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10. Capítulo Dez


Fic: Um Saber Desconexo


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 Capítulo Dez:


 “Não espere a separação,


 Para buscar a reconciliação.”


 Era hoje. Pela primeira vez em toda a minha vida, não me levantei para correr. Dei-me o privilégio de acordar tarde neste dia, já que o anterior não fora muito produtivo.


 Sim, eu sabia que qualquer relacionamento, de qualquer tipo, tinha seus conflitos, mas não podia deixar de me sentir triste com essa simples realidade. E pensar que era tudo por causa daquela prova idiota.


 Finalmente havia acontecido, eu e Hermione brigamos um pouco a sério demais.


 Aconteceu ontem, quando eu fugia de um bando de adolescentes loucas. Basicamente, meu relacionamento assumido com Hermione não mudara a opinião delas sobre mim. Enfim, sem pensar, o que acontece com frequência, entrei na primeira porta que vi.


 Mas me deparei com o banheiro dos monitores, onde eu havia estado para desvendar o ovo. Eu ia me retirar assim que os passos das garotas morreram, porem algo chamou a minha atenção: uma luz dourada emanava de debaixo d’agua da banheira. Andei até lá, por mera curiosidade, e olhei dentro da banheira. Havia alguém lá, fazendo a mesma coisa que eu fiz.


 Um monte de roupas na beira da piscina e uns óculos redondos me disseram que era Harry Potter. Engraçado ele ter dedicado um tempo para desvendar o ovo um dia antes da prova. Fiquei imediatamente desconfiado, mas imediatamente deixei o banheiro.


 Mais tarde, estava sentado na biblioteca terminando alguns deveres para compensar o dia da prova de amanhã, no qual não teríamos aula. A alguns corredores de livros, escutei uma conversa nada silenciosa. Logo percebi que me era estranhamente familiar: Hermione, o ruivo e Potter.


 Cheguei mais perto e escutei que falavam sobre o torneio. Espiei e descobri que um ovo dourado se encontrava descansando em cima da bancada.


 - ...Victor deve ter desvendado o ovo. – escutei. (N/A: lembro-me que Harry só menciona Victor e as descobertas dele na ponte com Hermione, mas decidi transferir a fala para deixar a narração um pouco mais fácil.)


 Mas não esperei para escutar a resposta. Eu já havia saído.


 Então, era isso: ela falava de mim para o tal Potter. Talvez não fosse exatamente isso, mas eu não estava consciente sobre nada naquele momento.


 Pouco mais tarde, eu estava em um corredor e ouvi passos. Moody vinha acompanhado por Ronald e Hermione. Pararam em frente a sala de McGonnagal. Esperei que o professor se retirasse.


 Antes que ambos entrassem na sala da professora, percebi que se perguntavam o porquê de McGonnagal os chamar. Conversavam com vontade e pensei que quem visse isso não diria que até ontem estavam brigados. Nem eu, que sabia disso, poderia fazê-lo.


 - Posso falar com você? – me rebelei, ao ver que eles entrariam na sala.


 Hermione finalmente me notou e disse ao tal ruivo:


 - Vai entrando. Já estou indo. – mas ele não o fez. Olhou desconfiado para mim e depois suplicante para ela. Repetiu o circuito mais duas vezes, sempre se demorando mais no rosto dela, até que pareceu se decidir e entrou.


 Ela me olhou.


 - O que foi? – perguntou, se aproximando e passando os braços na minha cintura. Tentei manter minha lucidez.


 Retirei os braços dela.


 - Ouvi que Potter descobriu a pista do ovo hoje. – comentei.


 - Eu sei. – ela disse. – Ele me contou.


 - Então também sabe que eu ouvi quando ele perguntou a você se eu já havia descoberto a pista do ovo. – minha voz saiu incrivelmente rude, mas não tentei controla-la.


 Hermione soltou os braços das minhas mãos e se afastou alguns passos, os olhos confusos, as sobrancelhas juntas.


 - O que? Escuta minhas conversas agora? – ela cruzou os braços.


 - Não me pareceu uma perda de tempo. Acabei de descobrir que fala de mim para ele.


 - Falo de você para eles, por que são meus amigos.


 - Admiti que fala de mim?


 - Sim, mas não desse jeito. Não ajudei Harry com ovo se é isso que esta insinuando.


 - É o que estou insinuando, por que ouvi quando o estava ajudando uma solução para ficar uma hora embaixo d’agua.


 - Teria escutado também que eu disse a ele que não sabia se você tinha decifrado o ovo. Teria escutado que eu estou tentando encontrar uma solução diferente da sua. – ela me parecia indignada e quase me senti mal por gritar com ela. – Mas não. Você prefere tirar suas próprias conclusões antes de falar comigo.


 Eu não respondi, pois ainda não havia me convencido de que ela falava a verdade. Visto que eu não disse nada, ela continuou:


 - Temos uma coisa especial. Eu e você. – ela apontou um dedo para meu peito. – Mas eu não vou deixar meus amigos por causa das suas grises de sei lá o que. – lágrimas inundaram seus olhos. – Eu não sou você e você não é Karkaroff. Não faço as coisas só por que me mandam fazer.


 Um lágrima escapou pelo canto de seus olhos e ela a limpou com raiva.


 - Não sou que sento o meu preciso traseiro na cadeira que Karkaroff manda. E digo ‘precioso’ por que as suas atitudes mostram que é com ele que você pensa. – com estas palavras, Hermione virou as costas e entrou na sala de McGonnagal.


 Totalmente boquiaberto, virei-me e fui em direção aos dormitórios.


 E agora eu estava aqui, estirado na cama, olhando para nada em particular, me lembrando das coisas ditas que deveriam ter ficado presas e as coisas não ditas que deveriam ter sido expressas, me arrependendo de não ter feito nada a respeito de nada. Eu apenas a deixei entrar na sala da McGonnagal, em vez de seguir atrás dela. Eu apenas virei as costas, quando deveria ter ido atrás dela.


 Ambas as minhas alternativas se resumiam em ir atrás dela e me desculpar por ter sido um idiota, por ter escutado a conversa dela e por achar que ela denunciaria minha posição ao amigo dela. Eu só havia me esquecido que ela era Hermione e nunca fazia o que eu pensava ou esperava. Ela era diferente e eu adorava isso nela.


 Com um suspiro que quase saiu como o bufo que deveria ser, eu me levantei e olhei no relógio. Era mais tarde do que eu poderia ter imaginado. O horário de minha corrida tinha sido ignorado pela falta de vontade. Andei até o banheiro para tomar um banho, mesmo sabendo que era ridículo tomar banho antes de nadar. Ah, sim, e para piorar, nadar no Lago Negro, com a lula gigante como companhia. E sem Hermione. Tudo de ruim parecia ter que acontecer ao mesmo tempo.


 Ainda assim, entrei em baixo do chuveiro e deixei que a água morna penetrasse meu sistema nervoso, deixando-me cada vez mais mole, até que finalmente relaxasse.


....................................................................................................


 


 


 Já vestido com uma calça caqui e uma blusa vermelha, usando tênis, a poção que usaria na prova acomodada dentro do bolso da calça e a roupa de banho embaixo das roupas comuns, desci as escadas do dormitório masculino, mas não encontrei ninguém na sala comunal. O que me lembrou de que eu estava terrivelmente atrasado.


 Passei pelo quadro da mulher gorda sem um mínimo de ânimo e me perguntei, por um momento, se Karkaroff me deixaria desistir desse torneio estupido. Já estava cansado de guardar para mim o pensamento de que não queria a glória eterna que o torneio prometia. Mas ele não entenderia e não me deixaria sair.


 Pensar nisso me fez lembrar que Hermione insinuara exatamente isso: eu sentaria meu precioso...hã...traseiro na cadeira que Karkaroff mandasse. Essa era a verdade. Tentei me convencer de que ela só disse aquilo por que estava com raiva e que não pensava exatamente isso de mim, mas não obtive sucesso. O modo como ela disse aquilo soou como algo que estava guardado na cabeça de alguém, louco para sair.


 Andei com um andar estranho, como se mancasse, mas sabia que esse era o resultado da vontade que eu tinha de participar daquele torneio.


 Entrei no salão principal que já estava abarrotado de estudantes. Observei as mesmas torcidas, a maioria guiada pelos gêmeos Weasley, que gritavam algo como:


 - Façam suas apostas! Três garotos e uma dama! Façam suas apostas! - eles diziam. Ignorei a ambos.


 Observei a irmã de ambos os repreendendo e teria até achado graça, mas não seria isso que me faria rir hoje.


 Avistei Mikael, que estava, como sempre, acompanhado por Angelina. Por um momento achei que ela me lançaria um daqueles olhares matadores para mim, como a maioria das garotas fazem para o garoto que terminou com sua amiga, mas ela sorriu e me cumprimentou como sempre fazia, o que me fez concluir que ela ainda não sabia. Tudo isso me fez admirar ainda mais Hermione, pelo seu dom de guardar as próprias mágoas, embora ela me dissesse para fazer exatamente o contrário.


 Afastei o pensamento e me dirigi à Angelina com a mesma hospitalidade:


 - Oi, Angelina. - me virei para Mikael. - Oi.


 Ambos me olharam. O olhar de Angelina foi da hospitalidade para confusão e o de Mikael passou para a preocupação.


 Ignorei a mudança, e me perguntei se estava tão na cara assim o que havia acontecido e a mágoa que me causava. Pensei se causaria a mesma mágoa à Hermione.


 - Aconteceu alguma coisa? - Mikael perguntou. Angelina foi chamada por um bando de amigas e se virou sussurrando algo no ouvido do namorado, dando um beijo rápido nele, e se virando para se juntar as demais.


 Depois de recuperado, meu amigo me fez a mesma pergunta novamente.


 - Nada. - respondi rápido demais.


 - Defina 'nada'. - ele pediu.


 Virei a cara para ele, e me vi procurando Hermione com os olhos, mas não a encontrei. Foi uma péssima idéia. Mikael logo percebeu o que deveria estar óbvio.


 Não encarei os olhos dele, mesmo quando me virei para ele novamente.


 - Brigou com ela? - perguntou, querendo puxar papo.


 Será que seria tão fácil falar com Mikael como era com Hermione? Ela me entendia, com ele teria o mesmo efeito? Sentia vontade de dizer para ele tudo o que aconteceu, mas ele ia dizer que eu estava certo em ter dito essas coisas para ela e tentaria me convencer disso, embora eu estivesse me sentindo um completo idiota por tê-lo feito.


 Decidi contar somente o que ele precisava saber.


 - Sim. - disse apenas.


 Mikael bufou.


 - É claro que brigou. - resmungou alto demais.


 - Não foi por querer. - eu disse.


 - Se não foi por querer me diga pelo que foi, então. - ele pediu.


 Suspirei indignado.


 - Por nada.


 - Nada com certeza será alguma coisa quando sair da boca dela. - ele ameaçou e, para enfatizar o que disse, começou a procurá-la com os olhos no meio da multidão.


 Examinei-o e fiquei paralisado quando ele pareceu encontrá-la.


 - Espere! - eu agarrei o braço dele. Mas senti meus olhos olharem na mesma direção que os dele. Não encontrei nada.


 - Eu não a vi. - ele disse, soltando o braço de meu aperto. - Só estava fingindo para você me contar. - meu rosto se fechou em decepção.


 - Sou um idiota. - desabafei.


 - Vamos. Me diga o que houve. - olhei para ele e me peguei contando a história. Sabia que ele ia me apoiar, mas ainda assim precisava contar para alguém. Precisava que alguém dividisse isso comigo, mesmo essa pessoa sendo Mikael, ou seja, insensível.


 Contei tudo, desde o inicio até quando eu cheguei ao quarto, incluindo detalhes como o modo como Ronald olhou para ela quando eu a chamei para conversar, como as lágrimas que ela deixou cair, até o que eu senti. Demorou alguns minutos.


 Ele me puxou para sentar-se à mesa quando terminei meu relato. Ao nos sentarmos, Mikael me encarou com perplexibilidade.


 - Me diga: você é louco ou quer uma moeda? - ele balançou a cabeça em perplexibilidade.


 Fiquei extremamente confuso, mais do que eu costumava ser. Mas me senti na obrigação de responder.


 - Acho que sou louco. - eu disse desconsolado.


 - Quem vê, pensa que é, sim. - ele comentou. - Me diga o que te fez dizer aquilo à ela? Medo de ser traído? Ela contando todas as suas estratégias para o Potter?


 - Isso é possível. Você mesmo disse isso. - argumentei.


 Ele bufou, exasperado.


 - Disse isso quando você começou a gostar dela, mas penso que se ela conquistou minha confiança e não conquistou a sua, o alvo dela era eu e não você. - ignorei o comentário indecente.


 - Confio nela. - discordei.


 - Confia tanto que brigou com ela por uma razão tão idiota quanto eu. - ele riu irônico. - E ela fisgou a pessoa a errada. - ele continuou com a piada anterior.


 Revirei meus olhos.


 - O alvo dela não era você. Ela nem tinha um alvo.


 - Como pode saber que ela não queria me fisgar, mas perdeu para Angelina, e ficou com você por falta de opções? - ele provocou.


 Meu cérebro se contorceu em desconforto com o raciocínio dele.


 - Eu não sei. - respondi de mau gosto.


 - Saberia se confiasse nela. - Mikael disse. - Mas não dá para pensar em nada disso agora, por que esta quase na hora da prova e por que ela deve estar tão arrasada que nem para o Potter esta torcendo.


 Isso me fez levantar o olhar e procurar por ela. Será que ela estava mesmo arrasada? Eu não a tinha visto nem uma vez hoje e Mikael também não.


 - Pergunto-me por que o Potter esta sozinho. Afinal, onde esta aquele ruivo que ficava com ele? - Mikael continuou o pensamento, distraído com as próprias palavras e devaneios.


 Meu subconsciente deu um salto. Onde estava o ruivo? Procurei por ele com ainda mais vontade, mas não o encontrei em nenhum lugar possível. Ele havia sumido, assim como Hermione, e a idéia de eles dois juntos e sozinhos não me agradava nem um pouco.


 Meu amigo me observou e, vendo minha raiva misturada com o desespero, continuou a me provocar:


 - Mas é claro que Potter não teve tempo para ajudar 'a das curvas' por causa da prova, então não se importou de o ruivo perder a prova para ir consolá-la. - e riu.


 Olhei para ele bufando de raiva, o que o fez rir mais. Metade da minha raiva se dava ao fato de ele chama-la de 'a das curvas'. Eu odiava o apelido. A outra parte se concentrava exclusivamente nas palavras dele.


 - Não esta ajudando. - resmunguei.


 - Você não ficaria preocupado se confiasse nela. - ele disse repentinamente sério.


 Preparei minha melhor resposta, mas McGonnagal apareceu chamando a Grifinória inteira para a prova e eu tive que segui-la. Uma última vez, me virei para o salão e o vasculhei com o olhar, procurando por ela, mas não a encontrei e Potter seguiu sozinho o mesmo caminho que eu. Não voltei a olha-lo.


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 Meus olhos encontraram a água negra do lago. Eu estava na plataforma de onde os campeões pulariam para procurar algo, de acordo com Dumbledore. Nenhum de nós sabia o que precisava levar para a superfície. Estávamos todos encarando a água negra, em fila, preparados para saltar assim que o canhão soasse. Fleur era primeira da fila, depois vinha eu, então Cedrico, depois Potter.


 Devagar, peguei o vidrinho de poção que eu segurava com força e abri a tampa. Meus braços tremiam, embora eu ainda não tivesse sentido o frio da água. Perguntei-me se seria tão frio quanto estava o olhar de Karkaroff sobre mim. Lentamente, virei a poção na boca, sentindo gosto de água salgada e peixe cru. Engoli-a de uma vez e senti a mesma sensação de quando engoli agua do mar quando era pequeno, na minha primeira visita à praia.


 Neste mesmo momento, o canhão soou e eu pulei dentro da água negra, que já não parecia tão negra assim. Sabia que podia respirar, mas não tinha completa certeza disso. A transformação me causava uma sensação engraçada na boca do estomago.


 Não podia perder tempo. Só tinha uma hora para encontrar o que quer que fosse e, sem hesitar, comecei a nadar, o que se mostrou fácil e simples. Ainda tinha receio de respirar, mas houve um momento em que meus pulmões pediram por isso. Me rendi e deixei-me respirar, o que parecia idiotice quando estava em baixo d'agua. Mas o ar invadiu meus pulmões com normalidade.


 Sem perder tempo, nadei com velocidade pelo lago negro, procurando o que quer que eu tenha que encontrar, prestando atenção em tudo o que me parecesse estranho e curioso, mas quando se esta nadando no lago negro, tudo parecia diferente.


 Assim, passei a maior parte do tempo, prestando atenção em coisas que, depois de examinadas, pareceram banais e sem finalidade.


 Por fim, vi Fleur sendo puxada para baixo por algo que não pude definir o que era. Por um momento quis ajudar, mas me lembrei de que ela não sofreria dano algum e voltaria para a plataforma. Seria considerada desclassificada da prova, nada mais do que isso.


 Pouco à frente dela, avistei Potter. Ele tinha uma aparência engraçada: tinha guelras, membranas nas mãos e os pés estavam parecidos com pés de pato. Segurava a varinha em uma mão e a outra impulsionava o corpo para frente. Ele batia os pés de pato, nadando com a mesma facilidade que eu, mas ainda estava muito na minha frente e nadava com igual rapidez.


 Ambos vimos quando um sereiano surgiu do nada e me perguntei se era isso que havia puxado Fleur. Não encontrei Cedrico.


 Potter seguiu o sereiano com facilidade e eu segui Potter. Não segui-lo, mas seguindo o sereiano também, afinal, uma das conclusões pelas quais cheguei ao desvendar o ovo, envolvia essas criaturas, embora eu sentisse repulsa da parte delas e da minha também.


 Seguimos assim, um seguindo o outro, pelas aguas negras, que já não eram negras. O lago não era como outras águas: ele não era escuro no fundo e claro a superfície, mas ao contrário. Me parecia fascinante essa descoberta. Hermione teria adorado saber disso, embora eu desconfiasse que ela já soubesse e talvez soubesse até a razão por trás disso. Mas presenciar, era outra coisa. Era ver com os próprios olhos.


 A sensação logo morreu quando chegamos ao que parecia um castelo em ruinas, mas em ruinas, o que deixava a visão ainda mais impressionante. A questão é que, ao vê-lo, descobri o que precisava encontrar e levar para a superfície. Descobri que Hermione já havia presenciado o fundo do lago, sem saber que o fizera. Tudo isso me fez pensar de supetão se eles eram loucos. Como poderiam fazer isso? Pegar coisas tão importantes de nós, para que nos sintamos ainda piores e incapazes se não conseguíssemos salva-las.


 Nesse momento de reflexão, Potter se adiantou e soltou Ronald, que estava preso ao lado de Hermione, Cho Chang e uma miniatura Fleur Delacour. Vi que ele hesitou quando seu olhar caiu sobre Hermione. Se preparou para soltá-la, mas um sereiano o impediu.


 Claro. Isso era tarefa minha.


 Nadei rapidamente até o local, espantando todos os sereianos presentes com a minha chegada. Afinal, ter se transformado em tubarão tinha suas vantagens.


 Abocanhei a corda que a mantinha presa ao fundo e a puxei pela mão, seguindo até a superfície. Troquei um olha cumplice com Potter, que dizia que a amiga dele ficaria bem.


 No meio do caminho, examinei o rosto dela: mantinha os olhos fechados e bolhas saiam da boca dela, que estava entreaberta. Um rosto sem vida. A beleza não deixou a face dela, mesmo estando no estado em que estava.


 Emergimos juntos. Senti o encanto deixar meu corpo ao entrar em contato com o ar.


 Com alivio, vi quando ela começou a respirar. Seus olhos encontraram os meus, mas ela desviou o olhar com rapidez.


 Cedrico já havia chegado e Fleur estava desesperada.


 Fomos ajudados para entrar na plataforma e escutei toda a Durmstrang comemorando audivelmente. Como previsto, Fleur estava desclassificada da prova e, assim, Cedrico havia sido o primeiro a retornar, embora eu soubesse que o primeiro a encontrar nossos supostos ‘tesouros’ foi Potter, que ainda não chegara.


 Sem muita cerimonia, fomos cobertos de perguntas que se resumiam em:


 - Como esta se sentindo?


 - Esta com muito frio?


 - Sentiu algo que não deveria ao beber a poção?


 Respondi a todas automaticamente, sem muita vontade, meus olhos vagando para Hermione que respondia perguntas semelhantes. Não pude deixar de reparar que ela estava linda: os cabelos molhados grudados no rosto. Mas não expressei o pensamento, porem sabia que teria sido uma boa idéia expressá-lo para ela.


 Quando finalmente ambos estávamos cobertos com roupões e cobertores, decidi me aproximar. E quando o fiz ela deu um salto do lugar onde estava e arfou.


 - Rony. – sussurrou e sumiu de minha vista. Sem pensar, segui-a e vi quando ela abraçou o ruivo suavemente, perguntando se ele estava bem.


 Esquentei-me ligeiramente de ciúme, enquanto o ruivo corava ao receber um beijo de Fleur, mas eu poderia afirmar que não foi por minha companheira no torneio beijá-lo. Ele havia corado por causa de Hermione. (N/A: esse momento não existe nem no livro, nem no filme, mas achei que valeria a pena acrescentá-lo.)


 Logo depois, Potter desaba no chão da plataforma com um estrondo. Hermione se virou para ele e o abraçou com muita mais força do que fez com Ronald.


 - Harry! – ela disse um pouco alto demais.


 - Hermione! – ele exclamou de volta.


 Eu observei a situação com algum ciúme e pouca perplexibilidade, pois era totalmente ‘hermionesco’. Ela não fez nada disso comigo, mas eu não poderia pedir nada melhor, nada pior.


 A conversa continuava:


 - Você esta bem? – ela não esperou resposta. – Esta congelando. – observei enquanto Hermione tirava o cobertor que estava em volta dela mesma e cobria Potter. – Para mim sua atitude foi admirável.


 - Mas cheguei em último. – discordou ele.


 Neste momento, Dumbledore anuncia que a atitude de Potter merece um segundo lugar. Ótimo.


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N/A: esse capítulo foi exclusivamente elaborado, pois achei que mesmo Mione e Victor precisam de conflito. O resultado foi o que você acabou de ler. Contem-me o que acharam.


 Dedico esse capítulo a J.K Rowling e a sua péssima visão do lado que Harry Potter não presencia, dando para mim e outros autores a chance de explorar esse lado.


 Comentem!

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Comentários: 1

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Enviado por Mademoiselle Delacour em 25/04/2011

Todas fics de 'encaixe' são graças a péssima visão do lado que Harry Potter não presencia né? huhauhuaha 

Com esse conflito agora eles são definitivamente um casal XD Indo pro next

Bjoos :*

Nota: 5

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