Capítulo Três:
“Não espere ficar sozinho,
Para reconhecer o valor de quem esta ao seu lado.”
Só podia ser um pesadelo um tanto absurdo. Por um simples momento na minha vida, achei que Karkaroff fosse se preocupar em perder um aluno, mas a verdade era que ele me perturbava todos os dias com banalidades sobre as consequências que se veriam verdadeiras se perdêssemos um torneio Tribruxo.
Com pouca dificuldade aceitei o fato de que Harry Potter era meu novo concorrente no torneio, mas não entendi o motivo disso. Afinal, ele não tinha dezessete anos e as regras foram claras com relação à idade.
Era disso que eu tentava me convencer e o fato da garota dos cabelos cheios ficar absolutamente inseparável dele depois disso, não me incomodava. Eu tentava me convencer. Apenas tentava.
Eu nunca disse que consegui.
Não me importei no inicio de ter Harry Potter no torneio, mas logo ficou claro que isso impossibilitava certas ações minhas. Por que eu continuava a visitar a biblioteca todas as quartas e depois que ele entrou no torneio, a garota cujo nome eu ainda não sabia parara de aparecer por lá. Isso me incomodava. Impossibilitava-me de ver seu olhar, mesmo que indiferente.
E como sempre, guardei o pensamento para mim.
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Em um dia particularmente chato – era quarta – ela não estava na biblioteca, então eu desci para o salão comunal onde eu costumava estudar e que agora estava vazio devido ao fato de ser horário de aula.
Estava tentando terminar meu dever de história da magia, quando passos apressados saíram do retrato da mulher gorda. Meu coração parou.
- Harry, eu já disse a você que ela esta ficando louca. – ouvi uma voz masculina.
A razão da minha obsessão disse:
- Ronald, pare com isso! Você sabe muito bem que vocês precisam terminar o dever de herbologia, ou Harry não vai poder jogar mais quadribol.
Os três entraram e se sentaram do outro lado da mesa que eu usava.
- Mas é nosso horário livre! – reclamou o ruivo.
- E se você não fizer o dever agora, fará quando? – ela cruzou os braços. – Harry, diga a ele. – ela exigiu.
Observei Harry abrir a boca para dizer algo, mas foi interrompido.
- Se quer me dizer algo, diga você mesma!
- Tudo o que eu te digo, você parece não absorver! Alias, não há nada que você tente absorver! – ela retrucou, parecendo indignada, o que a deixou extremamente bonita.
Ronald também pareceu notar, por que quando ia dizer algo perdeu o fio da meada.
- Não q-quero absorver na-nada que venha de v-você. - ele conseguiu gaguejar.
Ela abriu a boca para dizer algo, mas foi interrompida por Harry, que observava a cena com ar divertido.
- Parem de brigar! – ele pediu.
Os dois se entreolharam. E ela suspirou.
- Certo, vamos logo com isso. – os dois garotos começaram a tirar os materiais da mochila enquanto ela observava.
Eu olhava tudo de soslaio, mas depois de um tempo, me lembrei de que tinha um dever para fazer e voltei a me concentrar no livro de onde estava tirando as informações para a redação.
- Rony, - a ouvi dizer e não gostei do apelido – “expressar” é com X e não tem H no começo. E por que diabos você esta usando essa palavra no dever de herbologia?
- Se seu comentário servisse para alguma coisa, ele deveria me ajudar e não me criticar, não acha? – o ruivo revidou.
- Faça você mesmo, já que não precisa de ajuda.
- Não fui eu que pedi a sua ajuda.
- Mas também não recusou. – ela levantou as sobrancelhas.
- Estou recusando agora.
- Ótimo. – ela virou a cara.
- ÓTIMO! – ele quase gritou ao virar a cara para ela também. Quanto a Harry, que sentava no meio dos dois, tinha um sorriso maroto nos lábios.
Eu meio que sorri meio que fiz uma careta. Mas acabei ignorando e voltando ao meu dever.
Uma sensação engraçada me tomou como se tivesse alguém me observando e baixei o livro para ver quem era e meu coração deu um pulo ao encontrar um par de olhos castanhos.
Ela alternava o olhar do meu livro, para mim e para minha redação de apenas três linhas. Um sorriso inteligente escapou pelo canto dos lábios dela quando percebeu que eu a olhava. O ruivo não deixou essa passar.
- Hermione. – ela se virou. Ah! Então esse era o nome dela. – Pode me ajudar? – ele se esqueceu de que não queria a ajuda dela e tinha as orelhas vermelhas.
Hermione riu.
- Pois é, Roniquinho. – ela brincou apertando a bochecha dele de leve, o que o fez corar muito. – Deixe-me ver. – ela pediu retirando a redação dele.
Com a varinha, ela concertou todos os erros e devolveu a redação a ele.
- Adoro você, Hermione.
- Eu sei.
Harry permaneceu calado.
Quanto a mim, estava meio irritado pelo ruivo ter interrompido meu momento com Hermione, mas como sempre, guardei o pensamento.
Mas para minha surpresa, ela voltou a se virar para mim e retirou o livro de minhas mãos enquanto eu observava perplexo e extremamente feliz.
- Não vai achar nada neste livro. – ela se dirigiu a mim! ELA ESTA FALANDO COMIGO! Mas desde quando isso é importante? Muito nova, muito nova. Apenas fale com ela.
- Como sabe disso? – fui muito rude?
Mas ela apenas sorriu. Se virando, ela pegou outro livro na bolsa e procurou algo nele. Quando encontrou, me estendeu o livro.
- Aqui. Guerras de Bruxos e Duelos Importantes. – olhei para o livro e me impressionei ao constatar que ela estava certa.
- Obrigado. – eu não queria acabar com a conversa agora, mas o que mais nós poderíamos dizer?
Para minha total e completa tristeza, ela voltou sua atenção para a redação dos outros dois garotos e não voltou a falar comigo.
Com muito esforço para desviar os olhos daquela morena, terminei minha redação com sucesso absoluto. E para melhorar minha situação, tinha a desculpa perfeita de devolver o livro para falar com ela e ainda me sobrara mais meia hora de horário livre.
Mas Hermione foi mais rápida. Com um rápido olhar para o relógio, ela se levantou de um salto.
- Harry, Rony, vocês vão ficar bem sem mim? Fiquei de passar na biblioteca para entregar alguns livros. – ela melhorou ainda mais minha situação.
- Pode ir. – responderam os dois juntos.
Intrometi-me:
- Posso te acompanhar? Tenho que devolver alguns também. – pedi com minha melhor voz de inocência. Vi de soslaio o ruivo levantar a cabeça rapidamente, os olhos brilhando de fúria.
Mas Hermione permaneceu impassível:
- Não tem problema. – ela me assegurou.
Há, perdeu ruivo! Quase deixei essa frase escapar pelos meus lábios, mas lembrei a mim mesmo que deveria ter educação, que Hermione era muito nova e que eu só iria acompanha-la até a biblioteca.
Assim, ambos passamos pelo buraco do retrato da mulher gorda e seguimos em direção aos corredores que levavam para a biblioteca. Não era preciso esforço, pois meus pés já conheciam muito bem o caminho.
Puxei conversa:
- Então, qual é o seu nome? – era uma pergunta imbecíl, mas era o melhor jeito de puxar um papo agradável.
- Hermione Granger. – ela respondeu amigavelmente.
- Victor Krum. – apresentei-me.
Ela riu.
- Eu sei.
Isso esquentou meu peito.
- Meus colegas Harry e Rony falam de você. – ela completou. Era só por isso que ela sabia? – Eu vi você jogando na final este ano. Foi o único jogo de quadribol oficial que assisti. – ela comentou.
- Oficial? – perguntei. Certo, eu estava magoado por ela não ter visto mais que um jogo meu, mas isso só podia significar que ela não se interessava por quadribol. O que não ajudava. Mas fiquei intrigado com a parte do “oficial”.
Hermione assentiu.
- Os outros que vi, eram disputas aqui da escola. – ela me explicou.
- Eu já havia visto os jogos de Hogwarts e bem que gostaria de ter me candidatado, mas Karkaroff me proibiu. – era primeira vez que eu contava isso pra alguém.
- Por quê? – ela perguntou, juntando as sobrancelhas.
- Ele quer que eu me centralize no torneio. – expliquei.
Estávamos na porta da biblioteca e entramos. Ela começou a devolver os livros para a bibliotecária e eu fiz o mesmo.
Queria que pudéssemos ter sentado e conversado mais, embora essa conversa não tenha sido a melhor da minha vida, mas ainda era um passo para eu começar a conhecer Hermione.
Mas antes que eu pudesse expressar minha idéia ela já estava falando:
- Isso parece te incomodar. E eu sugiro que você fale sobre isso com Karkaroff. – ela deu uma pausa. – Bem, obrigado por minha me acompanhar. – ela me ofereceu sua mão para que eu apertasse. Meu coração deu um salto, mas eu o ignorei. É só um cumprimento.
Apertei a mão dela. Era quente e macia. E quando ela soltou, minha mão formigou.
Observei Hermione Granger se afastar elegantemente. Era linda. Não era como as outras. Ela tinha curvas.
Muito nova, muito nova. Repeti.
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N/A: dedico este capítulo ao meu amigo Romulo, que foi a primeira pessoa que me presenteou com interesse sincero sobre o que escrevo.
Peço mais uma vez que comentem, ou critiquem. Farei questão de ler todos os comentários (se houver algum).