Alicia jogou-se, irritada, numa poltrona no salão comunal. Tomou um susto quando a voz de Thomas quebrou o silêncio.
- Parece que a irritação é contagiosa... - Ele sorriu.
- Ah, oi Tom. Não tinha te visto, desculpa.
- Sem problemas, eu também estava concentrado em xingar alguém. Algum problema no dormitório?
- Susan Fletcher. - Alicia olhou o garoto. - Eu sei que é sua irmã, mas realmente ela tá perdendo a noção.
Thomas riu.
- O que aconteceu?
- Acredita que ela simplesmente acha que eu estou tentando seduzir o Richard Brettan? Por Merlin!
- Bom, e se tiver? O que ela tem a ver com isso?
Alicia percebera que quase falara demais.
- O fato é que eu NÃO estou. Nós somos amigos! Será que uma menina não pode ser amiga de um menino sem que os outros pensem besteira? Aff!
- Calma, Aly. Logo vocês se acertam. É sempre assim, né.
- É, eu sei. Mas eu fiquei realmente chateada... - Suspirou. - E você? O que aconteceu?
- Um mal entendido com a Christie... Mas nada que não se resolva. - Ele sorriu.
- Ah... - Alicia quase sorriu. - Boa sorte.
- Obrigado, Aly. - Thomas se levantou. - Acho melhor eu ir dormir. E se fosse você faria a mesma coisa. Boa noite.
- Boa noite, Tom...
Alicia acabou seguindo o conselho do amado. Minutos depois entrava no dormitório, onde encontrou todas as cortinas fechadas. Fez o mesmo e dormiu.
Na manhã seguinte Alicia fora a primeira a acordar. Mal tocou na torrada que servira para si. Estava ansiosa para o primeiro tempo de aula. Quando o sinal tocou, o coração bateu mais forte. Entrou na sala sozinha e acomodou-se na frente. Não queria perder uma palavra daquela aula.
- Bom dia. - A voz arrastada do professor nunca soou tão agradável para a amenina. - Quero todos os trabalhos sobre a minha mesa.
Uma breve movimentação na turma para entregar os pergaminhos e logo se fez silêncio absoluto.
- Há cerca de cinqüenta anos atrás, um bruxo muito poderoso começou a reunir seguidores para propósitos maléficos. Aquele-que-não-nomeamos agrupou um exército e começou a colocar em prática seu terrível plano de dominar o nosso mundo. Porém, uma profecia mudou um pouco o rumo dessa história. Alguém pode me falar sobre ela?
Alicia foi a única que ergueu a mão.
- Senhorita Brooke?
- A profecia foi feita por Sibila Priscila Trelawney e referia-se a Voldemort e um garoto. Dizia que "Aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas se aproxima, nascido dos que o desafiaram três vezes, nascido ao terminar o sétimo mês, e o Lorde das Trevas o marcará como seu igual, mas ele terá um poder que o Lorde das Trevas desconhece, e um dos dois deverá morrer na mão do outro pois nenhum poderá viver enquanro o outro sobreviver, aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas nascerá quando o sétimo mês terminar.". Na época havia dois garotos que se encaixavam perfeitamente na descrição que a profecia fazia. Neville Longbottom era um deles. Mas por motivos que ninguém conhece, Voldemort preferiu o filho dos Potter. Então, foi até o esconderijo deles - que descobriu através de um traidor - e matou James e Lily Potter que, antes de morrer, fez um feitiço de magia antiga, conhecido como Praesidium Amoris. Harry Potter se tornou, então, o primeiro e único ser a sobreviver ao Avada Kedavra. Voldemort, naquela mesma noite, sofreu sua primeira queda, além de ter deixado parte de seus poderes como herança para o bebê Potter.
- Obrigado, senhorita Brooke, acho que posso continuar daqui. Vinte pontos para a Grifinória.
Alicia sorriu, satisfeita, e tornou a prestar atenção.
- O jovem Potter fora criado, então, pela única família que ainda tinha: a irmã trouxa da mãe. Aos onze anos, porém, recebeu a carta de Hogwarts e veio estudar aqui. Terminou os estudos e formou-se como auror. Poucos meses depois estourava a Guerra. Alguns de vocês estavam na barriga de suas mães quando isso aconteceu. Alguém aqui tem parentes que lutaram?
Novamente Alicia ergueu a mão, dessa vez acompanhada de mais três colegas, um grifinório e dois corvinais.
- Alguém tem parentes que participaram da Guerra sem lutar?
Susan, Katerine, Rafaela e mais cinco colegas ergueram a mão.
- Talvez alguns já saibam, então, o que aconteceu, mas vou contar outra vez. A Guerra durou uma noite e uma manhã, terminando com a morte do Lorde das Trevas pelas mãos de Harry Potter. Infelizmente, nosso herói foi encontrado morto no mesmo quarto que o Lorde. Ao que pareceu para os Medibruxos, não resistiu aos ferimentos. Junto dos dois foi encontrada uma mulher da Ordem e um Comensal. Alguém pode me dizer o que foi a Ordem da Phoenix?
Ninguém além de Alicia ergueu a mão.
- A Ordem da Phoenix foi um grupo coordenado por Albus Dumbledore que visava ir de encontro a Voldemort na Guerra. Dumbledore junto com Harry Potter e muitos outros, treinou exaustivamente até estarem todos aptos para combater as Trevas. Sabe-se que usavam um manto azul-marinho durante o combate e tinam como símbolo uma fênix prateada que confrontava a Marca Negra.
- Parece que alguém aqui está muito bem informada, mais dez pontos para a Grifinória. Continuando, desde a queda de Voldemort o nosso mundo vive em paz. Não mais do que poucos ataques foram vistos desde então, e esperamos que não seja preciso uma nova Ordem. Vou corrigir os trabalhos e entregarei na próxima segunda com as notas. Estão dispensados. E, senhorita Brooke, será que eu poderia dar uma palavrinha?
Todos os alunos saíram e Alicia pemaneceu sentada olhando o professor.
- Pude perceber que a Guerra é um assunto do seu interesse, enganei-me?
- Não senhor.
- Algum motivo em especial?
- Minha mãe lutou na Guerra. E, como ela não gosta de falar sobre o assunto, preferi buscar nos livros.
- Entendo. Qual o nome da sua mãe?
- Juliet Brooke, senhor.
O fantasma arregalou os olhos. Acabou sorrindo.
- Ah, sim, claro... Juliet Brooke, claro... Hehe. - Recolheu os trabalhos da mesa. - Se tiver alguma dúvida que eu possa tirar...
- Na verdade, tenho sim, professor. - Mal o professor terminara a frase, Alicia abrira os dois livros de capa preta na lista de combatentes. - Esses livros apresentam uma pequena diferença. A lista deste tem um nome a mais... Como não achei outras referências sobre essa pessoa... Acho que o senhor pode me dizer quem foi ele, não?
- Hum... Phillip Shields... Devo dizer-lhe que em quinze anos dando aulas sobre este assunto nunca ouvi esse nome, sinto muito.
Alicia olhou demoradamente o livro.
- Foi o que eu imaginei. - Guardou o material. - Obrigada, professor.
- Aly? Oi! - Chad aproximou-se quando a menina ia, pensativa, em direção as masmorras.
- Oi Chad, aconteceu alguma coisa?
- Não, não... - Ele riu. - É que amanhã vai ter o primeiro passeio pra Hogsmeade... Queria saber se você quer ir comigo.
- Hogsmeade? - Ela pensou por alguns segundos. - Ah, claro... Obrigada pelo convite.
- Obrgado por aceitar! Até amanhã! - E siau sorridente.
Alicia, enfim, retomava seu caminho para a aula quando fora, outra vez, parada por um setimanista.
- Aly! Estava precisando mesmo falar com você! - Richard, quase sem fôlego, trazia um pergaminho nas mãos.
- Calma, calma! Respira fundo e fala!
- Eu precisava que você me fizesse um favor... Tem a ver com a Susan...
- Nós estamos temporariamente brigadas, mas verei o que posso fazer. Do que você precisa?
- Brigadas? Foi mal, eu não sabia... Deixa pra lá, então.
- RICHARD! Diz logo! - Alicia sorriu. Eu gosto de ajudar os meus amigos.
- Ótimo, então! Eu queria que você entregasse isso pra ela, pode ser?
- Pode deixar, ela vai receber.
- Obrigado, Aly! Você é um anjo! - Richard beijou a testa da menina e saiu quase correndo, atrasado, pra aula.
Alicia suspirou. Já estava mais de dez minutos atrasada. Não queria ter que ouvir sermão do Snape. Além disso tinha muito o que pensar. A resposta de Binns ainda ecoava em sua mente.
"Devo dizer-lhe que em quinze anos dando aulas sobre este assunto nunca ouvi esse nome, sinto muito." |