J.K. é a dona, só estou me divertindo. E não estou ganhando dinheiro com isso.
Por favor, não me processe, eu não tenho nada.
Agradeço a todos os bons autores que li. Com certeza muito influenciaram.
E como disse um deles, se você reconhecer algo, não é meu.
Capítulo 01
-
A chave.
"A partir deste momento, a vida começou."
Ela atravessou a rua. Suspirou. Finalmente sexta-feira. O trabalho parecia ter dobrado.
Os ânimos de todos à flor da pele. Lembrou-se da discussão.
'Dane-se'
Estava furiosa. Não ia deixar que aquilo estragasse seu fim de semana, decidiu.
Tinha de pensar em coisas boas. Em descansar. Nenhum compromisso até domingo quando iria jantar com os pais, o irmão e a irmã, os cunhados e um convidado ocasional. Sorriu ao lembrar dos sobrinhos.
Família reunida a cada duas semanas é o que a mantinha sã.
Relaxou. Podia ler, entrar na internet, fazer o que tivesse vontade.
Até ligar o som e pensar nele. Sentiu uma pequena pontada. Severus.
Sacudiu a cabeça em desagrado. Aquilo não estava certo. Uma fantasia não podia interferir tanto.
Ocupar tanto de seus pensamentos. Ou de seus sentimentos.
Pensou na festa que Ana tinha convidado-a para ir sábado.
Talvez.
****
Depois de um banho, sentou-se penteando os cabelos. A calça preta ficaria bem com a blusa branca.
Quase se arrependeu de ter concordado em ir ao telefone mais cedo. Bem, não tinha mais jeito.
Não ia exagerar. Uma bolsa, poucos assessórios e pouca maquiagem.
Não podia se esquecer da blusa preta por cima. Esfriaria de madrugada. Se ela ficasse até lá.
Ainda bem que o apartamento já estava limpo. Não ia dar tempo domingo. Levantou-se indo se arrumar.
Secou os cabelos e os prendeu. Era melhor cortá-los, não ia agüentar quando começasse a ficar quente.
Apagou as luzes, fechou a porta e desceu. Era melhor que esperar o elevador para descer dois andares.
Quando saiu do prédio decidiu ir a pé até em frente ao bar onde Ana a pegaria de carro.
Distraiu-se andando. Pensou nele de novo. Suspirou. Isto estava ficando fora de controle.
Olhou para frente e viu dois homens com capas estranhas indo para um beco escuro onde ela sabia, só tinha lojas. Balançou a cabeça em negação.
'Agora dei para imaginar que estou vendo comensais em todo lugar.'
Eles saíram tão rápido quanto tinham entrado. Ela estava mais perto, mas eles pareciam não a ter notado. Pareciam discutir. Eles viraram a esquina.
Ela continuou andando devagar. A curiosidade venceu. Deu uma espiada para a galeria. Franziu a testa.
Estava mal iluminada. Estranho. Parecia que a luz do beco estava mais fraca.
Foi quando ela percebeu alguma coisa apoiada no canto. A "coisa" brilhava. Quem deixaria um... aquilo ali?
Num átimo, ela entrou.
'Sua louca, pode ser algum assassino que escondeu isso aí dentro.'
Mas eles tinham entrado e saído sem carregar nada.
Ela se aproximou. Observou. Era um castiçal. Um bonito castiçal. E parecia muito antigo.
Pensou ter ouvido vozes. O medo a fez tomar uma decisão rápida.
Correu até o fim da galeria e escondeu-se num lugar conhecido.
Era uma pequena entrada para o segundo andar de uma das lojas. Ficou ali, quase sem respirar.
-
Está sendo pura perda de tempo.
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O que você queria? Acredita em qualquer um. Pensou que aquele... velho ia te dar uma coisa importante?
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Eu o conheço há muito tempo, - falou entre dentes - e ele não era um mentiroso ou um bruxo qualquer!
'Bruxo?'
-
E depois de anos reapareceu de repente, quase morrendo, para dizer que tinha encantado uma "chave" diferente! Só você! Porque você não perguntou por que isso era tão especial?
Ela não perdia uma palavra. Talvez estivesse ouvindo mal. Ou fosse algum jeito de falar de criminosos.
-
Ele disse estava fugindo e não tinha com quem deixá-la! E se você não percebeu ele não pode dizer muita coisa antes de morrer! - estava cansado de repetir as mesmas coisas.
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E a deu a você! Você! Para entregar para um parente dele? - ele estava furioso - Ele ia ser um louco
ou um idiota para acreditar que você faria isso se realmente tivesse valor. E você ainda acreditou nele.
Viu as sombras que se moviam. Esperava que eles não chegassem a brigarem.
-
Você também! Ou não teria vindo.
-
Se levasse a algum lugar importante teria sido o presente perfeito ao Lord. Ia ser bom para nós.
Ela suspendeu a respiração. Tudo se encaixava. Mas não devia!
-
Eu sei. - suspirou - Vamos acabar logo com isso e voltar. Não é bom demorarmos.
-
Pegue logo essa "coisa".
Ele se abaixou, mas não tocou. O outro chegou mais perto.
-
Pronto? Um, dois... três!
Eles seguraram ao mesmo tempo. E desapareceram.
Ela não pôde acreditar. Ficou parada tentando entender. Se acalmar.
Sacudiu a cabeça. Era demais. Foi andando devagar em direção à rua. Viu algo no chão.
Uma vela. Respirou fundo. Se fosse verdade... Sacudiu a cabeça de novo.
'Isso não está acontecendo.'
Mas estava. Ela podia olhar para a rua, na porta da galeria. Escutar o barulho dos carros. Das pessoas.
E ainda assim... Duas pessoas, vestidas de forma estranha, tinham desaparecido no meio da galeria.
E a não ser que ela estivesse ficando louca ou tendo alguma ilusão de ótica, ela realmente os havia visto desaparecer. Quer dizer, tinha visto suas sombras desaparecerem.
Bem, se não fosse, não haveria problema em pegar uma simples vela. Não tão simples, mas... só uma vela. Agora, se fosse...
'Numa possibilidade, remota, remotíssima'
- completou.
Podia ser perigoso que uma criança, ou alguém a pegasse.
'Você está sendo criança. Bruxos não existem. Só nas histórias de Harry Potter'
Quase riu de si mesma, nervosa.
' E de Severus.'
Severus. Respirou de novo. Abaixou-se e pegou-a.
Sentiu que girava muito rápido e uma sensação esquisita no umbigo.
Tudo parou. Ela tentou se firmar. Estava escuro. Uma réstia de luz entrava pela porta.
Mas com certeza ali não era nenhuma galeria.
Olhou em volta e não conseguiu ver muito. Parecia abandonado. Não. Havia vozes ao longe.
Um quarto sujo com um biombo meio caído e
uma cadeira quebrada jogada com um pano em cima e um canto. Um castiçal num outro. Ela o reconheceu. Olhou para a vela ainda em suas mãos. Jogou isso em direção ao castiçal. A vela fez um pequeno barulho.
Ela pensou ter visto uma sombra e olhou rápido para a porta. Mas nada aconteceu.
Ela foi até a cadeira e pegou o pano. Olhou isso. Era uma espécie de capa com um capuz. Parecida com a que eles estavam usando. Levantou a cabeça de repente. As vozes estavam aumentando de volume.
Esconder. Foi até o biombo e agachou-se atrás.
-
Não vou demorar.
Ela ouviu o barulho de passos, uma pequena hesitação. Mais um passo. Ela sentiu medo.
'Por favor, não olhe aqui.'
-
Achou?
-
Não. - ouviu quando ele levantou a cadeira e a soltou de novo - Tinha certeza de ter deixado aqui.
Ela olhou para a capa nas suas mãos.
'Burra.'
-
Não podemos demorar. Já perdemos tempo demais. - escutou longe.
Um resmungo.
-
Está bem.
Ele foi até a porta. Ela respirou em alívio. Ele parou. Ela ficou tensa de novo.
Ouviu quando ele voltou-se e deu um passo para dentro de novo.
-
Evanesce!
Os passos se afastavam.
Ela esperou mais um pouco antes de levantar. Não havia ninguém e nenhum som.
O castiçal e a vela tinham desaparecido.
E sua chance de voltar também. Suspirou. Pelo menos por enquanto.
Olhou para a capa em suas mãos. Vestiu-a. Deu passos cautelosos para fora do quarto.
Havia um corredor pequeno que dava na porta iluminado por uma vela solitária.
Tinha que sair, não podia estar ali se eles voltassem. Adivinhava que não seria um encontro agradável.
Todo o resto estava na penumbra, só iluminado pela luz da lua, onde ela conseguia penetrar.
'Lua?Mas a lua está minguante!'
Não era isso o que parecia olhando a grande lua lá fora. Ela observou bem se não havia nenhum sinal de movimento e saiu rapidamente fechando a porta sem barulho. O capuz estava sobre sua cabeça.
Ela andava rápido para o mais longe possível da casa. Havia outras perto.
Ela desceu pela rua andando nas sombras. Só viu uma ou duas pessoas na rua e evitou-as.
Ela viu uma placa na frente de um lugar que parecia um bar e estava fechado agora: "Três Vassouras".
Seu coração deu um salto. Só agora ela se deu conta do que podia estar acontecendo realmente.
Mas era uma distância a cruzar entre reagir às situações e ao perigo e ter certeza...
'Meu Deus!'
- ela murmurou parada como uma tola.
Ouviu um barulho pequeno. Virou-se na direção de onde pensou que ele veio mas só viu sombras.
Melhor sair daqui. Se ela estivesse em Hogsmade mesmo, havia perigo em toda parte.
Agastou-se depressa. Continuou a andar sem rumo. As casas estavam rareando.
Precisava achar um lugar. Devia ser umas duas ou três horas da manhã no máximo, ela calculou.
Havia umas poucas árvores espalhadas. Continuou andando. Viu mais algumas delas à frente.
Olhou para os lados, não viu ninguém. Entrou rápido no meio delas. Escondeu-se como pôde, enrolando-se na capa. Sentou-se encostada a um tronco. Não era o melhor lugar, mas era o único disponível.
Suspirou. Estava frio e seria uma longa noite. E ela ainda não sabia o que fazer amanhã.
Ou melhor, não havia opção possível. Tinha que se desviar de qualquer um que aparecesse e encontrar o caminho para... - hesitou - Hogwarts, assim que clareasse. Até lá, tinha algumas horas para pensar no que fazer e deixar seu cérebro se adaptar à situação. Provavelmente eles a levariam de volta e usariam obliviate para fazê-la esquecer. Não lhe seria
permitido levar nada. Ela não saberia que esteve ali.
No fim, seria como um sonho. Ficou triste. Quem sabe, pelo menos conseguiria ver todos, o Harry, Doumbledore, e os outros. E Severus. Estremeceu. Isso faria com que valesse a pena. Fechou os olhos tentando não dormir. Tinha muitas coisas para pensar.
'Que frio.'
*****
Acordou assim que clareou. Estava dolorida, cansada e com frio. Levantou-se devagar.
Não havia ninguém por perto. Nunca leu nada sobre eles serem madrugadores ali.
Era melhor se pôr a caminho. Se seus cálculos estivessem certos, haveria um longo caminho a percorrer. E ela ainda teria que descobrir um modo de entrar.
Havia andado por um tempo quando percebeu
que havia uma encruzilhada. Nenhuma placa.
'Inferno! '
O sol estava começando a esquentar e ela não podia tirar a capa se piorasse. Olhou para os lados.
Talvez ela pudesse ver a estrada mais usada. Com certeza eles preferiam desaparatar ou usar o Nôitibus, então à pé, só os alunos que fossem para Hogwarts.
Decidiu-se pela da direita. Qualquer coisa era só voltar sobre seus passos e tomar a outra estrada. Se não encontrasse ninguém, é claro.
O sol estava quente e ela já estava cansada de andar.
Foi então que viu um portão estranho mais à frente, feio e velho. Nenhum sinal de castelo nenhum. Para dizer a verdade, nenhum sinal de nada. Estava ficando ansiosa, cansada, nervosa e com calor.
Talvez tivesse tomado a estrada errada. Tinha de voltar, tinha que confirmar se estava mesmo onde pensava. Pegar a outra estrada e tentar pegar uma carona se conseguisse is parar na rodovia. Voltou sobre seus passos e começou a andar rápido de volta. A ansiedade diminuindo pouco.
Foi então que percebeu.
'Os feitiços anti-trouxas!'
Diminuiu a velocidade com que andava e tentou se concentrar. Respirou fundo e parou.
Voltou-se e começou a correr. Estava ficando ansiosa de novo.
'Preciso ver Doumbledore, preciso ver Doumbledore, preciso ver...'
Deus, algo muito ruim ia acontecer com ela. O coração estava disparado, a pele começava a formigar.
Parou e virou-se outra vez. Conseguiu se controlar o suficiente para não correr. Deu alguns passos na direção errada.
'Isso tá ficando idiota.'
Mesmo assim não conseguia controlar o modo como estava trêmula. Respirou fundo algumas vezes.
Parou e virou-se pela segunda vez correndo. Começou a chorar. O corpo cansado e doendo do esforço.
A mente concentrada, a boca emitindo o mesmo mantra anterior. A pele estava formigando. Parecia que ia chover de repente. Ela tropeçou e caiu. Chorava descontrolada. Virou-se e tentou voltar de gatinhas.
Ouviu um pequeno barulho atrás de si. Como se alguém murmurasse. Virou-se rápido e não viu nada.
Abaixou a cabeça tentando se acalmar. Foi respirando devagar, continuou olhando para o chão e de repente já não estava tão difícil. Levantou-se, corrigiu seus passos e começou a andar devagar olhando para o chão.
Depois de algum tempo sentiu que o dia clareava de novo.
Então, ousou levantar os olhos e o que viu a fez parar extasiada.
'Hogwarts!.'
Em todo o esplendor de um dia de sol o Castelo se descortinava à sua frente.
O lago quase a ofuscava com seu brilho. Desviou os olhos. O Salgueiro mais adiante.
Ela riu sozinha. Tinha vontade de pular, dançar, cantar.
'Consegui! Estou aqui! '
Não importava o que acontecesse. Ela estava ali.