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7. Novos começos, novos personage


Fic: Reunion - Hiatus


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Capítulo 7 – Novos começos, novos personagens


 


1°de agosto/2008 – Apartamento Lovegood-Granger


 


            -Luna! Você já acordou?


            -Já! O que foi? Estou na cozinha tomando meu café-da-manhã, você não vai comer não?


            -Não! Eu estou atrasada já! São vinte pras sete, meu primeiro dia começa daqui a vinte minutos e eu não achei minha blusa branca social! E antes ainda tenho passar na secretaria pra pegar minha grade e achar a sala, que é mais difícil! E tudo isso sem dar de cara com o Harry! Luna, você viu minha blusa? – Hermione estava procurando no armário sua blusa, enquanto Luna já estava pronta pra sair. – Achei. – murmurou para si ao encontrar a blusa branca e começando a abotoá-la já saindo do quarto.


            -Mione, nem vem! Pelo menos um café você vai tomar! – Luna levava uma caneca cheia de café puro e quente até o quarto da amiga. Mas antes que Hermione pudesse recusar as duas deram um encontrão à porta, onde Luna derrubou boa parte do café na blusa da outra. – Oh Merlin! Desculpa Mione! Como eu sou desastrada.


            -Uiii.. está..está t-tudo bem Luna! Eu..ai está quente! Me empresta a sua blusa branca de botão? – disse Hermione retirando a blusa.


            -Er..você quer dizer essa aqui?- indagou a loira apontando para o corpo. – Alô! Terra para Hermione! Esqueceu que meu curso é de medi-bruxa? Eu preciso usar roupas brancas!


            -É mesmo. Desculpa é que eu estou tão nervosa! Dez pras sete! Luna pega qualquer blusa ai pra mim que eu vou ao banheiro rapidinho passar uma água aqui onde você derrubou café! – e entrou no banheiro da suíte. Magicamente, Hermione e Luna haviam aumentado o apartamento para duas suítes, uma sala e uma espaçosa cozinha. Atendendo ao pedido, Luna pegou a “primeira” blusa no armário de Hermione.


            -Pronto Mione! Agora eu já vou. Onze e quarenta eu passo lá de carro pra te buscar e nós almoçamos juntas ok?Já vou! – e saiu do apartamento. “Pelo menos se ela vir o Harry hoje, feia é que não vai estar”.


-Ai Luna, não acredito que você pegou essa blusa! Mas agora não tenho tempo! – a blusa que Luna pegara era preta sem mangas. Era tipo um top, mas era presa atrás do pescoço e terminava bem no umbigo solta, como uma bata. “Ótimo! Uma primeira impressão muito descente vou causar! Muito obrigada Lovegood!”.Hermione colocou a blusa e um casaco simples cinza que estava no porta-casacos ao lado da porta. Pegou a bolsa, os pergaminhos e desaparatou do lado de fora do apartamento no hall específico para a movimentação.


            Eram cinco para as sete quando Hermione entrou na secretaria do quinto andar, onde fora informada que as grades estavam pregadas em um grande quadro de avisos no primeiro. Mione soltou um muxoxo, desgostosa com a informação e quando perguntou, um pouco histérica demais, se outra pessoa não poderia pegá-lo a secretária disse que todos os aluno podem ver todas as grades, mas só podem pegar suas próprias.“Ótimo, aposto que o Harry já viu meu nome ali no meio e vai estar lá me esperando com a maior cara :Você voltou e não me disse? Ah é, talvez ele esteja lá, mas se agarrando com a loira patricinha”. Ao chegar ao primeiro andar o que aconteceu foi bem diferente: além de Hermione, um amontoado de alunos aparentemente do primeiro ano se atropelavam para tentar alcançar suas grades. – Ótimo, vou chegar atrasada na primeira aula que eu nem sei qual é!


            -Precisa de ajuda? – um homem que devia estar no mínimo no terceiro ano, cabelos e olhos castanhos claro, quase mel. Sorriso perfeito. – Prazer, Jason Noair.


            -Hermione Granger, prazer. – Hermione estendeu a mão ainda encantada como sorriso do homem. – Oh sim, eu preciso da minha grade, mas como pode ver... – disse apontando o aglomerado de alunos.


            -Hum... segundo ano estou certo? – Hermione fez que sim com a cabeça. Jason retirou a varinha de um bolso da calça, murmurou algo e, logo em seguida, a grade de Hermione estava na sua mão. – Aqui está. Estudo Avançado de DCAT, Profº Remo J. Lupin, sala 32 - terceiro andar. Mas acho que pela sua cara não faz idéia qual seja essa sala não?


            -Tudo bem Jason, daqui assumo eu. – Lupin dispersava o aglomerado de alunos e se dirigia a Hermione e Jason.


            -Remo! Ou devo dizer Profº Lupin novamente? – disse Hermione divertida abraçando o ex-atual professor.


            -Bom, só nas aulas. Pode me chamar de Remo fora delas, mas vamos, a classe já deve estar toda lá. Noair... – disse Remo saindo com Hermione dando um pequeno aceno de cabeça a Jason.


            -Boa sorte Hermione! – Mione só deu um tchau de longe. Chegando a sala Hermione pôde ver de longe um casal familiar. Remo foi indo na frente enquanto Hermione observava Harry e Wendy entrarem na classe. Percebeu que o moreno virava a cabeça em sua direção, virou o corredor e esperou até eles entrarem na sala. A sala era em declínio, sendo que a porta estava na parte mais alta dela. Harry e Wendy estavam sentados nas primeiras fileiras e, por sorte, havia um lugar na fileira mais próxima a porta, assim logo que a sineta tocasse, ela poderia sair antes que Harry a visse.


            -Bom dia! Bem-vindos ao seu segundo ano na Escola de Aurores. Como mostra o horário de vocês, hoje o EA de DCAT é duplo, teoria seguido de prática, mas como este é só o primeiro dia, faremos uma revisão geral do que vocês aprenderam, só pra relembrar e tirar possíveis dúvidas. – Lupin começou a aula. Após alguns assuntos e revisões, havia muita matéria a ser copiada. Penas de repetições automáticas eram proibidas da EA. Hermione já havia terminado de copiar toda matéria e agora observava Wendy (que estava com uma saia jeans curtíssima e uma blusa pink de alçinha combinando com o sapato de bico fino e a bolsa igualmente pinks) acariciar o ombro de Harry enquanto dizia alguma coisa, este por sua vez, só olhou para ela retribuindo o sorriso. Só nesse momento que se lembrou que não tinha visto o resto do seu horário. “Segunda: dupla de EA de DCAT; L.S.V; legimência; almoço; oclumência e DCAT dupla. Ok, segunda até que está legal”.


            -Tudo bem, acho que todos já copiaram a matéria. Agora vocês têm 5 minutos para um pequeno intervalo e na volta vou pedir demonstrações básicas: patronos, azarações para bichos papões etc. - Na volta, a sala estava totalmente diferente: as fileiras haviam sumido e parecia um grande salão, mas ainda continuava funda.


            -Hum... Srta.Dawson, poderia nos mostrar o seu patrono?


            -Claro professor. Expecto Patronum. – Wendy bradou o feitiço e de sua varinha, saiu uma zebra prateada, mas que logo desapareceu.


            -Só por curiosidade, que lembrança a senhorita escolheu?


            -Meu primeiro dia de aula na EA. - Disse com um sorriso malicioso, mordendo o canto do lábio inferior e lançando um olhar de esguelha para Harry; que estava um pouco atrás dela. Hermione observou de longe, se segurando pra não ir lá para frente e mostrar como se faz um patrono de verdade. Harry além de constrangido sentiu–se como se estivesse sendo observado por alguém cheio de ódio, enquanto uma lembrança ocupava sua mente.


 


*Lembrança do Harry*


            Era seu primeiro dia na EA e Harry estava mais perdido do que em Hogwarts quando avistou um aglomerado de alunos em volta de um quadro. Ele ia se aproximando para procurar sua grade quando sentiu um esbarrão e um peso sob si.


            -Oh... desculpe! Oh Merlin! Harry Potter, eu derrubei Harry Potter! – uma loira usando uma calça jeans apertada e uma bata amarela saía de cima dele tentando se recompor.


            -Tudo bem? Você se machucou? – ela balançou a cabeça negativamente. – Bem, meu nome você já sabe, mas e o seu? – disse tentando ser simpático.


            -W-wen... Sou Wendy Dawson. Prazer. - Coincidentemente, todas as aulas de Wendy eram iguais as de Harry. - E então Harry, almoça comigo? – disse ao final do primeiro período.


            -Claro.


~*~


            Já eram nove horas da noite e Harry e Wendy estavam na biblioteca fazendo os deveres de revisão do dia.


            -Bom, tenho que ir. Não sou local e a biblioteca pra mim fecha as nove, então, boa noite. - Harry fechou seu livro e guardou suas folhas. Levantou-se e sapecou um beijo estalado no rosto de Wendy. Colocou o livro na mochila e saiu. Wendy ficou uns cinco minutos fitando as folhas a sua frente, sorrindo bobamente para o nada quando percebeu algumas folhas com uma caligrafia diferente da sua. “Devem ser do Harry! Talvez ele ainda esteja aqui”. E saiu correndo, mas ao virar o corredor trombou com alguém.


            -Desculp.. Harry! Eu estava te levando suas anotações.... – mas parou de falar ao fitar os olhos verdes de Harry.


            -Wendy...eu... – mas nem pôde terminar de falar, pois sentiu os lábios de Wendy sob os seus. Harry não repeliu a garota, mas também não correspondeu o beijo com igual intensidade.  – Wendy desculpe, mas eu só vim pegar minhas anotações e... eu ainda amo minha ex- namorada.


            -Certo..eu, oh, que vergonha. Desculpe. Bem, aqui estão suas anotações. - e virou de costas, mas parou. – Não estou pedindo que goste de mim. – murmurou antes de dar um selinho em Harry e voltar à biblioteca.


*Fim da lembrança*


 


            -Certo, bem senhor Potter pode nos demonstrar o seu patrono? – Lupin pediu a Harry, despertando-o de sua lembrança.


            -Claro. Expecto Patronum. – Harry bradou e um cervo prateado saiu de sua varinha, caminhando até o fim da sala e desaparecendo.


            Todos ficaram impressionados com a demonstração de Harry. Hermione ficou do outro lado da sala, treinando seu patrono e recebendo elogios de colegas de classe e de Lupin.


            A sineta tocou mais uma vez e Hermione foi uma das primeiras a sair. Seu armário era perto da sala 22, onde teria Transfiguração na terceira aula do período da manhã de quarta feira. Ela estava arrumando suas coisas e pegando sua roupa de ginástica; já que tinha cinco minutos para trocar-se para aula de luta sem varinha quando ouviu a voz de Harry não longe dali. Olhou por entre as frestas da porta do armário viu a sua esquerda Wendy. “Perfeito. O armário da loira patricinha é ao lado do meu!”.


            -Mas só por curiosidade Harry, qual foi sua lembrança na hora de conjurar aquele patrono perfeito? – disse uma terceira pessoa.


            -Na minha ex. – Hermione corou. – Sabe, as coisas podem não ter dado muito certo entre nós, mas ela é muito importante na minha vida. – Hermione ouviu Wendy soltar um resmungo.


            -Bom, não sei como lembrar dela te faz feliz. Você deve viver o agora Harry, deixe o passado pra trás. Esses tempos felizes não voltam, nem a sua ex.- retrucou a loira com um tom não muito meigo, batendo com força a porta do armário. - Vamos? – e pegou no braço de Harry. Hermione sentiu uma vontade louca de bater com mais força ainda aporta do próprio armário e berrar praquela loira metida “Volta sim e ela está bem aqui sua sininho falsificada!”, mas ouviu a sineta, avisando que ia se atrasar para aula. Hermione dava graças a Mérlin por Harry não fazer L.S.V no mesmo horário que ela, já tinha sido difícil o bastante não chamar sua atenção na aula de EA de DCAT. Várias vezes o seu patrono, que era uma linda pantera, quase se cruzara com o patrono de Harry.


-*-


            Harry estava na sua aula de Transfiguração, onde a professora era nada menos que sua velha conhecida Tonks, quando ela chamou-lhe a atenção:


            -Harry, digo, Sr.Potter – deu um sorrisinho de deboche – queira fazer o favor de levar esta pasta na secretaria, sim? – disse entregando a ele uma grossa pasta amarela.


            -Sim, professora. – retribuiu o sorrisinho. Enquanto caminhava pelo corredor, ele refletia sobre a aula anterior. A aula de EA de DCAT tinha sido melhor do que ele esperava, apesar de não ter conseguido localizar o dono de um patrono perfeito, que lembrava muito a pantera de Hermione. “Mione.... onde será que você está?”. E foi por meio dessa indagação que chegou à secretaria.


-*-


            -Bom dia e bem-vindos à sua primeira aula de luta sem varinha do ano! Para os que não me conhecem, sou o professor Willian Spore e... hum..logo o meu futuro substituto, que no momento é somente um estagiário se juntará a nós. Enquanto ele não chega, todos correndo em volta da quadra para aquecer! – um homem com seus 49 anos dizia muito enérgico à classe. – Srta. Granger? Hermione Granger?


            -Sim, sou eu. – Hermione parou de correr e se aproximou do professor.


            -Bem, eu vejo que a senhorita foi transferida da França, mas não tenho aqui sua fixa médica...


            -Oh, mas não se preocupe professor. Eu não tenho nenhum tipo de problema, então... – Hermione disse já se distanciando.


            -Certo. Mas mesmo assim, peço que vá à secretaria e me traga sua fixa sim? – Hermione assentiu. Chegou rapidamente até a secretaria, e encontrou Trutty mexendo em alguns papéis em sua mesa.


            -Srta. Granger! O que te traz aqui? – disse com um sorriso simpático.


            -O professor Spore me mandou aqui para pegar minha fixa médica.


            -Oh não! – Trutty deu um tapa na própria testa. - Que lapso! Eu mandei agorinha mesmo o estagiário dele deixar uma cópia na sala dele! Esqueci-me que deveria ir direto para o professor! Mas não há problema! Eu vou até lá pegar a cópia para você levar para ele, já que deve ficar na pasta junto à lista de presença! Enquanto isso, por favor, assine aqui na original sim? Ali, no “x”. – e saiu da sala. Novamente, Hermione se viu sem uma caneta. “Ela deveria deixar esse bendito porta-caneta aqui no balcão! Oh sim, outro lapso!”, pensou enquanto passava por baixo da portinhola até a mesa de D.Trutty. Hermione ouviu passos vindos do lado de fora e tentou pegar uma caneta para voltar ao “seu lado certo do balcão”, mas, por causa da pressa, acabou por derrubar o objeto e seu conteúdo por inteiro no chão. Ao ouvir o barulho da maçaneta já ia começar a dizer: “Desculpe, fui pegar uma caneta, mas derrubei tudo no chão.”, porém desistiu da idéia quando percebeu que a voz que vinha da porta não era de D.Trutty.


            -D.Trutty? – Harry disse entrando e fechando a porta. – Tem alguém aqui?


            -Harry? – Hermione sussurrou ainda abaixada. Instintivamente, ela foi para debaixo da mesa da secretária.


            -Tem alguém aqui? – Harry tentou mais uma vez. Vendo que não obteria uma resposta, resolveu deixar a pasta ali mesmo no balcão, não notando um papel no mesmo, mas parou ao ver um punhado de canetas no chão, perto da mesa. – Não custa...


            Se não fosse agonizante, seria até cômica a situação. Ela estava ali, numa roupa de ginástica preta grudada ao corpo, toda encolhida embaixo da mesa da secretária lapciosa da E.A, separada por 5 centímetros de madeira do seu ex- namorado, pai do seu filho e eterno amor de sua vida: Harry Potter. Hermione podia sentir o cheiro dele, a respiração dele. Fechou os olhos por um momento imaginando que nada daquilo que aconteceu durante o último ano havia mesmo existido e que eles estavam em Hogwarts; numa das vezes que eles discutiam e ela se trancava no quarto, mas ficava encostada na porta, sentindo o perfume dele entrar pela fresta e impregnar suas narinas, enquanto ele suplicava “Mione, abre isso! Vamos conversar” baixinho do outro lado da porta. O momento não durou muito. Logo Harry terminou de recolher as canetas e saiu da sala para voltar à sua aula. Hermione ficou ali encolhida por alguns minutos e depois se levantou, assinou o papel e voltou à aula de L.S.V.


-*-


            -Então, é muito importante que em uma situação de necessidade vocês se concentrem na hora de transfigurar um objeto muito grande... – Tonk continuava sua aula normalmente, mas Harry não estava prestando muita atenção. Definitivamente, estava enlouquecendo de vez. As palavras de Wendy mais cedo ainda lhe perturbavam “Não sei como lembrar dela te faz feliz. Você deve viver o agora Harry, deixe o passado pra trás. Esses tempos felizes não voltam, nem a sua ex.”. Será mesmo? Será que nunca mais veria Hermione novamente? Mas não era isso que lhe enlouquecia. Parecia que tudo e todos aquele dia estavam se empenhando a lembrá-lo dela. Na aula de EA de DCAT o patrono felino igual ao dela; antes mesmo das aulas começarem podia ter jurado que a vira, com aquela blusa preta que a deixava irresistível, dobrando rapidamente um corredor e há alguns minutos atrás podia jurar que sentira seu perfume enquanto recolhia as canetas jogadas ao lado da mesa na secretaria. Suspirou. “Onde você está Hermione?”.


-*-


            Hermione estava agora aprendendo como derrubar o adversário, numa demonstração onde seu professor derrubara o aluno pela quinta vez.


            -Ora Sr.Geller, não consegue fazer isso? Tente me impedir de derrubá-lo, se não, não vou conseguir mostrar aos outros a técnica certa! – o professor ralhava com o aluno.


            -Desculpe professor, mas o senhor é muito mais forte e experiente do que eu! – Ryan Geller se levantava do chão já todo dolorido.


            -Ora! Finalmente Noair, resolveu se juntar a nós? – o professor sorria ao mesmo tempo em que dizia num tom de deboche a alguém que estava atrás de Hermione.


            -Ora velho Willy, muitas saudades? – Jason Noair, o galante “estudante” que Hermione conheceu mais cedo se dirigia ao professor. – Sabe como é, “meus lapsos, meus lapsos!”.  – disse com uma voz estridente que todos entenderam ser uma imitação de Trutty. – Ora, Srta. Granger como está? – disse com um sorriso charmoso à Hermione.


            -Muito bem, professor. – respondeu um pouco constrangida.


            -Por favor, somente Jason. Só vou ser professor quando o velho Willy aqui – abraçou os ombros do professor Spore. - se aposentar.


            -É, mas não vai demorar, acredite. Agora deixe o flerte para depois Jason - Hermione corou de leve. – e vamos mostrar a estes aqui como se derruba alguém de verdade.


-*-


            -Hermione! – eram 11h35, horário de almoço, e Hermione estava saindo da sua última aula no primeiro período quando Jason a chamou. – Hey, desculpe por antes... o velho Willy diz isso só para me provocar. Eu estou aqui desde o meio do ano passado, e toda semana recebo uma cartinha de alunas apaixonadas por mim. A maioria do primeiro ano, mas existem em todas as salas.


            -Oh, não. Tudo bem. Eu não liguei. – disse um pouco constrangida. Enquanto virava o corredor, um garoto esbarrou nela, fazendo com que ela derrubasse seus livros. O garoto disse um “foi mal”, mas não antes de regular Hermione de cima a baixo, mas precisamente sua blusa, antes de soltar um “uhh”.


            -Ah você me paga Lovegood... – sussurrou pra si mesma enquanto recolhia suas coisas.


            -Lovegood? – Jason, que continuava a seu lado, comentou.


            -É. Minha companheira de apartamento. Bom, na verdade o apartamento é dela, e hoje de manhã eu tive um pequeno acidente com a minha blusa e eu pedi a ela que pegasse outra e ela pegou logo esta. – disse apontando para a peça. Jason pareceu só ter notado naquele momento a blusa. – Por favor, não me olhe como se já não tivesse reparado. – ela completou.


            -Bom, não detalhadamente. – ele sorriu.  “Lindo sorriso”. – Almoça comigo?


            -Desculpe, tenho que passar o convite. Já marquei com a minha colega de apartamento. Mas fica pra próxima. Então, até sexta. – disse dando um aceno para Luna, que esperava do outro lado da rua.


            -Sexta? – indagou confuso.


            -É. Minha próxima aula de luta sem varinha é só sexta, na terceira aula de manhã, professor. Então até sexta. – e foi até Luna.


            -Talvez, até antes. – sussurrou ao vê-la se afastar.


-*-


            Hermione e Luna estavam almoçando em um restaurante perto da Rua Hontted.


            -Calma Hermione. Vai dar tudo certo! E se não me engano logo você poderá ver seu filho. Pelas instruções que me foram passadas, Paul e Megan irão a uma viajem de negócio. Coisa rápida, questão de três dias, mas você poderá ir até o apartamento para ver o Henry.


            -Não sei Luna, é arriscado...


            -Mas além de você estar morrendo de saudades dele, você vai poder amamentá-lo. – Hermione arqueou as sobrancelhas.


            -É, não pense que eu não ouço seus gemidos de dor quando você tenta tirar esse leite empedrado daí. Hoje mesmo eu fiz questão de fazer umas perguntinhas extras a minha professora ao final da aula sobre isso e a mãe, que é você, deve amamentar o bebê, que é o Henry; não uma mamadeira de leite em pó! – repreendeu Luna olhando seriamente Hermione que soltou um muxoxo. – Já sei! Você tem jogado fora esse leite? Por que se tem, pode parar! Senão, me dê o recipiente hoje mesmo! Se depender de mim seu filho vai começar a ser bem alimentado hoje mesmo! – Hermione retribuiu com um sorriso.


Universidade de Artes Cênicas de Londres


            Enquanto isso, do outro lado da cidade, uma ruiva com seus 18 anos e seu “produtor” de 26 anos, se agarravam na minúscula sala dele no intervalo do almoço.


            -Agora eu já sei porque foi tão fácil eu conseguir uma vaga aqui tão depressa... – disse Gina separando a boca de Jack da sua, mas não separando seus corpos. – eu não fazia idéia que você trabalhava aqui.


            -Bom, eu não consideraria separar papéis na secretaria de trabalho. – respondeu ele beijando o pescoço de Gina e desabotoando a blusa bege dela.


            -Pode não ser um trabalho, mas separar os pedidos de admissão em aceitos ou não ajudou. E muito. – disse desabotoando a camisa de linho azul-marinho dele. – E por isso você merece uma recompensa.


            -Mesmo? O que, por exemplo?


            -O que você quiser... – Gina só obteve em resposta, Jack mudar de posições fazendo com que ela ficasse sentada na mesa enquanto ele terminava de tirar sua blusa.


Mansão Malfoy


            -Mas, entenda Sr.Malfoy, seu pai não pode ficar daquele jeito! E foi em sã consciência que ele assinou o documento! – o representante do Ministério e Draco estavam no escritório da Mansão.


            -Não me interessa! Que morra logo então! E se ele não pode sem o meu consentimento que fique louco pelo resto da vida! – Draco disse nervoso batendo o punho com força na mesa, mas não antes de rasgar o pergaminho à sua frente. – Já disse aos sete que vieram antes do senhor. NÃO vou assinar droga nenhuma de permissão! Alfred!


            -Sim, jovem Senhor Malfoy? – o elfo apareceu prontamente à porta.


            -Acompanhe este senhor até a porta. – disse não deixando o representante falar. Neste momento, uma coruja marrom toda espevitada bateu no vidro da janela. – Gina? – sussurrou. Mas ao abrir o pergaminho viu que pensou no Weasley errado.


“Draco,


Hermione e Luna voltaram! Acho que não tinha contado a você. Mas mesmo assim, nossa reunião da semana passada não deu certo, que tal remarcar para a próxima sexta? Não a dessa semana, pois tenho treino direto, mas a da próxima? Não vou aceitar um não. Pense e me responda depois.


Saudações,


Ronald.”


            -Humpf. Weasley e sua mania de querer juntar todos nós. Pra quê? Só pra irmãzinha dele apresentar o “cara que mudou a minha vida”? – disse por fim com desdém na voz. Foi até o bar e, como nos dias anteriores, faltou à faculdade de direito para passar à tarde submergido em lamúria e álcool.


Mansão Black-Potter


               -Er... Wendy..eu acho melhor não... – Harry dizia tentando retirar a loira de cima de si.


            -Por quê? Ainda temos...hum... meia hora de almoço. – disse tentando beijá-lo novamente.


            -Então o que deveríamos estar fazendo era almoçar. – disse levantando bruscamente do sofá, deixando uma Wendy desgostosa sozinha na sala.


            -Por quê? Responda Harry! É por causa dela não é? Por favor, ela está à milhas de distâncias de você! E com certeza nem lembra mais de vocês dois, como você faz!


            -Pode até não lembrar de nós como casal, mas ela ainda é minha melhor amiga. – disse Harry retornando à sala e se jogando na poltrona, com um porta-retratos que estava na lareira à mão.


            -De novo olhando essa foto? – na foto ele, um ruivo e uma menina de cabelos castanhos acenavam alegremente no fim de seu primeiro ano na escola. Ele não respondeu, continuou encarando os três. - Eu estou falando com você! – como ele ainda não lhe deu atenção ela arrancou bruscamente o objeto de sua mão. – Eu já lhe disse e repito, ela não volta mais! Eu estou com você agora! É a mim que você beija quando está carente! Sou eu quem dorme e acorda na sua cama nos finais de semana! É a mim que você recorre quando tem algum problema! Eu sou sua melhor amiga! E ela não vai roubar este posto de mim! – e jogou o porta-retratos no chão.


            Ao ver e ouvir o vidro se espatifando em vários pedaçinhos, Harry sentiu cada célula, cada parte de seu ser entrar em erupção. Lembranças de toda sua vida invadiram a mente como um jato d’água pressurizada. Hermione lhe abraçando e logo em seguida dizendo que devia tomar cuidado e que havia coisas mais importantes que inteligência e livros: bravura e amizade; Dobby invadindo seu quarto na Rua dos Alfeneiros nº4 glorificando sua grandeza e ele, Harry, simplesmente admitindo que não era nem o primeiro de sua classe, mas Hermione sim, ela era a melhor, sentiu um aperto, pois pensar nela na época doía tanto quanto agora, agora muito mais provavelmente, porque dessa vez não haveria nenhum elfo sapeca a furtar as cartas dela pra ele; Hermione petrificada; ela ajudando-o a voltar no tempo e salvar Sírius; ela ajudando-o a sobreviver as provas do Tribruxo; e finalmente, ela caindo desacordada no Departamento de Mistérios. Ela que sempre o ajudou, amparou e amou. Ela era sua melhor amiga e a garota que amaria pra sempre. Harry sentiu-se explodindo, quem era essa pessoa à sua frente? Esta que se auto-reivindicava dona de seu afeto e coração? Como ele tinha deixado as coisas chegarem a este ponto? Como ele tinha deixado uma desconhecida entrar em sua vida e jogar-se à sua cama? E ele nada tinha feito se não deixado que ela continuasse a achar se ocupava um lugar já ocupado, a dona só estava ausente por tempo indeterminado. Harry segurou os pulsos de Wendy brutalmente, encostando a loira na lareira.


            -Pare de dizer besteiras. Você sabe que eu amo minha namorada. Ela é o amor da minha vida e minha melhor amiga, esteja onde estiver. E pra sempre. Eu nunca lhe dei motivos para você admitir essa sua hipótese fantasiosa de que você ocupa em minha vida um lugar que não te pertence. – Percebendo que a machucava, ele a soltou. Enquanto ele se abaixava e consertava o estrago que Wendy provocara ela disse com a voz embargada de raiva:


            -Mas você ocupa um lugar que nenhum outro nunca ocupou na minha vida! – Disse o encarando de volta quando ele terminou de concertar o porta-retratos.


            -Eu nunca pedi que o ocupasse. – e subiu para o quarto.


            -Ótimo! Eu vou voltar para a E.A!  Fique ai se lamentando por causa dela! – e saiu batendo a porta.


            Para o resto do dia Harry não falou com Wendy e esta se fazia de indiferente, mas lançava constantes olhares magoados a ele, como se dissesse “estou assim por sua causa! Fale comigo!”. Hermione resolveu passar na secretaria antes das próximas aulas, e com muita persuasão conseguiu uma cópia da grade de Harry. Ficou parcialmente feliz em ver que as únicas aulas que coincidiam com as dele eram EA de DCAT - na segunda e Animagia - na terça, quarta e sexta. Parecia que hoje havia sido apenas um teste, já que coincidências como aquelas aconteceriam sempre, ela só tinha que tomar um extra cuidado para evitá-las. Porém, por outro lado, viu que teria aulas de EA de Feitiços na terça e quinta junto com a loira patricinha; ficou até um tanto quanto intrigada ao perceber que esta e Harry não andaram juntos para o resto do dia; pois sempre topava com Wendy meio emburrada pelos corredores; totalmente desacompanhada.


            Harry não pareceu se importar nem um pouco com a indiferença de Wendy. Tanto que foi ela quem iniciou uma conversa no primeiro horário da manhã seguinte que encontrou Harry; ele ouviu sem muita paciência ela pedir mil desculpas, mas “não tinha culpa de ter se apaixonado por um cara tão perfeito quanto ele”; palavras da própria. Harry aceitou e ela novamente abriu um grande sorriso e o seguiu...ops...acompanhou pelo resto do dia.


Sexta –feira   


              -Não, mas lembra aquela hora que ele olhou pra você e abriu um sorriso como se dissesse “demorou pra vir aqui!”. Foi tão fofo! – Luna e Hermione almoçavam em um restaurante perto da E.A e comentavam como tinha sido a semana. Como Paul e Megan haviam viajado, Hermione passou na casa dos Philliphes todos os dias para ver o filho.


            -Aham... eu sei também pensei isso. – concordou Hermione rindo. – Eu realmente queria ficar aqui falando de como o meu Henry é lindo e tudo mais, mas tenho que voltar à E.A para terminar uma redação de transfiguração antes da última aula.


            -E eu tenho que voltar pra UNCUL. Oh, não! Hermione é melhor você entrar embaixo da mesa! – Luna disse rapidamente, arregalando os olhos quando olhou para a porta.


            -Ora, mas por quê? – Hermione virou-se para a porta e logo fez o que Luna tinha dito. Reconheceria aquela micro-saia rodada cor ferrugem em qualquer lugar: Wendy; e não se surpreendeu nada ao ver Harry com ela.


            -Me deixa adivinhar, Wendelly Charlotte Dawson certo? Nossa Mione admito: ela é uma completa patricinha! E pelo amor de Mérlin, que saia é aquela? – Luna disse, também debaixo da mesa.


            -Se eu disser que aquela saia é comprida você acredita? – Luna só levantou as sobrancelhas. – Mas o que agente faz? Essa loira patricinha já me conhece... eu já corrigi várias perguntas dela nas aulas de EA de Feitiços, apesar de que eu acho que ela não faz a mínima idéia que eu sou ex- do Harry, por isso ele ainda não me procurou; ou ela contou e ele não liga.


            -Harry? Não ligar que você voltou? Por favor, ele pode ter uma nova “amiguinha”, mas você ainda é a melhor amiga dele, com certeza! – Hermione soltou um muxoxo. – Já sei! Como o Harry está de costas para cá, eu chamo o garçom e digo que tem um chamado pra ele na E.A urgente, então você sai quando ele sair.


            -Você acha que isso vai realmente funcionar? – Luna balançou a cabeça negativamente.


            – Bom, mas é o melhor que temos. Vai lá. - Por incrível que pareça, o plano deu certo. Hermione já estava crente que não passaria por mais nenhum sufoco desse; já estava se controlando nas aulas de EA de DCAT e Animagia, sendo muito discreta na hora de fazer alguma pergunta e agora era só evitar lugares próximos à E.A; simples e fácil: era só fazer isso que não toparia com Harry.


                                                                               -*-


A Toca – hora do jantar


            -Estou falando sério! A Gina aqui tem muito futuro na carreira Sr.Weasley! – Jack dizia animadamente aos Weasley. A ruiva havia convidado o “produtor” para o jantar, novamente, e este contava como os professores adoravam Gina e sua espontaneidade.


            -Hum. Isso é muito bom, querida. – disse Arthur tentando esboçar um sorriso à filha. – Mas sejamos sinceros, existe algo além dessa relação produtor-cliente entre vocês?


            -Bom, na verdade há sim papai ... – Gina começou a falar com o intuito de revelar sua relação amorosa com Jack aos pais, mas foi interrompida pelo próprio.


            -Há sim. Bem, eu trabalho como secretário na faculdade. Nós não queríamos contar porque achávamos que os senhores não iriam gostar, e tirar a conclusão errada que Gina havia conseguido o curso por minha causa.


            -É só isso Gina? – o Sr.Weasley olhou para a filha com atesta franzida. Todos que estavam à mesa – Jack, Arthur e Molly – olhavam para a ruiva.


            -Sim papai. Não poderia ter dito melhor. – e deu um sorriso amarelo a Jack, que acentiu com a cabeça; sinal que ela entendeu como “se eu não contei era porque não tinha nada a ser contado”.


Segunda-feira – apartamento Lovegood/Granger


             -Luna...


            -Já sei, sua camisa branca. No armário Mione!


            -Não, não é isso! Eu já achei, mas não vou usá-la. Você pode vir aqui na sala um instante? – no momento seguinte Luna já estava na sala. – Uow, a senhorita caprichou no visual não? Será que existe alguém por trás disso? – Luna corou.


            -Não seja boba Mione! Mas o que é tão urgente?


            -Isto. – Hermione entregou à Luna um pergaminho. Era um convite de Rony para jantarem na Toca na próxima sexta.


            Luna olhou para Hermione, e esta não tinha boa expressão.


            -Não mesmo! Já sei o que você vai dizer: “Vá você Luna, enquanto eu fico em casa chorando por causa do estúpido do meu ex que já arranjou uma “zinha” qualquer pra me substituir”. - Hermione franziu o cenho. – Você vai também! E que se dane o Harry com aquela tal Wendy. Ele não pode te obrigar a falar com ele lá a sós!


            -Mas...


            -Sem “mas”! Agora vamos, se não vamos nos atrasar.


E.A – Aula de Estudo Avançado de DCAT


            -Bem alunos, nesta aula vocês farão um teste surpresa! – a classe soltou um “ahhh”. – No intervalo eu corrigirei e veremos o que faremos na segunda aula. – Lupin dava as instruções dessa aula para os alunos. Hermione estava sentada novamente na última fileira, observando Wendy apertar a mão de Harry, dando um showzinho de desespero “eu tenho certeza que sei tudo, mas não gostei nada dessa história de teste surpresa!”. Hermione foi uma das primeiras a terminar seu teste e ficou pensando como agüentaria aquela aguada na sexta feira. Decidira ir, Luna estava certa, não ficaria se impedindo de viver por causa de Harry. Aqueles cinco, no caso agora quatro (não que desconsiderasse Harry, mas era a raiva do momento), sempre seriam a família dela, e nem Harry nem uma loira patricinha idiota a impediriam de rever sua família. O sinal tocou, mas ninguém levantou. “Accio testes”. Todos os pergaminhos voaram para mão de Lupin, que com um aceno de varinha em cada teste; que eram cerca de 40; já sabia a pontuação do aluno. A classe estava um completo silêncio.


            -Estou desapontado. Isso era matéria que vocês aprenderam a partir do 3º ano – lançou um rápido olhar a Harry, Hermione outro alunos ali. Provavelmente eram todos de Hogwarts, e boa parte das perguntas era a matéria que ele ensinara. – Vamos fazer uma correção oral, porque essas notas, não contam! E o pior, as perguntas mais simples vocês erraram! – Lupin parecia realmente desapontado com a classe. – Vamos lá.  “Qual o feitiço para acabar com um bicho-papão e o que o destrói?” e “No Expecto Patronum, diga a causa da forma do feitiço”. Srta. Dawson? – Wendy levantara prontamente a mão, claramente querendo se mostrar.


            -Bem professor, o feitiço para o bicho-papão é o Riddikulus e é este mesmo feitiço que o destrói; e o patrono toma a forma do animal de nossa preferência. – disse com um sorriso pretensioso, como se tivesse a certeza que acertara a resposta.


            -Hum... a senhorita escreveu exatamente isso no seu teste. Meio certo. – Wendy fez uma cara desgostosa e já ia contrariar o professor. Hermione se contorceu na cadeira a cada palavra cuspida pela loira. E ainda mais quando ela soltou um gritinho “o quê?” ao receber o meio certo. Não se controlando mais, Hermione levantou a mão.


            -Mais alguém?- Lupin olhou para cima, sorrindo satisfeito. – Srta.Granger? – toda classe virou para trás a procura dessa Granger que nunca fora citada em nenhuma aula. Harry quase quebrou o pescoço com a velocidade em que se virou.


            -Ah não! Esta é a garota que me corta nas aulas de feitiços! Nunca prestei atenção ao nome dela. – Wendy disse com tédio na voz, a Harry.


            -Hermione? – Harry estava de olhos esbugalhados. Então, aconteceu. Os olhares de Hermione e Harry se encontraram. Hermione, de sua cadeira na última fileira, viu Harry se contorcer na terceira fileira para virar-se rapidamente. Ele estava lá. Ela estava lá. Eles estavam lá, se encarando. O verde piscando várias vezes como se aquilo fosse uma miragem e o castanhos tentando reunir forças para desviar dos verdes. Hermione sentiu seu coração disparar, engoliu em seco, mesmo sentada sentia que cairia no chão a qualquer momento, suas mãos e pernas tremiam, de repente a sala ficara pequena e abafada demais; o ar parecia brincar consigo, passando por suas narinas, mas desaparecendo rapidamente ao chegar aos pulmões. Harry estava a encarando e piscando freneticamente; suas mãos apertavam fortemente os braços da cadeira, como se ele estivesse se pregando a ela para não correr até lá em cima e gritar “por quê?”, chacoalhando Hermione pelos ombros. Ao ouvir aquele sobrenome e virar a cabeça, Harry esperava que aquilo tudo fosse apenas coincidência e que ao invés daquela morena, da sua morena, encontrasse uma outra pessoa, não ela, não Hermione. Harry ficou com a respiração ofegante; eles ainda se encaravam; ele apertava com força os braços da cadeira e suava frio; seu estômago dava reviravoltas e parecia que ele havia comido centenas de borboletas vivas, que batiam suas asas e tentavam sair por sua garganta; coisa que já não existia, pois esta parecia que havia fechado, impedindo o ar de chegar aos pulmões e conseqüentemente ao cérebro, o impedindo de raciocinar direito. Ficaram ali, se encarando, sem ar, suando frio, segurando-se na cadeira para não despencar, sem se importar com o silêncio constrangedor que pairava, mas mesmo assim Lupin continuava com seu sorriso de triunfo estampado no rosto.


            -Srta. Granger?


            -Hermione? A sua Hermione? – ao mesmo tempo, Lupin e Wendy despertaram Harry, Hermione e o resto da classe.


            -Sim. O feitiço para acabar como bicho-papão é sim o Riddikulus, mas o que acaba com ele é o riso. E o patrono toma a forma indicada pelo nosso subconsciente. Não podemos mudar o patrono de um gato para um cachorro porque queremos. O patrono só muda se a pessoa passou por um grande trauma. – Hermione disse tudo encarando Lupin.


            -Muito bem. Esta é atitude que eu espero de todos vocês. Aula que vem, outro teste escrito. Não adianta vocês saberem somente prática. Agora, página 258. – Todos os alunos viraram para frente, mas Harry continuou encarando Hermione, que fingiu não notar, enquanto procurava seu livro.


            -Harry? – Wendy tocou no braço do moreno que hesitou um pouco, mas virou. – Ela não é...?É? – Harry continuou encarando o nada, enquanto Wendy olhava incrédula para trás.


            Quando o sinal bateu, Hermione saiu correndo da sala. Harry tentou segui-la, mas os corredores abarrotados de gente e Wendy o puxando para o outro lado, não permitiram. A procuraria na hora do almoço, da saída, qualquer hora, mas não a deixaria escapar novamente.


            O resto do dia, Hermione foi sempre a última a sair da sala, com medo de encontrar Harry pelos corredores. Podia ter se revelado, mas mostrara aquela loira patricinha que ela estava bem ali.


-*-


            -Luna! Graças a Mérlin! Vamos logo! – eram 15h40, Hermione esperara 30 minutos no banheiro, com a esperança de que Harry a procurasse fora da E.A. – Harry, ele me viu. Viu, ouviu e quase me perseguiu! Te conto em casa mas agora...


            -HERMIONE! – Harry sabia que ela não correria o risco de ir logo embora, então esperou. E ele estava certo, poderiam estar sem se verem e sem nenhum tipo de comunicação, mas ele ainda a conhecia muito bem. Hermione parou de chofre. Luna virou para encará-lo.


            -O-oi Harry! – a loira andou até ele e o abraçou. – Como vai?


            -Bem Luna. E você? – disse a Luna, mas ainda fitava Hermione que permanecia de costas. – E você, Mione? – Ele sabia que ela estava com medo que ele desse um ataque ali e também sabia que chamá-la pelo apelido, faria esse medo sumir. Hermione respirou fundo e se virou:


            -Bem Harry. – se encaram novamente. – Er, vamos Luna? – a loira despediu-se de Harry com um aceno e caminhou junto à amiga.


            -Eu senti sua falta. Estou feliz que você tenha voltado. – Hermione virou-se novamente. Ele estava com as mãos dentro dos bolsos do jeans, simplesmente ali parado, sem dar ataques, sem gritar, somente “feliz por ela ter voltado”. Inevitavelmente Hermione retrocedeu alguns passos e jogou-se nos braços de Harry. O abraçou com força. Ele por sua vez, enlaçou sua cintura. Os dois fecharam os olhos. Ela realmente estava ali, em seus braços. O cheiro do cabelo dela, os braços o sufocando, o contado com sua pele, desejara isso por tanto tempo e agora a sua Mione voltara. Hermione também compartilhara dessas mesmas emoções: senti-lo ali perto de si, a fez querer voltar um ano no tempo. Ela enterrara o rosto na curva do pescoço dele, tragando o perfume que tanto sentira falta. Os corações dos dois, que estavam disparados até agora, se acalmaram e as respirações tornaram-se lentas e despreocupadas, como quase um alívio.


            -Estou feliz de ter voltado também, Harry. – soltou-se dele e começou a caminhar com Luna, como se nada tivesse acontecido, mas ela sabia que aquilo era só o começo.

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