Capítulo Quatorze:
“Não espere o Eu Te Amo,
Para dizer: Eu Também.”
Talvez eu não estivesse realmente acordado quando tudo aconteceu, mas certamente ela estava. Que outra explicação haveria? Talvez houvesse, mas eu não enxergava nenhuma outra, ou simplesmente não quisesse enxergar. Permanecer cego era a única saída que eu sabia que ainda estaria ali. Ou, quem sabe, não houvesse saída.
Era como um labirinto. Aquele que eu tentara enfrentar mesmo sabendo que não conseguiria. Doía admitir que o medo houvesse me vencido em uma hora tão importante. Mas medo não justificava o que acabara de acontecer.
Pois não havia razão para temer algo naquela situação, pois aquilo não era o labirinto que eu enfrentara, embora eu ainda não soubesse disso.
A enfermaria nunca parecera tão sombria. Talvez estivesse pior à noite, mas eu não poderia saber disso.
E pensar que há uma hora, Hermione estivera aqui e eu acreditava que sua visita me traria a luz que ainda não enxergava. Mas não foi isso o que aconteceu, fazendo-me descobrir, da pior maneira possível, que o que é bom, acaba e nem sempre traz a luz.
Assim como o que é mal, nem sempre carrega a escuridão.
Ela tinha entrado e se sentado ao meu lado, pegando minha mão e entrelaçando nossos dedos. E eu descobri que ela já não me beijava mais.
- Como esta? – ela perguntara.
- Bem melhor. – respondi com um sorriso e apertando a mão dela carinhosamente. Senti seu aperto de volta.
Hermione mantinha os lábios em uma linha fina, como se estivesse se segurando para não falar algo. Seus olhos se mantinham em mim, mas não calorosamente. Era um olhar triste que eu nunca vira com tanta intensidade no rosto dela.
- O que foi? – perguntei. Percebi quando ela desviou os olhos de mim, abaixando a cabeça. Era uma cena de cortar o coração e depois moê-lo. – Hermione, me responda. – pedi.
- Nada.
Olhei fixamente para ela.
- E o que seria ‘nada’ exatamente? – eu disse, enquanto levantava o queixo dela com a mão livre, fazendo-a me olhar.
Má idéia. Seus olhos estavam terrivelmente marejados.
- Nada é nada, Victor. Não existe outra definição. – as palavras saíram com dificuldade e uma lágrima escapou pelo canto do olho dela, que a limpou com raiva.
- Não acredito nisso. – eu discordei. – ‘Nada’ pode ser usada por alguém quando não se quer dizer algo. Sendo assim, ela pode ter dois sentidos.
Hermione disse:
- Sabe que Cedrico morreu? – eu sabia que ela estava mudando de assunto.
Funcionou. Eu não estava sabendo.
- Morreu? – perguntei cético, certo de que não era por isso que ela chorava.
- Sim. Você-Sabe-Quem o matou.
Tive de discordar mais uma vez.
- Mas quem lhe disse isso? Você-Sabe-Quem morreu. – disse.
- Harry me disse e eu acredito nele. – informou-me.
Suspirei resignado.
- Claro. – disse ironicamente. – Mas temos aqui duas opiniões diferentes...
-...que devem ser respeitadas. – ela terminou a frase para mim.
- É mesmo uma pena que ele tenha morrido. Foi um garoto muito valente no labirinto. Diferente de mim, que devo ter ficado parecido com um covarde. Fui um covarde. Desesperei-me. – desabafei de leve, enquanto colocava uma mecha do cabelo dela atrás de sua orelha, voltando a mão fazendo um carinho no rosto dela.
Não entendi qual foi a reação dela naquele momento, ou o porquê de ela ter tido tal reação. Era um carinho tão normal, mas o que ouvi dela foi um soluço mal contido e mais uma lágrima cair de seus olhos.
- Não foi covarde. Todos temos medo. – ela discordou de mim.
Encarei-a, chocado, quando ela retirou minha mão de seu rosto. Maus pressentimentos me invadindo e me dizendo que havia algo errado acontecendo.
- Hermione, o que foi? Você não esta assim pela morte do Cedrico. Sei disso. Diga-me o que é. – pedi o mais suavemente que pude.
Hermione levantou os olhos e encontrou o meus. Seus se marejaram ainda mais e ela parou de conter o choro, pois as lágrimas passeavam pelo seu rosto livremente.
Meu coração se partiu. A tristeza dela era contagiante.
- P-Precis-samos con-conversar. – ela gaguejou. Senti meu estomago se contrair.
Engoli em seco.
- Estou ouvindo. – murmurei.
Observei-a olhar para os lados, como se procurasse ajuda. Não encontrando nada, ela se voltou para mim.
- Eu... – ela começou. – Eu não posso mais. Desculpe, mas eu não consigo mais. – ela me dizia, mas me pareciam palavras desconexas, sem sentido. Dos olhos, as lágrimas continuavam a cair.
- Não consegue o que?
Ela parecia desesperada.
- Não consigo mais. – repetiu. – Eu não queria dizer, esperava que fosse você a dizer, mas percebi que se eu deixar por sua conta, não vai acontecer. – ela murmurava rapidamente.
Hermione já não se importava em limpar as lágrimas, por elas teimarem em cair. Eu odiava lágrimas. Desfiguravam o rosto das pessoas.
- Não faria mesmo. Ainda não sei o que é, mas pode-se deduzir pelo seu estado. – passei a mão pela rosto dela, limpando as lágrimas, mas outras tomaram seu lugar.
- Então deduza. – ela pediu. Sua mão tremia na minha.
Examinei-a com cuidado. Os olhos castanhos estavam marejados e vermelhos pelo choro, a mão fria tremia, ela estava pálida, o rosto se encontrava escondido em uma máscara de tristeza, de forma que eu mal podia reconhecê-la.
Perfurei os olhos dela com os meus, tentando ver algo que ela escondia. E eu acabei vendo mais do que o necessário.
- Quem é ele? – perguntei de supetão.
Pela expressão dela, eu acertei em cheio.
Hermione deixou escapar um soluço pela garganta e o fluxo de lágrimas aumentou.
....................................................................................................
N/A: capítulo meio pequeno, mas é para dar tensão. Pensei seriamente em dar um final diferente do de J.K para o casal, mas desisti da idéia, pois se a fic tiver uma continuação, quero que seja inesperada.
Uma observação: a covardia de Krum no último capítulo me pareceu adequada, pois a descrição do labirinto de J.K me pareceu um tanto cheia de coragem, e o que eu quis passar com essa nova descrição foi os desespero que impediu de Fleur e Victor de continuar na prova (o que me parece muito injusto: o pessoal de Hogwarts arrasa no labirinto e os outros ficam como os covardões que saíram primeiro da prova). Assim, fiz o desespero tomar conta da mente do nosso protagonista.
Duas observações: quando disse que queria passar algo emocionante no capítulo anterior, não foi como algo corajoso e cheio de ação. Só queria que vocês sentissem o que Victor sentiu de modo real.
Dedico este capítulo ao pessoal que ri de mim quando digo que escrevo sobre o que escrevo. Muito obrigada, pois isso me impulsiona a escrever algo melhor quando pessoas duvidam da minha capacidade. (minha mãe, minhas amigas, meu pai, etc. etc.).
P.S: Mademoiselle Delacour, visitei sua fic ‘Temporariamente Aliados’ (T.A) e achei o trailer muito bom. Não tive tempo de marca-la, nem de ler os capítulos já publicados, mas deixei um comentário no seu trailer. Diga-me o que achou da minha fic que você visitou (te vi por lá).
Comentem!