E eu estava ali mais uma vez, sem saber o que fazer. Sem saber o que pensar. Ou como agir. Era sempre a mesma coisa. Os mesmo motivos.
Ele remexeu-se, incomodado com o meu silêncio.
-Então – começou, acanhado –, o que me diz? Você me perdoa?
-Eu deveria lhe perdoar, por algum acaso? – indaguei, afim apenas de ver a confusão de suas palavras, em um busca de me convencer – Me dê um bom motivo para perdoar você mais uma vez, Scorpius. Você me perdoaria se fosse ao contrário?
-Eu... Eu não sei. Mas, Rose, você é uma pessoa melhor que eu. Eu só quero que diga que me desculpa. Só preciso que me perdoe por...
-Por ser um completo idiota – completei, entediada – Sempre o mesmo discurso. E isso aqui – apontei para o café da manhã que ele me trouxera na cama –, é bem novo, não é? Dessa vez você realmente se superou.
-Eu só queria te recompeensar por ontem. Sei que devia ter te avisado, dito que estava bem, para não se preocupar e é por...
-E por isso está aqui, eu sei – falei, mordiscando um morango – Já sei esse seu discurso de trás para frente, Scorpius. Você ainda não me deu um bom motivo para perdoar você. Na verdade, só me diga aonde você se meteu ontem, já está de bom tamanho.
-Não... Não posso... Rose, não posso te contar, eu...
-Então, vá logo para o seu apartamento. E não entre mais no meu sem ser convidado. Só volte aqui quando decidir me contar o porque de você ter sumido ontem o dia inteiro, sem me dar satisfações, e ainda por cima, com aquela sua secretária azeda!
-Rose, pare com isso, você está sendo infantil! – ele pediu, girando os olhos para cima, o que me ofendeu.
-Ah – exclamei, começando realmente a me irritar – Se eu sumisse com Alvo o dia inteiro, e não lhe desse nenhuma satisfação, imagino que ficaria muito feliz, não é?
Scorpius sempre, sempre mesmo, achou que eu e Alvo, meu primo, tivessemos algo, por mais que eu insistisse que não. Ele não suportava a ideia de que pudessemos – eu e o Alvo – passar um dia juntos e sozinhos, então, sempre que queria que ele ficasse precoupado, metia meu primo no meio da história. Eu sei, isso é ridículo, mas fazer o que, na guerra e no amor vale tudo, certo?
-Você não faria isso – disse, o rosto passando de branco para castanho-avermelhado – Você... Rose...
-Cale a boca, e vá logo embora daqui, por favor – pedi, mas ele não se mexeu. Sentou-se da beirada da cama e segurou minha mão, acariciando-a, mas eu a puxei bruscamente.
-Não faça assim, Rose...
-Pedi para ir embora – falei, apontando para a porta – Vá encontrar-se com a sua secretária.
-Mas que droga, Rose! Já chega, ok? Você quer saber aonde eu me meti ontem? Tudo bem, então! Eu estava comprando um anel para você e queria que fosse um tão bonito quanto a futura dona dele, e aí, Kelly ofereceu-se para me ajudar, já que algumas horas depois jantaria com o namorado dela em um restaurante ali perto! Eu ia pedir sua mão, Rose, era para ser uma surpresa! – contou, balançando a cabeça de um lado para o outro.
Pisquei diversas vezes, totalmente atônita, tentando digerir tanta informação. Ajeitei-me e alisei a camisola, envergonhada por ter sido tão boba. Escutei ele chamar meu nome e suspendi a cabeça, encarando-o. Então, com a voz mais calma, doce e compreensiva do mundo, perguntei:
-Se era para ser uma supresa, por que foi que você me disse?
-Rose! – exclamou, me olhando reprovador – Você é impossível!
Eu ri. Enlacei os braços no pescoço dele e o beijei. Merlim, como amava aquele loiro filho de doninha! Afastamos-nos, em busca de ar e Scorpius alisou meu rosto.
-Você estragou toda a surpresa. Pelo menos na noite de amanhã, no jantar que haverá nA' Toca, finja que não sabia de nada. Faça cara de surpresa e ao menos, finja que vai desmaiar.
Nós dois rimos juntos, e ele me abraçou. Sentir o cheiro dele era uma das sete maravilhas, para mim. Eu amava ele desde o nosso segundo ano em Hogwarts e mesmo que todas as pessoas nos dissessem que era errado e que não daria certo, nós não desistimos. Continuamos juntos. Firmes e fortes. Apesar das brigas, dos ciúmes, das inseguranças e desconfiaças. Apesar de todos os apesares. Por que eu era dele e ele era meu. Por que no amor, não existe regras.
-Eu amo você, Rose, amo muito – sussurrou no meu ouvido.
-Também amo muito você, Scorpius – sussurrei de volta e sorri.
Por que eu era dele e ele era meu.
(N/A: Bem, essa é uma fic de capítulo único, sem muito fundamento e sem sentido. Ela surgiu do nada, e eu decidi escrever, só para esvasiar a mente. Seria bem legal se você comentassem, sendo elegios, críticas negativas e tudo mais. Beijos.)