Capítulo Oito:
“Não espere pessoas perfeitas,
Para então se apaixonar.”
Eu me olhava no espelho. Tecnicamente, estava bom. A camisa branca estava abotoada até o último botão, como era de meu costume fazer todas as vezes que eu vestia um traje a rigor.
A calça vermelha estava definitivamente bem em mim e combinava com a parte de cima do paletó. Ou smoking. Ou sei lá o que era aquilo. Mas era óbvio que combinaria, um era par do outro.
Vesti os sapatos um pouco depressa demais. Estava ansioso. Calma, ordenei para mim mesmo e recomecei o processo.
Ao terminar, acabei de vestir o traje vermelho e me olhei novamente no espelho. O resultado era bom, mas faltava algo.
Gravata. Comecei a procura-la o mais depressa possível. Não podia me atrasar. Que horas eram? E aonde esta a maldita gravata?
Percebi que Mikael me observava com olhar divertido, mas ignorei-o e continuei a procurar a gravata até me dar conta de que meu traje não usaria gravata, nem mesmo o de Mikael, nem o de milhares de estudantes da Durmstrang. Cortesia de Karkaroff, que ordenara que usássemos os mesmos trajes.
Haveria coisa mais imbecíl que essa?
Derrotado, me sentei na cama e respirei fundo. Nervosismo por causa de um baile não era o meu forte, normalmente.
- Calma. – escutei Mikael dizer para mim.
- Eu sei. – disse. – Disse isso para mim mesmo o dia todo. – resmunguei.
Ele riu.
- Isso não faz parte da sua personalidade. – ele comentou. – O que essa garota fez com o meu amigo? – e riu mais um pouco.
- Quer que eu pergunte? – sugeri.
- Estaria me fazendo um favor.
Eu ri frustrado.
- Combinou com Angelina que horas? – perguntei.
- Ás oito. – ele respondeu. – E você?
- Oito também.
Fizemos uma pausa, na qual Mikael se ocupou em colocar os sapatos e ajeitar os cabelos.
- Vamos descer? – perguntou ele depois de um momento de amigável silencio.
Respirei fundo.
- Claro. – e me levantei.
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Ao chegarmos ao salão principal, me deparei com uma McGonnagal louca de preocupação que estava atrás de mim. Ela me instruiu sobre o que fazer quando o sinal tocasse, e sobre que música iriamos dançar, e que eu e os outros campeões começaríamos dançando.
Ela me perguntou sobre o Potter, mas eu não sabia dele.
Mikael me fez companhia até que Angelina desceu as escadas: ela usava um vestido verde claro longo com alças finas. As tranças haviam abandonado os cabelos longos, que estavam presos em um coque elegante. Sem dizer nada, um Mikael sorridente quase correu na direção dela e a tomou pela mão.
Neste mesmo momento, desceram Potter e o ruivo Ronald. O primeiro estava com um smoking preto extremamente elegante, mas o segundo estava com roupas iguais a da minha avó e não tinha uma cara muito feliz.
O que era aquilo que ele tinha em volta do pescoço? Uma gravata? Quando ele recebeu o pacote, eu podia jurar que era uma touca. Segurei uma risada, mas não obtive sucesso.
Quase na mesma hora, duas garotas morenas que usavam um vestido igual rosa, desciam na direção dos dois.
Examinei o ambiente. Estava muito diferente. As mesas eram redondas com toalhas verdes claras e cadeiras com estofado verde escuro. O céu exibia um branco que descia em uma neve estranhamente elegante, mas que antes de chegar às nossas cabeças, se dissipava. No meio de tudo uma pista de dança engenhosamente elaborada, ainda se encontrava fazia.
Fleur já estava acompanhada e Cedrico estava com Cho Chang, uma garota que eu só conhecia de vista, mas que despertava olhares de Harry Potter.
- Ela está tão bonita. – exclamou a acompanhante de Potter, mas não se referia a Cho, embora eu e o Potter pensássemos que sim.
Ambos seguimos o olhar dela e eu quase desmaiei o que pareceu muito estranho.
Hermione. Ela descia as escadas, pisando de leve, por medo do salto, imaginei. Usava um vestido meio rosado, com decote em V, com mangas soltas, deixando aparecer bem o pescoço. O vestido se ajustava um pouco na cintura dela e descia em camadas, o rosa se tornando mais escuro. O cabelo, normalmente cheio, estava sedoso e habilmente preso em um coque que propositalmente deixava cachos caírem pelo ombro dela.
Sem hesitar e quase que automaticamente, fui até ela, tomando a mão dela e depositando um beijo suave.
- Eu vi isso no Titanic e sempre quis fazer igual. – eu sorri e ela riu com o comentário bobo. Ficava tão bonita sorrindo.
Guiando-a pela mão, segui McGonnagal que quase gritava para que ficássemos em fila e entrássemos na pista de dança.
Os estudantes formavam uma fila para nos receber. Passamos pelo meio dela recebidos por palmas e mais palmas e também alguns gritos.
Fiz questão de olhar bem para a cara do ruivo, que tinha um brilho matador no olhar e as orelhas estavam tão vermelhas quanto os cabelos. Sorri para ele, que bufou. Hermione permaneceu indiferente a essa comunicação silenciosa. Como sempre.
Seguimos assim até chegarmos todos ao meio da pista de dança, onde eu a posicionei de frente para mim.
- Pronta? – perguntei a ela, minha voz estava soando radiante.
- Espero me lembrar de todos os passos. – ela riu de leve.
- Vou ajudar você. – garanti.
Posicionei nossos corpos da maneira correta e esperei que a música começasse. Assim que esta o fez, deslizei com uma Hermione sorridente e corada pela pista iluminada.
Foi fácil dançar com ela. Claro, tivemos que ensaiar os passos com McGonnagal dias antes do baile, então era de se esperar que isso acontecesse. Ela era extremamente fácil de guiar e me pareceu leve quando tive que levantá-la.
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O resto da noite correu com muitas risadas e divertimento. A comida estava ótima e durante todo o jantar, Hermione tentou me ensinar como se pronunciava o nome dela corretamente.
Era de meu costume chama-la de ‘Hermión’, por que achava que a pronuncia soava bem desta forma, mas ela parecia não gostar. E, sim, era lógico que eu sabia falar o nome dela, apenas adorava o sorriso inteligente que ela dava ao me ensinar.
Potter a observou e ela jogou um adeusinho rápido para ele, mas voltou sua atenção para mim. Adorei aquilo com particularidade.
Depois do jantar tomei a mão dela para que dançasse comigo novamente, simplesmente pelo fato de eu adorar o corpo dela colado ao meu. Dançamos tantas músicas diferentes, que meus pés começaram a doer, mas eu não me importava.
Avistei Mikael se agarrando com Angelina, e ri. Hermione também vira e riu comigo.
Observei Ronald e Potter sentados com duas acompanhantes entediadas. Ambos olhavam para mim e para Hermione e diziam alguma coisa. O ruivo ainda tinha as orelhas vermelhas e parecia querer me assassinar, enquanto Potter nos olhava indiferentemente, o que me fez pensar se ele não havia aprendido isso com Hermione, mas nada disse a ela.
- Minha nossa, esta muito quente aqui! – ela exclamou ofegante.
Eu sorri para ela.
- Venha, vou pegar uma bebida para nós. – eu a puxei pela mão, que se deixou levar por mim.
Deixei-a me esperando perto da escadaria, mas ela avistara os amigos e me avisou que estaria com eles. Não queria que ela fosse, mas ainda assim, antes de sair, depositei um beijo na mão dela, que corou de leve.
Fui até a mesa de bebidas e peguei cerveja amanteigada para nós o mais rápido que pude.
Mas encontrei Mikael no caminho, com Angelina ainda pendurada nos braços dele.
- Como esta a noite? – ele me perguntou.
- Ótima. – eu disse radiante. – Não vou perguntar a mesma coisa para você, por já sei a resposta. – eu comentei e Angelina corou.
Deixei os dois e fui em direção à Hermione.
No meio do caminho de volta, eu a vi sentada. Dei mais alguns passos, mas paralisei ao ouvir Ronald dizendo:
- Ele é da Durmstrang. Esta confraternizando com o inimigo.
Inimigo?! Potter permaneceu calado.
- Inimigo?! – Hermione pareceu pensar a mesma coisa que eu. – Quem é que queria um autógrafo do Victor?
Paralisei. Ele queria um autógrafo meu? Mas não tive muito tempo para pensar, pois ela já estava falando novamente:
- Um dos motivos do torneio é a confraternização de magia. (N/A: não sei se é exatamente isso) – ela parecia inconformada. – Fazer amigos!
Ronald bufou.
- Acho que ele quer ser muito mais do que um amigo. – comentou e eu arfei. Estaria tão na cara assim?
Hermione não disse nada. Ela se levantou e se virou como se fosse dizer alguma coisa, mas pareceu desistir e veio na minha direção.
Seus olhos estavam marejados. Ah, eu ia matar aquele maldito ruivo.
- O que foi? – perguntei. Estava começando a me desesperar.
- Nada. – ela olhou na direção do ruivo com rancor nos olhos e eu gostei daquilo, embora esse não fosse o momento.
- Não me parece nada. – eu disse.
Estendi a cerveja amanteigada na direção dela, que sorriu e pegou dando um gole. Fiz o mesmo.
- Quer me contar? – perguntei.
- É idiotice. – ela me avisou.
- Uma coisa que te faça chorar não é idiotice para mim. – eu a puxei para um lado deserto da festa. E ela se deixou levar por mim.
A verdade é que eu a queria fora de vista do ruivo idiota.
- Comece. – pedi.
E ela me contou tudo, desde a primeira palavra que foi dirigida à eles, Potter estava no meio, até quando ela se juntou novamente a mim.
Cheguei à conclusão mais óbvia: ele estava com ciúmes.
Lembro-me que cheguei a rir do fato de que ele gostava dela, mas isto me parecia uma barreira problemática no momento.
Puxei-a para dar uma volta comigo.
Andamos assim, de mãos dadas, por um tempo absolutamente curto. Ora, vamos, já está na hora de acontecer alguma coisa! Disse a mim mesmo.
Virei-me para ela, parando de andar, e encarando os olhos castanhos. Coragem.
- Sabe, Ronald tem razão. – disse a ela, que me encarou confusa.
- Sobre o que? – perguntou.
Respirei fundo. Fazia parte do charme dela complicar as coisas e eu a considerava um desafio.
- Sobre eu querer ser mais do que seu amigo. – falei.
Ela corou. Não sabia se isso era um sinal para eu avançar mais, ou simplesmente parar por ali. Mas ainda assim, me aproximei mais, uma intenção expressa nos gestos. Ela pareceu compreender.
- Eu nunca fiz isso. – disse, mas não se afastou.
- Não se preocupe. – assegurei. – Vou mostrar a você. – eu disse. (N/A: todas as vezes que eu escrevo algo sobre ‘mostrar’ ou ‘ensinar’ me parece carregado de segundas intenções, mas queria deixar claro que a intenção não é essa. Talvez desta vez, apenas. Rsrs.).
Peguei as duas mãos dela e coloquei de leve na minha nuca. Percebi que as mãos dela tremiam. Com gentileza carregada de firmeza, enlacei a cintura dela, trazendo-a para mais perto.
- Agora feche os olhos. – instrui. E assim ela o fez. Cheguei tão perto que podia sentir sua respiração ir e vir.
Concentrei minha atenção nos lábios cheios da garota aos meus braços e tive vontade de esmaga-los com os meus, mas lembrei a mim mesmo para ter cuidado, pois era o primeiro beijo dela, pois ela tinha quatorze anos e por que eu queria que meu beijo fosse bom o bastante para fazê-la querer repetir a dose.
Assim, suguei seu lábio superior com gentileza, depois mudei o gesto para o inferior. Superior de novo e ela já estava me acompanhando. O gosto dela penetrou em mim junto com um calor agradável que me fez querer mais, mas mantive a calma.
Devagar, minha língua pediu passagem pelos lábios dela e senti-os se separar. Totalmente livre, invadi aquela boca macia e úmida.
A sensação foi a melhor possível. Meu coração palpitava com irregularidade. Hermione acompanhava meus movimentos com perfeição e descobri que ela beijava bem. O que não ajudava a manter minha lucidez.
Os dedos da garota se entrelaçaram no meu cabelo. Sem pensar, encostei-a na parede. Pensei ter sido bruto, mas ela não reagiu. Isso me encorajou.
Interrompi o beijo em selinhos, aproveitando para respirar. Meus lábios passaram pelo canto da boca dela, indo pela bochecha até a orelha que eu mordisquei de leve. Senti que ela estremeceu.
Ainda mais encorajado pelas reações dela, passei da orelha para o pescoço e fiz o caminho de volta, depositando um beijo no queixo e voltei aos lábios. O gosto dela estava nos meus lábios. O cheiro dela era inebriante.
Não sei exatamente quando perdi a vergonha na cara. Mas receio que tenha sido quando ela, que aprendeu rápido demais, prendeu meu lábio inferior entre seus dentes e puxou de leve.
Quando dei por mim, minha mão havia descido da cintura para aquela parte que a maioria das garotas não gosta que rapazes toquem a não ser que tenham permissão, ou que tenham alguns meses de namoro.
A reação dela foi a pior possível.
Hermione abriu os olhos e desgrudou os lábios dos meus. Os olhos castanhos estavam arregalados. Minha mão voltou para o lugar de onde não deveria ter saído. Mas continuamos na mesma posição: ela encostada na parede com as mãos na minha nuca, nossos corpos unidos, minhas mãos na cintura dela. Interpretei isso como um bom sinal.
Certo, a situação era um tanto constrangedora. De onde eu venho, quando duas pessoas estão em um amasso nada inocente e uma mão vai parar naquele lugar onde a minha estivera, com certeza um dos dois pensaria nisso como um convite ingênuo para sexo. Nem todos sabiam disso.
Mas eu havia me esquecido que Hermione com certeza deveria saber. Embora minha intenção fosse apenas um bom amasso, nada mais do que isso.
- Desculpe. – dizendo isso, me soltei dela.
- Sem problema. – ela estava ofegante, os lábios meio vermelhos, o penteado estava se desfazendo, e ela continuava encostada na parede. Mas seus olhos estavam cheios de alívio. Ela olhou para mim. – Acho que exagerei. Mas eu não sou perita no assunto. – e riu.
Fiz o mesmo.
E para minha completa surpresa, ela atravessou o lugar, colocando as mãos, uma em cada lado da minha cintura e me encostando na parede.
Perdi o folego. Ela aprendia rápido.
Hermione deixou uma mão ainda na minha cintura, mas a outra encontrou a minha e a colocou na... No lugar onde eu havia posto sem querer e querendo ao mesmo tempo.
Antes que eu pudesse pensar, ela colou os lábios nos meus, fazendo os mesmos movimentos que eu fiz no inicio.
Minha nossa!
- Victor!
Alguém gritou meu nome e algo aconteceu, por que ela se afastou de mim e se postou ao meu lado. Olhei em volta irritado, procurando o autor da proeza quando me deparei com Mikael. E Angelina, claro.
Era ele que havia gritado o meu nome.
- Ah, deixe para lá. – ele riu. – Tinha uma estudante no seu rosto, mas já saiu. – e ele riu mais.
Hermione corou loucamente, mas deu um sorrisinho envergonhado.
Angelina deu um tapa em Mikael.
- Não faça escândalos. – ela repreendeu-o. Puxando a mão dele, ela o arrastou para fora do nosso campo de visão, dando uma piscadela para Hermione ao passar.
Ela olhou para mim e riu. Eu ri também diante da situação.
- Desculpe. – ela disse, em meio a risos.
Dei um leve selinho nela.
- Vamos. – e eu a puxei em direção ao corredor que levava aos dormitórios. Passamos pelo retrato da mulher gorda e trocamos um último beijo rápido.
Eu a observei subir para o dormitório feminino, depois me encaminhei para o masculino.
Deixei-me cair na cama, deleitando o gosto dos lábios dela que ainda estava nos meus.
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N/A: retirei a cena do filme em que Rony e Mione brigam após o baile, por que ficaria difícil encaixa-la no capítulo, mas espero que tenha ficado bom. (no mínimo)
Outra coisa, achei que a palavra ‘bunda’ ou ‘nadegas’ não combinaria com o índice de pensamentos de Victor, por isso usei outras expressões. Espero que tenha ficado fácil de entender.
Dedico este capítulo à minha amiga Monique, que foi quem descobriu os versos que coloco no inicio de todos os capítulos.
Comentem, pois cada comentário me deixa ainda mais inspirada e encorajada para continuar.