A Guerra - Parte II // A Batalha
As ruas estavam desertas. Harry lançou um último e breve olhar ao número doze. Quando quase uma centena de capuzes azul-marinho se agrupou, aparataram. O local não favorecia a ninguém; os dois lados conheciam há tempos. Foi lá que tudo começou. Será lá que tudo há de terminar. Aparataram.
A vila de Godric’s Hollow estava deserta. As casas abandonadas e as ruelas precariamente iluminadas fizeram Harry ter certeza de que os trouxas abandonaram o lugar há algum tempo.
Caminhavam há alguns minutos desde que aparataram. Juliet estava à frente dos encapuzados. Sabia que sob algum daqueles mantos estava Harry. Apertou a varinha com mais força e continuou a marchar.
Uma construção de pedra, claramente abandonada e parcialmente destruída, se destacava ao centro da vila. Ficava na rua principal que, na verdade, não passava da união de duas ruas menores. À esquerda, um grupo enorme de Comensais e seus aliados marchavam. À direita vinham Harry, a Ordem, a Armada e os que os apoiavam e estavam dispostos a lutar.
Os dois grupos pararam. Voldemort, à frente de seu exército, ergueu a varinha.
- MOSMORDRE!
A Marca Negra, verde fluorescente, brilhava no céu negro. Voldemort apontou a varinha na direção do grupo que vinha à direita.
Harry ouviu uma voz familiar. Dumbledore falava-lhe baixinho.
- Você sabe o que tem que fazer, Harry! Essa batalha é sua! Faça o que tem de ser feito!
O rapaz chegou a virar-se na direção da voz. Mas só viu centenas de rostos encapuzados. Respirou fundo e ergueu a própria varinha na direção do céu.
- AUCTOBEARE!¹
Uma fênix prateada ergueu-se no mesmo céu negro. Harry apontou a varinha na direção de seus adversários.
Juliet sorriu, por um breve momento, ao ver o marido conjurar a marca que representava a Ordem e a Armada. Olhou por cima do ombro. Hermione, Ronald, Gina, Neville, Luna, Denis e Colin estavam por ali, em algum lugar. Além da Armada, sabia que os companheiros de Ordem também estavam. Dumbledore, Remus, Severus, Minerva, Tonks, Alastor, Kingsley, Fred, Jorge, Carlinhos, Gui, Molly, Arthur, Fleur e incontáveis aliados. O sorriso se manteve. Mesmo com o frio crescendo na barriga pelo que viria pela frente, sabia que não estava sozinha.
Como se combinado, três minutos depois os dois grupos corriam na direção um do outro. Dezenas de feitiços voavam para todos os lados, maldições imperdoáveis eram lançadas com um freqüência absurda, muitos gritos e corpos pelo chão. Harry agora só estava concentrado em permanecer vivo, não podia sucumbir para nenhum daqueles bruxos. Voldemort o estava aguardando.
Em vários pontos da Inglaterra explodiram combates. Bruxos, gigantes, dementadores... Todo o tipo de criatura estava envolvida. E só parte delas sobreviveria.
Harry já perdera as contas de quantos comensais ou simples adversários derrubara. Os braços traziam alguns arranhões que começavam a arder, mas ignorava-os. Sabia que tinha de continuar e era isso que fazia.
Derrubara mais um. E esse caíra ao lado de um membro da Ordem – reconhecera pelo manto. O coração de Harry deu um salto ao ver uma mecha de cabelo loira saindo pelo capuz. Não se conteve, abaixou-se e descobriu o rosto da vítima. Perdera o fôlego por um segundo. Uma raiva imensa o invadira. Ao mesmo tempo que o alivio por não ver ali sua Juliet o alegrava. Olhou mais uma vez o rosto com os enormes olhos azuis arregalados. Luva Lovegood seria vingada.
(¹) duas palavras unidas: honra, felicidade, benção, poder, agilidade... |