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11. A CASA DE GAUNT*


Fic: Harry Potter e o Príncipe Mestiço 2.0


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO ONZE


A CASA DE GAUNT


 


NAS DEMAIS AULAS DE POÇÕES da semana, Harry continuou a seguir as instruções do Príncipe Mestiço sempre que divergiam das de Libatius Borage, e, em consequência, por volta da quarta aula, Slughorn estava delirante com a capacidade de Harry, e comentava que raramente ensinara a alguém tão talentoso. Nem Rony nem Hermione ficaram muito satisfeitos com isso.


 


Embora Harry oferecesse compartilhar o livro com ambos, Rony teve mais dificuldade em decifrar a caligrafia do que ele, e não poderia ficar pedindo ao amigo que lesse o texto em voz alta sem levantar suspeitas. Nesse meio tempo, Hermione enfrentava resolutamente o que ela chamava de instruções "oficiais", mas tornava-se cada vez mais mal-humorada, pois obtinha resultados mais medíocres do que os do Príncipe. Harry se perguntava sem grande interesse quem teria sido o tal Príncipe Mestiço. Embora a quantidade de deveres de casa que tinham recebido o impedisse de ler todo o exemplar de Estudos avançados no preparo de poções, ele o folheara o suficiente para ver que não havia praticamente página alguma em que o Príncipe não tivesse feito anotações, que nem sempre se referiam ao preparo de poções. Aqui e ali havia instruções para


feitiços que pareciam inventados por ele mesmo.


 


— Ou ela mesma — rebateu Hermione irritada, escutando Harry mostrar alguns para Rony na sala comunal, sábado à noite. — Pode ter sido uma garota, acho que a letra parece mais feminina do que masculina.


 


— Chamava-se o Príncipe Mestiço — disse Harry. — Quantas meninas são príncipes?


 


Hermione não soube responder. Apenas amarrou a cara e puxou o trabalho que estava fazendo sobre "Os princípios da rematerialização", para longe de Rony, que tentava lê-lo de cabeça para baixo. Harry consultou seu relógio e guardou depressa na mochila o velho exemplar de Estudos avançados no preparo de poções.


 


— São cinco para as oito, é melhor eu ir andando ou vou chegar atrasado no escritório de Dumbledore.


 


— Ooooh! — exclamou Hermione, erguendo imediatamente a cabeça. — Boa sorte! Vamos esperar acordados, queremos saber o que ele vai lhe ensinar!


 


— Espero que tudo corra bem — disse Rony, e os dois ficaram observando Harry passar pelo buraco do retrato. Harry atravessou os corredores desertos, embora tenha precisado se esconder ligeiro atrás de uma estátua quando a professora Trelawney surgiu, de repente, numa curva do corredor, murmurando e misturando as cartas de um baralho ensebado que lia enquanto andava.


 


— Dois de espadas: conflito — murmurou ao passar pelo lugar em que Harry se escondera agachado. — Sete de espadas: mau augúrio. Dez de espadas: violência. Valete de espadas: um rapaz moreno, possivelmente perturbado, que não gosta da consulente.


 


Ela parou de repente, do lado oposto da estátua de Harry.


 


— Bem, não pode estar certo — disse contrariada, e Harry ouviu-a embaralhar


energicamente ao recomeçar a caminhada, deixando atrás de si apenas um aroma de xerez barato para uso culinário. Harry esperou até se certificar de que ela se fora, então recomeçou a correr até chegar ao ponto do corredor do sétimo andar em que havia apenas uma gárgula na parede.


 


— Acidinhas — disse Harry. A gárgula saltou para o lado; a parede oculta se abriu, e surgiu uma escada circular de pedra, na qual Harry pôs os pés para ser levado até a porta com a aldrava de latão que dava acesso ao escritório de Dumbledore. Harry bateu.


 


— Entre — ouviu-se a voz do diretor.


 


— Boa-noite, senhor — cumprimentou Harry, entrando no escritório.


 


— Ah, boa-noite, Harry. Sente-se — disse Dumbledore, sorrindo. — Espero que sua primeira semana na escola tenha sido prazerosa.


 


— Foi, obrigado, senhor.


 


— Deve ter andado muito ocupado, já recebeu uma detenção!


 


— Ãa... — começou Harry sem jeito, mas Dumbledore não parecia muito severo.


 


— Combinei com o professor Snape que você cumprirá sua detenção no próximo sábado.


 


— Certo — respondeu Harry, que tinha assuntos mais urgentes em sua cabeça do que a detenção de Snape, e agora procurava disfarçadamente alguma indicação do que Dumbledore pretendia fazer com ele naquela noite. O escritório circular tinha a aparência de sempre: os delicados instrumentos de prata sobre mesinhas de pernas finas soltavam fumaça e zumbiam; os antigos diretores e diretoras cochilavam em seus quadros; e a magnífica fênix do diretor, Fawkes, no poleiro atrás da porta, observava Harry com vivo interesse. Pelo visto, Dumbledore nem sequer abrira um espaço para duelar.


 


— Então, Harry — disse o diretor em tom objetivo. — Você certamente tem se perguntado o que planejei para as suas... por falta de uma palavra melhor... aulas.


 


— Tenho, senhor.


 


— Bem, agora que você sabe o que induziu Lord Voldemort a tentar matá-lo há quinze anos, concluí que já é tempo de lhe passar certas informações.


 


Houve uma pausa.


 


— O senhor disse, no fim do último trimestre, que ia me contar tudo — lembrou Harry. Era difícil eliminar um quê de acusação em sua voz. — Senhor — acrescentou.


 


— E de fato contei — concordou Dumbledore placidamente. — Contei-lhe tudo que sei. Daqui para frente, estaremos deixando o terreno firme dos fatos para viajar juntos pelos turvos alagados da memória e nos embrenhar pelo matagal das suposições mais absurdas. Deste ponto em diante, Harry, posso estar lamentavelmente tão enganado como Humphrey Belcher, que acreditou que havia aceitação para caldeirões de queijo.


 


— Mas o senhor acha que está certo?


 


— Naturalmente que sim, mas como já provei a você também, erro como qualquer outro homem. De fato, sendo, perdoe-me, bem mais inteligente do que a maioria, os meus erros tendem a ser proporcionalmente maiores.


 


— Senhor — perguntou Harry hesitante —, o que vai me contar tem a ver com a profecia? Vai me ajudar a... sobreviver?


 


— Muita relação com a profecia — respondeu Dumbledore, displicentemente, como se Harry tivesse lhe perguntado que tempo faria no dia seguinte —, e tenho esperanças de que o ajude a sobreviver.


 


O diretor ergueu-se, contornou a escrivaninha e passou por Harry; este se virou pressuroso e viu Dumbledore curvar-se para o armário ao lado da porta. Quando o diretor se endireitou, segurava uma conhecida bacia de pedra, com estranhas marcas na borda. O bruxo colocou a Penseira na escrivaninha, diante de Harry.


 


— Você parece preocupado.


 


Realmente Harry observava a bacia com apreensão. Suas experiências anteriores com o estranho objeto que guardava e revelava pensamentos e lembranças, embora extremamente instrutivas, tinham sido bastante desconfortáveis. A última vez em que ele agitara o seu conteúdo, vira muito mais do que teria desejado. Mas Dumbledore estava sorrindo.


 


— Desta vez, você vai entrar na Penseira comigo... e, o que é ainda mais incomum, tem permissão para isso.


 


— Aonde vamos, senhor?


 


— Fazer uma viagem pelos caminhos da memória de Beto Ogden — respondeu


Dumbledore, tirando do bolso um frasco de cristal contendo uma substância branco-prata que rodopiava.


 


— Quem foi Beto Ogden?


 


— Foi funcionário do Departamento de Execução das Leis da Magia. Morreu há algum tempo, mas não antes que eu o tivesse localizado e convencido a me confidenciar essas lembranças. Vamos acompanhá-lo em uma visita que fez no desempenho de suas funções. Se puder se levantar, Harry...


 


Mas Dumbledore estava tendo dificuldade para destampar o frasco de cristal: sua mão machucada parecia rígida e dolorida.


 


— Me dá... me dá licença, senhor?


 


— Não se incomode, Harry.


 


Dumbledore apontou a varinha para o frasco e a rolha saltou fora.


 


— Senhor... como foi que machucou a mão? — Harry perguntou mais uma vez, olhando os dedos escurecidos com uma sensação de horror e dó.


 


— Agora não é hora de contar essa história, Harry. Ainda não. Temos um encontro com Beto Ogden.


 


Dumbledore despejou na Penseira o conteúdo do frasco, que girou e refulgiu, nem líquido nem gasoso.


 


— Primeiro você — disse ele, indicando a bacia.


 


Harry se inclinou, inspirou profundamente e mergulhou de cara na substância prateada. Sentiu seus pés deixarem o piso do escritório; foi caindo, caindo, por um torvelinho escuro, e então, inesperadamente, se viu piscando sob um sol ofuscante. Antes que seus olhos se acostumassem, Dumbledore aterrissou ao seu lado.


 


Estavam de pé em uma estradinha rural ladeada por cercas vivas emaranhadas, sob um céu de verão vivo e azul como miosótis. A uns três metros deles, achava-se um homem baixo e gorducho que usava óculos com lentes tão grossas que reduziam seus olhos a sinaizinhos de nascença. Estava lendo um letreiro de madeira que se projetava da cerca selvática do lado esquerdo da estrada. Harry sabia que aquele devia ser o Ogden; era a única pessoa à vista, e usava a estranha variedade de roupas que muitas vezes os bruxos inexperientes escolhem para se disfarçar de trouxas; no caso, casaca e polainas por cima de uma roupa de banho listrada e inteiriça. Antes, porém, que Harry tivesse tempo para outra coisa que não registrar sua bizarra aparência, Ogden saiu andando com rapidez pela estrada.


 


Dumbledore e Harry seguiram-no. Ao passarem pelo letreiro de madeira, Harry olhou para as duas setas. Na que apontava para o lado de onde tinham vindo leu: Great Hangleton, 8 km. Na que apontava para Ogden leu: Little Hangleton, 1,6 km. Caminharam uma pequena distância sem nada ver exceto as cercas, a vastidão do céu azul e a figura de casaca à frente; então, a estrada fez uma curva para a esquerda e despencou, íngreme, descendo a encosta do morro, permitindo que, inesperadamente, descortinassem o panorama de um vale inteiro. Harry viu uma aldeia, sem dúvida Little Hangleton, aninhada entre dois morros escarpados, a igreja e o cemitério bem aparentes. Do outro lado do vale, engastada na falda do morro oposto, havia uma bela casa senhorial rodeada por um vasto e veludoso gramado.


 


Ogden diminuiu a marcha diante do acentuado declive da ladeira. Dumbledore aumentou seus passos e Harry tentou acompanhá-lo. Imaginou que Little Hangleton fosse o destino final e se perguntou, como fizera na noite em que localizaram Slughorn, por que tinham de começar de tão longe. Logo, porém, descobriu que se enganara em pensar que se dirigiam à aldeia. A estrada fazia uma curva para a direita e, quando a contornaram, viram a ponta da aba da casaca de Ogden desaparecendo por uma abertura na cerca.


 


Dumbledore e Harry continuaram a segui-lo por uma trilha estreita, ladeada de cercas vivas ainda mais altas e mais desordenadas do que as que tinham deixado para trás. O caminho era torto, rochoso e esburacado, descia o morro como o anterior e parecia conduzir a um arvoredo, sombrio um pouco mais abaixo. De fato, o caminho logo desembocou no arvoredo, e Dumbledore e Harry pararam atrás de Ogden, que se detivera para puxar a varinha.


 


Apesar do céu desanuviado, as velhas árvores projetavam sombras profundas, escuras e frescas, e Harry levou alguns segundos para enxergar a casa semi-oculta entre seus troncos. Pareceu-lhe um lugar estranho para se construir uma casa, ou então uma decisão curiosa a de deixar as árvores crescerem próximas, bloqueando toda a luz e a visão do vale. Ele se perguntou se seria habitada; as paredes estavam cobertas de musgo e havia caído tantas telhas que em alguns


pontos as traves estavam visíveis. Cresciam urtigas a toda volta e suas hastes alcançavam as janelas pequenas e grossas de sujeira. Quando acabara de concluir que era impossível que fosse habitada, uma das janelas se abriu com estrépito e deixou sair um fio de vapor ou de fumaça, como se alguém estivesse cozinhando.


 


Ogden se adiantou em silêncio e, pareceu a Harry, com cautela. Quando as sombras escuras das árvores o encobriram, ele tornou a parar com os olhos fixos na porta de entrada, à qual tinham pregado uma cobra morta. Ouviu-se, então, um farfalhar e um estalo, e um homem andrajoso despencou da árvore mais próxima, caindo de pé diante de Ogden; este pulou para trás tão rápido que pisou nas abas da casaca e se desequilibrou.


 


— Você não é bem-vindo.


 


O homem à frente deles tinha cabelos espessos tão entremeados de sujeira que não dava para distinguir a cor. Faltavam-lhe vários dentes na boca; e os olhos, pequenos e escuros, olhavam em direções opostas. Sua aparência poderia ter sido cômica, mas não era; produzia um efeito assustador, e Harry não podia censurar Ogden por recuar mais alguns passos antes de falar.


 


— Ãh... bom-dia. Sou do Ministério da Magia...


 


— Você não é bem-vindo.


 


— Ãh... desculpe... não estou entendendo — respondeu Ogden nervoso.


 


Harry achou que Ogden estava sendo extremamente obtuso; em sua opinião, o estranho fora muito claro, principalmente porque brandia uma varinha em uma das mãos e uma faca de lâmina curta, ensanguentada, na outra.


 


— Você com certeza está entendendo, não, Harry? — indagou Dumbledore em voz baixa.


 


— Claro que estou — respondeu ele um pouco confuso. — Por que Ogden não...?


 


Mas quando tornou a olhar a cobra na porta, repentinamente compreendeu.


 


— Ele está falando a linguagem das cobras?


 


— Muito bom — assentiu Dumbledore, sorrindo.


 


O homem andrajoso agora avançava para Ogden, a faca em uma das mãos e a varinha na outra.


 


— Escute aqui — começou Ogden, mas tarde demais: ouviu-se um estampido e ele foi parar no chão, apertando o nariz, que espirrava entre os seus dedos uma gosma amarelada e feia.


 


— Morfino! — gritou uma voz.


 


Um homem mais velho saiu depressa da casa batendo a porta ao passar e fazendo a cobra balançar pateticamente. Este homem era mais baixo do que o primeiro e tinha estranhas proporções; os ombros eram muito largos e os braços compridos demais, o que, juntamente com os olhos vivos e castanhos, os cabelos espessos e curtos e o rosto enrugado, dava-lhe a aparência de um macaco idoso e forte. Parou ao lado do homem com a faca, que agora soltava gargalhadas ao ver Ogden no chão.


 


— Ministério é? — perguntou o homem mais velho, olhando Ogden com arrogância.


 


— Correto! — confirmou ele com raiva, limpando o rosto. — E o senhor, presumo, é o Sr. Gaunt?


 


— Isso. Ele acertou seu rosto, foi?


 


— Foi! — retorquiu Ogden.


 


— O senhor não deveria ter anunciado sua presença? — perguntou Gaunt agressivamente.


 


— Isto é uma propriedade privada. Ninguém pode ir entrando e esperar que o meu filho não se defenda.


 


— Defenda de quê, homem? — contestou Ogden, se levantando.


 


— Bisbilhoteiros. Invasores. Trouxas e ralé.


 


Ogden apontou a varinha para o próprio nariz, de onde continuava a escorrer uma abundante secreção semelhante a pus, e estancou o corrimento. O Sr. Gaunt disse a Morfino, pelo canto da boca.


 


— Entre. Não discuta.


 


Desta vez, alertado, Harry reconheceu a língua que o homem falava; ao mesmo tempo em que entendia o que era dito, distinguia o estranho sibilado que era só o que Ogden podia ouvir.


 


Morfino deu a impressão de que ia discordar, mas, quando o pai ameaçou-o com um olhar, ele mudou de ideia; saiu em direção a casa com uma estranha ginga e bateu a porta, fazendo a cobra balançar tristemente.


 


— Foi o seu filho que vim ver, Sr. Gaunt — explicou Ogden, enxugando o resto de pus da frente da casaca. — Aquele era o Morfino, não?


 


— Ah, era o Morfino — confirmou o velho, indiferente. — O senhor tem sangue puro? — perguntou repentinamente agressivo.


 


— Isto não vem ao caso — respondeu Ogden com frieza, e Harry sentiu o seu respeito pelo bruxo crescer. Aparentemente isto fazia diferença para Gaunt. Ele estudou o rosto de Ogden e resmungou em um tom decididamente ofensivo.


 


— Pensando bem, já vi narizes iguais ao seu na aldeia.


 


— Não duvido nada, se o senhor costuma soltar seu filho contra eles. Que tal continuarmos essa discussão dentro de casa?


 


— Dentro?


 


— É, Sr. Ogden. Já disse que estou aqui por causa de Morfino. Enviamos uma coruja...


 


— Não estou interessado em corujas. Não abro cartas.


 


— Então o senhor não tem razão para reclamar que as visitas apareçam sem avisar — retrucou Ogden, mordaz. — Estou aqui porque ocorreu uma séria violação das leis bruxas nas primeiras horas desta manhã...


 


— Está bem, está bem, está bem! — berrou Gaunt. — Entre na maldita casa, então, mas não vai lhe adiantar muito!


 


A casa parecia conter três cômodos minúsculos. Havia duas portas no cômodo principal, que servia de sala e cozinha. Morfino estava sentado em uma poltrona imunda ao lado do fogão enfumaçado, enrolando uma cobra entre os dedos grossos enquanto cantava baixinho em sua linguagem.


 


Silva, silva, serpinha, Serpeia pelo soalho Seja sempre boazinha ou Morfino crava você.


 


Ouviu-se um arrastar de pés no canto ao lado da janela aberta, e Harry notou que havia mais alguém na sala, uma garota cujo vestido cinzento e rasgado era exatamente da cor da parede de pedra encardida às suas costas. Estava em pé ao lado de uma panela que fumegava em um fogão negro, e mexia na prateleira com panelas e caçarolas de aspecto miserável mais acima. Seus cabelos eram escorridos e sem vida e o rosto comum, pálido e feioso. Seus olhos, como os do irmão, eram divergentes. Parecia um pouco mais limpa do que os dois homens, mas Harry avaliou que nunca vira ninguém tão arrasado.


 


— Minha filha Mérope — Gaunt apresentou-a de má vontade, quando Ogden lançou à garota um olhar indagador.


 


— Bom-dia — cumprimentou-a Ogden.


 


Ela não respondeu; lançando um olhar assustado ao pai, deu as costas à sala e continuou a trocar as panelas de lugar na prateleira.


 


— Bem, Sr. Gaunt, para ir direto ao assunto, temos razões para acreditar que seu filho Morfino executou um feitiço diante de um trouxa no final da noite de ontem.


 


Ouviu-se um estrondo metálico. Mérope deixara cair uma panela.


 


— Apanhe isso! — berrou Gaunt para a filha. — Isso, fuce o chão como uma trouxa porca, para que serve a sua varinha, seu saco de estrume?


 


— Sr. Gaunt, por favor! — pediu Ogden em tom chocado, enquanto Mérope, que já apanhara a panela, com o rosto malhado de rubor, tornou a soltá-la e puxou a varinha do bolso; apontou-a para o objeto e murmurou um feitiço apressado e inaudível que fez a panela voar para longe dela, bater na parede oposta e rachar ao meio. Morfino soltou sua gargalhada demente. Gaunt gritou:


 


— Conserte isso, sua imprestável, conserte isso!


 


Mérope saiu tropeçando pela sala, mas, antes que tivesse tempo de erguer a varinha, Ogden empunhou a dele e ordenou com firmeza:


 


— Reparo. — E a panela se consertou instantaneamente.


 


Por um momento, pareceu que Gaunt ia gritar com Ogden, mas deve ter pensado melhor; em vez disso, caçoou da filha:


 


— Que sorte o homem bonzinho do Ministério está aqui, não é? Quem sabe ele tira você das minhas mãos, quem sabe ele não se incomoda com Abortos nojentos...


 


Sem olhar para ninguém ou agradecer a Ogden, Mérope apanhou a panela e devolveu-a, com as mãos trêmulas, à prateleira. Postou-se, então, muito quieta, as costas apoiadas na parede entre a janela muito suja e o fogão, como se o seu único desejo fosse afundar na pedra e sumir.


 


— Sr. Gaunt — recomeçou Ogden —, como eu ia dizendo, a razão da minha visita...


 


— Ouvi da primeira vez! — retrucou Gaunt. — E daí? Morfino deu a um trouxa o que estava merecendo; o que é que o senhor vai fazer?


 


— Morfino violou a lei bruxa — disse Ogden com severidade.


 


— Morfino violou a lei bruxa. — Gaunt imitou a voz de Ogden, num tom pomposo e cantado. Morfino gargalhou outra vez. — Deu uma lição a um trouxa nojento, isso agora é ilegal, é?


 


— É. Receio que seja.


 


Ogden tirou do bolso interno um pequeno rolo de pergaminho e abriu-o.


 


— E isso aí, é o quê, a sentença dele? — perguntou Gaunt, alteando a voz inflamado.


 


— É uma intimação para comparecer a uma audiência no Ministério...


 


— Intimação! Intimação? Quem o senhor pensa que é para intimar meu filho a comparecer a algum lugar?


 


— Sou o chefe do Esquadrão de Execução das Leis da Magia.


 


— E o senhor acha que somos ralé, é isso? — gritou Gaunt, e avançou para Ogden, com o dedo de unha suja e amarela apontando para o seu peito. — Ralé que se apresenta correndo quando o Ministério manda? Sabe com quem está falando, seu Sangue-Ruim nojento?


 


— Eu tinha a impressão de que estava falando com o Sr. Gaunt — respondeu ele cauteloso, mas irredutível.


 


— Exatamente! — urrou Gaunt. Por um instante, Harry pensou que ele fazia um gesto obsceno, mas percebeu que apenas mostrava o feio anel de pedra negra que usava no dedo médio, e que agitava na cara de Ogden. — Está vendo isso aqui? Está vendo isso aqui? Sabe de onde veio? Está há séculos na nossa família, tão antiga ela é, e de sangue sempre puro! Sabe quanto já me ofereceram por isso, com o brasão dos Peverell gravado na pedra?


 


— Não faço a menor ideia — replicou Ogden, piscando para o anel a centímetros do seu nariz —, e não é pertinente, Sr. Gaunt. O seu filho cometeu...


 


Com um uivo de fúria, Gaunt correu para a filha. Por uma fração de segundo, Harry pensou que ia esganá-la, quando o viu agarrá-la pelo pescoço; mas ele apenas arrastou-a até Ogden pela corrente de ouro que usava.


 


— Está vendo isso aqui? — berrou, sacudindo o pesado medalhão para Ogden, enquanto Mérope engasgava e procurava respirar.


 


— Eu estou vendo, eu estou vendo! — apressou-se ele a dizer.


 


— Vem de Slytherin! — gritou Gaunt. — De Salazar Slytherin! Somos os seus últimos descendentes vivos. Que me diz disso, eh?


 


— Sr. Gaunt, sua filha! — avisou Ogden assustado, mas o bruxo já largara Mérope; ela se afastou cambaleando de volta ao seu canto, massageando o pescoço e engolindo em seco para respirar.


 


— É o que eu queria dizer! — exclamou Gaunt triunfante, como se tivesse acabado de provar de modo irrefutável urna complicada questão. — Não venha falar conosco como se não chegássemos aos seus pés! Gerações de sangue puro, todos bruxos, o que, tenho certeza, é mais do que o senhor pode dizer!


 


E cuspiu no chão aos pés de Ogden. Morfino soltou mais gargalhadas. Mérope, encolhida ao lado da janela, a cabeça oculta pelos cabelos escorridos, permaneceu calada.


 


— Sr. Gaunt — insistiu Ogden —, receio que nem os seus antepassados nem os meus tenham a menor relação com o nosso caso. Estou aqui por causa do Morfino, Morfino e o trouxa que ele abordou ontem à noite. A informação que temos é que Morfino lançou um feitiço ou uma azaração no tal trouxa, causando-lhe uma urticária extremamente dolorosa.


 


Morfino riu.


 


— Quieto menino — rosnou Gaunt em linguagem de cobra, e Morfino tornou a se calar. — E se lançou, qual é o problema? — retorquiu Gaunt em tom de desafio. — Espero que o senhor tenha limpado a pele do trouxa e, de quebra, a memória dele...


 


— O problema é bem outro, não é, Sr. Gaunt? Foi um ataque gratuito a um indefeso...


 


— Ah, achei que o senhor tinha cara de amigo dos trouxas assim que o vi — desdenhou Gaunt, tornando a cuspir no chão.


 


— Esta discussão não está nos levando a nada — disse Ogden com firmeza. — Pela atitude do seu filho, está muito claro que não sente remorso algum pelo que fez. — E olhando para o rolo de pergaminho. — Morfino deverá comparecer a uma audiência no dia 14 de setembro, para responder às acusações de usar magia diante de um trouxa e causar ao dito trou...


 


Ogden calou-se. Entravam pela janela ruídos de metal, cascos de cavalos e risos humanos. Aparentemente, a estrada tortuosa para a aldeia passava muito próxima do arvoredo onde se situava a casa. Gaunt congelou, escutando de olhos arregalados. Morfino sibilou e virou o rosto para o lado dos ruídos, a expressão voraz. Mérope ergueu a cabeça. Seu rosto, Harry viu, estava absolutamente branco.


 


— Meu Deus, que monstruosidade! — ouviu-se uma voz de garota, claramente audível pela janela aberta como se estivesse na sala. —Será que seu pai não podia mandar remover esse casebre, Tom?


 


— Não é nosso — respondeu uma voz jovem. — Tudo do outro lado do vale nos pertence, mas essa casa pertence a um velho pobretão chamado Gaunt e aos filhos dele. O rapaz é bem maluco, você devia ouvir as histórias que contam na aldeia...


 


A moça riu. Os sons de metal e cascos aumentaram. Morfino fez menção de levantar da poltrona.


 


— Fique sentado — disse o pai em tom de aviso, em linguagem de cobra.


 


— Tom — falou a moça, agora tão próximo que deviam estar ao lado da casa —, será que me enganei ou alguém pregou uma cobra naquela porta?


 


— Santo Deus, você tem razão! — disse a voz masculina. — Deve ter sido o filho, eu não disse que ele não era bom da cabeça? Não olhe, Cecília, querida.


 


Os sons de metal e cascos foram se distanciando.


 


— Querida — murmurou Morfino naquela linguagem, olhando para a irmã. — Chamou a moça de querida. Então não ia mesmo querer você.


 


Mérope estava tão pálida que Harry teve certeza de que ela ia desmaiar.


 


— Que foi, Morfino? — perguntou Gaunt rispidamente, na mesma linguagem, seus olhos indo do filho para a filha. — Que foi que você disse, Morfino?


 


— Ela gosta de olhar o trouxa, — Com uma expressão cruel, Morfino encarou a irmã, que agora parecia aterrorizada. — Sempre no jardim quando ele passa, espiando pela cerca, não é? E a noite passada...


 


Mérope sacudiu a cabeça freneticamente, implorando, mas Morfino continuou sem se condoer:


 


— ... Pendurada na janela esperando ele voltar para casa, não é?


 


— Pendurada na janela para olhar um trouxa? — disse Gaunt em voz baixa. Os três Gaunt pareciam ter se esquecido de Ogden, que assistia ao mesmo tempo pasmo e irritado a essa nova erupção de silvos e estridências.


 


— É verdade? — perguntou Gaunt implacável, dando uns passos em direção à filha apavorada. — Minha filha, uma pura descendente de Salazar Slytherin, suspirando por um trouxa nojento de veias imundas?


 


Mérope sacudiu a cabeça com veemência, comprimindo-se contra a parede, aparentemente incapaz de falar.


 


— Mas eu o peguei, pai! — disse Morfino às gargalhadas. — Peguei quando passou por aqui e ele não ficou nada bonito coberto de urticária, ficou, Mérope?


 


— Sua bruxinha abortada nojenta, sua traidorazinha do sangue! — urrou Gaunt, descontrolado, apertando o pescoço da filha.


 


Harry e Ogden berraram "Não!" ao mesmo tempo; Ogden ergueu a varinha e ordenou:


 


— Relaxo! — Gaunt foi lançado para longe da filha; tropeçou em uma cadeira e estatelou-se de costas. Com um rugido de fúria, Morfino saltou da poltrona e avançou para Ogden, brandindo a faca ensanguentada e disparando, indiscriminadamente, azarações com a varinha. Ogden fugiu desabalado. Dumbledore fez sinal que deviam segui-lo, e Harry obedeceu, os gritos de Mérope ecoando em seus ouvidos.


 


Ogden disparou pela trilha e irrompeu pela estrada principal, os braços protegendo a cabeça, e colidindo com o lustroso cavalo de um rapaz muito bonito, de cabelos castanhos. Ele e a linda moça que cavalgava ao seu lado caíram na risada ao verem Ogden bater na ilharga do cavalo, quicar e retomar a corrida errante pela estrada, a casaca voando, coberto de pó da cabeça aos pés.


 


— Acho que já basta, Harry — disse Dumbledore, batendo em seu braço. No momento seguinte, os dois estavam voando imponderáveis pela escuridão; por fim, aterrissaram de pé no escritório de Dumbledore, agora iluminado pelo crepúsculo.


 


— Que aconteceu com a garota na casa? — foi a primeira pergunta de Harry quando Dumbledore acendia mais lâmpadas com um toque de varinha. — Mérope, ou o nome que fosse.


 


— Ah, ela sobreviveu — respondeu o diretor, se acomodando à escrivaninha e fazendo sinal para que Harry se sentasse também. — Ogden aparatou até o Ministério e voltou, quinze minutos depois, com reforços. Morfino e o pai tentaram lutar, mas os dois foram subjugados, levados da casa e, mais tarde, condenados pela Suprema Corte dos Bruxos. Morfino, já era fichado por ataques a trouxas, foi condenado a três anos em Azkaban. Servolo, que ferira vários funcionários do Ministério além de Ogden, recebeu uma pena de seis meses de prisão.


 


— Servolo? — repetiu Harry em tom de indagação.


 


— Exato — respondeu Dumbledore, aprovando-o com um sorriso. — Fico satisfeito que esteja acompanhando.


 


— O velho era...?


 


— O avô de Voldemort. Servolo, seu filho Morfino e sua filha Mérope foram os últimos Gaunt, uma família bruxa muito antiga conhecida por sua índole instável e violenta que se transmitiu através de gerações devido ao hábito de casarem entre primos. A falta de juízo associada à mania de grandeza redundou na dissipação do ouro da família muitas gerações antes de Servolo nascer. Ele viveu, como você bem viu, em condições sórdidas e miseráveis, dono de um péssimo gênio e uma arrogância e um orgulho desmedidos, além de alguns objetos de família que ele valorizava tanto quanto o filho e muito mais do que a filha.


 


— Então Mérope — perguntou Harry, curvando-se para a frente e encarando Dumbledore —, então Mérope era... senhor, quer dizer que Mérope era... a mãe de Voldemort?


 


— Exato. E por acaso vimos de relance o pai de Voldemort. Você registrou?


 


— O trouxa que Morfino atacou? O homem a cavalo?


 


— Muito bem — elogiou Dumbledore com um largo sorriso. — Aquele era Tom Riddle, pai, o trouxa bonitão que passava cavalgando pela casa dos Gaunt e por quem Mérope nutria uma paixão ardente e secreta.


 


— E eles acabaram se casando? — perguntou Harry, incrédulo e incapaz de imaginar duas pessoas com menos probabilidade de se apaixonarem.


 


— Acho que você está esquecendo — acrescentou Dumbledore — que Mérope era bruxa. Acredito que os seus poderes mágicos não se manifestassem favoravelmente enquanto esteve aterrorizada pelo pai. Mas uma vez que Servolo e Morfino foram trancafiados em Azkaban, uma vez que ela se viu livre e sozinha pela primeira vez na vida, estou certo que pôde dar rédeas à sua capacidade e planejar sua fuga da vida desesperada que levara durante dezoito anos.


"Você não consegue pensar em nada que Mérope pudesse ter feito para obrigar Tom Riddle a esquecer a companheira trouxa e se apaixonar por ela?"


 


— A Maldição Imperius? — arriscou Harry. — Ou uma poção de amor?


 


— Muito bom. Pessoalmente, me inclino mais para a poção de amor. Estou certo de que teria parecido a Mérope mais romântico e não teria sido muito difícil, em um dia de calor, quando Riddle estivesse cavalgando sozinho, persuadi-lo a beber uma água. Em todo caso, alguns meses depois da cena que acabamos de presenciar, a aldeia de Little Hangleton deliciou-se com um espantoso escândalo. Você pode imaginar o falatório que houve quando o filho do senhor das terras locais fugiu com Mérope, a filha do vagabundo.


"Mas o choque dos aldeões não se comparou ao de Servolo. Ele voltou de Azkaban, imaginando que encontraria a filha aguardando obediente o seu retorno, com uma refeição quente à mesa. Em vez disso, encontrou bem uns três centímetros de poeira e um bilhete de adeus, em que ela explicava o que fizera.


"Pelo que pude descobrir, daquele dia em diante ele nunca mais mencionou o nome da filha ou a sua existência. O choque de sua deserção talvez tenha contribuído para sua morte prematura — ou talvez ele simplesmente nunca tivesse aprendido a preparar a própria comida. Azkaban o enfraquecera muito, e Servolo não viveu o bastante para ver o regresso de Morfino a casa."


 


— E Mérope? Ela... ela morreu, não foi? Voldemort não foi criado em um orfanato?


 


— É verdade. Aqui, temos de usar um pouco a imaginação, embora não ache que seja difícil deduzir o que aconteceu. Alguns meses depois de fugir para casar, Tom Riddle reapareceu na casa senhorial de Little Hangleton sem a mulher. Correu pela vizinhança o boato de que alegava ter sido "ludibriado" e "abusado em sua boa-fé". O que quis dizer, sem dúvida, é que estivera enfeitiçado e finalmente se libertara, embora eu presuma que não se atrevesse a usar os termos exatos com medo de que o julgassem louco. Quando souberam da sua história, os aldeões imaginaram que Mérope tivesse mentido a Tom Riddle, fingindo que ia ter um filho dele, razão pela qual o rapaz se casara.


 


— Mas ela teve realmente um filho dele.


 


— Teve, mas somente um ano depois de casarem. Tom Riddle deixou-a quando ainda estava grávida.


 


— Qual foi o problema? — perguntou Harry. — Por que passou o efeito da poção de amor?


 


— Mais uma vez, estou imaginando — explicou Dumbledore —, mas acredito que Mérope, que estava profundamente apaixonada pelo marido, não suportou a ideia de continuar a escravizá-lo por artes mágicas. Acredito que tenha decidido parar de lhe dar a poção. Talvez estivesse convencida de que, àquela altura, a paixão já fosse mútua. Talvez pensasse que ele não a deixaria por causa do bebê. Se assim foi, enganou-se em ambos os casos. Ele a abandonou, nunca mais a viu e nunca se preocupou em descobrir o que acontecera ao filho.


 


O céu lá fora estava nanquim, e as luzes no escritório de Dumbledore pareciam brilhar mais fortemente do que antes.


 


— Acho que já é o suficiente, por hoje, Harry — disse Dumbledore instantes depois.


 


— Sim, senhor.


 


Harry se pôs de pé, mas não se retirou.


 


— Senhor... é importante conhecer tudo isso sobre o passado de Voldemort?


 


— Muito importante, acho.


 


— E... tem alguma coisa a ver com a profecia?


 


— Tem tudo a ver com a profecia.


 


— Certo — aceitou Harry um pouco confuso, mas ainda assim mais tranquilo.


Virou-se para sair, então lhe ocorreu mais uma pergunta, e ele deu meia-volta.


 


— Senhor, tenho permissão para contar a Rony e Hermione tudo que o senhor me contou?


 


Dumbledore estudou-o por um momento e em seguida respondeu:


 


— Tem, acho que o Sr. Weasley e a srta. Granger se provaram dignos de confiança. Mas, Harry, vou pedir que recomende a eles para não repetirem nada disso para mais ninguém. Não seria uma boa ideia se vazasse o quanto sei ou suspeito dos segredos de Lord Voldemort.


 


— Não, senhor, vou garantir que apenas Rony e Hermione saibam. Boa-noite.


 


Ele deu as costas e estava quase na porta quando o viu. Em cima de uma das mesinhas de pernas finas que suportavam tantos objetos de prata de aparência frágil havia um feio anel de ouro com uma enorme pedra negra e rachada.


 


— Senhor — comentou Harry fixando o objeto. — Aquele anel...


 


— Sim?


 


— O senhor estava usando-o na noite em que visitamos o professor Slughorn.


 


— De fato estava — concordou o bruxo.


 


— Mas não é... senhor, não é o mesmo anel que Servolo Gaunt mostrou a Ogden?


 


Dumbledore assentiu.


 


— O mesmíssimo.


 


— Então como é...? O senhor sempre o teve?


 


— Não, eu o adquiri muito recentemente. Aliás, poucos dias antes de ir buscá-lo na casa de seus tios.


 


— Teria sido mais ou menos na época em que o senhor feriu sua mão, senhor?


 


— Mais ou menos naquela época, sim, Harry. Harry hesitou. Dumbledore estava sorrindo.


 


— Senhor, como foi exatamente... ?


 


— É muito tarde, Harry. Você ouvirá a história outro dia. Boa-noite.


 


— Boa-noite, senhor.


 

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Comentários: 3

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Enviado por Jéssica J em 05/09/2011

bom reler esse capítulo, mas lembrava dele no livro...

Nota: 5

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Enviado por Tito Shacklebolt Finnigan em 31/08/2011

Não canso de ler e reler essa fic... fabulosa! 

Nota: 5

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Enviado por rosana franco em 22/05/2011

A Trelawney mesmo sem saber preve a morte o Harry,a história da Merope é realmente muito triste uma pessoa fraca,sonhadora e sem muita personalidade.Odeio esta mania do diretor de "Agora não é a hora de vc saber".

Nota: 5

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