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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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Visualizando o capítulo:

26. À meia noite - o príncipio


Fic: Obsessão Por Você - AVISO POSTADO!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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[N/A]: Sim, isso não é uma visão ou alucinação. Sim, o capítulo 25 finalmente está aqui.


Olá, todo mundo! O que posso dizer? Desculpem pela demora e pela qualidade meio baixa do capítulo. Eu fiz o máximo que pude com ele, reescrevi diversas partes milhares de vezes e no final, as palavras tomaram vida própria e modificaram todo o enredo que eu tinha imaginado. O final, na prática, é quase o mesmo mas todo o resto..enfim, espero que gostem e que seja tudo aquilo que vocês estavam esperando.


Quero terminar OpV antes do final de setembro, porque apesar de amar muito essa história, ela está acabando com os meus nervos. Além disso, como tinha contado antes, estou com novas fics sendo escritas e estou doida para mostrá-las para vocês mas, para isso, OpV precisa terminar. O perfil no FF.net está feito, só falta postar a fic lá. O LiveJournal também está prontinho, então, mandem sugestões do que vocês gostariam que tivesse no 'Dossiê OpV' que vou colocar lá: curiosidades sobre os personagens inventados, como a Agatha, cenas deletadas, músicas e por ai vai.



Esse cap é um presente de aniversário meio atrasado para minha baiana Julinha que não me deixa nunca esquecer que tenho uma fic para terminar. A música, como vocês já sabem, é Snow White Queen, do Evanescence. Por favor, escutem a dita cuja enquanto lerem para dar uma idéia do desespero da coitada da Hermione.


 


Eu senti MUITA falta de tudo isso. Obrigada por ainda estarem aqui, depois de tanto tempo, comentando a fic e me mandando emails mesmo quando eu sumo totalmente. Curtam o capítulo e apertos nas bochechas de todo mundo, meus leitores queridos.


Nath Malfoy ;D


 


Cap.25: À meia noite – O princípio




“Bom dia...É de manhã, é hora de levantar...Vamos tomar café e ir para a aula! Bom dia...”


 


Há dois longos minutos que o despertador encantado de Gina repetia insistentemente as frases de bom dia, mas a ruiva simplesmente recusava-se a acordar de seu sonho envolvendo um Tom Riddle sentado sozinho na arquibancada do campo de quadribol, enviando balaços enfeitiçados na direção dela. “Se você desviar de 243 balaços, eu te dou um sapo de chocolate”, ele gritava, divertido, enquanto Gina pensava que era muita injustiça dele lhe negar um sapo de chocolate daquele jeito...


 


“...e ir para a aula! Bom dia...ACORDA, SUA RUIVA PREGUIÇOSA!” o despertador gritou e Ginny assustou-se, despertando, quase caindo da cama em meio aos muitos cobertores embolados.


 


-          JÁ VAI, DROGA!-ela gritou em resposta, arremessando o despertador para o outro lado do dormitório.


-          Ginny, por Merlin, não grite!-Anna, uma de suas colegas do quinto ano reclamou da cama em frente, enquanto escondia a cabeça debaixo do travesseiro.-São oito da manhã!


-          Desculpe...-a Weasley pediu, vermelha de vergonha e irritação, enquanto mais murmúrios de reclamação vinham das outras duas colegas, também escondidas em suas camas.


 


Mal-humorada, Gina levantou da cama e dirigiu-se ao banheiro, esfregando os olhos castanhos com sono. Mesmo com os gritos de seu despertador, ela sabia que só acordaria dali pelo menos uma hora, depois de ter tomado café. Quase enfiou a cabeça debaixo da pia para lavar o rosto, deixando pensamentos desconexos sobre seu sonho maluco, sobre o frio, sobre como já estava na hora de se livrar daquele despertador escandaloso, mesmo que não conseguisse acordar na hora sem ele, sobre como queria comer o mingau de aveia que sua mãe lhe preparava no inverno, sobre como Harry reagiria quando lhe visse em sua fantasia de baile, sobre como Hermione devia ter passado a noite...


 


-          Hermione!-a menina exclamou, repentinamente desperta.-Esqueci completamente dela!


 


Afobada, ela pegou a primeira toalha que viu e enxugou o excesso de água do rosto, saindo correndo de seu dormitório para em seguida entrar no do sexto ano, que ficava em frente. Gina olhou para dentro do quarto, observando que os montes nas duas camas da frente só poderiam ser Parvati e Lilá dormindo. Porém, daquela distância, ela não podia ver Hermione, já que a cama da amiga estava com as cortinas cerradas. Avançando com cuidado, tentando fazer o mínimo de barulho possível, a ruiva chegou até a cama da garota e afastou as cortinas. Seus olhos castanhos arregalaram-se instantaneamente ao verem que a mesma encontrava-se totalmente vazia.


 


-          Droga...-ela murmurou, pondo uma das mãos na cama e sentindo as cobertas frias, denunciando que estavam vazias já a um bom tempo.-Ok, Gina, nada de pânico. Hermione sumiu..Merlin, sumiu! Gina Weasley, nada de pânico. Respire fundo e pense...Aonde ela pode ter ido parar?


 


Ginny revirou as cobertas rapidamente procurando alguma pista da onde Hermione poderia ter ido, enquanto tentava responder sua própria pergunta. “Pelo jeito, nenhum lugar muito longe ou que ela não conhecesse porque seus chinelos e varinha ainda estão aqui...Ou então um local totalmente inusitado, em que ela foi forçada a ir e nem ao menos teve tempo de pôr os chinelos ou pegar a varinha para se proteger...”


 


-          Oh, Hermione!-Ginny choramingou.-Droga, onde você foi parar?-a garota perguntou para o nada, desesperada.


 


 


 


Hermione respirou fundo em seu sono, pressionando de leve os dedos de Draco entrelaçados entre os seus, as mãos pequenas dela e as grandes dele repousando juntas sobre o seu estômago. O loiro respondeu-lhe puxando mais na direção de seu peito, encolhendo as pernas abaixo das dela, enquanto afundava o rosto na curva de seu pescoço.


 


A Sala Precisa estava novamente envolta em silêncio e uma semi-escuridão, graças às cortinas desejadas por Hermione que cobriam a porta da varanda, barrando parte da luz fraca, do dia lá fora. Uma brisa invernal levantou de leve as cortinas e a garota resmungou, encolhendo-se de frio juntamente de Draco, apesar dos dois estarem debaixo do cobertor que ele havia requisitado para a sala algumas horas mais cedo. O garoto praticamente ronronou ao ouvido dela, prazerosamente, e murmurou:


 


-          Hermi...


-          Hum?-a grifinória sussurrou, ligeiramente desperta pela voz rouca de sono dele.-O que foi...


-          Shh...-ele resmungou, os lábios roçando de leve no lóbulo de sua orelha.-Hum...Eu amo você tanto.


 


A menina abriu os olhos, sentindo seu coração repentinamente quente. Sorrindo, ela virou o corpo para poder vê-lo e Draco automaticamente reajustou a posição do próprio corpo, abraçando-a levemente, enquanto a mão esquerda permanecia firmemente entrelaçada à esquerda de Hermione. Não deixou de se surpreender ao perceber que o sonserino ainda dormia.


 


-          Tanto, tanto...-o rapaz murmurou, encostando a testa à dela inconscientemente.


 


A garota pressionou os lábios levemente nos dele, enquanto afagava com a mão livre os finos fios loiros de Draco, acordando-o. Hermione sorriu assim que os olhos dos dois se encontraram e o beijou novamente, mais profundamente. Draco deixou a boca ser vagarosamente invadida pela língua quente da garota, envolvendo-se de bom grado no beijo quente e carinhoso que ela lhe dava. Separaram-se pouco tempo depois e encaram-se por alguns instantes até ela finalmente sussurrar:


 


-          Bom dia.


-          Bom dia. O que eu fiz para merecer um beijo desses?-Draco perguntou, espantado, pousando os lábios de leve na mão esquerda dela enquanto olhava fundo em seus olhos castanhos.


-          Você disse que me amava enquanto estava dormindo.-ela respondeu, simples.


-          Só isso? Está bem.-ele disse, fechando os olhos azuis novamente.


-          Hum..Draco, mas o quê..?-Mione perguntou, sem entender.


-          Shh, eu estou dormindo. Ah, e antes que eu me esqueça, eu amo você...-o sonserino reabriu apenas um dos olhos e sussurrou, como se estivesse dando-lhe uma dica.-Agora, pode me beijar.


-          Ah, seu sonserino interesseiro!-a menina exclamou, rindo, antes de beijá-lo mais uma vez.


 


O loiro correspondeu e alguns longos minutos se passaram até os lábios se separarem novamente. Sentindo nada além de felicidade, Hermione debruçou-se sobre o peitoral dele, para poder vê-lo de cima. Delicadamente, enquanto Draco permanecia de olhos fechados e imóvel, pôs-se a acariciar os finos cabelos loiros que lhe caiam sobre a testa.


 


-          Sabe, eu estava pensando...-ela começou após alguns segundos de contemplação do rosto do rapaz, mas foi interrompido por um súbito apito dentro da sala.-Que barulho é esse?-Hermione questionou, desviando os olhos dele e olhando em volta.


-          Ah, é o despertador do meu relógio. Está ali ao lado do violão.


 


Draco engatinhou para fora do cobertor e apanhou o relógio de pulso, voltando rapidamente para junto do corpo quente da grifinória.


 


-          Que horas são?-ela perguntou, sentando-se na frente dele e envolvendo-o com o cobertor.


-          Oito da manhã. Não dá para ver os ponteiros, é claro, mas eu ponho o relógio para despertar todos os dias nesse horário.


-          Já? Oh, Merlin! Draco, nós temos que voltar!


-          Por quê?


-          Porque a essa hora Gina e os meninos já devem ter percebido que eu não estou na Grifinória. E Agatha também já deve ter visto que você não está na Sonserina. Eles devem estar preocupados com o nosso paradeiro.


-          Não devem, não. Quem acorda às oito da manhã na véspera de Natal, Hermione? O café da manhã, pelo menos, só vai começar a ser servido às nove.-o garoto retrucou, uma das mãos pousando com carinho na nuca de Hermione enquanto que os dedos da outra brincavam com um grande cacho de cabelo dela.


-          Gina acorda. E depois que ela perceber que eu não estou na cama nem em lugar nenhum vai correr e acordar os meninos. E depois que Harry e Rony acordarem vão revirar Hogwarts inteira atrás de mim!


-          Antes que eles possam revirar Hogwarts inteira, Agatha com certeza já vai ter contado a eles que nós dois estamos juntos e bem e vai acalmá-los.


-          O que quer dizer com isso? Agatha sabe que nós passamos a noite juntos?-Hermione questionou, surpresa.


-          Sabe. Ontem à noite, logo depois que nós nos despedimos, eu e Agatha retornamos à Sonserina e cada um de nós foi para o seu quarto e eu fiquei sozinho para pôr as idéias no lugar, pensar com calma em toda essa loucura que está nos acontecendo. E, eu não sei se você já tentou fazer isso de ontem para hoje, Mione, e se tentou não sei como você se saiu mas para mim, foi desesperador. Só que, depois que eu comecei a pensar em tudo que nós passamos, nessas semanas em que passamos juntos e em como eu sou apaixonado por cada detalhe seu.-a menina sorriu e moveu-se para ficar sentada no colo dele.-E então, a imagem de Christine morrendo surgiu e ela estava tão parecida com você naquele momento...Tão parecida que eu...


 


O sonserino respirou fundo e passou devagar uma das mãos pelo rosto delicado de Hermione, os olhos azuis fixos nos castanhos, enquanto a grifinória o aguardava recomeçar a falar.


 


-          Fiquei paralisado pelo desespero de perder você e...ficar sozinho de novo..


-          Como se uma coisa dessas fosse possível.-Mione murmurou, roçando os lábios gentilmente nos dele.


-          Por que não? Você por acaso tem algum truque escondido no bolso do seu roupão laranja que vai fazer Riddle virar pó antes que ele possa sequer tocar em você esta noite?-o sonserino questionou, sem conseguir esconder o sarcasmo.


-          Não, eu não tenho truque nenhum no meu roupão.-ela respondeu, sem deixar de achar graça.- E  não, não seria possível porque eu amo você e o meu amor por você impede que eu lhe deixe sozinho. Eu não poderia ir a lugar algum sem você, Draco Malfoy, porque sem você eu me sinto completamente sozinha.


-          O que garante que o amor é suficiente? Anthony e Christine também se amavam e mesmo assim...


-          Isso garante.-e Hermione levou a mão do loiro novamente ao meio de seus seios para que ele sentisse seu coração batendo.-Nós dois não somos Anthony e Christine, Draco, e o que aconteceu a eles não acontecerá conosco. Eu não vou deixar que aconteça.


-          Isso é uma promessa?-Draco perguntou, e sua expressão foi tão infantil que Mione não conseguiu conter o sorriso.


-          Você sabe que é.-e o sorriso fácil dela o fez sorrir também.- Agora pare de se comportar como um menino medroso e volte a ser o meu Draco Malfoy metido a besta e bem-humorado, está bem?


-          Por que você nunca me descreve como sendo o seu Draco Malfoy rico, loiro e sexy?


 


Hermione riu em resposta e o beijou, carinhosa.


 


-          Hum, o despertado está tocando de novo.-a menina murmurou entre os beijos, ouvindo novamente o apito do relógio de Draco soar.-Isso quer dizer que são...


-          Oito e quinze.


-          Temos que ir. Os garotos vão acordar a qualquer momento.


-          Deixe Agatha cuidar disso.-Draco pediu, deslizando a boca para o pescoço dela, distribuindo-lhe pequenos beijinhos.


-          Por falar em Agatha, você ainda não me contou o que aconteceu.


-          Resumidamente, ela entrou no meu quarto, viu como eu estava, conversou comigo e levantou o meu ânimo como ela sempre faz. Então, mandou-me pegar o violão, sair, ir até a Grifolândia porque, de alguma forma, você iria descer para me encontrar às três da manhã; e, finalmente, aproveitar a noite. E ainda me garantiu que assim que encontrasse com os seus amigos hoje pela manhã, ela diria que nós saímos juntos para, sei lá, dar uma caminhada e pronto.


-          Mas então..não foi você quem escreveu o bilhete dizendo para que eu descesse, foi a Agatha!-ela exclamou, surpresa, com um sorriso no rosto.


-          O Weasley que não foi, disso eu tenho certeza.


-          Então, temos mais um motivo para voltar logo. Eu quero encontrar a Agatha e agradecê-la por ter me propiciado a melhor noite da minha vida.


-          A melhor noite?-ele perguntou, sorrindo, e puxando-a com mais força contra si próprio. Hermione passou os braços pelo pescoço dele.


-          A melhor, definitivamente.


-          Você está sendo sincera ou só está dizendo isso para que eu concorde em sairmos daqui?


-          É claro que estou sendo sincera, Draco Malfoy!


-          Certo, então me beije como prova.


-          Desse jeito nunca vamos sair daqui.-ela suspirou, rolando os olhos.


-          A intenção é essa.-Draco confirmou, piscando um dos olhos antes de beijá-la de um jeito que Hermione não escaparia nem se quisesse.


 


 


Gina ainda estava a alguns minutos parada no meio da Sala Comunal da Grifinória, forçando a mente a tentar lembrar de qualquer lugar que Hermione poderia ter ido.


 


A biblioteca estava fora de questão, primeiro porque a mesma estava fechada àquela hora da manhã e, segundo, porque nem uma viciada em livros como Hermione teria paciência para ler alguma coisa em sua atual situação. Talvez ela tivesse ido se refugiar na Torre Norte, um de seus outros lugares preferidos no castelo para se isolar. Mas, por mais que a amiga adorasse frio, Gina achava que ela não teria saído só de meias para ver a neve da véspera de Natal caindo. Então lhe veio a idéia iluminada: Hermione devia ter saído para se encontrar com Malfoy, era óbvio! Os dois deviam estar na antiga sala da monitoria nas masmorras ou então...em qualquer outro lugar.


 


-          Oh, Hermione! Eu prometo que se você estiver bem de namorico com o Malfoy por aí, eu mato você assim que a senhorita aparecer.-a ruiva disse para a sala vazia, entre a irritação e o desespero.


-          Hey, você, menina Weasley!-uma voz visivelmente irritada a chamou por trás e Gina se virou rapidamente para ver o que era. Não demorou a descobrir a grande cara de Madame Gorda em um pequeno quadro que estava pendurado. O dono do mesmo estava totalmente fora de vista. A expressão de irritação no rosto da senhora confirmava seu tom de voz.


-          Madame Gorda! O que faz aqui dentro? Ah, por acaso a senhora não viu Hermione...-a ruiva principiou a falar, aproximando-se da parede em que o quadro estava.


-          Eu não vi ninguém nem quero ver. Eu só estava confortavelmente dormindo no meu quadro quando uma menina me acordou pedindo para que eu a procurasse aqui do lado de dentro porque ela tem que lhe dizer alguma coisa. Como eu sou uma pessoa de boas maneiras e ela pediu com tanta educação, eu achei que deve ser mesmo muito importante o que ela quer dizer a você porque ela me pareceu preocupada e também porque está muito cedo e muito frio para os alunos ficarem circulando pelo castelo e...aonde você vai?-a pintura só interrompeu seu grande discurso ao perceber que Gina já estava na entrada.


-          Eu agradeço muito mesmo pela senhora ter vindo até aqui dentro me procurar e tudo mais mas, já que é tão importante, será que não poderia voltar para o seu próprio quadro e abrir a passagem?-a Weasley pediu, alarmada pelo “preocupada” que Madame Gorda tinha dito.


-          O que mais eu poderia fazer, não é mesmo? Adolescentes...-a madame resmungou, sumindo em seguida da moldura em que estava.


 


Poucos segundos depois Gina conseguiu empurrar o quadro e sair, dando de cara com Agatha. A sonserina estava empoleirada em cima do murinho da escada da Torre, com um sorriso no rosto que era qualquer coisa menos preocupado e as bochechas saudavelmente rosadas. Estava usando um moletom preto grosso, cheio de flocos de neve, um cachecol da Sonserina no pescoço, e tênis tão cheios de neve enlameada que Gina teve certeza de que ela tinha dado um pulo nos jardins do castelo antes de ir até a Grifinória.


 


-          Agatha!-a ruiva exclamou, correndo até a garota.-Você sabe alguma coisa de Hermione? Hei..você não parece nada preocupada.-e seus olhos faiscaram com desconfiança.


-          Não me olhe assim, foi só uma brincadeirinha para ver quanto tempo você ia demorar para chegar.-a sonserina falou, sorrindo de um jeito terrivelmente sonserino para Gina.-Mas você desceu muito mais rápido do que eu esperava!


-          Eu já estava na Sala Comunal tentando adivinhar porque Hermione sumiu.-a Weasley retrucou, nervosa.-O que obviamente, você veio me dizer, não veio?


-          Ah, não, que eu saiba Hermione não sumiu.


-          Ela está com o Malfoy, não é? Pare de fazer suspense, Agatha!-Gina exclamou, no seu jeito impaciente, balançando os cabelos vermelhos compridos de um lado para o outro.


-          É, chega de suspense.-Madame Gorda concordou de sua moldura, acompanhando o diálogo com vivo interesse.


-          O seu irmão já acordou?-a garota perguntou, só para provocar.


-          Agatha...-e os olhos castanhos de Ginny faiscaram em ameaça.


-          Ok, sua grifinória esquentada, Hermione está com Draco, sim.


-          E onde aqueles dois se enfiaram?


-          Bom, eu sei que eles foram dar umas voltas enquanto ninguém estava vendo, mas não faço idéia de onde eles foram.


-          Espero que as voltas tenham sido boas porque eu vou trucidar a Hermione assim que ela voltar.-Ginny falou, exagerada, apoiando os cotovelos no murinho ao lado de Agatha que desceu para se juntar a ela.


-          Só por que ela saiu para namorar?-a morena perguntou, divertida, espanando um pouco da neve que estava começando a derreter sobre sua roupa.


-          Não, porque ela saiu para namorar sem me dizer nada e quase me fez ter um infarto hoje de manhã quando não a vi na cama. Ela nem mesmo levou os chinelos ou a varinha, acredita? Quer dizer, o Malfoy é tudo aquilo mesmo, dá pra ver só de olhar, mas não dava para pelo menos ter levado os chinelos e deixado um recadinho gentil para a melhor amiga informando que ela não tinha sido seqüestrada?


-          Você está sendo muito dramática, Weasley.


-          É fácil pra você dizer isso já que você estava sabendo da escapadinha dos dois enquanto eu estava no escuro. E ser dramática faz parte do charme dos ruivos.


-          Por falar em ruivos, quando o seu irmão...-a sonserina começou a perguntar quando as duas ouviram um nítido barulho de risadas vindo da escada logo abaixo delas.


 


As duas garotas olharam para baixo e observaram Draco e Hermione subirem alguns degraus da escada. Ou melhor, observaram Draco subir apenas dois degraus da escada carregando Hermione pela cintura acima do chão alto o suficiente para que os rostos dos dois ficassem a mesma altura, enquanto ela parecia estar lhe dando uma bronca. Ao mesmo tempo, as duas apoiaram a cabeça nos braços cruzados e viram o loiro calar a namorada com um beijo delicado.


 


-          Você ainda consegue ficar brava depois de ver isso?-Agatha murmurou para ela logo depois de Draco prensar Hermione na parede circular e começar a lhe distribuir pequenos beijos pelo rosto, provocando-lhe risadas.


-          Não. Como eu posso me estressar com a minha melhor amiga por estar simplesmente aproveitando o namorado bonitão que ela tem?-Ginny respondeu, sem deixar de sorrir.


-          Tirando que com beijos desses, dá para entender porque ela se esqueceu de pôr os chinelos.-a morena falou, apontando para a meia branca imunda que era um dos pés de Hermione.


 


As duas riram, chamando a atenção de Draco e Hermione, que olharam para cima.


 


-          Ei, o que vocês estão fazendo ai em cima?-Draco perguntou, sorrindo em especial para Agatha ao vê-la.


-          Harry e Rony estão ai?-Hermione perguntou ao mesmo tempo, o rosto ficando fortemente vermelho enquanto ela rapidamente se soltava do abraço do sonserino.


-          Vendo vocês ai em baixo.-Agatha respondeu a Draco ao mesmo tempo em que Gina a amiga dizendo que tanto Harry quanto o irmão ainda estavam dormindo. A vermelhidão no rosto de Hermione suavizou-se, mas não desapareceu por completo.


 


Os dois subiram os degraus que faltavam da escada e encontraram-se com as duas meninas. Gina  abraçou Hermione, aliviada e feliz por ver que ela estava perfeitamente bem, e aproveitou para sussurrar em seu ouvido um maldoso “detalhes, depois”, de forma que a outra soube que teria que evitá-la já que contar qualquer coisa à ruiva estava fora de cogitação. Agatha, por sua vez, com sentimentos de missão cumprida, despediu-se e já descia as escadas quando ouviu Hermione gritando-lhe um sincero “obrigada”.


 


“Como se houvesse algo para ser agradecido”, a morena pensou, sorrindo para si mesma.


 


***


 


Infelizmente para Ginny, Hermione conseguiu escapar de suas perguntas durante todo o dia. Logo após o café, a grifinória juntou-se a Harry e Rony e o trio foi visitar Hagrid, ficando, para felicidade do meio-gigante, para o almoço. Já a tarde, quando a ruiva pensou que teria tempo de sobra para trancar-se com Hermione no dormitório feminino e obrigá-la a contar tudo que queria saber, a garota foi cumprir com seu dever de monitora e ajudar os professores a decorar o Salão para o baile de Natal e a caçula dos Weasley não teve outra opção a não ser ir se arrumar mais cedo do que esperava.


 


Excluindo-se o desânimo da ruiva e de alguns outros alunos, toda Hogwarts estava imersa em agitação. Na cozinha, os elfos domésticos preparavam o banquete que seria servido antes do baile; corujas voavam por toda parte levando e trazendo presentes e cartas; Filch andava nervosamente de um lado para o outro limpando cada minúscula poeira que via com um pano encardido; grupos de garotas entravam e saíam dos banheiros carregadas de sacolas e caixas de sapatos, enquanto os garotos evitavam entrar no caminho delas apenas desejando que tudo aquilo acabasse da maneira mais rápida e indolor possível; e Pirraça, é claro, tumultuava a vida de todos, cantando músicas pornográficas pelos corredores e jogando neve nos alunos que passavam.


 


Dentro do Grande Salão, cada professor cuidava de um preparativo específico. McGonogall, depois de substituir as mesas das casas por pequenas mesas redondas e cadeiras, ocupava-se em organizá-las pelo salão, fazendo-as voar a uma altura segura do chão. Hagrid carregava as doze costumeiras árvores de Natal e as colocava nas posições determinadas por Flitwick que, encarapitado em cima de uma mesa, fazia estrelas e bolas douradas com fitas de veludo vermelho voarem por todos os lados, fixando-as magicamente em cada uma delas. E enquanto Sprout lançava feitiços pelo salão para fazer azevinhos flutuarem sobre as cabeças das pessoas; Snape, em silencioso e visível desagrado, ocupava-se do trabalho burocrático, checando caixas e pacotes que chegavam ao Salão trazidos por corujas ou por aurores, depois que estes eram submetidos a uma inspeção contra Arte das Trevas. No meio de tudo aquilo, os monitores serviam de ajudantes braçais, carregando caixas e enfeites; enquanto os fantasmas das casas flutuavam de um lado para o outro dando palpites sobre a decoração.


 


Quando todas as mesas ficaram regularmente dispostas ao longo do salão e envolta da onde ficaria, mais tarde, a pista de dança; McGonogall convocou os monitores-chefes Hermione, Draco, Mark e Lucy para explicar detalhadamente como a segurança da festa seria feita. Cada um deles teria que se sentar em mesas estrategicamente localizadas, da onde aurores especialmente enviados pelo Ministério estariam próximos para serem informados de qualquer coisa estranha que algum deles visse. Um esquema de evacuação especial também foi ensinado, caso o evento fosse interrompido por algum tipo de ataque e os alunos tivessem que ser levados em segurança para seus salões comunais. No último caso de se precisar retirá-los do castelo, a pequena sala conjunta ao Salão serviria como ponto de aparatação acompanhada. Podia parecer uma medida exagerada mas, apesar de ser Natal, era importante que os monitores das casas tivessem consciência de que fora de Hogwarts desenrolava-se uma guerra e que Você-Sabe-Quem poderia atacar a escola a qualquer momento.


 


-          Algum de vocês têm alguma dúvida?-a professora perguntou, quase uma hora após o início da reunião. Os monitores-chefes responderam que não.-Ótimo. Obviamente, se alguma surgir mais tarde ou durante o baile, é só procurar a mim ou a algum dos professores. Como sabem, nós não estaremos fantasiados. Agora, por favor, vão inspecionar o trabalho de seus monitores. Em breve terminaremos e todos vocês estarão dispensados.


 


Obedientes, os quatro se espalharam pelo salão, cada um dirigindo-se para seus colegas. Hermione ficou satisfeita ao ver que todos os grifinórios estavam ajudando Flitwick e Hagrid e foi até eles, oferecendo ajuda de maneira que logo depois já estava encarregada de cobrir as muitas dezenas de mesas redondas no salão com toalhas vermelhas salpicadas de brilho dourado. E como todos a sua volta pareciam muito ocupados e Draco estava ajudando a montar o palco aonde um minuto atrás estava a mesa dos professores, a menina contentou-se em ter que fazer aquilo sozinha.


 


Qual não foi sua surpresa, portanto, quando já estava entretida em fazer as toalhas voarem aos pares pelo Salão (tomando o devido cuidado em não derrubá-las na cabeça de ninguém) e sentiu duas mãos masculinas pousarem sobre os olhos exatamente do jeito em que Tom Riddle sempre fazia em seus sonhos.


 


-          AH!-Mione gritou, assustando-se e soltando a varinha no chão para arrancar o tal par de mãos dos seus olhos e ver quem estava fazendo aquilo. Deu de cara com um sorridente Mark Briggs.-Ah, Mark, é você! Você me assustou!


-          Estou vendo.-o corvinal respondeu, sem deixar de se divertir com a expressão ao mesmo tempo assustada e raivosa da garota à sua frente.-Nunca vi ninguém reagir desse jeito a uma simples brincadeira. Eu nem tive tempo de lhe perguntar “Adivinha quem é?”. Aliás, Hermione, você quer se sentar? Você está incrivelmente pálida.


-          É claro que estou, você quase me matou de susto!-ela exclamou, irritada.


-          Ok, já chega, senão você vai acabar tendo um ataque do coração.-Mark disse, com um sorriso tranqüilo no rosto.


-          Eu só não gosto que se aproximem de mim pelas costas, só isso.-a menina justificou-se, e abaixou-se para pegar a varinha do chão.


 


Então, começou a pegar as toalhas que tinham caído no chão quando ela cancelara sem querer o Wingardium Leviosa que as estava fazendo flutuar. Mark, solícito, foi atrás dela, ajudando-a e Hermione, ainda não recuperada do choque, virou-se e perguntou, da maneira mais direta que encontrou:


 


-          Bem, o que você quer, Mark? Caso não tenha percebido, antes de vir me assustar, eu estava ocupada.


 


O sorriso fácil do garoto sumiu tão rapidamente de sua boca que Hermione se sentiu automaticamente arrependida por tê-lo tratado tão rudemente.


 


-          Por isso mesmo eu vim, para saber se você queria ajuda porque eu, pelo menos, não estou fazendo nada de útil. Mas, tudo bem, se você prefere ficar sozinha, não tem problema.


-          Ah, não, não, Mark, desculpe! É claro que se você quiser me ajudar, eu vou ficar muito agradecida.-ela afirmou, culpada. O moreno sorriu novamente.


-          Ok, então..O que eu posso fazer? Quer que eu carregue as toalhas para você?


 


Solícito, ele nem esperou Hermione responder sua pergunta e dirigiu-se à mesa onde as toalhas estavam empilhadas e pegou metade de uma das pilhas nos braços, sumindo por trás delas. Sem escolha, a grifinória agradeceu a gentileza, guardou a varinha de volta na capa e passou a pôr as toalhas que ele carregava nas mesas do jeito trouxa, enquanto o garoto a seguia como um ajudante paciente e atencioso.


 


Como os dois não conversavam desde a briga entre ele e Draco, e nenhum deles parecia disposto a falar sobre isso, passaram a maior parte do tempo jogando conversa fora, comentando trivialidades  sobre a escola, as férias de Natal e o baile. Quando Mark voltou com a terceira e última braçada de toalhas e só restavam cerca de quinze mesinhas próximas ao palco para serem cobertas, Mione, incomodada com o bom humor do colega, disse:


 


-          Desculpe-me, Mark, mas...Você não quer conversar sobre o que aconteceu antes das férias? Quero dizer, eu fiquei muito chateada com o que aconteceu, até discuti com Draco depois que você foi embora e....


-          Desculpe, Hermione, mas eu não estou entendendo. Do que você está falando?-o rapaz perguntou, o rosto escondido pelas toalhas vermelhas.


-          Espere, deixe-me ajudá-lo..-ela pediu, pegando algumas delas para que eles pudessem se ver.-Pronto, bem melhor. Estou falando da noite em que você e Draco brigaram. Você sabe, há duas semanas, quando eu e você jantamos juntos.


-          Ah, é disso que você está falando.- e então o garoto ficou ligeiramente vermelho.-Escute, Hermione, eu não procurei você para falar sobre isso antes porque não tive tempo e logo depois nós fomos para casa e não parecia certo escrever uma carta a você justificando atitudes que não têm justificativa nenhuma. Até porque eu não sei o que aconteceu comigo naquela noite que me fez fazer tudo aquilo, eu...


-          Mark, calma!-Mione pediu ao vê-lo ficando cada vez mais agitado e vermelho.-Merlin, eu não estou entendendo nada do que você está falando.


-          Desculpe. Eu vou tentar de novo, então. Eu vou tentar explicar a você porque eu agi daquela maneira, porque eu lhe disse aquelas coisas e...


-          Você não precisa explicar nada se não quiser.-a grifinória apressou-se em dizer, com medo de que o moreno se declarasse a ela ou algo do gênero estando tão próximos de Draco.


-          Não, eu preciso explicar, Hermione. Olha, eu sei que você vai achar o que vou dizer muito estranho, vai achar até que eu estou inventando tudo isso para me safar, mas, sinceramente...Não era eu naquela noite. Quero dizer, era. Eu me lembro de tudo o que aconteceu só que..Não era eu, entende? Eu não sou daquele jeito, eu não ajo daquela maneira. Eu não saio por aí agarrando garotas e dizendo como elas cheiram. Ainda mais, quando se trata de uma comprometida.


-          Você quer dizer que não queria fazer tudo aquilo que fez?-Hermione perguntou, intrigada.


-          Exatamente. Foi como se, de repente, alguma coisa estranha tomasse conta de mim e me obrigasse a fazer tudo aquilo, mesmo que, no fundo da minha mente, eu soubesse que aquilo não estava certo. Foi mesmo como se algo estivesse me controlando. Eu não disse isso a você, Hermione, ou ao Malfoy, porque achei que vocês achariam que era só uma desculpa esfarrapada.


-          Então, Mark, você acha que, naquela noite, você só agiu daquela maneira porque estava sendo controlado por alguma coisa? Como um Imperius, por exemplo?


-          Sim e não. Se fosse um Imperius, eu não me lembraria do que aconteceu, certo?


-          Não, não lembraria..


-          E, sinceramente, Hermione, eu gostaria de lhe pedir desculpas por tudo o que houve. Não era mesmo minha intenção fazer aquilo e provocar uma briga entre você e o Malfoy. Eu realmente não devia ter dito aquelas coisas e me comportado daquela maneira. Eu realmente...-e a expressão de vergonha e culpa no rosto do corvinal fez Mione sorrir.


-          Não precisa pedir desculpas, Mark. Na verdade, quem gostaria de pedir desculpas sou eu. Ou melhor, desculpas em nome de Draco. Ele também se comportou muito mal com você, então...


-          Oras, Hermione, como se ele não tivesse razão para querer socar um cara abusado como eu que tentou alguma coisa com a namorada dele. Ainda mais...Sendo você a namorada.-e o tom envergonhado com que aquilo foi dito fez a menina enrubescer também.


-          Algum problema, Hermione?-a voz de Draco soou atrás dela.


 


Ela se virou e observou o sonserino descer do palco com um salto gracioso. Apesar do frio, Draco estava apenas usando a camisa branca do uniforme, tendo descartado a capa, o suéter e a gravata por causa de todo o serviço braçal que McGonogall o estava obrigando a fazer para montar aquele palco. Graças a Merlin ele finalmente tinha terminado e podia ir ver o que tanto Mark Briggs conversava com sua garota. Não demorou nem dois minutos para que suas pernas longas atravessassem a distância entre ele e os outros dois e Draco pudesse passar o braço de maneira possessiva pela cintura de Hermione.


 


-          Nenhum problema. Mark só está me ajudando com as toalhas. Estamos quase terminando.-ela respondeu, ainda vermelha, movendo o rosto para cima para encarar o Malfoy.


-          Hum. Bom, Briggs, pode me passar as toalhas que eu termino o serviço.-Draco disse, os olhos cinzentos fixos no moreno a sua frente.


-          Não precisa, Malfoy. Como Hermione disse, eu a estou ajudando.-Mark respondeu, a mesma expressão de desgosto no rosto.


-          Ah, Draco...-Hermione tentou, temendo que os dois engatassem em uma nova briga.


-          Bom, Briggs, não é que eu me importe com o fato de você estar ajudando a minha Hermione. Mas acho que você deveria ir conferir o que os seus monitores estão fazendo para ajudar o Snape porque não faz nem dez minutos que ele expulsou um deles do Salão e fez uma das monitoras chorar. E pela cara que ele está fazendo, é bom você ir logo resolver esse problema antes que a responsabilidade realmente caia nas suas costas.


-          Ah, se é assim...-Mark gaguejou, olhando para trás e vendo que, realmente, os dois monitores que deviam auxiliar Snape tinham sumido.-É melhor eu ir. Hermione, novamente, peço desculpas por tudo.


-          Sem problemas, Mark.


-          Certo, nos vemos no baile.-e com um leve aceno de cabeça como despedida para Draco, Mark pôs as toalhas que estava segurando sobre a mesa mais próxima e se afastou.


-          Que história é essa de “minha Hermione”, senhor Draco Malfoy?-a grifinória perguntou assim que o colega estava longe demais para ouvir, soltando-se do loiro.


-          Desculpe, senhorita Hermione Jane Granger..ou será Malfoy como eu...Enfim, eu, por acaso, disse alguma mentira? Ou você pertence a mais alguém?-o loiro perguntou, em um leve tom cínico só para irritar a garota, enquanto pegava as toalhas de mesa dos braços dela.


-          Não, mas eu não me lembro de ter recebido algum tipo comunicado dizendo que eu tinha me tornado sua propriedade.-Hermione retrucou, pegando as toalhas de volta.


-          Você quer dizer que eu lhe dou a melhor noite da sua vida de presente e não tenho nem o direito de dizer que você é minha?-Draco murmurou, fazendo-se de chocado.


-          Não na frente dos outros, Draco.-ela respondeu, sem conseguir evitar um pequeno sorriso.


-          Tudo bem, eu digo isso de novo quando nós estivermos sozinhos.-ele piscou, pegando as toalhas dela novamente, deixando Hermione ligeiramente vermelha.-Agora, enquanto terminamos com essas mesas, você me diz o que o Briggs fez com você para que ele precise pedir desculpas.-e então ele pegou o resto das toalhas e sumiu por trás delas.


-          Não, primeiro terminamos e depois que sairmos daqui, eu lhe conto. Estou pensando em algumas coisas...


-          Que novidade!-a voz do garoto soou por trás das toalhas, achando graça, enquanto Hermione simplesmente o ignorava.


 


 ***


 


Ao contrário do que Hermione dissera, ela não contou nada a Draco sobre a conversa que tivera com Mark quando eles e o resto dos monitores foram literalmente enxotados pelos professores do Grande Salão, para que nenhum aluno visse os últimos preparativos para festa. Antes de dizer qualquer coisa, ela precisava confirmar algumas coisas com Harry e Gina sobre Riddle e foi essa a justificativa que ela deu ao sonserino ao se despedir dele nas escadas. E não adiantou de nada Draco reclamar, a garota simplesmente deu-lhe um selinho e foi para a Torre da Grifinória junto com Rony. O único consolo que o garoto podia ter é que, pelo menos, quando se revissem ela estaria arrumada para o baile. “E se ela estiver tão deslumbrante quanto estava no baile do quarto ano, a espera vai ter valido a pena” ele pensou, enquanto descia as escadas que levavam às masmorras.


 


Assim que chegaram à Grifinória, os dois amigos juntaram-se à Harry e Gina que estavam absortos em uma partida de xadrez bruxo. A ruiva era a única garota no salão comunal em meio à um enorme grupo de garotos que jogavam conversa fora. Dali era possível ouvir a balbúrdia que as grifinórias estavam fazendo em seus dormitórios, arrumando-se para o baile. O que não queria dizer que ela ainda não tivesse começado a se arrumar, é claro: as unhas recentemente pintadas de branco com glitter e o cabelo enfiado dentro de uma touca denunciavam que o processo de embelezamento já tinha começado.


 


-          Quem está ganhando?-Ron perguntou, jogando-se em uma poltrona livre ao lado dos dois.


-          Gina, como qualquer outra Weasley, é claro.-Harry respondeu, e parecia mesmo frustrado com o fato de estar perdendo para uma menina que estava mais ocupada em soprar as unhas das mãos do que em prestar atenção a partida.-Ela me deixou numa saia justa logo na terceira jogada.


-          Está no sangue, Harry, fazer o quê.-Mione disse, rindo.-Ou você não se lembra que em uma das visões que eu tive o seu avô também estava perdendo no xadrez para o avô deles dois?


-          E foi o nosso avô que nos ensinou a jogar então não podemos fazer nada, desculpe.-Ginny retrucou, antes de mandar sua rainha destruir um cavalo de Harry.-Hermione, está ai uma coisa que vamos ter que fazer nas férias de verão: apresentar o vovô Alex a você. Ele é uma figura e decididamente vai adorar conhecer a neta de uma das melhores amigas dele.


-          O avô de vocês ainda está vivo? Eu achei que a única da turma que tinha sobrado era a Sarah Peters!


-          É claro que ele está vivo! Se Dumbledore que deve ter nascido no século passado está vivo, por que o vovô não estaria? Você só nunca o viu porque ele mora na Espanha com a vovó.-Ron explicou, analisando o jogo da irmã e do amigo.-Realmente, Harry, você está muito ferrado. Gina vai acabar com as suas peças antes que você diga “quadribol”.


-          Xeque-mate!-a ruiva gritou, rindo.


-          Mas o quê?


-          Ou antes que você pense em “quadribol”.-o ruivo complementou, também rindo, enquanto cumprimentava a irmã caçula.


-          Bom, já que vocês terminaram, Ginny, vamos subir? Temos que começar a nos arrumar de verdade.-Hermione pediu, ignorando os xingamentos de Harry.


-          Ah, isso quer dizer que você vai me contar o que eu quero saber desde o início do dia?-a garota perguntou, sorrindo.


-          Talvez. Vamos.-as duas se levantaram e já estavam saindo, quando Mione, como quem não quer nada, perguntou a Harry-Ah, Harry, eu estive pensando em algumas coisas e fiquei com uma dúvida. Quando você se encontrou com Riddle na Câmara, no segundo ano, que aparência ele tinha?


-          Como assim?-o moreno questionou, sem entendê-la.


-          Ele se parecia com uma pessoa normal ou havia algo de diferente nele?


-          Bom, havia, sim. Gina ainda estava viva então ele não parecia totalmente com uma pessoa de carne e osso. O contorno do corpo dele era ligeiramente borrado, como se eu o estivesse vendo através de uma janela embaçada. Mas, é claro, dava para reconhecê-lo a quilômetros de distância. Se Ginny tivesse morrido naquela noite, ele com certeza teria se tornado uma pessoa de verdade, com um corpo de verdade ao invés de ser uma mera lembrança. Mas, Mi, por que você quer saber isso? Você teve alguma idéia sobre como ele pode ter voltado dessa vez? Algo mais do que a idéia de que temos de que é novamente uma lembrança do Voldemort?


-          Talvez. Na verdade, eu só estou pensando nisso tudo. Quando eu tiver certeza de alguma coisa, eu conto a vocês. E, aproveitando, Ginny, Riddle tomou controle da sua mente algumas vezes, não é?


-          Sim, mas não adianta me perguntar como isso era. Você sabe, Mione, eu lhe contei na época, eu não conseguia me lembrar de nada do que fazia quando Riddle me comandava. E ainda não consigo, aqueles momentos são grandes espaços vazios dentro da minha cabeça.


-          Você não consegue se lembrar de nada mesmo? Não conseguia perceber o que estava fazendo, também?


-          Não, já disse. Por quê, o que você anda pensando nessa sua cabeçinha?-a Weasley perguntou, pondo o dedo indicador na testa da amiga.


-          Eu já disse, quando eu tiver certeza, eu conto a vocês. Agora, vamos, antes que fique tarde demais e nós não consigamos ficar prontas do jeito que queremos.-Hermione disse em um tom de quem encerra o assunto e pôs-se a subir a escada, deixando que Gina trocasse um olhar de “ela está escondendo alguma coisa” com os dois garotos antes de segui-la.


 


 ***


 


O pouco que restava da tarde passou rápida e logo eram sete e meia da noite, horário em que certos sonserinos e grifinórios haviam combinado de se encontrar no hall em frente ao Grande Salão, que só teria suas portas abertas para o início da festa e baile de Natal às oito. Harry e Ron, que tinham se ajeitado em  cerca de meia hora, foram os primeiros a chegar ao ponto de encontro no pé da escada e como todos os outros garotos que estavam ali, concentraram-se em observar as garotas que desciam charmosamente as escadas, fantasiadas de fadas, princesas e animais. Ambos estavam elogiando uma corvinal do quarto ano que acabara de aparecer fantasiada de coelha no estilo Playboy trouxa, arrancando gritos masculinos por toda a parte, quando Agatha e Draco apareceram.


 


-          Muito bonita a coelhinha, não é?-a morena sonserina perguntou ao se enfiar disfarçadamente entre os dois grifinórios.


-          Nem me fale...-Rony começou, virando-se para ela.


 


O pobre ruivo calou-se assim que percebeu que era Agatha que estava do seu lado. Não por ser ela, naturalmente, mas pela fantasia que ela estava usando. Não que Rony tenha reparado nos detalhes em vinho do espartilho preto ou nas botas de salto alto que iam até a metade de suas pernas. O que realmente lhe chamou atenção foi o crucifixo de madeira pendurado no pescoço da morena, balançando perigosamente sobre a parte visível dos seios dela pelo decote e a estaca de madeira que ela rodava silenciosamente na mão esquerda.


 


-          Você é..É uma caçadora de vampiros?-o Weasley gaguejou, deixando que Agatha entrevisse os caninos falsos que ele estava usando da fantasia de vampiro.


-          Sim.-ela respondeu, os olhos azuis-escuros cintilando de alegria entre a sombra preta que ela usava.


-          E...eu sou um vampiro.-Ron afirmou, apontando para a capa preta de fundo vermelho que estava usando sobre uma roupa social trouxa simples.-Isso quer dizer que nós dois...


 


Ele ficou repentinamente vermelho e olhou para os lados, vendo que Harry e Malfoy estavam absortos em falar mal um da roupa do outro para prestarem atenção nele e na garota. Então, surpreendendo Agatha, ele se abaixou e murmurou no ouvido dela:


 


-          Nós dois somos um par?


-          A intenção sempre foi essa.-ela confirmou, sorrindo para ele, totalmente encantada com a falta de jeito do rapaz.


-          Ah, bom, é que...Bom, eu não convidei você nem nada. Quero dizer, eu não sabia que nós precisávamos vir em pares para esse baile, como foi no quarto ano.


-          Não precisávamos.


-          Porque se eu soubesse eu teria me arrumado melhor sabe, alugado uma fantasia melhor, essa daqui era a mais barata e...-Ron se justificou, apontando novamente para a própria capa.


-          Você está perfeito, Ronald.-Agatha disse, também sem jeito, observando as orelhas de Rony se confundirem com o cabelo de tão vermelhas.


-          Quem está perfeito?


 


Os dois levantaram a cabeça para ver Gina descendo majestosa pelas escadas, sob uma chuva de assobios graças às pernas quase totalmente de fora por causa de seu mini vestido branco. O vermelho do rosto de Ron acentuou-se de raiva ao ver a irmã e ele a puxou pelo braço tentando cobri-la com sua capa. Infelizmente, as asas de “anjo” da menina eram grandes demais para isso.


 


-          O que você pensa que está fazendo com uma roupa dessa?-o Weasley perguntou, furioso.-Está aparecendo quase tudo, Gina!


-          Não está, não! E qual é o problema, afinal? Se algo de grave acontecer e nós tivermos que sair correndo as minhas pernas vão estar bem livres.


-          Eu não devia dizer isso, mas tomara que você tenha que correr um pouco, Weasley.-Draco disse, aproximando-se dos três junto com Harry.-Você é definitivamente um anjo muito, muito...


-          Muito o quê, Malfoy?-Rony questionou, bravo, agora cobrindo apenas as pernas de Gina com a capa.


-          Vistoso, Weasley, vistoso.-o sonserino retrucou, levantando uma das sobrancelhas em descaso para o outro.


-          Obrigada, Malfoy, você também está muito...-Ginny começou, olhando pela primeira vez para a fantasia de Draco.-Ah, Merlin! Você vai ficar tão bonito ao lado da Hermione! Vocês estão definitivamente combinando.


-          Você acha?-o loiro perguntou, entusiasmado.


-          Decididamente vai combinar! Você vai ver, daqui a pouco ela aparece. Hermione simplesmente morreria de vergonha se tivesse que descer essas escadas com a escola inteira olhando para ela. Agora, mudando de assunto...Harry, por Merlin, o que você está usando?


-          O quê? É uma fantasia de pirata. O que tem demais? Por que você está fazendo a mesma cara que Malfoy fez quando me viu?-o moreno perguntou, irritado.


 


Gina passou os olhos do chapéu de pirata na cabeça de Harry à roupa surrada e cheia de penduricalhos, com cara de suja, do tapa-olho por debaixo dos óculos até o horrível papagaio de brinquedo que estava preso ao seu ombro direito.


 


-          Harry, é melhor eu não lhe responder.-ela disse, arrancando risadas dos dois sonserinos.


-          Atenção, todos!-a voz animada de Dumbledore ecoou pelo hall apinhado de alunos fantasiados chamando a atenção de todos.-Já são oito horas da noite e a festa de Natal com direito a baile à fantasia de Hogwarts vai começar...AGORA!


 


Um grande estrondo foi ouvido e as portas do Grande Salão se abriram, ao som de uma música natalina. Os alunos vibraram de alegria e começaram a entrar numa enorme multidão colorida, composta por todo o tipo de fantasias possíveis: fadas, duendes, jogadores de quadribol, magos, videntes, vampiros, lobisomens, bobos da corte, príncipes, princesas, anjos, demônios, animais mágicos e muito mais. O que era uma sorte para Harry, já que pelo jeito, fantasias de pirata não eram nem de longe populares no mundo bruxo quanto eram no mundo trouxa. Como Hermione ainda não tinha aparecido, Draco combinou com os outros quatro que a ficaria esperando ali mesmo enquanto eles iriam entrar e se sentar em uma das mesas reservadas para os monitores-chefes.


 


Poucos minutos depois e a maior parte dos alunos já tinha entrado no salão, sobrando apenas alguns garotos que, como Draco, esperavam suas acompanhantes atrasadas que, quando apareciam, ainda tinham a cara de pau de mexer com ele antes de prestar atenção em seus devidos pares. Não que o sonserino se importasse em ser chamado de “meu rei” ou “príncipe encantado” por nenhuma criatura do sexo oposto. Na verdade, ele estava ligeiramente distraído por uma sonserina do sétimo ano que acabara de passar usando um mini-tutu de balé quando seus olhos cinzentos captaram um movimento do mais fino tecido vermelho-escuro.


 


Hermione estava parada no alto da escada, totalmente imóvel, perfeitamente ereta. O cabelo castanho, em cachos perfeitos, estava apenas parte preso de forma que boa parte dele caísse delicadamente pelos seus ombros e parte das costas, adornando o pescoço claro; enquanto que a franja, curvada para os lados, deixava o seu bonito rosto livre, levemente iluminado pela maquiagem dourada.  Os vestidos salmão e vermelho-escuro caiam placidamente pelo seu corpo, unidos pela faixa negra de cetim com reflexos dourados logo abaixo de seus seios. Todo o conjunto era tão maravilhoso que o loiro, do pé da escada, achou-se sem palavras por alguns instantes.


 


A garota também estava igualmente surpresa com a vestimenta de Draco. Ela simplesmente não podia acreditar que ele tinha realmente aceitado seu pedido, apesar do sonserino estar ali, parado, vestido como um nobre príncipe. O traje era todo preto, composto por uma casaca de gola alta, com ombreiras e botões dourados e com algumas condecoração do lado direito; e uma calça social reta que terminava em lustrosos sapatos negros. No cinto à cintura, vinha pendurada a espada de Anthony Malfoy. Os finos cabelos loiros do garoto estavam impecavelmente penteados para trás, e Draco tinha uma postura tão firme que qualquer desconhecido acreditaria que ele era um príncipe de verdade.


 


Como um verdadeiro cavalheiro, depois de alguns minutos de contemplação, Draco fez uma mesura e estendeu a mão direita na direção de Hermione, que mais do que prontamente desceu as escadas. Assim que as mãos dos dois se encostaram, o loiro fez nova mesura e beijou a mão da garota, fazendo-a rir.


 


-          Boa noite, Vossa Alteza.-Mione disse, sorrindo, totalmente radiante.


-          Boa noite, princesa. Pensei que não fosse mais aparecer.-Draco respondeu do mesmo modo cortês.


-          Desculpe-me a demora, mas o meu cabelo principesco simplesmente não queria ficar no lugar.-ela explicou, arrancando risadas do sonserino.


-          Não se preocupe, ele está tão bonito que a espera valeu a pena.-o rapaz respondeu, envolvendo um dos cachos com os dedos.-Aliás, permita-me dizer, princesa, que está tão perfeita que estou com medo de tocá-la demais e acabar estragando alguma coisa.


-          Perfeita, Vossa Alteza?-ela perguntou, passando os braços pelo pescoço de Draco, aproveitando estar tão alta quanto ele sobre o segundo degrau da escada e seus sapatos de salto alto para olhá-lo nos olhos.


-          Qualquer outro adjetivo não seria justo o suficiente. Na verdade, princesa, pensando melhor, acho que eu deveria levá-la de volta aos seus aposentos porque se entrarmos naquele salão cheio de plebeus pode ocorrer-lhe um acidente.-o sonserino displicentemente passou as mãos em torno da cintura dela.


-          Que tipo de acidente?


-          Bom..Os homens vão ficar tão extasiados ao verem a sua beleza que vão tentar dançar com a senhorita a noite toda e fazer outras coisas nada nobres. E as mulheres, ao verem o quanto você é bela e que sou eu, Draco Malfoy, o seu par; vão ficar tão enfurecidas e enciumadas que vão querer matá-la. Obviamente, sendo o seu par, eu não posso permitir que esse tipo de coisa aconteça.-ele explicou, em um tom dramático.


-          E o que Vossa Alteza sugere que nós façamos para impedir isso?-Mione perguntou, esforçando-se para continuar no tom da brincadeira.


 


Draco aproximou o rosto do dela, e na sua melhor voz rouca, sussurrou:


 


-          Eu sugiro que nós dois fujamos até algum lugar deserto, aonde eu possa conjurar uma cama e brincar de fazer princesinhas e principezinhos com você.


-          Draco! Seu sonserino tarado!-Hermione brigou, sem deixar de rir, soltando-se dele e descendo os dois últimos degraus que os separavam.


-          O que eu posso fazer? Nenhum sonserino em sã consciência recusaria uma grifinória linda como você.


-          Ah, agora eu estou apenas linda? O que aconteceu com o perfeita?-ela reclamou.


-          Você saiu do personagem. Antes você era uma princesa perfeita e agora é só uma deslumbrante grifinória em um belo vestido. Mas eu posso mudar isso. Feche os olhos.-Draco pediu, sem deixar de sorrir ao ver a expressão inconformada no rosto da namorada.


-          Como? O que você vai fazer?-Hermione questionou, sem entender, mas fechando os olhos no mesmo instante.


 


Draco não lhe respondeu com palavras, mas com um beijo delicado, suficiente para que a garota perdesse por alguns segundos a noção de que estava no hall de Hogwarts quando já deveria estar com toda a escola dentro do Grande Salão, ouvindo o discurso que Dumbledore acabara de iniciar. Quando os lábios finalmente se separaram, o loiro sussurrou:


 


-          Pode abrir.-e assim ela o fez. O garoto estava parado diante dela, com um lindo sorriso no rosto e uma tiara dourada cravejada de pequenos rubis nas mãos.


-          Ah, Draco...-Mione murmurou, os olhos passando da tiara para Draco e de volta para a tiara.


-          Esse é o meu presente antecipado de Natal. Desde o momento em que você disse que queria que eu vestisse algo principesco no baile, eu pensei que a sua roupa deveria ser algo próximo a de uma princesa também. Quando eu entrei na loja lá em Hogsmeade, eu procurei a vendedora que tinha atendido você, disse que era seu namorado e perguntei qual era a cor do vestido que você tinha escolhido porque eu precisa comprar uma roupa que combinasse com a sua. Ela me disse que era vermelho e assim que eu escolhi o que ia vestir, deixou os seus super-amigos na loja e fui comprá-la antes que você voltasse com a Agatha e a Weasley.-o sonserino explicou, enquanto com cuidado, colocava a tiara na cabeça de Hermione.-Pronto. Agora sim, você está absolutamente perfeita.


-          Ah...-a menina murmurou, tocando a tiara em sua cabeça com as pontas dos dedos.-Mas, Draco, as pedras são..São..


-          Rubis. De verdade.


-          Deve ter custado uma fortuna!-ela exclamou, apenas extasiada demais com a jóia que estava sobre os seus cabelos.


-          Não uma fortuna, uma pequena fortuna.-ele a corrigiu, lógico.-É claro que qualquer coisa que estivesse a sua altura teria que custar um pouco de dinheiro, Hermione.


-          Mas, Draco...


-          Além do mais, eu nunca lhe dei nenhum presente de verdade desde que nos conhecemos no primeiro ano. Se lhe incomoda tanto o valor que eu paguei, apenas considere a tiara como uma compensação por todos esses anos sem presentes de aniversário nem de Natal. Afinal, que tipo de educação grifinória você tem que não sabe que é falta de educação recusar pres...


 


A garota simplesmente aproveitou os centímetros extras que os saltos lhe davam e beijou o loiro antes que ele se empolgasse mais e continuasse falando. Draco rapidamente a envolveu pela cintura, satisfeito em sentir o sorriso dela contra seus lábios, mas Hermione logo se afastou para não perder a noção do tempo.


 


-          Hum...Isso quer dizer..?-o sonserino perguntou, de olhos fechados, a testa encostada à dela.


-          Que você continua se superando no quesito presentes. Obrigada, Draco, é o melhor presente de Natal que eu já ganhei. Então, com esta pequena fortuna na minha cabeça eu posso voltar a me considerar uma princesa?


-          Sim. Minha princesa. Minha princesa perfeita e de mais ninguém.-o sonserino respondeu, pousando os lábios novamente sobre os de Hermione.


-          Está bem, eu realmente não me importo em ter esse posto.-ela murmurou, os lábios roçando nos de Draco enquanto ela olhava dentro dos olhos dele.-Mas, realeza, acho melhor nós entrarmos de uma vez, certo?


 


Malfoy concordou e os dois entraram no Grande Salão. Apesar de terem participado de boa parte do processo de decoração naquela tarde, os dois não deixaram de ficar surpresos em como o local estava bonito. As paredes estavam cobertas de filetes dourados e cintilantes, que pareciam ser feitos de um material parecido com tecido. A intervalos iguais de espaços as doze enormes árvores de Natal se erguiam até o teto encantado, enfeitadas com as bonitas bolas douradas com fitas vermelhas que Flitwick fizera voar algumas horas mais cedo. Nas mesas redondas, que acomodavam cerca de dez alunos, os pratos e talheres dourados de Hogwarts, reservados para festividades, contrastavam com as toalhas vermelhas e também cintilantes. Até mesmo a pista de dança localizada na frente do palco aonde depois do jantar alguma banda famosa bruxa iria tocar, era redonda, grande e dourada. Juntamente com a música natalina de fundo, todo o Salão brilhava sutilmente em dourado, em um clima quente e totalmente natalino.


 


-          E agora que estamos finalmente todos aqui..-Dumbledore disse, de uma das mesas redondas reservadas para os professores ao ver Draco e Hermione entrarem e se movimentarem por entre as mesas, tentando chegar aonde Harry, Rony, Gina e Agatha estavam-...Que comece o banquete!


 


Houve aplausos e quando todos começaram a ler os seus cardápios e fazer seus pedidos aos pratos dourados (como também ocorrera no baile do quarto ano), o casal finalmente conseguiu chegar na mesa dos amigos, do lado direito da pista de dança, próxima à parede e que dava de frente para a mesa onde Dumbledore e os diretores das casas de Hogwarts estavam sentados, do lado esquerdo da pista.


 


-          Hermione, você está TÃO linda! Aonde você arranjou essa tiara?-Gina perguntou assim que amiga se sentou à sua direita, já que Harry estava à sua esquerda.


-          Por que vocês se sentaram logo de frente para o velho esclerosado?-Draco questionou para Agatha à sua esquerda, interrompendo a conversa que ela estava tendo com Rony, enquanto Hermione respondia à Gina e agradecia os elogios dos amigos.


-          Não tivemos escolha. Íamos nos sentar na mesa onde está a Lucy não-sei-o-quê da Lufa-Lufa...-a morena indicou com a cabeça a outra extremidade do salão, em que a monitora-chefe da Lufa-Lufa estava sentada com os amigos em um ponto estratégico que dava acesso às portas-...mas o auror que está tomando conta daquela parte disse que não podíamos, porque a mesa estava reservada para monitores. Quando eu disse que só estávamos esperando os monitores-chefe da Grifinória e da Sonserina chegarem, ele disse “Esses monitores já foram designados para se sentarem do outro lado do salão, por ordem do diretor”. E não tivemos escolha. Você entende o que isso significa, não é?-Agatha perguntou, e então pegou o cardápio sobre seu prato e concentrou-se em escolher seu prato.


 


Draco, ligeiramente irritado com aquilo, também pegou o próprio cardápio e pediu o primeiro prato que viu. Só depois que a comida apareceu que ele percebeu que tinha pedido algo misturado com fígado de ganso, um dos pratos mais nojentos que já provara na vida. Hermione tinha sido mais feliz e pedido uma terrina com legumes e ao perceber o jeito que o loiro olhava para a própria comida, conjurou um prato e dividiu a sua refeição com ele.


 


-          Hermione, não precisa..-o garoto começou ao ver o que ela estava fazendo.


-          E eu vou deixar você ficar sem comer?-ela retrucou, num tom mandão.


-          É, Miorne. Deixa ere moreeeum di fome.


-          Ron, engula a comida antes de falar, quantas vezes vou ter que lhe dizer isso?-Hermione disse ao ruivo, fazendo Harry rir.


-          Hermione, desista. Ele não vai te ouvir, não tem capacidade mental pra isso. –Gina declarou.


-          E você que mal consegue vestir uma roupa completa antes de sair do seu quarto, só para chamar atenção de cada cara da escola??-Rony retrucou, parecendo envergonhado por ter levado bronca na frente de Agatha.


-          O QUÊ? Com quem você pensa que está falando, seu bebê chorão que chama a irmã mais nova pra conferir se não tem aranhas debaixo da sua cama antes de ir dormir?


-          Eu NÃO faço isso!!


-          Qual é, gente, é Natal, é Natal.-Harry começou a pedir em meio a discussão dos ruivos, enquanto Agatha comia calmamente como se nada estivesse acontecendo.


-          Como você agüenta esse povo?- Draco sussurrou à namorada.


-          Do mesmo jeito que agüento você, exercitando a minha capacidade de amar e de ignorar metade do que eles dizem.-ela respondeu, sorrindo.-Agora, será que dá pra você comer em paz em vez de ficar encarando o professor Dumbledore? Ele já percebeu que você não tira os olhos dele. Daqui a pouco os outros professores vão perceber também.


-          Eu sei, mas é impossível. Aquele velho maldito sabia de tudo...Ele sabe de tudo. Nós dois estamos aqui no escuro  sobre o que pode ou não acontecer esta noite, e ele sabe de tudo!


-          Exato. Ele sabe que, no final da história, vai terminar tudo bem. Não foi o que aconteceu com a Christine e o Anthony?- Mione respondeu, suave, ocupada em apreciar seu prato.


-          O que eu sei é que no final meu avô ficou com outra mulher e teve uma família que não o merecia porque a mulher que ele amava foi assassinada pelo Lord das Trevas e porque o filho dele teve que ser entregue para uma família de desconhecidos para não ter o mesmo destino. Ah, claro, ele foi assassinado também, com umas décadas de atraso, mas foi.- o loiro respondeu, sarcástico, antes de encher a boca de comida.


-          Pare com isso!- ela repreendeu, pousando o garfo para encará-lo, nervosa.- Nós não podemos mudar o passado, por mais que ele nos deixe irritados...


-          Você quer dizer putos.


-          Draco Malfoy!- Hermione disse um pouco mais alto, aproximando o rosto do dele.-Nós conversamos sobre isso hoje de manhã, não conversamos? Que não importa o que aconteça, vai dar tudo certo. Nós não somos Anthony e Christine, a nossa história não vai ser igual a deles. Só que fica difícil acreditar nisso quando você fica fazendo esse terrorismo mental pra cima de mim! Não é só você que não faz idéia do que vai acontecer, eu também não faço e nem por causa disso eu estou pirando e encarando o diretor como se eu fosse matá-lo sendo que tem um monte de aurores em volta que sabem muito bem de quem o cara estupidamente loiro sentado ao meu lado é filho.


 


Draco automaticamente virou a cabeça assim que Hermione terminou de falar vendo que, realmente, pelo menos dois aurores estavam observando-o atentamente. É claro, ele era Draco Malfoy, filho de um conhecido Comensal da Morte e, logo, possível suspeito caso algo acontecesse naquela noite. Além disso, ele estava sentado justo na mesa de Harry Potter, perfeitamente posicionado para enfeitiçá-lo ou coisa pior e ainda estava encarando Dumbledore, inimigo número um do Lord. É, que maravilha.


 


-          Viu? Você não conseguiria chamar mais atenção, nem se colocasse uma placa de neon em cima da sua cabeça.- Hermione murmurou no ouvido dele, com um tom de voz divertido.


-          Desculpe.- o sonserino respondeu, com um sorriso torto, voltando a olhar para ela.- Eu vou parar de encarar o velho, ok?


-          E terminar de jantar direito?


-          O que você é, por acaso, minha mãe?- Draco retrucou, rindo.


-          Não fale assim comigo, Malfoy, porque tem um azevinho em cima das nossas cabeças e se você se comportar mal comigo, não vai ganhar nenhum beijo.- Hermione retrucou, sorrindo.


 


O loiro olhou para cima e viu que o tal azevinho (fruto do feitiço que Sprout tinha feito mais cedo) realmente estava sobre as cabeças deles. Sorrindo, ele abaixou os olhos, encontrando os de Hermione, e simplesmente feliz por poder encará-los, deu-lhe um selinho.


 


-          Awn, vocês dois são TÃO fofos juntos.-Gina exclamou, parando automaticamente de discutir com o irmão ao ver a amiga e o loiro se afastando depois do beijo.


-          Por favor, não façam isso, eu estou tentando comer aqui.-Rony disse, com cara de nojo enquanto Harry fingia que não tinha visto nada.


-          Não implique com eles.-a irmã retrucou e eles recomeçaram a discussão.


 


Mais trinta minutos se passaram preenchidos por xingamentos entre os Weasley, risadas e pequenas conversas paralelas antes que a sobremesa fosse servida e devorada pelos alunos. Os seis estavam terminando as últimas colheradas de um delicioso sorvete de nozes com calda de caramelo quando Dumbledore se levantou e chamou a atenção de todos, anunciando o início do baile de Natal.


 


Automaticamente, os pratos dourados desapareceram (para tristeza de todos os que ainda não tinham terminado de comer) e as centenas de velas que iluminavam o Salão se apagaram, fazendo as alunas darem gritinhos de susto. Draco agarrou a mão de Hermione por debaixo da mesa, para garantir que ela não ia desaparecer no escuro e então, a pista de dança começou a brilhar em dourado como se feita de ouro e as toalhas de cada mesa também começaram a brilhar em dourado e as bolas nas árvores de Natal começaram a brilhar em dourado e absolutamente todo o Salão explodiu em dourado, deixando todos sem palavras e batendo palmas.


 


-          Vamos dançar!! Quatro, três, dois, um! – gritou a vocalista das Esquisitonas, que tinham aparecido sabe Merlin da onde para em cima do palco, e a banda começou a tocar um super rock dançante.


 


A pista de dança começou a trocar de cor, intercalando o dourado com rosa, azul, verde e roxo e, sendo os adolescentes que eram, Harry, Rony, Hermione, Gina, Draco e Agatha simplesmente se precipitaram para ela junto de todos os outros alunos para aproveitar a música. As Esquisitonas eram amadas por qualquer bruxo adolescente, e tirando os nascidos trouxas, todo mundo sabia cantar as músicas delas que falavam sobre unicórnios bêbados e poções de amor. Todo mundo mesmo, incluindo Draco e Agatha que pareciam estar se divertindo como nunca na vida. Hermione percebeu claramente que algumas das canções tinham significados especiais para os dois do jeito que eles simplesmente se juntavam e começavam a berrar a letra assim que ouviam os primeiros acordes delas. Rony e Gina dançavam com um entusiasmo e coreografia só deles, balançando os cabelos ruivos de um lado para o outro enquanto Harry e Mione os acompanhavam como podiam.


 


Depois do que pareceram vinte músicas agitadas, a banda resolveu tocar algumas lentas para os casais e metade das pessoas se atropelaram na pista para arranjar um par enquanto a outra metade voltou para as mesas para beber algo e descansar os pés. Para a tristeza de Gina, Harry foi um dos que resolveu descansar e como ela não estava disposta a dançar com nenhum outro garoto, foi atrás dele. Agatha, ligeiramente descabelada e ofegante se juntou a um envergonhado Rony para dançar, e ela parecia completamente satisfeita em só ficar dando passinhos de um lado para o outro enquanto o ruivo a segurava medrosamente pela cintura. Não demorou muito para que uma quantidade absurda de azevinhos aparecesse por todo o salão sobre as cabeças dos dançarinos, causando uma quantidade absurda de beijos.


 


-          Eu fico me perguntando se a intenção da Sprout era mesmo essa quando ela bolou esse feitiço.-Hermione disse a Draco, quando os dois desviaram de uma garota que acabara de esbofetear o cara com quem estava dançando porque ele a tinha beijado.


-          Ou se era aquela a intenção.- o loiro respondeu, fazendo um semi-giro para que a namorada visse um casal que tinha perdido totalmente a motivação de dançar para ver quantos minutos agüentavam ficar sem respirar. A situação só ficava mais engraçada porque a menina estava usando uma fantasia cheia de coisas espetadas que não deixavam o coitado do menino, vestido de lobisomem, chegar muito perto.


-          Vai ver desenvolveram a teoria de que se eles se beijarem infinitamente uma hora o azevinho vai sumir. Não acho que está dando muito certo.- a grifinória respondeu, rindo. – Do mesmo jeito que a teoria da Agatha e do Rony de “vamos ignorar o azevinho e nos concentrar nos nossos pés que uma hora ele some” também não está funcionando.


 


Os dois olharam para o casal de amigos que estava próximo deles e os dois estavam realmente olhando para os próprios pés, sendo que, de vez em quando, eles se pegavam olhando para o azevinho e ficando vermelhos de vergonha em seguida.


 


-          Acho que alguém está se apaixonando por um amigo meu.- Mione disse, sorrindo para as costas do amigo ruivo.


-          Tanto cara por aí, tinha que ficar toda idiota e vermelha por um Weasley.


-          Hei! Qual o problema? Eu estou toda idiota por causa de um Malfoy e Rony não fica me dizendo essas coisas.


-          Não fica?- Draco perguntou, descrente.


-          Não...com essas palavras.- ela respondeu, rindo em seguida.


-          Você está muito felizinha esta noite, Srta. Granger.-o loiro observou, parando de dançar, com seu sorriso de lado no rosto.- Eu sei que eu sou de longe o melhor partido desse baile, mas não saia por ai espalhando a sua felicidade desse jeito. Coitadas das outras garotas que gostariam de estar no seu lugar e não estão.


-          Que lugar? Debaixo de um azevinho gigante, dançando uma música romântica...-Hermione começou a enumerar e, então colou-se ao corpo dele e, aproveitando novamente os centímetros a mais que os saltos lhe davam, murmurou olhando no fundo dos olhos dele-...e não recebendo nenhum beijo?


 


Draco se inclinou no exato momento que a música acabou, mas em vez de beijá-la na boca, deu-lhe um beijo estalado na bochecha. Roçando o nariz dele no dela, ele murmurou:


 


-          Se você pedir um beijo mais uma vez com essa cara, eu vou me sentir obrigado a te arrastar daqui e destruir todo o seu vestido e cabelo e maquiagem em alguma sala de aula desocupada.


-          Com que cara?


-          Com essa cara de tarada, sua princesa espertinha. Mas, como eu não posso fazer isso, vou buscar uma bebida para nós dois.-o sonserino respondeu, afastando os corpos dos dois, enquanto que a namorada ria.-Antes que eu agarre você aqui mesmo.


-          Ok, seu príncipe sem graça.


-          Fique perto da Agatha e do Weasley, eu já volto.


 


O garoto beijou Hermione na testa e sumiu logo entre a multidão.


 


A garota olhou em volta, procurando um certo vampiro e sua caçadora (Agatha realmente tinha uma mente maligna), e assim que os achou decidiu ficar onde estava, porque os dois estavam se encarando sem palavras, e Rony estava segurando um dos pulsos dela enquanto Agatha parecia se apoiar em sua capa de vampiro, e decididamente o mundo tinha parado para os dois naquele instante. O olhar de Mione se desviou porque ela simplesmente não queria observar um momento íntimo daqueles e ela passou a prestar atenção no palco, onde as Esquisitonas estavam fazendo uma pausa e afinando instrumentos.


 


A pista de dança estava novamente cheia de gente, que tinha voltado para mais uma dose de músicas dançantes e a grifinória se sentiu inexplicavelmente sozinha ao ver tantos casais e grupos de amigos conversando e rindo. Porque, por mais que ela estivesse bancando a feliz e sorridente Hermione para Draco e para os outros naquela noite, por dentro ela estava gritando de medo, apenas querendo se esconder em algum lugar seguro em que Riddle nenhum pudesse encontrá-la. Mas ela não admitiria isso para nenhum dos outros cinco, principalmente à Harry, Ron, Gina e Agatha, que mereciam se divertir naquele baile e viverem suas próprias vidas.


 


-          Perdida em pensamentos de novo?-uma voz familiar perguntou, chamando a atenção de Hermione.


-          Mark! Não, eu só estava prestando atenção no palco, como todo mundo.-ela respondeu, sorrindo um pouco aliviada pelo colega estar ali.


-          Elas são incríveis, né? Esse baile vai entrar pra história de Hogwarts. Só não sei porque Dumbledore inventou essa história das fantasias, quer dizer, é divertido, mas aqui na pista elas não fazem muita diferença. A não ser a sua, é claro.-o moreno de olhos negros observou, gentil.


-          A minha fantasia? Por quê?- Mione perguntou, olhando para o próprio vestido.


-          Porque ela reluz, Granger. Quando fica tudo dourado, o seu vestido acompanha. Eu consegui te ver brilhando da minha mesa quando as luzes todas apagaram no começo do baile e tudo ficou dourado. Como se você uma fênix, em vermelho e dourado.


-          Fênix...?-ela murmurou, ainda olhando para si mesma sem ver nenhum brilho já que a pista estava roxa naquele momento.


-          Mas é claro que você não veio vestida disso, você veio de princesa. E, antes que o Malfoy apareça, você está linda. É a garota mais bonita da festa.-o corvinal elogiou, com uma certa expressão dolorida por elogiar alguém que já pertencia a outra pessoa.


-          Obrigada, Mark. Você também está muito bonito e, sua fantasia...você é um...


-          Carrasco.-e a menina percebeu pela primeira vez a roupa de tecido grosso e rústico, as botas até os joelhos e o machado de mentira que Mark trazia pendurado nas costas. A roupa dele se parecia com a do carrasco que “matara” Bicuço no terceiro ano, mas a expressão gentil do garoto simplesmente não combinava com tudo aquilo. Ele também estava carregando duas taças de ponche vermelho nas mãos e, talvez por causa delas, não tinha repetido a brincadeira de cobrir os olhos dela.


-          Para que as bebidas?-Mione perguntou, para mudar de assunto.


-          Ah, eu fui buscar para uma amiga mas a pista encheu de gente e eu não consigo mais encontrá-la. Você quer? Você parece estar com calor.


-          Ah, na verdade, Draco foi buscar bebidas para nós, então...


-          Bom, acho que não custa nada você beber esta já que parece que ele vai demorar pra voltar.-e então Hermione percebeu a mudança na voz dele. De repente, Mark estava soando exatamente como soara na noite infernal em que ele e Draco tinham se engalfinhado.


-          Ahn, mesmo assim, eu prefiro esperar.


-          Ok. Bom, eu vou indo então.-e a voz dele voltou ao normal, Mark visivelmente chateado com o tom duro que ela usara na última frase.


-          Não, não precisa, Mark. – Hermione falou rápida, pousando uma mão sobre o braço dele para impedi-lo de sair andando. Primeiro, porque ela não queria ficar sozinha e, segundo, porque não custava nada ser educada com o rapaz. E, é claro, se ele tentasse alguma coisa novamente, ela só precisava pedir ajuda à pessoa mais próxima até encontrar Rony e Agatha que tinham sumido de sua visão.


-          Você tem certeza?-o moreno perguntou, a voz suave.


-          É claro.


-          Voltamos, pessoal!-a vocalista das Esquisitonas gritou, de repente, fazendo a pista de dança vibrar.- E, agora, vamos tocar alguns clássicos pra vocês..Começando pela música doentia mais amada dos bruxos!


 


Automaticamente, como em resposta ao “doentia”, a pista de dança tornou-se vermelha e todos vibraram e gritaram, visivelmente entusiasmados.


 


-          Hermione, você se importa de segurar pra mim? – Mark perguntou, estendendo as duas taças de ponche para ela. – É que eu piro quando escuto essa música.


-          Tudo bem.- ela respondeu, sem deixar de perceber o quão estranho ficava o bonito rosto dele sob toda aquela luz vermelha.


 


Sem saber de que música ele estava se referindo, ela resolveu prestar atenção na performance da banda, como se estivesse em um show e não em um baile. As pessoas à sua volta pareciam tremer de excitação, acotovelando-se e empurrando-se para ficar mais perto do palco. Alguém bateu com algum pedaço de fantasia no braço dela e metade do ponche que estava em um dos copos caiu no vestido.


 


-          Merda!- a grifinória xingou, levando a mão molhada da bebida à boca enquanto pensava em um jeito de limpar o vestido.


 


A bebida era enjoativamente doce e viscosa. Definitivamente, não era ponche. Porém, ao mesmo tempo que tinha aquela textura nojenta, também era deliciosamente refrescante e Hermione acabou bebendo o que tinha sobrado na taça. Os primeiros acordes da música se fizeram ouvir e todo mundo à volta dela pulou ao mesmo tempo, fazendo com que a outra taça voasse para o chão e se quebrasse em pedaços, espalhando líquido por todos os lados.


 


-          Duas vezes mer...


 


Stoplight lock the door


Sinal vermelho na porta


Don’t look back


Não olhe para trás


Undress in the dark


Despida no escuro


And hide from you


E escondida de você


All of you


De tudo em você


 


Hermione parou de falar, uma dor alucinante e queimante acometendo seu estômago. Era como se ela tivesse engolido brasa em chamas, que queimava lentamente suas entranhas. A sensação começou a se espalhar por todo o seu corpo, transformando suas pernas em gelatina e fechando os seus pulmões, impedindo-a de respirar. Mais algum desconhecido empurrou-a com força e ela caiu de joelhos no chão vermelho.


 


You’ll never know the way your words have haunted me


Você nunca saberá o jeito que suas palavras me assombraram


I can’t believe you’d ask these things of me


Eu não acredito que você me perguntava essas coisas sobre mim

You don’t know me


Você não me conhece

Now and ever

Nem agora nem nunca

 


Ofegante, Hermione tentou se levantar mas alguém pulou com os dois pés sobre sua mão e ela gritou, completamente desesperada, sentindo os ossos quebrarem.


 


-          Ah, socorro..Socor..Draco...


 


E então ela vomitou, sujando o chão vermelho à sua frente com um sangue espesso e fétido.


 


You belong to me

Você pertence a mim

My snow white queen


Minha rainha, branca de neve

There’s nowhere to run, so let’s just get it over


Não há pra onde correr, então vamos acabar logo com isso

Soon I know you’ll see


Em breve eu sei que você verá

You’re just like me


Que você é igual a mim

Don’t scream anymore my love ‘cause all I want is you


Não grite nunca mais meu amor, porque tudo o que eu quero é você

 


E tudo era sangue, tudo em volta, o chão, as pessoas, as paredes, tudo estava coberto de sangue. E ela inteira estava coberta daquele líquido horrendo, contaminada por aquele cheiro metálico. Hermione simplesmente precisava sair dali, precisava. Com dificuldade, ela se levantou e cambaleando, começou a abrir espaço entre a multidão de faces ensangüentadas que gritavam coisas desconexas para ela.


 


Wake up in a dream


Acordo em um sonho

Frozen fear


Congelada de medo

All your hands on me


As suas mãos em mim

I can’t scream


Eu não consigo gritar

I can’t escape the twisted way you think of me

Eu não consigo escapar desse destorcido jeito que você acha que eu sou

I feel you in my dreams and I don’t sleep


Eu lhe sinto em meus sonhos e não consigo dormir

I don’t sleep


Não consigo dormir

 

Não, não eram coisas desconexas..Era a música. Eles estavam cantando. Então Hermione reconheceu o som explosivo, que sempre estava dentro de sua cabeça, e os versos que tinha sido obrigada a cantar muito, muito tempo antes. Merlin, ela realmente precisava sair dali.


 

You belong to me


Você pertence a mim

My snow white queen


Minha rainha, branca de neve

Não há pra onde correr, então vamos acabar logo com isso

There’s nowhere to run, so let’s just get it over


Soon I know you’ll see


Em breve eu sei que você verá

You’re just like me


Que você é igual a mim

Don’t scream anymore my love ‘cause all I want is you


Não grite nunca mais meu amor, porque tudo o que eu quero é você

 

-          Ei, garota, você está bem? Por que você está choran...- alguém perguntou, agarrando-lhe por um dos braços.


-          Não, NÃO, ME LARGA!- Hermione gritou, tentando se desvencilhar do monstro que estava tentando prendê-la. Era isso, era o que todas aquelas criaturas estranhas cobertas à sua volta eram; monstros...


-          Você, ei, é a Granger...


-          ME LARGA!!- ela gritou, completamente apavorada, a cabeça girando, tudo girando, enquanto tentava correr dali.


 


Ela precisava de ajuda. Por algum motivo, ela tinha entrado dentro do inferno e precisava de ajudar para sair, para parar de queimar, para respirar.


 


-          Draco..Drac...Anthony, Anthony! Socorro, Socorro..

 

 

I can’t save your life 

Eu não posso salvar a sua vida

Though nothing I bleed for is more tormenting

E nada por que eu sangre é mais atormentador

I’m losing my mind and you just stand there and stare


Eu estou perdendo a minha cabeça e você apenas fica lá e assiste


As my world divides


Enquanto meu mundo se divide

 


Fez-se o silêncio, o vermelho desapareceu. Hermione se viu inexplicavelmente no Saguão Principal, completamente deserto. Cambaleando, ela se segurou no corrimão da escada, tentando pensar. Aonde ela deveria ir? Ela estava sendo queimada e devorada por dentro, algo a estava matando..Aonde ela deveria ir? O que ela deveria fazer? O ar quente sufocava, seus olhos queimavam em meio às lágrimas, sua mão direita parecia disforme aos seus olhos...


 


-          Pare, faça parar....


 

You belong to me

Você pertence a mim

My snow white Queen

Minha rainha, branca de neve

There’s nowhere to run, so let’s just get it over


Não há pra onde correr, então vamos acabar logo com isso


Soon I know you’ll see

Em breve eu sei que você verá

You’re just like me


Que você é igual a mim

Don’t scream anymore my love ‘cause all I want is you


Não grite nunca mais meu amor, porque tudo o que eu quero é você

 

Atendendo ao pedido, o ar gentilmente se tornou fresco e invadiu seus pulmões queimantes, como uma brisa suave em um dia quente de verão. Sentada no chão, ela sentiu, com alegria, os passos certos se encaminharem na direção dela e então, as mãos masculinas a levantarem gentilmente e a pegarem no colo, acomodando-a contra o tecido de camisa masculina embebido em um delicioso cheiro gelado, transmitindo prazer via eletricidade. Por fim, um peso enorme foi lhe retirado da cabeça e grata, ela se deixou levar masmorras abaixo enquanto sua consciência esvaia em um completo estado de alegria. 


 

All I want is you


Tudo o que eu quero é você


All I want is you


Tudo o que eu quero é você


 


 ***


 


Draco empurrou a milésima pessoa á sua frente e finalmente se viu fora da pista de dança. Ele entendia perfeitamente o entusiasmo de todo mundo com as Esquisitonas (afinal, elas eram mesmo incríveis) mas aquela necessidade de todo mundo se comprimir no mesmo lugar era ridícula.


 


Ele olhou em volta, enquanto ajeitava o cabelo, e viu que tinha ido parar bem longe da mesa em que estava.  Xingando, o loiro foi contornando as mesas no caminho até chegar à sua, aonde Gina e Harry estavam conversando. Ou melhor, o rapaz estava falando e a ruiva apenas escutando, parecendo contrariada demais para responder ao cara que tinha se recusado a dançar músicas românticas com ela. “O Avada que ele levou na cabeça realmente afetou o cérebro desse idiota” Draco pensou, achando graça.


 


-          Malfoy!-Gina exclamou, agradecida de ter outra pessoa com quem conversar.


-          Cadê a Hermione?-Harry perguntou, olhando em volta.


-          Está com Agatha e Weasley. Vim buscar umas bebidas porque lá no meio da pista está insuportavelmente quente.


-          Bom, é o que acontece com as pessoas que dançam em bailes. Elas ficam com calor. Você está com calor, Harry?


-          O quê? Não, não estou.- o moreno respondeu, sem entender o que a menina queria dizer com isso.


-          Nem eu, por que será?- Ginny perguntou, provocativa, enquanto tirava as grandes asas de anjo das costas, dando a entender que tinha se arrumado toda para nada.


 


Draco simplesmente a ignorou e pegou o cardápio em cima da mesa, ordenando dois copos de ponche de uva que apareceram automaticamente na sua frente. Ignorando a pequena conversa entre os dois sentados á sua frente, ele aproveitou para dar uma olhada pelo Salão, para ver se ainda tinha algum auror ou talvez algum professor de olho nele. Porém, não havia nenhum à vista, com exceção de Hagrid, que estava parado ao lado do palco bancando o segurança da banda para impedir com os alunos pirados atacassem os integrantes. E isso definitivamente era estranho, depois de toda a segurança montada para o baile, não ver nenhum responsável por nenhuma parte..afinal, o meio gigante não podia ser considerado exatamente uma figura responsável.


 


O sonserino abriu a boca para comentar aquela estranheza com os outros dois quando a vocalista das Esquisitonas anunciou que agora iriam começar a tocar os clássicos.


 


-          Começando pela música doentia mais amada dos bruxos!


-          Ah! Snow White Queen! Harry, é Snow White Queen! Todo mundo ama essa música! Vamos dançar, vamos, vamos...- a garota começou a pedir, de pé, para Potter.


-          Ok, ok, vamos achar o Ron e a Mione e dançar a bendita da música..Malfoy, o que foi?-Harry começou, cedendo a expressão suplicante da ruiva (e tentando se redimir de não ter dançado e impedido que ela dançasse com qualquer cara nas cinco músicas anteriores), mas logo se interrompeu ao ver o rosto pálido do sonserino.


-          Temos que achar Hermione.-Draco disse, largando os copos de ponche e correndo para a pista.


-          O quê? Por quê? Malfoy!-Gina gritou, indo atrás dele e de Harry, que tinha seguido o outro assim que ele terminara a frase.


 


Draco se sentiu engolido por algum tipo de mar vermelho quando chegou à pista. Os estudantes se amontoavam da maneira que suas fantasias permitiam, deixando o ar quente e pegajosamente úmido. O cenário se assemelhava a uma daquelas pinturas antigas que representavam o inferno, queimando em vermelho, povoado por criaturas fantásticas e perigosas. Completamente aterrorizante. Tudo o que Draco queria era sair dali o mais rápido possível, com Hermione nos braços.


 


-          Hermione! HERMIONE! – ele começou a gritar, empurrando e desviando de todos que apareciam na sua frente, com Harry e Gina em seus calcanhares também aos berros.


 


Por duas vezes, o sonserino pensou ver a namorada e se precipitou por cima de meninas que, de perto, não eram nem um pouco parecidas com ela.


 


-          HERMIONE! Merlin, onde você está?


-          RONY!- Harry gritou ao lado dele, reconhecendo o cabelo ruivo do amigo que se destacava mais que os outros no meio da luz. – RONY! Cadê a Hermione?- o moreno perguntou, agarrando-o pelos ombros.


-          O quê? Como assim, Mione não estava com você, Malfoy?-o rapaz perguntou, a voz preocupada ao ver a expressão dos três.


-          Agatha, Agatha, a música...-o sonserino suplicou, completamente desesperado, enquanto o refrão ecoava pela última vez pelo salão.


-          Vamos, vocês todos, varinhas na mão.-a morena gritou aos outros e saiu correndo.


 


Com dificuldade, eles saíram da massa humana que os comprimia e correram para o Saguão deserto. Harry foi o primeiro a notar a pequena poça de sangue em frente à escada, com uma tiara de rubis delicada caída mais á frente. Os seis correram até a poça e Draco agachou, lentamente, pousando a mão sobre ela e manchando-a de vermelho.


 


-          Hermione...-Rony murmurou, pálido como um papel.


-          É minha culpa, eu tirei os olhos dela...-o sonserino murmurou, encarando fixamente a própria mão cheia de sangue.


-          Oh, Merlin, Riddle a pegou. O que fazemos agora? Onde ele pode tê-la levado?-Gina questionou, com a voz decidida que ela costumava tomar quando algo estava errado.


-          Minha culpa...


-          Talvez pra Câmara Secreta. – Harry argumentou, já no segundo degrau da escada, preparado para ir até lá. –Vamos lá, eu abro a passagem..


-          Minha...


-          Mas e se não for lá? Não faz muito sentido, certo? A Câmara não tem nada a ver com a Christine, então...


-          CALEM A BOCA!-Agatha gritou subitamente.


 


Os outros três olharam para ela e, em seguida, para Draco, que tinha o rosto ligeiramente esverdeado e uma expressão doentia no rosto, ainda encarando a mão ensangüentada. Mais alguns minutos e ele acabaria desmaiando.


 


-          Draco, calma..- ela murmurou, levantando o rosto do loiro com ambas as mãos.


-          Agatha...Agatha, onde ela está? Agatha, eu não posso perder..-Malfoy começou, e ele parecia próximo a um estado de choque.-Minha culpa...


-          Não, não é. Todos nós nos descuidamos, a culpa é de todos nós. Draco, preste atenção em mim, olhe nos meus olhos.


-          Agatha...Me ajude a pensar...- Draco pediu, agarrando os cabelos negros da garota enquanto tentava encontrar alguma razão nos olhos azuis dela, lágrimas escorrendo pelo rosto.- Aonde ela pode estar?


-          Nas masmorras.-Ron respondeu, firme. Os outros quatro olharam para ele com intensidade, e ele engoliu em seco antes de responder.- Na época deles a sala da monitoria ficava lá embaixo, e Riddle era um sonserino, então de todos os lugares do castelo, eram as masmorras que ele conhecia melhor. Além disso, Hermione sempre disse que sente um ar gelado quando ele se aproxima, e as masmorras são a parte mais fria de qualquer castelo.


-          Ron, mas as masmorras são enormes! Eles podem estar em qualquer lugar!-Ginny gritou, frustrada.


-          Chega, eu vou até a Câmara..


-          Caralho, Potter, cala a boca!-Agatha gritou mais uma vez, sem tirar os olhos de dentro dos de Draco.-Vamos, Draco, se tem alguém que sabe onde ela está, esse alguém é você. Pense, pense. Procure alguma coisa na sua cabeça que possa ser uma pista.


-          Masmorras.-ele murmurou, encostando a testa à da sonserina.-Nós sempre andávamos pelas masmorras..Todos conhecemos a antiga sala da monitoria, todos conhecem..Algum lugar, algo com uma senha..


-          Algo em língua de cobras.-Ron falou, chamando a atenção novamente, com uma expressão concentrada no rosto cheio de sardas.-Bom, é do Riddle que estamos falando, certo? E ele era/é ofidioglota e para entrar na Câmera Secreta é preciso falar em língua de cobras. Ele também mandou um feitiço maligno para vocês com uma cobra, certo? E se tiver mais alguma coisa a ver com cobras, agora?


-          Rony, é impossível acompanhar o seu raciocí...


-          Rei das Serpentes!-Draco gritou de repente, o olhos brilhantes, antes de dar um beijo na testa de Agatha e soltá-la.-É claro, o quadro..Slytherin!


 


E então, ele se precipitou a correr novamente, dessa vez passando pela porta que dava nas masmorras da Sonserina.


 


-          Mas que merda! Aonde estamos indo?!-Ginny gritou, enquanto eles corriam por entre os corredores de pedra úmidos e mal iluminados.


-          Para a Sonseri...Ah!-Agatha tentou responder, antes de se chocar violentamente com as costas de Malfoy e cair no chão.


 


Os cinco, liderados por Draco, tinham entrado em um estreito corredor que servia de atalho para a Sonserina. A passagem era tão estreita que não permitia a passagem de duas pessoas ao mesmo tempo e quando Agatha caiu acabou levando Gina ao chão, que estava logo atrás de si. Como o sonserino era muito mais alto que todos eles, com exceção de Rony, era impossível ver o que o havia detido tão bruscamente.


 


-          Draco? O que foi que aconteceu? – Agatha perguntou, enquanto ela e Ginny se levantavam ajudadas por Rony.


-          Vão para atrás, a-go-ra.-o loiro disse, num tom cauteloso,andando para trás.


-          Por q..


-          Só vão. Vamos ter que pegar outro caminho.


-          Acho que não vamos não, cara.-a voz de Rony soou chorosa no final da fila, ao mesmo tempo que um barulho extremamente alto de chocalhos começou.


 


Harry, Agatha e Gina olharam para os pés ao sentirem uma movimentação estranha e tiveram que segurar a respiração ao mesmo tempo ao perceber que o chão de pedra desaparecera sob seus pés...sob centenas de cobras.


 


Ambos os lados da passagem estava completamente tomado por centenas de cobras negras, a menos de um metro de distância deles. Grandes e pequenas, de olhos amarelados, avermelhados, cor de cobre e completamente brancos. Elas rastejavam pelo chão e pelas paredes, umas sobre as outras; todas silvando perigosamente para eles.


 


-          Ah, não, não. – a ruiva choramingou, fechando os olhos enquanto uma cobra particularmente grande subiu até seus joelhos e desceu novamente ao chão. - Merda, eu retiro o que disse sobre seu raciocínio confuso, Rony. Isso obviamente é um sinal de que Hermione está aqui embaixo. Ou vocês mantém algum tipo de viveiro de cobras de estimação por aqui?


-          Vocês tem algum leão guardado na torre de vocês, ruiva?-Agatha revidou, apertando a varinha na mão esquerda com tanta força que os nós de seus dedos ficaram fantasmagoricamente brancos.


-          Como vamos sair daqui?-Rony perguntou, tão assustado quanto Harry se lembrava ter estado quando os dois tinham enfrentado um exercito de acromântulas na Floresta Proibida no segundo ano. - O tempo está passando e só Merlin sabe o que Hermione..


-          Afaste-as, Potter.-Draco disse, e na voz dele não havia mais traço do desespero anterior. Ele soava ameaçador, enquanto encarava as cobras que passavam perto demais do seu rosto pelas paredes de pedra.- Você é um ofidioglota, diga para elas se afastarem. Elas não estão nos atacando, então estão aqui só para nos impedir de chegar até Hermione.


-          É claro, Riddle não seria idiota de machucar um monte de alunos se ele só quer Hermione. Só chamaria a atenção dos outros.-Agatha concordou.


-          Anda, Harry. Se você disser para elas saírem, elas vão sair.


-          As coisas não podem ser tão fáceis. Eu nunca falei com um número tão grande antes...-Harry murmurou, descrente, mas ainda assim tentando estabelecer contato visual com alguma das serpentes.


 


Acabou escolhendo uma negra, de tamanho médio e olhos brancos cegos que estava pendurada em um archote bem acima de sua cabeça e sibilou para ela, enquanto os outros quatro viravam-se com cuidado para o lado para observar. A cobra deslizou de seu archote até ficar na altura do rosto dele e soltou um longo e alto silvo. Automaticamente, o silvo foi respondido por um igualmente longo mas bem mais baixo, como se vindo de uma cobra maior, e todas as cobras, sem exceção, silenciaram. Os cinco prenderam a respiração quando observaram que elas, primeiro uma a uma e depois em grandes grupos, começaram a rastejar uma por cima das outras e desapareceram pelas saídas da passagem, abandonando-os.


 


Mesmo assim, os garotos permaneceram parados por mais alguns segundos, escutando o silêncio.


 


-          Graças a Merlin.– Rony murmurou, depois de um tempo, relaxando e empurrando os outros para saírem do corredor claustrofóbico. – Eu não sei o que você disse a ela, Harry, mas o que quer que tenha sido, valeu.


 


Harry não respondeu, apenas encarando Draco, demonstrando com o olhar que algo naquilo não estava nada certo.


 


-          O que foi, Potter? – Malfoy perguntou, assim que todos eles estavam fora da passagem.


-          Eu não sei. Eu nem ao menos terminei o que estava dizendo para a cobra quando ela respondeu: ‘nós vamos buscá-la’. Elas não foram embora porque eu ordenei, foram fazer alguma coisa e vão voltar.


-          Buscar quem?-Ron perguntou, sem entender.


 


Como resposta à pergunta de Rony, o longo e baixo silvo soou mais uma vez atrás dele, perigosamente perto. Os cinco se viraram novamente para o corredor e automaticamente deram alguns tropeçados passos para trás. O corredor estava completamente preenchido por um enorme serpente, de escamas peroladas e olhos vermelhos. À sua volta estavam todas as outras cobras, rastejando em volta e por cima dela, incrivelmente pequenas e inofensivas aos garotos.


 


-          Fudeu.-Rony murmurou, agarrando a mão de Agatha na sua.


-          Potter, fale com ela.-Draco disse em tom baixo mas ainda assim forte.


 


Harry engoliu em seco e silvou. A grande serpente rastejou o metro que a separava deles e parou à centímetros da face dele; os olhos presos nos dele, como se o estivesse analisando. Então, ela respondeu, num silvo agudo, e todas as outras serpentes voltaram a silvar.


 


-          Mas o quê...-o moreno de olhos verdes murmurou, em sua própria língua.


-          O que ela disse?-Draco perguntou, rápido, olhando para Harry. segurando Agatha próxima de si com uma mão enquanto que a outra mantinha com a varinha apontada para as cobras as suas costas.


-          Eu perguntei a ela se poderia nos dizer onde Hermione está e ela disse que só responde perguntas e recebe ordens daqueles que têm como provar serem superiores a ela.


-          E o que pode ser superior a um bicho desses?-Rony perguntou, levando um tapa de Ginny em resposta.


-          Acho que ela quis dizer superior como bruxo. Entre todos nós, apenas Potter não é sangue-puro.-Agatha pontuou.


-          Não significa nada sermos sangues-puros, sabia?-Ron falou, contrariado.


 


A sonserina pareceu ligeiramente chocada por ele ter retrucado o que ela acabara de dizer, mas continuou do mesmo jeito:


 


-          Pergunte a ela se por superior ela quer dizer alguém com sangue puro, Potter.-e então Harry perguntou.


-          Ela respondeu que não. Que tem a ver com sangue, mas ele não precisa ser necessariamente puro. Só tem que ser especial.


-          Mas do que essa cobra está falando?


-          Riddle nunca me disse diretamente mas ele se sentia especial de alguma forma. Ele demonstrava isso sempre que falávamos sobre estudos e ele dizia o quanto era brilhante e que todos os professores gostavam dele.-Ginny começou a dizer, pensativa.-Mas ele era um órfão, possivelmente nascido trouxa, então eu só entendi porque ele se achava superior aos outros quando soube que ele era herdeiro de Slytherin. Talvez seja a isso a que ela esteja se referindo. Ele é mestiço mas ainda assim é especial por ser herdeiro de um dos fundadores. Talvez ela só obedeça à herdeiros.


-          Acho que ela só obedece a quem tem sangue Slytherin.-Agatha disse, encarando Draco.-Ela obedeceria...a você, Draco.


-          Então quer dizer que você é mesmo um parente distante do Slytherin como todo mundo diz?-Rony questionou, visivelmente surpreso.


-          Potter, pergunte a ela se eu sirvo.-Draco mandou, olhando fixamente para a serpente que lentamente dava a volta neles, impedindo-os de seguir em frente.


 


Harry imediatamente falou do loiro á serpente e ela, serenamente, deslizou o pescoço para encará-lo. Mas ele não entendeu o que ela quis dizer quando silvou, ameaçadora, um “vamos provar”.


 


A próxima coisa que Draco sentiu foi uma dor horrível no pescoço, seguida de uma pressão na cabeça que o impedia de enxergar com claridade ou de distinguir o que os outros gritavam a sua volta. A dor se foi, tão rápida quanto chegou, e o loiro se viu ajoelhado no chão da masmorra com uma Agatha alucinada na frente dele.


 


-          Draco, você está bem? DRACO!


-          O quê...Estou, estou. O que aconteceu?


-          Graças a Merlin! O que ela disse? Por que ela o mordeu??-ela gritava na direção de Harry, furiosa.


-          Ela disse que iria provar..Provar se ele era mesmo superior a ela. Ela provou..o sangue dele.-o grifinório respondeu, lentamente, chocado com o que acabara de acontecer.


-          Pergunte a ela se a gente pode passar, Harry!-Rony pediu, ligeiramente esverdeado de nojo da cena que acabara de ver.


 


A resposta da serpente foi clara. “Mestre Slytherin passa, ele não será ferido.” “E quanto a nós? Nós estamos com ele!” “Vocês podem tentar passar, mas não tenho porque respeitar nenhum de vocês.”


 


-          Malfoy, só você pode ir. –Harry falou para o loiro, que tinha se levantado e estava se apoiando na parede, uma das mãos tentando estancar o sangramento no pescoço.


-          Por que só ele? Estamos todos juntos!-Rony reclamou, revoltado.


-          Ela disse que se tentarmos vamos virar comida de cobra, Rony!


-          Mas é Você-Sabe-Quem que está com Hermione. Que chance o Malfoy tem contra ele? É você quem tem que ir enfrentá-lo, Harry! Sempre é!


-          Rony, não seja cabeça-dura! Hermione pode estar morrendo enquanto a gente discute uma coisa dessas!-Gina gritou, chorando.-Ou já pode estar m..


-          Ela não está morta, eu saberia se estivesse.-Draco disse, seco, olhando para a menina como se fosse matá-la caso ela terminasse a frase. E, de certa forma, ele sabia. Havia algo pulsando dentro de sua cabeça que só podia estar sincronizado com as batidas do coração de Hermione.


-          Então, vá lá e traga ela de volta inteira, seu imbecil.-Rony rosnou, nervoso demais para ser razoável.- Se você não tivesse entrado na vida dela nada disso estaria acontecendo!


 


Draco ignorou o rapaz e deu um passo a frente, ficando ao lado de Harry e encarando a serpente. A cobra imediatamente se afastou, abaixando a cabeça como se em sinal de respeito a ele.


 


-          Malfoy, leve isso com você. – Harry disse, entregando a ele um embrulho de tecido que era sua capa da invisibilidade. – E traga a Hermione de volta.


 


O sonserino apenas olhou para ele, e depois para trás, para Agatha, e saiu correndo pelo corredor até que as cobras ficaram para trás. Quando virou à direita no corredor que dava na Sonserina, ele ouviu uma explosão de gritos e feitiços e soube que, por algum motivo, as cobras tinham atacado os quatro que tinham ficado para trás.


 


O corredor estava deserto e completamente às escuras, com exceção  do meio, iluminado por uma fraca luz alaranjada vinda dentro de um cômodo totalmente desconhecido para ele. Um cômodo escondido por trás do quadro de Salazar Slytherin, que estava escancarado. Silenciosamente, Draco se cobriu com a capa de Harry, tornando-se invisível, e enquanto percorria lentamente os últimos metros que o separavam de Hermione, desembainhou a espada do avô da cintura, segurando-a em uma mão e a varinha na outra. Pareceu que uma eternidade tinha se passado quando ele finalmente chegou em frente ao quadro e encarou os olhos negros da pintura estática de Slytherin, antes de contorná-lo e entrar no quarto.


 ***


 


Lentamente,  o fogo se espalhou por cada centímetro do corpo e a sua mão direita resumia-se a dor e mais dor. Mas ela só abriu os olhos quando se sentiu se afogando em meio à uma tonelada de oxigênio.


 


Ela estava deitada no meio de uma enorme cama de casal, coberta com uma manta vermelho-sangue suja, empoeirada e esburacada. O teto era alto, feito de pedras rústicas. Com dificuldade, apoiando-se apenas na mão esquerda, ela olhou em volta do quarto. Havia uma lareira a sua frente, com um fraco fogo aceso e uma enorme prateleira de livros do lado esquerdo. Acima da lareira estava colocado um enorme espelho, completamente sujo e embaçado mas mesmo assim, ela conseguia ver seu reflexo com clareza. Havia sangue por toda sua boca, pescoço, mãos e colo. Angustiada, ela começou a chorar sem nem mesmo perceber. O que estava acontecendo? Aonde ela estava?


 


Tentou sair da cama, mas todo o quarto girou e ela caiu no chão, em cima de um velho tapete. Tudo queimava a sua volta, dentro de si. Então, como uma luz, ela se lembrou porque ela estava li. Por causa dele. Ela estava ali para se encontrar com ele, como ele tinha pedido tantas vezes. Eles tinham que conversar, esclarecer as coisas, ela precisava explicar que não tinha ido antes porque estava com medo, porque...porque havia mais alguém. Alguém importante. Não, alguém que atrapalhava. Porque não havia nada mais que ela quisesse na vida do que ter as mãos dele sobre si, os olhos dele dentro dos seus.


 


Então, ela conseguiu ouvir passos, distingui-los entre a confusão explosiva de vozes, gritos e música dentro de sua cabeça. Passos suaves, cautelosos, como os de um gato que não quer chamar atenção. Lentamente, eles se dirigiram a ela, e cada passo lhe dava nova força para se levantar. Quando ela estava finalmente em pé, estava de frente para ele. Com o único porém de que ela não podia vê-lo, apenas senti-lo ali, e também não fazia idéia de quem ele era.


 


Então, novos passos fortes, determinados, e a pessoa na frente dela foi se refugiar em um ponto próximo da lareira. A respiração ruidosa e pesada dele encheu o ar, que tornava-se a cada instante mais fresco. Antes que ela pudesse se sentir realmente feliz, ele falou:


 


-          Você finalmente veio ao meu encontro.


 


As lágrimas de alegria escorreram pelo seu rosto e pescoço mas antes que ela pudesse se virar, o rapaz pousou as mãos frias sobre seus olhos castanhos e se inclinou para sussurrar em seu ouvido, com um hálito suavemente quente, a respiração levemente pesada:


 


-          Você finalmente veio, minha Christine. Depois de tanta espera, você veio.


-          Me desculpe.-ela pediu, desesperada ao ouvir o tom desaprovador na voz dele e ignorando completamente o nome pelo qual ele a chamara.-Me desculpe, me desculpe. Eu não sei o que aconteceu comigo, eu...Eu quero ver você.


-          Mas não queria antes.-ele respondeu, ameaçador, beijando-lhe o pescoço sem se importar com o sangue nele.-Você gritou que nunca mais queria me ver ou falar comigo, Christine. Que era para eu ficar longe de você, que eu assustava você. Disse que nunca concordaria em se juntar à mim, que preferia nunca desenvolver nenhum poder do seu sangue mágico do que dividi-lo comigo.


-          Me desculpe, eu não sabia o que eu estava...-ela suplicou, colocando a mão esquerda sobre as deles em um pedido mudo para que ele a deixasse ver.


-          Você sabia, sim. Parecia muito...Decidida quando disse tudo aquilo. Você me acusou como se eu estivesse perseguindo você, só por causa de algumas flores, algumas cartas, enquanto tudo o que eu estava tentando fazer era lhe convencer a voltar e ficar junto comigo.


-          Eu sei, eu sei...-ela murmurou, sem realmente assimilar o que estava ouvindo, a mão esquerda se fechando com mais força sobre as dele.


-          Não, você não sabe, Christine. Você não tem idéia do quão cruel você foi comigo, do quão ingrata. E eu não costumo ter misericórdia com aqueles que me ignoram. Foi por isso que eu tive que tomar algumas providências caso você não viesse me encontrar hoje a noite, durante o baile. Eu não queria ter feito isso com você, mas você não me deixou escolhas, Christine.-ele disse, uma das mãos deslizando pelo pescoço ensangüentado dela quase como que com respeito. – Como você esperava que eu iria reagir depois de tudo aquilo que você disse, depois de te ver se agarrando por ai com aquele Malfoy?


-          Mal...Malfoy?-ela repetiu, o nome ecoando dentro da grande confusão que estava sua cabeça.


-          Sim, Anthony Malfoy. Ele parecia muito importante para você..Importante o suficiente para eu, logo eu, ser posto em segundo plano na sua vida.-a mão dele tinha descido o suficiente para apertar um de seus pulsos com força, causando-lhe dor.


-          Malfoy...Quem..é Malfoy?-ela perguntou e então ele lambeu a linha da espádua dela, fazendo-a gemer em alegria.


 


A mão que estava sobre seus olhos deslizou rapidamente para a sua cintura enquanto a outra a virava com força, prendendo-a entre os braços fortes dele. Ela só pode dar um breve vislumbre nos escuros olhos azuis dele antes de ter sua boca tomada pela dele, enquanto uma pequena parte de seu cérebro tomava nota de que estava errado sentir prazer em beijar qualquer pessoa que não tivesse tons de cinza misturado ao azul dos olhos. Tons de cores, de música..


 


-          Tom..- ela gemeu, sentindo as mãos possessivas apertarem seus seios.


 


No momento seguinte, ela estava no chão, o supercílio sangrando com a pancada da cabeça na quina da cama. Desnorteada, ela olhou para cima, sem entender o porquê de ter sido lançada tão violentamente ao chão. Ele estava parado no mesmo lugar, nem mesmo um fio de cabelo negro fora do lugar, encarando-a com os olhos escuros de ódio e desejo e nada mais do que isso. Com dificuldade, ela se pôs de pé e se sentou na cama, a cabeça doendo ainda mais por causa do machucado.


 


-          Acredito que depois de todo esses meses separados você tenha se esquecido do quanto eu detesto ser chamado por esse nome, Christine.


-          Eu não gosto do nome..que você deu a si mesmo.-ela disse, a voz incrivelmente clara, como se a batida em sua cabeça tivesse ligado algo dentro dela, mas sem realmente entender o porquê de estar dizendo aquilo.


-          Então você se lembra.-ele respondeu, ajoelhando-se em frente a ela para encará-la, uma das mãos acariciando com delicadeza  o local onde sua cabeça tinha se ferido.-Diga-me, Christine, como eu devo ser chamado?


-          Lord..Voldemort.-ela sussurrou, fechando os olhos diante da carícia.


-          Isso mesmo. Eu vou recompensá-la por ser tão esperta. Depois disso, nenhum Malfoy vai nunca mais passar pela sua mente, Christine. – com delicadeza, ele desfez o laço da fita às suas costas, beijando-lhe os ombros. - E então, com a sua ajuda, eu vou demonstrar ao mundo bruxo o quão contaminado e doente ele está. – E vou presentear a todos os que merecerem com a cura.


-          Que cura?-ela mais repetiu que perguntou, as mãos trabalhando sozinhas para livrá-lo do uniforme de Hogwarts o mais rápido possível.


-          O seu maravilhoso sangue, minha fênix.-ele respondeu, beijando-a novamente, deliciando-se com o gosto metálico dela.


 


Ela, Christine pelo o que ele dizia, sentiu-se estremecer de prazer com o beijo. Os lábios frios beijavam, apertavam, sugavam cada pedaço de pele dela que ele descobria. A forçada delicadeza desapareceu e logo ela se sentiu sendo rasgada por aquelas mãos, mordida por aqueles lábios, como se ele só fosse ficar satisfeito quando cada centímetro seu estivesse marcado por ele. Quando as pessoas olhassem pra ela e automaticamente soubessem que ela era dele. Ela só podia pertencer a ele, logicamente. Por que Christine demorara tanto tempo para perceber isso? Por que se recusara tanto como ele dissera? Ela não se lembrava de nada daquilo mas cada uma de suas células clamava pelo toque dele de uma maneira que tudo aquilo só poderia estar certo. Porém, com um toque, a bolha de felicidade em que ela estourou.


 


-          Onde está?-ela perguntou, assim que os lábios dele ficaram tempo o suficiente longe dos seus para a formulação da pergunta. Tudo o que a separava do tórax pálido, frio e limpo dele era o vestido cor de creme porque o vermelho já tinha sido arrancado do seu corpo. Mas aquele corpo era simplesmente limpo demais. – Onde está...?-ela repetiu, os dedos passeando suavemente aonde uma fina cicatriz deveria existir.


 


E então, subitamente, sua mente se clareou ao mesmo tempo que dores horríveis tomaram todo o seu corpo. Cada centímetro de suas entranhas ardiam, respirar queimava os seus pulmões e sua visão tornara-se tão embaçada como se ela estivesse tentando enxergar através de um par de óculos muito sujo. Tornou-se óbvio porque não havia nenhuma cicatriz para ser vista ou tocada: ela não estava lá afinal o garoto pálido e frio como a morte não era o mesmo que tinha caído em cima de uma grade aos seis anos de idade. Os olhos azuis escuros que analisavam o seu rosto como que esperando uma reação perigosa não tinham nenhum traço cinza que os enfeitasse; o belo rosto sobre o seu não era nem de longe tão belo quanto aquele que vivia enfeitado por um sorriso de desdém. O sonserino acima de si não era Draco Malfoy e ela não era a Christine Sutcliffe que ele queria que ela fosse. “Oh, Merda”, Hermione pensou antes de chutá-lo com força para tentar se afastar.


 


Tom Riddle pareceu acompanhar todo o raciocínio de Hermione apenas por manter os olhos no rosto dela, porque os olhos dele se arregalaram juntamente com os dela. Assim que ela o chutou na perna, o rapaz segurou ambos os seus pulsos com uma mão e sacou a varinha (dela) encostando em sua jugular.


 


-          SAIA DE CIMA DE MIM! – Hermione gritou, debatendo-se com o máximo de força que seu corpo debilitado tinha.– SAIA!


 


Riddle a ergueu pelos pulsos e a jogou pela cama, fazendo-a cair no chão à frente, com violência.


 


-          Ah, Christine, Christine. Você estava muito obediente para ser verdade, não é mesmo?-ele disse, feroz, o rosto manchado pelo sangue dela tinha se transformado em uma horrível máscara cheia de ódio.-Mas não importa. Como você consegue fazer isso? Como?-a voz de Riddle se modificou, soando interessada enquanto os olhos dele perscrutavam o sangue dela que estava nas mãos dele.


-          O que você...quer dizer com isso?-ela perguntou, enquanto tentava se levantar.


-          Fique ai.-Tom vociferou, pisando na mão quebrada de Hermione, que gritou alto de dor.- Você não entende, Christine. Você não faz nem idéia do quão poderosa você, do quão poderoso o seu sangue é. Você é capaz de grandes feitos, minha Christine. Nós, juntos, podemos fazer grandes coisas.


-          Eu não estou interessada em ter nenhum parceria com um psicótico megalomaníaco como você.-ela retrucou, tentando ignorar todas as dores e conter a tosse.


-          O que é uma pena para você, porque você não tem opção, Sutcliffe. – e Hermione soube, ao ouvir o sobrenome de Christine, que Riddle tinha chegado ao ápice da sua paciência. Ele se abaixou, a varinha sempre em punho, para encará-la à altura dos olhos, e disse, suavemente: Porque você é minha, Sutcliffe. Não importa o quanto você negue, você é minha. Não importa com quem você esteja, pra quem você se entregue, você é minha. Mesmo que você fuja e se esconda, eu vou te achar, porque você é minha. Nós somos os únicos descendentes diretos vivos de dois dos maiores bruxos que já existiram: Slytherin e Ravenclaw. E da mesma maneira que Rowena era de Salazar até mesmo depois da morte dela, você é minha.


-          Você é maluco.-Hermione murmurou, sem poder se afastar porque a lareira acesa era tudo o que tinha atrás de si.


-          Isso não quer dizer que para isso você tenha que viver, Sutcliffe. – ele continuou, suave, ignorando-a, enquanto retirava uma fina adaga prateada do bolso da calça. - Como Rowena, você continuará sendo minha mesmo depois de morta. Eu poderei usar o seu maravilhoso sangue mesmo depois que ele parar de correr nas suas veias. Na primeira vez que tivemos essa conversa, eu lhe dei a opção de ficar comigo, de vencer comigo. Mas você recusou, não é mesmo? Recusou o meu amor e resolveu se misturar com  o coitado do Malfoy, que acha que ser sangue-puro o faz superior ao mundo. Como se ser superior a meros trouxas e sangues-ruins valesse alguma coisa comparado com nós dois, herdeiros dos fundadores de Hogwarts. Ah, Christine, por que você fez todas as escolhas erradas? – e a voz dele soou tão sentida, que qualquer um que não soubesse quem Tom era, acreditaria que ele realmente estava sofrendo com tudo aquilo. Riddle levantou a adaga e Hermione, sem ter absolutamente nada a mão para se defender, fechou os olhos, esperando o golpe. - Você podia ter o mundo ao meu lado e agora..Vai apodrecer no antigo aposento de Slytherin. Afinal, você é tão dele quanto minha.


-          Se estamos aqui para reinvidicar quem tem mais ou menos direito sobre a vida dela, acho que eu também deveria ter o direito de dizer algo, Riddle.


 


Hermione abriu os olhos e viu que Draco surgira do nada ao lado de Riddle e apontava a fina espada de Anthony diretamente na jugular dele, a varinha segura na outra mão.


 


-          Malfoy.- Riddle disse, em um divertido tom de boas vindas. – Eu estava me perguntando quando você iria sair daquele canto na lareira e vir me impedir de transar e maltratar a sua ‘namorada’.


-          Fico feliz em saber que pelo menos a primeira parte você não conseguiu concluir. Agora, afaste-se dela.-Draco retrucou, sem olhar para Hermione em nenhum momento. Porém, por mais seguro que ele parecesse, o garoto estava pálido e tremia como se estivesse com frio.


-          Eu precisei fingir que ia matá-la para você se revelar. – Tom continuou em sua visível mania de ignorar qualquer interrupção em suas falas, apesar de se levantar como mandado. Ele e Draco tinham a mesma altura e o mesmo ódio nos olhos azuis. – Para você ver, Christine, o quanto você é preciosa para ele. O covarde só teve coragem de mostrar a cara quando achou que você fosse morrer.


-          Você não teria coragem de matá-la, então?- o loiro perguntou, levemente surpreso, movimentando-se com a espada e varinha de maneira a ficar entre Riddle e Hermione.


-          Coragem? Não se trata de coragem, Malfoy. Trata-se de poder e daqueles são fortes o suficiente para obtê-lo. Eu e Christine somos poderosos, muito poderosos. Juntos, somos capazes de qualquer coisa. Matá-la seria uma idiotice de minha parte a não ser que ela se recuse a se juntar a mim.


-          Bem, se eu não tiver perdido nada, era exatamente o que ela estava fazendo, não é? Recusando-se a se juntar a você.


-          Sim, mas ela é minha. Mesmo que ela se recuse, ela vai fazer exatamente o que eu quiser. Ela vai até mesmo morrer se eu assim achar necessário. E vai morrer de bom grado. – Draco deu uma pequena risada de desdém. – O que, Malfoy? Você duvida de que assim ela procederia? Você estava aqui o tempo todo, você viu tudo. Você viu o controle que eu tenho sobre ela, Malfoy, você viu o quão fácil é para ela se entregar a mim. Ou você realmente acha que foi o primeiro a se enfiar por entre as pernas de..?


-          CALE A BOCA!


 


Draco enfiou a bainha da espada com força na testa de Riddle, impedindo-o de terminar a frase. O outro cambaleou para trás, caindo atordoado na cama, enquanto Malfoy avançava sobre ele. Os dois se engalfinharam em uma estranha luta corporal em que não podiam usar nenhuma das mãos ocupadas com varinhas e armas. Riddle porém tinha aquela estranha força sobrenatural e chutou Draco no peito com os pés. O garoto literalmente saiu voando, chocando-se de costas contra o espelho no alto da lareira que se quebrou em centenas de pedaços. Ambos caíram no chão, o rapaz escondido pela enorme e pesada moldura.


 


-          DRACO!-Hermione gritou, num grito agudo de dor, forçando-se a rastejar até ele. Apenas a mão dele que segurava a espada estava visível por debaixo da moldura, mexendo-se levemente.


Não se preocupe, minha querida. Ele não tinha muita utilidade vivo de qualquer jeito, talvez sirva para alguma coisa depois de morto.-Tom disse, sentado na cama, enquanto estancava com cuidado o sangue que escorria de sua têmpora acertada pelo Malfoy.


-          Olha só..quem fala.- a voz de Draco murmurou por debaixo de toda a moldura, vidro e poeira, mexendo-se.


-          Draco...


-          Como dizem, vaso ruim não quebra.-o moreno murmurou, divertido, apesar da expressão de ódio estampada no rosto. Com um gesto da varinha, ele afastou a moldura de cima de Draco para vê-lo por inteiro, cheio de pequenos e grandes cortes vermelhos pelo corpo. Um enorme pedaço de vidro tinha afundado em sua pele bem sobre a coxa esquerda e pela quantidade de sangue que saia da corte, devia ter atingido a artéria femoral. – Não que faça muita diferença, não é Malfoy, pra quem vai sangrar até a morte em poucos minutos.


-          Seu filho da p...


-          Venha, Christine, venha ver o seu querido Malfoy sangrar até secar.-ele disse, suavemente, indo buscar Hermione que tentava debilmente chegar a Draco. Ele a pegou no colo e a resistência dela em se soltar era o equivalente a de um pequeno bebê se debatendo, o que fez Riddle rir baixinho. Ele a colocou de pé bem em frente ao loiro, abraçando-a pela cintura para que esta não caísse, enquanto mantinha a varinha e a adaga firmes em seu pescoço. – Mas você não acha que por ser idiota o suficiente por achar que pode vencer de Lord Voldemort, ele deveria receber algum tipo de prêmio, Christine? Por exemplo, ele deveria morrer com a visão do seu rosto em êxtase, não acha?


 


Riddle puxou o vestido dela até a cintura e colocou a mão fria por dentro de sua calcinha, fazendo-a gemer.


 


-          TIRE AS MÃOS DE CIMA DELA!-Draco gritou, em desepero.


-          CRUCIO!


 


O sonserino se contorceu em dor no chão, enquanto sentia as familiares milhares de facas em fogo perfurando cada centímetro de seu corpo. Ainda assim, usando o pouco de consciência que lhe restava, ele se esforçou para manter os olhos abertos e ver Hermione. Como Riddle dissera, ela estava em completo êxtase sob o toque dele. Não como estivera sob o toque de Draco; para ele, era mais como observá-la sob o efeito de algum tipo de droga alucinógena. Ele não conseguia ver nenhum traço de Hermione por debaixo daqueles olhos castanhos anuviados e desfocados. Riddle, por sua vez, sussurrava algo no ouvido da garota, enquanto mantinha os olhos escuros no sofrimento do loiro. Por causa dos gritos dele de dor e dos gemidos dela de prazer, era impossível entender o que o futuro Voldemort estava dizendo. Então, numa última tentativa de tentar se manter lúcido em meio a dor, Draco murmurou, sentindo lágrima escorrerem pelo seu rosto:


 


-          Hermione, me desculpe.


 


E então sob o seu olhar a garota mudou novamente. Os olhos castanhos, escuros de desejo, começaram a clarear e irradiar um brilho dourado parecido com o do fraco fogo aceso na lareira atrás dele. Os cabelos daquele castanho escuro que Draco tanto amava, desgrenhados e sujos, tornaram-se, em um piscar de olhos, intensamente ruivos.


 


Riddle se moveu, retirando a mão esquerda do meio das pernas dela e a direita de seu pescoço, ficando em frente a ela, impedindo o outro de vê-la. Estava tão atônito que nem mesmo percebeu quando a maldição Cruciatus foi cancelada e Draco respirou livre da dor. Estava acontecendo, finalmente estava acontecendo sob os olhos dele.


 


-          Rowena..


 


Hermione levantou os olhos e encarou Riddle como se estivesse se dando conta só naquele momento que ele estava diante dela. Lentamente, ela se afastou dele, andando para o lado, entrando novamente no campo visual de Draco.


 


-          Her...Mione?-o loiro murmurou, usando a espada de Anthony como apoio para se levantar, ignorando-a o latejar e sangramento da perna ferida. Sendo observado por ela, ele arrancou o longo pedaço de vidro da coxa deixando mais sangue escorrer pela ferida.


 


Riddle, por sua vez, parecia ter se esquecido totalmente da existência do outro garoto. O rosto dele estava contorcido em um sorriso maníaco e seus olhos estavam completamente vidrados em Hermione.


 


-          Rowena, sou eu.-ele disse, chamando a atenção dela para si. – Você não está me reconhecendo, minha fênix?


 


Hermione apenas o encarou, com curiosidade, sem dizer nada. Então, estendeu a mão direita, lentamente, observando o movimento do próprio braço trêmulo e pálido, como se ele lhe fosse totalmente novo. Com um gesto, o pedaço de espelho que estivera atravessado na perna de Draco voou diretamente para a mão dela, sob o olhar surpreso do mesmo e o satisfeito de Riddle. Hermione, alheia aos dois, levantou o pedaço de espelho ensangüentado e o limpou com a mão esquerda para ver seu reflexo. O rosto delicado, pálido e sujo de sangue seco a assustou e ela soltou o pedaço no chão, quebrando-o em minúsculos cacos. Hermione começou a respirar rápido, trêmula, completamente apavorada. Estava hiperventilando.


 


Draco se levantou, utilizando a espada como muleta, e andou com dificuldade até ela.


 


-          Hermione, Hermione, fique calma. Fique calma, meu amor. Hermione!


 


Ele tentou segurá-la pela mão mas a garota o repudiou, com uma força enorme, uma expressão de susto e confusão no rosto que ele nunca tinha visto. Hermione não se parecia nem um pouco com si mesma, Draco não conseguia encontrá-la dentro dos olhos dourados.


 


-          Seu estúpido, Christine não está ai.-Riddle disse, também se aproximando dela, com muito mais cautela e reverência, sem se importar com o fato de Draco ter chamado ‘Christine’ de ‘Hermione’. – Não é mesmo Rowena, querida.


-          Eu...-ela murmurou para o loiro, ignorando Tom. – Eu me lembro de ti..Mas, eu não te conheço.


-          Sou eu, Hermione, Draco.


-          Draco?-ela repetiu, analisando o rosto e o corpo dele, como se tentasse se lembrar. Seus olhos caíram sobre a espada que ele segurava e voltaram para o rosto dele, olhos e cabelos.


-          Ela não vai te reconhecer, Malfoy. Vá morrer quieto no seu canto.-Riddle disse, colocando-se em frente à Hermione.


-          Slytherin.-a garota murmurou, olhando para os cabelos e olhos de Riddle.


-          Isso mesmo, minha querida. Você finalmente, finalmente, veio ao meu encontro.-ele sorriu, deixando o seu rosto também sujo extremamente feio.


-          Slytherin errado.-ela disse, a mandíbula repentinamente dura.


 


Nem Draco nem Riddle viram quando Hermione puxou a espada da mão de Draco e a atravessou no ventre do último. Os dois só se deram conta de que algo estava errado quando ambos estavam no chão, sangrando. Hermione lançou-se sobre Tom, a voz transtornada em ódio:


 


-          Quantas vezes eu vou ter que te condenar ao inferno até que tu aprendas a não sair de lá? – ela disse, apoiando todo o peso do corpo sobre a espada.


-          Mal..di...ta.-o moreno murmurou, sangue escorrendo por sua boca enquanto os seus próprios olhos brilhavam numa estranha cor vermelho.


-          MORRA.


 


Hermione gritou e afundou as mãos nos cabelos negros de Riddle que começou a gritar e se debater como se um Crucio tivesse sido lançado. Ela também começou a gritar, alucinada e Draco observou, boquiaberto, a pele de Riddle transformar-se de pálida em cinza escura e esfarelar nas mãos da garota. O rapaz soltou um último grito de agonia, levantando as mãos que se desfaziam para tentar enforcar Hermione, antes de desabar completamente sob ela em um monte de cinzas escurecidas. A espada de Anthony, sem nada mais para se prender, caiu para o lado com um intrépido.


 


O silêncio que se seguiu ao grito era ensurdecedor.


 


-          Hermione?-Draco chamou, caído ao lado dela, incapaz de ver seu rosto em meio da cortina de cabelos vermelhos como fogo.


 


Ela levantou a cabeça lentamente e olhou para ele. Os olhos estavam completamente negros e brilhantes, contrastando terrivelmente com a pele pálida e os cabelos ruivos. As bochechas estavam marcadas com três linhas riscadas, como feitas pelas garras de uma ave, mas a pele não se rompera debaixo delas. Outras linhas tinham aparecido nos braços e nas mãos da garota.


 


-          Hermione, sou eu. Hermione, por favor, volte pra mim.-ele murmurou, chorando, ao ver aquela pessoa desconhecida com o rosto de Hermione a sua frente.


-          Slytherin certo.-ela disse em resposta, apanhando a espada a sua frente e se ajoelhando ao lado dele. Com a mão livre, ela acariciou o rosto dele, levemente, encarando-o com os grandes olhos negros. – Por favor, quando a minha menina voltar, diga a ela para me perdoar. E tu, pobre de tu, seja forte para quando ela precisar cumprir o triste destino das Ravenclaw e se juntar a mim.


 


E então, com um sorriso doce, ela levantou os braços e fincou a espada de Anthony no próprio ventre, caindo para trás.


 


-          NÃO! – Draco gritou, retirando a espada de Hermione e a jogando longe. – NÃO! Hermione, não...Hermione!


 


Ele a puxou para seu colo, ignorando a perna ferida, e a abraçou com força, enterrando o rosto na curva macia e fria do pescoço dela. Draco não conseguiu sentir nenhum pulso por ele.


 


-          Hermione, Hermione..Acorde, meu amor, acorde. Hermione, não me deixe.-ele pediu, chorando, segurando o corpo gelado em seus braços, aspirando o perfume doce de canela emanando de seus cabelos vermelhos. A única coisa quente que havia para sentir era o sangue que vazava pela ferida no ventre dela. – Hermione, não me deixe. Acorde, por favor...Ah, me desculpe, me desculpe por não ter conseguido, por..


 


‘Draco’. O loiro subiu o rosto para encarar a menina, que tinha reaberto os olhos. Os lindos olhos castanhos  que ele tanto amava.


 


-          Hermione, graças a Merlin.


 


‘Draco’. Hermione sorria, os olhos de volta a cor normal analisando cada pedaço do rosto acima de si. Mas a boca dela não se moveu quando o sonserino ouviu a voz dela novamente dentro de sua cabeça. ‘Acabou, Draco. Ele está morto, acabou.’


 


-          Hermione, me desculpe. Eu devia ter agido antes mas eu fiquei paralisado quando eu vi Riddle com aquelas mãos em cima de você e você..


 


‘Me desculpe.’ E lágrimas também rolaram pelo rosto dela, se misturando as de Draco. ‘Eu não estava sob o controle de mim mesma, eu..’


 


‘Eu sei.’ Draco pensou em resposta, colando a testa na dela, os lábios no dela, respirando o ar ruidoso que ela soltava pelo nariz. ‘Eu sei, eu sei, eu que fui estúpido em não ter reagido antes. Eu fui covarde. A culpa é minha por você estar assim agora.


 


‘É claro que não, Draco. A culpa não é de ninguém. Você não foi covar..’


 


‘Sim, eu fui. Nós dois vamos sangrar até a morte nesse buraco por minha culpa.’


 


‘Não, nós não vamos.’A voz de Hermione soou brava e as sobrancelhas dela se juntaram em desagrado. ‘Você não vai. Você vai se levantar e voltar lá pra cima, para a enferma..’.


 


-          E deixar você AQUI? Enlouqueceu, Granger?- Draco bufou, em voz alta, e o rosto da menina se contorceu em um sorriso enquanto ela ria mentalmente dele.


 


‘Granger? Eu pensei que era o seu amor, que você não queria que eu lhe deixasse e...’


 


‘Só porque eu amo você não quer dizer que eu tenha que concordar com as suas loucuras virtuosas grifinórias! Não desista, Hermione! Você NÃO pode desistir. O que eu vou fazer sem você? O que eu vou fazer se eu perder você?’


 


‘Mas eu não vou deixar você, seu imbecil. Draco, você se esqueceu do que conversamos hoje de manhã? De que não tinha como você me perder, de quem não tem como nós nos perdermos? Ou você acha que eu conseguiria me virar sem você?’


 


‘Hermione, você está muito mais ferida do que eu. Você foi envenenada, está sangrando por todos os lados. Aquela criatura estranha do Riddle deixou essa sala no mínimo uns dez graus negativos. Você está gelada como a morte! Como você pode me pedir para ir cuidar da minha perna e te deixar sozinha aqui nesse estado? Você vai estar morta quando chegarem aqui pra lhe buscar.’


 


‘Eu vou ficar bem, Draco. Você não está escutando, não está vendo? Eu não estou sozinha.’


 


Draco levantou a cabeça, confuso, sem entender o que ela queria dizer. Hermione sorriu e virou a cabeça com dificuldade para o outro lado, para o completo vazio.


 


‘Você não consegue ver? Ao menos tente escutar.’


 


O sonserino aguçou os ouvidos para o silêncio. Lentamente, ele começou a captar algo. Um canto, longo, belo e nostálgico, tão belo como ele nunca tinha ouvido.


 


‘Fênix.’ Hermione murmurou em sua cabeça e ele voltou a olhá-la, notando que seus olhos castanhos tinham voltado a brilhar daquele jeito dourado estranho e bonito.


 


‘Hermione..’


 


‘Viu? Eu não estou sozinha. E, enquanto você for cuidado, enquanto você estiver se recuperando, eu vou ficar bem e protegida. Eu não vou ficar sozinha.’ E Draco viu com medo que ela não tinha retirado o olhar do vazio ao lado e que a voz dela, mesmo em sua cabeça, estava ficando mais fraca.


 


-          Hermione? Hermione, olhe para mim! Hermione! – Draco disse, virando o rosto dela para ele, tentando chamar a atenção dela para si. – Você não está sozinha porque você está comigo. Entendeu, comigo?


 


‘Draco, por favor..Vá. Eu vou ficar..Bem.’


 


-          Não, NÃO VAI! Hermione? Olhe para mim, HERMIONE! – Draco gritou, desesperado, ao vê-la fechando os olhos . – NÃO! HERMIONE, ABRA OS OLHOS, ABRA OS OLHOS! VOCÊ NÃO PODE ME DEIXAR! Hermione..


 


Mas ela não abriu os olhos, mesmo quando Draco parou de gritar e começou a pedir em tom baixo. Nem mesmo quando ele começou a sussurrar ou quando começou apenas a pensar. Hermione não reagiu quando ele tentou ficar de pé com ela no colo e caiu com dor e vertigem. Ela não reagiu quando ele desistiu de fazer força e se deitou ao lado dela, sem forças e pálido. Ninguém viu quando ela, aparentemente sem consciência, buscou a mão fria dele para entrelaçar na sua. E quando finalmente a ajuda chegou, encontrou os dois envoltos em uma poça enorme de sangue.  


 


 N/A [2]: Eu prometo que esse é o último capítulo que a Hermione termina desacordada e ensanguentada, ok? Chega de carnificina nessa fic. Ah, eu AMO a Agatha e o Ron juntos. S2

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Comentários: 9

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Enviado por Any Malfoy em 10/06/2012

cade o próximo capitulo??
já até esqueci da história da fic,
vo começar a ler de novo, então ve se continua please!! 

Nota: 1

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Enviado por Jade Moreira em 02/06/2012

OOOOOOOOOOOi eu sou nova aqui mas eu amei a sua fic ela é linda eu mim apaixonei com ela serio qdo é q vc vai postar o proximo capitulo eu estou super curiosa para ver o q vai acontecer com eles kkkkkkkkk =))))))))))))))))))))) thau ate o proximo capitulo por favor não demore kkkkkk =)))

Nota: 5

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Enviado por Talita L.S em 15/05/2012

não faz isso comigo, como vc acaba um capitulo assim ???
eu vo te um infarto desse geito
POSTA LOGO  

Nota: 1

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Enviado por Iasmim Costa em 29/01/2012

COMO ASSIM? COMO VOCÊ TERMINA O CAPÍTULO ASSIM? COMO?! COMO?! COMO NOS DEIXA ASSIM DESESPERADOS?! PELO AMOR DE DEUS POST LOGO OUTRO CAPÍTULO!

Nota: 5

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Enviado por Tonks Fenix em 16/12/2011

PRECISO DE MAIS!!!

sério, como parar numa parte dessas? preciso muito de cap novo!

Muita inspiração pra ti!

Nota: 5

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Enviado por Carla Jean Malfoy em 13/10/2011

poza to curiosa,posta logo o proximo capitulo  ): espero que não tenha abandonado a fic 

Nota: 1

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Enviado por Morgana Granger Malfoy em 15/09/2011

ooi, leitora nova aqui :) AI MEU DEUS! COMO VOCÊ TERMINA O CAPÍTULO DESSE JEITO ? NÃO TEM MEDO DA MORTE NÃO ? /kk' parei.  aah, você quer me matar ? ou quer que eu mande uma maldição imperdoável em você ? '-' Isso não é coisa que se faça! :@  Ai, eu realmente adoro sua fic, ela é exelente, linda, emocionate, divertida e perfeita.. *-* Estou viciada! Mas, por MERLIN, posta loogo vai ?  -cry. Eu estou esperando anciosa por isso, e obrigada por fazer um fic tão incrivel assim :)  (espero que você faça muuuuitas)  beijo :*

Nota: 5

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Enviado por Carolina Curty em 12/08/2011

meu deus, eu quero maaaaaaaaaaaais. nao aguento esperar pro proximo capitulo D: ah, e eu amo os casais da fic: draco e hermione, ron e aghata, harry e gina(seria um quase casal ne ?kkkk ). parabens mesmo pela fic, eu to viciada! ansiosa demais pro proximo capitulo, posta mais, rapidinho heim?!

Nota: 5

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Enviado por Leaysa em 31/07/2011

OMG!!! Fiquei sem ar agora... Como vc termina um capítulo assim?!?!?!?! Meu coração tá apertado pensando na Mione e no Draco... :S
Fiquei meio perdida nesse capitulo, vou reler os anteriores...
Nhai... Tava com saudades desse Draco tão maravilhoso!!!! *.*
Beijosss, Nath!!!!

PS.: Aguardando ansiosamente o próximo capitulo (como sempre) ^^

Nota: 5

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