CAPITULO 20 – Impulsos
Aquelas talvez tenham sido as piores semanas de suas vidas e, ao mesmo tempo, as mais intrigantes e incrivelmente interessantes. Havia muito que falar a respeitos dos dias que se passaram após o último passeio de Hogwarsts à Hogsmeade, aquele passeio que havia motivado a maior briga entre sonserinos e grifinórios que Hogwarts já tinha visto. Naquele caso, os sonserinos eram Draco e Pansy, e a grifinória simplesmente era Hermione Granger. Obviamente havia uma presença irrelevante de um outro sonserino, Alan... e talvez estivesse na hora de incluí-lo nos fatos mais recentes.
Hermione estava ciente do quanto teria que se sacrificar em prol daquele acordo que, sem que nem mesmo se desse conta disso, havia se transformado em um jogo, sujo e irracional. A castanha estava sedenta por vingança, por fazer valer todo o ódio que estava sentindo por Harry naquele momento, e lamentava que Gina também viesse a sofrer as conseqüências, embora não desse a mínima para os sentimentos da ruiva. As coisas estavam completamente embaralhadas na cabeça de Hermione, muitas delas não faziam o menor sentido. Mas não era apenas sobre Harry, Gina e sua traição, também incluía os fatos mais recentes, como o acordo, o súbito desejo de jogar, a aproximação com Draco e outros sonserinos.... Era tudo muito confuso, e Hermione ainda lutava para pôr todas as idéias em ordem em sua cabeça.
Era verdade que detestava Draco, a sua presença a irritava de um jeito como nenhuma outra pessoa era capaz (talvez Alan, e Pansy...). Mas devia haver alguma explicação lógica para o fato de já não se importar muito no quão próximo Draco estava dela, ou tentava estar. Podia detestá-lo, podia sentir a corrente de raiva eletrizando seus nervos, e deixando-os à flor da pele, mas era como se isto a encorajasse a aceitar a presença dele, como se isso a impulsionasse a querer tê-lo ao seu lado. Não que gostasse de sua companhia, pois Draco conseguia se manter irritante, mas Hermione era manejável, ele sempre conseguia desfazer os desconfortos e “domar” a castanha. Era algo do qual ela não se orgulhava, se sentia quase tão vulnerável quanto se sentia com Harry. Os beijos, sempre roubados, que Draco a obrigava a retribuir, aquilo era uma prova viva de que havia algo muito errado naquele jogo. Não sabia precisar ao certo o que poderia estar distorcendo os fatos e as atitudes, aquilo tudo deveria ser profissional e não tão emocional como vinha sendo. Era o combinado e eles nem estavam muito cientes de que estavam fugindo dos acordos.
O intrigante era que, simplesmente, eles estavam se recusando a pensar muito nesses fatos, estavam evitando concluir coisas que não desejariam que fossem reais. Draco podia jurar que Hermione estava sendo uma má influência para ele, mas isso não o afastava, talvez só o aproximasse ainda mais dela. Gostava de estar ao lado dela, era como se pudesse deixar as “formalidades” de lado e podia agir espontaneamente. Era verdade que as discussões entre eles eram constantes, mas isso era inevitável e já não se machucavam mais, tanto quanto antes de se envolverem naquele acordo. As “formalidades” eram as aparências que ambos tinham de manter em Hogwarts: a inimizade. Mas nunca esteve nos planos de nenhum deles em um dia transformá-la em uma possível... amizade.
Draco já não suportava as suas dúvidas, as suas intrigas, já não sabia mais como procurar respostas para suas indagações constantes. Por que se importava com Hermione quando nunca havia se importado antes? Por que tinha que desejar tanto estar próxima a ela quando sempre havia desejado manter distancia? E o que significavam aqueles beijos? Se sua contagem estivesse certa, já haviam sido três... ao menos três que foram retribuídos. E por que ainda podia sentir o gosto deles, quando deveria tê-los apagado de sua memória? Era tudo tão confuso e isso só o deprimia ainda mais.
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Aquele domingo havia passado depressa, o dia mais frio desde o inicio do inverno, o que explicava a impaciência de Draco naquela tarde de domingo nos jardins quando, se rendendo ao frio, voltou ao castelo acompanhado da castanha. Havia sido uma tarde produtiva, afinal, havia colocado as cartas sobre a mesa e se deixado levar pela sinceridade que o invadiu naquela conversa com Hermione. Ainda podia lembrar-se de quando respondera a pergunta mais importante do dia... Por que ele a havia beijado, em Hogsmeade?
Draco descansava em seu dormitório, agora completamente vazio, e não impediu uma careta de raiva de se formar em seu rosto lembrando da resposta que havia dado à Hermione para aquela pergunta: “Porque eu quis.”
E mais uma nova careta, definitivamente, aquela não havia sido a melhor e mais apropriada resposta. Agora era tarde demais. Draco só desejava saber o que exatamente Hermione estaria pensando daquela confissão, talvez ele estivesse fazendo um completo papel de bobo e não tinha consciência disso.
Era final de tarde e Draco continuava esparramado em sua cama, observando o teto de seu dormitório sonserino, imaginando o quanto aquele acordo ainda iria tirar o seu sono.
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Hermione tinha muitas coisas para pensar no momento, e não se resumiam apenas a namoros de mentiras, beijos roubados, brigas com uma sonserina, perguntas indiscretas constantes sobre sua “relação” com Draco, enfim, agora se resumiam aos seus estudos também. Todo aquele turbilhão de novos acontecimentos estava destruindo sua reputação pessoal e escolar, e não tinha muito o que fazer a não ser esquecer que tinha uma reputação pessoal (afinal, quem realmente se importava com ela?) e tratar de garantir sua reputação escolar. Para isso, havia decidido ter uma tarde de estudos na biblioteca.
Era quase final de tarde naquela segunda-feira ainda fria. Mas havia algo que a impedia de se concentrar do modo como desejava.Talvez as suas dúvidas internas. Algo como, o que Draco pretendia com aqueles beijos? E por que ela sempre permitia que ele invadisse esse território privado?
A castanha deu um suspiro rápido, fechando seus olhos e esperando que sua concentração voltasse. Aquilo poderia demorar algum tempo, mas não se importava se fosse necessário para que recuperasse suas notas, mas também não desejava sofrer por coisas extremamente desnecessárias. Draco, para ela, e para sua vida, era desnecessário. Pensando bem, se realmente fosse, não haveria acordo. Mas havia. Suspirou mais uma vez, queria manter sua cabeça em silêncio, queria pelo menos por alguns minutos esquecer completamente de tudo, e se concentrar em todas aquelas formulas e cálculos... Poções sempre foi tão fácil para ela...
“Estou ficando burra, Merlim... não permita que isso seja influência sonserina...”
Era uma preocupação, afinal, os sonserinos estariam mais presentes em sua vida do que podia ter desejado algum dia. Mais um suspiro, abriu os olhos e...
- Ah, Merlim... mas que Droga, Malfoy... o que quer?
Mais uma vez, sua cabeça não correspondeu aos seus anseios: seus pensamentos rumaram para os caminhos mais distorcidos que poderiam haver. Lembranças passadas e que já deveriam ter sido esquecidas, gostos ainda tão vivos em seus lábios. Tentou desfazê-las, mas era em vão, ao menos enquanto ele ainda estivesse sorrindo bem a sua frente. Aquele sorriso a fazia perder o controle, era como se ele a paralisasse completamente, era incapaz de mover um mínimo fio de cabelo quando tinha seus olhos muito bem atentos aos dentes perfeitos do sonserino.
- Com problemas ai, Granger?
E com um sinal de olhos apontou para os livros espalhados sobre a mesa. Havia sido uma visão interessante para Draco, a de uma Hermione atrás de uma pilha de livros abertos, com os olhos levemente serrados e uma respiração desregular. Era como se ela estivesse tentando se recompor de algo, mas ele simplesmente imaginava que fosse dos cálculos e não de sua imagem tão viva nos pensamentos dela, segundos antes de sua chegada.
- Por que você tem que fazer isso, Malfoy? Me assustou, sabia? – Disse rispidamente, fechando alguns livros e desviando seu olhar.
- Você é muito dramática, Granger. Só porque não conseguiu resolver um cálculo bobo desses precisou se desesperar desse jeito?
- Eu não estava desesperada. Só há momentos em que é bom respirar fundo, sabe... – o fitou, irônica, sabia que ele mal podia imaginar as razões pela qual ela precisou renovar o ar de seus pulmões.
- Eu estava pensando, que talvez...
- Você não pensa, Malfoy. Pode dar o fora daqui, por favor, eu preciso mesmo estudar. - o cortou depressa, antes mesmo que ele pudesse terminar.
Draco não havia gostado nada daquele tratamento, e em menos de alguns segundos já tinha seus sorrisos desfeitos e uma carranca medonha na face. Hermione não percebeu, pois evitava fitá-lo, seria pior se o fizesse, afinal, ele era a causa de sua desconcentração em seus estudos.
- Eu posso ajudar, sabe... eu sou bom em cálculos. – sua voz era arrastada, nada entusiasmada, mas as palavras soavam sinceras.
- Não preciso. Eu tenho capacidade, Malfoy...
- Ok... seria bom se nós revisássemos alguns assuntos, talvez facilitasse... – Disse rapidamente.
Levantando-se de sua cadeira e contornando a mesa sob olhares atentos de muitos alunos e da bibliotecária, Draco se posicionou ao lado de Hermione e puxou quase que completamente para si o livro que a mesma lia. Hermione não havia tido tempo de protestar, na verdade, até havia ponderado a possibilidade de aceitar a ajuda, mas a idéia era absurda e teria que desfazê-la a tempo.
- Pode ir parando ai mesmo, Malfoy... eu disse que não precisava. – Puxou seu livro de volta, sem fitá-lo.
- E eu não acreditei. – Disse puxando o livro para si novamente.
Por fim, seus olhares finalmente se encontraram, da forma como não desejavam que houvesse acontecido. Uma nova onda desconfortável os atingiu naquele momento e não era possível dizer precisamente quanto tempo demorou até que Hermione sentir seu rosto corar e resolvesse baixar sua visão para seus livros. Draco permaneceu intacto, buscando entender aquela reação, mas sabia que se também pudesse corar como Hermione, teria feito o mesmo. Mas sua vergonha era perfeitamente suportável e podia até disfarçá-la, sorrindo, como fizera naquele exato momento.
- Eu não tenho muito tempo, mas posso ajudar em algumas coisas... – Draco voltou a falar, agora quase sussurrante, ainda a fitando.
Hermione evitava olhá-lo novamente, sabia que sentiria o desconforto, e sentia-se uma estúpida imaginando que isso só acontecia com ela. Alguma explicação parecia óbvia para aquilo tudo, e os fazia lembrar-se dos beijos. Era perfeitamente compreensível que estivessem apenas envergonhados por seus impulsos anteriores.
- Você não precisa fazer isso, Malfoy, eu disse que sou capaz... –resolveu impedi-lo o quanto antes.
- Você só precisa se concentrar nos números, ok? Isso é muito fácil, Granger... não precisa se descabelar. – dissera isto já com um meio sorriso em seus lábios.
- Eu não estava fazendo isso antes de você chegar. Você entende tudo errado, Malfoy...
Por alguma razão, aquela última frase havia provocado uma onda duvidosa e completamente nova entre eles. Talvez a frase tenha significado alguma coisa a mais, e eles estivessem tentando entender isso, apesar de já estar subentendido desde o início. Ainda não se olhavam, tinham os olhares perdidos nos livros e Hermione podia ver perfeitamente bem pelo canto de seu olho que Draco contorcia sua mandíbula como se estivesse com raiva.
Talvez aquela tenha sido a explicação óbvia para tudo o que estavam vivendo, a explicação que de tão óbvia havia lhes rendido dores de cabeça. Eles estavam entendendo tudo errado... os beijos, os impulsos... Não era nada que eles precisavam pensar e repensar, buscar respostas para perguntas que nem ao menos deveriam existir. As coisas não estavam erradas, apenas estavam sendo entendida erroneamente .Ou não seria nada disso?
Draco foi capaz de deixar um sorriso escapar em seus lábios, mas o desfez assim que reprovou o ato. Hermione notou isto imediatamente, e o que antes se resumia em vergonha transformou-se em... ódio. Estava detestando ter compreendido que havia sido tudo uma ilusão. Eram tão sinceros, e verdadeiros, todos aqueles impulsos. Talvez ela tivesse criado esperanças de que podia mesmo ser tudo verdade. E diante de tantas conclusões, inacreditavelmente foram capazes de se olhar novamente. Tudo parecia voltar ao normal.
- Eu disse que não tinha muito tempo, então, vamos estudar ou não? – Draco insistia.
- Tudo bem... me concentrar nos números não é mesmo? – se rendeu, tentando parecer simpática ao menos.
Agora não havia motivos para desconforto, ao menos não do jeito de antes. Ainda era estranho ouvir a voz de Draco tão próxima de seus ouvidos, sentir o hálito refrescante dele por vezes, e lembrar dos beijos por relances. Draco tentava focar suas atenções em suas explicações, nas paginas do livro, mas era inevitável que elas se perdessem nos movimentos da mão de Hermione quando ela rabiscava seus pergaminhos com a pena, ou nos cachos que caiam sobre os ombros dela e, por vezes, sobre a mesa, forçando-a a colocá-los para trás de sua orelha. O perfume de Draco era inebriante, a essência masculina que ela reconhecia ter sentido em vezes anteriores, talvez naquelas em que estava com seu corpo colocado ao dele... correspondendo beijos. Por vezes, ambos tentavam desfazer seus pensamentos e buscar a concentração nos estudos novamente. Mais uma vez uma pergunta já tão constante martelava nos pensamentos de Draco: por que estava se preocupando com ela? Podia simplesmente deixar que ela se descabelasse com aquela matéria, deixar que ela arruinasse ainda mais suas notas, mas algo dizia que aquilo era quase como uma obrigação para ele: era como se redimir por dificultar os problemas pessoais da castanha ainda mais, com aquele acordo.
A tarde de estudos pareceu interminável, e ainda nem havia anoitecido. Ao final da tarde, cada um seguiu para seus dormitórios e se fincaram por lá até o jantar.
Não era muito cedo quando Draco observou Hermione adentrar o Salão Principal para o jantar, acompanhada do ruivo que ele detestava quase tanto quanto detestava Harry. O sonserino estava entretido em conversas com seus amigos, mas foi perfeitamente capaz de perceber que Hermione nem ao menos havia notado sua presença na mesa sonserina. Hermione e Rony se encaminharam para seus assentos e não trocaram muitas palavras durante essa caminhada. Não demorou muito para que os assentos ao lado deles se ocupassem com o restante do “bando”, como Draco gostava de se referir. Harry estava com um péssimo humor naquela noite, e talvez isto tivesse afetado Gina, sentada ao seu lado. Aquela cena não deixou de ser interessante para Hermione, e podia jurar que estava até mesmo esboçando sorrisos diante disso. Hermione ainda tentava entender como Rony não podia desconfiar do que estava bem diante de seu nariz. Sua irmã namorando às escondidas seu melhor amigo. Era quase hilário imaginar que eles estavam conseguindo fazer Rony de bobo, mas também era inevitável não entender que tudo aquilo soava como um dejá vu para Hermione. Suas piores lembranças, agora, de seu namoro mal sucedido com Harry. Era verdade que eles também haviam escondido de Rony, mas haviam feito isto muito dignamente, estavam protegendo os sentimentos do ruivo (nunca foi difícil entender que Rony sempre nutriu sentimentos por Hermione), mas com Harry e Gina era pelo simples prazer de mentir... era óbvio que Rony aceitaria o namoro, afinal, era de Harry Potter que se tratava.
- Não gosto do jeito que ele olha pra você. – Rony dissera, ríspido, entre colheradas de sua sopa.
A voz do ruivo a pegara desprevenida, tomada por seus pensamentos. Fitou Rony muito depressa, tentando digerir as palavras do mesmo e, seguindo os olhares do amigo, compreendeu que ele estava falando de um par de olhos acinzentados do outro lado do Salão. Recompôs-se e tentou não soar divertida.
- E como ele olha pra mim?
- Te comendo com os olhos, Mione. – havia sido Gina quem respondera.
Hermione não gostou daquele atrevimento, mas resolveu conferir com seus próprios olhos o modo como Draco realmente a estava fitando.
Ao fazer isso , percebeu que aqueles olhos não estavam realmente vidrados nela, mas em um ponto muito próximo a ela. Ele estaria olhando para Gina? Com o olhar que ela mesma havia dito parecer como se estivesse comendo com os olhos?
- Mas eu posso jurar que ele está olhando pra você agora, Gina. – franziu sua testa ainda confusa.
- O quê? – Harry havia escutado o suficiente para sentir seus nervos a flor da pele.
- Claro que não, Hermione. Impossível. – Gina tenta contornar os fatos, evitando conferir com seus próprios olhos.
- Se o Malfoy vier com graça pro seu lado, Gina, eu acabo com ele. – Rony se adiantou, visivelmente irritado.
Hermione não gostava de ouvi-lo falar daquela forma, ainda mais quando tinha que preservar a imagem do que em breve Hogwarts conheceria como seu mais novo namorado, mesmo que, na verdade, fosse apenas um namoro de mentiras. Logicamente que isto só eles saberiam. Era visível que o ruivo, assim como Harry e Gina, ainda não haviam se conformado muito com a “relação” que Hermione vinha mantendo com Draco.
- Ele nos roubou nossa melhor amiga, não vai roubar a minha irmã. – Rony se adiantara novamente.
A essa altura da discussão, Rony já havia esquecido completamente de sua sopa e já tinha a face camuflada como seus cabelos, corado de raiva ao pensar nessa possibilidade que envolvia sua irmã caçula.
- Rony, cala a boca. – Gina pareceu querer se enterrar com o rumo daquela conversa.
Gina estava levemente corada, tentando se concentrar em sua sopa e pensando nos riscos que estava mesmo correndo relacionando-se em segredo com Draco.
- “Roubou”! Por que você tem que usar esses termos, Rony? – Hermione revirou os olhos, entediada.
- Preferia que você ainda fosse nossa amiga sabe-tudo. – Rony disse com a voz triste.
Aquele tom de voz fez Hermione parar por alguns segundos e analisar toda aquela situação. Não poderia se culpar pelo rumo que as coisas estavam tomando, e não deixaria que Rony a fizesse se sentir culpada daquele jeito. Era Harry o causador daquele caos que sua vida pessoal havia se transformado, e Draco só estava tentando concertar toda essa bagunça.
- Agora você só pensa no Malfoy, Hermione. – havia sido a vez de Harry protestar, encarando-a como se estivesse mesmo magoado.
- Ciúmes, Harry? – tentou alfinetá-lo.
Mas não foi uma boa idéia, afinal, os olhos de Gina dispararam imediatamente sobre ela, um completo misto de sentimentos que ela não conseguia decifrar ao certo. Provavelmente haviam duas pessoas muito enciumadas naquela mesa, e esse pensamento era um tanto divertido para Hermione.
- Só espero que você tenha juízo, Hermione, aquele sonserino não é confiável. – e novamente a voz de Rony ecoara.
Fazendo com que o clima pesado entre Hermione e Gina se desfizesse abruptamente.
- Eu sei cuidar perfeitamente bem de mim mesma, Rony. – Hermione o repreendeu.
- Você sabe que ele tem uma péssima fama em Hogwarts, não sabe? – Gina disse, afastando sua sopa por um momento.
Hermione desejava, realmente, não demonstrar o ódio que estava sentindo da ruiva naquele momento.Detestaria se aquele diálogo se transformasse em uma discussão como em vezes anteriores. Era verdade que Gina vinha se aproximando dela desde o último sábado, quando presenciara a “ficada” de Hermione e Draco. Fofocas, era mesmo esse o interesse de Gina?
- E daí?
- Você pode ficar mal falada, Mione. – Gina respondeu, muito simpática para quem estava se corroendo de ódio por dentro.
- Primeiro, Gina, eu não vou dar razões para isso. – tentou não demonstrar sua antipatia pela ruiva - E depois, eu não me importo com o que dizem de mim. Algum dia talvez eu tenha me importado, mas agora não!
E, esboçando um sorriso irônico e completamente fingido, mostrou que aquele assunto definitivamente estava encerrado. Os olhares de Harry foram, definitivamente, os piores que ela poderia ter recebido. Sabia o quanto ele desaprovava aquela atitude, e o quanto ele vinha tentando se aproximar novamente dela, jurando que ainda a amava e estava disposto a tudo para tê-la novamente.
- Promete que não vai deixar a influência sonserina subir a cabeça, Mione? – Rony tentou parecer simpático, não querendo provocar nenhum tipo de discussão naquele jantar.
Era injusto Hermione ser grosseira com o ruivo que demonstrava ser o seu amigo mais verdadeiro dentre todos, e por isso resolveu desfazer o elo que havia entre seus olhares e o de Harry naquele momento.
- Eu não me responsabilizo. – sorriu, amigável, se concentrando, por fim, em sua sopa.
Não havia sido o jantar mais prazeroso que já tivera desde o inicio de ano letivo, na verdade, nenhum dos seus jantares havia lhe rendido algum tipo de prazer, foram todos sempre tão conturbados e dolorosos. Mas aquele estava significando algo, afinal, havia conseguido manter uma conversa civilizada com os amigos que estava quase resgatando, embora Hermione soubesse que só havia mesmo um sentimento de amizade recíproca ali, e partia diretamente de Rony.
Draco não estava em dos seus melhores dias, na verdade, estava completamente irritado por Hermione não ter lhe direcionado muitos olhares durante o jantar. Não sabia de onde essa raiva havia surgido, mas sabia que teria que enviá-la de volta para esse lugar o mais depressa possível. As coisas ainda estavam confusas entre eles, mas aquela tarde de estudos na biblioteca havia ajudado muito para que eles entendessem que não havia razões para se torturarem com tantas indagações desnecessárias.
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Mais um dia havia se passado desde o ultimo passeio a Hogsmeade, era uma terça-feira e Hermione ainda estava incrivelmente curiosa lembrando do jeito como vira Draco olhar para Gina no jantar, na noite anterior. Era inacreditável, mas não era possível que tivesse se enganado quanto ao que havia mesmo presenciado.
A manhã de aulas transcorreu normalmente, mesmo que coisas não muito comuns tivessem acontecido com muita freqüência. À principio, Hermione havia sido forçada a seguir para o café da manhã acompanhada de Gina, que havia lhe esperado do lado de fora do dormitório especialmente para isso. E havia sido, conseqüentemente, obrigada a interagir em conversas fúteis com ela. Mais do que isso, havia suportado muito facilmente mais uma refeição ao lado de seus amigos antes tão distantes dela.
E as anormalidades se expandiam cada vez mais,no decorrer do dia, visto que a freqüência com que as pessoas se aproximavam de Hermione para lhe fazer perguntas indiscretas ,era assustadora. Quase sempre respondia de forma extremamente mal educada, mas a última coisa que desejava era ter de expor sua imagem daquela forma, sempre à base de fingimentos.
E quando as coisas pareciam estar voltando ao normal, tudo simplesmente desmoronou abaixo dos pés de Hermione.
- Granger... ei...!
A castanha precisou respirar fundo por alguns curtos segundos quando interrompeu sua caminhada abruptamente, assim como Harry, Rony e a presença sempre tão constante e irritante de Gina. Rony já tinha o rosto em faíscas quando visualizou o dono da voz que havia chamado por Hermione, e Harry tentava controlar suas mãos fechadas em punho. Enquanto Gina simplesmente revirava os olhos.
Hermione virou-se lentamente, ficando não muito distante de Draco naquele momento e tentando parecer o mais simpática possível.
- Ah, oi Malfoy.
- Posso falar com você... um instante? – parecia mesmo nervoso com aqueles olhares todos direcionados até ele.
Olhares, na maioria, raivosos e fuziladores, mas tentou se concentrar nos olhares implorativos de Hermione para que ele a deixasse em paz. Não era isso que Draco faria, na verdade, tinha planos muito melhores. Todos eles haviam acabado de sair de suas aulas matinais e já se encaminhavam para o almoço quando o Draco avistou Hermione e o “bando”, pensando consigo mesmo que aquele era o momento perfeito.
- Agora, Malfoy? É importante mesmo? – Hermione esperava que ele entendesse seus olhares de irritação.
- É! Muito importante... – tentou parecer sério, soando muito sarcástico.
- Certo, vocês podem ir sem mim...Encontro vocês depois.
Fora o que Hermione dissera, despejando um olhar sobre seus amigos, mas antes mesmo que pudesse mover um passo se quer na direção de Draco, já havia sido interrompida no ato.
- Não mesmo. Nós esperamos. – Rony estava determinado, se pondo ainda mais ao lado de Hermione.
- Rony, facilite as coisas, nós só vamos conversar. – Dissera revirando os olhos, e se direcionou mais uma vez na direção de Draco.
- Sem problemas, a gente espera a conversa de vocês acabarem, Mione. – foi a vez de Harry protestar.
Aquela situação não estava sendo facilitada nem um pouco, eles só estavam dificultando ainda mais, o que não poderia ser pior. Não pensara que voltaria a “ter conversas” com Draco tão cedo, desde a última tarde em que passaram estudando na biblioteca. Draco estava visivelmente irritado com aquela breve discussão, e soava completamente sincero, mesmo que Hermione não pudesse entender quando aquilo realmente se tornou verdadeiro.
- Será que vocês são surdos? Ela pediu pra vocês se mandarem. – Draco se aproximou, com sua pose dominante.
- Está perdendo seu tempo, Malfoy. Pensei que quisesse conversar com ela. – Harry manteve a decisão, ainda firme em sua posição ao lado da castanha.
- Conversar a sós, Potter, sem um bando de urubus em cima de nós. – esperou que ele entendesse.
- Vou mostrar o que esses urubus fazem...
E antes que Harry pudesse acertar, novamente, um soco certeiro em Draco, Hermione conseguiu impedi-lo, pondo-se diante do mesmo e o fuzilando com os olhares mais odiosos possíveis. Isso era fácil, visto que estava mesmo irritada com a atitude do rapaz.
- Harry, por favor, não! – dissera muito autoritária, empurrando Harry para longe dela - Vem, Malfoy...
E dizendo isto, virou as costas para os amigos e tratou de puxar Draco para longe dali, ainda com o sangue pulsando firme em suas veias pela raiva que havia passado. Draco não precisou mostrar aos grifinórios o sorrisinho meio lábio que havia acabado de se formar em seus lábios para que eles entendessem que Draco havia saído vitorioso naquela breve discussão.
- Eu não gosto desse cara, nem um pouco. – Harry estava furioso, ainda com os pulsos cerrados.
- Nenhum de nós gosta, Harry. – Gina tenta trazê-lo para perto dela, evitando que ele cometesse mais alguma besteira.
A imagem de Hermione e Draco se afastava cada vez mais a medida que desapareceriam pelo restante do corredor e se encaminhavam para uma saída que levava direto para uma parte dos jardins. Rony precisou piscar algumas vezes para entender o que realmente havia acontecido: Hermione havia mesmo preferido Draco a seus amigos.
- Por que não os seguimos, pra ver o que vão fazer? – a idéia veio como uma luz para Rony.
- Bem pensando, Rony.
E a decisão pareceu tomada antes mesmo que Gina pudesse impedir Harry de se deslocar ao lado do ruivo pelo corredor. A garota estava indignada, já não lhe bastava a imagem reprovativa de sua “melhor amiga” dividindo um mesmo espaço ao lado da pessoa menos provável por quem Hermione pudesse vir a sentir afeto, e acima de tudo, essa pessoa era o cara com quem ela se encontrava quase todas as noites em banheiros desativados, salas vazias e corredores mal iluminados, e ele não era o seu namorado.
- Vocês estão loucos? – Gina tentou correr e alcançá-los, gritando pelo caminho. - Perder o almoço por causa deles? Sinceramente, essa obsessão é doentia.
- Estamos defendendo o que é nosso, Gina. – Harry pareceu certo do que havia dito.
Harry sabia perfeitamente bem o tipo de duplo sentindo das suas palavras, mas não se importava, o ciúme e a repulsa jorravam incansavelmente de dentro dele.
- Mione deixou de ser nossa há muito tempo... – Gina comentou sem muita convicção...
Seguiram cuidadosos pelo mesmo caminho que Hermione e Draco haviam feito e ao avistá-los, ao longe, descendo uma escadaria de pedras em direção a um paredão mais abaixo, se esconderam ainda mais cuidadosos do que antes por detrás de alguns arbustos e árvores. Os olhos de Harry emanavam um tipo de ódio raro, quase tão comparável com o mesmo ódio que sentia pelo assassino de seus pais. E Rony, ao seu lado, tentava se controlar o máximo que conseguia, percebendo que se não o fizesse poderia cometer besteiras que não desejava.
Hermione descia as escadas de pedras o mais cuidadosa que conseguia, tinha a vista embaçada pela raiva e temia que pisasse em degraus falsos. Draco sorria, um tipo de sorriso vitorioso, seguindo consideravelmente a frente da castanha.
- Enfrentando o Potter, Granger? – e tentou não deixar escapar uma de suas risadas. - Muito bom.
- Ele me irrita, às vezes. – respondeu, séria, aproximando-se mais dele enquanto descia as escadas.
- Ele me irrita sempre! – Disse direcionando a ela um olhar significativo.
Não era exatamente um sorriso irônico, mas aquele sorriso que estava esboçado nos lábios de Draco, naquele exato momento, correspondiam a um perfeito sorriso de divertimento. Hermione provavelmente não havia notado, tinha os olhares muito bem fixos onde estava pisando, até sentir uma mão entrelaçar-se em sua cintura e a pressionar de encontro aos quadris de seu dono. Ele estava ajudando-a a descer as escadas? Talvez aquela fosse a melhor atitude, visto que uma “namorada” rolando aquelas escadas deformaria parte de sua reputação.
Gina pensou ter ouvido um ruído de indignação vindo de Harry naquele momento, e conferindo as razões, precisou revirar os olhos enojada pela cena de “seu” Draco Malfoy ajudando “sua” melhor amiga, de uma forma tão... cuidadosa.
Por fim, já estavam seguros ao final da escadaria e bem diante de um imenso paredão de rochas. Havia uma vegetação não muito densa, mas era o suficiente para fazer cócegas nas pernas de Hermione. Obviamente havia lugares melhores para aquela conversa, mas estavam à uma distancia considerável do castelo, e aquilo a tranqüilizava o bastante para imaginar que não haveriam intrusos tirando conclusões precipitadas.
-Então, o que queria, Malfoy? – disse muito rispidamente, observando mais cautelosamente a sua volta.
- Discutir algumas coisas...
Draco se encostou no paredão às suas costas e observou atento a imagem de Hermione tão distante dele, como se ela estivesse temendo uma aproximação. Deixou um risinho divertido escapar de seus pulmões e com uma esticada leve das mãos conseguiu puxá-la para perto dele.
- Ainda temos um almoço, Malfoy, se não se lembra disso. – tentou ser ríspida.
- Não precisa se preocupar com isso, só me escute. – desfez o sorriso de seu rosto muito depressa, iniciando o assunto que teria a tratar. - Você já percebeu as proporções que esse jogo já atingiu, não?!
Hermione não esperava uma pergunta tão direta dessas, mas era a mais pura verdade. Ponderou por alguns segundos, como se precisasse mesmo formular alguma resposta.
- Sem dúvidas.
- Então, melhor criarmos um plano.
Draco estava sério, tinha agora uma das pernas flexionadas contra o paredão e os olhos muito atentos aos olhares atordoados de Hermione. Era um dia frio, apesar das vestimentas de ambos, mas considerando o fato de que o castelo era magicamente aquecido, logo eles não tinham suas capas em mãos. O vento gelado ouriçava seus cabelos e movimentava a saia de Hermione de um jeito impossível de Draco não reparar.
- Como assim? Pensei que estivesse tudo sobre controle, Malfoy.
- E alguma vez eu disse que não estava, Granger? – tentou manter uma fingida expressão de mágoa - Se eu disser que os urubus estão de olho em nós nesse exato momento você acreditaria?
Os olhares de Draco, agora, percorriam muito longe dali, por sobre os ombros de Hermione, em algum ponto que Hermione não saberia dizer precisamente onde. A castanha tinha o cenho franzido, ainda tentando decifrar a frase e caindo em si logo em seguida.
- Não. – respondera, ponderando mais uma vez. - Não sei, onde?
E dito isto, Hermione tenta se virar o suficiente para encontrar o ponto exato onde os olhares de Draco estavam cravados, mas percebeu que ele já não os tinha mais lá. E, antes mesmo de conseguir virar sua face o suficiente para trás, já havia sido impedida no ato.
- Não Granger, não sabe disfarçar?
Aquele contato de mãos frias em seus ombros não deveria ter causado o desconforto que havia causado naquele exato momento, mas fora inevitável. Por sorte, o sonserino não havia notado nem parte daquele desconforto. O que não foi muito diferente por parte de Rony e Harry, no alto da escadaria, camuflados entre árvores, e trataram logo de tirar conclusões precipitadas disso.
- Ela não está querendo papo com ele, você está vendo, Rony. – Harry mantinha os olhos fixos, agora ainda mais raivosos.
- Devíamos interferir. – Rony concluiu, posicionando-se um passo adiante do esconderijo, mas sendo impedido por Gina, ao seu lado.
Draco, mesmo não percebendo a reação de Hermione, retira as mãos dos ombros da castanha e volta ao seu diálogo anterior, como se não houvesse nada errado ali.
- Não precisa se preocupar, Granger. Esqueça todos eles, não podem nos ouvir mesmo – sorriu, imaginando que era mesmo verdade.
- Certo. – moveu os pensamentos para longe de sua cabeça. - Qual vai ser o plano, afinal, Malfoy?
- Mostrar ao Potter e CIA que estamos mais próximos do que nunca. – e mais um sorriso meio lábio, dessa vez mais discreto.
Não tão discreto quando pousou uma das suas mãos sobre o braço de Hermione e a trouxe para próximo de si, juntando o corpo dela ao seu, cuidando para que a proximidade não lhes causasse desconfortos. Hermione tinha os olhares inexpressivos, talvez tentando compreender a estratégia que ele estava tentando seguir. Mas aquele sorriso meio lábio entregava todos os pontos muito facilmente. Era o jogo...
- Isso já estamos fazendo, Malfoy. – sorriu irônica, deixando ser guiada para próxima dele.
- Mostrar a ele que você pode fazer o que bem quiser e quando quiser. – e mais sorrisos.
E mais um puxão leve para trazê-la ainda mais para próxima dele. Mesmo que Draco estivesse se contentando para não olhar para os grifinórios mais uma vez, podia ter certeza de que eles deviam estar furiosos com a cena.
- Como assim, Malfoy?
- Que tal umas tardes completamente longe dele? – desfez por alguns segundos o sorriso e a fitou sério. - Tenho certeza de que ele vai procurar por você como um louco pelo castelo.
Então era esse o plano, criar uma pulga atrás da orelha em Harry? Não deixava de ser interessante, mas algo dizia que não funcionaria muito bem.
- Ah, duvido muito, Malfoy. – foi o bastante para deixar Draco intrigado. - Eu disse que iria a Hogsmeade com outras pessoas e ele não se importou muito com isso.
- Disse que iria a Hogsmeade comigo? – fitou a castanha sério, esperando mesmo por uma resposta sensata.
- Não, na verdade...
- Por isso ele não se importou, Granger... até descobrir que estávamos juntos...
E sem nem mesmo pedir algum tipo de permissão, se aproveitando do momento transe que havia gerado em Hermione, Draco escorregou a mão que segurava o braço da castanha e o levara de encontro aos cabelos encaracolados da mesma, acariciando-os e parecendo surpreso pela maciez dos mesmos. Não era exatamente o que estivera esperando.
- Certo, podemos fazer algumas tentativas. – Hermione tentou mostrar desconforto com a atitude inesperada do sonserino. - Espero que ele sinta minha falta.
- Potter é um babaca mesmo, e o jeito como ele se comporta quando está com ciúmes. – tentou disfarçar quando fitou por sobre os ombros de Hermione.
Ainda tinha a mão acariciando a maciez dos cabelos da castanha, enquanto a outra simplesmente pousava sobre a sua própria perna, flexionada contra o muro. A sensação dos pêlos na nuca de Hermione se arrepiando com o toque não eram verdadeiramente agradáveis para ela, visto que se esforçava o máximo para não deixar isso transparecer em seu rosto.
- Está certo, Malfoy. E fazê-lo sentir ciúmes é bom... – tentou sorrir divertida.
- Desde que as mãos dele estejam bem distantes da minha cara... – criou uma carranca como em protesto contra as lembranças que surgiam.
Hermione, por outro lado, não foi exatamente capaz de impedir um sorriso lembrando dos socos, de toda a discussão, do modo como Pansy gritava histérica, da imagem de uma Gina sedenta por informações e de um Draco ridiculamente usando esparadrapos em seu nariz quebrado. Perdida nesses pensamentos, Hermione mais uma vez não notou os rumos que as mãos de Draco haviam tomado sobre seu corpo, agora visivelmente muito colado ao dele. Sentiu um breve arrepio em sua nuca, que indicava que as carícias em seu cabelo haviam chegado ao fim, e quando se deu conta as mãos de Draco (não somente uma, simplesmente as duas) agarravam seu rosto com um tipo de força capaz de desfazer seu transe em questão de segundos. Draco tentava trazer a face da castanha para próxima da sua e o modo como ele fitava os lábios dela, fez aquilo não parecer uma boa idéia.
- E que tal alguns beijinhos?
Hermione precisou arregalar os olhos depressa, notando, por fim, o que aquela atitude estava significando. Estava muito perto de permitir que ele realizasse o ato, mas o impediu a tempo disso.
- Nem pensar, Malfoy.
E como em defesa, pousou as palmas de suas mãos sobre o peito de Draco, tentando afastá-lo de si mesma, como se realmente fosse possível, afinal, havia um paredão bem atrás dele que a impedia disso. Podia sentir o peito incrivelmente musculoso por debaixo da camisa branca e da gravata afrouxada sobre a mesma.
- ... Roubados? – Draco insistiu, ainda tentando trazer o rosto de Hermione para próximo do seu.
- Não, Malfoy! – soou quase tão desesperada quanto o seu ato seguinte.
Notando que não havia muito a fazer, agarrou com as unhas e com toda a força que tinha a camisa de Draco sobre a qual tinha as palmas de suas mãos. Esperava que isto a ajudasse a afastar seu próprio corpo do dele, mas o sorrisinho malicioso de Draco só indicou que aquela havia sido uma péssima idéia, talvez só tivesse o atiçado ainda mais.
Por fim, Draco percebeu que não seria muito justo fazer aquilo, não com uma platéia que aparentava tanto perigo, muito próxima dali. Tentou apagar o sorriso de seu lábio, em vão, e retirou as mãos da face da castanha, certificando-se que ela não se moveria dali em seguida.
- Você já abusou de mais, Malfoy. – tratou de repreendê-lo depressa. - Em Hogsmeade foram dois beijos, você tem noção disso?
Se a resposta que Hermione esperava para sua indagação chegasse tão perto da que havia recebido, talvez não houvesse sido necessária aquela reação de desconforto tão evidente.
- Muito, Granger!
E como se tentando provocá-la, Draco mordiscou seu lábio inferior rápido o bastante para não impressioná-la mais do que já havia impressionado. Hermione tinha, agora, os olhos fixos na face pálida do sonserino, seus pensamentos rumando cada vez mais dispersos.
Pareceu se recuperar depressa da reação à resposta, cerrando os olhos e provocando-o com um risinho irônico nos lábios.
- E não necessariamente tinham alguma influência com este jogo...
- Me responde, Granger, sinceramente. – estava sério, agora, ajeitando o corpo contra o paredão e a trazendo inconscientemente para mais perto. - Qual deles você preferiu mais?
Hermione precisou revirar os olhos diante do questionamento, esperava algo mais interessante... ou menos desconfortante.
- Isso é patético, Malfoy, não me obrigue a responder uma coisa dessas.
- Por quê? Está com medo da resposta?
- Por que eu teria medo, Malfoy? – tentou demonstrar uma falsa irritação. - Afinal, eu tenho uma parcela de culpa, eu retribui os beijos.
- Ótimo que confesse isso tão facilmente. – sorriu, discreto. - Agora só dizer qual deles te agradou mais...
Hermione ergueu uma de suas sobrancelhas e o fitou profundo, como se estivesse buscando sinceridade naquela indagação. Ponderou por alguns segundos e encontrou uma resposta sensata. Não era porque aquele jogo se mostrava sujo e de mal gosto que teria de perder a sinceridade em suas palavras.
- Certo. Não que aquele beijo realmente tenha sido... chocho... porque foi um atrevimento seu ter dito isso. – e quando o fitou mais uma vez, notou um riso se formando nos lábios dele e tentando escapar por seus pulmões. - Do que está rindo, Malfoy?
Draco simplesmente não respondeu, apenas continuou a fitá-la, ainda segurando um dos seus braços, certificando-se que ela não daria meia volta e correria para longe dele.
- Mas eu preferi, bem... – estava nervosa, desviando os olhares por vezes. - ... o segundo beijo. Satisfeito?
- Bastante. – e sorriu ainda mais largamente.
- E quanto a você, Malfoy?
- Eu? – tentou demonstrar surpresa, e quando seus olhares escaparam de relance notou que os grifinórios estavam agora menos camuflados. - Bem... nenhum dos dois.
Hermione não esperava, definitivamente, por aquele tipo de resposta. Cerrou os dentes e os olhos, apreensiva, esperando que ele sorrisse de volta e respondesse a verdade, afinal. Mas ele não o fez, apenas continuou a fitá-la, quase inexpressivo. Muito furiosa, Hermione simplesmente tentou soltar-se e virar o suficiente para sair dali o mais depressa.
- Ei, espera, eu estava só brincando. – capturou o braço dela a tempo para trazê-la de volta ao seu corpo, em um impacto quase agressivo. - Também preferi o segundo.
- Sabe que você também está começando a me irritar, Malfoy? – Disse transparecendo toda a sua irritação muito facilmente.
- Mas foi chocho.
Mais um comentário que Hermione não esperava. E um novo sorriso divertido surgiu nos lábios de Draco, agora tão próximo dela, tanto que podia sentir a respiração agitada do mesmo.
- Eu fui pega de surpresa, Malfoy. Não esperava por aquilo.
Como se essa tivesse sido a intenção desde o inicio, Draco havia mesmo conseguido afetá-la com o comentário. Hermione estava agora, visivelmente magoada, irritada e envergonhada. Não o fitava direto nos olhos, apenas em pontos fixos da camisa branca de Draco, talvez nos botões dela ou mesmo no broche de monitor preso em sua gravata sonserina. Draco não sabia ao certo o tipo de sentimento que o transbordou por dentro naquele momento, mas era algo do qual não estava tendo muito sucesso em controlar. Fora capaz apenas de manter um sorriso leve no canto de seus lábios e fazer suas mãos escorregarem, novamente, dos pulsos de Hermione até seus cabelos, incrivelmente macios.
- Eu saberia se tivesse sido chocho. E não foi. – Hermione continuava a protestar, ainda sem fitá-lo.
Estava completamente anestesiada, não havia tomado muito conhecimento do que o sonserino estava fazendo: acariciando seus cabelos com a palma e os dedos, pondo-os, por vezes, atrás de sua orelha e acariciando de leve o lado esquerdo de sua face, como de relance quando seus dedos frios escorregavam por lá acidentalmente. E havia um sorriso nos lábios finos do sonserino.
- Essa é a coisa mais insensível que você pode querer dizer a uma garota, Malfoy. O que... está fazendo?
Sentiu os pelos de seu pescoço se arrepiar novamente com o contato e caiu em si, novamente, observando-o atenta, fundo nos olhos. Draco era perfeitamente bom em disfarçar seus desconfortos e fora capaz de diminuir a intensidade de suas carícias e a proporção que seu sorriso havia atingido agora.
- Os seus amigos idiotas... estão olhando. – foi a única desculpa sensata que encontrou.
- É, eu sei. – Hermione respirou fundo, tentando controlar-se com aqueles arrepios. - Ridículo, eu sinceramente não sei como posso ter merecido isso.
E sorriu, diante de sua própria indagação. Mas aquela não fora a atitude mais sensata, só havia permitido que o sorriso de Draco se alargasse novamente.
- Só o fato de ter permitido que um Malfoy se aproximasse de você já é uma boa explicação...
E, mais uma vez, foram tomados por um novo transe, em que pareciam completamente fora de si com todos os seus pensamentos desalinhados. E, abruptamente, se desfizeram do momento, tomando consciência do quão perigoso aquilo estava se tornando.
Hermione tentou afastar seu corpo para um pouco mais distante do corpo de Draco e percebeu quando ele se endireitou, permitindo que ela fizesse isso.
- E quanto a Gina, o que vamos fazer? – a castanha se adiantou, desfazendo o momento por fim.
- Bom, eu tenho um plano. – sorriu malicioso.
- Compartilhe, então.
Boa coisa provavelmente não seria, mas Hermione não perderia a chance.
- Certo. Antes de qualquer coisa, é bom que continue inventando mentiras pra ela.
- Isso é bem fácil. – concordou com um aceno de cabeça rápido.
- Só tome cuidado com as coisas que diz, não quero que diga que tenho mau hálito. – fez uma expressão enojada do próprio comentário.
- Você não tem mau hálito, Malfoy.
E, involuntariamente, deixou escapar um sorriso. Draco não esperava por isso, mas desfez o constrangimento depressa.
- Precisamos irritá-la. Estive pensando que poderíamos planejar separá-los.
- Gina e Harry? – soltara, quase como em um grito. - Como você é maligno, Malfoy.
Mas Draco não dissera nada, apenas revirou os olhos e aproveitou para dar uma checada na sua platéia distante.
- Isso é tão sujo, Malfoy.
- Pensei que estivesse gostando de jogar. – estava visivelmente irritado.
- E estou. – sorriu,somo se quisesse acalmá-lo tentando eviter uma possível discussão.
- Granger!
Draco dissera, num súbito ato puxando-a para próxima de si, fazendo com que seus corpos colidissem agressivos um contra o outro, embora amortecidos pelos músculos peitorais de Draco. Hermione estava assustada. Um segundo antes estava em um diálogo civilizado.
- O quê? Ainda estão nos olhando?
- Sim. – aninhou Hermione entre seus braços. – Granger... A parte do “mãos bobas” foi verdade mesmo?
Mais uma vez, não era por aquilo que Hermione esperava. Revirou os olhos, indignada e, percebendo a pergunta que havia sido feita, permitiu que seu desconforto retornasse.
- Er... não exatamente...
- Sabe, porque quando eu, bem, estou nessas situações, eu não presto muita atenção nessas coisas. É espontâneo, entende? – Draco tentou parecer convincente.
- Não. Não mesmo! É o velho papo dos canalhas.
Draco sorriu, percebendo que a aproximação não era nada diante do impacto que suas perguntas estavam tendo sobre Hermione.
- E a parte do insaciável? – Draco dizia isto com os lábios próximos ao ouvido de Hermione, sussurrando as palavras - Você não mente muito bem, sabe, porque eu estava me controlando muito pra não te beijar mais vezes naquele dia.
E, como o impacto dos corpos, anteriormente, Hermione estava visivelmente abalada com o rumo daquela conversa.
(N/A: A Ju reconheceu... Mari, reconhece essa cena? Presta atenção hein! hUa...)
- Você está mesmo me irritando, Malfoy. – sussurrou de volta, visto que suas faces ainda estavam uma ao lado da outra.
- Esse assunto te irrita?
- Muito. – Hermione podia sentir a respiração de Draco em seus cabelos.
- Eu não entendo.
E sussurrara de volta em seu ouvido. A respiração de Draco estava cada vez mais descompassada e os arrepios em Hermione era ainda mais constantes.
- As brigas, os socos, as ofensas, Harry, a Parkinson... – Hermione tentou lhe explicar.
A voz de Hermione saia muito fraca, mesmo que não estivesse mantendo controle sobre isso. E sem pensar muito, Draco direciona seus lábios frios diretamente de encontro à base do pescoço de Hermione, mantendo seus lábios ali por alguns segundos, suficientes para fazê-la tentar recuar, em vão, agora que ele a tinha presa em seu corpo.
- Que diabos você está fazendo, Malfoy?
- Eles ainda estão olhando. – disse, ainda com os lábios pressionados na pele dela. - Mas me diz, exatamente, o quanto eu te irrito?
- E que diferença isso faz?
Hermione sentiu Draco respirar fundo e a forma como a ponto do seu nariz deslizou desenhando uma linha da base de sua garganta até seu queixo a fez estremecer o bastante para que ele notasse e se alegrasse com isso.
- Nenhuma, eu sempre vou tentar irritá-la cada vez mais... – falou isto com sua respiração batendo de encontro à mandíbula de Hermione.
- Isso me irrita.
E um sorriso divertido apareceu nos lábios de Draco, no momento em que ele respirou fundo mais uma vez e isso causou cócegas na pele de Hermione. Levantando seu rosto para beijar as pálpebras dela, Draco percebeu que ainda havia uma platéia distante.
- Por quê? – e mais uma respiração fria causando-lhe desconforto.
- Me deixa sem defesas. – respondeu, direta, evitando estremecer com o contato.
- Isso também te irrita?
E dizendo isto, Draco sorriu vitorioso, deslizando seus lábios, beijando a bochecha de Hermione e parando ao lado dos lábios da castanha. Nesse ponto, Hermione já havia se permitido estremecer, notando que não seria capaz de impedir isto.
- Demais. – respondeu rouca.
- E isso?
Moveu seus lábios e os pressionou contra os de Hermione, se permitindo fechar os olhos e imaginar o que estaria se passando na cabeça de Hermione. Sorriu divertido e abriu um espaço suficiente para que ela respondesse.
- Seu sorriso está me irritando, Malfoy.
Foi quando Draco percebeu, abrindo seus olhos e vendo que a castanha o observava profundamente.
- Não devia se irritar tão fácil, Granger. – disse isto movendo seus lábios contra os dela.
- Se fizer isso, Malfoy, eu sou capaz de explodir... – sussurrou, ainda com os seus lábios pressionados.
(N/A: reconheceu? hUA... se alguém aqui leu Crepúsculo deve ter reconhecido tbm! Hehe)
Draco sorriu mais uma vez antes de dizer, por fim.
- Só espero que exploda de prazer...
E então Draco pousou suas mãos no rosto de Hermione quase rudemente, trazendo-a para mais próxima de si e aprofundando o beijo que havia se iniciado com movimentos cautelosos de lábios. Não que realmente estivesse nos planos da castanha retribuir aquele beijo, mas tendo a oportunidade tão próxima, não pensou duas vezes, lançou seus braços ao redor do pescoço de Draco e deixou que ele aprofundasse o beijo ainda mais. Sentiu seus pelos se arrepiarem novamente e sabia que as mãos dele agora pousavam fortes em volta de sua cintura, apertando-lhe contra seu corpo.
- Chega, Malfoy...
E, empurrando a si mesma para longe de Draco, Hermione conseguiu desfazer o momento que talvez tenha sido o mais produtivo desde o último beijo deles.
- Mas e os urubus, Granger?
- Chega... você passou dos limites, Malfoy. – Hermione estava visivelmente envergonhada.
Como em todos os beijos, sempre terminava corada por vergonha e completamente sem atitudes a tomar. Evitou fitá-lo nos olhos novamente, simplesmente dando as costas à ele e seguindo de volta para as escadas de pedra.
- Espere, Granger... eu vou com você.
- Não encoste em mim...
Hermione retirou as mãos de Draco de seus braços tão rápido quanto jogou seus olhares de encontro ao topo da escadaria e percebeu que seus amigos já não estavam mais lá. Estava furiosa, por ter sido pega tão desprevenida por Draco e por ter permitido que aquele beijo acontecesse.
- E eu que pensei que você não estava falando sério quando disse que se irritava comigo.
Draco sorriu com esse comentário, tentando acompanhar Hermione pelas escadas.
--*---
Já havia passado muito desde o início do almoço daquela tarde e se conseguissem chegar a tempo provavelmente ainda encontrariam alguns restos do que havia sido um banquete . Não havia sinal algum de Harry, Rony e mesmo Gina pelos corredores e muito menos de Pansy ou Alan. O que era incrivelmente tranqüilizador. Hermione caminhava apressada, tentando fazer com que Draco não a alcançasse, inutilmente.
Quando já estavam diante das grandes portas de carvalho que davam acesso ao Salão Principal, Draco conseguiu puxá-la e fazer com que ela o olhasse nos olhos pelo menos mais uma vez.
-Se queria mesmo saber, Granger, não foi chocho, o beijo em Hogsmeade. Eu só estava querendo te... irritar.
E, com um sorriso malicioso, Draco soltou Hermione e a observou adentrar o salão, inexpressiva.
-----*-----
Impulsos. Era nisso que suas vidas estavam se resumindo. Todos os dias, a cada momento em que permaneciam tempo demais próximos um do outro, impulsos surgiam e simplesmente não conseguiam manter controle algum sobre eles.
Beijos roubados, quando era suficientemente claro que isto estava fora dos acordos. Mas os impulsos eram sempre mais fortes e os pegavam, quase sempre, completamente desprevenidos.
O que aquele beijo havia significado? Respostas que não estavam muito interessados em ter realmente.
Hermione conseguiu se servir do que havia sido um almoço, assim como Draco, em mesas opostas, em lados opostos daquele salão,mesmo que houvesse menos da metade de alunos em suas respectivas mesas e poderiam perfeitamente bem dividir uma mesa juntos. Nem sinal de Harry e os outros, assim como sem sinal de sonserinos específicos.
Os restantes das aulas naquela tarde transcorreram incrivelmente normais. Mesmo que Rony e Harry estivessem evitando a presença de Hermione, mas isto era normal para ela. E mesmo que Draco a fitasse vezes demais durante as aulas.
----*----
A semana passara rapidamente , sem que as pessoas nem sentissem. As coisas estavam finalmente se normalizando e as aulas e refeições já não eram mais torturantes para Hermione,nem para Draco. A castanha podia se sentar junto de Harry, Rony e Gina, mesmo que conversassem pouco, e podia acompanhá-los até suas aulas sem que isso a irritasse ou a tirasse do sério. Draco havia resolvido boa parte de suas questões pessoais com Pansy e Alan. Mesmo que Pansy ainda o ignorasse friamente (como se isso o importasse, havia muitas à disposição dele), e mesmo que Alan não estivesse mais tão presente ao lado de Draco como antes.
Aquela era uma manhã de sexta feira não muito fria, era como se o inverno já estivesse se esvaindo. Faltavam apenas alguns poucos minutos para que Professor Snape adentrasse as masmorras e desse inicio a mais uma de suas cansativas aulas de Poções.
Draco dividia uma mesa ao lado de Alan, ao fundo da sala, e conversava animado com este, entre risadas e socos divertidos.
Por vezes, Draco parecia disperso o suficiente para merecer chacoalhadas que o traziam a realidade novamente
- Ei cara, vai me dizer o que significa isso? – Alan estava furioso.
- O quê? – Draco perguntou sem entender.
- Você não tira os olhos dela. – e com um aceno de cabeça mostrou a quem ele se referia.
Não era Pansy, esta simplesmente tinha a cabeça enfiada entre seus braços em uma mesa distante, com os cabelos negros caindo em cascata sobre a mesa. Era a Hermione que Alan estava se referindo. A castanha estava sentada não muito distante dali, a apenas uma fileira de distancia, na mesma direção em que a mesa de Draco e Alan estava. Por vezes, Draco deixava sua visão cair sobre ela, mas não parecia estar muito ciente disso quando o fazia.
- Cala a boca, Alan. – e dera um tapa de leve na cabeça de Alan, repreendendo-o.
- Eu não quero perder essa aposta. – Alan estava sério.
- Sinto muito, mas isso já é assunto resolvido.
E com um sorriso cínico, Draco voltou a fitar Hermione, mais uma vez inconsciente do ato. A castanha tinha os olhos fixos em algum ponto a frente dela, talvez na cabeleira desalinhada de Harry um pouco mais a frente, dividindo uma mesa com Rony.
- Eu não sabia que essa intragável pudesse ser tão fácil.
Draco não havia gostado do comentário e uma expressão de desgosto se estampou de imediato em sua face, fazendo Alan revirar os olhos em protesto.
- Devia ter analisado suas chances antes de propor a aposta, perdedor. – Draco tentou contornar a história.
- Vai ser ferrar, Draco.
E, novamente, não muito consciente, Draco soltou um riso aparentemente alto o suficiente para fazer Hermione desviar os olhos e direcioná-los à Draco. Parecia curiosa, imaginando o porquê das risadas. Sentia-se deprimida, percebendo o quanto estava infeliz.
Draco percebeu os olhares de Hermione e fez com esses olhares se encontrem com os dele. Esperava que ao menos a castanha ruborizasse, mas nem isso. Talvez estivessem se acostumando. E com um aceno de mãos, Draco faz um sinal com o dedo indicador bem acima da cabeça de Alan.
- Ei, o que tá fazendo? – Alan protestou.
- Vai caindo o fora daqui, Alan, aproveita que a Pansy ta sentada sozinha.
E, dizendo isto, Draco empurrou Alan com força, fazendo-o quase desequilibrar-se sobre suas próprias pernas. Alan não estava nada satisfeito com isso e saiu dali soltando faíscas. Novamente, Draco indicou com o dedo o lugar ao seu lado, agora vazio. Hermione franziu o cenho tentando decifrar e, mais tarde, tentando acreditar que era realmente isso que ele estava pedindo para ela fazer. Sentar-se ao lado dele...estava fora de cogitação.
- Você me paga Draco. Vou azarar todas as suas garotas. – Alan ainda dissera isto, se afastando dali.
- Agora eu só tenho uma, Alan. – e tentou dizer isto baixo o suficiente para Hermione não escutar, ou mesmo Pansy.
Draco já estava impaciente, esperando por Hermione, e nada. Até que ela resolveu ponderar a situação. Sua companheira de mesa não era uma das melhores, na verdade, era uma sonserina muito metida e que estava roubando parte de sua mesa com todos os seus livros e penas. Em fim, resolveu ceder ao pedido.
- Você não tinha que expulsar o seu amigo dessa forma, Malfoy. – disse isto sentando-se ao lado dele.
- Ah, não. Ele só estava falando asneiras mesmo.
Draco abriu espaço em sua mesa a tempo de ver Hermione despejando seus livros sobre a mesma.
- E eu não devia me sentar com você. – concluiu, ajeitando-se na cadeira e tentando não fitá-lo.
- Ah, devia sim. Você quer apostar quanto que o Potter não vai nem prestar atenção na aula por causa disso?
Hermione não havia gostado muito daquele comentário e, quando finalmente ergueu seu olhar para fitá-lo, além de um largo sorriso estampado no rosto do sonserino, pôde perceber a quantidade de olhares que estavam direcionados a eles.
- Ah, Granger, põe um sorriso na cara, pelo menos. (N/A: eita, que baixou o espírito do Coringa em mim, agora!! Ainda bem que o Draco não tinha uma faca! :X (piada sem graça, alguém riu?! HAua)
E, com isso, se aproximou consideravelmente da castanha. Hermione estremeceu, imaginando que ele tentaria beijá-la, como costumava fazer, sem nem mesmo pedir-lhe permissão para isso.Mas antes mesmo que pudesse fechar o punho e mirar um soco em defesa própria, Draco já tinha suas mãos fazendo-lhe cócegas em sua barriga. A carranca de antes,agora,dava lugar a um riso abafado que Hermione tentava conter, enquanto se contorcia o mais controlada possível.
- Certo, certo! – respirou aliviada, quando ele interrompeu a sessão, sorrindo divertido - Eu detesto isso, Malfoy. .
Poções exigia um tipo de esforço maior de Hermione, agora, visto que suas notas estavam terríveis na matérias, e visto que a presença de Draco não era algo que a permitisse se focar em outras coisas se não no batucar de dedos do mesmo no tampo da mesa, ou na respiração pesada dele, e até nos bocejos constantes. Mas em grande parte da aula, era Draco quem tirava as dúvidas de Hermione antes mesmo que ela erguesse uma mão para pedir ajuda à Snape.
Não havia se passado muito daquela aula e a cabeça de Harry já se inclinava para trás pela primeira vez. Olhares furiosos e fuziladores.
- Viu, eu disse que isso ia acontecer. – Draco cutucou Hermione, comentando em sussurro. - O que foi mesmo que apostamos?
- Vou prestar mais atenção nas coisas que você diz. – sorriu, disfarçadamente. - E não apostamos absolutamente nada.
Mais alguns minutos haviam se passado, e a voz de Snape finalmente deixara de ecoar gritante pela sala. Era apenas, agora, um som fraco de sussurros, ruídos de pergaminhos e penas sendo movidas sobre os mesmos.
- Ei, Grangrer. – Draco sussurrou, abaixando-se sobre os braços, na mesa, para abafar sua voz.
- O que foi, Malfoy?!
- Sem essa de TPM, ok? – se irritou com a recepção.
- Diga logo, eu estou tentando aprender essa merda de assunto.
- Só por curiosidade, você tem o vestido pro baile?
Foi preciso algumas piscadas e alguns segundos de silêncio, antes que respondesse...
- Hã?
- Baile de aniversário de Hogwarts, Granger. Vestido... você tem?
- Ah, sim. Devo ter. – dera ombros, rabiscando ainda mais o pergaminho.
- “Deve”?
- Tenho alguns, ainda devem servir em mim. – Disse despreocupada.
- Isso é estúpido, Granger. – Draco se aproximou ainda mais, atiçando mais olhares. - Você precisa ter um vestido de verdade, essa é uma ocasião especial.
- Oh, muito especial. – Respondeu sarcasticamente , ainda sem se importar.
- Você tem até amanhã para arranjar um vestido, Granger.
E, logo em seguida, se afastou antes que uma discussão a respeito se iniciasse.
- Patético.
----*----
Era estúpido ter de comprar um vestido novo quando podia simplesmente resgatar algum de seu guarda-roupa para usá-lo ao baile de aniversário de Hogwarts, que aconteceria naquele próximo domingo. Hermione tremia só de pensar nisso, no baile em que oficializaria seu acordo com Draco, oficializando um namoro de mentiras também. Sabia que isso renderia dores de cabeça, e desejava que não tivessem que fazer isso diante de tanta gente em Hogwarts. O baile era o assunto mais comentado nos últimos dias.O primeiro baile do ano, e ninguém nem ao menos fazia idéia de quantos anos Hogwarts estava fazendo, exatamente. E quem se importava, quando haveria bebidas, música, pistas de dança, comida, um acordo a ser oficializado (um beijo a ser dado diante de uma Hogwarts inteira), possíveis discussões (Pansy não deixaria barato, isso era óbvio), apostas para serem vencidas (Draco tinha essa vantagem) e uma decisão que seria dada na ocasião: seria escolhido o monitor chefe. Hermione desejava isso mais do que a sua própria vingança contra Harry.
Aquela sábado havia amanhecido preguiçoso, por debaixo das cobertas quentinhas de Hermione. Mas havia um dia interessante em Hogsmeade, mesmo que seus amigos já não fossem assim mais tão interessantes.
Draco havia acordado mais cedo e já vagava pelos corredores ao lado de muitos outros sonserinos.
*
- Mione, você precisa ver o vestido que vou usar no baile, é impecável. – Gina tagarelava incansável.
- Ah, legal, Gina. Você me mostra depois. – Disse revirando os olhos impaciente.
Estava cansada do grude que Gina estava sendo na sua vida, Hermione queria só dá-lhe um belo pé na bunda e esquecer que um dia a teve como melhor amiga.
- E o seu vestido? Aposto que deve ser fabuloso, Mione.
- Er, bem, ainda não escolhi nenhum. – sentiu-se envergonhada por isso.
Gina demonstrou uma expressão que poderia ser interpretada como decepção. Até que alguém puxou Hermione muito violentamente para trás, segurando-a nos braços a tempo de ela se desequilibrar.
- Vai a Hogsmeade comigo, hoje. – Draco tinha a voz firme, e uma expressão de raiva.
- Ei, quem disse? – Hermione tentou se soltar, inutilmente.
- Eu te dei um prazo e ele está quase expirando. – Draco disse isso ao pé de seu ouvido.
Hermione bufou pesadamente, fitando-o nos olhos.
- Então eu ainda tenho um prazo.
- Se pelo menos você pretendesse usá-lo.
- Do que vocês estão falando? – Gina se intrometeu na conversa, visivelmente curiosa.
Era verdade que ainda tinha seus encontros quase diários com Gina, mas quando precisava jogar, Draco sempre ignorava o fato de que aquela ruiva bem diante dele o levava à loucuras.
- Ela vai comigo a Hogsmeade hoje. – Draco reforçou a mensagem inicial.
Gina não teve muita escolha se não se afastar e deixá-los lá.
- Isso é tão infantil, Malfoy.
- Onde está o seu instinto feminino. – alfinetou profundo, dessa vez.
- Eu tenho um vestido, Malfoy. – Hermione disse séria, sendo carregada a força por Draco pelos jardins.
- Aham. Velho, acabado, usado e manjado.
- Isso não é verdade. – esboçou uma falsa mágoa no rosto.
- Vamos comprar um hoje. – e sorriu, como se as compras fossem para ele mesmo.
- Eu não trouxe dinheiro suficiente pra isso, Malfoy. – advertiu, tentando soltar-se dele, mais uma vez.
- Mas eu sim. – e sorriu, vitorioso.
Hermione interrompeu sua caminhada abruptamente, sentindo o aperto de Draco ainda mais forte em seu braço. Os jardins estavam completamente abarrotados de alunos.
- Nem pensar, você não vai fazer isso.
Draco simplesmente não disse nada a respeito, só puxou Hermione novamente para seguir o caminho até as charretes, onde se encaminharam direto até uma vazia e se acomodaram em um banco duplo, um ao lado do outro, incrivelmente espremidos.
- Eu pago, Malfoy. – Hermione se apressou, irritada.
- E o dinheiro não-suficiente? – Draco sorriu, fitando Hermione pela sua vista periférica.
- Existem vestidos bem baratos, sabe...
Draco sorriu mais uma vez, aquilo tudo era hilário para ele. Estava agindo como uma garotinha empolgada por um vestido novo, e ele era, na verdade, um homem.
Divertido com esse pensamento, Draco retirou sua mão direita que pousava sobre sua perna e encontrou, certeiro, a mão de Hermione, entrelaçando seus dedos nos dela e trazendo-a para cima de sua perna, novamente. Agora, dividiam a mesma cabine com duas garotas provavelmente primeiranistas. Não havia razão para jogar com elas.Por mais que estivessem curiosas com o ato, elas provavelmente não faziam idéia de quem eles eram. Hermione sentiu seu coração palpitar forte em seu peito e tentou evitar que sua mão transpirasse com o nervosismo.
- E os sonserinos? – Hermione tentou quebrar o silêncio, sussurrando.
- Disseram alguma coisa sobre ‘festinha’. – Draco sorriu, fitando o jardim fora da charrete.
- E você vai perder mesmo seu tempo comigo? – Hermione virou os olhos, indignada com ele por isso.
Draco sorriu, virando-se para ela em seguida, ainda com suas mãos entrelaçadas.
- Só precisamos comprar o vestido. Se encontrar os seus urubus por lá e quiser se juntar a eles depois...
- E deixar você sozinho? – o interrompeu a tempo.
- Talvez, mas isso não é problema.
- É sim. Eu fico com você, e ponto final.
Decisão sábia? Provavelmente...
Não!
----*---
Hogsmeade estava incrivelmente cheia naquele fim de manhã.
- Isso vai ser bem chato, Malfoy.
- Eu agüento. – e sorriu, puxando-a consigo pelas ruas, ainda de mãos dadas.
Caminharam algum tempo até encontrarem a loja que mostrava a maior diversidade de vestidos. Ao adentrarem a loja foram bombardeados de vendedoras sedentas por compras grandes.
Hermione se separou de Draco, seguindo até um suporte de vestidos ,próximo e selecionando alguns vestidos, com olhares críticos. Antes disso, Hermione verificava as etiquetas.
- O que acha desse, Malfoy? – levantou o vestido o suficiente para ele observar.
- Você não tem que escolher por preços.
Hermione suspirou irritada. Se teria que fazer aquilo, teria de ser do seu jeito. Voltou a verificar as etiquetas e escolher os vestidos que estivessem dentro de seu orçamento. Draco revirava os olhos impaciente com isso e, já muito irritado, retirou todos os vestidos das mãos de Hermione e a empurrou direto para os provadores.
- Experimente todos.
- O quê?
*
O provador era incrivelmente minúsculo para aqueles vestidos todos, alguns deles que o próprio Draco havia escolhido.
- Granger, por que será que você ainda não me mostrou nenhum dos vestidos que já provou? – estava impaciente, encostado em um balcão próximo.
- Você não vai me obrigar a fazer isso, Malfoy.
- Me mostre, AGORA, Granger! – e ameaçou invadir o provador, balançando a cortina que o separava de Hermione.
Mesmo irritada, Hermione resolveu ceder à ordem e deslizou a cortina para longe, surgindo à frente de Draco com um dos milhares de vestidos que já havia provado.
- O que achou desse?
Hermione preferiu fechar os olhos e esperar pela resposta. Que provavelmente estava uma baleia com aquele vestido azul marinho e de calda comprida. Mas o que ouviu foi um simplesmente...
- Hum... interessante.
Abriu os olhos e voltou a fechar a cortina. Esperava mais de Draco. Mais tarde, voltou a reabrir a cortina e deslizar para fora com um novo vestido em seu corpo.
- E esse?
- Uma voltinha... Granger! – dissera sorrindo.
Mesmo muito a contragosto, Hermione realizou o pedido dele. Esperava sinceramente que ele não percebesse o tamanho de sua bunda com aquele vestido frente única rosa bebê.
- Gostei. – esorriu, maravilhado com a visão.
- Não gostou nada. – muito irritada, fechou a cortina novamente.
- Podia levá-lo, gostei dele. – Draco tentou convencê-la, sussurrando por detrás da cortina.
- Não gostou não. – Hermione insistiu, ainda com irritação na voz.
E, mais uma vez, mais um vestido e mais fúria estampando-se em sua face. Draco elogiava a todos o que ela provava, mas aquilo não era sincero o suficiente para ela.
*
- Você está detestando todos eles, Malfoy. – explodiu, fechando a cortina a sua frente.
- Não estou não. Quer se decidir de uma vez por todas? – era a vez de Draco estar irritado.
- Quando você disser o que eu realmente gostaria de ouvir, Malfoy, eu decido. Porque ai sim eu vou ter certeza de você gostou, de verdade.
Draco erguera uma de suas sobrancelhas, sem entender absolutamente nada do que ela havia dito. Era um código, uma charada? Estava impaciente, aquela brincadeira não estava sendo assim tão divertida.
- O que achou deste?
- Maravilhoso. – Disse com uma expressão fingida de admiração.
Hermione percebeu muito facilmente e, com uma careta medonha, se afastou novamente.
- Afinal, o que você quer ouvir, Granger? – Draco estava cada vez mais impaciente e irritado.
- Malfoy! – um grito ecoou de dentro da cabine do provador, seguido por uma risada. - Aposto que esse aqui foi você quem escolheu.
- Prove.
- Isso é patético. – estava incrédula com o que tinha, agora, em seu corpo.
Draco esperava, sinceramente, que fosse capaz de dizer o que ela gostaria de ouvir.
Muito a contra gosto, Hermione deslizou a cortina novamente e com risos mostra o que vestia no corpo agora.
- Só podia ter sido idéia sua mesmo, Malfoy.
E riu mais uma vez, saindo da cabine do provador e dando a mesma volta que dava em todos os outros vestidos que provava, mas dessa vez muito divertida com a cena.
- Granger... – Draco parecia engasgar, fitando-a completamente atordoado.
- O que foi? – Hermione estava séria, assustada com o que poderia ter de errado com o vestido (ou com ela).
- Você está...
- O quê, Malfoy? – seu ar parecia faltar...
- Linda!
- Não.
- É perfeito. – Draco agora sorria, se aproximando cada vez mais de Hermione.
- Você disse o que eu queria ouvir, Malfoy. – sua voz era fraca, sussurrante.
- Vai ser esse. – e a empurrou de volta para o provador, forçando-a a olhar-se no espelho. - Ficou perfeito em você.
A visão que Hermione tinha de si mesma era de uma garota fisicamente muito bem encorpada (isso tinha de admitir) vestindo um vestido que nunca representou o seu estilo favorito. O vestido era cinza claro,quase prateado, com um decote em V que valorizava os seios de Hermione.Era amarrado no pescoço , com as costas nuas.Era bem justo até a altura dos quadris , e aí então afrouxava um pouco valorizando as formas da castanha.No meio da coxa esquerda começava um rasgo que ia até o calcanhar.Não tinha brilho algum, sua beleza estava em sua forma.
- Não pode ser, Malfoy. Ele é tão... sombrio.
- Combina com seu humor. – sorriu, fitando o reflexo do que seria sua futura “namorada”,
- É verdade. – sorriu de volta, concordando por unanimidade.
Um riso solto e uma constatação deprimente, para Hermione.
- Ele é... caro demais, Malfoy.
- Não pra mim. – e mais um sorriso amigável.
Antes mesmo que Hermione pudesse protestar, Draco já havia fechado a cortina novamente e passava todos os seus dados para efetuar a compra. Hermione se fitou mais uma vez, imaginando no que sua vida havia mesmo se transformado. De vestidos azul marinho e rosa bebê, os cinzas é que estavam caindo melhor nela.
*
- Isso foi absurdo, Malfoy. – Hermione ainda não se conformava.
- Vamos ser o centro das atenções naquele baile. – Draco estava animado, levando-a consigo pelas ruas do povoado, de mãos dadas.
- Não sabia que eles faziam entregas.
- E não fazem. – Disse sorrindo.
Hermione analisou os fatos rapidamente...
- Ah, ótimo, é pra isso que serve um sobrenome, certo?
- Exato.
E seguiram rindo durante boa parte do caminho. Não havia muito que pudessem fazer, o principal do dia já havia se resolvido. Ainda aquela noite Hermione receberia seu vestido em Hogwarts e estaria impecável para o baile no dia seguinte. O povoado estava incrivelmente quente naquele começo de tarde.
Hermione pousou seus olhos de relance em uma mesa ao lado de fora da lanchonete mais lotada de todo aquele povoado, deixando seus olhos reconhecerem as pessoas que estavam nela.
- Você não vai gostar nada disso, Malfoy, mas acho que temos um lugar e companhias para passarmos a tarde.
- Temos? – Draco estava curioso, procurando o lugar exato onde os olhares dela estavam.
Ao fazer isso, sua visão caiu direto nas pessoas que menos desejava encontrar ali, naquele momento.
- Nem pensar, Granger! – Draco se adiantou, negando com a cabeça e se recusando a caminhar. - Eu disse que você podia se juntar a eles se quisesse, mas eu não.
- Por favor, Malfoy. Só alguns minutinhos, vai ser perfeito se jogarmos. – Tentou persuadí-lo.
Podia não funcionar, mas esperava que funcionasse. Ao longe, Hermione podia ver Simas acenar com as mãos chamando-a para se aproximar, e os rostos de indignação de Harry e Rony.
- Agora você só pensa em jogar mesmo? – Draco estava irritado por estar caminhando em direção à lanchonete.
Esse jogo teria de valer muito a pena, afinal, era seu sábado e sua reputação que estava em jogo. Se aproximaram da mesa e foram recebidos muito calorosamente por Simas, enquanto Harry, Rony e Gina não diziam uma única palavra.
- Hey, Mione. – Simas estava animado.
- Oi, Simas!
- Quer se juntar a nós?
Hermione dá uma olhada em volta e fingindo estar envergonhada, tenta não parecer muito fácil, de primeira.
- Er... talvez não seja uma boa idéia.
- Ah, Mione, eles nem vão se importar. – Simas tentou tirar graça da situação, mas tudo o que recebe são olhares de fúria.
Sorrindo, Hermione encoraja Draco, ao seu lado e ainda de mãos dadas, a se juntar a ela e os outros. Draco estava visivelmente desconfortável e detestando a presença de Harry e, ainda mais, de Gina.
- Olá Rony, Harry, Gina... – muito superficialmente, Hermione os cumprimenta.
- Estavam... passeando? – Gina interrompeu, muito curiosa e raivosa.
- É, estávamos. – Hermione tentou parecer simpática.
- Pensei que tivesse dito que viria a Hogsmeade com a gente, Hermione. – Rony tomou a palavra, com olhares profundamente magoados.
Odiava quando Rony a fazia sentir-se assim: tão culpada.
- Er... desculpa, Rony. Houve um... imprevisto.
- Claro! Nos trocou por um sonserino de novo.
Rony parecia se divertir fazendo-a sentir daquele jeito, tão deprimida e culpada. Rony era o seu mais sincero amigo, ao menos o único que ainda não havia magoado seus sentimentos, embora Hermione fizesse isso com ele muito constantemente.
- Mas vestidos de baile são imprevistos bem importantes, sabe... – Hermione sorriu, entregando os pontos.
Só então Gina entendeu o diálogo mais cedo entre Hermione e Draco, ainda em Hogwarts. Era sobre o vestido do baile que eles “discutiam”. Gina sentia-se horrível, agora, imaginando que Draco estava representando o papel de namoradinho, comprando vestidos e provavelmente dando palpites. Na realidade, havia sido exatamente isso que havia acontecido. Draco estava rígido em seu banco, ao lado de Hermione, completamente deslocado entre os grifinórios. Por vezes recebia olhares fuziladores de Harry e se controlava para não avançar sobre ele e mostrar quem realmente estava no comando.
- Então você vai levar a Mione pro baile, Malfoy? – Rony interrompeu o silêncio.
- Não é um baile de casais. – Draco se apressou, se espremendo mais ao lado de Hermione.
- Mas ninguém vai sozinho a um baile. – Rony insistiu, curioso com atitude de Draco.
- Mas não é um baile de casais, e isso não me impede de encontrá-la por lá. – Draco insistiu também, já irritado.
Hermione esperava seriamente que aquele diálogo não se transformasse em nenhuma discussão do tipo sangrenta. Percebendo que Draco estava tenso no assento ao seu lado, Hermione tentou acalmá-lo, procurando pelas mãos dele e entrelaçando uma delas. A prova de que Draco estava mesmo tenso e possivelmente sendo dominado por alguma raiva ou coisa do gênero, era o fato de que ele não havia nem ao menos estremecido com o contato das mãos de Hermione sobre as suas.
- Você vai deixar a Hermione ir sozinha ao baile, Malfoy? – Harry resolveu se intrometer, fitando-o sério.
Draco estava furioso, toda aquela repetição de perguntas a respeito do baile. O fato de Harry ter se intrometido naquela conversa o irritava ainda mais e era visível o erro que o mesmo havia cometido em querer dirigir a palavra à Draco.
- Eu posso levá-la ao baile se quiser, Mione. – Rony interrompeu o momento fúria.
- Não é um baile de casais! – Draco repetiu entredentes,pausadamente, fitando Rony coberto de raiva.
Simas, até então calado e assustado com o rumo de todo o diálogo, estremeceu com o tom de Draco e a raiva tão visível em sua expressão.
- Isso é completamente indiscutível: com quem vou ou deixo de ir ao baile. – Hermione pressionou sua mão mais fortemente à mão de Draco, encerrando aquela discussão.
- Mas não é um baile de casais, Granger. – Draco se direcionou a ela, agora sussurrante e tentando manter um tom de voz mais tranqüilo.
Rony tinha, agora, o rosto coberto de raiva e irritação, enquanto Harry tentava esconder isso. Hermione estava impaciente com aquela situação, se culpando por ter cometido a bobeira de achar que se juntar a eles todos seria interessante. Quando, na verdade, isso só os estava irritando ainda mais.
Mas, parando para pensar a respeito, Hermione não entendia ao certo porque não poderia ser levado ao baile por Draco, mesmo que não fosse realmente um baile de casais. Resolveu tentar entender esses fatos, virando-se o bastante para fitá-lo nos olhos e retirar de seus olhares as respostas para suas perguntas. Ao fazer isso, Hermione notou que ainda segurava a mão dele, quase tão fortemente quanto antes e, diante disso, afrouxou o aperto de forma que se tornou reconfortante ter a sua mão atada a dele.
Draco retornou os olhares a Hermione, entendendo perfeitamente bem quais as dúvidas dela.
- Eu não posso! – Draco respondera, sério.
- Por quê? Só uma boa razão...
Gina prestava atenção especial à conversa, enquanto Simas tratava de distrair os mais raivosos daquela mesa.
- Não posso. Isso não ajudaria em nada. – Draco tentou parecer o mais convincente possível em suas respostas.
Mas Hermione não estava suficientemente satisfeita com elas. Podia entender o que significava o “não posso” de Draco, mas teria de confirmar essa suspeita. Foi então que moveu uma mecha de seu cabelo para frente, formando sobre sua face uma franja falsa, e movimentando-a como se estivesse tentando esconder algo. Draco pareceu entender perfeitamente bem o gesto.
- Exatamente. – confirmou, sorrindo para Hermione.
- Acho que esquecemos de discutir esse tópico importante. – Hermione devolveu sua mecha de cabelo para onde estava antes, muito desanimada.
Era Pansy o que impedia Draco de levá-la ao baile. E Hermione queria simplesmente que a sonserina não fosse o problema. Era suficientemente deprimente saber que Pansy era a garota que mais tinha Draco em toda Hogwarts.
Nesse exato momento, ainda indignada, Hermione deixou seus olhares vagarem para longe da lanchonete e cairem justamente sobre uma visão ao longe. Era Alan, acompanhado da pessoa que Hermione sinceramente não desejava poder encontrar tão cedo. Tudo pareceu tão claro pra ela naquele momento, entendeu que a Pansy significava algo para Draco.
- Pode ir, Malfoy. – virou-se pra ele, notando que Draco também havia percebido a presença dos amigos.
- Tem certeza?
- Absoluta, vou ficar bem. – e sorriu, tentando ser convincente.
Draco sorriu de volta, aproximando-se do ouvido de Hermione e sussurrando só para ela.
- Vai sobreviver?
- Espero que sim. – e sorriu novamente, agora não muito contente.
Os sonserinos ainda não haviam notado Draco, e ele sinceramente esperava que não o notassem. Era deprimente já estar ali com um bando de grifinórios, e seria ainda mais se seus amigos presenciassem isso. Draco não ousou direcionar mais nenhum olhar sequer na direção dos outros, nem mesmo na direção de Gina, que estava bem a sua frente. Simplesmente baixou seu olhar nas mãos que ainda estavam entrelaças e, Hermione percebendo isso, afrouxou ainda mais seu aperto, permitindo que Draco se afastasse. Mas antes disso ele depositara um beijo selado em seus lábios, muito depressa.
- Te vejo em Hogwarts.
E Draco simplesmente se afastou, seguindo na direção de seus amigos sonserinos. Hermione o observou se afastar ao longe, sem nem mesmo se dar conta de que todos na mesa a estavam observando também. Os olhares de Hermione estavam vagos, como se estivessem magoados com algo. E talvez essa reação de mágoa tenha surgido no momento em que percebeu Draco se aproximar de Alan e cumprimentá-lo com um toque de mãos e, quando próximo a Pansy, percebeu que a mesma mão que estivera segurando atada à sua ,desde o momento em que estiveram juntos na charrete até segundos atrás, agora estava entrelaçada à mão de Pansy. Todos os três caminhavam entre as pessoas seguindo em uma direção que Hermione sabia aonde daria.
Não podia culpá-lo, aquele namoro era de mentira afinal, mas ele havia conseguido estragar seu dia vacilando daquela forma, permitindo que ela presenciasse aquela cena amorosa com a Pansy.
Passados alguns minutos, Hermione era a mais quieta da mesa e só respondia as perguntas que lhe eram feitas. Seus pensamentos vagavam sem rumo, imaginando o que os três sonserinos estariam fazendo naquele momento. O que exatamente Draco e Pansy estariam fazendo? Hermione tinha uma boa idéia em mente. O que, na verdade, ela gostaria de poder fazer com ele.
- Er... vocês se importam se eu... der uma saidinha? – Hermione interrompeu uma conversa.
Sem antes mesmo de receber uma resposta, já estava de pé e se posicionando para fora da mesa.
- Mas, Hermione... – Simas ainda tentou impedi-la, em vão.
--*--
Aquilo havia sido o suficiente para estragar seu dia, definitivamente. Estava detestando Draco mais do que a qualquer um, por ele ter sido tão descuidado e a feito presenciar aquela troca de afeto entre ele e Pansy. Havia muito o que discutir sobre esse tópico importante: Pansy Parkinson. Ela seria uma incógnita dali para frente, afinal, Hermione seria oficialmente a namorada, mas Draco não abriria mão de Pansy, isso ela tinha absoluta certeza! Só não gostava de admitir para si mesma.
Hermione caminhou por alguns longos minutos seguindo o mesmo caminho que havia visto os sonserinos seguirem, sabia para onde estava indo e não se importava de voltar até lá. Seus passos eram sorrateiros, havia um nó em sua garganta e ela desejava que esse nó não significasse nada muito estúpido da qual ela fosse se arrepender mais tarde.
Ao chegar ao final do caminho, teve certeza de que era ali que eles estavam: A casa dos Gritos. O ponto de encontro sonserino, provavelmente o ninho de amor de Draco e Pansy. Sobre a ‘festinha’ que Draco havia comentado, Hermione não achava que pudesse haver alguma festinha acontecendo no interior da casa naquele momento, tão sombria, solitária, por detrás das cercas de madeira.
Resolveu ficar ali por mais alguns minutos, um tempo para ela mesma, pensar sobre sua vida, seus problemas, suas dúvidas e seu novo vestido para o baile. Foi quando sentiu uma lágrima escorrer por suas bochechas. Se não tivesse sentido cócegas com ela, não teria nem mesmo se dado conta de que estava em prantos.
As lágrimas escorriam cada vez mais e já começavam a embaçar sua vista, mas não o suficiente para que seu foco ainda estivesse vivo em sua visão. Era Draco quem estava em sua visão, mas ele deveria estar bem distante dela naquele momento, entretido em coisas melhores e mais interessantes, enquanto ela derramava aquelas lágrimas por ele. Podia jurar que era por ele que estava em prantos, por uma razão que desejava poder decifrar. Mas não havia razão, as lágrimas escorriam espontâneas. Estava ferida, magoada? Sim! Estava triste, deprimida, solitária? Sim! Estava sentindo o coração palpitar forte com aqueles pensamentos, estava sentindo arrepios e borboletas no estômago? Sim! Sim! Sim! Estava sentindo o nó em sua garganta se apertar cada vez mais, e mais? Sim! E o que tudo isso significava?
- Hermione, você está chorando?
Hermione respirou fundo uma única vez, limpando as suas lágrimas com a palma de sua mão e tentando não fitá-lo e não mostrar sua repentina fraqueza.
- O que faz aqui, Harry?
- Eu quem pergunto, Mione, por que está chorando?
Harry se aproximou de Hermione, o suficiente para estar cara a cara com ela agora. Hermione tentou evitar fitá-lo diretamente nos olhos , pois acabaria por denunciar suas lágrimas. Mas suas tentativas foram em vão, pois Harry havia conseguido erguer sua face e fazê-la encará-lo.
- Aconteceu alguma coisa, Mione?
- Não, tudo bem. – mentiu, limpando os resquícios de lágrimas.
- O que ele fez com você?
- Não fez nada, Harry. – Hermione tentou afastá-lo. - Eu que sou uma boba mesmo.
- Por que está dizendo isso? – Harry se aproximou ainda mais. - Não gosto de ver você chorando.
- Logo você que já me fez chorar tanto, Harry?
Era inevitável, Hermione sempre deixava escapar uma dessas indiretas.
- Não faça me sentir pior do que já estou, Hermione.
E dito isto, Harry quebrou todo o tipo de espaço que havia entre eles, juntando seu corpo colado ao dela, enquanto ainda segurava sua face transbordando em lágrimas.
- Pare com isso, Harry.
- Está esperando por ele.
- Não. – Hermione tentou afastá-lo, em vão.
- Então não tenho com o que me preocupar.
Harry sorria, enquanto também ajudava Hermione a limpar as lágrimas que escorriam desajeitas por sua face. Hermione não gostava disso, simplesmente sentia nojo de Harry, mesmo que seu coração ainda batesse forte por ele, mas tudo o que mais queria era distancia dele, de quem a havia feito sofrer tanto.
- Pare, Harry. Não gosto disso.
Harry não deu a mínima para os pedidos de Hermione, simplesmente continuou seu diálogo.
- Vocês estão... namorando?
- Não sei. – Hermione franziu o cenho, diante da indagação inesperada.
Harry sorriu com a resposta, era tudo o que mais desejava ouvir.
- Por que está com ele, Mione?
- Pare, Harry.
- Você não o ama, Mione... – havia sido uma constatação...
- Não, talvez não. Mas ele me faz esquecer de muitas coisas e pessoas, sabe...
- Então é por isso que estão juntos? – Harry acariciou um dos lados de sua face, fitando-a fundo nos olhos, com sua voz sussurrante.
- Eu gosto dele, Harry.
- Não consigo acreditar nisso.
- Então não acredite. – Tentou afastá-lo, mais uma vez, inutilmente.
- Você ainda me ama, quase tanto quanto eu ainda também te amo, Hermione.
Antes mesmo que Hermione pudesse lutar, Harry já havia colado seus lábios ao dela e os pressionava ferozmente, sedento por aquilo. Era o beijo que provara há tanto tempo e que já parecia não lembrar muito bem do gosto de verdade. Hermione espalmava suas mãos nos peitos de Harry lutando para afastá-lo de si, mas tudo o que Harry fez foi segurar seus pulsos fortemente e pressionar o corpo de Hermione contra o seu, de forma que seus braços não pudessem se mover. A única alternativa que lhe restava era abrir espaço para que Harry se aprofundasse no beijo e, quando satisfeito, a soltasse e a deixasse em paz. Mas Hermione não permitiria, não sabendo que aquele beijo não era sincero. Havia uma grande diferença entre os beijos de Harry e os de Draco. Ela permitia que Draco aprofundasse seus beijos em sua boca porque algo, no fundo, lhe dizia que aqueles beijos eram desejados. Mas Harry simplesmente a beijava porque gostava de marcar território e coisas do tipo. Foi então que Hermione decidiu que não facilitaria para ele. Harry estava impaciente, lutando para manter os braços de Hermione inflexíveis, e lutando para que ela o deixasse explorar sua boca. Mas era tudo uma dança nada ritmada de lábios apenas, com lágrimas, lágrimas de Hermione que jorravam sem controle.
- Oww ... Muito bonito... Santo Potter.
A voz tão familiar para Hermione, era quase se a estivesse ouvindo apenas em seus pensamentos. Mas não, ele estava ali, bem diante deles e batia palmas ironicamente.
Harry soltou Hermione no mesmo instante, virando-se depressa na direção de Draco e garantindo sua defesa caso ele se utilizasse da força.
- Você tem um minuto pra sumir da minha frente, Potter, ou eu revido aqueles socos agora mesmo. – Draco tinha a voz carregada de irritação.
- Não, Malfoy. Por favor... – Hermione implorava, sem se dar conta de suas lágrimas.
- Ridículo. – Pansy dissera.
Foi quando Hermione notou, pela primeira vez, que Pansy e Alan também estavam ali. Pansy tinha uma expressão horrível, não conseguia decifrar ao certo, mas também não conseguiria mais, afinal, Pansy já estava se retirando dali.
- Você já revidou, Malfoy. – Harry tinha uma voz amedrontada.
- Ah, mas só um deles, Potter.
Draco mostrava seus pulsos fechados, amedrontando Harry ainda mais, enquanto ia se aproximando dele. Harry recuava cada vez mais. Alan estava bem ao lado de Draco, dando-lhe apoio.
- Tá esperando o quê, Potter? Gosta de suspenses, é? – Alan resolveu atiçá-lo também.
E, percebendo que com dois não teria muita chance, Harry se afasta dali,andando em passos rápidos para longe. Alan soltou um riso divertido, mas quando percebeu que Hermione ainda estava ali, entre lágrimas e soluços, encostada em uma pedra consideravelmente grande, percebeu que mesmo que insistisse em ficar, Draco daria um jeito de tirá-lo de lá. Então partiu por conta própria, mesmo sabendo que estava facilitando muito as coisas para Draco.
- Eu não vou discutir a não ser que você jure que o que eu vi foi você sendo beijada a força, Granger.
Draco se aproximou de Hermione, ficando frente a frente com ela e ponderando se deveria consolá-la ou não. A única coisa que desejava fazer era dá-lhe um sermão sobre como ela não deveria permitir que Harry a usasse daquela forma.
Hermione não conseguia fitá-lo, tinha os olhos embaçados de lágrimas e elas escorriam por todo o seu rosto. Era o seu choro mais sincero e mais carregado. Mas tinha certeza de que Draco estava ali, bem a sua frente, pois podia ouvir a respiração do mesmo. E, com essa certeza, Hermione despencou sobre o peito dele, abraçando-o pela cintura com força e não se soltando dele por nada.
Draco não entendia, sabia que devia haver uma razão maior por trás daquele choro desesperado, e não podia deixar de sentir um tipo de preocupação por ela. E, por isso, retribuiu ao abraço, entrelaçando-a em seu corpo e permitindo que ela chorasse ali.
- Eu não consigo... deixar de me sentir assim, Maloy... tão vazia. – dizia, entre soluços.
- Você não andou se alimentando, Granger? – Draco tentou animá-la, mas não foi o suficiente.
- Malfoy! Eu não consigo evitar. – Disse entre soluços, enquanto ela o apertava firme em seu corpo - Eu só queria poder impedi-lo de fazer essas coisas comigo.
- Você pode, talvez só não queira. – Draco acaricia-lhe os cabelos, tentando consolá-la.
Se Draco estava fazendo a coisa certa, não sabia, mas era o seu máximo.
- Eu quero... tirá-lo da minha vida.
- Se você não consegue impedi-lo, não se preocupe, eu faço isso por você. – Disse deixando um riso escapar de seus pulmões, esperando que isto a tranqüilizasse de alguma forma.
Sem que nem mesmo esperasse funcionar, sentiu-se realizado por aquele dia.
- Obrigada. - Hermione sussurrou,enquanto Draco a ajudava a secar todas aquelas lágrimas.
-----*-----
A volta a Hogwarts não havia sido a das melhores, na verdade, havia sido suficientemente dolorosa. Hermione ainda tinha os olhos inchados pelo choro desesperado e muitos soluços engasgados em sua garganta. Tentava evitar as lembranças do beijo que Harry havia lhe roubado aquela tarde, mas era inevitável, tinha a imagem e o gosto muito vivo em seus pensamentos, mesmo que não tivesse retribuído.
Draco e Hermione passaram aquele restante de tarde vagando pelas ruas pouco habitadas de Hogsmeade, na maior parte do tempo calados e pensativos. Hermione não tinha muito o que comentar, estava evitando pensar nas desgraças de sua vida e, principalmente, evitando pensar no que seu futuro “namorado” estivera fazendo na casa dos gritos com Alan e Pansy. Sim, Pansy representava perigo para ela, mas havia muito mais por trás disso. Desde a briga deles naquele mesmo povoado, semanas atrás, Hermione estava incrivelmente contente por ter conseguido causar uma desunião entre eles, mas agora parecia tremendamente descontente por saber que com uma capacidade monstruosa eles estavam se reconciliando.
Draco também não estava muito contente por ter presenciado um beijo entre sua futura “namorada” e o cara que detestava até sua última gota de sangue. Mas também evitaria fazer comentários a respeito, caso não quisesse que Hermione encharcasse ainda mais sua camisa.
Durante boa parte do percurso da charrete que os levava de volta para o castelo nenhum dos dois ousou falar muito, estavam atordoados demais para qualquer tipo de inicio de diálogo. E quando já estavam próximo aos limites da escola Draco tentou quebrar o silêncio mesmo que muito relutante quanto a isso.
- Ainda acho que irmos ao baile separados é o melhor que podemos fazer, Granger. – sua voz saíra rouca e soou muito grosseira.
- Estou com medo, Malfoy.
Hermione tinha os olhares cravados em seus pés e algumas lágrimas ainda insistiam em lutar arduamente para escaparem de seus olhos.
- De mais assédio do Potter? – Draco a fitou muito divertido, tentando animá-la mais uma vez. - Talvez você devesse manter mais distância dele, sabe, ajuda.
- Não é disso que estou falando, é do baile, do nosso acordo não dar certo.
Por fim, Hermione o fitou nos olhos e a troca de olhares os causou um desconforto que imaginavam que não voltariam a sentir tão cedo.
- Como você é otimista, Granger. Se não funcionar eu vou culpar você por isso. – sorriu, amigável.
A castanha ainda não conseguia entender porque tinha sempre de sentir o chão se afundar debaixo de seus pés quando o tinha sorrindo bem a sua frente. Só foi capaz de retribuir ao sorriso, mesmo que muito discretamente e desviando os olhares em seguida.
Por fim, chegaram aos limites da escola e se encaminharam para os jardins. Era final de tarde e ainda havia sol, embora seus raios de luz se enfraquecessem a cada novo minuto. Hermione ainda estava completamente deprimida e envergonhada por suas fraquezas, mas estava conseguindo esconder isso.
Estava tudo uma completa desordem em seus pensamentos. O dia havia sido produtivo, em sua maioria, mas, ao mesmo tempo , aquele dia em Hogsmeade havia significado um caos em suas vidas. Hermione estava agora completamente atordoada com seus sentimentos, procurando respostas para perguntas que estavam martelando sua cabeça. O ódio aflorava em sua pele, ódio por Harry tê-la beijado a força e não permitido nenhuma oportunidade de defesa, mesmo que ela não tenha retribuído em momento algum. Estava novamente confusa pelo o que ainda sentia por ele, se ainda o amava ou se esse sentimento já não lhe pertencia mais. E, mais do que isso, o que exatamente estava provocando o sentimento de desgosto por ter presenciado um segurar de mãos entre Draco e Pansy?
Caminhavam em passos lentos pelos jardins em uma procissão de alunos completamente eufóricos por mais uma tarde no povoado. Mas Draco estava desviando seu caminho de forma que nem mesmo Hermione havia percebido isso. Quando se deu conta de que já estavam fora do emaranhado de pessoas, Hermione resolveu indagar-lhe:
- Pra onde estamos indo, Malfoy?
- Lembra da tarde longe do Potter? – ele respondeu depressa.
- Ah, Malfoy, não é uma boa idéia. Por que não adiamos?
Definitivamente, Hermione não estava em seu melhor humor para uma tarde daquelas. Por isso, interrompeu sua caminhada e fez menção de dar-lhe as costas e seguir de volta para o castelo. Mas Draco a impediu a tempo disso, segurando sua mão firme.
- Nem pensar, Granger, é só deixar que o cicatriz enlouqueça com a sua ausência.
- Tudo bem. – resolveu ceder, muito desanimada para a ocasião. - Mas pra onde vamos?
- Eu conheço um lugar. – e sorriu, guiando-a para o lado oposto aos jardins.
- Preciso avisá-lo, Malfoy: eu não costumo ser uma boa companhia.
- É mesmo? – fitou-a surpresa, embora não estivesse nem um pouco surpreso - Que bom, porque eu também não sou.
E, mais uma vez, ele havia conseguido fazê-la sorrir com mais uma de suas pérolas, aqueles comentários aparentemente tão sem graça. Caminharam rumo aos fundos do castelo, agora Hermione sabia onde realmente estava.
- Eu já conhecia esse lugar, sabe... – a castanha comentou, observando a vegetação em volta dela.
Agora, definitivamente, Draco estava surpreso. Não imaginava que muitas pessoas conhecessem aquele lugar, ficava tão próximo da floresta e poucas pessoas tinham realmente coragem de se aventurar por ali. Mas era um lugar realmente muito interessante, muitas árvores e flores espalhadas por todos os lados e um córrego sobre o qual havia uma ponte de madeira muito velha, mas resistente ao tempo.
- Eu costumava vir aqui para chorar... – Hermione notou a expressão de surpresa em Draco.
- Definitivamente, você é deprimente, Granger.
E dizendo isso, Hermione sorriu mais uma vez. Caminharam diretamente para o centro da ponte e sentaram-se nela como quem simplesmente não tinha nada de mais interessante para fazer. Era uma vista interessante, das águas turbulentas do córrego abaixo de seus pés e das árvores que o cercavam.
Draco procurava não demorar muito em seus olhares observadores em Hermione, mas o tempo que demorava era o suficiente para perceber as horripilantes olheiras que estavam se formando nos olhos dela e o quanto suas bochechas estavam rosadas pelo choro excessivo aquela tarde. E, lembrando disso, sentiu-se a ponto de correr até Harry e estrangulá-lo até a morte, pelo atrevimento. A castanha, por sua vez, tentava evitar que essas lembranças vagassem por seus pensamentos. Deu uma espiada em Malfoy precisou suspirar por alguns longos segundos: ele estava mesmo exuberante aquela tarde. Como não havia constatado isso antes?
A escolha do vestido definitivamente havia sido a parte do dia mais hilária, pois havia comprado o mais improvável de todos, e justo o que Draco havia escolhido para ela. Aquilo era um tanto absurdo, mas agora estava conseguindo encontrar alguma simpatia naquele sonserino ao seu lado. Sorriu deste pensamento.
- Pode conversar comigo, se quiser. – Draco disse, ouvindo o suspiro dela.
Hermione aproveitou o momento para olhá-lo de perto e com cautela, tratando de esboçar uma expressão falsa de desentendimento, estava só se aproveitando da situação para apreciar os cabelos louros perfeitos que caiam sobre seus olhos e mesmo aquele corpo escultural um tanto másculo para o magricelo que ele sempre fora.
- Não quer conversar, certo?! – Draco constatou, enviando-lhe um olhar deprimido.
- A Parkinson te perdoou?
Por essa Draco não esperava, e um sorriso em seus lábios foi a prova disso.
- Eu não faço a menor idéia.
- Certo, Malfoy, vou ser bem direta. – Hermione o fitou profundamente.
O que estava acontecendo com ela, afinal? Aquele assunto não deveria importar tanto, mas havia um tópico importante ali a ser tratado, como havia mencionado antes. Draco a fitava, agora, curioso pelo o que exatamente a castanha diria a ele tão diretamente.
- Você ainda tem ficado com a Parkinson, certo?
- Por que isso? – Draco estava começando a se irritar com o atrevimento.
- Eu sei que ainda estão juntos. – e respirou fundo, esperando que ele concordasse.
- Não é nada demais, Granger.
E ele concordou, com a voz muito fraca e querendo realmente passar algum tipo de tranqüilidade ao fato.
- Faça as coisas certas, Malfoy.
- Esse namoro é de mentiras, Granger. – Draco sorriu, fitando-a curioso mais uma vez.
- Mas Hogwarts não pode saber disso.
- Ah... – finalmente, parecia ter entendido o que realmente ela estava tentando dizer. - Pansy não vai contar nada a ninguém.
Hermione não estava suficientemente satisfeita com aquilo, na verdade, acreditava muito pouco que Pansy não contasse nada a ninguém. Aquele acordo era muito mais complicado do que deveria ser, haviam tópicos ainda não discutidos e era evidente que ao menor descuido ,aquele acordo iria por água abaixo.
- E aquele beijo do Potter? – Draco a interrompeu em seus pensamentos.
- Ele se aproveitou, Malfoy... – sua voz era baixa, e os olhares dispersos.
- E você retribuiu?
- Não! – exaltou, fitando-o séria.
- Faça as coisas certas, Granger. – Draco retribuiu, sorrindo irônico.
Aquela conversa estava seguindo rumos errados, estava quase se transformando em mais uma das tão constantes discussões. Não tão constantes assim, visto que aquelas últimas semanas foram realmente muito produtivas. Estavam já quase se simpatizando um com o outro... aturando um ao outro.
Permaneceram mais alguns minutos em silêncio, observando a correnteza abaixo de seus pés carregando as folhas das árvores que caiam.
- Mudei de idéia, foi chocho sim. – Draco quebrou o silêncio novamente, sorrindo.
Hermione pareceu se irritar com o comentário, já estava cansado desse tipo de discussão. Não era algo muito interessante de se fazer: discutir seus beijos.
- Eu sei que não foi. – e sorriu, certa do que estava dizendo.
E antes mesmo que Draco retribuísse o sorriso ou desse continuidade à discussão, ele já estava se aproximando perigosamente da castanha. Hermione não estava necessariamente preparada para aquilo, mas já havia tido traumas suficientes por aquele dia. Sabia que quando alguém (do sexo oposto, logicamente) se aproximava demais daquela forma, terminaria nos braços da mesma e retribuindo beijos que estaria desejando ou simplesmente relutando até o último suspiro.
Draco aproximou seu corpo do de Hermione e, puxando-a pela cintura, a trouxa ainda mais para perto dele, ignorando a total relutância dela.
- O que está fazendo?
Era quase uma súplica, Hermione sabia perfeitamente bem o que ele estava planejando, mas não sabia exatamente se estaria desejando ou relutando para impedi-lo. Tinha que pensar depressa, se queria ser beijada por ele ou se queria impedi-lo disso. Era uma indecisão justa, afinal, ele era um belo pedaço de mal caminho e estava, minutos atrás, completamente alucinada com essa constatação. Mas esse pensamento não era lógico o suficiente, aquilo não era certo, não havia razões maiores para aquele beijo, ou havia?
“Merlim... por que ele iria querer mesmo me beijar?”
- Não mostre nenhuma resistência, ok? – sua voz era rouca
Draco estava muito próximo dela e aquele hálito refrescante bloqueava todos os pensamentos dela, de forma que só conseguia pensar em uma coisa: não mostrar a menor resistência.
- Pare com isso. – ela tentou impedi-lo, como se isso fosse o que ela realmente desejasse.
- Fique sem defesas, Granger...
- Eu não posso. – sua voz saira baixa, novamente.
A castanha relutava para não desejar aquilo, mas aqueles lábios tão próximos dos seus estavam sendo uma tentação para ela. Tudo o que desejava era que ele acabasse com aquela tortura depressa, que não a fizesse se sentir mais culpada do que já estava. Culpada por permitir que ele a manejasse dessa forma.
- Você não tem que levar a sério, sabe, nada do que eu digo ou faço, Granger. – sua voz era ainda mais sussurrante.
A medida que ele a puxava para mais próximo de seu corpo, com as mãos apertando firme sua cintura, podia sentir a respiração de Hermione se tornar cada vez mais irregular. Mais do que isso, podia sentir o pulsar forte de seus corações e o desejo que estava emanando de seus lábios.
- Mas isso também não é nenhuma piada, Malfoy.
Hermione não podia esperar por uma reação pior com o seu comentário: Draco lhe esboçara o melhor sorriso do dia.
- Talvez seja.
E antes mesmo que pudessem recuperar seus fôlegos Draco já estava beijando-a. Com os lábios muito bem pressionados uns contra os outros, mãos firmes na cintura da castanha e, agora, um par de braços enlaçando, desesperados, o pescoço de Draco. Definitivamente, ela estava retribuindo.
Era um beijo rápido, por vezes se tornava lento e, em questão de segundos, se intensificava novamente. Alguma coisa estava mesmo acontecendo, Hermione não poderia estar retribuindo a um beijo daqueles. Estava fugindo dos acordos, mas era um desperdício não retribuir. Desde quando era pecado aproveitar aquela oportunidade? Ah... mas ele era seu namorado, de mentiras... teria muitos pretextos para repetir o ato.
Mas, por alguma razão, Hermione sentiu necessidade de interromper o momento e afastá-lo de si. Para isso, precisou empurrá-lo um tanto abruptamente, parecendo até mesmo grosseira. Draco não estava esperando por aquela reação, estava simplesmente concentrado em explorar seus lábios e sua boca, de modo que foi completamente surpreendido por um par de mãos o empurrando para longe.
- Ai, Malfoy. – Hermione levou uma das mãos ao lábio.
- Ow... desculpa. Eu te machuquei? – Draco tentou acariciar o local.
Havia sido pego completamente desprevenido e, com isso, acabou por morder o lábio de Hermione, involuntariamente. Sorriu diante da cena de uma Hermione com expressões nada expressivas e uma mão levada ao local da mordida.
(*HUAhua... ai um Edward ai em Ju?! Hau... ela ia se transformar rapidinho... ^^ obs.: ignorem a piada) (N/B:ahhh Cris nem me fale em Edward!kkkkk)
- Não, tudo bem, Malfoy.
- Não devia ter me empurrado desse jeito. – tentou esclarecer, aproximando-se dela novamente.
Draco retirou a mão da castanha que estava sobre o corte, nada muito monstruoso ou algo do tipo e, com seu dedo polegar, acariciou o local, provocando um arrepio evidente pela espinha de Hermione. Trocaram alguns olhares breves e quando Hermione estava prestes a protestar, Draco a beijou novamente. Agora muito delicado, tratando de controlar todo o fogo que o estava consumindo. Quando, de repente, uma gota de água muito fria caiu direto em suas faces, interrompendo o beijo mais uma vez. Draco sorriu presumindo o que estava prestar a vir.
- Isso não foi legal. – a voz de Hermione saiu sussurrante.
Estava, agora, completamente inebriada com o sabor dos beijos dele, sentia seu fôlego voltar aos poucos, mas ainda estava sedenta por mais beijos. Com isso, voltou a fixar seus lábios nos dele, obrigando-o a dar espaço para sua língua explorar o campo agora já tão bem conhecido por ela. E novas gotas de chuva voltam a cair sobre eles, embora houvesse uma quantidade considerável de árvores sobre suas cabeças.
Draco se viu obrigado a interromper o beijo, muito a contragosto, mas sorriu ao perceber que era justamente esse o sentimento de Hermione quando, agora, ele se afasta dela.
- Melhor voltarmos, Granger.
Tinham tempo suficiente de voltar para o castelo e escapar da chuva que estava por vir. Hermione não protestou.
Seguiram em passos rápidos de volta para os jardins de Hogwarts, observando as pessoas que estavam lá correrem apressadas para a entrada do castelo, fugindo das gotas agora maiores e em maior quantidade. Draco sorriu, observando Hermione tentar apressar ainda mais seu passo, sem obter muito sucesso, já que ele era muito mais rápido do que ela.
Foi quando segurou sua mão e a incentivou a tentar seguir seus passos.
O que havia acabado de ocorrer entre eles era algo que ainda teriam tempo para pensar a respeito. Não que significasse que encontrariam respostas para aquela troca de beijos, mas era uma tentativa.
- Ei, Granger... você tá me obrigando a fazer isso. – Draco sorriu, interrompendo sua caminhada.
O jardim já estava quase completamente desabitado. Hermione não entendeu, mas tentou protestar quando percebera uma movimentação estranha da parte dele. E quando se deu conta já estava nos braços de Draco e sendo carregada com muita facilidade de volta para o castelo.
Alguns risos e protesto, mas estava gostando de ser carregada nos braços do “seu belo pedaço de mau caminho”.
- Sabe quantas garotas dariam qualquer coisa por isso? – Draco tentou tirar graça da situação.
- Hogwarts inteira. – e sorriu, fitando-o, completamente surpreso. – E eu sou a única que está relutando com a idéia.
Draco sorriu, novamente, ajeitando-a no colo e quase fazendo menção de beijá-la novamente.
- Você se acostuma com isso. Eu prometo.
E mais uma nova onda de risadas.
Realmente, havia uma parte Malfoy e uma parte Granger que eles estavam descobrindo agora: o lado simpático de cada um deles.
Algumas pessoa já haviam percebido a cena e riam divertidas observando uma Hermione sendo carregada por Draco. Aquilo não era nada divertido para ela, na verdade, estava morrendo de vergonha por isso. E, pela primeira vez, Draco não estava preocupado em manter sua reputação.
Já estava quase noite, o jardim estava iluminado simplesmente pela luz da lua cheia ao longe.
*
- Certo, continue nas dietas, por favor. – Draco sorriu, colocando-a de volta ao chão.
Dentro do castelo era sempre incrivelmente quente e... seco!
- Há!! Você é tão engraçado, Malfoy.
Hermione ajeitou sua saia e tentou secar o pouco que havia se molhado com os chuviscos.
- Ok, Granger. Agora some da minha frente. – Draco usou um tom divertido, controlando sorrisos. – Já tive doses suficientes de Hermione Granger por hoje.
Não era a coisa mais romântica que um cara poderia dizer à garota com quem passou quase um dia inteiro em Hogsmeade, quem pagou caríssimo por um vestido para o baile do dia seguinte, quem havia a defendido de um ex-namorado completamente paranóico e maníaco sexual e, principalmente, o cara que a havia beijado por duas vezes (ou mais): o beijo mais caloroso e mais retribuído de todos. Hermione esperava só que ele não dissesse que aqueles também haviam sido chochos. Mas Draco sabia que nenhum dos beijos que já havia trocado com ela até agora haviam sido chochos.
Hermione sorriu e se afastou, acenando com a mão enquanto desaparecia pelos corredores.
Por que estavam se sentindo tão bem?
CONTINUA
N/A: finalmentee... o resto do cap. postado!!!!! Aeww... o que vcs acharam? Merlim, eu não estava botando fé no cap., mas depois dos elogios, mudei de idéia!! Agora é só esperar o prox. neh?! hAU.. eu prometo qu faço isso o mais rápido q eu puder... mas vamos chegar nos 500 comentários primeiro! HAUa brincadeiraa... COMENTEM. EU IMPLO! bjus gente
N/B: Ahhhhhhhhhhhh meu Deuuuuuuuuuuuuuus!!!!!!!O que foi isso???????????????????????????????Tô morrendo aqui com esse capítulo!!!!!!!Por Merliiiim!!!!!!!!!!!!!Agora quem quer outro sou euuu!!!Viu só Cris se vc tivesse esperado mais um pouquinho eu te devolveria o cap ainda hojee(domingo)....Menina , comecei a ler e me empolguei e não consegui para mais!!!Esse capítulo ficou DEMAIS!!!!!Não acham meninas????E aí , o que vocês vão fazer??????COMENTAR EH CLARO!!hahahahaha...Beijocas a todos !!! Ju Fernandes
P.S.: desculpem por eu não responder os comentários individualmente, tô meio sem tempo agora! Mas eu quero agradecer MUUUITOOO tds os comentários... todos mesmo! VALEU GENTE... ADORO VCS!
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P.S.S.: alguém gosta de Snape/Hermione? HAU \o/ pq eu gosto! Se alguém gosta, e quiser dar uma lida... eu postei uma fic SS/HG... antiguinha! Hehe
Aqui o link:
http://fanfic.potterish.com/menufic.php?id=29907
bju gente... adoro vcs! ^^
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