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3. Como vão todos?


Fic: .::. A arca dos inseparáveis .::. - CAP. 18 (o antepenúltimo)


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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O som das cortinas deslizando ligeiras pelo trilho e a repentina luz da manhã inundando o quarto fizeram Harry despertar com um resmungo. Normalmente, Gina o sacudia com delicadeza, chamando-o numa voz profunda e aquecida. Depois, abria uma fresta da cortina para acordá-lo sem sustos. Ainda incomodado com o clarão, o bruxo se sentou na cama.

- O que houve, Gina? – perguntou, tateando a cômoda para pegar seus óculos.

- Bom dia, senhor. Dormiu bem esta noite?

Era Dobby. Harry não se lembrava quando tinha sido a última vez que o elfo o acordara. Mas fazia muito tempo. Sua mulher tinha o hábito de se levantar mais cedo e gostava de chamá-lo para, juntos, tomarem o café da manhã.

- Acho que dormi demais. Cadê a Gina?

- Não dormiu demais, não. A senhora Potter pediu-me que o chamasse apenas meia hora além do costume. Disse que o senhor chegou muito tarde.

- É?! Mas onde ela está? – estranhou.

- Ela já saiu. Acordou cedo e levou os meninos para a Toca. A senhora Potter falou para Dobby que iria tomar café com a senhora Weasley.

- Sério? Levou o Sirius e o James? Hummm – murmurou, esfregando a cabeça com a mão. – Ela estava... você diria que... ahnn... a Gina estava sorrindo? Ou...

- Ou?

- Você sabe...

- Dobby não sabe.

- Como ela estava? Feliz? Brava? Normal?

- Oh, nenhuma dessas coisas. Mas a senhora Potter estava abatida. Sim, sim. Ela tinha os olhos inchados. Não estava tão bonita como nos outros dias – e súbito se calou. Dobby arregalou os imensos olhos, espantado por ter proferido aquelas palavras. Pegou um abajur e começou a se golpear na cabeça. – Dobby mau! Como disse que sua senhora não estava tão bonita?! A senhora Potter é a mais bela de todas... – e continuou descendo o abajur sobre o cocoruto.

- Pare, Dobby. Pare! – exasperou-se. - Você chamou o Rony, como pedi no bilhete que deixei para você? Ótimo. Vou me arrumar e já desço para a cozinha. Diga para a Winky que quero apenas chá e torradas. Ah, e conserte esse abajur – disse, correndo até o guarda-roupa para escolher suas vestes. “Estou encrencado. Definitivamente”, lastimou-se.



*-*


A senhora Weasley exibia um sorriso de orelha a orelha. Colocou um generoso prato com mingau de aveia para Sirius. E outro com ovos mexidos para James. Fez surgir um cesto de pães tão carregado que dava a impressão que a Toca estava cheia de gente, como no passado. Ao pensar nisso, os olhos da mulher rechonchuda se encheram de água.

- Oh, que saudades que tenho de ver esta casa lotada – disse, entre as colheradas que levava à boca do neto menor, que estava entretido fazendo desenhos num pergaminho.

- Mãe, o Sirius sabe comer sozinho... – observou Gina, que segurava uma fumegante xícara de café.

- A vovô gosta de dar comida pra mim – replicou o menino, rindo das asas que a senhora Weasley fizera aparecer na colher para que o talher carregasse mais um bocado de mingau.

O risinho do garoto atraiu o senhor Weasley, que já estava pronto para ir ao ministério. Os poucos cabelos de Arthur já estavam embranquecendo e seu andar era mais vagaroso, revelando que a idade estava fazendo seus efeitos. Mas seu rosto exibiu uma alegria quase infantil ao se deparar com os dois pequeninos visitantes. Abraçou-os demoradamente e deu um beijo na filha, feliz de encontrá-la naquela manhã.

- Que surpresa boa, filha. Não trouxe o Harry?

- Não. Ele chegou tarde ontem e achei que era melhor deixá-lo dormindo – respondeu. E num muxoxo acrescentou. – Ele tem trabalhado demais.

- Isso é normal, minha querida. Ele está no início de uma nova função – replicou a senhora Weasley, tentando dar outra colherada para Sirius. Mas o garoto se recusou. Estava satisfeito. – Oh, vamos. Mais um pouco, meu lindinho.

- Não, vó. Quero brincar com o James. Ele tem bolinhas de gude. São bolinhas trouxas.

- O quê? Vamos, Jamie, mostre para o vovô... – entusiasmou-se o senhor Weasley.

James sacou das vestes uma bolsa cheia de bolinhas brilhantes. Colocou um punhado sobre a mesa e os senhores Weasley arregalaram os olhos ansiosos para vê-las fazer algo diferente.

- Isso é um brinquedo? – perguntou a avó, achando aquilo muito esquisito.

- O que se faz com isso? – inquiriu o avô, absolutamente fascinado.

A jovem ruiva começou a rir diante da curiosidade paterna. Já conhecia o brinquedo de James, um presente dado por Hermione dias antes de Lilly nascer. O garoto se encantara com as bolinhas e as exibia o tempo todo. Para Gina, tinha sido uma grande novidade. Para Harry, não seria. Afinal, por ter sido criado entre trouxas, as bolinhas não causariam surpresa alguma. James estava doido para jogar com o padrinho. Infelizmente, ele ainda não tivera tempo de mostrar seu tesouro para o bruxo. Lembrando-se disso, Gina voltou a ficar acabrunhada. E pensou em sua situação. Sim, estava sentindo falta do marido. Mas o que a tinha chateado aquele dia não tinha sido propriamente a ausência do companheiro. Ela tinha a sensação que Harry não levara a sério seu desejo de entrar numa missão importante. Entristecida, decidira sair de casa o mais cedo possível. Não queria tocar no assunto de novo com Harry, com medo que ele, de fato, demonstrasse desinteresse. Suspirou baixinho, o que não passou despercebido por sua mãe.

- Você não me engana, Gina. Brigou com o Harry?

- Eu? Não... – retrucou baixinho, desejosa que o pai não a ouvisse.

Mas tanta cautela não era necessária. Arthur Weasley ria abertamente do jogo que começara a disputar com o neto. “É só isso? Tenho de bater nas outras bolinhas de Gule? Fantástico”. James corrigia pacientemente. “Bolinha de gude, vô!”

- Estou sentindo que tem alguma coisa errada. Não tente disfarçar para sua mãe.

- Não é nada. Nada demais. É só que... eu gostaria de ser mais valorizada... profissionalmente.

- O que o Harry tem a ver com isso?

- É que conversei com ele a esse respeito. Senti que ele não se entusiasmou com a idéia de eu ser uma auror de verdade. Parecia que estava cheio de dedos com esse assunto.

- Até eu estou. Querida, imagine se te ocorresse algo? O que seria dos dois? Harry teria um colapso e Sirius... ah, por Merlin, não me faça pensar nessas coisas.

- Engraçado você não pensar nisso em relação ao Harry. E nem em relação ao Rony. Os dois são aurores – estrilou Gina.

- Bom, é diferente – respondeu a senhora Weasley, sem jeito.

- Diferente porque eles são homens – replicou a jovem, levantando-se da mesa com uma leve irritação. Não quis levar a conversa adiante. – Papai, desse jeito o senhor vai se atrasar para o ministério.

O avô e os netos soltaram um murmúrio de desapontamento. Mas Gina estava certa. Àquela altura, o ministério estava abrindo suas portas para os funcionários.



*****


Rony Weasley aparatou no meio da sala de estar do casarão do Largo Grimmauld. Assobiou de um jeito diferente e esperou para ouvir outro assobio de resposta. Mas não veio nada. Ele e James costumavam brincar assim. Rony assobiava e o garoto respondia da mesma forma – o que Hermione não gostava porque, dizia, parecia forma de chamar cachorro (sua observação, entretanto, não afetava nem um pouco a brincadeira entre pai e filho). O ruivo franziu a testa ao notar o silêncio. Nesse minuto, o cunhado surgiu.

- Oi, cara. Estou aqui. Cadê o meu filhote? Ainda está dormindo?!

- Não. A Gina levou os meninos para a Toca.

- Cedo assim? Por que? Não que eu não aprecie ver avós e netos juntos, só que eu gostaria de matar a saudade do meu primogênito – disse num tom que ficava entre a piada e o lamento.

- Humm, como está a Mione? E a Lilly? - desconversou Harry, com uma expressão desalentada.

- Estão ótimas. Hoje o chefe dela vai passar em casa. Queremos que ele a libere logo. A Mione se recuperou totalmente. Não precisa ficar de cama. Nós achamos que o sujeito anda meio exagerado...

- Concordo. James está sentindo a falta de vocês.

- Eu sei. Dei um pulo aqui ontem e brinquei com ele e o Sirius um tempão. Fui embora no comecinho da noite. Você ainda não tinha chegado.

- Cheguei de madrugada.

- Madrugada? Por causa da Charlotte? A ministra também é meio exagerada – e fez uma careta de quem se depara com encrenca. Tinha associado o ar desanimado do amigo à ausência da irmã. – Ishh. Já estou entendendo. A Gina ficou doida com isso.

- Até que ela não ficou. O problema é outro.

Depois de Harry relatar a conversa que tivera com a mulher, Rony fez outra careta. Desta vez, equivalia a um “oh, não”.

- Você está encrencado.

- Eu sozinho? Você me ajudou nessa...

- Ah, não. Eu só disse que talvez desse certo. Mas que se ela descobrisse...

- Você não falou nada disso.

- Bom, acho que eu pensei...

- De qualquer forma, estou encrencado. Na hora que a Gina descobrir que eu dei uma forcinha para que ela fosse poupada das missões...

- Ela vai te matar.

- Se ela quiser me matar, vai ser ótimo – soltou Harry, fazendo Rony arregalar os olhos. E continuou. – Tenho medo de ela não querer mais falar comigo. De ficar tão decepcionada que me exclua da vida dela.

- Você é outro que anda meio exagerado! Porque... ahn... analisemos... Você só pediu para a Vada tirar a Gina de uma lista, a da missão de caça a dementadores. Certo?

- E você gostou da idéia. Aliás, você a apoiou totalmente. Eu nem cheguei a fazer um pedido. Fiz?

- Nãããão. Eu lembro. A Vada contou que a Gina tinha se candidatado à missão. E eu comentei “Dementadores são perigosos demais”. Daí, você disse que preferia que ela não entrasse nessa missão e a Vada se ofereceu para dar um jeito. Foram essas as palavras dela. Se a Vada decidiu continuar tirando o nome dela, foi por conta própria. Não é?!

Harry coçou a cabeça.

- É essa a maneira que você encontrou para aliviar a minha culpa? Quer que jogue toda a responsabilidade nas costas da secretária da seção?!

- Bom, algum dia a Vada te falou a respeito da insistência da Gina?

O chefe dos aurores balançou a cabeça, negando. Porém, em seguida apertou os lábios.

- Que droga. Lembrei. Uma vez, há muito tempo, ela comentou algo do gênero. Mas eu nem prestei atenção direito. Estava muito ocupado. Já era subchefe.

Rony se sentou e passou a mão nos cabelos.

- Isso está parecido com os problemas que a gente tinha em Hogwarts. Só que agora a gente está sem a Mione para ajudar.

- Você não falou para a ela sobre essa minha... humm... interferência?

- Eu ainda não perdi o juízo, Harry. Se eu tivesse aberto a minha boca, a Mione ficaria brava com a gente. Ela ia falar que nós somos duas bestas.

- E somos... Ah, você nem tanto. Seu erro foi ter apoiado essa idéia idiota. Putz, só agora percebo o quanto ela é idiota. Eu devia ter conversado com a Gina a respeito do meu medo. Eu estava apavorado com a possibilidade de ela ter te enfrentar os dementadores. Com tudo que testemunhou, todas as tristezas e tormentos que a gente atravessou no passado, aqueles sugadores de alma poderiam acabar com ela se a capturassem.

- Tivemos a melhor das intenções.

- De boas intenções o inferno está cheio...

- Hein?

- Ditado trouxa – e gemeu. – Rony, eu estou ferrado.

- Se você não contar para a Gina e simplesmente colocá-la numa missão, creio que não terá complicações.

- E esconder dela o que fiz? Depois do que ela disse ontem à noite? Depois de ela ter exposto daquele jeito a angústia que tem vivido por causa disso? Não. Tenho de ser transparente.

- Ok. Só sugeri porque, no final das contas, só três pessoas sabem da história: eu, você e a Vada.

- Tem a Pinsky também. Err, eu sondei se a ministra não estaria interessada em ter alguém da seção presente sempre nos eventos marcados pelo cerimonial. Ela não tinha entendido. Achou que eu queria ficar perto da Charlotte. Aí, eu falei da Gina. Expliquei que ela queria pegar mais trabalhos, mas que eu preferia vê-la nessas atividades... humm... mais amenas.

- Maldição, Harry! Você falou para ela também? Cara, você está mesmo ferrado. Não sei como até agora a Pinsky não deixou escapar essa história para a Gina.

- Ela não faria isso.

- Ah não?! Quero tirar uma dúvida: foi a partir daí que vocês viraram “amiguinhos”?

- Larga mão de ser irônico. Eu não sou “amiguinho” dela...

- Ela quer ser mais do que sua “amiguinha”. Tá na cara. Todos os dias a mulher te manda recadinhos perfumados.

- É a Charlotte que gosta de pergaminhos perfumados. E a Pinsky é secretária dela. Por isso me escreve constantemente.

- Imagino que ela deve ter adorado virar sua confidente. Deve estar nas nuvens até hoje...

- Pára com isso, Rony. E depois você diz que sou eu quem anda meio exagerado.

- Certo, chefe. Certo. Continue acreditando que a Pinsky está te ajudando de forma desinteressada. Agora já estou até desconfiando da Vada. Ela venera a sobrinha e faria qualquer coisa por ela. Inclusive empurrá-la para cima de você. Ah, verdade: você é o queridinho dela. A Vada deve sonhar em te ver junto com a Pinsky.
Harry ficou vermelho de indignação.

- Quer parar com isso? Não vou tolerar esse veneno. E tem outra coisa que, por incrível que pareça, está te escapando: eu estou muito bem casado. E caso você tenha se esquecido, a minha mulher é a sua irmã!

Rony ficou de pé e colocou suas mãos sobre os ombros do cunhado.

- Não esqueci. Mas só estou te avisando para ficar com os olhos abertos com as duas. Eu jamais tive motivos para desconfiar de qualquer pisada na bola da sua parte. Só que neste exato momento deixei de confiar nas senhoritas Peterson.

- Perfeito, Rony. Agora não apenas continuo com meu problema como ganhei outro – respondeu o bruxo, com ironia.

- Você é auror, Harry. Sabe do lema: sempre alerta. Bom, quanto ao primeiro problema, desejo sorte já que não há mesmo alternativa a não ser contar a verdade.

- Valeu pela solidariedade – replicou, desanimado.

- Se quiser que eu converse com ela depois que você contar tudo, estou disponível.

- Talvez ela não queria conversar com você também.

- É possível. Mas não se preocupe. Nós temos a Hermione. Ela vai nos xingar por uns dias. E então vai nos ajudar.

- Ou então ela não vai nos perdoar, como a Gina – assustou-se.

- É uma hipótese. Meio exagerada, não é? – disse, tentando brincar.
Mas Rony, levemente preocupado com essa idéia, não conseguiu rir por muito tempo. Deu um tapinha nas costas do cunhado e desaparatou. Harry vestiu uma capa e se sentiu péssimo. Antes de falar com o amigo, imaginara que obteria algum alívio da culpa no final da conversa. A verdade, porém, é que a situação não tinha melhorado em nada. Olhou o relógio. Tinha de partir para o ministério. E desapareceu.



*****


Gina e Molly Weasley estavam olhando as vitrines do Beco Diagonal na companhia dos pequenos marotos, cada um deles carregando sorvetes generosos e que, mesmo derretendo, jamais escorriam para as mãos graças a um feitiço aplicado pela avó. Sirius e James tinham visitado poucas vezes aquela área. Normalmente, passavam rapidamente pela loja dos tios Fred e Jorge na companhia dos pais. E só. Por isso, naquela tarde olhavam tudo com vivo interesse.

- Que tipo de roupa você precisa comprar?

- Um conjunto de saia e casaco. Charlotte vai receber um grupo de bruxos vindo dos Estados Unidos. Entre eles, o ministro. E quer que eu esteja com “uma roupa bem alinhada” – comentou, alterando a voz no final da frase, para marcar bem que tinha sido a ministra quem dissera aquilo.

- Já é a comitiva? Mas o encontro da Confederação ainda está longe...

- É um grupo que está vindo para discutir as normas de segurança e “mais alguns detalhes”. Blá-blá-blá. Detalhes, sei. E que o ministro americano está indisposto com o ministro chinês. Os dois vão conversar mais a esse respeito. Ele quer garantir que terá mais exposição no evento do que o outro.

- Ah, é?! Não sabia que a coisa estava assim.

- Foi o Harry que me disse. Charlotte tem contado muitas coisas para ele. Sirius, cuidado. Você está esfregando o sorvete na vitrine – alertou Gina, puxando o filho de volta.

Sirius tinha grudado o nariz, as mãos e o sorvete no vidro para observar melhor uma vassoura reluzente.

- Meu pai falou que vai me ensinar a voar.

- O meu também – respondeu James, igualmente maravilhado com a vassoura.

- Vocês só pensam nisso, meninos. Olhem, chegamos – interrompeu a senhora Weasley.

Antes de os quatro entrarem na loja, um homem bem vestido que acabava de deixar uma ruela viu o grupo. Ficou parado por um instante. Ergueu as sobrancelhas, um tanto espantado. Meneou a cabeça e sorriu. “É o destino”, murmurou para si e caminhou lentamente em direção ao estabelecimento. Do lado de fora, percebeu que a jovem de cabelos vermelhos falava com uma funcionária. Analisou-a com cuidado. Depois seus olhos se detiveram nos dois garotos que ainda se entretinham com os sorvetes. Sem perceber que despertava tamanha curiosidade, Gina se afastou com a vendedora com uma peça nas mãos. Pediu que a mãe ficasse com os meninos e avisou que retornaria em breve. A senhora Weasley concordou, porém se distraiu com um bonito xale que jogou sobre os ombros. Enquanto a mulher se mirava num espelho, Sirius e James foram para outro lado, dispostos a encontrar algo divertido naquele lugar. O homem elegante andou até onde estavam as crianças. Ouviu os cochichos sobre vassouras e os planos de um dia serem convocados para a seleção de quadribol da Inglaterra.

- Eu vou ser apanhador! O melhor do mundo. Quer ver como eu apanho a bolinha de gude? – perguntou Sirius, sacando uma da bolsa que carregava nas vestes.

O filho de Harry jogou a bolinha para cima. Mas o menino a lançou tão alto que bateu num manequim e ricocheteou, indo para outra direção. Sirius correu para alcançá-la, derrubando o sorvete. A bolinha voara com força e não poderia ser capturada por seus pequeninos dedos. Partiria a vidraça se um desconhecido não interrompesse sua trajetória com um feitiço que paralisou o objeto. Ele agarrou a bolinha no ar e a levou até Sirius.

- Creio que ela te pertence.

- É minha. Obrigado, senhor – respondeu o menino, com toda a educação que sua mãe tanto esmerava em lhe dar.

- E creio que o seu sorvete já era.

Sirius olhou para trás. O sorvete se desmanchava no chão. O homem elegante se aproximou e com um movimento da varinha fez desaparecer a sujeira.

- Se quiser, eu te dou outro.

- Não precisa, senhor. Eu divido o meu com ele – interrompeu James, ficando ao lado do primo e exibindo uma cara bastante desconfiada.

A expressão logo foi interpretada pelo sujeito, que ficou de cócoras para conversar com os garotos.

- Imagino que você tenha sido instruído a não falar com estranhos.

- Minha vó sempre me fala isso – confirmou o ruivinho.

- A vovó?!

- Minha outra vó, Sirius – respondeu James.

Como se tivesse escutado seu nome, a senhora Weasley surgiu.

- Meninos, não posso me distrair um minuto que vocês somem! Com licença, senhor. Venha aqui, Jamie. Sirius! – disse, agitada, fazendo sinal para os garotos a seguirem.

- James – falou o menino, num muxoxo.

- Olá, senhora Weasley. Lembra-se de mim? Como vão todos? – perguntou o bruxo, endireitando-se.

Bastaram alguns segundos para que Molly Weasley reconhecesse aquela fisionomia. Seu queixo caiu. De repente, Gina voltou, trajando o conjunto que escolhera. Sem notar o homem elegante – que estava de costas para ela –, a jovem parou diante dos meninos e fez uma pose para eles, colocando as mãos na cintura.

- Que tal?

- Você está muito bonita, mamãe! – declarou Sirius, com entusiasmo.
Um riso se ouviu.

- Está se vendo que o filho adora a mãe. Mas, sem dúvida, você está muito bonita, Gina – disse o sujeito, que acabara de girar o corpo em direção à mulher.

Foi uma surpresa.

- Draco?! Ohh... há quanto tempo?

- Bastante. São... seus filhos? – perguntou o rapaz, atento à cabeleira ruiva de James.

- Só um. O menor. Este aqui é meu sobrinho, filho do Rony e da Hermione.

Draco estendeu a mão para os meninos, apertando primeiro a do filho de seu antigo rival.

- Prazer. Draco Malfoy. Sou um velho conhecido da família – apresentou-se.

- Prazer. Eu sou Sirius James Potter. Você conhece o meu pai? Muita gente fala que conhece, mas meu pai diz que não conhece todo mundo que fala isso.

- Estudei com ele em Hogwarts. Acho que dizem isso porque seu pai é muito famoso. E teve ter bruxo que adoraria ser amigo dele – ponderou Draco. – E você? Como se chama?

- James. Meu pai é o auror Rony Weasley. Ele captura dementadores – respondeu o garoto, com a menor vontade de conversar com o estranho que agora tinha nome.

- O que está fazendo por aqui, Draco? Passeando? – perguntou a senhora Weasley, com um sorriso cordial no rosto, embora estivesse confusa quanto ao que fazer.

- Tenho alguns negócios a resolver.

- Pensei que você estivesse definitivamente instalado nos Estados Unidos – afirmou Gina, consciente do quão embaraçada estava sua mãe.

- Estou. Acabei virando um empresário entre os trouxas de lá. Mas me mantenho informado a respeito das coisas que acontecem aqui.

- E você não mudou quase nada. Exceto pelo fato de estar mais bronzeado.

- É por causa do meu hobby. Gosto de velejar. No ano passado, dei uma volta ao mundo navegando sozinho.

- Que interessante – comentou Molly. E emendou uma pergunta, curiosíssima quanto à resposta. – E quem cuidou dos seus negócios? Sua esposa?

- Não me casei, senhora Weasley. Eu mesmo cuidei dos negócios. Os trouxas têm meios de comunicação até bons. E de vez em quando eu parava em alguns portos e desaparatava. Dá para viver bem no mundo trouxa e esconder nossa condição de bruxos.

- A gente mora no Largo Grimmauld. Lá tem trouxas, mas eles não percebem nada. O senhor já foi até minha casa? – inquiriu o garoto de olhos azuis, interessado no homem que tinha viajado pelo mundo.

- Sirius, pare de incomodar o moço – gemeu a senhora Weasley, aflita porque o neto entregara parte do endereço de Harry, uma informação preciosa para quem quer que fosse.

- Err, eu vou trocar de roupa – apressou-se Gina, para quebrar o momento. E esticou a mão para se despedir. – Ahn, foi bom te ver, Draco.

O rosto do bruxo se iluminou com um sorriso. Seus olhos cinzentos brilhavam.

- Foi ótimo te ver, Gina. Você também não mudou quase nada. Está mais bonita. Mas isso não surpreenderia ninguém. Dizem que a maternidade torna a mulher ainda mais bela – afirmou, fazendo a moça enrubescer. – Ah, sim. A roupa ficou perfeita. Deveria levá-la.

Com a mesma alegria, Draco cumprimentou a mãe de sua antiga namorada.

- Também foi um prazer revê-la, senhora Weasley. Mande meus cumprimentos ao seu marido. E, ahn, aos demais. Espero que todos estejam bem – e, dirigindo-se aos pequenos marotos, sacou das vestes dois chocolates que materializara naquele instante. – Tomem, rapazes. Uma lembrança de Draco Malfoy. Gostei de conhecê-los. Quem sabe a gente se encontra de novo, Sirius. E espero que você não me considere mais um estranho, James. Até.

E saiu piscando um olho para os meninos. A senhora Weasley só relaxou depois que Draco sumiu de vista.

- Palavra que tinha me esquecido dele – murmurou.

- Eu também – completou Gina, retirando-se para pegar seus pertences.



*****


Na sala de Harry, um pergaminho perfumado pousou sobre a mesa. O bruxo tinha acabado de voltar de casa. Dera um jeito de correr até o Largo Grimmauld na hora que encontrou livre para almoçar. Mas seu lar estava vazio. Quase não comera. Aliás, só se alimentara por insistência de Winky. Em seguida, dera um pulo na Toca. Porém a casa dos sogros estava igualmente vazia. E como os Weasley não tinham um elfo doméstico que pudesse avisá-lo onde estava sua família, o chefe da seção de aurores retornou ao trabalho sentindo-se abandonado. Era a primeira vez que experimentava essa sensação desde que se acertara com Gina. Olhou para o pergaminho com entusiasmo zero. Quebrou o lacre. Charlotte queria trocar umas palavrinhas com ele antes do chá das cinco. A letra, bem desenhada, era de sua secretária. Bufou. E percebeu que Vada o espiava por uma fresta da porta.

- Ops, Harry. Desculpe. Posso atrapalhar um pouco?

- Entre, Vada. Algum problema?

O bruxo permitia que a secretária o chamasse pelo primeiro nome. Não gostava de muitas formalidades no departamento.

- Estou com um pergaminho que veio do Ministério da Magia na Alemanha. Ele está direcionado a Rony Weasley. Mas o lacre é de urgência. Devo despachá-lo para a casa dele ou guardo até a volta do Rony?

- O Rony está de licença. Melhor deixar o homem em paz. Passe-me o pergaminho – e dizendo isso pegou a carta, rompeu o lacre e começou a ler a mensagem.

Vada observou o chefe com atenção. Viu a testa dele se franzir e um ar de preocupação tomar seu rosto.

- É algo sério?

- Querem conversar com o Rony por causa de um assunto que aconteceu há alguns anos. Sei do que se trata. Eu estava na Alemanha na época em que “isso” aconteceu.

- Isso?

- Por enquanto, não posso falar mais nada, Vada. Preciso partir. Por favor, mande Edwiges para casa com um bilhete para Gina, avisando que talvez me atrase para o jantar – afirmou, fazendo uma careta amarga. – “Outro atraso! Mas não é minha culpa”, pensou.

- Sem problemas, Harry. Vou até o corujal agora mesmo. E o que devo dizer à ministra? Minha sobrinha me contou que ela reservou um horário para uma reunião rápida com você.

- Diga que tenho de partir para uma missão neste minuto. Depois eu me explico.

- Não seria melhor enviar outro auror para a Alemanha? – sondou Vada, àquela altura explodindo de curiosidade. – Ou pedir para que o Rony interrompa a licença?

- Não, Vada. Isto é um assunto que me interessa particularmente.

Harry pegou sua capa e deixou a sala com passos rápidos. Cruzou com um auror que vinha lhe entregar um relatório. “Depois”, disse, ganhando o corredor. Entrou no elevador, ansioso por sair do prédio e poder desaparatar na única área do ministério que permitia essa magia. Em sua mente, vinham as lembranças de seus tempos na casa de herr Gutmann. E também um trecho do pergaminho enviado pelos aurores alemães. “Nossos registros apontam que a arca desaparecida esteve em suas mãos antes de chegar ao departamento, senhor Weasley. Pedimos a gentileza de nos visitar o mais rápido possível para nos esclarecer o real conteúdo desse baú e, assim, prosseguirmos nossas investigações”.












Mais um capítulo longo. É para compensar o atraso. Obrigada, K.

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