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1. Linhas Paralelas


Fic: Linhas Paralelas


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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 O vazio me tomava, pouco a pouco junto com uma dúvida gigantesca que eu nunca experimentara antes. Não sentia um vazio como esse desde os últimos seis anos, quando me apaixonei pelo meu melhor amigo.
 Era um sentimento dispensável, como a saudade. Mas ainda assim era melhor do que não sentir nada.

 Eu estava completamente satisfeita com a minha vida quando me levantei nesta manhã e olhei para um ruivo particularmente lindo deitado ao meu lado. Olhei no relógio. Descobri que estávamos atrasados. De novo. Levantei-me de um salto e chamei Rony. Ele se levantou com a cara toda amassada e um olhar de sono muito típico dele, mas não sorriu como fazia todas as manhãs quando descobria que estávamos atrasados. Estranho.
 Já na cozinha, decidi contar à ele uma coisa:
 - Rony, podemos conversar? - ele me olhou, depois voltou a cabeça para o relógio para ver as horas e o encarou até que descobrisse que ele não usava relógio.
 - Estou atrasado. - disse se levantando e dando um breve adeus para mim antes de sair pela porta.

 Agora lembrando disso, pensei que isso era tão antípico dele. Adorava nossas despedidas para ir ao trabalho, por que ele me beijava na soleira da porta como um adolescente. Ele não fizera isso essa manhã. E eu senti falta disso.
 Cheguei minha mão próxima aos lábios dele para sentir sua respiração. Gostava de fazer isso, por que às vezes ele dormia muito pesado e eu queia me certificar de que ainda estava vivo. Senti sua respiração chegar até a minha mão, quente e viva. 

 Já de volta do trabalho, eu estava na cozinha fazendo um chá. Sempre fazia isso para esperá-lo chegar. 
 Ele entrou pela porta e me jogou um "oi" rápido e indo se jogar no sofá. 
 - Rony? - chamei. Eu queria lhe contar uma coisa, mas ele apenas resmungou sobre eu estar atrapalhando-o na escuta do rádio. Achei-o estupido.
 Lembro-me que me levantei para dizer umas boas verdades para ele, mas encontrei seus olhos azuis e as palavras me fugiram. Apenas subi as escadas sem desejar boa noite à ele.

 Odiei suas pálbebras fechadas que impossibilitavam a minha visão daqueles olhos. 
 Odiei seus braços que não estavam à minha volta como sempre estávamos antes de dormir.
 Odiei seus lábios por ter negado meu direito de beijá-los.
 Odiei sua respiração que sempre estava em meu pescoço quando ele chegava do trabalho e sussurrava no meu ouvido que estava com saudades.
 Odiei meu corpo por desejá-lo tanto.
 Odiei sua voz por não se dirigir à mim corretamente hoje.
 Odiei o pedacinho dele que crescia em mim havia duas semanas.
 E me odiei por ser a única a saber disso. Ele não me dera chance de contar.
 Juntei meus joelhos ao corpo e me abracei, para compensar o frio que eu sentia. Meus joelhos protestaram, desejando outro par de braços. Mas eles não estavam disponíveis.
 Fui repassando cada lmebraça de toda a minha vida e percebi que as melhores que eu tinha envolviam meu ruivo. O vazio aumentou, como se soubesse o que estava por vir. Eu tambem sabia. A rejeição é sempre seguida do abandono; como o estupro é sempre seguido de morte. Não pode haver testemunhas. O abandono é a consequencia natural da rejeição; assim como a morte é consequencia natural do estupro. Não pode haver testemunhas. Não pode.
 Mas havia uma. Dentro de mim. Que teria cabelos ruivos e olhar maroto. Que ia ser inteligente e vidrada em livros. Um pedacinho de nós dois.
 Lágrimas começaram a cair de meus olhos sem permissão e eu tive medo de que ele acordasse, mas não sairia dali. Finalmente, quando os soluços pareciam altos demais, me convenci de que precisava descer ou ele acordaria.
 Levantei-me devagar, as pernas bambas e o coração batendo fraco. Minhas mãos tremiam em volta da barriga. As lágrimas não tinham mais fim. Minha respiração entrecortada soava quase como gemidos de dor.
 Desci as escadas e a casa sem ele parecia levemente assombrada. Eu não me importei.
 Fui direto para a cozinha onde comecei a preparar o chá. Precisava me acalmar. Poderia não ser nada. Ele podia estar cansado do trabalho. Ele poderia estar extressado com a família. Ele poderia... Ter descoberto que depois de seis anos e meio não me amava mais. Ou talvez nunca tivesse me amado e não soubesse disso.  As lágrimas caíam dentro da xícara, se misturando com o chá. Eu não me importei.  Morreria e sabia disso. Morreria e gostaria disso. Morreria se ele me deixasse.
 - O que foi? - uma voz surgiu atras de mim, me dando um susto e me fazendo deixar a xícara cair aos meus pés. Limpei rapidamente as lágrimas antes de me abaixar e começar a recolher a bagunça.
 Senti ele vir até mim e me ajudar a recolher tudo.
 Já com o chão limpo, voltamos juntos para a sala em direção à escada, onde nossas mãos se roçaram levemente e eu deixei escapar um soluço.
 Pude perceber que os olhos azuis dele me fitavam, mas não o encarei. Percebi que sua mão vinha na minha direção, encostando-se e m meu queixo e virando-o para cima, obrigando-me a olhar nos seus olhos. Foi a gota d'água.
 As lágrimas saíram dos meus olhos, finalmente livres. Me joguei nos braços do meu ruivo enquanto eu ainda podia chama-lo de meu.
 Rony me arrastou para o sofá, onde se sentou e me abraçou. Obrigação, percebi. E voltei a soluçar. Quanto tempo mais a obrigação prevaleceria?
 Quando minhas lágrimas finalmente esgotaram seu estoque, me virei para olhá-lo.
 - O que foi? - ele perguntou novamente.
 - Me diz você. - retruquei. - Se eu disser que trocamos duas palavras hoje, será muito e eu vou estar mentindo. - sussurrei.
 Seus olhos azuis se encheram de mágoa. 
 - Acho que não estou fazendo isso do jeito certo. - ele refletiu. E haveria um jeito certo?
 - Venho tentando te falar uma coisa desde de manhã, mas você simplesmente me ignora. - argumentei.
 - Não estou ignorando agora. - ele contra argumentou.
 Bufei. Eu devia ter esperado que ele me dissesse isso. Mas aproveitei a chance. Peguei a mão do meu namorado e a encostei de lava na minha barriga. Esperava que a notícia o fizesse mudar de idéia. O que era egoísta. 
 Um reflexo de entendimento lampejou nos seus olhos. Rony encarou a mão que estava na minha barriga com um olhar perplexo. Como se esperasse que algo acontecesse.
 Seu rosto se virou para mim e me encarou nos olhos por um momento. E eu vi. A felicidade encontrar seus olhos e vi seus lábios abrirem o sorriso mais bonito que Ronald Weasley já havia aberto para mim. Sorri tambem.
 As lágrimas brilharam em seus olhos azuis e ele chorou. Sua outra mão se juntou à minha barriga tambem e ele me abraçou. Eu o abracei de volta.
 - Sério? - ele se certificou. Balancei a cabeça afirmativamente. Ele riu alto.
 Ele beijou meu cabelo, meu pescoço, descendo pelo ombro até chegar na minha barriga e se demorou lá. Pude apreciar de sua felicidade e compará-la com a minha quando descobri a mesma coisa. 
 Quando finalmente ele me olhou, lágrimas ainda escorriam pela sua face. Eu as limpei e disse:
 - Sua vez. - dei à ele a chance de falar.
 - Desculpe. - ele disse. - Eu fiquei muito nervoso. Pedi ajuda ao Harry e ele me disse que era para ser surpresa. Mas eu não parava de pensar nisso e eu sempre falo o que penso, o que dificulta um pouco guardar segredos. - ele realmente parecia nervoso.
 - O que foi, Ronald? - o chamei pelo nome inteiro, como fazia quando sabia que ele estava aprontando alguma.
 - Eu ensaiei. Procurei um modo de dizer, mas os resultados não foram mutio bons. - ele se desculpou. Eu já não entendia mais nada.
 Rony pegou a varinha e murmurou alguma coisa que não entendi. Flutuando pelo ar, veio uma linha de costura. Fiquei ainda mais confusa.
 - Por favor, não ria. Não tenho nada pronto, mas acho que agora é o momento. Então vou improvisar. - ele pegou a linha e amarrou a ponta no meu dedo anelar esquerdo e segurou a outra ponta. - Mione, o que é uma reta paralela? - perguntou ele, corando.
 Não entendi por que aquilo agora, mas respondi. Eu nunca deixava uma pergunta pairar se soubesse a resposta:
 - É uma reta que não se cruza.
 - Mentira. - ele me cortou. - Ela pode cruzar, quiser.
 Juntei as sobrancelhas.
 - Pode?
 - Sim. Quando uma linha é paralela, ela não se cruza, mas quando ela encontra uma outra linha, tambem paralela, e se apaixona por esta, ela vira perpendicular. Você sabia?
 - Não. - eu ri.
 - Eu e você, Mione, somos linhas paralelas que seguem por caminhos iguais, lado a lado, faz muito tempo. E eu finalmente descobri que quero virar uma linha perpendicular. Mas para isso, preciso de outra linha paralela, para se cruzar comigo.  Eu ri.
 - Nada de malícias. - ele me repreendeu. - E não ria.
 - Desculpe. - me controlei.
 - Enfim, quero que a linha paralela Hermione se cruze com a linha Ronald, para que juntos eles se tornem perpendiculares. - ele colocou um anel na ponta da linha que segurava e o deixou escorregar até o meu dedo, onde se encaixou. Em seguida, ele desamarrou a linha do meu dedo, se ajoelhou no chão e disse:
 - Quer se casar comigo? - uma felicidade imensa me invadiu e eu chorei pela segunda vez na mesma noite, mas por motivos diferentes.
 Eu o abracei e sussurrei no seu ouvido:
 - Não precisa perguntar.







Nota: bom tá aí, meu segundo fic. Comentem, aceito critcas tambem. 
 As partes grifadas são lembranças de Hermione, para não cofundir meus leitores ( se houver algum). 
 Enfim, obrigado pela atenção. 
  

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Comentários: 4

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Enviado por Neuzimar de Faria em 23/12/2012

Muito linda! Eu gosto do casal, você sabe. rsrs

Nota: 5

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Enviado por Artemis Granger em 21/04/2012

Gostei!
Linda a história, apesar da minha preferencias por Dramiones... a sua me cativou

Nota: 5

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Enviado por Miiih McKinnon em 13/05/2011

Que fofa!!!
Amei *-*
Principalmente por que é Rony e Hemrione ;P
Vou ler as suas outras fics e comentar!! *-*
Até mais!!

Nota: 5

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Enviado por Juuubs Evaans em 03/04/2011

Oooooooiii!!Le, valaeu por fazer um login pra mim, ta???

Voce ve se faz mais fics, por que eu li este e gostei!!!

( bom, nao li, tecnicamente, mas isso nao vem ao caso!!)

Bjs!


Nota: 1

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