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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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Visualizando o capítulo:

24. Maçã e Limão


Fic: Obsessão Por Você - AVISO POSTADO!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/A: Hey, belezocas!! Nath de volta postando o cap 23 com alguns dias de atraso...Desculpem, era para ter colocado o cap novinho no dia 27 mas meu pc deu uns probleminhas (que ainda não foram resolvidos) e eu tive que esperar até hoje, último dia do ano, para posta-lo através do pc do meu pai.

Muito obrigada a todo mundo que comentou, leitor novo ou antigo...Vocês realmente fazem esse trabalho valer a pena, de verdade. Prometo que, diferente desse ano que tá acabando, no ano que vem eu vou postar os caps em intervalos mais curtos de tempo...A não ser que eu passe na facul! ^^

Ah, preparem-se, viu? Esse cap é muito, muito especial 8D
Então, vamos lá!

Ah, antes que eu me esqueça, esse cap é dedicado à Biju. Não apenas por ser o cap 23 mas também por ser cheio de amor, como é o o seu coração, japinha. Obrigada por tudo, por me viciar em você de tal forma que não posso mais imaginar minha vida sem a sua presença. Best rock star sister.

Pra sempre. (L)

No capítulo anterior (para quem não se lembra):

"- Realmente, Hermione, eles têm razão, Seu pai deve ser mesmo o tal filho de Chris e Tony.-Ron falou.
- Rony, mas você não estava do meu lado?-a grifinória perguntou, indignada.
- É, mas essa prova é irrefutável. Você tem a aparência, o talento e o dom das Sutcliffe. Não tem como não ser uma.-o ruivo disse, balançando os ombros, vencido.
- Tem sim! Draco teve as visões comigo e a família dele é tão antiga quanto a Sutcliffe. Por que não pode ser ele o clarividente em vez de mim?
- Porque nunca houve um Malfoy vidente e não sou quem tem visões da Christine até mesmo quando sonha, e sim você.-o loiro retrucou.
- Mas, se sou eu que tenho as visões, como você pode vê-las também? Você tem alguma explicação para isso, Agatha?
- Tenho. Quando uma vidente é extremamente poderosa e muito próxima a alguém que é seu parente sanguíneo, ela pode transmitir suas visões a esta pessoa.
- Transmitir as visões, como assim?-Hermione perguntou, sem entender.
- Draco disse que ontem, enquanto você estava desmaiada, você abriu os olhos e o tocou no meio da testa e todos os seus pensamentos que deviam ser passados para Potter e Weasley foram parar na cabeça do Draco.-a morena falou.
- Puxa, quer dizer que aquilo foi uma transmissão de pensamentos?-o loiro perguntou.-Incrível, nunca tinha ouvido falar de uma coisa dessas antes.
- E se Mione foi capaz de transmitir os pensamentos dela para você, também poderia passar as visões que tivesse. O fato de serem primos só ajudaria.-Harry ponderou, recebendo resmungos de aprovação de Gina e Rony.
- Mas eu não sou prima dele!-a grifinória brigou, visivelmente irritada.-Não..Não posso ser.
- Tem um jeito de descobrir se você é ou não, Hermione.-Agatha tomou a atenção de todos novamente.-Mentalize algo muito, mas muito forte e toque Draco no meio da testa novamente. Se você e Draco ficarem com os olhos inteiramente brancos, como o livro diz que devem ficar, significa que está acontecendo uma transmissão e que você é uma clarividente.
- E, se você for uma clarividente, desculpe, querida, mas significa que somos sim primos e que seu pai é tão Malfoy quanto o meu.-o loiro completou, ganhando uma olhada assassina da namorada.

Hermione olhou para todos e confirmou que todos eles olhavam para ela ávidos para que aquilo realmente acontecesse e seu parentesco com Christine e Anthony fosse comprovado.

- Está bem, eu vou fazer isso. Mas é só porque vocês estão me olhando com essas caras de cachorro vira-lata.-ela suspirou, vencida, virando-se de frente para Draco.

O loiro sorriu encorajando-a e sem escolhas, ela fechou os olhos, concentrando-se na visão de Anthony e Christine comprando o relicário em forma de sol em cima da mesa. Quando a imagem estava bem viva em sua mente, a menina abriu os olhos, pegou o relicário com a mão esquerda e respirando fundo, encostou o dedo indicador da mão direito no meio das sobrancelhas de Draco. E, antes mesmo que qualquer um dos dois pudesse piscar novamente, uma luz forte cegou-os e envolve-os em uma áurea sobrenatural. Acabavam de entrar em um outro mundo..."

Cap.23: Maçã e Limão

Chris se olhou no espelho do apertado banheiro, ponderando se devia ou não usar aquilo enquanto sentia os joelhos da outra garota sentada no vaso sanitário baterem impacientes em suas pernas.

- Não seja boba, Chris, suas pernas são lindas e você deve mostra-las.-Sarah disse pela quinta vez, girando os olhos azuis-piscina para cima com impaciência.-Tirando que minissaia está na moda.
- Eu sei, Sarah, mas..Ah, você não tem nada menos curto nessa sua bolsa?-a garota perguntou, enquanto tentava fazer a saia extremamente curta de Sarah cobrir mais perna do que ela realmente podia cobrir.
- Não, Christine Sutcliffe, eu não tenho! O resto das minhas roupas estão na minhas malas lá no bagageiro, junto com a de todo mundo. Na verdade, foi sorte sua que eu tivesse essa saia aqui, que eu usei ontem e esqueci de pôr na mala de viagem.-Sarah disse, levantando-se e ficando colada à amiga.-Agora, será que dá pra gente ir? Isso daqui é apertado demais e eu não agüento mais ficar sentada nessa privada nojenta!
- Mas, mas...Eu estou me sentindo totalmente pelada só com isso!-ela reclamou, virando-se de frente para a amiga, desesperada.
- Christine..-a morena de olhos azuis murmurou, naquele tom ameaçador que só usava quando estava muito nervosa.
- ‘Tá bom, vamos, não precisa fazer essa cara!-a outra concordou, vencida.–Mas eu juro, Sarah, que vou matar o Mark por ter estragado a minha calça jeans.-entristecida, ela olhou para sua calça jeans preferida que tinha sido destruída graças a um de seus melhores amigos, Mark Potter e feitiço mal feito.
- Já é a sexta vez que você diz isso e Mark ainda está respirando, Chris! Agora, por Merlin, vamos sair daqui antes que eu fique mais irritada!-a morena reclamou abrindo a porta do banheiro e empurrando a amiga pra fora com tudo.

Chris nem pôde se virar e reclamar do empurrão porque o trem deu uma freada brusca no mesmo momento e ela voou na direção de alguém que passava por ali. A tal pessoa, surpresa, segurou-se nela para não cair no chão e acabou caindo junto da grifinória, com as pernas e braços enrolados.

- Ai!-os dois exclamaram juntos, batendo as cabeças.
- Desculpe-me, você se machucou?-Christine perguntou, um dos olhos fechados por causa da batida.

Ela olhou para a pessoa esperando uma resposta negativa que a livrasse de maiores problemas, mas a esqueceu ao encarar o belo par de olhos azuis cinzentos que acabavam de se abrir em cima dos seus. Estupefata, ela abriu o outro olho e desfez a careta que com certeza estava no seu rosto, ocupando-se apenas em se concentrar nos olhos do garoto em cima de si. A proximidade permitiu que Christine gravasse, inconscientemente, o cheiro que vinha dele: essência de limão...Ah, se contasse aquilo para Sarah, a garota sufocaria de tanta risada!

- Olá? Era só o que me faltava, parece que eles entraram em transe.-a voz de Sarah soou, em um tom que se dividia entre diversão e irritação, despertando Chris de seus denaveios.-Christine, você vai ficar aí com o Malfoy ou vai voltar comigo pra cabina?

“Espera um instante..Malfoy?” a menina pensou, sentindo uma luz vermelha piscar dentro de sua cabeça anunciando perigo. Instintivamente, Christine levantou seus olhos para o cabelo do rapaz e não se surpreendeu quando ele fez o mesmo.

- Olhos azuis, cabelos loiros, pele da cor de um zumbi...-ela murmurou, sem perceber que estava pensando alto o suficiente para que o outro a ouvisse.
- Sabe, a parte do zumbi não foi nada gentil.- o garoto respondeu, mostrando que o tal perfume de limão também estava em seu hálito.
- Espera, eu disse isso alto?-Chris ainda de se perguntou, antes do alarme em sua cabeça soar alto, acordando-a para realidade.-Malfoy?
- Ahn?-Anthony Malfoy murmurou antes de ele próprio perceber com quem estava falando.-Sutcliffe!! AH! SAI DE BAIXO DE MIM, SUA RATO DE BIBLIOTECA NOJENTA!
- SAI VOCÊ DE CIMA DE MIM, SEU LOIRO MACHISTA!-Christine gritou em resposta, empurrando-o com todas as suas forças.

Anthony levantou-se rapidamente e Christine fez o mesmo em seguida, sem deixar de notar que o garoto nem mesmo estendera a mão para ajuda-la a se pôr de pé. “Grande cavalheiro”, ela pensou, revirando os olhos.

- Você por acaso não olha por onde anda?-a grifinória vociferou, tirando parte do cabelo cheio de frente do rosto.
- EU não olho por onde ando? Caso não tenha percebido, Sutcliffe, você que apareceu do nada e se jogou em cima de mim!-o sonserino reclamou, sem deixar de completar com um sorriso.-Não que essa seja uma atitude estranha vindo de uma garota.
- Eu não me joguei em cima de você, Malfoy! O trem brecou e causou nossa queda, caso você não tenha percebido.
- É, talvez você tenha razão, Sutcliffe, você não se jogou..O meu corpo maravilhoso que agiu como um imã sobre o seu.-Tony disse, rindo em seguida.
- Ah, claro, senhor eu-me-acho-irresistível-com-minha-palidez-horrenda-e-meu-cabelo-cor-de-palha!-ela zombou.

O rosto do sonserino foi tomado por uma expressão de indignação e Sarah, que ainda estava ali, vendo aquela cena idiotamente engraçada, aproveitou para dizer:

- Então, Chris, você vai mesmo ficar aqui com Malfoy ou voltar para a cabina comigo para matar o Mark?
- Voltar para a cabina, definitivamente.-Christine respondeu, empurrando o garoto a sua frente displicentemente para o lado, aproveitando que ele ainda estava em estado de choque pelo seu último comentário.
- Espere ai..Como assim?-Tony reagiu, segurando a menina pelo braço e forçando-a olhar para ele.-Você me ofende dessa forma e acha que pode sair desse jeito, Sutcliffe?
- Acho sim, Malfoy, não vejo problema nenhum em terminar uma conversa nada produtiva com você. Agora, será que dá pra soltar o meu braço?-Sutcliffe perguntou, irritada em não conseguir se soltar da mão do rapaz.
- Hey, Peters, por que a sua amiguinha aqui está com tanta pressa em voltar para a cabina?-Anthony perguntou, um sorriso bonito e interesseiro colado no rosto, enquanto a ignorava totalmente.

No meio segundo que existiu entre a pergunta de Malfoy e a resposta de Sarah, Christine desejou com todas as forças que a amiga não falasse de suas calças jeans destruídas para o loiro. Ela sabia que Sarah tinha uma opinião formada por Malfoy tão ruim quanto a que ela tinha mas, ao mesmo tempo, a amiga não era do tipo que resistiria a um sorriso (bonito, ela tinha admitir) de Anthony Malfoy. Nas palavras dela mesma, ele era uma lagartixa, mas uma lagartixa extremamente bonita.

- Ah, é que Mark estragou a calça que ela estava usando com um feitiço e eu tive que empresta-la essa minissaia e Chris, além de querer mata-lo agora, está muito desconfortável usando..Ops!-a morena foi respondendo, alegremente, até perceber que não devia estar dizendo aquilo.-Legal, agora eu vou ser morta também.
- Ah, é mesmo?-Anthony questionou, com um tom divertido, afastando Christine com o braço enquanto baixava o rosto para olhar as pernas descobertas da menina.-Eh, Sutcliffe, não deve ser mesmo muito confortável usar isso, não é?
- Certo, Malfoy, você já se divertiu bastante. Solte-me!-Chris pediu, vermelha como um pimentão.
- Seu desejo é uma ordem!-ele provocou, com apenas o canto da boca levantando com sarcasmo, soltando-a.

Ainda vermelha, a grifinória se afastou e agarrou Sarah pelo braço, arrastando-a com ela.

- Você vai me matar, certo?- a morena perguntou, uma careta de dor misturado com divertimento no rosto.
- Ah, Sutcliffe, você pode não estar confortável de usar essa minissaia mas eu devo dizer..A visão de trás é ótima!-Tony ainda gritou antes de tomar o caminho contrário, gargalhando ao ver que a grifinória pulara para a frente da amiga para tampar a “visão” que ele estava tendo.
- Pode ter certeza que eu vou.-Chris respondeu, sem saber onde enfiar o rosto de tanta vergonha.-Da maneira mais dolorosa que imaginar.


Giro.Luz.Giro.


- Boa noite a todos. Sou Andrea Calgary, monitora-chefe dos monitores deste ano. Primeiramente, parabéns a todos que se tornaram monitores de suas casas e também aos que foram nomeados monitores chefes nestas férias.

Um murmúrio geral de “obrigado” correu pela mesa redonda da masmorra destinada à sala da monitoria e a monitora-chefe balançou a cabeça de maneira cordial. Intimamente, Christine parabenizou a garota loira, de cabelos curtos, da Lufa-Lufa por ter alcançado aquele cargo, sabendo o quanto a menina o tinha desejado no ano anterior. Agora era vez dela fazer um bom trabalho como monitora-chefe da Grifinória e ascender como a chefe dos monitores no seu próximo ano.

- Como esta é nossa primeira reunião e ainda não temos tantas coisas a discutir, eu serei breve.-Calgary continuou, abrindo um pergaminho em cima da mesa onde estavam escritas as instruções que recebera a meia hora do Professor Huish, diretor da Lufa-Lufa.-Para os novatos...
- Desculpe-me, Srta. Calgary, mas pelo que sei, os chefes dos monitores trabalham em dupla, certo?-perguntou um corvinal de cabelos preto-azulados sentado a frente de Christine, mais novo monitor de sua casa.
- Exatamente, Johnson. Como eu ia começar a explicar aos novatos como você, a hierarquia dos monitores aqui em Hogwarts é bem simples. Eu e Tom Riddle, da Sonserina, somos seus monitores-chefes neste ano. Ele ainda não está aqui porque..Bom, eu realmente não sei o porquê mas acredito que ele vá chegar em breve.-um sorriso brincou pelo rosto de todos os outros que não eram sonserinos na mesa.
- Não se preocupe, Calgary, Riddle vai estar logo aqui. É que nós sonserinos, Johnson, caso ainda não tenha percebido não ligamos muito para essa história de horários.-Anthony, sentado displicentemente em seu lugar à mesa, brincou, provocando risadas dos monitores sonserinos à sua volta.
- É que eles não sabem olhar as horas, Johnson.-Christine alfinetou, provocando mais risadas de todos os outros e caretas nos sonserinos.
- Obrigada, Sutcliffe, por nos lembrar desse detalhe.-Andrea disse, tentando não rir, e continuou.-Os monitores mais importantes abaixo de mim e de Riddle são os monitores-chefes de cada casa. Este ano, temos Christine Sutcliffe como monitora-chefe da Grifinória, Anthony Malfoy como monitor-chefe da Sonserina, Daniel Knott da Corvinal e Kate Simpson da Lufa-Lufa. São os monitores chefes das suas casas que irão informa-los sobre os acontecimentos e dar-lhes as ordens passadas por mim ou por Riddle. São a eles que vocês devem reportar algo de errado ou suspeito que ocorrer na escola e demonstrar respeito para que, no ano que vem, eles possam indicá-los como seus sucessores. Por fim, temos vocês na base da pirâmide.
- Nossos gentis escravos.-Kate Simpson brincou, bagunçando o cabelo da menina lufa-lufa ao seu lado, sua irmã, Jane.
- Vocês, como todos os outros monitores, vão trabalhar em duplas com seus parceiros de casa em todas as atividades que lhe forem dadas, inclusive as patrulhas entre as oito e meia e as dez e meia.
- Quer dizer que nós podemos ficar fora de nossas casas até meia hora depois do toque de recolher?-o corvinal Johnson perguntou, novamente, com os olhos brilhando de excitação, enquanto a parede de pedra falsa que era a porta da sala se abriu.
- Apenas quando você estiver fazendo ronda pelo castelo. Nos outros dias, você é um aluno como todos os outros e, portanto, não pode andar pela escola após o toque de recolher às dez.- Tom Riddle, moreno dos olhos claros, respondeu em um tom cordial que o diferenciava da maioria dos outros sonserinos. Em uma das mãos, ele carregava um buquê de rosas vermelhas.
- Finalmente você apareceu.-Andrea ralhou, enquanto o garoto sentava-se ao seu lado.-Este é Riddle, meu parceiro e chefe de vocês.
- Noite para todos.-o sonserino respondeu, com um sorriso no bonito rosto. A verdade é que ele não precisava ter sido apresentado já que todos na escola o conheciam, o famoso “aluno prodígio” de Hogwarts.-Sutcliffe, alguém deixou isto aqui pra você do outro lado da parede. Tem o seu nome no cartão.-ele estendeu o braço pela mesa e Christine apanhou o buquê, surpresa.
- Ahn..Obrigada.
- Antes que vocês comecem a comentar, vamos voltar a reunião.-Calgary pediu, ao ver que os outros iam perguntar quem enviara as rosas para a grifinória.-Como Riddle disse, os monitores só podem ficar meia hora a mais nos corredores no dia de sua patrulha. Se vocês forem pegos fora de suas camas em um dia comum, podem perder o distintivo então, por favor, sem passeios noturnos, está bem? Os monitores-chefes têm esse horário estendido por uma hora, ou seja, até as onze, todos os dias da semana porque eles têm que conferir se vocês fizeram a patrulha direito e conferir se já voltaram para seus dormitórios. Se vocês pegarem algum aluno fora da cama depois do toque, devem pega-lo e leva-lo ao seu monitor-chefe. Será o seu monitor-chefe e não vocês que levará o aluno para uma autoridade maior, como o zelador ou um dos professores diretores de casa.
- Por favor, não acobertem algum colega infrator. Vocês podem perder os distintivos se forem descobertos.-Tom alertou.
- Alguma dúvida?-Andrea questionou, olhando feio para o parceiro por ele estar assustando os novos monitores.-Nenhuma, ótimo. A partir de agora vocês podem vir a essa sala sempre que precisarem ou quiserem. A senha é “que os fundadores de Hogwarts me dêem forças para lutar”. Não dêem essa senha para ninguém e nem tragam pessoas de fora aqui para dentro, por favor, para a sala não precisar ser trocada de lugar.
- Nós, monitores, também temos um banheiro privado no quinto andar, que é de nosso uso exclusivo. É a quarta porta à esquerda da estátua do Boris, o Pasmo. A senha para entrar lá é “musgo secreto”. –Riddle acrescentou a informação.
- Seus monitores-chefes ficarão e receberão os seus dias, horários e locais de patrulha para passar a vocês amanhã. Boa noite a todos.

Com muito barulho, os oito novos monitores levantaram-se de suas cadeiras, pegaram seus pertences encostados na parede e saíram.

- “Que os fundadores de Hogwarts me dêem forças para lutar”? Que tipo de senha é essa, Calgary?-Malfoy perguntou, assim que ficaram apenas os seis na sala.
- O diretor pediu algo longo. Foi o melhor que eu consegui pensar.-Andrea disse, num tom de desculpas.
- “Musgo secreto” também é ridícula. Vocês andaram vendo filmes trouxas de ação ou coisa assim nas férias?-Daniel perguntou e todos riram.
- Bom, chega de papo. Quem vai fazer dupla com quem este ano, Andrea?-Chris perguntou, o buquê de rosas na cadeira ao seu lado.
- O normal, Chris: Grifinória e Sonserina, Corvinal e Lufa-Lufa.-a loira respondeu com um sorriso.
- O QUÊ?-Anthony e Christine gritaram juntos, sem acreditar.
- Você que dizer eu e ele?
- Eu sempre disse que esse Dippet tinha problemas. Como assim ele pôs eu e Sutcliffe juntos?
- Pondo, oras. Vocês sempre souberam que teriam que trabalhar juntos se virassem chefes, não posso fazer nada.-Calgary disse, enquanto entregava pedaços de pergaminhos à Daniel e Kate que pareciam bem satisfeitos por trabalharem juntos.-Aqui estão os horários das patrulhas.
- Mas ele é um Malfoy, Andrea.-Chris choramingou.
- É, e ela é uma Sut..-Anthony começou, só que com os olhos virados para Riddle.-Pensando bem, você pode ser um nojo, Sutcliffe, mas têm belas pernas. Apareça sempre de minissaia na patrulha e eu prometo que não te encho o saco.-o loiro terminou a frase e piscou para a grifinória, que ficou vermelha na hora.
- Ei, o que você quer dizer com minissaia?-Knott perguntou, tentando vislumbrar as pernas de Christine por debaixo a mesa.
- Nada! Ele não quer dizer nada!-Chris cortou antes que o outro respondesse, pegando o pergaminho que Andrea lhe estendia.-Boa noite para vocês.-e saiu pisando duro com o buquê de rosas nas mãos, enquanto Riddle a olhava com um ar de educado interesse.


Giro.Luz.Giro.


- Quer dizer que você vai ser mesmo a parceira do Malfoy esse ano?-Alex Weasley perguntou depois de dar uma enorme mordida em uma torrada com geléia de uva, sua preferida.
- Sarah, você pode por favor pedir para ele parar de perguntar isso para mim?-Chris pediu à amiga ao seu lado, lançando um olhar assassino para o ruivo sentado à sua frente na mesa da Grifinória no Salão Principal.
- É, Alex, pára com isso.-Mark pediu ao outro, também comendo torradas.-Não fique pisando na desgraça alheia por mais que seja divertido.
- Eu acho que vocês já se divertiram bastante com isso desde ontem quando ela voltou da reunião.-Sarah lembrou os dois, enquanto se servia de suco de abóbora.
- É mesmo. Lembra-se de quando nós dois perguntamos pra ela dez vezes quem era a dupla dela esse ano?-o ruivo questionou, fazendo uma careta de quem estava se lembrando de algo muito interessante.
- Claro, na décima vez ela mal conseguiu falar o nome dele..Por falar nisso, quem é mesmo seu parceiro este ano, Chris?-Mark, com os olhos castanhos brilhando de prazer, perguntou com interesse.
- Sarah..-Christine pediu, sem achar graça.
- Desculpe, a gente não ouviu. Você não deveria dizer Malfoy, Chris?-o moreno insistiu, deixando Alex gargalhar do seu lado.
- Sarah... -Chris choramingou, olhando fixamente para baixo.
- Parem com isso! Ela vai acabar se afogando no mingau de tanta tristeza.-a amiga ralhou com os outros dois que gargalhavam bem alto.-Além do mais..Christine, você ainda não contou pra gente quem te enviou aquelas rosas.
- É mesmo, tínhamos nos esquecido. Você por acaso leu o cartão, Chris?-Alex questionou, enquanto Mark secava as lágrimas de riso do próprio rosto.
- Na verdade, não. Está aqui no meu bolso.-a grifinória retirou o pequeno envelope negro com seu nome escrito em prata do bolso da capa, abriu-o e retirou de dentro dele um pedaço de pergaminho da mesma cor.-Está escrito..Estranho.
- O que é estranho?-Sarah perguntou, interessada.
- Nada, é só que..Bom, eu vou ler: “Minha querida, a partir desta noite receberás todos os dias rosas minhas para que elas iluminem os seus dias, como tu iluminas os meus com tua presença. Do sempre teu.”
- Doff sempre deu quem, Christiffe? E que tipou de retardado iscreff desseff jeito todof requintado?-Alex perguntou, com metade de uma torrada na boca.
- Engula antes de falar, Alex!-Sarah ralhou enquanto Mark ria.
- Não faço idéia. Ele não assinou o cartão.-Christine respondeu, enquanto negava o mesmo com a cabeça.
- Não assinou?
- Olha, correio!!-um grifinório perto dos quatro amigos gritou, levantando o braço para as corujas que entravam naquele momento pelo teto do Salão.

O Salão ficou cheio em segundos de exclamações exultantes e pios de coruja, mas nenhum grupo explodiu em comentários mais altos do que os dos quatro grifinórios quando Christine recebeu o buquê de rosas daquele dia.


Giro.Luz.Giro.


Christine esticou os braços para o alto, alongando-se, enquanto descia as escadas da Torre da Grifinória. Com o ritmo agitado das aulas e os compromissos de monitora-chefe, ela mal tinha tempo para descansar mesmo que, por estar no sexto ano, tivesse alguns períodos livres durante o dia. Sem pressa, já que estava (assim como todos os dias) adiantada, caminhou até o terceiro andar, onde deveria encontrar Malfoy na frente da estátua de Mumps, o Malvado para a ronda daquela noite. Ao passar por uma janela, a moça vislumbrou um pouco da Floresta Proibida que já tinha perdido mais da metade de suas folhas. Já era metade de Outubro, os ventos frios do Outono varriam os terrenos de Hogwarts com vontade obrigando os alunos a se agasalharem cada vez mais para irem às aulas e Christine..Ah, Christine tinha que gastar suas noites com Malfoy em rondas por corredores frios e todo outro tipo de coisa.

- Oh, Merlin, ainda é Outubro.-ela suspirou, corrigindo seu pensamento sobre o tempo e ouviu uma risadinha em resposta.

Sem se dar conta, a grifinória já tinha chegado ao ponto de encontro e foi com surpresa que viu que Anthony já estava ali, esperando-a, encostado na estátua de Mumps.

- Oras, o que você está fazendo aqui? Ainda são...-ela consultou o relógio de pulso rapidamente e continuou-Oito e quinze da noite. Você só deveria chegar lá pras oito e quarenta pelo menos, Malfoy.
- Você é inacreditável, Sutcliffe. Eu nunca chego na hora e quando o faço, você ralha comigo.-Anthony disse, passando os dedos pelo cabelo loiro.
- É claro, isso não é natural. Por acaso aprendeu a ver as horas, Malfoy?-Chris provocou, virando-se de costas e indo se sentar no parapeito da janela que ficava em frente à estátua.
- Por acaso aprendeu que não pode sair por ai com saias curtas demais, Sutcliffe?-Tony revidou a provocação, indo atrás dela.-Você vai ficar aí ou vamos começar logo a patrulhar?
- Você realmente acordou hoje com tanta vontade de trabalhar ou só está se divertindo as minhas custas?-a grifinória perguntou sem acreditar no que ele dizia.-Por que chegou tão cedo afinal?
- Não é que eu goste de ficar perto de você Sutcliffe, ainda que seja só mais quinze minutos que o normal mas..-Anthony foi dizendo, francamente enrolando.
- Malfoy, desembucha.
- Eu cheguei aqui mais cedo porque simplesmente não tinha o que fazer e encontrei isso aqui no pé da estátua.-ele displicentemente pegue um buquê de rosas do chão e jogou no colo da garota, encostando-se na parede ao lado dela.
- Isso..Você encontrou mais um?-Chris perguntou, olhando para o buquê tão idêntico a todos os outros que ela já tinha recebido desde que voltara à Hogwarts em seu colo.
- É claro, ou você acha que eu sou homem de ficar mandando rosas para uma mulher mas não aparecer nunca? Considerando, logicamente, que você seja uma mulher e não um rato de biblioteca disfarçado de uma.-ele respondeu, divertido.
- E que você seja um homem e não um gay com peruca loira e gestos afetados.-Christine disse com azedume, enquanto abria o pequeno envelope negro com seu nome em prata com raiva.
- Hey, olha como fala comigo, Sutcliffe! Então, o que seu admirador secreto diz no cartão?-Tony perguntou, com interesse, sentando-se ao lado da garota para espiar.

Christine apenas revirou os olhos e aumentou a distância entre os dois. A verdade era que, naquela altura do primeiro trimestre do ano, toda Hogwarts sabia que ela possuía um “admirador secreto” como gostavam de dizer. Isso ocorria porque, com o passar dos dias, mais e mais buquês de rosas apareciam nos locais que a grifinória freqüentava: eram entregues pelo correio, pela Srta.Vence da biblioteca, por diversos alunos da Grifinória e até mesmo por um ou outro professor que de repente encontrava um monte de rosas dentro de uma de suas gavetas exatamente quando a sala de Christine ia ter aula. Malfoy, porém, era quem mais aparecia para lhe entregar os buquês pois os dois passavam as noites juntos, ocupados com os afazeres da monitoria.

- Nada além de mais palavras apaixonadas.-a morena respondeu, olhando o buquê com raiva.-Sabe, estou realmente ficando de saco cheio disso. Se este tal “sempre meu” realmente gosta tanto de mim por que não aparece de uma vez? Estou cansada de passar vergonha na frente dos outros com essas rosas.
- Vai ver ele está apenas se divertindo as suas custas.-Anthony respondeu, espreguiçando-se.
- Esse é o tipo de coisa que alguém como você faria, Malfoy. Mas como você não tem nem mesmo a capacidade emocional suficiente para enviar flores à alguém, definitivamente não deve entender o que se passa na cabeça de quem está mandando-as para mim.-Christine explicou, gesticulando como se explicasse ao garoto que dois mais dois eram quatro e não cinco.
- Eu posso não entender o que está passando na cabeça desse imbecil sem iniciativa, Sutcliffe, mas eu sei de uma coisa que ele não sabe.-Anthony levantou-se e parou em frente à garota, com os braços cruzados sobre o peito.
- Eu sei que vou me arrepender de perguntar, mas, o que é que você sabe que ele não sabe, Malfoy?-ela perguntou, preparando-se mentalmente para a besteira que tinha certeza que ia ouvir.
- Que você, apesar de ser uma criatura extremamente cabeça-dura, orgulhosa, feminista e descendente dos Sutcliffe ainda assim..-o rapaz abaixou-se rapidamente, colando sua bochecha na de Christine e sussurrou.-Tem um par de pernas sensacional e um cheiro de maçã extremamente bom.

A grifinória mal conseguiu assimilar o que o sonserino dissera com seu hálito de limão pois ele levantou-se na mesma rapidez que se abaixara e com uma voz arrastada falou, dando-lhe as costas:

- Oito e meia, Sutcliffe, hora da patrulha.


Giro.Luz.Giro.


Os risos explodiram novamente na mesa e Anthony levantou uma das sobrancelhas loiras mostrando toda sua irritação. Estava sentado no divã vermelho da sala de monitoria, tentando, em vão, ler o capítulo indicado pelo professor de Feitiços na semana anterior para a aula do dia seguinte, enquanto a monitora da Grifinória e a da Lufa-Lufa divertiam-se lendo alguma coisa em uma revista bruxa na mesinha de centro à sua frente.

- Por que mesmo eu não fiquei na Sala Comunal da Sonserina?-o loiro perguntou a si mesmo, olhando para o teto.-Ah, é claro, porque a Sutcliffe disse que precisava da minha assinatura em alguns relatórios e ainda não apareceu.
- O que foi que houve? Você perdeu alguma aposta ou finalmente descobriu que estudar faz bem para desenvolver o cérebro?-a voz divertida de Christine soou atrás de si.
- Cadê os relatórios para eu assinar?-Tony perguntou, e Christine os estendeu, apanhando o livro de Feitiços dele com a outra mão.
- Estão aqui. Boa noite, Bragge, Simpson.-ela respondeu, indo na direção do quadro de avisos dos monitores espiar alguma coisa.-Sabia que você estava lendo só por causa do exame de amanhã.
- Eu não seria louco de perder meu tempo com isso se não tivesse um motivo, Sutcliffe. Diferente de uma certa pessoa aqui, eu não acho que estudo e diversão caibam na mesma frase.-o sonserino respondeu, ajoelhando-se ao lado de Simpson no chão para ler os relatórios.
- Definitivamente, Malfoy..
- Ah, meu Merlin, olha isso!-Judie Bragge, monitora da Grifinória, disse com um pequeno gritinho, apontando para a revista que ela e Jane Simpson observavam com tanto afinco.
- Mas que merda é essa? Vocês duas não podem ficar quietas por um minuto?-Anthony explodiu, errando por pouco sua assinatura em um dos pergaminhos.
- Ai, Malfoy, não precisa gritar!-Jane retrucou.-É só que descobrimos um artigo muito interessante aqui e..
- E será que você não podem lê-lo sem gritar e rir a cada segundo?-o sonserino perguntou, visivelmente nervoso.
- De que artigo estão falando?-Chris perguntou, interessada, indo até os três no chão.
- Chega mais, Chris, vem experimentar também.-Jane convidou, cedendo um espaço no chão para a menina.-O artigo é sobre Poções de Amor. Nesse espaço aqui tem um pouco de poção e se você cheira-lo pode sentir o cheiro de quem você gosta.
- Mesmo? Vocês não estão um pouco velhas demais para levarem esse tipo de coisa a sério?-a grifinória questionou, olhando para as duas garotas de quinze anos ao seu lado.
- Então é por isso que vocês estão tão empolgadas?-Malfoy perguntou, com um olhar de descrença, enquanto lia outro relatório sobre o Baile a Fantasia que teriam na noite de Natal daquele ano.
- Você fala como se não fosse importante. Cada uma de nós sentiu odores totalmente diferentes, não é Judie?
- Sim. Por que não experimenta, Chris? Vamos, vai ser divertido.

Christine olhou para as duas meninas novamente, realmente se perguntando se elas tinham algum tipo de problema mental mas resolveu entrar na brincadeira, evitando olhar para Malfoy que sabia estar com cara de desgosto. Ignorando o fato das páginas da revista serem cor-de-rosa e as letras, laranja, ela abaixou o rosto e encostou o nariz ligeiramente arrebitado no espaço oval indicado e o cheirou. Por um instante, a morena não sentiu nada além do comum cheiro de folha de papel da revista mas logo depois sentiu-se invadida por um delicioso cheiro de chocolate derretido, acompanhado do perfume de flores do campo, livros empoeirados e essência de limão. Foi relutante que ela se afastou da revista, ainda sentindo aquela sensação gostosa que a reunião dos odores que mais gostava tinha provocado.

- Então, Christine, sentiu cheiro de quê?-Jane perguntou, curiosa.
- Hum, de chocolate, com perfume de flores do campo e dos livros empoeirados da biblioteca também.-a grifinória respondeu, deliciada.
- Rato de biblioteca.-Anthony murmurou, com um sorriso de canto sarcástico.
- Ah, e o cheiro de alguma coisa também que agora eu não me lembro direito aonde senti, de essência de..-ao perceber o que dizia, a morena calou-se na hora. Como assim tinha sentindo o cheiro de Anthony Malfoy?
- Essência de quê?-as duas meninas perguntaram.
- De..De nada, garotas.-Chris desconversou, ligeiramente rubra.-Escutem, vocês não têm ronda hoje? Já são quase oito e meia!
- Ah, temos, sim! Vamos, Jane!-Judie disse, e pegou a revista, guardando-a no bolso da capa.

As duas saíram rapidamente da sala, deixando Anthony e Christine sozinhos.

- Então, terminou de assinar os relatórios? Eu tenho mais o que fazer, Malfoy.-ela falou nervosa, levantando-se do chão.
- Terminei, Sutcliffe, pode sumir com eles. Hey, por que você está com essa cara vermelha? Sentiu o cheiro de algo comprometedor, foi?-ele perguntou, divertido, também de pé, enquanto devolvia os pergaminhos para ela.
- Boa noite, Malfoy.-Christine respondeu, seca, sentindo as bochechas queimarem de vergonha.

A parede de pedra já havia deslizado para o lado quando Malfoy a chamou de volta.

- Vai deixar suas rosas aqui, vai?

Ela virou-se e mal pôde acreditar ao ver um buquê de rosas em cima da mesa redonda que simplesmente não estava ali quando ela tinha entrado há dez minutos.

- Eu não entrei com elas aqui.
- Como não? Quer dizer que elas apareceram do nada?-Anthony perguntou, pegando o cartão de dentro do buquê.-Que ninguém as deixou aqui?
- Exatamente.
- Mas isso é impossível, ninguém entrou aqui nestes últimos minutos.
- Exatamente.-Chris repetiu, sentindo um aperto no peito. Ela não estava gostando nem um pouco daquilo.-Merlin, isso é loucura.
- Escuta, Sutcliffe. Você realmente não sabe quem está te mandando essas flores, não é?-a morena fez que não com a cabeça enquanto pegava o cartão negro que o loiro lhe estendia.-Mas quer descobrir certo?-ela só afirmou com a cabeça, enquanto abria o envelope.
- Então, eu vou te ajudar a descobrir quem é porque toda essa história já está me dando nos nervos.

Antes que Christine pudesse impedir, Anthony jogou o buquê no fogo da lareira e a empurrou para fora da sala de monitoria.


Giro.Luz.Giro.


- Sabe, Christine, se as coisas continuarem assim em breve nosso dormitório vai se transformar em uma estufa. Será que não dá pra você dizer pro seu admirador que o cheiro de rosas lá dentro está ultrapassando o limite de suportável?-Sarah perguntou à amiga que tinha em cada mão um buquê enquanto olhavam para um terceiro sobre a mesa da Sala Comunal da Grifinória em que elas, Mark e Alex costumavam se sentar para fazer os deveres de casa.
- Eu gostaria que ele parasse de me enviar rosas, isso sim.-Sutcliffe suspirou, cansada, e apanhou o outro ramalhete.
- O que está acontecendo aqui, minhas belezuras?-Mark perguntou, descendo as escadas que levavam aos dormitórios masculinos com Alex atrás de si.
- Christine recebeu mais rosas.-a morena de olhos azuis explicou, jogando-se em uma poltrona.
- Daqui a pouco você abre uma floricultura, Chris!-Alex brincou, dando um beijo na bochecha da garota.-Vamos, largue essa coisas ai e sente aqui. A Zonko´s acabou de lançar um jogo chamado Snap Explosivo e alguns alunos conseguiram contrabandear alguns para dentro da escola. Você não quer jogar com a gente?
- Alex, eu sou monitora-chefe da Grifinória e sei muito bem que foi você quem contrabandeou isso pra cá. Como você acha que os outros alunos vão me respeitar se me virem jogando uma coisa contrabandeada para dentro da escola? -Chris respondeu, parecendo realmente ofendida com a proposta.
- Eles podem não te respeitar, mas com certeza vão te achar muito divertida.-Mark sorriu, piscando-lhe um olho.-Vamos lá, Christine, só um pouquinho.
- Não, eu não posso até porque daqui quinze minutos tenho que fazer a ronda com Malfoy.
- É por isso que ela passou o dia todo cabisbaixa. Hoje é quarta-feira.-Sarah lembrou, distribuindo as cartas do tal novo Snap Explosivo.
- Dia da tortura.-o ruivo falou, compreensivo.
- Exatamente. E ficar andando por ai com essas flores também não ajudam em nada.-a garota concordou.-Vou subir e deixar os buquês lá em cima e depois vou cuidar das minhas obrigações. Qualquer coisa, eu não vi vocês três com esse baralho.
- Sim, senhora.-os garotos disseram juntos, fazendo continência, e Sarah sorriu docemente para a amiga, mostrando que lamentava ela não poder se juntar a eles.

Lentamente, Christine subiu as escadas e foi com dificuldade que rodou a maçaneta da porta de seu dormitório, tão carregada de rosas como estava. Se tinha uma coisa que ela queria naquele momento era não ver ou sentir o cheiro de rosas nunca mais em toda a sua vida. Ah, como estava cansada de tudo aquilo! Só alguns segundos depois de estar dentro do quarto que percebeu que ali o cheiro doce das rosas estava ainda mais forte que nunca estivera antes. Ela simplesmente jogou todos os buquês no chão, com impaciência, e viu que sua cama estava absolutamente coberta de pétalas de rosa..Mortas.

Os olhos castanhos de Chris se arregalaram e ela deu alguns passos em direção a cama, sem realmente querer chegar perto. O cheiro estava insuportável e a visão era completamente horrível. Que tipo de pessoa faria uma coisa daquelas? Definitivamente, ela estava ficando realmente com medo de tudo aquilo. Bem no meio da cama estava um pergaminho preto enrolado, com um C desenhado de maneira bonita em cima, lacrando-o. Sentindo-se tonta, a grifinória o pegou e o abriu, lendo-o:

“ Minha querida Christine,

Após queimar os meus mais sinceros sentimentos e receber todos os outros de maneira tão fria, não vi outra alternativa que chamar-te a atenção do que esta. Peço-te que me encontre esta noite, ao fim de tua ronda, para que eu possa demonstrar como é grande o amor que sinto por ti. Sei que me corresponderás. Por favor, não te assustes, tudo isto é prova do quanto tua indiferença fez mal aos meus pobres sentimentos, representados por cada uma destas pétalas. Aguardo-te, ao lado do teu ponto de encontro ao início da meia noite. Por favor, venhas, já não agüento tua distância de mim, não me responsabilizo mais por meus atos.

Do sempre teu.”

Verdadeiramente chocada, Christine olhou mais uma vez para a cama coberta de pétalas mortas, que agora sabia representarem “os pobres sentimentos” do seu “sempre teu”, e sentiu uma lágrima escorrer pelo lado direito do seu rosto. Sozinha, ali, ela admitiu estar assustada. Um pessoa que era capaz de colocar tudo aquilo dentro do seu quarto e ainda escrever com aquela paixão só podia ser...Doente.

Ela levou um susto quando seu relógio de pulso, encantado, disparou avisando que estava na hora de começar a ronda com Malfoy. Rapidamente, ela secou a bochecha molhada com a manga da capa, guardou o pergaminho preto dentro de um dos seus bolsos e saiu do dormitório. Chris mal notou a agitação na Sala Comunal por causa dos Snaps Explosivos e saiu em disparada pelo quadro da Mulher Gorda, correndo em seguida até a estátua de Mumps, o Malvado. Anthony, encostado na mesma e totalmente distraído, mascando chiclete, levou um susto quando a garota o abraçou com força.

- Ow! Sutcliffe? O que você está fazendo?-o loiro perguntou surpreso, os braços estendidos para a frente enquanto Christine enterrava o rosto em seu tórax.-Abrindo a guarda pro inimigo dessa forma?

A menina não respondeu, apenas se afastou o suficiente para puxar os braços de Anthony e obriga-lo a abraça-la de volta, deixando-o ver que ela estava chorando.

- Opa, Sutcliffe, você está chorando? Por que você está chorando? Isso é algum tipo de truque pra me deixar de guarda aberta também?-o sonserino perguntou, sem retirar os braços dela.
- Malfoy, cale a boca!-Christine pediu, soluçando em seguida.
- Merlin, você está mesmo chorando. Por favor, não babe nas minhas vestes, ok?-Tony pediu, puxando-a para se sentar no parapeito da costumeira janela. Ele tentou fazer com que ela se soltasse de si, mas só conseguiu que a garota se ajeitasse no seu colo e continuasse chorando, com o rosto escondido na curva do pescoço dele.-Sutcliffe, acalme-se..Acalme-se e me diga o que foi que houve pra você estar assim.

Chris retirou o pergaminho do bolso e deu para o loiro ler. Anthony ficou em silêncio por alguns minutos, concentrado no que estava escrito no papel negro na sua mão e quando voltou a falar a grifinória já tinha cessado seu choro, apesar de continuar agarrada a ele.

- Ok, eu entendi que ele quer se encontrar com você mas não entendi o que ele quer dizer com toda essa representação de sentimentos.-Anthony falou, o próprio rosto colado nos cabelos e Christine.
- Ele está comparando os buquês de rosa aos próprios sentimentos.-a garota explicou, sem se mexer.
- Então quando ele escreveu ”após queimar os meus mais sinceros sentimentos e receber todos os outros de maneira tão fria” ele está se referindo àquele buquê que eu joguei na lareira?
- Sim.
- E todos os outros que você recebeu de maneira fria são todas as centenas de rosas que ele está enfiando em tudo quanto é lugar que você vai. Compreendo. Mas por que, afinal, você está tão chocada, Sutcliffe? Quer dizer, ele está chateado com você e quer encontra-la pra resolver a situação.
- Eu não quero me encontrar com ele.-Chris murmurou, resoluta, e se afastou o suficiente para ficar cara a cara com Anthony. Àquela distância o garoto percebeu o quanto era grande o desespero nos olhos castanhos dela.
- Por que não? É a sua chance de tirar essa história a limpo e pedir pro tal parar de te mandar flores a cada minuto. Não era isso que você queria?-o sonserino perguntou, gesticulando, irritado.
- Era, mas...
- Sutcliffe, o que foi que aconteceu que te deixou assim? Por que você está tão assustada?-o loiro perguntou, sem entender.

Respirando fundo, a garota contou sobre as pétalas de rosa mortas que tinham aparecido em sua cama e o quanto aquilo tinha deixado-a assustada.

- Eu concordo com você que isso seja uma coisa realmente doentia de se fazer mas..Você não acha que está assustada demais? Quer dizer, você é uma sangue-puro Sutcliffe metida a besta, não é? Não deveria estar desse jeito.-Tony explicou, encarando o rosto triste de Christine.
- Eu sei, mas..Malfoy, você sabe que as Sutcliffe são conhecidas por herdarem o dom da clarividência de Rowena Rawenclaw, não sabe?-Chris perguntou a ele.
- É claro, todo mundo sabe..Espere aí, Sutcliffe, você quer dizer que teve alguma visão sobre isso? Você viu alguma coisa ruim envolvendo esse cara e por isso está assustada desse jeito?-Anthony perguntou, arregalando os olhos azuis com espanto.
- Não, eu não vi nada. Eu nunca tive visão nenhuma, é o que eu quero dizer. Mas eu não sei..Estou com uma sensação ruim, entende?
- Você está pressentido alguma coisa?
- É..Alguma coisa muito ruim vai acontecer em breve, Malfoy. Eu não sei o que nem o porquê, mas sei que vai acontecer. Eu sinto que vai.-a grifinória explicou, notando, por um instante, um brilho respeitoso no olhar dele.
- Certo..Agora, por que você está contando a mim tudo isso em vez de sair correndo atrás dos seus amiguinhos grifinórios? Por que você veio chorar no meu pescoço e sentar no meu colo, Sutcliffe?- o loiro perguntou, um (belo, Christine foi obrigada a admitir) sorriso sarcástico nos lábios rosados.
- Porque..Porque...-Christine tentou explicar, rubra e vergonha.-Porque..Oras, você nunca teve um ataque histérico na vida? Eu só perdi um pouco o controle e..Foi você mesmo quem disse que ia me ajudar a descobrir quem era esse tal “admirador” por que estava cansado disso tudo e...-a menina foi falando, atropelando-se nas próprias palavras até que Anthony a cortou.
- Sutcliffe?
- E..O que foi, Malfoy?-ela perguntou, confusa e ficou ainda mais vermelha ao ver o grande sorriso que estava estampado no rosto do menino.
- Alguém já te disse que você fica uma graça confusa desse jeito?

Antes que ela pudesse responder, Anthony diminui a distância entre os dois e pousou seus lábios nos dela com uma gentileza que Christine não imaginaria existir. Poucos segundos depois o garoto se afastou, com vários fios loiros caindo sobre os olhos e o mesmo grande sorriso ainda no rosto.

- Malfoy..-Chris perguntou, confusa.
- Nem vem, só estou aproveitando o fato de você ainda estar sentada no meu colo.

Com a velocidade de um raio Christine levantou-se e virou de costas, começando a andar com pressa.

- Ei! Eu não disse que você podia levantar, Sutcliffe!-Malfoy reclamou, indo atrás dela.
- Já são nove horas, Malfoy, temos que começar a ronda.-a menina respondeu, tendo-o caminhando ao seu lado em seguida.
- Está bem, está bem. Só uma coisa, Sutcliffe, você vai ou não vai se encontrar com o tal cara hoje à meia noite?-Anthony perguntou, devolvendo o pergaminho negro à ela.
- Não, não vou. Nem hoje nem nunca.-ela afirmou com firmeza.
- Grande!-o sonserino comemorou e riu em seguida ao ver que a garota estava vermelha novamente.


Giro.Luz.Giro.


- Muito bem, senhores, hoje vamos continuar a falar sobre a Revolução dos Centauros de 1811, quando tais criaturas negaram-se a ser classificados como “seres” pelo Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas do Ministério.-anunciou, solenemente, o Professor Binns de História da Magia, sem perceber que metade de seus alunos já estavam com as cabeças abaixadas em suas carteiras e a outra metade se preparava para isso.
- Sabe, esses dias eu estava pensando..Binns é tão chato que quando ele morrer, vai acabar voltando como fantasma pra continuar a dar essas aulas sonolentas para a gente.-Mark segredou para Alex ao seu lado, os dois já na posição mais confortável para tirar uma soneca.
- Credo, vira essa boca pra lá, Mark.-Sarah, que estava na carteira da frente, virou-se.
- Exato, não podemos ficar desejando a morte de um professor dessa forma.-Chris faliu, virando-se também para os dois amigos atrás.-Sarah tem toda a razão.
- Na verdade eu estava recriminando a idéia de Binns se tornar um fantasma depois que morrer, Christine.-a amiga correu a consertar ao ver que a outra não tinha entendido o que dissera.-Imagina que chatice seria ter aula com um espírito?
- Será que dá pra ficar mais chato do que já é?-Mark questionou, divertido.
- Ah, mãe, só mais cinco minutos.-Alex murmurou ao lado deles, adormecido, arrancando risadas dos dois e um sonoro resmungo de desaprovação de Christine.

Poucos minutos depois, Mark e Sarah também caíram no sono como o resto da sala e Chris, sempre tão dedicada, mal conseguia prestar atenção no que o velho professor dizia, sem a mínima emoção, lá na frente. Seus pensamentos voavam, relembrando detalhadamente a noite anterior que passara com Anthony Malfoy. Desde a noite que encontrara as pétalas de rosa sobre sua cama que o relacionamento entre ela e Malfoy tinha se modificado de maneira drástica e os dois nunca mais tinham feito uma única ronda realmente bem feita. Ela repreendeu-se mentalmente por estar pensando no sonserino em vez de fazer suas anotações habituais mas logo depois desejou, sentindo o sangue tingir às bochechas de vermelho, quanto gostaria que ele aparecesse ali e a livrasse da aula.

- Com licença, professor. Posso falar por alguns minutos com Sutcliffe?-uma voz que Christine aprendera a reconhecer instantaneamente soou alto na sala.

Ela levantou os olhos e deixou-se ficar ainda mais vermelha ao ver que Anthony estava parado na porta da sala, esperando uma resposta de Binns.

- Com quem?-Binns perguntou, confuso por ter sido interrompido em seu monólogo. Algumas pessoas tinham acordado ao escutarem a voz de Malfoy, muito mais alta que qualquer som que ouviam na sala, e pareciam tão confusas quanto o professor.
- Comigo, professor.-Chris levantou a mão, olhando para o loiro.
- Ah, sim, é claro. Pode ir, pode ir.-o velho professor abanou a mão em sinal de indiferença.
- Traga suas coisas, Sutcliffe.-o sonserino disse, e Christine o obedeceu, apanhando sua mochila e indo em direção à porta.
- O que foi? Alguma coisa sobre a monitoria?-ela questionou passando por ele, observando que os poucos que tinham acordado com o barulho já tinham voltado a dormir.

Anthony fechou a porta da sala e empurrou-a contra a parede oposta, beijando-a apaixonadamente. A menina correspondeu com fervor, sem deixar de anotar mentalmente o quanto o cheiro de limão do sonserino era maravilhoso como fazia todas as vezes que os dois se beijavam.

- É claro que não é sobre a monitoria, Sutcliffe.-Tony respondeu, risonho, quando os dois se separaram para respirarem.-Merlin, eu sei que já disse isso milhares de vezes, mas, esse seu gosto de maçã fresca é ainda melhor que o seu cheiro.
- Não fale besteiras.-ela o repreendeu, olhando envergonhada para o lado.
- Agora você está com a cor de uma maçã também.
- Cala a boca. Você sabe que nós não podemos ficar fazendo isso pelos corredores, Malfoy.-Chris ralhou, empurrando-o para longe de si com força mas sem vontade.
- Então, vamos procurar uma sala. Eu estou com o período livre e o Binns já deve ter esquecido que você existe.-o loiro propôs, sorrindo, puxando-a pelo corredor.
- Nada disso.-Christine parou na frente dele, forçando sua voz assumir o tom mandão de sempre antes que acabasse concordando com aquilo.-Francamente, Malfoy, você não veio me tirar da sala de aula por causa disso. O que o trouxe aqui? Aconteceu alguma coisa?
- Nada te escapa, não é? Bom, aconteceu, sim. Olha só o que eu recebi agora pouco via coruja.-Anthony confirmou, retirando um pequeno rolo de pergaminho negro do bolso.-O seu “admirador” está irritadinho porque você não apareceu ao sétimo encontro que ele marcou e resolveu descontar em cima de mim.-ele finalizou, balançando os ombros com indiferença.
- O que quer dizer?-a grifinória perguntou, sem entender, enquanto abria o rolo.
- Leia.

Christine deu mais uma olhada preocupada para Tony antes de começar a ler o curto texto do pergaminho, escrito em tinta prateada como os que ela recebia junto com buquês de rosa que passara a queimar nas duas últimas semanas.

“Prezado Malfoy,

Creio que sabe quem lhe escreve, por isso não vou me identificar. Quero apenas saber o que tu fazes com a minha amada? Aviso-te para ficares distante dela e que pare de confundi-la com tuas perversas palavras.

Se não me atenderes serei obrigado a enfeitar-te com tantas pétalas mortas e a secar as lágrimas que sairão dos belos olhos de Christine. Esqueça-te dela antes que eu seja obrigado a provocar tais lágrimas que, depois, terei o prazer de tirar o sabor de morte delas. E, isso não é motivo para te preocupares, pois logo ela te
esquecerás.

Lembra-te de minhas palavras.”

- Malfoy...-Chris murmurou, levantando os olhos para o rosto do garoto mais alto do que ela.
- Divertido esse “admirador”, não acha? Ele realmente está se sentindo ameaçado pela minha presença. Também, se eu estivesse no lugar dele e tivesse que disputar você com um Malfoy, também ficaria assustado!-Anthony disse, brincalhão.
- Você enlouqueceu, garoto? Isso daqui é uma ameaça de morte! Muito pomposa e tudo o mais mas não deixa de ser uma ameaça de morte!-a menina brigou, os olhos castanhos brilhando de medo.
- Eu sei que é uma ameaça de morte, Sutcliffe. Eu posso não saber ver as horas mas eu sei ler, ouviu?
- Então por que você está tão calmo? O cara quer matar você!-a grifinória praticamente gritou, enquanto esfregava a carta diante do nariz de Malfoy.
- Errado, ratinho-de-biblioteca! Ele quer é me deixar assustado esperando que eu me afaste de você.-Tony disse, balançando a cabeça negativamente.
- Mas, Malfoy...
- E ele não vai conseguir tal coisa.-o garoto continuou, ignorando-a.
- Anthony...-Chris murmurou, sem conseguir acreditar no que ouvia.
- Ou você realmente acha que um covarde que mal consegue se declarar ao vivo para você vai conseguir nos afastar depois de eu ter descoberto o quanto o seu gosto é bom?


Giro.Luz.Giro.


- Eu vou pegar vocês dois, seus adolescentezinhos parasitas!-o zelador gritou atrás deles, no alto da escada enquanto os dois já estavam no último degrau dela.
- Por aqui!-Tony disse, sem fôlego, virando um corredor pela direita.
- Não, aqui!-Christine falou, abrindo a porta de uma sala e puxando o garoto junto com ela.

Os dois rapidamente fecharam a porta atrás de si bem a tempo de Stump, o zelador mal-encarado e boca-suja de Hogwarts, virar no corredor e continuar correndo, por não ter visto os dois entrando na sala. Mesmo depois dos passos terem cessado do lado de fora, o casal não desgrudou da porta, cansados. Christine arriscou dar uma espiada para fora para confirmar que tinham despistado Stump. O ar saía de seus pulmões freneticamente. Eles tinham escapado. O loiro pousou sua mão no ombro da garota e ela, fechando a porta da sala, se virou.

- Puxa, pensei que não íamos conseguir.-Chris, vermelha e com os cabelos castanhos completamente bagunçados sorriu para ele.- Eu não me perdoaria se tivesse perdido o meu distintivo de monitora.
- Distintivo? Ah, Christine, você não muda, não é? Deixe o distintivo pra lá, nós dois somos a única coisa que importa agora.-o rapaz se aproximou da boca dela, que o empurrou sorrindo.
- Se acalme, Sr. Anthony Malfoy. Quanto desespero!-reclamou ela, as mãos na cintura.

O loiro se aproximou e a beijou. Apaixonados, ofegantes, as duas almas se fundindo numa só. Quem poderia imaginá-los assim...

- Eu te amo!-disse ele, acariciando o rosto macio com a mão direita. Nela, jazia um anel. Uma bela pedra cor da noite, representando a tão famosa família Malfoy, inimiga da igualmente famosa família Sutcliffe.
- Também te amo. E esse amor vai durar pra sempre.-sussurrou ela, os olhos cerrados, a boca sorvendo o ar deliciosamente perfumado pelo perfume de Anthony.
- O resto da eternidade.-sussurrou ele, em resposta, abraçando-a e beijando-a novamente.

Quando separaram-se, já distantes da porta, apoiados desconfortavelmente na mesa de professor da sala, Anthony riu e disse:

- Que tipo de declaração de amor foi essa? Que coisa mais clichê!
- Não interessa se foi clichê, foi bonita e é o que importa.-Chris retrucou, sorrindo também.-O estranho é dizermos isso um para o outro tão cedo..
- O que quer dizer com cedo? Faltam apenas duas semanas para o Natal, Chris! Estamos a um mês juntos.-Tony retrucou, com uma careta que provocou mais risadas na grifinória.-Posso saber qual é a graça, Sutcliffe?
- Você acha um mês muito tempo?-ela perguntou, descrente.
- Mas é claro. Eu nunca estive tanto tempo com uma garota só.
- Desculpe-me ter esquecido por um instante que você não é do tipo que se prende facilmente às mulheres. Só não dá pra entender o porquê de ter se prendido logo a mim, que tenho um “admirador” doente atrás de mim.
- Ah, aquele que quer me matar?-o loiro perguntou, em tom de piada, soltando-se dela. Ele pôs-se a andar enquanto Christine o observava, sentada na mesa.
- Não diga uma coisa dessas nem brincando.-ela o repreendeu, cruzando os braços.
- Mas é a verdade, Christine. Ele quer me matar, não quer dizer que vá conseguir. Eu recebi mais uma daquelas cartas com ameaças hoje de manhã.
- Antes apenas cartas do que aquele monte de rosas que eu recebo todos os dias.-a garota soltou um suspiro cansado.-Ainda mais quando elas estão mais mortas do que vivas. Eu realmente acho que ele pegou raiva de mim, sabe? Percebeu que eu não vou me encontrar com ele.
- Você diz isso por causa das novas cartas, não é? Ele realmente não é mais tão gentil com você como era antes.-Anthony ponderou, sentando-se ao lado dela na mesa.-Não que isso não me deixe feliz, mas..Está me deixando preocupado.

Christine abriu a boca pra responder mas irrompeu em um ataque de tosse. Rapidamente, Anthony pegou um lenço com suas iniciais de dentro do suéter e deu a ela.

- Isso sem contar nessa tosse que você anda tendo nas últimas semanas. Você foi até a enfermaria ver o que é isso?-ele questionou e Chris respondeu com um sinal afirmativo.-E a enfermeira não descobriu o que você tem?-o sinal transformou-se em negativo.-Incompetente. Rosas mortas, cartas negras, tosse e...
- Dor de estômago.-ela murmurou, uma das mãos na região indicada.-Eu também gostaria de saber qual é o problema, eu não costumo ficar doente desse jeito.
- Hum, sei.

Tony se inclinou para o lado para beija-la mas Christine voltou a tossir de forma violenta e escorregou para o chão. O sonserino, assustado ajoelhou-se ao lado dela, tentando fazer com que ela falasse e constatou, com as mãos, que a menina estava ligeiramente quente.

Christine, Christine..Merlin, o que foi?-o loiro perguntou, sem saber o que fazer.-Fala comigo.

A garota tossiu mais uma vez e o lenço de Anthony escapou de suas mãos, caindo ao pés dos dois. Tanto os olhos castanhos quanto os azuis reconheceram na hora a mancha vermelha no pano branco...Sangue.


Giro.Luz.Giro.


- Então, Chris, Você vai ou não nos contar com quem você vai ao baile hoje?-Mark perguntou, pela qüinquagésima vez, pelas contas de Christine.
- Por que vocês querem tanto saber, afinal de contas?-ela questionou de volta, olhando divertida para os dois amigos que estavam sentados em frente à uma das mesinhas de centro da Sala Comunal jogando xadrez bruxo.
- Porque eles não conseguem aceitar o fato de nós duas termos uma vida amorosa e eles não.-Sarah respondeu, rindo, enquanto pintava as unhas do pé com a varinha.
- Você quer dizer que, diferente de vocês, nós não queremos nos envolver com mulheres bem no auge da nossa adolescência.-o moreno disse novamente, e os três riram sonoramente.
- Xeque-mate!-Alex gritou, do nada, assustando-os.
- O quê? Como?-Mark gritou em resposta, pego de surpresa, olhando o tabuleiro à sua frente totalmente embasbacado.
- Jogada super secreta Weasley, Mark Potter!-o ruivo riu, alongando-se.
- Como?- o outro perguntou novamente, agora olhando para as duas meninas.
- Sem drama, Mark!-Sarah riu, voltando suas atenções para Christine.-Mas, sério, Chris, com quem você vai? O baile é hoje, daqui algumas horas, e você ainda não nos contou quem é o seu par.
- Exato!-o ruivo concordou, ignorando o amigo que ainda não se conformava com sua derrota.-Eu vou com a Julianne Vence da Corvinal, o Mark vai com aquela bonitona da Carter do quinto ano e a Sarah com o Miguel Bagda-não-sei-o-quê da Lufa-Lufa. Você não vai com ninguém que é nosso amigo, senão já teríamos descoberto, então...
- É Miguel Bagdanavicious.-a morena corrigiu-o, jogando uma almofada na cabeça dele, enquanto Christine tossia em sua poltrona com rudez.
- Que seja!
- É, Christine, desembucha de uma vez.-foi a vez de Mark pedir, com uma expressão ainda brava por ter perdido a partida para Alex.-Diz logo com quem que você vai, não pode ser ninguém tão ruim.
- Eu vou com o Malfoy.-Christine soltou de uma vez, bem rápido.
- Desculpe..Com quem?-Sarah questionou, sem entender direito o que a amiga tinha dito.
- Com Malfoy. Anthony Malfoy, da Sonserina.
- O QUÊ?

Os três gritaram juntos e Christine explodiu em risadas diante daquela reação.

- Malfoy, Chris?-Sarah perguntou, os olhos brilhando diante da notícia.-Anthony Malfoy? Mas vocês dois sempre se detestaram!
- E como se detestam! Lembra daquela vez que vocês provocaram aquela confusão na aula de Trato das Criaturas Mágicas, quando vocês se transformaram?-Alex perguntou, realmente chocado.
- E da vez que vocês destruíram metade do quarto andar em um duelo?-Sarah perguntou novamente, apoiando o ruivo.
- É claro que eu me lembro, mas..Tentem me entender, tudo aquilo foi...-Christine começou a tentar explicar.
- Foi tensão sexual.-Mark cortou-a, chamando atenção dos outros três.
- O quê?-eles perguntaram, Christine vermelha de vergonha.
- Tensão sexual, oras!-o moreno tornou a afirmar.-Vocês sempre implicaram um com o outro tanto que não podia dar em outra coisa, né?
- Sabe, Mark tem razão.-Peters concordou, dando um toquezinho com a varinha na última unha do pé.-Não acha, Alex?
- Sim. Agora está explicado porque a Chris tem ido cada vez mais cedo e chegado cada vez mais tarde da ronda nas quartas-feiras durante os últimos meses.
- Quer dizer que vocês não estão realmente irritados?-Christine perguntou, maravilhada em como os amigos tinham aceitado bem o seu relacionamento com Malfoy.
- É claro que não. O Malfoy é uma lagartixa metida ambulante mas nós não temos nada demais contra ele.-o moreno disse.
- Além de que como vocês são super ricos, nunca vão ter problemas para pagar as contas.-Alex concluiu rindo.
- Ah, minha melhor amiga namorando com um dos caras mais bonitos da escola, que orgulho!-foi Sarah que deu o grito final puxando Christine da poltrona em que estava sentada.-Vamos, moça comprometida. Eu vou deixar você totalmente deslumbrante pra essa noite! A gente vai ter que passar muito blush em voz, do jeito que anda pálida ultimamente por causa dessa tosse sem explicação.
- Vocês são totalmente estranhos, sabiam?-a grifinória questionou, olhando para os outros três.
- Por que nós amamos você e queremos o seu melhor?-Mark perguntou, piscando para ela.


Giro.Luz.Giro.

- Ela vai ser...O quê?-Tony perguntou, completamente desesperado. As lágrimas saíam volumosas de seus olhos, rolavam pelas bochechas feridas e caiam no rosto da garota, semi-morta, deitada na maca.
- Transferida para o St.Mungus, Anthony.-Dumbledore, o professor de Transfiguração, repetiu a notícia.-Se ela ficar aqui não tem nenhuma chance de sobreviver.

O garoto inclinou sobre o corpo da garota, tendo o próprio corpo sendo sacudido por violentos soluços. Ao pé da cama, Sarah abraçava Alex com força, sem forças para olhar o sofrimento do sonserino, enquanto Mark pousava uma de suas mãos nas costas do rapaz e a outra sobre a mão pálida de Christine.

- Eu..Eu vou com ela.-Anthony falou, levantando o rosto vermelho na direção do professor.
- Isso não vai ser possível, Anthony. Compreenda que a situação de Christine é crítica e você não poderá ficar nem perto do quarto onde ela vai ficar internada.-Dumbledore disse, com a voz calma, pousando uma das mãos no ombro direito do rapaz à sua frente.
- O que..O que exatamente aconteceu com ela, professor?-Alex perguntou, os olhos segurando as lágrimas ao máximo.
- Pelos exames simplificados que podemos realizar aqui, acreditamos que mais de 60% dos órgãos internos de Christine estão morrendo aos poucos sob a ação do veneno que Riddle deu a ela.
- Maldito!-Mark rosnou e recebeu resmungos de concordância de Alex e Anthony.
- Se ela permanecer mais tempo aqui, sem o tratamento adequado, não terá a mínima chance de sobrevivência.
- Mas...Mas ela vai se salvar se for transferida, não vai, professor?-perguntou Sarah, soltando-se do abraço do ruivo.
- Esperamos que sim, Srta.Peters. Esperamos que sim.


Giro.Luz.Giro.


- Como foram as coisas na sua casa?-Christine perguntou, assim que entrou no quarto de hotel.
- Péssimas. Eles simplesmente não compreendem que eu não posso passar mais nenhum minuto sem você desde o que aconteceu no último inverno.-Anthony respondeu, jogando-se na cama de casal, exausto.
- E você tentou fazer com que eles aceitassem a força e acabou expulso de casa, não foi?-ela perguntou, deitando-se ao lado dele.
- Como você sabe?
- É só olhar pra quantidade de bagagem que você trouxe, Tony!-Chris riu, apontando para as diversas malas que estavam encostadas no canto direito do quarto.
- Pelo menos eles não me deserdaram. Pelo que entendi, mamãe disse a papai que mesmo que eu insistisse em namorar com você, eu ainda tinha mais um ano de Hogwarts para cursar e em breve acabaria me interessando por uma moça com mais dignidade que uma Sutcliffe.
- Belo discurso.
- E os seus pais, como reagiram?-o loiro perguntou, virando-se para acariciar os cabelos castanhos da namorada.
- Eles não me expulsaram de casa.-Christine respondeu, sorrindo, e o beijou docemente.-Não se preocupe, Anthony. Eu sei que nós dois teremos um futuro maravilhoso junto, nossos pais querendo ou não.
- Sabe? Ou você está tendo um daqueles pressentimentos de novo?-o sonserino perguntou, brincando com a cara dela.
- Não, não é um pressentimento.-ela disse, dando um tom mais forte na palavra pressentimento, enquanto revirava os olhos castanhos.

Anthony demorou um momento para perceber o que aquela frase queria dizer, e depois soltou um grito de alegria.

- Merlin! Você teve uma visão!
- Tive!- e ela exibiu um sorriso tão grande quanto o dele.


Giro.Luz.Giro.


- Deixe-me ver, Tony!- pedia a garota tentando alcançar o diário de Anthony a sua frente.
- Não, Chris, não, é particular!-respondeu ele tentando fugir dela.

Os dois já estavam naquilo há algum tempo. Todos estavam em aula e muito a contragosto, Christine fora arrastada para o jardim pelo namorado. Os dois haviam começado a conversar até a garota perceber que Anthony carregava seu diário e a curiosidade falara mais alto, obrigando-a a tentar pegar o livro das mãos do garoto. Só não pensara que seria tão difícil...

- Não, Christine!-correu Anthony para longe, driblando a garota e fincando suas pegadas na neve.

Ela correu atrás dele rindo e tropeçando. Ao alcançar o garoto, ela pulou em suas costas e os dois caíram na neve, ambos, rindo. Ela se sentou em cima dele e estendeu a mão, com ar de vitoriosa:

- Tudo bem, você venceu, pode olhar.

Anthony pôs o livro nas mãos da garota e a puxou pra si, dando-lhe um beijo apaixonado.

- Eu roubou o seu diário e você ainda me dá um beijo?-Chris perguntou, rindo, interrompendo o contato.
- É que eu não consigo me segurar quando você está pertinho de mim, assim, totalmente feliz e segura.-o sonserino respondeu, sentando-se de modo que ela ficasse em seu colo.
- Engraçado você dizer isso, dizer que estou segura...
- Ah, não comece com aquilo de novo, Christine! Com todo aquele papo de apesar do Riddle estar desaparecido, ainda ser uma ameaça...
- Em potencial! Ele é, Anthony, por mais que você não queira aceitar isso. Ele tentou nos matar ano passado e nada o impede de tentar de novo.-a grifinória disse, um cansaço transparecendo na voz por estar dizendo aquilo para o loiro mais uma vez.
- Você sempre diz isso como se tivesse plena certeza de que ele ainda vai atrapalhar as nossas vidas de alguma forma. Você tem estado desse jeito desde que começou a ter visões, Christine.-Anthony disse, desconfiado.-Você não está escondendo nada de mim, está, Chris?
- Eu..É claro que não estou, Tony! Que idéia!-a menina falou, séria, e levantou-se do colo dele, virando-se de costas, escondendo o rubor que sabia subir às suas bochechas sempre que mentia a ele.
- Então, por que você nunca me fala do que se tratam as suas visões?-ele questionou, também ficando de pé.
- Você quer mesmo saber de alguma coisa, não é?-Anthony fez que sim com a cabeça com uma expressão de curiosidade e, sorrindo, Christine continuou, passando os braços pelo pescoço dele.-Então, guarde estes dois nomes que são extremamente importantes: Draco Malfoy e Hermione Granger.


Giro.Luz.Giro.


A agitação era contagiante entre todos os alunos. Amigos se despediam entre risos, alunos e professores trocavam apertos de mão, namorados abraçavam-se com lágrimas nos olhos e promessas de se verem nas férias e fantasmas voavam de um lado para o outro, congelando o maior número de pessoas possível com seus corpos translúcidos. Era o último dia do ano letivo para a maioria dos alunos de Hogwarts que iam para casa passar as férias de verão e o último dia de todos para uma minoria de moças e rapazes que iam, finalmente, iniciar sua vida adulta.

- Eu vou sentir falta desse lugar.-Sarah choramingou, e Mark a abraçou com carinho enquanto Alex bagunçava o cabelo dos dois.
- Seus chorões! Como se nós não fossemos nos ver daqui em diante.-o ruivo reclamou, tentando esconder sua própria emoção.
- É claro que vamos!-Chris juntou-se ao ruivo para animar os outros dois.-Qual é, Sarah, nós vivemos uma do lado da outra, nem vamos precisar nos deslocar para visitar ninguém. Eles que vão ter que vir ver a gente!

Os quatro riram e voltaram a começar até que Christine viu Dumbledore, seu agora ex-professor de Transfiguração, subir as escadas principais acompanhado do velho diretor Dippet. Pedindo um momento, ela se afastou dos amigos e foi atrás do bruxo, tomando o devido cuidado para não passar perto do grupinho de sonserinos em que sabia que Anthony estava.

- Professor Dumbledore, professor!-a menina chamou, subindo as escadas.
- Oh, Srta.Sutcliffe!-Alvo sorriu, ao virar-se e ver quem estava chamando-o.-Veio se despedir de mim?
- Na verdade, professor, vim lhe contar uma coisa e pedir um último favor. Poderíamos falar por alguns minutos?-ela perguntou, ligeiramente nervosa.

Os olhos azuis de Dumbledore faiscaram por trás de seus óculos meia-lua e ele assentiu, com um sorriso bondoso, à garota. Os dois dirigiram-se a um corredor um pouco mais deserto no primeiro andar, discutindo brevemente os boatos que rolavam dele se tornar o próximo diretor de Hogwarts.

- Seria uma honra, Srta.Sutcliffe, assumir a diretoria dessa escola que eu amo tanto.-ele confirmou, sorrindo.-Mas acho que o Professor Dippet ainda vai ter alguns bons anos no cargo antes que eu tenha a chance de assumi-lo. Vamos nos sentar aqui?-ele apontou para o parapeito de uma janela.
- Claro.
- Muito bem, Christine, aceita um sorvete de limão?
- Um..O quê?
- Um sorvete de limão. É um doce trouxa de que eu sempre gostei muito. Sempre tenho alguns comigo.-Alvo foi dizendo enquanto tirava três picolés de dentro de um dos bolsos de sua capa.
- Adoraria.-a ex-grifinória aceitou, sorrindo.
- Ótimo. Agora que nós já estamos sentados e servidos, a senhorita pode me dizer o que gostaria.
- Bom, professor, eu serei o mais breve possível.-Christine iniciou, com uma expressão séria no rosto.-Como todos, sei que o senhor bem sabe que as mulheres de minha família são, em sua maioria, dotadas da clarividência herdada de Rowena Rawenclaw.
- É claro. Este é um dos motivos que sua família é considerada tão importante.
- Exatamente. Bom, professor, no verão passado eu tive minha primeira visão. Ela não foi muito clara, por ser obviamente a primeira mas nela eu me vi...Esperando um bebê.-ela disse, ligeiramente envergonhada e mordeu o picolé com força, calando-se.
- Oh, mesmo? Viu seu próprio futuro, que interessante!-Dumbledore disse, com educado entusiasmo.-Acredito que estivesse grávida do Sr.Malfoy.
- Bom, sim, o que me deixou muito feliz, é claro. Antes de continuar, professor, quero que o senhor saiba que eu sei muito bem que mesmo os clarividentes mais poderosos tiveram poucas visões durante suas vidas e que dificilmente elas têm alguma ligação entre si. E, por isso mesmo, eu achei muito estranho ter tido uma visão poucos dias depois dessa primeira, em que eu também estava grávida.
- Desculpe-me, Christine, mas..Tem certeza disso? Você não teve a mesma visão outra vez, como é comum acontecer?-Dumbledore questionou, visivelmente interessado.
- Não, tive uma visão totalmente diferente, mas, como eu também estava grávida nela, acreditei que ela podia ser um antes ou um depois da minha primeira visão. Após estas duas primeiras visões, senhor, eu devo confessar que vi muitas, muitas outras coisas. Eu resolvi começar a anotar cada uma das visões que tinha e bom...Alguns meses depois eu percebi que todas elas estavam entrelaçadas, professor. Todas elas eram continuações umas das outras.-a garota explicou, exasperada.-É como se a minha mente estivesse me contando uma história de algo que ainda vai acontecer.
- Isso é realmente muito estranho, Srta.Sutcliffe. Interessantemente estranho.-Alvo ponderou, olhando atentamente para a garota.-Se você anotou todas as suas visões, sabe quantas teve, não sabe? Durante todo este ano.
- Sim. Tive um total de setenta e três visões, professor, algumas com espaço de tempo maior, outras com um menor.
- Setenta e três?-certo, Christine Sutcliffe podia se gabar naquele momento de ter deixado um dos maiores bruxos de todos os tempos completamente espantado.
- Exato. Eu contei e recontei meus registros várias vezes até aceitar esse número absurdo.-Chris afirmou, com medo de que o bruxo não acreditasse nela.
- Não, não se preocupe com isso, Srta.Sutcliffe, eu apenas fiquei surpreso com tal número. Mas, diga-me: por que está me contando tudo isso, senhorita?
- Bom, professor. Eu tive visões de antes, durante e depois da minha gravidez. Por enquanto eu pouco sei o que vai acontecer depois do meu filho nascer e crescer, mas sei que eu não poderei acompanhar o seu crescimento por um motivo que não posso dizer a ninguém. Porém, professor, quando ele nascer, pedirei a Anthony para trazer para o senhor todas as minhas anotações e todos os estudos que farei sobre o porquê de ter tantas visões.
- A mim, senhorita? Oh, é uma grande honra saber que confiaria tal coisa a mim mas...Não entendo o porquê disso.-Dumbledore confessou-lhe, enquanto a observava dar a última mordida em seu picolé.
- O senhor é, ou melhor, será a pessoa mais indicada a receber estas anotações porque poderá dá-las a quem elas pertencerem por direito daqui algum tempo. Estou lhe contando tudo isso porque gostaria de saber, de verdade, se o senhor aceita essa missão. Esse é favor que tenho a lhe pedir.-Christine pediu, tanto com a voz quanto com os olhos.
- Mas é claro que aceito, Srta.Sutcliffe, com o maior prazer.-Dumbledore assegurou-lhe, pousando uma de suas mãos no ombro esquerdo da garota.
- O senhor também terá todo o direito de ler tudo o que escrevi para que possa explicar a eles, quando for a hora, tudo o que aconteceu comigo e com Anthony.-a garota acrescentou.
- Está bem. Diga-me apenas a quem terei que contar todas estas coisas que está me pedindo.
- É claro, estava me esquecendo de dizer o mais importante!-ela sorriu, levantando-se do parapeito da janela.-O nome deles são Draco Malfoy e Hermione Granger. Acredito que o senhor os reconhecerá facilmente quando os vir pela primeira vez, mas terá que esperar alguns anos até que eles o procurem querendo respostas para contar tudo o que souber.
- E a senhorita pode me dizer quando os verei pela primeira vez para que eu não sofra na expectativa?-o bruxo perguntou, sorrindo bondosamente.
- Claro. Eles entrarão em Hogwarts no ano de 1991. Adeus, professor.

Dumbledore sentiu a boca abrir ligeiramente de espanto com a última frase de Christine, mas não deixou de prometer, mentalmente, que esperaria pelo ano de 1991 com bom ânimo.


Giro.Luz.Giro.


A lua já tinha aparecido no céu quando os dois pularam a sebe baixa que circundava a propriedade dos Sutcliffe e contornaram as árvores à frente que seguiam contornando a espaçosa casa verde-clara localizada no meio do terreno.

- Tanto eu quanto Chris sempre pulávamos a sebe neste ponto onde tem mais árvores quando uma de nós duas aprontávamos e não podíamos ver uma a outra. Passávamos o dia escondidas entre as árvores brincando e depois de noite voltávamos para casa com carinhas inocentes e a roupa toda cheia de terra e folhas.-Sarah contou, com um sorriso no rosto enquanto observava Anthony tentar soltar a barra da capa de um galho baixo de um arbusto.
- Imagino.
- Quem diria que depois de tantos anos eu teria que ficar pulando isso daqui pra promover encontros escondidos entre você e a Chris.
- Você é um anjo caído do céu, Sarah, de verdade.-Tony disse, agradecido, sorrindo.-Agora, será que você podia...
- Parar de ficar tagarelando e chamar logo Chris? É claro.

A morena correu, deixando-o para trás até a entrada da casa. Parou em frente à porta principal e bateu na porta duas vezes, como de costume. Alguns instantes depois a Sra.Sutcliffe abriu a porta e sorrindo, chamou a filha para avisa-la que Sarah estava ali para devolve-la um livro.

- Podemos dar uma volta aqui pelo jardim mesmo?-Christine perguntou assim que chegou a porta e pegou o tal livro, que nunca emprestara a amiga.
- É claro.-a mãe assentiu, e observou-as até virarem a lateral da casa antes de fechar a porta, ouvindo os comentários de Sarah sobre a leitura recomendada por Christine.

Assim que ouviram a porta se fechar, Chris puxou Sarah pela mão e correu até o grande carvalho que ficava próximo à janela do seu quarto, onde um grande balanço estava pendurado.

- Certo, pare com esse papo de livro que eu definitivamente não te emprestei e me diga o que está fazendo aqui à essa hora.-Christine pediu, sentando-se no balanço.
- O que você realmente acha que ela veio fazer aqui?-Anthony sussurrou no ouvido dela enquanto cobria a boca dela com uma das mãos para abafar um grito de surpresa caso ele viesse.

O grito de surpresa foi do rapaz quando ela se virou e o derrubou no chão em meio a um beijo apaixonado.

- Quando vocês vão parar com isso, hein? Já temos dezenove anos e essa história de ficar se encontrado às escondidas de noite sob as minhas asas de super amiga é coisa de quem tem quinze anos.-Sarah ralhou, sentando-se ela mesma no balanço enquanto observava os dois amigos beijando-se no chão.
- Nós sabemos que você é uma super amiga, Sarah.-Anthony disse, baixinho, soltando-se de Chris e pondo-a em seu colo.
- E sabemos que nos aproveitamos disso, mas...Nós não nos vemos a dois meses.-foi a vez de Christine choramingar, com um sorriso feliz no rosto.
- Eu sei, então vão matar essa saudade lá atrás das árvores enquanto eu conjuro uma criatura igual a você pra ficar dando voltas comigo. Só que, por Merlin, não demorem muito. Da última vez eu fiquei andando em volta da sua casa por duas horas, Chris!-Sarah disse, levantando-se e fazendo um floreio com a varinha em seguida, fazendo com que um clone de Chris aparecer do nada ao seu lado.
- Não vamos demorar, promessa.-os dois asseguraram e sumiram da visão dela em seguida.
- Sei. Vou fingir que acredito.-a moça disse pra si mesma, puxando a falsa Chris pelo braço para “passear”.


Giro.Luz.Giro.


- Vejam só quem está aqui, pessoal..Chris, qual o problema?-o entusiasmo da voz de Alex sumiu exatamente no momento em que viu os olhos vermelhos da amiga à sua frente.
- Alex! O que você faz aqui?-Christine perguntou, surpresa por ver o alto rapaz ruivo na porta de Sarah.
- Oras, eu e Mark viemos ver você e a Sarah. O que você achou que fosse? Ei, pessoal, a Chris está aqui! Entre logo, criatura. Que baú enorme você está segurando.
- Chris!-Mark exclamou vindo da cozinha de Sarah com um prato de biscoitos flutuando logo atrás de si.-O que houve? Você nos viu em alguma visão e veio pra cá? Acabamos de chegar.-o moreno a abraçou e a empurrou para o pequeno sofá na sala da casa dos Peters.
- Hey, garota! O que foi que aconteceu com os seus olhos?-foi a vez de Sarah perguntar, que viera logo atrás de Mark da cozinha.-Andou chorando?
- Merlin, eu tinha me esquecido como vocês sempre foram cheios de perguntas. Não é hora de pararem com isso, já que já temos vinte anos?-ela perguntou, enquanto Sarah sentava-se ao seu lado no sofá e Alex e Mark acomodavam-se ao chão.
- Ela só está dizendo isso porque finalmente parou de se encontrar as escondidas nas árvores do jardim com o Anthony e está se sentindo toda adulta agora.-Sarah contou e levou, em seguida, uma almofada na cabeça de Christine, enquanto os outros dois davam risada.
- O que você queria, Sarinha, o cara acabou de se casar!-Alex comentou.
- Você não presta, Sarah Peters!-a moça ralhou, pegando um biscoito antes que Mark comesse todos.
- Achei que eu fosse sua super amiga.
- Só de vez em quando. Então, o que vocês dois estão fazendo aqui? Não deveriam estar trabalhando?
- Tiramos folga do Ministério hoje e viemos ver vocês.-Mark respondeu.-Sarah muito gentilmente deixou de ir à loja em que ela trabalha como uma inocente trouxa para ficar conosco e garantir que não destruíssemos a casa.
- E como vai a sua vida de riquinha vagabunda-mor, Chris?-Alex questionou, sorrindo gentil.
- Uma chatice se querem saber.-ela sorriu, olhando para baixo.-Escutem vocês três. Eu esperava falar apenas com Sarah hoje mas, é perfeito que vocês dois estejam aqui também, porque, bom, eu realmente tenho algo de muito importante para dizer.
- E o que poderia ser tão importante assim para os seus olhos estarem se enchendo de lágrimas, Chris?-Sarah, que estava mais próxima dela, perguntou.

Christine observou Alex se aproximar de seus pés enquanto Mark levantou e sentou no braço do sofá, passando-lhe um braço pelos seus ombros.

- Christine, o que houve?-o ruivo perguntou, segurando uma das mãos dela.
- Escutem, vocês três. Eu...Eu estou indo embora de Swindon.
- Mesmo? Para onde, Londres?-a amiga perguntou, com um sorriso no rosto.
- É, Londres.-Chris confirmou e uma lágrima rolou pelo seu rosto.
- Isso é ótimo, Chris. Você vai ficar perto de mim e de Alex.
- Sim, mas, vocês não poderão me ver.
- Como assim?-Mark perguntou, sem entender.
- Vocês não poderão me ver para onde eu vou. Não vão poder me ver nunca mais.-mais lágrimas escaparam dos olhos castanhos dela, mas Christine permaneceu firme em seu lugar.
- Como assim não vamos mais te ver? Você pretende sumir ou algo assim?-o moreno questionou-a ao seu lado.
- Acho que sumir é a palavra certa para o que eu vou fazer. Eu vou sumir e nem vocês nem mais ninguém vão me ver.
- Você está decidida a isso?-Alex perguntou, recebendo um “Alex!” de repreensão de Sarah que não podia acreditar que ele aceitara tal loucura com tanta facilidade.
- Sim, eu tenho que ir.
- E você vai ficar sumida por quanto tempo? Seis meses? Um, dois anos?- o rapaz perguntou novamente.-Quer dizer, você não vai sumir pra sempre, vai?
- Sinto dizer que vou.-ela respondeu e então deixou-se chorar a vontade enquanto ouvia as perguntas e exclamações revoltadas dos três à sua volta.

Christine precisou de vários minutos para acalmar a todos eles. Quando Sarah finalmente caiu desolada em sua poltrona, com o rosto lavado de lágrimas, Mark parou resoluto em frente à janela negando-se a olhar para ela e Alex distribuía copos de água com açúcar para os três, ela pôde fazer o seu pedido de voto perpétuo aos três. Eles relutaram mas, por fim, prometeram não falar nada a ninguém sobre o que ocorrera entre ela e Tom Riddle no sexto ano de escolas deles. Por fim, ela deixou um livro de capa rosada e uma carta nas mãos de Sarah, pedindo para que elas os entregasse à uma garota que um dia, ela tinha certeza, a procuraria.

- E como eu vou saber que garota é essa?-Sarah perguntou, às lágrimas, enquanto Mark e Alex passavam, ao mesmo tempo, os braços pelos ombros e pela cintura da amiga.
- Bom, ela será uma espécie de cópia minha. E se chamará Hermione Granger. Quando você a vir, vai saber que é a ela a quem estou me referindo.-Chris respondeu, abraçando-a em seguida.
- Christine...-Mark murmurou, no meio daquele abraço comunitário.
- Eu sei..Eu também amo vocês.


Giro.Luz.Giro.


Christine correu para abrir a porta assim que ouviu a campainha. Ela deixou que Anthony a abraçasse com força e a beijasse docemente antes de deixa-lo entrar no pequeno apartamento.

Quando eu recebi a sua carta, achei que era algum tipo de trote.-o rapaz comentou, fechando a porta atrás de si.
Pelo fato de eu ter me mudado para um lugar que é pequeno demais para ser a casa de uma Sutcliffe ou por eu ainda querer te ver mesmo depois de você ter se casado?-ela perguntou, sentando no pequeno sofá azul que ela conjurara para a sala de estar do lugar, com as pernas dobradas quanto o peito.
Os dois.-Tony respondeu, ajoelhando-se na frente dela.-O que os seus pais acharam do fato de você se mudar para cá?
Eles não sabem que eu estou aqui.-Chris respondeu, com um sorriso triste no rosto.
Como assim não sabem?-o ex-sonserino perguntou com o seu usual tom de sarcasmo que ela gostava tanto.
Não sabem, Anthony. Ninguém além de você sabe que eu estou morando aqui agora.
O que quer dizer com isso? Vai dar uma de desaparecida ou coisa assim?
Exatamente.

Anthony a olhou, ligeiramente estarrecido, sem compreender o que a Sutcliffe lhe dizia.

- Espere um instante, Christine Sutcliffe, porque eu realmente não entendi o que você está tentando me dizer. Quer dizer que você pretende ficar fechada dentro desse ovo, sozinha, sem dar nenhuma notícia pra ninguém? Deixando que acreditem que você desapareceu? É isso mesmo?-ele perguntou, descrente.
- É.
- Christine Sutcliffe, você enlouqueceu?
- Você já reparou que sempre me chama assim quando fica irritado comigo?-Christine perguntou a ele e sorriu ao ver os olhos azuis dele se arregalarem.-Sempre assim, pelo meu nome inteiro.
- Eu te chamo assim porque sei que te traria más lembranças se resolvesse te chamar apenas de Sutcliffe.-o loiro explicou, repousando seus braços sobre os joelhos dela.
- O que não faria diferença porque eu nunca vou deixar de ser Sutcliffe de qualquer forma, com o Christine na frente ou não.
- Chris...-Anthony murmurou ao perceber onde aquela conversa ia levá-los.
- Afinal de contas, você cedeu as pressões da sua família e de todo o resto das famílias sangue-puro que acreditam que os últimos herdeiros das famílias Malfoy e Sutcliffe não deveriam em hipótese nenhuma ficarem juntos e se casou com Elizabeth Lorente.
- Christine, estou casado há dois anos e nós já tivemos essa conversas vezes demais para que eu perdesse a conta.-Anthony reclamou, levantando-se e saindo da frente dela.-Eu sei o quanto essa decisão a decepcionou mas...Ficar me dizendo isso sempre que nos vemos não muda a situação em que estamos agora.
- Poderia não mudar antes, mas..Muda agora.-Christine disse firmemente, levantando-se e indo até ele.
- Muda como?
- Eu estou esperando um filho seu, Anthony.-ela disse, séria, com as bochechas levemente avermelhadas.

Christine conhecia Anthony tão bem quanto conhecia a si mesma mas ela definitivamente não esperava que ele a levantasse do chão e a girasse loucamente por toda a sala enquanto gritava que seria pai com toda a força de seus pulmões. O rapaz só parou quando enfiou a cabeça dela na luminária.

- Oh, querida, desculpe, desculpe. Eu te machuquei?-ele perguntou, enquanto cobria a barriga dela de beijos.
- Não, não! Merlin! Eu gostaria de ter tido uma visão sobre isso para dar algumas risadas.-Christine riu, enquanto fazia cafuné no cabelo loiro de Anthony.
- Você está rindo da minha cara?-Tony perguntou, levantando a cabeça para vê-la.

A carinha amassada e vermelha do rapaz só fez com que ela risse mais. Anthony deixou-a rindo no sofá e saiu do apartamento, voltando minutos depois com pães de maçã de padaria (os preferidos dele) e tortinhas de limão (as preferidas dela) para comemorarem a notícia. Christine só percebeu o quanto ele estava emocionado quando lhe perguntou se ele ainda gostaria dela mesmo quando ela ficasse gorda e inchada e ele respondera:

- Você enlouqueceu? Ainda se você ficar gorda feito um balão, ainda será a mamãe do ano mais linda do mundo.

Chris o beijou e ele a encarou com os olhos marejados, sem poder realmente acreditar em tamanha alegria. Grávida, era isso mesmo que ela tinha dito? Sim, era, seu mais-novo-e-bobo-papai do pedaço!


Giro.Luz.Giro.


- Sabe, você não precisa vir me ver todos os dias, Tony.-Chris falou, deitada no sofá, quando o loiro abriu a porta do apartamento.-Papai chegou, bebê.-ela riu, acariciando a barriga de três meses.
- É claro que eu preciso. Como eu poderia sobreviver um dia da minha vida sem te ver?-Anthony foi dizendo, encaminhando-se para a cozinha americana do lugar.-O que você está comendo?
- O de sempre, sorvete de limão.-ela respondeu, desligando a pequena televisão e levantando-se, com preguiça.
- Você realmente quer que a nossa menininha nasça com um gosto azedo, não é? Já não basta ela ser viciada nessa caixa trouxa que você inventou de conjurar e fica assistindo o dia inteiro.-o rapaz retrucou, tirando o pote de sorvete da mão dela e guardando na “caixa de refrigerar” da cozinha.
- Primeiro, eu como sorvete de limão porque tem o seu gosto e o seu cheiro. Segundo, a “caixa trouxa” chama-se televisão, Tony, e é a minha única distração aqui dentro, já que eu passo os dias sozinha.
- Não reclame de ficar sozinha, Srta. Eu-vou-desaparecer-por-vontade-própria. Anda, senta na mesa que eu vou fazer o jantar.

Christine o obedeceu, perguntando em seguida:

- A sua esposa, Elizabeth, não acha o estranho você nunca ter fome quando chega em casa de noite?
- Eliza aceitou rápido a minha desculpa de não ter vontade de jantar. Pelo menos, deixou de me esperar todos os dias. Agora ela come com o resto da família no horário certo.-Anthony respondeu, retirando três filés de peixe fresco de uma sacola enquanto punha algumas batatas, já descascadas magicamente, para cozinhar em uma panela de água quente com um toque de varinha.
- E ela nunca te perguntou o motivo? Quer dizer, antes de eu me mudar para cá você jantava com ela, não jantava?-a moça perguntou, ocupada em acariciar a barriga de grávida de leve.
- Se você quer mesmo saber, Elizabeth tem uma teoria sobre o porquê eu não passar mais meu tempo livre em casa e..Bom, não dá-la nenhuma atenção como esposo.-ele explicou, pondo os filés, temperados magicamente, dentro de uma enorme frigideira.
- E que teoria é essa?
- Ela acha que estou gastando todo o tempo em que não trabalho procurando você.
- Ela te disse isso?-Chris perguntou, surpresa.
- Disse ontem a noite. Ela disse “eu sei porque você anda tão ausente nos últimos meses”. E eu perguntei “e por que seria, Elizabeth”, então ela respondeu “porque a mulher da sua vida desapareceu e você está andando por aí atrás dela, tentando encontra-la. Como sempre, Anthony, você está ocupando a sua vida com alguém que não é a sua esposa.” Então, virou-se de costas para mim e dormiu emburrada.
- Pobre Elizabeth.-Christine lamentou, sentindo-se culpada.
- Por que você está com pena dela?-Anthony questionou, virando-se para a moça enquanto sua varinha fazia o trabalho de virar os filés na frigideira.
- Porque ela tem razão, Tony. Você realmente está dedicando todo o seu tempo a mim em vez de ficar um pouco com ela.-ela respondeu, jogando os cabelos castanhos, bem compridos, para trás.-Até mesmo os fins de semana você fica comigo e não com ela.
- E você queria que fosse ao contrário? Você está grávida, Christine, está esperando um filho meu. Não posso simplesmente fingir que isso não é importante o suficiente e deixar você sozinha um dia sequer.
- Pode sim, a cozinha está bem abastecida de comida.
- Como se você comer outra coisa além de sorvete de limão na minha ausência.-ele retrucou, dando um beijinho na ponta do nariz dela.-Eu tenho que vir, sim, todos os dias, e ficar o máximo que eu puder com você, pra ter a garantia que as duas meninas da minha vida estão saudáveis e felizes.
- E quem foi que te disse que eu estou esperando uma menina? Por que eu não estou.-a ex-grifinória disse, taxativa.
- Não tem problema, podemos ter uma depois que esse bebê nascer.-Anthony falou, sorrindo e com um acenar, retirou os três filés já fritos e os pousou em um prato que saíra voando de um dos armário. Mais um aceno e uma faca estava cortando em fatias as batatas cozidas.
- Não fale besteiras, um filho já é mais que o suficiente. E pare de falar em meninas, o nosso solzinho é capaz de ouvir você, sabia? Ele vai ficar triste quando perceber que você não o quer.
- É claro que eu o quero, Christine, não seja boba.-Tony ajoelhou-se a frente dela e encostou a cabeça em sua barriga.-O papai não se importa se você for um menino..
- É um menino, Anthony!-ela corrigiu, brava.
- Contanto que você seja tão inteligente quanto a sua mamãe é, mas, de preferência, não goste tanto de limão quanto ela gosta. E quando ela estiver bem feliz por ter você, eu prometo que a convenço de te dar uma irmãzinha linda de presente.-ele continuou, ignorando Christine completamente.
- Anthony! Não vamos ter outro bebê, esqueça isso!
- Como você sabe?-o rapaz perguntou, divertido.-Ah, não precisa responder, você já teve uma visão que comprova o que está dizendo, não é?
- Já tive várias.
- Esse é o problema de se amar uma vidente, garoto, você nunca poderá fazer planos com ela ou tentar lhe dar alguma coisa de surpresa, porque ela sempre vai saber antes o que vai acontecer.-Anthony disse para a barriga de Christine e em seguida, afastou-se antes que levasse um tapa dela.
- Muito engraçadinho você, Sr.Malfoy.-Chris retrucou, enquanto ele punha na frente dela seu prato com algumas rodelas de batata e dois dos filés que fritara.
- Christine, diga-me uma coisa. Se você sabe tantas coisas que vão acontecer, porque eu tenho que ficar me correspondendo com Sarah para saber como os seus pais estão sem você? Você nunca os viu no futuro?
- Eu já te disse que só vejo coisas relacionadas à nós dois.-ela respondeu, depois de engolir uma deliciosa rodela de batata.-Nós dois, o nosso bebê e o futuro dele.
- Quer dizer que Draco Malfoy e Hermione Granger têm a ver com o futuro dele?-o rapaz perguntou, sentando-se na frente dela com o próprio jantar, enquanto sua varinha cuidava de preparar uma limonada para eles.
- Mais ou menos.-Christine respondeu, fazendo mistério.-Você quer saber um pouco sobre eles?
- Quero. Fale de Draco primeiro.
- Bom, Draco...Draco será um ótimo garoto, de verdade, extremamente parecido com você na aparência. Você vai amá-lo muito, Tony, e será uma espécie de herói para ele também. Ele vai ser muito esperto, desde pequeno, e vai aprender a tirar proveito das situações rápido e conquistar tudo o que quiser, mesmo que não queiram dar a ele. Quando crescer, será um pouco esnobe, como todo Malfoy é, e terá um monte, um monte mesmo, de fãs e alguns poucos amigos fiéis a ele. E, apesar de sentir superior aos outros por um bom tempo, vai ser um garoto com um bom coração, preocupado e atencioso com as pessoas que serão importantes para ele.-Christine contou, com um brilho carinhoso no olhar.
- Ele se parece bastante comigo, então.-Anthony ponderou, sem deixar de sorrir.-Que tipo de parentesco vamos ter?
- Parentesco suficiente para você ensina-lo a cozinhar e a desenhar. Mas, não se iluda muito com o que eu estou te dizendo. Draco vai ser bem mais maduro que você quando tiver a sua idade, e bastante frio com as pessoas, de uma forma que você nunca foi, querido.
- Por quê?
- Acredito que por causa da maneira como ele vai ser criado. Bom, deixe isso pra lá. É tudo o que eu posso te dizer por enquanto.-Christine disse, continuando a comer.
- Hum..Você e seus mistérios.-Tony resmungou, servindo a limonada pronta nos copos dos dois.-E a tal menina, Hermione Granger?
- Hermione será...Totalmente fabulosa! Será um anjo de menina sempre, desde pequena, e todos vão gostar muito dela. Também terá uma inteligência acima da média e sempre se destacará na escola. Vai ser uma perfeita respeitadora das regras sempre que puder e extremamente corajosa. Vai ser do tipo que dá a própria vida para defender as pessoas que ama, sabe? É claro que por causa de tudo isso também vai ser bastante cabeça-dura, teimosa mesmo, sempre querendo encontrar respostas lógicas para tudo e ter a razão sobre todos os assuntos.
- Então, ela tem os mesmos defeitos que você.-Tony riu, divertido.
- Eu não sou cabeça-dura, Anthony Malfoy.
- Imagine, nem um pouco. Ela será uma bruxa poderosa, então? Já que você disse que ela terá uma inteligência acima da média.
- Sim, será extremamente poderosa mesmo, apesar que, como eu disse, ela não vai aceitar isso com muita facilidade.-Chris respondeu, um sorriso de compreensão no rosto.
- Bom, e eu por acaso terei algum grau de parentesco com ela?
- Terá, sim. Se não tivesse, eu não saberia que ela um dia vai existir, saberia?-ela perguntou, com um sorriso sapeca no rosto.


Giro.Luz.Giro.

Anthony parou de girar e saiu com elegância de dentro da lareira da relojoaria de Mr.Lisavieta, recebendo uma reverência de boas-vindas do velho ourives que o esperava em frente à mesma.

- Seja bem-vindo, Sr.Malfoy.-o velho disse, com um sorriso gentil, em um inglês cantado por causa de seu sotaque francês.
- Obrigado, senhor. Minha esposa chegará em um minuto. Poderia pegar nossa encomenda, pro favor?-o loiro pediu e assim que o outro contornou o balcão para atender seu pedido, Christine apareceu na lareira.

Estava perfeitamente limpa e teria saído com a mesma elegância se não fosse o bebê de cinco meses dentro de sua barriga e o enjôo que sabia que ia sentir quando parasse de rodopiar loucamente pelas lareiras bruxas da Rede do Flu.

- Bem vinda, Sra.Malfoy.-Mr.Lisavieta disse, com uma das muitas caixinhas transparentes que tinha espalhadas por sua loja na mão.
- Obrigada.-Christine agradeceu, agradecendo mentalmente a Merlin que seu rosto não fosse conhecido na França e portanto, o velho bruxo não sabia que ela, na verdade, não era a Sra.Malfoy coisa nenhuma.
- Aqui está, Sr.Malfoy, a sua encomenda.-o ouvires disse, estendo a caixa na direção deles.

Os dois se aproximaram do balcão e Christine apanhou a caixa, abrindo-a para ver a jóia que Anthony dissera ser um presente para o bebê dos dois.

- Já que eu não consigo fazer com que você parede chama-lo de nosso solzinho...-ele murmurou, observando-a.

A moça nada disse, apenas olhou para ele com os olhos marejados, sem poder acreditar no que via. Ali na sua mão, estava aquele lindo pingente, em formato de sol, representando o fruto do amor dos dois.

- Eu fiz um relicário de guardar fotos como o senhor pediu.-Mr.Lisavieta disse, enquanto sorria bondosamente para Christine.-O seu marido pediu-me para faze-lo especialmente para o bebê de vocês, senhora. Eu também inscrevi o desenho que me deu, senhor, na parte de trás da figura.-ele continuou a explicar, agora olhando para Anthony.

Christine virou o relicário na mão ao ouvir aquilo e deliciou-se ao ver inscrita ali a imagem de uma fênix com uma cobra sobre as asas abertas, entendendo perfeitamente o que o rapaz tinha querido dizer com aquilo: a junção de suas duas famílias.

- Anthony..É lindo, obrigada.-ela agradeceu, e o abraçou, com lágrimas nos olhos.- Quando nosso solzinho entender...Ele nunca vai desgrudar dele.-Anthony sorriu, dando-lhe um beijo carinhoso na testa.


Giro.Luz.Giro.


Um relâmpago caiu perto dali, iluminando o banheiro escuro por um instante. A água morna caia lentamente da ducha, encharcando-a completamente. De olhos fechados, Christine contou até dez e sentiu, mais uma vez, a dor dilacerante da contração vindo mais uma vez. Ela mordeu o lábio inferior com força, sufocando um grito. Poucos minutos depois a dor já tinha ido embora novamente e ela, com a maior rapidez que seu corpo dolorido e a enorme barriga baixa de nove meses permitiram fechou a ducha, saiu do boxe e foi até o quarto, completamente nua.

Ao chegar lá foi tomada por mais uma contração e sem poder fazer nada, apenas deitou-se na enorme cama de dossel e esperou-a passar. Enfim, secou-se como pôde e vestiu a larga camisola branca que tinha preparado para aquele momento. Uma contração mais forte atingiu um minuto depois e a moça deixou-se gritar com toda a força que tinha agarrando os travesseiros sob a cabeça, enquanto mantinha as pernas abertas. O momento tinha chegado, finalmente chegado e Christine percebeu, de repente, que ainda não estava preparada para aquilo. Decididamente não estava preparada, ela estava apenas...Sozinha.

Chorando, Christine sentiu a próxima contração vindo e fez força para ajudar a trazer seu bebê ao mundo.

- Ah, venha, querido, venha...-Christine pediu, com um fio de voz, sentindo o bebê movimentar-se dentro de si.-Venha, meu sol, venha..Ajude a mamãe, vamos. Nós estamos sozinhos aqui e precisamos ajudar um ao outro...Precisamos ajudar um ao outro...Venha, meu sol, venha...Venha, sol, venha...Ajude a mamãe...Venha e deixe a mamãe ver o seu rostinho lindo.

Chorando, ela repetiu cada uma dessas palavras durante todo o processo, sentindo a voz falhar com o cansaço.

- Vamos, meu amor, só mais uma...Deixe a mamãe ver...-Christine gritou pela última vez, sentindo todas as suas forças serem sugadas.-Deixe a mamãe..

Então ela o ouviu..O som mais maravilhoso que ela um dia imaginara ouvir. Com pressa, ela ergueu-se apoiada nos cotovelos e chorou de alegria. Ali, na sua frente, seu lindo bebê chorava, todo coberto de sangue, e tremia de frio. Seu lindo bebê..Tinha nascido, finalmente nascido. Sorrindo, Christine o pegou no colo com um cuidado que nunca tivera antes, sentindo um calor em seu peito que poderia queimá-la por dentro. Ela o encostou na curva de seu pescoço e ao perceber que ele automaticamente parara de chorar, riu de alegria entre as lágrimas.

- Seu nome vai ser Luca, que significa “luminoso”.-ela murmurou no ouvido do bebê, que parara de tremer nos seus braços.-Meu solzinho cheio de vida.
- Christine? Christine!-uma voz forte de homem se fez ouvir junto com passos apressados.

A moça levantou a cabeça, com um lindo sorriso no rosto e esperou que Anthony abrisse a porta do quarto de supetão. O rapaz entrou, molhado por causa da chuva que caía nas ruas, e completamente pálido por não ter encontrado-a em lugar nenhum do apartamento. Porém, assim que irrompeu no aposento, sentiu-se congelar diante da visão.

- Ele nasceu, Tony, nasceu..Nosso bebê nasceu.-Christine murmurou para ele, estendendo uma das mãos suja de sangue para que ele se aproximasse.

Com passos lentos, o rapaz entrou e segurou a mão dela, os olhos azuis completamente fixos no bebê no colo dela.

- Christine..-ele murmurou, sentindo os olhos marejarem, enquanto ajoelhava-se no chão ao lado dela.
- Ele nasceu, Anthony!-ela repetiu, chorando de felicidade.-Nasceu! Vamos, pegue-o.

Com dificuldade ela passou o bebê para os braços de Anthony, sem se importar se ele ficaria tão sujo de sangue quanto ela estava, e o rapaz o recebeu como se estivesse segurando uma pequena boneca de porcelana.

- Não se preocupe, ele não vai quebrar...-Christine sussurrou, sorrindo bondosamente.

Anthony a olhou e voltou os olhos para o bebê, que se mexia desconfortável em seus braços, dando pequenos murmúrios. Com cuidado, ele passou os dedos de leve pelo corpinho do bebê e sem ligar para as lágrimas que rolavam pelo seu rosto, afirmou:

- Os dedos do pé dele são tortinhos iguais aos seus.
- Mas os olhos deles serão idênticos aos seus, só que mais escuros.-Christine retrucou e escorregou para o chão, para passar os braços em volta dos dois.
- Mesmo? E..Que nome vamos dar a ele?-Anthony perguntou, sem definitivamente desgrudar os olhos do pequeno tesouro em seus braços.
- Luca.-Chris murmurou.-Quer dizer luminoso. Nosso solzinho luminoso.
- Luca..Gostei. E você gosta, Luca? É um belo nome o seu, não é? Mamãe escolheu direitinho.-o ex-sonserino sussurrou, levando o menino para perto do seu rosto.-E você, Christine, por que você não me chamou quando começou a sentir as dores? Eu entrei no apartamento esperando vê-la deitada no sofá, tomando sorvete como sempre e você não estava lá...Estava tudo quieto, eu pensei que tivesse acontecido alguma coisa com vocês dois.
- Se você tivesse chegado alguns minutos antes teria ouvido muito barulho.-ela confirmou, também em sussurros.-Não se preocupe a toa, eu dei conta do recado direitinho. Deu tudo certo.
- Mas poderia ter acontecido alguma coisa e...
- Mas não aconteceu nada, Anthony. Nós estamos bem...Vocês dois ficarão muito bem.-Christine confirmou e Anthony notou na hora o tom choroso que ela utilizara na última.
- O que você quer dizer com isso?-ele questionou, alarmado.
- Anthony, lembra-se do quanto você sempre quis saber o que havia de tão misterioso nas minhas visões, que eu não podia contar praticamente nada?- Chris perguntou, pondo-se de pé com o resto de força que tinha.
- Por que você está falando isso agora?-Tony perguntou, segurando Luca com mais força que recomeçara a murmurar chorosamente quando sentiu a mãe se afastar.
- Porque a hora de te contar tudo chegou.-ela falou, firmemente, enquanto pegava a varinha no criado-mudo e com um gesto, fazia os lençóis ensangüentados sumirem de cima da cama.
- Christine, o que está fazendo? Você não pode fazer esforço...Você acabou de ter um bebê.-Anthony brigou, sem ligar para o que ela dissera, ao vê-la conjurar uma nova roupa de cama limpa.-Tem que tomar um banho quente e..Descansar com Luca.
- Eu se que é isso que eu deveria fazer, mas não posso.-ela retrucou, empurrando-o levemente para que ele sentasse na cama.
- Christine, o quê..? O que está fazendo?-Tony tornou a perguntar, a voz num tom mais elevado ao ver que as roupinhas e coisas relativas à Lucas saíram voando de dentro do armário do quarto para a cama com um aceno da varinha da moça.-Christine!
- Anthony, escute.-Chris pediu, ajoelhando-se na frente dele, enquanto ordenava que os pertences do bebê entrassem dentro de uma mala de viagem.-Lembra-se de Riddle?
- Riddle? O que tem Riddle?
- Riddle não sumiu como tantos imaginam. Ele esteve durante esses quatro anos aperfeiçoando sua própria magia com magia negra, fazendo experimentos em si mesmo para ficar mais e...
- Por que está me dizendo uma coisa dessas?
- E nesses quatro anos ele planejava vir atrás de mim quando se sentisse forte o suficiente. Vir atrás de mim para fazer o que não conseguiu quando estávamos em Hogwarts: me matar.
- O quê?
- O que você ouviu, ele não desistiu de mim nestes anos. Ele planejava ir até a minha casa um dia e me assassinar mas eu sai de lá assim que tive certeza que estava grávida de você e me escondi aqui, de forma que ele não soubesse onde eu tivesse ido porque eu sabia que ele mataria meus pais também depois de me matar se eles estivessem perto de mim quando tudo acontecesse.-Chris foi dizendo, rápido.
- Por isso você veio para cá?-Anthony perguntou, exasperado com a notícia enquanto a via se levantar novamente e separar uma muda de roupa de Luca da bolsa antes de fecha-la.
- Exato, para salvar os meus pais e o Luca, porque se ele me encontrasse naquela época ou durante a gravidez, não teria remorsos em me matar e depois procurar você para mata-lo também. Por isso eu vim pra cá, pra ter uma gravidez tranqüila, sem ninguém além de nós dois sabermos que eu estava esperando um bebê. Depois que eu desapareci, como muitos outros bruxos, Riddle começou a me procurar e...Anthony, ele finalmente descobriu que eu estou aqui.
- O QUÊ?-Anthony não pode segurar o grito e o bebê em seu colo recomeçou a chorar no mesmo instante.-Ele sabe aonde você está?
- Ah, Luca..-Christine suspirou, pegando-o no colo. Com a mão livre, ela segurou as roupinhas do menino e um sabonete e saiu do quarto, com Anthony atrás de si.-Sabe, Anthony, e..Bom, nós só temos uma hora até ele chegar e..Acabar com a minha vida.
- Christine, o que você está dizendo?-Tony questionou, virando-a de encontro ao seu corpo, desesperado.-O que raios você está me dizendo?
- Anthony, não torne isso mais difícil, por favor. Tom Riddle está vindo para cá me matar. Solte-me, eu preciso limpar o Luca para você leva-lo daqui.
- Leva-lo...-o loiro murmurou, soltando o braço dela, em estado de choque.

Christine deixou no corredor e foi até o banheiro, onde a banheira já estava preparada com água morna. Sem pensar duas vezes ela entrou na banheira com Luca no colo, para banha-lo o mais rápido que podia. Alguns minutos depois Anthony apareceu na porta e a expressão no seu rosto era de choque completo.

- Você está falando a verdade, não está?-ele perguntou, com um fio de voz.
- Estou.-Christine confirmou, sem levantar os olhos de seu bebê que revirava-se em seus braços enquanto ela o banhava com cuidado.
- Você teve uma visão de tudo isso.
- Tive.
- Desde quando você sabe, Christine, de tudo isso...
- Desde o sétimo ano.
- Por isso que você sempre me dizia que Riddle ainda era uma ameaça para nós.-o loiro concluiu, apático.-Merlin, como eu fui burro de não ter percebido antes...

Anthony sentou-se no chão do banheiro, escondeu a cabeça entre os joelhos e mordeu um dos braços. Christine continuou seu choro silencioso enquanto o ouvia chorar, abafando os gritos de desespero. Quando ela levantou-se e saiu da banheira, totalmente encharcada, com Luca no colo, ele também se levantou do chão e envolveu os dois em uma toalha, pegando Christine no colo em seguida. Ele levou os dois para o quarto e ali, em cima da cama, em silêncio, secou a amada com cuidado enquanto ela cuidava do filho dos dois.

- Você disse que quer que eu o leve daqui.-Anthony disse, depois de longos minutos, quando o bebê já estava agasalhado dentro de um macacão azul um pouco maior que ele.
- Sim. Tome.-Christine retirou uma carta de dentro da gaveta do criado mudo e deu a ele.-Eu quero que você mentalize esse endereço e aparate para lá com Luca e as coisas dele.
- Aonde esse lugar fica?
- Na zona norte de Londres. Caminhe com ele pela rua e só pare quando chegar em frente à casa de número 73. Logo depois você vai ouvir o choro de um bebê de dentro dessa casa. Vá até ela e deixe...Deixe o Luca na frente da porta, por favor.-ela pediu, enquanto punha o bebê nos braços de Anthony.
- Deixa-lo? Não, eu não vou fazer isso, Christine. Ele vai comigo, para a Mansão Malfoy.-o rapaz retrucou, com a voz embargada.
- Não, Anthony, ele não ficará seguro lá. Nem lá nem em outro lugar a não ser nesse endereço, na casa dessa família.
- Por quê? Que tipo de bruxos poderosos são esses para protegerem o nosso filho?-Tony perguntou, exasperado com o pedido de Christine.
- Eles não são bruxos. São trouxas comuns.-Chris disse, indo sentar-se atrás dele na cama, abraçando-o com as pernas.
- Trouxas?-Luca mexeu-se desconfortável por causa do tom da voz do pai e os dois, juntos, puseram as mãos de leve na cabeça do bebê, para acalma-lo.-Quer que eu deixe nosso filho com um casal de trouxas? Como vou saber se eles vão cuidar bem dele? Se vão entender o que ele é e...
- Anthony, Luca não é um de nós. Ele não possui magia.-Christine murmurou, deixando a própria cabeça descansar no ombro do rapaz, sentindo o perfume de essência de limão que ela tanto gostava pela última vez.
- Não possui magia? Ele é um...Mas como?
- Talvez a magia dos nossos sangues, quando misturadas, se anulem.-ela arriscou, fechando os olhos.-Por isso, não se preocupe. Na casa onde você vai deixa-lo vive um jovem casal maravilhoso..O sobrenome deles é Granger. Eles vão criar o nosso Luca com tanto amor quanto criam o filho biológico, que tem mais ou menos um ano e seis meses...Eles serão pais maravilhosos, querido. Confie em mim. Depois que você deixa-lo lá, desaparate para Hogsmeade. Alguém de Hogwarts vai estar esperando-o lá, para leva-lo até Dumbledore.
- Dumbledore...
- Sim, Dumbledore.-ela confirmou, ainda de olhos fechados.-Ele estará te esperando e responderá tudo o que você tiver a perguntar. Eu enviei a ele, a uma semana, todas as minhas anotações. Ele irá te explicar tudo, Anthony, tudo...O porquê de eu ter tantas visões e o que o futuro nos reserva.
- Mas, Christine, e Luca...-o loiro perguntou, chorando novamente.
- Luca será feliz, querido, muito feliz. Lembra-se de Hermione Granger? Pois bem, Luca crescerá forte, bonito e inteligente. Então, um dia ele conhecerá uma boa moça, chamada Jane, se casará com ela e terá Hermione...Nossa neta, Anthony.
- Neta...-Anthony sussurrou, diante daquela expectativa.
- Sim. Nossa neta, a garota mais inteligente que Hogwarts um dia verá. Ele será feliz, Anthony, pode ter certeza.

Ela se calou e soltou-se dele, retirou a mão do bebê à sua frente e se afastou.

- Está na hora de você ir.-Christine murmurou, ficando de pé, a voz embargada por causa do choro.
- Christine, não...Não faça isso.-Anthony pediu, levantando-se também e se aproximando dela.
- Eu não tenho outra escolha...Anthony, por favor, ele vai chegar logo...
- Christine...
- Vai, por favor, vai...
- MAS VOCÊ VAI MORRER!-ele gritou, indignado, fazendo que Luca recomeçasse a chorar.
- Anthony, não faça isso tão difícil...-Christine pediu, correndo até ele e o abraçando.-Vai dar tudo certo, confie em mim.
- Não, não vai...O que eu vou fazer sem você? Como eu vou viver sem você?-o rapaz perguntou, ajoelhando-se no chão e agarrando, com o braço livre, as pernas de Christine.
- Vai viver feliz. Você vai ser feliz e...Poderá ver Luca sempre que quiser, de longe.-ela murmurou, ajoelhando-se também.-Mas para isso acontecer, você...Você tem que sair daqui.
- Não, Christine..Vamos resolver isso de outra maneira. Escondemos Luca em algum lugar e lutamos juntos contra Riddle..Eu não posso deixar você...Não posso aceitar uma coisa assim.-ele relutou, balançando a cabeça em negativa.
- Anthony, eu estou pedindo, por favor...-Chris choramingou, a voz mal se fazendo ouvir por causa do choro do bebê entre eles.
- Não, Christine, eu amo você, não...Vamos resolver isso juntos...
- Não, Anthony, senão Draco nunca poderá nascer.-ela negou, segurando o rosto de Anthony com as duas mãos.-Draco, lembra-se? Ele também será seu neto, Anthony. Seu e de Elizabeth. Se você ficar, Luca vai ficar sem pais e Elizabeth sem um marido...
- Eu não me importo.
- Anthony, não seja criança. Está na hora de você ir...De nós irmos. A nossa história termina aqui.
- NÃO!-ele gritou, completamente desesperado, quando ela se levantou.
- Anthony, VAI!-Christine gritou, sem mal conseguir enxerga-lo pelas lágrimas.-Vai viver a sua vida...
- Não fale isso, NÃO FALE ISSO!
- Vai..Eu amo você, sempre amei. Eu juro que vou estar olhando por você sempre...-ela disse, chorando, enquanto empurrava a mala de Luca pelo braço dele e punha a carta no bolso de sua capa.
- NÃO SE DESPEÇA DE MIM!-Anthony ainda tentou, impossibilitado de segurar qualquer parte dela com os braços e mãos ocupados.
- Eu te amo.-Christine disse pela última vez, beijando-o em seguida.

Os dois sentiram pela última vez o toque, o calor, o cheio, o gosto de cada um por aquele curto momento que deveria durar para sempre.

- Chris...-Anthony apenas balbuciou quando ela se afastou dele e se deixou cair no chão aos pés dele.
- VAI!-ela gritou pela última vez.

Com o rosto escondido entre os cabelos longos para não precisar vê-los desaparecer, Christine não viu nem ouviu o último “Eu te amo” de Anthony nem mesmo o barulho que ele fez ao desaparatar. Quando controlou-se e levantou a cabeça, apenas o aroma de limão no ar indicava que alguém tinha estado ali com ela. Pela primeira vez na vida, sentiu-se completamente sozinha.


Giro.Luz.Giro.


Ninguém na rua ouviu o “crack” que o jovem bruxo fez quando materializou-se na esquina por causa do ruído da chuva que caía. Parecendo uma alma penada, ele levantou a cabeça loira para a placa, confirmando que acertara o endereço e lentamente, pôs-se a caminhar pelo asfalto.

Tentando retardar ao máximo o que tinha que fazer, Anthony abaixou a cabeça em direção ao peito, onde, debaixo da sua grossa capa negra, Luca se contorcia e murmurava com sua voz de bebê recém-nascido. Com a voz rouca, abafada pela chuva, ele foi cantarolando enquanto andava:

- Dorme, dorme, pequenino. Não te assustes, meu amor. O papai já está saindo, mas estarei aonde for. Não chore, meu menino. Não há nada a temer. A mamãe te ama tanto, e fará tudo por você.

Mais rápido do que gostaria ele se viu em frente ao número 73, uma casa de tamanho médio pintada de branco. A única casa branca da rua. Anthony olhou para o lado, para a caixa de correio e leu, perfeitamente, em tinta vermelha o nome “Granger” pintado nela. Engolindo um soluço, ele escutou o choro de criança de dentro da casa, tão mais forte que o do bebê em seus braços. Ele respirou fundo mais uma vez e seguiu em frente, até a porta da casa. Agachou e depositou primeiramente a bolsa no chão para depois colocar Luca entre ela e a porta. Chorando, ele ainda cantarolou a canção de ninar mais uma vez antes de tocar a campainha da casa. A resposta foi quase imediata, ele pôde ouvir os passos vindo até a porta.

Sabendo que nunca mais poderia fazer isso, abaixou-se e deu um beijo na cabecinha do filho. Em seguida, desapareceu debaixo da chuva no momento em que a porta dos Granger se abria.


Giro.Luz.Giro.


Faltando dez minutos para as onze da noite, Christine apagou as luzes de todo o apartamento com a varinha. Lentamente, sem se importar com o escuro ou com o silêncio, ela apanhou uma manta do armário, pôs sobre a cama e deitou-se embaixo dela. Maquinalmente, escondeu a própria varinha debaixo do colchão e se encolheu, tomando a posição de um feto, bem no meio da cama. Fechou os olhos, sabendo que eles não derramariam mais nem uma lágrima de tristeza. Todos os seus sentimentos haviam ido embora junto com Anthony e Luca.

No escuro, ela esperou, respirando fundo, sentindo o coração bater calmo no peito, curtindo a sensação de seus ótimos minutos de vida. Às onze horas em ponto ela ouviu a porta da frente ser arrombada com estrondo.

- E pensar que achei estar seguindo pistas falsas.-uma voz arrastada e sem qualquer emoção soou da porta de seu quarto, sem que Christine ouvisse o seu dono caminhar até ali.-Velas incantatem.

No mesmo instante em que diversas velas surgiram flutuando no teto, iluminando o ambiente, Christine sentiu a roupa de cama ser arrancada de cima de si.

- Mas esse seu cheiro é inconfundível, Christine, então definitivamente cheguei ao local certo.

Sem opção, ela abriu os olhos e sentou-se na cama, diante dele. O que viu a chocou.

- O que aconteceu com você?-Chris perguntou, sem conseguir se segurar.-Riddle..

Não havia dúvidas de que era mesmo Tom Riddle quem estava de pé na frente de Christine Sutcliffe porque ele riu friamente quando ela deixou a pergunta escapar.

- Notou alguma diferença, Christine?-ele perguntou, com um humor frio, enquanto tirava o capuz da capa de sua cabeça.
- Você...

O rapaz estava horrivelmente pálido e Christine era capaz de ver, com perfeição, as diversas veias verdes que passavam por debaixo de sua pele. O belo cabelo negro, tão bem penteado na época da escola, havia desaparecido sem deixar vestígio junto com as sobrancelhas. Seu corpo estava tão magro quanto o de um doente terminal mas, mesmo assim, ela nunca o vira demonstrando tanta força quanto naquele momento.

- Você...-ela repetiu, horrorizada.-O que você fez com si próprio?
- Estou no meio de um processo interessante para tornar-me mais poderoso, Christine.-Riddle explicou-lhe com paciência e um sorriso presunçoso no rosto.-Eu o terminaria com prazer para que você não precisasse me ver desta maneira mas quando finalmente descobri que era aqui que você estava escondida do mundo não pude esperar para vir vê-la.
- Riddle...-Christine murmurou sem se mexer.
- Não, querida Christine, ninguém que me conhece atualmente me chama assim. Todos me reconhecem como Lord Voldemort e eu ficaria satisfeito se você me chamasse dessa forma também.-como Christine não disse nada ele continuou, pondo-se a andar de um lado para o outro na frente da cama, com a varinha a rodar na mão direita.-Bom, acredito que não saiba o porquê de eu estar aqui, não é mesmo?
- Não deve ter vindo para simplesmente ter uma conversa cordial comigo. Não é a hora para visitas, Riddle.-Christine respondeu, irritada com tamanha polidez.
- Engraçado, Christine, eu tenho certeza de que lhe pedi para não me chamar dessa forma à meio minuto atrás.-Voldemort sibilou, parando de andar por um instante.-Talvez você tenha se esquecido..Vou lembrá-la, está bem? Crucio!

Uma dor intensa se apoderou de Chris, como se facas em brasa perfurassem cada centímetro de seu corpo. Sua cabeça parecia que iria explodir de dor a qualquer momento e ela sentia suas cordas vocais se rasgarem com a necessidade de gritar. Tão rapidamente quanto veio, a dor parou e ela caiu para a frente na cama, respirando ruidosamente, sentindo cada músculo queimar em dor.

- Pronto, pronto, acabou.-Voldemort disse, da onde estava, recomeçando a andar.-É isso o que irá sentir quando fizer algo que não me agradar, Christine, querida. Agora, diga-me, só para que eu saiba que você entendeu a lição: como você deve me chamar a partir de agora?
- Lord..Voldemort.-Christine respondeu, com um fiapo de voz.
- Exatamente, Lord Voldemort. Então, como eu estava dizendo, Christine, você deve estar se perguntando o que vim fazer aqui no seu humilde esconderijo...Não está? Como você sempre foi esperta, aposto que tem um palpite sobre o que pode ser.
- Talvez...Talvez seja me matar?-ela perguntou, levantando o rosto para vê-lo, ainda respirando com dificuldade.
- Sabia que acertaria de cara!-ele disse, sorrindo, e pela primeira vez, aproximou-se dela. Com rudez e força excessiva, ele segurou o rosto de Christine com uma das mãos pálidas e deixou o próprio rosto na altura do dela.-Você sempre foi tão inteligente, não é mesmo? Quando Lord Voldemort fizer um elogio a você, você deve agradecê-lo, Christine.
- Saia de perto de mim..-ela rosnou, tentando soltar o rosto de sua mão, enquanto encarava firmemente os olhos frios do rapaz.
- Você é mesmo muito teimosa. Crucio!

A tortura voltou, ainda com mais força e durante as dores Christine teve a ligeira consciência de estar gritando. Logo depois Voldemort suspendeu o movimento e ela caiu da cama com violência, sobre o braço, dolorosamente.

- Acho que quebrou alguma coisa, querida.-o bruxo disse, gargalhando friamente.
- Por que...Está fazendo isso? Por que não pára com isso e me mata de uma vez?-a moça perguntou-lhe, levantando do chão com dificuldade enquanto o ouvia rir, segurando o braço quebrado junto do corpo.
- Por que, Christine, por quê?-Riddle repetiu e seu rosto deformado transformou-se numa horrenda máscara de ódio.

Com um movimento, ele fechou uma das mãos em torno do pescoço de Christine e a jogou contra a parede oposta do quarto, fazendo-a gritar com o impacto.

- Você tem a coragem, a ousadia de perguntar ao Lorde das Trevas o porquê de eu ainda não ter te matado?-ele rosnou, avançando sobre ela e pisando na mão de seu braço quebrado, fazendo-a gritar de dor.-Como se você não soubesse, não é?-Voldemort agarrou pelo pescoço novamente e a elevou até a altura do seu rosto, retirando-a do chão.
- Solte...-ela sussurrou, tentando soltar-se com a única mão inteira que tinha.
- A demora te incomoda, Sutcliffe? Incomoda saber que vai morrer mas esse momento nunca chegar? Eu sei que incomoda, eu sei o quanto incomoda, porque eu morri cada dia em que vi você com aquele estúpido Malfoy. Porque você era MINHA, Sutcliffe, e ainda sim tinha a coragem de me ignorar, de me negar!
- Solte...Respirar...-Chris tentou, num fio de voz explicar, sufocando.
- Não consegue respirar, não consegue res-pi-rar?-Voldemort perguntou com raiva, jogando-a com violência para outra parede como se fosse uma leve trouxa de roupas.-Por que não, Sutcliffe? Por que eu estava te sufocando ou por que o seu namoradinho Malfoy, tudo aquilo que você sempre lutou para preservas não está aqui para salvar você?

Christine não respondeu, ocupada demais em tentar respirar, apesar de sentir que uma de suas costelas, quebrada, devia estar perfurando seus pulmões. Ela tossiu e cuspiu sangue no chão, provocando mais uma risada doentia de Voldemort.

- Isso parece um déjà vu, não parece, Sutcliffe? Nós dois em um quarto onde ninguém pode nos ouvir, com você pondo sangue para fora pela boca.-ele falou, visivelmente com a situação em que se encontravam.-Só que tem uma coisa errada na história...Você sabe o que é?

Ela olhou para o rapaz deformado e obsessivo de pé na sua frente e fez que sim com a cabeça, sentindo lágrimas amargas descerem pelo seu rosto.

- Sabe, não é? E o que é?-ele perguntou, ajoelhando-se na frente dela, deixando a voz em um tom macio de predador que está prestes a devorar sua presa.
- Anthony...-ela murmurou, tossindo em seguida.
- Sim, o seu Anthony não virá te salvar, Sutcliffe. Ele não vai aparecer e te tirar dos meus braços novamente, salvando-a da morte. Não, ele não vai aparecer dessa vez..Você não vai sobreviver de novo para contar a história. Mas..Para esse nosso nostálgico momento, ainda falta alguma coisa, não falta? Não falta, Christine?

Soluçando, ela fez que sim com a cabeça, vendo os terríveis momentos que passara com ele quando tinha apenas dezesseis anos passarem diante de seus olhos.

- Então, diga-me, o que falta?-Riddle sussurrou em seu ouvido, o rosto escondido na curva de seu pescoço.-O que falta, Christine?
- Falta...A música.-Chris respondeu, de olhos fechados, sentindo o toque frio dele em seu rosto.
- Isso mesmo, querida. Você tem uma ótima memória. Que tal cantar um pouco dela para mim?

A mão de Voldemort foi descendo lentamente pelo rosto dela, segurando com firmeza o seu pescoço, traçando os contornos de seus seios, acariciando sua barriga até perder-se no meio de suas pernas; enquanto Christine tremia no chão, sem forças para se afastar.

- Cante, Sutcliffe!-Voldemort ordenou, com força bruta, e Christine abriu os olhos, aterrorizada.
- Não...Por favor...-ela pediu, sem conseguir respirar, sentindo uma dor intensa onde sabia que a mão gélida dele estava, impedindo-a de fechar as pernas.
- CANTE!-ele gritou e a dor aumentou de intensidade, queimando-a, rasgando-a por dentro.

Os seus gritos preencheram o quarto, o sangue começou a escorrer por suas pernas. E sem opção, ela iniciou:

- You...Belong to me...-Christine cantou, soluçando.
- Isso mesmo, querida, continue...-Voldemort murmurou, beijando-o o seu rosto com um misto de nojo e adoração.
- My snow white queen...There´s nowhere to run...So lets...just get it over...- Chris continuou, como se fosse um pedido.
- Exato, nenhum lugar para fugir, ninguém para salva-la...-ele confirmou, colando sua testa à dela.
- Soon I know you´ll see…-ela fechou os olhos, sua voz transformada em um fraco sussurro.

E por um momento, que poderia ter se arrastando por toda a eternidade, Christine se viu, por trás de suas pálpebras fechadas, de volta à Casa dos Sutcliffe, correndo por seu enorme jardim, cheio de rosas e árvores por todos os lados. Correndo, correndo, como se o jardim nunca tivesse um fim, como se ele tivesse se transformado no mundo inteiro, onde o sol era uma caixinha de lembranças...

“Quem é a princesinha do papai?”

“Venha cá, Chris, lagartear ao sol com a mamãe e deixar esse papai chato para lá.”

Onde o gosto natural dos frutos era doce...

“Ah, não, Mark, você comeu todos os biscoitos DE NOVO!”

“Agora, me diz, Christine: aonde você acharia uma super amiga como a sua Sarinha aqui?”

“Quem é demais? Quem é o ruivo mais incrível do planeta?”

“Não você, Alex, com certeza.”

Onde o cheiro de tudo era...Sarah riria tanto se soubesse daquilo...

“Então quer dizer que eu tenho cheiro de limão?”

“E gosto também.”

“Obrigado, os meus dias serão muito melhores agora que sei que tenho um gosto azedo.”

- Don´t scream anymore, my love, ‘cause all I want is...

E onde a música mais apreciada...

“Luca, por que você está chorando? O que houve?”

“Eu caí da árvore tentando pegar um limão..Você gosta de limão, não gosta, mamãe?”

- You...-Christine completou a frase, um sorriso breve de alegria nos lábios.
- Avada..Kedavra!


Escuridão.


Subitamente, tudo parou de girar e ela reviu a luz, lentamente. Lentamente, seu dedo indicador desceu pela linha bem desenhada do nariz dele e, indeciso, juntou-se aos outros sobre uma das bochechas pálidas dele. Ao fundo, uma gritaria desconexa de perguntas atingia seus ouvidos sem que o seu cérebro, ocupado demais processando tudo o que ela vivera, pudesse codifica-la e entende-la. Era difícil concentrar-se em qualquer coisa, tudo a sua volta era embaçado, inclusive a face dele a sua frente.

- Hermione...-uma voz soou ao longe, sem significar nada.
- O que vocês viram? O que houve com ela?

A face dele...De repente, pareceu-lhe muito importante ver aquele rosto de forma nítida e ela levantou a outra mão para retirar o que a estava impedindo de enxergar claramente. Surpreendeu-se quando viu que eram lágrimas. Lágrimas..Mas, por que estava chorando? E por que estava sentada no chão, quando deveria estar correndo em um jardim? Aliás, onde estava o seu jardim?

- Acho que ela entrou em estado de choque. Hermione, você está nos ouvindo? Hermione?
- Dá um tapa no rosto dela, Malfoy, pra ver se ela acorda.
- Cala a boca, Ginny!

Então, lentamente, ela deu-se conta que não devia estar em outro lugar do que ali, sentada no chão, com a mão direita sobre o rosto de alguém. Ela não devia ir a jardim nenhum, pois aquele jardim não era seu...Era de Christine, e ela não era mais Christine...

- Christine...-Hermione sussurrou, chorando.
- Acho que ela está voltando...
- Christine...Christine...

Finalmente, ela conseguiu entender de quem era o rosto que segurava. Viu, na sua frente, como se fosse a primeira vez, o mais belo par de olhos azuis que um dia já existira.

- Draco...-ela murmurou, pondo a outra mão na outra bochecha do garoto loiro à sua frente.
- Hermione.-ele confirmou, com um meio sorriso torto no rosto.
- Draco, Christine...Verdade?-Hermione murmurou novamente, em tom de pergunta, tentando negar o que o seu cérebro tentava mostra-la. O loiro acenou afirmativamente com a cabeça, antes de abaixa-la, triste.-Não...NÃO!

Hermione jogou-se nos braços de Draco, chorando copiosamente, sentindo uma dor enorme engolir seu coração, revendo cada cena do que acabara de viver.

- Draco? O que houve? Por que Hermione está assim?-Agatha perguntou.
- O que foi que vocês viram na transmissão de pensamentos?-Harry e Gina questionaram juntos, enquanto ouviam a amiga dizer “não” várias vezes entre soluços, a cabeça escondia no peito de Malfoy.
- Hermione...-Ron murmurou, com uma expressão de dor.
- Nós...Ela...-Draco tentou dizer, com a voz embargada, visivelmente a beira do choro, enquanto segurava a garota firmemente em seus braços.-É uma longa história, por enquanto...Deixem Hermione chorar seus mortos.


N/A: Hey, pessoal! Eu tinha escrtio um monte de coisas fofas para vocês quando postei o cap, mas o FB fez a questão de cortá-lo pela metade e agora eu não estou mais nem com o espírito fofo de fim de ano que eu estava ontem nem com a tristeza imensa de ter escrito as últimas três partes do cap..Elas foram realmente difíceis de escrever, desesperadoras mesmo. Mas, eu já não estou tão deprê como estava, então, serei breve.

Obrigada, meninas, que avisaram do errinho no cap, viu? Sempre tão atenciosas, eu não mereço leitoras assim ^^

Ah, sobre a canção de ninar do Anthony, ela já apareceu um pouquinho diferente no cap 17, durante um sonho do Draco. Quem quiser ver, tá dá a dica. Quanto a música que o Voldemort obrigou a Chris a cantar..Espero que vocês não a conheçam, em breve ela estará inteirinha na fic. Por fim, algumas dicas estão espalhadas no cap sobre o que irá acontecer com a Mi quando ela se encontrar com o Riddle pela primeira vez..Alguém aí é capaz de descobri-las?

Como eu sou uma autora muito boazinha, lá vai um presentinho, trecho do cap 24 (cheio de cenas românticas D/Hr que tanto vocês têm me pedido!):

"- Como você está?-o rapaz perguntou, preocupado.
- Bem, se você desconsiderar o fato de eu estar com cada parte do meu corpo doendo.-Hermione respondeu, fazendo uma careta cansada.-Definitivamente, eu espero não ter aquela visão do assassinato da Christine nunca mais.
- Você sentiu tudo, não foi? Os Crucio, a dor do parto...-Draco disse, acariciando o rosto dela de leve.
- Uhum. Eu não pretendo mesmo passar por aquilo de novo.
Mas...Como você vai fazer quando tivermos os nossos filhos?-ele perguntou, num tom exageradamente ofendido.

Hermione riu e ignorando as dores nas costelas, levantou os braços e os passou em volta do pescoço do sonserino.

- Você já ouviu falar em uma coisa chamada anestesia, Draco?-ela perguntou, rindo.
- Já ouvi falar em poções que não te deixam sentir dor.
- Anestesias são o equivalente para essas poções no mundo trouxa. Na verdade, eu ficaria agradecida com uma dessas agora, junto com um bom calmante para dormir.
- Calmante?-Draco perguntou, sem entender.-Você quer dizer uam Poção Sonífera?
- Exatamente. Eu não consigo dormir, todas aquelas cenas ficam passando e repassando na minha mente..É horrível.
- É por isso que estou aqui.-o loiro disse, sorrindo, apontando para si mesmo com presunção.
- Para me dar uma Poção Sonífera?-Mione perguntou, rindo da expressão dele.
- Não exatamente. Mas acho que o que eu tenho a te oferecer vai...-ele se aproximou do ouvido de Hermione e sussurrou, engrossando a voz de maneira sensual.-Surtir um efeito muito melhor.

Hermione corou violentamente ao ouvi-lo e gaguejando, perguntou:

- Então é isso o que a frase "Desça e venha relaxar" no seu bilhete queria dizer?
- Exatamente. E um pouco mais.

Draco a deu mais um sorriso sarcástico e piscou um dos olhos, fazendo-a prender a respiração e sem mais nem menos, a pegou no colo.

- E o que você quer dizer com...Um pouco mais?-Hermione perguntou, deixando-se ser carregada por ele, ainda vermelha de vergonha.
- Você vai ver.-Draco assegurou, presenteando-a com um beijo na bochecha.-Você vai ver."

É isso aí, gente, acabou! FELIZ ANO PRA TODO MUNDO!!! Que todos os menininhos encontrem Hermiones para mimar e que todas as menininhas encontrem Dracos sexys para mimá-las no novo ano que se inicia!

Abraços apertados e apertões na bunda da Nath! Até a próxima ;D

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Comentários: 1

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Enviado por Iasmim Costa em 28/01/2012

PORRA! Tô sem palavras ainda, em estado de choque. Acho que foi o melhor capítulo que eu já li em toda minha vida. Chorei horrores! 

Nota: 5

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