Era quase meia noite e Hermione nem sequer havia conseguido fechar os olhos por mais de cinco minutos. As idéias afloravam com uma intensidade estupenda em sua cabeça. Não conseguia parar de pensar em tudo o que havia lhe acontecido recentemente. Era uma realidade nova de mais em sua vida, e estava tentando lidar com aquilo da melhor maneira possível.
Hermione não entendia ao certo as razões pela qual tinha um Malfoy tão próximo de si naquele momento de sua vida. Não entendia as razões que levava Draco a querer ajudá-la e a querer solucionar todos os seus problemas amorosos. Simplesmente sentia-se a garota mais confusa da face da Terra, já que além de ter de enfrentar todos os seus problemas amorosos ainda era obrigada a ter de lidar com um sonserino que estava cada vez mais atrevido e intrometido em sua vida pessoal.
Sempre repudiara a presença de Draco em Hogwarts, sempre o detestara, e Draco nunca perdeu a oportunidade de deixar isto claro o suficiente para a grifinória e, principalmente, para toda Hogwarts. E simplesmente não podia entender as razões que estavam o levando a querer ajudá-la em problemas que não lhe diziam respeito e, mais do que isso, problemas que envolviam o seu pior inimigo.
Hermione já podia começar a ver algumas luzes reluzindo em sua mente, e quanto mais pensava a respeito daquilo tudo, mais chegava a conclusões óbvias, porém precipitadas de mais. Talvez Draco estivesse mal intencionado, e talvez ele só quisesse usá-la em algum joguinho qualquer. Talvez Draco não estivesse interessado em seus problemas e em querer ajudá-la com eles, talvez houvesse alguma razão macabra por trás de toda aquela repentina boa vontade.
Draco havia deixado clara a razão pela qual queria ajudá-la, mas era óbvio que Hermione não havia se contentado com o que o rapaz lhe dissera. Afinal, como Hermione poderia ajudá-lo sem precisar mover um fio de cabelo se quer, além de ter de compactuar com um acordo aparentemente absurdo?!
“Não faz o menor sentido... desde quando eu poderia namorar um Malfoy?!”
Mais uma idéia que não fazia o menor sentido, como todas as outras vindas de Malfoy. À principio, a idéia de querer escutar seus desabafos. Hermione sabia que Malfoy não era a pessoa mais confiável de Hogwarts, mas permitira confessr seus problemas para o louro. Depois, a idéia absurda de Draco querer ajudá-la com seus problemas, alegando que dera sua palavra e a palavra de um Malfoy valia mais do que ela podia imaginar. E agora, um acordo absurdo o bastante para tirar o seu sono naquele momento.
Não poderia namorar um Malfoy... mesmo que fosse apenas um namoro de mentiras e que duraria tempo suficiente para que Harry compreendesse que Hermione já não se importava mais com o mesmo e já o havia esquecido.
Farsas, seria disso que viveria se aceitasse a proposta de acordo de Malfoy. Não era isso que queria para a sua vida, não era uma vida dessas que desejava levar nesse seu último ano letivo.
Harry a havia magoado bastante, mas ainda o amava, afinal, era quase impossível querer retirar de dentro de si um sentimento tão forte e que ainda não havia se acostumado com a dura realidade do lado de fora. Mas a castanha tentava inutilmente esquecê-lo, tentava inutilmente fazer seu coração entender que não poderia mais sentir o que sentia por ele, pois já não havia a menor possibilidade de retornar um relacionamento que havia sido rompido por uma traição.
Draco havia passado dos limites com aquela proposta um tanto indecente, afinal, Granger nunca se submeteria a um namoro com um Malfoy. Ainda mais se este a detestasse e fizesse questão de deixar isto muito bem claro em todos os momentos possíveis.
Resolvera fechar os olhos e esperar que o sono viesse. Mas para isso, teria de esvaziar a mente, esquecer completamente todos aqueles problemas e todos aqueles absurdos que uma certa doninha havia lhe proposto.
Era tarde, mas havia uma pessoa daquele dormitório feminino que não estava presente, uma garota que fora sua amiga durante anos, em quem confiara cegamente e que conhecia com a palma de sua mão, e não tinha duvidas de que não estava naquele dormitório.
Hermione virou-se para o seu lado esquerdo na cama e fitou a sua frente. Gina não estava deitada em sua cama. Estava vazia.
Não sabia ao certo o que pensar daquilo, na verdade, temia pensar o que Gina estaria fazendo naquele momento.
Se Hermione soubesse do que realmente se tratava toda aquela sua aparente boa vontade, se ela pudesse ao menos presumir as razões pela qual Draco estaria insistindo tanto em querer ajudá-la com problemas que de nada o importava, certamente Hermione se sentiria a pior pessoa da face da Terra, por saber que estava sendo disputava em uma aposta inútil. Draco sabia que era o tipo de situação pela qual Hermione nunca pensara em passar algum dia, por essa razão, não seria capaz de perdoá-lo nunca. Mas e Draco pretendia pedir perdão algum dia à sujeitinha de sangue-ruim que detestava tanto? Isso simplesmente não fazia parte de seus planos, e era óbvio que não aconteceria.
Draco estava arrependido de ter tomado aquela atitude em relação ao namoro de mentiras. Já não achava que seria uma boa idéia, talvez tivesse se precipitado demais, e isso não seria nada interessante. Um namoro não era o tipo de relação que pretendia ter com Hermione, e não era nada de que pudesse gostar. Na verdade, namoros nunca significaram nada para Draco, pois nunca gostara de verdade de nenhuma garota e por isso nunca se sentira apaixonado o bastante para que pudesse pedi-las em namoro. Pansy sempre lhe cobrara um pedido de namoro, mas já estava conformada com o fato de que Draco não gostava da idéia de pertencer a uma única pessoa.
Como Hogwarts reagiria com um repentino namoro entre um sonserino e uma grifinória, ainda mais se estes forem um Malfoy e uma Granger? Havia pensado neste tipo de obstáculo antes de propor o acordo à garota, mas agora parecia muito mais claro de que seria um obstáculo realmente muito maior do que podia imaginar.
Draco estava decepcionado com a sua “ruivinha”, e para um Malfoy, estar decepcionado daquela forma significava vingança. Se vingaria da Weasley e a faria aprender a nunca mais tentar enganar um Malfoy. Draco havia deixado as regras muito claras desde o início para a garota, e se ela havia infringido todas elas, pagaria o preço da desobediência. Só não sabia ao certo o que faria para puni-la, mas sabia que envolver-se com sua melhor amiga seria uma grande afronta. Talvez não o suficiente para fazê-la compreender que com um Malfoy não se brinca, mas quanto a isso tinha planos muito bem interessantes e bem elaborados em sua cabeça loura.
- Draco!! Por que não joga xadrez com a gente, lá embaixo? – Alan surgira repentinamente no quarto.
- Por que não tô nem um pouco afim!!! – respondera ríspido, como vinha sempre fazendo.
- E por que não me trata com um pouco mais de simpatia? Esqueceu que ainda somos amigos? – Alan parecia bastante irritado com o comportamento agressivo de Draco.
Draco simplesmente não havia conseguido dizer nada em sua defesa, pareceu confessar que realmente estava tratando seu amigo, por sinal melhor amigo, do jeito mais grosseiro que poderia tratar alguém. Na verdade, não tão agressivo quanto o modo como tratava Hermione, e tal conclusão o deixou um tanto confuso e de consciência pesada, mas eram tipos de sentimentos que nunca haviam feito parte de sua vida, e não deixaria que fizessem agora.
- Eu sei por que está assim, Draco. Pensa que eu não saco as coisas? Acha que eu sou tão burro assim?
- Do que está falando?
Draco estava sentado em sua cama, coberto pelos cobertores e já vestia seu pijama. Levantou-se da cama e seguiu direto para uma poltrona que ficava bem ao centro do dormitório, de frente para onde Alan estava em pé. Draco estava bastante sonolento, mas não conseguia dormir, e Alan havia notado isso muito facilmente ao encontrá-lo muito bem acordado no dormitório.
- Eu sei que você está pensando na aposta. Ora, fui eu mesmo que propus a aposta. E sabe por que eu fiz isso? Porque eu tinha certeza de que não seria fácil. E pela sua cara, eu não estava errado, não é mesmo? – Alan sorria...
- Ah, claro... e de onde vem toda essa certeza? Esqueceu... eu sempre tenho que repetir pra você, não é? Eu sou um Malfoy, nada é impossível para um Malfoy. Está sendo mais fácil do que pregar peças naqueles primeiranistas idiotas.
- Ah, sério? Aham... não tenho dúvidas. – Alan simula concordar. – Você não engana ninguém, Draco, você fica ai jogado pelos cantos, pensando em como ganhar a aposta. Uma vez Intragável, sempre Intragável, a Granger!!
Alan sorrira com a frase montada espontaneamente, fazia de tudo para deixar Draco cada vez mais desanimado quanto àquela aposta. Alan estava preocupado, não sabia ao certo se Draco realmente estava encontrando dificuldades ou se estava realmente conseguindo conquistá-la. Temia que fosse surpreendido repentinamente por uma Granger totalmente apaixonada por aquele louro. Draco era, para grande maioria feminina de Hogwarts, o mais atraente e sedutor de todo o castelo, e sabia que o poder de sedução do amigo poderia até mesmo conquistar uma certa sangue-ruiim que julgava Intragável.
- Não é nada disso, Alan!! Eu só... estou com problemas... e eles não dizem respeito a ninguém. E antes que diga qualquer coisa, não tem haver com grifinória alguma... !!
Draco pareceu brigar consigo mesmo internamente por ter mentido daquela forma. Sabia que seus problemas tinham relação com uma grifinória. Podia não ser com uma certa Granger, mas era com uma certa Weasley ruivinha que o havia traído, e não suportava traição. Alan não pareceu acreditar no que havia dito, mas Draco não precisava se importar com aquilo mostraria mais tarde o seu poder de sedução diante de toda Hogwarts.
- Ah, ótimo. E que problemas seriam esses? Sou seu amigo, não sou? Podia me contar... – Alan se aproxima da poltrona, bastante curioso.
- Eu já disse, só dizem respeito a mim. – Draco se ajeitara na poltrona, muito cabisbaixo.
- Não é com o Lucius, né? Você já andou tendo problemas demais com ele por esses dias. – Alan ficara sério
De repente, o ar pareceu pesar naquele dormitório masculino. Aquele assunto parecia incomodar Draco, e o fez erguer a cabeça e fitar o amigo. Alan pareceu ver no olhar de Draco os mesmos sentimentos de dúvida que vira há alguns dias atrás, quando Draco lhe confidenciara todo o problema que vinha enfrentando com o pai. Alan não suportou ver aquele olhar duvidoso e pôs a falar como falara da vez em que quase discutira com Draco sobre aquilo.
- Ah, não, cara... não vai me dizer que você ainda ta pensando nisso? Draco, você não tem que fazer todas as vontades do seu pai. Não percebe que é uma cilada? Não vê que ele vai te usar... não vê que pode ser...
- Não, Alan!!! – Draco o interrompe, fechando os olhos com força e tomando coragem para voltar a falar sobre aquilo. – Não é nada com relação ao meu pai... e quanto a isso... eu ainda penso sim, se quer saber... Mas isso não quer dizer nada...
- Pode ser perigoso! – conclui o que iria dizer antes de ser interrompido – Se resolver concordar, vai perder a minha amizade. Pode achar que ela não significa nada, mas fui eu que estive do seu lado nos piores momentos.
- Que papo é esse Alan? Por que tem que voltar a falar disso? Não vê que... eu não gosto de falar disso? – Draco tenta se ajeitar na poltrona em que estava, mas diante do tema que vinha discutindo com o amigo era quase impossível sentir-se confortável novamente, aquele assunto sempre causava muita irritação e transtornos. – Não vou perder sua amizade... você não vai me deixar sozinho em momento algum...
- Isso é o que você pensa, Draco. Eu nunca deixei de estar do seu lado, em momento algum. Mas eu posso deixar a qualquer momento, porque eu não vou admitir que você faça uma besteira dessas.
- “Uma besteira dessas”... diz isso porque não tem o pai que tenho, porque não tem que se sentir subordinado a um homem cruel. – Draco estava começando a se irritar.
Qualquer um que surgisse naquele dormitório e presenciasse a conversa de ambos, não entenderia nada do que estavam dizendo. Era um assunto que, por enquanto, só dizia respeito à Draco e somente Alan podia realmente dar sua opinião a respeito e podia saber de tudo. Draco seria expulso de Hogwarts se soubessem do que se tratava e do que poderia estar prestes a se tornar. Temia que isso acontecesse... prezava muito estudar em Hogwarts, e pretendia ao menos concluir seus estudos bruxos.
- E de onde você tira todo esse seu “orgulho Malfoy”? Se admite que é subordinado por um deles? – Alan estava cada vez mais atiçado em suas falas.
- Quer parar com isso, Alan? Essas coisas não interessam a mais ninguém. E se ousar contar isso pra alguém, vai se arrepender muito.
- Não vou fazer isso, cara, sabe que não. Só quero que pense melhor... e depois... – Alan novamente é interrompido
- E depois que estão todos lá embaixo e já que estou sem sono... Vamos? – Draco levanta-se da poltrona um tanto de supetão, tentando não fitar o moreno nos olhos, passando os dedos pelo cabelo desajeitado e seguindo até a porta.
Alan se recusa por alguns segundos a interromper aquela discussão no ponto em que haviam parado. Aquele assunto era bastante desconfortável para Draco, que tinha que conviver com essa sua realidade cada vez mais iminente e chegava a ser bastante desconfortável para Alan, também, que presenciava a cena de seu melhor amigo sendo deixado ser influenciado pelo pai terrível que possuía. Alan se recordava bem de todas as façanhas de Lúcios para impor toda a sua moral no lar e diante de seu próprio filho e esposa. Não eram recordações boas, das quais se sentia contente em estar recordando, e por isso evitava desviar seus pensamentos para tais fatos.
Por outro lado, era uma realidade que, para Draco, não havia como querer modificar. Seu sangue Malfoy falava cada vez mais alto, embora fosse muito certo de que ele poderia simplesmente não permitir que essa sua herança Malfoy se fizesse tão presente e constante em sua vida, incluindo seus atos. A verdade era apenas uma, apesar de Draco ter plena consciência de que sua família só havia conquistado o status que possuía hoje pelos feitos nada apreciados pela sociedade em que viviam , e ainda admitia para si mesmo que todo esse status só lhe valia, realmente, quando tinha que estar diante de bruxos das trevas e homens quase tão cruéis quanto seu pai sempre fora e permanecia sendo, porém, era disso que Draco realmente gostava: ser um Malfoy, ser reconhecido por pertencer à uma família de status elevado no mundo das trevas e tinha grande orgulho por ser um deles, pois sempre admirara o pai que tinha, já que havia crescido ao lado dele e tendo de seguir todo o ritmo que os Malfoy’s seguiam.
Mas Draco sabia que seu amigo tinha uma opinião extremamente diversificada, sabia que o amigo detestava a sua família por todas as crueldades e maldades que cometiam, apesar de pertencer a uma família quase igualmente terrível. Mas Alan nunca gostara de estar próximo dos Malfoys, detestava a presença de Lucios e o ar superior que este sempre fazia questão de impor à ele em todas as visitas que fazia à Mansão Malfoy. Draco era seu melhor amigo, e isto já há muito tempo.
Quando Alan se referia a ter estado sempre ao lado de Draco, em todos os momentos, ele estava querendo dizer muito mais com suas palavras, coisas que talvez Draco não desejasse revelar para mais ninguém. Alan era seu único amigo confidente, nele podia se sentir seguro e reconfortado, mesmo que Alan sempre fizesse questão de ironizar em todas as situações.
- Não vai vir também? Pensei que você quisesse mesmo que eu descesse para jogar xadrez com vocês. – Draco dizia já segurando a maçaneta da porta que dava acesso à saída do dormitório e os levava para a escada em espiral.
Alan balançara a cabeça negativamente e não dissera mais nada a respeito do assunto “Malfoy’s”, sabia que seria tolice voltar a falar naquilo, mas seus pensamentos não se desligariam daquilo nada muito facilmente. “Espero que saiba o que está fazendo, cara, eu ia detestar se fizesse uma merda dessas.” Pensava consigo mesmo, mas não ousaria dizer isto ao louro, poderia complicar cada vez mais a sua amizade com o mesmo, que já vinha bastante fragilizada graças à maldita aposta que havia proposto ao amigo, já que agora Draco estava cada vez mais empenhado em conquistar Hermione.
Realmente, àquela altura, a atraente aposta já parecia se tornar na “maldita aposta” que vinha atormentando suas vidas. De um lado, Alan, temeroso de que estivesse enganado quando ao fato de Hermione não facilitar com Draco, e do outro, o próprio Draco, temeroso de não conseguir domar a Intragável Granger e perder a aposta que poderia humilhá-lo perante toda Hogwarts.
- Se continuar parado ai vou ter que descer sozinho... tá pensando que eu tenho todo o tempo do mundo? – Draco já estava impaciente diante da porta, e vendo Alan paralisado ainda de costas para ele.
Alan resolvera sair do transe mental em que se envolvera e resolvera descer com o amigo. Havia um grupo de sonserinos no salão comunal esperando por eles, e sabia que lá devia estar realmente mais divertido que aquele dormitório frio e escuro.
- Espero que a Granger seja dura na queda. – Alan comenta, tentando amenizar o clima e sai pela porta, seguindo a frente de Draco...
- E é... mas eu sou mais!! – Draco sorri, dando um tapa de leve nas costas do amigo.
Alan significava muito para Draco, era seu melhor amigo e o único que entendia os seus problemas e se preocupava com eles. Alan fazia parte de sua vida há muito tempo, não deixaria que o amigo partisse dela daquela forma. Sabia que seria uma grande injustiça deixar que uma aposta boba colocasse sua amizade de anos em risco. Mas ao mesmo tempo, não lhe parecia uma aposta tão boba àquela altura do campeonato, já que havia um objetivo maior naquilo tudo: vingar-se da traição que sofrera de sua ruivinha. Alan certamente não o perdoaria se soubesse do caso que vinha tendo com a Weasley fêmea, já que Alan simplesmente detestava aqueles ruivos pobretões e grifinórios, como ele mesmo costumava dizer, “metidos à besta”.
- Ah, desiste... aquela sangue-ruim intragável... merece morrer solitária e estuporada por comensais. – Alan comentara, descendo a escadaria, rindo de suas próprias ofensas atribuídas à castanha.
- Ei... não precisa de tanto...
Draco se irritara com o comentário do amigo, que havia realmente sido pesado demais. Alan estava descontando no nome de Hermione todo o ódio que estava sentindo admitindo para si mesmo que podia perder aquela maldita aposta. Alan parara abruptamente em um dos degraus e se virara para Draco, sorrindo de canto de lábio como sempre costumava fazer, e espremeu os olhos negros de forma desconfiada, fitando o amigo muito suspeitamente...
- Defendendo a jeitosinha?? – Alan era irônico, do jeito que Draco detestava – Eu já avisei, cuidado pra não levar essa história tão à sério.
- Vai começar com isso de novo? Tenha paciência neh, cara...
E seguiram escadas abaixo, seguindo para o salão comunal da Sonserina, onde estavam os amigos de Draco e Alan, entre eles Crable e Goyle, juntos como sempre, e Pansy, muito solitária em um sofá próximo, talvez porque todos jogassem xadrez, em uma mesa posta ao centro do salão, e Pansy fosse a única que não soubesse jogar e não gostasse. Alan era um dos melhores jogadores de Hogwarts, e Rony vinha sempre depois dele. Ambos já haviam se enfrentado diversas vezes pela escola, e Alan sempre ganhara muito altivamente do ruivo.
Pansy parecia cabisbaixa e um tanto isolada de todos, mas ergueu a cabeça ao ver o louro se aproximar de onde estava. Draco estava do jeito que Pansy mais gostava, vestia a camiseta branca que adorava ver em seu corpo e aquela calça preta do seu pijama que mais parecia um monte de pano em suas pernas de tão larga que era. Pansy também vestia seu pijama, e Draco sempre a achava sensual naquele conjunto.
- Por que não disse que estava sentindo minha falta? Não precisava ficar aqui solitária e triste. – Draco deposita um selinho nos lábios da morena, muito ironicamente com seu comentário, sentando-se ao lado dela no sofá logo em seguida e cruzando uma das pernas embaixo da outra de forma que pudesse ficar confortável.
- Ah... e adiantaria? Você certamente diria : “Agora não Pansy, é frescura sua... por que não dorme... vai passar.”
E jogara um ar muito aterrador para o louro, que ficou um tanto sem graça. Imitava a voz do ‘namorado’, do jeitinho que Draco costumava dizer essas coisas. Era essa a visão que a morena tinha dele? Realmente, entendia porque a garota o detestava tanto às vezes, como naquele momento. Mas ainda assim admitia para si mesmo que não passava do drama existencial da garota.
- Estava estranho hoje! – Pansy inicia uma conversa aparentemente mais civilizada, sem fitá-lo e apenas direcionando seus olhares para o xadrez na mesa posta à alguns metros de onde estava.
Naquele instante, diante da possibilidade de poder retirar de Malfoy todas as respostas para as perguntas que mais tinha vontade de fazer a ele nos últimos dias, o xadrez parecia se mostrar até mesmo interessante ao fitar apreensiva o tabuleiro sobre a mesa, já que havia aprendido com a experiência que tinha ao lado do sonserino que, para tentar ter alguma conversa ao menos um pouco civilizada e transparente, precisava não manter muito contato visual com o mesmo ou, da maneira mais trabalhosa, seduzi-lo do jeito que ele gostava e só ela sabia como.
Diante do comentário de Pansy, quanto a achá-lo estranho durante o dia, Draco se assustara ao vê-la dizer aquilo. Não achava justo ter de enfrentar uma nova discussão àquela noite, o dia não havia sido fácil para ele, e ainda mais agora depois de Alan fazê-lo relembrar das propostas tentadoras e ao mesmo tempo torturadoras de seu pai, que ele definitivamente não queria ter de pensar àquela noite.
- Eu, estranho? Hoje? Quando? Durante as aulas? Quando pegou no meu pé só porque eu não percebi que havia feito as unhas? Por favor, Pansy, eu não pretendo discutir por mais futilidades com você.
- Não, Draco! Na detenção. Acha mesmo que eu perderia meu tempo com futilidades? Eu aprendi que com você ou somos muito diretos ou não conseguimos nada.
- Ah, claro... Se está dizendo isso, não é mesmo? Quem sou eu pra tentar discordar. Mas você tinha mesmo que implicar com a Granger de novo, não é? Eu juro que um dia ainda tento entender...
- Não vai precisar “tentar” entender... eu vou ser bem clara e direta: Eu não gosto daquela sujeitinha de sangue-ruim, e não gosto que você fique próximo dela.
- Era uma detenção Pansy. Como não ficar próximo? – Draco descruzara sua perna e sentara-se desajeitado no sofá, com as pernas um pouco entreabertas e já quase escorregando do sofá.
- Eu vi vocês cochichando. Só não disse nada, porque prometi que não causaria confusões. Mas agora... vai ouvir muito, Malfoy!!
- Esquece isso, Pansy... a gente pode discutir coisas melhores. – Draco resolvera dar um basta naquela discussão que começava a se intensificar.
Pousara uma de suas mãos sobre a coxa da sonserina coberta pelo pijama que vestia. Pansy estremecera, de início, ao toque, mas sabia perfeitamente bem o que aquele louro atrevido pretendia com aquilo: queria apenas desviar a sua atenção para que não retornasse ao assunto “Granger”, da qual ele certamente pretendia esconder muitas coisas dela e isso não lhe parecia nada interessante. Aos poucos, sua mão se atrevia a acariciar cada vez mais intensamente a perna da morena, mas Pansy não se deixava influenciar por aquilo, sabia que ele só queria reverter a situação. Draco a acariciava de leve e, mesmo que não pudesse sentir a maciez da pele da moça, podia ver que ela já começava a sentir arrepios com aquele toque suave e tentador, enquanto Draco jogava-lhe olhares desejosos e um tanto ousados.
Foi quando Pansy subitamente se virara na direção do rapaz com aquele seu olhar sedutor e um tanto safado, que costumava direcionar ao louro sempre que pretendia algo com o mesmo, e aquela era a técnica da qual a garota mais fazia uso, já que era simplesmente infalível. Draco podia ser intelectual, mas um belo par de coxas e lábios rosados e carnudos eram capazes de façanhas enormes se tratando daquele garoto. E agora, mais do que nunca, Pansy demonstrara que o conhecia como ninguém. E dessa forma, ainda não entendia porque ainda não havia sido pedida em namoro, mas não pretendia iniciar esse tipo de discussão naquele momento, era algo do que temia sempre que pensava em indagar ao louro, pois não havia nada que o deixasse mais furioso do que insistir por um pedido de namoro.
Pansy se posicionara lentamente sobre o colo de Draco, o que o fez endireitar-se no sofá e erguer as mãos a uma altura considerável, assustando-se com aquela súbita tentativa de seduzi-lo. Pansy ainda o fitava com os olhos negros transbordando desejo, e ia acariciando o peito do rapaz por cima da camiseta branca, fazendo-o sentir arrepios pelo corpo todo. As unhas de Pansy chegavam a arranhá-lo, mesmo que não estivessem em contato direto com sua pele.
- Hei... o que pensa que está fazendo? – Draco franzia o cenho de forma um tanto assustada, tentando não encostar as mãos na sonserina e compactuar com aquela cena um tanto desconfortável.
- Só pensei que estivesse precisando disso... não disse que teve um dia estressante hoje ? Posso tentar ao menos melhorar a sua noite... – sua voz era sussurrante e quase dita ao pé do ouvido de Draco.
- Aonde pensa que estamos, Pansy? – Draco ainda a fitava muito surpreso com aquilo. – Em algum motel em Hogsmead ou alguma sala de aula vazia em que costumamos nos encontrar?
- Depende exclusivamente de sua imaginação Draquinho... – e continuava a acariciar seu peito sobre a camisa, elevando as mãos para a nuca do rapaz e tocando de leve seu pescoço com as suas unhas extremamente afiadas, mas tentava não arranhá-lo ao máximo.
- Só pode estar louca... no meio de todo mundo? O que acha que somos? – Draco tenta retirá-la de cima de si, segurando-a pela cintura, mas Pansy permanece aonde estava.
- Ninguém está vendo, Draquinho... não percebe que eu preciso disso...
- Como assim ninguém está vendo? Goyle não pára de nos encarar... – Draco ainda tentava removê-la de seu colo – Pare com isso, Pansy... sabe que desse jeito é difícil de me controlar...
Draco referia-se aos carinhos que a sonserina fazia em sua nuca, arrepiando seus pêlos e fazendo-o perder-se por alguns segundos em seus pensamentos, completamente extasiado.
- E acha mesmo que eu não sei disso? Ora, Draco... eu descobri isso primeiro que muita garota dessa escola. Por que eu sou a única que realmente sacia todo o seu desejo...
- O que te faz ter tanta certeza disso, Pansy... – Draco volta a fitá-la com desconforto, ainda tentando retira-la de seu colo. – Vamos... esqueceu que eu sou monitor... posso puni-la por esse ato extremamente atrevido....
- Então vou denunciá-lo pelo mesmo... por que está com as mãos em minhas coxas novamente!
Pansy sorrira ao vê-lo abaixar os olhos rapidamente para suas coxas e realmente notar que estava com as mãos pousadas sobre elas. Pansy era mesmo a garota mais sensual que tinha em suas mãos, e estar com ela daquela forma era quase uma injustiça não aproveitar o momento.
- Viu... você me deixa louco. – e sorrira de canto de lábio, arrastando suas mãos pela cintura fina da sonserina, por debaixo da camiseta que a mesma vestia. Pansy já podia sentir os arrepios.
E naquele momento, já podiam sentir os olhares dos amigos logo mais a frente que jogavam xadrez e os fitavam muito curiosos pela cena. Draco direcionara um olhar de fúria para Crable naquele exato momento e escutara apenas a risada de Alan, divertido com aquilo. Os amigos não se atreveram a voltar a encarar a cena, não resistindo por muito tempo, mas o mais discreto possível.
- E eu nem preciso dizer que também enlouqueço com você desse jeito, não é? – Pansy agora acariciava seus cabelos louros, mergulhando suas mãos dentro daquele universo alourado, permitindo que seus dedos se perdessem pelos fios de cabelo.
Draco adorava aquele tipo de carícia, e já revirava os olhos, apertando cada vez mais forte a cintura da moça, desejando-a cada vez mais. Pansy deveria temer as conseqüências daquilo, já fazia um bom tempo que não ficavam daquela forma, tão próximos e de forma tão provocante. Desejava-a cada vez mais... ainda mais com aqueles dedos finos e delicados fazendo-lhe cafuné do jeito mais atrevido e sedutor.
- Vai ser difícil me controlar desse jeito, Pansy... é melhor ir parando por ai... – Draco agora apertava com força as coxas de Pansy, e se divertia tendo-a ali, tão perto dele.
- Logo agora? Eu ainda nem comecei o meu discurso...
- Discurso? – Draco franze o cenho novamente e já começa a suspeitar daquilo
- Claro... Draquinho... pensa que eu faria isso tudo por nada? Você não merece nem um pouco todas essas carícias, o meu carinho... você merece mais do que isso... e não é nada disso que essa sua mente pervertida deve estar pensando...
- Do que está falando, Pansy... pensei que íamos fazer coisa mais interessante do que voltar a discutir a relação... – e apertara suas coxas novamente fazendo-a lembrar do momento em que havia proposto isto à morena, ao vê-la iniciar uma discussão.
- Ah... claro... você só pensa nisso não é? “Coisas melhores”... e são sempre as mesmas coisas... sexo, sexo e mais sexo... E pro seu governo, Draquinho...
- Já disse pra não me chamar de Draquinho... isso me desmoraliza, sabe disso!! – Draco se irritara com a morena...
- O que desmoraliza você, Draquinho, é esse seu ar de “eu posso tudo” e “eu estou pouco me lixando pros outros”... isso é que faz de você um completo canalha.... – e acariciara o abdômen do rapaz, por debaixo da camisa branca, fazendo-o estremecer mais uma vez diante da caricia. Pansy mantinha o sorrisinho atrevido em seus lábios...
- Então é isso mesmo que você pretende? Discutir a relação...?? Então saiba que eu prefiro uma noite inteira de detenção só pra não ter que passar por isso... – e fechara a cara para a moça.
- Discutir a relação, Draco? Acha mesmo que eu tenho alguma relação com você? Me desculpe... mas se você chama isso de relação... eu não sei mais quem sou! – e depositara uma de suas unhas na pele de Draco, fazendo-o soltar um gemido abafado pela força com que ela havia o feito.
- O que é isso... ??? Sessão de Tortura? Devia ter me avisado, eu teria me preparado melhor fisicamente!! – Draco se irritara com a ousadia da garota.
- Ahhh... Draquinho... desculpe... foi sem querer!!!!
- Sem querer? Agora eu entendo o porque de ter feito as unhas logo hoje!! Já tinha tudo isso em mente, não é?
- Claro... eu pretendia mesmo seduzi-lo essa noite... mas antes... o meu discurso!! – e dissera isso bastante empolgada, vendo-o um tanto aterrorizado, pois Draco tinha plena consciência de que daqueles lábios rosados e carnudos, que não parava de desejar, sairiam as palavras que não desejava ter que ouvir logo naquela noite.
- Já está tarde, Pansy... melhor deixar isso pra outra hora...
- Eu disse que hoje você ouviria muito de mim... não acha que eu ia deixar de fazer isso, não é? Já disse que comigo você não tem vez, Malfoy.
- Ah claro... e o que você tem pra dizer então? Só espero que não tome muito o meu tempo... por que pensei que íamos realmente “fazer coisa melhor”...
- Não se preocupe... tenho certeza de que vai ser até mesmo mais interessante do que fazer “coisas melhores”. – Pansy acariciara seus cabelos mais uma vez e segurara a cabeça do louro em sua direção, já que Draco tentava desviar os olhares para pontos distantes. – Só espero que você dê bastante atenção ao que eu vou te dizer agora, porque eu não quero ter que voltar a falar essas coisas pra você novamente. Quando eu digo que não gosto daquela sujeitinha de sangue-ruim... e não gosto que você se aproxime dela, eu não estou dizendo isso por simples capricho. Eu só acho que é meu direito marcar meu território, já que você não se mantém no lugar que deveria. Eu não admito que ouse me trair com aquela garotinha idiota e atrevida... eu sei que cochicharam a detenção inteira, e eu nem quero saber sobre o que estavam discutindo, mas se eu descobrir que está planejando alguma coisa, vai sofrer muito as conseqüências. Quando eu digo isso você deve saber que eu não estou de brincadeira, Draquinho. Quero você BEM longe daquela sangue-ruim sabe-tudo... e ai de você se não me obedecer...
Pansy se surpreendera com a capacidade que tivera de dizer tudo o que realmente desejava dizer e vê-lo escutá-la calado. Aquilo era realmente uma grande façanha em todos os anos de relação, e deveria guardar aquele momento pro resto de sua vida, pois sabia que momentos como aquele talvez nunca mais voltassem a se repetir. Ou será que sua teoria quanto à “sedução” realmente estaria sendo provada naquele momento? Então ficava claro que Draco só é realmente capaz de escutar os desabafos e crises de sua “namorada” se puder manter as mãos bem postas sobre as coxas da mesma.
- O que é isso? Está mesmo querendo manter moral sobre mim? Então quero que fique bem claro que você não manda em mim, Pansy... e mesmo que eu quisesse, eu não me afastaria da Granger... porque eu não obedeceria as suas ordens. Eu mantenho contato com quem eu quiser nesta escola... você não tem a menor influência sobre mim, Pansy. – Draco realmente não estava acreditando no que havia ouvido.
Já vira Pansy tentar mostrar superioridade antes, mas daquela forma, era mesmo uma surpresa para ele. Se Pansy achava que poderia mesmo mandar na vida de um Malfoy, Draco deveria rever melhor os seus atos e comportamentos diante da moça, já que sempre cuidara bastante para que ela soubesse perfeitamente qual era realmente o seu lugar naquela relação.
- Ah claro... tem certeza disso... !!! ? Você pode ser o mais sexy e atraente de Hogwarts... – dito isto, aprofundara ainda mais sua mão nos cabelos alourados do rapaz -... o mais determinado e popular de toda a escola... mas não deixa de ser o maior... GALINHA!!! – e agarrara seu cabelo, puxando-o com força e fazendo-o soltar um leve gemido de dor.
Pansy tinha na face a expressão mais satisfeita que Draco já vira, e sabia que estava correndo perigo naquele momento, Pansy não parecia nada controlada e aquele puxão havia sido a maior prova disso. Sentira os fios de seu cabelo sendo puxados com força de seu coro cabeludo, e aquilo lhe provocara uma dor felizmente suportável mas, mesmo assim, agarrara os braços de Pansy e a impedira de retornar a fazer aquilo, precisava se defender daquela agressividade toda.
- Eii... você pirou de vez, Pansy... quer arrancar meu cabelo mesmo? Vou avisar Dumbledore de que temos torturadores na escola.
- E você vai me obedecer sim... porque eu sei exatamente o quanto de influência eu mantenho sobre você. Quer prova maior do que isso? – e puxara seu cabelo novamente, fazendo-o estampar na face uma expressão de dor – é só um pouco do que eu posso fazer se descobrir algo. Vai se arrepender muito, Draquinho...
- Você não sabe a briga que está comprando, Pansy... não te dou o direito de fazer e dizer essas coisas pra mim... – Draco realmente achava que Pansy havia ultrapassado os limites, e ainda a segurava pelos braços, impedindo que ele retornasse a torturá-lo.
- Pois está muito enganado... eu tenho o direito de fazer muitas outras coisas com você... e dessas você deve gostar mais...
Pansy estampara em seus lábios um sorriso quase tão canalha quanto ao sorriso que Draco esboçara ao sentir as mãos delicadas da morena descerem por seu abdômen e se aproximarem cada vez mais de onde ele sabia que dificultaria cada vez mais o seu auto-controle. Pansy havia sido mais forte que Draco, e conseguira soltar-se dele, ainda se divertindo muito com aquela cena que havia criado, e nem ao menos estava se importando com os amigos sonserinos naquele salão. Sabia que os sonserinos deviam estar atentos à tudo, mas não estava nem um pouco afim de interromper aquele momento, estava cada vez mais próxima de sua grande façanha: mostrar para um Malfoy que diante dela um nome não significa nada.
Draco sente os dedos afilados da moça tentar invadir seu pijama, e sorri sensualmente para a moça, fitando-a com os olhos atentos a tudo e qualquer movimento mais ousado.
- Acertou ... !! Dessas coisas eu até gosto... ainda bem que você não esqueceu disso...
- Eu não esqueço de nada, Draquinho... só você que esquece que é meu!!!
- Isso... fiquei acreditando nisso... um dia eu provo quem é de quem!!!! – e aproxima seu rosto ao da moça, sussurrando em seu ouvido e emanando por seus poros todo o desejo que estava sentindo – Só porque já estava sentindo saudade dos seus beijos, hoje vou deixar que acredite que realmente eu sou seu... mas não se assuste se pela manhã você perceber que eu sou de... todos, ou melhor, de todas!
Pansy o fitara uma última vez, espremendo seus olhos e tentando mostrar o quanto aquele comentário havia sido ousado e ofensivo, mas sabia que era melhor uma noite podendo tê-lo como seu, que uma noite e uma vida sem poder tê-lo. Sorrira de canto de lábio e o beijara de leve nos lábios. Draco correspondia ao beijo tentando não ultrapassar os limites da discrição. Como monitor, Draco podia encobrir as infrações de regras de seus amigos, e por tal razão ainda permaneciam naquele salão comunal já tão tarde. Já havia passado o horário do toque de recolher, proposto por Dumbledore logo no início do ano letivo, diante da iminente guerra que já começava a deixar seus alunos temerosos quanto ao foto de estarem mesmo seguros naquele castelo.
Enquanto Draco se distraía com os beijos e carícias de Pansy, naquele salão comunal sonserino, e enquanto seus amigos tentavam se distrair com o xadrez, Hermione ainda sofria de sua insônia. Ao menos havia conseguido fechar os olhos, mas seus pensamentos se dispersavam a todo o tempo, e não conseguiria pegar no sono daquela forma.
Em poucas horas o dia havia amanhecido, iniciava-se mais um dia cansativo de aulas e que talvez prometesse mais do que nos outros dias comuns.
Hermione demorara para acordar naquela manhã, havia conseguido dormir menos da metade das horas que realmente era preciso dormir, e sabia que teria que tentar manter-se acordada todo o resto daquele dia. O dia anterior havia sido exaustivo para ela, pelo fato de que saíra de sua detenção com os neurônios a mil, simplesmente sem conseguir desviar os pensamentos da proposta ousada e atraente que Draco havia lhe feito, a fim de tentar solucionar todos os seus problemas pessoais. Hermione ainda estava confusa quanto a tudo aquilo, a tão surpreendente preocupação de Draco com os seus problemas e o desejo do rapaz de poder solucioná-los. Mas havia admitido para si mesma que não lhe parecia uma má idéia juntar-se ao Malfoy que detestava tanto, afinal, teria que fazer Harry pagar por todo o sofrimento que vinha tento por conta da traição que sofrera durante àquelas férias, as piores férias de sua vida. Aquele estava sendo o seu pior ano letivo em Hogwarts, nunca pensara que fosse detestar tanto os estudos e aquele castelo em que vivera grande parte de sua vida e fizera as suas melhores amizades. Na verdade, Hermione nunca imaginara que poderia se apaixonar por seu melhor amigo algum dia, e que tal sentimento pudesse ser tão bem correspondido. E, por fim, nunca pensara no fato de que poderia sofrer por uma traição, ao menos não com Harry. Hermione sempre o vira como a sua maior paixão, Harry significava muito para ela, visto que a amizade de ambos havia se intensificado muito após a descoberta de seus sentimentos.
Harry sabia interpretar os olhares da moça, e sempre podia ajudá-la em seus problemas. Hermione, por sua vez, era sempre muito sábia e esperta, e tinha sempre uma solução muito atraente e eficaz para todos os problemas de Harry, mesmo aquele que aparentemente só o menino-que-sobreviveu seria capaz de resolver. Ambos eram cúmplices de grandes aventuras, de um lindo amor e de uma amizade verdadeira e eterna. Mas isto não estava mais tão visível dessa forma, Hermione havia perdido a amizade de Harry, visto que não suportava nem ao menos fitá-lo por alguns segundos sem odiá-lo profundamente e sem jogar-lhe mentalmente as mais variadas pragas.
Hogwarts acordara um tanto agitada naquela manhã. Era o último dia de detenção que Hermione, Draco e Pansy teriam de cumprir, e isto lhes parecia até mesmo inacreditável. Em pensar que uma detenção daquelas havia surgido de uma forma tão infantil e estúpida, naquela discussão que havia lhes rendido uma troca de ironias e ofensas das quais Hermione nem ao menos se permitia recordar. Seus problemas lhes pareciam tão absolutamente sem a menor possibilidade de solução quando se recordava da discussão que havia tido com os sonserinos, há alguns dias atrás, pois havia se permitido sentir-se ofendida com os comentários maldosos de Pansy pelo simples fato de ter precisado presenciar uma discussão entre Harry e Simas, onde Harry defendia arduamente, com unhas e dentes, a “namoradinha” que vinha escondendo dela e de seu melhor amigo, Rony. Era inaceitável para a castanha o fato de Harry não ter lhe dito nada desde o primeiro momento em que haviam se reencontrado, no início do ano letivo, sobre o relacionamento que vinha tendo com sua melhor amiga. Hermione nunca imaginou que tudo o que haviam vivido juntos não significaria nada para Harry, e isto lhe pareceu o fim, não suportaria perdoar uma pessoa que a havia feito sofrer tanto.
As primeiras aulas do dia ocorreriam logo após o banquete de café da manhã, que já estava sendo servido nos andares de baixo do castelo. Hermione tentara acordar o mais cedo que conseguira, mas mesmo assim, não havia sido possível, a noite não tinha sido das mais agradáveis e havia sido quase impossível despertar por conta própria. Ao ouvir o seu despertador ao seu lado tocar e anunciar que teria uma exaustiva manhã de estudos, e que certamente teria de ficar cara a cara novamente com o sonserino de seus pesadelos, Hermione pôde escutar a voz delicada e aguda de Gina ecoando em seus ouvidos naquele dormitório feminino. Erguera a cabeça por cima dos cobertores por um segundo e pudera notar o ambiente quase completamente vazio, a não ser pelo fato da presença de Gina e algumas grifinórias do sexto ano que já terminavam de se arrumar enquanto discutiam sobre assuntos variados em um tom baixo, porém audível para Hermione.
- Sabe, Paty... às vezes eu acho que ele tem estado distante de mais de mim... – Gina dizia isto enquanto penteava seus cabelos cor de fogo, fitando seu reflexo em um espelho diante de si...
A castanha sentira seu coração bater forte ao escutar Gina comentar a respeito “dele”, e sabia perfeitamente de quem a moça estava falando. Certamente Gina havia notado a sua presença, ali, naquele mesmo dormitório, e por isso estava evitando citar nomes, ou mesmo talvez pelo fato de que as duas grifinórias não estavam completamente sozinhas, e aquele relacionamento entre ela e Harry ainda era segredo entre eles. Naquele momento, Hermione havia percebido que Gina havia lhe enganado quando dissera que a única pessoa que sabia sobre eles era ela, mas agora tornava-se evidente que mais uma pessoa naquela escola já sabia de tudo, e talvez soubesse de muito mais coisas.
- E você não sabe por quê? – Paty lhe indagara, vestindo suas vestes grifinórias e bastante interessada naquele assunto.
Gina fitara seu reflexo uma última vez, terminando de pentear os cabelos, e um tanto pensativa quanto à resposta que daria àquela pergunta. Não sabia ao certo o que responderia para a amiga, mas tinha uma opinião quanto àquilo.
- Não é só ele que tem estado distante de mim, Paty... isto vem acontecendo com muita freqüência... com os meus melhores amigos.
- Não com a gente, posso apostar. – Paty sorrira, mas vira que Gina estava realmente abalada quanto àquilo. – E por que eles estão se afastando de você?
- Não sei, Paty... às vezes acho que ‘ele’ se preocupa demais com essa guerra estúpida, e que ‘ela’ se preocupa demais com os estudos. Sabe, ás vezes penso que essas coisas têm subido demais a cabeça deles, e eu não consigo fazer nada para mudar isso.
Sentiu seu estômago se revirar ao escutá-la citar sobre “ela”, não era difícil perceber que Gina estava falando dela, e por isso ficou cada vez mais curiosa para saber sobre o que a ruiva diria a seu respeito. Hermione tinha plena noção do quanto havia sido grosseira com a sua “melhor amiga” e, naquele momento, pareceu sentir-se mal por ter dito as coisas que havia dito à moça. Gina tinha a voz embargada e podia sentir isto, o que somente a fez sentir-se cada vez mais desconfortável diante da situação.
- São seus amigos, acima de tudo. Mas ele é mais que isso... porque não diz isso à ele. – Paty se aproxima de Gina e pousa uma de suas mãos no ombro da moça, tentando ajudá-la com aquilo.
- Dizer o que, Paty? Que eu estou me sentindo só e desamparada? Dizer que ele não lembra mais que tem a mim, e que não me dá mais a atenção de que necessito?
- É. Não é isso que está acontecendo? Ele nunca vai saber disso se não contar a ele.
Mione escondia seu rosto embaixo das cobertas sobre si e tinha os ouvidos apurados ao máximo para que não perdesse um único detalhe daquela conversa.
- Ele não vai nem ao menos ouvir o que eu tenho a dizer, Paty. Ele não me dá mais atenção, está sempre tão revoltado pelos cantos, e não gosta de me contar as coisas que tem acontecido a ele. Quando eu tento dizer a ele o quanto eu o tenho achado estranho, ele sempre vira a cara e diz que se eu continuar com essas indagações... ele vai desistir de mim. – Gina trazia lágrimas em seus olhos e lutava para contê-las.
Mesmo que tentasse conter, não conseguia esconder o sorriso que agora já se formava em seus lábios ao ouvir a ruiva confessar que estava passando por uma crise em seu namoro com Harry. Não podia imaginar que as coisas estivessem seguindo aquele rumo, não era essa a idéia que tinha daquele relacionamento. A visão que tivera um dia atrás a fizera pensar coisas a respeito da relação dos dois, e uma crise não era nada de que ela tivesse pensado a respeito. Harry tão carinhoso e tão desejoso, dando sugestões tão ousadas para a ruiva; e Gina, acariciando-o tão safadamente, e fazendo comentários ousados quanto àquilo. Não havia conseguido dormir bem durante aquela noite, lembrando da cena que havia presenciado no salão comunal grifinório. E agora, mais uma vez, estava de ouvidos bem atentos a uma conversa igualmente reveladora.
- Ah, Gina... não fica assim. Ele só deve estar em crise... sabe, os garotos às vezes são complicados mesmo. Isso vai passar, acredite.
- Ele só se interessa por meus beijos, por nossas noites em Hogwarts. Mas quando eu sento ao lado dele pra contar sobre o meu dia, ele parece nem ao menos notar a minha presença. – Gina tentava conter as lágrimas que ameaçavam despencar de seus olhos azulados, sabia que não poderia desesperar-se daquela forma por tão pouco. – Não quero que ele desista de mim... é importante pra mim tê-lo...
- Eu sei disso, querida... mas porque não esquece isso? Uma hora isso tudo vai passar e ele vai enxergar você e se sentir um completo idiota por não ter dado a atenção que você merecia. – e Paty, a grifinória de cabelos muito alourados tentava lhe acalmar e dar os conselhos da forma mais cuidadosa possível,sabia que Gina estava fragilizada com aquela situação.
Definitivamente, seu dia não havia começado da forma mais atraente possível, mas estava contente com o que havia descoberto. Ao ouvir os passos e vozes de Gina e Paty se distanciarem e sumirem junto com o som quase estridente de uma porta rangendo e sendo batida, Hermione se levantara de sua cama e saíra de baixo de suas cobertas, com os cabelos às alturas e um sorriso de canto de lábio, certificando-se de que Gina realmente não estava mais ali. Fitou o salão por um tempo e se assustou ao notar algumas grifinórias ao canto, sentadas em um sofá e que a fitavam um tanto curiosas.
“O que foi... não posso mais escutar a conversa dos outros não? Não tenho culpa, vocês não sabem ser discretas mesmo.”
Mione pensara consigo mesma divertida, deixando escapar um sorrisinho sarcástico em sua face. Se levantara de sua cama e rumara direto para o banheiro, onde desejava passar aquela manhã inteira, embaixo do chuveiro e dando gargalhadas contentes por saber que suas azarações estavam começando a surtir efeito na relação dos mais novos pombinhos de Hogwarts. Mas não era isso que faria aquela manhã, ao menos sabia que estava um pouco mais disposta para um dia cansativo de aulas e presenças insuportáveis, ente elas, a de sonserinos estúpidos e, mais precisamente em relação à um deles, atrevido demais.
Arrumou-se da maneira como sempre fazia, todos os dias, mas alguma coisa em si a diferenciava da Hermione Granger dos dias anteriores. Não sabia se eram os cabelos que estavam mais cacheados do que o normal naquela manhã, ou se era suas vestes escolares que lhe pareciam mais bem vestidas em seu corpo. Algo em Hermione a havia feito entrar em um estado de bem estar da qual não se lembrava de ter passado naqueles últimos dias, sorria diante disto e sentiu-se cada vez mais preparada para enfrentar todos aqueles seus fantasmas em forma de serpentes e, agora, até mesmo em formas de dragões, visto que Harry era um deles.
Hermione encaminhou para o salão principal e já podia sentir o cheiro de pães e salgados que se dispersava por aqueles corredores próximos ao salão. Sentiu seu estômago pedir por alimento desesperadamente e estranhou o fato de que ele pareceu mais desesperado por isso do que em qualquer outro momento. Pensou que realmente precisava se alimentar, mas foi quando reconheceu algumas vozes que ecoavam pelos corredores, bem próximas de si, e ela ao menos havia sido capaz de reconhecê-las antes. Sentiu seu estômago se revirar novamente e cada vez mais forte e mais assustador, e notou que aquilo tudo não significava fome, era simplesmente as suas borboletas de estimação que haviam acordado de um sono não muito profundo e já lhe causavam cócegas como das outras vezes.
As vozes se aproximavam cada vez mais e quanto mais isto acontecia, mais sentia suas borboletas voarem cada vez mais alto e colidirem cada vez mais forte contra sua parede estomacal. Aquilo não era bom sinal, por que tinha que se sentir daquela forma? Aqueles sonserinos não significavam nada para ela, mesmo.
Evitou olhar para os lados e mesmo para trás, de onde as vozes ecoavam até seus ouvidos. Não desejava ter nenhum contato visual com aqueles sonserinos logo pela manhã, afinal, estava em um estado de bem estar muito profundo, e não permitiria que ninguém a tirasse dele.
- Você é patético, Alan... nem pra isso você presta mesmo, não é? – ouvira a voz aguda e irritante de Pansy.
- Patético? Obrigado, morena... começamos o dia muito bem, não acha? – e ouvira a voz de Alan adentrando seus ouvidos, de forma que detestou aquele som irritante.
- Deveria tê-lo jogado da cama... chutado, feito algum feitiço... deveria tê-lo acordado na marra, Alan! Você é mesmo um imprestável, não é a toa que todas desistem de você logo de cara.
- Hei... então porque não vai você jogar ele da cama, chutá-lo e acordá-lo na marra, Pansy... aposto que vai adorar o soco que ele vai te dar no meio dos peitos... porque foi isso que ele fez comigo. – e escutara a voz do rapaz cada vez mais irritada com a sonserina, sabia que mesmo que os laços entre eles fossem fortes, Alan também se irritava com a Vadia Parkinson. – E depois, quer parar de se meter na minha vida amorosa? Será que não percebe que ‘delas’ cuido eu?
- Ok... Sr. Canalha. Não é toa que é amigo do Draco, vocês se merecem mesmo. Aposto que foi você que o ensinou a ser tão canalha, estúpido e cretino.
Hermione temia que os sonserinos notassem a sua presença, um tanto próxima deles, caminhando a frente. Por sorte, alguns alunos lhe faziam companhia naquele corredor e acabava por conseguir se camuflar entre algumas grifinórias primeiranistas.
- Oww... quanto ódio nesse coraçãozinho morena... não esquece o que eu disse uma vez... uma hora ele desiste de você se continuar desse jeito. – e ouvira Alan dizer isto em um tom sussurrante, mas audível para Hermione, que já parecia cada vez mais aguçada em relação àquilo, talvez por sua experiência em “ouvir conversa dos outros” , como havia feito meia hora atrás.
- Do mesmo jeito que ‘elas’ desistem de você, Alan?
- ‘Elas’ não desistem de mim... eu sempre deixo muito bem claro pra elas que eu detesto pressão, e detesto ter de pertencer a apenas uma.
- De que tipo de pressão está falando? Não vai me dizer que é desta que estou pensando... – e ouvira Pansy dizer isto de forma irônica e cômica.
- Desse tipo de pressão eu não vou desgostar nunca... e elas também não. Mas se quiser, eu posso mostrar pra você o que é uma pressão de verdade, por que pelo seu humor essa manhã, acho que a noite não foi muito boa ontem, não é mesmo.
- Cala a sua boca, Alan... foi ótima se quer mesmo saber. Como todas, na verdade.
Uma revelação nada apropriada para aquele momento. Detestava ter de escutar coisas do tipo, pois era inevitável impedir a sua imaginação de recriar cenas e imagens. Hermione apressou ainda mais os seus passos, mas não tanto, a fim de continuar a escutar aquela conversa. Queria saber o que Pansy continuaria a dizer sobre Draco.
- Todas? Até as noites que você passa com aqueles engomadinhos do sexto ano? – e ouvira Alan soltar um riso divertido.
- Eu faço caridade a eles, nunca ouviu falar disso? E eles me agradecem muito bem, se quer mesmo saber...
- Deixa o Draco saber sobre essas suas caridades, aposto que ele acaba com a sua graça na mesma hora. E quero ver o que vai ser dos engomadinhos do sexto ano.
- Então eu acabo com a graça do Draco também, pensa que eu não sei das noitadas de vocês por Hogwarts?! Algum dia eu descubro quais são as vadias que vocês insistem em azarar por ai. “Só existe uma vadia, minha cara, e ela é você...”
Hermione não resistira, e pensara consigo mesma, divertindo-se internamente com aquele pensamento. Realmente, sua manhã não podia estar sendo mais agradável do que já estava. Ouvir Pansy ofender Draco ao chamá-lo de canalha e cretino diante do melhor amigo dele era mesmo uma cena hilária e interessante demais e, mais do que isso, ouvir Pansy confessar que dava as suas escapadas por Hogwarts. Só desejava saber quem seriam os “engomadinhos” de que Alan estava falando, seria engraçado poder usar aquela descoberta para humilhá-la na próxima oportunidade que tivesse em discutir com a mesma. Hermione sabia, tinha plena consciência de que as discussões com aqueles sonserinos não dariam a menor trégua durante aquele ano letivo, afinal, Draco simplesmente parecia se recusar a afastar dela, e sonserinos e grifinórios, juntos, nunca significava coisas boas.
Foi naquele momento que lembrou-se da proposta ousada de acordo feita por Draco, na detenção anterior, que cumprira com o mesmo e com a irritante Parkinson bem atrás de si. Se Hermione realmente levasse a sério aquela proposta, e se ela realmente resolvesse aceitar o plano “quase infalível” de Draco, e compactuasse com aquele jogo macabro em que teria de fingir um namoro em Hogwarts com seu pior inimigo, como Pansy reagiria a tudo isso? Hermione simplesmente não conseguia imaginar a reação da sonserina diante de uma aparente “traição”, embora soubesse que Draco não abriria mão da relação que tinha com a garota e, lógico, com todas as outras bruxas daquela escola.
Foi quando sentiu seu estômago se revirar novamente, e pôde concluir que, daquela vez, era realmente a fome que a estava chamando a atenção, mas também a idéia de que teria uma resposta a dar para Draco, a respeito da proposta. Era uma idéia absurda, mas estava cada vez mais interessada a pensar melhor a respeito, mas não queria ter de participar de um jogo tão arriscado quanto o proposto. Afinal, estariam brincando com seus sentimentos e com os sentimentos dos outros. Não sabia ao certo o que Draco pretendia com aquilo, nem como pretendia criar um “namoro de mentiras”, já que eles se detestavam e Hogwarts inteira tinha plena consciência daquilo.
Adentrou o salão principal um tanto esfomeada, desejando desaparecer de uma vez por todas do campo de visão daqueles sonserinos, já que havia escutado mais do que talvez devesse escutar. Foi quando deixou seus olhares caírem espontaneamente sobre a mesa grifinória e darem de encontro com os cabelos muito avermelhados de seu amigo Rony. O vira sentado na mesa, diante de um banquete muito atraente e simplesmente solitário. Sentiu um profundo aperto em seu coração naquele mesmo momento, detestava ver seu melhor amigo solitário daquela forma, e sabia que tinha muita culpa quanto àquilo tudo. Rony significava muito para ela e não podia permitir que seu melhor amigo pagasse caro por sua ignorância e estupidez. Rony não tinha nada a ver com todos os problemas que vinha enfrentando, e sentia-se muito pior por saber que o amigo não sabia de absolutamente nada. Não poderia contar ao ruivo, Rony jamais entenderia e a perdoaria por uma “traição” daquelas.
Continuou sua caminhada árdua até a mesa grifinória, focada sempre na visão ruiva que tinha ao longe. Ainda podia escutar as vozes agudas de Pansy em seus ouvidos, até que esta pareceu desaparecer de seu campo auditivo, dando graças a Merlim por isso, detestava ter que ouvir aquela vadia Parkinson logo pela manhã.
Hermione aproximou-se de onde Rony estava sentado e tentou sorrir amigável para o colega, não demonstrando todo o pesadelo que vivia dentro de si.
- Bom dia, Rony! – Mione dissera sentando-se à frente do amigo, na direção das portas de carvalho do salão.
Sorria de forma que realmente parecesse contente naquela manhã, mas sabia que estava cada vez mais distante da possibilidade de realmente poder voltar a sentir-se contente pelas manhãs, como das outras vezes. Sua vida havia se transformado em um inferno, e nem se quer sabia o que fazer para que ela voltasse a ter a estabilidade que possuía antes. Era desesperador saber que estava, a cada dia, perdendo amigos e pedaços de si mesma. Estava deixando para trás uma história de anos, e amizades que um dia pensou que pudesse levar para o resto de sua vida. Foi quando voltou a notar a presença de Rony bem a sua frente, perdida nesses pensamentos havia esquecido, por segundos, que estava bem diante do seu único melhor amigo que havia restado em Hogwarts. E sentiu-se tranqüila sabendo que ao menos uma amizade verdadeira poderia levar para o resto de sua vida. Ao menos que Rony pudesse ter a decência de compreender que a relação que tivera com Harry havia sido uma fraqueza de ambas as partes e hoje já não significava nada, caso a castanha realmente resolvesse contar ao ruivo tudo o que havia acontecido entre ela e Harry.
- Bom dia, Mione!! – Rony respondera bastante animado, sorrindo com aquele sorriso abobado que Hermione sempre achava divertido.
- Acordou cedo, hoje... Ronald Weasley nunca acorda cedo... caiu da cama hoje, foi?! – e sorrira divertida para o amigo, deveria tentar mostrar-se amigável hoje, ao menos para recompensar os dias anteriores em que o tratara com tamanha indiferença.
- Na verdade, você que acordou um pouco atrasada, hoje, Mione. – e Rony sorrira de volta para acastanha, agora um pouco envergonhada por confessar que havia mesmo se atrasado àquela manhã. – Hermione Granger nunca acorda atrasada. Aconteceu alguma coisa na noite anterior?
E Hermione vira o sorriso no rosto de Rony começar a desaparecer aos poucos e, conseqüentemente, o seu sorriso também já começava a sumir igualmente. Lembrou-se da detenção, dos cochichos que tivera com Draco e da proposta ousada que o mesmo havia lhe feito. E novamente suas borboletas tornaram a se agitar em seu estômago, foi quando tentou servir-se de torradas para que pudesse alimentá-las e tentar impedi-las de infernizar tanto a sua vida. Não podia se sentir daquela forma, Malfoy não significava nada para ela e, por tanto, não merecia toda aquela atenção que vinha lhe dando. Havia sido uma proposta ousada, porém um tanto interessante, ma isso não significava que pudesse mesmo aceitá-la, embora estivesse quase concordando com o louro de que precisava dar um basta em todos aqueles seus problemas. Mas até que ponto uma proposta daquelas poderia ser a solução para seus problemas? Para a castanha, um “namoro de mentiras” significava apenas mais encrencas. E de encrencas estava farta.
- Mione... está me escutando? – Rony tentava chamar sua atenção.
- Sim... estou sim. – E Mione saíra de seu transe, tentando disfarçar toda a sua dispersão.
- Então por que não me responde? Aconteceu alguma coisa ontem? – Rony insistira
- Por que essa pergunta, Rony? Não aconteceu nada... você sabe que não.
- Não, Mione... Ultimamente eu não sei de mais nada. Meus amigos nem ao menos lembram da minha existência. – E Rony baixara os olhares por uns instantes para o seu prato.
- Isso não é verdade. Quanto ao Harry não posso dizer nada, mas quanto a mim... tenho passado por alguns problemas. Sinto muito se não estivesse muito presente ultimamente, mas eu ainda lembro que você existe sim, somos amigos, Rony. – Hermione tentava inverter toda aquela situação que, sabia ela, era uma dos culpados por tê-la gerado.
- Harry ainda tem estado mais próximo de mim do que você, Mione. – e erguera os olhares para fitar a castanha. Tinha raiva em seus olhos. – Tudo por causa dessa briga estúpida de vocês. E eu nem faço a menor idéia do que a tenha gerado.
- Já pedi pra você não falar disso comigo, Rony. Eu não posso te contar nada. É problema meu e dele. Só nosso. – e dissera isso deixando seus olhares escaparem para o resto do salão, totalmente atordoados e perdidos.
“Problema nosso... só nosso...” As palavras pesavam em sua consciência. Era justamente esse o problema: aqueles problemas eram apenas deles, e mais ninguém poderia tentar ajudá-la. Mas e porque, afinal, estava mesmo acreditando que Draco pudesse conseguir solucionar seus problemas? Talvez o poder de persuasão de Draco a estivesse dominando.
- Ainda vai se arrepender por isso, Mione. Sou seu amigo, mas posso deixar de ser a qualquer momento.
Hermione se assustara com as palavras repentinas e grosseiras do amigo. Rony nunca dissera algo parecido antes, nem mesmo quando Hermione e Harry lhe esconderam segredos a respeito de Voldemort, a fim de afastá-lo de possíveis perigos. Sabia que dessa vez não estava sendo muito diferente afinal, era sobre um segredo que estavam prestes a discutir àquela manhã. Mas Rony não podia dizer uma coisa daquelas, já havia perdido amigos demais, não poderia perdê-lo também.
- Não diga uma bobagem dessas, Rony. Nossa amizade ainda vai durar muito. Independente de Harry Potter ou não.
- Diga por você, Mione. Já não agüento mais ter que me dividir para poder estar ao lado de vocês quase que ao mesmo tempo. Não tem sido fácil ver meus melhores amigos afastados um do outro e, principalmente, afastados de mim.
Aquele assunto a estava fazendo retornar aos seus pensamentos desesperados quanto à possibilidade de tornar-se cada vez mais infeliz naquela escola. Era seu único melhor amigo que estava dizendo todas aquelas coisas, sentia-se triste por saber que Rony havia percebido a gravidade daquilo tudo. Não podia fazer nada para reverter aquela situação, pois por mais que dissesse ao ruivo que não poderia revelar as verdadeiras razões para aquelas discussões todas e intrigas, Rony jamais se sentirá satisfeito com isso. Realmente, estava numa situação desconfortável, Rony poderia mesmo estar falando sério quanto a deixar de ser seu amigo.
- Eu entendo, Rony... mas acho que você também deveria entender nosso lado. Não está sendo uma situação muito agradável... – Hermione tentava explicar-lhe, mas Rony permanecia incrédulo a tudo o que a amiga dizia.
Nesse exato momento, em que uma castanha fitava de forma assustada um ruivo extremamente irritado por tantas mentiras, alguns grifinórios se aproximaram da mesa em que estavam sentados e juntaram-se aos dois, muito animados entre gargalhadas e sorrisos. Por alguns segundos, observou os amigos grifinórios e desejou poder estar tão contente quanto ele, mas sabia que aquela possibilidade era cada vez mais nula com o passar do tempo. Já ouvira uma ruiva, em um momento muito confuso e problemático pela qual a mesma havia passado, desabafar à sua melhor amiga dizendo-lhe que “os nossos problemas tendem sempre a aumentar”, e lembrara de ter despejado uma imensa e divertida gargalhada para a amiga ruiva. Não fazia muito tempo e ainda tinha aquela memória muito viva em sua mente, sentiu seus olhos marejarem diante de tal lembrança.
- Pense nisso, Mione, porque eu não tenho nada há ver com os problemas de vocês. Me deixe fora disso. – Rony lhe dissera, desviando os olhos em seguida e sorrindo animado para os amigos que haviam se juntado a eles.
Simas iniciava um diálogo muito divertido com Rony e Hermione pareceu sentir mais tranqüila vendo que ele não sofria tanto com aquela situação toda. Mas aquilo não a tranqüilizava em nada, já que seus problemas estavam tendendo a aumentar cada vez mais, e mais. Gina tinha razão quanto a essa estatística, e nisso estava começando a concordar. Ao pensar naquilo, tentou recordar-se do dia em que havia tido aquele diálogo com a ex melhor amiga, e não conseguia lembrar ao certo do que realmente haviam conversado aquele dia. Que problemas mesmo Gina estava tendo? Forçou sua mente para aquela lembrança e simplesmente não conseguiu se recordar de nada. Franzia suas sobrancelhas conforme se esforçava para recordar, mas havia sido um esforço em vão. Muitas lembranças, como esta, estavam começando a se desaparecer de forma assustadora de suas recordações. Sabia que aquelas férias haviam realmente lhe transtornado em todos os motivos possíveis. E tal lembrança pareceu lhe doer profundamente no fundo de seu peito, era sempre muito doloroso recordar as piores férias da sua vida, aquela que havia tirado a vida de seu pai, seu querido pai.
Rony estava cheio de razão quando dizia não ter nada há ver com aquela rincha entre ela e Harry. Mas havia sido um impacto muito maior escutar essas palavras vinda de seu próprio amigo do que quando chegara a essa conclusão anteriormente. Ouvi-lo dizer aquilo, mostrava que estava cada vez passando dos limites, e isto lhe traria as conseqüências mais desastrosas de sua vida.
Tentou esquecer, por um tempo, de todos aqueles assuntos, de todos aqueles fatos que a atordoavam de forma inexplicável. Sensações que nunca antes havia tido a experiência de poder sentir, e a vontade de chorar que não conseguia conter interiormente. Estava totalmente destruída por dentro, e disso não tinha a menor dúvida. Observou o salão, repleto de estudantes àquela manhã, e tentou se distrair com algumas conversas alheias.
Sentiu um aperto em seu coração ao ver todos aqueles bruxos e bruxas, alguns deles tão parecidos com ela, felizes e contentes, animados ao lado de seus melhores amigos, sorrindo por todos os cantos de seus lábios e servindo-se do banquete que, para Hermione, já não tinha mais o mesmo gosto e já não sentia mais o mesmo prazer ao saboreá-lo. Temeu que fosse a única, naquele imenso salão, a estar infeliz com sua própria vida.
“Claro que não, Mione... você sabe que as pessoas sempre parecem estar mais felizes do que nós... tenho que parar de pensar dessa forma...” seus pensamentos não lhe davam a menor trégua, e sentia-se exausta com isso. Desejava esvaziar sua mente e esquecer tudo aquilo.
“Vou ficar louca desse jeito, Merlim... “
Seu desespero ultrapassava barreiras.
Hermione não pareceu notar, de início, mas havia focado seus olhares por alguns longos segundos sobre um casal aparentemente alegre que adentrava o salão, pelas grandes portas de entrada, e caminhavam um ao lado do outro, muito silenciosamente. Ao perceber de quem se tratava, Hermione ajeitou sua postura no banco em que estava sentada e fitou Rony por um tempo, pensando coisas a respeito da cena que presenciava. Rony saberia de tudo? Harry e Gina teriam revelado o seu romance para todos? E por que ela teria que ser a última a saber disso?
Harry aproximou-se da mesa, mas procurou não fitar Hermione nos olhos. Seguiu as regras que todos naquela escola pareciam aderir em situações como aquela: evite sempre o contato visual com seu adversário. Isto lhe ajudava. Mas não para Hermione, que àquela altura já não se importava mais em demonstrar ou não os seus sentimentos. Naquele momento, apenas ódio estampado em seus olhares.
Em pensar, que um dia, em um passado um pouco distante, havia dado conselhos áquela ruiva quanto ao sentimento que nutria pelo seu, apenas, melhor amigo. E em pensar que um dia tudo havia mudado completamente. Havia se apaixonado por aquele mesmo, apenas, melhor amigo, e já não era mais capaz de dar os mesmos conselhos sentimentais à pequena ruiva. Não admitia desprezar seus prórprios sentimentos pelo castanho de cabelos muito embaraçados e, ao mesmo tempo, sentia-se a pior das pessoas ao tentar conversar Gina de esquecer aquele sentimento “bobo” e “impossível”, visando o fato que não suportava mais imaginá-los juntos.
E hoje estava diante da imagem que um dia havia recriado em sua cabeça, e um dia havia desprezado e detestado. E se lembrara de seus dias naquele mesmo lugar que Gina ocupava hoje: o posto de namorada de Harry, secretamente.
Sua história de amor com Harry estava se repetindo, e diante de seus olhos, mas dessa vez não era ela quem recebia os beijos doces e carinhosos do garoto, não era ela que sentia as mãos grosseiras porém delicadas do rapaz, não era ela quem deitava-se em seu colo e apreciava entorpecida os cafunés e caricias, não era ela que simplesmente podia deitar-se com o rapaz e esquecer completamente que estavam em uma escola. Momentos que nunca mais voltarão, mas momentos que nunca mais será capaz de esquecer, mesmo que nunca mais deixe de odiá-lo.
Harry e Gina aproximaram-se da mesa e, quase ao mesmo tempo, fitaram Hermione por um bereve segundo. A castanha pareceu ter a impressão de ver um sorriso nos lábios de Gina, mas não poderia entender a razão daquilo. Harry sentou-se ao lado dela e aquilo lhe pareceu uma afronta ousada de mais. O que ele pretendia com aquilo? Torturá-lo por estar ao lado dele e não poder segurar em sua mão discretamente, como fazia, e não poder dizer em sussurros as juras de amor que dissera um dia?
Gina sorrira um tanto envergonhada para Harry, discretamente, e Hermione o vira erguer os ombros em sinal de “não posso fazer nada”. Gina baixou seus olhares brevemente e sorrira em sinal de “tudo bem”, retirando-so dali e seguindo para um pouco distante de onde estavam, sentando-se junto de algumas garotos do sexto ano. Gina não tinha na face a mesma expressão tranqüila e serena que trouxera em seu rosto ao adentrar o salão.
Agora havia tido certeza de que não era a única naquele salão a estar infeliz com sua própria vida. E será que os problemas da ruiva também estavam tendendo a aumentar? Gostou da idéia.
Harry não pareceu se importar com a retirada da “namorada”. Na verdade, nem ao menos fitou-a novamente quando a mesma abaixara os olhos e seguira para longe dele. Hermione não se lembrava de algo como aquilo ter acontecido com eles, quando ainda podiam ser “eles”.
Gina havia precisado se afastar dele pelo simples fato de que não havia mais nenhum acento vazia do lado dele. Os rapazes grifinórios, ao se juntarem à ela e à Rony, roubaram todos os acentos vazios que havia. Mas não concordara com aquela posição de Harry, permitir que Gina tivesse que sentar-se longe dele. Certamente, se ele realmente se importasse com a presença da ruiva, Harry daria um jeito. Era isso que ele sempre fizera na relação que tiveram: sempre dava um jeito para tudo.
“Mas que droga... antes eu tivesse me retirado e dado meu lugar à essa Virgia estúpida...” deixara escapar em seus pensamentos. Estava irritada com o rumo dos mesmos. Não desejava ter de recordar, sempre que os via juntos, os seus momentos de amor ao lado de Harry. Aquilo era passado e tinha que dar um basta naquilo tudo o mais depressa possível, ou realmente enlouqueceria, e nem mesmo Merlim seria capaz de ajudá-la.
Harry serviu-se de algumas torradas e, ao fazer isso, deixou cair um talher sobre a mesa, provocando um ruído que poder ser ouvido por Rony, ainda muito entretido com os amigos em seu diálogo. Rony assustou-se com o barulho e virou-se depressa para ver o que era e, ao fazer isso, dera de encontro com um Harry que lhe sorria em “bom dia”.
- Ei... aonde você estava? Acordei e não te encontrei na cama... – Rony estava bastante curioso.
Ao escutar aquilo, Hermione pareceu aguçar ainda mais seus ouvidos, foi inevitável não sentir curiosa também. Tentava disfarçar servindo de mais torradas e mais suco.
- Eu... é que eu precisava terminar aquela lição... lembra? – Harry se atrapalhava um pouco com as palavras.
- Lição? E tínhamos lição pra fazer? – Rony pareceu se preocupar com aquilo.
- Tínhamos... mas eu passo pra você depois, Rony. – e Harry tentara dar um basta no assunto...
- Mas porque acordar tão cedo? E quanto a Gina? Ela também não me esperou para vir para cá... – Rony ainda estava intrigado.
- Ah... eles vieram juntos, Rony. – Hermione se intrometera na conversa, mordendo, logo em seguida, um pedeço de sua torrada.
Talvez tentando abafar um riso, pois sabia que aquela resposta havia causado desconforto naquela conversa. Podia sentir os olhares de fúria arremessados por Harry caírem sobre ela, e os olhares de dúvida de Rony.
- Vieram juntos? Por quê? – Rony resolvera indagar, fitando Harry com o cenho franzido
- É que... eu encontrei com ela pelos corredores... sabe... e viemos juntos. – Harry tinha na face um sorrisinho cínico, tentando convencê-lo daquilo.
- Tem certeza, Harry? Vocês não combinaram isso, né? Acordar mais cedo?
- Claro que não, Rony... por que nós faríamos isso? – e Harry tentava negar
Hermione ainda observava a tudo, e dessa vez conteve sua vontade de intrometer-se novamente na conversa.
- Não sei... é o que eu quero saber, Harry. – e mais indagações
- Por favor, Rony... já disse que não! – Harry se irritara com a insistência do ruivo.
Rony pareceu receber a mensagem muito bem, e notou a irritação na voz e expressão do amigo. Fitara Hermione mais uma vez, como se tentasse retirar dela, talvez por telepatia, as respostas para as indagações que Harry se recusara a responder, mas Hermione não teria aquelas respostas, pensou consigo mesmo. Na verdade, o que Rony menos imaginava era que Hermione as possuía sim, e se ela quisesse, poderia dar todas elas de muito bom grado. Mas Hermione não chegaria a tanto. Encrencas nunca eram bem vindas em sua vidinha complicada.
Harry estava irritado com a conversa e passava a manteiga em sua torrada de forma agressiva, deixando que ela se quebrasse toda sobre a mesa. Hermione notou a irritação do garoto, e resolveu se aproveitar daquilo, estava mesmo a fim de descontar a sua raiva também.
- Não está disfarçando muito bem, Harry. – dissera ao garoto, em tom baixo.
Harry erguera a cabeça rapidamente e fitara Rony, certificando que ele não os veria conversar.
- O que quer dizer com isso?
- Sò quero dizer que não está sabendo disfarçar muito bem. Eu tive muitas provas essa manhã de que nosso amigo Rony não é tão bobo a ponto de entender o que realmente está acontecendo aqui. – e Hermione tentava evitar o contato visual com o castanho.
- E o que quer dizer com isso, Hermione?
- Só quero dizer que ele pode acabar com a graça de vocês quando ele bem entender.
E, dessa vez, o fitara. Seus olhares eram firmes e transpareciam toda a raiva e repulsa que tinha pelo ex. Harry não entendia o por que daquela subida discussão matinal. Não desejava ter de falar as mesmas coisas novamente à garota, não desejava ter de escutá-la opinando sobre a respeito do relacionamento que tinha com Gina e sobre o quanto ele a havia lhe magoado. Já estava até começando a se enxergar um vilão, de tanto ouvi-la chamá-lo disso.
A castanha tentou esquecer as suas diferenças com Harry, ao menos durante aquele café da manhã. Observou, despreocupada, as outras mesas bem a sua frente, mas seus olhos caíram direto sobre a mesa sonserina, a única mesa que realmente lhe interessava naquele salão. E sentiu-se intrigada com o fato de não avistar a cabeleira loura de um certo Malfoy, apenas a morena estúpida da Pansy e o arrogante do Alan que detestava mais do que qualquer outra coisa. Sempre que o via sentia seus nervos a flor da pele, pois recordava-se da manhã aterrorizadora que havia tido, à alguns dias atrás, em que havia sido vitima de Draco e Rony vítima de Alan. Ambos sonserinos haviam se aproveitado da invalidez em que haviam sido sujeitos por eles mesmos e haviam dito-lhes coisas das quais não desejava lembrar-se. Todas as indiretas que Draco lhe direcionara, todo o rumo que a discussão deles havia tomado naquela manhã, e toda a repercussão que aquelas palavras ditas pelo Malfoy havia tomado em seus pensamentos, por dias, eram lembranças das quais não se orgulhava de possuir.
E novamente sentiu suas borboletas insistentes retornarem a fazer-lhe cócegas em sua barriga, dessa vez muito mais intensamente. E odiou ter de confessar para si mesma que sabia a razão por elas estarem tão agitadas: o beijo que Draco havia lhe roubado naquele dia. O beijo que havia lhe feito passar dias meditando a respeito e buscando explicações óbvias para aquilo tudo. O beijo que Hermione fora forçada a retribuir, mas o beijo que havia retribuído sem a menor vontade de desprezá-lo, embora não tenha confessado isso em momento algum e embora tenha, realmente, desprezado. E quando estava finalmente chegando à conclusão de que beijos, para Draco, significava afrontas, surge-lhe uma proposta ousada de um acordo pela parte do mesmo Malfoy. Definitivamente, sua vida era complicada demais para tentar ser esclarecida. Seus problemas realmente tendiam a aumentar, disso não duvidava.
Flash Back
- Eu te odeio, Malfoy. Você é um completo idiota.
Draco apenas ria da situação, um sorriso sarcástico, não muito diferente dos seus típicos sorrisos sarcásticos.
- É mesmo, Granger? Que bom, não é?! – ironizava a todo o tempo.
- Eu o odeio a cada segundo, Malfoy... cada palavra que diz, cada olhar... tudo! – tinha os olhares vidrados nos dele.
...*...
- Certo, Granger... você venceu. – abaixou os olhares.
- Venci? – Hermione não entendia. Afrouxou a gravata do sonserino, diminuindo a força com que a segurava e afastou seu corpo um pouco do dele.
...*...
- Não confia mesmo em mim, não é? – voltara a caminhar, carregando-a consigo
- E deveria?
- Quer saber mesmo? – lhe direcionara um olhar ligeiro. – Deveria sim.
...*...
Draco ergueu sua varinha no exato momento em que Alan pretendia voltar a resmungar em seus ouvidos e com um leve aceno fez com que as cordas fossem desconjuradas e Rony pudesse se libertar novamente, e com mais um leve aceno da mesma fez com que o feitiço de mudez fosse desfeito.
Hermione soltou-se das garras de Draco rapidamente e correu na direção de Rony, o abraçando no mesmo instante, antes de Rony soltar sua fúria.
...*...
- Então... espero que confie agora. – lhe direcionara um olhar profundo.
- Terá de dar provas melhores pra eu confiar, Malfoy. E... obrigada.
Fim do Flash Back
Balançou sua cabeça em um ato de negatividade para que pudesse desfazer aquelas lembranças. E fazendo isso tornou-se inevitável não deixar de notar que Gina também parecia dispersa com os olhares fixos por todo o salão. E pensou que talvez ela pudesse estar revivendo lembranças, assim como ela, lembranças das quais talvez nem desejasse saber ao certo quais. Mas notou que Gina parecia atenta aos mesmos sonserinos que Hermione também se pusera a observar, e podia ver nos olhares da ruiva que ela também parecia querer achar alguém no meio de todos aqueles sonserinos. Estranhou o fato de vê-la procurar por algum sonserino específico, mas desfez a idéia muito rapidamente, talvez ela só estivesse mesmo tentando distrair-se, talvez para esquecer da decepção que havia tido com Harry alguns minutos atrás.
“Aonde ele pode estar? Droga, eu preciso acabar com isso, de uma vez... Draco vai ter que me escutar.” Gina tinha seus pensamentos muito dispersos, enquanto procurava pela silhueta muito atlética de seu Draco Malfoy, inutilmente, já que o mesmo não estava presente ao banquete de café da manhã.
Ao fim do banquete, todos levantaram-se quase que ao mesmo tempo, e já apanhavam suas bolsas e materiais deixados ao pé da mesa, rumando para fora do salão. Rony ainda estava bastante entretido com a conversa animada de Simas e demais grifinórios, e Hermione sabia que só poderiam estar falando de uma coisa: Quadribol. E estranhara não ver Harry junto a eles, afinal, não havia ninguém que se interessasse mais por Quadribol do que Harry. Mas sabia que ele devia estar remoendo a indelicadeza que cometera àquela manhã, e por isso não era capaz nem mesmo de erguer a cabeça em sua caminhada ao lado de Hermione. Tê-lo ali, tão próximo dela, e não ter nada para dizer-lhe de interessante, era a sensação mais estranha que podia estar sentindo. Em outros momentos, aquele momento era perfeito para que ela pudesse lhe dizer o quanto sentira a sua falta àquela noite ou mesmo o quanto o amava e o quanto desejava estar com ele. E sabia que Harry aproveitaria a oportunidade para revelar-lhe que realmente a amava e só não a agarraria naquele momento porque prezava muito a discrição. E Hermione certamente cairia na gargalhada e incrivelmente ninguém notaria sua alegria, nem ao menos que as suas mãos estariam fortemente unidas por debaixo das vestes às do garoto que sobreviveu. Mas, naquele momento, aquela oportunidade perfeita para tudo isso nem ao menos existia. Caminhava ao lado de um Harry pelo qual não sentia a mesma coisa e que sabia que nos pensamentos dele, só tinha lugar para a ruivinha que durante anos considerara sua melhor amiga, mas agora, não era capaz nem ao menos de encará-la nos olhos sem detestar a idéia de vê-la roubando seu primeiro amor e seu caso de amor mais perfeito.
- Harry... Harry... espere.
E Harry sentira alguém puxar-lhe pelas vestes, assim que saira pelas portas de carvalho, acompanhado de Hermione, Rony e muitos outros bruxos. Era Gina quem lhe puxava e sorriu para a ruiva por alguns instantes. Gina lhe retribuiu o sorriso e depositou em suas bochechas um beijo rápido e delicado, desejando-lhe “boa aula” logo em seguida e retirando-se dali junto de algumas garotas.
Harry seguiu os passos da namorada com os olhares e nem imaginou que Hermione e Rony observavam a tudo. Hermione conteve-se para não demonstrar o seu ódio, enquanto Rony não se preocupou em conter sua curiosidade e irritação.
- Por que ela não se despediu de mim também? – Rony voltara a indagar
- Acho que... ela não viu vocês. – e Harry novamente tentando contornar aquela situação.
- Tem certeza disso? Acho que ela nem se preocupou em querer nos procurar. – e Rony observava, intrigado, a irmã se afastando.
- Vamos? Ou querem se atrasar? – Hermione os apressa, pondo-se a frente na caminhada até á sala de aula.
Caminharam os três juntos, mas Hermione era a única que não se integrava à conversa de Rony e Harry. Não fazia idéia de qual seriam as aulas daquela manhã, e se repreendeu por isso. Onde estaria sua reputação de sabe-tudo? Será que até isso Malfoy havia lhe tirado? Afinal, Malfoy vinha, de forma incrível, conseguindo dominar a sua vida, seus pensamentos e a até mesmo seus problemas amorosos, visto que já não conseguia mais se desligar nem ao menos por um instante da proposta ousada feita à ela na noite anterior, pelo mesmo Malfoy que tinha em seus pensamentos naquele instante.
Sentiu seu estômago se revirar ao pensar que dentro de poucos minutos teria mais uma aula junto dele e de todos aqueles outros sonserinos que só lhe traziam infelicidades e encrencas, principalmente. Não era esse o tipo de dia que desejava ter hoje, mas teria que enfrentar Draco de cabeça erguida, teria que mostrar ao mesmo que a proposta não a havia causado duvidas ou mesmo interesse, teria que mostrar ao sonserino que não se submeteria à um jogo daqueles, aparentemente, macabro, já que um Malfoy e Sonserino não era bem o tipo de namorado que desejava para si, mesmo que este namoro tivesse de ser “de mentiras”, sabia que poderia ser um jogo arriscado demais.
Mas e Draco realmente estava interessado em receber uma resposta quanto à proposta? Como um Malfoy poderia querer jogar um jogo daqueles? Como Draco poderia querer juntar-se à “sangue-ruim” e “intragável Granger” que sempre detestara, em seis anos de estudos em Hogwarts? Teria que descobrir as respostas para suas indagações, mas só poderia fazer isso se o encurralasse e lhe retirasse todas essas respostas mesmo que na marra. Mas sabia que Draco se recusaria a realmente revelar as razões pela qual estava se intrometendo tanto e com tanta freqüência em sua reles vidinha complicada.
E ao pensar nisso, tomou consciência de que realmente sua vida era mesmo muito complicada, e nem ela mesma já estava suportando aquela situação. Seus problemas falavam sempre mais alto que qualquer outra coisa, e detestava ter sempre que bater nas mesmas teclas todos os dias, as mesmas inquietações amorosas que lhe atormentavam a mente durante suas aulas, em suas refeições diárias e, principalmente, em seu ritual diário antes de dormir, em que travava uma luta infernal com seus pensamentos a fim de impedi-los de não deixá-la adormecer. E, agora, com um Malfoy atrevido presente cada vez mais em sua vida, suas noites tornavam-se cada vez mais intermináveis. Nessas horas, desejava ser como todos os outros bruxos e bruxas naquele castelo, aqueles bruxos que Hermione observava de longe e podia sempre vê-los muito alegres e contentes, sorridentes e tagarelando por todos os cantos, apaixonados e muito bem estabelecidos amorosamente, embora tivesse plena consciência de que todas essas aparências não significavam nada, porque atrás de tantos sorrisos, abraços, beijos, carícias e rostos felizes, poderia haver corações quase tão transtornados e feridos como aquele que Hermione ainda podia ouvir bater em seu peito esquerdo, agora cada vez mais fraco, um coração magoado e derrotado.
Mas não era assim que queria se sentir: derrotada. Desejava vencer, desejava passar por cima de todos aqueles problemas e virar o jogo. Desejava poder voltar a caminhar de cabeça erguida, sem odiar a tudo e a todos. Desejava voltara a ter por perto as amizades que durante anos lhe foram importantes, naqueles momentos em que ela sempre precisou e sempre pôde contar com esses amigos. Desejava lembrar-se do passado com alguns bons sorrisos de felicidade e algumas poucas alegrias, suficientes para que pudesse, um dia, rir de tudo aquilo e pensar consigo mesma, lembrando-se de sua imagem juvenil e sedenta por novos desafios: “Realmente, valeu muito a pena ter passado por tudo o que passei. Sofrimentos não estão ali apenas para nos magoar profundamente, mas sim para nos ensinar lições importantes das quais jamais seremos capazes de esquecer.”
Não era exatamente isso que podia confessar para si mesma, naquele momento. Seus sofrimentos não representavam lições aprendidas, mas sim a prova concreta de que estava mesmo derrotada. Gostaria de mudar essa realidade, mas não sabia ao certo se realmente seria capaz.
Talvez Draco tivesse alguma razão naquilo tudo.
FLASH BACK
Draco soltara um suspiro de cansaço, mas não encerraria aquela batalha daquela forma.
- Não quer fazer Harry pagar por tê-la magoado?
Hermione o fitava.
- Não quer se vingar de sua melhor amiga? Não quer dar a volta por cima disso tudo?
Hermione continuava a fitá-lo. Até que resolvera responder às perguntas. Havia sido uma resposta sincera, espontânea.
- Quero... tenho desejado isso!!
*-----*
- Então namore comigo!!
Fim Flash Back
Mas um namoro talvez não significasse o fim de seus problemas, um namoro talvez não fosse o tipo de solução mais sensata e mais eficiente. Malfoy estaria mesmo surtando fazendo-lhe uma proposta daquelas, embora pudesse ver, em relances mentais, alguma chance de realmente vingar todo o seu sofrimento causado pela traição cometida por Harry. Podia ver a fúria do castanho ao perceber que havia mesmo perdido a sua Mione... a Mione que Harry vinha lutando para reconquistar...
Hermione ergueu os olhos do chão de mármore e fitou apreensiva o corredor a sua frente, o mesmo que seguia junto de Rony e Harry, acompanhada de muitos outros bruxos e bruxas do sétimo ano. Piscou os olhos por alguns segundos, como se tentasse focalizar a imagem a sua frente, ou como se tentasse desfazer algumas imagens em sua cabeça. Arregalou os olhos de forma discreta, fixando sua visão em algum ponto distante a sua frente e pensando, consigo mesma, incrédula:
“Isso não pode estar acontecendo. Mione, você não pode estar achando que essa doninha irritante tem mesmo razão. Um acordo não vai resolver meus problemas. Um Malfoy em minha vida também não vai resolver meus problemas. Ninguém é capaz de resolvê-los.”
E novamente tentou afastar seus pensamentos conturbados, e que simplesmente insistiam a todo o custo em rumar para aquele assunto do qual já se tornava insuportável. Foi quando notou que Rony e Harry ainda discutiam entretidos ao seu lado, enquanto seguiam a passos ligeiros para a aula que teriam. Começou a identificar os corredores e notou que seguiam direto para a sala de Feitiços. Aulas duplas de Feitiços logo pela manhã, naquela sexta-feira que Hermione desejava que já fosse o final de semana. (OBS.: estou totalmente perdida no tempo, por tanto, finjam que é realmente sexta-feira.. rsrsrs by: Crik Snape).
Hermione já não suportava um inicio de manhã inteiro tendo de escutar seus amigos conversar sobre Quadribol. Podia ver Rony muito divertido enquanto tagarelava ao lado de Harry, descrevendo-lhe tacadas e defesas perfeitas, e dizendo-lhe o quanto estava empolgado para o campeonato de Quadribol naquele ano. Revirou os olhos por alguns segundos e desejou que Rony simplesmente se calasse ao menos por alguns minutos. Mas foi observando a conversa dos amigos que notou a insatisfação de Harry quanto a discussão ao lado do ruivo. As expressões de Harry eram de impaciência e desinteresse, era como se não estivesse dando a menor atenção a tudo o que Rony estava lhe dizendo. E assistindo a tudo isso, detestou Harry por isso. Podia ver os olhos de Rony brilhar ao repetir, inúmeras vezes, que faria de tudo para vencer aquele Campeonato, e detestava saber que Harry não o estava apoiando nisto. Mais uma vez, revirou os olhos em um protesto árduo.
Já estavam diante da sala de Feitiços e, mais uma vez, uma aula que atrasaria mais alguns minutos, visto que as portas de carvalho ainda se encontravam fechadas e havia, ali, uma imensa aglomeração de alunos. Avistou alguns grifinórios alegres, que conversavam em grupos, e alguns sonserinos que aparentavam imensa irritação, certamente por aquela primeira aula que teriam ao lado de grifinórios.
Alan e Pansy conversavam a um canto, encostados em uma parede, próximos de outros sonserinos que nem ao menos os havia visto antes. Sabia que sua indiferença por sonserinos era realmente imensa, mas agora sentia-se completamente perdida em sua própria escola, diante de tantos bruxos que nem ao menos se lembrava de tê-los visto algum dia. Pansy sorria, por vezes, ao conversar com Alan, e o mesmo se mostrava bastante contente ao lado da morena. Alan lhe direcionava olhares pelo canto dos olhos e tinha um leve sorriso de canto de lábios, parecia mesmo extremamente contente em estar ali, ao lado da garota. Talvez um momento único, visto que Pansy só era vista ao lado de Draco, quase que em todos os momentos. Não era capaz de decifrar o assunto que ambos sonserinos discutiam, mas sabia que deveria ser realmente interessante, constatando isto ao ouvir, agora, uma risada gostosa dada por Pansy. Alan se endireitara ao lado da moça, sorrindo de forma extravagante e fitando a garota com os olhos fixos nos lábios da mesma. Pansy tinha um sorriso que chamava a atenção do amigo, e Alan gostava de fazê-la rir para que pudesse apreciá-lo. Hermione nunca o vira fitar a garota daquela forma, embora já tivesse visto insinuações do rapaz quanto a tentar conquistá-la. Hermione temeu pensar naquele assunto, não desejava descobrir segredos macabros naquela relação sonserina.
- Harry, você acha que realmente temos chance?
Hermione ouvira Rony perguntar ao amigo. Revirou os olhos mais uma vez, e já estava cansada disto. Aquele assunto não a interessava em nada. Resolveu desligar sua audição daquela conversa ao seu lado e pôs-se a observar com mais calma a visão sonserina que tinha bem a sua frente. Imaginava se Draco ainda estaria dormindo em seu dormitório, afinal, o louro ainda não havia se juntado ao restante dos alunos. Notou que Pansy e Alan se demonstravam grandes amigos quando a sós, conversavam animados, sorriam e davam gargalhadas juntos. Por vezes, Alan se aproximava de forma arriscada da morena, e não a via recuar diante da possibilidade de tê-lo mais perto do que podia imaginar. Ou talvez Pansy não precisasse imaginar nada, talvez um Alan próximo de mais dela não fosse nenhuma novidade para a sonserina. E sorriu com a idéia de um “Malfou corno manso”. Era mesmo muito tentador imaginar um Malfoy sendo traído por seu melhor amigo. E lembrou-se do louro quando tentara tirar graça de sua situação igualmente... “corna”!
“Aff... por que isso tinha que acontecer justo comigo?!” Mione não cansava de indagar isto a si mesma. Acreditava que um dia pudesse descobrir que não passara de um fruto de sua imaginação.
Muito próximo dali, Draco caminhava disposto para a aula que teria junto aos grifinórios. Vestia apenas seu uniforme escolar, sem a capa sonserina, e carregava em seus ombros a sua bolsa, segurando a sua alça e caminhando decidido para a sua sessão de tortura matinal. Caminhava pelos corredores repletos de primeiranistas, rostos que nunca vira antes e fazia questão de mostrar aos mesmos que ele era superior a todos eles. Fazia algumas caras de mal e se divertia ao ver alguns garotinhos e garotinhas arregalar os olhos de medo.
Draco havia se atrasado aquela manhã e não demonstrava o menor interesse pelas aulas que teria. Desejava poder voltar para sua cama confortável e quentinha, onde podia esquecer que teria uma Pansy grudenta esperando-lhe para saudá-lo com beijos e abraços ousados, e um amigo que certamente passaria o resto do dia lhe xingando pelos socos que recebera de Draco quando tentara lhe acordar logo pela manhã. Rira da cena de um Alan irritado batendo a porta do dormitório masculino com agressividade. E sorrira de canto de lábio ao lembrar da noite anterior, que tivera com Pansy. Depois das provocações da moça, no salão comunal, não poderia deixar de cumprir com os ‘finalmentes’, mesmo que tivesse de escutá-la dizer, a todo o momento: “Você é meu... e não vou fazê-lo esquecer disso.”
Foi naquele momento que Draco pareceu recordar, como de relance, da detenção passada que tivera ao lado de Hermione, e Pansy. Recordara da proposta que havia feito à mesma, e da necessidade que tinha de poder vingar a traição que recebera de Gina. Pareceu sentir seus nervos à flor da pele naquele momento, voltando a lembrar de sua ruivinha, e da cena que presenciara da mesma ao lado do Potter que agora, mais do que nunca, se transformara em seu maior rival. Gina não tinha o menor direito de traí-lo daquela forma, não podia ter se envolvido com Harry e omitir o namoro que tinha às escondidas com o mesmo. Não a perdoaria tão facilmente, mas sabia que não desistiria tão depressa daquela ruiva atraente e sedutora que surgira em sua vida tão de repente, mas que fizera a diferença de todas as formas possíveis.
Draco não era do tipo de garoto que se dava por vencido tão facilmente, na verdade, Draco nunca admitia ser vencido por ninguém. Suas relações dispersas por Hogwarts significavam muito para ele. Cada garota que conquistara, que seduzira e que levara para algum canto escuro e vazio daquele castelo havia contribuído, de alguma forma, para a sua vidinha baseada, principalmente, em aproveitar a vida da forma que lhe proporcionasse mais prazer. Sua vida podia não ser a mais atraente de todas, a mais interessante e a mais perfeita de todo aquele universo mágico, mas seus casos faziam sua vida valer a pena, faziam sua vida realmente parecer interessante. Podia esquecer que por detrás de um titulo de tamanha importância, havia uma história marcada por sofrimento, experiências e perigos inimagináveis. Ser Malfoy não significava apenas honrar o nome, mas sim suportar admitir que para isso seja preciso enfrentar as dificuldades e os riscos que só um Malfoy poderia saber quais seriam eles.
Draco nunca imaginara que poderia algum dia permitir que uma “pobretona Weasley” se fizesse tão presente em sua vida, nunca imaginara que poderia, algum dia, se sujeitar a uma “Weasley fedelha” que sempre fizera questão de detestar e repudiar durante anos. Mas Draco foi capaz de reconhecer, naqueles olhos azulados e naqueles cabelos cor de fogo, o potencial que Gina escondia por detrás de suas vestes largas e de seus penteados discretos. Gina podia ser muito mais do que realmente aparentava, e sabia que só um Malfoy poderia ser capaz de aflorar aquela sua capacidade de ser capaz de tudo e qualquer coisa. Gina precisava, na verdade, conhecer o lado mais interessante de sua vida, aquele em que o prazer e as ousadias valiam mais do que qualquer outra coisa, precisava aprender a permitir ser seduzida e poder saber seduzir quem quisesse realmente ter para si. Todas aquelas sardas, de longe nunca imaginara que estas podiam lhe provocar tantos arrepios e fantasias; aqueles cabelos vermelhos e vibrantes, que nem ao menos suspeitava que pudessem lhe trazer prazer ao poder puxá-los e provocar-lhe gemidos; aquele corpo que nunca tivera antes a real oportunidade de visualizar, um corpo escultural e que precisava, simplesmente, aguçar traços mais femininos... Gina simplesmente precisava de alguém que pudesse transformá-la em mulher. Caso contrário, ninguém a notaria.
Uma solidariedade, talvez... ou mesmo uma vontade absurda de saber que havia sido o responsável por aquela mudança. Draco não sabia ao certo, mas desejava mais do que qualquer outra coisa ter aquela Weasley fedelha em seus braços, e poder possuí-la sempre que quisesse.
Draco tentou desfazer aqueles pensamentos de sua cabeça, mas não era capaz de tirar a imagem sensual de sua Virginea de sua mente, aquela Weasley que já não tinha contato corporal há um bom tempo.
Lembrou-se, mais uma vez, da proposta que fizera à Hermione na noite passada. Não imaginava como havia tido coragem de propor um acordo daqueles. Era uma idéia absurda, e só agora tinha total consciência disso. Mas já o tinha proposto, não poderia simplesmente desfazê-lo naquele momento, teria que ir adiante. Só não sabia se teria realmente coragem de compactuar com um jogo tão arriscado daqueles, Draco simplesmente não desejava ser desmoralizado em Hogwarts. Tinha uma imagem a zelar, e uma Granger como sua namorada não ajudava muito nisto.
Mas sabia que era a única forma de fazer Gina provar do próprio veneno. Sua Weasley o havia traído, portanto, a trairia também. Hermione seria um alvo perfeito e faria Gina sentir o ódio que Draco desejava que a mesma sentisse. Por mais que ambas não fossem mais amigas, sabia que o sentimento ainda residia dentro delas, e que um namoro seria suficiente para fazer Gina notar que não estava só naquela história toda.
Lembrou-se, mais uma vez, da proposta que fizera à Hermione na noite passada. Não imaginava como havia tido coragem de propor um acordo daqueles. Era uma idéia absurda, e só agora tinha total consciência disso. Mas já o tinha proposto, não poderia simplesmente desfazê-lo naquele momento, teria que ir adiante. Só não sabia se teria realmente coragem de compactuar com um jogo tão arriscado como aquele, Draco simplesmente não desejava ser desmoralizado em Hogwarts. Tinha uma imagem a zelar, e uma Granger como sua namorada não ajudava muito nisto.
Mas sabia que era a única forma de fazer Gina provar do próprio veneno. Sua Weasley o havia traído, portanto, a trairia também. Hermione seria um alvo perfeito e faria Gina sentir o ódio que Draco desejava que a mesma sentisse. Por mais que ambas não fossem mais amigas, sabia que o sentimento ainda residia dentro delas, e que um namoro seria suficiente para fazer Gina notar que não estava só naquela história toda.
Nunca pensou que pudesse gostar tanto de uma vingança daquelas, porque, na verdade, ele nunca se preocupou com seus casos, suas amantes, nunca realmente se importou com o que estas diziam a seu respeito ou mesmo com quem estas mantinham casos por Higwarts. Draco sempre deixou muito claro, para todas elas, o quanto as prezava tê-las ao seu lado, incondicionalmente, mas que não suportaria vê-las traindo-o. Sempre tentou levar muito adiante o lema que o reconfortava amorosamente: o que os olhos não vêem o coração não sente. E pensando nisto, poderia ter todas elas e nem sequer pensar na possibilidade de saber que outros, naquele mesmo castelo, também poderiam tê-las ao mesmo tempo.
Mas Gina significava mais, muito mais. Gina realmente significava muito para aquele sonserino que nunca se importava com sentimentos. Na verdade, talvez Draco nunca tivesse realmente nutrido sentimentos verdadeiros por qualquer uma de suas “garotas”.
Draco tentou afastar, mais uma vez, aqueles pensamentos que rumavam cada vez mais distante. Apressou seu passo, mas pareceu receber a visão que tinha bem a sua frente com um impacto maior do que esperava. Gina caminhava em sua direção, a passos lentos e temerosa de ter que esbarrar com o sonserino.
Draco a fitava com os olhos inexpressivos, e talvez não estivesse sentindo nada naquele momento, apenas uma onda de desejos. Estava diante daquela ruivinha mais uma vez, depois de tanto tempo sem poder vê-la de perto. Gina estava afastada do mesmo, e só agora Draco podia realmente entender o afastamento da ruiva: Potter.
Não sabia o que pensar naquele momento, mas Draco sabia que não poderia deixá-la escapar. Havia sido traído e traições não eram coisas das quais Malfoys costumavam perdoar e esquecer. Traições deveriam ser vingadas e deveriam ser punidas. Por tanto, a puniria não por uma questão de ódio e ciúmes, mas sim por uma questão de honra. Draco tentou parecer o mais tranqüilo possível, tentou não demonstrar o ódio e repulsa que estava sentindo da grifinória, tentava fingir que estava tudo realmente às mil maravilhas. A fitava com os olhos transbordando de desejo e vontade de seduzi-la, novamente. Mas Gina nem ao menos o fitava. Há essa altura, a ruiva já caminhava com os olhares baixos, evitando manter contato visual com o mesmo.
Naquele momento, Draco pensou estar sendo alvo de uma grande cumplicidade por parte de suas “garotas”. Não manter contato visual era tudo o que Gina e Pansy vinham fazendo já há um bom tempo, e ainda tentava decifrar aquela estratégia. Temiam-no tanto assim?
“Prepare-se, Virginia, vai pagar por ter desobedecido minhas ordens.” Draco pensava consigo mesmo vendo-a se aproximar dele.
Caminhavam a passos não muito ligeiros, mas Draco parecia cada vez mais sedento por esbarrar com a moça, enquanto Gina rezava mentalmente para que surgissem corredores alternativos em seu caminho. Rever Draco, logo naquela manhã, não era o que Gina realmente desejava. Mas havia sido tarde demais, Draco finalmente esbarrara com a garota e, no exato momento em que Gina passara ao seu lado, Draco segurara seu braço e a impedira de continuar seu caminho. Por sorte, só haviam primeiranistas naquele corredor e, se dependesse deles, o acontecimento que se inciava diante dos mesmo nem ao menos sairia dali.
Gina respirou fundo, fitou o corredor a sua frente como que tentando criar coragem para finalmente fitá-lo fundo nos olhos cinzas azulados. Draco a fitava de forma em que parecia indagar por algo que Gina nem ao menos fazia idéia do que se tratava. Temia que ele realmente fizesse alguma pergunta a ela. Mas Gina estava disposta a enfrentá-lo, afinal, mais cedo ou mais tarde teria de enfrentá-lo. Precisava acabar com tudo aquilo, precisava dar um basta em toda aquela situação, havia um namoro pelo qual lutara anos para que pudesse conquistar, e não deixaria que um caso sonserino a prejudicasse nisso. Harry significava muito mais do que um simples Malfoy que havia lhe feito mulher.
Mas Gina não fazia idéia de como diria tudo isso ao louro. Simplesmente não tinha a menor coragem de ser tão sincera com o garoto, pois sabia que sonserinos eram sempre terrenos perigosos para se estar.
Draco segurou seu braço com força e tentou ser o mais discreto possível naquele ato. Não desejava ser visto na presença de Gina por seus amigos ou mesmo por qualquer um que fosse. Mais uma vez sua reputação tinha de ser posta em primeiro lugar. Mas sabia que com aqueles primeiranistas não tinha que se preocupar muito. Resolveu afastar seus olhares e fixá-los em algum ponto distante naquele corredor, evitando o contato visual que suas “garotas” tanto evitavam. Gina permanecia a observá-lo, mas resolveu dispersar seus olhares também, esperando a hora em que ele começasse a dizer tudo o que teria a dizer a ela.
- Aonde pensa que vai nessa pressa toda Virginia? – Draco resolve acabar como aquele clima de uma vez por todas.
- Par favor, Malfoy, acho melhor me soltar.
Gina continuava a temer aquela conversa, não sabia ao certo se estava mesmo preparada para dizer ao louro tudo o que realmente estava desejando dizer. E, ao mesmo tempo, temia que pudessem vê-la ao lado de Draco. Mais do que isso, temia que seu namoro pudesse ser prejudicado por causa daquela conversa matinal.
- Por quê? Se eu não soltá-la vai chamar o seu irmãzinho cabelo de fogo pra te salvar das minhas garras, é? – Draco fora sarcástico, voltando a fitá-la com um sorrisinho de canto de lábio.
- Sempre tão irônico, será que você não cansa de correr atrás da caça que não te pertence mais?
Gina o fitara com os olhos estreitos e carregados de irritação. Surpreendera-se com a coragem que tivera de dizer aquilo. Sabia que, naquele momento, havia infringido a uma das regras principais das quais tivera contato logo nos primeiros dias a se envolver incondicionalmente com o rapaz: “Nunca, em hipótese alguma, tente mostrar-se melhor do que eu ou mesmo tente aparecer mais do que deve.” Sentiu seu coração acelerar em seu peito, e esperou pelo o que Draco diria depois daquela indagação irônica e ousada.
- É impressão minha, Weasley, ou está tentando se revoltar contra mim? – Draco espremera seus olhos e esperara que Gina pudesse se explicar quanto ao que havia dito-lhe.
- Pense o que quiser a respeito, mas está me atrasando para minhas aulas. Pode fazer o favor de não manchar mais a minha reputação diante dos outros? – E mais uma vez se surpreendera com a coragem de enfrentá-lo daquela forma. - Malfoy’s e Weasley’s não combinam.
Naquele momento, tinha plena certeza de que já não precisava mais temer o louro que a segurava com força pelo braço. Draco não faria nada com ela se esta tentasse lhe dirigir a palavra com a sinceridade que Gina já não suportava mais ter que esconder do mesmo.
- Tem mesmo certeza disso, Virginea? Achei que combinássemos bastante, talvez até mais do que qualquer outra coisa. Não acha que dois corpos unidos por um único desejo não combinam? – e a fitara de forma ousada, como se esperasse mesmo uma resposta por aquilo. - Deveria rever um pouco os seus conceitos então...
- Não me chame de Virginia e não fale esse tipo de coisa em público. Está expondo demais a nossa relação, Malfoy. – detestava ser chamada daquela forma em público.
Para Draco, Gina sempre fora “Virginia”, visto que Draco não gostava de apelidos e intimidades nesse aspecto. Mas sempre gostara muito de ouvi-lo chamá-la por Virginia, sentia-se especial, afinal, ninguém ousava chamá-la pelo primeiro nome.
- Que se foda a sua reputação, Weasley, ela já não é das boas mesmo, que diferença fará?! – e dissera isto de forma ousada, já não se importava mais em tentar camuflar seu ódio pela ruiva, desejava mostrar que ele ainda estava sob o comando e que faria de tudo para colocar tudo em ordem novamente. - Agora escute bem o que eu vou dizer: não está cumprindo com sua palavra, pensei que a honrasse acima de tudo. Esteve sumida durante todo esse tempo e nem sequer uma explicação, Weasley? Isso não é bom, você já devia saber disso.
Draco dissera isto sussurrando bem perto do ouvido de Gina, fitando-a de forma apreensiva, esperando que ela pudesse se defender ou mesmo argumentar quanto aquilo. Mas Gina demorou para responder-lhe. Pareceu ensaiar em sua cabeça o que realmente diria ao sonserino. Sua ousadia a estava surpreendendo naquela conversa, mas agora parecia perceber que deveria ser cautelosa.
- Tive coisas importantes para fazer, não podia perder tempo. – dissera, Gina, um tanto apreensiva com o que o louro pensaria.
- Coisas mais importantes? Perder tempo? Não acha que está usando os termos errados? – e a puxara de forma que a trouxesse para mais perto, tentando não chamar muito a atenção dos primeiranistas. - Acho que ainda não entendeu direito a mensagem, Virginia, não existe nada mais importante que a nossa relação, e se ela é uma perda de tempo, deveria ter se tocado nisso muito antes de resolver se envolver comigo.
Draco realmente estava sendo sincero em suas palavras. Transparecia em sua face todo o ódio e a irritação que estava sentindo da ruiva, ao frisar as sobrancelhas e fitá-la com os olhos fixos nos olhares atordoados de Gina. E, naquele momento, pareceu ver uma faísca brilhar fundo nos olhos de Gina e pôde vê-la preparar-se para dizer algo. Sabia que daqueles lábios finos e rosados sairiam palavras que talvez não desejasse escutar.
- Quer saber, Malfoy, deveria mesmo! – Gina fica séria – Eu deveria ter pensado muito antes de me envolver com você.
Gina não esperava que conseguisse dizer aquilo com a firmeza com que o fizera. Mas ficara temerosa ao vê-lo manter-se calado quanto àquela revelação. Foi então que resolvera dar um basta naquilo tudo e, já que havia tido coragem suficiente para chegar até ali, teria para continuar.
- Tenho uma coisa importante pra falar com você, Malfoy, ainda hoje.
- Ótimo. Por que você precisa mesmo pedir muito perdão por me decepcionar tanto. – e a fitara de forma repulsiva.
- Decepcionar você? Do que está falando? – fizera uma expressão de dúvida. Temera aquela frase.
- Acha que estou contente com sua desobediência me evitando nesses últimos dias? Melhor nos apressarmos. –Draco dissera isto fazendo menção de levá-la para longe dali, naquele mesmo momento.
Mas Gina o impedira, forçando seus pés contra o solo e mantendo-se fixa.
- Não, Malfoy, agora não. Temos aulas, esqueceu disso?
- Não, mas posso esquecer agora mesmo. Vestiário feminino, no andar de baixo, em 10 minutos no máximo. – e estava realmente decidido.
Não sabia se aquela era uma boa idéia, mas precisava arriscar. O que Gina teria, afinal, para conversar com ele? A ruiva confessaria sobre o namoro com Harry? Draco detestou pensar nisso.
- O quê? Já disse que agora não dá.
- E eu já disse que quero que seja agora. Se não aparecer em 10 minutos, vou ser obrigado a dobrar o seu castigo, e sei que não vai querer isso. Um Malfoy sabe ser cruel nas horas certas. – e lhe deixara com um último olhar de causar arrepios.
Draco se afastara dali e seguira direto para o vestiário feminino, aquele mesmo em que Gina vivera uma experiência em seu segundo ano, quando a Câmara Secreta fora aberta. Draco se distanciou sem nem mesmo permitir que Gina pudesse impedi-lo daquele ato. Se torturara mentalmente por ter dito que precisava conversar com o mesmo, sabia que Draco não perderia tempo.
“Droga, eu sou mesmo uma idiota. Por que eu tinha que ter dado atenção praquele Malfoy?!”
O que faria diante daquilo? Iria para o encontro e diria tudo o que realmente precisava dizer ao louro? Ou amarelaria diante da possibilidade de não ser muito bem compreendida pelo sonserino? Temia que isto realmente acontecesse, mas não saberia se não arriscasse. Draco não a perdoaria se ela não fosse ao encontro, dentro de 10 minutos. Mas Gina também não se perdoaria se esta possível conversa não resolvesse nenhum de seus problemas.
“O que eu vou fazer agora? Eu tenho aulas... merda!! Será que ele não pode se importar com isso ao menos uma vez?”
Não podia mais arriscar tanto o seu namoro com Harry, sabia que se este descobrisse de sua relação às escondidas com o sonserino, não pensaria duas vezes e a tiraria de sua vida em dois tempos.
“Mas eu preciso acabar com isso de uma vez por todas. Draco precisa saber que eu não quero mais continuar com isso.”
Teria mesmo que enfrentar a fera de seus pesadelos de uma vez por todas, e pedia a Merlim que este não se esquecesse dela nem por um segundo.
“Maldita hora que eu resolvi me envolver com ele. Se eu tivesse pensado nas conseqüências... não estaria passando por essa situação agora.” Gina pensara consigo mesma, já começando a dar alguns lentos passos em direção ao banheiro feminino, onde Draco já devia estar se aproximando para esperá-la. Foi naquele momento que seus pensamentos rumaram para uma lembrança da qual não gostava de recordar.
“Tudo culpa do Harry. Por que ele tinha que dizer aquelas coisas?!”
Eram lembranças das quais se recusaria a ter que voltar a recordar mais vezes, já que se detestava por ter sido tão boba a ingênua a ponto de cometer as burrudas que havia cometido. Seguia a passos muito lentos, era como se estivesse caminhando direto para sua forca ou qualquer coisa deste tido. Sua caminhada árdua até aquele banheiro, onde teria a conversa mais decisiva que poderia ter com o sonserino, era banhada por recordações que surgiam inevitáveis em seus pensamentos...
FLASH BACK
Era muito tarde e todos já haviam seguido para seus dormitórios naquela terça-feira de meio de ano letivo. Harry era o único ainda acordado naquele salão comunal grifinório, e terminava de fazer as suas anotações em seus pergaminhos, sentado em uma mesa próxima a lareira, onde podia se aquecer do frio. Seu sexto ano o estava derrotando mais do que qualquer outra coisa, nem mesmo a guerra o estava fazendo perder a cabeça como os seus estudos o faziam perdê-la.
Escutara passos vindos da escadaria do dormitório feminino e notara que não era mais o único acordado ali.
-----*-----
- Escuta Gina, eu não acho que seja uma boa hora pra falarmos disso. – Harry dissera, tentando não retirar os olhos de seus pergaminhos.
- Não precisa se preocupar com isso, Harry, só quero que seja sincero e me responda à pergunta que fiz. – Gina se ajeitara na cadeira posta ao lado do amigo para que estivesse mais próxima do mesmo.
- Gina, já disse, acho que não é um momento bom pra pedir pra eu responder uma pergunta dessas. – Harry não estava mesmo muito disposto a responder-lhe.
- Não é uma boa hora? E quando seria? Se eu simplesmente não o vejo mais? Tem percebido as proporções incríveis que a sua amizade com a Mione tem atingido, Harry?
- O que a minha amizade com a Mione tem haver com isso, Gina? Você sabe que eu não tenho passado por um momento fácil. Mione tem sido importante pra mim, mais do que eu podia imaginar! – Harry se exaltara diante do comentário. Se ajeitara em sua cadeira e tornara a fitar Gina nos olhos.
- Ah, claro! E eu e Rony certamente não representamos nada pra você, não é mesmo?
- Não, Gi... lógico que representam. Mas... é diferente... – tentava explicar-lhe o seu ponto de vista.
- Diferente por quê? Porque a Mione é mais inteligente que nós? E mais esperta, mais divertida, mais engraçada e mais interessante? É por isso que prefere sempre tê-la mais por perto do que nós?
Gina dizia isto como se realmente estivesse retirando um peso de suas costas ou mesmo como se estivesse retirando tais palavras antes entaladas em sua garganta. Tinha uma leve expressão de irritação ao dizer tudo aquilo. E pôde observar Harry defender a sua relação com Hermione a todo o momento e a todo o custo.
- Não, Gina. Isso não faz sentido, gosto de vocês em igual, mas a Mione tem me ajudado muito, tenho me identificado muito com ela. Sabe que a guerra se aproxima, precisamos pensar nisso.
- Certo! Mas não foi pra falar disso que eu vim até aqui, Harry. Eu fiz uma pergunta e você nem sequer está se dando ao trabalho de me responder. – o vira afastar os olhares novamente, como se tentasse se esquivar daquele assunto proposto pela ruiva.
- Eu não sei se quero responder, Gina.
Gina o fitara muito surpresa com o que o castanho havia lhe dito naquele momento. Não suportara escutar aquilo e permanecer indiferente ao impacto que suas palavras tiveram em seu peito. Deixara uma lágrima insistente escapar por seus olhos e escorrer sofrida por suas bochechas rosadas e cobertas por algumas sardas. Sua voz saíra embargada, mas dissera o que desejava ao rapaz...
- Eu acabei de me declarar pra você, disse que realmente tinha certeza de meus sentimentos por você, e é simplesmente isso que você me diz? Que não sabe se quer responder se eu teria alguma chance com você? – engolira em seco, observando-o, mas Harry mantinha os olhares fixos sem sua pena sobre a mesa. – Eu nunca me senti tão preparada para receber uma resposta como estou agora, e você se recusa a isso! – Harry ainda não dissera nada, aquele silencio a torturava por dentro. - Eu preciso saber, Harry. Eu gosto muito de você, e isso agora não é mais segredo. Seja sincero, eu não vou me importar.
- É sinceridade que você quer, Gina? Ótimo. – e resolvera voltar a fitá-la, decidido em dizer a verdade para a ruiva. Não sabia se estaria fazendo o certo, mas teria que dizer aquilo. - Só espero que não me odeie por isso depois, porque a sua amizade é muito importante pra mim. Eu acho que não teríamos chance, porque você é como uma irmã pra mim, e eu desejo nunca magoá-la. Acho que você não é o tipo de garota que eu desejaria ter ao meu lado nesse momento! Você é pura, Gi, ingênua, doce e eu não me perdoaria se a fizesse sofrer. É isso.
Fora uma experiência terrível, ter de ser tão sincero com a pequena dos olhos azuis que tinha ao seu lado como sua irmã mais nova. Sabia que Gina nutria um sentimento puro por ele, mas não esperava que a mesma tivesse coragem de insistir quanto a esse sentimento, sabendo que Harry nunca havia lhe dado expectativas em poder tê-lo. Na verdade, Harry tinha seus pensamentos focados em alguém que simplesmente não poderia revelar ‘quem’ à sua pequena Virginia.
- Obrigada pela sinceridade, Harry. Mas acabou de me magoar. Só espero que eu ainda tenha alguma chance de provar que não sou tão pura e ingênua como imagina.
E limpara com agressividade as suas lágrimas em sua face, sem fitá-lo antes de sair dali, muito magoada.
FIM FLASH BACK
“Draco foi útil quando precisei mostrar ao Harry que eu não era tão ingênua assim, mas agora não faz mais sentido continuar com isso.”
Pensara ao fim daquela recordação nada interessante. “Coragem, Virginia, você vai conseguir. Só espero que aquela murta idiota não esteja naquele banheiro.”
OoOoO
Draco já a esperava no banheiro quando pareceu perceber que havia sido deixado para trás. Já fazia um bom tempo que estava ali e nada de sua ruivinha. Sabia que correria aquele risco, Gina realmente estava decidida demais em esquecê-lo e estava cada vez mais evidente que já não mantinha mais nenhuma superioridade em relação à garota.
Seguiu para uma parede ao lado da porta que dava acesso à entrada do banheiro, incrivelmente limpo e desabitado por aquela murta idiota, e se apoiou contra a parede, desejando que aquela porta se abrisse em breve. Passara os dedos de forma nervosa por seu cabelo alourado e fixara seus olhares na porta. Não esperava que a mesma se abrisse tão repentinamente, e por isso se assustara com a entrada abrupta da grifinória. A vira procurar por ele por todos os cantos daquele banheiro, mas nem notara a presença do rapaz bem atrás de si mesma.
Draco a segurara pela cintura e a abraça por trás de forma sedutora, pousando seus lábios contra o pescoço da ruiva e mordiscando-o de leve. Gina se assustara com a aparição repentina do garoto, mas tentara controlar sua onda de arrepios com aquele contato.
- Pensei que não viesse mais, Virginia. – Draco sussurra em seu ouvido, fazendo-lhe arrepiar com aquele ato.
- Desse jeito vai acabar me matando de susto algum dia, Malfoy. – dissera isto tentando se afastar do louro, mas o mesmo a segurava muito fortemente pela cintura, depositando em seu pescoço beijos e caricias que a fazia delirar.
- Não, Weasley, prefiro matá-la de prazer.
E dito isto Draco retirara o casaco grifinório dos ombros de Gina, mesmo que a contra gosto da ruiva. Afastara sua blusa de seus ombros para que pudesse beijá-los e provocá-la enquanto acariciava sua barriga por dentro de seu uniforme escolar.
-Draco, espera, o que está fazendo? Eu disse que tínhamos que conversar. – tentava retirar a mão do louro que parecia cada vez mais ousada, conforme apertava sua cintura e a acariciava.
- E quem disse que não podemos fazer duas coisas ao mesmo tempo? Só não espere que eu dê muita atenção ao que vai dizer, porque eu costumo me concentrar muito nas coisas que faço com prazer. – e continuava a beijá-la, agora mordiscando sua orelha e fazendo-a arrepiar-se com aquilo.
Suas mãos ousavam ao escorregarem para dentro da saia da grifinória, apertando com força as coxas da mesma e fazendo-a respirar fundo para que pudesse se focar na conversa que teria com o sonserino. Mas Draco não permitia, visto que a fazia deleitar-se em todas aquelas ousadias.
- Malfoy, eu falo sério, está me fazendo perder aulas importantes.
- Então é bom que a gente faça isso aqui valer muito a pena. – e a virara com rapidez na sua direção, segurando-a pela cintura e voltando a beijá-la em seu pescoço, e tomando posse de suas nádegas ao apertá-las enchendo suas mãos com gosto.
Gina dera um gemido abafado e se pusera a tentar afastar o rapaz de seu corpo, não poderia permitir que o mesmo a dominasse como de todas as outras vezes. Havia ido até aquele vestiário simplesmente porque iria acabar com tudo aquilo de uma vez por todas, e não perderia seu foco nem mesmo se estivesse gostando daquele contato.
- Não vai valer a pena, porque eu não estou a fim Draco. – e Gina dissera isto decidida, empurrando-o para longe de si.
- Como assim não está afim Weasley? Não é assim que as coisas funcionam. Não tem que estar afim, tem que simplesmente fazer! – e se aproximara novamente da ruiva, segurando-a pela cintura e trazendo-a para próximo de si novamente.
Draco a trouxera para bem mais perto de si e a carregara aos poucos para uma parede bem atrás dela, onde pôde imprensá-la contra a parede e voltar a tentar enchê-la de beijos. Tentava desabotoar os botões da blusa que Gina vestia, mas por uma ironia do destino não estava obtendo tanta eficiência naquilo. Apertava as coxas de Gina com ferocidade, como se estivesse faminto por aquilo.
- Não! Não vai mais ser assim de agora em diante, eu não quero mais continuar com isso, Malfoy. – e Gina insistia com aquilo.
Dessa vez conseguindo a atenção de Draco, que parara de fazer tudo o que vinha fazendo e se pusera a fitar a ruiva a sua frente, com olhos de irritação por saber que a mesma estava mesmo se revoltando.
- Não quer? Quem decide essas coisas sou eu e pensei que isto já estivesse ficado bem claro.
- Ficou, mas não fica mais! Você não pode querer me obrigar a fazer o que não quero. – e tentara afastá-lo de seu corpo.
- Não posso? Pois se enganou, Virginia, pois será minha até quando eu não quiser mais. – e dissera isto com os lábios próximos ao ouvido da ruiva, finalizando com uma mordida suave na ponta de sua orelha.
- Não, Malfoy. Pare com isso. Não é assim que eu quero que seja. – e tentava resistir a tentação de tê-lo ali tão próximo dela.
Enquanto isso... Assim que as portas de carvalho se abriram, os alunos adentraram apressados à sala. Ainda tagarelavam na mesma intensidade de antes, e ainda podia ouvir Rony prosseguir em sua discussão sobre balações, pomos e bastões. Hermione procurara por algum grifinório disposto a dividir uma mesa com ela, e avistara Lilá solitária novamente a um canto. Sentara-se com a garota e tentara ser a mais gentil e simpática possível. Viu Alan dividir uma mesa junto de Pansy, e ainda vira o mesmo puxar uma cadeira para a garota. Alan aparentava muito mais simpatia estando ao lado de Pansy, e isso simplesmente a fez ter plena certeza de que Draco realmente era uma péssima influência até mesmo para seu melhor amigo. Muito mais seria para uma Granger que o detestava profundamente. As aulas transcorreram tranqüilas, visto que seu humor estava um pouco melhor, não tendo cruzado com Draco àquela manhã, ao menos por enquanto. Sabia que em algum momento daquela manhã Draco surgiria, atrasado e disposto a retornar a infernizá-la com sua ironias e provocações, além de exigir dela a resposta para sua proposta. Desejava que Draco pudesse esquecer aquela maldita proposta, e esperaria para ver. Mal imaginava onde Draco estaria... e com quem estaria.
Fazia um bom tempo que não tinham um contato tão íntimo como aquele. Sabiam que estavam seguros naquele banheiro, desativado já há muito tempo e, felizmente, muito pouco visitado. Gina tentava afastá-lo de si, mas cada vez que tinha que segurá-lo pelos ombros ou mesmo pelos quadris, sentia aquele contato tão intimo causar-lhe arrepios. Não queria ter que realmente afastá-lo de si, desejava tê-lo mais do que qualquer outra coisa, mas sabia que se arriscaria se permitisse. Estava disposta a terminar tudo mas, ao mesmo tempo, desejava que pudesse sempre tê-lo por perto.
Draco era perfeito em todos os sentidos físicos e sexuais, e ter de abrir mão disto causava-lhe uma imensa irritação. Amava Harry, mas nunca se sentira tão mulher como se sentia com o Malfoy de seus pesadelos. Draco sabia como seduzi-la, como provocar-lhe desejos e como a fazer ir às alturas. Afinal, fora Draco quem descobrira as belezas e perfeições de Gina, fora Draco quem a transformara em mulher.
- Você não tem que querer nada. Sò mostre o que realmente aprendeu com o titio Malfoy aqui. – e Draco depositara um beijo em seus lábios rosados, apertando-os com força contra os seus.
Um beijo sedento de prazer e desejo, um beijo que já nem lembravam mais o gosto, pelo tempo que passaram distantes naqueles últimos dias. Gina o segurava pelos cabelos, acariciava sua nuca e fazia os pêlos do rapaz se arrepiar com o caminhar das mãos delicadas da garota sobre seu abdômen. Não havia sido para aquilo que Gina viera àquele banheiro, mas àquela altura já nem lembrava mais quem realmente representava para Hogwarts e, principalmente, para seu namorado. Voltara a sentir-se a amante de Draco Malfoy, a garota que um dia se aproximara do mesmo a fim de pedir-lhe que pudesse fazê-la mulher. E ele a fizera... e continuava a fazê-la...!
You know you drive me up the wall Você sabe que me deixa subindo pelas paredes
The way you make good on all the nasty tricks you pull Com o seu jeito de fazer Perversidades
Seems like we're makin' up more than we're makin' love Parece que estamos mais fingindo do que fazendo amor
And it always seems you got somthin' on your mind other than me E sempre pareceu que você tinha alguém além de mim nos seus pensamentos
Girl, you got to change your crazy ways You hear me Garota, você tem que mudar o seu jeito louco Me escute
- Não, Malfoy, por favor, eu não posso continuar com isso. – Gina parecera voltar a si, tentando impedi-la de cometer uma besteira daquelas.
Mas Draco não havia dado a mínima para o pedido da ruiva, a única coisa que desejava naquele momento era poder tê-la, ali, só para si. E pareceu, até mesmo, esquecer que um certo Potter também já a havia tido só para ele. Mas era um detalhe que pretendia relevar, visto que o momento lhe parecia bem mais interessante de ser aproveitado. Draco finalmente conseguira desabotoar os botões de sua blusa e já deixava o físico bem torneado de Gina à mostra. Beijava-lhe os ombros e descia cada vez mais audacioso. Gina controlava-se para não perder a cabeça e envolver-se mais uma vez, mas estava cada vez mais difícil, tendo-o ali tão intimo com seu corpo. Draco ousara escorregar suas mãos pelas coxas da garota e subi-las até a altura que podia explorar um universo que já conhecia de outros momentos. Mas Gina não permitira que o mesmo ousasse explorar... segurara sua mão decidida e lhe jogara um olhar de fúria para a atitude do rapaz. Draco sorrira de canto de lábio para a garota e se endireitara de forma que pudesse ficar frente a frente com a mesma. Segurara a ruiva pelos cabelos avermelhados e tentara não machucá-la com isto. Fixara seus olhos nos lábios rosados da garota e depositara um beijo ousado, em que sua língua explorava todos os cantos possíveis e encerrava o deleite com uma mordida um tanto grosseira em seu lábio inferior. Voltou a fitá-la, ainda segurando-a pelos cabelos, e sentindo as mãos pequenas da garota segurá-lo pela cintura, talvez prevendo que em algum momento fosse precisar afastá-lo de si. Gina não entendia a atitude do rapaz, mas esperava pelo o que ele faria a seguir.
Draco aproximara seu corpo do corpo magro e delicado da ruiva, e Gina pudera sentir a intimidade do rapaz um tanto aguçada por dentro das calças do mesmo, e temera aquele contato ousado. Era essa a intenção de Draco, fazê-la sentir seu prazer mostrar-se evidente, e fazê-la perceber que estava pronto para aquilo. Na verdade, Draco não precisaria provocá-la daquela forma para que a ruiva pudesse perceber que Draco realmente já estava há muito tempo pronto para aquilo. Podia sentir a excitação do rapaz não apenas naquele contato ousado, mas também na respiração que começava a apresentar-se ofegante e, principalmente, nos olhares que o louro despejava sobre a mesma. Eram olhares sedentos de prazer, olhares caninos e ferozes... olhares que transpareciam sem a menor dificuldade todo intenso desejo que o rapaz vinha sentindo pela garota e, principalmente, a vontade que estava sentindo de consumar aquela relação... novamente, como das tantas vezes em que fizeram isso, em cantos cada vez mais secretos em Hogwarts.
Gina sentira Draco provocá-la cada vez mais intensamente com aquele contato intimo e já podia perceber que o mesmo estava realmente conseguindo afetá-la com aquilo. Tê-lo tão próximo daquela forma, com sua intimidade tão aguçada e tão transparente quanto a sua excitação, e saber que bastaria apenas um abrir de zíper e poderia tê-lo para si, novamente, da forma que desejara alguns dias atrás, lembrando-se de tudo o que passara ao lado do sonserino.
Say you're leavin on a seven thirty train Você está indo embora no trem das 7:30
and that you're headin' out to Hollywood E está indo para Hollywood
Girl you been givin me the line so many times Garota você me deu a mesma desculpa tantas vezes
It kind gets like feelin bad looks good Que parece que o que era mau ficou bom
Não era a melhor das idéias ter que admitir para si mesmo que a sua ruivinha o havia trocado por seu maior rival, pelo Potter que odiava mais do que qualquer outra coisa. E ter de admitir que havia sido traído era a parte mais difícil em toda aquela situação, já que nunca admitira ser traído por garota alguma que fosse. Incrivelmente, todas elas sempre cumpriram perfeitamente bem com as regras impostas desde o início de suas relações, mas Gina havia sido ousada e havia infringido centenas delas em questões de dias, e isto o revoltava mais do que qualquer outra coisa: saber que sua pequena Weasley o havia subestimado. Gina realmente pensava que poderia enfrentar um Malfoy daquela forma? Realmente achava que um sonserino aceitaria aquela situação facilmente, sem nem ao menos contestar ou tentar mudá-la de idéia? Na verdade, Draco nunca abandonara suas idéias quando estas lhe rendiam prazeres e interesses, e estar com a Weasley era uma idéia que não abandonaria tão cedo, portanto, Gina estava mesmo muito equivocada se realmente achava que poderia subestimá-lo e fazê-lo aceitar aquela situação. Mas, para Gina, estar com um Malfoy já não significava tanto, era uma realidade que nunca antes havia vivido de forma tão intensa. Seus casos em Hogwarts nunca ousaram expandir-se por sonserinos, mas Draco era uma exceção da qual Gina nunca mais se esqueceria. Podia lembrar-se perfeitamente bem do dia em que se envolvera com o garoto, e aquilo havia significado muito para a mesma.
Draco tornara a segurar com mais força seus cabelos, puxando-os de forma que realmente não a machucasse, e a imprensava com cada vez mais intensidade contra a parede, mantendo-a muito próxima dele e não permitindo que ela pudesse interromper aquele momento. Gina parecia temer a atitude do rapaz e parecia remoer idéias em sua cabeça para que pudesse escolher as melhores palavras e dar continuidade a conversa que dissera precisar ter com o sonserino. Conversa que já até mesmo não se recordava que deveria ter. Naquele momento, tê-lo tão provocante diante de si não a permitia desviar seus pensamentos da beleza e sensualidade daquele sonserino. Os cabelos alourados que caiam sobre a face do mesmo, cobrindo-lhe parte de seu rosto, o suor que vinha a surgir em sua testa e aqueles lábios finos e rosados, provocantes. Draco a fitava sedento. Nesse exato momento, aproximara sua face do rosto da ruiva, de forma lenta e cada vez mais provocante, ainda com seu corpo encostado de forma ousada no corpo da garota, e Gina podia sentir a respiração do mesmo em sua face. Viu os lábios do rapaz se aproximarem de seus lábios e não conteve o desejo de poder beijá-lo.
Foi quando, tomada por aquele desejo, Gina não resistira com a presença daqueles lábios tão sedutores há apenas alguns milímetros de seus próprios lábios, e se movera na direção deles a fim de beijá-lo, mas Draco se esquivara da garota muito agilmente, fazendo-a assustar-se com aquela atitude repentina. Draco sorrira de canto de lábio, observando-a agora a uma distância considerável da face da mesma, ainda com seu corpo muito colado ao dela, e Gina o fitava com olhos de indignação e, ao mesmo tempo, surpresa. Não entendia o porquê daquilo, mas sabia que havia uma razão para aquilo, e Draco não deixaria barato. O sonserino a fitava com um certo divertimento em seus olhos, mas Gina já tratava de esboçar em sua face uma leve expressão de irritação por aquilo.
That kind lovin' Aquele tipo de amor
Turns a man to a slave Escraviza um homem
That kind lovin' Aquele tipo de amor
Sends a man right to his grave Manda um homem para a sepultura
- Isso mesmo o que você quer, Virginea, me beijar? – Draco dissera, fitando-a, com uma voz sussurrante e tranqüila.
- O que você pretende com isso, Draco? – e lhe indagara, com as mãos ainda posicionadas sobre a cintura do rapaz.
Draco sorrira, divertido, encostando-se mais no corpo da ruiva e fazendo-a estremecer com o contato ousado. Ainda segurava-lhe pelos cabelos, apoiando seu braço na parede bem atrás da moça, de forma que pudesse se equilibrar diante da mesma.
- Só quero fazê-la entender, de uma vez por todas, que eu decido quando e como eu quero que as coisas aconteçam.
Gina realmente havia pensado na possibilidade de Draco estar tentando impor a ela mais uma de suas regras, uma da qual já conhecia, por sinal. E Draco continuara, dessa vez aproximando-se novamente do rosto da moça e, dessa vez, realmente decidido em beijá-la e possuí-la de uma vez por todas, já que encontrava-se em uma situação cada vez mais excitada.
- Isso prova que você é minha, e eu decido como as coisas serão.
E Draco aproximara seus lábios dos lábios finos da ruiva, mas a garota desviara sua face no mesmo instante, como da mesma forma que Draco fizera com ela segundos atrás.
- Não, Malfoy, eu nunca fui sua... – Gina não suportara ouvi-lo dizer suas palavras de forma tão decida e crente de que estava mesmo certo daquilo. - Era tudo uma grande brincadeira, e você nunca passou de um mero brinquedinho. Obrigada... mas acabou!
I go crazy, crazy, baby, I go crazy Eu vou enlouquecer, enlouquecer, baby, eu vou enlouquecer
You turn it on Você excita
Then you're gone Depois vai embora
Yeah you drive me Você me deixa
Crazy, crazy, crazy for you baby Louco, louco, louco, por você baby
What can I do, honey O que eu posso fazer, querida
I feel like the color blue. . . Eu me sinto triste
Draco não achara interessante a atitude da ruiva em impedi-lo de beijá-la, daquela vez, mas não perderia a chance de responder àquelas palavras ditas pela garota:
- Uma brincadeira, Virginia? Não mesmo... você é minha... e vai ser até quando eu quiser. Não ouse me desafiar, porque eu estou pronto para enfrentá-la...
Não havia sido um comentário muito interessante a ser feito, e Gina não havia gostado de vê-lo manter aquela superioridade sobre ela. Sentira seus nervos a flor da pele ao vê-lo dizer, novamente, que ela pertencia a ele, apenas a ele. Aquilo não fazia o menor sentido. Se Gina pudesse prever que Draco levaria aquela relação tão a sério, nunca teria ousado se envolver com o mesmo. Podia ter certeza, naquele momento, que o Malfoys não eram pessoas muito interessantes de se ter ao seu lado. Draco não permitira que Gina pudesse prosseguir com a discussão que se tornava evidente e, por isso, a beijara muito depressa, entrelaçando cada vez mais seus dedos nos cabelos ruivos da garota e a imprensando cada vez mais contra a parede. Descera seus beijos para o pescoço da moça, novamente, mordiscando-a de leve por vezes e, agora, segurando-a com força pela cintura, apertando-a cada vez com mais força.
You're packin up your stuff and talkin like it's tough Você está pegando as suas coisas
And tryin to tell me that it's time to go E dizendo como é difícil me dizer que é hora de partir
But I know you ain't wearin' nothin' underneath that overcoat Mas eu sei que você não está vestindo nada debaixo desse casaco
And it's all a show E que isso é só um showzinho
- De vagar, está me machucando. – fora tudo o que conseguira dizer naquele momento, vendo-o sedento e enlouquecido de prazer. – Draco, pare!
- Não vou parar enquanto não satisfizer as minhas vontades. – dissera ao pé do ouvido da moça, voltando a beijá-la nos lábios, mas muito rapidamente, até retornar ao seu pescoço.
- E as minhas vontades? – Gina dissera, ainda lutando para afastá-lo de si.
- Não me importo com elas, você tem uma péssima criatividade. – e dissera isto escorregando suas mãos pelo corpo da garota, até acariciar-lhe as coxas, por debaixo da saia.
- Hei... isso não é verdade. – e se indignara com o comentário do rapaz.
- Então prove. – e dissera beijando-lhe o tronco.
- Não preciso provar isso pra você.
- E pra quem você precisa provar isso? – Draco não pensara na possibilidade de estar sendo irônico com a moça, simplesmente pensara na indagação e a fizera.
- Ora, só pro Harr... – Gina se assustara ao notar a gafe que estava prestes a cometer, e interrompera no mesmo instante, simulando um gemido logo em seguida para que pudesse encobrir o acontecido. – Não preciso provar pra Ninguém!
- Pra ninguém? Então por que quis que eu ensinasse a você a arte da sedução, a arte de sentir prazeres, se não tem que provar nada pra ninguém? – Draco simplesmente não havia notado o que Gina estivera prestes a dizer, anteriormente, mas não seria novidade alguma para o mesmo, afinal, Draco já sabia de tudo. Uma confissão não significaria muito, já que não desistiria dela de forma alguma.
- Ora, Malfoy, me largue de uma vez. Não percebe que não faz o menor sentido levar isso adiante?!
- Pode não fazer o menor sentido pra você, mas como sou eu quem mando aqui mesmo... – e a fitara com um sorriso cínico em seus lábios, aproximando-se da face de Gina para beijá-la novamente, mas fora rapidamente impedido com um empurrão que conseguira afastá-lo quase que totalmente da mesma.
- Não!
Gina tivera sido decidida, ao empurrá-lo, mas não esperava que Draco pudesse conseguir afastá-la do seu verdadeiro objetivo, aquele que a havia levado para aquele banheiro: encerrar, de uma vez por todas, aquele caso que já não lhe parecia mais tão importante.
That kind lovin' Aquele tipo de amor
Makes me wanna pull Me fez querer abaixar as cortinas
Down the shade, yeah Aquele tipo de amor
That kinda lovin' Aquele tipo de amor
Yeah, now I'm never gonna be the same Agora eu nunca mais serei o mesmo
- Então prove de uma vez por todas que realmente aprendeu o que eu ensinei pra você tão arduamente... – Draco a segurara pela cintura e voltara a aproximar-se da garota.
- É isso que você quer? Provas? Pois saiba que não será nada difícil. Só preste bastante atenção: vai ser a última vez que vai ver essas sardas tão de perto. Vai ser a última vez que vai poder me ter.
- A ultima vez? Tem mesmo certeza disso? Ainda vou poder puxá-la muito pelos cabelos cor de fogo. – e entrelaçara seus dedos nos cabelos de Gina novamente.
- Não.
- Prove que não.
- Vou provar muito mais que isso, Draco.
I go crazy, crazy, baby, I go crazy Eu vou enlouquecer, enlouquecer, baby, eu vou enlouquecer
You turn it on Você me excita
Then you're gone Depois vai embora
Yeah you drive me Você me deixa
Crazy, crazy, crazy for you baby Louco, louco, louco, por você baby
What can I do, honey O que eu posso fazer, querida
I feel like the color blue. . . Eu me sinto triste
E dito isto, Gina o beijara intensamente, puxando seus fios louros e causando-lhe arrepios. Acariciava seu abdômen e apertava, por vezes, suas unhas na pele pálida de seu peito agora nu, já que desabotoara em questões de segundos a camiseta do rapaz. Gina sentira a intimidade de Drago se aguçar cada vez mais dentro das calças que o rapaz usava, e o atiçara ainda mais desabotoando os botões da mesma e escorregando seus dedos para dentro da calça, interrompendo aquele contato no exato momento em que notara que Draco parecera enlouquecer com a ousadia. O empurrara com facilidade, já que Drago pareceu notar que Gina tentava provar a ele que realmente havia aprendido muito. Gina o levara até uma cabine próxima, fazendo-o entrar dentro dela e, com um simples chute fechara a porta da mesma. Draco ouvira o estralo da porta sendo fechada com intensidade e o clique seguinte da tranca sendo fechada instantaneamente com o impacto da batida. Gina encerra o beijo depositando-lhe uma mordida leve em seu lábio e o fitara por alguns segundos. Já não sabia mais o que estava fazendo naquele banheiro, só conseguia pensar em tê-lo e em poder mostrar a ele que Draco estava completamente equivocado quanto ao fato de achar que Gina não havia aprendido nada com aquela relação secreta.
A ruiva o empurrara pelo peito e o fizera sentar-se sobre o vaso sanitário que encontrava-se com sua tampa fechada e, muito provocante, sentara-se sobre o colo do rapaz. Sabia que aquilo o havia feito delirar, e sabia que agora não haveria mais saída. Se não o tivesse por vontade própria, certamente Draco não se permitiria ficar somente na vontade.
Pudera sentir as mãos do rapaz, ousadas, escorregarem por suas coxas e seguirem direto para dentro de sua saia. Tratara de fazer daquele momento perfeito, já que pretendia mesmo fazer dele o último. Se Gina conseguiria tamanha façanha, só saberia ao final daquela relação... mas era cada vez mais óbvio que Draco não deixaria Gina sair de sua vida tão depressa.
- Prepare-se, Draco... vai ter o prazer que deseja... – dissera sua última frase antes que pudesse recebê-lo dentro de si.
Estava eufórica diante daquele momento, estaria realizando o seu desejo mais intimo que já a atormentava há alguns dias, dias que lhe pareceram terríveis sem que pudesse tê-lo como das outras vezes. Draco podia não ser o seu melhor caso em muitos aspectos, mas em outros, o prazer que sentia ao tê-lo era realmente único e nem mesmo com Harry, o grande amor de sua vida, não conseguira ter o prazer que desejava. Harry a fazia feliz em todos os sentidos, mas era como um grande amigo, alguém em quem podia se apoiar sempre que precisava e alguém por quem se sentia cegamente apaixonada, o amava intensamente e nem ao menos cogitava a idéia de perdê-lo. Mas Malfoy, este significava, para ela, uma fonte de prazeres e sensações nunca antes sentidas com nenhum outro garoto. Draco era astuto, tinha uma habilidade incrível para levar suas garotas às alturas, e era isto que mais a prendia junto do mesmo. E quanto ao seu objetivo de pôr um basta naquilo tudo? Ou teria esquecido o verdadeiro motivo que a levara até aquele encontro matinal? Talvez nem mesmo Gina pudesse responder a estas perguntas naquele momento, já que o possuía ardente de prazer e desejo, e nem mesmo Draco permitiria interromper aquele momento para que pudesse desfocar suas atenções dos beijos e caricias que ousava. Talvez, na verdade, Gina já estivesse começando a desistir de querer dar um basta naquela relação secreta, talvez ela tivesse mesmo percebido, de uma vez por todas, que não suportaria manter-se afastada do louro que a fazia ter os melhores momentos de prazer de sua vida.
I'm losin my mind, girl Eu estou perdendo a cabeça, garota
'Cause I'm goin' crazy Porque estou enlouquecendo
I need your love, honey Eu preciso do seu amor, querida
I need your love Eu preciso do seu amor
--*--
Crazy, crazy, crazy for you baby Enlouquecer, enlouquecer, baby, eu vou enlouquecer
I'm losin my mind, girl Eu estou perdendo a cabeça garota
'Cause I'm goin' crazy Porque eu estou enlouquecendo
Crazy, crazy, crazy for you baby Enlouquecer, enlouquecer, enlouquecer, eu vou enlouquecer
You turn it on, then you're gone Você excita, depois vai embora
Yeah you drive me Yeah, você me deixa
- Você é minha... ruiva !! Avise pros seus admiradores que eu não vou permitir perdê-la!! – Draco ainda dissera antes de levantar-se do vaso em que estava sentado e imprensá-la contra a porta da cabine onde estavam.
OoOoOo
Antes que pudesse se retirar daquele vestiário feminino, Draco ainda fizera questão de aplicar-lhe mais um beijo audacioso em seus lábios, sugando-lhe os mesmos e deixando uma marca avermelhada em um deles. Sorrira de canto de lábio ao perceber que havia mesmo marcado o lábio da ruiva com a pressão que fizera e a mordiscada que havia dado, aparentemente de leve. Gina não entendera o sorriso divertido do rapaz, mas sabia que não deveria significar muita coisa, afinal, Draco se divertia com as coisas mais estúpidas e idiotas.
- Até amanhã, ruivinha! Acho que já fizemos valer a pena demais por hoje. – e Draco a fitara, com olhos de provocação
- Por hoje... eu ainda desejaria mais! Mas sei que não sou a única na sua agenda de garotas com quem você deve manter relações sexuais por hoje! – e deixara escapar um suspiro de irritação.
Draco não se conteve, e voltou a sorrir de canto de lábio diante do comentário da garota.
- Oww... Virginia..! De onde tira essas bobagens? Sabe que você é... “única”. – e vira a garota cruzar os braços em sinal de fúria. – Mas eu sei que também não sou o único em sua agenda de garotos com quem você passará o dia.
- O que quer dizer com isso... ?? – Gina parecera temer aquele comentário do sonserino.
- Só faça o que eu disse: avise aos seus admiradores que eu não vou desistir tão fácil de você. E enfatize bem a parte do NÃO DESISTIR, porque isso é uma missão que não pretendo abandonar tão cedo.
Gina descruzara os braços, irritada por vê-lo querer manter a superioridade sobre ela. Não sabia ao certo se deveria realmente se preocupar com o comentário do louro, mas sabia que aquilo era algum aviso prévio de que se o mesmo descobrisse de seu namoro com Harry, certamente nenhum dos dois durariam por muito tempo.
Draco depositara em seus lábios um beijo rápido e ainda dera um último sorriso divertido ao ver o lábio inferior da moça levemente avermelhado e, para seu maior divertimento, visivelmente avermelhado. Pensara no que Potter diria daquilo, ou mesmo no que Gina diria daquilo ao tomar ciência do fato. Sabia que a sua ruivinha ficaria furiosa e o acusaria de estar descumprindo uma das regras fundamentas daquela relação extra amorosa: nunca, em hipótese alguma, deixar evidências físicas de suas relações ou mesmo deixar de manter a discrição perante Hogwarts e, principalmente, perante seus amigos. Esperaria até o dia seguinte para ouvir os palavrões e ofensas da garota, quando o acusaria disto.
Draco se retirara do banheiro em passos apressados, afinal, ainda teria aulas e, na verdade, estava bastante atrasado para a sua penúltima aula daquela manhã. Havia perdido uma manhã inteira naquele banheiro com a sua ruivinha sedutora, e agora não fazia idéia da desculpa que daria à Pansy, à Alan e a seus professores. Não se preocupara em ajeitar seus cabelos louros que estavam desalinhados em sua cabeça, apenas passara a mão de forma desajeitada sobre eles e realmente pensara que houvesse os ajeitado. Abotoara os últimos botões de sua camisa e tentara desfazer os amassados da mesma, não obtendo muita eficiência neste ato quase desesperado de não manter as evidência de sua relação com a ruiva. Ainda podia sentir, em seu corpo, o aroma doce do perfume de sua grifinória, um cheiro maravilhoso que o fizera revirar os olhos em pura excitação.
“Provou ter aprendido muito... mas ainda tem muito a aprender. E não vai ser aquele Potter idiota que vai fazer isso por mim.” Pensara consigo mesmo, relembrando de todos os detalhes do momento anterior que vivera com a garota.
Apressara ainda mais seus passos percebendo que já estava atrasado, e adentrara a sala com uma certa discrição, tentando não chamar a atenção dos sonserinos e grifinórios que assistiam à penúltima aula da manhã: Feitiços. Por sorte não precisaria se preocupar com aquele anão de jardim, já que o mesmo nunca fora autoritário quanto à atrasos, e certamente não faria muitos comentários a respeito daquilo. Mas certamente não sairia impune.
Ao fechar a grande porta de carvalho, Draco deixara a maçaneta escorregar por suas mãos e a porta batera com uma certa violência, causando uma imensa agitação entre os alunos. O burburinho pareceu crescer de forma surpreendente e logo todos já estavam comentando aquele atraso absurdo de Draco. O louro pareceu se sentir desconfortável diante de tantos olhares curiosos e de tantos comentários. Ouvira os sonserinos baterem sobre a mesa de forma coreografada e gritarem seu nome em comemoração por aquela aparição repentina. Draco sentira-se ainda mais desconfortável, já que seus próprios companheiros de classe não pareciam ajudá-lo em nada, estaria ainda mais encrencado com seu atraso. Passara a mão pelo cabelo de forma nervosa e acabara desajeitando-o ainda mais.
Fora quando observara a sala e, aparentemente, não avistara mesa alguma vazia em que pudesse sentar-se. Alan dividia uma mesa ao fundo junto de Pansy e sorria com aquela cena de um Malfoy totalmente atordoado diante de duas turmas inteiras e diante de um anão que já o fitava de forma irritada, pela confusão que Draco gerara. Ao mesmo tempo, Pansy o fitava com expressões muito irritadiças e olhares de extrema fúria. Sabia o que aquele atraso significava, mas se recusava a pensar que realmente suas desconfianças tinham algum fundamento. Nesse momento, Draco avistara uma mesa vazia logo à frente, atrás de alguns sonserinos com quem não tinha muito contato e se pusera a direcionar-se até essa mesa. Passar pelo corredor, entre sonserinos e grifinórios, e nem ao menos fitara nenhum deles. Hermione o vira passar ao seu lado e sentira o perfume que emanara de seu corpo, parecendo reconhecer aquele aroma. Não sabia ao certo onde o havia sentido, mas sabia que lhe era muito familiar. Talvez do próprio sonserino, com quem já tivera contatos muito ousados em outras vezes. Draco não a fitara em momento algum e sentira-se estranha diante de tal rejeição, como se realmente fizesse questão que o mesmo a notasse. Retirara aquela sensação estúpida de seus pensamentos e continuara a fitá-lo sentar-se solitário em sua mesa, pondo seu material sobre a mesa de forma indiferente e ainda não fitando nada e ninguém, com os olhares baixos em seu material. Draco ouvira a voz aguda e irritante do professor tentando interromper a onda de comentários e burburinhos que tomava conta daquela sala.
Não seria uma aula nada divertida, preferira ter ficado mais tempo com sua ruivinha sedutora naquele banheiro. Ao menos valeria mais a pena do que ter de passar mais dois tempos de aulas cansativas de Feitiços. Draco nem ao menos notara o momento em que Alan sentara-se ao seu lado, dividindo a mesma mesa que ele. Notara um vulto bem ao seu lado e avistara seu melhor amigo com um sorriso muito curioso nos lábios, sedento por explicações quanto ao seu atraso. Draco ajeitara-se em sua cadeira e cruzara os braços, com uma expressão muito divertida em sua face, fitando a sua frente e ignorando os olhares de indagação de Alan. Até que começasse a falar, muito sussurrante, já que não pretendia ser escutado por mais ninguém.
- Perdi muita coisa importante?
Alan fechara a cara e resolvera começar as suas indagações.
- Ow, cara, aonde se meteu a manhã inteira?
- Me atrasei – respondera ríspido, descruzando os braços.
- É né, eu percebi isso. Mas será que não pode ser mais claro? O que estava fazendo até agora? – sua curiosidade já atravessava limites.
- Acordei atrasado, só isso, e demorei pra me arrumar e comer alguma coisa. – mentira, mais uma vez, fitando o amigo com uma expressão séria para que tentasse convencê-lo daquilo.
Mas Alan não se convenceria com uma desculpa daquelas tão facilmente. Observara Draco da cabeça aos pés, desde os cabelos louros desarrumados até sua camisa amarrotada e, principalmente, a gravata sonserina frouxa em seu pescoço.
- Demorou pra se arrumar? Então esqueceu completamente de fazer isso, olha o seu estado Draco. Parece até que um dragão passou por cima de você. – e fizera uma expressão de indignação
- Não enche Alan, eu só não quis perder muito tempo com isso. – e virara a face novamente voltando a fitar o professor.
- Confessa logo, Draco, eu sei que tem garotas nisso. – e Alan deixara escapar um sorriso safado, ainda fitando-o com o corpo deslocado na direção do amigo - Me conta, quem foi dessa vez?
- Não tem garota nenhuma. Eu me atrasei, só isso. – e mentira, novamente, certo de que não desejava ter de contar ao amigo que realmente estava com uma garota.
- Sei. Essa é a desculpa que você vai ter que dar pra Pansy. Olha só a cara dela.
E nesse momento ambos viraram suas faces na direção de Pansy, deixada sozinha em sua mesa quando Alan se retirara de lá para juntar-se ao amigo. Alan ainda pudera escutar a garota dizer a ele que fizesse Draco confessar aonde havia passado a manhã inteira. Por sorte, Pansy não os fitava naquele momento, e por isso não percebera os olhares dos rapazes em sua direção. Pansy fitava o lado oposto da sala, alguns quadros pendurados sobre a parede e tinha realmente uma expressão furiosa em seu rosto. Devia estar formulando, naquele momento, o discurso que daria ao rapaz na primeira oportunidade que tivesse. Hermione também fitava Harry, de forma bastante discreta, e não deixara de notar o exato momento em que o mesmo virara-se para trás e fitara a sonserina. Tentava decifrar o que Draco estaria conversando com Alan, mas isto seria quase impossível, visto que estava há uma distância considerável do mesmo.
- É... e essa vai ser a pior parte. – Draco concluíra, voltando a endireitar-se em sua cadeira.
- Me diz quem foi que você pegou dessa vez e eu te ajudo a se livrar da morena. – Alan estava mesmo muito curioso, e sabia que Draco faria aquela troca no mesmo instante.
- Não posso dizer o nome, mas hoje ela provou que realmente é muito criativa e que aprendeu muito! – Draco tinha seus olhares perdidos pela sala, enquanto contava-lhe sobre seu encontro.
- Hãã? Do que ta falando? Provar que aprendeu o quê? – Alan frisara suas sobrancelhas, sem entender absolutamente nada daquele comentário.
- Ah, esquece Alan, você não ia entender mesmo.
- Então diz, é gostosa? – desistira de realmente tentar compreender o que o rapaz quisera dizer com ser criativa e provar-lhe que havia aprendido.
- Muito! Aquele corpo, aquelas coxas, aqueles seios... – e revirara os olhos em excitação, mordendo seu lábio inferior e parecendo imaginar todas aquelas partes do corpo de Gina.
- Owww...
- ... aquelas sardas!! Ela é minha, e vai continuar sendo por muito tempo. – concluira, por fim, não revelando de quem realmente estava falando.
- Vou procurar por garotas de sardas pelo castelo, então. – e Alan sorrira, divertido com a revelação.
- Acredita que ela é comprometida? – e Draco virara-se novamente para fitar Alan, com um sorrisinho canalha de canto de lábio.
- Oww... em fim o velho Draco voltou a atacar pelo lado mais arriscado.
- E eu nem me importo com isso. Mas ela merece um castigo por ter me desobedecido. – e dissera isto confiante
- Ei, cara, tem que me contar mais sobre isso. – e Alan ajeitara-se em sua cadeira, sorrindo muito maliciosamente.
Ajeitaram-se em seus assentos e, por vezes, faziam novos comentários a respeito do assunto, mas Draco tentava evitar evidenciar de quem estava dizendo-lhe todas aquelas coisas. Se Alan desconfiasse que Draco estaria se envolvendo com a Weasley fêmea, certamente perderia sua amizade em meio tempo.
A aula pareceu transcorrer muito rapidamente, ao menos para Draco e Alan que tagarelavam entre sussurros durante grande parte da aula. Mas para Hermione, havia lutado arduamente para conter sua curiosidade quanto a quem Draco estaria saindo daquela vez. Hermione vira Pansy fitar o “namorado” com expressões cada vez mais furiosas e imaginava o que estaria passando pela cabeça morena e tapada da sonserina. Sabia que Draco receberia um bom sermão da garota, e desejava ser uma mosquinha para que pudesse presenciar aquele momento.
OoOoOo
Por fim, as aulas matinais chegaram ao seu fim e puderam respirar aliviados, teriam mais algumas horas livres durante a tarde antes de retornarem para as aulas restantes do dia. Hermione estava exausta daquela sua vidinha escolar, nunca se sentira tão estafada de deveres, trabalhos e aulas como estava agora. Repudiava-se por isso em todos os momentos, já que nunca permitira que isto acontecesse com a mesma. Sempre dera muito valor e importância a seus estudos, mas não era bem isso que vinha acontecendo com a mesma nos últimos dias. Seus problemas amorosos e todas as suas decepções pessoais a haviam transformado em um monstro para si mesma. A cada dia que passava ousava magoar cada vez mais os poucos amigos que lhe restara, ao deixar de participar de suas vidas e tratando-os com cada vez mais indiferença. Era quase espontâneo, mas achava que tinha esse direito, de magoar as pessoas já que havia sido magoada por muitas delas. Estava cada vez mais deprimida diante de suas desilusões amorosas e diante das proporções que seus problemas estavam atingindo. Teria de dar um basta naquilo, e começaria pondo sua vida escolar em ordem.
Tivera o almoço, que havia sido, como todos os outros, a refeição mais agitadas de todas. Os alunos estavam eufóricos, podiam-se ouvir os burburinhos intensificarem-se a cada novo segundo e todo aquele ranger de talheres e pratos. Sentiu-se mal diante de todo aquele falatório e gargalhadas, já podia sentir suas têmporas latejarem de dores de cabeça. Avistara Draco em sua mesa sonserina, ao lado de Alan e Pansy. Vira a garota depositar em suas bochechas um beijo rápido e sorrir animada para o rapaz, entre conversas e garfadas. Era realmente uma relação estúpida que havia entre eles. Hermione não tinha a menor dúvida de que Pansy discutira com Draco ao final das aulas matinais. Mas também não tinha dúvidas de que já haviam feito as pazes. Era evidente que Draco estivera a manhã toda ao lado de alguma garota daquele castelo, e nem fazia idéia de quem poderia ser. Provavelmente alguma sonserina, mas sabia que Draco não se focava apenas em sua casa, sabia que o rapaz expandia seu poder de sedução por Hogwarts inteira.
Na mesa Grifinória, Hermione repudiava, também, a conversa animada que Harry tinha ao lado de Gina. Vira ambos sorrir e fitarem-se com olhares apaixonados. Pensava que talvez suas mãos pudessem ter se encontrado por debaixo da mesa, mas não ousaria arranjar alguma forma de fazer tal constatação, sabia que daria muito na cara e não desejava isto. Então, detestara Rony por ver o ruivo interessado demais em suas discussões sobre Quadribol com seus amigos grifinórios, nem ao menos percebendo a visível ceninha romântica e estúpida que se passava bem ao lado do mesmo.
Fora quando revirara os olhos de forma cansada, tinha realmente certeza de que estavam todos mais felizes que ela. Tinha realmente certeza que a única que tinha problemas era ela e sabia que aquela nuvem negra não sairia tão cedo de sua cabeça. Resolvera terminar seu almoço em paz.
Após o almoço, seguiram todos para as outras mediações da escola. Alguns se deixaram levar pelos estudos e seguiram direto para a biblioteca, outros, como os sonserinos e muitos alunos da Corvinal, seguiram para os jardins, próximo ao lago. Fazia um dia muito agradável, embora esquentasse bastante. Hermione deixara-se permanecer no salão Principal que, imediatamente após o almoço se transformara em um salão de confraternização, com grandes arquibancadas postas aos cantos das paredes onde os alunos poderiam sentar-se, além de mesas com tabuleiros de xadrez e demais jogos tipicamente bruxos. Encontrara Luna sozinha, em um canto, e resolvera juntar-se a mesma, que trazia nas mãos mais uma nova edição da revista de seu pai. Harry se despedira de Hermione e Rony, alegando precisar ir ao banheiro, e Rony nem ao menos desconfiara de nada quando vira Gina retirar-se logo em seguida, já que se entretia com seu xadrez de sempre.
- Hey, Luna! – Hermione aproximara-se da garota, de forma amigável.
- Oi, Mi!! – e Luna a recebera igualmente de forma amigável.
O tempo parecera passar depressa...
--*--
- Hermione, eu acho que... – Luna parecera tentar dizer-lhe algo, mas Hermione mostrava bastante empolgada em seu relato.
- Não, Luna, você não acha nada... porque eu ainda não terminei de contar toda a história.
- Mas acho que não precisa mais me contar, porque nós temos compa... – e fora novamente interrompida.
- Ah, Luna... Você precisava ver a carinha dele.
- Mione, é sério, me escuta. – e Luna insistira.
- Ahh... o que foi Luna? Pensei que estivesse interessada no que eu estava dizendo. Mas se quiser, eu paro. – se demonstrava irritada pela interrupção.
- Não, Mione, mas é que tem outra pessoa bastante interessada em nossa conversa.
- Como? De quem está falando? - Mione não entendera, mas sentira uma presença bem atrás de si... recusando-se a conferir, temia que realmente pudesse ser alguém que não desejava manter contato tão cedo.
- De mim... – Draco se intrometera na conversa.
Estava bem atrás da castanha e a fitava com olhares divertidos, por vê-la observá-lo com uma expressão um tanto assustada. Hermione não desejava ter de discutir com Malfoy tão cedo, e sabia que alguma razão realmente muito interessante o havia levado até ela, naquele salão.
- Ah, não. Eu não acredito nisso, Malfoy. Ninguém ensinou pra você que é feio ouvir a conversa dos outros? - e cruzara os braços, fitando-o levemente irritada e, ao mesmo tempo, curiosa por saber o que o rapaz realmente pretendia com aquilo. Não era a pessoa certa para dizer aquilo, afinal, escutara a conversa dos outros em dois momentos distintos naquela manhã, e nem ao menos sentia-se culpada por isso.
- Será que pode parar de ser tão dramática, porque não faz nem 1 minuto que estou aqui. – e fizera uma fingida expressão de irritação
- Ah, isso não é bem verdade. – dissera Luna, com sua expressão de aluada, interrompendo aquela conversa
Draco direcionara um olhar de fúria para a loura e parecera muito sério ao fazer isto. Percebeu que Luna se assustara com aquela ameaça e parecera demonstrar isto em seus olhares quase amedrontados. Draco se divertira internamente por ter provocado isto na garota, mas voltara a fitar Hermione, e fora recebido logo de cara por uma indagação, antes que pudesse nem ao menos respirar.
- O que você quer, Malfoy? Não acha que é muito cedo pra querer discutir?
- Na verdade, eu bem que tenho sentido falta de todas aquelas nossas discussões. – e dissera fitando-a muito nos olhos, ignorando a presença de Luna. - Principalmente quando elas terminavam de forma um tanto... surpreendente. Sabe do que quero dizer, não sabe?
- Não, Malfoy. Não faço a menor idéia. – Hermione parecera sentir-se desconfortável diante daquele comentário.
Sabia perfeitamente bem do que Draco estava querendo dizer. Mas não ousaria concordar com o mesmo, pois também sabia que o rapaz desejava confundir suas idéias com todas aquelas insinuações e provocações.
- Na verdade, surpreendente pra mim só o fato de saber que tem um sonserino atrevido e arrogante parado bem a minha frente e que não faço idéia do que ele pretende com isso. – cruzara os braços novamente, ainda fitando-o, esperando por uma resposta.
- Bem lembrado, Granger, eu quase esqueço do porque de ter vindo até aqui. Só quero avisar que temos um trabalho extra classe pra fazermos e o prazo não é tão longo assim.
- Temos? Pensei que cada um faria sua part...- e fora interrompida antes que pudesse concluir.
- Me encontre nos jardins ao final do dia, sem falta. – fora ríspido
- Nos jardins? Pensei que fôssemos estudar. – e descruzara os braços, curiosa
- E vamos. É que eu prefiro o ar livre, sabe. Espero você lá. – e deixara um último olhar sobre a castanha antes que se retirasse para o centro do salão, onde alguns sonserinos jogavam xadrez.
Hermione ainda o seguira com seus olhares, bastante confusa quanto ao Malfoy realmente querer fazer aquele trabalho junto dela. Não notara que Luna a observava, e ao notar, sentira-se desconfortável ao lado da amiga. Sabia que algo de muito suspeito a estava dominando de forma que nem ao menos era capaz de impedir, e não podia permitir que Luna também tomasse conhecimento disso. Sua aproximação com Malfoy a estava deixando cada vez mais confusa. Luna precisava acreditar que entre eles havia apenas um trabalho extra classe e nada mais... nem mesmo beijos roubados, nem mesmo agressões físicas e carícias ousadas... ou mesmo uma proposta de acordo.
- Oh, Merlim, eu nem acredito nisso... – ouvira Luna dizer, com a boca semi-aberta e os olhares agora direcionados ao vulto de Draco ao longe.
- É, eu sei, Malfoy é mesmo um estúpido. – Mione dissera, balançando a cabeça negativamente e esquecendo que Malfoy estivera ali segundos atrás.
- Não, Mione, não era isso que eu dizer. – e Luna voltara a fitar a castanha, com expressões fantasiosas.
- Não? - Hermione temera aquele diálogo, não sabia ao certo o que aquela loura aluada diria a seguir.
- Não ! Você precisava ver o jeito com que ele te olhou, Mione. - e dissera isto fitando-a com uma expressão abobada, incrédula e ao mesmo tempo radiante.
- Ah, por favor Luna, você deve estar vendo coisas... – e desviara seus olhares da garota
[u] “Não seria novidade você estar vendo coisas, na verdade, você é capaz de loucuras maiores... “ [/u] Hermione pensara consigo mesma, controlando-se para não soltar algum riso.
- Claro que não, Hermione. Eu vi perfeitamente bem o jeito com que ele te olhou. – e mostrara certeza no que dizia.
[u] “Ótimo... a mesma certeza que teve quando disse ter visto comensais disfarçados de alunos nos jardins de Hogwarts...” [/u] – e revirara os olhos incrédula –[u] “E eu ainda perco o meu tempo com a Di-Lua” [/u]
- Ótimo. Ele tem olhos, não tem?? Que faça bom uso deles. – Hermione resolvera dar um basta na discussão.
- E acho que ele acabou de fazer sim... – e vira Luna sorrir para Mione.
- Posso continuar o que estava dizendo? - mas Hermione mantivera-se indiferente
- Ah... claro... pode sim.
E retornaram ao assunto anterior. Dentro de alguns minutos tiveram de retirar-se do salão e seguir direto para suas aulas da tarde. Luna seguira junto de seus amigos Lufa-Lufa e Mione procurara por Rony para que pudesse seguir para suas aulas também, mas não o avistara em canto algum, nem mesmo Harry, ou mesmo Gina. Fora quando se lembrara que não os tinha mais tão próximos quanto antes. Ainda precisava se acostumar com a idéia de que perdera o amor da pessoa que um dia jurara amor eterno e da garota com quem se divertira em todos aqueles anos de Hogwarts. Gina fora sua melhor amiga durante anos, lhe confidenciara momentos que não confidenciaria com mais ninguém, mas sua amizade com a ruiva enfrentara baixos quando começara a envolver-se com Harry. Não tinha mais a mesma coragem de fitá-la nos olhos como antes, nem de passar horas tendo de escutá-la dizer o quando amava Harry e o quanto desejava que este a notasse.
Ao final de suas aulas, já seguia para sua casa, acompanhada de Rony e Harry quando se lembrara do “trabalho” que teria que fazer, ao lado de Draco, e lembrara que este já devia a estar esperando nos jardins de Hogwarts. Parara abruptamente em seu caminho e fitara o chão de mármore tentando arranjar alguma desculpa para dar aos amigos.
Harry se assustara ao vê-la interromper sua caminhada e pusera-se a observá-la, segurando Rony pelo braço e fazendo-o interromper a caminhada também.
- Err... Rony... Harry... – Hermione começara, erguendo seus olhos na direção dos rapazes - ... eu acabei de lembrar... que preciso fazer uma coisa.
- Fazer uma coisa? – Harry indagara assustado com aquela súbita desculpa
- É... biblioteca... é rápido. Podem ir sem mim pra a Grifinória. – e dissera isto já se afastando dos amigos – Podem ir...
E dera as costas para os rapazes, seguindo, agora, direto para os jardins de Hogwarts, onde teria o encontro com Draco e descobriria o que o mesmo realmente queria com ela. Hermione sabia que Draco não estava mesmo disposto a querer tratar do trabalho extraclasse que Snape havia proposto a eles, quando soubera por Filch que haviam faltado a uma detenção. Precisava deixar claro àquele Malfoy que não poderia comparecer a todos os encontros que o mesmo propunha a ele. Fora quando suas borboletas de estimação pareceram se alvoroçar em seu estômago, lembrando-a de que ainda havia uma proposta de acordo e que, desde a última detenção, não haviam voltado a discutir sobre isso. Seria para isso que Draco a chamara para os jardins? Teria de ir conferir pessoalmente.
Saíra pelas passagens que davam acesso aos jardins e já avistara o verde que tomava conta de todo o seu horizonte. Por sorte, os jardins estavam vazios, nenhum aluno e nem mesmo nenhum professor. Felizmente, não seria vista ao lado de Draco e não correria o risco de ser difamada por Hogwarts por estar na presença do mesmo. Mas, observando-os os jardins, sentindo a leve brisa que corria por sua face, não avistara Draco, também. Teria desistido daquele encontre? Deveria estar radiante, afinal, não precisaria ter de enfrentá-lo novamente. Mas estava curiosa, Draco realmente parecia interessado em querer tratar algum assunto com a mesma. Fora quando o vira, debaixo de uma árvore próxima ao lago. A árvore que sempre o via descansar ao final dos dias, sabia que Draco gostava de estar ali, e não sabia como não o havia procurado antes naquele local. Começara a caminhar em direção ao vulto alourado um pouco distante de onde estava. Sentia o vento roçar em sua pele, sentia sua capa esvoaçar-se naquele contato direto com a brisa, e sentia seus cachos movimentarem-se agressivos no ar.
Draco não notara a aproximação da castanha, estava de costas para a mesma e fitava o logo muito entretido. Hermione não era capaz de ver o que Draco realmente fazia, debaixo da árvore, era capaz apenas de fitar suas costas descobertas pela capa e seus cabelos louros esvoaçando-se de leve com o vento.
Aproximara-se por fim, do louro, mas este não a notara. Permanecera em sua posição, apoiado pelos ombros no tronco da árvore e entretido no que fazia. Hermione vira uma pétala de rosa voar com a brisa que ia em sua direção e a acompanhara a pétala se afastar conforme era carregada para longe pelo vento. Ficara curiosa quanto ao que Malfoy estaria fazendo, e resolvera terminar com aquilo de uma vez por todas.
- Malfoy... – dissera com a voz firme
Draco parecera se assustar com aquela presença repentina bem atrás de si e virara-se rapidamente na direção de Hermione. Sorrira de canto de lábio ao ver que a castanha realmente havia comparecido àquele encontro.
Hermione parecera não entender o porquê daquele sorriso de canto de lábio, mas deixara seus olhares caírem sobre a rosa que Draco segurava em sua mão direita. Pôde notar que a mesma havia sido destruída ao suas pétalas terem sido arrancadas pelo sonserino, e constatara que a mesma só apresentava, agora, uma única pétala. Estava curiosa quanto àquela cena, não entendia ao certo o que Malfoy havia feito e porque havia feito aquilo, mas sabia que era uma oportunidade perfeita para enfrentá-lo e ironizar a situação.
- Sofrendo de amor, Malfoy?
Draco permanecia com seu sorriso cínico de canto de lábios, e a observava com atenção. Esperaria que Hermione continuasse a ironizar até que pudesse realmente responder-lhe.
- Pode perder as esperanças Malfoy. Não vai ser uma rosa que dirá se “ela” realmente vai querer você. Na verdade, Malfoy... ninguém, em sã consciência, nessa escola, vai querer um sonserino enxerido, metido e cretino como você .
Hermione dissera isto com toda a sua vontade, era o que realmente desejara dizer ao louro, e o vira permanecer indiferente às suas palavras. Seu sorriso cínico continuava a mostrar-se intacto em seus lábios, mas o vira abaixar seus olhares em direção aos restos da rosa que ainda estava em sua mão. Seus cabelos louros e lisos esvoaçavam-se ferozes, agora, visto que a brisa parecia cada vez intensa, e o vira segurar a única pétala que restara. Hermione podia prever o que o rapaz faria, mas resolvera esperar para que ele o fizesse, antes que pudesse ironizar novamente e enfrentá-lo, como da outra vez. Draco não se importava com os olhares curiosos de Hermione, caídos sobre ele e diante do ato que estava prestes a realizar. Draco puxara, com força, a pétala que restara e, erguendo seus olhares na direção da castanha, soltara a pétala e a fizera voar ligeira para longe dali, passando veloz pela face de Hermione e a fazendo assustar-se levemente. Um novo sorriso cínico voltara a se esboçar nos lábios de Draco e o vira fazer menção de dizer algo.
- Bem me quer! – e dissera, confiante.
Hermione frisara suas sobrancelhas e fitava Draco de forma curiosa. Por fim, revirara seus olhos pelas órbitas e já fazia menção de voltar a ironizar aquela situação. Mas fora rapidamente interrompida pelo louro, que agora jogara o caule do que um dia fora uma rosa e este voara longe assim como as pétalas.
- Eu costumo acreditar em coisas que me favorecem. Uma rosa pode dizer muito, mas eu certamente não daria à mínima se ela me dissesse “mal me quer”. Sabe por que Granger?
Hermione balançara a cabeça negativamente, sem resposta para aquilo.
- Simples. Porque eu não aceito “não” como resposta. E porque eu sei que a rosa estaria mentindo ao dizer “mal me quer”... nós sabemos que as coisas não são bem assim...
- Eu não sei de nada Malfoy. – e se irritara com a superioridade do mesmo. – Na verdade... eu sei sim... de uma única coisa... que você é um completo idiota. Se soubesse o tamanho da agressão que cometera ao mutilar aquela rosa...
- AH claro... a sabe-tudo Granger está de volta? – ironizava, pondo as mãos no bolso de sua calça, ainda apoiado pelo ombro no tronco. – Só uma grifinoriazinha sabe-tudo se preocuparia com a rosa. Será que não percebeu que eu estava falando de nós?
- De “nós”, Malfoy? – irritara-se novamente. – E desde quando “nós” existimos? Pensei que fôssemos “ eu” e “você”...
- Não por muito tempo... na verdade... é justamente por isso que eu chamei você aqui...
- Vou deixar uma coisa bem clara, Malfoy... – e se preparara para um breve discurso...
- Pensei que não viesse mais, Granger... – mas Draco a interrompera no mesmo instante
Draco retirara suas mãos dos bolsos de sua calça e se pusera a endireitar-se diante da castanha. Ao dizer aquilo, parecera remoer em sua cabeça um momento anterior em que dissera a mesma coisa: “Pensei que não viesse mais”. Mas lembrava-se perfeitamente bem que não dissera isto para Hermione, mas para uma certa Virginia ruivinha com quem tivera uma interessante manhã de prazeres no vestiário feminino de Hogwarts. Sorrira de leve ao lembrar disto.
- Não ouse me interromper quando tenho algo sério a dizer, Malfoy. – e Hermione realmente se irritara com a audácia do sonserino. – Eu quero fique muito bem claro que eu vim aqui por um único objetivo e não vou permitir que percamos o foco dele.
- E que objetivo nos trouxe até que, Granger? – Draco fizera uma expressão maliciosa. – Pensei que eu ainda teria que precisar explicar pra você o que realmente iríamos fazer...
- Pois não será preciso... você já fez isso em um momento anterior... – e sorrira, de forma cínica... – Vamos estudar... apenas!!!
- Ahh... estudar? – e Draco sorrira... – Por um segundo pensei que fôssemos fazer coisas mais interessantes.
- Claro... desde quando estudar foi algo interessante pra você, Malfoy? – dissera isto pondo sua bolsa sobre a grama.
- Depende com “quem” eu tenho que estudar... isto varia muito... e em muitos casos é muito interessante sim... !
Hermione o fitara séria. Não pretendia passar horas ouvindo provocações daquelas.
- Eu cumpro com as minhas obrigações de estudante, mas estranho você também querer cumprir com as suas.
- O que quer dizer com isso Granger?
- Pensei que eu fosse ter que fazer esse trabalho sozinha... – e o fitara muito séria
- Não seria uma má idéia – fizera uma expressão contente – Mas eu também costumo cumprir com minhas obrigações. Todas elas !!
- Menos a de namorado lógico... – sussurrara, e nem notara que Draco havia escutado.
- O que você disse, Granger? – Draco parecera não gostar do comentário.
- Nada, Mafloy. – e tentara desviar o assunto, sem chance
- Não, eu escutei muito bem o que você disse, mas vejo que não tem coragem de repetir.
- Coragem não me falta, Malfoy. Mas isso não tem a menor importância.
- Não tem importância porque você acha mesmo que tem esse direito de dizer tudo o que pensa e esperar que ninguém se importe. – Draco realmente se ofendera com o comentário
- Você nunca se importa com o que eu sinto quando me ofende e tenta me humilhar diante de todos, Malfoy. Acha mesmo que vou perder meu tempo me importando com você? – e dissera firme.
Notou um aparente silêncio pairando sobre eles, onde só podia ser escutado o som da brisa que corria livre e roçava suas faces.
- Deveria. – Draco continuara, também decidido – Está diante da única pessoa que talvez seja capaz de ajudá-la. E a única que se arriscaria e perderia seu tempo com problemas alheios.
- Ahhh... como você consegue ser tão idiota, Malfoy. – e explodira de ódio. – Você me irrita. Quer dizer que agora você quer fazer parecer que me ajudar em meus problemas amorosos é um ato heróico e que eu devo ser grata a você pelo resto da vida?
- Também não é uma má idéia. Parece que você está bastante inspirada hoje, Granger, nessas suas idéias brilhantes.
- Me poupe, Malfoy... eu nunca disse que precisava de ajuda.
- Não precisa dizer, eu percebo isso... estampado bem na sua testa... “GRANGER... DESESPERADA!”
- Você não vê nada... eu não quero que veja nada. Vamos esquecer isso, Malfoy... você deve ter problemas maiores que os meus... – Hermione já não suportava aquela situação.
- Acertou!!! – e fizera uma expressão contente. – E é por isso que quero ajudá-la... é recíproco, sabe?!
- Recíproco? – e ficara furiosa... – Então quer minha ajuda em troca? Você tinha que visar alguma coisa nisso tudo, não é mesmo?
- Eu já disse, Granger... você vai me ajudar sem nem mesmo tomar ciência disso! Eu sei o que estou fazendo... um acordo é o melhor para nós dois.
- O melhor para nós dois é você desaparecer da minha vida... de uma vez por todas. Quero esquecer que um dia ainda troquei mais de duas palavras com um Malfoy estúpido que nem você. – e fizera uma expressão de nojo.
- E vai querer esquecer que também já beijou um Malfoy? Vai querer esquecer que já delirou de prazeres com isso? Vai querer esquecer momentos tão... maravilhosos como esse? – e lhe indagara, esperando pela resposta
Hermione demorara para responder-lhe, o fitava com uma expressão séria...
- Não me afetaram de forma alguma... não faria diferença esquecê-los ou permanecer lembrando-os.
- Ah... aham... Granger. – e sorrira irônico
-Viemos aqui pra estudar... por tanto... não perca o foco... ! – tentara mudar o assunto
- Com você tão perto, Granger... estudar é pecado. – e dissera isto aproximando-se da mesma.
Hermione não gostara daquele comentário, sentira-se desconfortável diante da ousadia do sonserino em dizer-lhe algo daquele tipo. Odiava ter que vê-lo dizendo-lhe todas aquelas cantadas fajutas. Tudo o que Draco desejava era transformá-la em mais uma de suas “garotinhas”, com quem se agarra pelos contos de Hogwarts e se gabava ao final. Mas e poderia se gabar por tê-la agarrado? Afinal, aquele acordo o desmoralizaria em questão de segundos. Ainda havia muito naquela história que precisava entender melhor.
Hermione tentara afastar-se de Draco e, ao fazer isto, tropeçara sem querer em sua bolsa, posta bem perto de seus pés sobre a grama. Por sorte, Draco a segurara pela cintura no exato instante, antes que fosse direto de encontro ao gramado. Draco sorrira, como um herói que acabara de salvar a sua mocinha. Hermione se mantivera indiferente, ainda detestava aquilo tudo, mas permanecera quieta, esperando pelo o que Draco diria.
- Então... percebe o quanto eu posso ser importante pra você?
- É por causa de VOCÊ que eu corro riscos, Malfoy. Quer me soltar, agora?
- Pra quê? Disse pra não perdermos o foco...
- Quer que nos vejam juntos? – e tentava afastá-lo de si
- Vão nos ver... quando fizermos o acordo!
- Não, Malfoy... não vai haver acordo algum. Me solte... vai me impregnar com essa colônia fajuta.
E Draco finalmente a soltara, decidido a acabar com toda aquela discussão. Hermione teria de aceitar aquele acordo, seria melhor para ambos. A ajudaria a mostra ao Potter que ainda podia ser capaz de seguir sua vida, mostrar à ele que havia aprendido a se interessar por quem realmente valia a pena. E Draco, por sua vez, provaria à sua Virginia que não se importava em vê-la namorar com o seu maior inimigo, namoraria a melhor amiga de sua ruivinha, portanto. Sabia que um relacionamento amoroso entre um sonserino e uma grifinória causaria espanto em Hogwarts, mas que aquilo resolveria muitos de seus maiores problemas.
- Escute de uma vez por todas, Granger... quando eu digo que esse acordo vai nos ajudar... eu não estou simplesmente querendo enganá-la só porque eu quero “namorá-la”. Isso não vai ser divertido para mim, também... mas eu entendo agora muito do que você está passando... por tanto, eu também preciso dar uma lição em alguém.
- Precisa? Huumm... então finalmente notou que a Pansy não é o poço de fidelidade que sempre pensou que fosse? – e Hermione sorrira com aquilo.
- Na verdade... isso eu sempre soube. Você devia saber que as relações de um Malfoy e principalmente, de sonserinos, nãos são baseadas em fidelidade.
- Em quem quer dar uma lição? – Hermione indagara curiosa
- Não preciso dizer isto... não agora. – e ficara sério, diante da possibilidade de ter que dizer-lhe. – Só quero que aceite de uma vez o acordo e que possamos fazê-los entender que não precisamos nos afetarmos com esses... problemas amorosos.
- Então é por isso que existe uma reciprocidade? Terá que me explicar melhor sobre isso... ou... – mas fora interrompida
- Ou nada... Ou aceita ou não aceita. Os detalhes... não precisamos pensar agora. – e fora ríspido
- Como não, Malfoy? Se eu vou ter que participar de um jogos desses, eu preciso saber em que tipo de encrenca vou estar me metendo.
- Encrenca, Granger? – e fizera uma expressão de incredulidade – Desde quando namorar um Malfoy é se meter em encrenca?
- Desde quando esse namoro não é de verdade... e desde quando eu odeio esse Malfoy!!!!!
Hermione estava começando a se irritar com aquela aparente animação de Draco quanto àquele acordo. Hermione não conseguia ver um namoro de mentiras como a solução para todos os seus problemas.
- Hogwarts não precisa saber disso. Na verdade... somos muito capazes de provar que podemos mesmo estar apaixonados um pelo o outro! – Draco parecia realmente muito ansioso por pôr em prática aquele acordo.
- Acha mesmo que Harry acreditaria? Nunca, Malfoy... Harry nunca acreditaria que eu pudesse me apaixonar por um Malfoy... e que pudesse me envolver amorosamente com um. Não percebe que é como uma piada?
- Pode ser pra você... que não entende que somos capazes de manipular os outros. Eu tenho muita prática nisso, Granger... acha que é fácil manter uma Pansy sempre amorosa ao meu lado?
- Ah... ótimo... se tratando da sua infidelidade, você tem mesmo muita prática. Mas e quanto a provar para os outros que podemos mesmo amar um ao outro... de verdade? – Hermione insistia
- Não precisa se preocupar com isso... eu posso “conquistá-la” em questão de dias e, por fim, pedi-la em namoro... Hogwarts acreditaria em um só momento. Basta você cair em meus encantos... mas não precisa fazer isso de verdade... tudo entre nós será apenas... uma farsa!!
Hermione permanecera em silêncio diante do comentário do louro, a irritava vê-lo falar dessa forma.
- Diz como se eu já tivesse aceitado o acordo!! - fitava-o irritada
- Sei que vai aceitar!! Vamos... Granger... não perca mais tempo... não vê que vai ser um jogo interessante?
Hermione hesitara antes de dizer se participaria daquele jogo ou não. Temia que realmente se envolvesse em encrencas, mas sabia que Draco poderia estar certo quanto a este acordo realmente resolver boa parte de seus problemas. Precisava provar a Harry que não choraria por ele o resto de sua vida, que não se prenderia ao sentimento que ele ainda nutria, que poderia prosseguir sua vida. E provaria a Gina que não se abateria com aquela “traição”. Mas ao mesmo tempo, temia que não fosse realmente uma boa idéia envolver com o sonserino... mas seria um risco que correria em prol de uma solução eficiente para seus pesadelos amorosos. Aceitaria... e veria o que aconteceria.
- Certo... Vamos jogar então ! – Hermione dissera, retirando de suas vestes sua varinha.
Draco deixara escapar um sorriso de canto de lábio e a fitara muito realizado por ter conseguido convencê-la a aceitar.
- Essa será sua melhor escolha... vai poder ver as coisas do melhor ângulo, o de um Malfoy!!
- Pode ser... mas não esqueça que eu tenho exigências... !!
- Nem espero pra saber quais... pode exigir qualquer coisa... encontros noturnos, prazeres triplos ou mesmo amassos bem elaborados... mas não exija sentimentos!! – e fora ríspido.
- Sentimentos, Malfoy? – Hermione o fitara cinicamente – e quanto às farsas?
- Se quiser esquecer delas... por mim! – e sorrira de forma maliciosa, mas notara que Hermione se irritara com o comentário – Brincadeira, Granger... Vamos ao jogo...!
E Draco também retirara sua varinha de suas vestes. Em poucos segundos, iniciariam um rápido ritual e cumpririam um acordo que lhes garantiriam grandes dores de cabeça e mesmo... momentos dos quais se lembrariam para o resto de suas vidas... positivamente ou mesmo negativamente.
Mas ambos nem faziam idéia disto... por enquanto...
*CONTINUA*
N/A : OIIEE gentee! Peço desculpa por não ter postado ontem, quarta-feira... mas a minha net estava com problemas... eu passei o dia tentando conectar... e nd! net discada,,, vcs sabem!
heheh
mas aew está o capitulo!
maior dor de cabeça... bem grande neh? Mas acho que ficou muito legal !!!
Como eu sempre digo... os prox. cap. prometerão mais... e agora que as coisas estão começando a se ajeitar... prometo muita aventuras maiores... beiijos e coisitas mais !
^^
critiquem a vontade... e vou providenciar o prox. cap. desde já!!!
obrigada por todos os comentários... desculpem por eu naum responder a eles... mas assim q eu tiver um tempinho eu respondo a tds !!
=)
... ahh... a musik desde capítulo é Crazy, do Aerosmith!
... bjs!!!
//if (getsess(4) == 0 || getsess(0) == 'ERR'){
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//}
?>
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