- Hm... Alicia? Será que eu posso falar com você?
Alicia, que terminava a leitura de mais um livro, olhou Susan demoradamente.
- Pode, claro que pode.
Susan sentou-se no pé da cama sem encarar a amiga.
- Eu queria... Eu queria pedir desculpas pelo meu ataque. Quero dizer, é óbvio que você nunca faria uma coisa dessas e...
- Ah, cala a boca! - Alicia riu. - Claro que eu te desculpo, Suse! Eu só fiquei magoada na hora, mas passou...
- Oh Merlin! É tão bom ouvir isso, Aly! - Susan pulou no pescoço da amiga, abraçando-a.
- Bom, agora que estamos de bem, acho que posso te entregar uma coisinha... - Alicia pegou na mochila um pergaminho cuidadosamente dobrado. - E não me olha assim que eu não sei o que é!
Susan ergueu a sobreancelha e abriu o pergaminho. Seu queixo foi caindo a cada linha que leu.
"Para Susan Fletcher.
Oi, sei que pode parecer meio estranho
e antiquado essa coisa de bilhetinho, mas
gostaria de saber se você quer ir a
Hogsmeade comigo amanhã.
Vou estar esperando perto do lago, mesmo
que você não vá.
Carinhosamente,
Alguém."
- Quem... Quem mandou isso? - Susan estava visivelmente chocada.
- Alguém. - Alicia riu ao terminar de ler. - Ah Suse... Sei lá! Amanhã você descobre, ué!
- Alicia Broke... QUEM MANDOU ISSO?
- Já disse que não sei, ok? Deixaram cair na minha mochila...
- Por que será que eu não acredito em você?
- Porque você é uma desconfiada, talvez. - As duas riram.
Na manhã seguinte o dormitório das quatro garotas era uma agitação só. Todas querendo ajudar Susan e Rafaela se arrumarem.
- Finalmente o pateta do Edward te chamou pra sair, ein? - Katerine constatou.
- Tava na hora... Ou ele achou que eu ia aturar muito mais tempo explicando matéria?
- Isso porque ELE é do sexto ano!
As quatro riram. Alicia e Kate eram as mais tranqüilas. A primeira por não achar que deveria impressionar Chad e a segunda por ter recusado todos os convites que recebeu.
- Pronto! Desejem-nos sorte! - Susan pediu quando terminou de passar o gloss.
- SORTE! - Aly e Kate quase gritaram de volta.
Juntas, Rafaela e Susan foram encontrar seus acompanhantes. Katerine e Alicia, por sua vez, demoraram um pouco mais.
- Rafa! - Edward sorriu aproximando-se. - Você está linda!
- Obrigada, Ed... Adorei sua camisa.
- Obrigado, também... - Estendeu-lhe o braço. - Vamos?
- Claro! - Rafaela aceitou o braço e, sorrindo, saiu com Edward rumo a Hogsmeade.
Susan teria roído as unhas se isso não fosse tirar todo o esmalte delas. Andava falsamente calma, dentro de seu vestido amarelo de verão. Logo avistou o lago. E, com ele, a imagem de um rapaz esperando.
Oh Merlin! Só pode ser aquele... Me ajude!
Com um sorriso no rosto a menina foi aproximando-se. Richard Brettan virou-se também sorrindo.
- Susan! Que bom que você veio!
A menina achou que fosse desmaiar.
- Richa... Richard... Oi! Eu... Eu... Eu nem sei o que dizer.
- Talvez eu devesse ter me identificado pra você poder decidir se vinha ou não, né? Mas fiquei com medo de você não querer ir comigo... Quero dizer, você pode dizer que não quer ir, mas ao menos você sabe que sou eu. - Ele parecia realmente atrapalhado.
- Richard, relaxa. Eu vim e gostei da surpresa. Mesmo. Agora podemos ir? - Susan parecia estranhamente decidida. Sorriu.
- Cl... Claro! - Richard sorriu de volta e começou a caminhar com a menina rumo a Hogsmeade.
Kate, você sabe que eu ainda acho que você deveria vir conosco, né? Eu nem faço questão de ir acompanhada!
- Aly, o Chad et convidou. Não tem problema nenhum nisso... Ele nem sabe que eu existo!
- Merlin, Kate. Eu prefiro ficar aqui se for pra você ficar pensando essas coisas... Eu só aceitei porque considero o Chad um amigo. Você sabe que eu só tenho olhos pro Thomas...
- Bobona! Eu sei disso. Mas vai com ele, eu vou ficar bem. Vou aproveitar e fazer umas comprinhas... Até porque o aniversário de alguém está chegando, né? - A menina piscou. - A gente se vê mais tarde.
- Ok... - Alicia suspirou ao ver a amiga se afastar.
- Aly? - Chad aproximou, logo depois, sorrindo.
- Hey Chad! Vamos?
- Vamos! Estou cheio de fome!
Os dois riram. Alicia, vestida de jeans e camiseta, conseguira afastar um pouco os pensamentos da aula de Binns. Ao menos temporariamente.
Susan e Richard entraram no Madame Cobartin, um aconchegante pub de Hogsmeade, e viram Rafaela e Edward trocando beijos em uma das meas. A menina corou. Richard riu. Sentaram-se.
- O que vão querer?
- Acho que uma porção de batatas-fritas e um suco de laranja.
- Pra mim, uma cerveja amnteigada e outra porção de batatas-fritas.
- É pra já! - A jovem e bela garçonete se retirou.
- E então... Desculpe a coisa toda do bilhete, mas levar um fora assim seria melhor do que se fosse ao vivo.
Os dois riram.
- Eu não saria um fora em você, Richard!
- Não? Então a Aly tinha razão...
- Razão? O que ela tem a ver com isso?
- Ela que me incentivou a falar com você. Eu estava meio em dúvido se devia ou não...
- Vou lembrar de agradecê-la depois. - Susan corou ligeiramente. - Então... Me fala alguma coisa?
- Como estão as coisas na Herbologia? - Ele riu. Susan respondeu e, daí pra frente, a conversa fluiu.
- Merlin, Ed! Deixa eu respirar um pouco! Rafa ria, sentada ao lado do garoto.
- Desculpe, Rafa... Mas eu esperei muito tempo pra isso.
- Não fala assim que me deixa envergonhada!
- Boba, fica mais linda ainda!
- Ai ai... - A menina riu. - Vem cá!
O Três Vassouras estava tão cheio como habitual. Alicia e Chad sentaram-se numa mesinha ao fundo. Bebiam cerveja amanteigada e falavam de quadribol.
- O que você acha? - Chad perguntou. - Aly?
A garota olhava na direção do casal que acabara de entrar, Christine e Thomas.
- Alicia? Alguém em casa? - Chad perguntou mais uma vez.
- Ahn, oi! Oi, desculpa. - Alicia piscou algumas vezes, mas Chad percebeu aonde estava o olhar da garota.
- Hum... Eu perguntei o que você achava da seleção inglesa de 2003.
- Ah, claro! Era uma boa equipe... Mas deram muito mole na final! Por pouco não perdemos aquele título!
O casal recém chegado sentou-se numa mesa bem perto. Volta e meia Alicia lançava olhares furtivos naquela direção.
- Não acha? Foi um absurdo completo o que ele disse!
- Absurdo? - Alicia voltou a olhar Chad. - Desculpa, o que foi um absurdo?
O som de uma discussão chegou ao ouvido dos dois.
- Parece que é só isso que você quer, Christine!
- E o que mais seria, Fletcher?
- Por Merlin! Um namoro é muito mais do que isso. As pessoas costumam ter sentimentos, sabia?
- Sim, eu sei! Mas as pessoas costumam ter desejo também!
Alicia arrumou o cabelo. Estava um tanto desconfortável com a discussão e tentava, em vão, evitar de olhar Thomas.
- Aly, será que podemos conversar um minuto? Sem você perder a atenção, quero dizer.
Ela corou.
- Podemos, claro.
- Sinceramente, qual o seu envolvimento emocional com o Tom?
- Nenhum, oras! A namorada dele é a Christine, não eu e...
- Eu quis dizer... O que você sente por ele? E não adianta negar porque está estampado na sua testa. Eu que fui um pouco lerdo pra sacar.
Alicia suspirou e continuou encarando o rapaz.
- Olha Chad, então eu vou ser sincera... E espero que isso não saia daqui. Eu gosto do Tom com todas as minhas forças desde sempre. E é quase insuportável vê-lo com aquela vac... Com a Christine.
- Bom! Já é alguma coisa. - Ele sorriu. - Você podia ter me dito antes, Aly. Não que você tivesse alguma obrigação, mas assim evitaria que você tivesse que ouvir meu papo chato.
- Chad, eu realmente gosto de conversar com você, mas eu sou tão cega pelo Thomas que nem reparo nas pessoas ao meu redor... Me desculpa?
- Claro que sim, Aly! Por Merlin! Eu não estou loucamente apaixonado, só achei que podíamos ter alguma coisa legal...
- Então talvez seja melhor você procurar alguém que queira só te levar pra cama, Christine! - Thomas levantou-se derrubando a cadeira. Chad e Alicia olharam. Ela parecia constrangida. Christine apenas observava o ataque do namorado.
- Acho melhor você ir atrás dele, né? - Chad sorriu quando Alicia fez menção, involuntariamente, de se levantar.
- Mesmo? Quero dizer, eu não vou correndo atrás dele e tudo o mais, mas só de ficar olhando-o de longe e sabendo que ele está bem eu fico aliviada.
- Vai logo, garota! - Chad ria.
- Muito obrigada, Chad! Você é um amor! - Alicia beijou-lhe a bochecha e já ia saindo quando parou e voltou. - E se você puder chamar Katerine Hawnk pra tomar uma cerveja amanteigada eu ficaria eternamente agradecida... E ela também!
- Ok, valeu a dica! Agora vai! - Chad piscou para Alicia. A menina retribuiu e saiu quase correndo.
Christine espumava de raiva na cadeira.
- Que tal darmos uma volta pela cidade? - Richard perguntou quando conseguiu parar de rir da piada que Susan contara.
- Por mim tudo perfeito, tenho que comprar um presente para a Aly... O aniversário dela tá chegando.
- Então visitamos algumas lojas e compramos alguma coisa. - Richard sorriu e chamou a garçonete.
Susan abriu a bolsa que trazia e pegava alguns galeões. Mas, antes mesmo que pudesse terminar de pegar as moedas, Rochard estendeu-lhe a mão, de pé.
- Nada disso, eu convidei, eu pago. Agora vamos.
Susan não sabia o que dizer. Decidiu-se por guardar o dinheiro, sorrir e aceitar a mão que o rapaz oferecia.
Passavam por alguns vitrines desinteressantes, até pararem na porta da Mr. and Mrs. Thoughts. Entraram.
- Alguma idéia do que dar pra ela? - Richard perguntou no meio de vários estudantes procurando agendas, diários, lembróis e outras coisas.
- Na verdade, tenho... Só preciso chegar até o balcão... - Susan expremia-se por entre vários terceiranistas.
Finalmente, depois de alguns minutos, a balconista dirigiu-se a ela.
- Já escolheu, querida? - Uma senhora morena perguntou.
- Uma mini-penseira portátil, por favor. Para presente.
- É pra já! - Pouco depois Susan saía da loja com o embrulho.
- Decidida você... - Richard sorriu.
- Na verdade, só dessa vez. - Susan estava ligeiramente corada.
- Tava pensando em passar na Vassoura Veloz, acho que ela poderia gostar de alguma coisa de lá. Algum problema por você?
- Claro que não! Além disso é mais fácil eu te dizer do que ela gosta.
Caminhavam na direção da loja e Susan sentia vários pares de olhos femininos os acompanando. Nesse minuto deveria ser a garota mais odiada de toda a escola. Sorriu, satisfeita pouco antes de entrarem na loja.
- Ela torce pro Cannos, certo? - Richard caminhava entre as prateleiras.
- Yeap. Fervorosamente!
- O que você acha dessa camisa, então? - Ele tirou uma camisa da prateleira. Susan riu.
- É masculina, Rich! - Corou. - ...ard.
- Pode me chamar de Rich, Suse. - Ele sorriu.
- Certo, então... - Ela demorou para retomar a fala. - Como disse, é masculina!
- Eu sou um desastre com roupas femininas.
- Acho que essa aqui é a cara dela! - Susan indicou uma baby look preta com o símbolo dos Cannons em laranja.
- Então vai ser essa mesma! - Os dois sorriram.
Quando chegaram ao caixa, encontraram Katerine.
- Kate, oi! - Susan sorri. - Comprando um presente pra Aly, acertei?
- Nossa, parece que todo mundo por aqui tá fazendo isso! - A menina riu. - Katerine Hwank, prazer.
- Richard Brettan. - Ele sorriu.
- Bem, vou deixar você com suas compras, então. - Susan olhou a enorme quantidade de sacolas que a menina carregava. - Se precisar de ajuda é só chamar, ok?
- Pode deixar! Bom passeio! - Katerine acenou e sorriu quando os dois saíram. Parece que a Suse se deu bem... - pensou.
Chad deixara o Três Vassouras logo após Alicia. Aproveitava para comprar algumas coisas que estava precisando.
Avistara, enfim, a Vassoura Veloz. Começou a andar, distraído, na direção da loja.
- OUCH! - Uma voz feminina berrou assim que o corpo caiu no chão.
Chad, que olhava distraído a vitrine, caíra também.
- Você não olha por onde anda nã... - Kate parou de falar abruptamente ao perceber quem era o responsável pela sua queda.
- Sinto muito... Você está bem? - Chad levantou-se.
- Sim, obrigada. Acho que foi só a queda mesma. - Kate levantou-se pegando de volta suas bolsas.
- Senhorita Hawnk? - O vendedor apareceu na porta da loja. - Esqueceu sua carteira.
- Oh sim! Obrigada. - Kate guardara a carteira na bolsa e terminou de equilibrar as sacolas nos braços.
- Hawnk? Katerine Hawnk? - Chad perguntou, rindo. A menina corou.
- Sim, eu mesma. Você me conhece?
- Digamos que ainda não... - Ele sorriu ajudando-a com as sacolas. - Mas se você deixar eu te ajudar e aceitar uma cerveja amnteigada, podemos reverter essa situação.
O rapaz estava encantado com a beleza da menina e feliz com a conhecidência.
- Tud... Tudo bem... - Katerine fora pega de surpresa. - Mas assim, do nada?
- Na verdade, ouvi dizer que você é uma companhia agradável. E como vi que não estava acompanhada... Quero dizer, se você não puder eu entendo.
- Não, por mim tudo ótimo. Vamos sim... - Katerine sorriu ainda um tanto surpresa. Chad ajudava-a com os embrulhos e seguiam, um tanto absortos nos próprios pensamentos até o Três Vassouras.
Thomas caminhava irritado por ruelas de Hogsmeade. A cabeça fervilhava de pensamentos e ainda estava com raiva. Achava que realmente gostava de Christine, mas ela o estava fazendo perceber que talvez não fosse o que ele imaginou.
Chegou numa parte baixa da cidade. De um lado um pequeno bosque, de outro a famosa Casa dos Gritos. Sentou-se num banco meio quabrado e escondeu o rosto nas mãos. Todas as palavras de carinho e as juras de amor que Christine e ele trocaram ecoavam em sua mente. Não era possível que tudo aquilo era mentira. Não podia deixar que a primeira briguinha terminasse com tudo. Respirou fundo. Já estava quase determinado a ir desculpar-se quando sua mente trouxe uma recente lembrança à tona.
"Eu sei, Christie... Você acha que eu me sinto como? Mas quero que você esteja bem segura do que quer.
- Eu estou, Jack! Juro que estou! E mal posso esperar pra...
Thomas interrompeu a namorada.
- Do que você me chamou?
- Thomas, ora bolas! Até onde eu sei o seu nome é esse. Né? - Olhou-o interrogativa.
- É... Claro que é... Achei ter escutado outra coisa... - Thomas estava desconfortável. - Acho melhor eu ir terminar meus trabalhos... A gente se vê amanhã."
Thomas xingou em voz alta. Logo deitou-se no banco e ficou olhando o céu claro. A mente estava longe.
Alicia seguira Thomas de longe. Ele parecia REALMENTE furioso. Nunca o vira assim. Caminhava o ais escondida que podia. Não queria ser vista, afinal. Mas o fato dele andar rápido era um ponto contra.
Respirou aliviada quando ele parou num banco. Sorriu ao ver a Casa dos Gritos - seu lugar preferido de toda Hogsmeade - e e scondeu-se atrás de uma árvore. Realmente aquilo a deixava mais aliviada, ver que ele estava bem. E longe de Christine, claro. Passou longos minutos ali, simplesmente olhando.
O sol já não estava tão alto e Alicia decidiu que seria mais seguro voltar para a cidade. Se alguém a encontrasse ali teria de dar explicações...
- Tem alguém aí? - Thomas sentou-se quando ouviu um barulho de alguma coisa caindo pesadamente contra folhas secas.
Alicia amaldiçoou-se por ser desastrada. Ia levantando, tranqüilamente, quando tivera a infeliz idéia de passar por cima de um tronco. Estava solto. Ela escorregara e caíra lindamente de costas no chão.
Alguém se aproximava. Tratou de levantar e continuar seguindo por entre as árvores. Agora os passos estavam mais perto. Não tardou e Alicia ouviu a voz conhecida.
- Aly? - Thomas arriscou ao ver o vulto loiro apressando-se em sair do bosque.
A menina respirou fundo e virou.
- Thomas? Oi! - Sorriu amarelo. - O que faz por aqui?
- Eu estava colocando a cabeça no lugar... Mas o que VOCÊ faz aqui? E fugindo?
Precisava pensar rápido.
- Eu? Eu... Eu estava caminhando... Eu gosto da Casa dos Gritos... Mas eu vi alguém deitado e fiquei com medo de me aproximar... Daí eu estava voltando quando eu escorreguei num maldito tronco de árvore e caí... Como eu percebi que a pessoa levantou, comecei a correr... Vai que era um maníaco qualquer? Já basta o Cardigan na minha vida. - Ao menos não mentira por completo.
- Sei... Sei. Bom, sou só eu. - Ele sorriu. - Você se machucou? Com o tombo, quero dizer.
- Não, eu tô bem... Mesmo. Obrigada por perguntar.
- Se você quiser ver a Casa, pode ficar a vontade; eu não vou te atacar! - Riu.
Que pena. - A garota pensou e sufocou um risinho.
- Tudo bem, então... Obrigada. Não vou atrapalhar?
- Não, acho que até vai ser bom ocupar minha cabeça com alguma conversa...
Alicia agradeceu a Merlin por Thomas sequer desconfiar de seu sentimento oculto e, assim, evitar constrangimentos maiores. Sentaram-se no banquinho meio quebrado e ficaram algum tempo em silêncio.
- Você e a Susan se resolveram? - Ele perguntou, olhando-a de canto de olho.
- Como sempre. Nem parece que brigamos. - Alicia não perguntou sobre Christine. Já sabia a resposta.
- E você não deveria estar com o Chad?
A menina corou.
- Na verdade, estávamos juntos no Três Vasso... - Calou-se abruptamente.
- Ah, então vocês estavam lá... - Ele perdeu o olhar na Casa. - Sinto se estraguei o encontro de vocês.
- Claro que não, Tom! Até porque não estávamos tendo um encontro. Não um encontro amoroso. - Alicia deu um meio sorriso.
- Não? - Ele virou-se para encará-la. - Suponho, então, que meu amigo tenha ficado um pouco decepcionado.
- Digamos que ele recebeu a notícia melhor do que o esperado. Ele entendeu perfeitamente como são essas coisas do coração... - Foi a vez de Alicia perder o olhar na casa. - A gente não escolhe de quem a gente gosta.
Thomas ficou calado e sorriu após algum tempo.
- Você tem razão. Mas podemos escolher de quem não gostar, não é mesmo?
- Totalmente... - Ela ainda mantinha o olhar na Casa. - Nem tudo é um conto de fadas... Nem sempre você é a princesa certo pro príncipe que você quer... - Alicia encarou Thomas.
Os dois mantiveram o silêncio depois da fala da garota. Os olhares estavam fixos um no outro.
- Você é tão segura no que diz sobre o amor, Aly. Não parece que tem só quatorze anos.
- Quinze em pouco tempo. - Ela sorriu. - E digamos que muito da minha teoria vem dos livros, mesmo que sejam só histórias... Ao menos por lá sempre tem um final feliz esperando.
Sorriam ainda se olhando.
- Às vezes a felicidade está mais perto do que se imagina. Basta querermos enxergar. - Alicia levantou-se. - Foi bom conversar com você, Tom. Mas acho melhor eu ir. Ainda tenho que comprar algumas coisas.
Sem esperar uma resposta, Alicia caminhava na direção da cidade. Algumas lágrimas silenciosas escorriam, mas ela não ligou.
Thomas ficou olhando para o lugar onde a garota desaparecera. Passou mais alguns minutos colocando os pensamentos em ordem e levantou-se, caminhando devagar para a cidade. |