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36. Não existe o fim... (parte 2)


Fic: O HERDEIRO DE HORUS - Notícias a 3-10-11


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Capítulo 35 – Não existe o fim (parte 2)


 


Harry esperou até ver Sirius, Remus e o Sr. Weasley desaparecerem no interior da mansão Riddle, para iniciar a sua jornada. James ia na frente, enquanto se aproximavam do mesmo lugar por onde os outros tinham entrado, tendo o cuidado de se manterem sempre nas sombras dos arbustos. Hermione e Ron seguiam logo atrás de James, mantendo-se sempre muito próximos. Nunca Ron tinha sido tão protector com Hermione como naquele dia, nem mesmo quando tinham iniciado a sua aventura em busca das Horcruxes.


Harry era o último, protegendo a retaguarda de ataques surpresa. As visões que tivera com Voldemort localizavam-no numa espécie de caverna mas, horas antes, James e Sirius tinham percorrido os arredores, sem o mínimo indício de que essa gruta existisse. Só lhes restava a opção de procurar uma passagem no interior da casa.


James fez um sinal para o trio para que o seguissem pelas sombras. Em passos rápidos e silenciosos atingiram os arbustos silvestres que rodeavam o que em tempos fora um jardim. Antes que saíssem das sombras, porém, James parou por segundos e focou o olhar em Harry e nos seus dois amigos.


– Uma vez lá dentro, vai ser praticamente impossível manter-vos em segurança. Ainda dá tempo de desistirem.


Harry trocou um olhar com Hermione e Ron. Mesmo no escuro, pôde perceber as suas intenções a reforçar a certeza de que os dois estariam com ele até ao fim, o que quer que acontecesse daí para a frente. O silêncio foi a única resposta que James recebeu, mas, antes que pudessem seguir em frente, quatro Devoradores da Morte aparataram com estalidos na frente da porta, prostrando-se com estátuas no seu local de guarda. Um pequeno som de estalar de um galho foi quanto bastou para que os inimigos focalizassem a sua atenção da direcção onde James e o Trio se preparavam para atacar. Foi perceptível a troca de olhares entre os Devoradores da Morte, antes que um deles se aproximasse lentamente dos arbustos, com a varinha elevada à sua frente.


Harry concentrou-se na árvore hirta mais próxima da porta e imaginou-a, na sua mente, a mover os seus ramos na direcção do devorador da morte, protegido por ela. Primeiro com movimentos pequenos, quase imperceptíveis, que se poderiam confundir com aragem do início da noite, depois com um zurzido, semelhante a um chicote, um dos ramos atacou o Devorador da Morte, que caiu inanimado com um baque surdo. Isso foi o suficiente para que os outros três voltassem as costas para os intrusos, mas a árvore fora mais rápida e já estava rígida no seu lugar.


– Quem está aí? – perguntou um deles, com uma insegurança nítida na voz. Não tinha mais do que vinte anos. – Apareçam e talvez não os matemos!


Harry conseguiu ver James revirar os olhos e apontar-lhes a varinha. Logo ele próprio e os dois melhores amigos lhe seguiram o exemplo.


Stupefy. – O feitiço de James foi o primeiro a atingir o devorador da morte que falara, logo seguido dos outros dois. Bastaram três segundos para que nenhum dos inimigos continuasse de pé.


– Fácil demais. – comentou Ron torcendo o nariz.


– Precisamente! – uma voz rancorosa veio da porta, pertencente a alguém cuja face era recoberta por uma máscara branca. Uma mão pálida e magra removeu a máscara, revelando um rosto cadavérico, com um nariz adunco e olhos profundamente negros.


– Snape! – a palavra escapou da boca de James com tanta raiva que Harry pensou seriamente se o pai não mataria o ex-professor de poções ali mesmo e num piscar de olhos.


– Potter! – retribuiu o Devorador da Morte, com nojo.


Os dois desafectos encaram-se durante longos segundos. A mão de James fechou-se fortemente em torno da varinha, de tal modo que os nós dos dedos ficaram brancos. O auror parecia um vulcão em fúria, pronto para destruir todas as cidades em seu redor. A expressão de Snape não era muito melhor, mas a mão que segurava a varinha estava caída junto ao corpo. Passo a passo, Snape afastou-se da porta, aproximando-se de James, mas deixando esta livre para outros passarem.


– Vamos, Harry! – sussurrou Hermione. – Snape tem a atenção voltada para o teu pai. É a nossa chance de entrar.


– Mas…


Harry hesitou. Não queria deixar o seu pai sozinho com Snape. Nada de bom poderia sair dali. E os piores receios vieram quando um sorriso malicioso se esboçou nos lábios do Devorador da Morte e a sua varinha apontou o céu.


Morsmordre! – Num segundo, os céus foram iluminados por uma luz verde e uma caveira apareceu por cima da mansão. – Hoje, eu mesmo me vou certificar que não sais do Inferno nunca mais, Potter.


James olhou uma vez a caveira, antes de se colocar em posição de combate.


– Só nos teus sonhos, Snivellus!


No momento em que os dois começaram a trocar feitiços, não houve tempo para mais nada. A Marca de Morte tinha alertado os outros Devoradores da Morte para os invasores e vários começaram a aparatar de todos os lados, sendo imediatamente seguidos pelos aliados de Harry.


A batalha feroz que decorria no cemitério foi imediatamente transferida para as traseiras da mansão. Os cabelos ruivos de seis pessoas destacaram-se no meio dos clarões provocados por feitiços e da ténue luz verde da Marca da Morte. Bill, Charlie, Fred e George provocavam mais estragos do que todos os outros juntos. Juntavam-se a eles os seus tios, os gémeos Fabian e Gideon Prewett. Mas não eram apenas ruivos que se avistavam. Muitos tinham sido os voluntários para ajudar Harry: Cedric e Amos Diggory, Katie, Angelina, Alicia, Oliver, Susan Bones e Michael Corner, Justin-Finch Fletchey, apenas para nomear alguns. Harry nem queria acreditar quando se apercebera disso.


– Temos de entrar! – suplicou Hermione conjurando a sua barreira para parar um feitiço que lhe fora lançado. – Não há nada que possamos fazer aqui, Harry.


Harry olhou hesitante para James. Ele parecia estar a dar conta de Snape, mas este era bom duelista e não tinha um pingo de ética, o que o poderia favorecer. Lançou vários feitiços contra os devoradores da morte, ganhando tempo para que alguns membros da Ordem da Fénix e aurores chegassem junto deles.


Ron já se tinha envolvido numa luta equilibrada e Hermione continuava a conjurar defesas enquanto fazia sinais de Harry para a porta. Ela estava certa, finalmente Harry admitiu. No entanto, antes que pudesse dar um passo na direcção da porta, ou fazer alguma coisa para ajudar algum dos amigos, viu, pelo canto do olho, um devorador da morte apontar a sua varinha para Ron que, distraído pelo seu próprio combate, nunca se aperceberia a tempo. Mas o feitiço não chegou a ser concluído. Harry viu os olhos de Ron abrirem-se de surpresa olhando para um ponto atrás de Harry.


– Percy?!


Só quando Ron pronunciou o nome, Harry se virou para se deparar com o ruivo há tanto tempo separado da família. Percy estava pálido, realçando as suas sardas, mas o seu rosto esboçou um pequeno sorriso ansioso e culpado.


– Harry! – chamou Hermione mais uma vez, quase desesperada. – Não podemos perder mais tempo!


Harry assentiu e seguiu até à porta assim que Ron se livrou do devorador da morte e se apressou a juntar-se a eles. No entanto, antes de trespassarem a ombreira da porta, não conseguiram evitar um último relance para a batalha que estavam a abandonar. Feitiços e maldições eram bradadas… o caos estava definitivamente instalado. E embora Harry confiasse nas capacidades daqueles que arriscavam a sua vida pelo lado da luz, e embora ainda nenhum corpo sem vida houvesse atingido o chão, desconhecia até que ponto essa ausência de morte se iria manter. Foi com coração pesado pela culpa que virou as costas e entrou na casa. Não podia ficar no exterior e ajudar porque se não cumprisse o objectivo que o trouxera àquele local, de nada valeria lutar com meros Devoradores da morte.


– Parece que somos só nós os três! – Hermione comentou quase casualmente, observando o interior da casa de Tom Riddle.


– Como nos velhos tempos! – completou Harry.


A casa estava aparentemente vazia. Dava a sensação de que todos os devoradores da morte tinham sido convocados a combaterem nas traseiras da casa e em Hogwarts. Mas Harry conhecia Voldemort melhor do que isso. O Senhor das Trevas, como ele se auto-intitulava, aguardava-o e preparava todas as suas jogadas para que os dois se pudessem enfrentar numa última batalha. Voldemort sabia que não poderia dominar o mundo bruxo enquanto Harry vivesse e, para isso, teria de o enfrentar, correndo todos os riscos necessários. Não! Voldemort não correria riscos! Ele estaria à sua espera, sim, mas estava mais protegido do que alguma vez estivera em toda a sua vida.


Seguiram até àquela que parecia ser a sala de visitas mas nenhum sinal de vida era dado. Tudo estava tão destruído e empoeirado como das vezes que Harry entrara na cabeça de Voldemort.


– Vai ser difícil encontrar a passagem. – comentou Hermione ao seguirem até ao quarto que parecia ter sido a biblioteca em tempos. – É uma casa antiga, tem muitos lugares para esconder alguma coisa.


– Sabes mesmo como nos animar, Hermione. – Contestou Ron, enquanto espreitava por detrás de um quadro enorme, que podia perfeitamente esconder uma passagem.


– Estou só a ser realista.


– Este não é o melhor momento para discutirem. – disse Harry revirando os olhos, só reparando aí no brasão de Slytherin, desenhado na madeira velha, que estava debaixo nos seus pés. – Além disso, parece-me que encontrei a passagem.


Hermione e Ron aproximaram-se rapidamente, posicionando-se atrás de Harry, que se baixou, para analisar melhor o desenho. Teve, imediatamente, uma sensação de dejá vu, ao lembrar-se da entrada da Câmara dos Segredos. Seria bem típico de Voldemort esconder-se num lugar que só Harry poderia abrir.


– Achas mesmo que é aqui?


Harry sorriu para Hermione.


– Não há nada como tentar. – Harry focou o seu olhar na serpente do brasão, concentrando-se até imaginá-la viva. –Abre-te!


Nesse instante, o chão começou a tremer, fazendo com que o Trio se afastasse, no mesmo momento em que as tábuas do chão se começaram a enrolar para os lados e um buraco escuro apareceu, com os primeiros degraus de uma escada de pedra a reflectirem uma luz cintilante que parecia de fogo.


– Parece que não foi tão difícil! – disse Ron com um tom maroto, recebendo um olhar feio de Hermione. – Esperemos que não tenha nenhum Visco do Diabo lá no fundo, muito menos um Basilisk.


Mas antes que qualquer um pudesse dar um passo em frente, o barulho de passos começou a ecoar, vindo da porta. Pareciam vários e andavam a passos apressados, sem dar tempo deles se esconderem. A única coisa que os três tiveram tempo de fazer foi apontar as varinhas na direcção da porta e preparar-se para o duelo, mas os seus queixos quase caíram ao reconhecerem três faces demasiado familiares.


– Mas que raio! – soltou Harry ao fim de alguns segundos de surpresa, deixando a varinha cair finalmente ao longo do corpo. – O que vocês estão a fazer aqui?


Os três rapazes recém chegados encolheram os ombros e devolveram-lhes sorrisos trocistas.


– Harry, – disse James aproximando-se e colocando a mão no ombro do futuro filho. – Estamos um bocado cansados de ouvir essa pergunta hoje, por isso não nos obrigues a responder.


– E não te preocupes que a gente não vai morrer hoje! – continuou Sirius enchendo o peito! – Somos praticamente intocáveis!


– Não exageres, Sirius!


Sirius lançou um olhar ofendido a Remus, que revirou os olhos. James reparou, pela primeira vez no buraco aberto no chão e o seu rosto iluminou-se no mesmo instante, ao perceber o que estava a ver.


– Nós procuramos tudo lá em cima, elas não estão em nenhum lugar. – disse ele aproximando-se do buraco, mas o seu rosto, agora estava carregado de seriedade, sem ter mais o traço de marotice. – Voldemort deve tê-las levado com ele! Faz sentido, elas são a moeda de troca.


– E não viram os outros pelo caminho? – Ron saltou de um pé para o outro num gesto de nervosismo.


– O meu homónimo ficou preso num quarto. O Remus e o pai do Ron ficaram para trás a tentar tirá-lo de lá. – contou Sirius, coçando a cabeça. – A gente seguiu com a procura, mas tenho a certeza de que estão bem. Não tem ninguém nesta casa!


– Não podemos esperar por eles. – disse Harry, dando meia volta na direcção do buraco e colocando o pé no primeiro degrau. – Se querem vir connosco tenham o máximo de cuidado.


James e Sirius quase riram na cara de Harry, antes de dar dois passos na sua direcção.


– É de nós que estás a falar! – contestou James ultrapassando Harry e embrenhando-se na escuridão.


– É disso que eu tenho medo! – respondeu Harry, mais para si do que para os outros.


As escadas de pedra faziam uma espécie de caracol estreito, sem espaço para duas pessoas se cruzarem, apenas iluminadas com tochas de fraco fogo, dando-lhes uma sensação de claustrofobia e parecendo que estava a ser comprimidos. Mantiveram-se muito juntos durante todo o caminho, com James a seguir na frente, logo seguido de Harry. Quando começavam a achar que aquilo não teria mais fim, as escadas terminaram para se abrirem num corredor ainda mais escuro, que se abria numa caverna muito mais larga.


Harry reconheceu imediatamente o lugar. Sem dar explicações a ninguém, tomou a liderança do grupo, em posição de defesa, apenas fazendo um gesto para pararem. O formigueiro na sua cicatriz estava a tornar-se intenso, com uma leve pontada de dor, que se agravava a cada passo que dava. Só podia significar que Voldemort estava ali.


O grupo ficou parado, esperando por um novo sinal de Harry, que se manteve no mesmo lugar, a alguns metros da entrada da caverna, avaliando cada metro que faltava para entrar no lugar onde Voldemort provavelmente estaria. Olhou para trás novamente, pronto para os mandar recuar, mas uma voz impediu-o de falar.


– Perguntava-me quando chegarias, Harry! – a voz de Voldemort ecoou várias vezes pelas paredes, tinindo nos seus ouvidos. Os outros cinco aproximaram-se mais de Harry, que se manteve parado no mesmo lugar. – Não sejam tímidos e juntem-se a mim.


Harry desviou o olhar para os amigos, apenas para receber um aceno deles de que estavam preparados. Mais uma vez tomou a liderança e, sempre com a varinha na frente dos olhos, deu passos lentos na direcção da caverna.


Foi novamente invadido por uma sensação de dejá vu. O lugar tinha algumas dezenas de metros de altura e várias centenas de metros de comprimento. Era até difícil de acreditar que estivessem debaixo da terra. Mas o que lhe trouxe lembranças do Verão anterior foi o grande lago que se estendia diante dos seus olhos, com uma pequena ilha no centro, apenas ligada à margem do lago por um pequeno caminho de madeira flutuante.


– Finalmente voltamos a encontrar-nos, jovem Harry! – a voz veio do centro do lago, onde as vestes negras esvoaçantes de Voldemort contrastavam com a sua pele pálida. – Posso até dizer que tive saudades.


– Pena que eu não possa dizer o mesmo! – Harry surpreendeu-se com o volume que a sua voz adquiriu e esperou que o eco cessasse até voltar a falar. – Onde as prendeste, Voldemort?


Voldemort riu baixinho, mas, mesmo assim, o riso chegou até aos ouvidos de Harry.


– Harry, Harry, Harry? Porque haveria de entregar o meu melhor trunfo! – Voldemort abriu os braços, como que a recebê-lo. – Mas porque não te aproximas? Temos muito a discutir.


Harry deu um passo em frente mas, antes que conseguisse dar mais um passo, o seu corpo começou a enregelar e imediatamente se sentiu como se nunca mais fosse voltar a ser feliz.


– Dementors! – concluiu Hermione com a voz trémula.


Como que a confirmar as palavras dela, dezenas de vultos esvoaçantes surgiram das aberturas nas paredes e no tecto da caverna e posicionaram-se em torno deles, como se estivessem a aguardar por ordens de Voldemort. Mas estas não vieram e o Senhor das Trevas limitou-se a sorrir.


– Eles não farão nada até que eu ordene! – verbalizou Voldemort. – Ou até que os ataquem.


Harry deu o segundo passo, mas, desta vez, as criaturas das trevas permaneceram onde estavam. O seu coração começou subitamente a palpitar em seu peito quando se apercebeu de que alguma coisa estava errada e não demorou para confirmar as suas suspeitas ao reparar que nenhum som vinha dos seus amigos.


A sua cabeça desviou-se rapidamente, apenas para constatar a existência de uma espécie de barreira mágica que os separava e que não deixava passar o mínimo som. Hermione e James tentavam, em vão, atravessá-la, enquanto os outros três lançavam os seus patronus contra os dementors que iniciavam o seu ataque. O ténue cão de Ron tinha-se juntado ao lobo de Remus e ao cão de Sirius, mas nenhum deles parecia ser o suficiente para deter o ataque.


– HERMIONE!


Os olhos da amiga fixaram-se nele, como se a voz dele tivesse chegado até ela, e as suas mãos repousaram na barreira quando os olhos começaram a marejar-se.


Reducto! – o feitiço de Harry dissolveu-se assim que embateu na barreira, e o punho dele voou contra ela, apenas provocando a dor.


Nesse momento, tudo à volta começou a escurecer e, ao fim de alguns segundos, a única coisa que conseguia ver era o estreito caminho até à ilhota onde Voldemort o aguardava. Harry fechou os olhos com força, inspirando e expirando rapidamente.


– Nada atravessa esta barreira mágica, Harry! – afirmou Voldemort, como que lendo os pensamentos de Harry. – Se pretendes ajudá-los, apenas tens uma opção: matar-me!


Harry cerrou os dentes, com a mesma força com que segurou a varinha na sua mão. Um calor agradável fez-se sentir em seu peito, no mesmo lugar onde guardava o Olho de Horus, a transmitir-lhe a calma e coragem necessária para que enfrentasse o seu inimigo. Respirou fundo várias vezes antes de abrir os olhos e se voltar de novo para Voldemort. Os seus amigos estavam bem treinados e sair-se-iam bem contra os dementors. Agora era a vez de Harry enfrentar a sua própria batalha.


– Não vamos querer que ninguém interfira nos nossos assuntos, não é? – o tom irónico de Voldemort foi bem perceptível na sua voz.


– É claro que não queremos. – respondeu Harry no mesmo tom irónico. – Afinal desta vez vou matar-te e certificar-me de que permaneces morto!


Harry levantou a cabeça e encarou Voldemort nos olhos, enquanto atravessava a passagem através do lago. Pelo canto de olho podia ver as águas desapareceram. Uma ilusão! Não existia lago algum naquela caverna.


Quando Harry finalmente parou a alguns metros do seu inimigo, Voldemort sorriu maldosamente, salientando os seus traços viperinos. A sua varinha apareceu na sua mão direita, sem que Harry se apercebesse de onde a mesma saíra. Os dois inimigos estavam preparados. Uma luta épica, que seria contada por gerações e gerações, começaria naquele momento: o Herdeiro de Slytherin contra o Herdeiro de Horus.


– Que a batalha comece. – declarou Voldemort antes de lançar o seu primeiro feitiço.


 


* * *


O feitiço que a protegia dos Bunyips não a deixava ouvir nada mais além de um leve zumbido. Isso teria as suas repercussões no caso de uma invasão de devoradores da morte ao castelo, no qual todos estariam, provavelmente, vulneráveis aos feitiços invocados pelos bruxos das trevas. Com toda a velocidade que conseguiu, correu escada abaixo na direcção da entrada do castelo. Apesar de não conseguir ouvir passos, sabia que outros a seguiam, na tentativa desesperada de destruir as criaturas que lançavam os gritos ensurdecedores, causadores de imensas perdas para o lado da luz.


O seu coração contraía-se com o peso das imagens que vira do alto da torre, mas foi quando chegou ao pátio interno, onde se reunia a maioria dos aurores e outras pessoas voluntárias para defenderem o castelo, que Lily ficou estarrecida, sem conseguir acreditar no que via.


Corpos! Vários tinham sido os que sucumbiram ao grito dos Bunyips, antes que Dumbledore pudesse conjurar o feitiço que os protegeria. Entre eles estavam muitos colegas seus de trabalho, alguns dos quais seus amigos de longa data. Não conseguiu conter lágrimas silenciosas à medida que os seus joelhos fraquejavam, dobrando-se sobre o seu peso.


Podia ver Frank, juntamente com outros dois aurores, verificar o pulso dos que tinham perdido a consciência. Os outros que se mantinham minimamente sãos socorriam aqueles que se agarravam desesperadamente à cabeça, como se esta fosse explodir a qualquer momento. No instante em que vários medibruxos romperam pelas portas, já se podiam contar pelo menos 7 mortos confirmados e pelo menos uma dezena de pessoas fora de combate. No meio de tantas perdas, uma pessoa captou-lhe a atenção. Os olhos de Pomona Sprout focavam-se sem vida em Lily, como que num pedido silencioso de ajuda, que nunca chegaria a tempo.


Foi neste momento que fechou os olhos, ficando completamente fora da realidade… sem ouvir, sem ver. Helena, a sua bebé de apenas 3 dias, estava nas mãos de Voldemort. Harry e James estavam num lugar onde ela não poderia velar pela sua segurança. Para adicionar a tudo isto, acabara de perder vários amigos, sem poder fazer nada para os ajudar. Kinsgley! Foi inevitável não pensar no seu mentor dos tempos da academia de aurores. Lily sentia-se mais impotente do que nunca… sentia-se inútil, mesmo sabendo que existia muito a ser feito.


O que mais poderia acontecer naquela guerra? Quantas vidas mais seriam perdidas para que Voldemort fosse finalmente derrotado? Lily não sabia a resposta. Apenas tinha uma certeza: de uma forma ou de outra, tudo terminaria naquela noite. A frustração tomou conta dela ao recordar que já tinha vivido aquela noite uma vez, embora não se lembrasse.


No meio de toda aquela escuridão que a envolvia, sentiu uma mão repousar no seu ombro e abriu os olhos para olhar a pessoa ao seu lado. Dorcas Midgeon tinha os olhos marejados, tal como Lily, e o seu rosto estava mortalmente pálido. Os seus olhos escuros desviaram-se de Lily e esta acompanhou o olhar da velha amiga de escola, até à beira do lago, onde rastejavam as asquerosas criaturas. Lily já lera sobre eles. Eram criaturas originárias da Austrália que viviam nos pântanos, alimentando-se de humanos, depois de matá-los após coagular o sangue das suas vítimas, apenas com o seu grito.


Era urgente destruí-las, antes que os Devoradores da Morte conseguissem cruzar as barreiras do castelo. Olhando de volta para Dorcas, viu que esta apontava para os Bunyips e fazia um gesto de explosão com as mãos. À conclusão de que tinham de destruir as criaturas já Lily chegara. O problema era descobrir como. Foi aí que recordou que Dorcas era a melhor aluna de Cuidados com Criaturas Mágicas nos tempos de Hogwarts. Se havia alguém que podia ter a resposta era ela.


Como que a adivinhar a dúvida de Lily, Dorcas pegou na sua varinha e começou a desenhar letras. Um claro “Sprühenyips” formou-se diante dos olhos de Lily, que assentiu para assegurar a outra de que tinha percebido as intenções da amiga. A ténue chama de esperança reacendeu em Lily, com o pensamento de que aquela batalha ainda não estava perdida.


Dumbledore chegou nesse mesmo momento ao pátio. Foi com reconhecimento nos olhos que ele viu o feitiço que Dorcas desenhara no ar segundos antes. Com um pequeno acenar de cabeça, Dumbledore assentiu para Lily, garantindo-lhe que percebera. A ruiva olhou em volta… eram muitos os que olhavam as duas amigas e todos pareciam pensar o mesmo. Como se todos tivessem combinado, colocaram-se em posição de combate, com as varinhas apontadas para os monstros rastejantes.


Uma explosão de luz veio dos muros e várias fendas foram abertas ao mesmo tempo. Alguma coisa trava o avanço dos inimigos. Lily reparou, nesse momento, que o rosto de Danielle se contraiu quando mais um feitiço foi lançado e só aí percebeu os rostos de concentração dos quatro filhos de Horus. Qualquer que fosse o feitiço protector que eles tinham lançado, este não tardaria a ser desfeito e os inimigos avançariam.


Vais aurores começaram a posicionar-se muito próximo do lago, de onde saíam os Bunyps. Os sinais gestuais de Frank davam-lhes instruções sobre o que fazer, no entanto, não era muito fácil agir em conformidade com o plano do auror. Lily sentiu imediatamente o horror quando reparou, tarde de mais, que um dos mais novos aurores se tinha posicionado erradamente, demasiado próximo de uma das criaturas. A boca daquele jovem abriu-se num grito silencioso quando um Bunyip o enrolou com os seus tentáculos e lhe quebrou o pescoço quase imediatamente. No chão ficou apenas um corpo, sem vida, com os olhos abertos em puro medo.


Lily tentou apenas concentrar-se na sua missão, desviando os olhos da cena. Foi assim que perceber que as defesas dos Filhos de Hórus tinham falhado, no mesmo momento em que Dumbledore baixava a barreira do som. A chuva de feitiços foi quase imediata. No mesmo instante em que os barulhos envolventes chegavam, de novo, aos ouvidos de Lily, em simultâneo os ataques foram lançados e, tal como Dorcas teria previsto, as criaturas rastejantes foram, uma a uma, reduzidas a pó. Mas os Devoradores da Morte avançavam, misturados com gigantes, que derrubavam tudo o que encontravam à sua passagem.


Lily fechou os olhos, por momentos, como que numa prece. A maior batalha da sua vida estava a apenas a começar e era bem provável que não sobrevivesse àquela prova. Mas não era com ela própria que estava preocupada. Era com Helena, com Harry, com James, com uma infinidade de pessoas que arriscavam a vida nesse momento, com a luz do mundo bruxo que estava a prestes a apagar-se.


Ela podia morrer nesse dia, mas, no fundo, ela sabia que, apesar de tudo, o bem triunfaria novamente.


Contou mentalmente até cinco, esquecendo aos poucos, o medo que se tinha apoderado dela ao longo dos últimos dias. Agora ela estava preparada! Quando finalmente abriu os olhos, o primeiro feitiço entre bruxos tinha sido libertado.


Apenas alguns minutos depois, Lily já tinha colocado por terra a progressão do primeiro Devorador da Morte a atacá-la. Nesse instante, deu uma olhada em volta. Ginny lançava feitiços para todos os lados e desviava-se rapidamente dos que lhe eram lançados, com uma perícia própria de alguém que praticava Quidditch regularmente. Mas ela não era a única aluna de Hogwarts que se embrenhara na luta. Muitos Gryffindors, Ravenclaws e até Hufflepuffs lutavam bravamente.


O olhar de Lily desviou-se imediatamente para a luta quando um feitiço voou na sua direcção. O Devorador da Morte que a tinha atacado tinha tirado a máscara e olhava-a com ódio. O olhar dele provocou-lhe um arrepio… não devia ter mais do que vinte anos.


Protego! – a barreira protectora de Lily ergueu-se no momento em que o adversário lançou mais um feitiço. – É melhor desistires já!


A resposta do Devorador perante a ameaça de Lily foi uma gargalhada sonora, mas logo fixou mortalmente sério, para, de seguida, lhe lançar um Cruciatus.


Relaxo! – O feitiço dele ricocheteou no de Lily e foi lançado de volta para aquele que lhe deu origem, que se encolheu com dor. – Eu avisei! – disse Lily simplesmente, voltando-se de novo para o restante combate.


Desta vez, os seus olhos fixaram-se em Dumbledore, envolvido num duelo com quatro devoradores da morte. O velho homem ainda mostrava uma energia de um rapaz, enquanto se defendia, atacava e olhava de relance todos os seus pupilos, como que garantindo que estavam bem. Se Lily tivesse alguma dúvida de que ele não prestava atenção ao que o rodeava, essa dúvida dissipou-se quando Dumbledore, entre dois feitiços que lançou aos adversários, atingiu o Devorador da Morte que atacava Danielle pelas costas.


Um Devorador da Morte aproximou-se de Lily e ficou parado, até que ela o encarou e percebeu que ele tinha retirado a máscara. O rosto de Lucius Malfoy parecia quase satisfeito em vê-la, como se ansiasse aquele momento.


– Fico contente que ainda estejas viva, Potter. – Lily não ouvia aquela voz fazia muito tempo, mas não podia dizer que sentira saudades. Lucius Malfoy sempre lhe tinha causado muitos problemas em Hogwarts e mais tarde como Devorador da Morte. – O Lord encarregou-me pessoalmente de te matar.


– Lamento que tenhas vindo tão longe para nada, Malfoy.


– Ah, não te preocupes. Eu pretendo que a minha viagem não seja em vão. AVADA KEDAVRA!


Lily estava preparada e desviou-se prontamente do feitiço. Tal como tinha dito, não pretendia morrer pelas mãos de Lucius Malfoy. A grande desvantagem do feitiço da morte era ser muito longo, pelo que era necessário cercar o oponente ou deixá-lo imóvel para conseguir algum resultado.


Confringo!


O feitiço de Lily foi prontamente desviado por Malfoy, que lhe lançou uma chuva de novas maldições, uma após a outra. A auror usou toda a sua agilidade para desviar, no entanto, não foi suficientemente rápida para se desviar do último. O seu corpo contorceu-se de dor quando o Cruciatus a atingiu. Mal conseguiu perceber de quem era a voz que gritara por ela. Poderia ser Tonks, mas não podia ter a certeza. Demorou alguns segundos a recuperar o fôlego e levantar-se, mas nenhum outro feitiço veio. Malfoy parecia estar a apreciar aquele momento, pelo que apenas observou.


Para grande infelicidade de Malfoy, Lily levantou-se rapidamente e não demorou a revidar.


Alarte Ascendare!


O corpo de Malfoy elevou-se graciosamente no ar e, como uma chicotada, caiu com um estrondo no chão. Foi quase uma surpresa para Lily, ver o Devorador da Morte levantar-se. No entanto, as pernas dele estavam bambas e a expressão de satisfação já não bailava mais nos seus lábios. Os olhos cinzentos dele fecharam-se numa fenda, focada nela e a varinha elevou-se na sua frente. Os feitiços dos dois voaram ao mesmo tempo.


Avada Kedavra!


Taglimorso!


Não foi difícil, uma vez mais, Lily desviar-se da maldição imperdoável. Mas a sua maldição atingiu Malfoy no peito. À medida que os olhos dele se abriam em surpresa, a túnica negra dele começou a ficar ensopada rapidamente. O Devorador da Morte levou a mão ao peito e olhou para ela, agora coberta de sangue. Antes de cair no chão, sem vida, ele ainda a olhou com uma expressão de confusão.


Lily cobriu a cara com as mãos e soltou um suspiro de frustração. Voldemort tinha-a obrigado àquilo. Ele tinha-a obrigado a matar, pessoas cruéis e que praticavam o mal por puro prazer, mas, mesmo assim, vidas humanas. No entanto, ela não hesitaria em voltar a fazer o mesmo, pelo menos não naquela noite e enquanto não garantisse que aqueles que amava estavam salvos.


Foi um grito que a fez retirar as mãos da cara e olhar em volta. Tonks estava caída ali perto e Greyback avançada rapidamente sobre ela, com olhar sedento. Mas as suas narinas começaram a abrir-se e, ao sentir algum aroma mais apetitoso, perdeu o interesse em Tonks. Lily deu por si a correr na direcção da amiga, caída de bruços, com o cabelo, agora de um castanho pálido, a cobrir-lhe a cara.


– Tonks! – Lily abanou ligeiramente os ombros dela, recebendo um gemido de volta. Demorou alguns segundo até que a metamorfomaga tentasse levantar-se. Tinha um ar adoentado. – Estás bem, Tonks?


Ela assentiu com a cabeça e aceitou a mão de Lily para tentar ajudá-la, mas quase se desequilibrou, apoiando-se logo no braço da ruiva.


– Não estás bem, Tonks. Vou levar-te para dentro.


Lily não se deixou levar pelos protestos dela e quase a arrastou pelo campo de batalha até à porta de entrada. Passaram por dois homens que guardavam religiosamente a passagem, para que nada nem ninguém colocasse as crianças em perigo. Só quando atingiram as escadas que davam acesso às masmorras é que Tonks se tentou separar de Lily e apoiou-se nos seus próprios joelhos. Naquele momento, aquela mulher, antes cheia de vida, parecia demasiado frágil. Lily conseguia ouvir a respiração ofegante dela mas não tinha percebido porque ela estava assim até que o corpo dela estremeceu imediatamente antes de Tonks projectar, pela boca, um líquido amarelado e com um cheiro azedo.


– Que feitiço Greyback te lançou, Tonks? – Lily não conseguiu conter o tom de preocupação na voz, fazendo Tonks olhar para ela com um ligeiro sorriso.


– Nada de mais. Apenas um Expelliarmus mal colocado.


– Então… – Lily parou subitamente de falar quando analisou o rosto da amiga. Luz fez-se na sua mente. – Desde quando é que sabes?


– Já desconfiava há alguns dias. Mas só ontem tive a certeza. Por isso é que Remus não me deixou ir com eles.


Lily não conseguiu controlar a vontade de a abraçar. Pelo menos uma luz brilhava no meio de tanta escuridão e ninguém merecia mais aquela felicidade do que Remus e Tonks.


– Acho que um Parabéns vem a calhar! – brincou Lily, embora uma lágrima de emoção lhe surgisse no canto do olho. – Teremos mais um Maroto, então?


Tonks apenas concordou com a cabeça, incapaz de dizer alguma coisa. Era a primeira vez que Lily a via sem palavras. Por momentos conseguiu esquecer todos os horrores dessa noite e apenas acompanhou a amiga, em silêncio, até às masmorras, onde tinham refugiado as crianças. Uma pequena criança loira correu para os braços de Tonks mal a viu e, imediatamente, Lily soube que se tratava da pequena Tifani, tão falada nesse dia.


Sem dizer mais nada, Lily deixou-as ali, e voltou para o centro de tudo, onde reinava o caos e a desordem. Quando atingiu o átrio, teve uma visão exacta de tudo o que acontecia. Aurores e Ordem da Fénix faziam um bom trabalho na luta com os Devoradores da Morte, no entanto, os inimigos ainda eram muitos e, por mais esforços que fizessem, os seus números estavam a reduzir rapidamente à medida que mais pessoas eram feridas. Os quatro filhos de Hórus eram muito poderosos, sem dúvida, só os quatro sozinhos tinham conseguido aniquilar, completamente, as Catoblepas que faltavam, tinham banido metade dos Dementors e lutavam bravamente contra Devoradores da Morte, mas todos eles pareciam demasiado exaustos e prestes a começar a cometer erros que seriam fatais.


Ninguém parecia estar a dar muita importância aos gigantes, que apenas se divertiam a destruir. Eram demasiado idiotas para conseguirem acatar ordens de Devoradores da Morte. Mesmo Hagrid, que começara a combatê-los, lado a lado com Grawp, que entretanto se juntara a ele, fora obrigado a esquecê-los aquando do ataque dos Bunyips.


Uma outra pessoa parecia estar a ficar sem forças e Lily não poderia deixar que nada lhe acontecesse. Estava tão concentrada em ajudar Ginny que mal teve tempo para perceber o iminente ataque sobre ela.


Glacius! – verbalizou ela antes que o inimigo conseguisse pronunciar o feitiço. Lentamente ele foi sendo recoberto com gelo e, em poucos segundos tinha virado um bloco gelado. Lily nem se dignou olhar duas vezes para a sua vítima e aproximou-se de Ginny que, nesse mesmo instante fazia a cabeça do adversário inchar como um balão.


– Ginny, volta para dentro! – gritou-lhe, desviando rapidamente um feitiço, enquanto tentava aproximar-se. – É demasiado perigoso continuares aqui!


– Não, Lily! Everte Statum. – Ginny lançou o adversário longe, com várias piruetas pelo ar, antes de olhar Lily nos olhos. – Sou mais útil aqui.


– Porque é que te deixei vir comigo? Molly e Harry vão matar-me! – suspirou Lily com resignação.


Naquele momento, os seus instintos acordaram em alvoroço, orientando-a a saltar sobre Ginny para a proteger de uma maldição. Sentiu o seu corpo curvar-se em dor e os seus pulmões libertaram todo o ar que tinham dentro, quando o Cruciatus a atingiu em cheio nas costas pela segunda vez naquela noite. Os olhos de Lily encheram-se de lágrimas de dor.


– Está bem, Lily? – a auror mal conseguia ver Ginny, que a ajudava a colocar-se de pé, mas a voz denotava preocupação. – Acho que não sou eu quem deve ir para dentro.


Com esforço, Lily endireitou-se e levantou a cabeça, de novo preparada para a luta. Naquela noite ninguém teria forças para a deitar por terra antes de ter atingido o seu objectivo.


– Vamos lá acabar com isto. – E, dizendo isto, tirou o espelho de dois lados do bolso. – Danielle, – pelo canto do olho, viu ao longe Danielle pegar no espelho dela. – Ainda podes movimentar as múmias para aqui?


Creio que continuam ocupadas com os inferi, mas é só dar-lhes as ordens! – Danielle ficou em silêncio alguns segundos, durante os quais trocou um olhar com Lily, do lugar onde se encontrava. –Algum plano?


– Quando te der sinal, dá-lhes a ordem para atacarem Devoradores da Morte. Eu trato dos Inferi. Tive uma ideia para acabar com eles. Alguma ideia para acabar com os gigantes? Acho que ninguém está a dar conta deles.


Talvez tenha. – do outro lado do espelho, Lily ouviu uma pequena risada satisfeita. –Só preciso de falar com Duamutef. Ele faz umas piruetas engraçadas lá com as artes dele de samurai..


Antes que pudesse fazer alguma coisa, porém, sentiu um arrepio eriçar cada pêlo do seu corpo. Não percebeu o porquê, a princípio, mas não demorou a sentir a forte energia negra que a rodeava. De repente, as plantas próximas do castelo começaram a murchar e a morrer rapidamente e as paredes foram enegrecendo de forma ascendente. Alguém tinha lançado no castelo a mais pura magia negra e, se Lily estivesse correcta, todos os que estavam no interior corriam perigo.


No entanto, e apesar de toda a confusão, apenas mais uma pessoa tinha percebido a existência daquela magia a circundar o castelo. Os olhos verdes de Lily recaíram sobre a majestosa figura de Dumbledore erecta na frente do castelo. O velho professor observava a escola, por cima dos seus olhos em meia-lua, com um ar cansado, mas a aura de magia em torno do si era enorme… até Lily conseguia sentir.


Foi então que flashes de memória invadiram a sua mente sem pedir autorização, fragmentos de algo que tinha vivido muitos anos atrás... lembranças que ela não reconhecia mas sabia terem acontecido. E, de repente, sem saber como, percebeu o significado daquelas imagens.


Os seus pensamentos recaíram, uma vez mais, em Dumbledore e foi até ele que as suas pernas a levaram. Ignorou tudo o que se passava à sua volta, não se preocupou se seria atingida por algum feitiço ou se era necessário defender alguém naquele momento. A única coisa que lhe interessava era alcançar o líder da Ordem da Fénix.


Dumbledore desviou o olhar para Lily, à medida que ela se aproximava em largas passadas. No rosto cansado e enrugado do velho homem, um sorriso triste foi formado, antes de voltar a focar o seu olhar na escola, agora quase cercada de escuridão. Lily não conseguia perceber como ele conseguia permanecer tão calmo.


– Eu lembrei-me Albus. Eu lembrei-me do que vivi, nesta mesma noite, no meu sétimo ano. – nesse momento, uma lágrima solitária escorreu do seu olho e desceu rapidamente até cair no chão.


Dumbledore demorou a responder, mas quando o fez, já não parecia o homem cheio de vida que Lily se habituara a ver, mas alguém sobre quem já pesavam mais do que 150 anos.


– Sabes que feitiço é este, Lily? – a ruiva não respondeu – Tom não deixa de me surpreender. Poucas são as coisas que ele valoriza e sempre pensei que Hogwarts fosse uma delas. E este feitiço…


Beyhnr Mpak, a Escuridão Letal. – a resposta de Lily saiu quase automática, interrompendo o discurso de Dumbledore. – Grindelwald criou esse feitiço, eu sei!


Lily também sabia que Dumbledore e Grindelwald tinham sido amigos, antes do feiticeiro negro mostrar a sua verdadeira face. E Voldemort também o devia saber!


– Albus… tem de haver outra solução! – Lily tentou falar, mas um gesto da mão de Dumbledore fê-la parar.


– Harry vai sobreviver hoje, Lily. Eu sei disso! E Helena voltará para casa muito em breve. Temos de ter fé. – Ele olhou para o castelo com um olhar saudoso e, sem tirar os olhos de lá, falou de novo. – Mas, se conheces o feitiço, também deves saber que é a única forma de o parar.


O peso no peito de Lily crescia rapidamente, dando-lhe a sensação de dificuldade em respirar. Era como se uma bola, que ela não conseguia engolir, lhe comprimisse a traqueia.


– Albus…


– Vai Lily!


O tom de comando de Dumbledore fez Lily recuar um passo. Mas ela não queria… não podia dar-se por vencida. No entanto, ela sabia que ele tinha razão e também sabia que teria de aceitar a decisão dele. Com um último olhar ao professor, viu que ele recitava um feitiço rapidamente, ao mesmo tempo que a sua aura mágica crescia e uma brisa suave a rodeava. Era o momento de ela cumprir a sua parte.


– Boa sorte! – aquele desejo saiu tão baixo dos lábios de Lily, mas ela sabia que Dumbledore ouvira.


Começou a correr na direcção da entrada do castelo, desviando-se por entre os feitiços e ataques de gigantes, até ao lugar onde as múmias ainda tentavam parar os inferis. Não demorou muito tempo até que percebesse que era seguida por Ginny e por Danielle.


– O quanto vocês são boas em duelos? – perguntou, sem abrandar a corrida. – Conseguem parar sozinhas um ataque de Devoradores da Morte furiosos?


Ginny e Danielle assentiram com a cabeça, ao que Lily sorriu e acelerou a corrida. A brisa estava a tornar-se mais forte e em breve transformou-se em vento. Limpou as lágrimas que agora escorriam livremente pelo rosto e deixou que uma sensação de protecção a envolvesse… era um sentimento caloroso e bondoso que lhe transmitia confiança.


– Vou precisar da vossa ajuda. Já ouviram falar de “Ignis Fatuus”? – Quando Ginny e Danielle negaram, Lily continuou. – É provável que não. Fogo Fátuo deu origem a muitas lendas muggles e algumas mágicas. Diz-se que é uma espécie de combustão que resulta da decomposição de seres vivos. O Feitiço “Ignis Fatuus” é magia muito antiga, tão antiga que quase ninguém conhece. Eu mesma só descobri alguns dias atrás, mas nunca tentei fazê-lo. Se a minha teoria está correcta, irá destruir completamente o corpo dos inferis… para sempre. – Lily finalmente parou e recuperou o fôlego antes de voltar a falar. – No entanto, vou ter de dispensar toda a minha concentração para o invocar, por isso vou precisar que me cubram até que complete o feitiço.


– Pode contar comigo! – Respondeu Ginny quase automaticamente. Danielle encheu o peito, como se estivesse orgulhosa e acenou afirmativamente.


– Quando quiseres, Danielle.


Danielle fechou os olhos e abriu as palmas da mão na direcção do campo de batalha. Os seus lábios começaram a mexer-se num feitiço imperceptível. Nesse mesmo momento, as múmias começaram a desaparecer para o fundo da terra e os inferi iniciaram a sua investida ao castelo, mas Lily estava preparada.


Ignis Fatuus!


O feitiço de Lily atingiu a terra e uma onda de luz espalhou-se num raio de algumas dezenas de metros. Nuvens de fumo verde azulado começaram a sair do chão, como géisers em actividade, e em poucos instantes a nuvem cresceu, até começar a envolver todos os inferis. Lily ouviu um som de surpresa vindo de Ginny quando os corpos dos inferis começaram a cair por terra e a derreterem-se como plástico queimado. Mas não tardou a que os Devoradores da Morte percebessem a jogada.


Lily manteve a sua concentração no feitiço que continuava activo. Confiava em Ginny e Danielle para deterem os atacantes.


– Eles vêm aí! – avisou Danielle, antes de se preparar para a batalha. –Adarkka Heru-sa-Aset!


O poder de Danielle era impressionante, talvez tão grande como o do próprio Dumbledore e poucos eram os que sabiam até onde, realmente, os poderes de Dumbledore se estendiam. O feitiço dela atingiu cerca de dez devoradores da morte de uma vez, que se evaporaram no ar em milésimos de segundos.


– Algum dia pensavas contar-me que não é saudável irritar-te? – brincou Ginny, ao ver o resultado. – Vais ter de me ensinar alguns truques.


– Na verdade, não costumo fazer isto! – respondeu Danielle no mesmo tom de brincadeira. – É preciso muita concentração para o fazer e eu sou preguiçosa.


As duas riram-se, mas o riso perdeu-se quando foram obrigadas em embrenhar-se na luta. Lily desviou a atenção delas. Não seria necessário muito mais tempo. Em poucos segundos, os inferis foram-se misturando com a terra. “Do pó viestes e ao pó da terra voltareis” pensou.


O suor da testa começou a escorrer-lhe pelas faces e as forças faltaram-lhe, fazendo-a apoiar-se nos joelhos, mas o seu feitiço funcionara. Não tinha restado nenhum inferi, fazendo Lily dar graças a Merlin pelos seus avançados conhecimentos em magia antiga.


– Bom trabalho, Lily! – festejou uma satisfeita Ginny, que tinha acabado de lançar pelo ar um Devorador da Morte.


Lily apenas olhou para cima, a tempo de ver Danielle fazer o último atacante evaporar e, só aí, se permitiu sentar-se no chão, completamente esgotada. Mas o som de gritos aterrorizantes fê-la levantar-se do chão e andar em passos rápidos até junto dos seus amigos, embora sem correr.


O vento era agora demasiado forte, levantando folhas e agitando fortemente as árvores. Aquela magia era demasiado poderosa mas, tão depressa como começara, o vento parou, parecendo que, de repente, tudo ficara em silêncio. Era como se uma onda de poder a tivesse atravessado e desaparecido rapidamente e, nesse momento, Lily quase conseguia ver um par de olhos azuis olhá-la bondosamente através de óculos em forma de meia lua.


Os passos Lily abrandaram e ela finalmente parou quando os seus olhos recaíram sobre a cena. Ginny e Danielle prostaram-se, uma de cada lado, sem serem capazes de pronunciar uma única palavra. O vento começou a soprar com força e uma poderosa magia era sentida no ar. O feitiço negro que cobria o castelo começou a dissipar-se, ao mesmo tempo que vários devoradores da morte eram decepados pelas espadas das múmias. Alguns eram levados para debaixo da terra, enquanto tentavam, em vão, soltar-se das mãos enfaixadas das múmias. Os poucos que restaram deitaram as varinhas por terra antes que sofressem o mesmo destino. O rapaz asiático, Duamutef, também ele filho de Hórus, deitou por terra o último gigante e, aos poucos, a batalha foi terminando.


Hogwarts estava salva! Mas um sacrifício marcaria com pesar essa batalha. Os seus olhos percorreram os campos, uma vez mais, na esperança de que as suas lembranças a tivessem enganado. No entanto, a pessoa que procurava não se encontrava mais ali e não era apenas Lily que percebera isso. Depressa murmúrios começaram a ser ouvidos e em pouco tempo várias pessoas se questionavam onde estava Dumbledore.


Porém, Lily sabia onde ele estava. Podia sentir a sua presença em cada pedra da escola, em cada planta que floria à volta do jardim. E foi assim que ela teve a certeza de que ele realmente se tinha sacrificado, de que o mais querido dos professores que alguma vez passara por ali de tinha tornado uno com o castelo que ele tanto amara, que ele dera a sua vida para salvar o castelo e todos os que aquelas paredes protegiam. Só a magia dele poderia ter cessado aquela magia negra.


Os seus olhos marejaram-se, lágrimas de tristeza escorreram pela cara dela, mas não conseguiu conter a sensação de alívio. Ao seu lado, Danielle soltou um soluço contido, no entanto, não se conseguiu controlar e chorou com desespero quando Lily a abraçou, percebendo que ela também percebera que Dumbledore não estava mais entre eles. As duas choraram durante alguns minutos, ao fim dos quais, Danielle limpou as lágrimas e levantou a cabeça, seguindo para junto de todos os outros.


Lily sentiu a mão de Ginny apertar a sua e o calor reconfortante dela fê-la acordar para a realidade. Mesmo assim, Lily piscou os olhos, várias vezes, para garantir que não estava a sonhar. No entanto, o resultado continuava ali. Tinham ganho a batalha e só então ela permitiu soltar um suspiro.


Mas Lily era necessária em outro lugar que não aquele e não era apenas ela que tinha percebido isso. Um aceno com a cabeça vindo de Ginny garantiu a Lily que a ruiva mais nova também estava preparada para entrar numa outra batalha. As duas encaminharam-se para os portões de Hogwarts, deixando para trás os jardins praticamente destruídos. Quanto saíram dos limites do castelo, Lily segurou a mão de Ginny e as duas aparataram.


 


* * *


 


A cela parecia subitamente mais pequena e a sensação de claustrofobia era cada vez maior. O seu peito esforçava-se por inspirar profundamente, parecendo que não havia oxigénio suficiente para a manter consciente, enquanto, no seu peito, o coração bombeava sangue com toda a força, latejando nas têmporas à sua passagem. Adicionava-se a isso os suores frios e os arrepios que estremeciam o corpo de minuto a minuto.


Lily Evans aproximava-se, mais e mais, do limiar em que a sanidade é comprometida, do momento em que a sua mente se obscureceria e a pequena chama da esperança se apagava. Helena tinha adormecido finalmente e não parecia muito incomodada com o ambiente inóspito, limitando-se a fazer o que qualquer recém-nascido melhor sabia.


O som de uma pesada porta de ferro a fechar fez Lily sobressaltar-se e levantar-se num único pulo, a tempo de ver uma sombra passar mesmo em frente da sua cela. Depois que a sombra desapareceu, algo parecia bater contra o metal a poucos metros dali, dando a sensação de que alguém dava pontapés na porta.


– Eu juro que te vou matar Rebecca! – o grito de ódio provocou um arrepio em Lily que percorreu todo o seu corpo. Aquela voz não tinha apenas ódio, também desespero e o tom de quem já tinha chorado por horas. – Tirem-me daqui!


Os pontapés cessaram e, no silêncio daquela escuridão, Lily apenas conseguia ouvir o soluçar de uma mulher. Mas algo mais foi ouvido… eram vozes. Vozes que se ouviam ao longe e quase impossíveis de alcançar, no entanto, vozes que lhe eram incrivelmente familiares e que traziam esperança.


– Lily!


A ruiva não conseguiu conter lágrimas de felicidade ao reconhecer aquela voz. Eles tinham conseguido, tinham ido buscá-la! James, o seu James, estava ali por ela.


– Estou aqui! – tentou gritar, com a voz carregada de emoção.


Correndo depressa na direcção oposta da sela, Lily pegou em Helena ao colo, que abriu os olhos sonolenta, logo os fechando de seguida.


– Nós vamos sair daqui em breve, pequenina. Prometo-te.


 


* * *


 


Durante sete anos, James e Snape tinham-se desafiado em Hogwarts. Durante os anos que se seguiram, James não conseguia sentir pelo seu rival de tantos anos mais do que simples desprezo pelas suas opções. Mas agora, o que James sentia por Snape era puro e incontrolável ódio. Esse sentimento espelhava-se naquele duelo, em que o auror punha toda a sua força nos ataques que lançava ao adversário. No entanto, Snape lutava com o mesmo ódio, pelo que atacava com igual força. Durante longos minutos, os dois tinham testado a força um do outro mas ambos davam sinais de cansaço.


– Desiste, Potter! Já não tens forças para me derrotar. – rosnou Snape, no momento em que ambos paravam para recuperar o fôlego.


– Não sei se reparaste, Snape, mas estás tão exausto como eu! – James deu um sorriso de lado. – Nunca me venceste antes. O que te faz pensar que o vais conseguir agora.


– Eu nunca na minha vida morri.


James quase teve vontade de soltar uma gargalhada.


– Se vamos por esse lado, Snivellus, eu tenho um corpo de 22 anos e tu não!


– Esse comentário acabou de comprovar isso. Demonstra total falta de maturidade.


James e Snape encararam-se durante longos momentos. Naquele momento, não existia a batalha em volta… apenas aquele ajustar de contas que se prolongava há muitos anos. O sorriso de James apagou-se e o ódio voltou a ser visível.


– Não fui eu quem traiu a única pessoa que realmente confiou em mim. Não fui eu também quem traiu alguém que eu amava, porque essa mesma pessoa me via como irmão.


A raiva de James crescia a cada palavra, mas Snape não parecia ficar atrás. As palavras de James tinham, claramente, afectado o Devorador da Morte.


– Não fui eu quem traiu essas pessoas. E VENS TU FALAR-ME EM MATURIDADE? – o tom de voz de James, tão depressa cresceu como voltou a diminuir. – Ah, Snape, isto há muito tempo que deixou de ser uma briguinha pelo amor de Lily. Deixou de ser no momento em que foste a correr contar a profecia para Voldemort.


As narinas de Snape tinham-se dilatado e os olhos brilhavam em fúria. O seu peito arfava como se tivesse corrido quilómetros. Inesperadamente, iniciou o ataque a James com toda a força. O auror tinha atingido o ponto fraco dele e agora era obrigada a desviar-se.


– E o que mais me irrita é que Lily ter-te-ia recebido, de braços abertos, se algum dia tivesses tido a coragem e a decência de lhe mostrares arrependimento.


– Não sabes do que estás a falar, Potter.


– E o que mais te irrita a ti, Snivellus, é que, na verdade, eu sei do que estou a falar.


Os feitiços pararam, subitamente. Snape já não mais olhava com raiva. Apenas com frieza e desprezo. Os dois inimigos encararam-se até que as varinhas se elevaram ao mesmo tempo, e ao mesmo tempo os seus lábios se abriram para verbalizar o feitiço.


Sectumsempra.


Arresto Anima.


O feitiço de Snape atingiu o alvo primeiro. James sentiu uma dor profunda em vários locais do corpo e, olhando para baixo, viu vários cortes a sangrarem abundantemente. Quando sentiu as pernas fraquejarem viu que também Snape tinha sido atingido pelo seu feitiço e desabara com força no chão. James poderia não sobreviver, mas pelo menos iria levar Snape com ele.


As forças faltaram a James devido à perda de sangue e não demorou mais do que alguns segundos até que desfalecesse. Uma voz gritou o seu nome ao longe, demasiado familiar, mas ela não podia estar ali, podia? Alguém se ajoelhou ao seu lado, recitando palavras incompreensíveis à medida que passava a varinha pelos seus ferimentos e a dor foi passando aos poucos.


Quando as palavras cessaram, James conseguiu abrir os olhos e deparar-se com o rosto preocupado de Lily. A sua Lily estava ali? Mas como? Ela parecia demasiado cansada, com umas olheiras de tamanho considerável, o seu rosto cobria-se com alguns arranhões, o cabelo estava despenteado e a roupa estava toda amarrotada. Mas, mesmo assim, nunca ela lhe parecera tão bela como naquele momento.


Antes que pudesse dizer alguma coisa, Lily beijou-lhe a testa e levantou-se, caminhando em passos lentos até Snape. James ergueu-se a custo e apoiou-se numa árvore quando as pernas recusaram obedecer-lhe. Mas, mesmo àquela distância, ele pôde perceber que Snape olhava Lily com uma dor traída.


– Não vais ajudar-me também, Lily?


Lily abanou a cabeça e ajoelhou-se ao lado dele, sem, no entanto, lhe tocar.


– Vi demasiadas pessoas morrerem hoje. Muitas deles eram minhas amigas. Vi tantas morrem que pouco me importa se morres ou vives. – Ela suspirou fundo, quase como se estivesse cansada de tudo aquilo. – Tu escolheste assim, Severus. Eras o meu melhor amigo e, mesmo assim, preferiste odiar a pessoa que eu mais amava no mundo, uma criança indefesa que apenas queria um pouco de carinho, apenas porque esse rapaz era filho do homem que mais odiavas. Tu escolheste esse caminho, Severus, não eu!


– Eu amei-te, Lily. – a voz de Snape diminuiu, pelos efeitos do feitiço de James, mas era perceptível o desprezo e o orgulho ferido. – Eu é que fui o traído.


Num último suspiro, a alma de Severus Snape abandonou o seu corpo para sempre e os seus olhos ficaram abertos sem vida. Lily fechou-os com uma mão, antes de se levantar e observar o corpo de Snape mais uma vez. Quando James achava que iria ver tristeza nos olhos dela, surpreendeu-se ao ver a indiferença e a conformação. Aquela não era mais a doce e pacífica Lily. Aquela era Lily Potter, a guerreira.


Lily desviou o seu olhar para James e voltou-lhe as costas para observar a batalha envolvente. Só aí James reparou que os seus aliados estavam muito perto de derrotar os Devoradores da Morte. Alguns tinham prolongado a batalha para dentro da mansão Riddle, onde os clarões continuavam visíveis.


James contou mentalmente até dez, para recuperar as forças e só aí se arriscou a dar pequenos passos na direcção de Lily e colocar-lhe uma mão no ombro. Foi aí que percebeu que o ombro dela tremia com soluços e o choro finalmente escapou dos lábios dela quando se voltou para ele e os dois se abraçaram. James sentiu uma súbita necessidade de lhe dizer que tudo ficaria bem. Segurou o rosto dela entre as mãos e olhou bem nos olhos verde-esmeralda dela.


– Lily, meu amor, tudo vai ficar bem! – Ela sorriu por entre as lágrimas, concordando com a cabeça. – Precisamos de encontrar o Harry e a Helena, ok? Eu prometi ao Harry que estaria lá para ele e pretendo cumprir a minha promessa.


– O que seria de mim sem ti?! – a voz dela sair nasalada, fazendo James, pela primeira vez, rir verdadeiramente naquela noite.


– Eu sei, Lily, eu também, te amo! – James sussurrou antes de aproximar e colar os seus lábios nos dela.


O beijo foi intenso e talvez não fosse aquele o melhor momento para isso. Mas James não estava preocupado. O que interessava era que Lily estava ali com ele e que juntos iriam salvar a sua pequena família. Quando se separaram, deixaram as testas coladas, apenas sentindo a respiração um do outro e trocando pequenas carícias, como que dando forças um ao outro para continuar aquela jornada.


– Temos de ir!


James concordou com as palavras de Lily e separou-se finalmente, embora mantendo próximo o suficiente para sentir o calor dela.


Ginny depressa se juntou a eles, depois de dar um abraço apertado no pai e outro em George que estava, satisfeitíssimo a receber os cuidados de Angelina, depois de se ferir na perna direita.


Os três caminharam em silêncio através dos corredores da mansão, deixando-se guiar pelos sons da batalha que acontecia debaixo dos pés deles. Encontraram rapidamente a passagem no chão da sala. Mas, à medida que foram entrando mais fundo na terra, os sons da batalha foram, subitamente, diminuindo, até que pararam poucos segundos antes de entrarem numa grande caverna. Ron atirara-se nesse momento para o chão e deitou-se de barriga para cima. Hermione parecia estar a estudar uma parede de pedra do outro lado da caverna e o lobo do Patronus de Remus tinha acabado de se dissolver.


– James? – chamou Remus mal os viu chegar.


– Onde estão os meus filhos? – foi Lily quem falou, cruzando rapidamente a caverna até atingir o lobisomen.


– James e Sirius foram procurar Lily e Helena. – explicou o maroto, apertando as mãos nervosamente, como se tentasse encontrar a melhor forma de explicar. – Harry, não sei bem…


– Está aqui! – interrompeu Hermione, com o dedo apontado à parede.


Ron sentou-se subitamente e olhou-a com uma sobrancelha soerguida. Remus apenas fez a mesma expressão de quando tinha compreendido algo. Os restantes encararam Hermione como se ela tivesse enlouquecido.


– Hum… Hermione. – disse Ginny com algum receio. – Eu sei que tu és tipo… um génio! Mas isso é uma parede!


Hermione revirou os olhos, mas explicou.


– Não é uma parede. É uma barreira criada por Voldemort e uma ilusão.


James não esperou o fim da explicação. Aproximou-se da parede e apontou-lhe a varinha, antes de invocar o primeiro feitiço que lhe veio à cabeça.


Confringo!


O feitiço atingiu a parede com força, provocando uma grande explosão de luz. Demorou alguns minutos até que conseguissem ver alguma coisa, no entanto, apenas constataram que a parede permanecia intacta.


– Já tentei todos os feitiços que me lembrei para atravessar a barreira. – explicou Hermione pacientemente. – Nada resultou.


– Mas deve haver uma maneira!


– Não, Ginny. Acho que só posso tentar uma coisa, mas de nada vai valer. – Hermione apontou a sua própria varinha para a parede. – Sbrogliare!


À medida que a parede começou a desvanecer-se, James aproximou-se dela e colocou lá as mãos à espera de conseguir atravessar mas, mesmo quando ficou completamente transparente, parecia que ali estava vidro.


– Apenas nos vai permitir ver o que está a acontecer e nem mesmo creio que, quem está lá dentro, consiga ver para fora.


As pupilas de James dilataram-se para tentar ver o que se passava lá dentro, mas tudo estava muito escuro. De repente, aparecido do nada, o corpo de Harry foi arremessado contra a mesma barreira que os separava e a figura de Voldemort apareceu, recortada pela pouca luz, a apontar a varinha ao rapaz caído no chão.


– HARRY! NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!


A mão de Lily apertou o braço de James com força quando Ginny soltou um grito de angústia e, no segundo seguinte, Voldemort lançou o feitiço.


 


* * *


 


– Elas têm de estar aqui! – a voz de James denotava preocupação crescente.


Ele e Sirius já tinham percorrido centenas de metros daquilo que parecia ser um labirinto, com bifurcações e caminhos sem saída, mas não encontravam nenhum sinal de Lily ou de Helena.


– Achas que os outros ficaram bem?


A pergunta de Sirius deixou James em silêncio, sem, no entanto, abrandar o passo. Foi só ao fim de alguns minutos que James respondeu.


– Não sei. Espero que sim.


O corredor estreito e escuro começou, subitamente, a alargar-se e, nas paredes, começaram a aparecer tochas de fogo que iluminavam fracamente o lugar.


Nox.


A varinha de James deixou de emitir luz, colocando-os quase às escuras. Mas essa escuridão não demorou muito e incontáveis jactos de luz vermelha surgiram de todos os lados. Um deles atingiu James na perna, provocando uma dor aguda. Automaticamente levou a mão ao local atingido e sentiu o sangue viscoso começar a escorrer.


– São armadilhas! – constatou Sirius, assim que os feitiços pararam. – Era só o que nos faltava.


– Bem… – James fez um feitiço para fechar o ferimento e levantou-se – … Se isto está armadilhado, é nítido que está a guardar alguma coisa. Encontramos o nosso caminho.


James acendeu outra vez a varinha, para tentar localizar a origem do feitiço, mas um grito de ódio fê-lo olhar, de repente, para o outro lado do túnel.


– Eu juro que te vou matar Rebecca! Tirem-me daqui!


A voz era familiar, embora James não a soubesse reconhecer. Mas, se havia ali uma outra prisioneira, a probabilidade de Lily e Helena estarem lá era maior.


– Lily!


James aguardou, ansiosamente, a resposta, mas ela foi rápida.


– Estou aqui!


James olhou para Sirius com esperança. Tinham encontrado Lily. Só precisava de encontrar uma forma de atravessar o corredor sem ser morto. Estava no papo!


– Vou tentar atravessar, Padfoot.


James preparou-se para correr mas, antes que conseguisse, Sirius agarrou-o pelo manto, quase o fazendo cair no chão. No entanto, antes que pudesse protestar, viu que o melhor amigo esboçava um sorriso digno de um Maroto.


– Permite-me fazer uma pergunta: estás a pensar atravessar este corredor?


– Claro!


Sirius agitou negativamente as mãos na sua frente, interrompendo James.


– Não, não. Deixa-me reformular a pergunta. Estás a pensar atravessar este corredor… sem nenhuma protecção?


– Se isso ajudar a salvá-las… sim, pretendo!


Sirius revirou os olhos e abriu as mãos para o céu em gesto de súplica.


– Sinceramente eu não sei como sobreviveste até me conheceres.


– Tens alguma ideia para atravessar isto? – perguntou James com um tom de impaciência. – Porque eu juro que… se me estiveres a fazer perder tempo para nada, eu próprio te atiro para ali para o meio.


– Ok, ok! Não é preciso ficares agressivo. Só queria dizer: “Ei, eu sou um Black! Descende de gerações e gerações de feiticeiros negros, dissimulados e, principalmente, peritos em magia negra.”


– Padfoot, tu renegaste a tua família há 3 anos atrás! Isso significa alguma coisa.


– Mas não significa que eu não conheça alguns truques.


– E qual é a ideia do Senhor Sabichão, se é que posso saber? – James cruzou os braços e bateu com o pé no chão impacientemente.


– Usa a capa da invisibilidade!


James sentiu a sua sobrancelha soerguer-se de incredulidade. Sirius estava a brincar com ele, era isso. Mas nem Sirius teria coragem fazer uma brincadeira num momento como aquele. A cara dele transbordava determinação.


– Tu estás a falar a sério, não estás?


– Tão sério como o meu nome ser Sirius. Sei que armadilha é esta, Regulus costumava colocá-la à porta do quarto dele. Passei dias inteiros a tentar descobrir como a atravessá-la.


– Família carinhosa a tua! – James não pode deixar de brincar com o amigo. Conhecia muito bem a fama da família Black para saber que ele falava a verdade. – Mas se tu o dizes, acho que vou acreditar em ti.


James meteu a mão no bolso da túnica e retirou o manto prateado. Respirando fundo, olhou uma vez mais para Sirius e colocou o manto pelos ombros, deixando apenas a cabeça de fora. Sirius teria de ficar para trás, o manto era demasiado pequeno para trazer três pessoas e um bebé no regresso.


– Deseja-me sorte.


Sirius voltou a segurá-lo, mas desta vez olhou-o de uma forma tão séria, que James se perguntou se algum dia tinha visto Sirius assim.


– Tem cuidado, Prongs.


James assentiu com a cabeça antes de se cobrir totalmente com o Manto da Invisibilidade. Respirou fundo algumas vezes antes de finalmente começar a andar na direcção em que Lily estava. Esperou que, a qualquer momento, começassem a chover feitiços, mas Sirius tinha razão e eles nunca vieram. Dava a sensação de que Voldemort não se tinha esforçado minimamente para garantir que as suas prisioneiras não escapassem… como se estivesse a jogar com eles.


Com o coração aos pulos, atingiu finalmente o outro lado do corredor. Tinha sido tudo tão fácil que James duvidava que tivesse terminado por ali, mas nada mais aconteceu. O corredor alargou-se ainda mais, até que se abriu numa masmorra, com quatro pesadas portas de cada lado. Tudo estava no mais absoluto silêncio e ninguém parecia guardar o lugar.


– Lily! – voltou a chamar, desta vez em voz baixa.


– James! – uma mão branca apareceu no buraco minúsculo da primeira porta à sua direita.  – Onde estás?


James largou o manto da invisibilidade no chão e correu para ela, segurando a mão dela imediatamente. A pele dela estava tão fria.


– Estou aqui, Lil. Estou aqui. – Assegurou James, com a voz a falhar de emoção.


Os seus olhos estudaram a porta. A fechadura era grande e parecia resistente, mas a chave estava colocada no lugar. James não conseguiu evitar, de novo, a sensação de que Voldemort estava a jogar.


Não foi preciso fazer muito esforço para rodar a chave. Com um sonoro ranger, a madeira deslizou e James pôde ver Lily segurar um pequeno embrulho contra o seu peito. Mesmo com a pouca luz, viu que os olhos de Lily estavam vermelhos de choro. Hesitantemente, ele deu um passo na direcção dela, mas os seus olhos recaíram no bebé ruivo adormecido.


Era a primeira vez que James via Helena. A sua mão ergueu-se na direcção daquele rosto inocente e cândido, mas parou a meio, como se tivesse medo de a magoar.


– Ela é linda, não é? – Lily aproximou-se dele e colocou-a no colo do futuro pai.


Era um calor reconfortante o que Helena transmitia a James. E cheirava tão bem! Aquele pequeno ser despertou um sentimento novo no Maroto, algo desconhecido para ele, mas que gostou de imediato.


– Temos de sair daqui! – disse James, numa voz etérea. – Pega no meu Manto.


Os olhos de James continuavam focados em Helena, embalada em seus braços. Era como se não quisesse soltá-la jamais, queria protegê-la acima de tudo.


– James! – o tom de alarme de Lily fê-lo acordar dos seus pensamentos.


Lily estava parada junto do local onde James largara o manto, mas ela tinha retesado no lugar, olhando para ele com medo. Foi aí que James percebeu a sombra de alguém por detrás da ruiva, a apontar-lhe a varinha à cabeça.


– Se ousares mexer-te, ela morre, Potter.


A mulher que ameaçava Lily saiu das sombras deixando James estupefacto. Harry tinha contado as suas suspeitas, mas era diferente de ter a prova diante dos seus olhos.


– Joanne Boss?!


– Não é a Joanne! – sussurrou Lily, provocando uma gargalhada maléfica na atacante.


– Como…? – James foi incapaz de verbalizar alguma coisa. Helena mexeu-se nos seus braços e ele apertou-a ainda mais, de uma forma protectora. – Quem és tu?


– Rebecca Boss! – ela fez uma vénia com a cabeça, sorrindo cada vez mais. – É um prazer finalmente conhecer-nos, James Potter. É uma pena que nunca tenhamos tido a oportunidade de sermos apresentados, já que eu não frequentei Hogwarts, ao contrário da minha querida irmã.


– Irmã?! – aquela história estava a ficar cada vez mais confusa para James. Ela era completamente doida.


– A Joanne. Minha querida irmã gémea. Foi uma pena para vocês que ela tenha percebido a minha jogada tarde de mais.


– O que queres dizer com isso?


– Acho que o jovem Malfoy também tem uma palavra a dizer. Ops… – ela cobriu a boca com a mão livre, como tivesse dito algo que não devia, tal como criança traquina que esconde a asneira que fez. – Acho que ele não vai falar mais.


– Mataste-o?


– Ah, não! – ela falou como se estivesse ofendida com a pergunta de James. – Eu não faria tal coisa ao pobre Draco. Ele foi gentil o suficiente para me emprestar cabelo durante o ano todo, para assim me fazer passar por ele. – Depois de uma pausa continuou. – Não que ele tenha tido muito voto na matéria.


James abriu a boca de espanto. Lily, pelo contrário, não parecia muito surpreendida com a história, como se já soubesse de tudo. Rebecca, ou fosse lá quem ela fosse, tinha-se feito passar por Draco Malfoy durante um ano inteiro e ninguém tinha dado por isso.


– Mas como é que conseguiste entrar em Hogwarts e tomar o lugar do Malfoy?


– Porque o Malfoy nunca chegou a regressar a Hogwarts. Ela fez-se passar por ele logo depois de ele sair de Azkaban.


– A ruiva tem razão! – Rebecca parecia satisfeita com a dedução de Lily. – Inteligente menina! É verdade, eu fiz-me passar por ele e Severus dava-me poção Polissuco com o cabelo dele, todas as semanas. Aquele imbecil nem para Devorador da Morte serve. O Lord das Trevas matou-o assim que ele não foi mais necessário. Fiz tão bem o meu papel que nem Lucius nem Narcisa perceberam a jogada toda.


Rebecca agarrou no braço de Lily com mais força e a boca dela abriu-se para invocar um feitiço, mas James chamou-a de volta. Precisava de ganhar tempo!


– Espera! Há algo que eu não percebo. Porque fizeste isso? Era muito mais simples tomar o lugar de Joanne.


Rebecca parou e pareceu considerar a pergunta. Ao fim de alguns segundos a estudar James, ela riu com satisfação. A varinha desviou-se por momentos da cabeça de Lily, mas não foi o suficiente para que James pudesse fazer alguma coisa.


– Uma vez que vos vou matar a seguir, acho que não tem problema contar-vos algumas coisas. Afinal devemos satisfazer os últimos desejos dos mortos. – Ela riu sozinha da própria piada, mas respondeu a James. – Admito que pensei nisso! Mas é mais fácil continuar a ser a má da fita, do que, de repente, virar a boazinha. A Joanne sempre foi melhor nisso do que eu. Talvez tenha sido o motivo porque eu, ao contrário dela, fui chamada para Dumstrang. Joanne simplesmente teve a sorte de que Dumbledore era um velho pateta e chamou-a imediatamente para Hogwarts quando soube que ela não tinha recebido a carta.


Algo captou a atenção de James, mas podia não ser nada. Apenas uma sombra que parecia mexer-se, mas ao olhar directamente, nada estava ali. Rebecca não reparou em nada e continuou a sua história.


– Além disso, eu já estava em Hogwarts quando a minha irmã começou a dar aulas. E eu realmente estava a divertir-me a fazer o papel de Draco Malfoy. Isso permitiu-me fazer muitas coisas que não teria conseguido se tivesse ocupado o lugar da minha irmã. E, por isso, fui reconhecida pelo próprio Lord das Trevas. Afinal fui eu que consegui o poder para o reviver. – vendo que James não tinha percebido, continuou. – O jogo de Quidditch. O jogo Gryffindor contra Slytherin. Eu lancei um feitiço contra Harry Potter, nesse jogo. Não era um simples feitiço… eu absorvi parte dos poderes dele.


James lembrava-se desse jogo. Ele próprio sentira magia negra no ar e Harry fora parar à enfermaria por causa desse feitiço. Ninguém nunca descobrira qual era o feitiço que o tinha atingido. As peças do puzzle começavam a encaixar-se.


– Eras tu na floresta proibida! – constatou Lily, contorcendo o rosto, como se estivesse a repreender-se mentalmente por não ter percebido antes.


– Mais uma vez estás correcta, ruivinha. Era lá que eu me encontrava com Severus todas as semanas. Ele estava fora dos terrenos de Hogwarts e eu podia sair até ali sem ser vista.


– Como é possível que ninguém tenha descoberto? – perguntou James sem conseguir acreditar. – O mapa…


James calou-se antes que falasse mais alguma coisa.


– O Mapa Maroto! – não era uma pergunta, era uma afirmação. – Sim, eu sei da existência desse mapa. Severus alertou-me para ele e eu sabia que me daria problemas. Mas diz-me, James Potter? O quanto confias em Peter Pettigrew?


Aquela pergunta caiu em James como um pedregulho. Ele sabia que Peter o trairia no futuro, mas… não, não era possível que ele se tivesse aliado a Voldemort ainda em Hogwarts. O rosto de Lily começou a ficar perigosamente vermelho e James sabia muito bem que isso nunca era bom sinal.


– Não foi difícil, para ele, entrar no dormitório masculino de Gryffindor sem ninguém reparar. Afinal ele também dormia lá, não é mesmo? Como um dos autores do mapa, ele conseguiu alterar o meu nome, já que não conseguiu apagá-lo, colocando apenas as iniciais de Rebecca Agnes Boss. Pelo que soube destruiu algo a que ele chamou “espelho de dois lados”, mas não sei bem o que isso é.


Os ombros de Rebecca encolheram-se, como se tudo aquilo tivesse pouca relevância.


– Mesmo assim, quase fui apanhada algumas vezes. No dia do cerco a Hogwarts, Harry confundiu-me com a minha irmã. Isso permitiu-me descobrir algumas coisas interessantes, mas ele ficou desconfiado de que algo de errado se passava comigo. Joanne descobriu tudo logo a seguir. – Rebecca soltou uma sonora gargalhada. – Pena para ela! Não a podia deixar livre para contar o que sabia.


– O que lhe fizeste? – James perguntou, mas não tinha a certeza se queria saber a resposta.


– Não te preocupes, não a matei… ainda. Continua viva até que eu decida o que fazer com ela.


– Tu és louca! – James deixou o ar escapar-se dos pulmões, enquanto tentava arranjar uma solução. As gotas de suor começaram a escorrer-lhe da testa e Helena deve ter sentido o nervosismo de James porque abriu os olhos e fixou-o curiosamente.


– Loucura é apenas um pequeno preço a pagar pelo poder!


– Poder?! – Lily explodiu finalmente. O peito dela elevou-se rapidamente, para logo soltar todo o ar que tinha dentro. – Chamas a isto poder?! O que te dá o direito?! Tu… tu… como é que pudeste? Atacar Harry, raptar Helena… MERLIN! Pensar sequer em matar a tua própria irmã! Tudo para rastejares aos pés daquele… daquele… MONSTRO!


– Nunca irás compreender, ruiva. Só quem experimentou o poder sabe o quão bom ele é.


A sombra mexeu-se outra vez, James podia jurar, mas desta vez algo mais foi visível, alguma coisa prateada.


– Mas chega de conversa furada, tenho de terminar o que o Lord das Trevas ordenou.


Dizendo isso, Rebecca atirou Lily para o chão, com força e apontou-lhe a varinha. Aquele era o momento para James agir, para pegar na sua própria varinha. Era só esticar a mão para o bolso.


No entanto, antes que pudesse fazer alguma coisa, uma luz intensamente verde brilhou, cegando-o completamente. O seu coração afundou-se no peito, não querendo acreditar no que os seus pensamentos lhe diziam. Quando a luz desapareceu, no entanto, não era o corpo de Lily que jazia no chão. Os olhos azuis de Rebecca, agora sem vida, estavam abertos de surpresa.


A sombra recuou, mas agora, James pôde perceber o que via. Uma mão prateada, a segurar uma varinha desaparecia na escuridão e, no segundo seguinte, apenas um guincho de rato foi ouvido a afastar-se.


“Wormtail” pensou, sentindo-se, de alguma forma, aliviado.


Uma mão trémula e fria pousou-lhe no dorso da mão e James deu por si a ajeitar Helena apenas com um braço e a passar o outro em torno dos ombros de Lily.


– Vamos sair daqui!


James deu instruções quase automaticamente a Lily. Mal se deu conta de quando ela o cobriu com o manto e se aconchegou a ele. Naquele momento eram apenas ele, Helena, de novo a dormir nos seus braços protectores, e Lily… sua Lily. O tempo pareceu parar quando fizeram o caminho de volta, até que, após serem saudados por Sirius , entraram na caverna de Voldemort.


Apenas ficou ciente da realidade quando uma Lily adulta, desgrenhada e com os olhos raiados de vermelho correu até ele e tomou Helena dos seus braços. James não resistiu e entregou-a à mãe. Lily Potter cobriu a pequena bebé de beijos e finalmente fechou os olhos, deixando que as lágrimas escorressem.


Viu muita gente ali parada. Era como se todos os aliados se tivessem juntado ali e todos olhassem para um mesmo ponto com expressões preocupadas. Só se apercebeu do que realmente acontecia quando o seu homónimo se ajoelhou ao lado do que parecia ser uma parede de vidro, onde depositou as mãos e encostou a testa. O sussurro dele chegou até aos ouvidos de um James mais jovem com um desespero que ele nunca tinha ouvido em si próprio.


– Não estás sozinho, Harry.


 


* * *


 


Sirius encostou-se involuntariamente às grades da cela. As palavras que ela invocava eram imperceptíveis, mas ele só conhecia um feitiço com cor verde. “Vou morrer, vou morrer, vou morrer” era o mantra que se repetia na sua cabeça sem parar.


Mas Bellatrix terminou de verbalizar o feitiço e nada aconteceu. A varinha dela apenas tinha libertado algumas fagulhas verdes, mas nenhum feitiço mortal saiu dela. Sem que desse conta soltou um suspiro de alívio e isso apenas fez Bellatrix rir à gargalhada, com uma mão agarrada à barriga e a outra a apontar insanamente para a cara de Sirius.


– Devias ter visto a tua cara! Foi impagável!


Sirius observou-a com descrença. Era certo que Bellatrix era louca e ninguém tinha a coragem de negar isso. Mas ali estava a prova de que talvez ninguém soubesse até onde se estendia essa loucura.


– O que é que pretendes, Bellatrix? – pelo canto de olho, Sirius viu a sua varinha caída a alguns metros. Precisava alcançá-la.


– Ora Sirius! Não me digas que não gostastes da minha pequena brincadeira. – Bellatrix enrolou um caracol no dedo indicador e encolheu-se numa risadinha infantil falsamente envergonhada. – A Bella gosta muito de brincar com o primo Siri. Mas ele não gosta da prima Bella. Ele é menino mau! Muito mau! – a voz infantil de Bella voltou a crescer numa gargalhada. – Por isso, o menino Siri vai ficar de castigo.


Num momento Bellatrix tinha-lhe apontado a varinha outra vez e no outro, Sirius voava sobre ela na sua forma canina.


Quando se transformava em cão, os seus pensamentos não eram tão claros, tão humanos. Mas a mensagem ali era bem clara e ele sabia exactamente o que fazer. Os seus afiados caninos apertaram-se em torno da mão de Bellatrix, fazendo-a largar a varinha e soltar um grito de raiva. O pé dela projectou-se com força no lombo de Padfoot, que a largou finalmente.


Com um último ganido, avançou rapidamente para a sua varinha, para regressar à sua forma humana. Num gesto automático, apontou a varinha a Bellatrix, apenas para constatar que ela fazia o mesmo. No entanto, tal como Sirius constatara, ela segurava a varinha com a mão esquerda, encolhendo a mão direita, ferida, contra o peito. A expressão de divertimento já não mais brincava no seu rosto… nele só havia o mais puro ódio.


– A brincadeira acabou!


– Que bom, porque eu já não estou a gostar dela! – revidou Sirius, rematando a conversa.


Numa questão de milésimos de segundo, os dois adversários começaram a trocar ataques a uma velocidade impressionante. Um lançava e outro defendia sem esforço. Entalhes foram sendo feitos nas paredes da cela, mas demorou algum tempo a Sirius perceber que os feitiços estavam a afectar a ilusão criada por Bellatrix. Já não estavam mais em Azkaban, estavam de volta a Little Hangletton.


O berço onde Helena dormira nas últimas horas foi reduzido a lascas de madeira. O vidro da janela foi estilhaçado por Bellatrix e, pouco a pouco, o quarto foi todo destruído.


Os dois pararam ao fim de alguns minutos, encarando-se enquanto ofegavam. Só aí Sirius teve um vislumbre da destruição que tinham provocado. No entanto, cada uma das paredes parecia solidamente resistente e Sirius teve a certeza de que não sairia dali se não derrotasse a Devoradora da Morte.


– Eu sei o que estás a pensar, Sirius! Mas não vais conseguir derrotar-me. Nunca conseguiste, não é?


– Há sempre uma primeira vez para tudo.


Ela endireitou-se e sacudiu os ombros, atirando o cabelo negro para trás.


– Que seja! – proferiu Bellatrix num tom despreocupado – Reducto!


– Protego! Vá lá, Bella, consegues fazer melhor do que isso.


Bellatrix repousou o queixo num punho e fez uma expressão pensativa, semicerrando os olhos, como se fizesse um esforço para se lembrar de alguma coisa.


– Hum… a última vez que me disseste isso, acabaste morto pelas minhas mãos… creio eu!


– Por isso é que te quero retribuir tal favor. Everte Statum!


Bellatrix desviou-se habilmente, fazendo uma pirueta no ar, como uma bailarina.


– Então, priminho, não vais conseguir atingir-me?


Bellatrix iniciou uma estranha dança pelo quarto, tornando quase impossível que Sirius a atingisse com um feitiço. Ela estava a provocá-lo, Sirius sabia disso, mas não conseguia deixar de se irritar com a loucura dela. Oh… mas ele ia derrotá-la, ai se ia! Não valia a pena continuar naquele jogo.


Diffindo! – Sirius atirou o feitiço no mesmo momento em que Bellatrix parou, mas ela já estava desviada e pronta para atacar. Desta vez não havia como Sirius escapar.


Reducto!


Sirius não teve tempo para se desviar, desta vez. Sentiu bocados de madeira penetrarem a sua pele quando o seu próprio corpo destruiu a parede. Bocados de pedra começaram a desabar na sua cabeça, fazendo entalhes na pele que lhe recobria o crânio.


Uma fúria imensa começou a contrair-lhe os músculos do pescoço, até doer. As suas mãos afastaram pedra e madeira para os lados e, com uma força que não sabia de onde vinha, ele levantou-se.


Talvez tivesse sido toda a adrenalina que percorreu o seu corpo, ou talvez tivesse sido a gargalhada insana que Bellatrix lançou enquanto dava pulinhos de vitória. Mas, por entre a visão a rodopiar e tentativas de afastar bocados de madeira, a boca de Sirius abriu-se automaticamente sem que Bellatrix percebesse a tempo.


Sprengen!


Sirius não conseguiu ver o resultado provocado. Os seus joelhos fraquejaram e ele caiu com força, de barriga no chão. Mas ele sabia que vencera Bellatrix porque, nesse mesmo momento, a porta do quarto estilhaçou-se e Sirius ouviu vozes preocupadas a aproximarem-se.


– Sirius! – duas mãos conseguiram virar o corpo enfraquecido de Sirius. – Sirius, fala comigo.


Com esforço, Sirius abriu os olhos e viu um Remus Lupin com o rosto coberto de arranhões.


– Demoraste! – Sirius não pôde deixar de o acusar, embora soubesse que não era culpa de Remus. Era impossível desfazer o feitiço de Bellatrix enquanto estivesse viva.


– Tivemos alguns problemas em achar a entrada. – desculpou-se o lobisomen, sem perder a expressão preocupada. – E encontramos alguns “amigos” pelo caminho.


Sirius sentiu uma dor forte por todo o corpo, nos locais onde a madeira cortava a sua carne. Nem respirar parecia tão fácil agora. Talvez Bellatrix tivesse razão, afinal de contas.


– Moony! – Sirius segurou a túnica de Remus, com as forças que lhe restavam e puxou-o para junto de si, para se fazer ouvir melhor. – Toma conta deles por mim, ok? Preciso que tomes conta dos meus filhos, que estejas lá para Marlene.


Sirius fechou os olhos para recuperar forças, mas uma dor de cabeça fortíssima atingiu-o. Mas desta vez não eram os ferimentos, algo tinha embatido no seu crâneo. Abrindo os olhos novamente, deparou-se com um olhar aborrecido de Remus, tendo ainda um vislumbre do recolher da mão que acabara de o atingir..


– Aaaau! – queixou-se Sirius, levando a mão à cabeça ferida. – Essa doeu.


– É para aprenderes a não dizeres asneiras! Melodramático o suficiente?!


Remus passou o seu braço por trás da cintura de Sirius para o ajudar a levantar-se. O animago sentiu tudo a andar à roda e apoiou-se com toda a força em Remus.


Foi nesse mesmo momento que Sirius conseguiu ver o estrago que o seu feitiço tinha provocado. O corpo de Bellatrix tinha desaparecido e um buraco imenso tinha sido aberto da parede exterior do quarto, dando uma visão incrível do céu alaranjado lá fora.


Estava a amanhecer, mas Sirius, a estrela da noite, ainda brilhava forte no céu.


 


* * *


 


Harry usou toda a sua energia para se levantar depois do ataque que Voldemort lhe lançara. A dor nas costas e no dorso da cabeça, locais onde recebera a maior parte do impacto, era lancinante, manifestando-se na forma de pequenos pontos brancos que cintilavam na frente dos seus olhos. Um líquido viscoso e morno desceu-lhe pelo pescoço, ensopando-lhe a sweater que usava, mas não foi isso que o incomodou. Quando finalmente conseguiu colocar-se de pé, foi como se o chão lhe fugisse dos pés e, de repente, tudo começasse a andar à roda. A tentação de voltar a sentar-se foi muito grande, mas Harry apenas apoiou a mão na parede de pedra.


Voldemort foi-se aproximando de Harry, à medida que observava a tentativa deste de se levantar. Por algum motivo, o Senhor das Trevas parecia insatisfeito.


– É apenas isto que o grande Herdeiro de Hórus consegue fazer? – satirizou Voldemort, parando a alguns metros de Harry. – Não posso dizer que não estou desapontado que a espera tenha sido em vão! Vai ser mais fácil matar-te do que julgava.


A mão de Voldemort, que segurava a varinha, estava caída ao longo do corpo. No entanto, sem que Harry se apercebesse do que acontecera, foi atingido por um outro feitiço, mesmo que Voldemort não tivesse verbalizado uma única palavra. Contorceu-se involuntariamente e desabou uma vez mais no chão quando uma corrente eléctrica percorreu todos os seus músculos e todos os seus terminais nervosos foram activados de uma só vez, causando uma dor insuportável em cada parte do seu corpo. O grito de dor ficou preso quando a glote se fechou, sem deixar passar ar algum e, imediatamente, os seus olhos começaram a lacrimejar.


O ar entrou novamente, de uma só vez, quando o ataque cessou, mas, desta vez, Harry deixou-se ficar no chão. Tinha gasto toda a energia, numa luta que já se prolongara durante muito tempo. Harry tinha-se sentido confiante no início e tudo tinha estado equilibrado, com a balança a pender ligeiramente para o seu lado. Mas usar os poderes de Hórus era mais cansativo do que tinha pensado e Voldemort aproveitara cada uma das falhas que Harry cometera quando o cansaço começou a ser evidente.


Voldemort, ao contrário de Harry, não parecia minimamente afectado, apesar dos vários feitiços que o atingiram, e era como se fosse imune ao poder do adversário. Mas este sabia que não era esse o caso e conhecia o inimigo bem o suficiente para que sentisse que era apenas aparência. Somente precisava de encontrar uma fenda naquela parede de aço e explorá-la.


Chamou a si todo o poder de Hórus, uma vez mais. Ele sussurrava-lhe ao ouvido, quase como dando orientações e, embora Harry não percebesse uma palavra do antigo dialecto egípcio, o significado tornava-se automaticamente claro para ele.


Voldemort aguardou pacientemente pela recuperação momentânea do adversário. Não demorou mais do que alguns segundos até que os dois inimigos estivessem, de novo, frente-a-frente, encarando-se como iguais, tal como o profetizado quase duas décadas atrás.


– Há um ano, Harry, propus-te aliança. Não estava apenas a atirar palavras ao vento. Realmente gostava de te ter como aliado. – Voldemort prontamente ignorou o esgar de Harry ao recordar-se dessa noite. – Sei apreciar o valor de uma pessoa quando ela o tem. E eu respeito-te, Harry! Tenho de admirar a tua coragem e determinação. São poucos os que se podem gabar de sobreviver a um duelo comigo.


– E agora o quê? Vamos apertar a mão, dar umas palmadas nas costas um do outro e cada um segue a sua vida? – Harry não conseguiu controlar o comentário antes que ele fosse verbalizado. Mas Voldemort continuou imperturbável.


– Claro que não. Por mais que possa admirar-te, ainda somos inimigos e serás sempre um empecilho enquanto viveres. Mas prometo manter o teu nome nos livros de história, quando eu estiver no comando.


– Oh! Nem imaginas o quão emocionado estou!


– Gozas com as minhas palavras, Harry! Talvez não te rias mais quando tiver acabado contigo.


– Mal posso esperar!


E realmente Harry não conseguiu esperar. A determinação fê-lo encher o peito e preparar o ataque, quase sem dar tempo a Voldemort deste se preparar novamente. Sentiu um formigueiro descer pelo braço abaixo, enquanto o estendia na sua frente, e, quando abriu a palma da mão, o formigueiro atingiu os dedos. Imediatamente, uma bola de fogo cresceu na sua mão, até ser projectada contra Voldemort.


O Senhor das Trevas quase não teve tempo de se desviar quando Harry lançou outro ataque, acertando-lhe no peito. Voldemort voou alguns metros e as vestes pegaram fogo, mas não demorou a que fossem apagadas e ele se colocasse de novo em pé.


– Não queiras testar forças comigo, Harry. – a ameaça de Voldemort foi bem evidente nos segundos que se seguiram. – Forovelius!


Era a segunda vez que Voldemort usava o feitiço em Harry. Da primeira tinha cortado a pele dele em vários locais. Mas desta vez ele conjurou uma barreira com a mão esquerda. A direita, a segurar a varinha, mantinha-se firmemente enrolada em torno do pedaço de madeira. Ainda não era hora de a dispensar.


A partir daí, os dois inimigos enfrentaram-se com fúria e destreza de ambas as partes. Voldemort lançou desde os mais banais feitiços, até à mais poderosa magia negra, sempre com o mesmo resultado. Harry bloqueou tudo o que o feiticeiro negro lançou. Mas, se o moreno de olhos verdes conseguia defender-se perfeitamente, a perícia com que atacava era igualmente impressionante e fez Voldemort recuar contra a parede. O Olho de Hórus a brilhar no seu peito deu-lhe, de volta, a agradável sensação de confiança.


A brecha que Harry procurava foi finalmente revelada no momento em que Voldemort se desviou para se defender e contra-atacou. Era ténue, mas Harry concentrou todo o seu poder elemental no lado esquerdo desprotegido de Voldemort. A surpresa no rosto viperino do feiticeiro negro foi bem evidente quando ar e água se juntaram numa tromba de água que o rodeou.


Harry conseguiu ouvir o urro de fúria e dirigiu a sua concentração para além de Voldemort. O Senhor das Trevas elevou-se alguns metros no ar e o seu corpo caiu com força contra a parede da caverna, quando Harry cessou o feitiço.


Arranhões apareceram pelo rosto pálido do feiticeiro negro e um corte mais fundo começou a sangrar-lhe na testa. Aquela era a prova viva da vulnerabilidade de Voldemort, da mortalidade que ele tanto desejava erradicar de si. Desta vez foi ele quem ficou caído no chão, respirando ofegantemente.


– Desiste, Voldemort! Aceita a derrota! – a voz de Harry soou cansada. E, de facto, ele estava desgastado, não apenas fisicamente. A sua mente clamava por um pouco de paz. – Não me obrigues a matar-te de novo.


Surpreendeu-se quando o peito de Voldemort começou a tremer. Não demorou a perceber que o outro ria e foi tarde de mais quando Harry percebeu a mão do inimigo firmemente agarrada à varinha.


Quies Nequam!


O feitiço atingiu Harry na testa e desvaneceu-se no mesmo instante. Nada tinha acontecido. No entanto, o riso de Voldemort intensificou-se e rapidamente se converteu numa gargalhada, enquanto ele se sentou e depois se colocou em pé. Harry encarou-o confuso, sem saber o que se passava, ou o que podia esperar do outro.


– O que é que tem tanta piada, Voldemort?


– A piada está em ti, meu caro Harry!


Voldemort ajeitou as vestes e secou-se a si mesmo com um feitiço. No fim passou a mão na testa e olhou para o sangue que ficara nela, durante algum tempo, até que voltou a sua atenção para Harry, uma vez mais.


– Quando vais perceber que nunca irás derrotar-me?


 O olhar de Voldemort ficou subitamente distante, como se olhasse muito para além de Harry e, nesse momento, os seus lábios rasgaram-se num riso maldosamente satisfeito, revelando cada um dos seus dentes afiados.


Instintivamente, Harry olhou para trás. Mas tão depressa olhou, como se arrependeu de o ter feito. Sentiu o seu peito afundar-se com uma nova sensação, mas desta vez ela era mais horrível e mais cruel do que tudo o que já sentira, deixando Harry completamente sem reacção.


Na mira das varinhas de dois devoradores da morte mascarados, estavam, nada mais, nada menos, do que os seus pais. A sua mãe tinha o rosto muito mal tratado com alguns arranhões e o cabelo ruivo completamente desgrenhado. Mas o que mais o impressionou foram os olhos verdes, sem brilho, carregados de pesar, como se se desculpasse.


Os olhos de Harry desviaram-se imediatamente para James. Não estava muito melhor do que Lily. No momento em que Harry olhou para ele, o seu pai estendeu a mão na direcção dele e os seus lábios abriram-se para falar.


– Harry…


James não teve tempo de completar. Os seus olhos estavam fixos em Harry quando a maldição mortal o atingiu e assim permaneceram quando embateu no chão. Harry foi incapaz de encontrar algum tipo de reacção… a sua mente impedia-o de acreditar no que os seus olhos captavam.


– James! – o grito de Lily acordou-o, mas o mesmo grito apenas precedeu o inevitável.


Tal como dezassete anos antes, a tragédia tinha-se abatido sobre a família Potter.


Harry não soube que força o moveu, mas os seus pés levaram-no em passos lentos até junto do corpo de James. As pernas fraquejaram nesse momento e Harry deu por si a cair de joelhos no chão. Já não se importava em estar a virar as costas ao inimigo, tinha um objectivo muito mais importante a cumprir.


As suas mãos trémulas pousaram nos ombros de James e começaram a agitá-los levemente.


– Acorda, pai. Acorda! – Harry tentou, num fio de voz.


Mas à medida que percebia que não obteria resposta, agitou com mais força. As lágrimas começaram a escorrer. Ignorou-as, deixando que elas molhassem o rosto dele e caíssem no peito de James. Aquilo que era um sussurro depressa cresceu e Harry queria gritar.


– PAI! ACORDA! ELE NÃO TE MATOU! – Harry continuou a agitar James com força, tentando ignorar a sensação de desespero que o atingia como facadas.


– Agora não poderás fazer nada por eles, Harry. Nunca mais os verás!


Harry ignorou a voz de Voldemort. Pouco a pouco, o movimento das mãos foi-se tornando menos vigoroso, até que parou. Sentiu que o peso da sua cabeça aumentava rapidamente. Quando se tornou insuportável, repousou a testa no peito de James e deixou que as lágrimas escorressem livremente, num choro silencioso.


– Estás sozinho, Harry! – a voz de Voldemort parecia quase piedosa e, aos ouvidos de Harry, soou como uma verdade absoluta.


– Estou sozinho! – repetiu Harry para si, quase sem se aperceber que o dissera em voz alta. – Estou sozinho!


Continuou a repetir a frase, como um mantra, inconsciente de tal acto. Harry sentia-se sozinho, desamparado, como uma criança abandonada e perdida. Tudo pelo que lutara… os objectivos por que chegara até ali… tudo tinha sido em vão.


E, naquele momento, Harry desistiu de tudo!


Ainda não é a hora de desistir, Harry.


Aquela voz surgiu do nada, como se alguém lhe segredasse ao ouvido. Harry abriu os olhos, que não percebera estarem fechados. Ao fim de algum tempo optou por ignorar a voz e refugiar-se na sua própria dor.


Não te esqueças de que aqueles que nos amam, nunca nos deixam verdadeiramente. – a voz era tão calma, tão bondosa e tão incrivelmente parecida com a de Dumbledore, mas o professor tinha ficado em Hogwarts. – Eles nunca nos deixam…


Harry queria ter forças para concordar com aquele eco, mas a dor era tanta, a pressão no peito impedia-o de respirar livremente e nenhum músculo era capaz de se contrair.


Uma nova voz surgiu, embora esta fosse mais clara do que a anterior, uma voz muito diferente, carregada de preocupação, uma voz que Harry acreditara que jamais a voltaria a ouvir. O pai falava-lhe de longe.


– Não estás sozinho, Harry! Eu estou aqui.


Não! A voz não vinha da sua cabeça, ela vinha de outro lugar. Harry ergueu ligeiramente a cabeça, como se tivesse receio de se agarrar a algo que não existia. Mas a vontade de saber foi mais forte! Tudo começou a clarear à sua volta e a parede, até aí de pedra, tornava-se transparente, no mesmo lugar por onde entrara.


Sentiu mais lágrimas escorrerem, agora lágrimas de alívio, quando os seus olhos definiram os contornos nítidos de alguém ajoelhado junto à barreira criada por Voldemort. A testa de um James demasiado vivo estava colada à barreira, como se estivesse em contacto com vidro. Nesse momento, o seu pai esforçou-se por sorrir. Quando o conseguiu, acenou-lhe com a cabeça, a garantir que estava bem e tudo aquilo era real.


Ao lado dele surgiu a sua mãe. Harry percebeu que ela chorava, mas o que lhe chamou a atenção foi o pequeno embrulho no seu colo. E outras pessoas foram aparecendo. Hermione, sua melhor amiga e companheira de tantas aventuras. Ron, seu irmão, aquele que lhe seria fiel até ao fim, por mais zangas que surgissem, por mais pontos que tivessem divergentes. Tantas outras pessoas: uma outra Lily, um outro James, Fred, George, Bill, até Sirius ali estava, apoiado em Remus, coberto de sangue, mas com o peito estufado de orgulho. Seria orgulho pelo afilhado? Harry queria acreditar que sim.


No entanto, foi uma última pessoa que o fez acordar de vez e decidir que era hora de reagir. Ginny sorriu-lhe por detrás da barreira. A mão dela foi levada aos lábios e ela fechou os olhos enquanto beijava os dedos e só voltaram a abrir-se quando o seu beijo foi lançado pelo ar. Um claro “amo-te” formou-se na sua boca.


Apenas aí, só aí Harry teve coragem de voltar a olhar para baixo. Nada existia na sua frente para além do chão. Os supostos corpos dos seus pais tinham desaparecido. E, em apenas alguns segundos, Harry percebeu tudo.


Voldemort, o rei da dissimulação e do jogo de aparências, tinha brincado com os mais profundos medos de Harry. Fora uma jogada perfeita, mas Voldemort não acreditava no amor e esse tinha sido o seu maior erro.


– Não estou sozinho! – disse Harry baixinho para si. Os seus olhos elevaram-se para o inimigo, sem conseguir conter uma gargalhada. – NÃO ESTOU SOZINHO!


Harry sentiu-se ser invadido por uma onda quente de felicidade que quase lhe destruiu a concentração. E por muito forte que fosse o desejo de ceder a esse alívio tão ansiado, aquele não era o momento. Pessoas dependiam do resultado daquela batalha e Harry não os iria desapontar.


– Com que então venceste o meu feitiço. – Voldemort não parecia chateado, apenas levemente curioso. – Mas não irás conseguir por muito mais tempo.


Harry mal teve tempo de reflectir. Voldemort lançou-lhe o feitiço da morte. Sentiu a varinha pulsar na sua mão e foi sem pensar que lançou um Expelliarmus. Tal como acontecera três anos atrás, a algumas dezenas de metros daquele mesmo lugar, as duas varinhas conectaram-se.


A surpresa de Harry, pelo facto da nova varinha de Voldemort ser também gémea da sua, não foi suficiente para quebrar a conexão. A energia libertada foi tão grande que atingiu a parede e o tecto em vários locais. Tudo começou a tremer.


Harry sentiu o olhar de Hermione. Pelo canto do olho viu que a amiga mordia o lábio inferior, como sempre fazia quando queria falar algo. E aí, as palavras dela falaram claramente na sua mente. No entanto, desta vez era apenas uma recordação. Era hora de usar o que lhe fora ensinado.


A gruta em volta continuou a tremer e o tecto não tardou a abrir-se em profundas fendas. As varinhas continuavam conectadas, mas Harry sabia que o momento de quebrar a ligação tinha chegado. A voz de Hórus sussurrou-lhe ao ouvido e as palavras, embora imperceptíveis, tiveram, uma vez mais, um significado claro para Harry.


Com um forte puxão, Harry quebrou a ligação, no entanto, antes que Voldemort atacasse, guardou a varinha e colocou as palmas da mão viradas uma para a outra, com alguns centímetros a separá-las. As palavras começaram a sair automaticamente.


Subvirus, adveho quad occasum! (Sob veneno, vem e cai por terra)


A voz dele ecoou poderosamente por toda a gruta, parecendo ter atingido Voldemort como uma força poderosa. Os olhos do senhor das trevas abriram-se de terror, antecipando o que o seu inimigo fazia. Uma pequena bola brilhante começou a crescer entre as mãos de Harry e, quando, de repente, ele separou as mãos, a bola cresceu até formar um círculo de luz, uma espécie de portal.


Voldemort começou a recuar alguns passos, até que alcançou a parede da gruta. Não tinha por onde recuar mais.


Hesu-sa-Aset fatur vobis, iuguolo vobis, frendo vobis! (Horus fala-te, aniquila-te, esmaga-te!) – O feitiço de Harry completou-se e, à medida que o portal se alargou, um forte uivo foi ouvido para além dele.


– Anúbis garantirá que permaneças para sempre no Inferno, Voldemort.


A expressão de terror de Voldemort converteu-se num misto de fúria e desdém.


– Eu encontrarei um outro jeito de viver, Harry.


Harry sorriu de lado, no mesmo momento em que os dois grandes chacais negros saltaram para fora do portal. Eles eram esguios, com focinhos aguçados, e as orelhas pontiagudas não deixavam margens para dúvidas de que aqueles eram os guardiões de Anúbis.


– Desta vez é o fim, Tom.


O Senhor das Trevas já não teve tempo para responder. Os dois cães alcançaram-no, abocanhando os seus calcanhares e puxando-o na direcção do portal. Harry concentrou toda a sua força em manter o portal aberto, mas o tecto começou a desfazer-se, lançando sobre si pedras de grandes dimensões. Uma delas atingiu-o de lado, fazendo tudo andar à roda e manchas brancas surgirem na sua visão.


Não conseguiu conter a satisfação quando ouviu o rugido de raiva que Voldemort lançou ao perceber que não conseguiria evitar ser levado directamente para o inferno. As forças começaram a abandonar Harry quando a cabeça do seu inimigo finalmente desapareceu pelo portal. E, nesse instante, a porta do inferno fechou-se, levando consigo, para sempre, o pior feiticeiro negro da história.


Uma outra pedra atingiu Harry, desta vez nas costas. Seguiram-se outras mas Harry conseguiu concentrar o que restava das suas forças para impedir o tecto de continuar a desfazer-se. A escuridão envolvia Harry à medida que as suas pernas fraquejavam. E com uma certeza cada vez mais crescente percebeu: Voldemort estava morto… agora poderia descansar em paz. O peso nas pálpebras obrigava-o a pestanejar e não demorou muito para que, finalmente, o seu peso se abatesse sobre si mesmo e os joelhos cedessem.


Os sons exteriores voltavam aos poucos aos seus ouvidos. Sim! Podia ouvir a voz preocupada da sua mãe a chamar por ele ao longe e passos… muitos passos a aproximarem-se. Mas as forças tinham-no abandonado e não conseguiu abrir os olhos, nem quando as pedras começaram a ser afastadas de si, nem mesmo quando dois abraços fortes o envolveram e a voz do seu pai falou baixinho.


– Harry! Harry! – ele estava desesperado, Harry sabia disso. Queria dizer ao seu pai que não se preocupasse, mas não encontrou forças para o fazer.


Uma mão quente tocou-lhe no rosto e ele sentiu uns lábios colarem-se nos seus. Conseguiu finalmente abrir os olhos, a tempo de ver o rosto preocupado de Ginny, com olhos marejados, mesmo ao lado de James e Lily, com Helena no colo. Pelo canto de olho conseguiu ver tantas pessoas que amava, que estavam ali por ele. Ron, Hermione, muitas cabeças ruivas, Sirius…


A sua voz saiu finalmente, mas num timbre muito fraco.


– Acabou, Ginny. Acabou... – ela sorriu-lhe por entre as lágrimas e abraçou-o.


Não Harry. – a voz de Dumbledore voltou a sussurrar-lhe ao ouvido. – Isto não é o fim. O fim não existe… apenas o princípio.


A voz do seu mentor fê-lo embalar e, no meio daqueles que o amavam, finalmente deixou de resistir ao cansaço, embarcando no mais profundo e pacífico sono, sentindo-se seguro pela primeira vez em muitos anos.


 


* * *


 


Nota de beta: Bem… não sei quanto aos leitores da minha adorada irmã, mas depois de um período solitário sem herdeiro de Hórus para ler, este capítulo vem como uma refrescante gota de água, no meio do deserto. Sem tornar esta nota de beta num comentário (que irei postar, logo que a Guida disponibilizar o capitulo), aqui vão palavras soltas em puro desespero por mais: o caminho foi longo… foram várias as vezes que assisti a Guida a escrever, reescrever... vários os serões em que discutimos cenas e ideias. Ela foi a minha prancha de salvação e gosto de pensar que talvez também tenha ajudado (para não ser totalmente egoísta…rs). Sei o quão difícil foi para ela, descobrir tempo para escrever… o quão difícil é descrever uma cena de batalha e criar o ambiente ideal sem destruir a essência das personagens. Ter ideias não é difícil… ter brilhantes ideias é complicado… mas tortura é tentar transpor essas ideias do nosso cérebro, atravessar todos os nossos feixes nervosos, até à ponta dos nossos dedos, obrigando-os a clicar nas teclas do computador de forma a preencher aquela página em branco que nos persegue com símbolos negros a que chamamos palavras. E depois, os nossos olhos captam de volta essas palavras, fazendo-as viajar para o nosso córtex cerebral, que vai avaliar se todo aquele gasto de energia valeu a pena. Valeu a pena Guida… valeu. Descansa esse cérebro e não fiques ansiosa porque valeu. Obrigada pelo refrescante néctar há tanto tempo aguardado! Lightmagid    


 


* * *


 


Nota de Autora:


Não tenho nem cara para pedir desculpas pela demora do capítulo. Dez meses… foi o que me demorou. Durante estes meses aconteceram muitas coisas na minha vida, primeiro na faculdade (o quarto ano foi para esquecer e agora estou no quinto ano… muito, muito trabalho!) e, quando finalmente começaram as férias, aconteceram coisas na minha vida pessoal, coisas que me fizeram afastar completamente de muitas coisas que gostava de fazer. Mas eu precisava disso. Precisava abstrair-me, precisava parar para pensar, para aproveitar a minha vida ao máximo, para encontrar o meu rumo. E foi por isso que, nas minhas férias, afastei-me de tudo, deixei que a paz dos Alpes limpasse o meu espírito e, enfim, voltei, com a cabeça fresca de ideias, pronta para enfrentar mais um ano difícil. Foi só na semana passada, entre muito estudo, que finalmente decidi que estava na hora de pegar outra vez na fic e dar-lhe o fim que ela merecia.


Espero não ter desiludido ninguém mas, depois de muitos meses sem escrever, custou muito sentar-me, de novo, na frente do computador e organizar as ideias em torno desta batalha final. O que acham? Saí-me bem? Ficou tudo claro agora?


Peço desculpa por não responder aos comentários. Esta vossa escritora acabou de ter um “pequeno” acidente na cozinha e agora está com um saco de gelo enrolado na mão. Ou seja, só tenho uma mão livre para escrever. Mas quero que saibam que agradeço cada um dos comentários, principalmente agradeço aos que não desanimaram e continuaram a pedir-me para continuar.


Permitam-me agradecer apenas a esta minha grande amiga, que escreveu essa nota de beta enorme aí em cima (e despoletou as minhas lágrimas – eu estou emotiva, hoje), porque ela é das poucas coisas constantes na minha vida, e porque posso sempre contar com os “puxões de orelhas” dela, com os seus conselhos, com sua ajuda preciosa e, principalmente, com o “colinho” dela quando preciso. Obrigada, maninha.


Fico por aqui, até ao último capítulo (daqui a outros 10 meses, he he he. Just Kidding!).


Um abraço para todos.

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