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15. Capítulo Quinze - Final


Fic: Um Saber Desconexo


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Capítulo Quinze:


 “Não espere o dia de sua morte,


 Para começar a amar a vida.”


 Ela escondeu o rosto nas mãos, soltando a mão que estava entrelaçada na minha. Eu podia ouvi-la soluçando com vontade, não tentando reprimir nada. Quase me arrependi de ter perguntado tão de supetão. Talvez se tivesse pensado antes, o resultado seria diferente. Ou quem sabe se a pergunta tivesse saído com um pingo de sensibilidade.


 Mas nada disso acontecera, pois ao perguntar minha voz estava carregada daquilo que aprendi com ela: indiferença e uma pitada levemente exagerada de rancor. E era tarde demais para fazer alguma coisa, ou voltar atrás.


 - Quem é ele? – repeti, tentando controlar minha voz, mas não obtive sucesso.


 Em um gesto de desespero, retirei as mãos dela do próprio rosto e esperei que olhasse para mim.


 Percebi que segurava as mãos dela com força, como se sentisse vontade de quebra-las, embora não fosse exatamente isso. Isso me assustou. No geral, eu não era uma pessoa violenta. Mesmo sabendo disso e consciente de meus atos, minhas mãos não afrouxaram o aperto.


 Finalmente, Hermione levantou os olhos para mim e deles as lágrimas continuavam a jorrar. Eu já não podia me intimidar por lágrimas, tamanha era minha raiva e minha descrença.


 Os olhos castanhos estavam tão brilhantes pelas lágrimas, que cheguei a pensar que ofuscariam minha visão se não fossem apenas olhos. Poucos significados vinham deles, a não ser a tristeza profunda e completa.


 - Responda-me. – exigi, mesmo sabendo que talvez eu não quisesse ouvir a resposta.


 Ela soltou um minúsculo soluço e eu sabia que ela havia tentado reprimi-lo.


 - Ninguém. – ela me respondeu com a voz tremula. – E talvez esse seja o problema.


 Não entendi. E o enigma me deixou completamente raivoso, se é que isso era possível. Mas a curiosidade amenizou meu aperto nas mãos dela e quase pude sentir o sangue voltar a circular nas suas veias.


 - Explique-se. – pedi entredentes.


 Hermione deixou mais lágrimas caírem. Minha raiva a estava assustando e meu lado bom pediu que fosse mais cuidadoso, mas meu lado ruim ordenou que calasse a boca.


 E assim, eu esperei impaciente a resposta dela.


 - Eu gostaria de ter um motivo realmente bom para terminar com você, mas eu não tenho. Não tenho ninguém para usar como motivo. Não há ninguém. Incluindo você. – explicou-se e eu compreendi de súbito: ela não gostava mais de mim. Ou simplesmente estava desistindo de nós. Ou desistindo de mim.


 Uma dor forte tomou conta do meu peito, invadindo cada molécula e me tirando o folego.


 - Esta terminando comigo? – perguntei para ter certeza de que realmente ouvira direito.


 - Sim. – a voz saiu tremula e chorosa. Cada terminação nervosa do meu corpo se retesou ao ouvir a palavra. Era apenas uma palavra, mas palavras guardam significados e quando são usadas em certas frases, elas podem machucar.


 - Por quê? – perguntei, não havia mais raiva na minha voz, mas uma tristeza profunda que me dava vontade de gritar. Meus olhos se suavizaram. Agora compartilhávamos do mesmo sentimento.


 Eu já não agarrava as mãos dela. Era mais como querer segurá-la aqui comigo, para que não pudesse fugir.


 Meu rosto se fechou em tristeza. O que não mudou o estado dela.


 - Por favor, não faça isso. É bem pior do que sua raiva. – ela pediu, mas não se controla emoções, pois se assim fosse possível teria escolhido não me apaixonar por ela. Embora ela não precisasse saber disso.


 - Ainda não respondeu minha pergunta. – desconversei. Não a deixaria fugir de mim.


 Hermione voltou a derramar lágrimas.


 - Escute: não me arrependo de nada. Nada mesmo e espero que você também não se arrependa, mas é uma coisa passageira. Sempre foi. Eu não entendi desde o inicio o porquê de você gostar de mim e não perguntei por medo de que revisasse o que estava fazendo. Mas esperava que se desse conta, esperava que me rejeitasse. Você não fez isso. – ela fez uma pausa para fungar e limpar as lágrimas, não se importando de elas caírem novamente. – E descobri que eu gostava de você. Quando me beijou minha certeza se intensificou. E as coisas começaram a ficar meio óbvias. E eu gostaria de continuar... – ela pareceu lutar para me dizer o que se passava na sua cabeça. – Mas...


 Não continuou. Aquela conversa o estava deixando agoniado. Eu não tinha certeza se entendia tudo o que ela me dizia.


 - Mas? – ajudei.


 - Olhe onde você mora e veja onde eu moro. É muito longe. – ela dizia.


 - Posso te visitar. E você pode me visitar.


 - E os meus estudos? Vou sair daqui para visita-lo e voltar? Sair e voltar de novo?


 - Não precisa ir. Eu venho. – sugeri.


 - E os seus estudos? E o quadribol?


 - Tenho folga nas viagens de quadribol a cada três meses. – tentei.


 As lágrimas, que haviam dado trégua, voltaram a cair pelo rosto de Hermione e ela soluçou.


 - Eu não quero um namorado a cada três meses. – era quase um sussurro e a agonia desmontava a voz dela, deixando um pedaço em cada lugar.


 Era realmente uma motivação ridícula, e eu quase entendi o desejo dela de ter alguém por quem se apaixonar e usar isso como um motivo.


 Mas eu também entendi o motivo pelo qual aquilo era realmente um problema.


 - Podemos achar um jeito. – argumentei.


 - E qual seria?


 Um jeito? Eu não tinha nenhum. Nenhum, mas continuava a procurar.


 - Eu não sei. – admiti.


 - Eu sei: você não vai deixar o quadribol por mim. Sei disso. E eu não vou deixar meus estudos e meus amigos por você. Sei que você sabe disso. – ela continuava a chorar, mas agora as lágrimas desciam lentamente, uma a uma, em sintonia. Ela estava começando a voltar com o controle. E logo a máscara de indiferença podia ser vista se formando em seu rosto.


 - Sabe, é difícil para eu aceitar que você não tem nenhuma solução plausível. Você costumava ter.


 Ela suspirou, secando o rosto com as costas das mãos.


 - Não pode exigir isso de mim. Mesmo que houvesse alguma saída, Karkaroff não nos deixaria coloca-la em prática.


 Encarei-a por um infinito momento. Como ela podia pensar que eu deixaria Karkaroff interferir em nós?


 A descrença se misturou com a tristeza nos meus olhos.


 - Vamos, Victor, não me olhe assim. – ela pediu. – Nós dois sabemos que você sempre sede às vontades dele. Não entrou no torneio por que quis. – afirmou.


 Sim, eu sabia disso.


 - Deve estar pensando que eu sou um covarde. – murmurei.


 - Não, não acho isso.


 Olhei para ela. Mesmo sabendo que estávamos fugindo do assunto, eu queria mantê-la falando, na esperança de se esquecesse dele.


 - Eu? Corajoso? Eu não teria entrado naquele torneio. Dentro do labirinto estava simplesmente apavorado. – disse.


 Hermione levantou uma sobrancelha, sinal de ironia. Ela sorriu de leve e abaixou a sobrancelha. Pensou um minuto e disse:


 - Acredito que existam vários tipos de coragem. – ela pausou e eu esperei. – Coragem para amar alguém, mesmo sabendo que pode não ser correspondido. Coragem para guardar para si mesmo as próprias dores e lutar com elas sozinho. Coragem para proteger quem se ama. Coragem para sentir medo; para se permitir sentir medo. Medo é só a coragem agindo da sua melhor forma. Não existem pessoas covardes. Existem pessoas com coragem para sentir medo. – ela terminou o relato e me olhou, analisando minha reação.


 Balancei a cabeça afirmativamente.


 - Certo. Esta tendo muita coragem agora, sabia? – comentei.


 Observei-a ficar triste novamente.


 - Desculpe. – pediu.


 Tentei entendê-la. Por um momento. Tentei ter coragem para tentar superar aquilo.


 Peguei as mãos dela carinhosamente.


 - Não precisa se desculpar. – ela me abraçou com força e não me importei que doesse. – Tenho direito à sua amizade? Sem falhas?


 - Mas é claro que sim! Sempre teve minha amizade. Me de seu endereço e prometo escrever quando puder. – ela se soltou de mim e sorriu.


 Senti o sorriso se espalhar pelo meu rosto.


 Para minha total perplexibilidade, ela deu um leve selinho em mim.


 - Começa a valer partir de agora. – Hermione disse antes de se levantar, apertar de leve minhas mãos, sorrir inteligentemente e sair pela porta da enfermaria, para não voltar a entrar.


 E agora eu me lembrava disso e me sentia vazio. Triste. Como se tivesse perdido uma coisa irrecuperável.


 Senti-me covarde. Mas lembrei-me da coragem que ela me dissera que existia.


 Amanhã eu iria embarcar e voltar para a Bulgária. Daria para ela meu endereço e continuaria a ter a amizade dela. O que importava era isso.


 Eu sabia que me sentir triste ainda era besteira, mas podia me permitir isso durante a noite e enfrentar minhas dores sozinho.


 Sim, eu sabia disso.


 Mas era um saber desconexo e sem sentido no momento.


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“São os pequenos momentos diários, que tornam a vida espetacular.”


William Shakespeare


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 N/A: esta aí, o último capítulo da minha humilde fic. Nada a declarar, pois eu simplesmente tive um bloqueio na minha imaginação e me decepcionei com o resultado disso. Para ter noção, reescrevi esse capitulo duas vezes, mas foi o máximo que eu consegui.


 Dedico esse capítulo aos personagens que me trouxeram essa inspiração (mesmo eles não sendo reais).


 Um obrigado especial a você que perdeu seu precioso tempo lendo o resultado de uma mente sem muita criatividade.


 Obrigado. 

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Comentários: 1

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Enviado por Mademoiselle Delacour em 29/04/2011

AAAAAAAA! Acabou ={ Mas eu ADOREI! Muito fofa. E esse final, encaixou super bem!

 "- Acredito que existam vários tipos de coragem. Coragem para amar alguém, mesmo sabendo que pode não ser correspondido. Coragem para guardar para si mesmo as próprias dores e lutar com elas sozinho. Coragem para proteger quem se ama. Coragem para sentir medo; para se permitir sentir medo. Medo é só a coragem agindo da sua melhor forma. Não existem pessoas covardes. Existem pessoas com coragem para sentir medo"

=O Fiquei boba. Vou até citar você no tumblr ;D hauahuahua 

Bjoos :*

ps: sobre a sua nova fic, ainda não consegui ler. Mas hoje ainda eu vou, prometo =)

Nota: 5

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