No sábado de manhã Alicia pediu para as amigas deixarem-na dormir. As três, então, desceram para o café. Trinta minutos depois Alicia fora novamente despertada.
- ALICIA BROOKE! – Começou Susan puxando as cobertas da amiga.
- COMO ASSIM VOCÊ NÃO CONTA NADA PRA GENTE? – Kate estava indignada.
- EU PENSEI QUE FÔSSEMOS SUAS AMIGAS! – Rafaela olhava, incrédula.
Alicia piscou algumas vezes e, ainda bocejando, sentou-se na cama.
- Oi, bom dia pra vocês também! Do que estão falando e por que me acordaram se há pouco pedi pra dormir mais? – Parecia confusa. Estava completamente sonolenta.
- Alicia... – Susan começou séria, sentando-se na cama da amiga e sendo acompanhada pelas outras duas. – COMO você não contou que rolou O MAIOR clima entre você e o Chad ontem?!
As três a encaravam indignadas.
- Quem falou isso pra vocês?
- Que tal todo mundo que estava lá ontem? – Kate sugeriu.
- Ou, talvez, TODO o salão principal? – Rafa perguntou, em falsa dúvida.
- A verdade é, senhorita Brooke, que fomos as últimas a saber!
- Gente, eu juro, não foi nada disso! A gente só dançou. E foi uma música só!
- E a parte que ele foi te defender do Jack? – Susan continuou. – Isso foi mentira, também?
Alicia corou um bocado.
- Tá, isso também. Na verdade, ele só me tirou de lá... Seu irmão quem falou alguma coisa. Mas eu sequer ouvi.
- OH MERLIN! – Rafa começou.
- QUE PERFEITO! – Kate completou a amiga.
- Alicia Brooke e seus dois heróis. Poético. – Susan comentou, rindo.
- Isso não tem graça... – Alicia murmurou. – Preferia que fosse um herói só. E que ele fosse realmente meu.
- AAAAAAH O AMOR! – As três gritaram juntas e pularam em cima de Alicia.
Na hora do almoço Alicia pôde perceber alguns cochichos. Se antes eram por Jack Cardigan, agora era por causa de Chad Muller. Estava quase terminando sua refeição quando duas corujas aproximaram-se com um grande embrulho. Alicia sorriu. Desembrulhou, apressada, com ajuda de Susan.
- Oh Merlin! Uma Runner 800! – A menina não podia acreditar.
- É a vassoura da seleção júnior da Inglaterra! – Susan exclamou. – O Tom vai morrer.
- Susan, eu quero ele bem vivo. – Alicia comentou séria, antes de corar e cair na gargalhada.
- Nossa, quantos risos... – Stephanie aproximava-se da mesa. – UOU! De quem é essa maravilha, aí?
- Minha. – Alicia respondeu. – Que tal?
- Não vai ter pra ninguém, sério! – Virou-se pra outra ponta da mesa. – John, Pete, Chad! Venham aqui!
- Nossa, que movimentação é essa? – Pete perguntou.
- Olhem ISSO! – Stephanie indicou a vassoura sobre a mesa.
- UAU! – Todos os três exclamaram juntos. Alicia e Susan sorriram.
- Isso é de quem?
- Minha! – Alicia respondeu, outra vez, orgulhosa. – Acabei de ganhar de presente!
- É... Acho que está na hora de o Cardigan se preocupar, também, dentro de campo. – Chad comentou, sorrindo. Alicia corou.
A tarde de sábado ia se despedindo e, após o jantar, a maioria dos alunos foi conversar na parte externa – o calor no castelo estava quase insuportável.
Alicia conversava animadamente com Rafaela, tendo em vista que Susan estava hipnotizada olhando Richard e Kate conversava, do outro lado, com algumas amigas da Lufa-Lufa.
- Mudando um pouquinho de assunto, Aly... E o Chad, ein?
Alicia jogou-se na grama.
- Vocês não desistem né? Nós somos só amigos!
- Da sua parte, pode ser que sim... Mas ele quer bem mais que isso, Aly...
- Ah Rafa... O Chad é um amor, um gatinho e tal... Mas meu coração tem dono... – Suspirou.
- E falando nele... – Rafa sorriu.
Alicia, rapidamente, sentou-se de novo e ajeitou o cabelo. Suspirou, decepcionada, ao vê-lo caminhando na direção de Christine, a poucos passos de distância.
- Sabe Emily... Ele beija bem... Muito bem, até... Digamos que eu esperava menos. – Christine recostava-se na árvore.
- Isso você disse. Sobre os dois, aliás. Mas queria saber quem é o seu preferido... – Emily sentou-se ao lado da amiga.
- Na verdade, o Jack é aquele que me pega de jeito... O beijo dele é ótimo... Mas o Thomas... Sabe aquela inocência? Aquela coisa doce, romântica? Ele é o perfeito cavalheiro. O cara certo pra namorar...
- E quando isso acontecer o Jack fica como?
- É o outro, oras! – As duas riram.
- Ah, e aquele aluno novo? Qual é mesmo o nome dele?
- Rich? Richard Brettan? Oh Merlin... Ele também está na lista... Tenho que preparar o terreno primeiro...
Emily olhou ao redor e fixou o olhar num grupo bem próximo.
- Então é bom correr, porque do jeito que aquela menina olha pra ele, logo ele vai sumir!
Christine olhou na direção indicada.
- Aquela moreninha ali? Você acha mesmo que ela tem alguma chance com Rich? Por Merlin, Emily... Achei que você fosse mais sensata! Além de tudo ela é minha futura cunhadinha querida... – Acrescentou em tom de deboche que fez Emily rir outra vez.
Calaram-se e mudaram de assunto quando Christine percebeu uma aproximação.
- Com licença, senhoritas... – Thomas sorriu.
- Tom! Estava dizendo, agora mesmo, para Emily que estava com saudades suas!
- Pois é... Não falou outra coisa! – A garota sorriu e levantou-se. – Bem, agora vou deixa-los a sós... – Jogou um beijo para Christine e foi juntar-se a Vanessa, Mary e Katerina.
- Fico feliz em saber que estava pensando em mim...
- Eu sempre penso! Agora... O que tem aí atrás ein? – Christine tentou, em vão, ver.
Thomas sentou-se ao lado dela ao mesmo tempo que estendia-lhe uma flor rosa.
- Na verdade... Queria saber se você aceita namorar comigo... Se você não tiver nada melhor pra fazer, claro... – Ele brincava com a situação.
- Oh Merlin! – Christine pegou a flor. – É claro que eu aceito! – E, sem cerimônia nenhuma, beijou Thomas apaixonadamente. Ou era o que parecia.
- Oh Merlin... – Kate murmurou sombria. Pediu licença as amigas e foi quase correndo na direção de Alicia, Susan e Rafela.
Alicia, que decidira ignorar Christine e quem quer que estivesse com ela, assustou-se com a chegada da amiga.
- Kate! O que houve? Você está pálida!
- Aly... Não queria ser eu a dar a notícia, mas...
- MERLIN ME DEIXE ESTAR ENGANADA. – Susan berrou.
Na mesma hora, Rafa e Alicia olharam. Rafaela ficou boquiaberta, Alicia piscou algumas vezes. Levantou-se, mecanicamente, e começou a caminhar de volta pro castelo, o olhar ainda perdido.
- Aly! – Kate ainda tentou impedir a amiga, em vão. – Eu sinto muito, Suse...
Susan levantou-se.
- Vou me retirar daqui com o que resta da minha dignidade... – Susan declarou antes de sair caminhando pro castelo.
As duas amigas restantes suspiraram juntas e, pouco depois, foram atrás de Susan. Alicia, tinham certeza, não seria tão fácil de encontrar.
Susan estava à beira de um ataque histérico quando Katerina e Rafaela a encontraram no dormitório bagunçando tudo.
- ELE NÃO ME ESCUTA! – Arfante, jogou-se na cama.
- Suse, eu sei que é meio ruim pedir isso agora, mas... Calma, ok? – Rafa aproximou-se.
- Temos plena consciência de que a Christine era a última pessoa que você queria ver com seu irmão, mas ele quem escolhe, né?
Susan sentou-se e encarou as duas.
- Eu sei que devo estar parecendo uma maluca... Mas meu sexto sentido me diz que essa garota NÃO PRESTA!
- Não precisa gritar, Suse! Só estamos nós aqui!
- Sinto muito, Rafa... Acho que fiquei um pouco descontrolada demais.
- Além disso, tem alguém que vai precisar do nosso apoio agora. – Kate comentou, preocupada.
- OH MERLIN! – Susan arregalou os olhos. – Por um momento esqueci completamente da Aly! Onde ela está?
As duas apenas encolheram os ombros.
- Pelo visto ela só vai aparecer quando já estivermos dormindo... – As três suspiraram, juntas.
Alicia chegara até o salão de troféus. Fora parar ali automaticamente. Aproveitou, quando parou, para enxugar as lágrimas que escorriam. Tinha certeza que isso um dia aconteceria... Só não esperava que fosse ficar TÃO frágil assim. Thomas já se envolvera com outras meninas, mas Alicia nunca ficara TÃO balançada. Respirou fundo muitas vezes até se acalmar. Ficar daquele jeito não adiantaria. Além disso, sempre dissera para si mesma que aquele era um amor platônico. Thomas Fletcher nunca olharia pra ela. Mas de certa forma era decepcionante aquilo. E justo Christine Chesty... Se sua mãe e Steve realmente se acertassem poderiam ser até irmãs... Seu estômago deu um tranco com tal pensamento. Ficou horas quieta na sala mal iluminada. Quando achou seguro, pouco depois das duas da manhã, retornou ao dormitório. As amigas dormiam, ou fingiam. Ficou parcialmente feliz por elas respeitarem seu momento. Ao menos até a manhã seguinte. Enfiou-se em baixo das cobertas e demorou algum tempo até pegar no sono.
Juliet terminava seu jantar após um sossegado dia de trabalho. Ao menos nenhum sinal de aurores convidados pelo andar. Ainda restavam duas ou três semanas até a tal convenção. Não sabia ao certo. Depois de um longo banho recostou-se na cama para ler. Adorava ler livros trouxas, eram criativos demais e valiam a pena.
Nem meia hora havia se passado quando uma coruja entrou pela janela do quarto. Juliet sorriu. Alicia.
“Um milhão de agradecimentos seriam
pouco pra expressar o que eu quero.
Amo você mãe! MUITO OBRIGADA!
Aly.”
Satisfeita, colocou a carta de lado e ia retomando a leitura quando outra coruja – dessa vez marrom e imponente – adentrou o quarto e, após largar uma carta na cama, pousou no parapeito. Juliet ergueu uma sobrancelha. Não estava esperando mais cartas e sequer conhecia aquele animal. Abriu o envelope.
“Peço-lhe perdão pelo adiantar da hora e
pela ousadia de escrever este bilhete.
Mas, realmente, preciso saber se você aceita
almoçar comigo amanhã.
Carinhosamente,
Steve Chesty.
P.s.:A coruja tem ordem para não sair enquanto
não tiver uma resposta. Então, mesmo que negativa,
não deixe de me avisar.
P.s. 2: Se aceitar, encontro você às 13 no saguão do
Ministério.”
Juliet não pôde conter um sorriso com o tom divertido e informal do bilhete. Por um momento pesou todas as possibilidades. Tinha de assumir que o jogo e o jantar foram agradabilíssimos; e que Steve sempre fora um cavalheiro. Não custava desfrutar de boa companhia durante um almoço. Além do que isso serviria para afastar da cabeça pensamentos confusos sobre o passado. Foi até a escrivaninha onde escreveu um “Amanhã, 13 horas.” e prendeu a resposta à pata da coruja. Enfim, tornou a recostar na cama e continuar sua leitura. |