Alicia mal prestou atenção às aulas de segunda. Tinha no colo um livro que lhe interessava bem mais. "O amor por trás da Guerra.
O livro falava dos romances que existiram durante a Guerra. Alicia lera sobre Lucius e Narcissa Malfoy e mais alguns casais do lado Negro. Chegara na parte que falava do filho do casal, dizendo que ele mudara de lado e casara-se com uma Weasley.
Logo alcançou a história de amor de Hermione Granger e Ronald Weasley. Tinham um filho de dez anos.
Alicia lia com moderado interesse, mas já começava a se decepcionar com a ausência de comentários sobre Harry Potter. Até Minerva e Albus Dumbledore tiveram um capítulo!
A aula de transfiguração contivuava e Alicia, quase no fim do livro, encontrou o que queria. "Capítulo dez - Um amor de herói". Sorriu.
Tudo começava com a história de Lily e James Potter. Até que... "Foi ainda em Hogwarts que o jovem Potter teve sua primeira namorada. Juliet Brooke era uma jovem que, à época, sofria com um feitiço desilusório mal feito. Sabe-se que, ao se formarem, ainda namoravam. Estiveram juntos no casamento de Draco e Gina e, também, no de Ronald e Hermione. Não se pode dizer, porém, que o relacionamento foi a diante. Não foi encontrado, em nenhum cartório, registro de casamento de ambos. O corpo de Harry foi encontrado sem alianças."
Alicia fechou o livro devagar. O relacionamento de sua mãe com Harry Potter fora mais longo do que imaginou.
- Pode me dizer como, senhorita Brooke? - A professora McGonagall perguntou.
- Desculpe, professora. - Alicia olhou para o próprio pergaminho em branco.
- Imaginei que não. Espero que na próxima aula a senhorita, ao menos, copie a matéria. Menos dez pontos para a Grifinória.
Alicia sequer abriu a boa para reclamar. Levantou-se assim que a turma foi dispensada e logo as amigas a alcançaram.
- Aly, o que aconteceu hoje? Você não prestou atenção em NADA! - Susan perguntou, preocupada.
- Eu estou bem, só... Um pouco ansiosa pro jogo de quarta. - Mentiu.
- Oh Merlin, é mesmo! - Rafaela começou. - Ed me disse que vai ser um jogo difícil.
- Principalmente por causa do ogro-gato do Jack. - Kate suspirou.
Mais tarde, nessa mesma segunda, teve o último treino antes do jogo. Alicia foi uma das primeiras a chegar. Estava sentada no vestiário quando uma mão tocou seu ombro. Quase caiu de susto.
- Que isso, Aly! Eu sou tão feio assim? - Chad riu.
- Eu só estava distraída. - Ela encolheu o ombro desculpando-se. - Foi mal.
- Tudo bem... - Chad pegou a roupa e entrou no trocador. - E suponho que Kate já tenha lhe contado tudo, não?
Alicia riu.
- Na verdade, contou. Disse que se divertiu bastante conversando com você. O que me diz?
- Que eu tenho que te agradecer, também. Além de linda ela é incrivelmente agradável.
- Alicia-cupido. Vou começar a cobrar!
Chad riu e sentou-se ao lado dela.
- E como foi com o capitão?
- Hum... Digamos que ele acabou me encontrando, mas consegui disfarçar. Ele e a Christine parecem mesmo abalados.
- Sorte sua, não?
- Na verdade, preferia que ele estivesse feliz. Mesmo que fosse com aquela vac...
- Opa! Quem é vaca, ein? - Thomas entrou no vestiário, surpreendendo os dois.
- Tom?! - Alicia arregalou os olhos. - Você tá aí há muito tempo?
- Não, cheguei agora, por quê? Algo que eu não possa saber?
Chad riu.
- Claro que não! É só porque estávamos distraídos e não percebemos você... Alicia me contava a história da... Como é mesmo o nome, Aly?
- É... Angelina Johnson. Isso. Aquela jogadora de quadribol, sabe? Então, a vaca da irmã dela sabotou a vassoura no dia da estréia do campeonato e, mesmo assim, ela conseguiu vencer. Incrível, né?
- Uau, não sabia que você, Aly, gostava dessas curiosidades.
- Pois é, ela estava chegando nessa parte quando você apareceu.
- Bem, vamos ao que interessa... Cadê o resto do time?
Vinte minutos depois estavam todos voando. Alicia voava ao redor do campo, mas sem prestar muita atenção no que fazia.
Um balaço, por pouco, não a derrubou da vassoura.
- Aly, toma cuidado! - Edward berrou após protegê-la.
A menina confirmou com a cabeça e continuou a voar. Cinqüenta minutos haviam se passado e Alicia sequer reparara no pomo que voava bem perto de sua perna esquerda. Quando a garota quase fora atingida pelo segundo balaço, Thomas voou para o lado dela.
- O que está havendo?
- Oi? - Alicia estava pensando em mil coisas. Nem vira a aproximação do rapaz. - Como assim?
- Aly, você não está nem aí pro treino! O jogo é quarta-feira e você nem OLHA na direção do pomo! Você realmente acha que ASSIM a gente ganha da Corvinal? Por Merlin! Logo você? Achei que estivesse interessada em calar a boca do Cardigan e de todo mundo que ainda não acredita em você! Essa não é a apanhadora que eu escolhi pro meu time. Eu escolhi a melhor, aquela que demonstrou ter o quadribol correndo nas veias. Será que ela existe ou foi só fogo de palha?
Alicia não respondeu. Estendeu a mão e capturou o pomo que voava perto de sua orelha direita.
- Pronto, o pomo tá aí. - Alicia jogou a bolinha pra Thomas, com um olhar magoado, e pousou. Andava, agora, decidida na direção do vestiário, concentrando-se em manter as lágrimas dentro dos olhos.
Ele estava certo, não estava concentrada no que estava fazendo. Mas como podia fazer isso com tantas informações novas? Tantas possibilidades... Secou uma lágrima que teimou em escorrer.
Eu vou mostrar que sou capaz. - murmurou pra si mesma antes de entrar no castelo, deixando para trás todo o time sem entender nada.
Alicia entrou no dormitório ainda bufando e, antes mesmo das amigas abrirem a boca, ergueu a mão como se pedisse que não perguntassem. Tomou um banho e logo enfiou-se nas cobertas.
Acordou na terça e, logo no café, enquanto as amigas falavam de suas paixonites, Alicia aproveitou que Thomas ainda não havia aparecido e foi falar com Chad.
- Chad, preciso de um favor seu.
- Claro Aly, mas o que aconteceu ontem? Você saiu sem mais nem me...
- Isso não é importante agora. - Ela cortou. - Mas será que hoje eu podia contar com você? Queria treinar mais um pouco. Mas em segredo, claro.
- Tudo bem, mas o que está havendo? - Chad parecia confuso.
- Eu explico depois. - Alicia disse assim que avistou Thomas. - Mas não conta pra ninguém, ok? Seis e meia no campo.
- Ok. - Chad ainda estava um tanto confuso. Alicia retirou-se antes de Thomas chegar perto. Sequer olhara para ele.
- O que a Aly queria? - O garoto perguntou, servindo-se de torrada.
- Nada, veio só me trazer um recado.
- Hum, sei. Andam cheios de segredinhos agora.
- Que isso, cara! Nós somos amigos, só. Eu estou ficando realmente interessado na Kate Hawnk. Mas me diz você o que está pegando entre vocês dois. Ontem no treino você preferiu ignorar o fato dela ter ido embora...
- Eu só chamei a atenção dela... Nada demais. Acho que ela estava meio sensível.
- Thomas, a Alicia não é de ficar "meio sensível". O que você disse?
O garoto repetiu mais ou menos com as mesmas palavras.
- Ouch! - Chad contorceu-se de falsa dor.
- O que foi?
- Você REALMENTE pegou um pouco pesado, Tom. E agora, falando como amigo, talvez seja importante você parar pra pensar que não é só você que tem problemas.
- O que você quer dizer com isso?
- Que TALVEZ você esteja bastante chateado com seus problemas com a Christine, mas que TALVEZ não seja o único. Só que você, por sorte, consegue separar as coisas. A Aly pode ter um pouco mais de dificuldades, entendeu?
Thomas mastigou, devagar, a torrada.
- Acho que você pode ter razão... - E olhou, pensativo, na direção da garota.
- E então? - Kate perguntou logo que Alicia sentou-se.
- Ele aceitou. Vocês vão, né?
- CLARO que sim! - Rafa confirmou.
- Tudo pro meu querido irmão morder a língua. - Susan sorriu.
Alicia sorriu, aliviada. Contara o acontecido para as amigas quando acordou e todas toparam ajudá-la. Tinha mesmo sorte em ter amigas tão especiais.
- Christine? Podemos conversar? - Thomas interceptou a namorada na hora do almoço.
- Se você não decidir gritar e/ou derrubar coisas por aí, acho que posso te conceder alguns minutos do meu precioso tempo, Fletcher.
- Christine, eu estou falando direito. Aliás, peço desculpas pelo acontecido em Hogsmeade, mas tente entender que eu fiquei realmente irritado.
- Tudo bem, Fletcher, passou. Mas se você quer realmente ter uma mulher como eu ao seu lado, como sua namorada, é muito bom você pensar nas suas atitudes. Então, agora vou lá almoçar e deixar você pensando. Tem muitas coisas que você precisa mudar para ser o namorado de Christine Chesty. Não basta beijar bem e ser bonito.
A morena virou-se e seguiu para o salão principal, deixando um Thomas perplexo para trás.
Às seis e meia Alicia chegava no campo com Susan, Katerine, Rafaela, Chad, dois balaços, dois bastões, um pomo e um cronômetro. Além das vassouras, claro.
- Bom, Suse e Rafa podem pegar os bastões. Kate marca o tempo. Chad, me atrapalhe.
Com o 'OK' de todos, Alicia soltou os balaços e o pomo. Segundos depois já perseguia a bolinha dourada, enquanto fugia de dois balaços e de Chad.
Quase três horas depois os quatro pousaram ao lado de Katerine, exaustos.
- E então? - Alicia ofegou antes de se largar na arquibancada com a bolinha dourada entre os dedos.
- O que me diz de quatro capturas em três horas? - Katerine sorriu.
- Merlin! - Foi o que a menina conseguiu dizer.
- Acho que é ótimo. - Chad sorriu. - Cardigan terá uma bela surpresa.
- Thomas também! - Susan acrescentou.
- Agora, que tal nós irmos tomar um belo banho e dormir? - Rafaela perguntou, cansada.
- Adorei a idéia! - Alicia levantou-se na mesma hora lançando um olhar significante à Susan.
- Claro! Quer dizer, Kate não se importa de levar as bolas pro vesiário, né?
- Eu?! Mas eu mal sei montar uma vassoura! Quanto mais manter dois balaços presos!
- E um pomo. - Alicia acrescentou já saindo com as amigas.
- Tudo bem, eu te ajudo. - Chad sorriu.
- Obrigada. Ótimas amigas que eu tenho... - Os dois riram. |