando disfarçadamente para minha roupa com uma implícita reprovação.


         Só então fui perceber de que eu, ainda por cima, estava sem a minha capa negra de Comensal. Não é que houvesse alguma regra, mas tínhamos entre nós o costume de não retirarmos as capas dentro da sede, como sinal de respeito ao Lorde, um modo de manter certa impessoalidade e profissionalismo no lugar. Como eu não pretendia manter nenhum tipo de impessoalidade e entrara ali com o objetivo de tirar não só a capa, mas todo o resto da minha roupa, eu estava pouco me lixando para aquela formalidade e deixara a capa pendurada no hall. Agora meu tio estava com certeza me julgando, e sabe-se lá o que se passava na cabeça dele. Minha sorte era que eu nunca me importara com a opinião de ninguém, exceto a de Milorde.


         - Estou melhor que nunca, obrigada. - respondi, ainda sorrindo. - Então, o que fazem aqui?


         - Diga, Regulus. - falou meu tio, colocando a mão no ombro do filho, para encorajá-lo ou para intimidá-lo. O garoto abriu e fechou a boca umas duas vezes antes de encontrar a voz.


         - Eu vim expressar meu desejo de me tornar um Comensal da Morte. - ele falou com certa firmeza. Pelo menos não gaguejou, coitado!


         Apesar da timidez, porém, eu vi algo nos olhos dele, uma certa admiração. Não hesitei em entrar em sua mente, apenas por um breve segundo, e fiquei impressionada com o que vi. O garoto realmente queria se juntar a nós, ele parecia ter uma boa adoração pelo Lorde. Finalmente, a parte boa do sangue dos Black o atingira! Ele parecia ser ainda vulnerável e ingênuo, mas pelo menos estava encaminhado para o lado certo, assim como minha irmã.


         A partir de então, ele começou a ser introduzido aos poucos na nossa rotina, participando de algumas missões pequenas, como todo Comensal iniciante, e não demorou muito para receber sua Marca Negra. Algumas semanas depois que meu primo se juntou a nós, outro jovem também recebeu sua Marca, um garoto um ano mais velho que Regulus, chamado Severus Snape. Não vinha de uma família ruim, e tinha um grande talento para poções que podia ser muito útil para o meu Lorde. Era inteligente e dedicado, mas alguma coisa me incomodava sobre ele, e não era só sua aparência repugnante. Decidi seguir meus instintos e perguntei a Regulus sobre ele, afinal, os dois estudavam juntos. Quando meu primo de contou a história do garoto, fui imediatamente até o Lorde, ele precisava saber daquilo.


         - Apaixonado por uma sangue ruim? - Milorde falou, parecendo um pouco surpreso. - Nunca vi isso na mente dele. Vou manter um olho em Snape, se você acha isso tão importante, mas tudo indica que ele a esqueceu, Bella. O rapaz tem sido um bom Comensal, e enquanto ele me for útil e leal, não vou gastar muito tempo com isso.


         - Sim, Milorde, está certo. É só que... eu não sei, não consigo ir com a cara dele.


         - Nenhuma novidade nisso. O dia em que você for com a cara de todos os Comensais é o dia em que vamos ver um Weasley rico. - ele falou, e eu dei uma pequena risada.


 


         Depois disso, porém, foi difícil continuar me preocupando com minha desconfiança em relação a Snape ou com as loucuras da família Black, porque Milorde começou a ocupar praticamente todo o meu tempo. Não só como amante, mas principalmente como mestre. Eu fui incumbida, junto com alguns outros Comensais, de espionar Albus Dumbledore. Desde a ascensão de Milorde, o velho estava sempre à frente de movimentos contra nós e havia sido o idealizador de várias estratégias do Ministério para nos prejudicar. Nos últimos meses, contudo, ele estava quieto demais, e meu Lorde estava desconfiando desse seu silêncio. Nosso dever era descobrir o que ele estava armando, e, depois de vários meses de trabalho árduo, finalmente descobrimos.


         - Dumbledore está reunindo seguidores, Milorde! Está juntando pessoas para lutarem contra nós. Eles se denominam a Ordem da Fênix. - eu disse, em frente à cadeira na qual ele se sentava majestosamente. Os outros Comensais que haviam trabalhado comigo estavam ajoelhados atrás de mim, em sinal de respeito. Milorde escorou o queixo nas mãos e me encarou, seus olhos chegando até minha alma.


         - E quem está participando dessa tal Ordem? - ele perguntou, sua expressão e sua voz completamente calmas quando eu sabia que ele fervia de ódio por dentro.


         - Ainda não conseguimos descobrir a identidade de todos os membros, mas há muitos Aurores envolvidos, como Shacklebolt,  Moody e Podmore. Mas, pelo que sabemos até agora, a grande maioria é formada por sangues ruins e traidores do sangue, Jones, Weasley, e Bones. Sabemos que essa não é a lista completa, mas decidi te contar imediatamente.


         - Muito bem. Seus esforços serão recompensados, de todos vocês. - ele disse, acenando para os comensais atrás de mim, e todos acenamos em agradecimento. - Continuem procurando, quero o nome de todos os integrantes da Ordem da Fênix o mais rápido possível. Tentem descobrir quando e onde eles se encontram, o que eles pretendem fazer e tudo mais que puderem descobrir. Malfoy, você entra na liderança no lugar de Bellatrix.


         Prendi a respiração. Ele estava me tirando da liderança? O que eu fizera de errado? Malfoy se levantou, orgulho estampado em seu rosto, e se colocou ao meu lado. Eu não precisava ler sua mente suja para saber que ele estava pensando que eu cometera um erro muito grande e, conhecendo Malfoy, que ele achava que esse erro fora na cama. Ele não podia estar mais enganado.


         - Milorde, eu... - comecei, ainda atônita, mas ele me calou com um gesto da mão.


         - Você já fez o que eu te ordenei nessa área, Bella, agora creio que será mais útil me ajudando a resolver outra questão, um tanto mais urgente.


         Alívio encheu meu peito quando ouvi aquelas palavras. Então eu não havia feito nada de errado, pelo contrário, fizera algo muito certo. Eu sorri e agradeci novamente com a cabeça.


         - Lucius, use seus contatos no Ministério para vigiar os três Aurores que sabemos participar da Ordem, eles são provavelmente a chave mais fácil. Não deixe, contudo, de usar outros meios, todos de que você dispuser. Quero notícias a cada nova informação que encontrar.


         - Sim, Milorde. - disse o loiro, fazendo uma enorme reverência.


         O Lorde fez um breve sinal com a mão, mandando que ele fosse embora, e Lucius se virou, partindo com o resto da equipe. Eu fiquei onde estava, olhando para o homem sentado à minha frente com admiração. O rosto dele era uma máscara de frieza, mas eu sabia que ele devia estar extremamente preocupado. Quanto mais tempo eu passava com meu Lorde, mais eu conhecia sobre ele, mais eu conseguia entendê-lo. Ainda assim, quanto mais eu conhecia do homem, mais eu o admirava como um deus. Um deus de carne e osso, tão próximo a mim, e ainda tão intangível. Quando mais eu o compreendia, mais misterioso ele se tornava.


         - Mestre, o que quer de mim? - perguntei, despertando-o de seus pensamentos.


         - Quero muitas coisas de você, Bella. - ele falou, um sorriso malicioso surgindo no canto dos seus lábios. Sorri também e mordi meu lábio, pensando em todas as coisas que eu queria dele. Mas agora não era hora e eu sabia disso, assim como Milorde. - Mas sobre a Ordem da Fênix, quero que me ajude em algo muito importante, um investimento a longo prazo.


         - Tudo o que quiser, mestre, é só pedir. - falei, me ajoelhando displicentemente no chão à sua frente, meus olhos o fitando com submissão e curiosidade. Ele deu um leve sorriso com a minha atitude e com a conotação da minha frase.


         - Você deve encontrar um espião para infiltrarmos na Ordem. Ainda não me decidi se devemos colocar um de nossos próprios homens ou se devemos trazer um deles para nós. Colocar um dos nossos seria o ideal, teríamos sua lealdade garantida, mas temo que tenhamos dificuldade em colocá-lo lá dentro. Dumbledore é um Legilimens habilidoso, como sabe, e eu receio que ele tem mais informações sobre nós do que o Ministério.


         “Você, Bella, vai escolher um Comensal para infiltrar na Ordem e treiná-lo, se preciso, para que ele não levante suspeitas. Ainda assim, temo que não conseguiremos. Por isso, você vai procurar saber o máximo possível sobre os membros que já conhecemos, para descobrir qual deles será mais adequado para trazer para o nosso lado. Escolha alguns Comensais para te ajudar, se você achar necessário.”


         - Sim, Milorde. - eu disse, emocionada com a honra de ter uma tarefa tão importante em minhas mãos. Levantei-me e sentei-me em seu colo, e ele me olhou nos olhos, aquelas íris vermelhas demonstrando enfim um pouco de preocupação. - Dumbledore não pode nos vencer com esse grupinho de sangues ruins, Mestre.


         - Eu não sabia que você tinha talento em adivinhação, Bella. - ele falou com um meio sorriso debochado no rosto.


         - Não é preciso ser vidente para prever isso, meu Lorde. Contudo, veja só, – eu peguei uma de suas mãos e virei a palma para cima – você tem uma linha da sorte muito grande, e está vendo essa pequena linha aqui do lado? Essa é a Marca da Glória, só aparece naqueles destinados ao poder e à vitória. - eu falei, fingindo uma voz muito solene. Ele levantou uma sobrancelha e tentou reprimir um sorriso que teimava em aparecer em seus lábios.


         - Você está inventando isso, Bellatrix. Não existe isso de Marca da Glória, e essa linha é só uma cicatriz. - ele disse, finalmente permitindo que o sorriso se instalasse em seus lábios finos. Aquele sorriso raro e magnífico, que apenas eu conseguia arrancar dele.


         - Ora, isso são meros detalhes! O fato é que esse bando de amantes dos trouxas nunca será páreo para o seu poder. - depositei um beijo leve em seus lábios antes de levar minha boca até seu ouvido. - Não se preocupe além do necessário, Milorde, você precisa se distrair desses problemas. Relaxe agora, sim? - sussurrei, com um leve tom mandão, e comecei a beijar seu pescoço.


         - Não tente me dar ordens, Bella. - ele disse, sua mão apertando minha cintura.


 


 


         Enquanto eu começava a trabalhar em minha nova tarefa, Milorde organizava com outros Comensais uma emboscada para a Ordem da Fênix. Faríamos um ataque a um vilarejo trouxa, e alguém deixaria escapar a data e o local propositalmente para alguém da Ordem. O objetivo, é claro, era mensurar melhor seu tamanho e sua força e, de quebra, matar quantos deles nós conseguíssemos. Obviamente, eu não perderia essa batalha por nada!


         Fomos no dia marcado, todos usando nossas capas e máscaras de crânio. A primeira coisa que fiz foi conjurar a Marca Negra, e então começamos a atacar os trouxas. Mal os gritos haviam começado a ecoar, aparataram em nossa frente uns trinta ou quarenta bruxos, e começaram a nos atacar. Nossos números estavam mais ou menos equilibrados, e começamos a duelar com fúria. Feitiços voavam para todos os lados, e os trouxas idiotas corriam e gritavam assustados com as luzes coloridas.


         Os membros da Ordem tinham vindo com as caras limpas, e eu reconheci ali vários rostos, muitos dos quais nós ainda não sabíamos que participavam da Ordem. Pobres tolos, como queriam não ter as famílias perseguidas se não protegiam as identidades? Não que eu estivesse surpresa, Dumbledore vivia criticando nossas máscaras com uma metáfora de desonestidade e covardia e blá blá blá. Agora eu queria ver o que ele acha de máscaras, quando tivermos todos os membros de seu grupinho mapeados e rastreados.


         Eu estava duelando com dois membros da Ordem ao mesmo tempo. Um deles era Dawlish, um Auror conhecido, e o outro era um comerciante do Beco Diagonal cujo nome eu me esquecera, apenas um sangue ruim nojento. Trocávamos feitiços rapidamente, mas nem os dois juntos conseguiam me derrubar. Em certo momento, porém, Dawlish me lançou um feitiço que passou perto de mais. Muito longe para me acertar, ou até mesmo para me deixar preocupada, mas perto o suficiente para me irritar.


         - Diffindo! - gritei, apontando a varinha para o seu peito.


         Ele gritou de dor e puxou de uma vez os botões de sua camisa, olhando desesperado para sua pele, que se partia como vidro rachado, o sangue brotando e escorrendo. Eu sei que esse feitiço foi criado para quebrar objetos apenas, mas com pessoas era tão mais divertido! As rachaduras no peito dele se aprofundaram e se espalharam pelo corpo, e o Auror me lançou um último olhar desesperado antes de cair em pedaços no chão. Era uma cena muito bonita de se ver, na minha opinião, e, bonita ou não, me ajudou bastante, pois o companheiro de Dawlish se distraiu do duelo para ver a morte dele, horrorizado. Aproveitei a deixa e lancei-lhe uma maldição da morte, que atingiu-o em cheio.


         Acontece que alguém mais, a alguns metros dali, viu a morte do Auror e do comerciante. O garoto gritou e correu até mim, pronto para vingar a morte dos colegas. Eu o reconheci no mesmo instante, era meu primo renegado que fugira de casa no ano anterior. Já era de se esperar que Sirius estaria ali, era bem a cara dele bancar o herói. Soltei uma risada bem alta quando começamos a duelar e vi o reconhecimento brilhar em seus olhos, ele sabia que era eu quem estava por baixo da máscara.


         - Qual o motivo de tanta raiva, priminho? Um deles era seu namoradinho, era? - eu provoquei, em meio aos feitiços. O garoto era até um bom duelista, mas não o suficiente. Eu só queria brincar um pouco antes de acabar com ele.


         - Cale essa sua boca imunda, Bellatrix! Não ouse zombar da memória deles. - ele disse, irritado, e eu dei outra risada. - Você não tem piedade mesmo, não é? Esses homens tinham família, Dawlish tinha um filho pequeno!


         - Verdade? Se eu soubesse, teria o torturando ameaçando a criança, seria tão divertido! Que pena... da próxima vez me avise isso antes, Sirius.


         - Sua vadia! - ele gritou, jogando uma chuva de feitiços em mim. Tive que recuar alguns passos para me defender de todos, mas me recuperei rapidamente e voltei a atacá-lo.


         - Ah, o pirralho finalmente aprendeu a xingar! Achei que fosse passar a vida toda me chamando e boba e chata.


         - Bellatrix! - soou uma voz ali perto, uma voz muito familiar a mim e a Sirius, literalmente. No segundo seguinte, Regulus estava ao meu lado, atirando feitiços no irmão junto comigo. - Se você pode cuidar da Andrômeda, então deixe que eu acabe com ele. - disse o jovem ao meu lado, sem tirar os olhos do duelo.


         Achei muito justo e saí de perto dos dois, orgulhosa com a atitude do meu primo mais novo. Não pude ver os dois lutando, entretanto, pois logo outros membros da ordem começaram a me atacar, e fiquei imersa nos duelos pelo resto da noite.


         Foi uma batalha longa e cansativa, mas acabamos por sair vitoriosos. A Ordem da Fênix bateu em retirada, por fim, e ficamos ali com vários corpos aos nossos pés, os trouxas correndo e gritando à nossa volta. Muitos dos corpos estavam mortos, e praticamente todos eram membros da Ordem ou trouxas atingidos por acaso. Dos poucos Comensais caídos, nenhum estava morto. Parece que os seguidores de Dumbledore eram tão frouxos quanto ele.


         Encontrei um dos meus primos no chão, mas não o primo que eu esperava encontrar. Regulus estava desmaiado ali, a máscara quase caindo de seu rosto franzino. Fedelho fraco, incompetente! Não se fazem mais Blacks como antigamente, de fato. Chutei uma pedrinha do chão, frustrada. Parecia que nossa família estava caindo aos pedaços, como o corpo do Auror que eu matara, e não havia nada que eu pudesse fazer para impedir.


 

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