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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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Visualizando o capítulo:

16. O Acordo


Fic: Era para ter sido apenas um jogo. Aviso on.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/A: AAAHHHHHHHHH
demorei mas postei neh?! hUAa
gente... me perdoa... esse capitulo ficou muuuitoooo grande!!! Mas eu não quis dividi-lo dem dois nem mesmo deletar cenas ! Então... se tiveram muuita paciência... leiam e comentem ok!!!!
BOA LEITURA!!


OoOoOoO

Era uma cena interessante para os olhos alheios, se por acaso houvesse pessoas naquele jardim. O sol já parecia sumir aos poucos conforme as horas passavam. Hermione havia se decepcionado ao saber que havia sido convocada para aquele encontro não para estudar, como Draco dissera a ela anteriormente, mas sim para discutir sobre aquele acordo que tinha absoluta certeza de que ainda lhe causaria muitas dores de cabeça. E nem ao menos sabia se valeria a pena. A única certeza que tinha naquele exato momento era de que havia acabado de dizer ao Malfoy de seus pesadelos que aceitaria fazer aquele acordo de namoro de mentiras. Havia sido a pior decisão de sua vida? Pagaria para ver...

- Certo, então vamos acabar com isso de uma vez por todas, Malfoy!

Se essa havia sido mesmo a pior decisão de sua vida, se arrependeria pelo resto de sua existência. Havia dado sua palavra ao sonserino, e não voltaria atrás mesmo que isso significasse ser infeliz para sempre. De infelicidades já estava acostumada, mais do que podia imaginar um dia.

- Isso mesmo, Granger, é assim que se fala. – Draco ficara contente por saber que a castanha aceitara o acordo.

Algo naquele sorriso de canto de lábio podia ser visivelmente entendido como um sorriso de alívio, um sorriso de vitória sofrida. Draco sabia que venceria a aposta e que não se submeteria à humilhação alguma diante de Hogwarts. Não havia sido uma opção justa, mas não havia mais nada que pudesse fazer para realmente vencer aquela aposta senão incluir sua Granger sabe-tudo em um acordo como aquele. Hermione cumpriria com o acordo por bem ou por mal, e dessa forma o faria vencer a aposta. Alan tinha mesmo razão quanto à Intragável Granger, era realmente um jogo difícil demais ter que conquistá-la, e se não ousasse de trapaças não venceria aquela aposta tão fácil.

- Sem brincadeiras, Malfoy. Não me faça perder mais tempo. – Mione estava irritada pela decisão que tomara.
- Como quiser. Mas não aqui!
- Como?
- Não quer que todos nos vejam fazer um acordo, quer? Conheço um lugar aonde não corremos esse risco...

E dito isto Draco a puxara pela mão e a conduzira de volta para o castelo, pelos jardins completamente despovoados. Antes que a castanha pudesse pestanejar, Draco já havia pego sua bolsa do chão e a colocado em seus ombros, carregando-a pela grifinória. Hermione nem ao menos pensara em analisar os fatos, simplesmente tentara soltar-se do sonserino a todo custo, inutilmente, claro, já que ele a carregava cada vez mais depressa. Um jardim daqueles seria um palco perfeito para um ritual de acordo mágico, mas sabiam que correr riscos como esse não seria uma boa idéia, não quando o maior risco que estariam correndo seria participar daquele jogo ousado.

- Ei, vá com calma! – Hermione tentava acompanhá-lo, ainda caminhando a uma certa distância do sonserino, mesmo que esse a puxasse.
- Por quê? Não era você que queria acabar com isso de uma vez? – Nem ao menos a fitara.
- E não precisa carregar minha bolsa por mim. Posso fazer isso perfeitamente bem. – tentara retirar dos ombros do sonserino.
- Pois se Hogwarts precisa acreditar que existe alguma chance de nos apaixonarmos, que comecemos pelo cavalheirismo. – e retirara a mão da garota de perto da bolsa.
- Muito interessante, mas tem uma coisa que você ainda não pensou, Malfoy. – tentava fazê-lo caminhar menos depressa, encurtando seus passos e, assim, fazendo-o diminuir sua velocidade na caminhada.
- Não, já pensei em tudo. Desde as preliminares até o dia em que consumaremos a relação de mentiras. – e soltara um riso divertido da própria brincadeira.

Hermione o fitara com uma expressão corada, havia se sentido envergonhada com o comentário do sonserino, mas tentara não demonstrar isso ao rapaz, evitando cruzar seus olhares com os do mesmo.

- Será que você só pensa em besteiras, Malfoy?
- Na verdade, eu faço também! – e dessa vez a fitara com um sorriso safado em seus lábios.

Era quase impossível para a castanha não sentir-se envergonhada diante dos comentários atrevidos do sonserino. Não era o tipo de brincadeiras que costumava ter com seus amigos, e escutá-lo dizer aquelas coisas sempre a deixava totalmente desconfortável. Sabia que se Draco notasse seu desconforto, esse provavelmente aproveitaria a situação para ironizar e fazer mais brincadeiras e ousadias como aquela. Tentara não fitá-lo, mas Draco a fitava a todo o instante.

Por fim, adentraram o castelo, pela porta que dava direto ao pátio principal da escola, onde os alunos costumavam passar os intervalos entre suas aulas matinais e da tarde. Mas naquele horário já não havia ninguém naquele salão, todos deviam estar em suas devidas casas, confortáveis em sofás, poltronas, dormitórios e entre cochilos ou mesmo conversas animadas. Draco ainda a segurava pela mão e continuava a conduzi-la pelo caminho, e nenhum dos dois nem ao menos haviam percebido aquele incidente fatal. A não ser por um estranho burburinho que surgira bem atrás deles naquele exato momento em que cruzaram um corredor próximo. Vozes femininas que se intensificavam cada vez mais e passos que agora ecoavam muito mais fortes em seus ouvidos. Como em um ato ensaiado, soltaram suas mãos no mesmo momento em que perceberam que se tratava de alunas caminhando bem atrás deles. Um clima de total desconforto surgira no mesmo momento, mas Draco não se deixara abalar em momento algum, apenas esboçara um leve sorriso divertido pelas bochechas rosadas de Hermione e pelo fato de que a castanha já não o fitava mais como antes, parecia perdida com seus olhares atentos ao chão sob seus pés.

- Isso, Granger, disfarce bem se não quiser que dê tudo errado. – Draco ousara dizer-lhe.

Ainda tinha o sorriso maroto em seus lábios, divertido com aquela cena quase cômica. Não havia sido a melhor sensação de sua vida, ser pego por algumas alunas de mãos dadas com sua pior inimiga em Hogwarts, e a sujeitinha que sempre detestara em todos aqueles anos de estudo e guerra. Mas sabia que estava cada vez mais interessante aquela aproximação com a castanha, era cada vez mais excitante saber que poderia enfrentar a sua ruivinha e fazê-la sentir-se da mesma forma como vinha se sentindo recentemente. Era empolgante saber que em breve realizaria um trato com a castanha e venceria a aposta que fizera com seu melhor amigo, sem nem ao menos gastar um segundo de seu tempo tentando conquistar a grifinória Intragável, trabalho árduo, por sinal.
Pensava em como Alan reagiria se soubesse que Draco venceria a aposta com trapaças, mas obviamente que faria de tudo para que o amigo não desconfiasse de nada.

- Cala a boca, Malfoy. Nós ainda nem fizemos o acordo.
- Mas estamos prestes a fazê-lo. E é bom que se esforce pra que dê tudo certo. – e dissera isto sério
- É justamente essa a questão, Malfoy. E você nem sequer pensou nessa hipótese. – Mione finalmente voltara a fitá-lo
- Do que está falando? – se irritara com a ousadia da castanha
- E se não der certo? O que faremos?

Nenhum dos dois se precipitara a dizer mais nada. Havia sido uma indagação muito bem elaborada, fazia extremo sentido pensar naquela hipótese. Draco não desejava confessar a castanha que não havia nem se quer cogitado a idéia de o acordo não funcionar, e por isso se silenciara diante da pergunta. Tentava elaborar alguma resposta rápida para dar à grifinoria, mas era uma questão intrigante demais.

- O que faremos se Hogwarts não acreditar que eu possa ter me apaixonado por um Malfoy e você por uma Grifinória? O que faremos se não chegarmos em nossos objetivos? Viver com esse acordo o resto de nossas vidas?

Hermione voltara a indagar-lhe sobre a questão que havia lançado ao louro anteriormente. Ainda faziam seu caminho pelos corredores, adentrando o castelo cada vez mais e já bem longe daquelas alunas com quem cruzaram o percurso anteriormente. Hermione estava mesmo certa em pensar naquela hipótese, mas Draco não podia permitir que a castanha arranjasse desculpas para não fazer aquele acordo.

- Vai dar certo, Granger. É lógico que dará certo.

Sua voz não transparecia certeza alguma, embora Draco realmente parecesse certo de que funcionaria.

- Como pode ter tanta certeza, Malfoy? Nosso ódio e desprezo sempre foi muito recíproco e Hogwarts sempre soube perfeitamente bem disso. Será uma tarefa muito mais complicada do que pode imaginar. – estava disposta a analisar todas as possibilidades antes de fazer aquele acordo.
- Eu posso imaginar muito mais, Granger. Como a cara do seu Potterzinho quando nos vir juntos. – e lhe fitara com expressões divertidas.
- Pois é o único que realmente consegue enxergar isso, Malfoy.

Sua vontade de vencer aquela aposta estava falando cada vez mais e alto e admitia que não havia pensado em todas as possibilidade realmente, como imaginara que havia feito. Ainda havia muitos prós e contras que precisaria analisar antes de realmente participar de um jogo sujo daqueles. Mas não queria ter que adiar aquele acordo mais do que viera adiando. Queria apenas realizá-lo de uma vez por todas e pô-lo em prática o mais rápido que pudesse. Desejava mostrar ao seu amigo que sua palavra era mais importante do que qualquer outra coisa, e mostrar à sua ruivinha que ela não era a única com quem teria que se preocupar agora.

- Use a sua criatividade, Granger, vai enxergar, acredite. – e tentara finalizar aquela discussão, antes que a castanha fizesse mais indagações que não fosse capaz de responder.
- O problema não sou eu, Malfoy. Harry nunca acreditará nisso. Você nem ao menos imagina a quantidade de vezes que o ofendi diante dele. Quanto àquele soco, você sabe, em nosso terceiro ano. Harry me parabenizou pela coragem por meses.
- Como eu poderia esquecer daquele soco? – e fizera uma expressão de dor relembrando o fato. - Viu, Granger, você nunca colaborou com nada, por causa do soco teremos que nos empenhar em dobro pra convencê-lo.

E lhe lançara mais um de seus sorrisos cínicos e divertidos, como se realmente achasse graça naquilo tudo. Aquela situação não era engraçada para ninguém, soava como uma marcha fúnebre, suas vidas estavam um caos e um acordo havia sido o máximo que haviam conseguido pensar para solucionar seus problemas.

- E você acha mesmo que colaborou alguma vez? Durante todos esses anos você só soube me humilhar e me irritar - Hermione ficara furiosa com o comentário feito pelo louro.
- E hoje, veja só, vou ajudá-la a vingar a traição do Potter. Não acha que isso seja colaborar? – a fitara muito sério.

Se era uma discussão que a castanha desejava iniciar, seria uma discussão que teriam naquele momento. Uma entre tantas outras. Já estava farto disso, mas Draco sabia que era a única forma de dizer tudo o que achava daquela situação à garota sem que ela pudesse empinar seu nariz diante dele.

- Ótimo. Antes tarde do que nunca, não é mesmo?! – se rendera às provocações do rapaz, desviando os olhares do mesmo.
- Confie em mim, Granger, nosso plano dará certo.

Se Draco pretendia tranqüilizar Hermione naquele momento, certamente escolhera a pior situação e as piores palavras para aquele ato. Não era o tipo de coisa que a castanha desejara ouvir naquele momento, e não permitiria deixar o momento passar despercebido por seus comentários afiados.

- Acho que já ouvi você pedir pra que eu confiasse em você em um outro momento, Malfoy.
- Que bom que lembra disso. Porque eu cumpri com o que havia prometido.

E Draco lhe direcionara o olhar mais divertido e, ao mesmo tempo, sério, que Hermione já pudera vê-lo despejar sobre ela. Naquele mesmo momento, uma onda arrasadora caíra sobre seus pensamentos, fazendo-a recordar-se de uma situação anterior que haviam vivido há alguns dias atrás. Não era o tipo de lembrança que gostaria de ter naquele momento, mas não pôde impedir que as lembranças surgissem.
Tinha uma imagem perfeita em sua cabeça de um sonserino segurando-a fortemente pelos braços e mudando seu comportamento de forma repentina e confusa. O Malfoy que se aproveitara de sua imobilidade para ousar com suas brincadeirinhas bobas de sonserino, de repente passara a agir de forma completamente diferente. E ainda podia se lembrar com extrema perfeição do diálogo que haviam tido naquele dia.

Flash Back
- Não confia mesmo em mim, não é? – O sonserino voltara a caminhar, a carregando consigo
- E deveria?
- Quer saber mesmo? – lhe direcionara um olhar ligeiro. – Deveria sim.
Fim Flash Back


Hermione não gostara de recordar aquele momento, e voltara a fitar o louro bem a sua frente com uma expressão de completa irritação. Podia ver Draco contente por saber que havia mesmo cumprido com a sua palavra naquele incidente anterior, e isso era prova suficiente de que ele poderia vir a cumprir com sua palavra novamente.

- Cumpriu? Você não fez mais que a sua obrigação, Malfoy. – tinha uma completa expressão irritadiça na face, enquanto fazia sua caminhada.
- Não, Granger, eu simplesmente fiz um favor àquele cabeça de pimentão. E a você, claro.

Mais uma vez direcionara seus olhares divertidos à grifinória, agora deixando escapar um sorriso de canto de lábio. Hermione o fitara completamente irritada pelo comentário atrevido do louro, e se recusara a relembrar novamente daquele incidente. Mas seus pensamentos pareceram contrariar suas ordens mentais, rumaram direto para uma lembrança desconfortável de dois lábios finos e pálidos tocando em seus lábios rosados. Uma sensação de puro prazer tomara conta de sua espinha naquele momento, e balançara sua cabeça desviando o pensamento. Se irritara ainda mais por saber que o sonserino estava se aproveitando do momento para enfraquecê-la com todas aquelas recordações confusas.

- Eu não consigo entender a graça que você vê em infernizar as nossas vidas. Não faz idéia o quão idiota é essa sua obsessão por querer nos irritar.
- Está enganada, eu faço idéia sim. Mas eu não resisto à tentação de poder curtir com a cara de vocês, grifinoriozinhos estúpidos que acham que são os melhores de Hogwarts. – e fora a vez de Draco irritar-se com os comentários da grifinória.
- Isso não é verdade. Nós apenas somos melhores que você, Malfoy. – e sorrira cínica
- Ah, claro, como se isso fosse mesmo possível. – desviara seus olhares, incrédulo.
- É isso que eu mais detesto em você, Malfoy. – uma nova onda de irritação a tomara naquele momento.
- Isso o quê?
- Esse seu ar arrogante, como se você fosse perfeito. – desviara seus olhares do rapaz, caminhando um pouco mais depressa.
- Mas eu sou! E eu sei que você também concorda com isso, eu posso ver bem na sua testa. – e lhe direcionara um olhar travesso.
- Pois deve estar precisando usar óculos, já que não está enxergando direito.
- E eu aposto que você deve estar louca pra isso. Não tenho dúvidas de que você se apaixonaria no mesmo instante.

Draco sorrira divertido com a piada que fizera, mas era o único que realmente achara aquilo engraçado. Hermione fechara a cara e deixara muito bem claro que havia detestado o comentário. Mas Draco não se importaria com isso, de forma alguma, apenas se divertiria mais em poder infernizar a vida da moça.

- Patético, Malfoy. E eu ainda perco o meu tempo escutando as suas besteiras.
- Só não peça pra que eu apareça com um raio na testa também. Eu sempre achei um pouco cafona e agora está um pouco fora de moda, não concorda?! – e lhe fitara, indagativo, ainda com um sorriso divertido nos lábios e contendo uma risada.
- Que você é um completo idiota? Concordo plenamente. – e voltara a fechar a cara, muito irritada.

Definitivamente, aquilo havia sido divertido demais para Draco, e ele não suportara abafar seu riso por tanto tempo. Deixara uma risada gostosa e discreta ecoar de leve pelo corredor deserto em que caminhavam. Seu sorriso era de ponta a ponta e seus olhares se dispersavam pelo horizonte bem a sua frente. Hermione não suportaria vê-lo gargalhar de uma piada que para ela não houvera tido graça alguma. Se era assim que Draco pretendia ajudá-la, talvez fosse melhor pensar mais a respeito do acordo que faria com o sonserino. Não era o tipo de relação que desejaria ter com o mesmo, tendo de aturá-lo fazer piadas de seus problemas amorosos.
Mas fitando-o, naquele momento, Hermione pareceu deixar seus pensamentos se dispersarem de forma confusa. Pareceu se concentrar de uma forma que antes nunca fizera no sorriso do sonserino e no quanto o contraste de seus dentes muito brancos e seus cabelos louros era quase perfeito. Podia ver, naquele instante, que aquele riso, aquele sorriso era realmente sincero. Os olhares de Draco estavam perdidos pelos corredores e ele realmente aparentava estar divertido com a piada que fizera. Óbvio que só mesmo o próprio Malfoy para achar graça em uma de suas piadas, mas se aquilo realmente tivesse tido alguma graça, certamente que não se repudiaria caso viesse a sorrir com o louro.

- Não precisa se preocupar, Granger, ainda vai ter tempo de perceber a minha perfeição divina. – e este dissera, ainda fitando o horizonte bem diante de si, muito divertido ainda e com um sorriso maroto nos lábios.

Hermione ainda o fitava de forma quase compenetrada, apesar de saber que aquilo poderia lhe render dores de cabeça maiores ainda e piadas piores do que aquela que Draco fizera.

“Talvez eu já tenha percebido.” Pensara consigo mesma, naquele instante. Mas se detestara pela ousadia.

Não lhe custava nada ter que confessar, pelo menos uma vez, que o Malfoy que detestava era mesmo muito atraente e seu sorriso podia ser capaz de hipnotizá-la de uma forma que mais nenhuma outra garota se sentiria. Draco representava tudo o que havia de pior em Hogwarts, mas aquele sorriso lhe fizera mudar alguns conceitos mesmo que não estivesse muita certa deles. O sonserino podia ser o mais atrevido e arrogante de Hogwarts, a criatura que mais detestava e repudiava em todo o castelo, mas havia algo de bom naquele louro oxigenado... ele era capaz de belos e sinceros sorrisos quando realmente queria. Mas talvez nem mesmo o sonserino tivesse consciência disso, talvez aqueles sorrisos sinceros surgissem repentinamente e em momentos que nem mesmo ele seria capaz de precisar quando.

- Chegamos! – Draco dissera, rápido, parando a frente de uma porta de carvalho.

Cessara os risos e fitara a castanha decidido.

- Sala de astronomia?
- Pelo menos estaremos a sós. Um acordo mágico não é algo muito legal em Hogwarts, deveria saber disso. – e se pusera a abrir a porta.
- Eu sei disso, Malfoy. Mas não precisávamos vir tão longe. Um banheiro feminino desativado nos andares de baixo também é um bom lugar.

E entraram na sala, vazia e segura para aquele tipo de ritual que teriam dentro de alguns minutos.

- Não exatamente. Me traz muitas lembranças, algumas boas outras más.

E Draco deixara seus pensamentos escaparem daquele momento e rumarem ligeiros para uma lembrança bastante recente. A lembrança de sardas, coxas e de uma discussão que detestara ter com a sua ruivinha. Pareceu sentir o prazer da carne como que em um relance, mas se conteve para não despertar nenhuma curiosidade na grifinória, detestaria ter que explicar algo a garota sobre aquilo. Tarde de mais, havia deixado um gemido de prazer escapar e revirara os olhos sem que nem percebesse que havia o feito.

- Lembranças? Boas? Por acaso isso tem alguma coisa haver com o seu atraso nas aulas matinais?

A castanha se virara rapidamente ao ouvir o comentário do sonserino e se pusera a fitá-lo muito curiosa.

- Por que esse interesse, Granger? Curiosidade não é algo muito interessante...
- Não estou curiosa, só fiz uma pergunta. – e achara uma ousadia ter sido ofendida daquela forma.
- Então, antes de qualquer coisa, espero que você tenha consciência de que faremos um acordo mágico. – e Draco tentara desviar o assunto, agora focando-se no acordo. - Ou você cumpre o trato, ou morre!

E olhara com uma expressão séria na face, como se estivesse tentando assustá-la com aquilo. Mas Hermione só fora capaz de fitá-lo irritada e incrédula por o sonserino achar que estava falando com uma primeiranista de Hogwarts.

- Não sou tão tapada quanto pensa, Malfoy.
- Ah não, eu sei disso. É só pra fazer um pouco de drama mesmo. – e caminhara até um canto da sala.

A única luz que os permitia enxergar dentro da sala era a que vinha direto de suas varinhas. Não acenderiam as luzes da sala para que não chamassem atenção de ninguém que, por acaso, passasse pelo corredor. Já estava começando a escurecer e, obviamente, que deveria estar muito mais escuto dentro da sala do que do lado de fora da mesma. Hermione quase não conseguira achar Draco novamente na sala, se não fosse pelo feixe de luz que avistara ao final dela. Estivera distraída quando Draco se afastara da mesma e fora deixada para trás tomada pelo breu. Batera em algumas carteiras mas conseguira chegar até onde Draco estava.

- Mas antes... os termos! – e dissera no mesmo instante em que se pusera bem à frente do louro.

Pudera ver a expressão de quase surpresa do sonserino naquele momento, mas ele já devia saber que não faria aquele acordo às escuras, ao menos não no que dizia respeito aos termos daquele trato mágico.

- Ok! Como a idéia foi minha, eu digo os termos. Preparada? – e se preparara também para expor os termos do acordo.
- Depressa, Malfoy, antes que alguém apareça.
- Certo. – se ajeitara e iniciara o discurso. - Faremos um acordo de “namoro de mentiras”, cujo objetivo será vingar a traição do Potter e da sua melhor amiguinha! Deveremos ser fiéis ao acordo e este só deverá deixar de existir quando alcançarmos nossos objetivos.
- E qual o seu objetivo, Malfoy? – o alfinetara assim que o mesmo terminara de falar.
- O meu?

Draco parecera estar sem jeito diante da indagação da castanha, e nem fora capaz de disfarçar isto. Seus olhares se dispersaram pelo pouco de visão que tinha da sala e ficara em silêncio por alguns segundos, como se pensasse se realmente tinha objetivos naquele jogo.

- É, Malfoy. Não entrou nessa só por mim, eu sei disso.
- Claro que não. Tenho meus objetivos, lógico. – e lhe fitara, sério, mas sem querer revelar nada.
- Então diga quais. – mas Hermione insistira, decidida.
- Ora... provar ao Potter que ele simplesmente é um idiota e que eu sou muito melhor que ele.

Talvez tivesse sido melhor permanecer calado diante do questionamento da castanha, mas Draco tivera que dizer algo à moça para que ela realmente acreditasse. Não poderia, jamais, em hipótese alguma, revelar à castanha a sua relação com a sua melhor amiga, sabia que seria arriscado participar daquele jogo escondendo o que existia entre ele e a ruiva, namoradinha do Potter que Hermione se vingaria, mas era necessário. Teria que mentir à castanha, e por mais que se sentisse horrível fazendo isso, seria a melhor e única solução. Mentiras nunca fora algo muito difícil de se lidar para Draco, mas tratava de um acordo mágico e mentiras, ali, podia significar sua vida.

- Só isso?

Hermione estava incrédula diante do que Draco dissera ser seu objetivo naquele acordo. Era um jogo arriscado demais, um jogo medonho e macabro, e por tão pouco Draco estava mesmo se arriscando. Mas deveria saber que sonserinos gostam de se arriscar, mesmo que no final isso não vala a pena.

- Teria outro objetivo? – Draco a fitara, cínico.
- Não sei, por que você mesmo não me diz?
- Porque não existem outros objetivos. – e já estava começando a se irritar com aquela curiosidade da castanha.
- Ótimo.
- E quanto aos seus, Granger? – voltara a fitar a garota.
- Provar ao Harry que sou muito capaz de viver sem ele, que ele já não faz mais a menor diferença na minha vida.

Hermione dissera isto mais decidida do que podia imaginar. Havia retirado a coragem suficiente para confessar a si mesma que Harry já não significava mais nada para ela de um lugar profundo demais, mas tivera essa coragem, e agora se orgulhava disso. Já era um passo bastante considerável para se recuperar do trauma da traição, bastaria, agora, vingar a sua decepção de uma forma que realmente afetasse ao Harry. E era para isso que estavam ali.

- Bom, muito bom, Granger. – e Draco sorrira, de canto de lábio.

Agora, finalmente, tinha certeza de que a castanha não desistiria de fazer o acordo. Isso significava aposta ganha.

- É, acho que estou começando a gostar dessa idéia de acordo. – e sorria também.
- Claro que sim, idéia minha, como não gostar?! – e fora mais uma vez, cínico.
- Por favor, evite esses tipos de comentários.
- Como quiser. Pronta? – e segurara a varinha bem diante de Hermione, já pronto para iniciar aquele ritual.

Tudo o que mais queria era terminar aquilo de uma vez por todas e poder dormir aliviado, naquela noite, com a certeza de que não passaria vergonha diante de Hogwarts. E desejava poder gargalhar tranqüilo com a imagem de um melhor amigo desfilando desnudo pelo salão de Hogwarts no baile que seria dado em comemoração ao aniversário de Hogwarts.
A castanha sacara sua varinha no mesmo momento e apontara na direção da varinha de Draco, que ainda reluzia para iluminar a sala.

- Só espero que realmente dê certo.

Fora a única coisa que Hermione pudera dizer, naquele momento. Um acordo daqueles não era uma brincadeira boba, teriam que ter plena consciência do que estariam prestes a fazer.

- E dará. Porque namorar um Malfoy é sempre uma ótima escolha.

E Draco novamente sorrira de uma forma despojada e sincera, do jeitinho que Hermione presenciara alguns minutos atrás, antes de adentrarem aquela sala. Se pusera a observar aquele sorriso mais uma vez, mas não da forma como fizera da outra.

- Ah, claro, e será que a Parkinson diz o mesmo disso? – alfinetara o louro, vendo que não poderia permitir que o mesmo tirasse vantagem da situação.
- Ela não tem que dizer nada, não somos namorados mesmo. – e respondera, ousado, dando de ombros.
- Então isso explica sua escapada hoje cedo.

“Não são namorados? Desde quando?” Pensara enquanto continuava a alfinetá-lo com suas indagações atrevidas e curiosas, embora não quisesse confessar que estava mesmo curiosa pelas respostas que o sonserino daria, ou pelo menos desejava que ele desse.

- Vai insistir nisso, Granger? E nosso acordo? – desviara o assunto, mais uma vez, agora muito mais irritado.
- Certo.

A grifinória notara que o rapaz não estava mesmo querendo discutir sobre aquilo. Com um Malfoy irritado nunca se deve tentar insistir em um único assunto, ainda mais quando este parece não ser o mais agradável para o mesmo.

- Mas tem um detalhe. – o louro dissera, ligeiro.
- Qual? Só espero que não invente mais nada, Malfoy.
- O acordo só deverá ser posto em prática daqui aproximadamente duas semanas.

Quase esquecera que só precisava realizar a aposta no baile e, por isso, não havia necessidade alguma desfilar com a Granger por Hogwarts antes disso. Seus objetivos eram únicos e Hermione nem sequer poderia desconfiar deles: vencer aquela maldita aposta que fizera com Alan e mostrar a sua ruivinha que ele podia traí-la da mesma forma como esta vinha fazendo.

- O quê? Por que isso?
- Se teremos que convencer o Potter e toda Hogwarts de que realmente nos apaixonaremos, é bom que tenhamos tempo suficiente pra isso.
- Não faz sentido. Por que esperar tanto? – não aceitaria tão fácil aquela exigência do louro.
- O baile de comemoração de aniversário de Hogwarts. Daqui aproximadamente duas semanas. Oportunidade perfeita de podermos mostrar ao Potter que você sobrevive muito bem sem ele, e pra mostrar pra Hogwarts que os opostos realmente se atraem.

E Draco deixara escapar um sorrisinho maroto após o último comentário.

- Baile? Eu não estava sabendo desse baile. – frisara as sobrancelhas.
- Pois agora sabe. O que acha da minha idéia?

Ainda tivera a audácia de pedir a opinião da grifinória. Sabia que mesmo que ela não aceitasse, não mudaria de idéia. Draco jamais permitiria que Hermione influenciasse naquele acordo, a não ser as exigências que as castanhas fizera anteriormente, mas sabia que se não as acatasse calado certamente Hermione desistiria no mesmo momento de participar daquele trato. Não estava sendo uma situação confortável para Draco ter que se unir à uma Granger daquela forma, mas sabia que estava encrencado de mais com apostas e traições, e que a castanha, agora, representava uma luz no fim do túnel que Draco jamais poderia imaginar que pudesse algum dia reluzir tanto.
Mas Hermione estava disposta a vingar a traição de Harry, mesmo que isso significasse ter que trocar as suas salivas com a doninha mais irritante que já conhecera.
A garota ainda se silenciara por mais alguns segundos diante da exigência do sonserino, e pensara se realmente fazia algum sentido apenas mostrar à Hogwarts que estavam juntos no baile de aniversário de Hogwarts. Talvez fosse mesmo o melhor para aquele acordo, não faria muito sentido se no dia seguinte os dois fossem encontrados aos beijos pelos corredores do castelo, teriam que se esforçar para provar a todos que algo de mutante havia acontecido com o ódio que ambos nutriam um pelo outro, e que podiam sim estar perdidamente apaixonados. Era uma questão de saber interpretar. Transformariam os corredores de Hogwarts, o salão principal, as salas de aulas, até mesmo as Masmorras de Snape em um palco onde encenariam a peça mais fajuta de suas vidas. E o público seria apenas o Harry canalha que Hermione provaria não se importar mais com o mesmo, a Gina Melhor Amiga Falsa Weasley, embora Hermione não tivesse certeza de que a garota merecia um título desse... “Ela não teve culpa... não posso querer culpá-la...” Era inevitável, Hermione não conseguia culpar a ruiva por aquela traição, se ao menos alguma vez tivesse honrado a sua posição de melhor amiga ao lado da garota e lhe contato seu segredo mais íntimo, a relação com Harry, mas nem isso fizera. Hogwarts certamente se abalaria com um namoro daqueles, tão imprescindível, mas era isso que eles queriam: que todos realmente os notasse, e que Harry pudesse perceber que mesmo Hermione estando só e totalmente destruída por uma traição covarde e fria, a moça poderia arranjar distrações muito mais interessantes do que contar as gotas de lágrimas que escorriam por sua face ou mesmo as rugas que já começavam a aparecer em seu rosto por tonto ódio estampado no mesmo.
Para Draco, as coisas eram totalmente diferentes. Havia uma vingança, sim, mas seus objetivos naquele acordo iam muito além disso. A ruivinha que lhe enchia de prazeres e desejos o traíra de uma forma que um Malfoy nunca perdoaria, e não faria isso por nada. Mas não desistiria da grifinória, mesmo que isso fugisse de seus princípios. A partir do momento que a ruiva infringira uma das regras principais naquela relação Weasley-Malfoy, havia se condenado à uma prisão quase perpétua e mortal ao lado do louro. Mais do que nunca, Draco a queria ao lado dele, queria tê-la em seus braços, em banheiros desativados, salas de aulas esquecidas pelo castelo, corredores escuros e vazios e, principalmente, queria poder dominá-la em todos os sentidos possíveis. A transformaria no que Hermione temia mais do que qualquer outra coisa, uma escrava sexual. Gina faria todos os desejos e vontades do sonserino e se ousasse infringir regras, se condenaria cada vez mais ao destino que já lhe havia sido concedido desde o primeiro beijo.
Mas, ainda por trás disso tudo, havia uma aposta, e venceria nem que pra isso precisasse enfeitiçar a castanha para que pudesse beijá-la, diante da escola. O que Alan diria quando soubesse do namoro deles? Não poderia contar sobre o acordo... ou talvez pudesse... omitindo detalhes importantíssimos, claro. E o que a Pansy diria de tudo isso? Sem sombras de dúvidas, teria que contar à morena sobre o acordo, ou não a teria mais ao seu lado.
Finalmente, Hermione saíra de seu transe mental e resolvera manifestar a sua opinião, que não importaria em nado caso fosse negativa, afinal, Draco era quem realmente decidia as coisas ali.

- Não concordo muito, mas não vejo porque não aceitar.
- Ótimo. – e sorrira, pelo menos não ia ter o trabalho de discutir com a castanha. - Vamos ao que interessa.

E Draco novamente se ajeitara, segurando sua varinha com mais força e apontando-a na direção da varinha de Hermione. A luz que saia de sua varinha ainda clareava boa parte daquela sala, e já podiam ver a noite se intensificando através das vidraças da janela. Hermione nunca fizera um acordo mágico em sua vida e aqui seria um aprendizado que, mais tarde, se arrependeria de ter vivido algum dia. Mas podia ver nas expressões de Draco que este sabia perfeitamente bem como as coisas realmente funcionavam, sentia-se tranqüila, ao menos ele parecia ter experiência suficiente para executar aquele ato. Fora quando algumas idéias completamente malucas passaram pela cabeça da grifinória. Vendo-o ali, bem a sua frente, com a cabeça baixa e totalmente concentrado, Hermione cogitou a possibilidade de o sonserino estar se preparando para algum ritual das trevas, afinal, seu sangue o condenava completamente, e sua árvore genealógica mais do que qualquer outra coisa. E se Voldemort estivesse por trás daquele acordo, e se ele a estivesse manipulando para se aliar às trevas e ajudar a derrotar Harry naquela guerra? Balançou a cabeça e espantou todas essas idéias desnecessárias naquele momento.
Hermione voltou a se concentrar na imagem de um Draco concentrado que acabara de erguer a face e se pusera a fitar Hermione no mesmo instante. Era um olhar compenetrado, que lhe invadia o íntimo. Draco tinha esse poder. Mas retribuíra os olhares da mesma forma como eles viam até ela, e não se abalava pela expressão divertida do sonserino. Como ele podia se divertir com aquilo?
Antes mesmo que Hermione pudesse dizer algo ou mesmo indagar a respeito do que teria que fazer naquele ritual, o mesmo começara sem que ela nem pudesse ter previsto. Sentira uma vento frio em sua nuca e seus pêlos se arrepiaram no mesmo instante. Fora quando vira feixes coloridos de luzes saindo de forma aleatória de suas varinhas e circundando as mesmas, como se formasse um laço entre elas. Se assustara quando sentira o mesmo vento frio em sua nuca e tudo o que vira fora um Malfoy divertido, sorrindo de canto de lábio e aparentemente muito ansioso por aquilo. Os feixes de luzes se entrelaçaram como um nó, realmente, e desaparecem lentamente. Sentia sua varinha presa à do louro e sabia que se tentasse retirá-la, ali, naquele momento, não obteria sucesso algum. Era uma decisão que tomara e agora não havia mais volta alguma.
Quando os feixes de luzes desapareceram por completo ainda sentira o vento frio novamente e pudera sentir as varinhas se afrouxando. Retirara a sua de perto da varinha de Draco e o olhara, muito curiosa. Ainda havia algo a se fazer? Afinal, fora Draco quem realizara o acordo, sozinho? Porque Hermione simplesmente não participara em nada naquele ritual. Lógico, claro que fora o sonserino, jamais ele permitiria que a grifinória pudesse se intrometer naquilo. Mas ainda havia a possibilidade de ter acabado de se unir às trevas.

- Pronto. Agora posso dizer que somos “namorados”.

A voz de Draco ecoara sussurrante na sala, quase como um cochicho. E tudo o que Hermione conseguira fazer, naquele momento, fora franzir o cenho irritada e dizer-lhe, depressa:

- De mentiras! Não esqueça disso.
- Claro que não vou esquecer. E nem faria questão disso. – e parecera ofendido com o comentário.
- E agora, o que faremos?

Hermione ainda o fitava curiosa pelo o que ainda teriam que fazer. Mas não havia mais nada a ser feito. Já havia se comprometido magicamente naquele trato e só lhe restava o árduo trabalho de cumprir com o acordo.

- Não parece obvio?
- Claro que não, Malfoy. O plano é seu, diga o que temos que fazer. – e se irritara, Draco sempre tinha que prolongar os diálogos.
- O que namorados fazem, Granger? - e lhe fitara com expressões maliciosas.
- Eu sei muito bem o que eles fazem, Malfoy. – retribuíra com expressões irritadas.
- Então por que não fazemos? – e sorrira, de canto de lábio, do jeito mais ousado que podia ter feito.
- Nunca Malfoy. Trate de ficar bem longe de mim. E pare de brincadeiras, já não está sendo agradável a sua presença, quanto mais as suas bricadeirinhas.

Hermione se afastara do louro e ordenara, depressa, “Lumus”, para a sua varinha. Pudera se locomover pela sala sem tropeços e esbarrões em cadeiras e mesas. Por alguma razão estava irritada com os comentários do louro e, principalmente, porque agora não tinha a menor certeza se havia feito o certo aceitando aquele acordo.

- Ok. Mas quando pedir, pode ter certeza de que não vou querer.
- Eu não vou pedir nada a você, Malfoy. Eu não chegaria a tanto. – e o fitara ainda mais raivosa.
- Só tome cuidado para não se arrepender das coisas que diz, Granger.

Draco seguira bem atrás da castanha, se orientando pela sua varinha.

- Pode ficar tranqüilo quanto a isso.
- Ótimo!
- Na verdade, Malfoy, você me fez lembrar de um detalhe importante nesse acordo. – interrompera o caminho para fitá-lo frente a frente.
- Fiz? Mais exigências, aposto.
- E acertou! – e sorrira, vitoriosa.
- Qual será dessa vez, Granger?
- “Quais”, você quis dizer. Pra começar, quero que fique claro que, por ser um namoro de mentiras, nada de beijos, a não ser que isso realmente seja necessário.

Na verdade, Hermione desejava ter dito isso antes, mas por alguma razão esquecera que isso era um detalhe muito, muito importante. Sabia com quem estava lidando e, se o sonserino fora capaz de beijá-la em outras circunstâncias, nem desejava pensar no que ele seria capaz agora que havia um acordo de namoro entre eles.

- E o que você considera como necessidade?
- Você sabe, Malfoy, isto é um jogo, nós só precisamos jogar com quem realmente mereça nossa antipatia. Ou seja, somente diante de Harry e nas situações em que isso realmente for necessário.

Estava disposta, não permitiria que Draco não aceitasse a exigência. Mas o rapaz parecia contrariado, não era o tipo de detalhe que desejava que a castanha tivesse lembrado.

- Então, carência afetiva não é uma “necessidade”? – e a fitara de um modo que podia ser, até mesmo, interpretado como olhares de piedade.
- Não! Malfoy, eu falo sério, se você pensar em qualquer atrevimento comigo, vou puni-lo de uma forma que nunca mais vai esquecer. – e lhe apontara o dedo.
- É? Oww... eu sempre gostei muito de sexo selvagem. – e dissera isto sussurrante, próximo à face da castanha.
- Malfoy!!! Você está conseguindo me irritar.

E realmente estava irritada. Por que Draco tinha sempre que ironizar as situações?

- Ok. Você venceu. E depois, eu não ia mesmo querer muita aproximação com você mesmo. Quanto mais profissionais formos, melhor será.

Draco desviara a castanha e seguira o caminho até a porta, guiando-se pela luz de sua varinha.

- Ótimo. Mas se você descumprir o trato, eu não me responsabilizo pelas azarações que vou jogar em você. – e seguira atrás do rapaz.
- Não vai ser preciso. Mas eu também tenho exigências.

Hermione não esperava por isso, definitivamente. Interrompera sua caminhada mais uma vez e agradecera o escuro da sala por não permitir que Draco aproveitasse a sua expressão de susto para irritá-la ainda mais. Do que Draco seria capaz? Exigências sonserinas, isso não cheirava nada bem.

- Não precisa se preocupar, Granger, porque vou ser muito bondoso com você.

O silêncio da grifinória e a interrupção abrupta na caminhada foram suficientes para que Draco percebesse que a garota não esperava por aquela atitude. Mas se Hermione podia lhe fazer exigências, por que Draco também não teria esse direito?! Fora o mentor daquele plano, fora ele quem realizara o acordo, tinha o direito de impor regras naquele trato. E não perderia a oportunidade por nada, exigiria o que realmente fosse necessário, embora não tivesse muitas idéias boas de exigência para fazer.

- Tome cuidado com o que vai dizer, Malfoy. Isso aqui não é uma brincadeira, é bem sério na verdade. – temera o que poderia vir pela frente.
- Eu sei disso Granger, melhor do que você. Mas se você pode fazer exigências, eu também posso. – estava decidido, e já se aproximava da castanha, para que pudesse falar-lhe em um tom menos audível por quem passasse pelos corredores.

- Só não espere que eu aceite todas. – a castanha desviara os olhares.
- Pois vai ter que aceitar. Fará o mesmo que eu fiz com você, Granger : vai escutar tudo o que eu tenho a dizer e concordar com tudo bem caladinha. – e sussurrara para que ela entendesse perfeitamente bem como as coisas realmente funcionavam ali.

- Só tome cuidado com as coisas que vai exigir. Não me torne a sua escravinha sexual... – e cerrara os olhos, irritada

Draco deixara um riso curto escapar diante daquele comentário. Sabia que era isso que a castanha mais temia, e a garota havia acabado de lhe dar a confirmação. Já estava começando a se divertir com aquilo, estava começando a conhecer bem a grifinória sabe-tudo que mais detestava.
Hermione não gostara do riso que o louro dera com o comentário, e só fora capaz de se irritar ainda mais.

- Até que é uma idéia bem interessante. Definitivamente, Granger, você está afiada pra sugerir idéias hoje. – e ainda sorria, divertido.
- Nem pense em levá-las a sério.
- Ok. Então vamos fazer um trato importante, porque se queremos que as pessoas acreditem nesse namoro precisamos fazer por onde.

Draco se recompusera e se preparara para expor suas idéias. Sabia que seria um trabalho difícil, mas não podia deixar de fazê-lo.

- Concordo. – Hermione respirara fundo, já estava pronta para aquele baque forte.
- Que bom! – e sorrira, iniciando o discurso - Então vamos dar uma trégua em nossas discussões, nas nossas implicâncias, pelo menos diante das pessoas, porque queremos que elas pensem que já não nos odiamos mais como antes.

Pensara por alguns poucos segundos na proposta do sonserino e chegara a conclusão de que era interessante. Não desejava perder todo o seu tempo ao lado do rapaz com discussões e ofensas, ao menos quando isso realmente fosse preciso.

- Tudo bem, Malfoy. Por mim, tudo bem.
- Certo. Mas quando estivermos a sós não precisamos levar o acordo a sério, você pode voltar a me odiar. Sei que isso vai ser difícil, mas você tem que se esforçar pra não se apaixonar por mim, Granger.

E lhe despejara olhares sérios e, ao mesmo tempo, maliciosos. Sabia que havia deixado a castanha ainda mais irritada, mas algo naquela irritação da garota o fazia querer sempre irritá-la ainda mais.

- Nem que eu quisesse me permitiria estragar minha vida dessa forma, Malfoy.
- Ótimo, porque eu ia detestar se isso acontecesse.
- Idem!

E um silêncio momentâneo surgira entre eles. Sendo quebrado muito depressa, pela castanha.

- Só isso que você tinha pra exigir, Malfoy?
- Na verdade, não. Tenho uma exigência muito mais importante. – e voltara a fitá-la.
- Então diga qual. – havia um ar de cansaço na voz de Hermione, estava farta de tantos termos e exigências.
- Nada de ofensas contra os meus amigos, nada de discussões com eles. E isso inclui a Pansy.

Draco dissera rápido, despejara tudo muito depressa sobre a grifinória e prendera a respiração esperando pela reação da mesma. Hermione não aceitaria isso facilmente, mas era preciso.

- Ah, Malfoy. Você não acha que está pedindo demais?
- Você sabe, Granger, que meus amigos não vão entender tão fácil um namoro repentino entre nós, principalmente a Pansy. Você sabe que ela tem um gênio forte.
- Eu não sei de nada, Malfoy. – e cruzara os braços, irritada, muito mais irritada.
- Pansy não aceitaria a “Granger sabe-tudo” que tanto detestamos como a minha namorada! – quase gritara.
- Deveria ter pensado nisso antes de propor o acordo, Malfoy.
- E pensei. Mas você precisa me dar um tempo pra preparar as coisas, pra preparar a Pansy pra uma noticia dessa.

Se aquela discussão estava sendo cansativa para Hermione, para Draco também não deixava de ser. Queria poder acabar com aquilo tudo de uma vez por todas, vencer a aposta e vingar tudo o que tivesse que vingar.

- Esse tempo você terá, Malfoy. Afinal, só daqui aproximadamente duas semanas mesmo.
- Mas você precisa colaborar, Granger, não vai ser fácil fazer uma Pansy esquentada entender que estamos juntos com você dando alfinetadas nela toda vez que se cruzarem pelos corredores.
- Eu? Alfinetadas? De onde você tirou uma idéia idiota dessas? Você ta cansado de saber, Malfoy, que é sempre a Pansy que me alfineta primeiro. – e estava incrédula com uma ousadia daquelas.

Hermione? Alfinetadas? Na Parkinson? Só quando muito afetada pela sonserina.

- Mesmo que ela faça isso, tente não revidar. – exigira algo que talvez uma Granger não admitisse jamais...
- Não me defender? Só pode estar brincando.
- Não é uma questão de defesa, Granger, porque eu vou defendê-la diante das ofensas da Pansy.

E um novo silêncio momentâneo. De onde Draco tirara aquela idéia absurda? Não era capaz nem de defender a própria namorada, quando mais esta que seria de mentiras.

- Vai?
- Vou, Granger. Sei que um dia Merlim ainda vai me conceder um cargo de grande prestígio entre os deuses por essa boa ação, mas se você conseguir não responder à Pansy será melhor.
- Qual é a de vocês afinal, Malfoy? Você disse que não são namorados, mas se comportam como se fossem.

Não conteve. Tinha que perguntar-lhe aquilo. Algo naquela relação não lhe cheirava bem. E talvez tivesse a oportunidade de descobrir isso, agora que estaria bem mais próxima do sonserino, por bem ou por mal.

- Você não entenderia, Granger, é algo que nem eu mesmo entendo. Mas está disposta a não se render às provocações dos meus amigos? – insistira.
- Não exatamente. E quando você não estiver por perto para me defender deles?
- Até mesmo nesses momentos, você não pode se render à tentação de enfrentá-los.
- Isso está errado, Malfoy. – aumentara o tom de sua voz, sem fitá-lo nos olhos.
- Aceita, Granger?
- E eu tenho escolha?
- Não!
- Parece que você faz isso só pra irritar. – e cruzara os braços novamente, estava farta daquilo.
- Claro que não, Granger. Por acaso acha que está sendo fácil ter que assumir um compromisso com você diante de toda Hogwarts?
- Não será fácil pra mim também, Malfoy, não gosto nem de pensar o jeito com que vão nos olhar, o que vão dizer de nós e o que meus amigos dirão disso.

E pareceu criar cenas em sua cabeça, pareceu enxergar o futuro que teria pela frente. Não eram visões agradáveis, sua vida já não era agradável, mas sabia que só estava colaborando para que ela se arruinasse ainda mais. Desejava tanto que pudesse voltar a ser a sabe-tudo de antes, ao menos ainda teria razões para estar naquela escola.

- Pensei que não tivesse amigos.
- Pelo menos alguns poucos que me restaram, mas depois desse acordo não acho que vá me restar muitos.
- Será por uma boa causa. – e sorrira, como se tentasse consolá-la.

Como se isso fosse capaz, e como se isso convencesse.

- Não sei mais o que é certo ou errado, só sei que o meu ódio pelo Harry tem falado cada vez mais alto.
- Isso é bom, Granger. Quanto mais odiá-lo, mais sentirá o gosto da vingança. E depois, eu posso ensinar pra você o que é certo e errado.

Mais um sorriso malicioso, mais sorrisos de canto de lábio e mais olhares penetrantes, que lhe sugavam a alma. E novamente se sentira desconfortável diante disso.

- Oh, mal posso esperar por isso, Malfoy. – e sorrira falsamente.
- Pode ir ironizando, quero ver quem vai rir por último. – e lhe dera as costas novamente, seguindo até a porta.
- Como assim? O que quer dizer com isso. – Hermione seguira o louro, agora muito curiosa.
- Só quero dizer que ainda vai adorar a minha companhia. – e sorrira, cínico.
- Não diga bobagens, Malfoy.
- Não estou dizendo bobagem alguma!

Ou estaria? Talvez a presença de Draco na vida de Hermione só pudesse fazê-la ter mais certeza ainda de que o detestava. Mas e quanto a presença de Hermione na vida de Draco? O sonserino não fazia idéia se isso lhe traria algum bem ou mal, sabia apenas que viveria uma experiência excitante... a Granger sabe-tudo teria a oportunidade de mostrar quem realmente é.

- Então. É só isso ou há mais alguma coisa pra terminamos de decidir? – dissera Draco, já exausto.
- Acho que é só. A não ser que queira que eu imponha mais algumas regras.
- Não, nem pensei nisso. Mais um segundo aqui e você vai exigir que eu a chame de xuxuzinho na frente do Potter. – e fizera uma expressão enojada.
- Pode me chamar de docinho de coco, é mais bonitinho, Malfoy. – e sorrira, cínica.
- Nem morto. Não pago um mico desses por nada. – e fechada a cara, sério.

Pensara que a castanha pudesse estar mesmo falando sério? Por via das dúvidas, melhor ignorar aquelas idéias.

- Como você é insensível.
- Só não gosto desse tipo de intimidade.
- Muito menos eu, Malfoy. Então não invente esse tipo de brincadeira na frente dos outros. – fora a vez de Hermione ficar séria.
- Eu não faria com os outros o que eu não quero que façam comigo, Granger. – parecia temer que pudesse ser apelidado dessa forma algum dia.
-Que bom.
- Então podemos ir ? Já está ficando tarde e se eu fosse você não iria querer perder o jantar de hoje a noite.

Draco segurara a maçaneta da porta e se pusera a abri-la, mas Hermione fora rápida e o impedira disso, empurrando a porta com seu corpo, agora imprensando a porta e muito próxima do sonserino. O fitava complemente assustada com o que aquele comentário significava, mas teria que descobrir.

- Como assim? O que quer dizer com isso?
- Só quero dizer pra você não se atrasar para o jantar, Granger. – e sorrira, cínico, muito próximo dela, com seus olhares penetrantes.
- O que você está aprontando, Malfoy? Que idéia maluca você andou tendo?
- Oww, Granger, não é nada disso. – parecia nervoso.
- Tome cuidado com o que você anda planejando, Malfoy. – dissera séria
- Fique fria, Granger. Tudo o que eu fizer será para o nosso bem.
- Você nunca me fez bem, Malfoy.
- Mas agora as coisas mudaram, não é mesmo? Então agora eu posso fazer algum bem a você. – e mais sorrisos cínicos.
- Quase impossível, mas não custa tentar. – e se afastara da porta, permitindo que ele a pudesse abrir.

Draco a fitara um última vez, observando a expressão temerosa da grifinória. Abrira a porta e saíra, divertido, fechando-a assim que a moça saíra também.

- Então... nos vemos no jantar. E espero que apenas jantemos. – Hermione dissera rápida, ajeitando a bolsa em seus ombros, que pegara antes de sair da sala.
- Claro... e o que mais podíamos querer fazer, Granger?! – indagara, ironicamente.

Hermione não gostara nem um pouco daquele comentário do rapaz e lhe fuzilara uma última vez com os olhos cerrados. Se retirara logo em seguida, despedindo-se mais uma única vez:

- Certo. Até mais.

E seguira seu caminho por aqueles corredores pouco iluminados, rumo à sua casa, onde pretendia passar o resto da tarde inteira descansando e esquecendo que havia feito um arriscado acordo mágico e, agora, estava oficialmente unida ao sonserino e não poderia fazer nada para mudar isso, fora uma opção sua afinal.
Hermione caminhava a passos não muito ligeiros, mas se assustara quando escutara passos atrás de si. Parara sua caminhada abruptamente e quase fora atingida por Draco, que por pouco não esbarrara na mesma.

- O que está fazendo? Você deveria está indo para aquele lado, Malfoy.

Estava irritada, apontando a direção em que Draco realmente deveria estar indo. Era um absurdo aquilo, Draco estava ultrapassando os limites de sua paciência. Não havia a menor necessidade naquela perseguição, a não ser se Draco quisesse levar mais um daqueles socos que Hermione já tinha tanta experiência. O fitara muito incrédula, vendo Draco pôr as mãos nos bolsos de sua calça e fitá-la, sorrindo divertido.

- Vou acompanhá-la até sua casa, Granger. – dissera, quebrando a situação.
- Não vai não!! - e gritara isso, balançando a cabeça negativamente e cruzando os braços.
- Como não, Granger? Isso faz parte do acordo, esqueceu disso? Me dê isso aqui...

Draco fora ligeiro, como da outra vez e retirara a bolsa de Hermione de seus ombros, pondo-a em seus próprios ombros e tomando a frente na caminhada até a Grifinória. Por que Draco tinha sempre que fazer aquilo?

- Ei, carregar minha bolsa é forçar demais.

Já estava ficando farta daquela superioridade que o sonserino estava mantendo sobre ela, e já começava a detestar toda aquela aproximação exagerada. Teria de passar árduos dias de sua vida ao lado do sonserino, e isso não seria nada fácil, mas não havia a menor necessidade para Draco querer fazer parte de sua vida desde já.
Hermione respirara fundo e revirara os olhos por suas órbitas e se pusera a seguir o louro, caminhando ao lado do mesmo, enquanto tentava expulsá-lo dali e deixá-la em paz ao menos uma vez na vida.

- Malfoy, me devolve isso. Que droga, garoto, nós já fizemos o acordo, que mais você quer? – estava irritada, tentando retirar sua bolsa do poder do rapaz.
- Não vou nem responder a sua pergunta, Granger, não seria apropriado pro horário. – e lhe fitara, malicioso.
- E nem ouse dizer algo desse tipo. Pare com isso, Malfoy, me deixe em paz... eu sei o caminho pra minha casa, obrigada. – e fitava-o irritada.

Hermione caminhava ao lado do sonserino como em uma marcha contra sua própria vontade, batia os pés com força no chão de mármore e soltava fogo pelas ventas a todo o instante. Procurava respirar fundo para que aquele ódio e a vontade incontrolável de estuporá-lo desaparecesse de seu subconsciente, mas era quase impossível. Estava resistindo muito bem à tentação de retirar a varinha e acabar com aquilo tudo de uma vez. Talvez uma azaraçãozinha boba não fosse tão mal naquele momento. Fora quando lembrara que havia sido por causa de varinhas em punho que recebera uma detenção ao lado dos sonserinos, há uma semana.

- É... tô vendo que essa convivência não vai ser fácil.

Dissera isto sorrindo de canto de lábio, sem fitá-la diretamente. Draco podia ver pelo canto de seu olho que a grifinória estava mesmo muito irritada com a sua presença, mas era isso que gostava: de irritá-la. Por alguma razão, sentia-se incrivelmente realizado fazendo isso, era como se pudesse se sentir vivo ao fazê-la dar gritos de raiva e lhe fuzilar com olhares mortais.

- Não tenha dúvidas disso, Malfoy.
- E a nossa trégua, Granger? – a fitara, indagando.
- Estamos sozinhos. – mas Hermione fora rápida na resposta.

Realmente, fazia sentido. Não teria que manter trégua com o sonserino se estivessem sozinhos.

- Não mais.

Draco sorrira vitorioso de canto de lábio, muito divertido com a visão de uma Granger extremamente frustrada .Agora, realmente, cogitava a idéia de retirar sua varinha e estuporá-lo de uma vez por todas. Aquela situação estava sendo impossível para ela ter de que aceitar. Pensara, naquele momento, que talvez o acordo mágico tivesse sido a pior decisão de sua vida, e que iria se arrepender amargamente, e que isso talvez já estivesse começando a acontecer.
Hermione fitara um grupo pequeno de alunos do 3º ano que surgira de um corredor próximo e parecera os fuzilar com os olhares. Os rapazes e moças sentiram-se desconfortáveis, mas nem por isso deixaram de fitá-los quando Draco e Hermione passaram por eles. Draco ainda carregava seu sorrisinho vitorioso nos lábios, e por isso talvez tenha despertado ainda mais curiosidade nos estudantes, mas Hermione ainda transparecia seu ódio em cada pequeno traço facial. Era algo que não seria capaz de disfarçar.

- Não estou gostando disso. Estão nos olhando como se fôssemos seres de outro mundo.

Havia sido um comentário intimo, mas deixara escapar em um tom audível de mais para que Draco pudesse comentar. Não gostara nem um pouco do comentário que o louro fizera em seguida, mas estava aprendendo a controlar sua raiva. Afinal, se teria que passar boa parte de seu tempo com o sonserino pelos próximos dias, melhor aprender a controlar suas emoções, caso não queira ser expulsa da escola na primeira semana “namorando” o rapaz.

- Você no caso, porque eu não me enquadro nessa classificação, Granger. – respondera, sem fitá-la.
- Muito engraçado, Malfoy, devolva minha bolsa, você não precisa fazer isso.

E Hermione tentara retirar sua bolsa dos ombros do louro mais uma vez, não obtendo o menor sucesso. Bufara uma última vez e continuara a caminhada irritada, seus cabelos encaracolados se esvoaçando de forma agressiva.

- Eu estou fazendo a minha parte nesse acordo, mas você nem isso, Granger. – Draco parecera começar a se irritar.
- Só acho que você está se precipitando de mais, Malfoy.

Havia surgido uma discussão nada agradável naquele momento, mas nenhum dos dois ousaram trocar qualquer tipo de olhar. Hermione pareceu respirar fundo e engolir toda a sua raiva, desejando que o sonserino não dissesse mais nada que pudesse fazê-la borbulhar de ódio por dentro. Sabia que se o rapaz lhe ofendesse ou mesmo fizesse um comentário qualquer, por mais bobo que este viesse a ser, não resistiria por mais tempo e deixaria seu lado sinistro aflorar em seu intimo, não se responsabilizando por seus atos. Mas Draco não parecia temer isso, apesar de, em momentos anteriores, já tiver tido demonstrações claras de que mexer com uma grifinória sabe-tudo não era a atitude mais segura, levando-se em consideração que aquela grifinória em questão o detestava amargamente, de seus cabelos a ponta de seus sapatos.
A castanha respirara fundo, parecendo tomar coragem para aceitar aquela situação. Não conseguiria convencer o rapaz de não acompanhá-la até sua casa, então só lhe restava aturá-lo ao seu lado naquela caminhada cada vez mais árdua. Seus passos eram firmes, desejava pelo menos uma noite de sono e tranqüilidade, esquecer que sofria de um coração partido, esquecer que estava começando a perder todas as suas amizades, esquecer que ainda havia um ano inteiro para aturar naquela escola, esquecer que havia uma guerra cada vez mais eminente e que nem sequer planejara nada quanto a isso e, principalmente, esquecer que estava ligada magicamente a um sonserino “estúpido” e “insensível” que, justamente o inverso disso tudo, provaria a Harry que Hermione não fazia a menor questão do amor fingido e canalha que o mesmo tentava lhe oferecer, novamente.

- Pronto Malfoy, não precisa continuar. – dissera ligeira, interrompendo sua caminhada.

Por sorte, não haviam cruzado os corredores com mais nenhum aluno ou aluna. Estava aliviada por isso, era tudo o que mais desejava naquele momento, não chamar a menor atenção, enquanto não se prepara-se psicologicamente para isso, afinal, sabia que dali para frente chamar a atenção seria a única coisa que teria de se empenhar em fazer ao lado de Draco, principalmente tratando-se da atenção de seu ‘traidor” Potter.
Draco interrompera, também, sua caminhada, fitando-a com um ar divertido nos olhos, ainda segurando sua bolsa sobre seu ombro.

- Bobagem, Granger. Eu sei que a passagem secreta de vocês é o quadro da Mulher Gorda. Essas coisas não são mais segredo em Hogwarts.

Como se aquilo realmente a surpreendesse: Malfoy saber aquele tipo de coisa. Quantas grifinórias Draco já havia “pego”? Quantas vezes ele já estivera naqueles corredores se agarrando com suas companheiras de quarto? Sabia que invasões de alunos de outras casas era comum em Hogwarts, incrivelmente eles eram capazes de descobrir façanhas para burlar as regras criadas por Dumbledore de não permitir a troca de casas.
Mas retirara essas idéias de sua cabeça depressa, voltando a fitá-lo. Ainda podia criar em sua cabeça imagens do sonserino se agarrando com as grifinórias mais cobiçadas de Hogwarts. Sim, porque todas com quem Draco já saíra, pelo menos aquelas que a castanha pudera saber, eram as garotas mais cobiçadas do castelo, embora muitas deles não tivessem atrativos alguns, apenas fama.

- E por que eu não sei onde é a passagem secreta da sonserina? – cruzara os braços, era bem verdade de que realmente não fazia idéia daquilo.
- Talvez porque você seja uma desinformada, Granger. – e mais um olhar divertido, voltando a caminhar.

Hermione se apressara para segui-lo, e em poucos minutos de uma nova caminhada já estavam bem próximos da entrada da casa grifinória. E novamente, Hermione interrompera sua caminhada, seguida de Draco.

- Pronto! Agora já pode ir, Malfoy. – não o fitara direto, só torcia para que ele dissesse um tchau rápido e seguisse o caminho de volta.
- Nem uma despedida calorosa, Granger? – expectativas frustradas, ele se aproximara dela, e Hermione erguera seus olhares bem de encontro com os seus.
- Se você chama a ardência que você vai sentir entre as suas pernas de calorosa, faço até questão de me despedir, então.

E sorrira, cínica, imaginando um Malfoy dando gritos de dor pelo castelo.

- Você tem um ótimo senso de humor, Granger. – e sorrira, virando a face como se desejasse esconder aquele sorriso. - Pena que pertença à casa errada.
- Pra você uma pena, não pra mim. – e se irritara pelo comentário, ofensivo, como todos os outros.

- Ok. – E se dera por vencido. Hermione sentira suas entranhas darem pulos se alegria. - Então, até mais Granger.

Draco agira impulsivamente, curvando seu corpo na direção da castanha e aproximando sua face bem perto da face completamente aterrorizada da garota. Hermione arregalara seus olhos e não dissera nada até jogar seu corpo para trás e segurar o peito do rapaz, tentando afastá-lo de si antes que Draco cometesse alguma loucura.

- Ei, o que pensou que ia fazer, Malfoy? – fora tudo o que dissera.

Ainda fitava-o incrédula, até que Draco aproximara-se dela novamente, dizendo-lhe ao pé do ouvido:

- Vai entender quando entrar na sua casa. – Com a voz rouca, sussurrando muito baixinho para que mais ninguém ouvisse. – Acho que isso é seu.

E havia alguém ali que pudesse ouvir o que o sonserino tinha para dizer-lhe? Virara a face rapidamente e vira o exato momento em que o quadro da mulher gorda, mais ao longe, se fechara. “Por Merlim, quem foi que acabou de entrar ali?” Pensara, um tanto desesperada pela resposta.
Voltara sua face na direção do sonserino e o vira segurando sua bolsa pela alça em sua direção, fitando-a inexpressivo. O observara mais uma vez, como se tentasse ler os pensamentos do louro. Agarrara sua bolsa depressa e a colocara de volta em seu ombro, lugar em que nunca deveria ter saído.

- Até o jantar, Granger. – e dera as costas para a castanha.

Antes que pudesse se afastar muito da garota, ouvira a mesma dizer, fazendo interromper a caminhada:

- Hey, não está esquecendo de nada não?
- Estou é? – se virara para fitá-la, voltando a caminhar na direção de Hermione.
- Temos uma detenção hoje a noite. – e erguera as sobrancelhas, de forma provocativa.

Esperava provocá-lo de alguma forma com aquilo? Talvez sim...
(P.S: aff... :X vocês sabem, eu estou completamente perdida no tempo, então ignorem esse mero detalhe. Ok?! Ainda nos resta mais uma detenção!!)

- Não brinca! Essas malditas detenções não acabam nunca? – e finalmente dissera uma verdade entalada a muito tempo em sua garganta.
- Justamente, Malfoy. Hoje é o último dia de detenção.
- Sério? Merlim ouviu minhas preces. – e sorrira, ligeiramente. - Então não se atrase pra detenção, também, Granger.

Por que ele tinha que dizer aquilo? O que, afinal, aquele sonserino pensava que era dela? Pai? Ou algo assim? Para querer dar-lhe ordens, querer exigir dela pontualidade que em seis anos nunca exigira, lógico, porque nunca trocara mais de dez palavras com o mesmo. Namorado... sim... de mentiras... mas era seu namorado... e desde quando namorados de mentiras tinha esse direito de querer dominá-la?

- Eu não faltaria por nada! – e sorrira, maliciosamente, fitando-o fundo nos olhos.

Fora quando Hermione se lembrara do acordo feito minutos atrás, e de todos aqueles termos e exigências.

- Como assim, Granger? – Draco franzira seu cenho muito curioso e intrigado com aquele comentário.

O que a castanha estaria tramando? Desde quando uma grifinória sabe-tudo e enxerida tinha esse direito de tramar algo? E desde quando Draco realmente podia permitir que uma indagação dessas passasse por sua cabeça loura? Talvez porque Draco não se importasse em querer agir como se fosse mesmo o dono da situação, como se ele fosse realmente o único que podia querer manter alguma superioridade ali e ter as melhores idéias.

- Hoje você vai ter que cumprir com sua palavra, Malfoy. Vai ter que me defender na frente da sua namoradinha. – e o fitara muito mais provocativa do que antes.

Tinha divertimento em sua voz, desejava, mais do que qualquer outra coisa, presenciar aquilo: vê-lo cumprir com sua palavra diante da Parkinson esquentada com quem desfilava pela escola.

- Sem problemas.

Draco parecera perceber que a ficha havia, finalmente, caído. Então era disso que a castanha estava falando? Ótimo, ele cumpriria com sua palavra, havia prometido.

- E minha namoradinha agora é você, Granger. – Draco dissera isto em um sussurro rouco, não muito longe da castanha.

Seus olhares se encontraram naquele exato momento, e era como se Hermione pudesse sentir, mesmo que por milésimos de segundos, que aquilo fosse alguma realidade. Mas caíra na real, não permitiria que o louro tentasse contar vantagem naquilo.

- De mentiras. – Hermione frisara, depressa.
- Claro! – e sorrira, divertido, havia conseguido atingi-la do jeito que desejava. - Até mais.

E novamente dera as costas para a castanha, não fazendo questão de nem ao menos deixar-lhe algum olhar cínico ou provocativo, apenas se retirara, seguindo o caminho inverso que fizera para chegar até ali.
Mas nem precisaria que ele houvesse lhe deixado com algum tipo de olhar misterioso ou com algum comentário que a pudesse deixar intrigada a noite inteira. Hermione já estava por demais atormentada com todos os recentes acontecimentos. Draco, por sua vez, fazia-lhe companhia quanto a isso, tinha seus pensamentos mil vezes mais norteados do que os da grifinporia. Se aquela havia sido a opção mais sensata, não saberia até que constatasse dentro de alguns poucos dias, mas sabia que aquele acordo salvaria a sua pele de uma aposta que já vinha dando por perdida. Não admitira isso, em momento algum, a seu amigo Alan, lógico. Se o fizesse, nem precisaria mais tentar conquistá-la, decretaria PERDA no mesmo instante. Mas agora sabia que Alan perdera a aposta e que, como punição, pagaria o maior mico de sua vida. Sorte que aquele era seu último ano, mas sabia que seria motivo de chacota pelo resto de sua vida, ao menos enquanto Draco estivesse vivo.
Pensar em “estar vivo” só o fizera deixar que seus pensamentos caíssem desnorteados sobre um fato igualmente recente em sua vida. Algo que desejava não ter que pensar tão cedo, mas que desejava poder solucionar o mais depressa possível. Uma decisão que só dependeria dele, uma decisão que, na verdade, garantiria sua vida para o resto de sua vida.
Draco fazia seu caminho de volta à sonserina com os pensamentos ainda muito distantes, mas tentava focá-los no dia em que veria seu melhor amigo desfilar desnudo pelo salão de festas e a quantidade de risos e gargalhadas que isto tiraria dos alunos presentes (Hogwarts inteira, na verdade).
Pusera as mãos no bolso de sua calça quando sentira uma corrente fria invadir o corredor. Aquele tempo estava mesmo cada vez mais sinistro nos recentes dias. Desejava retornar para sua casa e esquecer de tudo o que lhe acontecera naquele dia. Desejava nem ao menos encontrar uma Pansy sedenta de desejos.
Hermione seguira em direção ao quadro da Mulher Gorda depois que vira a silhueta de Draco desaparecer no fim do corredor. Tinha seus pensamentos dispersos por todos os fatos recentes, sem se focar em nenhum deles em especial. Ainda desejava, com todas as suas entranhas, um cama fofinha e cobertores sobre o seu corpo, esquecer que tinha uma vida... uma droga de vida.

-Mione... Mione!!!

Ouvira assim que adentrara o salão comunal. Virara sua face para o lado e vira a figura de uma ruiva muito exaspera fitando-a enquanto se aproximava dela.

“Não, Merlim, não diga que isso está acontecendo!! Por que essa garota não me erra pelo menos uma vez?!”

Engolira em seco e tentara não demonstrar a sua irritação por ter a ruiva de volta a sua vida. Fitara-lhe, indagativa, esperando que a garota iniciasse o que tinha para dizer-lhe.

- Mione, posso falar com você? - e parecera temer a resposta que a castanha daria.
- Agora, Gina? – Hermione precisava despistá-la, pelo menos aquela noite.
- É! É muito importante. – mas Gina não dera chances.
- É porque eu pretendia dormir um pouco até o jantar. – e inventara a primeira desculpa que viera a sua mente. Talvez não exatamente uma “desculpa” qualquer... aquilo estava sim em seus planos.
- Mas prometo que vai ser rápido. – e insistira, mais uma vez.
- Tudo bem! – e, contrariada, rendera a insistência da moça.

Naquele exato momento, duas grifinórias que Hermione nem se quer lembrava de ter visto naquele escola alguma vez na vida passaram bem ao seu lado e ao lado de Gina, fitando-a descaradamente, como se quisesse penetrar a sua alma. Sentira-se extremamente desconfortável, mas fora apenas capaz de retornar os olhares ainda mais descarados e levemente irritados.

- Nós vimos tudo, Hermione. – uma delas, loura e de olhos muito esverdeados dissera, sorrindo de forma radiante. - E adoramos.

Hermione simplesmente não entendera absolutamente nada. As fitara com curiosidade, deixando que seus pensamentos buscassem algo que a fizesse compreender aquela frase. Gina franzira seu cenho, curiosa.

- Do que elas estavam falando, Mione?
- Não faço idéia. – e ainda tentara buscar fatos para explicar aquilo...

E realmente obtivera sucesso. “Malfoy... só pode ser...” Pensara no mesmo momento em que lembrara da imagem do quadro da Mulher Gorda se fechando e de um Malfoy que tentara lhe beijar em um momento anterior.

- Essas garotas são umas desocupadas, nem dê atenção à elas, Mione. – e dissera, ignorando as garotas assim que estas se afastaram para um sofá próximo.
- Eu não pretendia, Gina. Eu nem faço idéia do que elas estejam falando. – mentira, agora realmente sabia do que estavam falando, mas dera de ombros.

- Certo. Então podemos conversar? – e Gina não perdera o foco daquela conversa.
- No dormitório é melhor.

Hermione caminhara antes que Gina pudesse dizer algo, direto para as escadas em direção ao dormitório. Talvez pudessem haver alunas lá, mas não se importava, queria apenas afrouxar aquela gravata, retirar os sapatos, jogar sua bolsa em uma poltrona qualquer e desejar que o que a ruiva tivesse a dizer fosse algo irrelevante e que o fizesse o mais depressa possível.
E fora exatamente isso que fizera: afrouxara sua gravata assim que jogara sua bolsa sobre uma poltrona próxima a sua cama, retirando os sapatos com uma habilidade incrível, sem tocar nos mesmo, apenas com o auxilio de seus próprios pés e, no instante seguinte, sentara decidida sobre a cama, fitando Gina e esperando que essa se sentasse ao seu lado.

- Então, Gina, o que tem pra me dizer? – dissera, já impaciente, vendo que a ruiva ainda permanecia de pé observando-a.
- Er... Mione, sei que você vai ficar muito irritada comigo por isso, mas eu preciso que você escute o que eu tenho a dizer. – e sentara-se ao lado da castanha, desviando os olhares por vezes.
- Então diga, Gina. – estava começando a temer aquela conversa.
- Er... Mione... preciso fazer um desabafo com você, como nos velhos tempos de melhores amigas.

Gina tinha um ar inocente nos olhares, como se estivesse pedindo desesperadamente por atenção, como se houvesse algo de muito sério lhe afetando por dentro e realmente estivesse precisando de ajuda. Se fosse em tempos anteriores, Hermione se preocuparia com aquela expressão abatida da ruiva e correria abraçá-la, confortando-a em seus braços e dando ao menos uma segurança de que estaria ali para tudo o que ela precisasse. Mas não era assim que as coisas funcionavam, na verdade, era tudo muito diferente. Se Gina tivesse sepultado aquele sentimento por Harry e se Harry tivesse se mantido fiel a ela durante aquelas férias, talvez Hermione tivesse tido a coragem suficiente de contar a sua melhor amiga que amava Harry perdidamente e que esse sentimento era recíproco. Gina não aceitaria, não a perdoaria, mas Hermione tinha muita influencia sobre a garota, conhecia os artifícios para amolecer seus sentimentos. Não perderia a melhor amiga e ainda estaria com o amor de sua vida.

- Aconteceu alguma coisa, Gina? – deixara os pensamentos de lado, o que importava era aquele momento.
- Tem acontecido muita coisa, Mione. Minha vida está de pernas pro ar. – e desviara os olhos, frustrada.
- Não é só você que está passando por isso, não precisa se desesperar tanto. – e fora irônica, mas Gina jamais entenderia aquela ironia,
- Mas eu já estou completamente desesperada. Sinto muito que a nossa amizade esteja passando por baixos, e eu nem ao menos sei por que isso está acontecendo com a gente, mas eu não vou insistir. Prometo. – e fizera um sinal de jura com os dedos, moldando uma cruz e despejando um selinho sobre o sinal.
- Nem deveria tentar. – e dissera isto mais para ela do que para Gina.
- Mione, meu namoro tem se tornado um caos ultimamente. Harry tem estado distante, preocupado. E eu não sei o que fazer. – tinha desespero nos olhares, a fitava como que louca para que Hermione realmente a ajudasse.
- E o que eu tenho haver com isso, Gina? – a castanha nem se importara em ser ríspida, fora espontâneo.
- Muito, mais do que pode imaginar. – e novamente aqueles olhares de puro desespero.
- Como... o que quer dizer com isso? – Mione franzira seu cenho, o que Gina estava tentando dizer? Impossível, a ruiva não sabia de nada, não poderia, assim, insinuar nada.
- Quero dizer que eu preciso da sua ajuda, eu preciso que você salve o meu namoro, Mione.

Gina havia simplesmente dito a maior barbaridade que poderia ter cometido a gafe de dizer diante de Hermione. O que a ruiva tinha na cabeça para pedir-lhe aquilo? Com certeza, havia perdido a noção do perigo. Gina sabia que Hermione detestava todas as idéias que envolviam Harry, e Hermione tinha seus motivos, embora desconhecidos pela ruiva. Estava se arriscando pedindo algo como aquilo, Gina sabia que com Hermione Granger estava cada vez mais impossível manter algum tipo de relação.

- COMO? Que tipo de absurdo é esse? – Hermione se sobressaltara, fitando-a com os olhos esbugalhados em suas órbitas.
- Absurdo? Não! Mas você tem que entender, Harry é a pessoa mais importante da minha vida, a pessoa que eu mais amo, Mione. Demorei muito tempo para conquistá-lo, não posso perdê-lo agora. – tentava acalmá-la, mas mal sabia que aquilo só estava irritando a castanha ainda mais.

Era a situação mais constrangedora que Gina já pudera colocar Hermione, desde o dia em que descobrira sobre o namoro as escondidas entre Harry e ela. A fitara, ainda incrédula, baixou sua vista para o cobertor de sua cama e se perdeu naqueles desenhos floridos. Seus pensamentos se dispersavam de forma desordenada e sofrida, doía-lhe pensar que o garoto que mais amava agora amava outra... essa que lhe pedia o maior absurdo de sua vida. Se tivesse que ajudar naquele namoro, seria para destruí-lo, apenas. E o faria.

- Gina, sinto muito. Não há nada que eu possa fazer. – dissera por fim, voltando a fitá-la.
- Faça as pazes com Harry, peça perdão a ele ou o perdoe, seja lá a razão dessa briga estúpida de vocês. – Gina insistia, mas seus absurdos eram cada vez maiores.
- É exatamente essa a questão! Você não faz nem idéia das razões para estarmos brigados.
- Não por falta de vontade, vocês se recusam a me contar. – e dera de ombros, fingindo irritação.
- Não insista mais nisso! – e irritara-se.
- Ok, eu não me importo de não saber nunca as razões pra tanto ódio, mas por favor, acertem as contas depressa. – e mais um olhar de puro desespero, implorando mais que sua própria vontade.
- Nunca, Gina. NUNCA! – se exaltara, certificando-se de que não havia mesmo ninguém naquele dormitório para escutá-la. - Nem que ele implore por perdão, nunca!
- Será que vocês não percebem que se tornaram pessoas amargas e frias? – se exaltara junto a castanha, irritada por Hermione ter ignorado seu pedido de ajuda. - Perdi minha melhor amiga e agora estou perdendo meu namorado, acha isso interessante?
- Não acho nada! O namorado é seu, saiba mantê-lo ao seu lado. – e não resistira a tentação de jogar-lhe na cara aquela verdade.

Afinal, a garota não havia lhe roubado seu namorado? Que fizesse bom proveito, que soubesse usufruí-lo bastante e que tivesse capacidade suficiente de mantê-lo. Capacidade que Hermione não tivera. Concluíra isso muito facilmente, afinal, onde estaria seu namorado senão ao seu lado naquele momento? Bobagem... não tinha mais namorado... só um inimigo mortal.
O que estava acontecendo com as pessoas ao seu redor afinal? Por que todo mundo tinha que lhe fazer alguma indagação inacreditável ou mesmo alguma afirmação estúpida? “Acha isso interessante?”, Gina nem fazia idéia do quão interessante aquela situação era para ela... tudo o que mais queria era que ela perdesse esse namorado que agora tinha em seu poder. Sofreria tudo o que ela sofreu.

-Você sabe que ela tem um gênio forte.
- Eu não sei de nada, Malfoy.


Afinal, todos estavam contra ela? Por que tinha sempre que saber das coisas que não desejava saber? Respirara fundo e voltara a conversa que vinha tentando ter com a ruiva.

- Você está sendo uma estúpida, Mione. Está estragando a sua vida, a minha e a do Harry. – Gina nem se quer pensara no quanto aquelas palavras poderiam ter ferido a castanha.
- Cuidado com o que diz de mim, Gina. E não estou estragando vida alguma, faço o que quero. – e se exaltara novamente, apontando-lhe um dedo bem na face.
- Então faça as coisas errado. – e dissera isto levantando-se depressa.

Gina saíra a passos ligeiros e irritadiços daquele dormitório, faiscando pelo seu caminho. Ainda encontrara as grifinórias “desocupadas” no mesmo local, antes de atravessar o quadro e azarar todos os fantasmas que surgiam pelo seu caminho.

“Arg... eu ainda perco o meu tempo com ela! O que está havendo?! Desde quando Hermione foi contra mim??!” Seus pensamentos lhe atordoavam a mente.

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Enquanto isso, Draco já havia chegado à sua casa e já se acomodava confortável em uma poltrona ao lado da lareira. Retirara seus sapatos depressa, jogando-os longe e nem se importando quando um deles batera na cabeça de um primeiranista que estudava próximo, sentado sobre o tapete que forrava o piso. Afrouxara sua gravata sobre o pescoço e desejava poder retirar aquela roupa e passar uma noite inteira debaixo do chuveiro, sob uma água fervente, do jeito que gostava. Fechara os olhos por alguns instantes, alguns poucos segundos, até escutar risadas e uma voz conhecida se aproximando cada vez mais.

- Você é hilária, Pansy... como conseguiu??

E mais risadas divertidas se aproximando ainda mais da poltrona em que Alan estava. E um grito de ira que reconheceu ser do primeiranista próximo, sendo expulso do tapete, provavelmente por Pansy, quem sempre costumava fazer isso, paranóia, pensava sempre que eles podiam estar escutando as suas conversas.

- Do que estão falando? - Draco abrira os olhos, exausto, com a visão baixa, mas muito curioso. – Como conseguiu o que, Pansy?!
- Nada da sua conta, Draco. O papo aqui é reto... sacou!? – e Alan lhe respondera, divertido.

Draco não dissera mais nada, também não estava tão curioso assim mesmo. Vira Alan sentar-se no sofá próximo e Pansy seguir em sua direção, alisando seus cabelos louros e fazendo-o relaxar com aquele toque. Talvez não fosse má idéia uma Pansy sedenta de desejos aquela noite, precisa se distrair com coisas que realmente lhe dessem prazer. Fechara os olhos por alguns instantes, enquanto Pansy se posicionava entre as pernas de Draco, ainda de pé e lhe acariciava os cabelos, tirando-os de sua testa. Alan sempre se enojava com essas cenas de demonstração de afeto...

- Péssima cara, Draquinho... – Pansy dissera.

Em seguida, seguira até o sofá onde Alan estava e se sentara ao lado do moreno. Cruzara as pernas sobre o sofá, muito confortável vestindo uma calça jeans ao invés da sai de seu uniforme. Pra onde pretendia ir daquela forma? Trocaria mais tarde, quando fosse ao jantar.

- Aposto que ta assim porque McGonagall cancelou os nossos treinos. – Alan dissera, fitando Draco de esgueira.
- O QUÊ?!! Que absurdo é esse, Alan?!

Draco não esperava por aquilo. Se assustara com o que o moreno dissera e se ajeitara na poltrona, esperando que Alan retirasse aquele sorriso de canto de lábio de sua face e explicasse de uma vez por todas o que aquilo significava. Quadribol ainda era o seu esporte favorito e, mais do que qualquer um daqueles sonserinos, o melhor jogador do time, além de líder, claro.

- É isso mesmo. Teve reunião hoje com a McGonagall, você sumiu o restante de tarde todo e como sou seu substituto...
- Não acredito que vocês vão começar a falar disso, né... por favor... !! – Pansy interrompera Alan.

Mas nenhum dos dois dera ouvidos ao que a sonserina dissera.

- Por que ela fez isso? Não tinha esse direito... – Draco estava frustrado.

Sua única diversão naquela escola, e já não a teria mais.

- Meu caro... já viu as nossas notas? Sonserina em peso está se ferrando nas notas. McGonagall disse que se não revertermos isso, nada de treinos e nada de competição.

Alan baixara a vista, parecendo pensar na informação, ainda não havia caído sua ficha. Justo aquele ano, que tinha idéias brilhantes para os treinos e estava bem mais empenhado em vencer aquela competição. Era a vez dos Sonserinos mostrarem que podiam ser melhores do que qualquer outra casa, conquistariam o titulo que no ano anterior não conquistaram. Draco não podia acreditar que haviam lhe tirado a distração para seus problemas.

- Converso com aquela velha depois... e resolvo isso. – dissera muito convicto.
- Pode tentar... mas não vai conseguir. – Alan acabara com sua convicção.
- Eu consigo tudo o que quero, Alan... não aprendeu ainda?!

E Draco lhe direcionara um olhar irônico, que afetara Alan em cheio. Pansy nem sequer entendera o que aquilo poderia significar, era de praxe Draco dizer que conseguia tudo o que queria, e até mesmo já dissera isto referindo-se a sonserina... uma grande mentira, por sinal, porque só a tivera quando precisava de alguém que pudesse servir-lhe de fachada naquele castelo, e não porque realmente a queria. Só passara a querê-la realmente quando já a tinha só para si.

- Por falar nisso... lembram que temos provas amanhã, não é?! – Pansy interrompera a troca de olhares, em que se travava uma luta inexpressiva..
- Temos?! Quando isso... que eu não ouvi? – Alan sorrira, vendo-a irritada.
- Vou atrás dos livros, vocês estudam e me dão cola amanhã... ok?!

Pansy se levantara, falava sério quanto ao “colar” naquela prova. Poções, como se realmente aquilo fosse possível. O que estava acontecendo, afinal? Pansy se interessando pelos estudos? Talvez só porque estivesse mesmo muito mal naquela matéria. Seguira para fora do salão e deixara os rapazes a sós.
Draco se levantara da poltrona e se sentara ao lado de Alan, encostando sua cabeça no sofá e fechando os olhos perdido nos pensamentos, até ser retirado deles por Alan.

- Quebrando a cabeça, né?! Pensa que me engana, Draco?! Você só fica assim quando não obtém sucesso com a Intragável.
- Do que ta falando? Como sabe disso? Não ta comigo quando eu tento “conquistá-la”! – e lhe direcionara os olhares.
- Mas eu sei... porque eu sei que ela é Intragável até demais. Não vai conseguir, Draco... desiste logo... melhor do que perder tanto tempo nisso.
- Nunca, Alan. Não vou dar a batalha por vencida. – e sorrira, de canto de lábio, lembrando que já a havia vencido.
- Eu avisei... Depois não vai reclamar...! – e Alan sorrira, divertido por imaginar Draco pagando o mico do ano.
- Quer mesmo saber, Alan... essa aposta ta mais do que vencida! – e fora irônico.
- Por mim, você quer dizer.
- Ai que você se engana! – Draco resistia para não contar a ele sobre o acordo.

Lógico que não poderia contar sobre o acordo, aquilo era trapaça, perderia a aposta se Alan descobrisse. Naquele jantar, mostraria a Alan que já estava caminhando para a vitória e, em poucas semanas, no primeiro baile de Hogwarts, provaria que realmente vencera. Depois, quando a poeira baixasse, contaria a Alan sobre o acordo que fizera, com algum pretexto em que ele acreditasse, ocultando o detalhe de que o acordo já houvera sido feito há muito tempo. Alan se divertiria e esqueceria o mico, apenas o apoiaria no jogo... tinha certeza disso.
Um plano perfeito, mas esperava que realmente este seguisse seu curso normal.
Deitara a cabeça novamente no sofá e se contentara com apenas aquelas poucas indiretas, mas Alan não estava nem um pouco afim de falar sobre aquilo com Draco. Precisava dar um jeito de impedir que a vitória realmente fosse do louro. Confiava na sua idéia de que Hermione era mesmo completamente intragável, mas sabia que havia alguma possibilidade de perder aquela aposta. Pansy era sua principal peça naquele jogo, mas a garota não podia nem ao menos desconfiar de que havia uma aposta. Caso contrário, Draco nunca mais olharia em sua cara, fora isso que combinaram: ficaria entre eles. Desejava muito entregar os pontos, mas não arriscaria perder a amizade do garoto. Conseguiria vencer aquela aposta de muitas outras formas.

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Gina ainda caminhava sem rumo pelos corredores já pouco iluminados, visto que já anoitecia. Seus cabelos cor de fogo se esvoaçavam pelo caminho e se azarava por não ter pego sua capa antes de sair, o vento frio a fazia tremer.

“Mione não podia fazer isso comigo. Era a única amiga em quem eu realmente confiava.” E continuava a dispersar-se em seus pensamentos frustrados.
“O que Harry fez pra ela eu não sei, mas ela não pode querer fazer isso comigo. Só pedi uma ajuda...”

Cruzara um corredor próximo e não vira que havia alguém em seu caminho, simplesmente esbarrara feroz nos ombros da pessoa, que identificou depressa ser a Pansy Parkinson Vadia. Bufara de ódio, alisando o ombro dolorido pelo impacto forte, com as expressões mais medonhas possíveis. Pansy carrega uma pilha considerável de livros nos braços e derrubara tudo no mesmo instante em que se esbarrara com a grifinória. Não havia sido difícil reconhecer, os cabelos cor de fogo entregava no mesmo instante quem havia provocado aquilo. Agora, ambas espumavam de raiva umas das outras.

- Ei, Weasley, cuidado, tem que aprender a olhar por onde anda. – dissera isto antes de se abaixar para pegar os livros que carregava do chão.
- Não enche, Parkinson. – e dera de ombros, retirando-se dali ainda irritadiça.
- Como é? Eu não te dei o direito de falar comigo dessa forma, pobretona. – e ainda gritara, fazendo Gina voltar o seu caminho e fitar a sonserina extremamente furiosa.

Odiava ser chamada daquela forma, havia pego um trauma daquela ofensa quando Draco a direcionara contra ela logo em seus primeiros anos em Hogwarts. Em pensar que, durante um bom tempo de seus primeiros dias no castelo a ruiva realmente se interessara pela figura de Draco. Sempre tão decidido, galante, popular entre os alunos de sua casa e entre todos da escola. Ainda perdia noites de sono gargalhando por debaixo dos cobertores quando se lembrava disso, daquele gel que cobria todo o seu cabelo e o deixava com a cara mais antipática de Hogwarts. Como pudera se interessar por ele algum dia? E mesmo assim, se interessara mais tarde. Definitivamente, Draco havia mudado consideravelmente desde o terceiro ano, quando dera vida àqueles cabelos alourados e macios... Desfizera os pensamentos no mesmo instante, só sabia que não permitiria aquela ofensa.

- Nem precisava, Parkinson. É assim que os inferiores devem ser tratados. – e lhe despejara um olhar ligeiro de cinismo.
- O que é, Weasley, algum borra bosta do quinto ano te deu um fora foi? – Pansy se erguera do chão, com os livros novamente em seus braços.
- Não pensei que eu seja que nem você, Pansy. – e mais um olhar cínico, despejado com muito gosto sobre a morena.
- Ah, Não. Eu não sou nenhuma vadiazinha que agarra todos em menos de uma semana. – e sentira-se vitoriosa pelo comentário.

Havia afetado Gina diretamente. O que aquela sonserina pretendia com aquilo? Despertar o trasgo que Gina tinha escondido em seu íntimo? Sim, porque certamente a ruiva não deixaria barato. Mas ela precisa se controlar, ao menos porque sua vida já estava um caos, transformá-la em um caos maior ainda seria fácil, mas não a melhor escolha.

- Tem certeza? Pois está completamente equivocada. – cerrara os olhos, engolindo sua fúria. - E nunca mais me chame disso.
- Disso o que? Vadiazinha de Hogwarts? – lhe jogara um olhar de completo prazer por ofendê-la. - Não é nenhuma mentira mesmo.
- Sua vaca, vai engolir cada palavra.

Gina se exaltara antes mesmo que pudesse ponderar suas atitudes diante da sonserina. Seguira ligeira na direção da Pansy e agarrara seus cabelos com velocidade, parecendo despejar todo o seu ódio, sua fúrias, suas frustração naquele ato. Não adiantara de nada ter recolhido todos aqueles livros, e se Pansy soubesse o que viria a acontecer, nem teria perdido tempo nisso. Pansy soltara os livros no mesmo momento e se pusera a puxar os cabelos ruivos da garota, com toda a sua força e ódio. Se ela podia, porque não reagiria?!

- Sua cretinazinha... – Pansy a xingava até que sua corda vocal pedisse arrego.
- Sua vadia... oferecida... só porque namora o garoto mais popular de Hogwarts... – e Gina lançava todo o seu ódio tentando arrancar o cabelo daquela sonserina.
- Você tem inveja... sua pobretona... porque eu TENHO um namorado...
- Não conte tanta vantagem... Vaca... – e Gina se segurava para não dizer-lhe muitas outras poucas e boas quanto aquilo.
- Você tem que se contentar com os leprosos dessa escola... já pegou quantos afinal?! – Pansy nem se quer se importava de estar se referindo a ela como se estivesse, na verdade, se referindo a si mesma.
- Menos do que você... sem duvida!!! ME LARGA... GAROTA!!! - e Gina tentara soltar-se.

Quando percebera que a sonserina não iria soltá-la tão cedo, Gina resolvera agir por necessidade... era sua defesa própria. Escorregara suas unhas com gosto sobre o lado esquerdo da face da morena, prazerosa por feri-la daquela forma. Havia mostrado o quão perigosa podia ser para a sonserina. Pansy se afastara de Gina no mesmo momento, cambaleando para tentar se equilibrar depois que tropeçara nos livros sobre o chão.

- Sua estúpida. Olha só o que você fez.

Fora apenas o que Pansy pudera dizer naquele momento, massageando seu rosto e procurando por vestígios de sangue, mas por sorte só pôde sentir as marcas fundas das unhas da ruiva sobre sua pele. A ardência não era nada diante do ódio que estava sentindo da grifinória. Tinha vontade de voar em seu pescoço e quebrá-lo do mesmo modo como se faz com galinhas caipiras.

- Deixei minha marca bem nas suas fuças, nada demais. – e Gina sorrira, vitoriosa, fitando o rosto avermelhado da sonserina.

Ambas estavam completamente descabeladas.

- Meu rosto, sua cretina. Você me desfigurou. – e Pansy ainda massageava sua face.
- É pra aprender a tomar mais cuidado comigo, Parkinson. – e se aproximara perigosamente da garota, mas não pretendia dar inicio a uma nova briga.
- Claro, uma débil mental como você. É um risco pra um sociedade bruxa inteira... – e tentava não fitar a ruiva. Se o fizesse, não conteria sua fúria.
- Não. Só porque eu posso deixar minha marca em tudo o que realmente for importante pra você. Ooopss... Talvez eu já até tenha deixado. E não é das suas fuças que eu estou falando não.

Gina não resistira, precisa dizer aquilo a sonserina. Observara a garota completamente desconcertada.

- Do que está falando então, pobretona?!
- Tente descobrir. Use o 1% de inteligência que você deve ter ai... – e apontara para a cabeça de Pansy, rindo da situação da garota.
-Vai me pagar uma plástica, sua estúpida.
- Tá precisando mesmo, Pansy. Tem muita coisa caída ai. – e apontara pra todo o seu corpo.
- Sua grifinória dos infernos, é melhor sumir antes que perca sua vida. – e Pansy ameaçara seguir até ela.
- Vou fazer isso. Mas é porque sua presença é insuportável.

Gina rira mais uma vez diante da imagem de uma Parkinson com um lado da face completamente avermelhado, uma pilha de livros caídos sobre o chão e os cabelos da mesma completamente embaraçados. A confundiria com uma daquelas bruxas fictícias dos livros infantis que uma vez Hermione lhe mostrara, em uma visita a sua casa entre os trouxas. Gina ajeitara seu cabelo rapidamente, nada muito difícil, eram lisos e seus dedos escorregaram com facilidade por eles. Fitara Pansy mais uma vez, evitando gargalhar de novo, e dera as costas.
Seguiu para qualquer lugar em que pudesse extravasar a sua raiva e gargalhar muito pelo ocorrido. Já era tarde, não se arriscaria pelos jardins, mas talvez algum corredor vazio em que pudesse estar a sós. Agradecia a sonserina por ter aparecido em seu caminho, pudera extravasar boa parte de sua raiva sem muita dificuldade.

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Aquele restante de tarde transcorrera, pra muitos, normalmente, para aqueles jovens nada parecia estar em seu estado normal, muito menos os seus nervos que estavam a flor da pele.
Gina passara boa parte da noite com Harry em uma sala de aula qualquer vazia. Encontrara o garoto na sua caminhada desordenada pelos corredores e aproveitara para discutir a relação. Harry detestara aquela atitude, Gina fazia o que Harry nunca precisou detestar em Hermione, já que ambos nunca haviam discutido a relação enquanto juntos. Talvez esse fora o grande erro, talvez Harry tivesse algo do tipo “Só quero aproveitar...” a dizer para a grifinória, e Hermione não se sentiria tanto traída amargamente, e talvez Hermione pudesse deixar claro a ele “Que amo você e quero estar ao seu lado pra sempre”, mas eles jamais descobrirão se era isso que diriam mesmo um ao outro caso algum dia tivessem discutido a relação.

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- Aquela grifinória, imbecil... Arg!!!

Pansy entrara no salão comunal soltando fogo pelas ventas. Trazia a mão sobre a face esquerda e estava completamente irritada. Os cabelos nem tanto bagunçados, mas o rosto estava corado de raiva. Gritava como uma enlouquecida, pisando fundo e seguindo para o sofá em que antes estivera com Alan, onde Draco cochilava com a cabeça caída no encosto. Um primeiranistas de expressões assustadas carregava os livros que Pansy carregava antes de esbarra em Gina, soltando-os sobre o sofá ao lado de Draco e correndo para longe dali em seguida.
Draco despertara de seu sono ligeiro, assustado com o barulho provocado pela queda dos livros e os muxoxos de Pansy. Esfregara os olhos a fim de despertar definitivamente e encontrara uma Pansy completamente irritada seguindo em sua direção. Os olhos da garota lacrimejavam, mas ela não choraria, não daria o braço a torcer.

- Veja, Draco... o que aquela cretina fez comigo.

E Pansy sentara-se ao lado dele, por sorte só haviam alguns poucos alunos de séries diferentes da deles naquele salão, Alan estava no dormitório e não ouviria nada que viesse do salão comunal. Draco ainda estava sonolento, fitando a face que Pansy mostrava para ele, avermelhada e com cinco marcas visíveis de unhas. Draco fizera uma expressão de dor e parecera sentir a ardência em seu próprio rosto. Dera uma risada abafada e se segurava para não rir mais que isso, sabia que Pansy estava descontrolada.

- Quem fez isso com você, Pansy?!
- Quem você acha, Draco? Aquela grifinória estúpida, cretina, imbecil, que vai me pagar caro por isso.
- A... você quis dizer a.. – Draco franzira seu cenho, e antes que terminasse...
- Essa mesma, Draco!!

O sonserino observara mais uma vez o rosto avermelhado da garota e desejara poder gargalhar diante da visão que tinha. Mas sabia que compraria uma briga muito maior caso o fizesse. Resolvera alisar-lhe os cabelos e aconchegá-la em seus braços, ao menos controlaria sua raiva e a faria esquecer, por um tempo, que estava com o rosto desfigurado. Mas ainda assim, aquela situação era divertida.

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Hermione conseguira descansar em seu dormitório sem a interrupção de ruiva alguma ou mesmo de Malfoy atrevido algum. Aproveitara para formular idéias quanto a sua vingança contra Harry, afinal, havia um acordo e tinha que honrá-lo.
Rony passara aquele restante de tarde entretido em jogos de xadrez e conversas com outros grifinórios, em seu dormitório. Nem sequer pudera prever que Hermione descansava no dormitório ao lado.
Mione acordou faminta, observando o relógio ao lado de sua cama e constatando que faltava muito pouco para que o jantar fosse servido no Salão Principal. Espreguiçara-se completamente preguiçosa, fitando seu travesseiro mais uma vez e criando coragem para levantar da cama. Erguera-se rapidamente, como se a qualquer momento pudesse desistir da idéia e voltar ao seu mergulho naqueles cobertores quentinhos e confortáveis. Ajeitou o uniforme em seu corpo, lavou o rosto para se despertar e ajeitou os cachos de seus cabelos. Algo naquelas férias realmente acontecera e realmente valera a pena. Conseguira desfazer a rebeldia de seus cabelos, com uso de feitiços que até então desconhecia completamente, pensara consigo mesma ”Sou uma bruxa, claro que haveria um feitiço para isso! Aff!” . Seus cabelos agora eram macios, reluziam seu brilho na cor castanha clara e tinha os cachos mais perfeitos que já conhecera, ainda que conseguisse alisar a raiz de seus cabelos e transformar o cabelo rebelde em uma obra a ser apreciada, já que seus cachos pendiam apenas das pontas dos seus cabelos e batiam um pouco abaixo de seus ombros. Definitivamente, aquilo mudara muito a sua fisionomia, e se hoje atraia olhares masculinos, sabia que havia razões para atraí-los. Mas havia algo que a castanha ainda não admitira para si mesma: se transformara numa mulher... por sinal, muito bela. Seus traços cada vez mais visíveis...
Hermione seguira para o salão, ainda faminta, e encontrara Rony pelos corredores. Apressou-se para conseguir alcançá-lo e quando o fizera caminhara ao lado do amigo, entre conversas animadas sobre como fora os seus dias.

- Mi, você viu o Harry por acaso? – Rony lembrara de fazer-lhe essa pergunta.
- Nem sinal dele, Rony. – tentara ser gentil com o rapaz, mesmo que não fizesse questão de saber onde Harry estaria.

Adentraram o Salão Principal naquele exato momento e seguiram pelo corredor até a sua mesa, distraídos com a visão de um salão principal ainda bastante vazio. Hermione se controlou para não despejar seus olhares na direção da mesa sonserina, a qual já estava se aproximando em sua caminhada, mas seu esforço fora totalmente em vão. Havia sido um ato espontâneo, fitar a mesa sonserina e deixar seus olhares caírem sobre os bancos onde Draco e seus amigos sempre sentavam. Mas, para sua completa surpresa, só Alan se encontrava ali. Agradecera por ele não a fitar no momento em que observara o mesmo, já que era de costume cruzar os corredores com o sonserino e este lhe assombrar com seus olhares que emanavam um tipo de arrogância que Hermione detestava. O rapaz conversava com alguns sonserinos próximos, distraído.

“E ainda exige que eu não falte ao jantar. Aquele estúpido...” Pensara voltando sua vista para o corredor entre as mesas. Ainda se lembrava perfeitamente bem das palavras de Draco, ainda cedo, quando pedira para que ela não faltasse ao jantar aquela noite. Estava tremendamente desconfiada de que Draco havia planejado alguma coisa, mas desejava não pensar nisso. Caso contrário, sua paranóia a dominaria completamente e não aproveitaria em nada aquele jantar, que seu estômago pedia desesperadamente.
Hermione e Rony sentaram-se em seus respectivos lugares na mesa e, novamente, em um ato espontâneo, fizera questão de estar direcionada à mesa sonserina, tento uma visão privilegiada da mesma, mesmo esta sendo a última e estando entre suas mesas as outras duas restantes, Corvinal e Lufa-Lufa.

- Na verdade, ele não foi o único que sumiu a tarde toda. Onde você esteve afinal? – Rony voltara a conversar.
- Eu? Por que quer saber? – ficara nervosa, lembrando de tudo o que lhe acontecera naquele final de tarde.
- Como assim, Mione? E desde quando eu realmente preciso de um motivo pra isso? – Rony se irritara, fitando-a com o cenho franzido.
- Desde quando eu não me sinto bem tendo de dar satisfação a você. – precisava dizer isso...
- Ah... então esqueceu mesmo que somos amigos, né Mione. – estava levemente corado...

Mione o fitara, o amigo estava sentado ao seu lado e tinha a vista baixa, como se deprimido pela conclusão em que chegara anteriormente. Fora impossível não deixar escapar um sorriso divertido com o comentário do amigo. Hermione o abraçara divertida.

- Ohh... Ronald. Tá carente é?! – ousara, brincando

Rony sentira-se desconfortável com aquela atitude da castanha, mas sabia que a garota não tinha o menor conhecimento de seus sentimentos, portanto, seria injusto ver aquele momento com outros olhos senão os de pura inocência.

- Preciso responder?! – brincara, sorrindo.

Hermione deixara seus olhares escaparem direto ao seu horizonte e, fazendo isso, avistara o casal que incrivelmente ninguém ainda havia desconfiado da existência. Seus nervos pareceram estar à flor da pele quando vira uma troca de olhar entre eles, mas se controlara o suficiente para se separar de Rony e dizer-lhe...

- Agora achamos nosso “querido amiguinho”.
- E Gina vem junto com ele... de novo. – Rony concluíra, já fitando os dois.
- Você também acha isso estranho? Pensei que fosse só eu, Rony. Não comente nada com ele, ok?!

Hermione não havia resistido, aproveitara a situação para dizer aquilo ao ruivo. Aquela situação já estava deixando-a pirada. Detestava ver Harry e Gina juntos e, ao mesmo tempo, desejava que eles dessem ao menos um vacilo se quer, suficiente para que Rony desconfiasse da relação de ambos e descobrisse o namoro que existia por trás da amizade.

- Como assim? Tem alguma coisa que você saiba e eu não, Mione? – Rony estava intrigado com o comentário anterior da castanha.
- Er... Não... Não Rony. Nada não!

E, nesse momento, Harry e Gina sentaram-se junto a eles, precisamente de frente a eles. Mas Gina se erguera depressa, seguindo na direção de algumas grifinorias do sexto ano.

- Hey... olá!! – Harry dissera, sorrindo para ambos.
- Aonde esteve a tarde toda, Harry?! – fora a única recepção que Rony conseguira fazer.
- Eu? Ahh sim... reunião com McGonagall... sobre os treinos de Quadribol!

Harry ficara nervoso com a pergunta repentina, da mesma forma como Hermione também ficara nervosa quando Rony lhe fizera a mesma pergunta. Dessa forma, sabia que havia uma mentira por trás daquilo. De fato, Harry mentira, passara boa parte do resto da tarde com Gina, escondido em algum canto secreto de Hogwarts, mas realmente havia tido uma reunião com McGonagall.
Nesse momento, Gina retornara para o seu assento ao lado de Harry, fitando o irmão e amiga muito sorridente.

- Voltei!

Dito isto, Gina se preocupara em dirigir a palavra apenas à Harry, havendo uma troca de olhares ligeira, mas suficiente para despertar mais curiosidades em Rony.

- Tem certeza, Mione?!
- Se não quiser acreditar em mim, fique a vontade, Rony.

Hermione se desconcentrara na conversa por alguns segundos, quando sua visão caíra sobre a silhueta de um louro que caminhava decidido até a mesa sonserina. Era Draco quem adentrava o salão, e podia ver os seus cabelos alourados esvoaçando-se com o vento e, por vezes, caindo sobre seus olhos. Como adorava aquilo. Mas saíra de seu transe no mesmo momento em que ouvira a voz de Harry ecoando em sua mesa.

- Do que estão falando?
- De nada, Harry. – Rony respondera, depressa.
- O que é que estão escondendo de mim, hein! – Harry insistira.
- Nada, Harry. Que droga!! Passou a tarde toda sumido e ainda quer se intrometer na minha conversa com a Mione.

Rony despejara, em um súbito acesso de grosseria, não fitando amigo e se corando cada vez mais. Estava farto daquilo tudo.
Mas Hermione resolvera continuar a se concentrar na visão que tinha da mesa sonserina. Seus olhares caíram novamente sobre o louro e não o vira fitar, nem por um segundo se quer, a sua mesa. Talvez ele nem se lembrasse do acordo que haviam feito. Bobagem... era um acordo mágico, como não lembrar?! Mas aquilo poderia ser um bom sinal, afinal. Significava que, se ele não estava dando a mínima para sua presença ali, certamente não tinha planos algum para aquela noite. Ao menos era isso que achava.
Vira Draco sentar-se ao lado de Alan, na mesa sonserina, e iniciar uma conversa com o mesmo, não muito animada. Daria tudo por aquelas orelhas extensíveis... se ao menos Fred e Jorge ainda estivessem naquela escola, mas nem isso.

- Que estresse, Rony. Tão novo e já dando tanto “piti” por besteiras. – Gina se pusera a dizer, surpresa pela reação do amigo quando Harry insistira na indagação.
- Por falar nisso, onde a senhorita esteve o restando de tarde toda, Virginea? – fora a vez de fazer-lhe aquela pergunta.
- Não me chame assim, Rony. – corara diante do primeiro nome sendo pronunciado. - Estava por ai... só!
- Por acaso estão fazendo isso de propósito? – Rony novamente se estressara, aumentando seu tom de voz aos poucos.

Mas Hermione não estava com a menor paciência para aquilo, aquela discussão boba e sem a menor importância. O que Rony pretendia com aquilo? Na verdade, era ele quem estava afastando todos os seus amigos com aquela crise repentina. Resolvera concentrar-se na visão do Malfoy a sua frente e buscar por explicações para o fato de o rapaz não ter entrado no salão acompanhado de sua “namoradinha” Parkinson, aquela sonserina repugnante que Hermione detestava por completo. Algo havia acontecido, sabia disso, para que a sonserina não estivesse ali, junto de seu namorado. Mas o quê, afinal? As orelhas extensíveis realmente ajudariam muito na formulação de uma resposta para isso. Draco conversava com Alan e Hermione tivera a impressão de vê-lo observá-la de esgueira... mas não dera importância. Para ela, Draco ainda estava ignorando-a.

- Qual é Rony, você nunca quis saber o que eu fazia ou deixava de fazer em Hogwarts, por que isso agora? – Gina se exaltara.
- Porque meus melhores amigos e até a minha irmã estão me abandonando cruelmente. – e novamente fitara seus amigos com um olhar de tristeza.
- Por favor né, Rony. Hogwarts está exigindo demais de todos nós esse ano, não temos tempo nem de respirar mais. – Gina tomara a palavra.

Enquanto isso, um Malfoy visivelmente abatido tentava desfazer seu aparente mau humor.

- Ei, cara... deve ter sido hilário... a Pansy com o rosto desfigurado. Daria tudo pra ver isso.
- Ainda dá tempo, ela ta lá no salão comunal, jogada no sofá e azarando todo mundo mentalmente. – Draco dissera ao amigo, sorrindo ao lembrar da cena.
- Então acho melhor eu ficar por aqui mesmo. – e Alan dera uma risada divertida.

Draco sorrira, sabia que Alan não perdoaria aquela situação, e que a condição de Pansy seria motivo para chacotas o ano inteiro. Mas havia algo naquilo tudo que o fazia ficar cada vez pior. E tinha completa relação com a grifinória de cabelos encaracolados que Draco, vezes ou outras, fitava com o canto de seus olhos. Podia vê-la concentrada em sua imagem e aparentemente curiosa pelo o que conversava com seu amigo, mas nem mesmo isso o fazia deixar de odiá-la em partes. Havia um acerto de contas a tratar com a castanha, e pretendia que fosse ainda aquela noite. Só esperava uma oportunidade, e esta não demorou a aparecer.

- E como vai a nossa aposta? Já vi que ta começando a desistir, hein... – Alan iniciara um novo diálogo.
- Claro que não... eu estava só dando um tempo!
- Dando um tempo? Pra quê? Pra eu vencer? – e Alan sorrira
- Muito engraçado... dando um tempo pra conseguir conquistá-la...
- Não tô vendo muito sucesso nisso, Malfoy.
- Não? Quer que eu mostre? – e Draco sorrira, divertido.
- O quê? Mostrar? O avada que vai levar dela? Essa eu quero ver.

Alan realmente achava que isso pudesse acontecer, e desejava que acontecesse. Draco havia sido desafiado e não desperdiçaria a oportunidade de mostrar que tinha total domínio naquela situação. Adoraria ver a cara do amigo... mas havia algo naquilo que o mesmo nem se quer fazia idéia: ele precisava cumprir com o acordo que fizera com a castanha, e aquele momento era perfeito. Sem Pansy por perto, e conseqüentemente sem crises de ciúmes e tapas na cara; um Alan para quem deveria provar que aquela aposta já estava ganha e seu alvo principal bem próximo da castanha... Draco podia ver Harry entretido em uma conversa à mesa grifinória, mas também via uma Hermione concentrada em fitá-lo.
Draco se levantara depressa de seu banco e sorrira uma última vez para Alan, dizendo-lhe, depressa:

- Apenas aprecie, meu caro.

E uma risada do amigo, que mostrava o quanto a sua incredulidade era grande. Mas Alan mal esperaria para ver. Não que Draco pudesse agarrar Hermione a força e possuí-la diante de toda Hogwarts, vencendo a aposta naquele mesmo instante... mas ao menos mostraria à Alan que não receberia avada algum, e isso já era o bastante para que o garoto começasse a se preocupar quanto ao dia em que teria que desfilar desnudo pelo salão.
Hermione percebera que o garoto havia se levantado de sua mesa e que caminhava pelo corredor, seguindo entre passos ligeiros até sua direção. Abaixara sua vista e só era capaz de escutar a discussão entre Rony e Gina, em que Harry se intrometia por vezes. O que aquele sonserino estaria planejando? Desejava que ele desviasse seu caminho para alguma outra mesa que não fosse a sua...

- E desde quando você pensa nos estudos, Gina?! Você só pensa em festas, fofocas, garotos e moda.
- Ainda bem que sabe disso, Rony. Menos mal. – Gina sorrira...

Hermione escutara os passos se intensificarem próximos de sua mesa, e sabia que eram os passos do sonserino. Erguera sua visão novamente, precisava confirmar suas suspeitas, e fora exatamente isso que fizera. Rony já havia percebido os olhares do sonserino que caiam sobre Hermione, ao seu lado, e incrivelmente assustado constatara que a castanha também o fitava, embora séria. Harry e Gina não haviam percebido, Draco seguia bem atrás deles e tinha um leve sorrisinho de canto de lábio. Rony se lembrava desse sorriso toda vez que cruzava os corredores com Draco e este o ameaçava de alguma forma. Ainda tinha a lembrança do dia em que os sonserinos o levaram para o jardim e o enfeitiçara, enquanto Hermione se mantinha sobre as garras daquele Malfoy. Por essa razão, ainda o odiava tremendamente por aquele dia. Hermione estava inexpressiva, apenas esperava que ele entendesse que não queria que ele causasse nenhuma encrenca.
Hermione estava sentada no primeiro banco, bem a ponta da mesa grifinória e percebera quando Draco se aproximara ainda mais. Sentira um arrepio subindo por suas espinhas... era a respiração do sonserino bem em seu pescoço.

- Até que você foi bastante pontual, Granger.

Draco sussurrara isso só para ela, em seus ouvidos. Hermione fitava um ponto qualquer em sua mesa com expressões indecifráveis, apenas se corroendo de ódio por dentro por ele estar fazendo-a passar por aquilo. Mas não era essa a intenção? Aproximar-se de Draco e fazer Harry detestar isso?
O sonserino ainda se encontrava curvado, com suas respirações batendo de encontra ao pescoço da castanha, quando Hermione dissera, não se preocupando em sussurrar.

- Oi pra você também, Malfoy.

E Draco se erguera, ficando a frente da grifinória, ainda fitando-a de forma maliciosa com aquele sorriso em meio lábio. Rony estava petrificado diante da imagem que tinha a sua frente, simplesmente não acreditava no que estava acontecendo, ou talvez seu ódio era tamanho que não havia conseguido extravasá-lo até aquele devido momento. Harry, por sua vez, observava a tudo com a expressão mais desgostosa que poderia esboçar. Seus olhos estavam cerrados por detrás de seus óculos redondos e tentava se controlar para não voar no pescoço daquele sonserino atrevido. Draco não estava abalado com nenhum dos olhares de ódio que caiam sobre si, apenas se concentrava em fitar a castanha e fazer o máximo de ciúmes ao Potter. Sabia que seu amigo estava observando a tudo muito temeroso do que poderia vir a acontecer, em uma mesa sonserina um pouco distante...

- Só vim me certificar de que você não faltaria a nossa detenção hoje. – Draco quebrara o silêncio surgido com a troca de olhares.

Hermione ponderou aquela situação. Não sabia ao certo que deveria fazer. Um Malfoy tão próximo de si nunca lhe pareceu uma situação agradável, e vendo por esse lado desejava retirar sua varinha naquele mesmo instante e azará-lo por tal ousadia. Mas e quanto ao acordo? Era ciúmes que fariam ao Harry, e sabia que já estava começando a funcionar. Por esse lado, desejava levar aquele momento a sério e iniciar o seu ato... descobriria se era uma boa atriz.

- Nem pensar, Malfoy... não vou faltar! – respondera, po fim, ainda fitando-p.

Hermione fora capaz de ver os olhos cerrados de Harry virarem em sua direção, conforme aquele diálogo se formava. Sabia que o rapaz estava incrédulo, e borbulhava de ódio. Em outros tempo, Hermione o fitaria desesperada pedindo para que Harry a protegesse das garras de Draco... e Harry o faria, caso Rony já não o tivesse feito antes mesmo de Hermione implorar por reforço. Mas não era isso que a castanha fazia, ela simplesmente permitia aquela troca de olhares, ela simplesmente permitia aquele diálogo, aquela aproximação. Draco observara de esgueira, por um segundo, a ruiva sentada ao lado de Harry. Os olhares dela caiam apenas sobre ele, e a sensação de a estar afetando o fez sentir-se de um jeito inexplicável.
Harry não resistira por mais tempo, erguera-se depressa de seu banco, batendo as mãos com força na mesa antes disso. Tinha o ódio estampado na face e Draco apenas se assustara com o ruído provocado pelo garoto, fitando-o por um momento, curioso pelo o que o grifinório faria.

- Fora daqui Malfoy. Ninguém chamou você aqui. – Harry estava exaltado, era fácil de se perceber.

Alan, ao longe, parecia se divertir com aquilo. Vira o exato momento em que o grifinório se erguera e expulsara o sonserino, sorrindo com a cena divertida que se criava bem a sua frente. ”Isso, Potter, não facilite as coisas... me ajude a vencer essa aposta.” Alan pensara, consigo mesmo, rindo da cena.
Mas Draco não pareceu se abalar com a atitude do moreno, apenas o fitara mais uma vez e dera, simplesmente, de ombros. Voltara sua face na direção de Hermione e dissera, vendo-a visivelmente assustada com a cena que Harry estava criando.

- Então Granger...
- Qual é o seu problema? Você não escuta direito é?! – Harry se exaltara, empurrando Draco por um de seus ombros. - Eu disse pra você ir embora daqui. AGORA!

Draco não esperava por aquilo, simplesmente se assustara com a força com que Harry o empurrara, mas ainda fora capaz de se equilibrar sobre seus sapatos. Tentou não demonstrar nenhuma irritação pelo o que o garoto havia acabado de fazer. Desde o momento em que Harry começara a se exaltar Draco lembrara do acordo e de uma das exigências que havia feito a castanha, quanto a não agredir (verbalmente ou mesmo fisicamente) seus amigos, e era justamente esse ponto que Draco pretendia discutir com Hermione ainda aquela noite. Por tal, preferiu manter-se paciente diante das agressões de Harry e simplesmente ignorá-lo.
Colocara as mãos dentro dos bolsos de sua calça e fitara Harry mais uma vez, mostrando a sua repulsa pelo rapaz, ao mesmo tempo que Harry demonstrava seu ódio pelo mesmo. E, não contendo sua vontade, Draco resolvera fitar Gina por alguns longos segundos. A ruiva tinha os olhos estreitos, fitava o sonserino de forma que lhe fazia milhares de indagações apenas com o brilho de seu olhar. Draco voltara a esboçar seu sorriso meio lábio quando percebera que estava realmente afetando a sua ruivinha, mas retomara sua atenção a castanha bem ao seu lado.
Se aproximara novamente da garota e percebera que esta se estremecera nesse exato momento, quando sentira a respiração do rapaz em seu pescoço novamente, e deixara seus olhares se perderem sobre suas mãos, postas sobre o colo.
Draco sussurrara, mais uma vez, no ouvido da moça, fazendo um ar de curiosidade percorrer aquela mesa novamente.

- Espero que seja tão pontual quanto foi hoje. Passar bem, Granger.

E dizendo isso, Hermione sentira as mãos de Draco irem de encontro as suas, e algo sendo passado das mãos frias e pálidas do rapaz para as suas, pequenas. Não conseguira decifrar de cara o que era, mas sabia que o rapaz estava brincando com fogo com essa atitude. Harry e Gina perceberam que Draco havia pego em suas mãos mas, de inicio, não passara por suas cabeças que algo pudesse ter sido passado das mãos do rapaz para as mãos da moça. Rony, por sua vez, se detinha em azarar o sonserino com seus olhares de ódio, e nem notara o que havia acontecido.
Draco dera um último meio sorriso para a garota e se retirara, deixando uma Granger completamente inexpressiva. Desejava que Hermione ao menos lhe esboçasse algum sorriso bobo, que pudesse dar maiores suspeitas, mas a garota estava se recusando a cumprir aquele acordo verdadeiramente.

“Missão cumprida...” Pensara, o sonserino, voltando para sua mesa.
Incrivelmente aquele salão ainda estava levemente vazio, e poucas pessoas notaram a presença de Draco em mesa rival e no acesso de raiva de Harry.
Hermione deixara seus olhos caírem sobre suas mãos, muito envergonhada pelo o que havia acontecido. Sabia que os amigos a estavam fitando, indagando por coisas que ela não pretendia responder-lhes. Apertara ainda mais sua mão esquerda e amassara o papel que Draco pusera nela... sabia agora que era um pedaço de pergaminho. O que havia nele? Que tipo de conteúdo? Aquele não era o melhor momento para descobrir.
Harry voltara a sentar-se em sua mesa, certificando-se de Draco estava mesmo muito longe dele. E definitivamente, estava, em sua mesa, rindo ao lado de Alan. Gina estava desconfortável com aquela situação. Um milhão de dúvidas rondavam seus pensamentos. O que Draco pretendia com aquilo? Que tipo de relação havia entre ele e Hermione? Por que Harry se exaltara tanto? E o que aquele contato de mãos significava? Resolvera baixar os olhos e esperar que tivesse oportunidade para fazer aquelas perguntas todas.
Aos poucos, os grifinórios foram tomando coragem para iniciar algum tipo de diálogo após o acontecido, e fora Rony quem iniciara:

- Qual é, agora ta amiguinha do Malfoy, Mione?! – e o fizera grosseiramente.

Hermione revirou os olhos e respirou fundo. Ok... discutiria então!

- Não escutou, Rony?! Nós temos uma detenção juntos, só isso.
- Você deveria tomar cuidado com esse idiota, Hermione. Ele pode querer te machucar. – fora Harry quem dissera, fitando-a com olhos de irritação.
- Escuta aqui, Harry. Você não é ninguém pra querer me alertar dos riscos que eu corro lidando com o Malfoy. – o fitara nos olhos - Por tanto, aconselho você a ficar na sua se não quiser que eu mesma mostre qual o seu lugar.
- O que ta havendo com você, Mione. Sou seu amigo, me preocupo com você. – Harry precisa iniciar aquela discussão, não ficaria calado diante de tanta grosseria.
- Não faço a menor questão. Basta me deixar em paz.
- Você é uma estúpida. – e dissera, no momento em que o jantar surgira bem a sua frente.
- Ohh... Vocês combinaram foi? Porque acho que já escutei isso hoje. – Hermione ria ironicamente, ainda fitando Harry com intensa irritação.

Ao ouvir Harry chamá-la de estúpida, Hermione se lembrara da conversa que tivera com Gina naquela tarde, da barbaridade que pedira para que ela fizesse e do momento em que dissera que ela era uma estúpida.

- Pára Mione... você ta sendo inconveniente. Estão nos olhando. – Gina dissera, agora irritada com a ironia da amiga.
- Que olhem!!! Foda-se... todos vocês! – Hermione se exaltara.

Aquela situação estava quase impossível. Estava detestando tudo aquilo e só desejava poder sumir daquele mapa do maroto... !!
Draco retornara a sua mesa e sentara ao lado de Alan, rindo da situação que criara junto dos grifinórios.

- Viu a cara do Potter? – Draco ria lembrando.
- Por que você não socou aquele cicatriz quando teve oportunidade, cara? – e Alan se contorcia de tanto gargalhar.

Mas algo, por trás daquelas risadas, transparecia sentimentos diferentes de diversão. Draco ainda tinha um acerto de cotas com a castanha, e Alan estava cada vez mais certo de que Draco podia sim ser capaz de vencer a aposta. Sendo assim, tinha que começar depressa com seu plano de atrapalhar os planos de Draco. Aonde estaria Pansy numa hora dessas? Ah claro... desfigurada!
Hermione jantara em silêncio, evitando encarar os amigos. Rony não tinha o menor apetite, sua cabeça borbulhava de idéias e questões. Por vezes, Harry abria a boca querendo indagar algo a castanha, mas não o fazia. Gina, por sua vez, tentava disfarçar o desagrado com aquilo tudo.
Hermione ainda podia sentir o papel que Draco deixara em suas mãos, e vendo que as coisas estavam mais calmas, resolvera tentar ler o que havia nele. Logo daria um jeito de sumir com o mesmo. Abrira o papel de leve, tentando não fazer ruído algum, e quando notava que alguém a observava, interrompia no mesmo instante. Por fim, conseguira desdobrá-lo, e lera rapidamente algumas palavras escritas ali, em uma letra que mais parecia um garrancho.

- Eu sabia, Mione!!!!

Hermione se assustara com a voz exaltada de Harry. Dobrara o papel novamente e vira Harry se levantar, seguindo até ela. Não entendia nada, e assim estavam todos ali próximos.

- Me dá isso, Mione... deixa eu ver o que tem escrito ai.
- Sai Harry... que idiota! – Hermione tentava tirar as mãos de Harry que iam de encontro às suas.
- Me mostra, Mione, o que aquele idiota ta querendo com você afinal!!! – Harry ainda tentava a todo custo.

Hermione se contorcia, tentando impedir que ele tirasse o papel de suas mãos, mas seu esforço fora completamente em vão, Harry conseguira pegar o papel. Draco observava a tudo em sua mesa, e já tinha os dentes cerrados por ver que Hermione havia vacilado e deixado Harry pegar o papel de suas mãos. Seu ódio o fez desejar voar no pescoço daquele Potter enxerido, mas não o tinha como fazer.
Hermione se ergueu de seu banco e apontou sua varinha ligeira para o papel que Harry tinha nas mãos.

- Evanesca!!

E o papel virara cinzas. Não resistira e lhe jogara um sorriso de vitória.

- Não ouse mais invadir a minha privacidade dessa forma, Harry.
- Está se divertindo com isso, né?
- Muito, Harry... sua cara de tacho...
- Eu falo desse seu deslize... vai provar do veneno daquela serpente, Mione... e vai se arrepender de não ter me dado ouvidos.
- Cala a boca, Harry... você quem está sendo um estúpido.

Antes que pudessem dar continuidade aquela discussão, o jantar fora encerrado e todos já se erguiam de seus assentos e seguiam para a saída do salão. Eram muitos os alunos, o que de inicio era um salão vazio, se transformara em um salão completamente super lotado. Hermione se perdera entre todos aqueles alunos e fora arrastada por eles. Não tinha mais Harry a sua vista, e nem mesmo Rony ou Gina. Já respirava aliviada, pensando que poderia sair dali e esquecer aquilo tudo, quando fora puxada com violência por uma mão fria. Procurou por quem podia estar puxando-a e quando pensou que pudesse ser Harry, encontrou um par de olhos cinzas fitando-a com expressões mortíferas.

- Malfoy.
- Bonito, Granger... é assim que cuida pra que não descubram a farsa, não é mesmo? – Draco dissera, sussurrando muito perto dela.
- O bilhete... eu não consegui ler.
- Eu percebi... estava mais preocupada entregando-o ao Potter. – e se irritara, fitando-a nos olhos.
- Não. Ele tirou de mim. – Hermione parecia querer tentar se explicar.
- Venha!

Draco a puxara para a saída do salão, cortando caminho entre os alunos que os observava intrigados. A essa altura, Alan já estava distante, seguindo para sonserina, e Harry ainda procurava por Hermione em meio aos alunos.

- O que havia no bilhete? – Hermione insistia, seguindo.
- Se tivesse tomado o cuidado de ler ao invés de dá-lo ao seu Potter.
- Não dei, Malfoy. Que droga. – e se irritara.

Por que ele tinha sempre que fazer isso? Draco continuava a puxando pelo braço para fora do salão. Quando finalmente conseguiram, ele a levou para o único corredor em que os alunos não passariam para seguir para suas casas. Estava pouco iluminado e completamente vazio.

- Já pode me soltar, Malfoy.
- Só quero me certificar de que não vai fugir ou algo assim. – e a fitara, profundo, nos olhos, ainda irritado.
- Eu não tive culpa, ok?! Harry tirou o papel de mim.
- Eu sei... sei disso. – e dissera, ironicamente.
- O que quer? Por que um bilhetinho, Malfoy? Coisa mais infantil. Não somos nenhum casalsinho de apaixonados não.
- E nem quero que sejamos. Nosso “namoro” será o mais frio possível. – e dissera isso cerrando os dentes.

Mas é lógico que não seria. Draco tinha planos muito bem elaborados para despertar ciúmes em Harry, e isso incluía certos atos que com certeza Hermione iria azará-lo para o resto de sua vida.
Hermione o fitara incrédula, por um lado, sabia que frieza naquela relação de mentiras não ajudaria em nada, mas não ia discutir aquilo naquele momento. Fora quando notara que Draco ainda segurava seu braço.

- Agora... nosso acerto de contas, Granger.

Draco a fitara com um meio sorriso e escorregara suas mãos até a mão da castanha, segurando-a aberta bem a altura de seus olhos. Parecia observar algo nelas, com o cenho franzido.

- Fiz as unhas direitinho, Malfoy? – Hermione dissera ironicamente.
- É exatamente essa questão, Granger. Não estão feitas. – e sorrira, irônico.

DRaco esperava que Hermione pudesse entender aquela ironia, mas a castanha nem se quer fazia idéia do que o rapaz estava querendo dizer com aquilo. Revirara os olhos rapidamente e voltara a fitá-lo.

- É mais uma de suas exigências?
- Não se faça de boba, Granger. Sabe do que estou falando. – Draco estava certo de que ela sabia.
- O quê? Acha que eu andei falsificando os meus esmaltes, Malfoy? – e mais ironias, divertindo-se com aquela situação.
- Presta atenção, Granger... – e a puxara para mais perto... – Eu fui claro quando disse que queria que respeitasse meus amigos... está brincando com fogo, garota.

Uma aproximação perigosa, como todas as outras que já tiveram em outros momentos. Hermione tinha seu corpo quase encostado ao dele e sua face muito próxima do mesmo. Podia sentir a respiração ofegante do mesmo, visto que estava transtornado. Mas, afinal, do que aquele sonserino estava falando?

- Se puder ser mais claro, Malfoy...
- É preciso? – e a puxara para mais perto.

Draco tinha olhares mortais que caiam como facas sobre a castanha, por sua vez, assustada com aquela aproximação e aquele acesso de agressividade e mau humor. Havia algo ali que ela simplesmente não estava entendendo.

- Por acaso... – e dissera, sussurrante, a proximidade estava deixando-a nervosa - ... eu perdi alguma coisa? Por que não estou conseguindo acompanhar o seu raciocínio Malfoy.
- Se você perdeu? Na verdade, nada... é justamente essa a questão... você simplesmente tirou de alguém. – e ainda a fuzilava muito irritado.
- QUE DROGA, MALFOY... eu não tenho nenhuma bola de cristal ou um grau de inteligência tão altíssimo a ponto de adivinhar o que você está querendo dizer com isso.
- Ou talvez não tenha inteligência alguma, Granger. – e apertara ainda mais o seu braço, fazendo-a deixar escapar uma leve expressão de dor – Eu disse pra não fazer NADA contra os meus amigos, Granger, NADA contra a Pansy. Você prometeu...
- Eu sei disso, Malfoy. Está insinuando que... – e parecera entender tudo – Por acaso acha que eu fiz alguma coisa com aquela vadiazinha?
- Ohh... então seu surto de amnésia passou? Que bom... porque agora eu posso despejar toda a minha ira em cima de você. Detesto fazer isso quando não tenho certeza de que as vitimas sabem porque estão merecendo...

E Hermione pôde sentir o garoto aplicar ainda mais força ao seu braço, trazendo-a cada vez para mais próximo de si e com os dentes levemente cerrados. Aquela não era a situação mais divertida, na verdade, estava temerosa quanto ao que o rapaz pretendia dizendo-lhe que despejaria sua ira sobre ela. Manteve-se forte diante daquela ameaça, algo naquilo tudo estava completamente errado, e teria que corrigir antes que perdesse o controle.

- Me solta, Malfoy. Está começando a me machucar. – sua voz era sussurrante, visto que a proximidade era tamanha.
- Pois é só o começo. Eu posso fazer mais que isso...
- Com que objetivo, Malfoy? Quer ser expulso dessa escola? – e o fitara repreendendo-o. – Por que eu posso providenciar isso se encostar um dedo se quer com força o suficiente para me machucar de alguma forma.
- Só quero que saiba que eu falei sério quanto a exigência de não agredir meus amigos... você descumpriu com o trato... merece um castigo, Granger.
- Você só pode estar louco, Malfoy. Eu não sujaria minhas mãos por tão pouco.
- As unhas, você quer dizer. – e sorriu, ironicamente, de canto de lábio. – Você podia ter arrancado uma parte do rosto da Pansy com as suas brutalidades, Granger.
- Bruto está sendo você, Malfoy. Quer fazer o favor de me soltar? – e sentira o rapaz puxá-la com mais força.
- Aprendeu a lição, Granger? Se voltar a fazer isso novamente, eu acabo com você.

Dito isto, Hermione tivera apenas oportunidade de fitá-lo mais uma vez com os seus olhares de pura não-compreensão. Não fazia idéia do que o sonserino estava falando, mas quando percebera que o rapaz havia soltado seu braço a única coisa que havia desejado fazer era massagear o local levemente avermelhado pelo tempo em que estivera sobre a força eu Draco aplicara ao mesmo. Milhões de ofensas rondavam sua cabeça naquele momento, queria pular em seu pescoço e mostrar que podia ser tão agressiva quanto ele.

- Você é um estúpido, Malfoy. Sempre fazendo as coisas à base de grosserias. – não queria fitá-lo.
- E você não fica de fora desse quesito, Granger. Talvez seja até mesmo pior do que eu.
- Mas que droga, Malfoy!!!!! – e se exaltara, fitando-o, séria. – Eu.Não. Fiz.Nada.Contra.Aquela.Vadia...
- Sem ofensas, Granger. Quando é que vai aprender a honrar esse acordo?

Draco lhe apontara um dedo, mas o baixara logo em seguida quando vira a castanha fechar os olhos involuntariamente e se movimentar de leve para trás, como que prevendo que pudesse ser agredida pelo mesmo. O sonserino não deixara de sentir-se desconfortável com aquela reação da moça, não era isso que pretendia, não passava pela sua cabeça machucá-la de verdade. Só queria fazê-la sentir que as coisas não seriam fáceis e mesmo liberais com ele, queria pressioná-la a cumprir as regras do jogo.

- Você é um cretino, Malfoy. Eu estou honrando essa droga de acordo... mas eu me arrependo amargamente por tê-lo feito. – e o fitara, com profundo ódio em seus olhares.
- Pois não vai adiantar de nada, Granger... está feito. – e sorrira, cínico. – Ou cumpre... ou sofre as conseqüências.
- Você deveria estar facilitando as coisas, Malfoy. – sentira os olhos úmidos – Eu sou a pessoa mais magoada nessa história. Se tem alguém que está tendo dificuldades para aceitar a situação, sou eu.
- Isso não significa que possa sair descumprindo as regras.
- Não descumpri droga de regra alguma. – e novamente, se exaltara.
- Deveria prever que eu saberia... e que eu não deixaria barato, Granger. Vacilou feio...

Hermione sentira seus olhos se umedecerem ainda mais, mas resistia fortemente àquela tentação de deixar que as lágrimas escapassem de seus olhos. Não demonstraria fraqueza ao sonserino, isso não faria. Mas estava sendo cada vez mais impossível. Ele a estava ofendendo, e ela simplesmente não estava conseguindo se defender da forma como o queria. Não havia feito nada contra a namoradinha sonserina do rapaz, ele não poderia acusá-la às cegas.

- Vai se arrepender...

Sua voz era embargada, embora ainda não houvesse lágrima alguma. Estava perdendo as forças e seus olhares já não iam de encontro direto aos do rapaz. Draco parecia perceber o que estava acontecendo. Fitou-a por alguns segundos, tentando decifrar aquelas reações, e não se permitiu sentir-se culpado por tê-las provocado.

- É mesmo uma fraca, Granger...
- Me magoou o suficiente por hoje, Malfoy... chega. – ainda era fraca, sua voz.
- Deveria encarar as coisas com um pouco mais de maturidade... não é um Potter idiota que vai destruir sua vida.

Draco não sabia de onde estava tirando aquelas palavras, mas no momento nem se quer ponderou se estava usando-as em um momento apropriado ou se estava fugindo de seu papel Malfoy e sonserino de ser. Ainda era cedo para que fizesse visível o seu lado apreciável.

- Você que não deveria acreditar em tudo o que a sua namoradinha diz, Malfoy. Ela me detesta, e vai fazer de tudo pra infernizar minha vida.
- Não seria fácil saber que por trás daquelas marcas de unha estaria você, Granger, mesmo que ela nem ao menos tivesse dito algo. – e a fitara, ainda irritado, nos olhos, como que afundando em seu intimo.
- Um estúpido e insensível. Melhor ponderar mais as coisas que diz e faz, Malfoy... – e não conseguira deixar uma lágrima escapar.

Escorrera ligeira sobre sua face e caíra com força sobre o assoalho. Draco percebera e ficara estático diante do momento. Algo, em seu íntimo, dizia que estava passando dos limites.

- Cuidado pro Potter não desconfiar de nada... e não repita mais o que você fez hoje, Granger... da próxima, eu não vou mais aceitar infrações nas regras do jogo.

Dito isto, Draco ainda vira a Granger jogar-lhe um olhar de puro misto de sentimentos: curiosidade, pelas sobrancelhas franzidas; raiva e uma ponta visível de mágoa. Sua coragem para o ato seguinte surgira de algum canto desconhecido, nem mesmo Draco era capaz de precisar de onde. Aproximara seu corpo da castanha, mesmo que esta tenha se atrevido a afastar-se levemente do mesmo, prevendo que ele pudesse tentar algo. E realmente tentara, mas algo que ela simplesmente não poderia prever. Draco pousara a costa de uma de suas mãos sobre a face da castanha, de forma leve e mesmo cuidadosa, tentando não parecer que queria machucá-la. Na verdade, só desejava limpar o rastro de lágrima que havia em suas bochechas rosadas. Hermione estremecera com aquele toque mas deixar isto visível estava completamente fora de cogitação. Draco a fitava com os olhos inexpressivos, era algo que o sonserino aprendera a fazer quando, por trás deles, havia expressões demais a serem postas para fora. A castanha, por sua vez, não deixava de transparecer a sua dúvida e curiosidade para aquele ato, tinha as sobrancelhas arqueadas e os olhos muito vidrados na imagem do sonserino. Vendo-o limpar-lhe suas lágrimas, tão cuidadoso e até mesmo carinhoso, podia jurar que havia algo por trás daquela máscara rude e arrogante, e descobrir o que exatamente era uma missão que desejava realizar. Podia sentir a preocupação do rapaz emanando pela frieza de suas mãos, aquele toque que durara apenas alguns poucos segundps mas parecera uma verdadeira eternidade.
Hermione fizera menção de dizer algo, mas Draco fora ligeiro, retirando sua mão da face da moça e se afastando o bastante para dar-lhe espaço novamente. Por fim, dissera, com voz rouca e ainda sussurrante, não tinha porque aumentar seu tom de voz naquele momento.

- Não pense que eu tenho pena de você, Granger... – e lhe fitara fundo nos olhos. Hermione sentiu seus olhos arderem naquele momento, sabia que o louro continuaria a magoá-la e enquanto o mesmo fizesse isso, continuaria tentando conter as lágrimas insistentes. Estaria sensível demais naquele dia? – Eu só preciso que... esteja realmente pronta pra jogar.

E dera oportunidade para que Hermione dissesse algo a respeito. A troca de olhares era intensa e mesmo confusa. Vendo que Hermione não diria nada, Draco continuou, muito desconcertado e procurando escolher as palavras certas.

- Não vai ser nada interessante se estivermos quebrando regras e descumprindo tratos... – e dera um tempo, apreciando o silêncio que se formara.
- Está insinuando, novamente, que eu fiz algo contra a sua namorada? – e já tinha a voz determinada, pronta para aquele acerto de contas.
- Não a chame de minha “namorada”... que droga, Granger... – por alguma razão, aquilo o irritara. Talvez a forma irônica como Hermione pronunciava o termo.
- Que seja!! Só não me acuse de algo que eu não cometi, Malfoy.
- Já me irritou o suficiente, Granger... – e se afastara, cada vez mais, aos poucos – Eu dei o aviso... só depende de você segui-lo a risca, porque eu fui claro quando disse que não vai haver próximas.

Hermione ainda tinha a vista embaçada pelas lágrimas, que por fim conseguira mantê-las bem presas em seus olhos. A imagem do louro ia se afastando aos poucos, conforme ele se movia para longe dela. Estava profundamente irritada pelas coisas que o rapaz lhe dissera, pelas acusações em falso, pelas palavras nada simpáticas e que lhe feriam por dentro. Talvez a imagem de um Harry tentando protegê-la e completamente enciumado naquele jantar a tivesse sensibilizado, afinal, chorar diante do Malfoy era um dos pontos principais que havia determinado naquela tarde em que descansara antes do jantar... precisava criar metas, exigir de si mesma, planejar e definir os comportamentos que defenderia diante do sonserino, tinha que mostrar-se forte, determinada e mostrar que não abriria mão de suas regras. Se aquele jogo lhe parecia sinistro e inconseqüente, ao menos faria o possível para diminuir sua dose de culpa, sabendo que envolveria vidas no jogo. Mas mostrar-se forte e determinada era tudo o que menos conseguia fazer, pois não era exatamente isso que estava sendo. Era uma fraca, magoada, traída e deprimida, precisava desabafar, gritar, dar socos e sumir daquele mapa... Mas, aonde estariam seus amigos para tal?

- A detenção, Granger... – fora a última coisa que Draco dissera, antes de virar-se e dar-lhe as costas, seguindo, provavelmente, para sua casa.

Hermione ainda o fitava, irritada e sem nem saber mais quais os verdadeiros sentimentos que afloravam dentro si. Desejava esquecer tudo aquilo, esquecer a prepotência do sonserino, a ousadia em acusá-la de algo que não fizera e esquecer que Harry ainda estava tentando fazer parte de sua vida.
Seguiram ambos para suas respectivas casas.

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A castanha passara todo o restante de tempo que tinha até sua detenção em seu salão comunal, vidrada nas chamas da lareira. Fora quando escutara passos e sentira a almofado do assento ao lado seu lado no sofá afundar com o peso de alguém que acabara de se juntar a ela naquela apreciação à lareira.
Movera os olhos de leve e antes mesmo que fitasse o rapaz ao seu lado já o reconhecera quando vira, mesmo que malmente, as pernas de seus óculos ovais. Dera um suspiro cansado e deixara seu corpo relaxar naquele sofá. Estava farta de tanta irritação e de tantas discussões. Esperara que Harry iniciasse o diálogo, mas ele não o fizera. Permanecera estático, sem fitá-la e sem fazer absolutamente nada.
Depois de alguns longos segundos, Hermione resolvera encerrar aquilo, sua companhia não lhe era mais agradável.

- O que quer, Harry?

E ele permanecera estático, parecendo montar a resposta correta em seus pensamentos. E sem fitá-la, respondera:

- Entender porque é tão difícil pra você me perdoar.

Hermione deixara um novo suspiro escapar e o fitara por alguns segundos, vendo-o virar seu rosto de leve e fitá-la também. Era a primeira vez que trocavam olhares sem xingamentos, agressões, gritos e exaltações. A primeira vez que tentavam tirar algo de verdadeiro daqueles olhares.
Sabia que não custava nada escutá-lo, ao menos aquela última vez. O que Harry teria para dizer-lhe? Como ele pretendia fazê-la perdoá-lo? O que ele diria da cena que Draco criara naquele jantar?

*CONTINUA*

N/A: Oieeeee!!!! Eu tenho q pelo menos dar uma explicação neh? Ai MERLIM!!!! Não precisam apontar as varinhas bem na minha cara... eu sou muito nova pra morrer estuporada!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
=O
hehehehe

eu estava passando por um momento complicado... talvez alguns d vcs talvez até me entendam: bloqueo mental!!!!
Falta d inspiração... td o que eu escrevia me parecia um lixo... e eu sempre deletava!!!
Mas em fim... o cap. saiu!!! muuuuiitoo atrasado... mas saiu!!
^^
Espero que vcs tenham gostado!
Deu pra perceber que definitivamente o jogo estpa começando neh?
Isso significa que daqui pra frente... MUUITOOO DRamione!!
hehehehe

quero muuitos coments ook? Pq uma autora tão problemática como eu precisa de uma forcinha de seus fiéis leitores!!!

E deixa eu agradecer a paciência d vcs por esperar pela atualização!
TDS VCS... TDS MESMO!!!!
Que ficaram me ameaçando insistentementeeeee... eu eu adoro isso ! :X
hehehe
obrigada gentee... pela força!!!
Naum me abandonem... ok!
=_
hehehe

AVISO!!

gente... eu tow com uma fic nova... já esta postada no FeB o trailler. Leiam....
Tô muito empolgadaaa!!! Acho que vcs vão gostar!!

--> BOA NOTÍCIA
A fic é muito divertida... pós Hogwarts e um grande misto de shippers...!!!! Uma idéia inspirada numa fic maravilhosa que eu li aqui no FeB e resolvi não deixar passar!!!

---> PÉSSIMA NOTICIA (nem tanto)
A fic não é Dramione!!! É um completo misto d shippers mas não há Dramione!!
=(
Mas isso é ruim???? Creio q não!!!! Tem muito Draco/Gina... H²... Harry/Luna... tem até Draco/Cho!! hAUa
tô apostando todas em shippers que nunca me interessei muito... mas que vão gerar muuitas histórias!!!

Estão nessa comigo?? Espero que sim!!
Chama-se Noites em Londres - Fazendo tudo errado... e o shopp principal eh D/G!!

quando eu piostar o trailler... aviso... e vcs dizem o q acham da fic... ok??
obrigada pela força novamentee... e bjusssssss!!

adoro vcs !
hehe

by: Crik_Snape!!


PROFILLE KUT!
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=12601084339005939022
adicionem... se quiserem!!!! Muitas fotos bacanas!!!


bjus!!

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