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Boa leitura!!!
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E seria assim que aquela noite terminaria? Hermione completamente adormecida e alcoolizada sobre sua cama, vestindo suas roupas e sem lembrar de absolutamente nada no dia seguinte? Pagaria para ver.
[...]
- Muito frio, Malfoy...
Foi quando se aproximou e encostou sua mão sobre o rosto dela que sentiu sua temperatura altíssima.
- Droga, Granger... é febre.
[...]
A enfermeira vinha correndo até eles, trajando seu pijama.
- O que aconteceu... com as roupas dela, Sr. Malfoy?
Draco sentiu o ar faltar-lhe. Que resposta daria? O que a enfermeira pensaria a respeito?
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CAPÍTULO 23 - Reviravoltas
Draco estava em estado de nervos diante da possibilidade de ter de confessar as coisas que haviam se passado em seu dormitório de monitor chefe, ou como Hermione conseguira ingerir tanto álcool. Certamente que não confessaria nada disso, estaria arriscando não apenas seu pescoço, mas o de Hermione e de todos os seus amigos sonserinos. Festas particulares nos salões comunais não eram algo realmente legal em Hogwarts, e renderiam punições severas se o diretor tomasse conhecimento disso. Mas Draco estava nervoso, não por essa infração nas regras, e sim por toda a audácia que cometera com Hermione naquela noite e que, reciprocamente, ela também cometera com ele. A enfermeira nunca entenderia nada do que ele tentasse explicar a respeito disso, então, resolveu que não daria satisfação alguma.
Madame Ponfrey os fitava de uma forma reprovativa, observando cada vestimenta de Hermione e franzindo o cenho em dúvida e curiosidade por ela estar trajando aquelas roupas masculinas. Muitas idéias absurdas passavam pela cabeça da enfermeira gordinha, mas Draco sabia perfeitamente bem que apenas uma parte dessas idéias era mesmo real. O sonserino estava impaciente, visualizando Hermione sobre a cama. Sabia o quanto ela deveria estar cansada, já havia tido bebedeiras como aquela e sabia bem como a castanha estaria se sentindo naquele momento. Precisava mantê-la acordada e era por isso que apertava firme a mão da garota sempre que percebia que ela ameaçava adormecer novamente.
A enfermeira entendeu todo o silêncio de Draco da pior forma possível e tentou ignorar os fatos, óbvios para ela, e absurdos para Draco.
- O que houve com ela, Sr. Malfoy? – A voz de Madame Pomfrey saiu autoritária e séria.
- Febre, muita febre.
A voz de Draco era um misto de preocupação, desespero e insegurança. Sabia que a culpa era sua, por tê-la exposto a um banho de água fria em uma noite bastante gelada. Mas aquela havia sido sua única opção, precisava trazer-lhe a sobriedade, embora não tivesse obtido êxito algum nessa tentativa.O que havia conseguido , era que Hermione o provocasse e o excitasse. Essa lembrança o arrepiava completamente, era como se ainda pudesse sentir a respiração ofegante dela indo de encontro a sua pele, as unhas dela cravando-se em suas costas, as mãos delicadas e pequenas da castanha o acariciando, o sabor dos seus beijos sedentos de desejo. Era tudo tão irreal, tão imprevisível e impensável.
- A febre dela não está assim tão alta, Sr. – a voz da enfermeira o tirou de seus devaneios, após verificar a temperatura de Hermione.
- Como não? Ela está fervendo.
Draco tentava protestar, podia sentir a pele de Hermione queimando contra a sua, naquele contato de mãos. Os olhares de Hermione eram vagos, sonolentos, inexpressivos. Queria carregá-la de volta para a sua cama e aconchegá-la em seu peito até que ela adormecesse novamente. Cortava-lhe o coração vê-la naquele estado fragilizado e vulnerável.
- A Senhora não vai dar nenhuma poção a ela? – Draco indagou, em um tom um pouco mais exaltado. - Nada?
- Sr. Malfoy, não diga o que eu tenho que fazer.
A voz exaltada de Draco intensificara as dores de cabeça que Hermione estava sentindo. A castanha sentira, então, o frio novamente.
- Draco, eu sinto frio. – sua voz saiu fraca.
Draco estremeceu escutando-a dizer aquilo tão fracamente e, novamente, sentiu o desejo de arrastá-la dali de volta para debaixo de suas cobertas, até lembrar que elas estavam, na verdade, ensopadas.
- Acredito que seja um inicio de pneumonia.
Draco recebeu as palavras da enfermeira com um certo espanto, deveria ser sério, afinal. Não gostava de vê-la adoecida daquela forma, era um tipo de senso de proteção que tinha por ela e incrivelmente por mais ninguém. Aquilo, em si, o assustava ainda mais.
- Ela estava dormindo com os cabelos molhados? - A enfermeira perguntou.
O sonserino estava preocupado o suficiente com Hermione pra que se lembrasse de ponderar suas respostas da forma como deveria fazê-lo.
- É, estava...
- E o Sr. estava dormindo com ela?
- Sim, mas ela precisa de cuidados, pode ir preparar as poções? – Insistiu , exaltado.
- O Sr. realmente dormiu com ela?
A voz da enfermeira saíra com um misto de indignação e incredulidade. Draco havia cometido o erro de responder o que não deveria.
- Ah, não... não dessa forma. - Tentou consertar.
- Oh.. – estava espantada pelo o que havia ouvido da boca de Draco.
Era tudo completamente surreal. Aquela situação não poderia estar sendo pior. Era suficientemente constrangedor estar naquela enfermaria em plena madrugada de uma segunda feira, trajando seu pijama e com Hermione alcoolizada e febril sobre uma cama.
- Será que pode medicá-la? Eu a trouxe aqui para isso.
- Sim, sim. Já estou indo.
E, então, a enfermeira gordinha saiu em passos rápidos para os fundos da enfermaria, deixando Draco e Hermione a sós. O sonserino ainda segurava a mão dela, prendendo-a fortemente à sua, e ainda podia sentir a pele quente de Hermione queimando-lhe.
- Draco, me cubra... – Hermione tremia com o frio.
Draco entendera de imediato, percebendo-a aninhar-se contra seu próprio corpo, em forma de concha. Observou o local e avistou umas cobertas próximas, sobre uma cama, alcançando-as e cobrindo Hermione. Percebeu que a castanha se aninhara ainda mais, ainda com os olhos fechados, embora fosse visível que ela ainda estava acordada, talvez relutando para isso. Draco sentiu um tipo de compaixão, até então desconhecida, por ela, ao mesmo tempo em que sentiu a preocupação atingir-lhe novamente. Levou uma de suas mãos de encontro aos cabelos dela e os acariciou, percebendo que ela estremecia com o contato.
- Você vai ficar bem, não se preocupe.
Suas roupas e aquele cobertor não estavam sendo suficientes, mas não poderia fazer absolutamente mais nada para ajudá-la. Hermione abriu os olhos com certa dificuldade, sentindo sua visão embaçar e muito do que estava a sua volta girar em sua cabeça, até que conseguisse focar seu olhar em Draco, e perceber que ele a encarava também.
- Eu sei que vou ficar bem, Draco.
Era como uma rajada forte de sentimentos, indecifráveis. E elas atingiram Draco em cheio. Sentiu seu estômago se revirar imaginando se ela ainda estaria desorientada ou não, e caso não estivesse, por quais razões ela estaria chamando-o pelo primeiro nome.
Até que ambos fossem interrompidos de seu transe momentâneo, com a presença da enfermeira.
- Beba isto, senhorita Granger. – se aproximava carregando um pequeno vidrinho nas mãos - Vai ajudar a diminuir sua febre.
Draco a ajudou a sentar-se na cama, em uma posição confortável para ingerir o líquido esverdeado. Hermione não protestou, simplesmente bebeu tudo o que a enfermeira estava forçando garganta abaixo, por vezes, esboçando algumas caretas enojadas pelo gosto amargo da poção.
- Draco, a gente vai voltar pra cama? – sua voz soava fraca.
Draco sentiu os olhares da enfermeira caírem sobre ele novamente, e quase corou diante da situação. Hermione estava dificultando o momento.
- Tente dormir, Granger. – dissera isto encobrindo a gafe de Hermione.
Sua temperatura continuava alta, Draco constatava isto pois voltara a acariciar-lhe os cabelos e a face.
- Ela me parece um pouco... desorientada. – Pomfrey a analisava com olhos críticos. - Ela andou ingerindo álcool?
- Cervejas amanteigadas demais, no baile. – respondeu indiferente, fazendo daquilo uma quase verdade, haviam sido mais do que cervejas amanteigadas.
- Oh!
Draco precisou revirar os olhos naquele mesmo instante, diante de toda a cena que a enfermeira estava criando. Era absurdo
- O Sr. não se envergonha nem um pouco, Sr. Malfoy? – sua voz era rude, assim como seus olhares eram severos.
Pomfrey balançou a cabeça em sinal de negação, como se estivesse indignada com algo ou mesmo tentando afastar idéias absurdas de sua cabeça. Observou Hermione mais uma vez, recebendo os olhares vagos e sonolentos da castanha como em resposta.
- Ah, Srtª Granger, tão inocente. – sua voz era doce, penosa.
- O que foi que eu fiz, droga?
Pomfrey o ignorara, sentando-se a beira da cama e observando Hermione atentamente. Sem muita opção, Draco se afastara da cama, indo até a outra extremidade, não muito distante e com todos os seus sentidos aguçados.
- Querida, pode me contar, não tenha medo. – sua voz saira sussurrada, estava tentando evitar que Draco escutasse. - Ele a forçou? Foi sua primeira vez, querida?
Hermione não estava retribuindo nenhum dos olhares da enfermeira, estava desorientada o suficiente para não estar dando a mínima para o que ela estava dizendo. Draco ouvira a última parte daquele diálogo, sentindo seus nervosos se eletrizando e a vontade incontrolável de se exaltar diante da situação.
- Ei, eu não acredito que esteja pensando que nós... – se aproximou, irritado.
- Exatamente, Sr. – e lhe direcionara um olhar cortante, raivosa pela intromissão. - Agora volte para seu dormitório.
Eram quase três horas da madrugada, Draco teria aulas bem cedo e era verdade que estava sonolento, quase tanto quanto Hermione, mas não se moveria dali por nada. Precisava cuidar dela, era sua obrigação, não se permitiria sair dali e deixá-la sozinha.
- Não. Eu vou ficar aqui com ela.
- Faça o que digo, Sr, se não quiser maiores encrencas. – ela não facilitaria a situação, já o estava fazendo há muito tempo.
Draco entendeu bem o aviso e compreendeu que encrencas não era bem o que ele gostaria naquele momento. Já estava encrencado com o fato de a enfermeira achar que haviam dormido juntos. Suspirou contrariado, mas não protestou diante da ordem da enfermeira. Direcionou seus olhares mais uma única vez para Hermione, dando-lhe as costas e alguns passos curtos para longe dali.
- Aonde você vai Malfoy? – a voz fraca de Hermione o interrompera no mesmo instante.
Draco sorriu fraco, sentindo aquela voz doce o inundando por dentro com sentimentos indecifráveis. Virou-se para ela e tentou passar algum tipo de segurança em seu olhar.
- Eu venho buscar você mais tarde, Granger.
- Você vai me deixar aqui sozinha? – sua voz saiu sussurrada, até mesmo chorosa.
Seu olhar ainda era sonolento, e ainda mantinha uma expressão confusa na face. Mas sua voz era doce e causava um tipo de compaixão em Draco.
- Você sobrevive. – sorriu fraco, aprofundando seus olhares aos dela.
- E se eu sentir frio? – dissera sussurrando, sem se importar com a presença atenta da enfermeira. - Você não vai me aquecer?
- As cobertas estão ai pra isso. – e sorriu largo, agora, divertido com as coisas que ela estava dizendo.
Até mesmo alcoolizada, desorientada, sonolenta, vestindo suas roupas, doentia e com a voz fraca, ela conseguia tirá-lo dos eixos. Aquela voz chorosa, a expressão indignada em sua face, o pouco brilho triste em seus olhos, era tudo incrivelmente doce e o contagiava internamente. Não estava contente por estar sentindo tudo isso, mas era incontrolável e inevitável, apenas sentia.
- Mas e quem vai dar banho em mim? – sua voz saiu indignada, agora, quase exaltada, ao mesmo tempo em que abria mais seus olhos.
Se Draco fosse o tipo que corasse fácil em situações vergonhosas, certamente ele já o teria feito. Hermione estava ultrapassando os limites sem nem mesmo se dar conta disso. A voz aguda da enfermeira soltou um gritinho de espanto novamente, e Draco entendeu que ela estava tirando mais conclusões erradas agora, ou mesmo estava confirmando suas suspeitas de antes.
- Draco... – Hermione quebrou o silêncio.
- Hã?
- Você traz as bebidas quando voltar? – e sorriu meio lábio, o sorriso que aprendera com ele, provocando-o como só ela era capaz.
- Durma, Granger.
E, dizendo isto, deu as costas para ela, para Pomfrey e para aquela enfermaria. Sorria em sua caminhada de volta para seu dormitório, imaginando no que a enfermeira estaria pensando agora. Estava pouco se importando com isso, aquela Hermione enferma e bêbada era um tipo diferente de Hermione, mas estava gostando de tê-la assim. Era sua namorada, mesmo que de mentiras, mas era.
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Draco não conseguira dormir direito naquela madrugada, ainda tinha milhares de pensamentos rondando-lhe a mente, assim como sua preocupação por Hermione o estava impedindo de pegar no sono. Acordou cedo logo pela manhã, vestindo seu uniforme e pegando seu material. Deixou o seu dormitório de monitor chefe com certo ar de vitória, não havia como não gostar desse novo posto.
Seguiu direto para a torre grifinória, sem se importar no que as pessoas estavam achando disso, vendo-o caminhar naquela direção. Percebeu que algumas poucas pessoas estavam o observando atentas demais. Os rumores do baile estavam se espalhando frenéticos pelo castelo, e em breve seriam confirmados.
Assim que Draco se aproximou do quadro que dava acesso à Casa, um garoto aparentemente primeiranista aparecera por lá, ligeiro. Draco o puxou pelas vestes com uma certa grosseria.
- Ei, pode chamar alguém do 7º ano pra mim?
O menininho o fitou assustado, mas o obedeceu no mesmo instante. Correu depressa para dentro do salão e desapareceu por lá. Draco esperou impaciente, se o garotinho faria o que ele havia pedido, não tinha a menor certeza, mas esperaria para ver.
Após alguns longos minutos o quadro se abrira e uma cabeleira ruiva surgira dali. Draco arregalou os olhos, não esperava encontrá-la tão cedo naquele dia.
- Malfoy... – A voz de Gina era sussurrada e surpresa. - Que brincadeira estúpida é essa?
Draco sorriu meio lábios, até mesmo um tanto malicioso.
- Eu só preciso das roupas da Granger...
- O quê?– havia um tom irônico em sua voz. - Espera um pouco... você sabe onde a Hermione está?
- Enfermaria. – respondeu indiferente, observando-a ainda nos olhos. - Pode ir lá pegar as roupas e o material dela?
Gina o observou mais uma vez, atenta, tentando absorver toda a informação. Sabia que a castanha não havia dormido no dormitório naquela noite, e isto a havia deixado intrigada. Gina tinha idéias absurdas passando por sua cabeça, naquele momento. Resolveu obedecê-lo, rumando para o dormitório e retornando, alguns minutos depois, com o uniforme de Hermione e o material dela nas mãos.
Os entregou a Draco, deixando que suas mãos se roçassem no ato. Mas Draco não demonstrou nada com esse contato, na verdade, ele a estava ignorando.
Draco não lhe agradeceu, muito menos lhe dirigiu mais palavras, simplesmente lhe dera as costas e seguira na direção oposta pelos corredores. Foi quando ouviu passos atrás dele e constatou que ela o estava seguindo.
- Aonde pensa que vai? – dissera irritado.
- Ela passou a noite na enfermaria? – Perguntou Gina , com o cenho franzido.
- Boa parte da noite... – respondeu seco.
- E o restante dela?
Draco apenas sorriu com o canto dos lábios, lembrando das provocações novamente. Aquelas lembranças o deixavam completamente abobado, e era simplesmente inevitável. Gina estremeceu com aquela atitude, suas suspeitas se confirmando.
- O que exatamente está acontecendo, Malfoy?
- Ela bebeu demais e acordou com febre. – respondeu seco novamente.
- Eu não falo disso. É sobre vocês.
Ela o estava pressionando, e ele agora entendia que tipo de resposta ela queria para aquelas indagações. Sentiu um nó se formando em sua garganta, diante da única resposta que deveria dar a ela.
- Nós estamos juntos.
Gina recebera aquela informação como uma estaca sendo afundada em seu peito. Não esperava por aquele tipo de revelação.
- Muda alguma coisa, Draco? – disse, querendo parecer indiferente.
- Vamos conversar sobre isso depois, Virginia.
- Parece mentira. – tinha os olhares vagos, a voz fraca. - É mentira, certo?!
Draco sorriu meio lábio, novamente, imaginando que resposta daria a ela. Gina era, acima de tudo, a razão para ele ter proposto aquele acordo a Hermione, queria provocá-la, queria fazê-la sentir-se inútil, fazê-la perder a influencia sobre ele. Draco a desejava, cada parte de seu corpo, mas iria fazer Gina sentir a dor da rejeição. Desde o momento em que a presenciara com Harry, Draco sabia que precisava puni-la por aquela “traição”.
- Não, é bem real, na verdade. – respondera, por fim.
Gina sentiu a estaca afundando ainda mais em seu peito, seu ar faltando e o chão desaparecendo de seus pés. Não precisava sentir-se daquela forma, Draco não significava nada para ela, mas não queria que justo Hermione o “roubasse” dela.
Caminharam em silêncio por todo o caminho restante até a enfermaria, seguindo entre atalhos para que ninguém os visse juntos. Assim que adentraram a enfermaria, seus olhares caíram sobre Hermione, sentada com as pernas para fora da cama.
Seus cabelos encaracolados caindo sobre a face, ela ainda vestia a roupa de Draco e as analisava com olhares de dúvida, com as sobrancelhas arqueadas. Draco sentiu uma pontada no peito, entendendo bem as razões para as dúvidas dela: certamente não se lembrava de nada.
- Ow... suas roupas ficaram um horror nela, Draco. – Gina exclamara, entre expressões repulsivas.
- Shii! – Draco a reprovara.
Naquele mesmo instante, Hermione ouviu os passos deles se aproximando de sua cama e, erguendo seus olhos, os avistou. Tinha uma expressão indecifrável no rosto, mas estava com uma aparência bem melhor que a da madrugada passada.
- Mione, estávamos tão preocupados. – Gina se aproximou, exclamando eufórica.
- O que faz aqui, Gina?
- Vim trazer suas roupas. – e retirou as roupas das mãos de Draco, entregando-as para Hermione. - Você não dormiu na grifinória.
- Eu estou bem.
Hermione disse isto fraca, analisando as roupas em seu corpo, novamente. Seus pensamentos estavam vagos, perdidos, era como se houvesse estado adormecida por muito tempo. Draco a observou, aproximando-se ainda mais. Sua preocupação retornou, e era sincera.
- Tem certeza disso, Granger?
- Claro, Malfoy. – sorriu, contrariada.
- Então melhor se vestir.
Hermione entendeu rápido o que precisava fazer e, erguendo-se de sua cama, caminhou para os fundos da enfermaria. Tinha os passos um pouco descompassados, talvez ainda desorientada pela bebedeira da noite passada. Gina a observou atenta, com expressões curiosas na face, visualizando aquelas vestimentas masculinas. Draco também a observava, com os pensamentos perdidos naquele momento. Lembrava, com uma perfeição absurda, do momento em que precisara trocar as roupas intimas de Hermione, molhadas, e o quanto fora árduo esse trabalho. Ela estava tão provocativa e tão desprovida de qualquer timidez, sentia saudades dessa Hermione ousada.
A castanha percebeu que eles a estavam olhando e, em um ato ligeiro, tentou esticar a camiseta e cobrir parte de suas coxas.
- Você dormiu com ela, Draco. – a voz de Gina soou em uma constatação absurda.
E, dizendo isto, a ruiva o acertara em cheio com os cotovelos em seu estômago.
- Au... isso dói, Virginia.
- Você passou dos limites. – estava irritada.
Mais alguns olhares penetrantes e a ruiva se afastou dali, saindo rapidamente da enfermaria. Draco esboçou um sorriso de canto de lábio, sabendo que havia alcançado seu objetivo no acordo muito facilmente: estava irritando e afetando Gina com a sua relação de mentiras com Hermione.
Após alguns minutos Hermione retornou, vestindo seu uniforme e segurando as roupas de Draco nos braços. Caminhava ajustando sua saia sobre seu corpo e terminando de prender sua gravata grifinória em seu pescoço.
- Aonde a Gina foi? – observava a enfermaria vazia.
- Você deveria ficar e descansar, Granger.
Draco retirou as roupas das mãos dela, depositando-as dentro de sua bolsa, sobre seus ombros, e entregando-lhe a bolsa dela, por fim. Hermione esboçou uma careta, alcançando sua bolsa.
- Urg! Detesto enfermarias.
Draco sorriu, observando-a e caminhando a frente dela.
- Então vamos.
Caminharam para fora da enfermaria, por vezes, Hermione vacilava em sua caminhada. Quando já estavam descendo os últimos degraus da escadaria que os levaria até o Salão Principal, Draco observou Hermione desequilibrar-se, agarrando-a depressa pela cintura.
- Tudo bem, só tontura e dor de cabeça.
Hermione estava tentando tranqüilizá-lo com aquelas palavras, mas só estava conseguindo preocupá-lo ainda mais com aquilo. Caminhavam em direção ao Salão, já estavam próximos, mas ainda havia algo que Hermione precisava perguntar-lhe. Ponderou por alguns instantes, até que tomasse a coragem necessária.
- Malfoy...
Sua voz o despertara de um devaneio, ainda a segurava pela cintura, presa contra seu corpo. Aquela aproximação o fazia lembrar-se das provocações, e o transportava para longe em seus pensamentos. Observou a expressão de dúvida na face de Hermione e entendeu o que estava acontecendo.
- Você não lembra de nada, não é mesmo?
- Pouca coisa... – respondeu com uma ponta de vergonha em suas palavras.
- O que exatamente lembra?
Hermione fitou as portas de carvalho ao longe, cerrando os olhos e forçando sua mente para as lembranças que tinha da noite passada.
- Baile, dança com Harry, você e Gina, cervejas amanteigadas... – respirou por alguns instantes, observando as expressões de Draco. - Harry e ofensas, choro, pessoas em volta, beijo...
Precisou interromper a listagem, aquela lembrança, era, definitivamente, a melhor daquela noite de baile. Lembrava do gosto daquele beijo, dos lábios finos de Draco movendo-se contra os seus, as caricias em seus cabelos, o modo como ele pedira para que ela não acreditasse em nada do que Harry havia dito sobre ele. Suspirou por alguns segundos, lembrando que havia sido apenas um beijo de cumprimento de acordo. Desejava que houvesse sido sincero. Precisava de beijos como aquele, eles a transportava para um mundo em que suportava viver.
Respirou fundo e voltou a sua listagem...
- Alan nu... – soltou um riso fraco, sendo acompanhada por Draco. - Festa sonserina...
Draco sentiu um tipo de desconforto com aquelas ultimas palavras. Era justamente naquele ponto que Hermione começaria a ingerir as bebidas e a esquecer do que havia sido capaz de cometer.
- Dança... aquilo foi muito legal! – e soltou um sorriso largo. - Bebidas, Parkinson, Arg... – esboçou uma expressão de irritação, lembrando de Draco dançando com Pansy. - Bebidas, mais bebidas e mais danças...
- Lembra de terem alisado suas pernas? - disse isto irritado, mas com certo divertimento.
- Como é? – exaltara sua voz, interrompendo sua caminhada.
Já estavam próximos das portas do Salão. Aquela revelação deixara Hermione assustada, mais do que isso, temia o que mais de inconsciente possa ter feito.
- Sabia que não lembraria. – Draco sorriu, evitando fitá-la, seria mais fácil se não o fizesse, não gostava de lembrar que Alan a acariciara.
Hermione estava visivelmente incrédula com aquela informação, permanecera calada, esperando que ele continuasse.
- Você bebeu demais, Granger. Fez coisas que não deveria...
Queria respostas para todas as suas perguntas, as mais absurdas até, mas não sabia como tirá-las de Draco.
Draco a segurou firme pela cintura novamente, voltando a caminhada em direção às portas do Salão. Já estavam mais próximos agora, e Hermione sabia que aquele seria o momento. Respirou fundo, sem fitar Draco, e iniciou um novo e breve diálogo.
- Pomfrey disse algumas coisas... – suspirou, nervosa. - ... Sem sentido.
- Sobre...? – Draco tinha a voz arrastada.
- Sobre nós!
- O que ela disse? – indagou ligeiro.
- As suas roupas... – suspirou mais uma vez, observando-o - Como elas vieram parar no meu corpo?
Draco sentiu o ar lhe faltar naquele momento. Ele esperava que ela formulasse perguntas diferentes daquela. Os olhares dela estavam profundos sobre sua face, tentando lê-la. Por fim, se aproximaram das portas e estas se abriram automaticamente. O salão estava cheio, muitas vozes e risos soltos ecoavam por lá. Hermione percebeu que Draco não lhe responderia. Sentiu uma pontada firme em seu peito. Suas suspeitas estariam sendo confirmadas?
Assim que entraram no Salão, muitas cabeças se direcionaram para eles, assim como as vozes se transformavam em sussurros agora.
- Eles estão comentando sobre o beijo? – sua voz também saira sussurrada, para que só Draco ouvisse.
- Provavelmente. – respondeu seco, aproximando-se de sua mesa sonserina.
Os sonserinos eram os que mais sussurravam, os que mais os fitavam, expressões que iam desde curiosas até divertidas. Hermione estava corada diante disso, sabia que havia passado uma noite entre os sonserinos, mas não entendia o porquê de toda aquela atenção direcionada a eles. Hermione se afastou de Draco, fazendo menção de seguir para sua mesa. Mas Draco fora mais ligeiro, agarrando sua mão no mesmo instante e forçando-a para próxima dele novamente.
Draco olhou de relance para alguns de seus amigos sonserinos, avistando Alan e nenhum sinal de Pansy. Começou a apanhar alguns pães sobre a mesa, assim como algumas torradas.
- O que está fazendo? – sussurrara próxima ao ouvido dele.
- Finja que será um piquenique, Granger.
Draco sorriu para ela, puxando-a para fora do salão novamente. Todos os olhares, naquele momento, estavam direcionados a eles. As vozes já se intensificavam, mas eram difíceis de serem entendidas. Saíram a passos ligeiros para fora do salão, Draco praticamente arrastando Hermione.
As portas que davam acesso aos jardins ficavam próximas dali e, em pouco tempo, já estavam pisando nos gramados. Draco a levou para um canto próximo, onde havia alguns bancos. Jogou sua bolsa sobre o mesmo, assim como Hermione o fizera, e se sentara, com as pernas uma de cada lado do banco, no que Hermione o acompanhou, sentando-se também.
- Vai me explicar, então? – Hermione quebrara o silêncio, observando-o entregar-lhe alguns pães.
- Eu devo isso a você, não?
Ele não estava esboçando sorrisos, não estava lhe dirigindo muitos olhares. Hermione alcançou os pães, percebendo que ele não havia pegado nenhum para ele mesmo.
- Você quer saber sobre as roupas, então?
Hermione balançou afirmativamente sua cabeça, esperando para que ele iniciasse as explicações. Mordeu um de seus pães, sentindo seu estômago agradecer pelo alimento.
- Você estava bêbada, por isso precisei levá-la até meu dormitório... – respondeu, seco.
- Urg... – e soltou um ruído de indignação, lembrando de mais uma informação. - Você é monitor-chefe agora, certo?
Draco afirmou com a cabeça, dirigindo-lhe olhares inexpressivos.
- Então precisei dar um banho de água fria em você.
- Você deu banho em mim? – quase se engasgou com seus pães.
Aquela revelação não foi muito bem vinda. Suas suspeitas estavam quase sendo confirmadas.
- Você me arrastou pra debaixo do chuveiro. –disse isto com um sorriso leve nos lábios, imperceptível para Hermione.
- Por que eu fiz isso?
- Porque você é insana quando está bêbada. – e sorriu largo, esperando que ela também achasse graça disso.
Hermione ponderou as informações e sorriu, fraca, não querendo saber muito bem o que exatamente ele queria dizer com “insana” .
- Eu disse muitas besteiras?
- Nem imagina quantas. – e lhe negou olhares.
- Fiz muitas besteiras também?
Draco não respondera, apenas lhe fitara. Aqueles olhares penetrantes deveriam significar algo, e Draco desejava que ela entendesse. Para ele, a noite passada havia sido sua experiência mais interessante desde que aquele acordo fora firmado entre eles, e revelar isto a ela não era nada fácil.
A castanha pareceu entender e, por isso, não pressionou por uma resposta.
- Só diga se... – e respirou fundo, criando coragem para aquilo. - Por favor, diga que nós não...
- Sexo?
Draco foi objetivo, completando a frase inacabada de Hermione. Ela arregalou os olhos de leve, afirmando que “sim” e esperando que ele prosseguisse.
- Não, claro que não, Granger. – era absurdo.
Hermione respirou aliviada. Era o que queria ouvir, mas não era o que estava conseguindo ler nas expressões dele. Era com se ele estivesse incerto das coisas que estava dizendo, como se estivesse escondendo-lhe algo. Hermione não conseguia lembrar de nada, mesmo que se esforçasse o máximo para isso. Na verdade, essa falta de lembranças era o que a machucava internamente.
- Você poderia ter se aproveitado da situação, se quisesse... – Hermione quebrou o silêncio, ainda perdida em seus devaneios.
- Eu até quis. – Draco sorriu meio lábio, recordando do quanto estivera excitado com a castanha. - Mas, sabe, você desenvolve meu auto-controle.
Hermione sorriu abertamente com aquelas ultimas palavras. Estava começando a acreditar nele, e isto já a reconfortava por dentro. Precisava lembrar de nunca mais ingerir álcool daquela forma.
- Obrigada.
- Pelos pãezinhos? – e sorriu, observando-a morder um no mesmo instante.
- Não, por cuidar de mim.
- Grandes cuidados, você passou uma noite inteira na enfermaria.
E soltou um muxoxo de indignação.
- Vamos pras aulas, certo? – Hermione interrompeu, em um riso solto.
Draco entendeu no mesmo instante e, erguendo-se do banco, pegaram seus materiais e se afastaram dali. Hermione terminou de comer seus últimos pãezinhos, satisfeita. As descobertas não haviam sido as das melhores, ainda estava cheia de duvidas, mas estava contente pela confiança que ele lhe passara afirmando que eles não dormiram juntos.
Caminharam pelos corredores a caminho da primeira aula do dia, que seria Poções.
Em determinado momento, Draco sentiu olhos fitando-o atentos. Conhecia perfeitamente bem aquela sensação de estar sendo observado, mas resolveu que precisaria verificar. Revirou a face para trás, observando quem o estava fitando tão profundamente. Ao longe, reconheceu uma silhueta e não deixou de estremecer com aquela imagem. Caminhava lado a lado com Hermione, segurando-a pela cintura, entre muitos alunos curiosos que os observavam.
Sentiu um nó se formar em sua garganta, e sabia que não haveria escapatórias dessa vez.
- Granger... – sua voz saiu falha, interrompendo a caminhada.
Draco respirou fundo, observando a silhueta ao longe novamente e parecendo querer criar coragem para o que faria.
- Pode ir pra aula sem mim?
Hermione não entendeu, tentou acompanhar os olhares dele, ao longe, mas fora impedida quando ele agarrara sua face e focou os seus olhares nos dele.
- É importante, eu não demoro. – não esboçou expressões algumas. – E promete que não olha pra trás?
Definitivamente, ela estava intrigada.
- É a Parkinson, Malfoy? – sua voz saiu fraca, desejava que ele não respondesse.
Draco negou com a cabeça, tinha uma expressão, agora, entristecida. Ele estava diferente, ela tinha plena certeza disso.
- Não olhe...
E, dizendo isto, se retirou dali, dando-lhe as costas. Hermione não olhou, permaneceu com o olhar direcionados ao ponto onde ele havia estado, antes que ele se afastasse. Ponderou toda a situação por alguns instantes, tentando decidir se faria o que ele estava pedindo ou olharia. Mas, Hermione, inexplicavelmente, estava confiando nele. Decidiu que não olharia, simplesmente seguiria seu caminho até a sala.
Draco seguiu todo o percurso inverso, seus passos muito árduos. Ainda avistava a silhueta conhecida ao longe, e sabia que aquele seria o momento. Era entristecedor para ele, imaginar que muito da sua vida seria decidido em questões de poucos passos. Ao menos era assim que ele esperava que fosse.
Se aproximou de uma armadura, percebendo a silhueta se afastando e guiando-lhe para um ponto em que houvesse maior privacidade.
- O que faz aqui? – a voz de Draco estava exaltada. – Eu disse que não queria que desse na vista dessa forma.
Ouviu uma risada, estava sendo contrariado.
- Conversar... – e a silhueta, agora bem mais visível, lhe respondera, indiferente...
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Hermione caminhou para sua primeira aula do dia, ainda intrigada com a súbita retirada de Draco. Estava, agora, arrependida de não ter contrariado o sonserino e ter verificado, por si só, com quem ele havia ido se encontrar. Poderia ser qualquer uma, desejava apenas que não fosse Pansy.
Adentrou as Masmorras, percebendo que muitos dos alunos já estavam presentes, em seus respectivos lugares. Avistou uma mesa vazia, não muito ao fundo, encaminhando-se até ela e sentando-se. Harry a observava, ao longe, com uma expressão que ela podia distinguir como irritada.
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- Nós não precisamos ter essa conversar agora... – Draco tinha sua voz exaltada. – Nem aqui...
- Eu disse que o prazo estava se esgotando, Draco. – o homem a sua frente tinha uma expressão irritada.
Draco o visualizou novamente, estava com os dentes cerrados e muito atento a todos os movimentos do homem. Lembrou das cartas que recebia com freqüência dele, forçando-o a tomar uma decisão, e lembrou, também, do quanto Alan não o apoiava na decisão que pretendia tomar.
Fez menção de iniciar um novo diálogo, entreabrindo os lábios para soltar suas palavras, mas fora grosseiramente impedido. Rapidamente, o homem a sua frente, muito mais alto e forte que ele, lançou uma de suas mãos em direção a sua gravata e a agarrou firme, forçando-o contra a parede e tentando asfixiá-lo, mesmo que essa não fosse sua real intenção.
- Você não tem que dizer nada, Draco... apenas decida...
O sonserino sentiu o ar faltar-lhe, o homem estava conseguindo machucá-lo. Seu ódio o estava consumindo naquele momento, detestava ser tratado daquela forma por ele.
- Draco, eu estou sendo paciente demais com você...
- Sim. – dissera ríspido, lutando por ar – Minha... decisão... é sim.
Sentiu o aperto em seu pescoço afrouxar e o ar invadir sua garganta por definitivo. Não havia mais como querer voltar atrás em sua decisão, arcaria com as conseqüências, sozinho.
- Ainda hoje, eu volto para buscá-lo... filho.
E, dizendo isto, Lucius se afastou, gargalhando fraco. Draco respirou fundo, visualizando seu pai cada vez mais distante. Não estava feliz, não estava satisfeito com sua decisão, simplesmente irritado e quase arrependido do que fizera. A imagem de Alan desaprovando-o quanto a todo esse assunto estava viva em sua cabeça. Lembrava de uma conversa antiga, com o melhor amigo, e, agora, se arrependia de não ter pensando melhor na decisão que acabara de tomar.
Flash Back
- Ah, ótimo. E que problemas seriam esses? Sou seu amigo, não sou? Podia me contar... – Alan se aproxima da poltrona, bastante curioso.
- Eu já disse, só dizem respeito a mim. [...]
- Não é com o Lucius, né? Você já andou tendo problemas demais com ele por esses dias. – Alan ficara sério.
[...]
- Ah, não, cara... não vai me dizer que você ainda ta pensando nisso? Draco, você não tem que fazer todas as vontades do seu pai. [...]
[...]
– Se resolver concordar, vai perder a minha amizade. Pode achar que ela não significa nada, mas fui eu que estive do seu lado nos piores momentos.
- Que papo é esse Alan?
[...]
Fim Flash Back
Tentou ajeitar sua gravata em seu pescoço novamente, enquanto voltava a caminhar pelos corredores em direção às Masmorras, onde Hermione o esperava.
Foi quando ouviu um ruído que lhe lembrava um assobio. Revirou a face para o lado e visualizou uma cabeleira ruiva se estreitando atrás de uma armadura. Já havia tido uma dose de Gina aquela manhã, não queria ter que aturá-la novamente. Na verdade, já fazia um bom tempo que não tinham seus encontros noturnos. Seu acordo com Hermione o tinha desfocado de sua relação com Gina, assim como de sua relação com Pansy. E o mais assustador nisso tudo, para ele, era o fato de não ter sentido falta delas. Hermione estava preenchendo esse vazio, mesmo que não completamente, mas estava conseguindo saciá-lo. Balançou a cabeça com essas constatações e resolveu que daria um gelo nela, pelo menos enquanto tivesse problemas maiores para resolver.
- O que faz aqui, Virginia? – sua voz era rude. – Eu disse que não gosto de exposição.
- Você ainda me deve explicações.
Gina o puxou firme para trás da mesma armadura em que estava, com os lábios muito próximos ao dele, sussurrando suas palavras. Draco estava impaciente, na verdade, não desejava ter aquela conversa com ela, não naquele momento.
- Agora não, Virginia. – tentara se afastar, sem êxito.
- Por que a pressa? A Mione está esperando por você, é?!
Draco detestava quando Gina ironizava aquela situação e, ouvindo as palavras da ruiva, naquele momento, sentiu ainda mais raiva da garota. Respirou fundo e desviou a face no exato momento em que ela ameaçou beijá-lo. Gina não entendia a rejeição, mas ele a estava irritando.
- Acabou, Virginia.
- O quê? – Disse Gina , fazendo-se de desentendida.
- Está livre... – tinha irritação em sua voz – Agora você pertence apenas ao Potter. Vá.
Antes que a ruiva pudesse protestar, Draco a empurrou forte para longe dele, puxando-a pelo braço e arrastando-a para o meio do corredor. Negou olhares a ela, dando-lhe as costas e seguindo o caminho das Masmorras. Gina estava detestando-o por aquela grosseria, mesmo que desejasse aquela liberdade mais que tudo. Na verdade, ela estava intrigada por ele ter citado o nome de Harry, era simplesmente impossível que ele soubesse de seu namoro com o moreno. Sabia que ainda se vingaria daquela rejeição, de alguma forma o faria.
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Havia transcorrido pouco daquela primeira aula de Poções quando Draco adentrou as Masmorras. O ruído das portas sendo abertas desfez completamente a concentração dos alunos. Snape fez menção de dirigir-lhe a palavra, mas desistiu no mesmo instante em que seus olhos se cruzaran. Na realidade, Snape estava invadindo a mente de Draco e tudo o que estava visualizando ali o interessava.
Draco se direcionou para a mesa em que Hermione estava, sentando-se ao lado dela, calado. A castanha estava curiosa, intrigada, podia observar a gravata frouxa e mal ajustada no pescoço de Draco, e aquilo a atormentava profundamente. As pessoas estavam dirigindo seus olhares diretamente a eles, quase descaradamente.
- Estão nos olhando. – surrou para ele, após algum tempo já sentado ao seu lado.
- Somos namorados, esqueceu?
Hermione notou, naquele mesmo instante, o tom rude que ele estava usando para dirigir-lhe a palavra. Não estava gostando de ser tratada daquela forma, e o estava sendo desde o primeiro instante que o vira naquela enfermaria, naquela mesma manhã. Draco negava-lhe olhares e palavras, tratando-a friamente. Não entendia, e nem mesmo tentaria entender. Resolveu se concentrar em seus deveres e ignorá-lo também.
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Ao final daquela manhã de aulas, Hermione e Draco se separaram, seguindo cada um para seus respectivos dormitórios. Draco agradecia por ter um que fosse só dele, agora, assim poderia passar o tempo que pudesse sozinho, até que o buscassem . Estava nervoso com esses pensamentos, muito em breve seria o que todos repudiavam, mas estava se recusando em pensar por esses ângulos. Lembrou de Hermione, de seu acordo, em como seria dali pra frente. Pensava que talvez já estivesse próximo o dia em que alcançariam, por definitivo seus objetivos naquele jogo. Estavam conseguindo enganar Hogwarts com aquele namoro falso, conseguindo irritar Gina e Harry e mostrar a eles que Hermione e Draco podiam, sim, formar um casal apreciável.
Mas havia algo suspeito entre eles, um tipo de sentimento inesperado e confuso para ambos. Se resumia, simplesmente, na felicidade que os consumia quando estavam juntos, no desejo por beijos e caricias, no sentimento de conforto e segurança que sentiam invadir-lhes. Como Draco lidaria com isto depois desse dia, quando oficializasse a decisão que tomara e comunicara a seu pai, logo cedo?
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Hermione permaneceu em seu dormitório grifinório durante boa parte daquela tarde, recuperando suas energias, assim como se curando de sua ressaca. Ainda não lembrava de muita coisa, mas as lembranças estavam começando a surgir fracas em sua cabeça. Todas as informações que Draco lhe dera, aquela manhã, só a deixaram ainda mais confusa e intrigada.
Era aproximadamente sete horas da noite, não faltava muito para que o jantar fosse servido. Hermione, assim como muitos alunos, já povoavam o salão principal, entre conversas. A castanha procurava por Draco em meio a todos aqueles sonserinos, sem conseguir avistá-lo, apoiada contra uma pilastra próxima às grandes portas. Quando, repentinamente, Harry surgiu bem a sua frente, com uma expressão diferente de todas as que ela conhecia.
- O que quer, Harry? – dissera rude, fitando-o.
- Entender... – disse isto sério – Como você teve coragem, Hermione?
Ela precisou revirar os olhos diante das indagações de Harry. Detestava ter que manter qualquer tipo de diálogo com ele e, agora, mais do que nunca, já que suas lembranças da noite passada eram vagas.
- Qualquer coisa, Hermione... – sua voz e suas expressões ainda eram rudes. – Mas não o seu corpo.
- Por favor, Harry...
Aquela situação era suficientemente desconfortável. Acreditava em Draco, quanto a não ter acontecido nada entre eles, mas ainda tinha suas suspeitas.
- Eu avisei a você, que era isso que ele queria...
- Não diga mais nada, Harry. Cale a boca. – era sua vez de agir rude.
O moreno estremeceu vendo-a exaltada diante dele. Hermione estava com os nervos a flor da pele, quando sentira uma mão fria se entrelaçar com a sua. Podia sentiu uma onda de alivio dominando-a, sabendo que ele estaria ali com ela e, mais do que isso, porque havia passado tempo demais longe dele aquela tarde.
- Você não quis me escutar, Hermione... – Harry insistia em seus protestos.
Nenhum dos dois estavam respondendo ou retrucando ao que o moreno dizia, permaneciam estáticos, penetrando Harry com os olhares fuziladores, até que ele se sentisse desconfortável e se retirasse dali. Draco revirou os olhos, incrédulo com o quanto Harry conseguia ser absurdo nas coisas que dizia. Foi quando notou os olhares confusos e quase marejados de Hermione. Entendeu, no mesmo instante, que todas as palavras de Harry estavam conseguindo afetá-la, como na noite do baile.
- Granger...
- É só porque eu não me lembro de muitas coisas, Malfoy... – sua voz soava embargada, explicativa.
- Você não está acreditando neles, está?
Hermione não lhe respondeu, apenas despejou-lhe olhares que diziam muito. Sim, ela estava acreditando. Draco não se conformava com isso, ela deveria acreditar nele, acima de tudo. Afinal, fora ele quem cuidara dela quando ela estava bêbada, ele quem não abusara dela em momento algum, mesmo quando ela o provocara e mesmo quando tivera que despi-la, assim como fora ele quem a levara às pressas para a enfermaria quando percebera que ela estava febril. Draco analisou as expressões de Hermione uma última vez, antes de segurar sua face, não muito firme, entre suas mãos, e beijá-la.
Era, na verdade, um beijo terno, tranqüilizador. Hermione correspondeu, no mesmo instante, sentindo seu peito inundar com os sentimentos que não deveria estar nutrindo por ele. Talvez estivesse confundindo as coisas, distorcendo aquele jogo, ou talvez estivesse mesmo gostando dele. Era absurdo, sim, mas não havia explicações lógicas, senão essa.
Ele a trouxe para mais próxima de seu corpo, enlaçando sua cintura, moldando seus lábios aos dela, em movimentos vagarosos, saboreando aquele beijo mais do que a qualquer outro. Era seu conforto, diante dos problemas que estava carregando em seus ombros agora.
Foi quando, muito repentinamente, ele se afastou dela, interrompendo o beijo. Assustada, Hermione fora capaz apenas de observá-lo esboçar expressões de dor, ao mesmo tempo em que contorcia seus músculos.
- Está se sentindo bem?
Draco lhe negou uma resposta pra essa pergunta, respirando fundo e revirando sua face para a bancada de professores, ao longe. Revirou a cabeça na direção de Hermione, novamente, tentando fitá-la nos olhos, mas perdendo o foco.
- Não precisa esperar por mim pra jantar.
E, dizendo isto, Draco se afastou dali, deixando Hermione para trás, curiosa. Saiu em direção às portas de carvalho a passos ligeiros, ainda sentindo a dor e contraindo seus músculos, como se isso a diminuísse. Assim que as portas se fecharam atrás de si, Draco se jogou contra uma das paredes, baixando a cabeça e soltando um grito abafado de dor, ao mesmo tempo em que alcançava seu braço esquerdo e o apertava firme.
Nesse mesmo instante, Snape surgira através das portas de carvalho, direcionando-se até ele, com suas vestes se esvoaçando.
- Eu já disse para não expor a marca dessa forma, Draco.
Cuspia suas palavras, ríspido, observando Draco com desdém, apertando seu braço da mesma forma como ele o estava fazendo. Certamente que estaria sentindo a mesma dor e ardência que Draco sentia, naquele momento, mas estava suportando bem mais que o louro.
- Por que essa droga tem que arder tanto?!
Draco respirava fundo, tentando suportar a dor que a sua marca negra estava causando nele. Sabia que Ele os estava convocando, ainda precisava se acostumar com aquela nova condição: a de subordinado do Lord das Trevas.
- Você é muito fraco, Draco... Hoje é apenas o seu primeiro dia com essa marca, e já está reclamando?!
- Cale a boca!!! – dissera ríspido, da forma como só ele podia se dirigir à Snape. – Minha decisão foi sim... eu sou um de vocês agora, deixe que eu me acostume com isso.
Snape grunhiu, raivoso. Draco estava começando a se arrepender de sua decisão, mas não haveria volta, aquela guerra estava próxima. A única certeza que possuía, naquele momento, era a de que protegeria seus amigos e, se necessário, até mesmo Hermione. Estava se repreendendo por isso, mas não deixaria que essas pessoas, importantes para ele, pagassem por seus erros e decisões, caso assim fosse.
*CONTINUA
N/A: Então, podem enfiar essa estaca no meu peito.. eu deixo!!!! Esse cap. não um dos melhores... mas bem... eu tenho que desenrolar a história, não?!
Hehehehe...
Digam o que acharam!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Comenteeeeeemm muuitooo mesmoooO!!!!
Pq eu preciso de incentivos pra começar a escrever o próximo!!!!
Se quiserem cenas fofinhas Dramione!! Hehe..
E algumas provocações a mais... huumm!!! Hehehe
Depende de vocês!!
AHuHA
*aquela beeemm maléééfica neh*
Gente... eu to adorando tds os comentários!! Valeu mesmo td mundo que comenta aqui!!!
E não abandoneeemm... HAUhua...
Bjusss!!!!!
FIC NOVA NO PEDAÇO
Siiim... fic nova!!!!
Renaissance – Fora de Controle
http://fanfic.potterish.com/menufic.php?id=30410
E adivinhem só quem são as autoras?
:X
Eu e a Ju Fernandes...
Isso não vai dar certo hein?! Na verdade.. vai dar sim! A idéia é muito boa gente... !!!!
Dêem uma conferida lá... e comentem!! Em breve nós postamos as Apresentações!!!
PROPAGANDA
Gente... tem uma fic muito boaaaa no pedaço!!!!
Kiss and say Goodbye - Um beijo e um Adeus
http://fanfic.potterish.com/menufic.php?id=30399
Adivinhem só quem escreveu? Huumm... a JOSY!
Hahahhaa... uma songfic linda... vale muuito a pena conferir!!!!
ATUALIZAÇÃO
E quanto a Zona de Risco??? hããã??? estão lendo???
http://fanfic.potterish.com/menufic.php?id=30138
Capitulo 4 e NC já está On lá!!!!!!!!!!!!!!!!!! Conto com vcs!!!
^^
msn: Cris_cavalheri@hotmail.com
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