Capítulo 2 – Incendio
Entrei no quarto e fechei a porta atrás de mim. O ambiente estava mal iluminado, apenas uma vela queimava sobre a mesa, deixando o quarto imerso em penumbra. Ele estava sentado sobre a cama, mas se levantou quando eu entrei e veio ao meu encontro. Suas mãos me puxaram pela cintura e nos encontramos num beijo quente e passional. Emaranhei os dedos em seus cabelos cor de cobre e os puxei de leve, sem partir o beijo, enquanto suas mãos pesadas começavam a despir meu vestido. Por que eu ainda tinha esses encontros com Crouch? Nem eu sabia, acho que era só pela emoção de fazer algo proibido. Havia se passado vários meses desde que eu recebera a Marca Negra, e meu relacionamento com Rodolphus já estava completando um ano, mas a cama de Crouch continuava sendo uma distração e tanto. Enquanto ele beijava meu pescoço, meus dedos desfizeram rapidamente os botões de sua camisa e abriram seu cinto.
- Apressada? - ele disse, levantando uma sobrancelha, presunçoso.
- Não por sua causa, acredite. - eu provoquei, embora em parte fosse verdade. Crouch riu e terminou de tirar meu corpete, afundando o rosto em meus seios. Soltei um pequeno gemido e deixei que ele se divertisse um pouco ali antes de jogá-lo na cama.
Acabei de me despir lenta e sensualmente, sentindo seus olhos acompanharem cada movimento, e então me aproximei como uma leoa espreitando a caça. Minha expressão transbordava malícia, e a dele não estava muito diferente. Subi na cama, colocando uma perna de cada lado do quadril dele, e recomeçamos a nos beijar, nossas mãos percorrendo cada canto do corpo um do outro. Depois que o senti dentro de mim, perdi a conta das carícias e me deixei afundar no prazer e no poder que eu sentia ao tê-lo completamente entregue e dominado abaixo de mim.
- Você me deixa louco, Bella. - ele disse, em meio às frases desconexas que já soltava. Sem nem pensar, virei-lhe um tapa no rosto, as costas dos meus dedos estalando ruidosamente em sua pele.
- Já disse para não me chamar assim. - eu falei, e Crouch gemeu de prazer com o meu tapa. O safado era mesmo muito masoquista, e tinha mesmo que ser, para aguentar ser meu amante. Ele gostava de sentir dor tanto quanto eu gostava de causá-la.
- E você ainda vai ser minha ruína - ele completou, ofegante, enquanto eu aumentava o ritmo dos nossos quadris.
- É exatamente o que eu pretendo ser. - eu disse, meio entorpecida, e fechei os olhos para aproveitar melhor as sensações. Em minha mente, vieram imagens do Lorde das Trevas, perfeito e poderoso, me olhando com aquele misto de orgulho e desejo que eu tanto me esforçava para merecer. Com isso, não demorou muito para que eu gozasse, cravando minhas unhas no peito de Crouch até arrancar sangue e fazendo-o vir juntocomigo. Caí então ao seu lado e ficamos calados por alguns minutos, ofegantes, nos recuperando dos efeitos do orgasmo.
- Você fica a cada dia mais louca, mulher. - ele quebrou o silêncio, ainda ofegante.
- Vai dizer que não gosta disso? - provoquei, minha respiração também alterada.
- Eu nunca diria tamanho absurdo!
Rindo, me levantei e fui direto para o banheiro, eu precisaria de uma ducha para ficar apresentável novamente. Voltei rapidamente do banho e comecei a colocar meu vestido.
- Onde vai com tanta pressa? - perguntou Crouch, que já tinha vestido uma calça e estava novamente sentado na cama.
- Sair com os Lestrange, quer vir? - eu falei, fechando o zíper do vestido.
- Não, obrigado, não quero estragar a ménage de vocês. - disse ele, e eu revirei os olhos.
- Deixe de ser pervertido, Crouch! Nós vamos comemorar que o Rabastan abriu uma loja na Travessa do Tranco, vamos só tomar uns drinks no Caldeirão Furado e depois ir torturar uns trouxas na mansão deles, você sabe como é. Acho que eles vão chamar alguns outros Comensais também.
- Ah, Rabastan me falou sobre isso. Eu não posso ir, de qualquer jeito, tenho um trabalho para fazer para o Lorde. Você não deve saber o que é, ele me disse que isso deve ser um segredo, por enquanto. - ele falou, com um tom meio convencido, enquanto eu começava a colocar meu corpete.
- É aquilo dos Dementadores? - perguntei, e Crouch assentiu, espantado.
- Eu não estou blefando quando digo que o Lorde divide tudo comigo, Barty. Boa sorte com sua missão, anyways. - ficamos calados por um tempo, eu apertando meticulosamente meu corpete e Crouch olhando para mim, cada um absorto em seus próprios pensamentos, se é que ele pensava. Quando terminei de me vestir, conjurei um espelho e o fiz flutuar ao lado da vela que iluminava o quarto, para que eu me maquiasse. - Acho que vou me casar com Rodolphus. - eu disse de repente.
- O quê? - Crouch exclamou, se levantando de súbito.
- O que você ouviu, meu carro. Minha mãe prometeu me queimar da tapeçaria e tirar minha herança se eu não arrumasse logo um bom casamento de sangue puro. Não adiantou falar com ela que eu não pretendia desgraçar nosso nome como a Andrômeda parece louca para fazer, aquela Corvinalzinha fraca; o mundo da minha mãe só gira em torno de casamentos, e ela estava para me matar. No final das contas, Rodolphus é o melhor jeito de garantir minha herança. - eu disse, displicentemente, enquanto contornava meus olhos com lápis escuro.
Crouch se aproximou de mim e me puxou pela cintura, colando minhas costas ao seu corpo. Antes que eu pudesse reagir, sua outra mão puxou meus cabelos, fazendo minha cabeça pender para o lado, e atacou meu pescoço com fúria.
- Por que Rodolphus, e não eu? - ele sussurrou em meu ouvido. Sem nenhuma pena, soltei uma risada bem alta com aquela pergunta. Aquele homem não tinha mesmo noção de limite! Virei-me de frente para ele e o empurrei de volta para a cama, fazendo-o sentar na beirada. Coloquei uma das pernas ao lado do corpo dele, deixando que a fenda do vestido se abrisse e a mão dele apertasse minha coxa, e me abaixei até a altura dos seus lábios.
- Você, Crouch? - eu disse numa voz baixa e provocativa - Logo você? Seu pai é o puritano número um do Ministério, eu nunca entraria numa família em que tivesse que esconder a quem realmente pertenço. - indiquei brevemente minha Marca Negra ao dizer isso.
- E a quem você pertence? Ao Lorde das Trevas? Você é a vadia dele, é, Bellatrix? - ele perguntou, com a voz cheia de malícia, puxando novamente meus cabelos.
- Seria de bom grado, se ele assim quisesse. - sussurrei, passando as unhas pelas marcas vermelhas que eu fizera em seu peito mais cedo.
- Bella, Bella, seu futuro maridinho não ia gostar nada de saber dessa tara maluca que você tem pelo Lorde. - ele provocou. Minha mão subiu rapidamente para o seu pescoço e eu a fechei com força, fazendo-o arregalar os olhos.
- Desde quando eu me importo com o que alguém gosta ou deixa de gostar? - eu disse, apertando cada vez mais sua garganta, e ele começou a ficar vermelho. - E eu já falei para não me chamar de Bella, não me faça repetir.
Ele assentiu, desesperado, seus olhos começando a ficar marejados. Soltei-o abruptamente, percebendo as marcas vermelhas de unhas em seu pescoço. Nossos lábios se encontraram com fúria, as mãos dele já se infiltrando por baixo da mina saia e me fazendo gemer. Droga, eu chegaria atrasada à festa do Rabastan! Nos meses que se passaram depois daquilo, minhas vistas à cama de Crouch se tornaram cada vez mais raras. Não era por causa de nada que ele tivesse dito ou feito de errado naquela noite, afinal, aquele tipo de conversa sacana e sadomasoquista era bem comum entre nós. Não, acho que eu só estava começando a me cansar, aquele nosso caso já dera o que tinha que dar - embora, às vezes, ainda fosse bom bancar a vadia com ele.
Nesse meio tempo, contudo, eu ficava cada vez mais próxima de Rodolphus. Eu não o amava, é claro, mas ele era para mim como um amigo querido com quem eu gostava muito de transar. Ele era muito bom de cama, afinal, muito melhor que Crouch, e eu descobria cada vez mais o quanto nós éramos parecidos – os ideais, o ódio pelos trouxas, a lealdade extrema pelo Lorde, a crueldade... Nós nos dávamos bem, e eu imaginava que não seria difícil ou penoso me casar com ele, embora eu não tivesse esse dom nato de ser uma esposa como Narcissa parecia ter. Eu e Rodolphus nos gostávamos, a nosso próprio modo.
Assim, era apenas uma questão de tempo até que ele pedisse minha mão, e nossas famílias pareciam ter armado até a ocasião certa para que ele fizesse aquilo: um jantar para comemorar um ano do nosso “namoro”, organizado pelos meus pais. Não era como se eles soubessem quando exatamente nós dois tínhamos começado a dormir juntos, nem nós mesmos sabíamos, mas eles escolheram uma data arbitrariamente, e eu pouco me importava se ela estava errada ou não. Eles que fantasiassem com um amorzinho perfeito de conto de fadas para a filhinha preferida deles, eu não me interessava, desde que minha vida real estivesse o mais distante possível de um conto de fadas.
Foi então, nesse tal jantar, que Rodolphus pediu minha mão, como todos esperavam que ele fizesse. E eu aceitei, como todos esperavam que eu fizesse, colocando em meu dedo o delicado anel de prata e diamantes que ele havia me dado. Acho que foi a coisa mais água-com-açúcar que eu já fiz na vida. No dia seguinte, me encontrei novamente com Rodolphus, nem me lembro se na minha casa ou na dele, e eu o puxei para um sofá num canto. Eu queria conversar direito sobre aquela história de noivado.
- Olha Rodolphus, já que nós vamos nos casar, eu quero esclarecer logo umas coisas antes que você se perca em alguma ilusão. É o seguinte: casamento nunca esteve nos meus planos para o futuro, e eu não tenho o mínimo talento para ser uma esposinha convencional como minha mãe quer que eu seja. Não vou ser dona de casa, nem pense em filhos e o mais importante de tudo: estou me casando com você, mas o único homem a quem pertenço é o Lorde das Trevas, então nem tente me fazer te obedecer. - eu disse isso tudo de uma vez, e só depois do ponto final é que parei para ver sua reação. Ele sorria de leve e me olhava com admiração, não exatamente o que eu estava esperando.
- Bella, você sabe que eu te amo, sou louco por você, e te amo exatamente como você é. Se eu quisesse uma dona de casa obediente, teria ido atrás de uma Prewett, ou coisa assim. Não, eu quero Bellatrix, a guerreira perfeita do Lorde das Trevas, sedenta de sangue e poder. E filhos, sério? Você por acaso conhece alguém menos indicado à paternidade do que eu? - ele disse, e nós rimos juntos. - Mas, sem meias palavras, eu também nunca quis me casar e também não faço ideia de como ser um marido. Eu gosto da nossa relação como está, o que você acha de a deixarmos assim?
- Acho perfeito. E acho que eu posso ter subestimado a ideia de casamento, agora ela me parece bem mais interessante. - eu disse, sorrindo, e nós selamos nosso acordo com um beijo particularmente picante.
Na semana seguinte, fui numa invasão a um vilarejo trouxa, a mando do Lorde. Além de nos divertir e de aterrorizar o Ministério, aquela invasão tinha o objetivo de introduzir dois jovens aspirantes a Comensais em nossos serviços. Malfoy e Zabini estavam cursando o penúltimo ano em Hogwarts e ainda não tinham ganhado suas Marcas Negras. Aquela invasão era o primeiro teste para que eles se provassem merecedores da Marca. Eu, os Lestrange, Avery e Rosier fomos junto a eles, e a invasão foi um sucesso. Os garotos se saíram muito bem, e nos divertimos imensamente. Quando o assunto era requintes de crueldade, não havia ninguém melhor que eu e os Lestrange, e nós ensinamos várias coisas aos mais jovens. Quando a aldeia já estava completamente destruída, conjurei a Marca Negra no céu (eu sempre tinha um enorme prazer em fazer isso) e aparatamos todos na mansão Lestrange. O natal se aproximava e nevava muito aquela noite, de modo que decidimos continuar a diversão em frente à lareira, regados a uísque de fogo. Assim que serviu bebida aos convidados, Rodolphus me puxou pela cintura e aproximou os lábios dos meus.
- Você fica linda quando mata, Bellatrix. - ele sussurrou, e eu sorri maliciosa.
- Você também fica muito sexy com sangue manchando seu rosto. - respondi no mesmo tom, passando o dedo por uma mancha de sangue em sua mandíbula, que não estava totalmente seca.
Sangue trouxa e imundo, derramado por causa do Lorde das Trevas. Coloquei o dedo entre os lábios e o lambi sensualmente, sentindo seu gosto metálico e sentindo a luxúria queimar nos olhos do meu noivo. Assim que terminei, ele me beijou ardentemente, compartilhando o gosto do sangue, e eu me agarrei em seu pescoço. Ah, nós nos divertiríamos muito mais tarde... Quando partimos o beijo, nos viramos para olhar nossos colegas. Eles bebiam e riam em frente à lareira, mal prestando atenção em nós. Exceto um. Malfoy nos olhava de uma jeito bem peculiar, e eu me virei novamente para Rodolphus, para esconder as risadas.
- O que foi? - ele perguntou baixinhos, para não atrair atenção dos outros.
- Malfoy, nos encarando. - eu falei, tentando controlar o riso. - ele estava no quarto ano e eu no sexto em Hogwarts, quando nós tivemos um casinho. Na verdade, foi só uma noite e ele era muito ruim de cama, mas fui em quem tirei a virgindade dele, e parece que o garoto ainda não me superou.
Agora era Rodolphus que tentava esconder as risadas. - E quem é que consegue te superar, mulher? - ele zombou, embora tivesse muita verdade em suas palavras.
- Hey, não vai espalhar isso, ouviu? Eu acho que ele vai ser um bom Comensal, não vamos deixá-lo intimidado logo no início. - eu disse. Rodolphus assentiu, ainda rindo, e fomos juntos até nossos colegas. Ele se sentou ao lado de Avery, mas eu permaneci em pé.
- Não vai se sentar conosco, Bellatrix? Não deve ser agradável ficar de pé sobre esses saltos. - brincou meu futuro cunhado, e os outros riram.
- Até que eu gostaria, Rabastan, mas o Lorde me espera. Ele pediu para que eu fosse até ele quando a invasão terminasse, quer saber como os novatos se saíram.
Eu me despedi deles e saí da sala, aparatando em seguida na casa do Lorde. Quando cheguei, o lugar estava escuro e silencioso como eu nunca tinha visto antes. Chamei por ele, mas não obtive resposta. Talvez ele tivesse saído, eu pensei, talvez eu devesse voltar no dia seguinte. Mas eu havia recebido uma ordem clara, e não estava disposta a desobedecer meu mestre sem tentar melhor. Avancei pelos cômodos escuros do andar inferior, mas não precisei andar muito para encontrar uma luz fraca vindo do topo das escadas. Subi hesitante, o carpete abafando o som dos meus sapatos. No andar superior, pude ver que a luz vinha de uma porta entreaberta no meio do corredor. Me aproximei mais, desconfiada, mas nenhum som vinha daquele cômodo.
- Milorde? - chamei novamente.
- Entre. - respondeu sua voz fria, e eu obedeci prontamente. Ele estava num escritório, estantes de livros enchiam as paredes, uma lareira queimava a um canto, e o Lorde estava sentado a uma mesa coberta de livros e pergaminhos de aparência antiga. Me curvei em reverência enquanto ele se levantava e andava até mim. Dei um beijo na barra de suas vestes, e ele tocou de leve o topo da minha cabeça, como se fizesse carinho. Quase derreti sob aquele toque, imaginando onde mais aquela mão pálida poderia tocar.
- Levante-se, Bella. - sua voz me despertou de meus devaneios, e me levantei.
- Então a invasão já acabou. Confesso que me esqueci do tempo, perdido em meus estudos. Espero que me traga boas notícias, minha cara.
- As melhores, Milorde. - eu respondi, sorrindo – Tudo ocorreu perfeitamente, e a aldeia está completamente destruída. Malfoy e Zabini se saíram muito bem, têm a crueldade e o ódio por trouxas necessários e, embora ainda sejam inexperientes, aprendem rápido. Creio que serão bons Comensais, se Milorde me permite a observação.
- Permito e, pelo que você diz, concordo. Fico muito satisfeito com as notícias. Agora, Bella, não pude deixar de notar que você me parece extremamente feliz. Radiante, eu diria.
- De fato estou, Milorde. Como poderia não estar, vendo nosso poder, seu poder crescendo, e cada vez mais Comensais se juntando a nós? Sem contar que, como sabe, não há nada melhor que torturar trouxas para alegrar meu humor.
- Apenas isso, Bella? Nenhum outro motivo? - ele perguntou, andando em direção à lareira. Eu neguei, confusa, sem conseguir pensar em nenhum outro motivo para minha felicidade. Afinal, onde o Lorde queria chegar com aquilo? Ele se virou novamente para mim, e encarando à distância.
- Não seria... amor? - disse enfim, com certo desprezo na voz. O mundo pareceu parar por um segundo. Era isso. Então Milorde sabia o que eu sentia por ele. É claro que eu nunca usava oclumência com ele, minha mente era do meu Lorde, assim como meu corpo e minha alma, e eu sempre achei que ele simplesmente ignorava os pensamentos que tenho sobre ele. Ainda assim, eu tinha a impressão de que ele não usava legilimência todo o tempo, e tinhas vagas esperanças que ele ainda não soubesse dos meus sentimentos. Tive medo naquele instante, um medo enorme de ser rejeitada, de ser castigada por ter sucumbido a um sentimento que meu Lorde sempre criticava.
- Amor, Milorde? - foi a única coisa que consegui murmurar, com a voz fraca. Ele começou a andar novamente em minha direção, seus passos lentos.
- Sim, Bella. Ouvi dizer que em breve você se casará com Rodolphus Lestrange, não é verdade? - ele falou, parando na minha frente. Soltei a respiração, aliviada, e o mundo voltou a rodar novamente.
- Realmente estamos noivos, Milorde, mas eu não amo Roldolphus, de modo algum! Esse casamento é basicamente um acordo entre nossas famílias. Não me entristece, mas também não é exatamente um motivo de alegria, se você me entende.
- Entendo, e fico feliz que você não tenha se submetido a essa fraqueza que é o amor. - suas palavras foram como uma facada no peito, mas eu não demonstrei isso de forma alguma. Amar o homem mais forte do mundo não é uma fraqueza, repeti em minha cabeça, para me sentir melhor. - Entretanto, esse casamento muito me agrada. Meus dois melhores servos, formando uma família. Creio que, de todos os Comensais, Lestrange é o que chega mais perto dos seus pés. E devo admitir que ele é um homem de sorte, ganhou uma esposa extremamente poderosa e extremamente bela.
Aquilo fez meu coração dar um salto, e creio que eu tenha corado de leve. Eu estava acostumada a ouvir aqueles elogios, mas parece que apenas na boca do Lorde das Trevas eles faziam sentido. Sorri aquele meu sorriso carregado de malícia, que fazia qualquer homem ficar tonto, e andei um passo em sua direção. Com aquilo ficamos muito próximos, nossos corpos quase se tocavam e eu podia sentir sua respiração em meu rosto. O ar ficou pesado entre nós.
- Milorde realmente me acha bonita? - perguntei, num sussurro provocante. Seus dedos longos se emaranharam em meus cabelos, e um arrepio percorreu minha espinha.
- Você é linda, Bella, tão linda... Principalmente quando mata alguém, e o poder brilha em seus olhos. Qualquer homem tem que admitir o quanto você é bonita. - ele disse, sua voz baixa e um pouco rouca, aproximando o rosto ainda mais do meu. Nossos lábios quase se tocavam, e minha respiração estava alterada.
- O senhor não é um homem qualquer. - sussurrei, meus lábios roçando de leve nos dele, e enviando calafrios por todo o meu corpo. Ficamos um momento congelados ali, meus olhos fixos nos dele, vermelhos como o sangue que eu gostava de derramar. Tudo o que existia naquele momento eram seus olhos, seus lábios, seu corpo, sua mão ainda em meu cabelo. Até que ele se afastou abruptamente e andou de volta para a mesa.
- De fato, não sou. - seu tom de voz novamente frio e controlado. Por um segundo, não consegui pensar em nada, o choque de toda aquela situação caindo sobre mim. - Muito bem, Bella, creio que já pode ir. - ele disse, se sentando-se novamente como se nada tivesse acontecido.
- Sim, Mestre. Até breve. - eu fiz uma reverência e saí imediatamente do escritório, descendo as escadas e aparatando para longe dali.
Eu estava extasiada! É claro, o Lorde havia jogado um balde de água fria no final, mas todos aqueles elogios, e toda aquela tensão sexual... Por Merlin, era muito mais que eu esperava receber dele! Quando voltei à mansão Lestrange, os outros Comensais já estavam de saída, eu fui para a cama de Rodolphus com um apetite maior que o normal. Deixei que ele me dominasse aquela noite, como eu imaginava que o Lorde faria, e gemi seu nome – ou melhor, seu título – durante o orgasmo. Se Rodolphus notou, não se importou nem um pouco. Acho que no fundo ele sabia que eu pertencia inteiramente ao Lorde, e nada poderia mudar aquilo.
No mês seguinte, quando a neve já começava a derreter e os primeiros sinais de primavera apareciam, aparatei novamente na casa de Milorde sem nenhum resquício da felicidade que me assolava no dia da invasão ao vilarejo trouxa. O lugar estava silencioso como naquela noite, e subi as escadas sem hesitar. Havia luz escapando por baixo da porta do escritório, e entrei no cômodo como um furacão, a raiva me fazendo perder todo o senso de respeito.
- Milorde, me dê permissão para matá-la! - eu disse, assim que abri a porta do escritório, mas parei no batente. Ele estava sentado com Rookwood, e eles pareciam estar no meio de uma reunião importante, provavelmente sobre o Ministério. Os dois homens me olhavam como se eu fosse louca, e talvez eu realmente tivesse essa aparência naquele instante.
- Deixe-nos a sós, Rookwood. Creio que, para entrar aqui desse modo, o que Bellatrix tem a falar é de extrema importância. Me espere lá em baixo, continuaremos nossa reunião em breve. Rockwood se levantou, fez uma reverência e saiu, enquanto o Lorde me olhava inquisitivo. Me senti uma tola naquele momento. Eu agira por impulso, guiada pela raiva, e agora ia pagar por isso.
- Agora me diga, quem você quer matar? - ele perguntou. Minha vontade era de sair correndo dali, mas eu sabia que não podia.
- Minha irmã, Milorde. Andrômeda fugiu para se casar com um sangue ruim! Eu sempre soube que ela não iria honrar o nobre sangue dos Black, mas se casar com um sangue ruim é uma desgraça além do que eu podia imaginar. Ela já foi queimada da árvore, mas uma traidora do sangue como ela, uma traidora do meu sangue, merece a morte! Me deixe matá-la, Milorde, por favor!
Ele se levantou calmamente, encheu um copo de uísque de fogo e me entregou.
- Sente-se, Bella, beba e tente se acalmar. - ele disse, e eu obedeci como sempre fazia. Aquela sua calma estava me assustando mais que sua raiva me assustaria, eu simplesmente não sabia o que esperar. - Assim como você, Bella, eu nunca esperei grandes feitos da sua irmã, e suponho que, além da desonra, ela não nos trará grandes problemas. Como você bem sabe, estamos em franca ascensão, e não posso liberar minha melhor Comensal nesse momento para caçar alguém que não estará causando problemas. Você tem minha permissão para matá-la se a encontrar, e para procurá-la em seu tempo livre, mas não irei te liberar de nenhuma missão para que faça isso, e creio que daqui para frente você terá cada vez menos tempo livre. - aquilo era bem razoável, e eu estava aliviada por não ter sido castigada pela minha entrada insolente.
- Creio que isso seja justo, Milorde, muito obrigada pela oportunidade. - eu disse, me levantando e fazendo uma reverência. - E me desculpe por interromper sua reunião. - emendei, receosa.
- Ainda bem que tocou no assunto, pois eu estava prestes a lhe chamar atenção sobre isso. Está perdoada, contanto que isso não se repita. Não tolerarei novamente esse tipo de insolência. Pode ir agora, Bella, e chame Rockwood quando sair.
- Perfeitamente, Milorde, garanto que isso não se repetirá. - eu disse, cheia de alivio e arrependimento. Fiz mais uma pequena reverência e saí da sala. Rookwood esperava no andar de baixo, e me olhou com um sorriso sacana no rosto.
- Já foi torturada o suficiente pela insolência, Black? - provocou ele.
- Pelo contrário, saí sem nenhum arranhão. Essas são as vantagens de ser uma Comensal competente, o Lorde das Trevas recompensa quem lhe é útil, sabe? - eu disse, com minha expressão mais arrogante. Perder a chance de tripudiar alguém não era uma possibilidade. Aparatei para a mansão Black e deixei Rookwood lá, com cara de idiota.
Minha cabeça já estava novamente em minha irmã quando cheguei em casa, aquela traidora imbecil ia pagar caro! Subi as escadas direto para o meu quarto, que já não seria meu por muito mais tempo, e me joguei na cama. Ah, mas Andrômeda ia se arrepender, mais cedo ou mais tarde, e eu iria garantir aquilo. Virei meu rosto para a mesa de cabeceira, e vi em cima dela um porta-retrato que eu havia colocado ali há muito tempo. Me levantei, peguei a foto com amargura e a tirei da moldura. Na imagem, eu, Narcissa e Andrômeda sorriamos para a câmera, e aquela época parecia tão distante, tão irreal...
- Incendio– murmurei, apontando a varinha para a foto, e observei ela se desfazer lentamente em chamas. Cissy era minha única irmã agora. Me levantei, e procurei em minha gaveta de papéis uma outra foto para colocar no lugar daquela. Finalmente, encontrei o retrato de uma festa dos Comensais da Morte, todos nós reunidos com taças na mão, e o Lorde das Trevas no centro, magnífico e perfeito como sempre. Essa família, eu sabia, nunca me desapontaria.
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N/A: aqui está o segundo capítulo. já que a chinesa não vai comentar mesmo, né Chane ;) Quero aproveitar pra agradecer a minha maravilhosa amiga Jane Weshville que se dispôs a betar a fic, brigada gê! E não, eu não resisti a zuar com a cara do Lucius, foi mais forte que eu u_u Enfim, espero que gostem =D Beijos!
MaryLestrange