Chasing cars // Música da banda Snow Patrol
If I lay here, if I just lay here... Would you lay with me and just forget the world?
I don't quite know how to say how I feel...
Se eu me deitar aqui, se eu simplismente me deitar aqui... Você deitaria comigo e iria apenas esquecer o mundo?
Eu ainda não sei bem como dizer como eu me sinto...
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Alicia sentiu todo o ar fugir-lhe dos pulmões. Por mais que, realmente, tivesse pensado nessa possibilidade, jamais acreditou que pudesse ser verdadeira. Sentia os olhos se encherem de lágrimas. Levantou-se, meio tonta, derrubando a cadeira e cambaleou alguns passos até a porta.
- Um dia você entenderá os motivos de sua mãe, Alicia. E, como a chance de nos vermos amanhã é pequena, feliz aniversário.
A menina escutava pela metade. As lágrimas escorriam em grande quantidade. Cambaleou mais alguns passos até conseguir alcançar a porta e sair correndo daquele lugar.
A proveffora McGonagall, ao ver a aluna correr, balançou negativamente a cabeça e subiu calmamente os degraus até sua sala.
- Talvez seja importante avisarmos a Juliet que o segredo foi revelado... - Dumbledore suspirou.
- Tudo a seu tempo, Albus. Descanse, você já fez coisas demais por hoje.
Alicia corria sem rumo. Apenas corria. As lágrimas ainda escorriam numa quantidade incrível. Quando finalmente parou, a respiração descompassada e as batidas do coração aceleradas, se deu conta que estava no campo de quadribol.
Entrou no vestiário e pegou uma vassoura qualquer e o pomo de ouro. Montou na vassoura e soltou a bolinha que, logo, tomou os ares e sumiu. O tempo estava mais frio, talvez fosse chover. Mas Alicia não ligou, deu impulso e logo voava, não atrás da bolinha, mas para fugir de seus próprios problemas.
Infelizmente não conseguia tirar da cabeça a revelação que tivera e, menos ainda, entender os motivos de sua mãe para tal mentira.
Voava cada vez mais alto, e pequenas gotas de chuva fria começavam a cair. Chorava. O pomo passara a poucos centímetros, guinou a vassoura e começou a perseguí-lo.
"Mas o seu pai Alicia, é de fato, Harry James Potter." - A voz de Dumbledore ainda ecoava na cabeça da garota. E quanto mais pensava sobre o assunto, menos o entendia.
A chuva começou a cair com mais intensidade, as gotas frias misturando-se às lágrimas da garota.
Se tivesse sabido... Sua vida poderia ter sido tão diferente! Teria um pai sobre o qual falar, conheceria a história da vida dele... Mas não, sua mãe preferiu privá-la de tal alegria...
Alicia sentia raiva da mãe por tantas mentiras. Tinha dúvidas se queria desculpá-la.
- Tá melhor, cara? - Chad perguntou assim que Thomas se juntou a eles no salão comunal.
- Tô sim, só tá um pouco dolorido, ainda... Mas nada que não esteja melhor amanhã. - Ele sorriu. Percorria, com os olhos, o salão comunal.
- Ela foi à biblioteca devolver uns livros e, suponho, que deva ter ficado por lá lendo mais... - Susan comentou sem desviar os olhos da revista.
- Mas eu não disse nad...
- E nem precisa, Thomas. Talvez você, finalmente, tenha acordado. - Ela encarou o irmão por um segundo, sorriu, e tornou a voltar os olhos para a revista.
Alicia parou no ar. Deixava as lágrimas escorrerem e sentia os pingos gelados baterem-lhe no corpo. Por um momento sua mente desviou-se de sua mãe e focou-se em Harry Potter.
O herói. Aquele que conhecera bem vagando às lembranças de sua mãe e lendo nos livros. Olhou na direção da torre mais alta do Castelo. Pôde visualizar sua mãe e ele beijando-se no primeiro dia do ano novo.
Por que? Por que ela nunca mencionara o fato de que Harry Potter passou em sua vida? Estava morto, não tava? O que tinha demais?
Alicia não conseguia dar razão a mãe. Tremia ligeiramente de raiva. O pomo passou por perto, outra vez, virou a vassoura e tornou a perseguí-lo.
- São quase onze e meia! - Katerine comentou.
- A Aly realmente não tem jeito... - Susan balançou negativamente a cabeça.
- Eu já estou ficando com sono! - Rafaela bocejou.
Edward e Chad disputavam uma partida de xadrez de bruxo. Thomas apenas olhava o fogo, pensativo.
- Não me esperem. - O rapaz levantou decidido. Todos olharam, mas ele ignorou, pegou um casaco no dormitório e, vestindo-o, saiu pelo buraco do retrato da Mulher Gorda.
Alicia pegou o pomo há poucos metros do chão. Desmontou a vassoura, cambaleando, e largou-a pelo gramado. A chuva estava realmente forte, mas pouco importava. Deu mais alguns passos e deixou-se cair no gramado enxarcado.
Agora as gotas da chuva batiam com força contra seu rosto, ardia. Fechou os olhos e tentou esvaziar a mente. Mas a voz de Dumbledore não saía de lá. O pomo ainda se debatia na mão direita. Manteve-a fechada. Os olhos, agora, encaravam o céu negro. Mais uma vez lágrimas e chuva se misturavam.
O relógio de pulso apitou meia-noite. Quinze anos.
Quinze anos de mentiras. - Foi o que conseguiu pensar enquanto mais lágrimas brotavam em seus olhos.
Pôde ouvir, ao longe, uma voz lhe chamando. Ignorou. Não queria ver ou falar com ninguém. Permanecia deitada, imóvel. Virou a cabeça na direção do vestiário. Um par de pernas se aproximava. A chuva e as lágrimas impediam de ver quem era. Só queria que, quem quer que fosse, saísse dali e a deixasse em paz.
Tornou a encarar o céu, os olhos fechados outra vez. O soluço baixinho. Sentiu alguém se deitando a seu lado. Por um sádico momento desejou que fosse Cardigan e que esse viesse para se vingar. A dor que ele talvez lhe infligisse ainda seria menor do que a que sentia agora.
Sentiu a mão da pessoa fechar-se sobre a sua. Não era Jack, e Alicia quase se lamentou por isso.
Sem esforço nenhum, o estranho aconchegou-a em seu peito. Não falava nada. Não exigia nada. Só a chuva fazia barulho.
O coração de Alicia batia tão forte quanto o da pessoa que a abraçava. Chegava a sentir raiva daquele estranho entender o que ela queria e ficar quieto. Preferia que ele falasse, questionasse... Assim ela começaria a gritar e isso, talvez, aliviasse a dor.
Ergueu os olhos para o rosto daquela criatura e assustou-se ao ver Thomas ali, quieto, apenas fazendo carinho em seus cabelos.
Ele sorriu como quem se desculpava. Ela não conseguiu reagir de forma nenhuma, apenas olhava-o e sua mente demorava a registrar a informação.
- Eu vim te dar parabéns... - Ele murmurou.
Ela apenas abraçou-o mais forte. Os lábios estavam tão próximos, os coraçõs tão acelerados... A chuva, a raiva... Tudo parecia distante, agora.
A mão do rapaz acariciava seu rosto e a outra segurava sua nuca. Alicia ainda tremia, ligeiramente.
Aos poucos, sem que se soubesse da onde veio a iniciativa, os lábios se tocaram e explodiram num beijo cheio de paixão.
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