Capítulo Onze:
“Não espere a dor,
Para acreditar em oração.”
Na noite da prova, eu estava completamente cego com relação à prova seguinte. Não nos deram pistas e não havia ovos para serem desvendados, tão pouco as pessoas que tiramos do lago sabiam de alguma coisa.
E mesmo que soubesse, Hermione não me contaria.
Eu não tivera chance de falar com ela nem uma vez depois da prova, pois todos foram mandados para a enfermaria, tanto campeões quanto quem estava no fundo do lago para ser salvo. E ela ficara em uma cama no meio da de Potter e da do ruivo. E não dirigiu a palavra a mim. A indiferença voltara a inundar seus olhos.
Isso me assustava. E eu não fazia a menor idéia do por que.
Agora eu estava deitado na minha cama, no dormitório masculino, já passava da meia noite, mas eu não conseguia dormir. O dia fora um completo desperdício. Inútil.
Quanto tempo levaria para que tudo voltasse ao normal? E se não voltasse? Faria ela falta para mim?
Sim, faria. E mesmo que não fizesse, eu não queria que ela passasse o resto da vida pensando na minha estupidez. Mas que escolha eu tinha?
Amanhã eu iria falar com ela.
Não, eu não poderia ir amanhã, pois tínhamos aulas. Quarta feira seria um bom dia para conversarmos na biblioteca.
Mas quarta estava muito longe. Até lá eu iria morrer de agonia.
Sem saber o que fazer, mas ainda assim decidido, peguei minha varinha e me levantei, indo em direção à porta do dormitório, descendo as escadas.
Com um suspiro, comecei a subir as escadas do dormitório feminino, tentando não fazer ruídos. Se alguém acordasse, eu estaria perdido. Passei por um quadro de frutas que tinha ao lado da porta e parei.
O que eu estava fazendo? Até ali, não havia pensado no que estava fazendo e meu subconsciente me disse para continuar sem pensar.
Assim, abri a porta do dormitório sem fazer ruídos. Meu corpo tremia levemente e me senti idiota, mas entrei devagar, fechando a porta atrás de mim.
Agradeci mentalmente as garotas por não manterem os cortinados fechados, facilitava minha procura por Hermione e por um momento decidi que era mais seguro procura-la no lago negro. Garotas se descobrissem que eu estava invadindo o dormitório delas no meio da noite, teriam uma reação pior do que a da lula gigante.
Olhei em volta e foi fácil achar cabelos cheios esparramados no travesseiro. Ficava ainda mais linda enquanto dormia.
Cheguei bem perto do ouvido dela e sussurrei:
- Hermione? – ela se mexeu de leve, mas continuou dormindo. O que não ajudou. – Hermione? – sussurrei de novo.
Ela abriu os olhos devagar e olhou para mim, os olhos castanhos se arregalaram de surpresa.
- Mas o que? – ela disse alto demais e eu a calei, sem pensar novamente, com um leve selinho nos lábios cheios.
Hermione arfou de surpresa, mas não se afastou, o que considerei ser uma boa coisa.
- O que esta fazendo aqui? – perguntou ela, me puxando para sua cama e fechando o cortinado.
- Queria me desculpar. – falei.
Ela suspirou.
- Francamente, Victor, achei que fosse prudente. Não pode ser ignorante o bastante para pensar que o castigo para garotos que invadem o dormitório feminino seja fraco e... – eu a calei um novo selinho que ela quebrou com um tapa no meu rosto. – Se comporte. – ela disse, cruzando os braços.
Eu ri, esfregando o local onde ela bateu.
- Se não falar baixo, será certeza de que nos acharão. – eu disse.
Hermione examinou meus movimentos das mãos na face. Com um suspiro longo, ela retirou minha mão do rosto e começou a massagear o lado que ela havia batido.
Deixei que o fizesse, sentindo a textura das mãos dela no meu rosto e adorei a sensação que me invadiu. Era a mesma que eu tinha quando ela pegava na minha mão. Peguei a mão dela e segurei no meu rosto, para que permanecesse lá.
- Melhor? – perguntou.
- Sim. – respondi.
Ela retirou a mão.
- O que veio fazer aqui? – ela perguntou.
- Já lhe disse. Vim me desculpar.
Hermione voltou a cruzar os braços.
- Estou ouvindo. – ela desafiou.
Bufei de leve. Ainda estávamos sussurrando e, mantendo o tom, disse a ela:
- Hermione, me desculpe. Fui um idiota. Achei meio suspeito o Potter descobrir a pista do ovo no último dia e pensei que você o tinha ajudado. Mas me enganei. Agora sei disso. – ela permaneceu quieta. – E escutei sua conversa. Foi sem querer, mas quando descobri que a conversa era sua, deveria ter saído. Não fiz isso. Desculpe-me. – pedi de novo.
Olhei novamente para ela. Hermione me encarava com os olhos castanhos brilhantes e únicos. Ela sorriu para mim.
- Não tem problema. – ela disse.
- Me desculpa, então? – me assegurei.
- Claro. – ela confirmou.
- Que bom, por que, sabe, como você mesma disse... – ela me calou, não apenas com um simples selinho, mas com um beijo que eu pensei não sentir a muito tempo.
Retribui com tanto entusiasmo que percebi quando ela perdeu o folego e interrompeu o beijo para pegar uma grande quantidade de ar, antes de voltar a colar os lábios nos meus.
Ela interrompeu novamente, como que me provocando.
- ...eu penso com o traseiro. – completei a frase inacabada. Ela riu.
- Desculpe por isso. Eu estava com raiva. – ela se justificou.
- Acho que você tem razão. – eu concordei.
Beijei-a de novo, como se fosse a ultima coisa que faria na vida.
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Nas semanas seguintes, a minha situação melhorou muito. Passei a vangloriar todos os dias da semana, cada um por ser único.
Depois da prova, não havia mais com o que se preocupar, já que ninguém sabia sobre o que era a próxima prova, então não havia para o que se preparar. O que não podia ser considerado uma coisa boa, mas eu considerava.
A biblioteca continuou a ser nosso ponto de encontro de todas as quartas, mas passou a ser um pouco menos usada para fins desse tipo. E eu não podia reclamar.
Por que, além da biblioteca, havia também pontos de encontro melhorados, aumentando drasticamente a qualidade dos amassos, se é que isso era possível.
Agora, todas as noites de sábado e domingo, eu e Hermione podíamos ser encontrados na torre de astronomia, observando as estrelas. Isso havia começado quando eu fiz isso uma vez e ela quis repetir. A partir desse dia, fazíamos isso todos os finais de semana e havia se tornado um ritual.
Continuávamos a nos encontrar na biblioteca, todas as quartas.
Mas, meu novo ponto favorito, eram as noites de segunda e terça, quarta e quinta, quando Hermione podia me escutar sussurrar no seu ouvido que fechasse o cortinado. Ela não tinha condições de reclamar. E não seria eu a fazê-lo.
Eu precisava cada vez mais dela, a cada dia, e não sei se isso podia ser considerado uma coisa boa, mas eu considerava.
Os amassos continuavam nada inocentes, mas nunca passávamos disso. Não era por vontade minha, pois eu adoraria que acontecesse algo mais, porem quando estávamos quase lá, Hermione era quem nos refreava.
Um dia, no dormitório feminino, no meio da noite, eu deslizara a mão para o meio das pernas dela e comecei a massagear. Ela soltara um gemido e quando pensei que finalmente conseguira domá-la, Hermione afastou minha mão. Eu já havia feito aquilo em outras garotas, e para mim não havia problema, mas Hermione não era comum.
E assim ela conseguia me manter interessado em todas as suas reações e eu sempre tentava de novo e cada vez era um progresso. Mas eu nunca tentava nada se ela me afastava, embora ela o fizesse sempre de má vontade.
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N/A: dedico este capítulo para Mademoiselle Delacour que vem acompanhando tudo e comentando.
Deixo claro que ainda não me decidi se vou levar a relação de Mione e Victor mais a sério, estou pensando no assunto.
Comentem.