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2. Sobre Viver e Morrer


Fic: Contos Desconhecidos


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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“Testrálios são criaturas um pouco enigmáticas, pouco se sabe sobre essa espécie pela limitação de pesquisadores que podem estudar sobre eles. Somente dois grupos grandes são conhecidos atualmente, os que moram em Hogwarts e outro que vive ao norte da Inglaterra. Também sabemos que eles podem se alimentar tanto de carne viva ou morta, assim como de vegetais, ainda não se sabe como o seu organismo funciona, já que nunca encontramos um corpo morto para estudá-lo, se é que podemos achar algum corpo nesse estado. Outro grande mistério é sobre a sua reprodução, atualmente nada se sabe sobre isso, pois nunca foi presenciado por olhos humanos o nascimento de um dessa espécie. A coisa mais interessante sobre os Testrálios é que ele só se torna visível aos nossos olhos caso nós tenhamos algum tipo de experiência quase-morte ou visto alguém morrer, não sabemos explicar como ou porque isso acontece, mas é esse fato que torna esses animais tão fascinantes”.


 


É isso que falam sobre nós. Pelo menos é o que eu já ouvi saindo da boca de um dos professores desse castelo. De certa forma me sinto mal por sermos tratados apenas como animais, sem que tenha uma procura pra realmente nos entender, simplesmente preferem deixar-nos no anonimato. Ao mesmo tempo em que acho tudo isso muito engraçado, pois eles se intitulam bruxos e a magia não é algo fácil de entender, logo se eles mal conseguem nos compreender como querem dominar algo que é mais complexo do que a minha própria existência.


Também já ouvi dizerem que nós trazemos a morte, somos os mensageiros que antecedem a chegada do fim de suas vidas. O dono desse comentário foi um pobre aluno que tinha acabado de entrar em seu segundo ano e jurava ao seu amigo do lado que podia ver-me, mas eu sabia que ele não podia me ver. Para que você possa entender isso vou lhe explicar um pedaço do nosso mistério. Quando um ser pode nos ver, nós sabemos pelo seu olhar, pois temos a capacidade de descobrir como quem nos vê encarou a morte. Para que nós nos tornemos visíveis o observador precisa ter tido alguma ligação com a morte, seja quase morrendo ou vendo alguém morrer, pois nós estamos ligados à morte desde que nascemos. Não sei por que o menino estava mentindo para o outro, não consigo compreender os humanos muito bem, eles possuem um ritual de acasalamento um tanto quanto estranho.


Você realmente não deve estar entendendo muita coisa não é? Afinal, por que um testrálio resolveria falar sobre os humanos assim, sem mais nem menos? Pois bem, eu gosto de observar os seres humanos, são seres engraçados, são uma ótima maneira de se passar o tempo para ser sincero. Fazer isso acabou por virar meu passa-tempo, afinal o meu trabalho está relacionado a aturá-los por um tempo.


Eu e o meu bando viemos morar em Hogwarts a pedido de Helga, ela nos ofereceu um local seguro para morarmos em troca de trabalharmos puxando as carruagens no início do ano letivo. Acredite, isso é algo muito bom para nós, pois nosso meio de se reproduzir não é algo tão fácil quanto você possa pensar, tem tantas dependências e coisas que somente atrapalham que um local seguro é mais do que possamos pedir. Enfim, eu não vim aqui falar sobre como nascemos.


Escutar o que os alunos falavam durante o caminho até a entrada do castelo se mostrou algo bem divertido, até porque eu podia ver diferença entre os sexos e a idade, já Hogwarts dava essa oportunidade. Era engraçado ouvir as meninas falarem sobre os meninos e depois ouvir os meninos falando sobre Quadribol, isso me fazia rir por dentro de uma maneira que eu não conseguia compreender, apenas achava divertido. Depois vinham os namorados que se derretiam em amores por terem passado as férias longe um do outro, isso quando não tinha alguma discussão, o que sempre aumentava ainda mais o interesse. Por isso nunca reclamei do meu trabalho, não creio que poderia me divertir tanto quanto o faço por aqui. Sem lembrar o fator da proteção, que é o mais importante.


Quero que vocês entendam o quão difícil é para nós manter o nosso número, portanto creio que você não se importará se eu fugir da história por pouco tempo. Nós não temos muito predadores por conta da nossa aparência mórbida, quem ia querer comer algo que tem a aparência de estar em decomposição? Porém alguns seres mágicos não gostam de nós por não sermos tão carismáticos logo viramos presas fáceis de dragões, alguns centauros, entre outros. Só que o grande problema não se encontra ai e sim em como nascemos, melhor prestar bastante atenção aqui, pois creio que nenhum de sua espécie saiba sobre isso. Para que um de nós nasça é preciso ter um eclipse solar, um corpo de um animal quadrúpede de tamanho grande e mais sete companheiros. Isso tudo apenas para um de nós nascer não pode ser nem mais nem menos que isso.


Eu falei que era difícil, não falei?


O corpo usado nessa espécie de ritual não pode ter morrido há pouco tempo, pois nós precisamos da conexão da vida com a morte, e é dessa linha tênue que nós precisamos para que possamos vir para este mundo. Por isso nós temos essa aparência mórbida, por isso é preciso que você veja a morte para que possa nos enxergar, a nossa relação a morte é muito mais profunda do que um ser humano possa entender.


Nem sei se deveria estar falando sobre isso. Também não sei por que estou contando esta história, até porque nós nunca fomos de nos comunicar, apesar de não termos nada contra, com os homens. Só que você não está aqui para isso, não está aqui para ficar ouvindo resmungos de um animal correto? Então voltarei à narrativa.


Tudo isso começou quando eu vi uma menina, muito pequena, era provável que ela estivesse no seu segundo ano, pois nunca a tinha visto. Tinha um corpo tão magro, me parecia tão frágil que de forma súbita senti que deveria ir mais devagar com a minha carruagem para impedir que algo acontecesse a ela. Ela tinha cabelos cor de madeira que formavam cachos que lhe contornavam o rosto, destacando uma beleza diferenciada, seus olhos eram mais claros, parecidos com mel e me passaram uma ternura digna de sua comparação.


 Descobri que era uma menina muito curiosa pelo modo como falava sobre o gigantesco castelo à nossa frente, explicava para a outra menina que sentaram com ela sobre detalhes que a deixavam instigadas, mas que sempre tinha uma explicação que tirara de algum livro. Soque tinha algo que ela não sabia logo de cara: as carruagens. Como elas eram puxadas pelo nada? Algum feitiço, algum animal? E ela ficou em uma inquietação que eu me lembro até hoje, ela queria de todo o seu coração saber quem ou o que puxava aquelas carruagens.


Ela queria saber sobre mim. Talvez fosse isso que me chamou a atenção no final das contas.


No ano seguinte eu fiz de tudo para que justamente ela subisse em minha carruagem, não irei contar os detalhes pois nem eu mesmo me lembro direito de como consegui encontrá-la e me posicionar de forma que ela me escolhesse, você só precisa saber que deu certo.


Enquanto eu a levava para sua segunda casa ela contava à outra menina que estava com ela na carruagem. Ela falava de forma empolgada tudo o que descobrira sobre a minha própria espécie, contava os detalhes que encontrara, sobre o que perguntara ao professor e tudo isso com um sorriso no rosto. De tempos em tempos ela olhava para onde ela achava que eu me encontrava, apesar dela encarar o lugar certo eu sabia que ela não conseguia me enxergar. Eu a encarei, olhando fundo naqueles orbes mel e me toquei de uma coisa, ela não era capaz de me ver. De repente eu fui abatido por uma dor que eu não sabia de onde vinha, uma dor muito parecida com uma que senti assim que um dos meus companheiros se foi, algo que eu não esperava sentir apenas por ter consciência de que ela não sabia da minha existência. Só que isso não demorou a passar, logo eu estava sorrindo por dentro de ver a sua alegria ao falar tão orgulhosa sobre as suas descobertas.


Depois desse segundo encontro eu resolvi acompanhá-la. Nós não ficamos presos, não temos celeiros, nem coleiras ou canis, temos todo o terreno de Hogwarts para nós, portanto eu poderia observá-la sempre que ela viesse aos jardins, onde eu poderia estar. E foi isso que eu fiz.


Enquanto os dias passavam e eu ficava à sua espera do lado de fora, apreciando a sua companhia calado. Ela gostava de uma arvore em específica que ficava um pouco afastada da beira do lago, mas ainda perto o suficiente para poder observá-lo, ela sempre sentava-se em baixo da larga sombra dada pela folhas com um livro em mãos. Ela sempre estava lendo alguma coisa, nunca sentava-se ali para simplesmente pensar, algo que muitos alunos faziam. Eu ficava deitado, um pouco mais recuado até mesmo para evitar de alguns alunos tropeçando em mim, ou mesmo para não atrapalhá-la, eu pensava que qualquer movimento brusco meu fosse interromper sua concentração.


De certa eu me via mais como um guardião seu, não queria que nada de mal acontecesse. Ficava ao longe, zelando pelo seu bem-estar, pela sua felicidade. Cheguei a pensar que se alguém fosse até lá perturbá-la eu tomaria alguma providência para tirar o infeliz de perto dela. Só que felizmente eu nunca precisei fazer isso, ela emanava uma aura que fazia com que os outros ficassem longe enquanto estava concentrada, isso me fascinava de algum modo.


Perdoe-me por me perder em meus próprios pensamentos, mas isso só lhe mostra o quanto eu me sentia atraído em proteger aquela menina.


De tanto observá-la comecei a conseguir diferenciar as suas emoções e estados de humor. Sei que não sou um humano, também sei que não sou um expert em emoções, principalmente de uma espécie diferente da minha, mas eu passei tanto tempo perto dela que me julgo no poder de achar que estou certo.


Mas voltemos à cena. Ela entrara em minha carruagem com uma felicidade que chegou a me contagiar, sorri por dentro ao contatar o sorriso em seu rosto. Só que um detalhe me chamou a atenção, ela guardara o lugar ao seu lado, não deixando que nenhuma outra pessoa entrasse, não sabia quem ela estava esperando. Para minha felicidade eu não tive que esperar por muito tempo.


Alguns minutos após a sua entrada, uma outra menina sentou-se ao seu lado. O que me chamou a atenção na menina eram os cabelos cor de fogo, algo bem exótico, mas que não tenha sua própria beleza. Não pude deixar de perceber o sorriso que escancarou no rosto da minha pequena.


Hm, acabei de falar minha não é? Eu sinto como se não possuísse esse direito, de tê-la como minha protegida, de querer cuidar a todo custo. Isso é tão estranho afinal? Realmente é tão impossível assim um testrálio querer tanto proteger algo a ponto que querer guardá-lo para si?


 Mais uma vez eu perdendo, peço perdão por isso, voltemos.


A ruiva encantadora tinha acabado de fechar a portinhola da carruagem, mesmo havendo um lugar vago, ela parecia não se importar com o fato de que algum aluno poderia ficar sem lugar. Assim que o barulho do trinco foi ouvido ela voltou-se para a menina a sua frente, rompendo os poucos centímetros que as separavam e colando os lábios com tamanha necessidade como se dependesse daquilo para continuar respirando. Tenho que admitir que aquilo tudo me pegou de surpresa, não pela questão de serem duas garotas, isso não porque já tinha visto isso antes, mas sim pelo medo que me abateu por pensar que ela poderia machucar a minha menina.


Eu nunca a tinha visto com alguém, ela sempre levou seus estudos muito a sério, tinham alguns amigos sim, mas nunca a vi com um namorado ou algo do gênero.  Isso me deixou receoso, não queria ela sofresse na mão de qualquer um. Mas um detalhe fez tudo isso desaparecer da minha cabeça. A minha menina sorria, mas não um sorriso qualquer, mas um sorriso largo que transbordava uma alegria que eu não sabia que algum ser humano seria capaz de sentir. Como eu poderia me preocupar com algo que a trazia tamanha felicidade?


E isso foi continuando durante o ano seguinte. Ela não saia tanto para os jardins quanto antes, mas quando vinha eu era presenteado com um belo sorriso, com tamanha felicidade que não tinha como eu mesmo ficar feliz pela maneira como ela se sentia algo que não acontecia anteriormente. Então eu não tinha muito com o que me preocupar.


Sempre que ela saia do castelo ia para mesma árvore de sempre, só que dessa vez ela tinha um semblante diferente. Eu podia perceber que ela esperava por alguém, mas ela parecia mais preocupada em observar os arredores do que ficar ansiosa pela espera, algo que era novo, afinal ela estava sempre ocupada com alguma outra coisa do que observar o belo jardim.


A sua espera não se prolongou por muito tempo, rapidamente a ruiva chegara, com o rosto um pouco vermelha pela pequena corrida do castelo até o local. Assim que chegara ela se aninhava no colo da minha menina, que começava a fazer algum tipo de carinho automaticamente. Eu podia ver a felicidade no rosto da minha menina ao ouvir a outra falar sobre banalidades, provas, qualquer coisa que saísse de sua boca, de certa forma e acabei por pegar uma afinidade pela outra, já que sempre as via juntas, logo não me importei em querer protegê-la também. Mas é claro que não na mesma intensidade do que somente a minha menina teria.


Essa cena se repetia ao longe do ano, eu sorria por dentro ao ver a felicidade que ambas possuíam, mas as vezes eu sentia algo ruim dentro de mim. Eu podia vê-la, protegê-la, cuidar dela, zelar por ela, mas ela nunca tomaria consciência disso. Eu permaneceria no anonimato, não poderia compartilhar da sua felicidade, não poderia fazer com ela soubesse tudo o que eu desejasse que soubesse, todo o meu esforço. Eu queria ser visto, isso era pedir demais?


Em um desses dias, enquanto eu a seguia de uma distância considerável, eu me perdi em pensamentos. Me perdi ao imaginar como seria caso se ela pudesse me ver, essa distração fez com que eu trombasse com uma árvore, eu me desequilibrei, mas não cai. O barulho não foi muito alto, mas o suficiente para atrair-lhe a atenção. Ela virou-se, encarando-me bem onde eu me encontrava, mas seu olhar passava direto, como se eu inexistisse. Eu congelei nessa hora, encarando aquele mel que me deixava perdido, sentindo uma dor que não estava ligada ao meu corpo. Talvez eu estivesse me envolvendo demais, porém eu já tinha ido muito longe, agora não adiantava ficar pensando nesse tipo de coisa, eu sabia das conseqüências desde o início.


Vou abrir um pequeno parênteses para que vós entendas o tamanho do meu pesar. Eu não sou um ser que fico choramingando por ai, como posso parecer ao reclamar tanto de não ser reconhecido. Mas entendas, nós somos seres centenários, vivemos uma vida que somente por nós pode ser compartilhada. Talvez estou a pedir demais, mas ainda tenho uma pequena esperança, nossa solidão não tem fim, é um pesar que só por nós pode ser compartilhado. Para que alguém possa me ver precisa já ter visto a morte, isso para um ser humano é algo traumatizante. Entende o meu pesar?


No que se seguiu a guerra começou. Ver aquele castelo imponente ser engolido por chamas era como ver toda a nossa esperança ser queimada junta, eu só podia torcer para que como a fênix aquele gigante renascesse das cinzas.


Eu e meu bando tivemos que deixar os arredores do castelo, fugir para um local mais seguro, pois aquele local virou foco dos seguidores do homem com quem a morte anda. Todos esses homens já viram a morte, pois eles mesmos tiraram muitas vidas, então eles nos viam e não poupavam nenhum que cruzasse seus caminhos. Foi assim que perdi alguns dos meus irmãos antes que fugíssemos dali.


Enquanto eu era arrastado para fora daquele local, sim eu tive que ser arrastado porque não agüentei a idéia de deixar a minha protegida sozinha, eu pude ver toda aquela destruição, todo aquele cheiro de morte e fiquei apavorado. Eu dei trabalho para meus companheiros, mas agora eu agradeço à eles por terem me tirado de lá.


Tivemos que ficar um tempo longe do lugar que nós chamávamos de casa. Também vi o seu mundo se destruir em guerra. Vi vocês agonizarem nas mãos dos seres sem sentimentos, vi a dor pela qual passavam. Vi a vida se esvair aos poucos sem uma aparente chance de vitória. Isso era agonizante já que eu não tinha notícias dela, então qualquer menina de cabelos cor de madeira que via eu entrava em desespero por pensar ser ela, foi um tempo muito difícil no qual não desejo que nenhum ser passe novamente.


Felizmente isso não durou para sempre, parando para pensar agora isso não durou muito tempo, mas quando você está em sofrimento as horas parecem dias e os dias, meses. Logo eu recebi a convocação para retornar ao nosso lar, vindo da nova senhora do castelo. Não preciso dizer o grande alívio que isso me trouxe não é? Mas eu novamente entrei em estado de ansiedade por esperar que o ano letivo recomeçasse para poder reencontrá-la.


Enquanto eu esperava todos os alunos chegarem, não conseguia parar de pensar no que aconteceria caso eu não a encontrasse ali. Com forme os alunos iam se aproximando, mais meu coração se acelerava. A cada cabeleira castanha eu me enchia de esperança, para logo depois voltar ao desespero por não ser ela. E fiquei assim, evitando deixar que alguém sentasse em minha carruagem até encontrá-la.


Até que finalmente eu a vi ao longe.


No mesmo momento que constatei ser ela meu coração quase quebrou a minha caixa torácica e meus músculos se relaxaram por saber que ela estava viva. Mas a minha felicidade não durou muito tempo, eu a percebi que a felicidade que tanto me cativara fora embora, ela tinha semblante como se somente seu corpo estivesse ali e ela mesma estivesse ido para outro mundo. E isso me destruiu com tamanha força que eu não conseguia para de imaginar um modo de fazê-la rir novamente.


Ela veio andando lentamente até a minha carruagem, entrando sem muito entusiasmo e largando seu corpo como se fosse um sacrifício permanecer de pé. Foi nesse momento que eu percebi uma coisa que me deixou atordoado. Ela me via. Ela pela primeira vez estava me encarando.


Eu não tive tempo de pensar em alguma outra coisa pois eu me perdi no mar de mel que tanto me encantava. Sem ela ter consciência, sua memória foi mostrada à mim, já contei a você que nós podemos ver como vocês viram a morte.


Comecei a ver tudo pelos seus olhos. Via o fogo irrompendo as paredes, ouvi os gritos de desespero que vinha de todos os lados, senti o medo que fazia o seu pequeno corpo tremer e faze com que segurasse a varinha com força triplicada. Foi então que percebi que ela estava cercada por aqueles homens encapuzados, não tinha saída a não ser lutar contra eles, mas eu via que o numero deles trazia uma desvantagem gigantesca para ela e isso me apertou o peito por saber que eu não estava ali naquela hora para defendê-la.


Senti o medo que vinha dela, senti a raiva que fazia seu sangue ferver, senti a preocupação que apertava o seu coração. De início não consegui entender o porquê dessa preocupação, mas assim que senti algo quente nas minhas costas me dei conta de que tinha mais alguém com ela, então não precisava olhar para trás para constatar que encontraria um cabeleira cor do fogo que derrubava aquele gigante.


A minha menina conjurava feitiços de proteção com uma perfeição que me fez ficar orgulhoso. Ela sabia duelar muito bem mesmo, o que me pegou de surpresa, ela combinava os feitiços de defesa com os de ataque e quando não consegui se defender, puxava a outra pelo braço em direção ao chão, fazendo ambas escaparem dos feitiços. Pelo o que eu entendi a ruiva fazia o mesmo, elas fizeram uma estratégia que protegia as duas de uma maneira que não saíssem uma do lado da outra.


Em pouco tempo os inimigos se encontravam todos ao chão, inconscientes, com a exceção de dois deles, que pareciam serem os líderes e duelavam consideravelmente melhor que os demais. Cada um foi para uma menina diferente, começando um duelo de alto nível, mas a minha menina, para o meu orgulho, se mostrou melhor e começou a ganhar alguma vantagem. E quando estava prestes a derrubar o homem a sua frente eu escutei um grito.


Rapidamente ela virou a cabeça, para localizar de onde viera o grito e a cena me fez paralisar.


A minha menina estava de frente para o corpo da ruiva, jogado ao chão, aparentemente sem vida. Eu senti o coração da minha menina parar por um instante e sua respiração se descompassar por um tempo. Senti algo quente e molhado escorrer pelo seu rosto e senti sua boca abrindo reproduzindo mais um grito.


A raiva corria pelo seu sangue, espalhando-se rapidamente por todo o seu corpo. Eu a senti agarrar a varinha ainda com mais força e avançar em um ato suicida para cima do homem que matara a outra menina. Ela conjurava feitiços do qual ela imaginou que não fosse capaz de fazer, ela avançava sem se preocupar com a própria vida, seus olhos estavam tão cheios de água que ela mal conseguia enxergar. Mas isso não a fez parar, ela não precisava enxergar para saber o que fazer, ela não precisava ouvir para saber o que falava, ela não precisava sentir o seu corpo para continuar andando.


Ela só parou quando os dois corpos masculinos estavam sem vida no chão.


Eu senti seu corpo cair, pesado, ao lado da ruiva. Ela tremia de forma descontrolada, conjurava feitiços de reanimação, sacudia os ombros da outra, berrava implorando para que ela parasse com aquela brincadeira sem graça. Mas no fim aquilo não era uma brincadeira de mal gosto.


Então ela pegou nos cabelos ruivos, colocando a cabeça da outra em seu colo, reproduzindo a cena que eu vi tantas vezes nos jardins, até mesmo fazia os carinhos que costumava fazer. Mas dessa vez a outra não falava mais, não sorria, não a olhava.


Dessa vez não havia mais pulso.


Foi aí que a minha visão foi cortada e eu fui puxado de volta à realidade, de volta ao presente que tanto emanava tristeza. Mesmo estando agora em meu corpo, ainda sentia a água quente em meu rosto, sentia meu coração tão apertado de uma maneira que não havia sentido nunca, sentia como se tudo agora havia perdido a cor, sobrando apenas dor.


Eu a encarava, agora entendia porque seu olhar estava tão perdido, sem rumo, como se aquele corpo fosse somente uma casca oca. Seu olhar cortava a minha alma, deixando um rastro de tristeza onde deveria brotar o sangue, agora nada mais havia sido deixado para trás a não ser a dor da solidão. Foi então que eu percebi, eu nunca mais teria a minha menina de volta.


- Agora eu te vejo. – Eu a ouvi dizer, enquanto encarava-me nos olhos.


E meu peito se encheu de uma dor da qual eu não conseguia suportar. Eu sempre quis que ela pudesse me ver, mas com aquele custo? Com o custo de ela ter perdido a maior felicidade que eu fui capaz de presenciar em um ser humano? Com o custo de ela ter perdido o amor da sua vida, de ter pedido o sentido que a vida precisava ter? Eu não conseguia mais pensar, pois a dor era tamanha que soltei um uivo longo e dolorido.


Todos os que estavam no local ouviram e foram capazes de sentir a tristeza que agora tomava conta de todo o meu ser. Foram capazes de compartilhar, nem que fosse por um mínimo que fosse a dor que agora tomava conta do meu peito como se fizesse dele sua morada permanente.


O som representava toda a minha dor, toda a sua dor. Carregava o tom triste que agora predominava em seus olhos.


Eu não a teria de volta novamente.


Agora ela me via.


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N.A.: Booooom gente, saiu isso aew, isso veio de um insight bizarro numa madrugada e espero que vocês tenham gostado. Eu PRECISO de comentários, sério, vocês não tem noção como é bom ver um comentário novo, isso é um baita incentivo pra continuar a escrever. Portanto COMENTEM ;D


Bjos, Bea

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