Capitulo Dois:
"Não espere ser amado,
Para amar."
Como previsto, no dia seguinte corri com uma legião de garotas que, mesmo sendo tão cedo, estavam acordadas.
Mikael ria de mim enquanto reclamava disso tudo com ele:
- Você tinha que ter visto. Era tanta mulher que eu achei que algumas fossem homens disfarçados, por que não podia ser possível. – reclamei e ele riu ainda mais.
- E por que não? – ele me perguntou.
Bufei.
Ele era irredutível. Mudei de assunto.
- Qual era o nome dela? – perguntei.
Mikael entendeu perfeitamente a minha pergunta.
- Angelina. – respondeu ele sorrindo.
- Conseguiu alguma coisa?
- Na verdade, ela combinou comigo de irmos para Hogsmeade juntos. Vai demorar um pouco. Mas ela disse que poderemos conversar no tempo livre, o que já é alguma coisa. – ele respondeu, cheio de orgulho.
Bufei mais uma vez e me voltei para o café da manhã que estava bom demais. Observei estudantes. Para meu total desprezo havia um número gigantesco de garotas que insistiam em ficar no meu campo de visão.
Quando terminei meu café, segui para minhas aulas. E com mais infelicidade ainda, descobri que tinha horário livre na primeira aula. Ótimo. Quem sabe eu pudesse voltar ao navio e encontrar algo com o que me distrair. Ou quem sabe eu poderia aproveitar e colocar meu nome no cálice de fogo, afinal, era horário de aula e teria poucas pessoas para observar. Descartei a idéia. Karkaroff queria que eu fizesse isso junto com ele, depois do jantar. Ele dizia que esse era a melhor hora para se fazer isso, mas eu sabia que ele escolhera essa horário por causa dos telespectadores que teríamos.
Não comentei esse pensamento com ninguém até aquele momento, mas minha força de vontade em manter segredo estava se esvaindo.
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Dois meses depois, eu já estava acostumado a fazer tudo sendo rodeado por imprevisíveis gritinhos. Isso me irritava. Mikael adorava e fazia questão de andar comigo para fazer parte disso, o que era extrema e pateticamente ridículo. E como sempre guardei o pensamento para mim mesmo.
Eu não entendia essa obsessão que as mulheres tinham. Já fazia pouco mais de dois meses que elas conviviam comigo e continuavam a me perseguir.
A pior parte era que elas descobriram meus horários livres e faziam questão de me seguir nessas horas. Isso me irritava. E como sempre, guardei o pensamento.
Em uma simples quarta-feira, eu odiava o dia por que foi em uma quarta-feira que coloquei meu nome no cálice, meu horário livre era o primeiro.
Como estava apenas eu e o mundo naquele dia de particular ventania, decidi dar uma volta pelo castelo, coisa que ainda não tinha feito. Olhei variados quadros, descobri novos cantos e esculturas.
Olhei por novas janelas e descobri novas vistas de vários cantos dos terrenos que pertenciam à Hogwarts.
Tudo estava indo melhor do que eu imaginava e talvez esse fosse o problema. Muita calma e muito silêncio. Olhei em volta.
- Droga! – resmunguei e comecei a quase correr. Garotas.
E eu pude escutar vários passos me seguindo pelo corredor, mas eu era mais rápido e agradeci mentalmente a minha força de vontade para levantar bem cedo e correr em volta da escola e prometi correr uma hora à mais no dia seguinte.
Apertei o passo e vi que elas estavam ficando para trás. Esperei elas desaparecerem de vista para que eu virasse em um corredor e entrasse na primeira porta que eu encontrei.
Fechei a porta e escutei elas passarem direto.
Fiquei um pouco ofegante, mas feliz comigo mesmo. Virei-me examinei o cômodo, descobrindo por fim que estava na biblioteca da escola. Era grande e cheia de prateleiras com milhares de livros.
Havia também algumas bancadas e mesas de madeira para os estudantes e descobri que a biblioteca estava quase vazia. A única exceção era uma garota de cabelos cheios que eu reconheci por andar com Harry Potter e brigar com um ruivo cujo nome eu não sabia.
Lembrei-me dela também por estar na sala do cálice quando eu coloquei meu nome lá. Eu me lembrava de que o olhar dela era indiferente, como se eu fosse só mais um tolo que queria a glória eterna ao colocar meu nome no cálice. Lembro-me que me perguntei por que ela me olhou como se eu fosse só mais um e por que ela não me seguia como as outras, mas logo me esqueci do incidente.
E agora lá estava ela mais uma vez.
Percebi quando ela virou a cabeça para me olhar.
- Ah, não! – resmunguei, esperando que ela fosse gritar histericamente e que pusesse a cabeça para fora da sala e gritasse algo como “Ele esta aqui”.
Mas para minha total perplexibilidade, encontrei os olhos castanhos carregados de indiferença sincera, como se eu fosse apenas mais um rosto na multidão. Ela voltou sua atenção para o livro que tinha nas mãos e não me olhou mais.
Sentei-me em uma cadeira qualquer e me lancei na torrente de perguntas que vinha assombrar minha mente.
Por que ela não olha pra mim? O que é que eu tenho de mal?
Vasculhei minha mente e descobri que ela não era uma das minhas seguidoras de cada dia. Por que não era? Qual era o problema dela? E afinal, qual era o meu problema? Por que eu me importava? Ela era diferente, só isso.
Durante o resto do período, ela não me olhou mais, o que não era o meu caso. Eu olhava para ela de cinco em cinco segundos, me perguntando por que ela era tão difícil de compreender.
Ela se levantou, pegou as coisas dela e mais alguns livros, para sair pelo corredor e fechar a porta atrás de si. Eu não havia chegado a nenhuma conclusão coerente, apenas me levantei e segui o mesmo curso que ela, ciente de que a aula estava para começar.
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Nas semanas que se seguiram, eu voltei minha completa e total atenção para aquela estranha garota, que eu descobri mais tarde ter apenas quatorze anos, o que me fez parar de perseguir Mikael por causa da idade de Angelina.
Eu a encontrava nos corredores do castelo quase todos os dias e na sala comunal. Gostaria de dizer que eu a observava com uma completa e total ignorância, usando o mesmo modo como ela me tratava, mas a verdade era que meu olhar estava atulhado de interesse e isso me incomodava.
Notei que ela era quase inseparável para com os dois garotos: Harry Potter e o ruivo. O modo como ela os tratava me incomodava.
Todas as quartas feiras de manhã eu tinha horário livre e, por mais que eu não quisesse, meus pés sempre me levavam para a biblioteca. E todas às vezes, ela estava na mesma cadeira, do mesmo jeito. E todas às vezes, ela levantava os olhos para ver quem estava chegando.
Com o tempo, ela se acostumou com a minha presença e já não levantava os olhos quando eu chegava à biblioteca. A falta de seu olhar, mesmo que indiferente, me incomodava.
E o fato de isso tudo me incomodar, era o que mais me importunava, para não usar mais de uma vez a palavra “incomodar” em uma mesma frase.
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Era noite. Estávamos na sala do cálice esperando um Dumbledore apressado dar a notícia de quem seriam os escolhidos para participar do torneio Tribruxo. Todos estavam muito empolgados. Todos, exceto eu, que já sabia o resultado. Eu sei, estou sendo mesquinho, mas a verdade é que estava na cara que eu seria um deles, embora eu esperasse avidamente o contrário.
Como previsto, meu nome foi o primeiro que saiu do cálice:
- O campeão de Durmstrang, é Victor Krum! – eu sorri, apenas para não deixar claro para todo mundo ver minha infelicidade absurda.
Karkaroff deu um urro de alegria e senti mãos e mãos me dando tapinhas nas costas e retribuí a todos com um aceno de cabeça ou um sorriso simpático, mas minha vontade era cair em prantos e pedir que não me obrigassem a isso. Mas, como sempre, guardei o pensamento para mim mesmo.
Ouvi meus companheiros de escola gritarem de felicidade e Mikael me deu um grande abraço, mas meu corpo ansiava por um par de braços que eu nunca senti.
Procurei por ela no meio da multidão de alunos de Hogwarts e a encontrei, como sempre, concentrada em um livro. Meu coração deu um pulo ao constatar que ela não me olharia.
Levantei-me e andei até Dumbledore para apertar-lhe a mão.
- Boa sorte, meu rapaz. – ele desejou.
- Obrigado. – respondi.
Segui por onde ele apontava e a porta deu em uma sala cheia de troféus antigos de torneios passados. Havia uma lareira e sofás, mas obriguei-me a prestar atenção aos nomes que eram pronunciados por Dumbledore.
- A campeã de Bombardons, é Fleur Delacour. – ouvi gritinhos histéricos que vinham das meninas da academia. Eu conhecia Fleur. Era uma loira extremamente atraente, assim como todas as meninas da academia. Por isso ela era tão comum.
Logo, ela entrou porta adentro com um sorriso enorme no rosto e se dirigiu a mim:
- Olá. – ela parecia radiante.
- Oi. – respondi estendendo a mão. – Victor Krum.
- Fleur Delacour. – ela apertou minha mão.
Ambos voltamos nossa atenção para a voz de Dumbledore, que anunciava mais um campeão:
- O campeão de Hogwarts, é Cedrico Diggori! – um estrondo de aplausos. É claro que eles seriam os mais barulhentos, afinal, estavam em maior número.
Como antes, um garoto de gravata amarela entrou com um mesmo sorriso no rosto.
- Oi! – ele estendeu a mão para mim. – Cedrico.
Peguei a mão dele.
- Victor.
Então ele se voltou para Fleur.
- Olá. – ela sorriu. – Fleur Delacour.
- Cedrico. – ele sorriu de volta.
Retirei minha atenção deles e examinei os troféus. Eram bonitos e agora que a tensão do início do torneio estava desfeito, pude me dar o privilégio de admirá-los.
Escutei um súbito silêncio.
- Harry Potter! – Dumbledore gritou.
Ótimo. Agora ela com certeza levantaria os olhos daquele livro velho.
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N/A: dedico este capítulo à barbara de azevedo aguiar, que fez de seu comentário meu primeiro momento crítico como FicWriter. E não se esqueçam de comentar muito!!!
P.S: não sei se escrevi o nome das escolas direito, me corrijam se eu estiver errada. ( o que tem muita chance de acontecer. )