Capítulo doze: Segunda Chance
James estava sentado segurando as mãos de Lily, observando a mulher digerir a verdade. Ela estava em completo silencio, ouvindo o marido contar sobre tudo o que havia acontecido naquele dia.
Damien foi mandado para a Toca com a intenção de passar o resto do verão por lá. Normalmente ele ficaria muito feliz e elétrico por estar indo pra lá, mas não ficou, pois sabia que algo estava errado. O garoto tentou perguntar para seu pai o que estava acontecendo, mas só lhe disseram que os Weasleys esperavam por ele naquela noite, portanto teria que ir imediatamente.
Lily estava aliviada por James ter mandado Damien para a Toca. Ela não ia conseguir lidar com as perguntas dele. A mulher estava lutando para que a notícia sobre Harry estar vivo, não a sobrecarregasse, mas isso era impossível. Harry estava vivo! Seu filho, o qual havia pensado em todo momento estava na verdade vivo, ela poderia vê-lo, toca-lo e ouvir sua voz mais uma vez.
Lily sentiu como se suas orações fossem finalmente ouvidas e estava agradecida a Merlin por conseguiu isso. Ela nem mesmo estava ligando para o fato de seu filho ser quem era. Ele era o Príncipe Negro!
A mulher estava sentada com as mãos na cabeça e parecia exausta, James que estava a seu lado, havia acabado de contar a história e tinha lágrimas nos olhos.
“Eu quero vê-lo.” Sussurrou Lily para o marido.
“Lily, nós podemos vê-lo ama...”
“Não! James, eu quero vê-lo agora!”
“Lily, ele não estará acordado agora e ele... Não vai querer falar conosco.” James disse a última parte com o coração realmente partido.
“Como você sabe disso? Talvez ela já tenha se acalmado! Eu não me importo James, eu quero ver o meu filho!” Lily estava chorando. Sua voz estava mais rígida e suas bochechas estavam começando a ficarem vermelhas.
James assentiu. Os dois foram para o Quartel General da Ordem.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Madame Pomfrey estava exausta. Ela havia finalmente encontrado uma posição confortável para o adolescente. Estava prestes a deitar no sofá para descansar quando ouviu uns barulhos no andar debaixo.
“Honestamente, Eles poderiam ter consideração com esse pobre garoto. Ele está dormindo!” Ela murmurou para si mesma.
A enfermeira andou rapidamente até a porta para fecha-la o mais silenciosamente possível. Ela tinha dado apenas alguns passos quando viu Lily Potter, seguida por James Potter. Poppy era muito amiga de Lily, já que as duas trabalhavam em Hogwarts.
Pomfrey olhou-a com compaixão. Ela não imaginava o quão mal a mulher deveria estar se sentindo agora por ter o filho de volta depois de quinze anos e em tais circunstâncias. Lily nem precisou dizer nada, ao aproximar-se Poppy colocou a mão em seus ombros e deixou-a passar.
“Apenas tente não acorda-lo. Ele acabou de dormir.”
Lily forçou um sorriso e assentiu agradecida.
Ela viu o adolescente deitado na cama, sua respiração ficou rápida. Lily tentou diversas vezes chegar mais perto de seu filho, ela sempre imaginou como Harry iria ser se não fosse por aquela noite trágica e sempre chegou à conclusão que ele seria parecido com James. Quando criança ele tinha os cabelos revoltos, o nariz e a boca do pai. Nunca imaginou que o garoto seria exatamente como James.
James entrou no quarto, mas ficou parado na porta, olhava sua mulher chorar por finalmente ter encontrado seu filho, Lily sempre sonhou com esse momento. Ele só queria que as circunstâncias fossem diferentes e assim pudessem levar seu filho para casa. James ainda não havia falado com Dumbledore, o diretor estava falando com o Ministro e pela demora, não era coisa boa.
Lily observava tudo em seu filho, até o ritmo da respiração dele. Olhava sua face, suas feições, seu cabelo bagunçado, o jeito que seu peito subia e descia. Ele parecia em paz e em sono profundo e ela detestaria acorda-lo, mesmo que quisesse muito. A mulher caiu no chão ainda mantendo seus olhos verdes vidrados em seu filho.
“Harry, oh meu... Harry.” Ela silenciosamente dizia. Imagens de Harry bebê passavam em sua mente como um flash, Lily não conseguiu segurar o choro. Harry quando acabara de nascer, Harry com três meses, Harry quando chorou pela primeira vez, Harry com nove meses quando disse ‘papa’ e ‘mama’, Harry em seu primeiro aniversário, Harry com quinze meses quando foi tirado de sua família tão cruelmente.
James andou até sua esposa e ajudou-a a levantar, sussurrando palavras de conforto.
Os dois pais pararam no meio do quarto chorando e observando o filho, chorando pela felicidade de tê-lo novamente, mas também chorando por causa do que o futuro os reservava. Os dois sentaram-se próximos a cama, estavam inseguros sobre o futuro, mas estavam determinados a não desperdiçar o presente. James e Lily passaram a noite inteira assistindo seu filho dormir.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Harry acordou de repente e levou alguns momentos para descobrir o que o havia despertado. Ouviu barulho de louças e o cheiro de café da manhã sendo preparado. Vinha do andar debaixo. O garoto olhou em volta procurando por Poppy.
“Ela deve ter ido embora à noite” Murmurou para si mesmo.
Harry fechou os olhos e respirou fundo. Sentia-se um pouco melhor do que na noite passada. Abriu os olhos devagar e tentou sair da cama. Seus pés tocaram o chão e ele cuidadosamente levantou, seus tornozelos ainda doíam, mas ele sabia que isso só iria passar depois de alguns dias bebendo ‘poção reparadora de músculos’ junto com outras poções reparadoras de ossos. Essa não era a primeira vez que ele quebrava alguma coisa. Suas costas doeram ao ficarem eretas, mas ele ignorou. Ele sabia que a maioria dos integrantes da Ordem estariam tomando café, portanto esse era o melhor momento para escapar.
Ele dolorosamente encaminhou-se até a porta e abriu-a. Depois de ter olhado em todas as direções e não ter visto ninguém por perto, Harry rapidamente desceu as escadas, sentia cada vez mais dor, mas estava ignorando-a. O garoto chegou no primeiro andar e tentou ouvir algo; Nada. Ele não tinha companhia, portanto não desistiria agora. Seu tornozelo doeu muito quando Harry pisou com mais força. Ao andar mais um pouco, escutou vozes que vinham de um cômodo a sua direita. A sala estava deserta, rapidamente ele aproximou-se da porta da frente.
‘Isso foi muito fácil.’ Pensou quando chegou em frente à porta. ‘Por que não tinha ninguém o observando e por que não haviam guardas na porta?’
‘Talvez eles não esperem que eu saia pela porta da frente’. Ele pensou consigo.
Harry estava bem em frente à porta, parou para ver se escutava passos. Ao não escutar nada, ele respirou fundo.
De qualquer jeito, suas mãos foram até a fechadura da porta, ao encostar uma força invisível o jogou para trás e o adolescente caiu dolorosamente de costas. Harry deixou um gemido escapar por seus lábios. Ficou deitado ali por um momento, respirando rapidamente para não agravar a dor em suas costelas. Antes que ele tivesse a chance de levantar-se, ouviu uma voz.
“Eu devia ter-lhe avisado sobre isso.”
Harry olhou para cima e viu Dumbledore e vários aurores parados atrás dele. O garoto grunhiu, Dumbledore era a última pessoa que ele queria ver agora, especialmente em seu atual estado. O adolescente cerrou os lábios para não gemer nem chorar por causa da dor intensa que estava sentindo.
Dumbledore observou o garoto olha-lo com raiva. Viu Harry tentar levantar, o bruxo mais velho queria ajuda-lo, mas sabia que o garoto não aceitaria. Ficou em silencio esperando-o ficar em pé e recompor-se. Somente quando Harry conseguiu, ele falou novamente.
“Essa casa inteira tem muitos escudos poderosos Harry, somente um membro da Ordem pode ir e vir, de resto, todos são escoltados.” Ele terminou e percebeu que o olhar que o garoto lançava-lhe estava mais profundo, Dumbledore podia até sentir doer.
“Venha Harry, vamos sentar, tenho certeza que você vai recuperar-se de ontem.” Dumbledore disse com uma voz culpada. Ele não aprovava o plano de Sirius e com certeza não fazia idéia dos feitiços utilizados contra o garoto.
“Eu não vou a nenhum lugar com você!” Harry disse. Sua voz raspava na garganta.
Dumbledore olhou tristemente para o adolescente, doía ter tanto ódio voltado a ele. O diretor abriu a boca para tentar acalmar o garoto, mas antes que pudesse dizer algo Harry subiu as escadas pulando com o pé que não estava machucado.
“Harry você não acha que devemos conversar sobre as circunstâncias atuais?” O diretor perguntou.
Harry virou-se para Dumbledore.
“Eu não tenho nada para falar com você e também não quero ouvir nada que venha de você!”
Três aurores apontaram suas varinhas para Harry. O garoto olhou-os por alguns instantes. O olhar de fúria que havia em Moody, Kingsley e Arthur era enorme, eles nunca tinham visto ninguém falar com Albus daquela maneira. O diretor pediu para que eles abaixassem suas varinhas, ele esperava por isso. O adolescente virou-se novamente para as escadas e subiu sem falar mais nada, foi direto para o quarto.
Dumbledore voltou para a sala de jantar, seguido pelos três aurores. Sua cabeça doía um pouco, ele havia sentido um pouco da raiva do garoto.
Harry não tinha nenhuma escolha a não ser voltar para a cama. Respirou profundamente, ele estava com problemas agora. A qualquer momento o Ministério iria até lá para prende-lo, ele provavelmente estaria em Azkaban até o escurecer! Ele tinha que sair dali, mas como? O garoto não estava em condições de destruir os escudos, nem mesmo achava que seria capaz de levantar-se novamente sem sentir dor. Seus pensamentos foram interrompidos por uma batida na porta. Harry mandou entrar e viu Poppy que parecia um pouco cansada. Deu um sorriso ao vê-la correr até ele preocupada.
“Harry! O que em nome de Merlin você está fazendo? Deite-se nesse instante!”
Ela empurrou-o até a cama, checou-o e depois que terminou de ver se todas as feridas estavam melhorando sentou-se numa cadeira. Poppy aparentava estar exausta.
Harry sentou-se na cama e sorriu.
“Terminamos, certo?” Perguntou.
“Sim.” Foi a resposta.
“Ótimo. Agora me diga como eu saio daqui?”
Poppy olhou Harry tristemente.
“Harry, por favor, você sabe que não pode sair.”
“Poppy, você não entende. Eu não posso ficar aqui. Não é seguro. Se eu não sair agora, eu irei para Azkaban.” Harry parou para que suas palavras tivessem efeito.
Poppy ficou realmente desconfortável, ela estava apertando as mãos e ainda parecia preocupada com ele, levantou-se e aproximou-se do garoto.
“Harry, se eu pudesse te ajudaria. Mas eu não posso, eu não sou membro da Ordem, não tenho passagem livre.”
Ela olhou para o rosto do garoto com o coração partido. Sabia que Dumbledore não queria que Harry fosse ferido, mas será que ele tinha autoridade suficiente para não deixar o garoto ir para Azkaban? Ela não queria pensar nisso. A enfermeira empurrou as mechas que caiam na testa dele e sorriu tristemente.
“Eu sinto muito, Harry.”
Harry meramente assentiu. Ele teria que fazer um outro plano.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Dumbledore estava sentado com os Membros da Ordem. A maioria estava esperando sobre as noticias do destino de Harry. Tudo o que ele disse é que o Ministro iria rever o caso. Tonks e Molly estavam lavando a louça enquanto Arthur conversava com James, Sirius e Remus. Lily ainda estava chocada. Moody e Kingsley estavam num canto perdidos em seus próprios pensamentos.
Lily olhou em volta quando Dumbledore começou a conversar com Molly. Ela pensava seriamente sobre o que o diretor havia lhe contado. Ele estava tentando ajudar Harry. Queria que o garoto soubesse a verdade sobre quem ele é e quem Voldemort é, para que ele viesse para o lado da luz. Lily não se importava com isso agora, sua mente estava lá em cima. Ela foi praticamente arrastada pra fora do quarto por James para poder descansar. Vagarosamente ela começou a fazer um prato de café da manhã. James a viu e aproximou-se.
“Lils, eu não creio que ele...”
“Não James. Por favor, não.” Lily estava com uma voz chorosa.
James parou de falar instantaneamente e abraçou Lily pela cintura. Deu a ela um olhar de compreensão e colocou um pouco de suco de abóbora num copo para Harry.
Ambos saíram da sala e todos ficaram sem saber como reagir. Moody grunhiu um pouco, mas voltou para seu lugar silenciosamente. Todos decidiram ignorar o ‘Café na cama’ e voltaram aos seus afazeres.
James e Lily subiram silenciosamente. Os dois estavam extremamente nervosos. Abriram a porta e entraram, mas pararam no meio do caminho ao verem Harry sentado na cama conversando com Poppy.
“O que tem nesse?” Harry estava perguntando enquanto segurava um vidrinho contendo uma poção escura.
“Asas de libélula, pernas quebradas de besouro e...” Poppy dizia.
“Ok. Não me conta.”
“Então por que você perguntou?”
“Apenas curiosidade.”
Harry deu a Poppy um sorriso e engoliu a poção em um só gole. Ele deu uma estremecida.
“Eugh, Espero que você saiba o quão horrível isso é.” Disse olhando a enfermeira.
Lily e James sorriram. Essa era a primeira vez que escutavam a voz de seu filho, ela era semelhante a de Damien. James já havia escutado, mas sempre foi quando estavam lutando, agora era a primeira vez que escutava a voz de seu filho em um tom normal.
Pomfrey e Harry viraram-se para vê-los. A enfermeira deu aos dois um enorme sorriso, mas Harry fechou a cara e fuzilou ambos com o olhar.
Poppy percebeu a reação de Harry e rapidamente saiu dizendo que tinha coisas a fazer no andar debaixo. O garoto nem mesmo viu quando ela saiu do quarto. James e Lily sentiam-se extremamente incômodos. O adolescente abaixou a cabeça e começou a encarar suas mãos. Lily deu um passo e vagarosamente sentou na ponta da cama, James a seguiu relutante.
Lily colocou o prato ao na mesinha ao lado da cama e olhou para seu filho. O moreno nem mesmo olhou-a de relance. A mulher finalmente conseguiu ver os olhos do filho e sentiu seu coração inundar-se de felicidade. ‘Ele definitivamente tem os meus olhos!’ Pensou consigo. James juntou-se a esposa e colocou o copo de suco ao lado do prato.
Lily não conseguiu esperar mais, ela aproximou-se de Harry e tocou seu rosto. O garoto afastou-se e deu-lhe um olhar gélido que a fez se afastar.
“Harry! Qual é o...” Lily foi interrompida ao ver seu filho levantar-se da cama. O adolescente encarava os dois adultos.
“Harry, por favor, deite-se você ainda não está completamente curado. Você vai se machucar.” Disse James.
“Um pouco desapontados, não?!” Harry disse e Lily conseguiu perceber o veneno em sua voz.
James olhou seu filho em choque.
“O que você quer dizer?”
“Vocês não esperavam que eu sobrevivesse, esperavam?!” Harry exclamou e dessa vez tinha um brilho diferente em seus olhos esmeraldas. Parecia uma mistura de mágoa e raiva.
Os dois adultos ficaram estupefatos com a acusação de Harry.
“Harry, como você pode dizer isso? Você sabe que o que aconteceu foi um acidente, eu nunca atacaria você se soubesse que na verdade você era meu...”
James parou, ele ainda não conseguia se conformar que na verdade o Príncipe Negro, aquele que matou e torturou tantos, era seu filho. O garoto estava olhando-os com tanta repulsa que Lily teve que desviar o olhar.
“Você não entende Potter?! Eu não sou seu filho. Seu filho morreu há anos atrás. Eu sou o filho de Lorde Voldemort.”
Lily e James ficaram sem fala. Eles tinham se preparado para lidar com Harry, mas não esperavam escutar tais palavras. Os dois tentaram amenizar a fúria do garoto.
Lily tentou falar.
“Harry, por favor, escute-nos. Eu sei que você deve estar com muita raiva e muito confuso, nós entendemos. Nós somos seus pais. V-Voldemort não é seu pai.” Ela disse desesperadamente.
Harry voltou seu olhar gélido para Lily e disse diretamente a ela.
“Você pode achar que não, mas na essência ele é meu verdadeiro pai. Ele foi o único que me criou. Somente trazer alguém ao mundo, não te transforma em pai.”
Harry sorriu quando percebeu lágrimas nos olhos de Lily e James. Ele sentia-se bem por ter colocado-os em seus devidos lugares. Sem dizer mais nenhuma palavra, Harry entrou no banheiro, fechou a porta e escorregou para o chão. O garoto não precisava usa-lo, ele apenas queria sair de perto dos Potters.
Lily e James saíram do cômodo tristemente, foram direto para o quarto deles e tentaram confortar-se um ao outro, estavam com o coração partido.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Moody viu Dumbledore engatar uma conversa com Arthur e Kingsley. Seu olho mágico observou quando os Potters saíram de um quarto para entrar em outro, ele pareciam péssimos. Sabia que Harry estava sozinho, pois Madame Pomfrey estava com Remus e Sirius dando-lhes instruções sobre as poções que o garoto estava tomando. Moody levantou-se e deixou a sala discretamente.
Ele chegou no quarto de Harry em questão de segundos. O auror sabia o que tinha que fazer e estava preparado para conseguir. Abriu a porta e trancou-a após entrar.
Harry levantou a cabeça e viu Moody entrar. Por um momento ele pensou que fossem os Potters novamente. O garoto deu ao auror um olhar colérico e foi em direção à janela e depois voltou pra cama. Estava ignorando Moody, mas percebeu quando ele aproximou-se.
“O que?!” Harry disse.
Moody não respondeu. Ele continuou olhando o garoto. Sem nem falar com Harry, o auror colocou a mão em suas próprias vestes e tirou de lá dois itens. Um era sua varinha e o outro um vidrinho. O adolescente olhou da varinha para o vidrinho e depois olhou Moody.
“Você realmente acha que eu vou beber isso por livre e espontânea vontade?” Harry zombou Moody mesmo sabendo que não deveria deixar o auror com raiva.
“Você pode beber por livre e espontânea vontade ou eu posso força-lo!” Disse Moody, tentando segurar sua ira.
Harry sentiu a raiva ferver dentro dele. Mais uma vez ele levantou-se da cama e ficou cara a cara com Moody.
“Você acha que é um auror poderoso porque pode exercer força sobre um adolescente ferido. Você teve que me fazer cair para depois tentar me ferir, então me desculpe por não estar com medo ou me acovardando.”
Harry manteve sua voz baixa, mesmo querendo gritar por causa do abuso desse auror. Moody estava tremendo de raiva, ele inclinou-se para poder ficar bem próximo ao garoto.
“É melhor ter cuidado com o que fala garoto. Eu não sou como Dumbledore. Eu não vou deixa-lo falar comigo nesse tom. Você pode ser filho de James, mas isso não tem a mínima diferença. Você é um maldito assassino. Eu vou acabar com você!”
Assim que Moody disse isso, ele automaticamente segurou Harry pelo pescoço. O garoto engoliu em seco e tentou se soltar, virou-se e acertou o Auror no estômago. Moody respirou fundo quando sentiu o ar sumir, ele ficou bravo ao ver o garoto livre do seu aperto. Harry voltou sua atenção para Moody. O auror ainda procurava por ar quando viu o adolescente fazer um gesto com as mãos, foi como se uma força invisível o empurrasse, sentiu suas costas baterem no outro lado do quarto.
Moody estava agora totalmente fora de si. Ele levantou-se e apontou sua varinha em direção ao garoto.
“REDUCTO.” Um jato de luz saiu da varinha de Moody e atingiu Harry direto no peito.
Harry foi jogado até o outro lado da sala, caindo dolorosamente em cima da mesinha de canto. Antes que ele pudesse perceber alguma coisa, Moody pegou-o pela garganta e jogou-o violentamente na cama. O garoto sentiu que seus pulsos e tornozelos estavam amarrados, ele olhou o auror com ódio, agora não podia mais se defender. Viu Moody aproximar-se já abrindo o vidrinho.
Harry nem precisava adivinhar o que seria forçado por sua garganta. Veritaserum, a poção da verdade. O garoto começou a suar frio, ele sabia quais seriam as perguntas. A localização de seu pai e os membros de seu círculo interno. O adolescente tentou livrar-se das cordas, mas não conseguiu.
Moody pegou o queixo de Harry, pronto para despejar o conteúdo da poção em sua boca. O garoto apertou sua mandíbula, esse auror não teria nenhuma chance de jogar algo em sua boca.
“Você vai beber isso garoto e vai dizer todos os segredos de Voldemort!” Moody sibilou para Harry.
Moody tentou abrir a boca do garoto, mas achou difícil faze-lo com apenas uma mão livre. Frustrado ele bateu no adolescente e tentou novamente.
.
Harry sentiu as lágrimas caírem por causa do tapa, sua mandíbula doía muito, parecia que estava em brasa. Seu rosto ficou vermelho. De qualquer modo ele ainda recusava-se a abrir a boca, tentava afastar-se de Moody o melhor que podia. Antes que sua mandíbula relaxasse a porta do quarto foi aberta com um estrondo e Sirius entrou por ela. Ele olhou de Harry para Moody e instantaneamente afastou o companheiro de seu afilhado. A poção ainda estava segura na mão do auror. O garoto conseguiu finalmente respirar aliviado, viu Sirius afastar Moody e começar a gritar.
“Como você se atreve Moody?! O que em nome de Merlin você estava fazendo? Saia daqui imediatamente! Saia!”
Harry viu Moody lutar para se soltar até ver James e Dumbledore. O diretor deu uma olhada no quarto e com um meneio de varinha libertou o adolescente. O garoto rapidamente sentou-se na cama e tentou acalmar as batidas de seu coração. Dumbledore sinalizou para que Moody, Sirius e James o seguissem. Ao ver que todos haviam saído, James chegou mais perto do garoto e o olhou com uma preocupação verdadeira.
“Harry, você está bem?”
Harry percebeu que estava tremendo, rapidamente colocou os braços em volta de seus ombros e começou a se acalmar, ele nem mesmo olhou o auror. James olhou seu filho com compaixão e saiu pela porta fechando-a em seguida.
Harry enfiou a cara no travesseiro. Ele nunca sentiu tanta raiva em sua vida inteira. Ninguém nunca havia tocado-o daquele jeito. Seu pai nunca havia deixado ninguém machuca-lo. Harry virou-se e deitou de barriga pra cima, ele ainda estava tentando se acalmar. A verdade era que ele nunca havia sentido tanto medo, não medo de ser ferido, dores físicas sempre foram uma constante em sua vida. Foi o medo de pensar no que aconteceria se ele bebesse a poção da verdade. Todos os segredos de seu pai, todos os planos, a sua localização... Tudo seria exposto.
‘Não, eu não posso deixar que isso aconteça. Meu pai não deve ser colocado em risco.’ Pensou consigo.
Sua cabeça estava doendo muito e a dor que sentia em suas costelas e em seus tornozelos o estava deixando doente. Ele virou-se para o lado e deixou que sua mente entrasse em sono profundo. Seu último pensamento coerente foi: ‘Eu não vou deixa-los me obrigarem a beber Veritaserum.’
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
James estava furioso com Moody. Ele encurralou-o na sala de jantar.
“Que saco Moody! Por que você o tratou daquele jeito?” Ele gritou para o auror.
Dumbledore estava olhando Moody com raiva. O auror nem mesmo percebeu isso.
“Eu o tratei com ele merece ser tratado! Ele fez atrocidades e desculpe-me James se você quer que ele seja perdoado por ser seu filho perdido, mas algum de nós tem que fazer a coisa certa!”
Nesse momento a sala ficou em silencio. James estava dando a Moody um olhar assassino e atrás dele Sirius e Remus estavam chocados. Lily desviou o olhar tentando esconder as lágrimas.
“Moody, eu nunca disse que ele deve ser perdoado, você não pode me acusar disso. Eu era amigo de Frank também! Eu lamentei a sua morte também, mas isso não quer dizer que você possa perder o controle.”
Moody apenas grunhiu e foi em direção à porta.
“Eu não sou o único que perdeu o controle. Vocês são as pessoas que estão deixando um assassino ficar no Quartel General da Ordem como se fosse sua casa!” Com isso dito, Moody saiu pela porta da frente.
James e Lily estavam boquiabertos. Um assassino, Harry era um assassino. Essa era a verdade sobre filho deles. O garoto não tinha a mínima esperança nesse mundo. Ele iria para Azkaban. Lily percebeu que ela estava completamente dispersa quando sentiu Molly e Remus tentando conforta-la. James ainda estava parado no mesmo lugar, ele tinha um olhar de fracasso. Sirius e Dumbledore o fizeram sentar em uma cadeira.
Molly, Arthur, Kingsley e Tonks levantaram-se e saíram, querendo deixar a família com privacidade. Todos sabiam que Sirius e Remus eram parte da família Potter. Dumbledore começou a falar.
“James, Lily, por favor, não percam as esperanças. Eu sei que são tempos extremamente difíceis, mas vocês precisam ser fortes, pelo bem de Harry.”
Sirius olhou para o diretor. Isso não estava certo. Ele não devia lhes dar uma falsa esperança. Estava claro o que ia acontecer. O Ministro viria buscar Harry e mesmo Dumbledore não seria capaz de protege-lo.
“Dumbledore, que tipo de esperança nós podemos ter? O Ministro não deixará Harry em paz, você sabe tão bem quanto nós.” Sirius disse com uma voz frustrada.
Dumbledore simplesmente sorriu para eles.
“Meu querido Sirius, sempre há esperança, sem esperança não existe nada. Eu sei que vocês podem achar bobagem, mas eu acredito que Harry vai se salvar do Ministério.”
James olhou diretamente para Dumbledore. A curiosidade tomou conta dele.
“Dumbledore, o que aconteceu no seu encontro com Fudge? Por que ele ainda não veio buscar Harry?”
Dumbledore deu um sorriso cansado.
“Bem, a decisão ainda não foi definida. O Ministro está considerando algumas coisas. Ele tem toda a relação sobre como Harry age em batalha, seus poderes, os feitiços desconhecido que ele sabe, a força que possui. Tudo isso indica que o garoto é especial. Todos vocês sabem o que Fudge acha da profecia. Harry pode não ser o ‘escolhido’, mas em seus olhos ele é bem poderoso e tem talentos excepcionais. Está claro que o lado que o garoto escolher nessa guerra terá uma vantagem.”
“Dumbledore, você tem alguma idéia de como Harry pode fazer tudo isso com tão pouca idade?!”
Sirius estava se referindo à força que Harry tinha ao dar um simples chute. Muitos aurores formados não conseguiam tal proeza. O auror passou a mão pelas suas costelas machucadas.
“Bem, eu tenho uma teoria. Veja, Harry é descendente direto de Godric Gryffindor. Isso já o faria bem poderoso. De qualquer modo, Voldemort...” A sala resfolegou ao ouvir o nome, “... marcou-o como seu descendente fazendo-o assim também descendente de Salazar Slytherin.”
James e Lily sentaram-se horrorizados. O filho deles era herdeiro de Slytherin.
“Harry é agora descendente de duas linhas ancestrais. Tendo dezesseis anos, sua força com certeza é maior. Ele terá poderes que o farão ser uma lenda quando completar a maioridade. Como ele os usará, vai depender se Harry aceitará ou não a verdade.”
Ele olhou Lily e viu que a mulher estava chorando de novo.
“Pra vocês verem como o Ministro será idiota se colocar Harry em Azkaban. Fudge quer ganhar essa guerra. Ele já sofreu demais nas mãos de Voldemort. Ele quer derrota-lo e se Harry puder ajudar é uma grande oportunidade.” Dumbledore terminou e viu as faces cansadas de todos.
“Quando você vai saber a decisão final?” James perguntou com uma voz estremecida.
“Logo James, até lá tentem descansar. Tentem fazer Harry falar. Ele tem que perceber que nós não somos seu inimigo.”
“Humph! Moody deu-nos uma grande ajuda nisso!” Sirius sussurrou quando Dumbledore saiu do cômodo.
|