DUALIDADES
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"Je ne parlerai pas,
je ne penserai rien.
Mais un amour immense
entrera dans mon âme "
"Sensation", Jean Nicolas Arthur Rimbaud
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Autor: Ana Claudia Snape
Pares: Snape/Lily
Censura: NC-17 (para maiores de 18 anos)
Gênero: Romance, Erotismo
Resumo: Apenas delírios. Um sonho de amor entre dois personagens trágicos.
Observação: Essa fic contém cenas de sexo entre menores de idade.
Disclaimer: Rowling, eu sei que você nunca escreveria algo assim, mas os personagens, infelizmente, lhe pertencem... e eu não ganho nada com isso, ok?
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Somos bons amigos, Sev e eu. Ele não é um garoto bonito. Até muito pelo contrário. Petunia o acha horrível., Mary também. O que elas não sabem é que seus olhos negros me transmitem um calor estranho, e o desejo que ele sente por mim faz com que minha pele queira tocar e provar a dele. Ele é meu.
Elas não vêem o que eu vejo. Quando ele me explica de qual forma descobriu que uma poção se torne mais fácil, e truques para simplificar um feitiço que parecia tão complicado, meu peito se enche de orgulho e admiração. E Severus é cheio de truques. Como quando passeia seus dedos por minha nuca, por debaixo de meus cabelos, enquanto eu tento fingir que estou estudando. Ele sente que me deixa excitada. Por várias vezes ele já me convidou a explorar a Floresta Proibida, sabendo que às vezes o que é proibido atrai.
Os meninos brincam, jogam quadribol, zombam do rapaz diferente. São tão cheios de si, como se fossem feitos de um material melhor, senão sangue, pele, carne e osso. Ele reage, como pode. Já me pediu para não defendê-lo, acho que se sente inferiorizado.
Somos amigos, ele diz, e isso parece ser muito importante. Amigos... como se eu não percebesse o olhar morno que ele me dirige quando estou vestida "de verão", como ele dizia quando éramos crianças e fugíamos para o balcão abandonado para tomar sorvete sem sermos incomodados. Agora, quando estou "de verão", meus seios parecem atraí-lo e deixá-lo zonzo. Isso me agrada.
Mas aqui em Hogwarts ele não se define, não é o mesmo Sev das férias, dos sorrisos, das andanças de mãos dadas pelo parque dos patos.
Quando me beijou pela primeira vez, me forçando a provar um feijãozinho de sabor de lírio ("o seu feijãozinho", ele disse), foi como se o mundo ao nosso redor ficasse leve, e nossos corpos, pesados e ardentes. Ele queria mais, muito mais que um beijo, eu percebi, mas tinha medo.
Do que eu tinha medo, não sabia. Nas férias ninguém nos importuna, a não ser, ocasionalmente, minha irmã. Na escola, é diferente. Ele tem uma reputação a zelar. Eu sou uma sangue-ruim, é o que provavelmente falam seus amigos. Mas é esse sangue que ele quer deixar quente, no ponto certo para o bote.
Ao mesmo tempo que ele é intenso, é também muito doce, quando quer. Essa dualidade me encanta. Eu sinto um esforço, uma luta, um desejo guardado e controlado. E também me sinto duas. São duas Lilys, uma quer fugir para a Floresta e envolver-se com um sonserino ardiloso, ser sua presa, sua recompensa, entregar-se ao agora. Outra quer afastar-se, ser "pura", um lírio branco e casto que somente um príncipe poderá arrancar do caule. E Severus está longe de ser um príncipe, apesar do apelido bobo que inventou para si.
Eu sei do que ele é capaz. Quanto a mim, resta-me dúvidas. Quem sou eu? Ainda não me conheço.
Estudamos agora. Não Poções - estamos já cansados dessa matéria - mas transfiguração. Ele já consegue fazer feitiços não-verbais, o danado, e me surpreende quando transforma minha pena em uma rosa vermelha. Eu o olho e ele parece querer me beijar, ali, na biblioteca mesmo. O que é que me atrai nele? Mary acha que eu tenho pena dele, e tenho sim, muita pena, mas é mais do que isso. Eu sinto uma perversidade, um incontrolável desejo de vingança, de se sobressair, de dominar... E uma das duas Lilys que habitam em mim deseja muito, muito ser dominada. E dominar.
Vamos então, escondidos, para a Floresta, nervosos, tomando cuidado para Hagrid não nos ver. Chegamos num recanto pouco iluminado pelo luar. Ele sussurra: "quero lhe dizer uma coisa", e eu não quero ouvir nada. Ouvir o que minha alma sempre soube? O cheiro de natureza é ao mesmo tempo angustiante e aconchegante, e quando ele deita-se na relva, puxando-me suavemente, meu corpo me surpreende, desejando mais brutalidade.
Ele percebe minha decepção, mas quer certamente saborear aquele momento, talvez prevendo que no futuro o lado obscuro de sua Lily volte a ser enjaulado. Passeia seus dedos pelos meus seios, seus lábios suavemente roçando minha orelha. "Eu te amo", diz, a voz suave entrecortada por uma respiração cada vez mais espaçada. Ele abre minha blusa, e sorri no meu ouvido ao perceber minha excitação. E o triunfo dele me deixa mais submissa, deixo ele conduzir minha mão por entre suas calças, e me assusto. Não tem mais volta. Então vem o beijo, bendita língua que acaricia a minha, e me faz tremer, e sua mão percebe que não estou usando nada por baixo da saia. Sua ânsia aumenta de tal forma que temo que tudo termine ali, somente nas preliminares, mas ele se controla, meu Sev, agora bruto e totalmente dominado pelo desejo. Não vai deixar de me deflorar, uma flor colhida sob o luar, num local proibido: minha libido. Eu quero tocar seu corpo, despi-lo, e ele convoca um feitiço que desconheço, tornando o clima ameno, sem choques entre a temperatura de nossos corpos e o mundo lá fora, o resto, o que não importa. Nada importa porque nos despimos de tudo.
A menina má se comporta como vítima mas é ela que se serve de prazer, do corpo macio, a pele eriçada, porque a Lily "Lilith" passeia seus seios pelo peito do rapaz dominado. Ele lhe beija o pescoço, pedindo sua boca, mas ela resiste, quer ser beijada em cada pedaço de sua carne, antes de se entregar. E o jogo esquenta quando ele pincela com saliva suas costas, sua barriga, sua vagina... É um jogo difícil onde ela controla o parceiro e o próprio corpo. "Sev..." murmura minha voz lá longe, em outra dimensão.
Ele quer carinho, uma troca, e ela, essa minha metade, sorri, possuída, brincando com seus desejos, os olhos negros pedintes e eu zombeteira, fingindo pudor onde reina a voracidade, alguns segundos de incerteza antes de abocanhá-lo e senti-lo totalmente subjugado. Em poucos minutos ele não se controla, e me atira com força contra a relva, penetrando-me: pênis, língua, alma e tormentos, seus beijos não são de príncipe, mas de vilão, e eu deliro, libertada finalmente. "Ela" sempre o quis, e dessa maneira. Dominante e dominada. E quando tudo acaba, miraculosamente perfeito, sente o corpo dele pesando sobre o seu, e sonha. Sonha com uma floresta encantada onde a moça boa e o vilão pecador não são mais do que animais, sem diferenças, sem credo, sem crenças, sem conflitos.
Ele vira-se, são dois corpos ao luar, banhados de suor e repletos de satisfação, mãos dadas. Ele não irá esquecê-la, e ela guardará para sempre em sua metade insanamente devassa, o amor que sente por ele.
Apenas bons amigos, somos nós...
*** Fim *** |