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4. Capítulo Quatro


Fic: Um Saber Desconexo


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo Quatro:


“Não espere ficar de luto,


 Para reconhecer quem hoje é importante em sua vida.”


 A primeira prova do torneio estava chegando e por mais que eu quisesse meus pensamentos não estavam nela. Karkaroff e Mikael eram os únicos que pareciam se preocupar e se empenhavam em me ajudar, mas eu não estava com a mínima vontade.


 Minhas atenções continuavam em odiar as quartas, visitar bibliotecas e seguir uma garota de cabelos cheios, o que não passou despercebido à Mikael. Ele logo acompanhou os meus olhares e percebeu o que eu não queira.


 - Quem é? – perguntou com um sorriso safado.


 Desviei meu olhar da garota.


 - Quem? – perguntei de volta.


 Ele levantou uma sobrancelha e apontou com a cabeça Hermione que vinha em direção à mesa do café. Acompanhada, como se sempre, por Harry e Ronald.


 - Uma garota que eu conheci na biblioteca. – respondi tentando parecer indiferente, mas minha voz estava carregada de interesses não expressados.


 - Bonita. – ele a admirou. Não gostei.


 - Cuide de Angelina. – retruquei irritado. Como se já não bastasse o ruivo, agora Mikael.


 - Hei, desculpe! – ele riu. – Mas você não a acha jovem demais para você, velhote? – perguntou ironicamente.


 - Certo, retiro o que disse sobre você e Angelina. – me rendi. – Feliz?


 - Ainda não. Já a convidou para sair?


 - Não. – suspirei – Infelizmente, a única coisa que consegui com ela foi uma conversa que durou menos de vinte minutos.


 - Ora, convide-a para o baile, então. – ele sugeriu.


 Fiquei pasmo.


 - Nós mal nos conhecemos.


 - Mais uma razão para você convidá-la. – ele deu um sorriso malicioso. – Agora sei por que vai tanto para aquela biblioteca.


 - Há bons livros lá. – desconversei.


 - Deu para ver. – ele deu mais uma olhada em Hermione.


 Não gostei.


 - Cuide de Angelina. – repeti entredentes.


 Ele riu.


 - Certo, certo.


 Neste momento, Dumbledore se levantou lentamente, e com precisão disse:


 - Amanhã, teremos nossa primeira prova. – ele anunciou e tudo ficou silencioso. – Por essa razão, as aulas de hoje foram canceladas, para dar aos estudantes, tempo para colocar seus deveres em dia e não atrapalharmos o rendimento escolar dos alunos por causa do torneio. – ele voltou a se sentar e a conversa dos alunos foi retornando aos poucos.


 Fiquei tenso e meu olhar encontrou o de Karkaroff. Virei a cara.


 - Cara, você devia ouvir o Karkaroff. – Mikael havia acompanhado minha troca de olhares. Voltei-me para Hermione que conversava seriamente com Potter. Mikael acompanhou isso também. – E retiro o que disse sobre o baile.


 Isso me fez um homem confuso.


 - Talvez deva me explicar por que.


 Ele bufou como se eu não tivesse entendido uma coisa mais do que óbvia.


 - Ela esta assim – ele juntou dois dedos – com Harry Potter e ele é um concorrente ao torneio. Pode passar informações suas para ele.


 - É ridículo. Nem sei se devo voltar a falar com ela.


 Fiz dele um homem confuso.


 - E por que não?


 - Muito nova. – respondi.


 Ele riu.


 - A falta de mulheres na Durmstrang finalmente conseguiu te destruir.


 Revirei meus olhos.


 - Ainda assim. – não mudei de opinião.


 - Convide-a, mas não fale sobre o torneio. E pare de se preocupar com esse lance de idade, ou sei lá mais o que te incomoda. Não sei você, mas para mim ela parece bem adulta. – seu olhar percorreu Hermione.


 - Eu também notei. – concordei.


 Hermione se levantou de cara feia para o ruivo. Não pude deixar de sorrir. Ela virou a cara para ele e saiu andando apressada. Ele não foi atrás dela. Ponto para mim.


 - E tem curvas. – ouvi Mikael comentar. Virei-me para ele que a encarava.


 - Percebi isso também. Mas prefiro que você cuide de Angelina. – eu respondi entredentes.


 Mikael caiu na gargalhada. Eu o ignorei. Ele sabia ser bem irritante quando queira.


 Sem dizer mais nada, me levantei. Percebi imediatamente quando um grupo de garotas fez o mesmo.


 - Droga. – resmunguei e esperei que saísse pela porta do salão principal, antes de desatar a correr.


 Passos me perseguia.


 Minha respiração estava começando a acelerar. Passos estavam mais rápidos. Droga, elas iam me alcançar. E depois que o fizessem, seria uma longa tarde de autógrafos e fotos, coisa que eu não estava nem afim.


 Apertei o passo, mesmo sabendo que seria inútil. Correr comigo todas as manhãs as estava deixando rápidas.


 Virei um corredor e me choquei com alguém que caiu e eu perdi o equilíbrio caindo em cima.


 Balancei a cabeça de modo desnorteado e vi exatamente o que queria. Embaixo de mim, estava Hermione Granger.


 - Oi. – não consegui pensar em mais nada para dizer.


 Sem responder, ela saiu debaixo de mim. Estava muito corada.


 Ela pareceu escutar os passos e uma onda de compreensão passou por seu rosto.


 - Esta fugindo, não esta? – ela me perguntou.


 - Sim. – respondi. Ela sorriu, compreensiva pra mim.


 - Certo, venha. – ela se levantou de um salto e estendeu a mão para mim, que eu peguei sem pensar.


 Seu toque me invadiu pela segunda vez e minha mão formigou com a lembrança.


 Ela me puxou para um canto na parede. Os passos estavam cada vez mais próximos.


 - O que vai fazer? – perguntei, com receio de que ela quisesse se esconder naquele canto apertado, onde nossos corpos ficariam colados e... Muito nova.


 - Vai ver. – ela sorriu de modo inteligente.


 Eu a ouvi desaparecer. Ouvi os passos das minhas perseguidoras e por um momento me perguntei se não atropelariam Hermione.


 Mas, para meu alívio, ela gritou:


 - Ali! Eu o vi indo para a torre de astronomia! – ela gritou.


 Houve um coral de gritinhos esganiçados e os passos prosseguiram para o lado oposto ao que eu estava. Saí do meu esconderijo e encontrei Hermione sorrindo triunfante.


 - Obrigado.


 - Por nada. – ela fez menção de ir embora e então eu notei que ela já havia retirado o uniforme, já que não teríamos aulas hoje. Usava uma calça jeans que deixava suas pernas bem marcadas, uma blusa fina de algodão e mangas compridas, vermelha. No pé, um tênis simples; os cabelos soltos. Era a primeira vez que eu a via sem o uniforme.


 Eu sei que é uma coisa ridícula ficar descrevendo tudo o que o outro veste e tal, mas ela merecia descrição e eu tinha que repassar todos os detalhes para manter meus pensamentos atualizados. Idiotice, mas necessário.


 Faça alguma coisa, seu idiota, ela esta indo embora!


 - Espere! – eu quase gritei.


 Ela me olhou.


 - Desculpe, saiu meio alto. – disse. Ela riu.


 - Sem problema. Estou acostumada com gritos. – ela sorriu para mim. Senti o sorriso se espalhar pelo meu rosto.


 - Aonde você esta indo agora? – perguntei.


 - Biblioteca. – ela respondeu.


 - Posso te acompanhar? – perguntei novamente.


 - O que vai fazer por lá?


 - O que você vai fazer por lá? – devolvi a pergunta.


 Hermione riu.


 - Bem, eu iria lá simplesmente por ontem não tive tempo de ir ao meu horário livre. Queria dar uma olhada em alguns livros e procurar algo para ajudar meu amigo no torneio. – ela me explicou. – E você?


 Juro que eu queria não ter dito isso:


 - Eu iria para lá hoje, por que a garota que eu procurava não estava lá ontem. – assim que saiu, me arrependi.


 Ela corou.


 - Certo. Não vai fazer mal você tentar acha-la hoje. – e se virou.


 Com um sorriso no rosto, eu a segui.


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 Naquela tarde, nós conversamos sobre tudo o que se poderia imaginar.


 Ela me perguntou sobre como era minha vida na Bulgária e sobre meus estudos e o que eu pretendia ser. O que era terrivelmente obvio, afinal, eu jogava quadribol.


 Perguntei a ela sobre o que ela pretendia ser, onde morava como era a vida dela com os pais, onde ela passava os Natais e os verões. Descobri dessa forma que ela era nascida trouxa.


 Perguntei coisas e respondi coisas, descobri coisas e fui descoberto em alguns casos.


 Ela parecia me entender como ninguém, exceto minha mãe. E eu adorava vê-la falar. E me dar conselhos. E colocar uma mecha de cabelo teimosa, que cai no rosto dela, atrás da orelha.


 Eu finalmente fiquei sabendo o que era Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina. Ela me explicou tudo desde a época em que a escola foi fundada, para que eu não tivesse dúvidas. E eu não tive.


 Descobri que ela era inteligente e muito mais adulta do que eu imaginava.


 Ela se queixava principalmente da preocupação com Harry, de suas brigas com o garoto Ronald e de ser apenas uma sabe-tudo irritante. Eu não concordava com essa parte.


 - Cansei de ser a garota que só tem talento para os estudos. Queria fazer algo diferente. – ela desabafou comigo em certo ponto da conversa.


 - Tipo o que? – perguntei.


 - Não sei. Alguma loucura. – ela deu uma leve corada. – Pensei em... Sei que é meio ridículo, mas é uma coisa que eu nunca fiz e queria experimentar. – ela pausou.


 - Pode me dizer. – eu encorajei.


 - Bem... Beijar.


 Certo. Não era grande coisa. Eu já havia feito isso muitas vezes. E a idéia de ser o primeiro que ela beijaria foi altamente atraente, mas fiz questão de me lembrar que ela era muito nova.


 - Nunca fez isso?


 - Nunca. – ela confirmou.


 Mostrei-me compreensivo. E a admirei por se guardar dessa forma.


 - Ser um astro do quadribol não é tão bom quanto pensam. Cansa. – eu mudei de assunto.


 - Você se considera um astro do quadribol?


 - Eu gostaria de não faze-lo.


 Ela não disse nada e eu também não retomei a conversa. Era quase perfeito vê-la na minha frente, conversando comigo, linda e extremamente inteligente.


 Quase.


 Era engraçado saber que conversar não era o suficiente. Não com ela. Era interessante saber que me sentia atraído por alguém três anos mais nova do que eu e gostar disso. Seu olhar caía sobre mim de vez em quando e eu sentia um arrepio.


 - O que fará amanhã? – Hermione perguntou. Droga. Ela tinha que puxar logo esse assunto? Torneio?


 - Bem, ainda não sei. – desconversei.


 Ela sorriu.


 - Harry também não sabe. – ela disse. – Ele disse que não queria me preocupar. Idéia de Rony. – ela completou.


 Senti-me aliviado.


 - Tentei ajudar, mas eu e Rony acabamos brigando. – ela não parecia feliz.


 - Por quê? – eu adorava vê-la falar.


 - Bem, ele disse que a minha inteligência não valeria de nada. Acho que ele deve ter razão. – mas ela sorria ao falar dele. Não gostei. Estava começando a achar que aquele ruivo seria um bom adversário para mim. Mas não expressei o pensamento.


 - Karkaroff vem me enchendo as paciências com essa história de prova. – reclamei. – Não sei para o que. Nem sabemos sobre o que é a prova.


 Hermione deu aquele sorriso inteligente. Aprendi a identificar aquele sorriso como algo que ela sabia e eu não.


 - Eu sei. – ela afirmou.


 Como ela poderia saber se nem mesmo Karkaroff sabia?


 - Sabe? – me certifiquei.


 - Sim. – ela riu de minha cara de perplexibilidade.


 Certo. Eu sabia o que Karkaroff faria, o que Mikael faria e o que eu mesmo devia fazer, mas seria o certo? Me aproveitar dela para coletar informações do que ela sabia e eu não? E eu deveria deixar que ela atrapalhasse minhas coisas? Minha vida?


 - O que é? – perguntei relutante.


 - Dragões. – Hermione respondeu calmamente e sua face se fechou em uma carranca de preocupação que eu sabia que envolvia Potter.


 Dragões? Eles eram loucos? Tinham algum tipo de problema? Temos dezessete anos!


 Eu estava apavorado. Mas eu não passaria por um covarde na frente de Hermione. Então continuei a conversa para amenizar o medo.


 - Quem te contou?


 - Ah, foi o Harry. Hagrid contou para ele. – ela ainda parecia preocupada.


 - Quem é Hagrid?


 - O guarda-caça aqui de Hogwarts. – ela respondeu sem prestar atenção.


 - Parece que terei de dizer ao Karkaroff antes de amanhã.


 Isso a fez voltar para a realidade.


 - Não será preciso. – ela me disse. – Pense comigo: pelo pouco que conversamos até agora, percebi que ele te coloca contra a parede todo o tempo. Contar para ele vai deixar você pressionado. E você precisa estar calmo para conseguir um bom resultado. – Hermione concluiu.


 Eu ri. Ri por que sabia que ela estava certa.


 - E o que você sugere? – eu tive que perguntar.


 - Ora, explore seus pontos mais fortes. – ela disse como se fosse óbvio. – Harry, vai usar a varinha para conjurar a vassoura; ele voa muito bem. Vamos. Qual é o seu ponto forte?


 Eu também voava bem, mas dizer isso para ela seria um pouco descuidado de minha parte. Não sei o que ela pensaria, mas acho que se a idéia foi do Potter eu não tinha direito de toma-la como minha.


 - Bem, eu sou forte. – soou como uma idiotice.


 Ela bufou.


 - Certo. Aceita minha ajuda? – ela levantou uma sobrancelha.


 Isso esquentou-me por inteiro. Ela queria me ajudar. O que isso significava? Que ela se preocupava comigo?


 - Claro. – respondi, não conseguindo conter um sorriso radiante.


 Hermione corou.


 - Para começar, as pedras que colocam no local onde mantem o dragão são extremamente...hã...duras. Desculpe não encontrei outro termo. De certo modo, é rocha mágica e elas são péssimas condutoras térmicas, o que significa que se o dragão cuspir fogo nela, a pedra não esquentará. Pode ser um bom abrigo. – achei a idéia boa e um tanto inteligente demais. Não. Um tanto “hermionesco”.


 - E como vou lutar com o dragão? – perguntei.


 Hermione pareceu pensar. Ela franziu a testa. Decidi ajuda-la:


 - Que tal Petrificus Totalis? – sugeri.


 Ela bufou de novo.


 - As escamas são duras demais, o feitiço não penetra. Seria como atacar um gigante. O máximo que pode fazer é petrificar um membro de cada vez. – eu sabia que ela estava certa.


 Uma luz de compreensão atravessou seus olhos e eu sabia que ela havia tido um idéia.


 - Pode dar certo. – um sorriso inteligente que eu já conhecia atravessou seu rosto. – Faça o seguinte: dragões não conseguem desviar com muita facilidade, portanto quando ele te atacar, desvie no ultimo momento e você terá uma vista aberta das costas dele. Jogue um Petrificus em uma das asas e depois outro em uma das patas. Ele ficará com dificuldade para andar e voar. Será uma surpresa se ele não cair. Depois conjure correntes. Não cordas, correntes e prenda-o. Use a varinha. – ela acrescentou, como se eu pretendesse fazer isso de meu próprio punho. – Jogue um Accio no ovo. E a prova termina. O que acha? – ela perguntou.


 Era um bom plano. Eu jamais teria pensado nisso. Rápido e fácil.


 - Você é brilhante, sabia? – perguntei.


 Fiquei feliz quando ela corou, ficando mais vermelha do que sua blusa.   
 
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 N/A: dedico este capítulo à minha amiga Marina que esta fazendo aniversário na quarta feira. 
 Lembro à você, leitor, que todo comentário é bem vindo, mesmo que você xingue muito!!! (pelo menos estarei ciente da opinião de vocês).

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Comentários: 1

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Enviado por Mademoiselle Delacour em 15/04/2011

Ai ele com ciúmes foi tão fofo x)

E não é que a Mione realmente compactuou com o inimigo hauhauhauah

Nota: 5

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