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14. Apenas um rostinho bonito?


Fic: Era para ter sido apenas um jogo. Aviso on.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/A: continuação... não está grande coisa... mas lah vai!!

OoOoOoO

Hermione notara os fios louros de Draco se esvoaçando com todo aquele vento. Era elegante tal cena, mas reprovou sua atitude em querer pensar em tais coisas. Draco ainda era o irritante e estúpido de sempre, deveria parar com todas aquelas dispersões em sua mente. Lembrara-se do que Alan, o sonserino arrogante, havia lhe dito algum tempo atrás, naquele mesmo jardim. Podia entender o que o sonserino estava tentando lhe dizer, agora que havia admirado Draco de uma forma diferente. As palavras do rapaz soavam fortes em sua cabeça: “Não se iluda fácil com nenhum rostinho bonito”. E isso parecia fazer sentido naquele momento. Afinal, naquele momento já não era mais capaz de negar que Draco era mesmo elegante e esbanjava uma certa beleza. Mas sabia que era apenas um ‘rostinho bonito’, afinal, Draco não era o sonserino mais confiável que podia existir. Isso se algum sonserino pudesse ser confiável. O que Draco pretendia com aquilo tudo, e se ele estivesse apenas a querendo usar. Não conseguia imaginar como, mas era uma hipótese que deveria ser melhor analisada.
Estava tão dispersa em seus pensamentos que nem havia notado o momento em que Draco havia deixado de segurá-la e havia se sentado debaixo de uma árvore, próximo ao lago.
- Então, não vai sentar também?
- Isso não faz sentido algum Malfoy! Nós ainda temos aula, ou esqueceu disso?
- Por isso mesmo Granger. Estamos a sós, ou vai querer que nos vejam juntos?
- Não. Claro que não. O que pensariam de mim. – revirou os olhos
- Que você reconheceu meus encantos! – mais uma vez estava disposto a levar aquilo tudo na esportiva que sempre levava as coisas
- Muito engraçado, Malfoy!
- Eu sei disso. Então vamos acabar logo com isso. – Draco insiste
Hermione se recusa a sentar-se de frente ao sonserino para aquela possível conversa. Sabia que podia mesmo estar se iludindo com um rostinho bonito. Mas também sabia que não. Afinal, sempre acreditou que todo mundo pudesse ter um lado bom por trás de todo o ódio, e vice versa. Mas resolvera render-se, precisava saber até onde Draco iria com aquilo.
- Pode começar, Granger.
- Isso é patético. Nós nem nos conhecemos direito. Como quer que eu desabafe sobre os meus problemas. – dissera rindo ironicamente, sentada de frente para o sonserino e tentando não fitá-lo muito nos olhos.
- Ah, então é isso que a impede de se desabafar comigo? Prazer... Sou Draco Malfoy, mas pode me chamar de “doninha quicante”. Sou o mais sexy de Hogwarts e também o mais inteligente, gostoso, engraçado, atraente e simpático. Bom, elas costumam pegar senha, mas eu não me importo se alguém tentar furar fila. E ah, não esqueça, sou um sonserino, mas não pretendo me gabar muito por isso não. E tome cuidado, um aprendiz de comensal pode ser mais perigoso que um próprio.
Aquele havia sido a autobiografia mais irritante que Hermione podia ter ouvido, afinal, Draco não chegava nem ao menos perto de tudo isso que dissera ser. Sorriu diante da audácia do louro, mas tentara não fazê-lo notar o sorriso. Draco podia mesmo ser engraçado às vezes. Em momentos como esse, ela tinha sempre a leve impressão de que ele podia ser “o seu melhor amiguinho em Hogwarts”, mas sabia que isso não fazia o menor sentido e, portanto, tornava-se impossível.
- Onde aprendeu a ser tão convencido? – resolvera não permitir que ele pudesse se gabar tanto.
- Lei da sobrevivência, minha cara. Sua vez. – Fizera um sinal de ‘prossiga’ com os olhos
Hermione respirou fundo, pensou inúmeras vezes antes de dar início aquilo. Analisou perfeitamente todos os prós e contras e simplesmente resolveu fazer o que o rapaz havia pedido.
- Como quiser. Prazer... Hermione Granger, ou se preferir a “Intragável Granger”. Há essa altura não sei mais contar mentiras, então sou essa grifinória ridícula, problemática, sem amigos de verdade, amorosamente destruída e que já não vê mais graça nem nos estuodos. E não se preocupe, não vou tentar contaminá-lo com meu sangue-ruim.
Definitivamente, sabia que aquela havia sido a autobiografia mais sincera que alguém podia ter feito. Sorriu triste constatando que nada do que dissera era mentira ou não correspondia à realidade. Sentiu-se triste por um momento.
- Onde aprendeu a ser tão negativa e ao mesmo tempo tão sincera?
Mione se irrita com o comentário, mas ignora, como sempre faz diante de tais audácias ofensivas.
- Ok. Era brincadeira. Foi um bom começo, não acha?! E então, vai me contar o que aquele imbecil do Potter fez pra você odiá-lo tanto?
- Não sei se devo dizer. Não sei se quero fazer isso. Você nunca se interessou pelos meus problemas e em querer resolvê-los! É como se tudo isso soasse...
- Falso?
- Não... quer dizer... – se enrolou com as palavras...
- Tudo bem! É um direito seu pensar isso a respeito. Mas nós já chegamos até aqui, não acha que devíamos continuar ao menos?
- É difícil ter que falar sobre isso com alguém. É vergonhoso ter que me abrir dessa forma pra alguém.
- Nâo é pra ‘alguém’, é pra mim que você está fazendo isso, Granger.
- Como se isso fizesse alguma diferença. Malfoy.
- E pode se abrir o quanto quiser. – Draco sentiu o peso dos olhares de ódio de Hermione, e entendeu no mesmo momento que aquela piada havia sido grosseira demais.
- Suas piadas são ótimas, Malfoy. – resolvera não se estressar com o louro.
- Ah, obrigada.
- Pena que eu sempre me esqueça de rir delas. – uma ótima afronta, mas para Draco nada disso o afrontava
- Certo. Não vai dizer o que Potter fez, afinal?!
- Traição, Malfoy! Você deve saber bem do que estou falando.
- Modéstia parte, sei sim. Não sabia que você e o cicatriz tinham um caso.
- Era segredo, ninguém sabia, e ninguém sabe. Quer dizer... exceto você.
- Que honra Granger... então eu que vou espalhar isso pra Hogwarts?
- Faça isso e eu quebro a sua cara, Malfoy. Nessas horas é que eu me arrependo de estar aqui.
Pareceu cair na real ou notar que havia contato toda a razão de seu sofrimente para o sonserino. Talvez estivesse surtando com tantas piadas sem graça e grosseiras que o rapaz fazia a todo o tempo, ou estava mesmo tendo coragem suficiente de confidenciar as memórias mais sofridas que trazia no peito.
- Ow... mais drama, Granger... será que não percebe quando estou brincando?
- Não, Malfoy...porque eu sei que você seria bem capaz de estar falando sério.
- Você é muito certinha, Granger... é por isso que não ri das minhas piadas... porque muita gente diz que eu tenho vocação pra isso!!!
- Pra palhaço? Tem sim, Malfoy... pena que descobriu tarde.
- Não, Granger... pra fazer as pessoas sorrirem... Pessoas como você: frias, certinhas e infelizes.
- Ah... ótimo. Então vamos mesmo terminar essa conversa com ofensas?
- Não!!! Não foi pra isso que vinhemos aqui... ! – agira rápido, ou a qualquer momento Hermione poderia lhe dar as costas e toda a sua chance de conquista e de vencer a aposta estariam perdidas.
- Devia ter percebido isso há muito tempo, então!!! – Hermione estava mesmo muito irritada.
- OK!! Então, Granger... e desde quando você dá uns amassos no Potter? Pensei até que ele não soubesse beijar!!
- Por favor, Malfoy... pensei que quisesse ajudar. Não está ajudando em nada o ofendendo dessa forma.
- Certo... foi mal... mas eu só estava brincando... de novo!! Afinal... o Potter até já deu uns pegas na oriental!! Se bem que ela foi a única, não é mesmo!!! Pensei que o Potter estivesse desistindo das mulheres. – um comentário nada interessante, diria Harry se o ouvisse.
- Eu e Harry não estamos mais juntos, isso não é óbvio Malfoy? Fui traída!!!!
- E com quem? Ora... o Potter não está com essa bola toda não Granger. – Draco estava curioso, aquela conversa estava mesmo se tornando cada vez mais interessante.
- Ah... claro. Pra sua informação, Malfoy... o Harry não é mais o mesmo já há um bom tempo. Nada do que nós tivemos tem alguma importância pra ele, tudo o que ele quer é ser um cretino canalha e me magoar cada vez mais.
- Ow... quem diria! Aquele magricela tapado pegando todas. Afinal... com quem ele te traiu?
- Tapado é você, Malfoy!! Se continuar ofendendo eu páro aqui mesmo. – Draco não desistiu de tantas gracinhas. Hermione respirou fundo e continuou. - Me traiu com minha melhor amiga!
- Interessante!
- Nunca pensei que ele fosse se interessar por ela algum dia. Ele nunca se interessou... durante todos esses anos. Ele não podia ter feito isso comigo, eu o amava, e ele também me amava, era isso o que ele sempre dizia, e o mais sincero possível. Nós éramos tão felizes. Harry sempre dizia que íamos ficar juntos pra sempre e seríamos muito felizes.
Finalmente, Hermione estava fazendo o que Draco desejava que ela fizesse: desabafando. Prova clara de que já estava confiando nele, e mais do que isso, já estava sentindo-se confortáve em estar ao lado dele.
- O velho golpe do “felizes para sempre”.
- Não, Malfoy. Era sincero, estávamos apaixonados. Harry dizia que eu era única pra ele, porque me considerava especial.
- Novamente, o golpe do “você é única”.
- NÃO, MALFOY!! Não é assim. Harry me amava de verdade.
- Granger, você não percebe que era essa a intenção dele? Fazer você acreditar que ele realmente te amava?
- Não! Claro que não!
- Claro que sim, Granger.
- NÃO, MALFOY!!
- GRANGER... PRESTA ATENÇÃO EM UMA COISA. O que eu vou te dizer não é pra tentar te envenenar contra o Potter só porque eu o odeio, só acho que você me parece ingênua demais pra entender a verdade. O “Sr. Potter” pode tê-la até amado de verdade, mas não deu valor algum aos seus sentimentos, porque talvez ele só quisesse se divertir às suas custas. Se ele gostasse mesmo de você, não teria lhe traído.
- Eu sei disso, Malfoy. Não sou tão ingênua quanto você pensa que eu seja. Mas um dia, eu realmente fui única pra ele, e um dia nós juramos que seria para sempre.
- Um dia Granger... mas e agora? Ele te trocou por outra, isso soa interessante pra você?
- Não, Malfoy. Eu detesto o Harry por isso. Por ele ter me iludido, me traído e me magoado tanto. Acho que nunca mais vou ser capaz de perdoá-lo.
- O Potter é realmente um “cretino canalha”, e o que ele quer é ter todas. Sabe por que eu digo isso Granger, com tanta certeza? Porque ele está cada vez mais parecido com o que eu sou. A única diferença é que eu nunca amei alguém de verdade, mas sempre desvalorizei o sentimento delas. Eu nunca me importei com elas, mas as fazia acreditar que seria para sempre e que elas eram únicas pra mim, quando havia milhares delas esperando por mim. Você caiu direitinho na farsa dos canalhas, Granger. Devia ter se precavido, isso não é nenhuma novidade, e talvez você não estivesse sofrendo tanto agora.
- Por que está dizendo isso pra mim, Malfoy? Pensei que só a Parkinson pudesse chamá-lo de canalha. Será que é nessa farsa que a Parkinson vive até hoje?
- Em primeiro lugar, Granger, tem sempre uma hora na vida de cada um em que a gente precisa confessar esse tipo de coisa. E depois, minha vida particular com ela não diz respeito a você.
- Mas a minha vida com o Harry diz respeito a você, é isso?
- Sua vida com o Potter? E existe uma vida? Pensei que estivesse mesmo óbvio... o Potter agora está se preocupando em construir uma vida com uma “outra” pessoa...
- É, Malfoy... é óbvio o bastante sim. Muito corajoso da sua parte admitir suas “virtudes”.
- Ah, obrigado.
Silêncio. Ouvia-se apenas as suas respirações e o ruído que o vento provocava em seus ouvidos.
- Quem é ela?
- Não posso falar.
- Prometo guardar segredo.
- Não posso!
- Mas eu sou ótimo pra guardar segredo. Pode perguntar ao Alan se algum dia eu contei pra alguém que ele costuma dormir com cuecas de fênix nos dias de verão!!
- Cuecas de fênix? Essa é arrasadora.. – fizera uma expressão enojada com a revelação.
- Oops...!! Acho que isso era pra ser segredo né?
- Era, definitivamente!!! Mas... ela não tem culpa, Malfoy. Ela não sabia de nós, Harry nos iludio.
- Por favor Granger... não me deixe curioso.
- Está tarde, eu ainda tenho aulas.
Hermione agira depressa, sabia que se Draco continuasse insistindo, ela acabaria revelando, e não desejava que Hogwarts descobrisse tão cedo que a irmã caçula de Rony tinha um caso, ou melhor, estava de namorico com o “menino que sobreviveu”. Harry descontaria a culpa pela fofoca sobre ela, afinal, era a única que realmente sabia do caso. Às vezes detestava essas suas linhas de raciciocínio, pois sempre faziam parecer que ela estava defendendo o Harry que agora odiava tanto.
- Espere, Granger... eu também tenho que ir.
Draco se levantara depressa, para que não deixasse que ela partisse sem ele. Desejava que aquela conversa se prolongasse por mais tempo, mas sabia que Hermione não permitiria. Mas já estava satisfeito com o que havia descoberto, e mais do que isso, estava satisfeito por saber que havia conseguido ganhar alguns pontos com a sabe-tudo. Sorriu vitorioso, discretamente, e seguiu de volta para o castelo ao lado da castanha.
- Viu, Malfoy. Fez com que eu perdesse o meu tempo nessa conversa idiota. E não me ajudou em nada.
- Isso é o que você pensa. Não foi bom conversar com alguém sobre isso?
- Era esse tipo de ajuda que pretendia me dar? Eu podia tê-la conseguido até mesmo com os meus ursinhos de pelúcia.
- Mal agradecida, e todos os meus conselhos?
- Não vão me fazer falta. Disse tudo o que eu já sabia.
- Ah... então é mesmo mal agradecida?!
Mione aperta seu passo e ignora o comentário ofensivo, como todos os outros.
- Certo, tive uma idéia.
- BRILHANTE! Mas tarde demais.
- Não!! Vou pensar em algo pra fazer e que possa ajudá-la nisso.
- Vai me comprar um novo chapéu bruxo que escondas as minhas galhadas cada vez mais visíveis?
- Ah... seria uma boa idéia, até. Mas não sei se eu encontraria um. Nessa época do ano deve estar em falta nas lojas.
- Muito engraçado. Você é patético..
- Mas foi você quem deu a idéia.
- Mas não precisava dar corda à ela.
- Então me avise quando eu não puder fazer isso!!
- Não vai ser preciso. Quero mesmo é manter distância de você. – Hermione fora ríspida mais uma vez.
- Ah... quer mesmo?
- Sim!! Não preciso da sua ajuda! Sei viver perfeitamente bem com os meus problemas...
- E com a sua galhada também? Não vai precisar de ninguém para envernizar de vez em quando?
- ARG!! Você está passando dos limites, Malfoy. Mais uma piada dessas e eu esqueço que estamos fartos de tantas brigas.
- OK! Mas esqueceu que eu dei minha palavra? E a palavra de um Malfoy vale muito, Granger!!!
- Ótimo!! Antes você não fosse um Malfoy.
- Impossível. Todos os Malfoy’s são o máximo. Como eu poderia não ser um?!
- Oh!! Sou obrigada mesmo a escutar esse tipo de coisa??
- Nesse exato momento, sim!!
- Isso não faz o menor sentido, Malfoy. Desde quando um Malfoy me ajudaria? Ainda mais se esse Malfoy for você.
- É uma pergunta interessante.... e eu tenho os meus motivos pra estar fazendo isso. Pretendo conseguir uma passagem tranqüila no dia em que Merlim me nomear o mais sexy de todos os deuses.
Mione ri diante de tanta besteira. Não havia conseguido se conter dessa vez, Malfoy estava mesmo passando dos limites com todas aquelas pidas, já conseguia até ser engraçado, às vezes.
- Ah... eu sabia que minhas piadas eram engraçadas... tem que parar de não dar o braço a torcer, Granger... isso vai envelhecê-la mais rápido.
- Porque esse papo de envelhecer mais rápido? Qual o seu preconceito com as idosas?
- Com as idosas nenhuma, mas com os seios caídos, as barrigas flácias e as rugas no rosto, todo o preconceito possível.
- Então Madame McGonagall está fora da sua lista das mulheres perfeitas, não é?! – agora era a sua vez de fazer algum tipo de piada. Estava contagiada com aquele espírito de ironia.
- Ow... isso é raro. Granger fazendo um comentário desse tipo? Isso é.... certo, por acaso?
- Não!!! Mas a sua influência tem me tornado uma péssima pessoa.
- Eu sabia que eu mantinha alguma influência sobre você... mesmo que negativamente!!
- Sem dúvidas. – concordara no mesmo instante.
Seguiram lado a lado até a entrada que dava acesso ao castelo. Por sorte, nenhum aluno, nenhum professor e, principalemente, nenhum Filch. Hermione sentia-se leve depois de toda aquela conversa. Não queria admitir, mas talvez o desabafo havia feito bem a ela. Mais do que isso, havia tido a oportunidade de conhecer um tanto mais apreensivamente o sonserino que detestara durante anos. Esse ódio podia estar prestes a acabar? Era talvez uma dúvida que demoraria para ser esclarecida.
- Então, Granger... eu dei minha palavra... em breve vai presenciar o poder de um Malfoy sobre os “canalhas cretinos”.
- Não vejo a hora, Malfoy. – Hermione brincara quanto a isso.
- Disso eu não tenho duvidas.
Draco dissera isto em um tom baixo, devido ao fato de o dizê-lo quase muito próximo ao ouvido da castanha. Aquela aproximação nunca era muito bem vinda, afinal, poderia terminar da forma mais inesperada possível.
Draco aproximou-se bem mais de Hermione, e a mesma não ousou impedir a aproximação, talvez porque estivesse atordoada o bastante para mover-se. Não sabia como agir, simplesmente esperou para ver do que Draco seria capaz daquela vez. Sem que pudesse imaginar, Draco segurara sua cabeça com suas duas mãos e a puxara para mais próximo de seu rosto, muito delicadamente. Fitara com os olhos, em profundo desejo, os lábios de Hermione, que automaticamente estremesseram diante daquilo. Draco aproximara seus lábios dos lábios da castanha, fitando-os sempre, como se estivesse a seduzi-los de alguma forma. Encaixara perfeitamente seus lábios finos aos lábios rosados da moça, e os pressionara com força, selando um beijo que havia durado alguns poucos segundos. Sem línguas, sem troca de salivas, porém caloroso o bastante para provocar arrepios em Hermione. Draco mordiscara de leve o seu lábio inferior, afastando-se e o trazendo consigo, preso em meios a seus dentes. Soltara ainda desejoso por voltar a fazer aquilo, e fitara Hermione uma última vez. Havia sido a troca de olhares mais ameaçadora que já havia occorido entre eles. Nâo porque fossem inimigos e cada um representasse perigo ao outro, mas porque tratava-se de um aparente jogo de sedução, e aqueles olhares transbordavam de desejos. Hermione tentou recompor-se, mas já era tarde, Draco havia notado a sua reação um tanto abobada diante de sua atitude.
Seria um passo direto para o seu sucesso na aposta?
Draco não fazia idéia do quanto já havia conseguido tocar Hermione. Talvez estivesse iludido, talvez a “Intragável Granger” pretendesse honrar seu majestoso apelido até o fim. Talvez ainda fosse ter muitas dores de cabeça por tentar invadir um território que não conhecia absolutamente nada. Nesses momentos, Draco azarava Alan mentalmente por ter bolado aquela aposta inútil. E em pensar que só porque havia olhado para Hermione com olhares curiosos diante do amigo, e dessa forma acabou por ser mal interpretado.
Eram quase dez horas da manhã, acabara de selar um beijo em Hermione e se separara da moça, seguindo em uma direção oposta a dela. Podia sentir a maciez dos lábios da castanha muito vivamente em seus próprios lábios. Se arrependera por não ter tentado explorar mais todo aquele universo que a indomável e ‘jeitosa’ Granger escondia dentro de si. Draco estava cada vez mais curioso com toda aquela descoberta realizada naquela manhã. Nunca imaginara que Hermione pudesse ter tido alguma relação com o santo Potter, era quase inacreditável imaginá-los juntos. Nesse momento chegou a pensar que talvez Hermione pudesse ter mentido a respeito para fazê-lo de bobo. Mas lembrou-se das lágrimas, da preocupação da castanha com seus problemas e da sinceridade com que pareceu desabafar sobre eles. Draco desejava saber quem era sua melhor amiga e a suposta amante do Potter cicatriz. Talvez resolvesse parabenizá-lo caso a escolha fosse mesmo boa.
Tudo o que tinha que fazer agora é investigar o caso. Diante de tantas novidades sentia até vontade de poder entregar os fatos para a redação do pequeno jornal que circulava por Hogwarts todas as semanas. Sabia que Hogwarts se choraria com uma notícia desse tipo: um belo triangulo amoroso, embora Hermione já não estivesse mais com ele. Mas Draco tinha a leve impressão de que Harry estava tentando seduzir Hermione novamente. Ou melhor, tentando iludi-la novamente. Lembrava-se da cena que havia presenciado em um corredor escuro, onde os encontrara em uma situação bastante suspeita. Aquela lembrança que havia martelado em sua cabeça, porque Hermione havia lhe agradecido por ter aparecido e interrompido a suposta ‘conversa’ de ambos. Mas agora parecia claro para ele, a razão do “obrigado”, que Hermione não quis justificar, havia sido pelo fato de não suportar as atitudes canalhas de Harry, como ela mesmo havia dito.
Hermione seguiu pelos corredores em direção à sala onde teria sua última aula do dia, junto com todos os outros grifinórios apenas. Seguia em passos lentos e um tanto distraída, visto que não conseguia parar de pensar no que havia acontecido minutos atrás: o beijo. Um beijo diferente... diferente daquele que o Malfoy já havia lhe dado. Um beijo sem línguas e sem salivas, um beijo de lábios e bastante caloroso, apesar disso. Não conseguia entender as razões para aquilo. E também não entendia as razões por ter permitido que Draco fizesse aquilo.
Novamente, aquela situação estava fugindo de seu controle, e não considerava isso muito interessante. Não podia deixar que um metidinho a comensal mantivesse tanto domínio sobre ela. Mas não conseguia esquivar-se das atitudes inesperadas do Malfoy.
Lembrava-se do beijo agora, mal havia notado quando ele havia se aproximado dela. Era como se o perfume que exalava de suas roupas a tivesse feito entrar em profundo transe. Sentiu as mãos macias e geladas do garoto roçando em sua pele, e sua cabeça sendo levemente puxada para perto do rosto dele. Havia sido o momento mais estranho de sua vida, não conseguia prever do que Draco seria capaz. Era como se ele houvesse feito com que ela não conseguisse raciocinar direito sobre os fatos, afinal, qualquer um que presenciasse a cena entenderia perfeitamente bem o que Draco pretendia com aquilo. Por essa razão, não reagiu a nada. Simplesmente permitiu que ele se aproximasse e selasse o beijo mais doce que já havia provado. Aqueles lábios macios, finos, levemente molhados de saliva, que tocava em seus lábios, trêmulos, e os pressionava uns contra os outros, enquanto mordiscava de leve um deles e o puxava com uma discreta agressividade que lhe provocava arrepios na nuca.
Balançou a cabeça por vezes e tentou desfazer as lembranças. Malfoy teria de dar explicações, ou simplesmente o ignoraria para sempre.
As aulas no fim da manhã transcorreram agitadas e exaustivas para ambos. Hermione estava ansiosa para retornar para sua casa e descançar até o horário do almoço. Pensar em todos aqueles detalhes havia lhe deixado exausta e não podia pensar tanto. Criaria esperanças bobas e não permitiria que isso acontecesse.
Draco pretendia investigar as amizades de Hermione... seria uma aventura, visto que só teria que se preocupar com as garotas. Ao final de sua aula seguiu para os corredores que davam acesso à sala de Transfiguração, aula que Hermione acabara de ter. Sabia disso porque ouvira alguns grifinoriozinhos idiotas comentando.
Aproximou-se da porta de carvalho que dava acesso a sala e esperou que os alunos fossem liberados pela professora. Por sorte, não demorou muito e todos já disperçavam pela direção oposta de onde estava escondido. Nao podia ser visto, muito menos por Hermione.
Depois de muitos alunos que saiam da sala, Draco avistou Harry, que seguia ao lado de Rony. Estavam muito contentes, e conversavam agitados, parando diante da porta para esperar por alguém. Era justamente por Hermione que eles esperavam.
- Mione... quer ir conosco até a cabana de Hagrid. Acho que agora você pode aceitar meu convite, espero que não tenha que estudar. – Rony fora muito simpático.
Draco notou que a simpatia que Rony demonstrava ao conversar com Hermione não era a mesma que Harry demonstrava ao fitá-la. Afinal, Potter não deveria estar tentando comê-la com os olhos? Pensara que Harry fosse mesmo um grande canalha como Hermione disse, mas via que ele parecia detestá-la tmbém.
- Ah... desculpe, Rony, mas eu estou um pouco indisposta. Prefiro passar o resto da manhã descançando. – Hermione respondera ao ruivo.
- Tem certeza? Hagrid ficaria feliz em te ver também.
- Tenho sim. Nos vemos no almoço, ok?
Rony sorrira para Hermione muito simpático e dera as costas para a mesma, puxando Harry para prosseguir junto a ele. Harry não dirigira uma única palavra a Hermione, mas a fitava a todo o instante, com olhares nada amigáveis. Porém, Hermione tentava desviar os olhares de Harry. Se estava brigada com o rapaz, não precisaria ter de fitá-lo. Evitava qualquer contato com ele, pois sabia que Harry poderia interpretar erroeamente.
Draco observava a tudo escondido atrás de uma armadura de algum dos fantasmas do castelo, e obseravava atentamente as expressões de Hermione.
Até que ouvira, no meio da pequena multidão de alunos que ainda saia da sala:
- Mione... Mione!!
Era Lilá que chamava por ela, e Draco observou as expressões com que fitaria a garota um tanto abobada. Hermione não parecia contente em ter que dirigir a palavra à garota, estava emburrada e a fitava sem muito gosto. Poderia ser ela a sua “melhor amiga” e “amante do Potter”? Talvez!! Foi nesse instante que viu Harry virar o rosto na direção de Hermione e Lilá, observando as duas e voltando a focar seu caminho, porém comentando algo com Rony.
- Pensei ter ouvido a voz da Gina.
Algo que Draco não havia escutado e nem ao menos havia conseguido decifrar.
- Gina? Aqui? Acho que você é que tá pensando muito nela e fica ouvindo coisas. – Rony comentara.
- Não enche, Rony... por que eu pensaria na sua irmã?
- É bom mesmo que não pense. – e direcionara uma expressão de autordidade.
A prova que Harry queria de que não seria nada interessante se o amigo descobrisse sobre seu relacionamento com a ruiva.
Draco estava confuso diante da cena e de todas as suposições que se formaram rapidamente em sua cabeça. Lilá poderia ser a melhor amiga de Hermione e a garota pela qual Harry trocara a Granger? Aquilo não fazia o menor sentido, pesanava consigo mesmo. Lilá não era o tipo de garota interessante, e não parecia interessar ao “Potter”, afinal, Lilá era completamente diferente de Hermione. Lilá era desajeitada, sempre muito alegre e tagarelando por todos os cantos. Hermione era o tipo de garota que, sem sombras de dúvidas, fazia o tipo de Harry: certinha, justa e sincera. O tipo de garota que não agradava à ele, acostumado a estar sempre acompanhado de garotas irresponsáveis e sempre prontas para qualquer tipo de diversão que infrinja ao menos metade das regras de Hogwarts.
Tentar buscar por informações a respeito daquele caso havia sido uma idéia realmente estúpida, afinal, havia simplesmente conseguido criar mais dúvidas em sua cabeça, ao invés de esclarecer todas as já existentes. Mas na verdade, sua curiosidade estava ultrapassando limites, nunca havia pensado na possibilidade de Hermione realemente ter se relacionado amorosamente com o “Potter” que detestava tanto. Em suas discusões com a castanha nunca perdera a oportunidade de enfrentá-la com suposições a respeito de um possível caso com o “cicatriz”, mas o fazia pois sabia perfeitamente bem o quanto Hermione detestava que esse tipo de suposição fosse feito em relação a ela e seu ‘amiguinho’. Draco gostava de irritá-la, sentiu um prazer imenso ao vê-la cerrar os olhos, tomada por uma onda gigantesca de ódio. Não entendia ao certo porque parecia ser tão prazeroso discutir pelos corredores com a grifinória, afinal, perdia parte do seu dia em ofensas bobas e intermináveis, quando o podia estar aproveitando em alguma sala vazia de Hogwarts com alguma bruxa que fosse de seu interesse ou fácil de mais para cair em suas garras.
Na verdade, era uma sensação quase inexplicável que corria dentro de si, quando irritava Hermione. Era sensacional a sensação de que estava conseguindo causar algum efeito na moça, e a sensação de que ela realmente o odiava, a ponto de revidar todas as ofensas e deixar sempre muito claro o seu desprezo por ele. Chegava a temer toda a ira da Granger, às vezes, e isso lhe causava a adrenalina que sempre buscava ao afrontá-la quase em todos os momentos. Aquela onda de insegurança, aquela sensação de invalidez diante de toda a ira da castanha, era o que o fazia seu sangue correr cada vez mais rápido por suas veias.
O dia em que venceria a aposta e faria Alan pagar, provavelmente, o maior mico da sua vida, estava cada vez mais próximo, e ainda estava inseguro quanto ao fato de realmente vencer. Há essa altura já se arrependia de ter apostado com o amigo, afinal, parecia uma tarefa árdua demais ter que consquistar Hermione. Conquistá-la era a única opção que Draco teria para conseguir beijá-la diante de toda Hogwarts no dia em que fosse dado um baile no castelo. Seria uma cena realemente escandalosa, e sabia que teria de suportar a ira da Pansy e ter de explicá-la por séculos que havia sido apenas uma aposta.
Pensando nisso, em ter que fazer a Pansy entender que era apenas uma aposta, Draco pensou na reação de Hermione quando descobrisse que havia sido alvo de uma aposta. Certamente, deveria se sentir contente com isso, afinal, ao menos parecia ter alguma importância para os sonserinos, mesmo que apenas para um deles provar o quanto é capaz de ter nos braços quem simplesmente quiser. Mas Draco não precisaria contar à castanha que a mesma havia sido alvo de uma aposta. Fazia sentido. Só não sabia se conseguiria esconder isto da grifinória.
“Ganhar essa aposta não vai ser nada fácil...”
Draco havia pensado consigo mesmo ao ver Hermione e Lilá se afastarem juntas. Ainda estava encabulado quando ao fato de Lilá ser a suposta melhor amiga pela qual Hermione fora trocada por Harry. Balançou a cabeça e jogou as dúvidas para bem longe. Hermione teria de lhe contar. Não seria justo ter escutado todo o seu desabafo, ter dado todos aqueles conselhos, e prosseguir com a dúvida quanto ao nome de quem havia substituído Hermione na vida de Harry.
Fez uma lista mentalmente das garotas que eram próximas do “Potter”. Constatou a presença de garotas que, definitivamente, não faziam o tipo do Harry, assim como Lilá. Seria até mesmo hilário o bastante se descobrisse que Luna seria a amante do Potter.
Decidiu esquecer tudo isso e concentrar-se somente na sua caminhada até seu salão comunal. Havia dado a sua palavra quanto a ajudar Hermione em seus problemas amosos. Se conseguisse alguma idéia brilhante para poder ajudá-la, estaria certo de que conseguiria conquistá-la de vez. Ou talvez não, não sabia ao certo até onde Hermione poderia ser Intragável.
Hermione seguiu para seu dormitório, acompanhada de Lilá. Conversavam pouco durante o caminho, e Hermione não demonstrava dar muita atenção à moça. Já no salão comunal da Grifinória, Lilá interrompeu Hermione já próxima das escadas que davam acesso ao dormitório:
- Mione... você está com algum tipo de problema? Talvez eu possa ajudá-la...
Hermione não entendeu a repentina pergunta da garota. Por que estaria lhe perguntando isso? Por acaso daria uma de Malfoy e prometeria achar uma solução para seus problemas? Aquilo já estava parecendo absurdo demais.
- Não, Lilá! Por que perguntou isso? – Hermione buscava explicações.
- Você tem estado diferente. Conversa pouco comigo, e às vezes sem muita vontade. Eu tenho respeitado, não sei se o bastante, mas tenho. Mas acho que existe alguma coisa que está te incomodando muito ai dentro de você, e seria interessante se me dissesse, talvez eu possa diminuir sua preocupação ou dor.
- Não, Lilá. Não poderia. Agredeço sua preocupação, mas não há nada que você possa fazer por mim. Sabe, nem é mesmo muito grave.
- Tem certeza disso?
- Tenho sim. Eu simplesmente me importo demais com eles, e nem mereciam tanta preocupação. – sorrira para a moça, abaixnando a cabeça.
- Posso imaginar. Eu também tenho passado por muitos problemas ultimamente. Mas eu tenho desabafado bastante com os amigos, porque isso sempre me faz sentir aliviada. Não gostaria de tentar? – Lilá sorria muito gentilmente.
- Já tentei. E quer saber... desabafei com a pessoa errada. E depois, não me ajudou em nada. – erguera os olhares para fitar a garota, mas diperçou os pensamentos e fez surgir em sua mente a imagem de um Malfoy sentado nos gramados do castelo e lhe fazendo abrir o jogo sobre tudo.
- Então acho que não ajudou em nada simplesmente por que desabafou com a pessoa errada. – insistira.
- Talvez. Mas não foi uma idéia muito interessante, sabe, porque o meu tipo de problema não diz respeito a ninguém, e ninguém compreenderia. A não ser um estúpido e irresponsável, que acha que pode manter domínio sobre mim e me forçar a fazer e dizer coisas que não quero.
Lilá pareceu ficar surpresa com o comentário da castanha. Hermione pronunciava suas palavras muito irritada, e era como se estivesse diante de Draco dizendo-lhe tudo aquilo pessoalmente, pois sua presença parecia constante desde o beijo há algumas horas atrás. Talvez simplesmente pelo fato de que o beijo havia lhe tocado, por mais que não quisesse ou não permitisse que isso acontecesse. Estava cada vez mais sem controle algum sobre seus sentimentos, pensamentos e atitudes.
- Ok, Mione. Sei que você não quer mesmo desabafar com os amigos. Gina insistiu bastante também, e você se irritou muito com ela. Não quero que se irrite comigo. Preciso de você para nossa pesquisa de Poções. – e rira com seu comentário.
- Ah, já estava esquecendo. Tenho que fazer um trabalho também com o Malfoy. Snape parece saber o momento certo pra esses tipos de punições. – e rira junto da amiga.
- Malfoy? Soube que vocês tem se enfrentado bastante em Hogwarts. Acho que vocês realmente não se suportam. Por que não se afasta de um vez dele? Talvez seja essa presença contante do Malfoy, e bastante irritante pra você, que tem te deixado tão atordoada ultimamente. – era a opinião sincera de Lilá.
- Como sabe que tenho discutido diariamente com o Malfoy?
- Sou próxima de uma sonserina, que por uma grande infelicidade é muito próxima da idiota da Parkinson. Essas sonserinas estão sempre por dentro dos assuntos quando dizem respeito ao Malfoy. São todas loucas por ele.
- Não entendo a razão. – e dera as costas, muito ironicamente, sentando-se em um sofá e fitando o jardim.
- Bom, talvez você não entenda, mas eu tenho me esforçado muito para entender, e confesso que tenho que concordar com todas elas. Eu também seria louca por ele, se pudesse ao menos conhecê-lo. Malfoy é mesmo muito reservado, não acha? – Lilá era sincera em suas palavras.
Lilá sentara-se ao lado da castanha no sofá e fitava os jardins também. Hermione repudiou o comentário da garota. Não pensava que a garota poderia pensar como aquelas sonserinas idiotas e fracas de cabeça o suficiente para se rendererem sempre aos falsos encantos de Draco. Fitou a garota com olhares de incredulidade.
- Reservado, Lilá? Você tem certeza disso? – Hermione simplesmente não aceitava a opinião da moça. – Malfoy é um metido, antipático e estúpido. Não tem amigos porque ninguém suporta a sua presença e toda a sua arrogância. Muito menos eu.
- Ah, Mione. Não seja tão má. Você pode não suportá-lo, mas certamente muitas pessoas o suporta, afinal, ele nunca está só! – Lilá parecia encantada quando falava de Draco.
- É essa mesmo a sua opinião? Você considera aquele sonserino arrogante que responde pelo nome de Alan O’Dowd o bastante para achar que o Malfoy nunca está só? Então acho que eu devo ser uma fada mordente com asas de fênix. – e mais uma vez fora irônica.
- AH, Mione. Quando é que seu ódio pelo Malfoy vai acabar, hein? Precisa tentar ver o lado bom dos outros, mesmo que esses sejam os seus piores inimigos.
E dito isto, Lilá despediu-se de Hermione com um beijo no rosto e seguira para o dormitório. Hermione permanecera sentada, fitando os jardins vazios da escola. Pensava sobre o que a garota havia dito, mas aquilo de nada servia para ela. Malfoy era o estúpido e arrogante que conhecia e não mudaria de opinião até que ele provasse merecer muito a sua consideração. Era verdade que suas discussões com o rapaz estavam cada vez mais constantes em Hogwarts, mas era algo de que não podia manter controle algum. Malfoy sabia irritá-la e tornava-se impossível não retribuir a todas as ofensas e desaforos. Tinha o seu orgulho, assim como ele.
Hermione lutava para tentar, ao menos, entender as razões que a fazia sempre mostrar-se tão vulnerável diante do sonserino, principalmente quando este a surpreendia com os beijos inesperados. Hermione não poderia permitir que fosse beijada por um Malfoy. Harry e Rony não a perdoariam por isso, nem mesmo Gina. Podia não tê-los mais como melhores amigos, por exceção de Rony que nada tinha a ver com aquela situação, mas sabia que eles a detestariam se soubessem dos acontecimentos recentes. Dois beijos seguidos, em um curto intervalo de tempo.
Onde estava sua honra permitindo que seu inimigo mantivesse autoridade sobre ela. Estava agindo como uma das sonserinas fáceis com quem Draco se relacionava às escondidas, pois Pansy não permitiria vê-lo enrabichado com outras além dela, apesar de estar claro que a traição era presente em ambos os lados, embora nenhum deles tivessem a plena certeza disto.
Hermione tentou desfocar seus pensamentos do Draco que estava começando a odiar, depois de chegar a conclusão de que ele estava se aproveitando cada vez mais de sua fraqueza, agora que conhecia todo os seus problemas. Hermione não entendia de onde havia tirado coragem suficiente para desabafar com Draco, sabia que estava se arriscando, e mesmo assim o fizera. Esperaria que o garoto esquecese da conversa e daquela história idiota de que a palavra de um Malfoy valia muito. Para ela, nem a palavra muito menos um Malfoy valia alguma coisa. Mas sabia que seria difícil, tratando-se de Harry, Draco tentaria retirar dela informações maiores sobre a traição e se vingaria de Harry. Não sabia como faria isso, afinal, era Hermione quem devia sentir vergonha de alguma coisa, com todos os chifres em sua cabeça castanha.
Passara a hora do almoço, um banquete muito bem organizado, que Hermione havia simplesmente perdido, porque pegara no sono naquele mesmo sofá em que sentara-se ao lado de Lilá para uma conversa que lhe causou náuseas. Draco estranhou a falta da grifinória durante o almoço, não entendia as razões que podia tê-la feito perder o banquete. Avistara Harry na mesa grifinória, sentado ao lado de Rony e um canto vazio ao lado do ruivo, certamente o espaço que haviam reservado para a castanha. De frente para o irmão e para o amigo, estava Gina. Focalizou a ruivinha que já não via há um tempo considerável.
Gina estava cada vez mais distante de Draco, e ele não entendia as razões. Havia deixado muito claro que a garota era sua propriedade e deveria sempre estar à disposição do mesmo. Gina relutava a essas atitudes autoritárias do sonserino. Dizia-lhe sempre que Draco não mantinha nenhuma influência sobre ela. Deixara até escapar um sorriso de canto de lábio ao pensar nas palavras da ruiva, pois lembravam muito as coisas que Hermione dizia-lhe sempre.
Foi quando pareceu decifrar talvez a maior charada da sua vida. Seria Gina a melhor amiga de Hermione e a garota que havia conseguido substituí-la com Harry? Não poderia ser, pensava consigo mesmo. Gina havia entendido muito bem a mensagem que dera a ela anteriormente: “ A partir do momento que passou a fazer parte da minha vida, não vai poder deixar de fazer parte dela por motivo algum, a não ser que enjoe de você antes.”
Palavras grosseiras, sabia disso, mas era assim que lidava com todas elas. E elas gostavam. Com Gina não era nada diferente. A ruiva sempre o procurava, era a prova de que elas realmente se interessavam por ele.
Gina estava mesmo muito atraente naquela tarde. Talvez a falta que a ruiva tinha feito para ele ultimamente estivesse lhe causando toda aquela euforia eu poder beijá-la, agarrá-la e fazer as loucuras da qual Gina nunca havia se queixado. Havia sido com ele que Gina aprendera tudo o que sabia hoje, em relação a relacionamentos e a vida sexual que mantinha com Harry. Gina havia crescido rápido de mais, e Draco tinha total responsabilidade nisso. Fizera de Gina a garota mais experiente de sua idade, e a mais disposta a sempre experimentar tudo o que estivesse a seu alcance.
A aposta lhe preocupava, do jeito que nada vinha incomodando-o mais, e estava cada vez menos certo de que venceria. Teria a tarde inteira para pensar em uma solução e conseguir tê-la na palma de suas mãos definitivamente. Mas naquele momento, queria se livrar de todos esses pequenos problemas e fixar seus pensamentos somente em uma certa ruivinha que havia feito aflorar em sua pele a excitação em poder tê-la novamente. Após o almoço, quando a ruiva se retirasse, a faria seguir caminho oposto aos amigos patetas e a teria só para ele, talvez a tarde toda.

- O que você tem hoje, Draco? Passou a manhã toda emburrado e vai passar a tarde toda calado também? – Alan lhe perguntara suspeitando de algo que estivesse acontecendo com o amigo.
- Não tenho nada. Só não estava a fim de papo essa manhã. E não posso nem almoçar em paz? – fora rude.
- Saquei!! Mas não se preocupe, vou deixá-lo em paz sim, ao menos até o primeiro baile que Hogwarts promover!!
E Alan rira para o amigo muito ironicamente.
- Ótimo. É tudo o que eu quero, que me deixe em paz.
Draco não estava muito agradável ultimamente quando se tratava de seu melhor amigo. E muito menos em relação à Pansy. A discussão da noite anterior havia deixado Draco bastante irritado com a atitude da castanha. E estava descontando sua raiva em seus amigos. Mas Pansy simplesmente não lhe dirigia a palavra porque seu ciúme bobo falava cada vez mais alto.
Ao final do jantar, Draco notou o trio levantar-se de seus lugares na mesa grifinória. Ajeitou-se para levantar-se também. Gina saiu ao lado de Harry e Rony, entre ambos. Por esse motivo, Gina não pôde fitar Draco, que estava sentado bem próximo dos grifinórios. Esperou o tempo suficiente para que ninguém suspeitasse de sua saída, até que se ergueu da mesa e retirou-se sem dizer nada.
- Ei, cara, aonde vai? – Alan protestara, sem resposta.
Draco seguiu procurando por duas cabeleiras ruivas, mesmo que só uma delas lhe interessasse. Avistou, ao longe. Viu que Rony se afastava de Gina e Harry, seguindo para o corredor que dava acesso ao banheiro masculino. Harry e Gina pararam, provavelmente dispostos a esperar pelo garoto. Draco tentou esconder-se atrás de uma coluna, mas desejava que Gina o avistasse, mesmo de longe, para que pudesse despistar os dois idiotas e seguir para um local onde pudessem estar a sós.
Viu Rony desaparecer pelos corredores e Harry e Gina seguirem adiante, desacompanhados do ruivo. Franziu seu cenho diante da atitude de ambos e simplesmente não entendeu o que estava acontecendo.
Sua ingenuidade mostrou-se existente, pois não suspeitou de ambos em momento algum, apenas os seguiu, cuidando para que não o notasse. Seja lá o que estavam aprontando, descobriria. E dessa vez obteria mais sucesso do que da vez anterior, quando tentara seguir Hermione e descobrir o nome de sua melhor amiga.
Ao dobrarem o primeiro corredor resolveu arriscar e conseguir persegui-los, mas ao fazer a mesma curva, não os avistou mais. Não era por falta de iluminação, afinal, era uma tarde bastante ensolarada. Foi quando pareceu ter escutado algum barulho que lembrava o ranger comum de portas sendo abertas e fechadas. Sua curiosidade pareceu desabrochar dentro de si, e naquele mesmo instante procurou cuidadosamente pela sala em que haviam entrado.
Conseguiu encontrar sem muito esforço, afinal, o som de suas vozes podia ser escutada do lado de fora.
- Estamos nos arriscando de mais, Harry. O que Rony vai pensar quando não nos encontrar mais no corredor?
- Deixe que ele pense o que quiser, Gi!! Estamos a sós... finalmente.
Suas vozes eram quase sussurrantes, e podia escutá-las conforme apurava melhor os seus ouvidos contra a porta. Escutava sons estranhos e risadas de Gina vindos de dentro da sala.

- Então, vamos aproveitar Sr. Potter. Não é sempre que conseguimos estar a sós. Estava com saudade de você!!!
- Então não vamos perder mais tempo. Quero aproveitar muito a tarde com você.
Draco pareceu viver o pior dos seus pesadelos, pois definitivamente havia confirmado a suspeita que surgira há pouco na sua cabeça. Gina e Harry: a traição que Hermione havia enfrentado e que vinha a atormentando o tempo inteiro. Como não pensou naquilo antes. Gina era uma das garotas que estava sempre muito próxima de Harry, mas por desejar tanto a ruiva, não fora capaz de confessar que ela era a amante que Potter escondia de Hogwarts. Estava tudo cada vez mais claro em sua cabeça. Gina sempre fora a melhor amiga de Hermione, e havia sido tolo o suficiente para achar que Hermione permaneceria amiga de alguém pela qual havia sido trocada por seu “namorado”. Suas estratégias para desvendar aquele mistério haviam falhado, por uma pura ingenuidade.
Ouviu susssurros cada vez mais mudos, estalos que lembravam beijos e risos que vinha de Gina. Então a ruiva andava praticando todas as lições de experiência que havia tido com o louro, era o que podia ser presumido.
Draco não desejava acreditar naquilo, mas estava mais do que claro que havia sido traído também. Gina era sua, pensava assim.
Pensou em invadir a sala e dar algumas lições no Potter e fazer com que Gina pagasse caro pela traição. Mas ponderou a situação e notou que não seria uma atitude correta. Não poderia se expor daquela forma. Gina era simplesmente a sua atração quase diária, um brinquedinho novo que ainda não havia enjoado. Era sua, mas não permitiria que Hogwarts soubesse disso. Tinha seu orgulho, uma Weasley acabaria com sua reputação.
Mas e uma Granger sangue-ruim? Acabaria com sua reputação certamente. E por qual razão aceitara a aposta, sabendo disso? Por que sua arrogância estava cada vez mais perigosa, chegava até a repensar a opinião de Hermione quanto a isso.
Draco retirou-se do corredor a passos ligeiros, seguindo um caminho que simplesmente desconhecia. Desejava livrar-se dos pensamentos que invadiam sua mente, e da realidade quase inacreditável que já não podia mais fingir não ver diante de seus olhos. Passou os dedos pelos fios louros de seu cabelo como tentando amenizar a raiva que estava sentindo. Gina havia descumprido a regra principal que todos deveriam seguir quando dispostos a manter relacionamentos com o louro: jamais trai-lo diante de seus olhos. Por essa razão ainda estava com Pansy. Sabia que a garota não era fiel com ele, mas ainda não havia presenciado nenhum flagra que o fizesse abandoná-la de vez. Mas Gina havia quebrado as regras. Talvez sem culpa alguma, como saberia que Draco a estaria seguindo?! Mas para um Malfoy, nada disso importava.
Draco seguiu para suas aulas e precisou ter de dar explicações a um Alan irritante sobre onde estivera.
- Ow, cara, sabe que Snape não tolera atrasos. Perdeu pontos para nossa casa de novo. – Alan estava irritado.
- Não foi por mal, Alan!! Tive um... problema!! – respondera sem fitá-lo, sentando-se ao seu lado.
- Que tipo de problema?
- Não interessa!! – fora rude.
- Interessa sim! Sou seu amigo!
- Eu dito as regras, Alan. Já disse que não interessa!!!
Alan se assustara com a atitude autoritária do amigo. Sabia que era típico de Draco, principalmente naqueles casos em que ele sabia perfeitamente bem quais eram:
- Alguém quebrou mais uma regra do Sr. Irresistível !! Quem te traiu dessa vez?
- O quê? – Draco se assustara, sem tentar demonstrar.
- Te conheço há anos, Draco, sei quando isso acontece. Você sempre diz a mesma coisa: “Eu dito as regras!”. É porque alguma delas foi quebrada!! E você sempre me conta. Por que dessa vez vai ser diferente?
Draco não respondera ao amigo, não sabia que era tão transparente daquela forma. Notou os passos de Snape se aproximando de sua mesa e fez silêncio, a fim de não levar algum tipo de detenção por estar de conversa durante a aula. Quando Snape pareceu se afastar, sussurrou para o amigo, encerrando a conversa, ao menos por enquanto:
- Há cada dia que passa, se engana cada vez mais a meu respeito, Alan. Mas eu te perdôo por isso...
OoOoOoOoOo
Havia sido a sensação mais raivosa que já havia sentido. Não sentira tanto ódio nem mesmo quando recebera um tapa da grifinória. Se havia algo que Draco não admitia de suas amantes, era a traição em que pudesse presenciar. Gina havia permitido isso, e por mais que ela não tivesse culpa, não havia mais nada que pudesse ser feito para mudar sua opinião a respeito da infidelidade da ruiva.
Gina vinha sendo seu brinquedinho favorito dentro de Hogwarts desde o final do ano letivo anterior, quando Gina o procurara a fim de aprender a conquistar quem quisesse. Draco prometeu-lhe ensinar o que era preciso para ter todos os garotos que quisesse, em troca de horas de prazer e cumplicidade por tempo indeterminado. Gina não pensara duas vezes, Harry era seu maior desejo e seria capaz de tudo para tê-lo, até mesmo participar de encontros diários ao lado de Draco durante as madrugadas na escola. Um erro fatal, pois havia se prendido ao louro de forma que não presumia que acontecesse. Talvez não tivesse prestado atenção nas exigências do sonserino : “horas de prazer e cumplicidade por tempo indeterminado”.
Ao final de todas as aulas daquela tarde cansativa e angustiante para Draco, o mesmo seguiu para seu dormitório e lá permaneceu até o horário em que se lembrou de sua detenção. Faltaria pouco para o fim daquelas detenções árduas e catastróficas. Mas só o começo para uma possível nova aventura.
Gastou metade do seu tempo livre até a detenção pensando no que diria e faria com a ruiva quando se encontrasse com a mesma no dia seguinte. Pensava em humilhá-la diante de toda Hogwarts, ofendendo-a com aquelas ofensas que os Weasley sempre detestavam. Mas isso não seria o bastante. Talvez resolvesse aprisioná-la para sempre ao seu lado. Mas não suportaria tê-la sabendo que outro também a havia tido, principalmente sabendo ter sido seu pior inimigo. Se ao menos não tivesse presenciado a traição, nem estaria se importando com isso agora.
O restante do seu tempo procurou gastar com a promessa feita à Granger. Mais um problema que teria que solucionar, e o mais rápido possível. Era sua reputação em jogo e seu orgulho. Concentrou-se com esmero longas horas, e nada que pudesse servir como solução para os problemas de Hermione.
“Por que ela tinha que ser tão problemática, afinal?!”
Passou as mãos sobre o cabelo e fechou os olhos com força, na poltrona de seu dormitório.
“Pense, pense... rápido... deve haver uma solução...”
Inútil, surgiam apena idéias bobas e nada cabíveis em sua cabeça. Entregar o seu caso com a Gina para toda Hogwarts era a mais tola delas. Hermione não o perdoaria nunca, e assim, perderia a aposta. Mas em compensação, se vingaria de Harry e Gina pela traição, sabendo que correria o risco de também perder Gina. Mas e ainda estava disposto a tê-la? Deveria pensar melhor sobre isso.
Foi como num súbito ápice em seus pensamentos que pareceu formular uma idéia absolutamente brilhante. Sabia que daria certo. Conseguiria tudo o que desejava de uma única vez, e todos estariam satisfeitos.

“Como não pensei nisso antes. Alan nunca vai descobrir e nem desconfiar que vai ser enganado.”
Ajeitou-se na poltrona e tentou seguir uma linha lógica de raciocínio: conseguiria ter Hermione pelo tempo que fosse necessário até que vencesse a aposta e fizesse Alan engolir suas pragas para que perdesse; se vingaria da traição, fazendo Gina corroer-se de ciúmes e ódio; ajudaria Hermione, cumprindo com sua palavra de Malfoy e ainda poderia enfrentar seu maior rival, dando-lhe lições que apreciaria muito; além de poder divertir-se a custa de muitas pessoas que não tinham importância alguma para ele.
Era mesmo uma idéia brilhante, sorriu contente com o seu sucesso. Daria a notícia à Hermione há algumas horas, e veria a reação da castanha em relação à sua idéia.
OoOoOoO
Eram 19h da noite, o horário da detenção daquela noite. Uma noite fria e que prometia um futuro... acordo!
Draco foi o primeiro a chegar até às Masmorras, estava ansioso para aquela noite, e esperava por Hermione e Pansy, que não vira quase a tarde inteira.
Pansy chegara minutos após ele, e aproveitara aquele momento a sós para tentar uma possível reconciliação, como sempre.
- Eu já disse que não suporto essas suas crises de ciúmes, Pansy. É idiota agir dessa forma.
- Eu tenho motivos, Draco. Você não se importa comigo, por isso diz isso. – dizia-lhe com voz chorosa.
- Claro que me importo. Mas não suporto quando faz isso. – se aproximou da morena.
- Não tem que suportar, mas tem que respeitar. Você me troca descaradamente por aquela grifinorizinha idiota. Como quer que eu me sinta?
- Não te troco por ninguém. Só... você sabe que não troco, Pansy. – se estressara de uma vez.
Draco aproximara-se da garota e jogara alguns fios morenos para trás de sua orelha, acariciando-lhe o rosto. Pansy era importante para ele, pois sabia que sempre poderia tê-la ao seu lado: nos momentos em que estivesse só e carente, e nos momentos de alegria e disposto a fazer loucuras que só faria com a sonserina. Pansy era diferente de todas as outras garotas com que ficava. Era como se representasse o papel de namorada que Draco nunca tivera durante todos aqueles anos, afinal, Pansy se comportava da forma que só as namoradas podiam se comportar: corroia-se de ciúmes por motivos tolos e parecia sempre tentar deixar claro que Draco simplesmente lhe pertencia.
Selou um beijo rápido nos lábios da morena e lhe dirigira um olhar que dizia muito, principalmente o quanto a garota fazia falta para ele. Detestava discutir com Pansy, pois sempre tinha que lutar arduamente para reconciliar-se com ela.
Draco afastou-se de Pansy e encostou-se na parede, erguendo uma das pernas e apoiando o pé sobre a parede. Estava atordoado com todas as descobertas que havia feito naquele dia, e Pansy nem suspeitava delas. Tentava não demonstrar preocupação, mas Pansy parecia ter um radar sempre atento a tudo.
- O que há com você, Draquinho? Alan tem razão, hoje você tem estado estranho.
- É esse seu “Draquinho” que me deixa estranho. – tentara desviar a conversa.
- Não é não, que eu sei bem disso! Não quer me contar?
- Não tenho nada pra contar. – não abrira o jogo.
- Tem certeza disso?
- Não está acontecendo nada, Pansy!!
- Você sabe que não precisa esconder nada de mim, Draco!!!
- Por que essa insistência, Pansy. Será que um Mafoy não pode nem tentar resolver os seus problemas em paz? – Draco havia se irritado.
- Os Malfoy’s não são os únicos que tem problemas, Draco. E eu posso ajudá-lo... se quiser, claro.
- Não quero Pansy. Posso resolvê-los sozinho.
E nesse exato instante, Draco pareceu rever uma cena em sua cabeça, que surgira de relance, e era a lembrança de Hermione dizendo-lhe a mesma coisa que havia dito à Pansy: “Posso resolver meus problemas sozinha.”
Será que estaria sendo influenciado por Hermione, da mesma forma quando notou que sua arrogância estava ultrapassando limites? Ou será que só grandes problemas na vida de uma pessoa seriam capazes de fazer essas pessoas notarem que certos problemas ninguém é capaz de resolver. Era essa ultima opção que queria acreditar ser real. Seus problemas realmente não podiam ser resolvidos por mais ninguém.
Pansy não admitiria ser traída por Draco, ainda mais se tratando da pobretona Weasley que Pansy tanto repudiava. Draco perderia Pansy para sempre, e não desejava isso, já que a morena representava seu porto seguro, era quem podia sempre ter ao seu lado. Alan, por sua vez, não o compreenderia e não aceitaria ter de admitir que Draco mantinha um caso com a Weasley fêmea. Alan a repudiava, pelo simples fato de pertencer a uma família decadente. Não tinha culpa, crescera em uma família cuja disciplina era muito idêntica com a que Draco recebera em sua mansão Malfoy. A única diferença é que Draco parecia desprezar as diferenças entre seu sangue puro e os sangues-ruins e mesmo os puros que não valiam nada. Por outro lado, Alan não poderia saber que tinha planos para vencer a aposta, e Pansy não suportaria saber tão cedo que seu ‘Draquinho’ teria de cumprir uma aposta idiota com a garota que detestava tanto.
Ambos permaneceram calados, escorados na parede próxima à porta que dava acesso à Masmorra, fitando o corredor a frente deles, de onde Hermione poderia surgir há qualquer momento. Não havia tardado, e Hermione já surgia pelo corredor. Vestia seu uniforme apenas e desfilava com seu andar de sempre, distraído e ao mesmo tempo jeitoso. Hermione havia mesmo crescido bastante e criado as formas que Draco tanto admirava nas garotas daquela idade.
Hermione fitou os sonserinos, mas manteve-se calada durante todo o tempo em que precisou esperar por Snape para cumprir a detenção.
- Se não tivessem faltado a detenção, não precisaríamos estar aqui. – Pansy sussurra no ouvido de Draco.
Hermione nem ao menos escutara, estava distraída demais com seus pensamos. Draco, por sua vez, desaprovava a atitude de Pansy, sabia que a garota pretendia iniciar mais uma nova discussão.
- Afinal, não me explicou as razões pela qual não cumpriram detenção...
Draco ignorou a indagação nada discreta de Pansy, simplesmente fitando-lhe com olhares de “Não tenho nada para explicar.” E Pansy pareceu respeitar o momento, talvez pela primeira vez.
Eram tantos os problemas que surgiam em sua cabeça, que Draco já nem prestava mais atenção no que Pansy dizia-lhe de vez em quando em seu ouvido. Em dado momento, Draco observou Hermione, escorada em uma parede a sua frente. A garota parecia preocupada com algo, também, tinha motivos suficientes para isso, problemática do jeito que estava. Mas era um tipo de preocupação diferente, Draco podia notar isso. Era como se ele pudesse ver uma onda imensa de pensamentos girando aleatoriamente pela cabeça de Hermione, e como se todos eles estivessem prontos para serem lançados para fora de sua mente. Temia que Hermione pudesse querer despejá-los sobre ele.
Sem que notassem, as portas de carvalho abriram-se depressa e deram acesso à Masmorra tão sombria de Snape, ainda mais àquela hora da noite. O trabalho aquela noite não seria nada simples, ao menos poderiam manter suas cabeças ativas mesmo que por apenas duas horas de detenção. Draco desejava que Pansy não arrumasse mais discussões, e que Hermione não tentasse provocá-la. Agora que estava há poucos passos de ter Hermione em suas mãos, nada poderia dar errado.
Os três seguiram sorrateiros até a mesa do professor e fitaram-no muito apreensivos. Snape sempre lhes causava arrepios.
- Pensei que faltariam a esta detenção novamente, senhores. Devo informa-lhes que a detenção hoje será bastante cansativa e deverá ser feita com bastante esmero. Cada frasco que quebrarem e cada solução que derramarem, pontos serão descontados e punições aplicadas. Por tanto, tenham cuidado com o que farão essa noite. – sua voz arrastada fazia-os se arrepiarem.
- E o que faremos essa noite? – Pansy se arriscara intrometendo-se no discurso do professor.
- Eu pretendia dizer aos senhores, Srtª. Terão de limpar os frascos e as estantes da dispensa de ingredientes para poções. Além de precisarem reorganizar os ingredientes por ordem alfabética. Espero que não me decepcionem, ou terão de se entender com Filch.
Dito isto, Snape se retirara da sala, seguindo por uma escada que dava acesso ao andar de cima da Masmorra, provavelmente seu quarto.
Draco cerrou os olhos por alguns segundos, como se tentasse afastar o sono que já vinha atordoá-lo, e espreguiçou-se discretamente, só para que pudesse estar mais a vontade. Atitude que despertou interesse em Hermione, que precisou fitá-lo no exato instante em que o viu se espreguiçar rapidamente. Mais uma vez, o encanto de Draco estava lhe cegando.
“É só um rostinho bonito... só isso... ele não significa nada para mim...”
Hermione repetia isso para si mesma a todo o momento.
Pansy seguira até o armário de ingredientes e trazia os frascos com muito cuidado para uma mesa próxima. Draco seguiu a morena e iniciou o mesmo trabalho, muito cuidadoso. Hermione não pretendia fazer a mesma tarefa que eles, afinal, aquele armário era pequeno demais para três pessoas entrando de uma só vez. Hermione iniciou a limpeza dos frascos e tratou de separá-los por ordem alfabética. Até aquele momento, nenhum dos três havia trocado uma única palavra uns com os outros.
Draco retornou para a mesa, despejando alguns frascos sobre ela e iniciando o mesmo trabalho de Hermione: o de limpeza dos vidros. Em questões de segundos, Draco e Hermione já haviam limpado grande parte deles, e tudo o que restava para Pansy era ter que devolvê-los para a estante em ordem alfabética. Nâo pensou que teria de deixar os dois a sós na mesa enquanto precisaria organizar os frascos dentro do armário.
Após algumas idas e vindas, em que Pansy pegava os frascos limpos da mesa e os levava para o armário, Draco cutucou Hermione discretamente com o cotovelo. Hermione notou que Draco tentava chamar sua atenção, mas ignorou a atitude do rapaz. Não queria ter de discutir com ele mais uma vez. E sabia que se tivesse que dirigir alguma palavra ao louro, seria para pedir-lhe explicações a respeito de toda sua ousadia em tentar beijá-la em quase todas as situações em que estavam próximos demais e a sós. Estava furiosa com isso, e jurara para si mesma que pediria explicações. Mas com Pansy por perto, era mesmo muito mais complicado.
- Granger... – Draco sussurra, baixo demais para Hermione escutar.
Foi quando cutucou com muito mais força o braço de Hermione, chegando até mesmo a fazê-la quase derrubar um dos frascos que segurava nas mãos. Hermione se irritou com a indiscrição do garoto e resolveu fitá-lo para saber do que se tratava todos aqueles movimentos agressivos. Tarde de mais, Pansy saiu do armário e se dirigia até a mesa. Tivera que desviar os olhares e agradecera a Merlim por a morena não notar nada do que quase havia se passado. Quando Pansy entrou novamente no armário, carregando uma quantidade grande de frascos, Draco voltou a chamar a atenção de Hermione.
- Granger... tive uma idéia!!! – Draco sussurrava, para que não fosse escutado pela morena.
- Psiu!!! Malfoy! Me deixe quieta. Não quero confusão com sua namoradinha, obrigada. – e virara as atenções para o que fazia.
No momento exato em que Pansy retornava. E mais uma vez se retirava, sem notar nada.
- Mas é importante. Eu tive uma idéia brilhante para ajudá-la. – Draco voltava a sussurrar.
- Não quero mais que me ajude. Na verdade, Malfoy, eu nunca quis que me ajudasse.
- Está enganada. Eu vejo isso nos seus olhos.
Hermione repudiara o comentário do louro, e voltara para seu trabalho. Mais uma vez Pansy retornara e se retirara logo em seguida.
- Não quer mesmo saber do que se trata minha idéia brilhante? – Draco tentava convencê-la, em sussurros.
- Não faço a menor questão. – fora rude.
- Mentira!!! Sei que quer ser ajudada. E eu quero ajudá-la... sabe por que Granger?
Hermione o fitara curiosa. O que Draco responderia à pergunta que havia feito? Finalmente entenderia as razões pela qual ele estaria tão disposto a tentar ajudá-la. Foi quando Pansy surgiu e os viu trocando olhares calados. Pansy não entendeu o que se passava entre eles, mas não tardou para que Draco tentasse reverter a situação.
- Granger... pode me dar aqueles frascos ali...? No canto? – tentava ser o mais real possível.
Hermione demorou para entender do que se tratava, na verdade, demorara para notar a real presença de Pansy. Fizera o que Draco havia pedido e vira Pansy se retirar muito curiosa. Pareceu notar que a morena os vigiava de vez em quando para saber se estavam apenas trabalhando em equipe.
- Não vai responder à minha pergunta? Sabe por que quero ajudá-la? – Draco insistira, vendo que Hermione havia se interessado.
- Não faço a menor idéia, mas adoraria que me respondesse. – sussurra para o louro.
- Certo. Quero ajudá-la porque também preciso da sua ajuda. É tudo muito simples.
Hermione o fitara mais uma vez, porém sem petrificar seus olhares nos olhares do rapaz, como na vez anterior. Pansy retornara mais uma vez muito desconfiada, mas se conteve em não fazer nenhum tipo de barraco por um simples olhar que havia suspeitado.
Hermione não entendia. Draco precisava de sua ajuda? E que tipo de ajuda ele precisaria? Não estava nem um pouco disposta em ajudar um Malfoy, e por isso não aceitaria a ajuda dele.
- Não quero ter que ajudá-lo, Malfoy... esqueça que um dia eu contei os meus problemas pra você!!!!
- Não precisa se preocupar, Granger... não vai ser preciso muito esforço. Vai me ajudar de uma forma que nem vai notar. – dissera Draco, sussurrando e a encarando, esperançoso de que Hermione cedesse à proposta.
- Nada feito!!
Draco soltara um suspiro de cansaço, mas não encerraria aquela batalha daquela forma. Pansy demorara um pouco mais dessa vez, e então aproveitara o momento.
- Não quer fazer Harry pagar por tê-la magoado?
Hermione o fitava.
- Não quer se vingar de sua melhor amiga? Não quer dar a volta por cima disso tudo?
Hermione continuava a fitá-lo. Até que resolvera responder às perguntas. Havia sido uma resposta sincera, espontânea.
- Quero... tenho desejado isso!!
Antes mesmo que Draco pudesse revelar seu plano, Pansy surgira novamente. Fitara os dois muito desconfiada e se retirara com alguns frascos nas mãos. Draco aproveitou o momento novamente e dissera muito ligeiro, com medo de ser escutado.
- Então namore comigo!!
- O quê?!
Hermione se assustara diante da proposta do garoto. Era absurdo o que ele estava propondo. Fechou a cara para o louro e voltou ao seu trabalho. Draco não entendeu. Na verdade, era Hermione quem não havia entendido. Por isso, resolvera esclarecer o plano.
- Será um namoro de mentira, Granger!!!
Hermione o fitara bastante confusa. Era uma idéia absurda, aparentemente. Draco não fazia a menor idéia se Hermione aceitaria participar daquele jogo, mas esperava que a expressão confusa da garota significasse algo positivo...
CONTINUA!!

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