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25. Pedaço de Céu


Fic: Obsessão Por Você - AVISO POSTADO!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/A: Oi, galerinha amada! Esse N/A é só pra dizer oi mesmo, tudo o que eu tenho para falar está lá no fim do cap..Cap CHEIO de romance para vocês!!

Boa leitura!

Cap.24: Pedaço de Céu

- E então, ele a matou.-Hermione falou, de cabeça baixa, olhando fixamente para a boneca de porcelana de Christine em suas mãos. O cabelo castanho escondia seu rosto triste dos jovens a sua volta, e eles não viram uma lágrima solitária escorrer pelo lado direito de seu rosto.
- Sinto muito, Mi.-Rony disse, apertando a mão direita da amiga com força.

Hermione secou ó rastro da lágrima com a mão esquerda e levantou o rosto, com um sorriso doce no rosto para o ruivo que tinha ido se sentar ao seu lado, devolvendo-lhe o aperto. Em seguida, ela olhou para Gina e Harry, à sua frente. A ruiva sorriu-lhe consternada e pôs a mão em cima da do irmão, enquanto o menino-que-sobreviveu contentou-se em lançar-lhe um olhar de carinho. O olhar dela passou para Agatha que estava ajoelhada entre ele e Draco, fechando o círculo. A mão da sonserina pousava no ombro de Malfoy, mas seus olhos azul-escuros estavam grudados em Hermione, consternados.

- Obrigada, Ron.-ela agradeceu, voltando sua atenção para o ruivo. Simplesmente pulou o rosto de Draco, sabendo que não suportaria a expressão triste e preocupada no rosto dele sem recomeçar a chorar.
- Essa foi a última visão que tivemos.-Draco declarou ao outros, o braço direito abraçando a namorada pelos ombros de maneira firme.-Tudo ficou negro em seguida e voltamos para cá.
- Nossa! Eu nunca li ou ouvi falar de algo parecido.–Agatha falou, com um leve suspiro.-Vocês tiveram vinte e uma visões presenciais seguidas!
- Mesmo não entendendo nada sobre isso, acho que vinte e uma é um número bem grande.-Harry concordou, com os olhos verdes arregalados por trás da armação dos óculos.
- E como você está se sentindo, Hermione?-Ginny perguntou, preocupada.
- Como você acha que ela está se sentindo, Gina? Feliz?-Ron retrucou, escandalizado.
- Não estou dizendo emocionalmente, Ronald.-a irmã retrucou, irritada.-Quero dizer fisicamente. Hermione, como Agatha mesmo disse vocês passaram por muitas visões, e as últimas foram especialmente dolorosas. Você por acaso está sentindo algum tipo de dor?
- É claro, Gina tem toda razão.-a morena completou, surpresa pelo fato de não ter pensado naquilo antes.-Visões presenciais deixam traços no organismo de quem as teve quando muito intensas.
- Bom, o que eu posso lhes dizer é que...-Mione falou, com um ligeiro sorriso no rosto.-..É que agora eu sei o que minha mãe passou para que eu nascesse.
- Imagine mamãe com Fred e Jorge dentro dela...-Rony murmurou para si mesmo, sem deixar de provocar uma risada triste em Hermione, um revirar de olhos irritado em Gina e um sorriso carinhoso em Agatha.
- Rony, poupe-nos.-Ginny pediu.
- Hermione, é sério, você está ou não com dores?-foi a vez de Harry perguntar, sério.-Além de toda a dor do parto, você também foi agredida, recebeu Cruciatus e tudo o mais
- Escutem, todos vocês.-a menina falou, firme.-Eu estou bem. Um pouco dolorida, admito.-ela completou com pressa ao ver as caras de descrença dos amigos.-Mas nada tão preocupante que me faça querer ir para a Ala Hospitalar, por exemplo.
- Tem certeza?-o sonserino ao seu lado questionou, pegando o rosto dela com uma das mãos e obrigando-a a olha-lo nos olhos.

A preocupação e a tristeza de Draco doeram fundo na garota quando os olhos dos dois se encontraram. Estava vendo na sua frente exatamente o que estava evitando ver nos últimos minutos e, contra a sua vontade, mostrando tudo o que estava sentindo ao sonserino ao mesmo tempo. Hermione soube no momento, no exato segundo em que pousou os olhos castanhos nos azuis dele que Draco sabia exatamente a extensão da dor física que ela estava sentindo como se ele mesmo pudesse senti-la. Durante o Cruciatus na visão ela tivera a sensação de estar sendo atravessada por facas e queimada viva, agora Mione sentia cada uma das facas presas em seu corpo, cada parte de sua pele ardendo, como se estivesse em carne viva. Uma dor horrível, que a cada minuto diminuía apenas o suficiente para que ela conseguisse suporta-la. E enquanto Hermione dava-se conta disso, Draco dava-se conta do quanto a garota à sua frente estava se fazendo de forte. Por um breve instante, ele quase pode ouvir sua voz dizendo: “Não fale nada, para não preocupa-los ainda mais.” A sua própria consciência respondeu, desesperado: “Deixe-me cuidar de você, Hermione. Você não precisa se fazer de forte agora.” Os olhos de Hermione piscaram lentamente, como se dissessem “depois” e Draco balançou a cabeça em afirmativa, concordando.

- Tenho.-ela falou, sorrindo para o loiro.
- Se você diz...-Draco suspirou,soltando o rosto dela e virando-se para os outros.-Acho que o melhor é voltarmos a analisar as teorias que temos.
- Bom, com tudo o que vocês viram, mais a marca de fênix que Mione têm nas costas e a semelhança dela com Christine não restam dúvidas de que ela é mesmo uma Sutcliffe.-Gina sentenciou, gesticulando.-Certo, Hermione? Agora você concorda, não é?
- Concordo. Nem tem como discordar, meu pai realmente se chama Luca e a casa em que Anthony o deixou é a casa onde meus avós vivem até hoje. Então...-a grifinória respondeu, balançando os ombros.
- Então, segundo os sobrenomes, você é, na verdade, uma Malfoy.-Draco completou, um sorriso radiante no rosto.-Priminha.-ele completou e Agatha riu.

Hermione contentou-se em rolar os olhos com impaciência, mexer-se da onde estava para agredir o namorado lhe causaria dor.

- Não se preocupe, Mi, essa notícia nos deixa tão chateadas quanto a você.-Harry disse, recebendo murmúrios de aprovação de Rony.-Mas não tanto quanto me deixa irritado pro saber que Voldemort destruiu mais uma família.-a voz do grifinório deixava bem claro a raiva que sentia naquele momento.-E Christine nada fez para impedir o que aconteceu, mesmo tendo visto tudo.
- Talvez as coisas devessem ter ocorrido da maneira como ocorreram.-Agatha falou.-Sabemos que Christine tinha visto tudo o que aconteceria, com detalhes, e se preparou da melhor maneira possível antes de ser morta.
- Eu concordo com Potter.-Malfoy falou, e ele também estava com raiva.-E daí se ela se preparou, Agatha? Ela podia ter feito as coisas diferentes...Meu avô deveria ter feito as coisas de maneira diferente! Ele simplesmente aceitou se casar com alguém que não era Christine, depois aceitou que ela se escondesse enquanto estava grávida e por fim, aceitou que ela morresse e entregou o filho nas mãos de uma família totalmente desconhecida só porque Christine disse que era isso que eles tinham que fazer!
- Bem no estilo covarde que vocês Malfoy têm!-Ron juntou-se à conversa, irritado.
- Draco, não se revolte com seu avô!-Hermione disse, numa voz gentil.- Você está interpretando as coisas de maneira errada.
- Todos vocês estão.-Agatha concordou.
- Chris só fez tudo o que fez, só aceitou morrer da maneira que morreu para manter todas as pessoas que ela amava a salvo de Voldemort.-Gina explicou.
- A idéia que ela fazia de proteção era totalmente louca. Meu avô...-Draco recomeçou, mas Hermione o cortou.
- Draco, tente entender que...Merlin, o que vocês três queriam que Christine fizesse? Anthony tinha se casado, só para satisfazer a própria família mas os dois não conseguiam ficar longe um do outro. Eu tenho certeza que Chris até tentaria se afastar dele se ela já não tivesse conhecimento de todo o futuro que a aguardava. Ela já sabia mais ou menos o que ia acontecer desde seu último ano em Hogwarts.
- Exato. Por isso ela procurou Dumbledore.-a sonserina concordou.
- Isso mesmo, deixou-o de aviso porque ela sabia que Dumbledore sempre estaria aqui, em Hogwarts, e era a pessoa indicada para explicar sabe-se Merlin o quê para Anthony e depois para mim e para você, Draco. Na época em que ela se formou ela podia não saber todos os detalhes, mas ela sabia que morreria. Sabia que uma hora ou outra Riddle voltaria para fazer o que ele não tinha conseguido fazer antes: mata-la. E ela tinha que deixar alguém de sobreaviso.
- Mas por que ela não pediu ajuda de alguém em vez de assumir toda a responsabilidade nas costas e formular um plano suicida, Hermione?-Rony perguntou, exasperado.
- Melhor, por que ela não evitou engravidar pra início de conversa?-o loiro acompanhou o ruivo nas perguntas.
- Porque ela sabia da existência da existência de vocês dois!-a Weasley caçula respondeu e todos os garotos ficaram quietos por um instante.
- Draco, se Chris não engravidasse, como é que eu nasceria depois?-Mione perguntou, achando ligeiramente divertido a expressão do sonserino.
- E se ela não morresse, como é que o seu avô ia resolver ter uma vida de casado com a sua avó para ter o seu pai e, consequemente, você?-Agatha perguntou, como se falasse com uma criança de cinco anos de idade.
- E também não está em nosso poder julgar ou não o que Christine fez na situação em que estamos. O que está feito, está feito. Voldemort conseguiu mata-la no fim das contas, mas ela manteve o filho que teve com Tony em segredo e, por isso, até hoje ele não veio atrás de mim querendo se vingar.-Hermione disse no seu tom de quem queria terminar com toda aquela polêmica.
- Mas, pelo jeito, de alguma forma ele descobriu que você existe e está atrás de você agora.-Rony retrucou, fazendo uma ligeira careta.-De vocês dois.
- Não, não está.-o loiro falou, ainda decepcionado com o avô.-Afinal de contas, o Lord das Trevas nos trata como se fôssemos Chris e Tony e não como Draco e Hermione.
- Pode ser uma jogada dele, não pode?-Agatha perguntou, pensando.-Talvez ele realmente tenha descoberto que Christine o enganou no passado e como não pode se vingar de Anthony porque ele já morreu, resolveu vir atrás de vocês. E talvez pegar Potter com o mesmo golpe.
- Mas então não é ele que está fazendo todas essas coisas com Hermione e Malfoy. Não teria como Voldemort estar dentro de Hogwarts, como ter entrado. Eu saberia se ele estivesse aqui.-Harry disse, balançando a cabeça em negativa, enquanto indicava a cicatriz em sua testa com o dedo.
- Eu também não acho que seja o Voldemort em pessoa que esteja aqui dentro.-Gina concordou.-E nem acho que ele saiba da existência da Hermione também.
- Eu concordo com Gina. Na verdade, tenho uma teoria sobre o que pode ser.-a grifinória disse, determinada.
- E qual é?-Draco e Agatha perguntaram ao mesmo tempo.
- Bom, na verdade, eu estava pensando em como foi a primeira aparição de Riddle aqui. Já falamos disso essa noite, quando uma lembrança dele deixada em um diário foi quase revivida por completo pela Gina, no nosso segundo ano. Quando aquela lembrança tinha sido criada, o objetivo de Riddle nessa escola era atacar os nascidos-trouxa com o basilisco que tinha na Câmara Secreta e quando Ginny começou a falar com ele pelo diário, o objetivo dele era o mesmo.
- Como se a lembrança tivesse sido congelada com esse desejo?-a sonserina perguntou, o tom em sua voz dando a entender que ela estava acompanhando o que Hermione dizia.
- Exatamente. Harry, você não se lembra que quando contou tudo o que aconteceu lá na Câmara a mim e Ron, Riddle te disse que o objetivo dele tinha mudado depois que Gina tinha contado a ele tudo sobre você? O fato de como você tinha derrotado Voldemort tendo apenas um ano de idade? Riddle só se interessou pela história porque, naquela época, ele já se auto denominava Lord Voldemort, certo?
- Ah, sim. Ele não gostava do nome do pai.-Harry respondeu, intrigado.-Desculpe, Hermione, mas eu não entendi onde você quer chegar com isso.
- A lembrança que Riddle criou e pôs no tal diário não sabia nada de você porque você fazia parte de um futuro que ele não conhecia.-foi Agatha quem explicou, um sorriso esperto no rosto claro.
- O que impede de que o Riddle que está perseguindo a mim e a Draco também não seja uma lembrança? Criada logo depois da que habitava naquele diário?-a menina sorriu de volta a Agatha e depois olhou para Gina.

A ruiva estava pensativa, mas logo sorriu também. Ela abriu a boca para falar, mas Draco foi mais rápido e disse:

- O que impediria o Riddle da lembrança de saber quem somos ou quem Potter é..E se ela tivesse sido criada em um momento em que o verdadeiro Riddle estivesse obcecado por Christine, as idéias ficariam congeladas até serem revividas de alguma forma, por alguém, como a Weasley fez antes.
- Exato, e a lembrança faria exatamente as mesmas coisas que o Riddle real fez à Christine e ao Anthony. Hermione, você é um gênio!-Gina finalizou, com um sorriso enorme.-Como não pensamos nisso antes?
- Esperem um instante.-Rony falou pela primeira vez, e ele tinha uma careta de compreensão no rosto misturada à confusão.-Se Hermione estiver certa, e deve estar como sempre,-a menina sorriu para o ruivo, grata-quem teria revivido esse novo Riddle-lembrança? Da última vez foi a Ginny, escrevendo no diário...
- Harry também escreveu.-a ruiva retrucou, não gostando de levar toda a culpa sobre ela.
- Mas foi você que deu forças pra ele. Quem foi que quase morreu pro cara virar gente de carne e osso?-Ron retrucou, apertando a bochecha da garota.-Como eu estava dizendo, se da última vez a lembrança precisou pegar as forças de alguém para ficar forte o suficiente para aparecer, então precisaria disso dessa vez também.
- Mas isso não é algo difícil de se conseguir. Como da última vez, um aluno poderia ter trazido algo de Voldemort aqui pra dentro e revivido a lembrança durante esses meses.-Draco considerou.-Eu não sou o único filho de Comensal aqui de dentro, sabe?
- Mas com que objetivo algo desse tipo entraria aqui se da primeira vez não deu certo?-Ryme questionou.-Poderia ser o diário outra vez?
- Não. Eu o destruiu com o veneno de basilisco no segundo ano.-Harry negou novamente.-Deve ser outra coisa, não o diário. E eu também não vejo nenhum objetivo se a pessoa que reviveu ou está revivendo essa lembrança não tiver contado a ela sobre mim. Tirando que Voldemort não é tão burro a ponto de cometer um mesmo erro duas vezes, creio eu.
- Mas a teoria de Mione é muito boa pra ser descartada.-Malfoy lembrou, olhando para a garota ao seu lado com um certo orgulho.
- É a única explicação plausível para as coisas estarem se repetindo.-Hermione confirmou, gesticulando.-E também, sabemos agora que Dumbledore sabe de tudo o que está acontecendo conosco.
- Sabe tão bem que tem nos olhado de maneira estranha desde que começamos a andar juntos.
- Não é de maneira estranha. É de maneira...Carinhosa.-a garota finalmente percebeu, ao lembrar-se da expressão em que o velho diretor olhava para eles.-Aposto que Dumbledore está feliz por ver quer as coisas estão acontecendo exatamente da mesma maneira que Christine disse a ele que aconteceria. E, aposto que se fosse Voldemort em pessoa que estivesse atrás de nós neste momento ele já teria feito alguma coisa a respeito.
- Mas Riddle, mesmo em forma de lembrança, não é nada inofensivo.-Ginny retrucou.
- Talvez Dumbledore esteja ficando gagá de vez.-a morena disse e todos os grifinórios presentes na sala perceberam que, pelo jeito, todos os sonserinos achavam que o diretor de Hogwarts era um velhinho esclerosado.
- Esteja ficando, Agatha? Se ele realmente não fez nada a respeito, mesmo estando naquele salão quando aquela cobra de magia negra quase matou a mim e a Hermione, e sabendo tudo o que estamos passando, então ele já é gagá a muito tempo.-o loiro corrigiu a amiga, ignorando o alto murmúrio de insatisfação vindo dos outros quatro.
- Vocês sonserinos não têm jeito.-Rony lamentou e Agatha sorriu carinhosamente para ele de novo, abertamente.
- E quem foi disse que Dumbledore não está fazendo nada?-Mione questionou, chamando a atenção de todos.
- O que você sabe que ainda não contou, Hermione?-Harry perguntou a ela, curioso.

Rapidamente, Hermione relatou aos outro cinco o que tinha ouvido da conversa entre Dumbledore e Snape na noite anterior, enquanto estava na ala hospitalar, mostrando a eles as marcas de picadas de agulha no braço direito, da onde o professor de Poções tinha retirado sangue dela durante intervalos durante toda a noite.

- Então foi isso que Snape queria quando me pediu para entregar a poção que Madame Pomfrey tinha te dado para o seu resfriado?-Draco questionou ao fim do relato, surpreso.
- Sim. Dumbledore pediu para ele fazer isso. Pelo tom da voz dele, ele tinha quase certeza de que havia algo dentro daquele frasco preocupante.-a grifinória confirmou.
- Alguma coisa perigosa que está dentro do seu corpo. Senão Snape não teria feito tantos exames nem tirado tanto sangue de você para análise.- a Weasley ponderou.-O que você acha que pode ser, Harry?
- Não sei...Espera...Malfoy, na visão que vocês tiveram em que a Christine já tinha sido atacada, aquela em que Dumbledore dizia pra você – ou pro Anthony, tanto faz – que teriam que transferi-la para o St. Mungus para que ela pudesse sobreviver...
- Claro, veneno!-Agatha, Hermione, Rony, Draco e Gina exclamaram juntos.
- Dumbledore disse a Alex, o avô de vocês dois, que Christine tinha que ser levada porque mais da metade dos órgãos dela estavam morrendo por causa da ação de um veneno que Riddle tinha dado a ela.-Draco explicou, excitado.
- Mas foi Riddle quem deu o veneno a ela.-Mione retrucou.-Vocês acham que Madame Pomfrey botou um veneno misturado àquela poção para gripe para ir me envenenando a prestação?
- O que mais justificaria a sua doença que não sara nunca?-o loiro perguntou a ela, a excitação deixando-o totalmente.-Os seus vômitos, o sangue, as dores de estômago...Christine também passou a tossir sangue depois de um tempo também.
- Isso quer dizer que ela também foi sendo envenenada aos poucos.-Harry ponderou.-Mas, se isso for mesmo verdade, se...Hermione, se você tiver sido envenenada todo esse tempo...
- COMO O SNAPE TE LIBEROU DA ENFERMARIA??-foi Rony que gritou, raivoso, levantando do chão.
- Exatamente!-Draco concordou com o ruivo, levantando-se também.-Você vai voltar pra lá AGORA enquanto alguém vai chamar aquele velho imbecil do Dumbledore pra saber se ele acha graça em te deixar por aí CORRENDO RISCO DE VIDA!

Todos os outros já tinham levantado enquanto Draco falava, com o mesmo tipo de indignação na voz. Hermione levantou-se, ignorando as dores no corpo, e gritou mais alto que todos:

- WOW! VOCÊS QUEREM CALAR A BOCA, POR FAVOR?
- Mas, HERM...-agora era Gina quem falava.
- Mas, Hermione, COISA NENHUMA! Vocês realmente acham que se eu estivesse prestes a morrer eu estaria aqui e não na enfermaria? Snape é um idiota mas é um mestre de Poções inacreditável! Se tinha algo de errado com a poção que Madame Pomfrey me deu, ele teria descoberto antes do entardecer, teria avisado Dumbledore e nesse momento eu estaria a caminho do hospital! Tirando que eu duvido que uma mulher que é enfermeira de Hogwarts a ANOS faria uma coisa dessas comigo!
- Com certeza não faria se estivesse sã, mas a mulher SUMIU, Hermione!-Agatha disse, e os olhos azuis dela transbordavam em preocupação para a grifinória à sua frente. A morena pegou nas mãos da outra e continuou-Esqueceu-se do que estávamos discutindo antes de vocês terem as visões? Quando vocês falaram de Pomfrey ter atacado vocês com um vidro de Amortentia? Uma poção PROIBIDA? Ela, com certeza, não estava sã naquele momento...
- Ainda assim...-Mione tentou de novo, mas foi interrompida por Ron.
- A mulher SUMIU, Mione! Você ouviu bem? ELA SUMIU e ninguém que contar pra gente o que aconteceu com ela!! E se, sei lá, ela tiver pirado ou...Ou...-o ruivo foi ficando vermelho, sem conseguir pensar em nada pra dizer.
- Estiver sendo controlada pelo Riddle da mesma maneira como eu fui controlada por ele no meu primeiro ano?-Gina perguntou, tão vermelha como o irmão.-E Dumbledore percebeu isso enquanto a escola estava vazia e a tirou de perto dos outros, para controla-la?
- Mas Snape me liberou, vocês não vêem? À noite, o próprio Dumbledore disse a ele quando ele perguntou o que faria comigo: “Libere-a. O Baile de Natal é daqui pouco menos de dois dias, e ela deve, como todas as garotas da idade dela, preparar-se para ele com maestria.”-Hermione repetiu palavra por palavra, sentando-se no divã.
- Mas, Mi...-Ron choramingou, sentando-se ao lado dela.

Em meio segundo, todos tinham voltando a mesma posição que estavam antes, com a diferença de que Hermione, Draco e Rony estavam no divã enquanto Harry, Agatha e Gina ajoelharam-se no chão.

- Rony, escute. Snape sugeriu a Dumbledore para me deixar protegida, porque da última vez, ou seja da vez de Christine, tudo tinha acontecido durante...
- O baile, é óbvio. Esta é a “Grande Noite” a que Anthony estava se referindo no bilhete que vocês encontraram na caixa de pintura falsa dele.-Gina completou, nervosa.
- O mesmo em que fala para eu levar minha espada de esgrima? Fico imaginando o que foi que meu avô fez com aquela espada na hora H, ele não era um bom esgrimista.-Draco debochou, também nervoso.
- Como eu estava dizendo, tudo aconteceu durante o baile. Ele até disse que vocês dois-ela apontou para Harry e Draco-deviam ser escondidos junto comigo mas, Dumbledore disse a ele que apesar de saber que isso era a cosia certa a se fazer existiam algumas coisas que eu devia descobrir sozinha e enfrenta-las da mesma maneira que Chris enfrentou.
- Ele falou em Christine ao Snape?-Agatha perguntou, surpresa.
- Sim, e a McGonogall, Sprout e Flitwick também, que são os outros diretores de casa. Dumbledore já deixou os outros diretores de sobre-aviso e eu sei que ele sabe com o que está lidando e que pode deixar isso em nossas mãos. Eu acho até que ele só está fazendo isso porque Christine deve ter dito a ele que era assim que as coisas deviam ser.
- Bem a cara do professor, deixar as coisas acontecerem naturalmente.-Harry disse, com uma expressão compreensiva.
- Você concorda comigo, não concorda, Harry?-Mione perguntou, esperançosa. Só a idéia de voltar àquela Ala Hospitalar e ter seu braço picado mais vezes a deixava tonta. Tudo o que ela queria era que aquela conversa terminasse e ela pudesse tomar um banho e dormir.
- Eu...
- Espero que você não concorde, Harry.-Rony e Gina vociferaram juntos.
- Não vou dizer que concordo, mas...-o moreno começou, olhando para os irmãos.-Mas...Acho que Dumbledore deve ter um bom motivo para deixar que as coisas aconteçam do jeito que têm que acontecer. Eu tenho certeza de que se Hermione ou o Malfoy ou qualquer um de nós estivesse em perigo de vida iminente, ele interferiria.-Ron pareceu estar ligeiramente convencido, mas Ginny apenas fechou mais a cara.
- Eh, é do Dumbledore que estamos falando no final das contas. Acho que vocês dois estão certos.-o ruivo ponderou, olhando para os dois amigos.
- Ainda acho que Hermione deveria ir para a Ala Hospitalar nesse exato momento.-a ruiva falou, sem dar o braço a torcer.-Agatha?-ela perguntou, querendo saber a opinião da sonserina.
- Velho gagá. Concordo com você.
- Certo, Malfoy? Se concordar conosco, Hermione volta para a Ala.
- Mas estamos em seis, se Draco concordar com vocês duas vai ser um empate.-Hermione retrucou, sem ver lógica nenhuma na “votação“ que a amiga tinha estipulado de um minuto para outro.
- Voto de melhor amiga conta como dois.-Ginny retrucou.-Malfoy?

Antes que Draco pudesse responder, Hermione fixou seus olhos nos dele novamente. Não sabia porque estava fazendo aquilo, mas tinha dado certo na discussão sobre as dores em seu corpo e parecia ser o que ela deveria fazer naquele momento para conseguir o que queria novamente.

- Mione, não me olhe assim...-Draco sussurrou, vendo a determinação nos olhos dela.

“Por favor. Eu prometo que deixo que você cuide de mim depois. Nós já tínhamos combinado isso.” Hermione pensou, enquanto as sobrancelhas se juntavam numa expressão sofrida. “Você é impossível”, foi o que Draco transmitiu pelos olhos para ela, antes de gira-los, totalmente impaciente. A grifinória deu o meio sorriso torto que aprendera com o loiro e virou de volta para os outros, enquanto o sonserino falava:

- Desculpem-me, garotas.
- Malfoy!-Gina exclamou.
- Draco!-Agatha exclamou no mesmo instante.
- Se Hermione acha que está bem o suficiente e que não há perigo, eu não posso obriga-la a pensar de maneira diferente.
- Certo. Então...O que fazemos agora?-Rony perguntou, vendo a discussão se encerrar
- Todos concordamos com a teoria da lembrança de Riddle, baseado no que aconteceu à Gina no primeiro ano dela.-Hermione retomou a palavra, visivelmente satisfeita.-E concordamos também que Riddle vai me atacar, nos atacar ou algo do gênero amanhã, durante o baile.
- Então, enquanto amanhã não chega, vamos montar um esquema de proteção à você e ao Draco para amanhã.-a sonserina se pronunciou, aproximando-se da mesinha de centro que tinha sido posta mais próxima à lareira para dar-lhes acesso.
- Esquema de proteção?-Mione questionou, achando graça.
- É claro.-e foi Draco quem concordou, sendo acompanhado pelos outros.-Não sabemos o que exatamente vai acontecer amanhã, mas é importante estarmos alerta e com o olho em cima de você.
- Não se preocupe, Malfoy. A fantasia que Hermione usará amanhã vai ser reconhecida em qualquer lugar do salão.-Gina garantiu, juntando-se a Agatha na mesa.-Não vamos perde-la de vista, pode ter certeza.

Antes que Hermione pudesse ter a chance de convence-los a deixar aquela idéia de protege-la como se fosse totalmente indefesa, os cinco adolescentes já estavam absortos em planos na mesa de centro. Cansada, ela deitou no divã e os observou, imaginando que Alex, Mark e Sarah teriam feito o mesmo se soubessem o que Christine iria enfrentar no dia do baile deles além de mostrar ao público que namorava com Anthony Malfoy. Seu coração bateu apertado ao lembrar-se da despedida dos quatro amigos. Pelo jeito, Sarah era a única viva da turma - pelo menos, Hermione não se lembrava de ter ouvido falar do “vovô Alex” na Toca durante aqueles seis anos em que freqüentava a casa dos Weasley. Então, lembrou-se da maneira como Chris falara dela e de Draco à Anthony, descrevendo-a como sendo “totalmente fabulosa” e Draco como sendo um “garoto de bom coração, preocupado e atencioso com as pessoas importantes para ele”. Ela não sabia se ficava feliz ou triste com aquilo, saber que a moça, ou melhor sua avó, amara-os tanto, tantos anos antes dos dois nascerem. Tanto quanto amara seus pais, seus amigos, Anthony e o filho que nunca poderia ver crescer, o atual Sr. Granger, Luca.

A garota fechou os olhos, deixando as lembranças e os sentimentos bons das visões que tivera preenche-la totalmente. Era estranho ter vivido tão intensamente durante pouco mais de vinte minutos, em vinte e uma “visões presenciais” como Agatha dissera. Assim, de olhos fechados, ela quase podia sentir o cheiro de rosas que tomava conta do jardim dos Sutcliffe, ou o gosto dos biscoitos que os amigos gostavam tanto, ou ouvir o choro de Luca em seus ouvidos, o calor do corpo pequeno dele em seus braços ensangüentados. Como tanto amor podia preencher de uma vez só o coração de uma só pessoa? Como Christine não enlouquecera sentindo tudo aquilo e sabendo de tudo o que aconteceria em sua vida com tão pouca idade? Como ela permanecera sempre tão forte?

Ter os sentimentos, os momentos de vida da avó dentro de sua cabeça não era o suficiente para que Hermione a compreendesse totalmente. Como ela gostaria ter conhecido a Sutcliffe. Talvez, se a conhecesse, pudesse entender o porquê de amá-la tanto, o porquê da moça ter sido tão apaixonante. E o porquê, claro, de todas aquelas desgraças terem acontecido com ela, que só merecia ser feliz. Por que devia ter um motivo em algum lugar, não devia? Algo que explicasse porque uma pessoa tão maravilhosa como Christine e como um rapaz tão maravilhoso como Anthony tiveram que passar por tantas coisas e ainda assim terem que viver separados o resto de suas vidas, e morrerem ambos de maneira tão trágica. Por um breve, mas intenso momento, Hermione desejou que aquilo não se repetisse com ela e Draco. Por aquele breve momento, em que ela abriu os olhos e o viu levantar junto com todos os outros, lançando-lhe um olhar tão preocupado quanto carinhoso, Hermione desejou estar com ele para sempre. Ela duvidava ter a força que Anthony tivera um dia de continuar vivendo sem sua Christine.

*


Draco avançou com cuidado pelo escuro, pisando sobre as muitas peças de roupa espalhadas pelo chão por seus companheiros de dormitório da Sonserina. Como sua cama era a última do lado direito, praticamente ao lado da porta do banheiro, não tinha como errar o caminho e em dois minutos ele chegou a ela. O rapaz jogou-se atravessado na cama assim que fechou o cortinado em volta de si, deixando os pés pendurados de um lado e a cabeça do outro. De olhos fechados, Draco sentiu a cabeça dolorida ir ficando pesada enquanto o sangue corria mais fortemente para ela por causa da gravidade. Quem sabe ficando daquela maneira por uns dez minutos o sangue não inundasse todos os seus pensamentos e o fizesse esquecer de tudo o que tinha vivido através das visões que tivera com Hermione.

Ao pensar em Hermione, Draco automaticamente começou a relembrar todos os momentos que tinha passado ao lado dela desde o início do mês. Três semanas e pouco pareciam pouco demais para qualquer ser humano em sã consciência apaixonar-se por outro, mas o sonserino não se importava realmente com o tempo. Cada uma das horas daquelas semanas tinham sido vividas inteiramente para a grifinória sabe-tudo e ele sabia que poucos no mundo podiam sentir o que ele sentia por ela naquele momento: um amor enorme, que era capaz de fechar sua garganta, deixar suas pernas bambas e impedi-lo de respirar. Amor que era capaz de fazê-lo aceitar a sentar na mesa da Grifinória, a de passar um dia ao lado dos amigos dela, a de confrontar sua família – “não que isso seja novidade desde o verão”, Draco pensou de maneira amarga lembrando-se de como sua prima mais nova, Clarisse, tinha-lhe chamado de “revoltadinho”.

Com um suspiro, o garoto voltou a se concentrar em Hermione. Em cada detalhe dela que seu cérebro tinha guardado, em cada tom de voz, em cada tipo diferente de andar, de gesticular, de sorrir. Era engraçado em como ele conseguia achá-la adorável mesmo quando ficava irritado com ela. Em como ele era capaz de ouvir a voz dela dentro de sua cabeça quando ela fixava os olhos nos dele, como se o incentivasse a ter uma conversa tão particular que ninguém poderia interromper. Merlin, como alguém poderia interromper qualquer coisa entre eles até mesmo quando o gato dela gostava dele?

- Você vai ficar tonto se continuar deitado desse jeito.-a voz suave, mas divertida, de Agatha chamou-lhe a atenção.

Draco fez força com os braços para levantar o tronco e encarou a morena à sua frente. Os dois tinham se despedido de Hermione e dos outros grifinórios a cerca de quinze minutos, tempo que Draco levara para subir ao seu quarto e deitar na cama mas, Agatha, ao contrário, já estava dentro de um pijama de tecido grosso azul-claro e os cabelos negros molhados e ligeiramente ondulados indicavam que ela acabara de sair do banho. Debaixo de um dos braços estava dobrado um edredom verde-escuro da Sonserina enquanto a outra mão segurava a varinha com um feitiço de Lumus fraco que permitia o loiro ver todos aqueles detalhes.

- Eu não ouvi você chegar, desculpe.-ele murmurou, voltando a posição anterior de cabeça pendurada.
- Você nunca ouve.-a sonserina retrucou, e Draco a sentiu pôr o edredom ao seu lado na cama e em seguida, abrir o baú no pé da cama dele para fecha-lo quase em seguida.
- Culpa sua, que anda como se fosse um gato.-o sonserino respondeu, fechando os olhos, ouvindo-a pondo a varinha no criado-mudo.
- Não, culpa sua por sempre estar distraído quando chego perto.-a menina suspirou em resposta, agachando-se na frente dele e livrando-o dos sapatos.

Draco permaneceu em silêncio, sentindo a garota tirar suas meias. Em seguida ela o puxou pelos braços, obrigando-o a se sentar, retirou o cachecol do pescoço dele e puxou o suéter vinho que ele estava usando para cima, libertando-o da roupa. O loiro continuou com os braços levantados, deixando que a garota retira-se as outras duas blusas de mangas compridas que ele estava usando.

- Então, você vai terminar de se despir sozinho e ir tomar um banho ou eu vou ter que fazer isso também?-ela perguntou quando terminou o trabalho com as blusas.

O sonserino pensou em dizer para ela continuar a fazer o que estava fazendo sem falar nada, porque a cabeça dele estava latejando de dor, mas simplesmente levantou, pegou o pijama das mãos dela e se encaminhou até o banheiro, sem uma palavra. Quinze minutos depois estava de volta, com os cabelos loiros molhados e o pijama cobrindo-lhe o corpo. Ele estendeu a calça social que tinha usado para Agatha, que a dobrou antes de pôr todas as peças sobre o baú e segurou um suspiro ao vê-lo deitar na cama exatamente do mesmo jeito largado de antes.

A morena já tinha visto tantas vezes o garoto daquela maneira que para ela não era novidade cuidar dele, mas não a impedia de sentir dor toda vez que aquele tipo de tratamento era necessário. A sonserina sabia que Draco era praticamente uma torre em forma de pessoa, que guardava todos os seus sentimentos bons ou ruins dentro de si e no dia-a-dia, durante todos os anos que se conheciam, externava apenas os ruins para os outros, enquanto guardava os bons para alguns poucos. Graças a Merlin, depois que Hermione tinha entrado na vida dele, naquele último mês, depois da morte trágica de seu avô, o garoto passara a demonstrar mais o bom rapaz que era aos outros do que a sua face de menino riquinho mimado. E, claro, que aquilo deixava Agatha, que era tão parecida ao garoto no quesito “demonstrando o que se sente”, extremamente feliz. O amor que ela sentia por ele não a impedia de ficar feliz pelo fato de ele finalmente ter encontrado a pessoa certa para si, ainda mais quando a pessoa certa era Hermione.

Mas, naquele momento, por mais que Agatha soubesse que o garoto tinha a namorada grifinória, ela sabia que ele estava se sentindo tão mal quanto se sentira quando Anthony morrera. Ela podia perceber aquilo pelo som da respiração pesada de Draco. Suspirando finalmente, a morena colocou a varinha que estava em cima do baú no tampo do criado-mudo ao lado da cama do garoto e postou-se novamente entre as pernas abertas dele, mas não o puxou pelos braços. Ao invés disso, falou na sua voz mais compreensiva:

- Draco, você não precisa ficar deitado desse jeito, esperando perder os sentidos por estar se sentindo inseguro.
- Eu estava apenas tentando ficar tonto mas, perder os sentidos não é uma má idéia.-o loiro respondeu, ouvindo Agatha suspirar novamente enquanto subia na cama, sobre ele.
- Draco, abra os olhos.-a morena pediu e ele obedeceu, encarando-o o rosto dela inclinado sobre o dele.-Você vai me dizer que está com medo do que pode acontecer amanhã e as conseqüências disso OU eu mesma vou ter que dizer?
- O que faz você pensar que eu estou com medo?-o sonserino perguntou, levantando-se novamente com os cotovelos enquanto Agatha se lançou para trás, parando sentada no colo do garoto.
- Tentar ficar tonto ou perder os sentidos me parece motivo suficiente já que é o que você costuma fazer quando quer esquecer dos seus problemas em vez de enfrentá-los como o cara forte que você é.

Draco olhou para cima com impaciência, fingindo não ouvi-la.

- E, quando esses problemas envolvem uma certa garota que faz os seus olhos brilharem é natural que você tenha medo. Afinal de contas, todo mundo tem medo de perder uma pessoa amada.-a sonserina continuou, pegando o rosto do loiro com as duas mãos para que ele a olhasse.
- Hermione é mais do que simplesmente uma pessoa amada.-Draco retrucou, irritado, finalmente se abrindo-se com ela.-Ela é...Ela é...
- O ar que você respira fica muito clichê?-Agatha perguntou, com um sorriso, enquanto saia do colo dele e o empurrava para que se deitasse direito na cama.
- Ficaria, se não fosse da maneira como eu me sinto.-o loiro respondeu, com um meio sorriso de descrença nele mesmo desenhado no rosto.

Agatha sorriu levemente, ajoelhando-se na cama. Draco a puxou pelo braço, fazendo com que se deitasse ao lado dele. Enquanto ela puxava o edredom que tinha trazido, cobrindo-os, o garoto apanhou a varinha dela do móvel ao lado e em segundos, os dois estavam se encarando debaixo do mesmo, numa espécie de cabana.

- Draco?
- O quê?-ele perguntou, encostando a testa na dela e fechando os olhos.
- Se eu disser a você que apesar do que acontecer amanhã, Hermione ama você da mesma maneira que você a ama e que tanto ela quanto você têm que se manter fortes um para outro para enfrentar o que quer que esteja vindo...Você vai achar que eu estou tentando te dizer “vai ficar tudo bem, não se preocupe, o mundo é azul” como se você fosse um lufa-lufa do primeiro ano?
- Não, porque você não me insultaria dessa maneira.-Draco sorriu em resposta e Agatha o acompanhou.
- Mas você compreendeu o que eu disse, não é? Draco, você tem que ser forte. Hermione está sendo forte pra não preocupar os amigos dela e você tem que se manter forte para apoiá-la.
- Mas como eu posso fazer isso se...Agatha, se algo acontecer a ela amanhã...-o sonserino respondeu, reabrindo os olhos que brilhavam em desespero.
- Oh, Merlin, o que está pensando? Que ela vai morrer ou algo do gênero?-Agatha perguntou, abraçando-o.
- Caso você tenha se esquecido, estamos falando do Lord das Trevas!-ele murmurou, escondendo o rosto na curva do pescoço de Ryme.
- Draco, responda-me uma coisa com sinceridade: Você por acaso iria a algum lugar se Hermione não fosse com você?
- Não, não iria.
- Então o que faz você pensar que ela não pensa da mesma maneira?
- O que você quer dizer com isso, boneca de porcelana enigmática?-Malfoy questionou, soltando-a para olhar dentro de seus olhos escuros.

A sonserina sorriu e respondeu, simplesmente:

- Quero dizer que o amor de Hermione por você é tão grande que não a permitiria ir para qualquer lugar longe de você, não a permitiria morrer. Vocês dois são o legado de uma linda história de amor, e eu tenho certeza que Christine não fez tudo o que fez enquanto viva se vocês dois não fossem ficar juntos para sempre.

O garoto fixou os olhos nos da moça, processando cada palavra que ela dizia, sem conseguir deixar de sorrir da mesma maneira que ela.

- Obrigado, Agatha. Você tem razão, como sempre.
- Está se sentindo melhor, então? Porque é ridículo ficarmos debaixo do edredom desse jeito, como crianças de treze anos.-ela caçoou, rolando os olhos.
- Você que vinha atrás de mim, nem vem.-Draco retrucou e Agatha pôs uma das mãos na boca, para não rir alto demais e acordar os outros garotos que dormiam.
- Você se lembra do que conversamos a primeira vez que ficamos desse jeito, no terceiro ano?
- Eu deveria me lembrar?-o loiro questionou, procurando a informação dentro do cérebro.
- Você queria que eu deixasse a varinha acesa, enquanto eu a queria apagada.-a morena relembrou, sorrindo.
- É claro, como íamos conversar se eu não conseguia ver o seu rosto?-Draco perguntou, em tom óbvio.
- Sei, você estava é com medo de ficar no escuro. Medroso.
- Não posso fazer nada se sempre foi você e não eu que gostou de ficar se esgueirando por aí, no escuro das masmorras.
- Eu me sinto confortável no escuro fresco e silencioso. Da mesma maneira que você se sente bem no claro, voando com aquela vassoura pelos terrenos do castelo.-Agatha retrucou.
- Você vai me arranjar um defeito só por que eu prefiro voar do que ficar sozinho andando por aí?-o rapaz zombou, divertido.
- Como se você gostasse de voar rodeado de gente. Ou não se lembra do fim do verão passado, em que você apareceu no Salão Comunal bufando tinha um monte de gente voando por aí, aproveitando o calor, e não tinha nenhum lugar ensolarado só pra você?
- Eu não estava irritado por causa da presença das outras pessoas, mas o que eu teria que ouvir delas.

O rosto do garoto se contorceu em uma careta raivosa e Agatha resolveu não expressar em voz alta o motivo da raiva dele: a prisão de Lúcio Malfoy no Ministério da Magia, na batalha que tinha trazido o ressurgimento do Lord das Trevas ao mundo dos bruxos. Então, ela lembrou-se de um detalhe a mais e disse:

- Talvez o conceito de “relembrar é viver” não seja tão bom, no fim das contas.-ela suspirou, para dar mais cargo à sua encenação e fingiu não ver o olhar desconfiado que o loiro lhe lançou.
- O que está se passando na sua mente?
- Bom, por mais que eu tenha certeza de que você não seria nada sem a sua alguma coisa aqui, eu imagino que você esteja com saudades da Hermione, não é mesmo? Então, por que você não se levanta dessa cama, pega o seu violão e vai buscar a Hermione na Grifinória?
- Buscar Hermione? Agatha, você enlouqueceu de vez, não foi? Você sabe que Hermione precisa descansar e não é como se eu simplesmente pudesse entrar lá dentro e pegá-la.-ele explicou, surpreso com a idéia da garota.
- Você não vai precisar entrar, Hermione vai sair pra você, pode confiar em mim.-Agatha confirmou, com um brilho esperto no olhar, enquanto ela retirava rapidamente o edredom de cima dos dois e se sentava na cama.
- Ah, claro.-Draco respondeu, rolando os olhos enquanto a observava dobrar o edredom novamente sobre os joelhos.-Supondo que uma coisa dessas seja possível, eu levaria Hermione aonde?
- Oras, exatamente onde você foi naquele dia de verão do ano passado, atrás do seu, digamos, “pedaço de céu”?-a morena perguntou, visivelmente divertida, piscando para o garoto.

Os olhos do sonserino brilharam assim que ele mentalizou exatamente o lugar do qual a morena falava. Com um sorriso confiante no rosto (afinal, ele podia mesmo confiar em Agatha), Draco levantou-se e pegou o violão debaixo da cama. Enquanto ele procurava por seu roupão dentro do baú, a sonserina pegou a varinha de cima da cama e a apagou. O loiro vestiu o roupão negro, calçou os chinelos e enfiou a própria varinha no bolso. Virou-se para a menina e a abraçou fortemente, surpreendendo-a.

- Eu gostaria de um dia poder te agradecer por tudo o que você faz por mim.-ele sussurrou no ouvido direito de Agatha, aproveitando para inspirar profundamente o cheiro gostoso de jasmins que saia dela inteira, combinando com os tons de sua pele, cabelos e olhos. O cheiro que, de certa forma, fazia Draco se sentir em casa.
- Você não precisa ser grato, Malfoy. Afinal, graças a esse seu namoro com a Hermione eu ganhei um vampiro de presente.-ela respondeu, pensando em um certo ruivinho que a fascinara.
- Vampiro de presente? O que quer dizer?-Draco questionou, soltando-se o suficiente para observar o seu rosto.
- Corujas.-Agatha respondeu, com um sorriso enorme no rosto que o sonserino nunca tinha visto antes.
- Isso é um enigma, Agatha?
- Não, e nem é da sua conta, seu enxerido.-ela respondeu, com um tom mandão.-Agora, ande logo senão Hermione vai descer, não te ver e achar que você morreu no meio do caminho entre a Sonserina e a Grifinória. Ah, e fiquem juntos todo o tempo que vocês acharem que devem. Não se preocupe em devolvê-la pela manhã se vocês ainda não estiverem prontos pra isso. Quando os grifinórios descerem doidos atrás dela, eu digo que vocês passaram a noite juntos, mas não digo onde.
- Obrigada, de novo.

E puxando-a pela mão, os dois saíram rapidamente do dormitório masculino do sexto ano. Agatha abraçou-se ao seu edredom e o observou se dirigir à parede falsa que era a saída da Casa, esperando que ele saísse para que ela pudesse ter uma revigorante noite de sono. Mas, antes disso, o loiro depositou o violão em uma das poltronas em frente à lareira e voltou correndo até ela.

- O que pensa que está fazendo? Hermione vai ficar te esperando.-a morena ralhou assim que ele parou na frente dela.
- Eu não posso perder a oportunidade de ser o Malfoy que eu sou uma vez na vida com você.-o sonserino murmurou em resposta.

Ele mal pôde apreciar a visão de uma Agatha vermelha de vergonha na sua frente pois a agarrou pela cintura com força logo em seguida, beijando-a na boca depois de mais de um ano de distância. O gosto de pasta de dente de morango da garota se misturou ao da saliva quente dele e a sonserina deixou o edredom cair no chão, para se apoiar no rapaz para não cair, pois suas pernas não tinham força para segura-la. Draco inspirou profundamente o cheiro dela mais uma vez antes de lentamente parar o beijo, esperando que seu coração também desacelerasse no processo. Quando terminaram, permaneceram em silêncio, com as testas encostadas e as pernas estranhamente entrelaçadas, os olhos azuis perdendo-se um no outro, com carinho.

- Agora...Acho que eu posso ir.-Draco murmurou depois de alguns segundos, sorrindo ao perceber que a menina nos seus braços ainda tinha o coração batendo forte e as bochechas fortemente tingidas de vermelho.
- Você não existe.
- Posso ou não posso ir?
- Como confidente, primeira e única alguma coisa que você jamais vai ter...Como mais uma das garotas que ficaram sem fôlego nos seus braços...-a sonserina foi dizendo, sem ar.-E, principalmente, como sua amiga, eu deixo você ir.
- Obrigado, Agatha.-o loiro repetiu mais uma vez, dando-lhe um último selinho ao soltá-la.

Com o mesmo sorriso grande no rosto, ele apanhou suas coisas da poltrona. Agatha observou Draco sair da Sonserina correndo até que a parede de pedra deslizou para o seu lugar e tudo ficou novamente no silêncio, a não ser pelo crepitar das chamas da lareira. Lentamente, ela retomou o seu auto-controle, abaixou-se para apanhar a coberta, mas só voltou a se mexer quando sentiu que suas bochechas não estavam mais quentes. Assim que suas pernas retomaram a firmeza de sempre, a sonserina virou-se e foi em direção ao corredor que lhe levaria ao seu dormitório feminino. Talvez precisasse tomar outro banho no fim das contas. Sorrindo, ela se convenceu: Draco Malfoy definitivamente não existia.

*


- Hermione, você está mesmo bem?
- Gina, se você não se convenceu que estou bem nas últimas cinco vezes que me perguntou isso, não vai se convencer se eu disse “sim” de novo, vai?-Mione respondeu, sem evitar sorrir de maneira divertida enquanto abria os olhos e encarava a amiga ruiva, que estava ajoelhada à sua frente, na cabaceira de sua cama.
- Desculpe-me por estar preocupada com você.-a Weasley retrucou, brava.
- Eu juro, ruivinha, que fico muito grata com a sua preocupação mas eu estou mesmo bem. Só com um pouquinho de dor de cabeça, nada mais.-a grifinória disse, mentindo sobre a extensão de suas dores. Elas tinha diminuído desde que as visões acabaram mas nada tão relaxante como ela queria dar a entender.
- Quer que eu pegue alguma coisa pra você pra cabeça? Harry e Rony estão lá embaixo a sua disposição, e arranjariam qualquer coisa que você queira. É só pedir ao Dobby.-Ginny respondeu, afastando a franja da testa da amiga.-Você está meio quente. Está se sentindo com febre?
- Gina, por Merlin, são quase três da manhã. Nem você nem os garotos precisam ficar se comportando feito babás por mim. E, não, eu não estou me sentindo febril.-“Mentira, Hermione, mentira.”-Só preciso dormir um pouco e...Ah, pro favor, desça e peça para os meninos fazerem o mesmo. Harry talvez agüente ficar de pé mais um pouco, mas Ron é a pessoa mais dorminhoca que eu conheço, não é justo deixá-lo acordado...
- Hermione, pare de se preocupar com os outros por um minuto e preocupe-se com você mesma, por favor. Vamos, não é possível que você não queira nada. Nem água, nem comida, nem...
- Draco.-a menina murmurou, fechando os olhos.

Gina sorriu, carinhosa, enquanto olhava a amiga.

- Você quer mesmo a única coisa que eu não posso te trazer?
- Não precisa trazer. É só que...Eu estou preocupada com ele, só isso.
- Só? Quer dizer que você não está sentindo falta do garoto que passou os últimos dias grudado em você igual a um chiclete?
- Se eu disser que “sim, sinto a falta dele loucamente, por mais estranho que isso pareça”, você vai rir da minha cara, Gina Weasley?-Hermione perguntou, ligeiramente irritada, fazendo a ruiva rir com gosto.
- Desculpe-me.-a garota disse, ao ver que a outra tinha ficado brava.-Eu não vejo problema nenhum em você sentir saudades do Malfoy, sabe? Não acho nem um pouco estranho, para mencionar o que você disse.
- O quê, isso não lhe parece loucura?-Mione perguntou, sentando-se na cama.-Eu estava pensando sobre isso desde que vocês montaram a “Operação Granger” lá embaixo. Diga-me, talvez a minha cabeça estava toda embaralhada mas...Você realmente acha que eu não estou completamente louca por, sei lá, por sentir que vou explodir só em pensar nele?
- Sinceramente, não.-a ruiva respondeu, sentando-se em frente à garota.-Por mais que vocês estejam juntos somente a um mês, eu não acho loucura você se sentir desse jeito, de verdade.
- Mas...O que eu sinto não é nada lógico! Nem um pouco racional! Como eu pude me apaixonar dessa maneira em um mês? Na verdade, menos de um mês? Eu....Eu não consigo entender...-a grifinória perguntou, gesticulando veementemente.
- Por que você precisa entender, Mione? O amor não é racional, por Merlin!-a Weasley respondeu, rindo baixinho para não acordar Parvati e Lilá adormecidas.
- Mas, veja você mesma, Ginny, por exemplo. Você é louca por Harry desde que o viu pela primeira vez, mas isso já faz anos. Você o conhece bem o suficiente para saber exatamente o que ama nele e...
- Sim, eu conheço Harry a anos e sim, eu o amo. Mas eu trocaria todos esses anos por esse um mês que você viveu com Malfoy.
- Por quê?
- Bom, dizem que experiências fortes podem aproximar duas pessoas de tal forma que não seria possível em anos de convivência. E você se engana, Hermione, achando que o meu amor por Harry pode ser explicado. Na verdade, eu não sei até hoje porque ainda não consegui esquecê-lo e seguir com a minha vida. E isso porque nunca tivemos nada, nunca nem chegamos perto de ter alguma coisa! Agora, você e Malfoy...-nesse momento, a ruiva pegou nas mãos da outra e fixou seus olhos nela.-Ah, Hermione, você sabe melhor do que eu o que sente por ele. Sabe muito bem o que sente sempre que pensa que pode perdê-lo de alguma maneira...
- Eu não poderia...Viver sem ele.-Hermione sentenciou, sorrindo de maneira descrente.-E isso soa tão clichê e estupidamente apaixonado saindo da minha boca, mas ainda assim não deixa de ser verdade.
- Se é verdade, então não vejo nenhum motivo para você ficar confusa. Pare de reclamar e agradeça à Deus por ter um sonserino capaz de comer na mesa da Grifinória e passear em Hogsmeade do lado dos seus amigos grifinórios que ele detesta só para te agradar.

Hermione abriu a boca para responder mas ouviu um barulho na janela mais próxima de sua janela e permaneceu quieta.

- Que barulho é esse?-ela perguntou da cama, curiosa.
- Não sei, espere um instante.-a ruiva levantou-se e atravessou o cortinado da cama da amiga.-Ah, é uma coruja.
- Coruja?-Hermione repetiu, esperando que Ginny voltasse.-O que ela trouxe?

A ruiva reapareceu dentro do cortinado com um quadradinho pequeno de pergaminho na mão que, para o alívio de Hermione, não era negro.

- Um bilhete. Está com as suas iniciais. Toma.

A menina entregou-lhe o papel e pegou a varinha acesa do criado-mudo para iluminar as letras para Mione. A grifinória abriu o papel e leu as três frases que tinham sido espremidas em um pequeno espaço, pela letra de Draco:

“Hermione, encontre-me no pé da escada da Grifinória às três em ponto. Se tiver alguém com você no dormitório, dispense-o com alguma desculpa. Vamos lá, grifinória sabe-tudo, desça e venha relaxar comigo. Draco.”

- De quem é?-Gina perguntou ao ver o sorriso doce que se formou no rosto de Hermione.
- De Draco. Ele...Ele está me desejando boa noite.-a garota respondeu rápido, enquanto dobrava o bilhete e o punha no bolso do pijama, para que a ruiva não visse o verdadeiro conteúdo dele.-Disse que está com saudades.
- Ah, que meigo para uma lagartixa branquela!-a ruiva exclamou, sorridente.-Queria que Harry fizesse isso para mim algum dia...
- Quem sabe amanhã, quando ele te ver com aquela fantasia minúscula.-Hermione disse, também sorrindo, deitando-se novamente.-Por falar em Harry, Gina, desça de uma vez e mande os garotos dormirem. E vá descansar também, você está ficando com olheiras.
- Mas, Hermione, eu ficaria mais tranqüila se passasse a noite aqui com você. E se você passar mal, vomitar e precisar de ajuda?-a Weasley perguntou, preocupada.
- Eu juro que grito alto o suficiente até você e o resto da Grifinória me ouvir.
- Promete?
- Prometo.-Mione respondeu, virando os olhos.
- Está bem. Boa noite então, minha amiga vidente super poderosa.-Gina brincou, abraçando-a com carinho.
- Blá, blá, blá...-Mione murmurou, ajeitando-se debaixo das cobertas, dando a entender que estava com sono.

A ruiva espiou-a mais alguns minutos antes de sair do dormitório. Assim que Hermione ouviu a porta se fechar, chutou as cobertas enquanto mordia o lábio inferior por causa da dor nas pernas e levantou-se. Xingando-se mentalmente por estar deliberadamente saindo de sua cama quentinha e agradecendo ao mesmo tempo por poder ver Draco, ela confirmou o horário no relógio sobre o criado-mudo.

“Cinco para as três” ela pensou, enquanto apanhava o roupão laranja (presente do Sr. e da Sra. Weasley de aniversário) no baú e o vestia. “Se Gina já tiver mandando os meninos para o quarto, vou estar nas escadas na hora em que ele pediu.” Com o quarto iluminado pela fraca luz da lua, a grifinória avançou, apenas de meias, apoiando-se nas camas de Lilá e Parvati até a porta. Abriu-a e fechou-a fazendo o mínimo de barulho possível e, prendendo a respiração, avançou até o alto da escada. “Droga”, a voz da consciência de Hermione sibilou ao ouvir que a ruiva ainda estava lá embaixo com Harry. Chegaria atrasada, Draco teria que esperá-la.

- É incrível como Rony concorda fácil com as coisas.-Gina reclamou, irritada.
- Ele estava com sono, Ginny. E você acabou de dizer que Hermione está bem, lá em cima, então não têm mesmo motivo para ele ficar aqui embaixo. Vamos ter um dia agitado amanhã de manhã.-Harry respondeu para ela.
- Mas você ainda está aqui, apesar disso.-a ruiva retrucou, com um sorriso esperto no rosto.
- Estou preocupado, não conseguiria dormir nem se eu quisesse.-o menino-que-sobreviveu respondeu, sentando em uma poltrona.

“Claro que conseguiria, Harry cabeça-dura.” Hermione pensou, enquanto impedia a si mesma de pensar com carinho no amigo, preocupado com ela.

- Você está pensando no Riddle também, não está?-Ginny questionou, observando-o.
- Sim. Nós dois somos os únicos que sabemos o quanto ele é perigoso, Gina. Somos os únicos que ficamos cara a cara com ele no segundo ano. E, também, a idéia de ter mais um Voldemort em Hogwarts, com outro do lado de fora querendo entrar não me agrada nem um pouco.-o garoto explicou, com um suspiro cansado.-Só de lembrar de encontrar você desacordada na Câmara Secreta, com Riddle andando de um lado para o outro...

Gina automaticamente pôs-se a andar de um lado para o outro ao ouvir aquilo. Apesar de distante, Hermione pôde imaginar o quão vermelha a ruiva ficara ao ouvir aquelas palavras.

- Isso faz parte do passado, Harry. Não sabíamos com o que estávamos lidando daquela vez. Mas, se estivermos certos agora, as coisas não vão se repetir amanhã e ninguém vai sair ferido, principalmente Hermione e Malfoy.
- Eu espero que você esteja certa. Que Dumbledore esteja certo ficando quieto no canto dele, dando bailes de inverno em vez de se mexer para nos ajudar.-os olhos verdes de Harry faiscaram enquanto ele olhava para Gina.
- Tenho certeza de que todos estamos certos. Riddle não vai tocar em nenhum fio de cabelo de Mione amanhã, você vai ver.-Ginny reafirmou, parando novamente na frente dele.

Claro que, da onde Hermione estava, ela não pôde ver o olhar intenso de confiança que ela deu ao moreno, cheio de outros sentimentos que a Weasley não sentia necessidade em dizer em voz alta. Harry sentiu as bochechas ficarem rosadas e abaixou o olhar, lembrando-se novamente de que a ruiva era a irmã caçula de Rony e que ele tinha que manter o foco em Voldemort, por mais difícil que fosse.

- Agora, levante daí, Harry, e vá tentar descansar. Vamos precisar de você inteiro amanhã.-a voz de Gina soou suave, enquanto ela estendia uma mão para o garoto.

Ele aceitou-a de prontidão, levantando-se e desejando um “boa noite” baixo para Ginny. A ruiva observou-o desaparecer nas escadas que davam nos dormitórios masculinos e subiu as dos femininos calmamente, dando, sem saber, tempo para que Hermione corresse e se escondesse atrás de uma pilastra. Mione só saiu do esconderijo quando a porta do dormitório do quinto ano fez um “click” sinalizando estar fechada e, antes de descer as escadas, mentalizou um “muito obrigada” à amiga. Antes de sair da Grifinória, ela ainda se virou para as escadas dos garotos, e conseguindo visualizar facilmente os dois amigos (Harry olhando preocupado para o teto enquanto Ron roncava esparramado em sua cama), desejou o mesmo agradecimento aos dois.

Sorrindo, ela rapidamente atravessou o Salão Comunal e desceu as escadas da Torre da Grifinória. Mal pôde conter a alegria em ver Draco, o seu Draco, parado de costas para ele, vestindo um roupão negro, concentrado em olhar o horário no relógio de pulso caro.

- Oi.-ela disse simplesmente, parando no segundo degrau da escada.
- Hermione!-Draco exclamou, virando-se com tudo para vê-la.-Pensei que não viria.-ele continuou dizendo, indo até ela, mas sem subir os degraus de forma que ela ficasse com o rosto na altura do dele.
- Tive alguns problemas para descer.-a grifinória respondeu, levando ambas as mãos para o rosto pálido do garoto.
- Como você está?-o loiro perguntou, preocupado, dando um beijo de leve nas palmas das mãos dela.
- Bem, se você desconsiderar o fato de eu estar com cada parte do meu corpo doendo.-Hermione respondeu, fazendo uma careta cansada.-Definitivamente, eu espero não ter aquela visão do assassinato da Christine nunca mais.
- Você sentiu tudo, não foi? Os Crucio, a dor do parto...-Draco disse, acariciando o rosto dela de leve.
- Uhum. Eu não pretendo mesmo passar por aquilo de novo.
- Mas...Como você vai fazer quando tivermos os nossos filhos?-ele perguntou, num tom exageradamente ofendido.

Hermione riu e ignorando as dores nas costelas, levantou os braços e os passou em volta do pescoço do sonserino.

- Você já ouviu falar em uma coisa chamada anestesia, Draco?-ela perguntou, rindo.
- Já ouvi falar em poções que não te deixam sentir dor.
- Anestesias são o equivalente para essas poções no mundo trouxa. Na verdade, eu ficaria agradecida com uma dessas agora, junto com um bom calmante para dormir.
- Calmante?-Draco perguntou, sem entender.-Você quer dizer uma Poção Sonífera?
- Exatamente. Eu não consigo dormir, todas aquelas cenas ficam passando e repassando na minha mente..É horrível.
- É por isso que estou aqui.-o loiro disse, sorrindo, apontando para si mesmo com presunção.
- Para me dar uma Poção Sonífera?-Mione perguntou, rindo da expressão dele.
- Não exatamente. Mas acho que o que eu tenho a te oferecer vai...-ele se aproximou do ouvido de Hermione e sussurrou, engrossando a voz de maneira sensual.-Surtir um efeito muito melhor.

Hermione corou violentamente ao ouvi-lo e gaguejando, perguntou:

- Então é isso o que a frase "Desça e venha relaxar" no seu bilhete queria dizer?
- Exatamente. E um pouco mais.

Draco a deu mais um sorriso sarcástico e piscou um dos olhos, fazendo-a prender a respiração e sem mais nem menos, a pegou no colo.

- E o que você quer dizer com...Um pouco mais?-Hermione perguntou, deixando-se ser carregada por ele, ainda vermelha de vergonha.
- Você vai ver.-Draco assegurou, presenteando-a com um beijo na bochecha.-Você vai ver.

Hermione suspirou, aconchegando-se ao peito perfumado de menta do loiro.

- Aonde você está me levando?
- É uma surpresa.-Draco respondeu, dando-lhe outro beijo, só que no alto da cabeça.-Você tomou banho?
- Sim, Gina me banhou.-o loiro fingiu não ver o vermelho intenso que cobriu as bochechas dela com a lembrança.-Como se eu não fosse capaz de ficar em pé sozinha, humpf. Mas, por que a pergunta?
- Porque o seu cabelo está uma bagunça.-ele respondeu, rindo um pouco.
- É que eu estava deitada e...Ah, Draco, não ria! Eu não devia ter saído da minha cama quente e gostosa.-ela choramingou.
- Como se eu não fosse muito mais quentinho e gostoso que a sua cama para se passar a noite...-o sonserino provocou, e riu mais um pouco ao vê-la ficar ainda mais vermelha com o seu comentário.
- Eu espero que você não esteja querendo me dar nada a entender nas entrelinhas dessa frase. Até porque eu não estou com disposição para descer daqui e te dar uns chutes.
- Granger, Granger, você é tão violenta às vezes, sabia?-Draco provocou-a.
- Por que será, Malfoy?-Mione entrou na brincadeira, provocando-o de volta.

Andaram alguns bons minutos tratando-se pelos sobrenomes, por entre passagens secretas e muitas escadas, até que o loiro parou e pôs a garota de volta no chão com cuidado, encostando-a em uma parede que fazia esquina com um corredor escuro.

- Por que está me pondo no chão? Onde está o seu cavalheirismo?-Hermione perguntou, sentindo falta no mesmo instante do calor do corpo do garoto assim que botou os pés no chão.
- Não posso te carregar a partir de agora, senhorita.-o sonserino respondeu, achando graça da cara de brava dela, enquanto a prensava na parede.-Senão, você vai acabar vendo a surpresa antes que eu esteja preparado.
- E onde exatamente esta surpresa está?-ela perguntou, sem conseguir perceber em que parte do castelo estava com Draco tampando sua visão de todos os lados.
- Em um lugar onde nunca fomos juntos e que quase ninguém conhece. Ou seja, poderemos ficar sozinhos o tempo que quisermos.-o garoto falou com a voz que sabia deixar Hermione envergonhada.-Não acha uma ótima idéia, Granger?
- Prefiro não responder.-a grifinória respondeu, olhando para baixo, imaginando se era possível ficar mais vermelha e quente do que ela já estava.

Draco abaixou o corpo o suficiente para colar sua boca na de Hermione, sem deixar seu sorriso convencido sair dos lábios, por segundos suficientes para sentir o coração da garota disparar e as mãos dela segurarem a sua roupa, sem que ele mesmo não começasse a sentir os efeitos que ela lhe causava.

- Fique de olhos fechados, eu já venho te buscar.-ele sussurrou no ouvido da namorada, segurando-se para não inspirar o perfume de canela que vinha dela.

Mione nem se mexeu ao ouvir aquilo, apenas deixou seu corpo reclamar tremendo de frio quando Draco saiu de perto dela. Ela ficou prestando atenção aos passos dele no corredor ao lado, ritmados, como se ele estivesse andando de um lado para o outro, enquanto murmurava alguma coisa –“Uma senha?”, ela pensou”- até que tudo ficou em silêncio. Depois de dois minutos, sozinha e impaciente, a menina abriu um dos olhos castanhos e inclinou-se para o lado para ver aonde Malfoy tinha ido. A única coisa que dava pra discernir na semi-escuridão do corredor, que era iluminado pelas janelas da onde ela estava, era que havia uma grande tapeçaria em uma das paredes, sem que, é claro, os seus desenhos estivessem à vista.. Até ai, havia centenas de tapeçarias em Hogwarts. Ela devia ter reparado melhor no caminho que Draco tinha feito em vez de se distrair com, bem...Draco. Suspirando, Hermione voltou a posição original e levou um tremendo susto ao ouvir a voz do garoto em seu ouvido.

- Eu disse que era pra ficar de olhos fechados, sua grifinória xereta!-o sonserino a repreendeu, postando-se na frente dela.
- Como se um sonserino convencido pudesse mandar em mim.-ela respondeu, mostrando-lhe a língua.
- Hermione...
- Ok, ok.-Hermione murmurou, fechando os olhos novamente.-Pronto.
- Só por via das dúvidas...-Draco respondeu, virando-a de costas para ele e pondo uma mão em cima dos olhos da garota.-Vamos lá.

Aos tropeços, já que Draco fazia questão de deixar as pernas longas muito perto das dela, Hermione deixou-o guia-la pelo corredor e se surpreendeu quando eles pararam depois de uns sete passos.

- Chegamos.-o garoto disse no ouvido dela, deixando transparecer entusiasmo.-Abra os olhos.

Hermione esperou que Draco desse um passo para trás, deixando-a livre do contato entre os corpos, para abrir os olhos. Em seguida, ela prendeu a respiração. Os dois estavam parados diante da porta de uma pequena sala circular, em que ela nunca tinha estado antes, com uma pequena sacada feita de pedra, que permitir-lhe-ia ver o céu de um azul-escuro profundo, natural das madrugadas, quase todo coberto por grandes nuvens iluminadas pela luz pálida de uma enorme lua cheia, que derramavam diversos flocos de neve.

O inusitado, porém, é que o cenário, típico do inverno, repetia-se por toda a sala. O chão estava completamente coberto por almofadas de um cinza idêntico às nuvens no céu e as paredes reproduziam o céu do lado de fora, no mesmo tom de azul, na mesma densidade – e Hermione não duvidaria também que a textura fosse a mesma - das nuvens. Do teto, quase todo cinzento pelas nuvens mágicas, também caíam flocos de neve, que desapareciam à um metro das almofadas, como acontecia no teto do Salão Principal, encantado para ficar igual ao céu do lado de fora.

Totalmente sem palavras, a grifinória entrou dentro do cômodo e caminhou sobre as almofadas extremamente fofas até o meio da sala. Deu uma volta em torno de si mesma, sem conseguir acreditar no que seus olhos viam, sem conseguir acreditar que estava dentro de um pedaço do céu. Nem ao menos notou no violão de Draco, encostado à uma das paredes.

- Então...O que achou? Gostou da surpresa?-a voz do loiro soou e a garota virou-se para ele.

Ele ainda estava parado na frente da porta, agora fechada, esperando que ela dissesse alguma coisa. Hermione olhou em volta de si de novo, ainda abobada, e perguntou:

- Eu...Onde nós estamos exatamente? Eu nunca vi algo igual, nunca soube que um lugar como esse pudesse existir dentro de Hogwarts.
- Na verdade, eu só descobri esse lugar ano passado, por sua causa e de todos aqueles outros alunos que treinavam Defesa Contra as Artes das Trevas aqui.-Draco respondeu, andando devagar até ela.
- Espere...Essa daqui é a Sala Precisa?-Mione perguntou, totalmente surpresa.
- Hum, é. É assim que ela se parece quando se deseja ter um pedaço do céu para se descansar.
- Ah...-ela apenas murmurou, olhando em volta de novo.
- Então...Sério, Hermione, o que você achou? Eu nunca trouxe ninguém aqui antes e você não está me ajudando ficando com essa cara de assust...

Mione não se importou de correr o espaço que os separava e pular no sonserino, com força. Ela sentiu-o surpreso quando ela envolveu os braços por seu pescoço, puxando-o para baixo e o beijando de uma maneira que nunca tinha feito antes. Draco, porém, retomou o controle de si rapidamente, levantando-a do chão com a mão que a sustentava na cintura enquanto que com a outra segurava sua nuca com força para que ela não pudesse interromper o beijo.

- Obrigada...Obrigada.-a menina murmurava cada vez que eles se afastavam alguns centímetros para respirar. Por fim, Hermione afastou o rosto de Draco com ambas as mãos para poder olhar para ele, e deixa-lo ver os seus olhos brilhantes e seu sorriso de alegria.-Obrigada, é perfeito. Agora eu não sei mais qual dos seus presentes é o melhor.

O sonserino sorriu levemente, ligeiramente corado pelo beijo, pondo-a no chão, enquanto mantinha os olhos azuis fixos nos castanhos dela.

- Para mim, você ainda é o melhor presente que alguém pode receber.-ele afirmou, carinhoso.-E...Bom, esse é o melhor beijo que você já me deu. Se você prometer me beijar assim sempre, eu prometo que te faço surpresas todos os dias.
- E o que faremos quando as suas idéias se esgotarem?-a grifinória perguntou, divertida.
- Voltamos para o início da lista e fazemos tudo de novo.

A garota riu, puxando Draco pela mão até a sacada, que se abria para a parte de trás do castelo. Lá embaixo, dava para distinguir as sombras escuras que eram as estufas de Herbologia e, mais a frente, Hogsmeade.

- Dá para ver a sacada lá do lado de fora?-ela perguntou, enquanto o loiro a abraçava por trás com força, para aquece-la.
- Acredito que não. Da mesma maneira que não dá pra ver a porta da sala do lado de fora.

Alguns minutos de silêncio depois, Hermione começou a rir.

- O que é tão engraçado?-Draco perguntou, curioso.
- Gina me encheria se visse tudo isso.-Mione respondeu, virando-se para ele.-Pensando bem, ela não acreditaria mesmo se visse.
- Por que não?-o sonserino questionou, puxando-a para dentro da sala novamente.
- Porque foi você quem preparou tudo. Um sonserino, um Malfoy.-a grifinória retrucou, sentando-se nas almofadas.
- Até ai, você também é uma Malfoy. Não oficialmente, mas é uma Malfoy.-ele retrucou, sentando-se atrás dela, envolvendo-a com os braços e as pernas.
- Se não é oficial, então não vale.
- Ei, nem vem com esse papo. Você mal aproveitou isso daqui e já está querendo que eu te peça em casamento?-Draco perguntou, rindo.
- Mas você não disse que ia me pedir em casamento numa noite chuvosa ou coisa do tipo?-Hermione perguntou, virando-se para ele, relembrando os planos de Draco no dia em que ele lhe dera sua rosa multicolorida depois de discutir com Rony.
- É claro, para ficar mais emocionante! E depois, teremos os três...
- Os três Malfoyzinhos, é claro! Como eu pude me esquecer disso?

Draco mordeu-lhe o pescoço de leve enquanto Hermione dava risada.

- Pode rir, Granger, um dia você vai casar comigo, pode ter certeza.
- E o que o faz ter tanta certeza disso?-ela perguntou, provocativa.
- Você ser completamente louca por mim? Melhor, melhor, você ser inteligente o bastante pra não deixar um partido como eu, lindo, loiro e rico escapar?-Draco provocou de volta.
- Agora eu também sou rica, não preciso do seu dinheiro.-Hermione respondeu, levantando uma de suas sobrancelhas em descaso, enquanto sentava-se no colo do rapaz.
- E linda. Só, pro favor, não fique loira. Eu gosto da cor dos seus cabelos, combina com o seu cheiro. Meu avô que me perdoe, mas o cheiro de maçã de Christine nem se compara ao seu de canela.-o garoto afundou o rosto na curva do pescoço dela, distribuindo pequenos beijos na região.
- Digo o mesmo em relação à menta e ao limão.-Mione murmurou, fechando os olhos enquanto tentava controlar sua respiração.
- O que quer dizer? Eu tenho cheiro de menta?-Draco perguntou, divertido, parando com as carícias e grudando os olhos no rosto dela.
- Por mais estranho que pareça, tem.-ela confirmou, levemente irritada por ele ter parado.
- E o meu cheiro é bom?-Draco continuou, realmente achando graça.
- Se eu disser que é, você vai se gabar a noite inteira, não vai?-Hermione perguntou, num tom convencido, enquanto cruzava os braços e levantava uma de suas sobrancelhas.
- Hum, eu senti falta disso.-ele disse, traçando o contorno das sobrancelhas dela.
- De quê?
- De ver você fazendo isso só para mim. Dividir você com os seus amigos que não calam a boca nenhum minuto o dia inteiro foi muito desconfortável.-ele respondeu, acariciando os cabelos ligeiramente úmidos da garota.

Mione riu, dando-lhe um beijo na ponta do queixo. Draco deitou-se, puxando-a para que ficasse sobre ele, com a cabeça apoiado em seu peito.

- E pensar que eu estou ouvindo tudo isso de você, o Draco-riquinho-mimado-filho-de-comensal-Malfoy.
- E pensar que eu estou dizendo tudo isso a Hermione-super-inteligente-e-perfeitinha-Granger.-ele retrucou, entrando na brincadeira.
- Pelas regras naturais das coisas, nós não devíamos estar apaixonados um pelo outro.-Hermione murmurou, enquanto brincava distraída com o cordão do roupão dele.-Você é um sonserino sangue-puro e eu sou...
- Uma grifinória nascida-trouxa.-Draco completou, sem poder ver o sorriso que se formou nos lábios dela ao ouvir o “nascida-trouxa.”
- Para completar, eu sou melhor amiga do maior inimigo do chefe do seu pai.
- Se você parar para pensar, isso é engraçado.
- O quê?-ela perguntou, apoiando a cabeça em uma mão para poder vê-lo melhor.
- Bom, nesse momento, se as coisas tivessem acontecido de maneira diferente durante o verão, eu deveria ter uma Marca Negra no braço esquerdo agora, como Lúcio queria. Mas, foi justamente ele que me fez decidir a não ter a marca, a não seguir o Lord. E, por culpa do Lord e da lembrança Riddle dele que está por aí, eu me aproximei da melhor amiga de Harry Potter e agora tenho você como mais um motivo para nunca me tornar um Comensal da Morte.-Draco explicou-lhe, afastando uma mecha da franja que estava sobre os olhos dela.
- O feitiço virou contra o feiticeiro.-a menina sintetizou, sorrindo.
- Exatamente.

Hermione voltou a apoiar a cabeça no peitoril de Draco e fechou os olhos, ficando em silêncio, enquanto ele cantarolava alguma canção que ela não conhecia.

- Draco, posso lhe perguntar uma coisa?
- Uhum.
- Por que você passou a chamar o seu pai pelo primeiro nome?-o sonserino endureceu abaixo dela assim que ouviu a pergunta.-Você o adorava, vivia se vangloriando sobre ser filho dele e tudo o mais e, de repente, não quer nem mesmo falar o nome dele.
- Ele fez algo que...Não tem perdão, Hermione. Algo que me fez desistir de seguir do mesmo lado que ele e o resto da minha família nesta guerra, desistir de virar um Comensal.-o loiro disse, vagarosamente.
- Foi por isso que você discutiu daquele jeito com Snape naquele dia em que dormimos na antiga Sala da Monitoria? Por que está com raiva dos Comensais?
- Exatamente.-Draco respondeu, e a mão que estava envolvendo a cintura da garota fechou-se, num gesto de raiva.

O tom de voz do sonserino alertou-a e a grifinória voltou a levantar o rosto para encara-la. Mesmo no escuro cálido da lua, Mione conseguiu ver que o rosto pálido de Draco tinha se avermelhado, assim como os olhos claros dele, que lacrimejavam de tristeza e raiva.

- Draco, por Merlin, o que foi que aconteceu?-ela perguntou, assustada ao vê-lo daquele jeito.-Draco, responda!
- Lembra-se de quando nós discutimos na sua casa por que você queria saber mais coisas sobre o assassinato de Anthony?-ele questionou de volta, fechando os olhos com força para impedir que as lágrimas amargas escorressem.-Eu te disse que ele tinha assassinado durante o verão, lembra-se? Pois bem, foi a morte dele que me fez desistir de me tornar aliado do Lord das Trevas, de seguir o meu pai e o meu tio e...

A voz dele foi ficando cada vez mais baixa até que sumiu completamente, e ele fechou a boca para impedir que um soluço saísse. Sentindo os próprios olhos castanhos ficarem úmidos, Hermione pôs as duas mãos no rosto do loiro e sussurrou:

- Draco..Draco, por favor, abra os olhos.-o rapaz obedeceu imediatamente, deixando duas lágrimas amargas rolarem.-Diga-me...

“Eles o mataram”, transmitiram os olhos claros do sonserino para os escuros de Hermione.”O Lord mandou, e meu pai e meu tio obedeceram.”

- Não...-a grifinória sussurrou, entendendo perfeitamente.
- Eles o detestavam, sempre detestaram porque ele não aprovava o caminho que os dois filhos tinham decidido seguir. Quando o Lord retornou e eu vi o que ser um Comensal significava para toda a minha família, o quanto meus pais e meus tios estavam satisfeitos, eu quis fazer parte de tudo aquilo. Meu avô, é claro, foi contra, tentou abrir meus olhos umas trezentas vezes mas...Mas eu só realmente me dei conta do que ele temia com a minha entrada no círculo do Lord quando eles...Quando eles o mataram. Nosso avô morreu praticamente nos meus braços, Hermione.
- É por isso que você não abre as cartas da sua mãe na minha frente.-Hermione afirmou, tratando de secar as lágrimas do sonserino com as pontas dos dedos.
- Ela fica escrevendo e escrevendo, tentando justificar o que eles fizeram...Como se matar o próprio pai merecesse uma justificativa.-o loiro confirmou, e a irritação e o desprezo eram evidentes na sua voz grave e ligeiramente embargada por causa das lágrimas.-Pelo menos, agora eu já sei porque eles receberam essa ordem.
- Você acha que...Que Voldemort...
- Não diga o nome dele.-o sonserino correu em corrigi-la, bravo.
- Está bem.-a grifinória concordou, sem querer discutir.-Você acha que Você-Sabe-Quem ordenou ao seu pai e ao seu tio para matarem Anthony por causa de Christine?
- Que outra justificativa teria?-Draco questionou, sentando-se.
- Mas por que ele demoraria tanto tempo para mata-lo? Poderia ter feito isso quando estava no auge do seu poder, à dezesseis anos atrás.-Mione raciocinou, sentando ao lado dele.
- Isso eu não sei te responder.-ele suspirou, negando com a cabeça.

Mione mordeu o lábio inferior, observando-o abaixar a cabeça tristemente e fitar os pés. A revelação que Draco acabara de lhe fazer fincara mais uma faca no seu coração, ao lado da que pertencia à morte brutal de Christine. Porém, naquele momento, ela não podia se permitir a chorar pela morte do avô. Tinha que ser forte para Draco.

Com cuidado, ela pôs uma das mãos pequenas sobre as maiores do sonserino e com a outra, levantou o rosto dele pelo queixo até que ficasse na altura do seu. Sem deixar de morder os lábios, a garota aproximou-se até deixar a testa encontrar com a de Draco, os cabelos molhados se misturando. Draco respirou fundo, sentindo-se totalmente envolvido pelo cheiro de canela de Hermione, tão quente e receptivo,e encurtou a distância, beijando-a com uma intensidade febril. Ela cedeu, deitando às almofadas, e o sonserino ajustou o corpo ao dela, apoiando-se com um braço para não fazer peso em excesso. Com a mão livre, ele desfez o nó do roupão de Mione e a subiu em seguida para seus ombros, para retira-lo. Mesmo sem ter muita idéia do que estava fazendo, anestesiada, ela forçou o tronco para cima, para ajuda-lo, desfazendo o nó do roupão dele com as mãos trêmulas. Quando os dois roupões estavam jogados embolados a um canto, o casal cessou o beijo. Deitados com as cabeças na direção da sacada, podiam enxergar-se com perfeição graças ao luar. Os lábios vermelhos, ligeiramente inchados e entreabertos, os olhos brilhantes e negros pelo inesperado desejo afogando-se uns nos outros, os cabelos úmidos bagunçados.

Draco subiu a mão que repousava na cintura de Hermione lentamente, roçando os dedos finos pelo seu braço esquerdo, pela linha de sua clavícula até a mandíbula. Ela fechou os olhos e deixou seu rosto ser acariciado por aquele toque de quase veneração, sentindo os dedos dele desenharem o formato de seu nariz e de seus olhos, o desenho de suas sobrancelhas. Quando a mão dele pousou no contorno de seus lábios, a garota reabriu os olhos. O loiro não era nada além de divino acima de si, com seus fios platinados voltados na direção dela e as bochechas, sempre tão pálidas, coloridas por um vermelho suave. Tão extasiada quanto ele, Hermione sussurrou:

- Draco...
- Shh!-o sonserino pediu no mesmo instante, pousando apenas o dedo indicador sobre a boca dela, para que se calasse.-Hermione, escute. Nós não precisamos fazer nada que você não queira.
- E o que você quer?-ela perguntou de volta, pegando a mão dele com a sua, apertando-a.
- O que você quiser.-o loiro respondeu, firme.
- Então...Sinta.-ela pediu, levando a mão dele para a região entre os seus seios.
Ele fechou os olhos e concentrou-se nas batidas ritmadas do coração de Hermione, em sua respiração pesada. Senti-la viva na palma de sua mão era a sensação mais feliz que ele sentia em muito tempo.

- Não há ninguém no mundo que possa fazer o meu coração bater dessa maneira além de você, que me faça sentir no céu como você faz. Tudo o que eu quero é que você sinta o mesmo que eu agora.-a garota sussurrou, esperando que ele reabrisse os olhos.-Para sempre.
- Para sempre.-Draco repetiu, com um movimento de concordância com a cabeça.

Com um movimento, a grifinória tornou a se erguer o suficiente para beija-lo novamente, sem deixar de tremer com o contato dos corpos quentes, como se uma descarga elétrica corresse para seu corpo sempre que o tocava. As mãos não demoraram para entrar em ação, as de Hermione ocuparam-se com a barra da blusa cinza do rapaz, puxando-a para cima; enquanto as de Draco desceram rapidamente na direção do quadril dela, puxando o elástico das calças de tecido leve para retira-las.

Elas deslizaram até a metade das coxas da garota e ali pararam, já que Draco ficou de joelhos puxando-a com ele para que retirassem juntos a peça de roupa que o incomodava. Hermione afastou-se dele o suficiente para contemplar o tórax, definido sem exageros pelo quadribol, iluminado pela lua. Os poucos pêlos loiros brilhavam palidamente, juntamente com uma grande cicatriz que ia do seu ombro direito à barriga. A grifinória deslizou uma mão calmamente pela linha ligeiramente mais escura que a pele dele e levantou os olhos, questionadora, a que Draco respondeu:

- Caí da vassoura em cima de uma grade aos seis anos.
- Então você não é tão idêntico ao Anthony, no fim das contas.

A pele dele formigou quando Mione passou a distribuir pequenos beijos por toda a extensão da cicatriz, ouvindo alguns graves gemidos. O sonserino a deitou novamente, com mais força do que pretendia, assim que sentiu seus lábios próximos ao cós da calça de moletom, lembrando-se que ainda tinha que terminar de retirar-lhe a calça. Com apenas um roçar de lábios, Draco deslizou o corpo para baixo, provocando contorções involuntárias e lentamente, retirou-lhe as calças. Hermione abriu as pernas e levantou o quadril, que queimava, instintivamente. A blusa comprida de botões do pijama dela era tão comprida que Draco só podia ver um pouco mais da metade de suas coxas grossas da onde estava. Draco sorriu abertamente para ela e Hermione corou, envergonhada, gemendo em seguida ao sentir as mãos dele acariciarem toda a extensão de seus pés, pernas e coxas e a boca dele (que, Merlin!, estava em todos os lugares) beijar, morder e lamber cada parte de pele branca exposta.

- Draco...-Hermione gemeu alto quando a boca do loiro encostou em sua virilha quente.

Contrariando-se, o rapaz continuou seu caminho para cima, apenas roçando o nariz no tecido de sua calcinha branca. Ajoelhou-se novamente e lentamente, sem se importar com as mãos trêmulas, desabotoou botão por botão da blusa dela, contando-os. Estava no quinto quando se deparou com uma cicatriz tão grande quanto a sua, que ia de um lado ao outro da cintura de Hermione. Ofegante, ela sussurrou, enquanto inconscientemente ajeitava o próprio quadril, sentindo a ereção do sonserino.

- Ministério, verão passado.
- Então você não é tão idêntica à Christine, no fim das contas.-Draco repetiu o que ela tinha dito antes, voltando ao trabalho de desabotoar botões.

A blusa foi arrancada e jogada longe por ela própria quando o sonserino, depois de uma eternidade, desabotoou o último botão cor de rosa. Draco soltou uma risada rouca e a recompensou, retirando o sutiã branco dela imediatamente. Com os olhos grudados um no outro, Draco pôs Hermione de joelhos e a beijou, segurando-a pelos cabelos. Distribuiu beijos do lóbulo de sua orelha até o umbigo, dedicando-se especialmente aos seios de tamanho médio, que cabiam facilmente nas palmas de suas mãos, enquanto o silêncio era coberto pelos gemidos suaves e os sussurros desconexos dela, ocupada em beija-lo nos ombros.

Um vento frio entrou pela sacada, arrepiando os corpos do casal. As mãos desceram juntas até as últimas peças de roupa, e a calcinha de Hermione foi abaixada no mesmo instante em que ela puxava a calça de moletom e a cueca preta de Draco para os joelhos dele. Com os quadris levemente pressionados um no outro, eles se encararam uma última vez. Por trás da respiração descompassada e das pupilas dilatadas, viram o mesmo sentimento, reflexo um do outro: um amor imenso, misturado à dor do que o amanhã lhes reservaria.

- Eu amo você.-Draco murmurou, entrelaçando os dedos nos dela.
- Pra sempre.-Hermione completou, com os olhos marejados.

Os olhos se fecharam e Hermione arqueou as costas para trás ao senti-lo deslizar para dentro de si, lentamente. Com cuidado, aos poucos, o sonserino aumentou o ritmo, sentindo o centro de Hermione, quente e úmido, apertar-se em torno de si. Na verdade, tudo era quente e úmido à volta dos dois, na temperatura certa para que perdessem os sentidos. Tudo resumia-se a fogo, e desejo, e carinho, e "Draco", "Hermione" e "Merlin". Hermione gritou assim que atingiu o clímax, formigando de prazer da ponta dos dedos dos pés até o último fio de cabelo. Enquanto contraia todos os músculos das pernas em volta da cintura de Draco, ele despejou-se dentro dela, com um gemido alto, despencando em cima dela.
Olharam-se, completamente afogueados. Hermione soltou um último gemido cansado quando o loiro saiu de dentro de si, mas o impediu de sair de cima de si ou de soltar suas mãos. Os quase vinte quilos a mais que ele tinha não pesavam nada sobre seu corpo ainda trêmulo de prazer. Sorrindo, ele perguntou:

- Tem certeza que não quer que eu saia? Eu não estou esmagando você?
- Não...Eu não sinto peso nenhum. Agora você inteiro faz parte de mim, você inteiro sou eu.
- Imagino então que os seus pés estejam formigando então. Os meus estão.-Draco riu, divertido.
- Meus pés?-ela questionou, ligeiramente confusa.-Meu corpo inteiro está formigando. Eu me sinto no céu.
- Estamos no céu, meu anjo.

*


Ela respirou fundo, inalando um forte perfume de menta, e um sorriso leve se desenhou nos seus lábios. Uma música doce e pura, sem muitos arranjos, chegava baixo aos seus ouvidos enquanto uma brisa fria levantava os fios de sua franja. Hermione gemeu, satisfeita, abraçando-se à coisa fofa em que estava deitada em cima. Tão fofa que nem se comparava à sua cama no dormitório feminino do sexto ano da Grifinória. Parecia mais com...Uma nuvem, fofinha como um algodão-doce.

“Nuvem...Que coisa mais boba para se pensar. Como você pode estar tão confortável em um lugar que nem sabe onde é?” uma voz brava soou dentro da cabeça sonolenta de Hermione. “Acorde, e pare de pensar besteiras.”

- Não são besteiras...-a garota murmurou, sonolenta, brigando consigo mesma.-Cale a boca.

A música parou no mesmo instante, sendo substituída por uma risada grave e gostosa. Os olhos castanhos de Hermione se abriram no segundo seguinte, totalmente despertos, focalizando o lindo rapaz que Draco era sentado com o violão no colo, apoiado na parede da sala circular.

- O que não são besteiras, bela adormecida?-ele perguntou, pondo o violão de lado, olhando-a com um carinho imenso.
- Nada...O que você está fazendo aí? Volte pra cá.-Mione mandou, sentindo repentinamente a falta que o corpo do loiro fazia sobre o seu.

Acordada, ela percebeu que estava envolta por um cobertor da mesma cor das almofadas-nuvens que cobriam todo o chão, alguns tons mais claras do que estavam quando tinha chegado ali. As próprias paredes estavam mudando lentamente de tons de azul mais escuros para mais claros. Tinha parado de nevar. O dia da véspera de Natal estava amanhecendo.

- Sim, senhora.-Draco riu, engatinhando até ela. Para profundo descontentamento de Hermione, as calças dele estavam no lugar certo e o roupão cobria as suas costas e braços, deixando apenas um pouco de seu peitoral pálido à vista.-Dormiu bem?
- Maravilhosamente. Quanto tempo eu dormi?
- Pouco mais de uma hora. O sol está nascendo.-o sonserino respondeu, abraçando-a e dando-lhe um beijo.
- Você não dormiu?-Hermione questionou, grata mentalmente por ele ter arranjando aquele cobertor para cobrir seu corpo nu.
- Não.
- Eu não me lembro de ter adormecido.
- Você dormiu falando comigo. E você não esperava que eu perdesse a oportunidade de ficar te observando, certo?
- Mas...Você não está cansado?
- Não tanto para dormir...Ou para amar você de novo.

Hermione corou violentamente ao ouvi-lo e Draco riu com gosto, beijando-lhe em seguida.

- Seu sonserino tarado!-ela reclamou, empurrando-o e virando de costas, para esconder o rubor.
- Sua grifinória inocente!-o loiro provocou, ainda rindo.

Enquanto Draco gargalhava atrás de si, a menina desenrolou-se o suficiente do cobertor para ficar com as costas livres e pôs, rapidamente, a blusa do pijama novamente. O garoto atacou-a, virando de frente para ele novamente, beijando-a com ardor.

- Draco..Hum...Merlin, o que te fez...
- Essa sua tatuagem me deixa louco.-ele ronronou, lambendo-a no pescoço dela, enquanto suas mãos acariciavam a curva de sua cintura pela blusa aberta.
- Ah, eu...Hum, Draco, eu...Espera...Espera um pouco...-ela disse com a voz comicamente entrecortada pela falta de fôlego.
- Esperar o quê?-o loiro questionou, as mãos apoderando-se dessa vez de um dos seios enquanto o outro era beijado com vontade.
- Nada...Deixa pra lá.-Hermione desistiu, puxando a calça dele para baixo novamente.

Quando os movimentos finalmente terminaram com mais gritos e tremores, o sol pálido de inverno já tinha despontado totalmente no céu, que agora era de um azul claro profundo, quebrado apenas pelas nuvens brancas.
- Certo, se você fizer isso todas as vezes que vir um pedaço a mais de pele minha aparecendo, nós nunca vamos sair desse lugar.-Hermione murmurou, deitada dessa vez por cima do garoto.
- Eu não me importo de ficar aqui para sempre com você.-Draco murmurou, fazendo-lhe cafuné.
- Eu também não me importo mas não é como se o mundo tivesse terminado e só tivesse sobrado nós dois de pessoas para povoa-lo de novo.
- Seria um ótimo trabalho esse de povoar o planeta...-ele murmurou, puxando-a para um beijo.
- Draco!-Hermione exclamou, com uma voz firme que não combinava com o seu corpo em chamas.
- Ok, ok.-o sonserino concordou, meio irritado, soltando-a.
- Feche os olhos.

Draco a obedeceu e Hermione ergueu-se, pegando suas roupas. Quando finalmente cada pedaço de tecido estava no lugar certo de seu corpo de novo, ela virou-se de costas e disse que ele já podia se vestir. Cinco minutos depois e o corpo do sonserino também estava devidamente coberto, evitando assim que qualquer um dos dois caísse em tentação.

- Agora...-a menina se aproximou do muito irritado, Malfoy, e enlaçou os braços em volta do pescoço dele.-O que você estava tocando no violão?
- Nada.-Draco respondeu, olhando para cima.
- Ahn, nada? Mas parecia tão bom, tão calmo...O que era?
- Uma canção...Mas não está pronta ainda.
- Pode me mostrar mesmo não estando pronta.-Hermione disse, com um sorriso doce no rosto.
- Não, você não mer...-o loiro retrucou.
- Draco...Por favor.
- Não.
- Por favor.-a grifinória pediu novamente com a voz mole, dando-lhe um beijo no queixo.

O sonserino olhou para baixo, sentindo o peito aquecer-se pela expressão meiga da namorada.

- Você é impossível, Srta. Granger.

Hermione segurou-se para não comemorar quando o loiro a soltou e foi buscar o violão. Com uma expressão de boa menina, ela sentou-se novamente e esperou que ele se sentasse na frente dela.

- Não reclame se não estiver boa o suficiente.-Draco advertiu, respirando fundo.

Ele dedilhou duas vezes as cordas do violão, batendo com a mão em sua lateral nos espaços entre elas antes de começar a tocar. Antes que Hermione esperasse, ele começou a cantar, olhando fixamente para ela, como se tivesse decorado exatamente o que fazer com os dedos.

There was a time
Houve um tempo
I had nothing to give
Em que eu não tinha nada a dar
I needed shelter from the storm I was in
Eu precisava de um abrigo contra a tempestade na qual estava
And when it all got too heavy
E, quando tudo ficou pesado demais
You carried my weight
Você carregou meu peso
And I want to hold you
E eu quero abraçar você
And I want to say…
E eu quero dizer...

That you are all that I need
Que você é tudo o que eu preciso
For you, I give my soul to keep
Por você, eu me desfaço da minha alma
You see me, love me
Você me vê, me ama
Just the way I am
Exatamente do jeito que sou
For you I am a better man
Por você, eu sou um homem melhor
I said you are the reason
Eu disse que você é a razão
For everything I do
De tudo o que faço
I'd be lost, so lost without you
Eu ficaria perdido, tão perdido sem você

Under the stars
Sob as estrelas
At the edge of the sea
Na margem do oceano
There's no one around
Não há ninguém em volta
No one but you and me
Ninguém além de você e eu
We'd talk for hours
Nós conversaríamos por horas
As time drifts away
Enquanto o tempo passava
I could stay here forever
Eu poderia ficar aqui eternamente
And hold you this way
E preservar você desse jeito


Sem deixar de olhar para Hermione, Draco pôs-se a tocar mais alto, anunciando o final da canção.

‘Cause you are all that I need
Porque você é tudo o que eu preciso
For you, I give my soul to keep
Por você, eu me desfaço da minha alma
You see me, love me
Você me vê, me ama
Just the way I am
Exatamente do jeito que sou
I said for you I am a better man
Por você, eu sou um homem melhor
I said you are the reason
Eu disse que você é a razão
For everything I do
De tudo o que faço.
I'd be lost, so lost without you
Eu ficaria perdido, tão perdido sem você


Hermione respirou fundo, tentando não chorar, e se jogou nos braços do garoto.

- É maravilhosa, Draco, obrigada.-ela sussurrou, sentindo os braços dele a apertarem com força.
- Mesmo? Eu pretendia cantar isso depois, no último dia do ano, mas você, curiosa, tinha que me fazer cantar antes.-ele explicou, mas não havia mais traço de irritação em sua voz.
- Como se o último dia do ano pudesse ser mais maravilhoso do que o dia de hoje está sendo.
- Hum...-ele suspirou, sorrindo contra a curva do pescoço da grifinória.-I’d be lost, so lost without you...-Draco cantarolou novamente, macio.
- I’d be lost, so lost without you…-a voz de Hermione cantarolou em seguida e ela sorriu, beijando-o com carinho.


N/A: Música do cap: Better Man, do James Morrison. Baixem, é linda. Na verdade, baixem o cd inteiro, o cara é mt bom!

Nhaaa, e ai, o que vocês acharam, belezuras?? Na verdade, eu to meio nervosa com a resposta de vocês. Eu demorei muito pra escrever esse cap, escrevi o coitado todo fora de ordem e quando ele ficou pronto, à três sábados atrás (desculpem-me pelo aviso do sábado, é que sempre na hora que eu ia postar, eu inventava de mudar alguma coisa e atrasava o post), estava TÃO, mas TÃO estranho que eu deletei quase tudo e escrevi de novo.

Só a parte do Draco e da Hermione eu escrevi umas cinco vezes e só não escrevi pela sexta vez porque eu desisti de ler a cena. O NC-17 está aí, como muita gente tinha pedido, mas eu realmente NÃO SEI se eu o escrevi direito. Eu procurei detalhar da melhor maneira possível sem ficar nojento ou vulgar..Eu queria algo romântico e bem escrito, serm parecer muito metódico. Enfim, eu não faço a mínima idéia se ficou bom ou não..E isso é um ótimo motivo para vocês me deixarem reviews! =D

Por falar em review, como sempre, eu recebi muitas e não vou respondê-las, o que não quer dizer que eu não as leia umas trezentas vezes. MUITO OBRIGADA POR TODAS! Só pra deixar um toque pra todo mundo, algumas leitoras comentaram sobre a "ausência" do cordão umbilical do Luca no cap passado. O que eu posso dizer? Eu pensei muito em pôr ou não o cordão e a placenta e todas as outras coisas que saem da mãe quando ela têm um bebê e no fim, decidi deixar de fora porque eu ia me atrapalhar muito com esses detalhes. Mas, não se preocupem, o Luca tem umbigo como todo mundo, tá? =D

O próx cap virá em menos de um mês (Aleluia!) porque a maior parte dele já está esboçada. Acabamos com o 24, pessoal, e a fic termina no 27 + epílogo, então preparem-se para o fim de OpV!

Beijocas e até a próxima, Nath Malfoy!!! =**

PS: Eu estou pouco me lixando para a nova reforma ortográfica, então tudo o que eu escrevo está de acordo com a ortografia antiga. Portuguuês bom é português antigo, falô?

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