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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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Visualizando o capítulo:

23. União Verde-Vermelha


Fic: Obsessão Por Você - AVISO POSTADO!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/A: Antes de mais nada, eu gostaria mil desculpas por estar a tantos meses sem dar luz de vida. Sabem como é, eu estou no último ano do Ensino Médio, estudando pra vestibular e trampando nos horários livres então a fan fic acabou sendo jogada para o vigésimo plano durante um bom tempo.
Mas, eu quero deixar bem claro que eu não desisti e nunca vou desistir de Obsessão por Você porque ela é a menina dos meus olhos e eu amo escrevê-la.

E como amo escrevê-la tanto como amo receber comentários de vocês todos que a lêem eu quero pedir, por favor, para que ninguém escreva palavrões ou ofensas de qualquer espécie simplesmente porque está ansioso para ler o próx cap. Eu escrevo por diversão e não por obrigação, não ganho nada com isso do que carinhosas reviews e realmente quero que elas continuem carinhosas até o final da fic(bem próximo por sinal). OpV nasceu há cinco anos e eu realmente não quero ter que parar de postá-la aqui no FB pela malcriação de alguns leitores.

Agora que a Nath desabafou...PODEM LER O CAP! Ah, e não deixem de ler a N/A no final dele para que eu possa esclarecer algumas coisas. Obrigada por todos os comentárioss!!!

Cap.22: União verde e vermelha

- HERMIONE!-Draco gritou, virando-se para a garota que vomitava copiosamente no banco da cabine.

Ele correu até ela e segurou seu corpo, pondo-a de pé. Retirou um lenço do bolso da calça e tentou limpar o rosto da garota, que tossia. O banco em que estavam sentados segundos atrás já estava cheio de sangue e de comida do carrinho do trem, digerida e regurgitada.

- Hermione, Hermione, fala com...-o loiro tentou, tentando segurar o rosto dela na frente do seu, já que a menina estava completamente mole, caindo pro lado. Sua face estava esverdeada e parte das vestes sujas de vermelho-escuro.
- Drac...-a grifinória tentou, curvando o corpo em seguida para vomitar mais, sujando as roupas e sapatos do garoto.- Ajuda...Chame alguém...O Harry...
- Quê? Você quer dizer o POTTER?-Malfoy perguntou, só não ficando mais bravo por causa da expressão de dor que a namorada demonstrou de repente, segurando a barriga com força.
- Eh...E Ron...Chame Harry e Ron..Agora.-Hermione pediu com a voz rouca, sentindo como se seu estômago estivesse sendo atravessado por facas.
- Mas...
- Por fav...-ela tentou mais uma vez. A dor deu mais uma grande guinada e ela gritou, perdendo o equilíbrio.

O loiro a segurou com força, para que não escorregasse. Deitou-a no outro banco da cabine, logo depois de jogar o violão de qualquer jeito no chão sujo. Olhou-a por um instante, totalmente exasperado, acreditando que ela estava desacordada. Como assim chamar Potter e Weasley? O que ela queria, de repente, com eles? Não, não podia correr atrás dos dois grifinórios imbecis com Hermione naquele estado! Tinha que falar com algum adulto, qualquer um que estivesse a bordo do trem para ajudá-lo. Talvez, até mesmo o maquinista, mandá-lo se apressar, aumentar a velocidade para chegarem logo em Hogwarts e a menina poder ser levada á Madame Pomfrey e...”E o quê?” Draco pensou, completamente desesperado, sem saber o que fazer. Agachou-se e passou uma das mãos no rosto da desacordada. ”O que eu faço, Merlin, o que eu faço?!”. Então, Hermione abriu os olhos e levantou uma das mãos, pousando o dedo médio no meio dos olhos do garoto, que embranqueceram de maneira fantasmagórica.

Todo o pensamento lógico que ela tinha tido antes de vomitar entrou na mente do loiro, cada palavra, cada lembrança, como se uma corrente elétrica os levasse do corpo dela para o dele. E antes mesmo que os olhos do sonserino voltassem ao tom de azul costumeiro, ele já entendera o que a frase “Tom é chave dos problemas” queria dizer.

- Potter.-ele repetiu, com a voz ligeiramente embargada.

O dedo de Hermione saiu da testa de Draco, e a sua mão inteira caiu molemente no banco. Tinha, enfim, desmaiado. Draco levantou-se e saiu correndo para fora da cabine, decidido a achar Harry e Ron aonde quer que estivessem.

- Caralho, onde aquelas duas antas se enfi...Ai!

A porta de uma das cabines acabara de se abrir com força e ele trombou com violência em Agatha Ryme, que saia dela.

- Ai. Olha por onde anda, seu idi..Draco, o que foi que aconteceu?-questionou a sonserina, ao ver que fora Malfoy que batera nela.
- Agatha, Agatha, graças a Merlin!-Draco respondeu, sem fôlego, agarrando a garota pelo pulso e puxando-a no mesmo instante na direção de sua cabine.-Eu preciso da sua ajuda, urgente!
- O quê? Malfoy, quer parar de me puxar?-a morena reclamou, resistindo com força á Draco.- Mas o que foi que houve? Você está todo pálido e..O que aconteceu com suas roupas? Isso por acaso é sangue?
- Agatha, por Merlin! Hermione...
- O que está acontecendo aqui?-uma voz disse atrás dos dois.

Harry Potter tinha acabado de abrir a porta de sua cabine, vizinha a a de Agatha, estranhando o barulho do lado de fora.

- Malfoy? Mas o que...-Harry tentou perguntar.
- Ei, o que houve, Harry? É mesmo Malfoy que está gritand...Malfoy, o que foi que aconteceu com você? O que é isso nas suas roupas? Cadê Hermione?-Rony perguntou, também aparecendo no corredor, querendo ver o que estava acontecendo.
- Ah, achei vocês! Calem a boca e me sigam!-Draco gritou, e com a mão livre agarrou a manga do suéter de Harry puxando-o também com força.-Venham comigo, AGORA!

Draco se pôs a correr pelo corredor, puxando Agatha enquanto Harry, Rony e Gina, também saída da cabine, seguiam em seu encalço, fazendo mil perguntas sobre o que estava acontecendo. Ele virou e abriu a porta da própria cabine e...

- Hermione Granger!
- Mione!
- Malfoy, o que você fez com ela?

Em dois segundos, Agatha e Gina estavam ajoelhadas ao lado de Mione, com lenços nas mãos (sabe-se Merlin da onde conjurados), limpando a face suja da garota; Rony com as mãos envolta do pescoço de Malfoy e Harry segurando Rony pelas vestes, fazendo (pouquíssima) força para que o amigo soltasse o sonserino. E claro, todos falando ao mesmo tempo.

- O que você fez com a Hermione, seu desgraçado?-o ruivo perguntou, com as orelhas mais vermelhas que nunca e uma voz ameaçadora.
- Me...solta...-Draco tentou, ficando sem ar.
- Rony, solta ele!-Harry brigou, puxando Ronald pela cintura.
- É, se Malfoy morrer asfixiado, nunca vamos saber!-pediu Gina, que tinha levantado para ajudar Harry na tarefa de puxar o irmão.-Harry, você está pisando no meu pé!
- Será que vocês esqueceram que tem uma garota DESMAIADA E SANGRANDO AQUI?-Agatha gritou, também se levantando.
- Me...-o loiro estava ficando mais pálido que o normal, levemente azulado.
- Solte-o, seu Weasley pirado, solte-o!-gritou Agatha, puxando um dos braços de Rony.
- NÃO! Eu não vou soltar até ele dizer o que houve com Hermione!
- Mas ele está sufocando, Ron!
- JÁ CHEGA!
- Ai!

O “ai” de Ronald tinha sido provocado pelo gentil joelho de Agatha que bateu com força em suas partes baixas. Com isso, o ruivo soltou Draco, e sentou-se ofegante, com as mãos no meio das pernas e o loiro, por sua vez, caiu de quatro no chão respirando desesperadamente.

- Sua...sonserina...vadia!-Rony xingou, ofegante.
- Cale a boca, cabeça-de-fogo! Draco, você está bem?-Agatha perguntou, ajoelhada ao lado do loiro.
- Merlin, só pode ser o fim do mundo!-Gina reclamou, voltando suas atenções para Hermione, totalmente desmaiada.
- O que aconteceu com ela, Malfoy?-Harry perguntou, sentando-se e pondo a cabeça da amiga em seu colo. Estava preocupado demais para voar no pescoço do sonserino, mesmo que ela no fundo sua vontade fosse essa.
- É, você vai...dizer ou não vai?-perguntou Rony, um pouco menos vermelho.
- Cale a boca, seu pobretão!-Draco xingou, engatinhando até a namorada.
- O QUÊ?
- Eu disse que JÁ CHEGA!-Agatha gritou novamente, segurando Ronald para que ele não pulasse em cima de Draco e os dois se engalfinhassem no chão.- Merlin, isso não adianta de nada!
- Concordo com você!-Harry disse.-Aliás...quem é você?-ele perguntou, repudiando-se mentalmente por tal pergunta idiota.
- Agatha Ryme, a melhor e uni...Draco, você está namorando a Granger pra valer?
- Estou.-o sonserino respondeu, sem tirar os olhos de Hermione.
- Então, a melhor e única alguma coisa de Draco Malfoy.-a morena terminou de se apresentar, recebendo olhares confusos dos três grifinórios.-E vocês são Harry Potter, Ronald Weasley e...
- Gina Weasley, prazer.-Gina apresentou-se com um meio sorriso no rosto.
- Todo meu. Então, agora que os ânimos se acalmaram... -Harry retomou a palavra, voltando sua atenção para Draco.
- Draco, o que aconteceu?-Agatha perguntou, pousando uma das mãos no ombro dele.

O loiro olhou para a garota sem saber o que responder. Estava desesperado, e isso era visível. Fixando os olhos azuis nos dois curativos na testa da grifinória, ele respondeu:

- Eu não sei, Agatha. Não sei. Hermione tem tido esses desmaios e esses vômitos de sangue desde o início do mês, mas eu não sei por quê.
- Como assim, Malfoy?-Rony perguntou. Não havia mais raiva na voz do garoto, apenas preocupação pela amiga.
- Tem algo a ver com aquele tal problema que estava unindo vocês dois?-Harry perguntou de repente, chamando a atenção do loiro.
- O que sabe sobre isso?-Draco perguntou, levantando-se pela primeira vez.
- Nada, na verdade. Eu e Hermione tivemos uma conversa antes das férias de Natal e ela me disse que vocês estavam dividindo um problema, meio que trabalhando como parceiros em alguma coisa mas se recusou a entrar em detalhes. Não disse nada mesmo sobre o que estava acontecendo com vocês. Ela não quis contar, disse que não podia, que era melhor para a minha segurança que eu não soubesse o que era.-o moreno explicou, observando Malfoy, que tinha começado a andar de um lado pro outro no corredor estreito da cabine.
- Hum, eu me lembro dela ter falado algo sobre uma conversa com você.-ele confirmou, lembrando-se da briga que se seguira depois dessa revelação.-E, bom, Potter, esses ataques da Hermione têm tudo a ver com esse problema que nos uniu.
- Sabia que a Mi estava escondendo alguma coisa. Que problema é esse?-Gina perguntou, olhando para o sonserino também.

Draco olhou para cada um dos quatro. Harry sentando com a cabeça de Hermione no colo e com Gina ao seu lado em um banco; Rony no banco da frente, olhando preocupadamente para ela e Agatha ajoelhada na frente dela, ocupada em desabotoar o casaco pesado da menina, sujo de sangue. O que fazer, Merlin? Será que era certo contar a todos eles tudo o que estava acontecendo com ele e a grifinória? Tudo sobre Christine, Anthony e Tom Riddle? É claro que, agora que sabia que ele estava enfrentando o Lord das Trevas, Draco admitia que precisava de ajuda. Mione estava ficando cada vez mais doente e ele já não tinha certeza de que era suficiente para cuidar dela ou para se livrar das ameaças de Riddle. Mas...e se contar pusesse os outros em perigo também?

“Hermione nunca me perdoaria se acontecesse alguma coisa com os amigos dela. E eu também não posso pôr a vida de Agatha em risco. Merlin, o que eu faço?” o sonserino pensou, parado.

- Merlin, Malfoy, diga alguma coisa.-Rony disse, desviando os olhos pela primeira vez de Mione.
- Chegaremos em Hogsmeade em dez minutos. Por favor, deixem suas bagagens no trem. Ela será levada para a escola.-uma voz, que todos sabiam ser do maquinista soou por todo o trem, despertando Draco de suas reflexões.
- Graças a Merlin!-a morena suspirou, levantando-se com o casaco sujo de Hermione nos braços.-Pelo menos, podemos levá-la logo para a Ala hospitalar. O pulso dela está meio fraco.
- Certo. Escutem, todos vocês.-o loiro pediu, chamando a atenção dos quatro.-Eu e Hermione nos metemos em uma encrenca enorme. Melhor, fomos metidos. É uma história longa e complicada que vai demorar muito tempo para ser contada. Antes de desmaiar, ela me pediu para chamar vocês dois, Potter e Weasley. Descobrimos uma coisa que vocês dois, principalmente, precisam saber.
- E quando você vai nos contar?-Rony perguntou, também de pé, e de braços cruzados.
- Escuta, Weasley, eu não quero brigar. Depois que eu contar tudo, eu realmente não vou me importar se você quiser arrebentar minha cara.-a declaração do loiro, que tinha a voz levemente embargada, surpreendeu todos em volta- Se eu tivesse no seu lugar, provavelmente gostaria de fazer à mesma coisa. Só que, agora, preciso da sua ajuda. Eu e Mione precisamos da ajuda de todos vocês.
- Está falando sério, Malfoy?-Gina perguntou, descrente, mas, ao mesmo tempo, tocada pela maneira apaixonada que o garoto olhava para Hermione.
- Estou.
- Então, vamos lá. Não acho bom tirarmos Hermione daqui quando todo mundo estiver saindo. Façamos o seguinte: Draco, você fica aqui e ajeita as coisas, essa cabine tá um nojo. Eu vou voltar pra minha cabine pra inventar alguma desculpa para as pessoas de lá e, acho que vocês três deviam fazer o mesmo.-Agatha foi dizendo, abrindo a porta da cabine, incrivelmente prática.-Quando o trem já estiver quase vazio saímos com ela, e ao chegarmos ao castelo, a levamos direto para a ala hospitalar. Ok, vamos lá então.- e sumiu pela porta.
- Ela me lembra demais a Hermione.-Rony disse, olhando para onde minutos atrás a morena sonserina estava.
- É por isso que eu gosto dela.-Draco completou, com um meio sorriso.

O ruivo e o loiro se encararam por um instante, e antes que o primeiro pudesse contestar, dizendo que queria ficar na cabine com Hermione, Gina o puxou, tirando-o dali.

- Sabe, Malfoy, eu não sei o que há de tão grave acontecendo e nem o que Hermione tem, mas..É legal saber que você finalmente resolveu pedir ajuda.-Harry disse, encarando o loiro.
- Tudo isso, Potter, é uma maneira de dizer que você quer uma trégua?-Draco perguntou, achando um pouco de graça.
- Até Hermione voltar a ser o que era antes. Vai cuidar da sua namorada, vai, Malfoy, que eu já volto.

E antes que o sonserino pudesse responder, Harry já tinha saído também.

*

- Legal, não tem ninguém olhando, podem vir.-Agatha sussurrou, fazendo um sinal para o grupo de cinco pessoas parados na porta dupla do castelo.

Com Hogwarts inteira distraída com a prévia de banquete que teriam dali duas noites no dia de Natal, Harry, Ron, Draco e Gina passaram pela porta do Grande Salão sem chamar um pingo de atenção. O inusitado grupo recém-formado tinha combinado que o melhor era que ninguém visse Hermione desacordada para evitar perguntas e comentários. Ao passarem pela porta, Gina despediu-se dos três garotos e entrou no Salão, seguida por Agatha, como se nada estivesse acontecendo. Harry, Ron e Draco subiram as escadas principais e caminharam o mais rápido que puderam até a Ala Hospitalar. Ao chegarem lá, Harry tentou abrir a porta mas não conseguiu.

- Ué, está trancada!-o moreno disse, virando-se para os dois atrás de si.
- Como trancada? Onde está Madame Pomfrey?-perguntou Rony, batendo na porta.-Madame Pomfrey? A senhora está ai?
- Essa escola está afundando mesmo.-Draco reclamou.-Potter, pegue Hermione aqui.-Harry estendeu os braços, pegando Hermione, agora aparentemente dormindo, no colo.

Draco retirou sua varinha do bolso da calça e apontou pra fechadura.

- Aloromor..
- O que pensa que está fazendo, Sr.Malfoy?

Os três rapazes viraram-se ao mesmo tempo e encararam a cara fechada se Severo Snape, parado diante deles.

- Merda.-sussurrou Ron, de forma que só Harry pôde ouvir.
- Vamos, Malfoy, estou esperando uma resposta.
- Precisamos entrar na enfermaria, professor, Hermione passou mal e desmaiou.-Harry respondeu, indicando a garota em seus braços.- Mas a porta está trancada e ninguém responde do lado de dentro.
- Eu não perguntei a você, Potter, cinco pontos a menos para a Grifinória.-sibilou Snape, encarando Harry com um visível desgosto.-Ninguém responde pois Madame Pomfrey está reclusa por causa de um problema de saúde e não pode atender ninguém no momento. Eu atenderia Granger se...Ela não fosse quem é. Agora, saiam daqui e levem sua amiguinha junto.
- Mas Hermione precisa de cuidados médicos. Ela vomitou san...-Rony tentou, raivoso.
- Eu não quero saber o que Granger precisa ou não, Weasley. Mais cinco pontos a menos para a Grifinória pelo desrespeito.-Rony abriu a boca para retrucar, mas Draco o olhou de forma que ficasse quieto.- E dez pontos a menos para Sonserina por tentar arrombar um aposento do castelo, Malfoy.

Sem mais, Snape girou nos calcanhares, fazendo esvoaçar sua capa negra e saiu andando.

- Mas é um filho da...-xingou Harry.-Ah, deixa pra lá, esse idiota não vai nos ajudar.
- O que fazemos agora então? Hermione está assim há quase meia hora.
- Sabem, da última vez que ela desmaiou, ficou desacordada por mais de duas horas.-Draco disse, fazendo com que Harry e Rony arregalassem os olhos de horror.
- Mas o que aconteceu com ela daquela vez?-o ruivo perguntou, olhando para a amiga.
- Caiu de uma janela, uns cinco metros mais ou menos.-Draco respondeu, sacudindo os ombros sem perceber as expressões horrorizadas dos dois á sua frente.
- E o que faremos?-Rony perguntou, tirando a menina do colo de Harry.
- Se existe alguém que Snape gosta nessa vida é de Agatha. Se ela pedir para ele abrir a enfermaria e cuidar de Hermione, ele aceita.-o sonserino disse, olhando feio para o ruivo por estar com sua namorada nos braços.-Vou buscá-la, e volto com ela e Snape.

Com mais uma olhada feia para o ruivo, Malfoy virou-se e saiu correndo atrás de Snape. Encontrou-o descendo as escadas que davam para as masmorras e entrou no Grande Salão. Agatha estava visível na mesa da Sonserina, por ser a única que não estava comendo ou participando das conversas. Segurando-se para não correr, ele aproximou-se dela rapidamente e em breves palavras explicou o que tinha acontecido. Qualquer um olharia para Draco e acharia que continuava o poço de indiferença de sempre, mas um simples timbre de voz diferente foi suficiente para que a morena percebesse que ele só estava pedindo aquilo pra ela porque estava realmente preocupado com Granger. A garota levantou-se e antes de seguir atrás de Snape, correu até Gina e explicou brevemente a situação para ela.

- Ok, entendi tudo. Então você vai tentar convence-lo a atender Hermione?-Gina perguntou, quando os três já estavam nos primeiros degraus da escada principal, fora de olhares curiosos.
- Exatamente, vocês dois podem ir pra frente da Ala Hospitalar que dentro de uns quinze minutos eu chego lá com o Snape.-Agatha assegurou, dirigindo-se até a escada para as masmorras.
- Certo, vamos, Malfoy.

Sem olhar pra trás, Draco subiu as escadas atrás da ruiva. Se tinha uma pessoa naquele castelo em que ele podia confiar, que faria qualquer coisa para ajudá-lo a resolver seus problemas era Agatha, e ela não iria faltar naquele momento.

A sonserina observou os dois até sumirem de vista e virou-se para as escadas de pedra, descendo-as. Rapidamente, ela já teria sumido de vista para algum aluno ou professor que não estivesse acostumado a andar pelo subterrâneo da escola de magia e bruxaria. A verdade é que Agatha conhecia cada um daqueles corredores escuros e frios como a palma de sua mão. Sempre gostara de perambular por eles quando mais nova, durante as madrugadas, quando não tinha sono. Tinha se perdido diversas vezes mas encontrado também salas e passagens escondidas, que escondiam segredos antigos de Hogwarts. Em um de seus muitos passeios, quando tinha quatorze anos descobrira uma passagem que a levava na metade do tempo ao corredor em que Severo Snape tinha seu dormitório e escritório privados. Lembrava-se bem como era divertido se refugiar no meio dos frascos e livros velhos do professor, naquele cheiro diverso de ingredientes mágicos, umidade e loção pós-barba masculina. O professor de Poções nunca a tinha encontrado em seus passeios investigativos, como ela chamava quando mais nova, mas sabia que, de alguma forma, ela tinha descoberto onde encontra-lo, pois já tinha lhe encontrado próxima ao local algumas vezes. Formulando rapidamente uma mentira para iniciar o assunto com ele, Agatha enfiou-se em uma parede falsa á sua direita e o viu.

Snape estava a pouco mais de dois metros de distância dela, caminhando calmamente, enquanto sua varinha iluminava-lhe o caminho. Ajeitando-se o máximo que pode, a garota deu alguns passos decididos na direção dele e disse, em alto e bom som:

- Boa noite, Prof. Snape.

O professor de Poções se virou rapidamente, e os seus olhos expressaram clara curiosidade ao ver a aluna parada á sua frente, com o ombro apoiado na parede.

- Srta. Ryme? O que faz aqui? Não deveria estar jantando no Grande Salão junto dos outros sonserinos?-Snape perguntou, com a varinha acesa apontada para o rosto da morena.
- Acredito que sim, professor.-Agatha escondeu, com uma falsa expressão de culpa, enquanto andava na direção dele.-Só que eu precisava falar com o senhor, com urgência.
- Então você sabe mesmo onde me encontrar...-Severo resmungou, levantando a varinha com floreios. – Lumus totalis. – os archotes presos ás paredes acenderam-se, iluminando o corredor de pedras.-Seja breve, Ryme, não deveria estar aqui em baixo.

A sonserina deu um sorriu de forma singela para o mestre á sua frente. Antes de começar a falar, abraçou o corpo com os próprios braços, criando a ele a falsa impressão de que estava com frio. Mesmo utilizando uma fina malha, calças e botas, Agatha não sentia o mínimo arrepio: vantagem de viver enfiada nas masmorras.

- Está com frio?-Snape perguntou, ao ver aquele movimento.
- Só um pouco, nada de mais, professor.-ela apressou-se em dizer, mesmo que “tremendo” um pouco.

Apesar da fria fachada, Severo Snape era deveras atencioso com os alunos de sua casa e gostava de dar aulas. Para completar, tinha um carinho particular pela garota á sua frente. Agatha tinha tudo o que Snape queria em seus alunos: era inteligente (não devia em nada as notas de Hermione Granger, de quem McGonogall tinha tanto orgulho), discreta e esperta como um verdadeiro sonserino devia ser. Além de tudo, era brilhante em Poções e sabia ver a tal “beleza de um caldeirão cozinhando em fogo lento, com a fumaça a tremeluzir” que Snape prezava tanto. Toda essa boa impressão causada custara anos de dedicação e singela puxação-de-saco de Agatha e agora ela iria colher seus resultados. A isca estava lançada: a melhor aluna do Mestre de Poções estava com frio e poderia pegar um resfriado por estar tão mal agasalhada. O que ela tivesse pra falar a ele deveria ser extremamente importante, afinal, e ele a escutaria com atenção.

“Caiu feito um patinho.” Uma voz maldosa sussurrou na cabeça da garota, e ela disse:

- Vim lhe pedir um grande favor, professor.
- O que, Ryme?
- Bom, não é algo fácil, o senhor compreende? Antes de mais nada, queria lhe pedir que não ficasse irritado, é que estou realmente preocupada. Se não fosse grave, eu não teria vindo proc...-ela foi dizendo, em rodeios, olhando diretamente nos olhos dele com os seus com uma expressão preocupada.
- Agatha, diga de uma vez antes que eu perca minha paciência.-Snape rosnou, ignorando a aproximação perigosa da aluna sobre si.
- É que..-pronto, ela estava apenas um passo de distância do professor e continuava olhando diretamente para os olhos dele. Que nem uma alma viva ou morta aparecesse ali naquele momento, senão ela seria acusada de assédio sexual sem direito de defesa.-Eu me encontrei com Draco Malfoy e..
- Por Merlin, Ryme, não me diga que veio gastar meu tempo pedindo para que eu cuide de Granger?-ele perguntou, agora visivelmente nervoso.
- Mas, professor!-a sonserina deu mais um passo, colando o corpo á Snape.

Ele automaticamente deu alguns passos para trás, mas a garota foi mais rápida e logo o tão imponente Mestre de Poções estava encurralado, com as costas na parede, e ela na frente dele, com uma convincente expressão de inocência, como se não se desse conta do que estava fazendo.

- Por favor, o senhor tem que ajudar! Malfoy está desesperado, Granger teve um ataque e desmaiou a mais de meia hora e não acorda de jeito nenhum!-Agatha pediu, as mãos apertadas contra o peito, numa distância mínima de Severo.
- Eu nada tenho a ver com isso, srta. Ryme.-Snape disse, numa voz não tão firme como antes, denunciando um leve desespero pela sua proximidade diante da garota.-Agora, retorne ao Grande Salão junto dos outros. Eu não direi duas vezes, Ryme!

“Droga, vou ter que apelar!”

- Prof. Snape, por favor!- e nesse momento ela soltou as mãos e as apoiou no peitoral do professor, ficando nas pontas dos pés para deixar o rosto á altura do de Snape.- E se Hermione tiver algo grave?
- Srta. Ryme, saia..
- Escute, professor! O senhor é um incrível Mestre de Poções e eu o admiro muito! Hermione não pode estar em mãos melhores que as suas.-neste momento, ela agarrou as próprias mãos de Snape, bem maiores que as dela e as levou em direção ao peito.- Por favor, ajude-a!
- Ryme, volte ao Gran...
- Por favor!

O último pedido foi feito com o máximo da voz inocente e lacrimejante que Agatha pode fazer. Ela via que Snape estava visivelmente nervoso com aquela total proximidade do corpo dela com o dele e sabia que ele lia em seus olhos que não desistiria enquanto ele não cedesse e atendesse seu pedido.

- Está bem, Ryme, mas terá que entregar três rolos de pergaminho sobre Poções de cura de infecções mágicas no primeiro dia de aula.-ele ameaçou, com um alívio enorme com o distanciamento dela.
- Negócio fechado, professor. Vamos!

Dando uma última olhada para trás para conferir o estrago feito, Agatha se pôs a andar, satisfeita. A ajuda para Hermione estava chegando.

*

- Espero não ter demorado, Severo.
- Demorou o tempo que sempre leva pra resolver algo importante: nenhum, Alvo.-Snape respondeu, os olhos fixos em um pequeno e fino frasco, contendo um viscoso líquido vermelho-escuro.
- Como ela está?- Dumbledore perguntou, com os olhos azuis-elétrico voltados para a garota deitada na cama á sua frente, profundamente adormecida.

A Ala Hospitalar de Hogwarts estava silenciosa, com apenas aquele leito ocupado. Passava da uma da manhã e os alunos estavam reclusos em suas casas, dormindo em camas quentes e macias, sem sonhar com o que podia estar acontecendo ali.

- Bem, Malfoy me disse que ela estava sem se alimentar e por isso deve ter desmaiado, por fraqueza.
- E você acreditou?-um sorriso divertido apareceu no rosto do diretor, enquanto ele pousava calmamente um de seus dedos finos sobre um dos curativos na testa da menina.
- Malfoy estava nervoso, Alvo. Ele pode saber mentir, mas estava preocupado demais para fingir bem o suficiente para me enganar.
- Talvez se fosse Agatha a mentirosa, você tivesse caído. Aquela menina tem uma cabeça ótima para inventar coisas e desculpas com a maior inocência do mundo, chega a ser impressionante.-Dumbledore insinuou, olhando sapecamente para o professor de Poções.
- Você está se divertindo com isso, não está?-Snape respondeu, virando o corpo para Dumbledore e cruzando os braços, irritado.
- Não, não estou, Severo. Estou muito preocupado. Vejo que tirou uma amostra de sangue da srta. Granger.
- Você sabe tão bem quanto eu que a resposta pra tudo isso pode estar no sangue dela. Ainda mais depois de tudo o que você contou a mim e os outros diretores de casas. Se as suspeitas estiverem corretas, Alvo...
- Estamos com um grande problema nas mãos, eu sei. Eu disse a Draco para não cometer os mesmos erros que o avô dele mas parece que ele não entendeu o que eu quis dizer. Você perguntou pelo remédio?

“Ele não entenderia mesmo, Alvo, do jeito que os seus conselhos são confusos.”

- Perguntei e Pomfrey realmente receitou uma poção fortificante para Granger antes das férias.-o professor deu um curto suspiro, e pegou outro pequeno frasco em cima do criado-mudo ao lado da maca, com um conteúdo verde gosmento, estendendo-o em seguida para o senhor ao seu lado.-O vidro se enchia magicamente, segundo ele, e Granger tinha que toma-lo a cada duas horas ou então sempre que se sentisse mal.

Dumbledore levantou o frasco na altura dos olhos e o observou por alguns segundos, antes de devolver á Snape.

- Conto com você, Severo, para descobrir o que tem aqui dentro. A saúde de Hermione pode depender disso, além de nos dar uma pista sobre o que aconteceu com Papoula, nossa adorada enfermeira.
- E o que faço se ela acordar? Dei-lhe uma poção de sono fraca quando entramos, mas daqui a pouco vai perder o efeito.
- Libere-a. O Baile de Natal é daqui pouco menos de dois dias, e ela deve, como todas as garotas da idade dela, preparar-se para ele com maestria.-Dumbledore disse, sorrindo bondosamente para a garota adormecida.
- Não seria melhor mantê-la aqui? Você disse que da última vez a coisa estourou durante o Baile de Natal. Se a mantivéssemos escondida, com proteção, junto de Malfoy e Potter, poderíamos evitar muitos problemas, Alvo.
- Eu sei que essa é a manobra que deveria ser feita, Severo, mas acredite-me: existem coisas que Hermione precisa descobrir sozinha. E, para isso, ela tem que passar por tudo que Christine passou.
- Alvo?-chamou da porta da Ala Minerva McGonogall, em seu roupão de dormir.
- Sim, Minerva?
- Olhei nos quartos. Harry Potter, Ronald e Ginevra Weasley não estão em lugar nenhum da Grifinória.-ela informou, preocupada.
- Acredito então que Draco e Agatha também não estejam na Sonserina.-apesar do tom preocupado, ele sorriu olhando novamente para a adormecida Hermione.-Passe a noite aqui, Severo, eu e Minerva vamos conferir onde os cinco se esconderam. Esses jovens...
- Está bem. Boa noite, diretor. Professora.

McGonogall respondeu com um levo aceno de cabeça e ficou segurando a porta do cômodo até Dumbledore passar por ela, fechando-a em seguida. Assim que os dois sumiram de vista, Snape trancou-se no escritório de Madame Pomfrey, sem mal reparar que Hermione tinha os olhos bem abertos e uma expressão confusa no rosto.

*

Draco bocejou, abrindo os olhos. Sentia-se exausto. O relógio marcava dez minutos para as nove da manhã, denunciando que ele não dormira praticamente nada. Agatha e os três amigos grifinórios de Mione tinham passado mais da metade da noite dentro da antiga sala de monitores nas masmorras com ele ouvindo cada detalhe ocorrido junto com Hermione naquele mês de dezembro. Tinha sido um relato cheio de reclamações, interrupções, perguntas e umas duas ameaças de morte feitas por Harry e Rony a ele. Tinham terminado por volta das quatro e meia da manhã e Potter, que pegara sua capa da invisibilidade (estava explicado como Hermione, ele e Weasley conseguiram desobedecer tantas regras escolares em todos aqueles anos) na Grifinória depois que Snape os expulsara da Ala Hospitalar, levou os dois ruivos em segurança para de volta á sua sala comunal. Tinham combinado de tomar café juntos no dia seguinte, para discutir com cuidado cada uma das coisas que Draco contara. Gina Weasley tinha prometido que acordaria o mais cedo que pudesse para descobrir o que havia acontecido com Madame Pomfrey. Agatha também tinha se comprometido com a mesma coisa, investigaria o que pudesse com Pansy Parkinson, afinal aquela história de que a enfermeira estava doente estava muito mal contada segundo as duas.

Depois que ele e Agatha estavam de volta á Sonserina, ás cinco da manhã, a morena ainda teve paciência para ouvir o seu desabafo preocupado. Ele aproveitou para lhe contar com detalhes tudo o que havia acontecido em sua casa e o aprofundamento de seu relacionamento com Hermione, já que ele tinha omitido algumas coisas, como a briga que ocorrera depois da ida á Mansão Malfoy e a canção que escrevera para a garota dos outros três. No fim, a garota subira com ele até o dormitório masculino e ficara com ele até que este adormecesse, como costumava ficar desde o terceiro ano quando o loiro estava triste. Nas próprias palavras de Agatha, Draco era um “menino crescido que não sabia afogar as mágoas sozinho”. Só depois de encarar o teto de pedra do quarto por alguns minutos, pensando que horas eram e como Hermione devia estar que o loiro percebeu que a morena tinha dormido ali. Claro, aquele peso em cima de seu braço não podia ser outra pessoa. O sonserino observou a morena adormecida, alguns fios negros caindo sobre seu rosto, que estava apoiado em seu braço esquerdo. Com cuidado, ele virou-se de lado, ficando de frente para ela e retirou o braço debaixo dela. Como observado anteriormente, a sonserina realmente lembrava Hermione nos traços.

- Cabelos, olhos e tom de pele diferentes, mas rostos igualmente finos, narizes arrebitados e bocas parecidas, só diferentes na cor.-ele sussurrou, olhando para ele.

A resposta de Agatha foi virar-se para o outro lado, quase caindo da cama. Draco a puxou mais para o meio da cama, com um sorriso misto de agradecimento pela presença da garota e de carinho por todo o apoio que ela representava, e levantou-se devagar. Assim que pôs os dois pés no chão, a sonserina voltou à posição original, tomando conta da cama de solteiro inteira. Sem fazer barulho, ele saiu de dentro do acortinado verde que circundava a cama e pegou uma muda de roupas limpas de dentro do baú ao pé da mesma. Crabbe, Goyle e Zambine ainda dormiam, e sem acordá-los, ele entrou dentro do banheiro para tomar banho. Quando voltou, já limpo, vestido e penteado, apesar do rosto demonstrar cansaço, percebeu que Agatha já tinha desaparecido.

*

O Grande Salão estava cheio de alunos, todos com caras de quem tinha dormido muito bem, obrigado, até tarde. Era dia 23 de dezembro e logo após o término do horário do café, ás dez da manhã, as carruagens chegariam e levariam todos os alunos á Hogsmeade, para compras para o Baile de Natal e de presentes. Como o baile era à fantasia, muitos ainda não tinham o que vestir e iriam à única loja de vestimentas do povoado, Trapobelo Moda Mágica, para comprar suas fantasias. Como naquele ano o baile era aberto para alunos de primeiro á sétimo ano, era natural todo o alvoroço no salão, mesmo que uma guerra estivesse acontecendo dos lados de fora dos muros do castelo.

- Maldito baile!-Gina praguejou, pousando a torrada que comia para apertar as têmporas.-Não dormi nada, estou morrendo de dor de cabeça e essas pessoas só sabem falar e falar dessa maldita festa. Será que ninguém aqui se tocou que Voldemort está matando gente lá fora?
- Gina, não fale o nome dele!-Rony repreendeu-a. Por mais esfomeado que o ruivo fosse, ele não tinha tocado na comida naquela manhã.

Harry olhou pros dois e bocejou, comendo a última colherada do mingau reforçado de Hogwarts. Depois que os três tinham se despedido de Malfoy e Ryme e ido para a Grifinória ainda ficaram cerca de uma hora conversando sobre tudo o que acontecera com Hermione nas últimas semanas. A verdade era que ele e Rony já estavam se sentindo horríveis por não estarem com a amiga quando ela precisara deles e agora com o fantasma de Tom Riddle ameaçando-os novamente, estavam totalmente passados. Gina tinha grandes olheiras debaixo dos olhos, mas estes também estavam vermelhos. Qualquer um que olhasse para ela veria que ela tinha passado o pouco que restara da noite chorando contra o travesseiro: a volta de Riddle a assustava tanto quanto Harry. O moreno olhou para ela e lembrou-se da expressão de terror que tomara o rosto dela quando Malfoy dissera como absorvera os pensamentos de Hermione e descobrira que quem os estava perseguindo era versão jovem de Voldemort. Versão jovem, já não bastava o velho matando gente bruxa e não-bruxa, tinham que ter arranjado uma nova (pelo menos, era isso que parecia) biruta para perseguir Hermione e Malfoy. Merlin só podia estar de brincadeira.

- Malfoy chegou.-Ron disse, de repente, despertando Harry de seus pensamentos. Discretamente, o ruivo levantou a mão, sinalizando ao sonserino, na porta, para se aproximar deles.

Draco atendeu na hora, encaminhando-se até eles. Como era muito mais branco que os três, eles puderam ver de longe que ele parecia mais cansado e morto que todos eles juntos.

- Bom dia, Malfoy.-Harry e Gina cumprimentaram.
- Dia.-disse Ron, bebendo um pouco de café.
- Pra vocês também.-Draco respondeu, sentando ao lado da ruiva, que lhe indicava a cadeira ao seu lado.

Ele olhou incerto para a quantidade de comida á sua frente e se decidiu por uma simples xícara de café sem leite. Os quatro permaneceram em silêncio por algum tempo, até que o loiro soltou:

- Isso é muito estranho. Tomar café...Com vocês.
- Pode acreditar, também é pra gente.-Harry respondeu, numa voz meio embargada, bocejando mais uma vez. Draco olhou pra ele e viu seu olhar preocupado refletido nos olhos verdes do menino-que-sobreviveu.
- Nós passamos na Ala Hospitalar no caminho para cá, mas a porta estava trancada.-Gina informou, vendo os dois inimigos se encararem.
- É, eu fui lá também e dei com a mesma situação. Será que Snape se trancou lá dentro com Mione?
- Espero que não, ela vai ter um belo susto quando acordar se ele estiver olhando pra ela na hora.-Ron comentou, sem o usual tom de piada, mas que tirou alguns risos dos outros três.
- Bom dia! Espero que já tenham terminado de comer!-os quatro voltaram suas atenções para Agatha, que acabara de chegar. Ela estava ofegante e ligeiramente vermelha, com três livros pesados nos braços.
- Ah, bom dia...-Rony cumprimentou.-Por que esses livros?
- Tive um palpite sobre o que pode estar provocando as visões que Draco e Hermione tiveram e aquela transferência de pensamentos que aconteceu ontem entre vocês dois e dei um pulinho na biblioteca para pegar uns livros sobre o que acho que possa ser.-ela explicou muito rápido, olhando para os quatro de uma vez só. Seu cabelo negro estava preso num coque frouxo, deixando um monte de fios soltos e ela estava completamente desagalhada, como se a idéia que ela tivera tivesse sido tão importante que ela não tivera tempo de terminar de se vestir.-Mas por que vocês estão me olhando com essa cara? Hermione acordou!
- COMO?-os quatro perguntaram juntos, levantando-se da mesa da Grifinória.
- Exatamente! Acabei de encontrar com Snape na escada principal, ele tinha acabado de liberar Hermione e disse que ela tinha ido á Grifinória.
- Você está falando sério, Ryme?-Gina perguntou, um sorriso aberto na face.
- Claro que estou! Vamos, talvez ainda a alcancemos!

Sem que precisasse dizer mais nada, os cinco saíram correndo do Grande Salão em direção á Ala Hospitalar, chamando a atenção de Hogwarts inteira.

*

Snape entrou pela terceira vez naquela noite dentro do escritório de Madame Pomfrey, localizado no fundo da Ala Hospitalar, levando mais um pequeno frasco de Poção do Sono vazio. Já eram quase nove horas da manhã e ele passara a noite naquela concentração de ministrar pequenas doses da poção á Hermione, para mantê-la adormecida, enquanto analisava amostras de sangue e do remédio na garota e conferia o funcionamento dos órgãos vitais dela com feitiços, especialmente os do sistema digestivo, que tinham sangrado um pouco depois que ela fora deixada sob seus cuidados. Ele lhe dera a última porção de Poção do Sono a cerca de uma hora e acreditava que dentro pouco menos de dez minutos ela despertaria. Já tinha colhido todas as informações de que precisava do organismo dela de que necessitava para realizar suas pesquisas com detalhes e não precisava mais deixa-la adormecida. Em breve, poderia lhe dar alta e libera-la, como pedido por Dumbledore. O chamado de “tem alguém ai?” da garota o despertou de anotações que fazia, e ele saiu do laboratório para vê-la sentada ereta na cama, olhando confusa em volta.

- Acordou na hora certa, Granger.-o professor falou, dirigindo-se a ela.
- Professor Snape!-Hermione respondeu, esfregando os olhos com as mãos. Sentia-se totalmente desperta e lembrava-se bem da conversa que ouvira entre o Mestre de Poções e o Diretor, Dumbledore, no meio da noite, mas achou melhor fazer-se de desentendida para não levantar suspeitas.-Ah..Bom dia. O que..O que estou fazendo aqui?
- A senhorita está aqui pois desmaiou no trem ontem à noite, quando já estava chegando a Hogwarts.-ele explicou rapidamente, empurrando-a para deitar-se novamente e retirando a varinha, para mais uma bateria de exames através de feitiços.-Passou a noite aqui em observação mas não tem nada de grave segundo meus exames.
- Mas..Por que o senhor está cuidando de mim ao invés de Madame Pomfrey? Onde está ela? E onde está Draco? Por que não está aqui comigo?-ela perguntou, observando a luz arroxeada que a varinha de Snape emitia sobre a barriga dela e seu baixo ventre.
- Madame Pomfrey está impossibilitada de atender alunos doentes pois ela mesma está doente. Malfoy não está aqui porque não gosto de ninguém me enchendo de perguntas sobre seus respectivos namorados e namoradas. Agora, cale a boca, Granger, eu preciso de silêncio.
- Mas...-Mione ainda tentou, pronta para perguntas que não sabia quais era. Calou-se automaticamente quando viu o olhar gélido que o professor lhe deitou.

Ele ficou alguns minutos murmurando palavras em latim, enquanto passava varinha sobre o corpo dela como se fosse um pequeno aparelho de raio x. Algumas vezes a luz do feitiço mudava de cor, mas na maioria das vezes, mantinha-se arroxeada. Retirou-lhe uma amostra de sangue do braço, que estava ligeiramente vermelho, com marcas de outras picadas e, por fim, pois uma das mãos gélidas sobre a testa da grifinória (que só percebeu naquele momento que já não tinha mais curativos, Snape devia tê-los fechado com magia) e nos dois lados de seu pescoço, verificando algum indício de febre.

- Levante-se.-ele ordenou, afastando dela o suficiente para que ela pudesse se sentar. Conjurou uma bandeja com mingau e uma maça pequena e pousou sobre seu colo – Tome seu desjejum, e pode ir, Granger. Está liberada.
- Assim tão rápido?-a garota perguntou, mordendo a maçã. A visão da comida mostrou-lhe o quanto estava faminta.
- É, Granger, rápido.-Severo respondeu, com irritação na voz.-Você me fez perder uma noite de sono. Faça-me o favor de se alimentar direito e se agasalhar para não passar mal novamente e incomodar minha paz.
- Hum, sim, senhor.

Snape virou-se, com o vidrinho com o sangue dela nas mãos e voltou ao laboratório resmungando coisas como “enfermeiro”, “grifinória” e “matar Dumbledore”. Na ausência dele, Hermione comeu com pressa, sentindo o estômago se aquecer rapidamente com o mingau reforçado de Hogwarts. Sentia-se perfeitamente bem, apesar de um pouco sonolenta por causa da Poção de Sono que sabia que Snape lhe dera, e lembrava-se muito bem de tudo o que acontecera. Antes de desmaiar ela tinha relacionado todos os fatos, todas as evidências reunidas por ela e Draco e descobrira, por lógica, que quem os estava perseguindo só podia ser Tom Riddle. Claro que era uma coisa meio doida, mas Mione não tinha dúvida daquilo, era Riddle seu louco com toda a certeza. Lembrava-se ainda de ter pedido á Draco que chamasse Harry e Rony, ou qualquer outra pessoa que pudesse ajudá-los: ela simplesmente precisava contar para alguém que, de alguma forma, Tom Riddle estava de volta ao castelo e acreditava que os dois eram, na verdade, Anthony Malfoy e Christine Sutcliffe.

Depois, tinha apenas um borrão do rosto de Draco, com os olhos estranhamente brancos e sem vida, como muitos zumbis de filmes americanos, seguido pelas vozes de Snape, Dumbledore e McGonogall. E era aquilo que estava lhe intrigando mais do que qualquer coisa, que raios de conversa tinha sido aquela? Levantou-se da maca, e foi para trás do biombo hospitalar, trocar a camisola da enfermaria por suas próprias roupas.

- Dumbledore sabe de alguma coisa! E contou aos diretores, ou seja, McGonogall, Fltiwick e Sprout sabem tanto quanto Snape sabe. O problema é que não dá pra arrancar dele o que quer que seja, mas, pelo menos, vou tentar descobrir o que aconteceu de verdade com Madame Pomfrey.-ele foi sussurrando, enquanto começava a pôr suas botas, o resto da roupa já vestido.-Essa história dela ter ficado doente não me convenceu nem um pouco, ainda mais depois do que Dumbledore disse ontem.
- Granger, será possível que a senhorita não sabe pôr essas botas com mais rapidez? Eu não estou disposto há perder mais tempo com a senhorita.-Snape disse, com uma voz arrastada, observando-a por uma abertura do biombo.
- Ah, desculpe. Estou pronta.-Hermione respondeu, levantando-se da cadeira que estava sentada. Tinha certeza de que sua cara devia estar fofa do tanto que tinha dormido, mas ele tinha certeza que Snape podia ver a desconfiança que ela estava sentido no momento.
- Então, ande logo.

Sem ter outra opção, ela o seguiu para fora do lugar e o observou trancar a porta com um feitiço mudo.

- O que está esperando que ainda não foi á sua casa tomar um banho, Granger?-Snape perguntou, percebendo claramente que a garota queria lhe perguntar algo que ele com certeza não iria responder.
- Eu já estou indo, professor. Eu só gostaria de lhe fazer uma pergunta.-ela disse, rapidamente, pondo uma mecha de cabelo para trás como para lhe dar um ar de inocência.-O senhor vai substituir Madame Pomfrey agora que ela está adoentada?
- Sim, vou. Por quê?
- Não, é só que...Bom, o que houve com ela? O que ela tem?
- Granger, você por acaso é uma curandeira?-Snape perguntou, cruzando os braços, impaciente.
- Ah, não, professor, mas...
- Então, não deve ficar querendo saber diagnósticos de pessoas doentes. Até porque você não iria entender. Agora, suma da minha frente.-a resposta fora tão ríspida que a grifinória mal teve tempo de formular uma resposta e Snape já tinha desaparecido pelo corredor que o levaria até a escada principal de Hogwarts.
- Droga, morcego irritante.-ela sibilou, virando-se na direção contrária, ou seja, na direção da Grifinória.

Por mais que estivesse ansiosa para ver Draco, pra saber o que estava acontecendo que ele não ficara com ela na enfermaria e para contar o que ouvira da conversa de Dumbledore e Snape, Hermione achou que o melhor a fazer naquele momento era seguir as ordens do Mestre de Poções: ir para sua casa tomar um bom banho.

- Droga, nem tive tempo para perguntar por que Snape me tirou tanto sangue.-a garota resmungou, puxando a manga comprida do braço direito para observar os pontos avermelhados em seu antebraço.-Ele disse que a resposta para alguma coisa podia estar no meu sangue e também algo sobre comprovar se as suspeitas de Dumbledore estavam corretas. Mas..Que suspeitas?
- HERMIONE!- algumas pessoas gritaram atrás dela, interrompendo seu raciocínio.

“Só porque estou quase na torre.” Ela pensou, suspirando, enquanto se virava.

Mal terminara quando duas mãos fortes a pegaram, levantando-a do chão e abraçando-a ao mesmo tempo. O cheiro bom de menta que invadiu suas narinas e a boca quente que tomou a sua foram o suficiente para que ela reconhecesse Draco, mesmo que estivesse de olhos fechados.

- Ah, Hermione, Hermione! Como você está, hein? Está bem? Como você está se sentindo?- o sonserino perguntou, enquanto a soltava no chão, levando as mãos frias ao rosto dela, como se estivesse conferindo se estava tudo no lugar.-Tá doendo alguma coisa? Diga alguma coisa, Merlin!
- Malfoy, ela não vai dizer nada enquanto você não deixa-la falar!

Mione virou o rosto para o lado, já que Draco ainda estava segurando-a com firmeza pelos braços, encarando o rosto alegre e levemente vermelho de Gina. O choque de vê-la só aumentou quando a grifinória constatou que Harry e Rony estavam lá também, junto da sonserina Agatha Ryme, que ela conhecera na biblioteca uma semana antes.

- Gina? Harry?-ela perguntou, confusa.-Draco, o que...?-ela voltou-se para o sonserino a sua frente, que nem ao menos desgrudara os olhos claros dela.
- Antes de desmaiar você me pediu para buscar ajuda, não foi? Potter, Weasley e quem mais eu pudesse achar, certo? Bem, está ai a ajuda.-ele explicou, soltando um dos braços dela para que ela pudesse virar de frente para os quatro na frente deles.-Eu contei tudo a eles e eles aceitaram nos ajudar, todos eles.
- Mas..-a verdade é que Mione simplesmente não podia acreditar no que via. O loiro realmente pedira ajuda a eles? A seus amigos? Gina, Harry e...Ron?

A menina encarou o amigo ruivo, que estava entre Harry e Agatha, ligeiramente vermelho também. Pelo jeito, os cinco tinham subido até ali correndo para alcançá-la.

- Mas...-ela balbuciou, sem entender.-Como vocês...
- Encontrei com Snape a menos de cinco minutos, quando estava voltando da biblioteca, Hermione.-Agatha respondeu, sabendo que o que a garota queria saber era como eles tinham ido parar ali.-Eu fui lá pra pegar esses livros aqui, pra pesquisar o que pode ter acontecido com você ontem.
- É toda a coisa do desmaio e tudo mais, Mi.-Harry completou, ajudando Agatha, enquanto olhava para a amiga, que parecia em estado de choque, sem tirar os olhos do ruivo.
- Malfoy nos contou tudo ontem, Mione.-Gina tomou a palavra, olhando do irmão á amiga.-Quando você desmaiou, ele saiu pelo trem atrás de Harry e Ron e quando os achou, pediu ajuda pra trazer você até o castelo de forma segura. Eu e Agatha acompanhamos os três e, depois que deixamos você na enfermaria aos cuidados de Snape, ele nos levou á antiga sala de monitoria nas masmorras e nos contou tudo.
- Tudo?-a grifinória repetiu, os olhos pregados em Ron. Ele, que até então, mantivera-se em silêncio, apenas olhando de volta para ela, concordou com a cabeça.-E você entendeu tudo? Quer nos ajudar?-ela perguntou a ele, num fio de voz, sentindo os olhos castanhos encherem de água. Rony concordou com a cabeça de novo, uma das mãos coçando a nuca; e tentou esboçar um pequeno sorriso para ela, que se transformou numa careta.-Ah, RONY!

Hermione correu a pequena distância entre o ruivo e o abraçou com toda a força que tinha, como queria fazer a tanto tempo. Que se danassem as brigas dos dois, os gritos, as feridas..Como era bom abraça-lo daquela forma!

- Ah, Ron!
- Ela não podia ter abraçado o Potter primeiro?-Draco questionou, fazendo Agatha e Gina rirem.
- É bom ter você de volta também.-Rony sussurrou no ouvido da garota, com um sorriso gostoso no rosto.-Desculpe-me por ter sido tão cabeça-dura e ciumento.
- Ah, não me peça desculpas. Eu que fui cabeça-dura! Desculpe-me por não ter contado do Draco antes, é que tudo aconteceu tão rápido e...-ela tentou explicar ao ruivo, também sussurrando para que ninguém mais ouvisse. Fora do abraço os dois podiam ouvir Agatha e Gina rindo da expressão irritada que o sonserino devia estar fazendo no momento.
- Eu sei, não precisa explicar nada. O Malfoy já disse tudo o que tinha que ser dito.-Rony a cortou, afagando os cabelos da menina chorosa em seu ombro.-Eu vi que ele gosta de você de verdade e não vou interferir mais.

Ela afastou-se o suficiente para olhar nos olhos azuis bondosos de Ronald e ver que ele estava sendo totalmente sincero com ela, como sempre fora.

- Obrigada.-ela murmurou, sorrindo.
- Rony, você quer solta-la? Você não é o único melhor amigo aqui.-Harry reclamou, próximo dos dois, com um tom divertido na voz séria que tinha adotado desde a morte de Sirius.

A garota estendeu um dos braços e abraçou o moreno também, sem largar Rony.

- Ah, eu senti tanto a falta de vocês dois!-ela gritou, já sem chorar, afinal de contas, era o cheirinho de suor, madeira de vassoura e sabonete dos seus dois melhores amigos que ela estava sentindo depois de tanto tempo.
- Também sentimos!-eles responderam juntos, soltando-a.-Afinal, que graça tem falar de Voldemort sem você por perto?
- Harry, não fale o nome dele!-Ron choramingou e Hermione riu.

Os próximos abraços foram para Gina e Agatha, que, diga-se de passagem, fora totalmente pega de surpresa. Mas, já que as duas tinham gostado uma da outra desde a primeira conversa (desconsideremos aqui a intimidade da sonserina com o namorado da grifinória que a deixou bem irritada no dia em que se conheceram), um abraço não parecia má idéia. E Hermione não sabia como agradecer o fato de todos estarem ali sem abraçá-los bem apertado.

- Agora, esperem ai!-ela pediu, depois de soltar Agatha e ser agarrada novamente por um Draco ciumento. O grupo inusitado, agora formado por seis pessoas, estava em círculo em um canto mais reservado do corredor, atrás de uma estátua.-Quer dizer que você realmente contou tudo pra eles?
- Tudinho.-Draco respondeu, sorrindo.
- E vocês foram malucos o suficiente para aceitar?
- Hermione, você está correndo risco de vida!-Harry brigou.
- E correr risco de vida faz totalmente o estilo da Grifinória.-Agatha completou, e Gina mostrou-lhe a língua.
- Então vocês sabem tudo sobre a Chris...
- Christine Sutcliffe e Anthony Malfoy? Sabemos.-Rony completou.
- E também sobre Riddle.-e a ruiva estremeceu levemente ao dizer o nome.-E como ele está perseguindo você e Malfoy achando que são a Sutcliffe e o outro Malfoy.
- Hoje de manhã, eu fiz uma lista sobre tudo o que Draco nos contou e sabemos para resolver esse mistério, enquanto estava na biblioteca.-a sonserina disse, puxando um pedaço de pergaminho de um dos livros, que Rony estava ajudando a segurar, e deu a Harry para que ele fosse passando pela roda.-E acho que sei por que vocês dois têm tido visões e como você conseguiu passar seus pensamentos para Draco ontem no trem, antes desmaiar.
- Sério?-os outro cinco perguntaram juntos.
- Uhum.
- Bom, eu também tenho um palpite sobre o recado de Anthony sobre levar a espada na grande noite. Acho que sei qual é a grande noite.-Gina disse, no mesmo tom de Agatha.
- Ótimo! Só que, será que vocês podem esperar eu tomar um banho e trocar de roupa?-Mione disse, com um sorriso no rosto ao ver a empolgação de todos, mesmo que reservassem no rosto uma expressão séria pela gravidade do problema.-Tenho algo a contar sobe uma conversa que ouvi na Ala Hospitalar hoje à noite.
- É, só que tem um problema. Hoje é o dia de ir a Hogsmeade, para se comprar as últimas coisas pro Natal.-a ruiva lembrou.
- É mesmo. Já são quase dez horas, horário que as carruagens vão chegar para nos levar até lá.-Harry completou, consultando o relógio de pulso.
- Então, o que a gente faz?-Ron perguntou.-Eu nem tomei café da manhã ainda.
- Nem eu. Você já comeu, Hermione?-Agatha perguntou.
- Já, Snape conjurou uma bandeja pra mim na Ala Hospitalar.
- Então, a gente faz o seguinte. Eu e Mione vamos subir, porque eu vou ajudá-la a se arrumar e ver se ele está tão bem quanto nos disse. Enquanto isso, Ron e Agatha descem e vão tomar café e Harry e Malfoy...-começou Ginny, puxando Hermione pelo braço para acompanhá-la.
- Eu espero no pé da Torre.-Draco disse, rápido, com uma cara de desgosto ao ver a namorada sendo levada para longe dele, e seguindo as duas garotas.
- E eu na sala comunal. Quando for dez horas, nos encontramos na porta principal pra ir até Hogsmeade.-Harry completou, acenando rapidamente enquanto ia atrás de Malfoy e das duas garotas.
- Mas..-Ron tentou, mas nem mesmo chamou atenção.
- Acho que deixaram a gente pra trás.-a sonserina ponderou, olhando para o ruivo.-Então..Tá com fome, Weasley?

O ruivo olhou pra ela, e com um meio sorriso envergonhado, consentiu, fazendo com que a morena o puxasse na direção do Grande Salão para se alimentarem.

*

- Enfim, sós!-Ginny brincou, empurrando a amiga pra dentro do dormitório do sexto ano, na Grifinória.
- Gina!-exclamou Hermione, quase caindo em cima da cama de Lilá, que ficava de frente pra porta.

O dormitório estava vazio, porque as duas colegas de quarto da garota, Lilá e Parvati, ou estavam tomando café ou namorando. A ruiva, um ano mais nova, pulou e cima da cama de Mione, ajoelhando-se enquanto observava a outra tirar a blusa.

- E ai, pode desembuchar, safadinha!-ela praticamente gritou, animada, abraçando o travesseiro da amiga.
- Mas, do que você está falando, Ginny?-a menina perguntou, tirando as botas e a calça.
- Oras, Malfoy contou a mim e aos outros tudo o que aconteceu com vocês dois nesse mês, Mione. E, poxa, eu nunca pensei ver aquele loiro branquelo e metido, apesar de bonitão, falar de uma maneira tão apaixonada! É porque você não viu mas...-nessa hora, Gina já estava em cima da cama falando toda empolgada-Nossa!
- Nossa o quê?-ela perguntou, rindo, pegando uma troca de roupa quente de dentro do baú ao pé de sua cama. Não deixou de notar que os pertences de Christine e Anthony não estavam ali.
- Ah, é que dá até arrepios de lembrar, sabe? Quer dizer, ele te ama de verdade. Muito mesmo!

Hermione sorriu para a outra e encaminhou-se para o banheiro, abrindo o chuveiro antes de terminar de se despir. Gina desceu da cama e foi atrás dela, escorando-se no batente da porta.

- Sabe, eu sempre achei que ele era uma lagartixa sem cérebro...-ela foi dizendo, vendo-a tirar a blusa e as roupas debaixo de frente para ela.
- Gina!-Mione reclamou, entrando debaixo do chuveiro quente.-Olha só como fala!
- Ah, mais me conta, vai! O que foi que você fez pra deixar ele tão bobo, hein? Vocês dois já...
- Você tá parecendo a Lilá e a Parvati fazendo esse tipo de pergunta pra mim.-ela riu, ensaboando-se.
- Só que diferente delas eu sou sua amiga. E ai, fizeram ou não fizeram?- a ruiva saiu da porta e foi espiar o cabelo no espelho, de forma que podia ver o reflexo de Hermione, olhando para ela também.
- Não, Ginny-y, não fizemos! Nem chegamos perto. Nós estamos cheios de problemas, não dá pra pensar numa coisa dessas, criatura!-Mione brigou, virando de costas pra ruiva pra pegar colocar o sabonete no lugar.
- Ah, duvido! Até parece que você, por mais santa que seja, não fez nada com aquele pedaç..Hey, você fez uma tattoo?-Gina virou-se com tudo, os olhos azuis bem arregalados.- Hermione, você fez uma TATTO???

“Ih, droga!” Hermione pensou, virando-se novamente de frente, para esconder a imagem nas costas. “Esqueci a fênix!”

- Eh, Ginny, eu posso explic..-ela tentou dizer.
- Pode ir explicando MESMO, srta. Granger! Que fênix é essa nas suas costas? Linda, por sinal. Quer dizer, eu sempre fui a menina macho da amizade e você conseguiu fazer uma tattoo antes de mim! Poxa, você sabe que eu morro de vontade de pôr uma aqui, na cintura, com o W de...
- Weasley com a estrelinha do lado igual á da loja dos gêmeos.-a grifinória completou, já tendo ouvido aquilo milhares de vezes desde que virara amiga da ruiva.-Mas seus irmãos nunca deixariam.
- Exatamente! Por que você não me avisou quando ia fazer? Sei lá, pra eu te dar minha opinião, um palpite ou pra fazer uma também! Puxa, Mi, que egoísmo da sua parte!
- Gina?-Hermione perguntou, desligando o chuveiro.
- O quê?
- Eu não fiz tatuagem nenhuma!
- Oras, então o que é esse desenho lindo ai, hein?-Ginny perguntou, voltando para o quarto.-Apareceu do nada por acaso?

Hermione a seguiu, enrolada na toalha.

- Exato. Mas, senta ai, vai! Eu vou te contar tudo direitinho.-ela disse, suspirando, pegando as roupas escolhidas da cama de Parvati.
- Já to sentada!-a amiga sorriu, ajoelhando na cama novamente, toda a ouvidos.

*

Agatha e Rony estavam sentados, juntos, um de frente pro outro, na mesa da Grifinória, tomando café da manhã. Com muitos sonserinos olhando desacreditados para a cena, a morena resolveu lembrar-se de novo o que estava fazendo ali, manchando sua imagem perfeita de sonserina. Ah, claro, tudo culpa de Draco e seus olhos desesperados por causa de Hermione. Droga, por que tinha que ser tão vulnerável a tudo que aquele maldito Malfoy lhe pedia? Agora, se via andando ao lado de um bando de grifinórios que nunca tivera a mínima vontade de conhecer, e pesquisando livros na biblioteca para ajudar a resolver aquele mistério do amigo e da grifinória. Não que ela não se importasse; adorava Draco e Hermione ainda era aquela que ela tinha vontade de ser amiga. Também era desconfortável estar entre Potter e Weasleys, mesmo que estivesse gostando deles. Gina era muito gentil e divertida, apesar de explosiva, e Harry era muito mais adulto do que sempre lhe parecera e os dois tinham recebido-a muito bem no grupo. Mas, a maneira como Hermione tinha abraçado todos eles mostrara que Agatha não podia fazer parte daquilo. Simplesmente não podia ter uma amizade daquelas, estava fora de sua realidade como sonserina. Se nem mesmo considerava Draco um amigo, quanto mais aquele bando de grifinórios que viviam sem saber que os outros estavam bem.

- Seu leite vai esfriar se você não toma-lo.-a voz levemente divertida de Ron a despertou, e a morena se deu conta que estava com a xícara a meio caminho da boa a minutos suficientes para que ele a considerasse biruta.
- Claro, só estava um pouco distraída.-Agatha apressou-se em dizer, tomando um gole em seguida, envergonhada. Droga, o ruivo tinha razão, o leite tinha esfriado mesmo.
- Tome dessa, já deve estar frio mesmo.

Ela levantou os olhos e viu o garoto oferecer-lhe uma nova xícara, o leite dentro dela fumegando de quente. A sonserina olhou dentro dos olhos do grifinório, espantada, procurando o porquê da gentileza, e encontrou um pouco de vergonha.

- Seus olhos têm a cor do céu.-Agatha disse, sem pensar, abaixando a vista em seguida, totalmente vermelha.
- Os seus também têm.-Rony respondeu, tão vermelho quanto ela, sem olhá-la.
- Como assim?-ela perguntou, sem entender, levantando os olhos rápido, encontrando com os do ruivo, que fizera o mesmo ao ouvir sua pergunta.
- Oras, você nunca percebeu?-ele perguntou, animado, para depois fazer uma careta de vergonha e voltar suas atenções totalmente á torrada com geléia na sua frente.-Quer dizer, eles têm a mesma tonalidade quando está escurecendo, sabe? Aquele azul escuro, que vai descendo devagar enquanto o sol está se pondo.

Agatha olhou pra ele, surpresa, as bochechas coradas, contrastando com o resto de sua pele branca. Era a primeira vez que se envergonhava na frente de um garoto. Quer dizer, não era esse tipo de coisa que ela um dia imaginaria ouvir de um Weasley.

- Ah..Puxa, isso foi..Foi muito bonito. Obrigada.
- Não, bobagem.-Rony correu em corrigi-la, levantando o rosto para ela, as orelhas tão vermelhas que se confundiam com seus cabelos.-Só disse o que me veio á cabeça.
- Eh..Ronald, não é?-a sonserina perguntou.-Seu nome é Ronald?
- Hum, é. Mas, pode chamar de Ron ou Rony, é como todos me chamam.
- Certo, Ron.-Agatha confirmou, uma idéia louca em sua cabeça. E se ela perguntasse aquilo para ele? Será que ele responderia certo?- Será que eu posso lhe fazer uma pergunta?
- Pergunta? Hum, claro! O que quer saber?
- Bem, não é algo que eu queira saber, é só...-Bom, por que não, não é? Se ele respondesse corretamente e rápido, significava que valia a pena.-Eu pergunto e você me diz qual acha ser a resposta. Bem, vamos lá: de inteligente nada tenho, apesar de assim considerarem. Antes de tudo, porém, sou fiel aos meus objetivos e nada que passa por mim fica sem destino. Acompanhante de bruxos, é o que sou. Quem sou eu?
- Isso é uma espécie de enigma?-Rony perguntou, enquanto engolia um último pedaço de torrada.
- Sim, você sabe a resposta?-Agatha perguntou, ligeiramente ansiosa.
- Claro, a resposta é “coruja”. Afinal, existe outra criatura que acompanha bruxos e entrega tudo o que mandamos, mesmo não sendo tão esperta assim?-Ron respondeu, como se aquilo fosse óbvio.-Sabe, nos temos em casa uma coruja bem burra, o Errol e...

Agatha sorriu enquanto ouvia o garoto á sua frente reclamar da coruja da família. Coruja! Draco demorara semanas para responder aquele, e era o mais fácil!

- Ei, vocês dois! Já terminaram?-quem perguntava era Harry.

O menino-que-sobreviveu estava de volta, junto de Draco, Gina e Hermione, com outra roupa e o cabelo em um coque firme e molhado.

- Já.-Ron respondeu, levantando-se.-Podemos ir.
- E onde eu deixo esses livros? Vocês não estão pensando em discutir toda a história no Três Vassouras, não é?-a sonserina perguntou, enquanto os seguia para fora do Salão, para se aglomerarem na fila de alunos para irem a Hogsmeade.
- Não mesmo. Riddle é praticamente onipresente, não podemos dar a ele a chance de ouvir qualquer coisa que falarmos.-Hermione falou, negando com a cabeça.-É melhor conversarmos quando voltarmos.
- Até porque a Mione tem mais coisas a contar do que apenas uma conversa ouvida na Ala Hospitalar.-Gina insinuou, referindo-se á tatuagem da amiga, que, por sua vez, lançou-lhe um olhar feio de “cala a boca”.
- Certo. Esperem-me aqui que eu já volto.-Agatha disse e rapidamente sumiu pelas escadas de pedra das masmorras.

O grupo a esperou menos que dez minutos. Logo ela estava de volta, usando um sobretudo preto e com os cabelos presos da maneira correta, em um coque idêntico ao de Hermione. Entraram na fila, esperando que Filch os liberasse e entraram na mesma carruagem, chamando a atenção dos outros alunos. O caminho até o vilarejo bruxo foi feito através de uma conversa tensa em que Draco e Hermione ficaram sabendo o que estava acontecendo no mundo por causa da guerra, afinal, fora do ar como estavam mal tiveram tempo de se informar sobre qualquer coisa.

As notícias não eram nada boas. Várias cidades bruxas também já tinham sucumbido e o Ministério, enfraquecido, tivera que estabelecer um toque de recolher a todos os bruxos, que não podiam ficar nas ruas após as oito da noite com o risco de serem assassinados. Esse horário tinha sido instituído porque era exatamente a hora em que os seguidores de Voldemort saiam para fazer a festa e conjurar Marcas Negras para todos os lados. O Profeta Diário tinha sido totalmente dominado pelos Comensais da Morte, e não noticiava nada com exatidão.

- Acreditamos que nem cinqüenta por cento dos desaparecidos estão aparecendo na lista divulgada por eles. Muitos são bruxos importantes, Mi, que devem ter sido seqüestrados pelos Comensais para dar informações á Você-Sabe-Quem.-Ron explicou.
- É, muitos outros estão sendo protegidos pela Ordem.-Gina continuou.-Luna não voltou a Hogwarts nem vai voltar para o resto do ano letivo. O pai dela escreveu coisas que não agradaram em nada os Comensais e estamos escondendo os dois deles. O Pasquim, que era a única fonte de notícia confiável que tínhamos nos últimos meses teve que ser fechado.
- Mas tudo isso é horrível!
- Tem coisas pior. Eu ouvi dizer, nesses poucos dias que pudemos ir para casa, que os Comensais estão se aproveitando do Natal trouxa para assassinar crianças. Estão colocando presentes enfeitiçados debaixo das árvores de Natal, endereçados á elas, como se fossem do Papai Noel. Quando elas abrem, a coisa explode, queima, enfim...-Agatha contou, fazendo com que Hermione e Draco arregalassem os olhos de horror.

Tanto ela quanto o sonserino tinham dito, antes de Harry, Ron e Gina começarem a dar as notícias que nada queriam com aquela guerra estúpida e estavam do lado deles. Draco até mesmo se oferecera para ajudá-los, dando informações que pudessem ser importantes, deixando claro que não queria mais nada que envolvesse comensais ou Voldemort. Dessa forma, os outros três, com a ajuda de Hermione, explicaram rapidamente o que era Ordem da Fênix antes de começarem a conversa propriamente dita.

- E o pior é que não dá pra saber em quem confiar, sabe? Todo mundo pode ser um Comensal infiltrado e famílias como a nossa, consideradas traidoras do sangue, não podem mais aparecer em lugar nenhum.-Gina confidenciou.-Carlinhos voltou da Romênia e nem Gui e papai estão indo trabalhar, com medo de topar com alguém estranho no Ministério.
- A que ponto chegamos, Merlin.-Mione lamentou, chocada com tudo que acabara de saber.
- Chegamos!-Agatha anunciou, sentindo o tranco de parada da carruagem.

Eles saltaram, de frente para a entrada a Hogsmeade. Prestando atenção, apesar de Hogwarts inteira ter sido liberada para ir ao vilarejo, a quantidade de jovens parecia ser bem menor do que qualquer uma das vezes.

- Muitos pais não deixaram os filhos voltarem, Mione. Lilá, por exemplo, não vai voltar mais.-sussurrou Harry ao ouvido dela, com aquela mágica que ele tinha de adivinhar o que ela estava pensando.

Ela olhou para o amigo e pode ver a preocupação nos olhos verdes do garoto, iguais ao do resto do grupo. De alguma forma, ela queria que ele soubesse que assim que aquela loucura de Sutcliffe e Riddle acabasse, ela estaria firme ao lado dele para enfrentar o que fosse. Draco deu um pequeno beijo na cabeça da garota, e ela agradeceu mentalmente por saber que o sonserino estaria com eles também. Antes que desse conta, tinham se separado. Meninos para um lado e meninas para outro, sob o pretexto de Gina que elas não podiam escolher fantasias na frente deles, já que, com guerra ou sem guerra, tinham um baile para se preparar.

- Acredito que nossas fantasias tenham que ser mais simples que a sua, Hermione.-Agatha disse, depois de se despedirem dos garotos, que iram comprar presentes.
- Como assim? Por quê?
- Oras, você acha que nós vamos desgrudar o olho de você?-Gina questionou, descendo a rua até a Trapobelo.-Sua fantasia tem que chamar atenção para localizarmos você mais facilmente. As nossas têm que ser mais simples...
- Para nos misturarmos, sem chamar atenção.-Agatha concordou e as duas sorriram uma para outra, ignorando as reclamações de Hermione, que dizia que aquilo não tinha o mínimo sentido.

Chegaram na loja, que já estava atulhada de garotos e garotas e conseguiram, depois de alguma insistência, serem atendidas por uma balconista. A mulher as levou do balcão barulhento da loja para sua parte de trás, no lado feminino, onde as fantasias estavam penduradas, envoltas em capas plásticas. Gina foi a primeira a experimentar os mais diferentes trajes possíveis, que eram aprovados ou recusados por Hermione e Agatha. Por fim, depois de muito “prova e desprova”, a ruiva decidiu-se por uma fantasia de anjo.

- E é assim que você não quer chamar atenção?-Hermione perguntou, entre risos junto de Agatha.-Ginny, essa saia é mais do que minúscula. Rony vai te matar se ter ver vestida assim.
- Mas como é que eu vou chamar atenção do Harry sem algo no mínimo provocante?

Agatha e Hermione a olharam mais uma vez. A fantasia era nada mais nada menos que um vestidinho branco, de alças, que mal chegava á metade das coxas. O decote, quadrado, era adornado com pequenas pedrinhas transparentes, que brilhavam na luz. As asas, é claro, eram grandes, feitas de penas brancas de verdade, tomando-lhe as costas inteiras. A auréola na verdade era uma espécie de coroa, de encaixar na cabeça, feita de flores brancas.

- Linda, você está, mesmo. Mas essa sua cara de tarada não engana ninguém, Ginny.
- Você tá mais para um anjo que foi expulso do céu por cometer o pecado da luxúria.-Agatha brincou, com um sorriso anormalmente feliz no rosto.

A ruiva deu de ombros e entrou de novo na cabine em que estava pra trocar de roupa, dizendo:

- Oras, não quero nem saber! O outro baile foi tão comportado, nesse temos que arrasar. E se Ron me encher por causa do tamanho do vestido, eu justifico dizendo que o quis desse tamanho para facilitar uma possível corrida atrás de você, Hermione, se você sumir do nada ou coisa do tipo.
- Ah, claro, a culpa sempre cai nas minhas costas.-a grifinória bufou, desgostosa, e Agatha riu mais uma vez da expressão dela.
- Quem é a próxima?-a atendente perguntou, pegando a fantasia de anjo de Gina por cima da porta do provador.
- Vai lá, Agatha, não estou com a mínima pressa.

Agatha levantou-se e foi até as araras de fantasias, explicando para a mulher o que queria. Quando Ginny saiu do provador, a sonserina já estava dentro de outro, experimentando uma fantasia toda preta e feita de couro, pelo que Hermione tinha visto.

- E a, o que acham?-ela perguntou, saindo dele, anotando mentalmente que fazer compras com garotas era muito mais divertido que sozinha.
- Wow, depois eu que sou a provocante!-a ruiva brincou, olhando para a garota.

A morena não estava com uma roupa curta como a de Ginny, mas o objetivo de ser mais simples do que Hermione poderia escolher pra si depois com certeza não tinha sido atingido. A garota usava botas pretas de couro altas, junto com uma calça preta colada e um espartilho também preto, de couro, com alguns detalhes em vinho dos lados. A fantasia ainda vinha com um conjunto de colar, brincos e pulseira de crucifixos; e um cinto de utilidades com estacas e mais crucifixos.

- Você é uma caç..
- Caçadora de vampiros, exatamente.-e ela riu da cara de Hermione, sendo acompanhada por Gina.-Gostaram? Levo?
- Claro que leva, alguma dúvida, garota?-a Weasley caçula brincou, empurrando a sonserina de volta ao provador para tirar a fantasia e entregar à atendente, que, com a varinha, empacotava separadamente, cada peça da fantasia dela.-É a sua cara! Toda cheia de mistérios.
- Escutem, vocês realmente acham que eu vou encontrar uma fantasia que consiga chamar mais atenção do que a de vocês duas juntas?-a grifinória perguntou, vendo em que enrascada tinha se metido.
- É claro que vai!-a sonserina gritou de dentro do provador, passando o espartilho por cima da porta para Ginny pegar.
- Ah, vou sim.-ela respondeu, sarcástica, levantando-se do divã em que estava sentada para olhar as araras.

Andou por todas elas, olhando as fantasias, sem encontrar nada que a agradasse. Ela queria ficar tão bonita quanto às outras duas, só que com um pouco mais de pano cobrindo-lhe o corpo, sem deixar de chamar a atenção...De Draco, é claro! Mas ali não tinha nada que a agradasse o suficiente. Pegou algumas fantasias e provou-as mas, por mais que Gina e Agatha dissessem que ela ficava maravilhosa com todas, ela não se sentia do mesmo jeito.

- Não se preocupe, sempre encontramos alguma coisa que agrada os clientes.-a moça que estava auxiliando as três disse, depois de ver a cara frustrada de Hermione mostrando a quinta fantasia que experimentava.-Você não tem nenhuma idéia do que gostaria de usar?
- É, Mi, ajuda a pobre da moça.-Ginny ralhou, divertida.

Hermione olhou para as duas acompanhantes e para a moça, tentando pensar em algo. O que ela poderia usar, afinal? Virou-se de frente pro espelho, encarando o próprio reflexo e lembrou-se do pequeno relato do dia 24 de dezembro de 1947 do diário de Anthony Malfoy, em que ele falava sobre o baile de Natal que teria em Hogwarts, e que ele usaria uma fantasia como dos grandes lordes medievais pois Christine dissera que a sua tinha algo a ver com aquilo.

“Um vestido medieval? Como no meu sonho...Um vestido medieval vermelho!” ela pensou, animada, os olhos se arregalando de alegria para o espelho.”Afinal, já que Riddle acha que eu sou Christine e toda a história dela com Malfoy está se repetindo comigo e Draco, eu tenho mais é que honrar para que tudo fique perfeitamente igual.”

- Eu pensei em uma coisa.
- Finalmente!-as duas garotas disseram, juntas, preparadas para ouvir.
- Você não teria alguma fantasia medieval para alugar ou vender? Algum tipo de vestido, por exemplo?
- Acho que tenho um vestido mais ou menos desse jeito, espere um minuto.-a moça sorriu, sumindo atrás das araras.
- Vestido medieval? Mas, Hermione, Draco disse que nos pesadelos que você tem com Riddle, você usa um vestido desses.-a sonserina disse, fazendo a ligação que a grifinória tinha feito segundos atrás.
- Exatamente. Aquele loiro realmente lhes contou tudo, hein?
- Mas, Mione..Por que você quer uma fantasia nos mesmos moldes?-foi a vez de a ruiva perguntar, sem entender.
- Bom, se as coisas estão se repetindo de maneira tão igual, acho que o mais justo é que eu use algo parecido com o que Chris usou ao ser atacada por Riddle.-ela explicou.
- Pra você ver, ela está doidinha pra ser atacada.-Gina disse a Agatha, que concordou antes de levarem cabides no rosto, jogados por Hermione.
- Voltei.-disse a atendente, e as três se viraram.-É a única coisa que eu tenho, veja se é o que quer.

A moça estendeu um vestido longo, vermelho-escuro para Hermione, acompanhado de uma fita negra, e mais um vestido salmão, que deveria vir por baixo. Hermione o pegou e se fechou no provador, no mesmo instante. Rapidamente ela tirou a roupa que estava usando e colocou o vestido de baixo, aquela espécie de camisolão que as mulheres antigas usavam e em seguida, o vermelho por cima; a faixa negra acomodou-se logo abaixo de seus seios. Terminando o laço que deveria ser feito em suas costas, a garota observou o resultado no espelho. O seu próprio reflexo a extasiou: estava maravilhosa dentro daquele vestido.

O vestido salmão, que participava do modelo como um forro era maior que o vermelho, e aparecia, cobrindo o busto dela, de maneira delicada, por ser praticamente do mesmo tom de sua pele. O vermelho, por cima, parecia uma capa do mais fino e leve tecido, descendo suavemente até o chão. Seu decote, por sua vez, era um trapézio, subindo até os ombros para formar mangas levemente transparentes, que iam quase até os seus cotovelos. A faixa unia os dois como se fossem um só, ajustando os diferentes cortes, e, na parte de trás, as pontas do laço que a prendia caiam graciosamente. Olhando de perto, podia-se ver que era feito de um tecido que mesclava linhas negras com douradas, provocando um sutil brilho quando Hermione se mexia. As mesmas linhas adornavam a costura das mangas e do busto, tanto no tecido vermelho-escuro quanto no salmão. E em toda aquela beleza sutil, ela podia sentir um fraco cheiro de rosas vindo de qualquer parte dentro e fora dela. Não havia dúvidas, aquele era o vestido que Christine usara há 41 anos.

- Mione, você pro acaso morreu ai dentro?-Gina chamou, do lado de fora, estranhando a demora da amiga.
- Não, eu...Eu estou saindo.-Mione murmurou em resposta, abrindo, logo depois, a porta do provador.-E então, o que acharam?

Foi com surpresa que ela recebeu o silêncio de ambas as garotas e da atendente. As três olharam para ela, com caras igualmente abobadas.

- Meninas? Por Merlin, digam alguma coisa.-a grifinória pediu, corando.-Bom, já que não vão dizer nada podem pelo menos fazer que sim com a cabeça para eu saber se gostaram?

As duas amigas, e até mesmo a vendedora confirmaram como a menina pedira e ela sorriu.

- Vou levar então!- e fechou-se no provador para trocar de roupa.

Em um banco do lado de fora da loja, naquele exato instante, estavam sentados Harry, Ron e Draco, ainda conversando sobre os horrores da guerra esperando que Agatha, Gina e Hermione saíssem, para que eles pudessem entrar e escolher suas próprias fantasias. De alguma forma, as idéias fluíam muito bem entre os três quando não estavam ocupados em implicar um com o outro, apesar do ruivo e o loiro ainda se permitirem fazer caretas um pro outro quando não concordavam com algo. Os dois grifinórios estavam tão concentrados nos relatos de prática de magia negra que Draco contava, que mal perceberam quando as três apareceram na porta da loja, cada uma com uma sacola na mão.

- Ah, Hermione, aquilo é tão...-Ginny dizia, tentando explicar á Hermione o porquê de estar tão abobada com a sua fantasia.-Eu não sei, só que é tão belo, de uma forma estranha.
- É, meio quente.-Agatha complementou, fazendo a ruiva concordar.
- Pois ainda não entendi por que estão assim. Quer dizer, é só um vestido!-ela negou, sorrindo.-Ah, vejam quem está aqui!
- Puxa, finalmente!-Rony disse, assim que Draco interrompeu o que dizia.-Estamos aqui a...
- Quinze minutos.-Harry completou.
- E nada de vocês!-o ruivo terminou, cruzando os braços.
- Culpa da Gina, ela experimentou metade da loja.-Hermione respondeu, com o jeito sabe-tudo que dedicava especialmente a Rony.
- Já fizeram suas compras de Natal?-Agatha perguntou aos outros dois, quebrando o assunto.
- Sim. Estávamos esperando vocês saírem para poder comprar nossas fantasias.-o loiro explicou, mostrando as sacolas em suas mãos.
- Ah, ótimo! Enquanto vocês olham as suas roupas, compramos os nossos presentes.-Mione disse, olhando para as outras duas que concordaram.

Estavam prestes a tomarem seus caminhos quando Draco a puxou pelo braço, e colou a boca em seu ouvido.

- Não vai me dar nenhuma dica do que você comprou para nós combinarmos?
- Ah, bem, você pode comprar uma fantasia tipo medi...-ela começou, automaticamente, mas pensou em algo melhor no meio do caminho.-Melhor! Veja se tem algo mais principesco. É, um príncipe!
- Um príncipe?-o loiro perguntou, confuso.-Por quê?
- Ué, você não queria uma dica?-a garota respondeu com outra pergunta, dando um beijo na bochecha dele.

Ela soltou-se do namorado e correu atrás das outras duas meninas. Antes que eles entrassem na loja, Agatha virou-se e gritou, já a metros longe deles.

- Weasley?
- O quê?-Ron gritou de volta.
- Faz um favor? Escolhe uma fantasia de vampiro!

As outras duas riram alto, enquanto olhavam pra trás vendo a cara de confusão dos três na porta da loja.

- Então foi por isso que você escolheu com tanta convicção aquela fantasia de caçadora de vampiros?-Gina perguntou, ainda rindo.
- Eh..Coruja!-Agatha exclamou, rindo depois das outras também confusas.

*

É claro que Rony cedeu ao pedido de Agatha, mesmo que não soubesse por que ela lhe pedira para se vestir de vampiro. Os outros dois nem ao menos deixaram que as meninas vissem as fantasias e, cheios de sacolas, o grupo voltou á Hogwarts, para cuidar de assuntos mais sérios. Rapidamente, deixaram as compras em seus respectivos dormitórios e encontraram-se na frente da tapeçaria velha que escondia a passagem secreta para a sala de monitoria desativada.

Draco buscara o baú de Christine, a caixa de pintura de Anthony e a bolsa de Hermione com as cartas recebidas, que tinham sido entregues na Sonserina em vez da Grifinória e todos entraram juntos na sala. Assim que a porta de pedra se fechou, Gina lançou-lhe um feitiço com senha, para reforçar a segurança e eles se reuniram em volta da mesa de centro, em frente da lareira acesa.

- Certo, está tudo aqui.-Draco anunciou para o resto do grupo.-Podemos começar.

Rapidamente, os pertences de Chris e Thony foram espalhados em cima da mesa.

- Ah, diários!-Ginny exclamou, pegando o diário do sexto ano de Christine.

Hermione rolou os olhos e apanhou o relicário em forma de sol do meio das coisas de Anthony e a boneca de porcelana de Christine, enquanto achava graça na curiosidade da ruiva. A verdade é que todos os outros também já tinham pegado coisas: Harry analisava as cartas de Riddle, Ron olhava um dos álbuns de fotos de Chris, Agatha observava os desenhos de Thony e Draco apoiara a espada do avô sobre os joelhos.

- Certo, por onde começamos? Pelas perguntas que Agatha anotou hoje de manhã na biblioteca?-Ron sugeriu, olhando para a morena, e chamando a atenção dos outros.
- Eu acho melhor fazermos um resumo de tudo o que sabemos antes.- a sonserina respondeu.-Eu escrevo tudo agora mesmo, para relacionar as coisas com mais facilidade, anotando os anos importantes.
- Boa idéia.-Mione falou, acompanhada dos outros, enquanto Agatha puxava uma pena e um pergaminho limpo. – Tudo começou em 1947, quando Christine, Anthony e Riddle estavam no sexto ano de Hogwarts. Riddle era loucamente apaixonado por Chris na época, mas não era correspondido.
- Então, ele começou a persegui-la, no mês de dezembro, mesmo mês em que ela e Thony começaram a namorar.-Gina disse, mas Draco a cortou.
- Não, acho que Riddle já estava perseguindo Christine há um tempo mas só começou a ameaçá-la de verdade quando soube do relacionamento dos dois.- o loiro disse.
- Pode ser.-Agatha ponderou, fazendo uma ressalva na frase que tinha acabado de escrever.
- Voltando...Riddle começou a perseguir os dois, ameaçando-os, pra ver se Chris desistia de Anthony e ficava com ele.-Harry disse.-Mas, o plano não deu certo e ele deu o fora de Hogwarts no mesmo ano, segundo o que você falou ontem, Malfoy.
- É isso que está escrito no livro que eu ganhei dos meus pais de Natal.-Mione contou.-Riddle foi embora e Chris e Thony passaram o ano seguinte felizes.- ela ditou para Agatha.
- Quando Hogwarts acabou, as famílias dos dois impediram o namoro deles e..-Ron começou e Agatha completou.-..Dois anos depois, Christine passou na casa de sua melhor amiga, a tal da Sarah Peters, deixou lá um livro e uma carta lacradas para alguém que um dia ia aparecer ali parecendo uma cópia sua aos dezesseis anos de idade, ou seja, você, Hermione.
- Isso, então, Chris passou no Gringotes e deixou um baú e mais uma carta para mim lá, e desapareceu em seguida.
- Anotou tudo, Agatha?-Ron perguntou.
- Sim, anotei. Depois do sumiço da Christine, o Anthony se casou com a sua avó, certo, Draco?
- Certo.-o loiro concordou.-Ele nunca mais falou nada sobre a Christine para ninguém. A história só recomeça este ano. Meu vô morreu no verão e, desde o início do ano letivo, Mione tem tido pesadelos com Riddle. No começo desse mês, eu a encontrei dormindo na biblioteca e nós tivemos nossa primeira visão de Chris e Thony.
- A do anel?-Ron questionou.

Hermione e Draco concordaram com um movimento de cabeça.

- Depois disso, nós começamos a andar juntos. Tivemos a visão do diário..
- Foi nesse dia que eu te disse que você devia ser adotada e você ficou puta da vida?-Draco lembrou, sem deixar de sorrir.
- ..E nós recebemos as primeiras cartas de Riddle.- Mione continuou, como se não tivesse sido interrompida, apesar de dar uma olhada feia para o namorado.-Também foi por esses dias que eu comecei a ouvir aquela música violenta do nada e passar mal, vomitando sangue.
- Ok. Tudo anotado.-Agatha confirmou.
- Foi nessa semana que nós brigamos e ficamos sem nos falar.-Ron lembrou-se, com uma careta de amargura.
- E depois?-Ginny questionou.
- Depois...vocês tiveram uma visão na frente de um quadro, não foi?-Harry perguntou, sério.
- Foi, na frente do quadro de Slytherin, que foi posto perto da entrada da Sonserina este ano.-o sonserino respondeu.
- No outro dia vocês foram atacados por aquele feitiço de magia negra, o da cobra dentro da cesta de rosas.-Agatha nem ao menos levantou os olhos do pergaminho quando lembrou do acontecimento.-As cartas apareceram com maior freqüência depois disso. Certo, Hermione?
- Sim.-a menina confirmou, vendo Harry ler as cartas que tinha recebido de Riddle ainda com maior atenção.-Acho que no dia seguinte, eu vi Riddle pela primeira vez, saindo da porta de trás da cabana de Hagrid..Não me perguntem, não faço a mínima idéia do que ele estava fazendo lá. Mas era ele, porque ele acenou para mim e sumiu em seguida. Naquele mesmo dia, de noite, a minha cópia, que agora acredito ser a Christine, apareceu no banheiro da Grifinória para mim e escreveu..
- “Rei das Serpentes” no espelho.-Ginny completou.-Ai, você saiu correndo para contar para o Malfoy, porque você achou que aquilo era uma espécie de senha para abrir o quadro de Slytherin nas masmorras.
- Mas não deu certo, porque o quadro não abriu e Hermione ficou nervosa.-Agatha completou.
- Vocês têm uma ótima memória, estou impressionada.-a grifinória riu, acompanhada de Gina e Draco.
- Foi nesse dia que descobrimos essa sala.-Draco falou, olhando em volta.
- É, depois, se não me engano, Riddle invadiu um banho seu.-Harry falou e a amiga ficou vermelha.
- Você contou isso pra eles também?-ela perguntou, virando-se para Draco.
- Não precisa ficar preocupada, Mi, Malfoy não entrou em detalhes para nos enojar.-o ruivo tranqüilizou-a e tanto ele, quanto o moreno e o loiro fizeram caretas idênticas de nojo.
- Eu desmaiei nesse dia..Lembra? O dia em que você me levou até a ala hospitalar, irritou a Madame Pomfrey e jogou coisas na gente?
- Você não falou nada sobre isso, Malfoy.-Ginny repreendeu, com olhos curiosos.
- Não? Me esqueci...Por falar nisso, Pomfrey estava bem estranha naquele dia, não estava?
- Estava, tirando que um dos frascos que ela nos jogou continha Amorentia.-Hermione olhou para ele, vermelha, e o loiro a acompanhou, com as bochechas levemente rosadas. As imagens dos dois atracando-se no corredor naquele dia estavam vivas demais em suas mentes.
- Amorentia? Você tem certeza, Hermione?- a sonserina perguntou.
- Absoluta. A mistura de cheiros e a cor eram características demais.-a grifinória confirmou.
- Mas Amorentia é a poção de amor mais poderosa que existe, não é? Sua comercialização é proibida.-Gina entrou na conversa, confusa.
- Isso é estranho, uma enfermeira não devia ter algo desses em uma ala hospitalar.-Rony falou, no mesmo tom da irmã.-Vocês acham...Vocês acham que isso pode ter algo a ver com o sumiço da Madame Pomfrey?
- Como assim?
- Ah, sei lá, vai ver ela tinha um estoque desses porque estava tentando enfeitiçar alguém e Dumbledore descobriu e ela foi leva á Azkaban.-o ruivo completou o raciocínio, arrancando risadas instantâneas de todos eles.-O que? O que eu disse de engraçado?
- Rony, ao seja tão bocó. Você realmente acha que Madame Pomfrey iria para Azkaban por alguns vidrinhos de poção do amor?-a Weasley caçula riu, bagunçando os cabelos ruivos do irmão.
- Ah..Sei lá, foi só uma suposição.-ele respondeu, envergonhado, recebendo um sorriso carinhoso de Agatha, que estava sentado a sua frente. Ninguém reparou quando ela murmurou “coruja” baixinho, sem desgrudar os olhos azuis do ruivo a sua frente.
- Uma suposição que não custa ser anotada. Essa história de Amorentia e Madame Pomfrey é mesmo estranha.-a sonserina disse.-Então, o que temos depois do desmaio de Hermione naquele dia?
- Depois daquilo, a única coisa importante que você nos contou foi que você achou a chave do cofre de Christine dentro de um livro na biblioteca.-Harry lembrou Draco.
- Isso, depois a semana passou e nós embarcamos para as férias de Natal junto com todo mundo. Fomos no Gringotes, pegamos o baú da Christine e a carta que ela deixou para mim dizendo que toda sua fortuna era agora minha. Depois, fomos na casa de Draco e ele pegou a caixa de pintura do avô. No fim, fomos no condado onde a família Sutcliffe morava, conhecemos Sarah Peters, que me deu outra carta e Chris e um livro que até hoje não conseguimos abrir.-Mione foi falando, rápido, querendo terminar logo com aquele “flash-back”.
- Ai, segundo Malfoy, você pirou dentro da casa, caiu da janela e quando ele e a tal Peters estavam te socorrendo a casa dos Sutcliffe pegou fogo e puf!, virou cinzas. Isso foi há dois dias atrás. E depois disso, a gente sabe muito bem o que houve: você passou mal no trem, ficou desacordada, passou a noite na ala hospitalar, acordou, encontrou com a gente, foi para Hogsmeade, comprou suas coisinhas de Natal e agora estamos aqui todos reunidos e felizes. Fim da história.-Gina terminou, sorridente.
- Por que essa pressa para terminar o resumo?-Harry perguntou, ligeiramente tonto com a rapidez que as palavras tinham saído da ruiva ao seu lado.
- Porque Hermione tem algo para contar a todos vocês sobre..Algo que apareceu nela...
- Gina! – Mione brigou, querendo calar a boca da outra.
- Algo que apareceu em você? Como assim?-Draco perguntou, os olhos azuis-acizentados esquadrinhando o rosto nervoso dela, procurando uma resposta.
- Ehh..
- Antes da Mione contar qualquer coisa, posso fazer uma pergunta? – Harry pediu, lendo o pergaminho cheio que Agatha tinha escrito, pondo cada acontecimento do mês de Draco e Hermione em tópicos.
- O quê, Harry?- Mione perguntou, aliviada, enquanto Ginny dava um tapinha na testa de descrença.
- Malfoy, você disse que no dia em que vocês dois tiveram a segunda visão da Christine e do Anthony você falou para ela que ela era adotada. Por quê?
- Ah, isso de novo, não.-a grifinória choramingou.
- É o seguinte, Potter. Eu sou idêntico ao meu avô quando ele tinha a mesma idade que eu, certo?
- Certo.
- Então, Hermione também é idêntica a Christine quando as duas tinham a mesma idade. E, na minha opinião, é impossível existirem duas pessoas tão parecidas assim sem terem nenhum laço de parentesco, ainda mais com uma tendo visões da outra.
- Então você acha que Hermione é parente de Christine? E que foi adotada?-Gina perguntou.
- Achava, afinal, isso explicaria a forte semelhança entre as duas, porém, Mione me mostrou uma foto dos pais dela e ela é com toda certeza filha deles.
- É mesmo, você é super-parecida com os seus pais.-Ron disse, pois já os conhecia.
- Ou seja, a teoria de Draco foi por terra e não precisamos discutir isso.-Hermione falou satisfeita com a conclusão do garoto.
- Apesar de...-o sonserino continuou a falar, indeciso.
- Apesar de o quê, Draco?-Agatha perguntou.
- Mione, querida, você está com aquela foto que me mostrou com você?-Draco perguntou, virando-se para a namorada, com uma expressão de súbita compreensão no rosto.
- Sim, está dentro da minha carteira.- ela respondeu, não gostando nem um pouco daquilo.
- Pegue-a pra mim, então.-Draco pediu.

Hermione virou-se e pegou sua bolsa, que estava em cima do divã atrás de si. Retirou a carteira de dentro dela, abriu-a, pegou a foto dos pais e a entregou a Draco. A foto trouxa e parada, em que o Sr. e a Sra. Granger apareciam bem de perto e sorridentes, estava idêntica á última vez que Malfoy a tinha visto. Mesmo assim, com todos os indícios de que aqueles dois eram os pais de Hermione, ele sabia que tinha algo de errado com a fotografia desde que a vira pela primeira vez. Desde então, aquela imagem aparecia e reaparecia em sua mente, como se quisesse lhe mostrar algo a mais, algo que Draco sabia que já tinha visto em outro lugar e era familiar. Agora, olhando pela segunda vez para ela, o loiro percebeu tão rapidamente o “tal” detalhe familiar que se sentiu extremamente burro por não ter percebido antes. Afinal, ele via o “tal” detalhe todos os dias quando se olhava no espelho!

- Hermione?- Draco chamou, um leve sorriso brincando em seu rosto.
- O quê?
- Malfoy, fala logo. Esse silêncio está me matando.-Rony reclamou, irritado com aquele suspense.
- O quê, Draco?- Hermione perguntou novamente, nervosa com o sorriso no rosto do namorado.
- Quando você me mostrou esse foto pela primeira vez, eu não pude negar de que estes dois são mesmos os seus pais, mas algo me deixou incomodado, como se eu estivesse de frente para algo muito importante mas não me desse conta disso.
- E daí?-Mione quase suplicou, querendo que ele chegasse logo ao ponto. Todos os outros adolescentes da sala estavam na mesma situação e até mesmo Agatha tinha perdido seu ar de “ligeiramente interessada” para um “desembucha logo”.
- Bom, eu pensei muito tempo sobre isso mas não me lembrei do que tinha me chamado à atenção. Agora, vendo a foto dos seus pais pela segunda vez, eu vi o que é. Querida, você é mesmo filha de quem pensa que é, não dá pra negar, mas tem alguém da sua família sim que é adotado.
- QUEM?-todos perguntaram juntos, ansiosos.
- O seu pai.-o sonserino declarou, com um sorriso maior ainda.

Hermione respirou profundamente, enquanto tentava compreender o ele tinha acabado de lhe dizer.

- Desculpe, mas...O quê? Meu pai, adotado? Como assim, Draco, da onde você tirou essa idéia maluca?-ela soltou, nervosa e confusa.
- É, da onde?- Gina perguntou, sob o murmurinho dos outros que olhavam para a imagem do pai de Mione na foto.
- Calma, eu explico.-Malfoy pediu, e todos ficaram em silêncio para ouvi-lo.-Quando a Mi me mostrou essa foto pela primeira vez eu tive a sensação de estar vendo algo familiar nela, compreendem?
- Familiar como um traço de família?-Harry perguntou, sem tirar os olhos verdes da fotografia.
- Exato, Potter, um traço de família Malfoy, que meu avô, meu pai, meu tio e eu possuímos: o formato dos olhos.
- E o que isso tem a ver com a sua hipótese do pai da Hermione ser adotado?-Ron perguntou.
- Olhe direito, Ron, o formato dos olhos do pai da Hermione é igual ao de Malfoy.-Harry se pronunciou, olhando pra Rony.
- Mesmo?

Os cinco baixaram as cabeças para mais perto da foto a fim de olhar o moreno de olhos azuis escuros que era o Sr.Granger e depois as levantaram para olhar para o loiro, que sorriu.

- Nossa, tem razão, Harry, é o mesmo formato!-Gina exclamou, sem desgrudar os olhos de Draco.-As maçãs do rosto também são parecidas.
- Viu? Não disse?-o sonserino perguntou, voltando sua atenção para a namorada.
- Mas isso não significa absolutamente nada, Draco.-Hermione reclamou com um resmungo de concordância de Agatha e Ron.-Existem milhares de pessoas por ai que podem ter mais ou menos o mesmo formato dos olhos ou do nariz ou da boca, e nem por causa disso são parentes. Você percebeu o que está insinuando?
- E você percebeu que essa não é a única prova, Hermione?-o garoto retrucou, um sorriso convencido brincando no rosto.-Esqueceu-se da visão que tivemos na sua casa quanto tocamos o relicário que está na sua mão?
- É claro que não esqueci.–ela retrucou, colocando a jóia em cima da mesinha, à vista de todos.
- Então também não esqueceu a sensação de estar grávida na visão, ou esqueceu?-o loiro perguntou de novo.
- Não, não esqueci.
- Você quer dizer que o bebê de Christine e Anthony é o pai da Hermione?-Ginny perguntou, boquiaberta.
- Uhum.-ele confirmou.
- Nossa, que babado!-Agatha murmurou.
- Babado coisa nenhuma!-Mione retrucou, nervosa, levantando-se subitamente.-Só porque Christine ficou grávida e possivelmente sumiu por causa disso, já que Thony tinha acabado de se casar, e com certeza, teve seu bebê não significa que o tal bebê seja o MEU pai só porque os olhos dele são parecidos com os dos Malfoy.
- Só? E as nossas semelhanças assustadoras com Chris e Thony? Se eu sou idêntico a Anthony porque sou neto dele,o natural é que você fosse idêntica à Christine por ser parente dela também..Neta dela, Hermione!-Draco também se levantou, igualmente nervoso.
- Natural coisa nenhuma! Isso é ridículo, Draco!
- Eh, será que dá pra vocês sentarem, por favor?-Ginny pediu.

Draco e Hermione se entreolharam e igualmente corados e envergonhados, voltaram a sentar no chão ao lado dos outros.

- Desculpem.-a grifinória pediu aos outros.-Mas, ainda assim, essa idéia é simplesmente ridícula demais para ser verdade. Eu? Neta de Christine Sutcliffe?
- Por que não, Hermione? É uma explicação bem plausível sobre o fato de você ser idêntica à Christine.-Harry disse, considerando a idéia de Draco.
- Não é, não!
- É claro que é, até o Potter concorda.-Draco retrucou, cruzando os braços.-Deixe de ser teimosa!
- Além de que também explica o porquê da Chris ter deixado toda a fortuna dela para você, Mione.-Agatha acrescentou.-O que vocês acham, Weasleys?
- Concordo com Hermione.-Ron respondeu, prontamente.-Também acho essa história toda impossível de ser verdade.
- E eu com Malfoy.-Gina disse arrancando uma exclamação de descrença da amiga do outro lado da mesa.-Ah, Mione, não faça assim, Malfoy pode estar certo. Na verdade, se o que faltam são provas, eu tenho mais uma a favor da hipótese dele.
- Mais uma?-formou-se um coro de Harry, Draco e Agatha.
- É. Escutem esse relato da Chris, que eu encontrei a alguns minutos folheando o diário do sexto ano dela.-a ruiva confirmou, pondo um dos diários de Christine em cima da mesa.

Gina encheu os pulmões de ar e começou a ler em voz alta:

Dezoito de dezembro de 1947.

Ariel,

Hoje, com certeza, aconteceu a melhor coisa que poderia acontecer. Estou tão animada que começarei o dia de hoje com ela, em vez de contar como Anthony fez com que o professor de Poções, o Sr. Sawyer, expulsasse-nos da sala (e como ele me arrastou até uma masmorra e me fez esquecer todos os problemas que andamos tendo ultimamente). Bom, são exatamente 10:30 da noite e eu estava me preparando para sair para a minha ronda há 15 minutos atrás. Como está muito frio hoje, eu achei que era melhor tirar a camisa da escola e pôr um suéter mais grosso antes de sair. Então, cacei aquela blusa de linha linda que os meninos e Sarah me deram no meu aniversário de 15 anos (aquela com listras vermelhas e amarelas, iguais às cores da Grifinória) e tirei toda a parte de cima do uniforme, ficando só de sutiã para vesti-la.

Foi ai que eu percebi a tal melhor coisa que eu disse: uma estranha mancha colorida nas minhas costas, na altura do ombro direito, com sangue seco sobre ela. Cheguei perto do espelho para olhar melhor e qual não foi a minha GRANDE e MARAVILHOSA surpresa ao ver uma LINDA FÊNIX azul clara, cercada por uma coroa de rosas multicoloridas, como as que eu tenho no jardim lá de casa, e de asas abertas. Uma fênix, Ariel, MINHA FÊNIX! Eu finalmente recebi minha fênix!!! Creio que nunca lhe expliquei o que ter uma fênix no corpo significa. Como você sabe, o brasão da melhor família bruxa desse mundo, a Sutcliffe, tem como símbolo uma fênix empoleirada. Esse é o nosso símbolo porque era o animal em que Rowena Ravenclaw se transformava quando queria (e não aquela ave de rapina estranha que é o símbolo da Corvinal) e como minha família é descendente direta dela, todas as nossas mulheres, desde que sei, praticam a animagia (e, as que têm sorte, conseguem se transformar em fênixes também, como eu). Mas, claro, nunca são animais iguais. Mamãe se transforma em uma fênix verde, por mais impossível que isso possa parecer. Eu, como você já sabe, transformo-me em uma azul.

Toda Sutcliffe, assim que nasce, passa por um ritual de iniciação a seus poderes. Vou explicar como é: a mãe, as avós e as tias da menina recém-nascida preparam um banho para ela, com poções e ervas especiais. Então, todas juntas, enquanto banham o bebê, vão dizendo um encantamento muito antigo de nossa família, que, pelo que sei, serve para despertar a proteção da fênix de Ravenclaw em nosso sangue e, com ela, nossos dons como a animagia e a clarividência. Eu nunca o vi sendo realizado, já que eu sou a última mulher da linhagem mas mamãe me disse que ele é mais uma representação das crenças de nossos antepassados do que um feitiço de verdade. Voltando ao assunto, é claro que eu, como Sutcliffe legítima, recebi esse banho e todo o resto. Segundo vovó, é esse encantamento que faz com que toda Sutcliffe receba, assim que conseguir fazer sua primeira transformação animaga, uma tatuagem idêntica ao animal em que ela se transformar, com as suas inicias desenhadas, em alguma parte do corpo. Como é uma tatuagem mágica, ela não sai nunca mais. Por exemplo: a tatuagem de lebre de minha tia Lucy, em seu pulso esquerdo, apareceu quando ela se transformou pela primeira vez com a animagia, com as suas iniciais (L e S) bem pequeninhas ao lado. Isso aconteceu com todas as mulheres da família e devia ter acontecido comigo também quando eu me transfigurei na minha fênix azul com 11 anos. Todos da família me consideravam uma menina prodígio na época e assim que viram minha transformação, começaram a me encher pedindo que eu mostrasse a minha marca. O problema é que eu, mesmo dias e dias depois da transformação, NÃO RECEBI MARCA NENHUMA!!!!

Sou frustrada desde então (mesmo que, para você, eu pareça estar fazendo drama), afinal, ser abençoada com a marca de Ravenclaw é a maior honra que uma Sutcliffe pode receber (atrás, talvez, de se tornar uma vidente completa, como nem Rowena consegui). Enfim, é a marca que nos faz sentir parte da família, sabe? Como bruxas poderosas de verdade! Acho que é por isso que até hoje, com 16 anos de idade, mamãe e papai AINDA me chamam de “pequena Chris” (e todos os outros de nossa família). Eles não me vêem como uma adulta, porque não possuo a marca. Quer dizer, não POSSUÍA! Agora sou uma VERDADEIRA SUTCLIFFE!

Minha marca é tão linda, Ariel, com meu C e meu S sobre duas rosas, logo abaixo dos pés da minha linda fênix azul! Já escrevi uma carta pra casa contando sobre a novidade, tenho que subir ao corujal para enviá-la. Isso me lembra também que estou meio atrasada pra ronda, sorte minha Anthony ser tão lerdo pra se arrumar que sempre chega depois de mim, mas tenho que ir [isso se eu conseguir colocar a blusa e sair da frente do espelho (estou escrevendo isso sem apoio nenhum, olhando mais para as minhas costas do que pro caderno)].

Gina terminou a leitura e olhou significativamente para Hermione que, por sua vez, olhava estarrecida para o diário. Que história era aquela de marca Sutcliffe, com iniciais e tudo o resto? Será que a fênix vermelha, envolta em espinhos e folhas que aparecera em seu corpo á dias era uma marca como a fênix azul com rosas coloridas de Christine?

- Se vocês ficaram curiosos para ver como essa fênix azul da Christine era, o talentosíssimo Anthony Malfoy fez um desenho dela.-Ginny disse, enquanto puxava um pedaço de pergaminho do chão. Nele, a tatuagem de Christine estava perfeitamente desenhada, em nanquim, e as iniciais de Anthony estavam assinadas espremidas ao lado.
- Essa tal marca Sutcliffe de Christine era linda!-Agatha exclamou, dando voz á surpresa dos outros.
- Devia ser mesmo.-Ron concordou, vendo o desenho de ponta-cabeça.
- Legal, Ginny, mas por que esse relato é uma prova de que o pai de Hermione é filho de Christine e Anthony?-Harry perguntou, voltando à questão que estava sendo discutida há dois minutos.
- Bom, acho que Hermione pode responder a sua pergunta melhor que eu, Harry.-a Weasley sorriu e então, apoiou o rosto nas mãos, com uma expressão de visível divertimento para a amiga.

Todos voltaram às atenções para Hermione que ficou vermelha como um pimentão. Ah, aquela ruivinha tratante nem a deixara processar a informação e já queria que ela mostrasse a sua marca Sutcliffe (“oh, Merlin!”) para os outros!

- Eh, bem...Antes de mais nada, eu não li os diários de Christine e não sabia nada sobre essa tal fênix, enfim essa tal marca, que um dia apareceu no corpo dela.-a grifinória disse, enquanto ficava de pé na frente de todos.-Por isso, não fique bravo comigo por eu não ter te mostrado antes.-a última frase ela direcionou para o loiro aos seus pés, que franziu a testa em curiosidade.

Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, Hermione virou-se de costas e levantou a blusa para deixar á mostra a sua fênix vermelha. Os garotos explodiram em exclamações.

- Nossa!–suspirou Agatha.
- Hermione, você também tem uma!-Rony exclamou, debruçando-se sobre a mesa para ver melhor.
- Uma fênix vermelha!-Harry disse em seguida, também se debruçando ao lado do ruivo.
- Respondida sua pergunta, Harry?-Gina riu, ainda mais divertida.

Hermione virou-se novamente, bombardeada pelas perguntas. Apenas Gina e Draco nada diziam: a ruiva, porque já sabia de toda a história, e o loiro porque simplesmente não conseguia pensar em nada para dizer.

- Draco, você está bem?-ela perguntou, ajoelhando-se novamente, ao ver a expressão abobalhada no rosto dele.
- Eu..Eh, estou. Hermione, por que não me mostrou isso antes? Mesmo não sabendo o que significava?-Malfoy perguntou.
- Porque ela apareceu no dia em que Riddle invadiu meu banho, e nós discutimos naquele dia, lembra-se? Eu fiquei nervosa demais para te mostrar e acabei me esquecendo dela depois, por causa das férias de Natal.-Mione explicou, com um olhar de desculpas. Podia ver claramente que o namorado tinha ficado decepcionado por não ter sabido daquela história antes dos outros.
- Como pôde esquecer dessa marca?-Ron perguntou, incrédulo.
- Se alguém estivesse te perseguindo você também esqueceria de um mero detalhe como uma fênix nas suas costas.-Mione retrucou, brava.
- Mero detalhe?-o ruivo retrucou.
- Calem a boca vocês dois!-Harry pediu, olhando feio para os dois amigos que estavam com as bocas abertas para discutir.-Não é hora para brigas. Merlin, os anos passam e vocês dois nunca mudam!
- Foi ela quem começou.-o ruivo resmungou, arrancando um sorriso divertido de Agatha e um olhar curioso de Draco, que nada sabia sobre as famosas brigas de Ron e Hermione.
- Não interessa quem começou.-o moreno continuou, no ar mais sério que pôde adotar.-A questão é, novamente, como essa marca prova que o pai de Hermione é filho mesmo da Chris e do Thony?
- Harry, a marca é descendência Sutcliffe. Se Hermione tem uma, só pode significar que ela é uma Sutcliffe também.-Gina argumentou.
- É, mas no diário, Chris escreveu que uma Sutcliffe só recebe sua marca quando se transfigura pela primeira vez. Você por acaso é uma animaga, Hermione?-Agatha questionou.
- Não..Nem sei como se faz para se transformar em um animal.-a grifinória negou.-E mesmo se eu pudesse me transformar em uma fênix, como o tal relato de Chris determina, ainda sim não poderia ser considerada uma Sutcliffe. Quer dizer, só eu acho loucura meu pai ser filho de Christine e Anthony?
- Por que seria loucura? Você ficou muito feliz quando tivemos aquela visão na sua casa e achamos que Christine estava grávida nela.-Draco falou, pegando nas mãos de Hermione.
- Sim, eu fiquei feliz. Os dois se amavam, tinham todo o direito de ter um filho mas, Draco, se esse filho fosse o meu pai, ele seria um Malfoy e...
- VOCÊ TAMBÉM!-todos falaram juntos, com exceção de Hermione, com expressões diferentes: Harry e Ron enojados, Agatha com um interesse divertido, Gina com um brilho no olhar e Draco com o sorriso mais enorme que a grifinória já havia visto em seu rosto.
- SOMOS PRIMOS!-o loiro gritou, dando-lhe um selinho em seguida.
- Ei, isso é nojento. Sou o melhor amigo de uma Malfoy há anos e nem sabia disso!-Rony falou, fazendo sinal de quem vomitaria em breve. Harry, com uma careta, concordou.
- Eu NÃO sou uma Malfoy!-Mione gritou, levantando-se.-Não pirem! Uma visão mínima que tive por causa de um relicário que nem ao menos se abre e uma tatuagem de fênix horrível nas costas não determina que eu seja uma descendente dos Sutcliffe e dos Malfoy.
- Ainda tem o detalhe da fortuna dos Sutcliffe deixada toda para você, por direito.-Gina lembrou.
- Não, não são provas suficientes.-Hermione repetiu, balançando a cabeça em negativa.-Será que ninguém aqui acha que eu tenho razão?
- Eu acho.-Rony reafirmou.
- Obrigada pelo bom senso, Rony.-a menina agradeceu.-Ninguém vai me convencer dessa loucura sem pelo menos mais uma prova convincente.
- Acho que eu tenho essa prova.-a sonserina morena disse, olhando para Hermione.
- Tem? O quê?-Ginny questionou.
- Bom, os livros que eu peguei na biblioteca hoje cedo são sobre clarividência.-enquanto falava, Agatha colocou os três livros em cima da mesinha de centro. Os títulos eram, respectivamente: “Os encantos da clarividência”, “Visões:saiba mais sobre seu passado e futuro” e “Clarividência: dom passado por gerações”.- Eu sempre achei a clarividência um assunto fascinante e já li algumas coisas sobre isso, de forma que eu sei alguma coisa do assunto. Estes três livros são os melhores que eu já li e eles têm algumas respostas sobre o que podem ser as visões que vocês dois tiveram neste tempo.
- Que respostas são essas?-Draco perguntou, curioso.
- Bom, como todos vocês sabem a clarividência, ou a adivinhação, é um dom muito, mas muito raro. Existem pouquíssimos registros de verdadeiros clarividentes na literatura bruxa e ainda assim, a maioria deles são de pessoas que tiveram apenas uma visão na vida inteira.-Agatha explicou.
- Quer dizer que não é comum alguém ter diversas visões como eu e Draco tivemos?-foi a vez de Hermione perguntou.
- Não, não é. E mais, este não é o tipo de dom que se manifesta em ambos os sexos, a maioria dos clarividentes que já existiram eram mulheres e não homens. –a sonserina respondeu, abrindo o livro “Clarividência: dom passado por gerações” enquanto falava - Neste livro aqui o autor fala que a primeira bruxa conhecida a fazer relatos de visões que teve foi Rowena Rawenclaw.
- Rowena Rawenclaw era uma vidente?-Harry perguntou.
- Sim, mas praticamente ninguém sabia disso até que encontraram estes tais relatos dela em 1800 e alguma coisa. Eles eram guardados junto com diversas outras coisas importantes de uma família, mais ou menos um clã, matriarcal da Espanha, que se denominava Phoenix. Foi este clã, segundo estudos das famílias bruxas tradicionais, que migrou para a Inglaterra no final do século dezenove e deu origem à família Sutcliffe.
- Espera aí, o clã que possuía os relatos de Rawenclaw é antepassado à família Sutcliffe?-Draco questionou.
- Exatamente.
- Oras, mas se eles tinham esses relatos, então eram descendentes de Rawenclaw, certo?-foi a vez de a ruiva perguntar.
- Exatamente de novo. Todas as mulheres do clã era videntes, da mesma forma que todas as mulheres Sutcliffe eram igualmente videntes e diziam serem descendentes de Rowena.-a sonserina explicou.
- No diário de Christine ela diz que é descendente de Rowena, sendo que a animagia seria herança sanguínea dela.-Ginny complementou, espiando de novo o diário de Chris.-E não é só no pedaço que eu li pra vocês, ela sempre escrevia alguma coisa sobre isso. Parecia bem convencida de que era mesmo descendente de Rawenclaw.
- Podem ter certeza que era, porque a clarividência é um dom hereditário. Não existe nenhum relato de um clarividente que não tivesse parentesco sanguíneo com outro clarividente. Isso nos leva então a saber que Hermione nunca poderia ter visões se não fosse parente de um clarividente.
- Ou melhor, NETA de uma clarividente, não é?-Ginny provocou Hermione com um sorriso.-Mione, quantas provas mais você quer para se convencer de que é mesmo neta de Christine Sutcliffe e Anthony Malfoy?
- Realmente, Hermione, eles têm razão, Seu pai deve ser mesmo o tal filho de Chris e Thony.-Ron falou.
- Rony, mas você não estava do meu lado?-a grifinória perguntou, indignada.
- É, mas essa prova é irrefutável. Você tem a aparência, o talento e o dom das Sutcliffe. Não tem como não ser uma.-o ruivo disse, balançando os ombros, vencido.
- Tem sim! Draco teve as visões comigo e a família dele é tão antiga quanto a Sutcliffe. Por que não pode ser ele o clarividente em vez de mim?
- Porque nunca houve um Malfoy vidente e não sou quem tem visões da Christine até mesmo quando sonha, e sim você.-o loiro retrucou.
- Mas, se sou eu que tenho as visões, como você pode vê-las também? Você tem alguma explicação para isso, Agatha?
- Tenho. Quando uma vidente é extremamente poderosa e muito próxima a alguém que é seu parente sanguíneo, ela pode transmitir suas visões a esta pessoa.
- Transmitir as visões, como assim?-Hermione perguntou, sem entender.
- Draco disse que ontem, enquanto você estava desmaiada, você abriu os olhos e o tocou no meio da testa e todos os seus pensamentos que deviam ser passados para Potter e Weasley foram parar na cabeça do Draco.-a morena falou.
- Puxa, quer dizer que aquilo foi uma transmissão de pensamentos?-o loiro perguntou.-Incrível, nunca tinha ouvido falar de uma coisa dessas antes.
- E se Mione foi capaz de transmitir os pensamentos dela para você, também poderia passar as visões que tivesse. O fato de serem primos só ajudaria.-Harry ponderou, recebendo resmungos de aprovação de Gina e Rony.
- Mas eu não sou prima dele!-a grifinória brigou, visivelmente irritada.-Não..Não posso ser.
- Tem um jeito de descobrir se você é ou não, Hermione.-Agatha tomou a atenção de todos novamente.-Mentalize algo muito, mas muito forte e toque Draco no meio da testa novamente. Se você e Draco ficarem com os olhos inteiramente brancos, como o livro diz que devem ficar, significa que está acontecendo uma transmissão e que você é uma clarividente.
- E, se você for uma clarividente, desculpe, querida, mas significa que somos sim primos e que seu pai é tão Malfoy quanto o meu.-o loiro completou, ganhando uma olhada assassina da namorada.

Hermione olhou para todos e confirmou que todos eles olhavam para ela ávidos para que aquilo realmente acontecesse e seu parentesco com Christine e Anthony fosse comprovado.

- Está bem, eu vou fazer isso. Mas é só porque vocês estão me olhando com essas caras de cachorro vira-lata.-ela suspirou, vencida, virando-se de frente para Draco.

O loiro sorriu encorajando-a e sem escolhas, ela fechou os olhos, concentrando-se na visão de Anthony e Christine comprando o relicário em forma de sol em cima da mesa. Quando a imagem estava bem viva em sua mente, a menina abriu os olhos, pegou o relicário com a mão esquerda e respirando fundo, encostou o dedo indicador da mão direito no meio das sobrancelhas de Draco. E, antes mesmo que qualquer um dos dois pudesse piscar novamente, uma luz forte cegou-os e envolve-os em uma áurea sobrenatural. Acabavam de entrar em um outro mundo...


N/A: E então, meus queridos, gostaram?? Eu particulamente DETESTEI esse cap, porque ele foi muito complicado e demorado de se escrever, já que eu estava acostumada a manter um diálogo restrito ao Draco e a Hermione e neste o extendi ao Harry, ao Ron, à Ginny e à Agatha. Foi mesmo MUITO, MUITO difícil escrever o cap inteiro com conversas dos seis personagens tentando ao máximo manter a personalidade deles. Espero ter conseguido e que este cap, com suas míseras 24 páginas (O.O), não tenha sido muito chato de se ler.

Bom, pra quem quiser saber, eu pretendia que Hermione só se reconciliasse com o Ron depois, mais pro fim da fic, mas eu achei que se ela e Draco não tinham descoberto muita coisa juntos até agora eles tinham que receber alguma ajuda. E melhor ajuda que a de Harry, dois Weasleys e Agatha não havia, afinal, TUDO EM TURMA É MUITO MAIS DIVERTIDO! Eu também achei que a Mi tinha o direito de ficar com os amigos dela um pouco e Agatha tinha o direito de se aproximar de pessoas diferentes dela, porque ela é misteirosa do jeito que é mais por ser solitária do que por qualquer coisa. Eu criei Agatha parecida com Hermione, acho uma o reflexo da outra, com a diferença de que a Mi tem grandes amigos que não a deixam ser tão fechada quanto Agatha é. Então, a partir de agora a nossa bela sonserina vai se abrir um pouco mais e parar de falar tanto em charadas.

O Harry está tão sério porque ele acabaou de perder o padrinho e Voldemort está de volta pra valer..Lembrem-se que essa fic tem spoilers apenas até o quinto livro, e Dumbledore não morreu ainda! Pra completar, Rony e Ginny, fofos e laranjas como eu os amo!! Ah, e sobe a trégua de Harry e Draco..Bom, a Hermione vai acabar fazendo com que essa trégua dure muito mais do que eles querem, aguardem!! ^^

Este cap era pra ter sido muito maior mas eu amputei suas perninhas, que se tornarão o cap 23, porque ele já estava com 24 págs e ninguém merece ler tanta coisa assim nessa letrinha minúscula na tela do pc. Eu PROMETO a vocês que o próximo cap será menor que este e vai ser postado até a metade de novembro, ok? Pra quem quiser uma palhinha, lá vai:

"Ele a encarou com os olhos marejados, sem poder acreditar em tamanha alegria. Grávida, era isso mesmo que ela tinha dito? Sim, era, seu mais-novo-e-bobo-papai do pedaço!

Ah, Merlin finalmente resolvera ser maravilhoso com eles!"

Ceninha fofa, né? O próximo cap vai ser bem mais legal que esse! 8D
Pra terminar com chave de ouro, dêem uma passadinha no site da Imogen sobre o universo D/Hr de fanfics. Ela escreveu uma coluna BABÁVEL sobre OpV, um VERDADEIRO PRESENTE! Por favor, leiam, pessoal!! E Imogen, MUITO OBRIGADA POR TÃO LINDO TEXTO!!!

http://imogen.projetosonho.com/fic-da-semana/obsessao-por-voce/

É isso, galera!!! Até a próxima e não se esqueçam, hein?? COMENTEM!!!

Apertos na bunda da Nath Malfoy! ;D

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