Capítulo 21 – Cumprindo acordo
Por sorte a chuva da noite passada não havia se prolongado durante a madrugada e, com isso, aquele domingo amanhecia incrivelmente quente, apesar de ser uma época de constantes temperaturas baixas. O dia anterior havia sido, novamente, muito produtivo e, ao mesmo tempo, confuso. Era exatamente assim que as vidas de Hermione e Draco estavam: confusas. Havia muito o que eles precisavam entender, muitas conclusões as quais precisavam ser tiradas, e sentimentos que precisavam ser compreendidos. Mas nenhum deles estava em condições para tal.
Todos os alunos de Hogwarts estavam eufóricos por causa do domingo.A escola estava envolta numa atmosfera de ansiedade e excitação que percorria todos os cantos possíveis do castelo. Era o dia do baile de aniversário de Hogwarts, simplesmente o primeiro baile daquele ano letivo. O baile podia ser visto de ângulos completamente diferentes por cada um, assim como possuía significados específicos para muitos. Para Hermione, o baile era a ocasião em que cumpriria o acordo firmado entre ela e Draco. Para Alan, aquele baile seria a ocasião em que ele venceria a aposta que ele mesmo havia criado (e Alan acreditava mesmo que isso aconteceria). E, por fim, para Draco, o baile tinha um significado ainda maior: além de ser a ocasião em que venceria a aposta (fato), seria, também, a oficialização do “namoro” de mentiras. Logicamente que essas razões não eram exatamente compartilhadas entre eles, mas elas eram as únicas razões para que este baile se mostrasse tão interessante como estava se mostrando.
---*---
Flash Back
- Ela não é do tipo fácil, e você, mesmo interessado, não iria conseguir conquistá-la.
[...]
- Eu sou capaz de ficar com as garotas que eu quiser!
[...]
- Ótimo! – Alan sorrira. – Aposto como não consegue ficar com a sangue-ruim.
- Ótimo. Aposto como consigo ficar com ela, e com qualquer outra garota que eu queira ficar.
- Certo!
Fim do Flash Back
---*---
Ainda era cedo, mas já havia uma quantidade grande de alunos vagando pelos corredores, extasiados demais para permanecerem em seus dormitórios. Draco era uma rara exceção, na verdade, estava mantendo um sono incrivelmente pesado, e continuaria assim por bastante tempo se não fosse por uns cutucões em seus ombros.Draco sentiu seu corpo sendo agitado e despertou, muito sonolento e confuso. Suspirou cansado e, afundando a cabeça em seu travesseiro novamente, jogou uma das mãos na direção de quem estava tentando acordá-lo, afim de expulsá-lo dali.
- Ei, cara, acorda...
- Cai fora daqui, Alan. – sua voz saia fraca, sem força.
Alan deixou escapar um riso abafado, e continuou a agitar os ombros do amigo, agora de forma ainda mais agressiva. Draco suspirava, afundava sua cabeça com mais força contra o travesseiro e resmungava em protesto.
- Deixa eu dormir mais um pouco, vai...
- Você tem que se preparar, Draco... – Alan ria abafado, ainda agitando o corpo de Draco.
- Me preparar pra quê?
- Pra perder...
Havia sido inevitável, mas Draco deixara escapar uma gargalhada alta, que ecoou pelo dormitório, quase vazio, se não fosse por alguns sonserinos ainda dormindo em camas afastadas dali. Era um riso irônico, e um desabafo que só ele entendia. Draco estava arrependido por ter permitido que as coisas seguissem rumos diferentes aos planejados, e poder gargalhar naquele momento era como se estivesse rindo de sua própria desgraça. Estava cansado, e sabia bem a razão: aquela havia sido a noite mais mal dormida de sua vida.
Alan se afastou de Draco e seguiu para fora do dormitório completamente carrancudo. Aquela aposta não estava fazendo bem para nenhum dos dois, estava apenas os deixando paranóicos.
Em questões de alguns poucos minutos Draco já estava se encaminhando para o salão comunal, após tomar um banho e vestir roupas confortáveis para um dia quente de domingo. Alan e Pansy já esperavam por ele prontos para seguirem direto para o café-da-manhã. Havia um tipo de atmosfera diferente entre eles, era quase impossível dizer precisamente o tipo e a razão de sua existência. Era algo como a indiferença de Pansy, a falsa crença de vitória de Alan e a completa confusão dos sentimentos de Draco.
- Vocês estão sabendo da festa sonserina após o baile, não estão?
A voz da Pansy ecoara pelo corredor, agora muito próximo ao Salão Principal. Eles eram os únicos caminhando por ali, todo o resto dos alunos ,ou estava nos jardins, ou já muito bem acomodados e servidos no Salão.
- Ei, festa dupla hoje, então? – a voz de Alan era entusiasmada.
- Se você conseguir se divertir no baile, Alan. – Draco o alfinetou, contendo um riso.
- Eu posso garantir que vai ter muita graça... ao menos pra mim, meu caro. – Alan retribuiu a indireta.
Pansy não estava entendendo absolutamente nada, mas sabia que se tentasse fazê-lo, entenderia coisas que não queria.
- Vai ser pior pra você, Alan... se ficar se iludindo dessa forma. – Disse Draco , se segurando para nao rir.
- Eu perdi alguma coisa, garotos? - a curiosidade da sonserina havia falado mais alto.
O sorriso no rosto de Draco desapareceu instintivamente quando ouvia a voz da garota ao seu lado. Alan pareceu perceber isso, já que o seu sorriso havia se intensificado.
- Não, Pansy. – Draco respondeu, ríspido.
- Perdeu sim, Pansy. – Alan o cortou, desmentindo o amigo – Mas eu ajudo você a achar.
Draco estremeceu com aquela indireta, sabia que o sonserino seria capaz de qualquer tipo de trapaça para vencer aquela aposta. Algo extremamente irônico, visto que o próprio Draco estava trapaceando para garantir sua vitória, algo indiscutível naquele momento.
- Fica na sua, Alan... – Draco estava irritado, fitava-o com os olhares mais mortais que conseguia manter.
- Estão falando da sangue-ruim, não estão? – Pansy deixara sua voz ecoar um tanto sofrida.
Nenhum dos dois respondeu a pergunta. Aquela situação não era sofrida para Pansy, na verdade, ela nunca tivera realmente razões para sofrer com coisas desse tipo, afinal, sua relação com Draco nunca foi algo oficial. Mas ela gostava de parecer magoada, como se isso amolecesse os sentimentos de Draco.
- Vocês conseguiram estragar meu dia.
E, dizendo isso, Pansy se afastou depressa dali, adentrando o Salão sem nem ao menos esperá-los. A sonserina vestia uma nada comportada minissaia jeans, assim como uma blusa regata, em um estilo completamente verão. Pansy era uma das garotas mais atraentes de Hogwarts, mas sua fama destruía todo o pouco de consideração que as pessoas podiam ter por ela. Draco, por sua vez, estava vestido em um estilo trouxa como pouquíssimas vezes ele era visto: usava uma calça jeans desbotada, uma camisa pólo branca e tênis esporte, além do charme de seus cabelos loiros molhados, caindo sobre os olhos. Alan o acompanhava no mesmo estilo, embora estivesse usando cores mais escuras, recusando a abandonar seu espírito sonserino, mesmo em um dia quente como aquele.
Havia poucas pessoas naquele Salão já que o restante dos alunos estavam mais interessados no dia que se firmava fora das paredes do castelo.
- Sem trapaças, Alan. – a voz de Draco quebrava um silêncio, muito repentinamente.
- Olha quem fala, não, Draco?! – Alan parecia quase tão irritado quanto o loiro. – Você trapaceou primeiro quando a beijou em Hogsmeade.
- Aquilo não foi trapaça.
- Você só tinha que beijá-la no baile. Mas você parece que gosta de fazer isso o tempo todo, não é?
Alan direcionou ao amigo um olhar quase mortal, estava banhado de irritação. Aquelas palavras haviam acertado o loiro de uma forma que ele não estava esperando e, por isso, não pôde evitar uma expressão de completo espanto pela verdade. Havia sido aquela a causa de sua insônia naquela noite. O sábado estava irritantemente muito vivido nos seus pensamentos, as lembranças queimavam sua face como água fervente, e as verdades que haviam por trás dos fatos estavam torturando-lhe por dentro. Tentou disfarçar, retornando ao assunto, agora um pouco mais divertido.
- É trapaça que você quer, então vai em frente.
Alan não entendera o comentário e continuou a fitar o amigo procurando por pistas que o fizessem compreender a frase.
- Eu vou vencer de qualquer jeito, Alan.
- Certo. Eu adoro trapacear.
Alan agora sorria , montando imagens e possíveis trapaças em sua cabeça, e se alegrando ao imaginar o quão bobo Draco havia sido de permitir que ele trapaceasse.
- Onde a Granger deve estar agora?
A voz de Alan quebrou o silêncio novamente, pegando Draco completamente de surpresa. Antes mesmo que o loiro pudesse dar algum tipo de resposta à pergunta, ou protestar, Alan já havia se levantado e seguia para fora do Salão.
- Ei, volta aqui. Aonde você vai?
Agora, Draco seguia entre passos ligeiros, tentando alcançar o amigo. Alguma intuição estava avisando-o que Alan não tinha boas intenções.
- O que você vai fazer, Alan?
Mas o moreno estava se recusando a responder suas perguntas, simplesmente mantinha um sorriso completamente radiante, a medida que seus passos se intensificavam. Em questão de segundos aquela caminhada havia se transformado em uma corrida, e Draco estava quase desesperado em alcançá-lo e o impedir de fazer o que quer que ele estivesse planejando. Estavam próximos ao hall de entrada e, mesmo distantes, era possível visualizar a manhã fora das imensas portas de carvalho. Havia muita claridade e uma quantidade considerável de alunos nos jardins. Alan apressou ainda mais o passo e isso fez com Draco se empenhasse e conseguisse ultrapassá-lo. Draco , finalmente,conseguiu alcançá-lo e o empurrou para longe. Mas, então,notou que os olhares de Alan estavam focados em algum ponto muito próximo, e estavam radiantes de excitação. Draco avistou por si só o mesmo ponto e então apressou ainda mais os seus passos.
Sua expressão era agora de total desespero, precisava proteger o seu jogo. Alcançou Hermione, que estava de costas para ele, em questão de segundos, agarrando firme a cintura fina da mesma.
- Malfoy, o que significa isso?
A castanha se assustou pois não estava esperando por uma aparição tão repentina como aquela. Draco tinha uma expressão de fúria, procurando pela imagem do amigo sonserino, um pouco distante dali. Alan havia interrompido sua corrida quando percebeu que não teria chances de alcançá-la, e agora estava gargalhando muito alto, com as mãos apoiadas em seus joelhos e recuperando o fôlego.
- Por acaso aquele sonserino estava correndo atrás de você?
Hermione tinha um tom leve de diversão em sua voz, ao mesmo tempo em que parecia querer esconder uma risada. Draco a fitou sem resposta alguma, e então desataram em um riso espontâneo, discreto, que só eles sabiam as proporções que estavam atingindo dentro deles.
Seus olhares se desencontraram naquele momento, evitando a constatação obvia de que seus sorrisos mantinham o tipo de influência sobre eles que nenhum dos dois se orgulhava. Alan não estava mais ali, mas havia uma quantidade razoável de alunos ao redor deles.
- Se importa da gente conversar um pouco? – a voz de Draco quebrou o momento.
- Ah, tudo bem.
Hermione não precisou pensar muito naquela resposta, simplesmente concordara e o guiara para fora do castelo. Havia muitos alunos ali, e por vezes era preciso desviar dos que passavam correndo por eles, na maioria todos ensopados dos pés as cabeças e gritando frenéticos.
- Por que estava fugindo do O’Dowd, Malfoy?
- Não era bem uma fuga, mas também não tem a menor importância. – sorriu lembrando da cena. - Você ainda não tomou café da manhã?
A castanha simplesmente balançara sua cabeça negativamente, fitando os jardins ao longe, e sentindo, agora, um tipo de atmosfera diferente. Novamente aquela visível preocupação de Draco quanto as coisas que ela fazia ou deixava de fazer.
-Nós podemos entrar e...
- Não, tudo bem. – a castanha o interrompeu, sorrindo. - Aqui parece bem mais interessante, não?
Draco ainda não havia conseguido se acostumar com aqueles repentinos sorrisos, era sempre pego de surpresa e se mantinha um bom tempo inebriado pelo poder que ela mantinha sobre ele quando sorria daquela forma. Hermione não se importou se os olhos dele estavam fitando seus lábios de uma maneira atrevida, simplesmente continuou sua caminhada e admirou um meio sorriso que estava se formando discreto nos cantos dos lábios de Draco.
Quando, por fim, se desfizeram daquele transe repentino, já estavam caminhando para ,cada vez mais próximo, de uma árvore, postando-se de frente para o lago, agora completamente povoado de alunos, jorrando água para todos os lados, e alegres como em poucas situações desde o inicio do ano letivo. Havia se passado quase um mês desde o retorno dos alunos ao castelo, e pela primeira vez estavam curtindo um dia de domingo.
- Então, Granger... – Draco dizia isto encostando seu ombro contra o tronco da árvore, sem fitá-la.
- Sabe, Malfoy, eu deveria estar ansiosa pra esse baile... – a voz de Hermione o interrompeu. - ... Mas não estou.
A conclusão de sua frase surgia em um tom sofrido, cansado, exausto na verdade. Havia um sorriso triste em seus lábios, enquanto seus olhares eram vagos em direção aos jardins. Draco constatava tudo isto porque agora a observava, completamente vazio no que pensar a respeito.
- Eu posso garantir, Granger... – sua voz a despertou de seus devaneios. - ...Esse baile vai ser mais interessante do que você imagina.
Hermione ainda não o fitava, simplesmente lançava suas palavras, e se ela não estivesse dirigindo-as diretamente para Draco, seria possível pensar que ela estivesse falando para o nada.
- Eu não consigo pensar assim, Malfoy, esse jogo é sujo demais.
- Você é tão sem graça, Granger. – Draco tentava esconder um sorriso.
Hermione não precisou deste tipo de relutância, simplesmente alargou os lábios em um sorriso discreto, ainda perdida em seus pensamentos com olhares sem foco. Draco sentia coisas que não sabia explicar, talvez um desconforto pelas lembranças do dia passado.
- Você não precisa se remoer de culpa enquanto o seu Potter fica se esfregando com a ruivi... – e uma tosse alta o suficiente para desviar os olhares de Hermione, direto para ele - ...Com a Weasley.
Hermione franzio o cenho, ela havia escutado bem o suficiente para saber que aquela tosse havia sido um fingimento para encobrir algo que ela não havia conseguido entender ao certo. Draco estava desconcertado, os olhares agora distantes e sentindo o rosto ferver de raiva por ter cometido uma gafe dessas.
- Do que você ia chamar a Gina, Malfoy?
- O quê? – tentou se passar por desentendido, fitando-a fundo nos olhos, inexpressivo.
- Deixa pra lá. – balançou a cabeça e desfez os pensamentos. - E eu não estou me sentindo culpada.
- Aham. – Draco tentou esconder um meio sorriso.
Ela havia entendido, no mesmo momento, que ele estava discordando das coisas que ela estava dizendo, estava, na verdade, descrente de tudo o que ela dizia. Sorriu mesmo que tentando mostrar irritação, e o empurrou com o ombro, em protesto.
- Eu sou uma pessoa diferente, agora, Malfoy.
- Ah, é? – havia um tom de diversão em sua voz. - Que tipo de pessoa?
- Uma que enxerga as coisas com o menor sentimentalismo possível.
Hermione dizia isto com um tipo de orgulho indecifrável, o fitava com milhares de expressões em sua face, e nenhuma delas respondia as indagações que se formavam na cabeça de Draco.
- E por que você se transformou nessa pessoa?
Havia um tom de sofrimento na voz de Draco, o mais sincero que poderia haver. Sua voz saia de forma sussurrante, enquanto seus olhos a fitavam de um jeito entristecedor, como se ele estivesse recebendo a noticia mais triste de sua vida.
- Sabe, se eu não estivesse tão fria agora, eu já teria enlouquecido.
Draco não estava dando muita importância se estava parecendo óbvio demais o sentimento de decepção em sua expressão, estava apenas lutando com o turbilhão de sensações dentro dele. Havia uma fúria imensa, pela irresponsabilidade de ter permitido que as coisas tivessem chegado àquele ponto, e havia dúvida pairando em sua face.
- Malfoy, eu falo de sentimentos. – Hermione o despertou de seus devaneios. - Eu não saberia lidar com eles.
- E de que sentimentos você está falando?
A castanha pareceu pensar em uma resposta para aquela indagação, e enquanto o fazia, deixou seus olhares se perderem na face de Draco de uma forma que já deveriam ter estado desconfortáveis com aquela troca de olhares.
- De todos os possíveis.
Seus olhares permaneciam um de encontro ao outro, mas os de Draco estavam focalizado muito bem os lábios de Hermione quando ela pronunciara as últimas palavras. Sentiu uma onda de choque percorrer sua espinha e causar-lhe um tipo de náusea que nunca havia sentido antes. Aquelas estavam sendo as palavras mais difíceis de se escutar, e ele estava lutando para absorvê-las sem pestanejar. A real vontade dele era protestar contra tudo aquilo que ela estava dizendo. Havia uma vontade oculta em seus pensamentos, e se resumia em mostrar a ela que preferia que ela continuasse a ser a Hermione que ele conhecia. Alguma coisa estava dizendo que aquela “nova pessoa” mostraria mais resistência aos seus impulsos, que essa “nova pessoa” não o visualizaria mais da mesma forma, assim como os seus atos mal pensados. Aquela constatação estava machucando-o por dentro, não queria que nada disso se tornasse real. Queria a Granger que ele podia manusear e desfrutar de seus desejos sem que houvesse tipo algum de resistência por seus atos. Mesmo que, depois de tê-los cometido, ambos tivessem que lutar com as duvidas e os desconfortos.
Um silêncio estava reinando entre eles, com a exceção dos ruídos e gritos ao redor. Seus olhares ainda conectados. Hermione observou os lábios finos de Draco iniciarem um movimento e sentiu que seu mundo desabaria sobre ela.
- Olha, Granger, a gente precisa conversar.
- Sobre o quê? – tentou manter a voz mais calma que conseguia.
Não era esse o seu momento, não estava calma, não havia tranqüilidade alguma naquela situação. Seu estômago se remexia de forma desconfortável, era como se as borboletas de antes estivessem retornando em um vôo descompassado dentro de sua barriga.
- Sobre tudo.
- Acho melhor não, Malfoy. – Disse num sussurro que pareceu mais uma súplica.
- Eu preciso entender. – Draco não estava se intimidando.
- Não há nada pra ser entendido, Malfoy.
- Está tudo confuso... – seu cenho estava franzido e já ajeitava sua postura. - Eu acho que estou enlouquecendo.
Draco precisava daquela conversa, precisa dizer o que tinha a ser dito, precisava compreender e tirar as conclusões certas. Estava cansado de se perder em possibilidades, queria ter a certeza dos fatos. Estava desejando isso mais do que qualquer outra coisa, e não estava temendo nenhuma conclusão indesejada.
- Malfoy...
A voz de Hermione saíra sussurrante, mais do que das outras vezes, enquanto seu olhar ainda estava perdido nos contornos da face de Draco. Mas foi interrompida por presenças sonserinas nada desejadas.
-Ei, Draco, meio quente hoje, né?
A voz de Alan ecoava um pouco distante, enquanto Crable e Blás se aproximavam, entre sorrisos e gargalhadas. Draco precisou desviar o olhar e visualizá-los, sem entender absolutamente nada. Todo o clima entre ele e Hermione havia sido desfeito, e agora não havia mais oportunidade alguma de tirar os fatos a limpo. Hermione soltou um suspiro indignado e ao mesmo tempo aliviado, observando a aproximação dos sonserinos e abrindo espaço entre ela e o loiro, quando percebeu as intenções ali.
- Ei, não...
Draco sentira suas mãos serem imunizadas atrás de suas costas, enquanto era arrastado sem a menor possibilidade de defesa. Crable e Blás eram fortes e o carregavam pelo gramado, em direção ao lago, gargalhando como crianças em um dia de verão.
-Me soltem...
Mas suas ordens não eram obedecidas, não estavam sendo levadas em consideração. Hermione observava a tudo atenta, e sorria agora, porque havia percebido que Draco estava prestes a fazer o mesmo.
- Alan, você me paga. – Draco lhe direcionara o olhar mais mortal do dia
- Relaxa, eu ouvi dizer que a água está bem agradável.
A voz de Alan ainda era incrivelmente irritante para Hermione, e ele estava, agora, postado ao seu lado, gargalhando com a visão de Draco sendo arrastado em direção ao lago, a força e sob muitos protestos.
Sem o menor cuidado, os sonserinos empurraram Draco para dentro do lago e este caira lançando uma quantidade razoável de água para todos os lados, ao mesmo tempo em que Crable e Goyle se jogavam ao lado dele. Hermione deixou escapar uma risada com a visão, havia sido bem divertido visualizar a imagem do loiro afundando nas águas escuras do lago. E então, Draco voltara a superfície rapidamente e nadou algumas braçadas até poder se manter de pé, de modo que a água batia em sua cintura. Os olhares de Hermione estavam se focando em todos os mínimos detalhes do sonserino,ela estava imersa em pensamentos cada vez mais surreais,enquanto seu estômago continuava a dar voltas. Hermione viu Draco balançar a cabeça para os lados e livrar a água de seus cabelos loiros,observou os músculos peitorais do mesmo que ficaram bem evidentes com a camisa branca ensopada e colada em seu corpo. Aquela poderia ser a visão do paraíso, se o seu “pedaço de mal caminho” não fosse um sonserino e se não houvessem diferenças tão visíveis entre eles.
- Acha engraçado, é?! – Alan voltou a falar,fitando-a.
Hermione desfez o seu sorriso no mesmo instante, principalmente quando percebeu que Alan estava tentando tomá-la no colo. Procurou distância e tratou de desfazer a idéia.
- Não, Alan... por favor.
Seu coração batia forte com aquela possibilidade, e muito espontaneamente ambos começaram a rir naquele momento.
- O que foi? Aprendeu o meu primeiro nome, foi?
As risadas divertidas e até mesmo gostosas de se ouvir haviam se transformado nas tão constantes risadas irritantes, para Hermione. A grifinória desfez qualquer tipo de diversão e demonstrou a irritação em sua face.
- Eu posso dar um conselho a você, Granger?
Hermione o observou, incrédula, com uma de sua sobrancelha erguida e sem entender absolutamente nada daquela conversa.
- Você tem até o baile para tentar absorver a idéia: a gente nunca deve confiar nas pessoas, Granger. Lembre sempre de perguntar quais as intenções delas.
Um riso fraco escapou dos pulmões de Hermione, enquanto os olhares dela procuravam por alguma expressão de brincadeira no rosto do sonserino.
- Nunca deve-se desperdiçar um conselho... – Alan concluiu, sorrindo e se afastando dali.
Hermione o observara se afastar, ainda sem entender muito do que ele havia dito. Era mais uma das suas charadas, e mais uma que Hermione sabia que não entenderia. Alan se aproximou do lago e se jogou contra o mesmo, afundando muito próximo de onde Draco e os outros estavam. Observou o loiro por alguns segundos a mais, era a sua visão perfeita e era muito mais interessante do que tentar solucionar charadas vagas.
- Ei, eu estava procurando vocês. – a voz de Pansy surgira próxima ao lago, aguda e irritante.
Hermione desviou seu olhar para a sonserina e esboçou a expressão de desgosto mais sincera do seu momento. Detestava aquela presença sonserina mais do que tudo. Podia escutar os diálogos sonserinos perfeitamente bem, porque estava próximo ao lago o suficiente para isso.
- Acabou de encontrar, Pan. – Alan caminhou de volta ao gramado. - Vem cá buldogue de minissaia...
E então milhares de risadas ecoaram ao redor deles, e Hermione precisou se juntar a eles. Era impressionante como Pansy era um alvo perfeito para piadas. A castanha, então, se encostou contra o tronco da árvore, cruzando os braços em seu peito e observando toda a cena com uma ponta de diversão. Vestia roupas de verão e estava ainda mais trouxa usando-as. Era uma calça jeans ‘capri’ bastante justa, azul bem clara, que ia até um pouco abaixo de seus joelhos, acompanhada de uma blusa regata azul escura. Suas formas estavam mais realçadas do que o normal, e Draco já havia constatado isto há muito tempo.
- Ei! Alan, me solta garoto... – a voz de Pansy reagia gritante aos movimentos do sonserino.
Mas Alan não estava levando absolutamente nada em consideração, apenas estava colocando-a em seu colo e se direcionando ao lago, com um sorriso largo.
- Draco, pode por favor mandar o seu amigo me solt...ARG!
E antes mesmo que pudesse continuar a protestar, já havia sido jogada ao lago, de uma forma um tanto brutal por ela ser uma garota. Alan ria e se jogava ao lado dela, jorrando água. Draco dava gargalhadas divertidas, observando as expressões irritadas da sonserina.
- Com medo de água, Pansy? – Draco sorriu, desviando o rosto do que seria um tapa certeiro vindo da garota.
Hermione ria com toda a visão privilegiada que tinha da situação, e não escondia a diversão em seus olhos. Estava perdida em pensamentos e não percebeu quando os olhos de Draco encontraram os dela. Sentiu as borboletas em seu estômago voarem agitadas, mas não desfez seu sorriso nem mesmo desviou seu olhar. Aquela “nova pessoa” estava mostrando realmente existir, afinal, ela estava aceitando a situação muito facilmente, e estava lidando com ela sem nenhuma dificuldade. Aqueles olhares causavam desconforto, era verdade, mas ela podia ser forte e suportá-los.
Então ela sentiu que podia estar terrivelmente enganada com esses pensamentos, porque suas borboletas estavam frenéticas demais com a aproximação de Draco. Ele caminhava para fora do lago e seguia pelo gramado em passos não muito rápidos, já que ela estava próxima dali. Hermione tentou se endireitar e mostrar-se resistente, mas então desabou quando ouviu a voz dele.
- Ei, Granger... você deveria experimentar.
- Ah, não, eu estou bem. – respondera, sorrindo fracamente e se afastando à medida que ele se aproximava mais.
Draco estava completamente ensopado. Agora estava tão próximo do campo de visão dela que Hermione podia observar mais atentamente os músculos por trás da camisa colada ao corpo, e se perder naquela forma escultural de seu corpo como um todo. Os cabelos loiros estavam molhados caindo sobre os olhos.
- Tem certeza, Granger?
E, antes mesmo que Hermione pudesse se afastar ou protestar, Draco estava agitando os cabelos de forma que eles espirrassem água sobre ela. Em um ato de defesa, a grifinória jogou as mãos à frente de seu rosto, abafando risos, mas tudo em vão.
- Malfoy... está me ensopando desse jeito.
Draco gargalhava, agora. Um riso solto e sincero, e era difícil para ela não esboçar sorrisos também.
- Vem, você vai gostar.
E, dizendo isto, Draco segurou firme a mão de Hermione e a puxou com ele na direção do lago. Ainda havia um sorriso nos lábios do sonserino, mas Hermione já havia desfeito todos os indícios de diversão que anteriormente estavam presentes em suas expressões. Estava agora nervosa com as intenções de Draco, e seu coração palpitando forte mostrava exatamente isso. Draco a puxava com uma força incontestável, era quase impossível para Hermione mostrar algum tipo de resistência.
- Não, não Malfoy, por favor. – a voz dela saia como uma súplica. - Eu quero me manter seca essa manhã, por favor.
Mas Draco não respondia às suplicas, nem mesmo diminuía os passos ou libertava sua mão, simplesmente continuava a arrastá-la para o lago com um sorriso completamente divertido.
Hermione protestava contra a atitude, e tentava cravar seus pés o mais firme que conseguia no gramado, tentando impedi-lo de continuar a arrastá-la. Mas Draco era incrivelmente mais forte, e por mais que ela relutasse, não escaparia tão fácil.
- Deixa de bobagens. – Draco dissera, observando-a tentando interromper os passos. - Você sabe nadar, né Granger?
- Há.
Hermione soltou uma gargalhada alta de ironia, e percebeu que havia uma platéia observando toda a cena.Não só os sonserinos no lago, mas também muitos alunos nos jardins estavam observando-os.A castanha pareceu ruborizar e seus olhares eram muito mais do que uma súplica, estava implorando por algum tipo de misericórdia. Draco não havia entendido, apenas continuava a sorrir e tentava arrastá-la com ele, mas Hermione agora estava mostrando ainda mais resistência do que antes.
- Ei, cara, quer uma ajuda ai? – Alan disse, já se preparando para deixar o lago.
- Granger, você está me obrigando a isso com muita freqüência ultimamente.
Draco sorriu com o que estava prestes a fazer, mas Hermione não estava achando graça alguma naquilo. Sentiu seu corpo ser flexionado e sabia perfeitamente bem aonde estava agora: nos braços do sonserino. Ainda tinha aquela sensação muito viva em suas lembranças, não fazia muito tempo que havia sido carregada daquele jeito por ele, mas arriscou soltou uma gargalhada quando sentiu as roupas molhadas dele encharcarem as suas.
- É, mas eu não tenho pedido pra você fazer isso, Malfoy.
Draco ainda dera uma última risada, fitando-a completamente divertido, adentrando o lago com Hermione ainda nos braços. Quando a água já estava em sua cintura, Draco a soltou com vontade, mergulhando ao lado dela e enlaçando um dos braços em torno da cintura da mesma, ajudando-a a voltar à superfície. Hermione retirou os cabelos molhados do rosto e passou a mão pelos olhos, abrindo-os e focando um sorriso completamente radiante nos lábios de Draco.
- Eu não acredito que você fez isso, Malfoy. – disse sendo levada por ele até a parte do lago em que podiam ficar de pé.
- Molhadinha, Granger? – Draco dissera, rindo da sua própria piada.
- Eu invejo esse seu espírito esportivo, Malfoy. – Disse a castanha tentando demonstrar irritação.
Alan surgira ao lado deles quase repentinamente, atirando água para todos os lados com as mãos e rindo como uma criança contente. Estavam se divertindo como nunca.
- Vocês são loucos. – Hermione ria, ao mesmo tempo em que se protegia de toda a água que era jogada em cima dela.
Pansy se juntou a brincadeira, mas foi afogada por Alan e, então, iniciaram uma luta de sobrevivência em que Alan precisava escapar das unhas extremamente afiadas da sonserina, e Pansy dos braços fortes de Alan que tentavam enlaçá-la. Hermione observou a cena por alguns instantes e sentiu que havia algo de muito errado naquela relação. Então lembrou que deveria ser apenas uma má impressão, afinal, Draco havia confessado no dia seguinte que ainda saia com Pansy, mesmo que ele não tivesse dito isto diretamente, e mesmo que houvesse confessado que não fazia a menor idéia se Pansy o havia perdoado pelos beijos em Hogsmeade, semanas atrás.
Draco percebeu que os olhares de Hermione estavam mostrando dúvida e intrigas, então precisou tirá-la dos devaneios, antes que ele mesmo começasse a agir da mesma forma. Hermione podia apenas suspeitar, mas Draco sabia que havia mesmo alguma coisa errada na amizade de Pansy e Alan.
Então, para que ela voltasse a prestar algum tipo de atenção a ele, Draco jogara com as mãos uma quantidade razoável de água pra cima dela. Hermione riu e então voltou a fitá-lo.
- É, Malfoy, você conseguiu me deixar molhadinha. – riu alto de sua piada, observando o sorriso de Draco. - E agora?
Se ela o estava atiçando, Draco não tinha certeza , mas entraria em seu jogo da mesma forma. Sorriu malicioso, de um jeito que só ele era capaz. Hermione não lembrava de já ter recebido esse tipo de sorriso alguma vez de qualquer um que fosse, nem mesmo de Harry que fora seu namorado. Sorriu fraca, observando o modo como os lábios dele se movimentavam conforme as suas palavras seguintes saiam.
- Você prefere as preliminares... – sua voz era rouca, estava quase sussurrando por estar tão próximo dela.
Hermione sentiu seu quadril ir de encontro ao dele, causando um impacto interessante, enquanto suas borboletas se agitavam mais rápidas do que nunca. As mãos dele estavam em sua cintura, onde exatamente a água estava batendo agora, mas elas estavam deslizando para dentro de sua blusa, de modo que aquele contato estava causando-lhe arrepios na espinha. Seus corpos estavam colados, e suas respirações estavam ofegantes e bem próximas da face um do outro. Draco observou o sorriso fraco nos lábios de Hermione, e sorriu ainda mais malicioso do que antes, esperando pela reação dela quando apertou com mais força sua cintura. Hermione liberou um tipo de suspiro com aquele ato, e observou os lábios perfeitos dele se movimentarem novamente conforme suas palavras seguintes iam sendo pronunciadas, roucas e sussurrantes.
-...Ou quer ir direto ao ponto?
Hermione sorriu largamente agora, liberando uma gargalhada gostosa. Jogou suas mãos que estavam soltas ao lado de seu corpo sobre os ombros dele, enquanto seu corpo e sua cabeça pendiam para trás , mas estava segura presa aos braços dele. Draco sorriu junto com ela, e então impulsionou seu corpo para que eles caíssem juntos na água.
Draco não estava diferenciando muito essa “nova pessoa” da Hermione que conhecia. A grifinória astuta e ousada, que o atiçava e o irritava ao mesmo tempo, enquanto o deixava completamente sem reações com simples piscadas. Havia conhecido uma Hermione simpática, divertida e até mesmo companheira, e não podia acreditar que houvesse realmente uma “nova pessoa” ali. Estava tudo como sempre estivera. Mas ele só teria certeza disso se ousasse dos seus constantes impulsos. Mas, na verdade, estaria arriscando o pouco de confiança que haviam construído entre eles.
O restante do dia transcorreu divertido, o lago havia sido o ponto de encontro de toda a Hogwarts até que o sol estivesse ameaçando se pôr. O castelo ainda estava completamente extasiado com o baile, que aconteceria naquela noite. Ainda faltavam horas para o evento, mas os dormitórios femininos já estavam lotados de garotas, vestidos, maquiagens e sapatos.
---*---
Era aproximadamente nove horas da noite, e estava sendo impossível para Hermione permanecer em seu dormitório. As garotas estavam completamente agitadas , colocando seus vestidos perfeitos para o baile.
Hermione estava sentada em sua cama, vestindo seu pijama mais confortável, enquanto lia um livro que havia pego emprestado da biblioteca naquele mesmo dia. Estava sendo impossível se concentrar na leitura, sua visão sempre perdia o foco das palavras impressas e caia entristecida sobre os milhares de vestidos. Lembrava do seu, era verdade que era muito bonito e havia caído perfeito em seu corpo, mas ainda assim era tão sombrio.
- Mione... o que você ainda está fazendo ai? – a voz de Gina interrompeu seus pensamentos. – Vai se atrasar ao baile se continuar ai.
Hermione sorriu fracamente, voltando sua atenção ao livro e lançando suas palavras o mais tranqüila que era capaz.
- É exatamente essa a intenção, Gina.
A ruiva não entendia, aquilo não parecia uma atitude interessante. Aquele baile estava sedo desejado desde o inicio do ano letivo, e Hermione estava se recusando a comparecer ao mesmo.
- Vão ser só alguns minutos, Gina. – Hermione a tranqüilizou, percebendo a cara de completo espanto da ruiva.
- Algumas horas, você quer dizer.
Hermione sorriu fracamente,novamente, deixando seu livro de lado e observando Gina, a sua frente, cada mínimo detalhe.
- Muito bonito o seu vestido, Gina.
A ruiva pareceu orgulhosa, sorriu e continuou a prender os lisos cabelos ruivos em um rabo de cavalo, para depois acrescentar um laço de cetim ao mesmo. Seu vestido era de um lilás bem claro, tomara que caia e que ia até um pouco acima dos joelhos. Estava, realmente, muito bonita.
Hermione suspirou, pensando em quando tivesse que se arrumar para o baile, e em como essa tarefa seria árdua. Precisava desviar seus pensamentos e aquele dormitório não estava facilitando. Resolveu, então, descer até o salão comunal, onde esperava encontrar um pouco de tranqüilidade. Mas tudo o que viu foi uma quantidade considerável de garotos vestindo suas roupas de gala e andando nervosos de um lado para o outro. Sorriu, com essa visão, mas então desfez qualquer traço de diversão, quando reparou que Harry a esperava no alto da escada.
- Se o baile fosse de casais você iria comigo, Hermione?
A castanha o direcionara um dos seus olhares mais fuziladores, tentando desviar e descer as escadarias, mas sendo impedida pelo corpo incrivelmente grande de Harry.
- Adorei o seu... pijama. – sorriu, observando-a.
Hermione não estava gostando daquela intimidade. Harry estava agindo como se tudo estivesse realmente bem. Mas as coisas não estavam, e os seus olhares de fúria estavam indicando isto. Harry então desistiu e abriu espaço para que ela descesse os degraus restantes. Harry a seguiu até um sofá próximo, estava vestindo a mesma roupa de gala que sempre usava em todos os bailes da escola, mas os cabelos rebeldes estavam espetados com uma quantidade considerável de gel.
- Mione, eu preciso conversar com você.
- Sua namorada já está quase pronta, espere por ela. – sua voz era ríspida.
Hermione agarrou uma almofada e se prendeu a ela, como se fosse algum tipo de escudo protetor, caso Harry tentasse agarrá-la. Logicamente que ele não faria isso, haviam muitos rapazes ali como testemunhas.
- Eu preciso dar as minhas explicações, Mione.
- Eu sei. Mas eu não estou nem um pouco a fim de escutá-las. – Dizia sem fitá-lo.
- Você me desculpa, Hermione?
Mas a castanha não respondeu, simplesmente permaneceu observando os rapazes em seus ternos que conversavam animados uns com os outros. O baile começaria dentro de uma hora e meia, mas todos (ou a maioria) já estavam devidamente arrumados e prontos.
- Eu fui um estúpido com você, Hermione, eu só quero que me desculpe.
- Ah, agora você está assumindo? – Hermione o fitara, muito curiosa com aquelas confissões.
- Eu estive pensando a respeito...
- Ótimo. Guarde esses pensamentos pra você mesmo. – o interrompeu, desviando o olhar. – Se divirta no baile, Gina está fabulosa hoje.
Harry parecia irritado com esse comentário, sabia o que ódio que Hermione estava sentindo da ruiva, e se detestava por admitir que era o causador disso.
- Não a culpe, certo? Sou eu quem você deve detestar, Mione.
Hermione riu de um jeito completamente irônico, observando as expressões irritadas dele. Harry entendeu perfeitamente bem, e compreendeu que não conseguiria nenhum tipo de conversa civilizada com a castanha. Então, decidiu que esperaria por Gina bem longe dali. Hermione o observou se afastar, e lembrou de todos os bailes em que eles haviam ido juntos, quando ainda namoravam às escondidas. Sorriu fracamente, pensando que agora estaria indo ao baile com quem sempre fora seu inimigo.
- Hermione! – era um grito completamente desesperado. – Você não vai ao baile?
- Claro que vou, Rony. – sorriu para o amigo, observando-o vestido com sua roupa de gala, e não havia nenhum babado como nas suas roupas anteriores.
- Você tem idéia de quantos anos Hogwarts está fazendo hoje? – o ruivo sorrira.
- Talvez devêssemos nos basear na idade de Dumbledore.
E então desataram em uma gargalhada gostosa e única. Rony precisou se afastar dali, e Hermione pôde permanecer em silêncio, ainda agarrada á almofada e perdida em seus pensamentos.
*--*
Não muito distante da torre Grifinória, estavam os sonserinos. Draco terminava de vestir seu blazer perdido em pensamentos.Não usava vestes de gala como a maioria dos outros alunos,apenas uma calça social preta,uma camisa social branca com alguns botões abertos e por cima dela um blazer preto do mesmo tecido da calça. Sorria pensando que em questão de horas encontraria Hermione no baile e cumpriria o acordo. Deveria estar nervoso por causa disso, mas tudo o que conseguia pensar era na reação de Harry quando oficializassem o namoro, e no espetáculo que Alan daria pagando o preço de uma aposta perdida.
---*---
Fazia exatamente uma hora que o baile havia se iniciado. O Salão Principal estava em polvorosa, muito bem decorado em um estilo colorido e despojado. Havia muitos alunos ali, todos em suas roupas de baile e aproveitando o melhor que a noite os proporcionaria. Dumbledore já havia feito seu discurso e por sorte não havia tomado muito tempo do baile. Haviam mesas ao fundo do salão, onde alguns casais estavam sentados.Tiras de pano coloridas pendiam do teto, assim como balões enfeitiçados. No exato local onde ficava a bancada de professores, havia agora uma mesa de tamanho considerável e um bolo de aniversário que poderia ser considerado gigante. O bolo estava atraindo a atenção e o estômago de todos, mas havia diversão suficiente para que esquecessem completamente disso. Havia uma pista de dança ao centro do Salão, repleta de alunos, que era na verdade uma pista eletrônica. Luzes coloridas cegavam a todos que dançavam nos ritmos das músicas, e havia um ruído estridente de conversas, risos e gargalhadas. Estavam todos animados, mas Draco era simplesmente o único que não estava compartilhando desse sentimento. Estava, na verdade, nervoso e preocupado com o atraso de uma hora de Hermione.
Draco caminhava pelo Salão, procurando pela castanha e esperando cruzar seu caminho com ela. Mas não a encontrava em absolutamente lugar algum. Procurou em algumas mesas afastadas, ela certamente estaria tentando se camuflar. Estava começando a se irritar com aquele atraso ou sumiço, se fosse o caso. Foi quando viu as grandes portas que davam acesso ao Salão se abrirem e alguém passar por elas. Estava próximo e podia visualizar a imagem de Hermione adentrando o Salão.
Hermione usava seu vestido “sombrio”, mas estava causando efeito por onde estava passando. Muitos rapazes estavam desviando seus olhares para a castanha e se perdiam nas curvas perfeitas de seu corpo. Draco não parecia ter percebido nada disso, na verdade estava irritado demais para fazer qualquer tipo de constatação. Caminhou apressado na direção dela, abrindo caminho entre alguns alunos e provocando um tipo de reação estranha em Hermione. Seu estômago se revirou novamente, e a castanha estava começando a ruborizar. Não queria que ele a visse usando o vestido novamente. Uma vez já havia sido suficientemente vergonhoso. Observou o quanto o andar de Draco era elegante, mesmo que ele fosse apenas um rapaz de 17 anos de idade, mas vestido com aquele blazer preto ele estava com uma aparência muito mais madura. Seus cabelos louros e lisos caiam desarrumados sobre sua cabeça, e sorriu pensando que ele provavelmente não havia tido trabalho algum nisto. Mas estava elegante, definitivamente preto era a sua cor.
- Onde você estava? – se aproximou, por fim, fitando-a fundo nos olhos, com raiva. – Eu estava preocupado.
Hermione arregalou os olhos por alguns instantes, incrédula.
- Eu pensei que não viria mais. – Draco continuava irritado. – Você foi irresponsável, Granger, eu estava esperando por você.
- Eu... er... – mas fora interrompida.
- Eu realmente pensei que você não viria. Por acaso pretendia desistir?
- Eu estou aqui, não estou, Malfoy? – Dessa vez ela disse com um tom claro de irritação.
Ele a estava tratando mal, e ela não estava podendo se defender. Draco observou os lábios rosados dela quando pronunciou as palavras anteriores, e todo aquele brilho labial pareceu convidá-lo para um impulso. Mas se controlou o máximo que pôde, observando-a com atenção pela primeira vez. Hermione estava incrivelmente bonita naquela noite. Nada que ele nunca tivesse constatado antes, mas aquele vestido havia valorizado muito as formas da castanha. Seus quadris, por exemplo, e os seios, com seu decote em V. O vestido era perfeito, amarrado ao pescoço e deixando suas costas nuas, assim como partes de sua coxa e perna esquerda, já que havia um rasgo discreto ali. Era de um cinza bem claro, e emanava um tipo de brilho que Draco poderia jurar estar vindo dela. Os cabelos encaracolados estavam presos ao topo da cabeça em um coque desajeitado, de onde pendiam mechas de cachos, que caiam sobre seus ombros nus. Não havia nenhuma maquiagem pesada, mas Draco podia reconhecer a sombra escuras e o lápis preto formando o contorno de seus olhos. As bochechas estavam rosadas, mas ele sabia que ela estava apenas ruborizando com sua observação minuciosa.
- Sim, está.
Draco respondeu a pergunta anterior, depois de longos minutos de observação, ainda completamente inebriado. Procurou disfarçar, fitando-a nos olhos e sorrindo.
- Você está linda. – Sorriu ainda mais radiante.
Hermione sentiu uma ardência em seu rosto, e sabia que deveria estar corada naquele momento. Ouvindo-o dizer aquilo era quase mágico. Ele estava incrivelmente elegante, era o seu belo “pedaço de mal caminho”, e estava sorrindo o seu melhor sorriso do dia. Retribuiu com um sorriso fraco e envergonhado, desviando o olhar para o salão.
- Onde estão os outros? – Hermione perguntou, procurando por conhecidos pelo baile.
- Depende. Alan e Pansy, dançando. – e tentou focar os amigos na pista, ao centro. - E seu Potter acabou de passar de mãos dadas com a Weasley.
- Como assim? – Hermione se surpreendeu com a informação. - Eles estão se assumindo por acaso?
- Granger, o salão está cheio demais pra que alguém perceba que eles estão de mãos dadas.
- Você percebeu. – Disse , sorrindo.
- Porque eu estou jogando, hoje.
Aquela resposta não havia sido uma boa idéia. Um tipo de nervosismo percorreu a espinha de Hermione, e causou uma certa náusea em seu estômago. O jogo começaria em breve, e esse pensamento estavam deixando-a em estado de nervos. Piscou algumas vezes, forte demais, e respirou fundo, observando Draco.
- O que foi? Você está passando mal, Granger? – Havia uma expressão de preocupação em seu rosto.
- Não, claro que não. – suspirou, desviando os olhares para o chão. - Eu só estou nervosa.
- Você é dramática demais. – sorriu, observando-a .
Draco se aproximou de Hermione, mais do que poderia se aproximar, enlaçando um de seus braços em torno de sua cintura fina, obrigando-a a olhá-lo novamente. Suas bochechas continuavam rosadas, e isto estava desviando os pensamentos de Draco. Ele era bem mais alto que ela, não exageradamente, mas havia uma diferença considerável ali. Presa de encontro ao corpo dele, Hermione sentia-se protegida. Era a sensação que todas as garotas tinham com seus namorados quando eles as aconchegavam em seu peito. Mas Draco não pretendia fazer isto, apenas levou seus lábios de encontro as bochechas rubras da castanha e depositou um beijo rápido ali, pronunciando em seu ouvido em seguida:
- A gente se vê...
Hermione não disse nada, apenas sentiu seu corpo se separando do dele e o observou se afastar. O Salão estava cheio, mas precisava procurar por diversão. Estava nervosa e tremia pensando em quando o momento finalmente chegasse. Beijá-lo era a coisa mais fácil para ela, na verdade, era a coisa mais prazerosa. Mas hoje seria muito mais difícil executar o ato.
---*---
Hermione se encaminhou até as mesas de bebidas e se concentrou em sua cerveja amanteigada, ao mesmo tempo em que observava os alunos divertidos dançando ao ritmo de batidas eletrônicas. Era um ritmo tão trouxa, que soava hilário.
Foi quando sentiu uma presença ao seu lado, e sorriu quando viu que era apenas Rony.
- Mione, o que aconteceu? Você demorou tanto.
-Eu precisava de um tempo, sabe...
- Pra se arrumar? – arregalou os olhos, observando-a dos pés a cabeça agora. - Porque se foi isso, valeu a pena, Mione. Você está...muito bonita.
Hermione sorriu. Adorava a companhia do amigo, e ouvindo-o dizer aquilo a confortava muito. Sabia que podia haver segundas intenções naquelas últimas palavras, mas ignorou esse pensamento. Então fez uma constatação óbvia demais: para Rony, ela estava bonita, mas para Draco, era estava simplesmente linda. Sorriu ainda mais forte pensando nisso.
- Obrigada, Ron.
O ruivo parecia desconfortável, e em questão de segundos já estava camuflado como a cor de seus cabelos. Se afastou dali, dando algumas desculpas e deixando Hermione sozinha. Era tudo o que ela precisava. Caminhou pelo salão, cumprimentando algumas pessoas e dançando com Simas nas batidas eletrônicas.
---*---
Draco estava próximo as mesas de bebidas, encostado em uma pilastra bebericando sua cerveija amanteigada, quando Alan se aproximou dele.
- Ela já apareceu, Draco?
- Já. – respondeu ríspido, seu olhares caiam em uma figura não muito distante dali.- Fica longe dela, Alan, você não pode interferir agora.
- Tá certo. – Alan sorriu, acompanhando os olhares de Draco... - Mas existe uma regra...
Draco se surpreendeu com aquela subida menção, se endireitando contra a pilastra e se pondo a observar o seu ponto não muito distante novamente. Era Hermione que ele estavam observando, servindo-se de mais cerveja.
- O quê? Uma regra? Desde quando, Alan?
- Nada de álcool. – disse sério, fitando Hermione uma última vez. - Se você beijar a Granger e ela estiver bêbada, Draco, eu venço a aposta.
- Ah, ótimo, agora eu vou ter que ser babá dela, é isso? – Draco parecia irritado, bebendo todo o restante de cerveja que havia em seu copo.
- Você que sabe, Draco.
E dizendo isto, Alan se afastara dali, sorrindo imaginando que do jeito que Hermione estava bebendo certamente ela ficaria alcoolizada em questão de pouco tempo. E então venceria a aposta, pois havia uma regra agora.
Draco fitou Hermione novamente e se aproximou dela, caminhando devagar e se postando bem atrás dela.
- Ei, Granger, você já bebeu antes?
Hermione soltou um suspiro alto, quase desenquilibrando o copo em suas mãos. Se virou ligeira e o observou com um misto de susto e irritação nos olhos.
- Malfoy, você me assustou.
- Não é legal para uma garota beber desse jeito. – o loiro ignorara, iniciando seu discurso.
- Ah, por favor, Malfoy. – e revirou os olhos, dando um gole de sua bebida. - São só cervejas amanteigadas.
- Não importa. – e ignorou novamente, observando-a beber mais um gole da bebida. - Uma só basta, não?
- Não!
Draco estava irritado, tinha quase certeza, agora, que ela conseguiria ficar bêbada se continuasse bebendo daquela forma. Revirou os olhos em protesto e retirou o copo das mãos de Hermione. Havia muito menos da metade no copo, e depositou todo esse resto em sua própria boca, livrando-se do copo dela e do seu também quando um elfo passara por ali com uma bandeja vazia nas mãos.
- Álcool não combina com você, Granger.
Hermione apenas riu, talvez alto demais, mas não deu importância, os ruídos eram altos ao seu redor então ninguem perceberia. Draco não disse absolutamente mais nada, apenas lhe direcionara um olhar rápido e dera as costas. Hermione não entendeu, então precisou chamá-lo.
- Ei, aonde você vai, Malfoy?
Draco interrompera e se virara na direção dela novamente, com o cenho franzido e sem entender nada do que ela estava tentando dizer.
- Pode me beijar, Malfoy. – dissera sussurrando, se aproximando dele.
Draco a fitou mais uma vez e então desabou em uma risada quase exagerada.
- O que foi? - Perguntou irritada.
- Você já está sob efeito do álcool? – conteve uma gargalhada.
- Não. – sua voz era irritada, e sua expressão demonstrava isso. - Eu pensei que houvesse um propósito nesse baile.
- E existe. – sorriu, agora abafando seus risos. - Mas não tem que ser assim tão fácil, sabe...
- Eu não entendo você, Malfoy. – dera os ombros, revirando os olhos e desviando a visão pelo salão.
- Não beba, certo?
E então, depositara mais um beijo rápido em sua bochecha, se afastando dali novamente.
---*---
Hermione não extamente seguiu a risca o conselho de Draco. Aquela não iria ser a sua última cerveja, mas também tinha plena consciência de que talvez fosse fraca demais para aquele tipo de bebida.
- Eu pensei que você não viria, Mione.
A castanha se assustou, quando estava se livrando de mais um copo vazio. Virou-se depressa para visualizar o dono da voz e sua expressão foi de completa indiferença.
- É, mas eu não perderia o baile, perderia Harry?
- Você está muito... bonita.
Hermione sorriu com o elogio, mas não que estivesse sorrindo por tê-lo recebido de Harry. Mas havia sido a segunda vez que alguém havia dito aquilo sobre ela. E Draco ainda continuava sendo o único que a achava linda
- Onde está a Gina? – perguntou ríspida.
- Aceita dançar comigo?
E não obteve resposta alguma. Fitou Harry por alguns instantes, como se estivesse tentando acreditar. Uma das mãos dele estava esticada em sua direção, esperando-a para que ela aceitasse. Hermione protestou internamente por alguns instantes, mas acabou aceitando, por fim.
- Você ainda sabe dançar, né? – Harry sorriu da brincadeira.
Foi quando Hermione percebeu que o ritmo já não era mais o mesmo na pista de dança. Havia um música lenta sendo tocada agora, e muitos casais dançavam juntos com os corpos colados.
- Harry, não é uma boa idéia. – tentou , mas já era tarde.
- Não é por causa dele, é?
Harry disse isto enlaçando seus braços em torno da cintura dela, enquanto as mãos dela se enlaçavam em seu pescoço. Seus olhares se cruzavam inevitavelmente e era visível o desconforto.
- Não. Quer dizer... – ficara nervosa com a resposta que daria, sendo interrompida.
- Só dance, Mione.
Harry direcionou um sorriso fraco, mas que quase a fez fraquejar sobre seus joelhos. Dançaram por longos minutos, unidos daquela forma. Seus corpos estavam quentes, e por vezes as mãos de Harry alisavam as costas nuas de Hermione. A castanha estremecia com o contato, mas não demonstrava.
- Lembra das nossas danças, Mione?
Mas Hermione não respondeu, simplesmente continuou dançando.
- Aonde está o seu romantismo? – Harry insistia.
E mais silêncio.
- E o seu sonserino, aonde está?
- Não é da sua conta.
Finalmente havia conseguido retirar uma resposta dela. Não exatamente para a questão que tinha em sua cabeça, mas agora entendia perfeitamente bem qual era o assunto que realmente a interessava.
- Eu o vi paquerando meia dúzia de garotas enquanto você não estava aqui.
- Sem gracinhas, Harry. – e revirou os olhos, fingindo irritação.
Harry sorriu, estava apenas tentando atrair a atenção dela e continuaram dançando.Por vezes Harry iniciava alguma conversa, mas Hermione sempre tratava de ignorá-lo de alguma forma.
Fora da pista havia alguém que observava a cena não muito contente com o que estava vendo. Tinha uma expressão de profundo0 desgosto e raiva, a mandíbula cerrada e um copo de cerveja nas mãos.
- Estúpido. – uma voz o despertou de seus devaneios.
Era Gina que havia surgido ao lado de Draco.
- Falando sozinha, Virginia?
- Ele me fez de idiota. – estava irritada.
- Então veio ao baile com o Potter? – sorriu, observando-a minuciosamente e esperando pela resposta.
- Você é um idiota, Draco. – sussurrou, ainda com os olhos atentos à Harry e Hermione dançando juntos. - Está esperando o que pra acabar com a graça deles?
- Ciúmes do Potter? – Draco sorria, livrando-se do copo vazio agora.
- Se você não for, eu mesma vou. – o fitou de uma forma intensa.. - E vai sobrar pra sua garota, Draco.
- Fica calma, tá certo. – Draco revirou os olhos e focou o casal novamente na pista. - Até agora o Potter não tentou nada.
Gina suspirou, cruzando os braços a frente do corpo e demonstrando toda a raiva que estava sentindo de Hermione.
- Não era pra você estar me evitando, Virginia?
Mas a ruiva não respondera, apenas permanecera observando o casal.
- Está expondo demais a nossa relação. – Draco sorrira, observando-a.
- Ah, não. Hoje você vai ser útil, Draco. – e sorriu de volta. - Vamos dançar.
- O quê?
Draco não pôde evitar uma expressão de completo espanto. Por aquela simplesmente não esperava. E não era o convite mais tentador do dia, simplesmente desejava que pudesse estar na pista com uma outra garota com quem ainda cumpriria um acordo. Mas então entendeu qual era a intenção de Gina, e sorriu levando-a até a pista.
Gina estava muito atraente em seu vestido lilás tomara que caia, e Draco estava babando por ela. Os braços da garota enlaçavam seu pescoço e seus dedos roçavam sua nuca de uma forma provocante e discreta. Dançavam não muito próximo de Hermione e Harry, mas eles poderiam percebê-los muito facilmente se não estivessem mais interessados na conversa que estavam levando.
- Eu queria entender: porque justo o Malfoy, Mione? – a voz de Harry saia baixa, enquanto ele ainda a fitava.
- Harry, chega. – sua voz era uma súplica.
- Você não gosta mais de mim, Hermione?
Hermione não disse uma palavra sequer. Havia uma resposta, era verdade, mas ela ainda precisava pensar melhor a respeito. Harry havia percebido a reação da garota, mas esperava ansioso pela resposta.
- Você não merece meus sentimentos, Harry.
- Mas você ainda gosta. – e concluíra, sorrindo fraco.
Hermione não demonstrara nada quanto à conclusão, apenas continuara fitando-o. Milhares de indagações se formavam em sua cabeça. Talvez Harry estivesse usando a pouca habilidade em Oclumência que possuía...
- Eu não fiz de propósito, Hermione.
- Tudo bem, vocês homens pensam com outra cabeça, não é mesmo? – e sorriu irônica. - E não é essa que está no seu pescoço.
Harry ria da piada da amiga, e Hermione o acompanhou na risada. Draco percebeu isso, ao longe, ainda dançando com Gina, e não evitou sua expressão de raiva.
- Eu acho que vou avançar em cima dele, Virginia.
- Já era pra você ter feito isso. – e suspirou, indignada.
Draco riu do tom de voz de Gina. A garota estava mesmo se corroendo de ciúmes de Hermione, e pensava quando Gina realmente assumiria seu namoro e confessaria a ele.
Antes mesmo que Gina pudesse contestar aquele riso solto de Draco, alguém havia empurrado o sonserino muito violentamente e ele cambaleava procurando por equilíbrio.
- Harry, não faça isso. – a voz de Hermione ecoava mais alta do que deveria.
Draco se mantivera em pé e caminhara na direção de Harry, decidido que se defenderia melhor dessa vez. Hermione tentava afastá-lo, mas as pessoas já estavam formando um círculo em torno deles. A música continuava e ajudava a amenizar os gritos.
- Ei, qual é Potter?! – a voz de Draco era convidativa para uma discussão.
- Você pode se aproveitar de qualquer uma, Malfoy, mas da Gina não. – Harry dizia ríspido, afastando Gina de perto de Draco.
- Ei, Harry, eu não sou qualquer uma. – Hermione havia entendido absolutamente bem o sentido daquela frase.
Harry não se preocupou em desfazer o mal entendido, simplesmente continuou a fitar Draco com o olhar mais fuzilador e raivoso que podia. A vontade que sentia era de voar no pescoço de Draco e acertar-lhe socos.
- Não encosta mais na Gina, ok?
E, dizendo isto, Harry se afastara dali, carregando Gina consigo, sem direcionar mais nenhuma palavra a nenhum deles, nem mesmo um olhar. Hermione estava indignada, mas então sentiu uma mão segurar sua cintura firme e a outra levar seus braços até os ombros do mesmo, de modo que ela as enlaçasse em seu pescoço. Hermione obedeceu aos movimentos e, agora, estava dançando com Draco. Seus olhares não se encontravam, havia uma atmosfera diferente pairando sobre eles.
- Eu não sei como eu agüento isso, Granger. – Draco dissera, quebrando o silêncio.
- O que você estava fazendo dançando com a Gina?
- Até você? – e a fitara, esperando intimidá-la. - Eu vi o atrevimento do Potter, ok?
- Ele é um cretino.
- Ótimo.
Draco desviou seus olhares, fitando as pessoas ao redor deles. Alguns olhares ainda caiam sobre eles, as pessoas ainda estavam curiosas em relação àquele novo casal.
- Vamos, acabe logo com isso, Malfoy. – a voz de Hermione quebrou um novo silêncio.
- O quê? - Draco não entendeu, arqueando uma de suas sobrancelhas.
- Me beije.
Hermione estava quase implorando para que ele fizesse aquilo. Seus olhos emanavam um tipo de súplica. Se ela soubesse o quanto seus lábios eram convidativos, ela certamente não gastaria saliva pedindo para ser beijada. Mas Draco estava planejando agir diferente.
- Não, não desse jeito, Granger.
- E de que jeito, Malfoy? - estava irritada, agora, evitando falar muito alto. - Esse baile já perdeu a graça pra mim.
Sua irritação estava deixando-a com os nervos a flor da pele. Havia imaginado que seria tudo mais fácil, mas estava sendo tudo incrivelmente difícil para ela. Hermione retirou os braços dos ombros de Draco e se separou dele, seguindo para fora da pista em passos rápidos. Draco revirou os olhos e percebeu que as pessoas os observavam. Suspirou uma vez, e seguiu em direção à Hermione. Passou muito próximo de onde Alan estava, e ouviu uma gargalhada divertida do amigo. Sabia o que ele estava pensando: que provavelmente Hermione o estava evitando.
Draco conseguiu alcançá-la antes que ela se afastasse demais e, puxando pela braço, a trouxe perto o suficiente para que pudessem conversar sem que ninguém os escutasse.
- Granger, deixe de bobagens...
Hermione não respondeu, simplesmente se concentrou em evitar que algumas lágrimas insistentes escorressem por sua face.
- O que foi que eu fiz dessa vez?
- Não é você, Malfoy. Sou eu.
- Como assim? – Draco não entendia.
- Eu menti, certo. – e limpou uma lágrima atrevida, com bastante grosseria. - Às vezes eu sou sensível demais.
Draco sorriu com essa confissão, e então teve certeza de que aquela “nova pessoa” não devia mesmo existir. Ela ainda era a mesma Hermione com ele.
Hermione se sentiu desconfotável quando ele afrouxou o aperto em seu braço e levou uma de suas mãos de encontro aos seus cabelos. Gostava daquele contato, mas detestava ter que corar com ele.
Mas então uma voz conhecida os interrompeu naquele exato momento, em uma troca profunda de olhares.
- Hermione... – Harry se aproximava. - Você ainda pode.
- O quê, Harry? – Hermione não entendia.
- Você não merece ser magoada, Mione.
Harry se aproximava devagar de onde eles estavam, estava se controlando para não iniciar nenhum discussão com Draco. Hermione agarrava o braço de Draco, em uma forma de impedi-lo de se exaltar.
- Escuta aqui Potter... – a voz de Draco saia baixa, mas irritada. - Será que você pode parar de se intrometer nas nossas vidas?
- Mione, pense bem nas coisas que eu disse.
Harry direcionava seus olhares e suas palavras diretamente à Hermione.
- O que você disse a meu respeito, Potter? – Draco estava curioso.
- Mione...- então Harry fora interrompido.
- Pare de agir como se eu não estivesse aqui, Potter...
Draco estava exaltado, e sua voz ecoava mais alto do que deveria. Novamente estavam chamando a atenção para eles.
- Você machuca as pessoas com quem você se envolve, Malfoy. – agora sim Harry dirigia suas palavras a Draco. - Eu não quero que a Mione seja mais uma.
Draco absorveu as palavras por alguns instantes e então desabou em uma risada um tanto irônica. Hermione não entendia esse tipo de reação dele, mas sabia que Harry não havia gostado.
- Você as usa, e quando consegue o que quer delas, as joga fora. – novamente, Harry se dirigiu a ele.
Draco tinha um sorriso fraco, e quando absorveu as palavras novamente, desabou em uma nova risada. Era um protesto por todas as coisas que Harry estava dizendo dele.
- Pare com isso, Harry. – Hermione tentou interrompê-lo nas acusações.
- Você é esperta, Mione, pense melhor.
Mas Harry não estava dando a mínima para os olhares implorativos da castanha. Havia um sentimento de proteção dentro dele, estava precisando alertar a ex-namorada para o risco que ele acreditava que Draco representava.
- Ela já pensou, babaca, ela faz as escolhas dela. – finalmente Draco resolvera dizer algo.
- Mione, não ignore os fatos.
Harry novamente direcionava suas palavras a Hermione, e não mais a Draco. O sonserino se irritou com isso e se exaltou.
- Que fatos, Potter?
- Ele quer você na cama dele, Hermione.
Draco desfez sua expressão divertida e irônica, e estampou uma expressão de completo ódio pelas coisas que o grifinório estava dizendo. Draco era a única pessoa que podia concordar ou discordar daqueles fatos.
- Pare Harry. – a voz de Hermione voltava a soar como súplica.
Os olhos de Hermione já começavam a lacrimar, e sentia que algumas lágrimas escorreriam muito em breve. Escorregou sua mão que segurava firme o braço de Draco até que seus dedos se entrelaçassem aos dele. Aquele contato frio a confortava de uma forma que só ela entendia. Harry a fitava profundamente.
- Você ouve muitas garotas confessarem ter saído com ele, Mione?
- Como é que é, Potter? – Draco pareceu surpreso com aquela indagação repentina.
- Não. – Harry respondera por ela, virando-se para Draco agora. - Porque você as magoou e agora elas tem vergonha de admitir que permitiram que você as usasse.
- Cala a boca, Potter. – Draco estava, definitivamente, exaltado.
Sua voz saíra em um grito, que havia ecoado alto demais. Isto chamou muitas atenções do salão, e agora havia uma platéia.
- Você está cuspindo pro alto, Potter.
As palavras de Draco saíram em um tom de diversão, e cínico. Harry franziu seu cenho, sem entender o significado daquelas palavras. Mas certamente Gina havia entendido, pois ela surgira no meio da multidão muito repentinamente.
- Vem, Harry, estão todos olhando. – Gina o tirara de seus devaneios.
Lágrimas escorriam pelo rosto de Hermione agora, e eram inevitáveis. Draco estava de costas para ela, um pouco a frente da mesma, e não havia percebido, apesar de ainda segurar a mão dela entrelaçada a sua. Gina conseguiu afastar Harry dali, levando-o para longe. Draco tinha os olhos banhados em ódio por todas as coisas que Harry havia dito, e não sabia ao certo o que pensar a respeito.
Draco não estava focando nada ao seu redor, apenas sentindo o calor que estava emanando de sua mão enlaçada a de
Hermione. Alan estava próximo dali, e observava a tudo muito atento, embora não conseguisse ouvir. Algumas pessoas ainda os observavam, mas muitas já se dispersavam.
- Eu realmente não sei como eu agüento isso, Granger. – Draco se virou, ficando de frente para Hermione.
No mesmo instante em que os olhares de Draco caíram sobre a castanha, Hermione virara seu rosto em uma tentativa frustrada de impedir que ele visse suas lágrimas. Draco não sabia o que sentir naquele momento, estava irritado consigo mesmo por ter permitido que Harry dissesse todas aquelas coisas e a tivesse magoado daquela forma.
- Granger. Você não levou a sério as coisas que ele disse, levou?
Mas Hermione não respondeu apenas o fitou. As lágrimas ainda escorriam, e ele tentava limpá-las por ela. A expressão de Hermione era um misto indecifrável de sentimentos.
- Por favor. Não leve a sério. – sua voz era rouca, e triste.
Não havia motivos para ele se sentir daquela forma, e para ele se importar. Era um jogo.
- Eu não sei o que pensar.- Hermione disse, por fim.
- Não pense, ele está fazendo de propósito. – Disse , limpando mais algumas lágrimas e se aproximando ainda mais dela.
- Eu não tenho escolha, de qualquer forma. – Hermione concluíra, fitando-o fundo.
Definitivamente, não tinha escolha alguma. Estava presa naquele acordo e teria de cumpri-lo, fosse ou não verdades todas as coisas que Harry dissera.
- Ele está tentando confundi-la, Granger.
Hermione desviou seu olhar de Draco por alguns instantes e avistou Alan, próximo dali. Ele estava sério, uma expressão como ela nunca havia visto antes. E então lembrou da manhã nos jardins, e do conselho de Alan. Era tão óbvio pra ela agora. Definitivamente, não deveria desperdiçar um conselho.
- Quais as suas intenções, Malfoy? – Hermione o fitara, seria.
Alan tinha um sorriso fraco, estava conseguindo ler os lábios de Hermione.
- Como? – Draco não entendia.
- Eu não me importo, me beije.
Draco recebera aquela súplica muito melhor agora. Ela estava pedindo, novamente, que ele a beijasse. E, dessa vez, não havia razão para recusar ou para adiar. Era o momento certo. Não apenas porque já era tarde e tinham que cumprir o acordo, mas porque era a oportunidade de tentar desfazer a situação que se formara entre eles. Se havia algum tipo de sentimento ali, eles não sabiam dizer precisamente qual, mas era óbvio que as coisas não estavam seguindo seu curso normal.
Hermione conseguiu impedir as lágrimas, dessa vez com mais eficiência, e sentiu Draco desfazer o nó de suas mãos, posicionando essa mesma mão em sua cintura, ao mesmo tempo em que acariciava os seus cabelos com a outra.Estava um tanto desnorteada, mas aquele seria o momento que estavam esperando durante todo o baile e um acordo seria firmado por definitivo. Então, permitiu que ele segurasse seu rosto e o trouxesse para próximo do dele. Suas respirações batiam ferozmente de encontro a suas faces e, muito ligeiro, os lábios de Draco já estavam pressionando os lábios de Hermione. Permaneceram nesse ato por alguns instantes curtíssimos, até que seus lábios começaram a se movimentar lentos e sedentos, enquanto suas línguas pediam passagem ao mesmo tempo. Era um beijo diferente de todos os outros. Não era um impulso, era até mais sincero que todos os outros juntos. Havia um carinho maior no modo como seus lábios se moviam, e no modo como ele acariciava seu rosto, assim como no modo como as mãos de Hermione faziam caricias no pescoço de Draco, e ouriçava alguns pêlos ali. Seus corpos estavam unidos e seus corações palpitavam mais fortes do que o normal.
Oficialmente namorados.
Alan presenciava tudo muito carrancudo, e então se afastou quando percebeu que aquele beijo estava demorando demais para apenas uma aposta. As pessoas observavam a tudo muito atentas, e surpresas. Nunca ninguém ali havia imaginado que Draco e Hermione pudessem vir a formar um casal, e mais do que isso, nunca haviam presenciado um beijo tão perfeito como aquele. Era doce e sereno, havia um sentimento muito visível, e todos ali, menos eles mesmos, eram capazes de indentificar qual.
Então houve uma necessidade de buscar fôlego, e Draco interrompeu o beijo, colando sua testa à dela e abrindo os olhos de vagar. Estava inebriado com o gosto dos lábios da castanha. As lagrimas na face de Hermione já haviam secado.
- Srtª Malfoy... – Draco sorriu, dizendo isto baixo para que só ela ouvisse.
Hermione sentiu seu peito inflar com aquela voz e aquelas palavras. Uma felicidade percorreu suas veias e ela soube que aquele havia sido o momento mais especial de sua vida.
Um burburinho imenso se formou ao redor deles. As pessoas agora comentavam o beijo e toda a ceninha que o antecedeu. Uma aposta também havia acabado de ser vencida, e Alan tinha pouco tempo para fugir caso quisesse.
Hermione sorriu e abriu seus olhos, por fim. Draco retribuiu o sorriso e acrescentou mais um beijo em seus lábios, dessa vez mais rápido e deixando uma marca vermelha nos lábios dela, ao pressioná-los com muita força.
Havia uma sensação de dever cumprido dominando-os por dentro, mas havia também sentimentos novos tomando força e os possuindo de forma nunca antes experimentada. Ainda havia muito o que eles precisavam descobrir sobre si mesmos, mas ainda estavam atordoados demais com o rumo que aquele jogo estava tomando.
---*---
Alan estava completamente frustrado, havia perdido sua própria aposta e era quase inadmissível. Não passava pela sua cabeça que Draco realmente conseguiria ‘roubar’ um beijo de Hermione, na verdade, Alan nunca imaginou que ela pediria para ser beijada por ele. Algo dizia que havia alguma coisa de muito errada naquilo tudo, mas o sonserino não estava sendo capaz de compreender o que exatamente havia favorecido a vitória de Draco. Ainda era confuso para ele o fato de Hermione aceitar a presença de Draco tão tranquilamente, e toda a discussão que Harry havia provocado, as coisas que o grifinório havia dito. Era tudo extremamente confuso para Alan. Na verdade, havia muito o que ele precisaria descobrir jogo aquele jogo. A vitória de Draco havia sido uma trapaça, mas ele não se importava com isso, simplesmente honraria seu nome. Draco havia falhado desde o inicio, quando aceitara aquela aposta, e estava falhando mais uma vez, se prendendo à Hermione daquela forma. Um acordo mágico significava muito.
--*--
- Ela pediu para ser beijada. – a voz de Alan ecoava firme pelo corredor. - É diferente. Você teria que beijá-la, Draco.
- Eu beijei, Alan.
Draco tentou abafar um riso, sem o menor sucesso, e provocou uma nova explosão de nervos em Alan.
- Não.
A voz do sonserino era grave, ele estava mesmo irritado por ter perdido a aposta. Estava se recusando a acreditar que passaria a maior vergonha da sua vida. Blás e Crable caminhavam logo atrás deles, estavam em um corredor próximo ao Salão, onde Alan poderia se preparar para o momento mais hilário de sua vida. Draco havia conseguido despistar Hermione e estava lutando para abafar seus risos.
- Arranca a roupa, Alan.
O moreno estava relutando até sua ultima ponta de esperança, mas não havia mais nenhuma escapatória. Havia apostado, e perdido, portanto cumpriria sua parte de perdedor na aposta. Seria a situação mais cômica que Hogwarts já havia presenciado, e Alan seria o protagonista. Blás soltava gargalhadas estridentes pelo caminho e, encurralando Alan, iniciou a retirada da roupa do mesmo. Alan entendeu que não tinha opção alguma e, com um suspiro profundo, empurrou os amigos para longe, retirando por si só suas roupas.
Era inevitável os risos agora, mas Draco ainda precisava voltar para o Salão, afinal, havia deixado Hermione sozinha por lá. Estava ligado a castanha mais diretamente do que podia imaginar , era algo que não conseguia controlar ou desfazer. Era um namoro de mentiras, mas soava incrivelmente real.
- Aqui, eu deixo você usar isso, Alan.
E, dizendo isto, Draco arrancou um escudo de uma armadura próxima. Era pequeno mas cobriria perfeitamente bem as partes baixas de Alan que, obviamente, não poderiam estar a mostra. O sonserino jogou-lhe um olhar de profundo ódio e tentou não escutar a gargalhada solta de Draco.
Draco se afastou dali antes mesmo que Alan terminasse de se despir. Procurou por Hermione por todo o salão e a encontrou servindo-se de mais cerveja amanteigada. Revirou os olhos e a assustou novamente quando a abraçou pelas costas e depositou um beijo em seu pescoço. O copo vacilou por alguns segundos na mão de Hermione, mas Draco o agarrou no mesmo instante, livrando-se dele antes que Hermione desse o primeiro gole. A castanha soltou um ruído de desaprovação e virou o corpo para que pudesse ficar cara a cara com ele. Antes que dissesse qualquer coisa ou o repreendesse por aquela preocupação estúpida pela quantidade de bebidas que ela estava ingerindo, fora tomada por um beijo, dessa vez ainda mais caloroso. Retribuiu no mesmo instante, enlaçando seus braços ao redor do pescoço dele e sentindo seu corpo ser pressionado contra o dele. As mãos de Draco passeavam por suas costas nuas e se perdiam em sua cintura fina. Suas línguas iam de encontro umas com as outras de forma sedenta e os transportavam para um universo em que aquele namoro era simplesmente mais real do que a existência deles mesmos. Draco precisou interromper o ato, separando seus lábios dos dela lentamente e cuidadoso para não estragar o momento mais do que já estava estragando. Sorriu fraco, fitando os lábios rosados e convidativos da sua “namorada”, e sentiu seu corpo inteiro ser eletrizado quando ela sorriu de volta.
Alguns murmúrios podiam ser ouvidos não muito distantes dali, e alguns gritos altos o suficiente para que Draco entendesse o que estava acontecendo. Ouviu as portas do Salão se fecharem e os gritos se intensificarem.
- Vem... eu acho que deve estar acontecendo alguma coisa.
Draco separou seu corpo do dela e a levou com ele puxando-a pela mão. Ele sorria imaginando a cena, enquanto pedia passagem entre os alunos. Hermione não entendia o que estava acontecendo, mas pela quantidade de risadas devia ser algo realmente muito interessante. Algumas garotas passavam correndo por eles com as mãos fortemente sobre os olhos, com expressões de profunda vergonha.
Quando, finalmente, puderam visualizar o que estava causando aquele caos em meio o Salão, Hermione precisou abafar um grito de total espanto. Draco gargalhava alto, observando a cena mais cômica de sua existência.
Alan caminhava em passos lentos para o meio do Salão, completamente desnudo se não fosse o escudo que Draco arrancara da armadura. As pessoas riam, ruborizavam, gritavam espantadas e envergonhadas, enquanto Alan mantinha uma carranca medonha em sua face.
- Malfoy, você tem alguma coisa a ver com isso?
Draco então voltou a fitá-la, ainda rindo e controlando maiores gargalhadas.
- Eu? Não...
Hermione não havia acreditado nem um pouco naquilo, mas também não perderia seu tempo procurando a verdade. Era tudo tão hilário que não havia mais nada que pudesse irritá-la naquele momento.
- Ei... acho que você já viu demais.
E, dizendo isto, Draco a puxara de encontro ao corpo dele, afundando o rosto de Hermione em seu peito e cobrindo seus olhos com as mãos, no exato instante em que Alan ameaçou se virar de costas para se retirar do Salão. Hermione ria alto, não se importando, havia visto o suficiente.
O Salão permanecia em polvorosa, mas por sorte nenhum dos professores havia entendido as verdadeiras razões, muito menos presenciado o desfile de Alan.
- Granger, a gente tem que dar o fora daqui depressa. – Draco disse isto em um tom baixo, para que somente ela escutasse.
- Mas por quê? – Hermione não entendia, tinha uma expressão leve de preocupação.
- Pensa que a diversão acabou?
E sorriu, depositando um beijo nos lábios dela, pressionando-os firme e se afastando, enquanto entrelaçava seus dedos novamente aos dela e a levava com ele para fora do Salão.
Hermione ainda permanecia sem entender, mas descobriria muito em breve.
CONTINUA
N/A: Aahhhh... o que vocês acharam do cap.???! Eu adorei escrever. Foi tão fofo sabe... !! Mas eu quero saber a opinião SINCERA de vcs! Comenteemm... e muitoo... Eu já vou começar a escrever o prox. Capitulo... e vai ser demais! EU REPITO... vai ser 90% DRAMIONE! Uhhuuuu... ^^
N/B:Ahhhhhhhhhh meu deuuuuuuuuuus!!!Essa Cris um dia mata a gente neeeh???AimmM!!!Nossa senhoraaa!!!Muito bom esse capítulo ... Eu quero um beijo desses tb!=/...Mas algo me diz que o próximo vai ser ainda melhoooor!!!UhuuuuL!!!Aiim ... ansiooosa akii!!Cris minha filha VÁ ESCREVER LOGO ISSO!!hahahaha;EStou amaaandoo betar essa fic akee...Eu leio antes de vcs!!lalalaala;;;hahaha Mas em compensação eu tb tenho mais trabalho neh???Mas eh taaao booM!!*suspira* ... Enfim , vou ficando por aki pq ainda tenho q escrever a minha fic!rsrsrs ... Quem nao conhece "Até o fim" D/Hr tb!!rsrsrs
Criis muuuiée!!!Bom demaaaaais da conta sô!!hahaha...Beijocas a tooodos!!
Ju Fernandes
AGRADECIMENTOS
Eu quero agradecer a todaaaas vocês... simplesmente tooooddaaass.... pelos comentários ! Eu adoro vocês!!!! Chegamos aos 500!! Isso foi deemaiis... Valeu gente... de verdade!!! Agora é quase uma da madrugada, eu tenho escola... preciso dormir... AHua.... então não vai dar pra responder os coments individualmente!!! MAS VOCÊS SABEM QUE EU ADORO TDS VCS!!!!! POR FAVOR... NAUM ME ABANDONEM... SE NÃO FOSSEM VCS... EU NAUM SEI O QUE SERIA DE MIM!!! Obrigada mesmo!!!!!!!!!!!!!
P.S.: Lalaah... eu já editei o cap. 2... aparece no MSN amanhã pra eu mandar pra vc betar! Ok?! Bjusssssssssssssss
E VALEU JU POR TER BETADO... TE ADOROOOO... PROX. CAP. VAI SER INSPIRADO EM VC... E VC SABE PQ! HuaHUhauhAU
Bjus genteee
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P.S: pra quem eu ainda não viu... a prévia do cap. 22 aqui gentee... já dá pra imaginar o que vai acontecer neh?! hAUhaua
Prévia do Capítulo 22 – ainda sem título
Obs: os diálogos seguintes são todos Dramione.
Obs²: * diálogo não-dramione
Uma aposta havia sido vencida...
Um acordo mágico havia sido cumprido...
Um namoro de mentiras havia sido oficializado...
E a diversão naquela noite de baile ainda começaria...
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- Festa sonserina, você nunca viu nada igual.
- Espera um pouco, eu não posso, Malfoy.
- Claro que pode. É seguro, Granger.
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- Ser monitor e, agora, monitor chefe, tem suas vantagens: mandar no pedaço.
- Monitor chefe? Eu perdi alguma coisa naquele baile, Malfoy?
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*
- Você e a Granger estão... ?
- Isso ai, Blás...
- Isso ai o quê, Draco?
*
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- Qual é, Malfoy, é tão difícil pra você usar a palavra certa?
- Eu preciso me acostumar com a idéia primeiro, certo, Granger?
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- É tudo mentira, Malfoy.
- Mas pra eles não.
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- Quantas você já bebeu, Granger?
- Quer parar de ficar dizendo o que eu tenho que fazer?
- Essas não são cervejas amanteigadas.
- Eu sei disso. São melhores.
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- Desce daí Granger...
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*
- Ei, seu idiota, tira as mãos de cima dela...
- Calma, Draco...
*
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- Eu estava bem, Malfoy...
- Você está bêbada...
- Eles estavam gostando da minha dança.
- Eles estavam vendo sua calcinha.
- Não! Eles são pessoas legais.
- São garotos, na verdade. E um deles passou a mão na sua perna.
- Oh! Qual o problema?
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- Eu quero mais bebidas, Draquinho...
- Você quer um banho frio, isso sim.
- Ah, não... então eu volto pra festa.
- Volta pra lugar nenhum, Granger.
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- Eu estou ficando com sono...
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- Granger, você sabe onde estamos?
- No seu quarto.
- E o que vamos fazer?
- Sexo.
(riso)
- Eu deveria ter apresentado o álcool há mais tempo pra você.
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- Ei, o que está tentando fazer?
[...]
- Droga, Granger, eu estava planejando me manter seco, sabe.
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- Para com isso, Granger.
- Você não gosta?
- O problema é justamente eu gostar.
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- Granger, isso não é uma boa idéia.
- Mas são justamente essas as idéias mais interessantes.
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- Você é um fraco, Malfoy.
- Se você pelo menos não me atiçasse.
- Se controle.
- Um pouco difícil nesse momento, Granger.
- Então saia do controle.
[...]
- Eu não entendo como isso ainda não aconteceu.
(N/A: essa cena vai ser boa)
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Capítulo em fase de produção! ^^
N/A: é mais ou menos isso... lógico que ainda vai ter muuita coisaa! Esperem só!!!
^^
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