Capítulo Sete:
“Não espere a enfermidade,
Para perceber o quanto é frágil a vida.”
Depois de receber milhares de parabéns de Mikael pelo meu convite aceito, finalmente pude falar alguma coisa, pois ele não me deixava abrir a boca durante todas as congratulações. Eu bem que merecia, afinal, embora isso não parecesse grande coisa para alguns, era Hermione Granger.
Mikael já estava combinado de ir com Angelina desde que eles começaram a sair, então não foi novidade alguma quando ele me contou. Mas foi uma enorme notícia quando ele me disse que se agarrava com ela na biblioteca.
Perguntei-me se Hermione sabia disso e deduzi que não. Ainda assim perguntaria.
- Qual foi a tática? – ele me perguntou. Estávamos na sala comunal, terminando deveres. Angelina havia acabado de se retirar para o dormitório.
- Que tática? – perguntei confuso.
Ele bufou.
- Aquela que usou para pegar ‘a das curvas’. – ele disse como se fosse óbvio.
Eu não gostava quando ele se referia a Hermione daquela maneira. O que havia se tornado um ritual. Não sei por que. Talvez ele não se lembre do nome dela, ou o potencial dela havia chamado tanto a atenção dele que talvez ele prefira se referir a ela daquele jeito estúpido e sem-vergonha.
- Hermione. – corrigi entre dentes e automaticamente.
- Que seja.
Ignorei-o. Não estava com paciência. Não depois de ele se referir a minha garota daquele jeito. Não era justo eu pensar nela como minha garota, mas não podia evitar.
E que história era aquela de tática?
- Ah, vamos, me conte. – ele implorou.
- Não sei. – admiti.
Mikael riu alto, chamando atenção dos poucos que ainda estavam na sala.
- Fale baixo. – pedi.
- Não é possível. Deve ter feito alguma coisa. – ele discordou de mim.
- Se fiz, fiz e não sei. – eu informei.
- Vamos, o que disse à ela naquela maldita dança? – perguntou ele, parecendo verdadeiramente curioso.
- Na verdade, quase não nos falamos naquela hora.
- Exatamente! – ele quase gritou. – Você quase não conversou com ela! Isso significa que disse alguma coisa. – eu revirei meus olhos para ele.
Fechei meu livro com um estrondo e guardei-o na mochila com raiva, trocando-o pelo ovo. Admirei-o com calma, me perguntando o porquê de ele ser o que ser e o porquê de ser tão difícil de compreender. Não cheguei a nenhuma conclusão com aquele raciocínio, então mudei.
- O que disse à ela? – Mikael insistiu.
- Do que você precisa para calar a boca? – perguntei irritado, minha concentração ainda no ovo.
- Que me responda. – ele respondeu no mesmo tom de irritação, mas não estando verdadeiramente irritado.
- Eu a convidei para dançar. – comecei, na esperança de finalmente calá-lo. – Ela disse que não, por que não sabia dançar. Então eu disse que poderia ensiná-la. E ela aceitou. – fiz uma pausa.
- E...? – ele me instou a continuar.
- Começamos a dançar e não dissemos nada por um tempo. Mas ela estava meio distante e olhava para os pés para acompanhar. E eu disse para ela olhar para mim. Mas se ela fizesse isso, errava os passos. – eu fiz uma segunda pausa.
Eu narrava a história como um robô. Minha mente estava conectada em um ponto do ovo. Eu estava raciocinando. Mas Mikael atrapalhava. Ele falava demais.
- Continue! – eu queria mata-lo.
- Aproveitei a oportunidade e disse que se ela chegasse mais perto não erraria, e a trouxe para colar o corpo no meu. Sem segundas intensões. – acrescentei ao ver a cara dele.
O ovo me parecia estranho. Se eu o abrisse faria barulho.
- E ela? – ah, Mikael, tome cuidado, você esta me estressando.
- Ela não errou mais os passos. – respondi.
Talvez devêssemos descobrir alguma coisa e o ovo se abriria para nós. Mas o que seria?
- E...?
- Não falamos mais nada durante a dança. – respondi com olhos grudados no ovo.
Ele bufou realmente alto agora. Eu ia arrancar a língua dele. Talvez funcione com o ovo também.
- Pelo amor de Deus! Você não consegue dar uma resposta completa? – ele quase gritava. As pessoas olhavam.
- Depois que a música acabou, ela se separou de mim e ia indo embora. Mas eu a chamei e ela voltou, então eu a convidei e ela aceitou logo depois de eu dizer que gostava da companhia dela. Feliz?
Não esperei a resposta. Voltei minha atenção ao ovo.
- Excepcionalmente. – ele respondeu com a voz debochada.
Talvez se eu enfiasse a cabeça dele no vaso sanitário a agua abafasse a voz dele e os sons que ele emitia.
A verdade me acertou como uma pancada e me senti tonto. Mas me recuperei de um salto. Assemelhei a sensação como a de levar um balaço na cabeça.
- É claro! – agarrei o ovo. – Mikael, muito obrigado!
Subi as escadas do dormitório e peguei a primeira toalha que encontrei.
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Eu me encontrava agora no banheiro dos monitores, onde havia uma banheira. Conhecia aquele banheiro, pois estava fugindo de fãs e foi o primeiro lugar que encontrei
Arranquei a camisa e coloquei a cabeça em baixo d’agua junto com o ovo, deixando o resto do corpo, ainda vestido, para fora. Abri o ovo.
Ele não gritou, mas uma voz extremamente doce cantou de lá, junto com a luz meio dourada, meio prateada:
“Ao ouvir da sua voz, o dom
Na superfície, não há som
Durante uma hora deve buscar
E o que quer vai encontrar.”
Retirei minha cabeça para fora d’agua e soube que Hermione ficaria orgulhosa de minha inteligência.
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N/A: dedico este capítulo ao meu amigo Eduardo, que se empenhou em conversas comigo sobre Harry Potter e me escutou principalmente nesse assunto, aturando minhas maluquices.
Por favor, comentem!