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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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20. Perdendo a cabeça


Fic: Obsessão Por Você - AVISO POSTADO!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/A: Ehhhhh!!!!!!!!!!!!!!!! Vivaaaaaa!!!!!!!!!!!! A Nath finalmente deu as caras!!!!!!!!!!!!!!! =p

Pessoal, em primeiro lugar, quero agradecer mil vezes por td a paciência que vcs tiveram comigo em tds esses meses sem caps novos. Eu estou bem melhor agora, graças á Deusa, refeita de tds os meus problemas e com a cabeça erguida para novos desafios! E, claro, que eu não consegui isso sozinha, por isso, lá vão alguns agradecimentos especiais a...

+Julinha Deep, Sara Cristina Teixeira e Hiorrana que não me deixaram esquecer por nenhum minuto que eu tinha uma fan fic para escrever para vcs. E, claro, a todos os outros que comentaram pedindo por atualizações, mandaram mails, telefonemas, sinais de fumaça, berradores...Ah, e claro, avadas kedavras tb! Vlw, galera!

+Aquele que pode não ser loiro de olhos azuis-acizentados, mas é metido a besta e irresistível como o Draco Malfoy. É, meninas, eu tenho meu próprio Draco, só que japa de cabelo castanho! ^^ Inu, obrigada por estar comigo á cada dia, por me apoiar e me confortar nos momentos difícies. Esse cap de míseras 31 págs também é vitória sua! Ti lovú!

+Aquela que me deu os três melhores amigos do mundo, pois cabem na minha prateleira e estão sempre dispostos a me ouvir nos momentos difíceis. JK Rowling, a saga terminou, mas os sonhos e as lições de vida que você deu a cada um de seus leitores vão continuar vivos em nossos corações. A TIA JO, QUE ME DEU FORÇAS PRA SENTAR NO PC E COMEÇAR A ESCREVER, MUITO OBRIGADA!!!

E chega de agradecimentos, né? Depois de tanto temposem nada, vcs estão querendo mais é ler a fan fic, então, vamos lá!

Cap.19: Perdendo a cabeça

“I almost fell into that hole in your life
And you´re not thinking about tomorrow
´Cause you were the same as me, but on your knees”


Black Ballon-Goo Goo Dolls

O táxi parou na frente de uma bela casa azul-clara com um leve ruído das rodas na neve acumulada nos lados da rua. Aliviada, Hermione expulsou Draco para fora e saiu em seguida para pegar a bagagem que o taxista começara a pegar no porta-malas.

- Anda, cai fora.-disse Hermione, cansada, empurrando-o para fora do carro preto.
- Ai! Granger!-reclamou o loiro, tropeçando na calçada.
- Obrigado, senhor.-continuou a garota, entregando o dinheiro para o homem e pegando a mala que o homem lhe oferecia.
- De nada. Você por acaso seqüestrou o loirinho do hospício?-perguntou o taxista, irritado.

Hermione deu um sorriso tímido e olhou pro lado, vendo o sonserino analisar a rua deserta com interesse. A viagem até tinha sido boa até o momento em que Draco perguntou para o taxista com o seu pior tom desdenhoso como “essa tal geringonça preta que você chama de carro” se movimentava. O homem tinha ficado tão nervoso que teria expulsado o loiro do táxi naquela hora, não fosse pela interferência da grifinória.

- Quase...-respondeu Mione, como quem pede desculpas.-Feliz Natal.
- Natal, mocinha!-gritou o taxista, já dando partida.

Ela observou o táxi dobrar a esquina para finalmente se virar para Draco, soltando um suspiro.

- Pronto, Malfoy. Chegamos.
- Qual delas é?-
- Hum, vamos ver...A azul em que paramos na frente?-retrucou Hermione, sem acreditar na pergunta.
- O quê? Esse ovo?
- Ovo? Mas é uma das maiores casas da rua, Malfoy!
- Pelo jeito os seus pais não ganham muito bem...Pra morar em um lugar desse tamanho!-criticou o sonserino, fazendo uma careta de desaprovação para a bela casa.
- Para a sua informação, eu moro em um dos bairros residenciais mais bem conceituados de Londres.
- Jura? E eu achando que a diversão estava só começando...
- Anda, vamos entrar. Está anoitecendo.-disse Hermione, seca, rolando os olhos pra cima.
- Vocês têm alguma vaca, Granger? Nunca vi nenhuma de perto...

A garota limitou-se a murmurar um xingamento nada agradável e puxando-o pela mão, avançaram em direção á casa. Hermione morava na Sant Clair Street, número 232. A casa era grande, com dois andares, toda pintada de azul-claro. As janelas e a porta da frente, onde uma bela guirlanda estava pendurada, eram brancas. No segundo andar, havia uma grande varanda, que pertencia ao quarto dos pais de Mione e, de cada lado da casa, mais duas varandas menores. Para completar, uma pequena janelinha lá em cima denunciava um sótão e á direita, uma grande garagem fechada.

Os dois subiram os quatro degraus de pedra que separavam o gramado da porta e Hermione pegou a chave de dentro de seu bolso para abri-la. Eles entraram e enquanto Hermione soltava Bichento de sua caixa de viagem, Draco começou a analisar a sala, decorada em tons pastéis e azuis. Do lado direito, em frente á porta, havia uma grande estante branca com uma televisão, um aparelho de som, alguns livros e porta-retratos. Á frente, uma mesinha de centro de vidro e um enorme sofá branco tipo chaise com uma capa azul-clara e, á esquerda, duas poltronas azul-escuras. Atrás do sofá estava uma mesa de jantar para seis pessoas, de frente para uma porta dupla de vidro que dava para a cozinha. Lá também estava uma grande árvore de Natal, que os pais de Mione deviam ter montado antes de ir pra Rússia.

Á esquerda, em um espaço reservado, havia uma enorme lareira branca, com um belo relógio em cima com mais duas poltronas azul-escuras, para onde Draco se dirigiu e sentou-se em uma delas.

- E então, o que acha?- perguntou a garota, observando-o testar a poltrona.
- Minha cama de Hogwarts é mais macia. Mas está de bom tamanho para trouxas.
- Ai, garoto! Como você é chato!-Hermione repreendeu, com um tom irritado, sentando-se no braço da poltrona.
- Ser chato faz parte do meu trabalho de seduzir você.-Draco brincou, puxando a grifinória para seu colo.

A menina correspondeu ao beijo doce de Malfoy, apreensiva. Aquilo não estava certo, não podia estar. Mas ela gostava tanto dele, do jeito que ele implicava com ela e sua mania de estudar, e do jeito que ele se preocupava à toa, com uma simples dor de cabeça sua...Como se, ao esmo tempo que continuasse a ser o Draco Malfoy metido, preconceituoso e mal-educado, ele também fosse fofo e safadamente carinhoso. Safadamente porque o loiro se empolgara colocando uma das mãos em um ponto alto da coxa direita de Hermione, que o empurrou, indignada.

- Onde pensa que vai com essa mão?-perguntou, brava, mas sem se soltar dele.
- Que mão? Essa?-Draco perguntou, levantando a mão de sua perna.
- Essa mesmo.
- Só te levar pro delírio.-ele disse, rindo.
- Você é muito sacana mesmo, hein, Malfoy?
- É. Sabe, eu estava aqui pensando...Bem que a gente podia continuar isso lá em cima, né? Aproveitar o frio e tal...
- Aff, seu tarado!

Hermione se levantou, empurrando. Safado, e pensar em dar trela pra ele. Onde ela estava com a cabeça? Seguiu para a escada, seguida de Draco, que estava extremamente divertido com o nervosismo envergonhado dela. Os dois subiram para o andar de cima e entraram na primeira porta á esquerda, com Hermione á reclamar.

- Você é uma besta, Malfoy. Uma besta mesmo.
- Posso até ser, mas ainda sou a besta mais linda e loira que você vai conhecer.

Ela se dedicou a revirar os olhos e deu passagem para o garoto entrar no aposento.

- Meu quarto.

Para Draco, que já podia se gabar de conhecer Hermione bem demais, não precisava ter sido avisado. O quarto era espaçoso e meticulosamente arrumado. As paredes de um amarelo bem clarinho; os móveis de madeira escura. A cama de casal, encostada na parede á esquerda da porta, estava coberta com uma enorme colcha vermelha e enfeitada com uma almofada em forma de gato. Á frente, um belo armário em L, que terminava onde começava a sacada, que se encontrava fechada. O quarto também tinha uma grande escrivaninha de estudos, com uma cadeira com rodinhas. Papéis, pergaminhos, lápis e canetas estavam arrumados do lado de um computador; máquina que Draco olhou com curiosidade por não fazer a mínima idéia do que era. Havia também um rádio vermelho e preto e um porta cds lotado. Em cima da escrivaninha, duas prateleiras cheias de livros e pequenos enfeites.

Podia ser mais do que o suficiente, mas, para o desgosto de Draco, em cima da cama estava um enorme painel com diversas fotos de Hermione com a família e com os amigos de Hogwarts. Em baixo do quadro, uma enorme faixa vermelha da Grifinória completava o visual.

- Esse lugar é a sua cara.-ele disse, chegando perto do quadro para vislumbrar fotos de Harry, Ron e do resto dos Weasleys.-Mas até aqui você tem que jogar na minha cara que é uma grifinória irrefutável?
- E até aqui você precisa jogar na minha cara que eu sou louca por trazer um sonserino nojento na minha casa? Ah, que saudades da minha cama!-gritou ela, feliz, jogando-se na cama.
- Não exagera...É só uma cama!-retrucou Draco, jogando-se do lado dela.-Olha só, é mais macia que a poltrona lá debaixo.-Hermione revirou os olhos em resposta, sem conseguir deixar de sorrir.- Então, o que vamos fazer nesses três dias?-perguntou ele, virando-se para ela, que se ocupava em tirar as botas.
- Bom...Temos que ir na sua casa e no Gringotes.- disse ela, jogando as botas pretas na direção do armário.
- E na casa dos Sutcliffe também.-completou Draco, observando a grifinória jogar a touca e o casaco no chão também.
- Como?-Ela ainda existe?-perguntou Hermione, rápida e interessada, olhando para o loiro.
- Claro que sim! Por que não existiria?-perguntou Draco, com sua cara de sarcasmo.
- Ah, sei lá...A família é tão antiga, e não existe mais. Mas, você sabe onde fica a tal casa?-perguntou a garota, apoiando o rosto na mão para olhar para o rosto inteiro de Draco.
- Sei. Na verdade, não fica muito longe da onde eu moro.-ele completou, dando de ombros.
- Bom, então, a gente deve ir lá também. Podemos encontrar algo importante sobre a Christine. Talvez ela tenha deixado algum vestígio, alguma pista sobre aonde ela foi parar. Quem sabe a gente consegue descobrir até se ela ainda está viva.
- Sabia que você ia gostar da idéia.
- Vamos ver. Apesar de amanhã ser domingo, tenho certeza de que o Gringotes vai estar aberto já que está perto do Natal. Assim, nós acordamos bem cedo amanhã, vamos ao Gringotes ver o que tem no cofre da Christine e também pegar algum dinheiro e depois...E depois, vamos até a casa dos Sutcliffe!-planejou Hermione, e ao terminar, virou-se para o loiro que a olhava com atenção.
- Você está meio vermelha...-murmurou ele, colocando a mão na testa da grifinória e constatando que ela estava com febre.
- Só estou com um pouco de calor, Draco.-resmungou a garota, afastando a mão dele.-Então, o que você acha?-perguntou Hermione, sentando-se.
- Loucura! Você mesma disse que amanhã é domingo e eu não acho uma boa idéia. E se tiver alguém morando no lugar?Tenho certeza que a pessoa não ia gostar nenhum pouco que a gente chegasse lá fazendo perguntas e querendo ver a casa, em pleno domingo.-respondeu Draco, também já sentado, acariciando a mão direita de Hermione de leve.
- É, você tem razão.-murmurou Hermione, olhando para as mãos dos dois.-Então, o que a gente faz amanhã?
- Bom, a gente podia ir pra minha mansão depois de ir ao Gringotes.-respondeu Draco, aproximando-se dela, acariciando seu braço de leve.-E deixar a casa dos Sutcliffe para segunda.
- Ok...-murmurou Hermione, sentindo agora Draco acariciar sua nuca.-Er...Eu ainda nem te mostrei seu quarto não é?-ela perguntou, sem se mexer do lugar, enquanto o loiro passava a outra mão por sua cintura.
- Está querendo fugir do quê, Hermione?-perguntou o sonserino, com um sorriso nos lábios.
- Eu? De nada...-disse a garota, rápido, tentando não olhar para o loiro.
- Ah, é? Eu estou lendo no seu corpo o contrário.-retrucou Draco, sem acreditar.
- Como se você entendesse alguma coisa de leitura corporal.-zombou a garota, tentando convencer suas pernas de se mexerem e a levarem para longe dele o mais rápido possível.
- Não entendo, é? E por que você está olhando pros lados e mordendo os lábios desse jeito nervoso então?-perguntou o garoto, sorrindo.
- Eu não estou mordendo os lábios de um jeito nervoso!-retrucou Hermione, soltando-os naquele exato momento.
- Da mesma maneira que não está toda dura, com a respiração acelerada, e nem agarrando a colcha com toda a força que tem nas mãos. Eu tenho que te ensinar a mentir, sabia?-brincou Draco, observando a garota soltar a colcha vermelha com pressa e prender a respiração por um segundo, enquanto revirava os olhos castanhos, nervosa.-E eu percebo tudo isso da mesma maneira que percebi que você passou toda a viagem quieta desde que eu te disse que não te trairia já que estamos, de certa forma, juntos.
- Se quer saber, eu não me importaria, sabia? Não me importaria se você quisesse ficar com nenhuma daquelas vadias só porque estamos juntos para elas.-respondeu Hermione, fechando a cara e achando, finalmente, forças para sair de perto dele só com a lembrança dele cercado de garotas bonitas.

Draco bufou em resposta, enquanto Hermione continuava, sentada na beirada da cama, com as pernas e os braços cruzados.

- E eu também não acho que você se importa. Se eu não tivesse chegado naquela hora aposto que você teria ido para as masmorras com elas.-continuou a garota, olhando brava para a parede.
- É a segunda vez que você me diz isso hoje.-retrucou Draco, aproximando-se por trás e abraçando Hermione pelas costas, percebendo-a arrepiada.-E é a segunda vez que eu vou negar. Agora, se você não acredita, não posso fazer nada. Não achei que você fosse tão ciumenta assim.-insinuou Draco, sussurrando divertido na orelha da garota.
- Oras, eu não sou ciu...-reclamou a menina, revoltada, virando o rosto para trás.

Mas, foi cortada, novamente, pelos lábios de Draco. O garoto lhe deu um beijo rápido, na forma de seu sorriso zombeteiro, apenas para lhe calar. Antes que Hermione pudesse se virar para enlaçar o pescoço do loiro e aprofundar o beijo, ele afastou a própria boca dela e, aproveitando o seu estado beta, disse:

- Então, aonde eu vou dormir?-e divertido, levantou da cama, saindo pela porta do quarto.

*


Hermione estava confortavelmente deitada no meio de suas cobertas e almofadas. Estava levemente acordada, mas todo o seu corpo se recusava a realmente despertar apesar dos raios de sol pálido que entravam pelas frestas da sacada. Lembrava-se, porém, de ter sonhado novamente com seu doido e de ter levantado para vomitar o pouco chocolate que tinha comido no trem junto com sangue. Já estava desligando novamente quando Draco veio a sua mente, seu beijo, seu sorriso sapeca... Um pequeno sorriso apareceu em seus lábios, enquanto ela virava a cabeça para o lado tentando fugir de um impertinente raio de sol que estava bem em cima de seus olhos. Era tão bom saber, mesmo sonolenta daquele jeito, que Draco estava na sua casa, dormindo no quarto da frente...

De repente, ela sentiu uma coisa pequena e fria cair em sua testa. Não deu atenção até que mais duas daquelas coisas caíram, uma em um de seus olhos e outra em sua boca.

“Parecem gotas d´água...” o cérebro de Hermione esforçou-se para pensar.

Ela abriu os olhos, preguiçosa, levando as mãos para esfrega-los e quase teve um enfarte.

- AH! Malfoy!
- Bom dia!-riu o loiro para ela.

Draco estava praticamente deitado em cima dela, sendo que Hermione nem sentira o garoto subir na cama. Pra completar, estava completamente molhado, só de toalha.

- Bom dia? O que você está fazendo em cima de mim?-perguntou Hermione, olhando para o garoto, ainda abobalhada.
- Bom, eu vim te acordar e estava pensando na melhor maneira de fazer isso.-respondeu Draco, ainda sorrindo, deixando as gotas de seu cabelo encharcado caírem no rosto da garota.-Sabe, se eu te acordava com um beijo, com um berro, carinho...Talvez eu até enfeitiçasse o seu gato e fizesse ele miar desesperado no seu ouvido.
- O QUÊ?-perguntou Hermione, olhando para os lados para saber se Bichento estava bem.
- Só que você acordou antes. Fazer o quê...-lamentou Draco, abalançando a cabeça e jogando mais água nela.
- Ai, pára!-reclamou a garota, segurando o rosto dele em suas mãos.-Tá eu entendi. Mas, o que raios você ta fazendo com essa toalha?
- Se te incomoda, eu tiro!-brincou o loiro, ficando de joelhos e pegando na toalha.
- NÃO!-gritou Hermione, sentando-se e pondo as mãos nas de Draco para que ele mão abrisse a toalha.-É...-ela tentou, ficando vermelha, tirando as mãos das dele-Que horas são?
- Sete e meia.-respondeu Draco, saindo de cima dela, se segurando para não rir da cara vermelha da grifinória.-Levanta de uma vez e vai tomar banho. Eu vou me vestir e te espero lá embaixo.
- Tomar banho? Pra quê? Ainda está muito cedo!-perguntou Mione, sem acreditar no que estava ouvindo enquanto observava a bela silhueta do garoto de costas saindo pela porta de seu quarto.
- Oras, para ir para a minha casa. Esqueceu foi?-ele foi dizendo, sem olhar para trás.-E vista algo apresentável, por Merlin!
- Aff, eu mereço...-murmurou a garota, abobada, sem conseguir acreditar que o loiro tinha estado em cima dela só de toalha.-O que esse sonserino tem na cabeça? Estava bom demais pra ser verdade, né? E agora eu ainda tenho que me vestir de maneira “adequada” pra ver aquela mãe albina dele. No que eu fui me meter, Merlin?

E, raivosa, saiu debaixo das cobertas quentes, para fazer a melhor coisa que faria durante todo o dia: relaxar debaixo do chuveiro.

*


Draco já não sabia mais o que fazer. Já estava completamente vestido, e fazia mais de meia hora que acordara Hermione que ainda não aparecera. Impaciente, ele resolveu conferir as próprias roupas pela quinta vez na frente de um espelho que havia na sala de estar dos Granger. Malfoy vestia uma calça preta social com botas e um suéter azul-escuro que realçava seus olhos claros. Um sobretudo e uma capa, ambos negros, estavam jogados de qualquer jeito em cima do sofá branco. Não que estivesse realmente preocupado com sua aparência, mas sim com a mensagem que queria passar com elas. De sobriedade, de confiança, segurança...Tudo que não estava sentindo naquele momento.

Draco sabia muito bem esconder seus sentimentos atrás de seus olhos cinzentos, mas a verdade é que estava tremendo de medo por dentro. Medo de que não a aprovassem. Hermione podia não saber o que teria de enfrentar naquele dia, mas ele o sabia muito bem. E temia por isso.

- Minha menina, se você soubesse...-ele murmurou, olhando para um ponto vazio da parede.-Só espero que não te tratem muito mal...
- Falando sozinho, Malfoy? Depois eu que sou a doida.-disse uma voz divertida, ás suas costas.

Draco virou-se, rápido, e quase se desequilibrou, tirando risos de Hermione, eu estava parada no pé da escada, com Bichento no colo. Absolutamente linda, na opinião do loiro; em suas cores preferidas. Ela estava vestindo uma bela malha branca, de gola alta, com flores vermelhas delicadamente bordadas. Um sobretudo negro caía displicente sobre seus ombros até metade das pernas e os cabelos castanhos estavam metade presos, deixando seu rosto á vista.

- Então, estou vestida adequadamente para ir á tão prestigiada mansão Malfoy?-ela perguntou, risonha, dando uma voltinha.
- Você está perfeita, Hermione!-elogiou Draco indo até ela e lhe dando um selinho antes que ela pudesse negar.
- Malfoy, você tem que parar de fazer isso...-Hermione repreendeu, afastando-o com as duas mãos, já que Bichento saíra do seu colo assim que vira o loiro se aproximando e agora estava se esfregando nas pernas do garoto.
- Por quê?
- Oras, porque não é certo. Não temos nada sério, nenhum compromisso nem nada.
- Oras, é esse o problema? Então, ta, a partir de agora temos um compromisso.-o sonserino disse, rápido, inclinado-se para dar-lhe um beijo de verdade.
- Não, Malfoy, as coisas não são assim.-negou Hermione, empurrando com mais força.
- Por que não? Qual é o problema eu querer ter um compromisso com você? Sair por aí de mãos dadas com você? Sabe, eu ainda não desisti das nossas futuras noites calientes e dos três Malfoyzinhos.-Draco explicou, olhando nos olhos dela.
- E esses são todos os seus motivos?-Hermione perguntou, sem saber se sorria ou se ficava séria.
- Bom, seu gato gosta de mim.-o sonserino acrescentou apontando para Bichento, que ronronava prazerosamente nas pernas dele.

Hermione optou por sorrir e o beijou. Qual seria o problema afinal? Ela sabia que o garoto gostava dela de verdade, e ela sentia o mesmo.

- Sabe, você é pirado.-ela disse, sorridente, ao finalizar o beijo com carinho.
- Culpa sua.-Draco completou, balançando os ombros.-Bom, vamos logo? Eu estou morrendo de fome e não tem comida nessa casa. Eu vasculhei toda a cozinha.
- Certo, então eu não posso esquecer de converter alguns galeões em dinheiro trouxa quando estivermos saindo do Gringotes. Assim, quando nós estivermos voltando pra casa, passamos no supermercado pra comprar algumas coisas.
- Fechado. Mas antes...

E beijaram-se mais uma vez. Hermione explodindo de felicidade simplesmente pelo tal “compromisso” que nem ao menos tinha nome e Draco esquecendo-se rapidamente do que o preocupava momentos antes.

*


O clima no Beco Diagonal não era mesmo de Natal. A decoração das lojas e os duendes cantando músicas natalinas na entrada do lugar eram quebrados friamente pelos cartazes do Ministério da Magia dos Comensais da Morte fugitivos, oferecendo recompensas para qualquer um que tivesse informações sobre o paradeiro de qualquer um deles. Em muitas lojas também estavam sendo vendidos amuletos de toda espécie contra lobisomens, dementadores e vampiros.

Os bruxos e bruxas andavam apressados de um lado para o outro, sem pararem para conversar ou olhar vitrines durante mais que dois minutos. Draco e Hermione abriam caminho pela multidão, observando tudo. Realmente, a guerra não era metade do que parecia dentro dos muros protegidos de Hogwarts. As pessoas estavam assustadas com a confirmação de que Voldemort tinha realmente retornado, depois do Ministério ter negado o fato durante todo o ano anterior. A fuga dos Comensais da Morte e o descontrole do ministério só pioravam a situação. Os dois tinham passado por um jovem bruxo que vendia exemplares do Profeta Dominical e comprado um. A manchete de pleno domingo era “Quanto tempo mais Fudge agüenta no Ministério?” e o recheio não era mais feliz, com a lista de pessoas desaparecidas e mortas aumentando consideravelmente.

A situação só não podia ficar pior depois que os dois, lendo absortos a primeira página do jornal, ouvirem um grito em alto e bom som:

- VEJAM! É O FILHO DE LÚCIO MALFOY!

E os dois terem seu caminho inesperadamente aberto, pois as pessoas tinham se espremido para as laterais do beco como se Draco fosse o próprio pai em pessoa e pudesse explodir o beco só por estar ali.

- Vamos, Hermione.-sussurrou Draco e a puxou pela mão, andando com uma majestade que não estava sentindo até o edifício muito branco que era o Gringotes.

Os dois entraram pelas portas de bronze polido, sendo cumprimentados por um duende mal-encarado, e depois pelas de prata onde estava gravado o poema aos ladrões de Gringotes. O salão de mármore cheio de portas estava lotado de bruxos e os cem costumeiros duendes atrás do balcão do lugar pareciam todos ocupados. Draco conseguiu localizar um sem ter o que fazer e foi com Hermione até ele.

- Bom dia.-cumprimentou Hermione, fazendo o duende levantar seus olhos de um saquinho de pedras preciosas á sua frente.-Nós viemos para olhar o cofre número 7693.
- Receio que não será possível, srta. -negou o duende, educadamente.
- Pois eu receio que será. Temos a chave.

Hermione retirou a chave grande e velha que pertencia ao cofre dos Sutcliffe e o pequeno bilhete que Draco encontrara no livro falso junto com ela e entregou ambos ao duende. Ele olhou com interesse a chave e depois abriu o bilhete, lendo-o rapidamente.

- Os senhores queiram esperar um instante, por favor.

E sumiu atrás do balcão ao descer de seu banquinho.

- Será que ele vai mandar vir algum guarda aqui e nos retirar a força do banco?-perguntou a garota para Draco.
- Acho que não. Temos a chave, não temos? Se isso acontecesse ia ser por minha causa e não pela sua.
- Como assim?
- Você não viu o que aconteceu lá fora? As pessoas têm medo de mim, Hermione, porque meu pai fez o favor de virar Comensal antes mesmo de eu nascer.Mas, mesmo assim, seria meio difícil. Não acho que iam arriscar tirar o filho de um seguidor do Lord das Trevas de um lugar. Não seriam tão burros.-Draco explicou, olhando á sua volta.
- Você diz como se gost...
- Não, eu não gosto bem um pouco disso. De levar a culpa por aquele idiota faz.

E a voz de Draco saiu tão carregada de ódio e rancor que Hermione se assustou e não insistiu mais no assunto. Tinha se esquecido, com tudo o que andava acontecendo, que Draco pegara um ódio mortal do pai e que não falava nele nunca nem abria os pacotes e cartas que recebia de casa na frente de ninguém. Por um momento a grifinória tinha até pensado que o garoto sabia alguma coisa sobre o paradeiro de Lúcio Malfoy, mas, depois mudou de idéia. Se Draco soubesse de algo, se vangloriaria por isso e nunca, nunca mesmo, a levaria para conhecer a Sra. Malfoy.

O duende aparecera subitamente com um outro duende, muito mais velho que ele. O mais velho trazia um pergaminho muito velho em uma das mãos e a chave do cofre na outra.

- Sim, é ela mesmo.-ele confirmou ao mais novo.-Estivemos esperando a senhorita, srta. Granger, durante muitos anos.
- É muita gentileza sua.-a garota sorriu.-Mas, eu não pretendo retirar nada do cofre.
- Por que não? A última dona do cofre nos deu a ordem de lega-lo á senhorita quando tivesse a chave. Tudo que está dentro dele lhe pertence agora.
- Não, eu creio que não. Eu não tenho direito á nada dentro do cofre, só preciso ver o que há dentro.-Hermione disse, olhando dos duendes á Draco, visivelmente preocupada.
- Como não tem direito, senhorita Granger? Você é idêntica á srta. Sutcliffe.-o duende rebateu, sem entender o nervosismo de Hermione.

A grifinória arregalou os olhos castanhos para o duende.

- É, o senhor conheceu Christine?
- Ah, sim. Era uma moça encantadora. Sempre pedia para transferir galeões para cofres de organizações beneficentes. Muito boa mesmo.-disse o duende, demonstrando um carinho estranho para um duende. Aproveitando o silêncio abismado de Hermione, ele virou-se para o duende ao seu lado e continuou-Leve a srta. Granger até o cofre, Grunge.
- Se quiserem me acompanhar, por aqui, por favor.-disse Grunge, devolvendo o bilhete de Christine junto com o pergaminho que o duende mais velho tinha trazido para Hermione e dirigindo-se a uma das muitas portas.

Hermione e Draco o seguiram, comentando o acontecido. Então, todas as visões que andavam tendo e as fotos e os desenhos no diário de Anthony não era brincadeira de mau gosto de alguém. Christine realmente tinha existido, era idêntica a ela e lhe tinha deixado toda a sua fortuna e bens pessoais que estavam protegidos no cofre 7693 por tantas décadas. Os dois apenas se calaram quando o vagonete do banco deu partida, levando-os enjoativamente até muito fundo, em direção a cofres enormes.

Depois de muitos minutos em curvas perigosas e passagens por barreiras invisíveis que Hermione deduzira que deviam ser feitiços contra ladrões o vagonete parou chiando na frente de uma enorme porta de metal com o número 7693 entalhado bem alto. Draco desceu do vagonete com dificuldade, com uma visível cara de vômito, enquanto o duende pulou facilmente e se antecipou aos dois para abrir a porta.

- Você está bem?-ela perguntou para um Draco visivelmente verde.
- Não se preocupe, eu não vou pôr nada pra fora porque eu não tenho nada pra pôr. Vamos ver o que tem dentro do cofre.

Mione concordou, virando-se. O duende tinha sumido de sua visão. Ela só tinha visões pro cofre, com a porta aberta. Dentro havia a maior quantidade de ouro que ela jamais sonhara. Montanhas e montanhas de galeões, nuques e sicles, meticulosamente arrumados. Havia também diversos objetos. Uma tapeçaria com a enorme árvore genealógica dos Sutcliffe, armaduras com o brasão de fênix da família, prataria e louças de porcelana. Tudo conservado, como se tivesse sido feito á pouco mais que uma semana. Á um canto, também estavam vários baús, alguns abertos, deixando á mostra roupas e porta-retratos. Também havia quadros aos montes, e seus ocupantes olhavam com curiosidade para os dois jovens que olhavam tudo com ainda mais curiosidade.

Enquanto Draco olhava desejoso para os montes e montes de dinheiro que ocupavam a maior parte do cofre e emitiam uma luz dourada sobre tudo, Hermione se encaminhou para um dos baús abertos. Dentro dele, o objeto que tinha lhe chamado à atenção: uma boneca de porcelana. Linda, com um vestidinho xadrez e trancinhas. A garota não sabia porque, mas a emoção que se apoderou dela foi tão grande ao pegar a boneca nas mãos que ela teve que fazer força para não chorar. A boneca tinha pertencido á Christine, ela tinha certeza.

- Draco, vem ver o que eu achei.-ela chamou, espiando o resto do conteúdo do baú.
- O que é?-ele perguntou, ajoelhando-se ao seu lado.
- Essas coisas pertenceram á Christine, veja.

O loiro debruçou-se ao baú e confirmou o que Hermione estava dizendo. De um lado, estava dobrado um uniforme feminino de Hogwarts, da Grifinória. E sobre ele, um cachecol da Sonserina com um AM bordados. Draco pegou o cachecol do avô de cima das roupas com um sorriso no rosto. Ele e Hermione se entreolharam e pondo juntos o cachecol e a boneca no chão, começaram a vasculhar o baú. Dentro havia de tudo que era possível se imaginar. Dois álbuns de fotos: um de Christine criança e o outro de seus sete anos em Hogwarts. Um vestidinho rosa de bebê e uma pena de escrever branca. Algumas figurinhas de Sapos de Chocolates, cartões de aniversário e um caderno cheio de mais desenhos assinados por Anthony Malfoy. Um exemplar extremamente antigo de “Hogwarts, uma História” e um pedaço de madeira. Uma caixinha de música descansava em cima de vários livros pequenos que Draco descobriu por serem diários da moça. Enfim, o baú parecia guardar tudo que Christine tivera de importante, todos os seus pequenos tesouros.

- Isso tudo é maravilhoso.-sussurrou Mione.-Pode parecer loucura, mas é como se eu sentisse a Christine em cada uma dessas coisas. Como se elas estivessem me contando histórias da vida dela.
- Tem desenhos do meu avô aqui, e cartões. Dá uma olhada nesse aqui, é de quando eles fizeram um ano de namoro.-acrescentou Draco, mostrando-lhe um cartão feito á mão, com uma bela pintura de um pôr-do-sol e uma declaração de amor linda de Tony para Christine.

Eles sorriram um para o outro e repuseram tudo dentro do baú, e o fecharam. Já não importava toda a ética e todo o nervosismo que Hermione mostrara lá em cima, no saguão de mármore. Ela queria que cada um daqueles pequenos tesouros ficasse com ela e, sem saber como, tinha a intuição que Christine também gostaria que isso acontecesse.

Com a ajuda mágica de Grunge, eles conseguiram colocar o baú dentro do vagonete, sobre os joelhos de Draco e partiram, fazendo o caminho de volta das profundezas da terra. Ao chegarem lá em cima (com um Draco Malfoy que conseguiu, sim, vomitar o que não tinha comido) os duendes dispuseram um carrinho de viagem, desses que as estações de trem têm, e prenderam o baú nele, para que o casal pudesse leva-lo embora. Depois de um copo de água, Draco foi trocar alguns de seus galeões em libras trouxas, já que Hermione tinha gastado suas últimas no metrô trouxa que os levara até o beco.

A saída do Beco Diagonal foi extremamente diferente da entrada. Draco e Mione estavam felizes demais com o tesouro encontrado para repararem no nervosismo, nos cartazes dos Comensais e do clima de guerra que preenchia o lugar. Mesmo que nada das coisas ajudassem os dois a entenderem o que estava acontecendo, que estranha ligação era aquela entre Hermione e Christine, quem podia ser o doido ou qualquer outro dos mistérios vinculados a isso, saber que tinham nas mãos objetos importantes para Christine era bom demais.

- Você viu a quantidade de dinheiro que tinha dentro do lugar?-perguntou Draco pela quinta vez, quando já estavam sentados no Caldeirão Furado tomando um merecido café da manhã.
- Você nem parece um dos bruxos jovens mais ricos da Grã-Bretanha falando desse jeito, Draco.-riu Hermione, da euforia do loiro.
- Minha família não tem tudo aquilo de dinheiro. Somos ricos, sim, mas os Sutcliffe são bem mais. E do que você está falando? A Christine não deixou ordens de deixar o cofre pra você? Você é dona de tudo aquilo agora, Hermione, o que te torna muito mais rica que eu.
- Mas eu não quero aquele dinheiro.-Hermione retrucou, tomando um gole de chá.
- Não quer?-perguntou Draco, alto, chamando a atenção desnecessária de algumas pessoas em volta, que pareciam assustadas demais para chegar perto da mesa deles.-Você enlouqueceu?
- Draco, eu não tenho nenhum direito sobre nada daquilo.
- Mas os duendes disseram...
- Eu sei o que eles disseram. Sei lá, o mais velho estava com uma carta na mão, você viu? Talvez seja algo que a Christine tenha escrito, mas, mesmo assim, não significa que tenho direito sobre a herança de uma família que tem séculos de história.-rebateu Mione.
- Mas você ainda não leu o pergaminho. Como pode ter certeza disso?-perguntou Draco, espertamente.
- Mas que pergaminho?
- Oras, o do duende. Você colocou no bolso do seu sobretudo quando o duende te deu.

Hermione enfiou a mão nos dois bolsos, retirando o pergaminho velho de dentro do direito.

- Eu fiquei tão abismada com o fato dele ter dito que eu era idêntica á Christine que nem registrei o pergaminho.-ela explicou, soltando o biscoito que estava pela metade na mesa e abrindo o pergaminho para lê-lo.
- Bom, lê então.
- Ok.-ela concordou, e começou a ler.

“Á Hermione J. Granger”,

- Peraí, está endereçado a você?-Draco perguntou, com a boca aberta em espanto.
- Está...

Temo que essa pequena carta vá confundir ainda mais às suas idéias do que lhe fornecer algum esclarecimento. E eu sinto por isso. Se você estiver lendo esta carta depois de ter retirado o meu baú de dentro do cofre da minha família, guarde-a com cuidado dentro de uma pasta carmim que está dentro dele, no fundo. Dentro dessa pasta está o meu testamento, Hermione, onde informo que tudo que há naquele cofre, todo o legado da minha família pertence agora á você.

Sei que posso parecer estranho eu lhe delegar tal coisa, como saber também da sua existência considerando que você ainda nem existe enquanto escrevo essa carta. Tudo o que posso lhe dizer, Hermione, é que, em breve, todas estas minhas atitudes serão explicadas. E com elas, você entenderá tudo o que está acontecendo com você e com Draco (sim, eu também sei que um dia ele vai escutar essa carta da sua boca, tão assustado como você). Desejo do fundo do meu coração que vocês sejam imensamente felizes, e que me perdoem por não poder contar mais nada.

Usufrua tudo o que lhe deixei. Um dia você saberá porque tem esse direito.

Atenciosamente,

Christine Sutcliffe

Ps: A boneca de porcelana que está dentro do baú é um presente meu para você. Ela me fez companhia durante muitos anos da minha infância e, apesar de saber que você já está bem grandinha para brincar com bonecas, tenho certeza que cuidará dela de maneira muito especial.”


Hermione levantou os olhos da carta, assustada.

- Merlin do céu!-exclamou Draco, com uma expressão de espanto igual de Hermione. Ele já tinha esquecido até mesmo a xícara de chá no meio caminho entre a mesa e a sua boca.
- Draco, você tem noção de quando a Christine escreveu essa carta?-perguntou a garota, olhando pra ele.
- Sei lá. Deve ter sido um pouco antes dela sumir, se bobear, no dia anterior. Ela sumiu logo depois que foi no Gringotes, não é? Deixar as coisas que estão dentro do baú?
- Sim, e isso foi em 1951. Nós só nascemos em 1980! Como ela podia saber da nossa existência? Que um dia nós iríamos nascer e em hoje, em 1996, descobrir o baú no cofre e tudo o resto? E como assim um testamento em que diz que eu tenho direito á tudo que restou da família dela?-perguntou Mione, de uma vez, só parando pra respirar no final.
- Não faço idéia.-respondeu o loiro, simplesmente.-Bom, mas não acho que ninguém ia gastar tempo inventando uma história dessas para nós dois. As provas de que a Christine existiu ou existe, sei lá, são irrefutáveis. E a gente sabe muito bem que ela e meu avô tiveram um romance quando tinham dezesseis anos e que ela era perseguida por alguém. E, sabe-se Deus porquê, a história está se repetindo com a gente. E ela te deixou tudo que ela tinha em um testamento e sumiu em seguida, á uns 40 anos.-foi dizendo Draco, enumerando tudo o que eles sabiam.
- Exato. E o que nós temos que descobrir é: por que ela fez isso? O que aconteceu com Christine? Por que o seu avô nunca te falou nada sobre ela? E, o que está acontecendo conosco? Por que eu tenho essas visões, que tipo de ligação é essa entre mim e a Christine? Por que sou tão parecida com ela se não temos nenhum parentesco? E quem é que está nos perseguindo achando que nós dois somos, na verdade, Chris e Thony?
- Nós temos muitas coisas pra descobrir.-o sonserino suspirou, esvaziando a própria xícara de chá.

A grifinória, por sua vez, já tinha perdido a vontade de tomar a sua. Ela dobrou a carta de Christine com cuidado e o repôs em seu bolso, bem no fundo, torcendo que dentro do baú que tinham retirado do cofre 7693 tivesse pelo menos resposta para uma de suas perguntas.

- Mione?
- Sim?-ela perguntou, levantando os olhos castanhos de seu bolso para Draco.
- São quase dez horas. Não é melhor a gente ir pegar logo o trem pra minha casa? Assim, a gente não volta tão tarde.-disse o loiro, olhando-a preocupado.
- Claro, claro, você tem raz...-ela começou, mas foi interrompida.
- Hermione, acalme-se. Escuta, vai dar tudo certo. Eu quero ir pra casa dar uma olhada em uma caixa que o meu avô me deu algum tempo antes de falecer. Ele me pediu pra tomar muito cuidado com ela, e pra esconde-la em um lugar que ninguém pudesse encontrar.-Hermione olhou para o menino á sua frente, interessada.
- E o que tem dentro?
- Eu não sei. Nunca abri. Ele me pediu pra abri-la só quando eu achasse que devesse. Sabe, ele não costumava ter muitos segredos pra mim.
- E você acha que...
- Que dentro dela tem algo que tenha a ver com o relacionamento dele com a Christine? Acho. Não sei se pode ter as respostas que nós queremos, mas pode ajudar em alguma coisa.-completou Draco, segurando a mão direita da garota entre as suas, por cima da mesa.
- É, atrapalhar é que não dá pra ser.-ela concordou, dando um meio sorriso.

*


O frio era ainda mais intenso em Wiltshire do que em Londres. O pequeno condado parecia uma cidadezinha de bonecas, com seus prédios baixos e coloridos, suas ruas de ladrilho e as árvores cobertas de neve branca. Nevava, e as árvores de Natal colocadas em frente de cada loja davam á Hermione a sensação de ter entrado em um desses globos de vidro natalinos.

Draco ia lhe mostrando tudo, como um perfeito guia turístico, da Wiltshire trouxa.

- É tudo muito lindo, Draco.-disse Hermione, extasiada, olhando á sua volta.

Os dois estavam andando debaixo da neve ao lado do Rio Avon congelado, que corria ao lado da cidadezinha. O baú de Christine tinha sido deixado trancado em um dos armários da estação de trem do lugar.

- O engraçado é a tão importante família Malfoy morar em um condado trouxa.-ela continuou, rindo.
- Mas nós não moramos tão perto dos trouxas. E, mesmo que morássemos, eles nunca iam nos encontrar.-explicou Draco.-Vem, por aqui.

Draco a puxou pela mão para uma pequena ponte vermelha que atravessava um trecho do rio. Do outro lado, tudo que se podia ver eram árvores e mais árvores. Uma bela floresta, parecendo uma grande massa branca e fofa por causa da neve nas copas descobertas das árvores. Eles adentraram na floresta, por uma trilha, enquanto o loiro explicava:

- Essa trilha deveria levar para um monumento estranho daqui de Wiltshire. Uma capela velha pra caramba, a primeira que foi criada pelo Conde não-sei-das-quantas que cuidava do lugar pro rei á uns séculos atrás.
- E porque ela “deveria” existir?-perguntou Hermione, estranhando o tempo do verbo.
- Bom, porque ela foi destruída numa disputa pelas terras também não-sei-quando. Foi quando a minha família se mudou pra cá, vinda da França. Então, nós lançamos um feitiço para Iludir trouxas e construímos a mansão...No lugar.

E fazendo uma curva na trilha, eles deram de cara com um portão enorme de ferro, com o brasão dos Malfoy no meio. Ao longe, por uma longa rua de ladrilhos, podia se ver a entrada para uma mansão de pedra colossal. Hermione nunca tinha visto nada tão grande. Perdia-se de vista os lados do lugar; a propriedade era enorme, e completamente cercada por um muro enorme cheio de heras secas que desabavam até o chão.

- Ou seja, quando os trouxas resolvem dar uma passeada por aqui, vêem á antiga capela em vez da mansão. E tem um enorme aviso na frente dizendo que é proibida a entrada, porque a capela pode desabar a qualquer momento e eles não arriscam chegar muito perto.-Draco terminou de explicar para a garota que, com dificuldade, voltou sua atenção para ele.
- Draco, isso daí é enorme!-exclamou a grifinória, pouco se importando com o que os trouxas viam quando chegavam ali, a poucos metros do portão.
- É, quem pode, pode, querida. Vamos.-o loiro riu, fazendo Hermione caminhar em direção á entrada.

Draco levantou a mão direita, onde estava o anel de Anthony Malfoy, e tocou entre os olhos da cobra do brasão da família. Eles emitiram uma luz verde por alguns segundos e o portão começou a ranger, como se vários feitiços estivessem sendo desfeitos atrás dele. O garoto retirou a mão no exato momento em que as portas duplas, com um último rangido, começaram a se abrir. Hermione, por sua vez, deu alguns passos para trás, observando o portão abrir-se sozinho.

- Identificação pelo sangue. Se alguém que não for Malfoy tentar isso, vai ser engolido para o limbo da aparatação e vai demorar um bom tempo para sair dele.-o menino explicou, puxando-a novamente pela mão para dentro da propriedade, como se pôr à mão em um portão e ele abrir sozinho fosse o mesmo que colocar uma chave em uma fechadura.

Todo o belo clima de Wiltshire sumira assim que o portão da mansão se fechara ás costas de Draco e Hermione. Estava ainda mais frio e Hermione teve a nítida sensação de estar sendo vigiada por algo ou alguém que não conseguia ver. A construção era triste e cinzenta, de quatro andares, com gárgulas postas á pouca distância umas das outras. As janelas eram grandes, de formato gótico. As do térreo, conforme se aproximaram, eram feitas de vitrais que pareciam estranhamente deslocados no ambiente.

Não era de se surpreender, vendo aquele lugar, que Draco carregasse em seu olhar tanta tristeza. Pelo jeito, o inverno era constante no lugar. O loiro tinha se calado quando eles começaram a subir os degraus de pedra para a grande porta dupla, de mogno, com mais dois símbolos da família Malfoy em cada uma. Por um momento que o loiro pensou que Hermione não percebera, ele hesitou em abrir as portas. O medo que tinha sido ignorado até aquele fim de manhã tinha voltado com toda a força e Draco teve que fazer força para não sair rápido dali para fora da casa. Os últimos momentos que tinha vivido dentro daquelas paredes tinham sido os piores de sua vida e eles estavam voltando á sua frente como um filme de terror que não se consegue esquecer durante uma madrugada chuvosa. Sacudindo a cabeça para retirar as imagens da cabeça e respirando fundo, ele girou as maçanetas em forma de cabeça de cobra.

Mal tinham posto os pés no hall de pedra e um elfo doméstico, visivelmente judiado, apareceu em frente á eles.

- Bom dia, Sr. Malfoy. A senhora não comentou que o senhor viria á mansão. Devo mandar vir pegar suas malas?-guinchou o elfo, em uma voz trêmula, fazendo uma enorme reverência.
- Eu não tenho malas, caso não tenha percebido.-Draco respondeu rispidamente, retirando seu casaco e capa e jogando-os nas mãos do elfo. Antes que Mione pudesse se manifestar com aquela falta de educação dele, Malfoy retirou o sobretudo dela também e o entregou ao elfo da mesma forma.-Onde está a minha mãe?
- Ela está na sala de descanso, meu senhor, com a Sra. Elizabeth.-informou o elfo, cambaleando pelo peso dos casacos de inverno.-O senhor quer que anuncie o senhor e a senhorita que o acompanha a elas?
- Não, não é necessário. Retire-se.-e o elfo desapareceu com um pop.
- Não precisava ter falado com ele daquele jeito. Você foi educado com Dobby em Hogwarts.
- Por sua causa. E porque eu estava morrendo de fome, Hermione.-justificou Draco, puxando-a pela mão para a escada que se erguia para o primeiro andar, á direita do hall.

A garota apenas se limitou a deixar-se levar, vendo que ele não queria conversar sobre aquilo. Deu uma última olhada no hall, reparando em seus quadros e nas portas á esquerda, todas fechadas e subiu com ele para o primeiro andar. No teto, um grande lustre de velas, o maior que já vira, iluminava o local. Ali em cima, uma grande passadeira verde cobria o corredor dos dois lados e mais quadros estavam espalhados pelas paredes. Os retratos olharam com curiosidade para a garota, comentando quem deveria ser. Todos Malfoys, homens, mulheres e crianças, com os olhos mais coloridos que Hermione já vira. Verdes, azuis, cinzas, negros, castanhos e até um par doentiamente avermelhado a observavam de cima a baixo, inquiridores. Deus, como o garoto fora criado num lugar daqueles?

- Por aqui.-o loiro guiou, puxando-a para a direita.

Hermione estremeceu ao encontrar o olhar de uma menininha loira em um quadro de corpo inteiro e Draco acrescentou.

- A mansão é meio fria, mas logo você se acostuma.

Os dois ainda andaram um pouco até mais um hall, bem menor que o primeiro com duas salas, uma de frente para a outra. A da esquerda, com as portas encostadas, estava ocupada, pois podia se ouvir duas vozes femininas conversando dentro dela.

- Ah, aquele garoto asqueroso!-disse uma delas, em verdadeiro tom de desaprovação.
- Concordo plenamente, Cissa. Graças a Merlin não precisamos mais conviver com ele. Você se lembra da vez em que...
- Espero que não estejam falando de mim.-brincou Draco, abrindo as portas.
- DRACO!

Hermione achou melhor se postar na soleira da porta, vendo Narcisa Malfoy abraçar o filho. Ela era tão loira quanto o garoto e quando finalmente o soltou, a menina pode ver o quanto era bonita. Os olhos eram verdes e o nariz e o desenho da boca muito bem feitos. Boca que Hermione conhecia muito bem por ser idêntica a do filho. Os longos cabelos loiros e brilhantes caíam até metade de suas costas, formando cachos nas pontas, e a mulher, um pouco mais baixa que Draco, vestia um belo vestido verde-água de tecido fino.

- Ah, querido! Não pensei que você fosse chegar tão cedo! Como você está? Está tão pálido! Você não tem se alimentado direito, não é? Eu sempre disse para o Lúcio que Hogwarts estava decaindo muito e que não era uma boa idéia colocar você para estudar lá depois que Dumbledore assumiu o cargo de diretor, mas ele nunca me escu...
- Deixe o menino respirar, Cissa!-repreendeu a dona da outra voz.-Venha cá, Draco, vamos ver se você está assim tão pálido como sua mãe está dizendo.
- Oi, vovó.-sorriu Draco, indo abraçar a senhora sentada em uma poltrona no canto da sala.

Mesmo da porta, a grifinória percebeu que a avó de Draco devia ter sido também uma mulher muito bonita. Os cabelos, todos de um branco neve, estavam presos em um coque bem feito e ela vestia um vestido longo púrpuro. As mãos que apalparam as bochechas de Draco estavam cobertas de anéis com pedras preciosas incrustadas.

- Ora, Cissa, mas o nosso Draco está ótimo. Lindo, como sempre.
- Obrigada, vovó.-Draco agradeceu, se afastando da senhora.
- Então quer dizer que tomou vergonha na cara e resolveu vir passar o natal junto da família?-a avó perguntou, puxando-o para sentar-se ao seu lado no divã em frente á uma mesa com chá, bolos, biscoitos e frutas secas.
- Não, na verdade, não.
- Como assim, querido?-perguntou Narcisa, que já se sentara em uma das cadeiras que rodeavam a mesa redonda.
- Mamãe, você não se lembra que lhe escrevi uma carta dizendo que passaria as férias na casa de uma amiga, por causa de um trabalho da escola, mas que viria visitar vocês em um dos dias.
- Ah, claro, que sim!-confirmou a mãe, virando-se em seguida para a senhora na sua frente.-Ele está falando daquela carta, Elizabeth, que eu lhe mostrei. Aquela em que ele falava sobre uma menina que mais parecia um anjo na terra?
- Mamãe, não é bem assim.-o loiro correu em consertar.
- Ah, claro que me lembro!-concordou Elizabeth Malfoy, virando-se para o neto.-Você a trouxe para nós conhecermos, querido? Como ela é?
- Bom, acho melhor vocês a verem. Hermione, entre.

Só então que as duas mulheres viraram-se para a porta, onde Hermione estava parada. Ela sorriu timidamente para as duas e entrou na sala de descanso, agradecendo mentalmente que lá tivesse uma lareira para esquentar o local.

- Bom dia.-a grifinória cumprimentou, pondo-se ao lado de Draco.
- Mamãe, vovó, essa é Hermione Granger.-Draco fez as honras, apresentando-a.
- Muito prazer.
- O prazer é nosso, querida.-respondeu Narcisa, levantando-se novamente e indo cumprimenta-la.-Afinal, Draco escreveu quase um rolo de pergaminho inteiro sobre você.
- Estávamos ansiosas para conhece-la, srta. Granger.-completou Elizabeth, quando Hermione a cumprimentou.-Meu Merlin, mas você é linda! Muito mais bonita do que aquela enjoada da filha dos Parkinson.
- Obrigada.
- Mas, vamos, sente-se. Quer dizer que Draco está hospedado em sua casa?
- Sim, mamãe, estou.-Draco respondeu por Mione, sentando-se ao lado da cadeira em que ela se sentara e servindo-se de chá.
- E onde você mora, srta. Hermione?-perguntou Elizabeth, de um jeito gentil que só as avós que querem saber com quem os netos estão se relacionando perguntam.
- Eu moro em Londres.
- Londres? Sempre quisemos morar em Londres, tão mais perto de tudo.-comentou Narcisa, bebericando de leve seu chá.-Mas Wiltshire é bem mais calma, não temos que fugir dos repórteres a cada esquina que vamos.
- Wiltshire é uma bela cidade. Draco me mostrou o lugar antes de virmos para cá.
- Pois pra mim é um ninho de ratos. Sempre detestei esse lugar, cheio de trouxas e sangue-ruins.-reprovou a avó de Draco, fazendo uma leve careta que fez Draco procurar a mão de Mione por debaixo da mesa e aperta-la com força.
- Ora, Elizabeth, mas eles nunca nos incomodaram. E Draco sempre se divertiu muito brincando com as crianças do condado.
- Ah, você brincava com as crianças do outro lado rio?-a grifinória perguntou, espantada.
- Não exatamente.-o loiro começou, ficando ligeiramente vermelho ao encarar os olhos castanhos dela.
- Draco praticava magia nelas quando menor.-esclareceu Narcisa, fazendo os olhos castanhos da menina se arregalarem.-Lembra-se da vez em que você fez um menininho levitar e cair no rio quando tinha seis anos?
- Um perfeito Malfoy.-aprovou a avó.
- Mamãe, não conte essas coisas. Não foi intencional, Hermione. Quando vi, o garoto já estava todo molhado.-justificou-se Draco.
- Oras, querido, só não foi intencional porque você era muito pequeno.-a senhora disse em um tom tranqüilizador, como se aquilo que Narcisa acabara de contar não tivesse sido apenas um acidente divertido.-Mas você sempre foi um Malfoy perfeito, já disse. Se fosse mais velho, com certeza teria feito o ratinho se afogar naquela tarde de verão.
- Mas isso é horrível!-Hermione exclamou, sem conseguir se segurar.

Draco se segurou para não bater a mão na testa quando Narcisa e Elizabeth olharam espantadas para Hermione que estava pálida de raiva.

- Algum problema, Hermione?-perguntou Narcisa, em tom preocupado.-Está se sentindo mal?
- Deve ser, ela não tem andando muito bem ulti...-o loiro começou, mas Hermione o cortou.
- Não, eu estou me sentindo perfeitamente bem, Sra. Malfoy, obrigada. É só que...
- Ah, querida, pode me chamar apenas de Narcisa. Afinal, você está hospedando o meu filho em sua casa, e não há como lhe pagar por isso.
- Imagine, não é nada demais.-Hermione negou, tentando voltar ao assunto.-É só que eu...
- Por falar em ficar na casa de amigos, é a primeira vez que você vem aqui, não é?
- Ah, sim, é a primeira vez.-a garota concordou, com um sorriso doce no rosto.
- Mas você já deve ter vindo pelo menos a uma de nossas festas?-perguntou a avó de Draco, chamando a atenção da garota para ela.-Você e sua família...Granger, não é?
- Sim, Granger.
- Engraçado, não me lembro de nenhum Granger em nosso ciclo de relacionamentos. Você consegue se lembrar, Narcisa?
- Na verdade...-começou a mãe de Draco, pousando sua xícara de chá lentamente na mesa, como se tivesse acabado de se lembrar de algo.
- Hermione e os pais nunca estiveram com nossa família antes, vovó.-Draco explicou, apertando ainda mais a mão dela por debaixo da mesa.
- Mas, eu creio que já ouvi o seu sobrenome em algum lugar.-disse Narcisa, olhando com os olhos verdes estreitos para Hermione.
- Desculpe, mas creio que isso seja muito difícil, sra. Mal...Desculpe-me, Narcisa.-negou Mione, baixando os olhos para o próprio chá.
- Não, não estou enganada. Não é você a aluna mais inteligente que Hogwarts já viu em 50 anos?-perguntou Narcisa, agora olhando com um interesse extremo para a garota.
- Sim, sou eu mesma.-ela confirmou, levantando os olhos e sustentando o olhar de Narcisa.
- Que menina? A que você detestava, Draco?-perguntou Elizabeth, tentando acompanhar a conversa.
- Ela mesma, vovó.
- Mas, pelo jeito, você mudou de idéia sobre ela...-Narcisa disse, sem completar a frase, olhando agora diretamente para o filho.
- DRACO!-mais uma voz feminina se fez ouvir na porta da sala.
- Olá, Clarisse! Louis!-cumprimentou Draco, levantando-se para abraçar uma bela adolescente que acabara de entrar na sala acompanhada de um menino com cerca de 10 anos de idade.
- Vejam só, o revoltadinho da família voltou ao ninho.-brincou a garota, devolvendo o abraço do loiro.

Os dois recém-chegados eram muito parecidos. O cabelo de um loiro escuro e bem liso e a pele um pouco mais rosada do que do resto dos Malfoys. Mas a imponência que mostravam e seus olhos azuis-escuros espertos mostravam que só podiam permanecer a tal família. Todos os Malfoys deviam ter aquele mesmo ar de metidos á besta, Hermione anotou mentalmente ao ser apresentada a eles.

- Quer dizer que você finalmente trocou de namorada, Draco?-perguntou Louis, sentando-se ao lado da avó.
- Onde vocês estavam?-perguntou Narcisa, para impedir que o filho respondesse.
- Andando á cavalo, tia.-respondeu Clarisse, que aparentava ter a mesma idade que Hermione.-Mamãe está lá no jardim oeste fazendo sua caminhada e papai disse que já estava subindo.
- Ótimo, sirvam-se. Devem estar com fome. Agora, do que estávamos falando mesmo?-perguntou a avó, ocupando-se em retirar alguns flocos de neve do cabelo de Clarisse.
- De como Draco mudou de idéia em relação á Hermione, Elizabeth.
- Ah, sim. Bom, Hermione, só esclareça uma dúvida que me surgiu agora. Como é possível que não tenhamos nenhum contato com sua família?
- É porque minha família...-Mione começou a explicar, mas foi cortada pela mãe de Draco.
- É porque a família dela não pode encontrar nossa residência, Elizabeth querida.
- Oras, e por que não?-dessa vez a pergunta veio de Louis.
- Porque eles são...-Mione tentou de novo e mais uma vez foi interrompida.
- Bom dia todo mundo! Está congelando lá fora!

Dessa vez era uma voz masculina que falava. Um homem alto e loiro acabara de entrar na sala de descanso. Como os dois jovens que tinham entrado há poucos minutos, ele usava uma bela roupa de equitação verde musgo. Os cabelos eram tão claros quanto à neve lá fora e a pele era tão pálida quanto à de Draco. Na verdade, se Hermione não soubesse que o verdadeiro Draco estava vestido de azul e sentado ao seu lado, segurando sua mão direita por debaixo da mesa, Hermione teria certeza que quem acabara de entrar na sala era o próprio sonserino com uns 10 anos atrás.

- Leonard, quantas vezes vou ter que lhe dizer para não gritar dentro de casa?-repreendeu Elizabeth, levemente aborrecida.
- Mamãe, não me repreenda na frente das crianças. Que tipo de pai elas vão achar que eu sou?-perguntou Leonard Malfoy, indo dar um beijo na senhora e outro na filha ao lado dela.
- Do tipo pateta, papai.-respondeu Louis, rindo.

Hermione viu Draco revirar os olhos em desaprovação.

- E, vejam só. Meu sobrinho preferido está em casa!
- Sou seu único sobrinho, tio Leonard.-retrucou Draco, apertando a mão do tio por cima da mesa.
- Lúcio que me perdoe, mas você está ficando igualzinho ao seu tio aqui.-disse Leonard, puxando uma cadeira e sentando-se de frente a eles.-E quem é a bela moça do seu lado?
- Hermione Granger, prazer.-disse Mione, estendendo a mão para Leonard apertar. Não conseguia desgrudar o olhar do belo homem com uma perfeita barba e olhos azuis elétrico á sua frente.
- O prazer é meu. Quer dizer que a Pansy foi mandada para o chuveiro, Draco?
- Por que todo mundo tem que falar nela?-retrucou Draco, irritado.
- Não há problema nenhum.-tranqüilizou Hermione.-Agora, como eu estava dizendo para você, Narcisa, vocês não conhecem meus pais porque eles são...
- Draco, você mostrou o nosso jardim de inverno para a Hermione?-Narcisa cortou-a novamente, fazendo a garota bufar.
- Não, mamãe, viemos direto para cá.-respondeu o loiro, sem entender.
- Que pena. Ele está cheio de rosas!-aprovou Elizabeth.-Por que não a leva lá, querido?
- Mas agora?-Draco perguntou, sem entender.
- Oras, se esse é o problema, eu a acompanho até lá e você fica aqui matando as saudades da sua mãe e da sua avó.-adiantou-se Leonard, largando o biscoito que pegara para comer na mesa e levantando-se.
- Eu não acho uma boa idéia.-retrucou o sonserino, friamente.
- Não tem problema, Draco. Vou adorar conhecer o jardim.-Hermione correu em dizer, levantando-se também.

Se tinha algo que a grifinória sabia fazer bem, era pegar as coisas rápido no ar. E, como percebera, Narcisa Malfoy já tinha se lembrado de que conhecia seu sobrenome como a “sangue-ruim Granger, amiga de Harry Potter”. E como sangue-puro e esposa de um Comensal da Morte, Hermione duvidava muito que ela estava feliz em saber que o filho estava se relacionando com ela. E, se o que ia acontecer era uma briga em família, ela preferia estar bem longe do lugar no momento em que começasse.

O loiro ainda olhou levemente apreensivo da garota para o tio, e soltou da mão dela, deixando-a contornar a mesa e ir à direção ao homem. Os dois pediram licença e saíram da sala e enquanto Leonard Malfoy fechava a porta dupla da sala de descanso, eles ouviram em alto e bom som Narcisa gritando:

- A SANGUE RUIM, DRACO???
- Nossa, tem alguém de muito mau humor ali dentro.-reprovou Leonard, com um tom divertido.-Vamos?
- Ahn...Claro.-ela concordou, segurando a vontade que tinha de voltar lá dentro e brigar junto com Draco.

A menina seguiu o tio de Draco até fora da mansão, sem antes pegar o seu casaco novamente, enquanto conversavam sobre Hogwarts, as aulas, os professores. Basicamente, como estava a escola que o homem tinha estudado a cerca de 20 anos. Hermione respondia todas as perguntas com um educado interesse, sem conseguir deixar de pensar no que o sonserino podia estar enfrentado com a mãe. Quando percebeu, Peter já estava abrindo a porta de vidro de uma enorme estufa e pedindo para que ela entrasse.

O interior era maravilhoso. A primeira sensação que Mione teve foi de um repentino calorzinho, que ela logo percebeu que devia ser provocado por magia, já que a estufa estava pelo menos uns quinze graus mais quente que o exterior. O jardim de inverno dos Malfoys era, na verdade, um jardim de rosas. Todos os tipos de rosas, de todas as cores possíveis, estavam plantados por toda à volta. Contrastando com elas, havia também tulipas e copos-de-leite. No meio do jardim, tinha ainda um banco de madeira que circundava uma enorme macieira, que tinha a copa para fora da estufa.

- Puxa, é muito bonito.-Hermione elogiou, sendo ela mesma pela primeira vez.
- É, isso aqui era o xodó do meu pai. Ele que fez o jardim. Durante o verão, nós retiramos o teto para o sol entrar e dá pra pegar as maçãs direto da árvore.-explicou Leonard, guiando a grifinória pelo braço até o banco de madeira.
- Xodó de Anthony?-ela perguntou sem pensar, sentando-se.
- Draco lhe falou sobre o avô dele, então?-o homem perguntou, arqueando as sobrancelhas em espanto.
- Ah, falou sim. Ele gostava muito dele.-disse Mione, em tom de desculpas.
- É, e o velho também gostava muito dele. Gostava mais dele do que de mim e Lúcio juntos. Mas nunca fomos os filhos que ele esperava, então não é lá uma grande surpresa.-Leonard disse, a voz se enchendo de um repentino rancor.-Quer dizer então que o relacionamento entre o meu sobrinho e você é mesmo sério? Para ele falar do avô dessa maneira. Ele não conversa sobre o meu pai com ninguém desde o falecimento dele no verão.
- Bom, é sério sim.-concordou a grifinória.-Na verdade, estamos com um compromisso sério.
- É mesmo? Bom, me perdoe pela minha franqueza, mas eu não vou lhe parabenizar por estar namorando meu sobrinho.

A garota olhou espantada para o homem, que ficara subitamente sério.

- Desculpe, mas...Por que não vai?-ela perguntou, sem notar que o seu tom educado passara para um desafiante.
- Bom, porque seria muito mais fácil parabenizá-la por enfeitiça-lo. Ou por atrai-lo para o lado de Dumbledore na guerra.- e o tom desafiante de Hermione pareceu completamente gentil diante do tom que Leonard utilizou ao puxa-la com violência do banco e cola-la ao seu corpo.
- Solte-me! O que pensa que está fazendo?
- Estou te avisando, garota, que é uma ousadia sua vir á esse lugar. Pisar com os seus pés sujos em solo Malfoy. Eu compreendo Draco, ele ficou muito abalado com a morte do avô, está carente e tudo o mais. E você é o tipo de garota bonita que, imagino, tem apoio e carinho, mas do que suficiente para conforta-lo num momento desses.-ele sussurrou, no ouvido direito de Mione, enquanto a segurava a seu corpo com um braço e o rosto com a mão direita, virado desconfortavelmente para a direita.
- E por que você acha que eu sou esse tipo de garota?
- Porque você é a amiguinha sangue-ruim do Potter. E imagino que ele precise de muito apoio para enfrentar o medo do Lorde das Trevas manda-lo pro mesmo lugar que os inúteis dos pais dele.
- Da mesma maneira que eu imagino que você pensa que vai me intimidar com essa atitude ridícula.-atacou a grifinória, fazendo força com o corpo para que ele a soltasse.-Achando que eu vou dizer alguma coisa que você possa ir correndo contar para o seu lordezinho de merda.
- Lordezinho de merda, eh? Você vai continuar a chamá-lo assim quando ele acabar com a sua família?-ameaçou Leonard, jogando Hermione em cima do banco de madeira.
- E por que ele acabaria com a minha família? Por que o seu sobrinho prefere passar o Natal com uma sangue-ruim do que com a família preconceituosa dele? Agora você vai ter que me perdoar, mas não acho que o Lord vai dar muita importância a isso.

E, para a raiva de Hermione, Leonard começou a rir. Rir, não, gargalhar, como se ela tivesse acabado de contar uma piada ótima para ele.

- É, garota, você tem senso de humor. Mas ele não vai salvar a sua pele.
- Como se eu precisasse de conselhos...-retorquiu a menina, levantando-se e desviando do homem, andando em direção á porta do jardim.
- Não precisa gostar deles, Granger, apenas os siga. Afaste-se de Draco pro seu bem e pro dele.
- Não creio que você saiba o que é melhor para Draco ou pra mim.-Hermione vociferou da porta da estufa, virando-se para o loiro.
- Ah, eu sei, garota. E, se você usar o cérebro que todos dizem que você tem...-foi dizendo Leonard, enquanto abria a porta da estufa e oferecia o braço direito a ela.-Vai perceber que você também sabe.

*


- A SANGUE RUIM, DRACO???-Narcisa gritou irritada, levantando-se da mesa e assustando os outros presentes.
- Não a chame assim, mãe.-repreendeu Draco, cansado.
- Sangue-ruim? De quem estão falando?-perguntou Louis, visivelmente interessado na repentina explosão da tia.
- Estamos falando da garota que seu primo louco trouxe para cá. A maldita sangue-ruim amiga do Potter, que o Lorde das Trevas tenta agarrar á dois ANOS!-Narcisa explicou, furiosamente.
- O quê? Amiga de Harry Potter? Draco, você enlouqueceu?-perguntou Clarisse para o garoto.
- Por que vocês não param de fazer drama? Qual é o problema afinal?-o loiro perguntou, levantando-se também.
- Não há problema nenhum se você disser que não tem nada com...Com aquilo e que a trouxe aqui para fornecer informações sobre o Potter para o Lord.
- Puxa, mamãe, que pena, mas EU NÃO VIM FAZER ISSO! Você sabe muito bem que eu não quero participar de nada disso não quero ter nada a ver com o cara-de-cobra ou qualquer um dos que o seguem!-o sonserino gritou em resposta, ficando em frente á mãe.
- Não seja estúpido, garoto, você não sabe o que está diz...
- Eu sei muito bem o que estou dizendo. Sei disso desde que aquele filho-da-pu...
- NAÕ FALE DE SEU PAI ASSIM, DRACO MALFOY!-Agora Narcisa estava fora do controle, avançando sobre o garoto.-VOCÊ NÃO TEM IDÉIA DO QUANTO ELE FEZ POR ESSA FAMÍLIA, INCLUSIVE POR VOCÊ!
- ELE NÃO FEZ NADA A MIM ALÉM DE DESTRUIR A ÚNICA PESSOA QUE ACREDITAVA QUE EU PODIA SER DIFERENTE DO RESTO DE VOCÊS!-Draco gritou em resposta, saindo da sala de descanso e sendo seguido por seus familiares.-E AGORA EU ENCONTREI UMA PESSOA NOVA PRA ISSO, DE QUEM EU GOSTO MUITO E...
- AH, CLARO, A MALDITA SANGUE-RUIM!
- Não a chame de sangue-ruim...

Draco tinha se virado com tudo e segurado o pulso da mãe com força, enquanto murmurava as palavras dolorosamente para ela. Narcisa respirava como se tivesse corrido uma maratona e sustentou o olhar do filho, que ficou vermelho de vergonha.

- Não a chame assim. Ela é a única pessoa que se importa comigo. Que se importa com o que aconteceu aqui naquele maldito hall, na frente de todos vocês.
- O que aconteceu naquele hall, no verão, Draco, iria acontecer mais cedo ou mais tarde.-Narcisa respondeu, em um tom carinhoso.
- Não, não iria, se nós fossemos uma família de verdade em vez de apenas fingirmos ser.

Ele soltou o braço da mãe e recomeçou a andar, com ela em seus calcanhares.

- Eu não vim aqui para receber a sua aprovação ou qualquer uma dessas porcarias.
- Veio aqui pra quê então?
- Pegar algo que meu avô me deixou.
- O que meu Anthony lhe deixou?-perguntou a avó Elizabeth, que tinha dificuldades para seguir o neto e a nora a sua frente.
- Se ele não te mostrou vovó, não acha que vou ser eu que vou fazer isso.-o loiro retrucou, escancarando uma porta á sua esquerda.

Ele entrou rapidamente em um quarto decorado em verde e negro, com uma enorme faixa da Sonserina pendurada ao lado da cama e abriu o closet do lugar, sendo observado pela mãe, avó e primos; todos parados na porta. Voltou alguns segundos depois de muito barulho com uma caixa enorme de madeira debaixo de um dos braços.

- Draco, não faça isso, por favor. Tente ao menos escutar a voz da razão.-Narcisa começou, quando o filho simplesmente abriu espaço pela porta e recomeçou a andar, em direção á porta principal da mansão.
- Voz da razão? Como você pode me pedir para ouvir a voz da razão se vocês ainda moram nesse lugar? Nem pra respeitarem a memória dele.
- Isso não é motivo para você se sujeitar a ficar com uma sangue-ruim, Draco!
- Já disse para não chamá-la assim!
- E como você quer que eu chame alguém não deve ter a mínima capacidade de fazer um copo desapare...-zombou Narcisa.

Eles tinham chegado aos pés da escada que dava para o hall principal da mansão no exato momento em que Hermione e Leonard entravam pela porta da frente.

- Draco...-murmurou Mione, ao ver o garoto completamente transtornado discutindo com a mãe.
- Pois eu não duvido nada que ela seja uma bruxa muito mais poderosa que você, mamãe.-o loiro vociferou para Narcisa, e começou a descer as escadas.
- Draco, não faça isso! Draco, volte aqui, nós ainda não terminamos...DRACO!
- Vamos dar o fora daqui, Hermione.- o sonserino continuou, ignorando chamado da mãe.

Ele bateu palmas enquanto descia os últimos degraus e o elfo que os tinha recebido apareceu com seu casaco e capa nas mãos. Ele os arrancou dele, fazendo com que o coitado finalmente caísse e rolasse escada abaixo e sem olhar pra trás, puxou Hermione pelo pulso e saiu da mansão.

*


Hermione olhou para o baú de Christine e a caixa de madeira de Anthony, encostados na parede ao lado da escada, pela qüinquagésima vez. Ela estava encolhida em uma das poltronas da sala com uma caneca de chocolate quente em uma das mãos e um sanduíche na outra. Já eram quase dez da noite, fazia horas que ela e Draco tinham chegado da mansão dos Malfoys, e aquela sensação ruim de inverno constante ainda não tinha saído do peito da garota. As lembranças da breve discussão cheia de ameaças entre ela e Peter ainda estavam vivas em sua cabeça e em seu corpo. Não adiantava, a sensação de ter discutido com o futuro Draco Malfoy não saia dela. Leonard tinha o mesmo cheiro de menta de Draco, os mesmos olhos perspicazes, apesar de não serem do mesmo tom de azul, a mesma força ao envolve-la pela cintura. Droga, por que todos os Malfoy tinham que ser tão estranhamente parecidos e atraentes? Merlin só podia gostar de brincar com os hormônios dela mesmo.

Pra piorar, ainda não tivera tempo de perguntar para o sonserino o que tinha acontecido entre ele e a mãe no momento em que estivera no jardim de inverno. O garoto tinha se trancado no quarto em que estava hospedado assim que os dois tinham chegado e não saíra mais de lá. A viagem de trem de Wiltshire para Londres tinha sido completamente silenciosa, com os dois imersos em seus próprios pensamentos. Draco estava tão bravo na hora que a grifinória nem arriscara em perguntar nada pra ele. Não queria deixa-lo mais pra baixo do que estava. Eles tinham aproveitado pra passar em um supermercado perto da casa de Mione para comprar comida, mas o loiro não quisera comer nada e subira correndo para o quarto, sendo seguido por Bichento. E, mesmo tendo batido várias vezes na porta do quarto dele, Hermione não tinha conseguido convence-lo a descer e conversar. Agora, estava ali, encolhida em uma poltrona deixando a adrenalina que Peter produzira ir embora de seu corpo enquanto ouvia alguma coisa qualquer no rádio.

- Será que dá pra você abaixar esse volume? Eu estou tentando dormir!-Draco reclamou, enquanto descia as escadas.

Apesar do frio, o garoto estava usando apenas uma calça de agasalho.

- Desculpe.-Hermione disse, correndo para desligar o som.- Eu não estava mesmo ouvindo. Você não quer comer alguma coisa, Draco?
- Não, obrigada. Eu não estou com fome.-ele respondeu, seco, e virou-se para subir a escada novamente.
- Draco, espera.-Hermione chamou, largando o sanduíche e o chocolate na mesinha de centro e subindo as escadas atrás dele.-Você tem certeza? Está sem comer nada a horas.
- Eu já disse que não estou com fome, Hermione.-ele repetiu, com a voz cansada.

A garota abriu a boca pra retrucar, mas preferiu ficar quieta. O menino estava mais pálido do que ela se lembrava já ter visto e os olhos estavam vermelhos e inchados, indicando que ele tinha chorado.

- Draco...
- Hermione, pare de me olhar desse jeito. Eu estou bem.
- Não, não está, eu estou vendo no seu rosto. Anda, vem comer um sanduíche e conversar um pouco.-ela pediu, segurando uma das mãos dele.
- Está bem.-o loiro concordou, de má vontade.

Hermione o puxou até a sala e o fez sentar no sofá. Dois minutos depois voltou com mais um chocolate quente e um outro sanduíche que já tinha deixado preparado para quando Draco resolvesse sair do ninho.Ela se sentou ao lado dele e encolheu as pernas novamente, sem saber o que dizer. Depois de muitos minutos de silêncio, em que ela apenas observou o garoto devorar o sanduíche, ela abriu a boca:

- Er...Como é que você está se sentindo?-ela perguntou, baixinho.
- Já lhe disse. Estou bem, pare de se preocupar.
- Desculpe, mas não é isso que eu estou vendo.
- Então está vendo errado.-Draco retrucou, tomando um gole do chocolate quente.
- Não precisa falar assim.
- Desculpe. É só que, eu ainda estou bravo, só isso.-o loiro justificou, jogando a cabeça no encosto do sofá e fechando os olhos.
- Draco, o que foi que aconteceu quando eu e o seu tio estivemos no jardim? Quando chegamos, você estava explodindo de raiva, a sua mãe estava tendo um colapso nervoso e a sua avó parecia que tinha corrido uma maratona para acompanhar vocês dois. Isso sem contar a cara de assustados dos seus primos e o coitado do elfo que você mandou escada abaixo.-Hermione descreveu, soltando a língua.
- De que me importa, Granger, se meus primos estavam tendo um ataque cardíaco ou que o elfo tenha enfiado a cabeça em um dos degraus e morrido de traumatismo craniano?-o sonserino retrucou, abrindo os olhos e mirando a garota ameaçadoramente.
- Já disse que não precisa falar desse jeito.-Mione repetiu, chateada por ouvi-lo dizer seu sobrenome.-Eu só estou querendo saber o que houve.
- Eu discuti com ela, está bem? Você a ouviu gritando, com certeza. Ela se lembrou que já tinha ouvido, talvez até mesmo de mim, que Hermione Granger era a garota trouxa amiga de Harry Potter. E, claro, ela não aceitou que eu tivesse te levado para a mansão. Ou você achou que ela ia ser amigável e dizer que não se importava da onde você tivesse vindo contanto que eu estivesse feliz?-Malfoy disse muito rápido, elevando o tom da voz e levantando-se.
- Bom, é claro que eu não esperava algo assim.-Hermione respondeu, vendo Draco encara-la.-Como eu também não esperava aquela reação tão, tão...
- Negativa, raivosa, explosiva?
- Na verdade, preconceituosa e desesperada se encaixam mais.
- Hermione, pelo amor...
- O que eu estou querendo dizer é que uma mãe se comportaria exatamente do jeito que você disse. Não se importaria com a minha origem se você estivesse feliz.
- A questão, Hermione, é que Narcisa Malfoy não é esse tipo de mãe. Sabe, ela não tem muito instinto maternal quando o que está em jogo a minha felicidade.-o loiro disse, o mais sarcasticamente que pôde.
- Por que diz uma coisa dessas? Ela é sua mãe, Draco, ela te ama.-a grifinória falou, escandalizada com a maneira como ele podia dizer aquilo.
- Eu sei que ela me ama, Hermione. Você é surda por acaso?
- Não fale assim com...
- Ela me ama e se importa comigo, contanto que eu siga o que ela acha certo. Se ela acha que você não é boa o bastante pra mim, ela não vai me querer perto de você para não precisar enfrentar perguntas embaraçosas das mulheres da alta sociedade. Se ela acha que o sol da Itália faz mal para pele dela, ela exige ir embora, e se recusa a voltar lá mesmo que todos os outros queiram. Se Narcisa Malfoy não vê problema em ocorrer um assass...
- Um assassinato?-Hermione cortou, espantada.-Como assim assassinato? Do que você está falando?
- De nada. Eu não estou falando de nada que você precise saber.-Draco disse rápido, segurando Hermione pelos ombros.-Absolutamente nada.
- Como nada? O que foi que houve Draco?
- Eu já disse, Granger, não aconteceu NADA! Por que eu tive que sair daquela caixa de fósforos em que você me alojou, hein?-o sonserino perguntou, indo em direção á escada.-Boa noite.

Então Hermione se lembrou. Lembrou-se do que Draco tinha lhe dito na primeira vez que conversaram, na manhã seguinte á visão do anel. N amanhã em que ela tinha contado para ele tudo o que estava acontecendo com ela e ele tinha resolvido ajuda-la a desvendar os mistérios que envolviam Anthony e Christine. A garota se viu transportada para os terrenos cheios de neve de Hogwarts, sentada debaixo do carvalho, perguntando:

- Seu avô está morto?
- Morreu estas férias. Pensei que soubesse, saiu em quase todos os jornais. Foi assassinado.

Assassinado, assassinado...A palavra ecoou pelos ouvidos da grifinória e ela perguntou, antes que pudesse se segurar:

- É do seu avô que você está falando. Anthony. É do assassinato dele que você disse que sua mãe não via problema em acontecer, não é? Draco, responda!

O garoto, que já estava no segundo degrau da escada, congelou ao ouvir a garota. Sem se virar, ele murmurou, tão baixo que ela teve que fazer esforço para ouvir:

- Não fale besteiras, Hermione. Da onde você tirou uma coisa dessas?
- Você me contou, quando me mostrou o diário do Anthony pela primeira vez, naquela manhã, no começo do mês, logo depois que tivemos a visão dele e da Christine quando fugíamos do Filch.-ela explicou, caminhando até o degrau abaixo do que Draco estava.-Você me disse que ele tinha sido assassinado no verão, mas nunca mais me falou nada sobre isso.
- E o que você pensa que vai ganhar com isso?-ele perguntou, ainda de costas.
- Desculpe, mas o que você disse?-Hermione perguntou, achando que tinha ouvido errado.

Então, Draco virou-se com tudo, prensando-a contra a parede. Lágrimas de raiva saiam dos seus olhos, que pareciam negros á Hermione.

- O QUE VOCÊ VAI GANHAR COM ISSO? O que te importa à reação da minha mãe ao perceber quem você é? O que te importa que tipo de família eu tenho? O que te importa o que foi que aconteceu com o meu avô, hein? O QUE VOCÊ VAI GANHAR COM ISSO?
- NADA! Absolutamente nada, eu só estou apenas preocu...-Hermione tentou dizer, assustada demais para tentar soltar seu corpo do dele.
- Preocupada? Não precisa se preocupar. A única pessoa que se preocupou com o meu bem-estar está morta e eu não preciso que você a substitua!-ele gritou, segurando-a com uma das mãos contra a parede enquanto brandia o dedo indicador da outra em seu rosto.
- Eu não quero substituir ninguém, Draco, por Merlin! Eu não quero substituir ser avô, eu sei que você sente falta dele, mas...
- VOCÊ NÃO SABE PORCARIA NENHUMA!

O sonserino a soltou com raiva, as lágrimas ainda escorrendo pelo rosto pálido e se lançou pela sala, jogando a xícara que estava em cima da mesa de centro na parede.

- DRACO!
- NÃO TEM A MÍNIMA IDÉIA DO QUE É VER A PESSOA QUE VOCÊ MAIS AMA NO MUNDO MORRER NA SUA FRENTE! VOCÊ NÃO TEM NOÇÃO DE COMO ISSO DÓI! NÃO FALE COMIGO COMO SE VOCÊ SOUBESSE!
- Eu quis dizer isso, eu só quero ajudar...
- EU NÃO QUERO SUA AJUDA! SE VOCÊ QUER DAR UMA DE SALVADORA DE GAROTOS INDEFESOS QUE NÃO TÊM FAMÍLIA, VAI CONSOLAR O POTTER!
- Mas eu não quero dar uma de salvadora de ninguém! E não ponha HARRY NO MEIO!-pronto, agora Mione também estava gritando e chorando.-Se eu estou tentando te ajudar é porque eu gosto de você tanto como eu gosto do Har...
- NÃO PRECISA GOSTAR DE MIM TANTO QUANTO VOCÊ GOSTA DO POTTER!-Draco gritou, visivelmente ferido com as últimas palavras dela.-Eu não quero ter NADA que o Potter tenha. Eu não preciso da coragem grifinória dele, da admiração que todos sentem por ele, ou do MALDITO AMOR QUE VOCÊ TEM POR ELE!-as últimas palavras foram gritadas com tanta força que Hermione se encolheu na parede ao ouvi-las.-E SE VOCÊ SENTE A MESMA COISA POR MIM QUE SENTE POR ELE...
- EU NÃO SINTO A MESMA COISA, SEU IMBECIL!-Hermione gritou em resposta, com a voz trêmula, e fazendo Draco parar de gritar pela primeira vez.-O QUE EU SINTO É COMPLETAMENTE DIFERENTE! Harry é como um irmão pra mim...
- E eu sou sua diversão particular, não é, Granger?
- Pare de falar assim! VOCÊ NÃO SABE O QUE ESTÁ FALANDO!
- Eu sou o sonserino malvado e rebelde que você está doida pra domesticar e sair por aí exibindo pra todo mundo! Eu sou o filho de Comensal que pode te dar informações úteis para acabar com o Lorde das Trevas junto daqueles dois idiotas e daquele velho gagá! Eu sou O idiota que está te ajudando e pondo a vida nas mãos de um BIRUTA que acha que eu sou Anthony Malfoy! Resumindo, eu sou o RETARDADO QUE ACREDITA EM TUDO QUE VOCÊ DIZ E AINDA SE ILUDE ACHANDO QUE A MÃE PODE ACEITAR A NOVA NAMORADA DELE SÓ PORQUE ELE A AMA!

O loiro parou de gritar, respirando fundo. Hermione encontrava-se no mesmo estado, ainda achatada na parede como se quisesse afundar dentro dela e nunca mais aparecer. Se aquilo fosse um filme de drama com romance, ela simplesmente sairia correndo até Draco, o abraçaria e o beijaria com todas as suas forças mostrando que sentia o mesmo que ele, na mesma louca intensidade. Porém, aquilo era a vida real e tudo o que ela sabia fazer era chorar e encarar o garoto á poucos metros dela, que ela sabia estar sangrando de dor por dentro.

- Eu nem sei porque eu ainda me incomodo em dizer todas essas coisas, como se você fosse se importasse com elas.-Draco disse, olhando fixamente para Hermione.
- Não diga isso. Você sabe que eu me importo, Draco.
- Não, eu não sei. A única coisa que eu sei é que eu estou cansado, Granger. Cansado de não ter ninguém pra mim...
- Draco...-Mione choramingou, mas ele não deu atenção.
- Cansado de me iludir...
- Por favor, pára...
- De acreditar nas pessoas. Isso tudo é bom demais pra ser verdade, Granger. Você é dos seus pais, dos seus amigos. Não tem porque se importar com o que acontece com gente como eu...
- PÁRA! PÁRA DE DIZER ESSAS COISAS!-ela gritou, sem agüentar ouvir mais.-Será que você não percebe que está ficando igual a todos eles? Igual ao seu tio dizendo “Afaste-se de Draco pro seu bem e pro dele” e não sei mais o quê...
- O que foi que o meu tio disse?-o sonserino perguntou, arregalando os olhos em espanto.
- Será que você não percebe que você está pondo na sua cabeça exatamente o que eles querem que você ponha? Que você tem futuro, que nós dois não temos como dar certo?
- O que foi que ele disse, Hermione?-ele perguntou novamente, aproximando-se dela.
- DE QUE IMPORTA O QUE ELE DISSE?-ela gritou, tentando fazer com que ele voltasse a atenção para ela e não para o que tinha acontecido entre ela e Leonard mais cedo.-Tudo que te interessa é que eu sou dos meus pais e dos meus amigos. Que eu sou uma grifinória, uma nascida-trouxa, e que não concordo com um pingo do que te ensinaram quando criança. É isso que importa pra você, não é, Draco Malfoy?
- É, Granger, é isso que realmente importa.-ele concordou, parando na frente dela, os olhos azuis sem derramar mais nenhuma lágrima.
- E você está pouco se lixando para o que realmente é importante nisso tudo? Esse estúpido imenso amor que eu sinto por você?

Draco engoliu em seco ao ouvir Hermione dizer aquilo. Mais uma lágrima solitária molhou seu rosto quando ele se esforçou em dizer, pensando no que a garota acabara de contar que Leonard tinha dito:

- É, Granger, pouco me lixando.

E antes que pudesse registrar, Hermione já tinha enfiado a mão pequena com vontade no lado esquerdo de seu rosto, deixando a marca de seus dedos.

- Pois então suma da minha frente. SAI DA MINHA CASA! EU NÃO QUERO TE VER NUNCA MAIS!

E chorando, a garota o empurrou pro lado com força e subiu as escadas correndo em direção ao próprio quarto. Draco ainda ficou alguns segundos parado, olhando para o ponto na parede em que Hermione estivera encostada nos últimos cinco minutos e subiu correndo atrás dela. Parou diante da porta trancada do quarto da garota e gritou, a plenos pulmões:

- NÃO PRECISA SE PREOCUPAR, GRANGER! EU FAÇO QUESTÃO DE NÃO ESTAR AQUI AMANHÃ DE MANHÃ QUANDO VOCÊ ACORDAR!

E dando um último soco na porta, virou-se e bateu a porta do quarto em que ele estava, fechando-se lá dentro e deixando a casa em completo silêncio.

*


O frio tomava conta de todo o aposento, já que as sacadas tinham sido esquecidas abertas. Cada parte de seu corpo estava adormecida, cada neurônio de seu cérebro gritava de dor. As almofadas e o cobertor estavam jogados no chão, como livros e papéis Um vento forte entrou subitamente, levantando o lençol creme que a cobria precariamente. E ela tremeu, sem ousar sair da posição fetal em que estava.

Eram três e meia da manhã e Hermione queria morrer.

Não suportava mais a dor, o sofrimento. Mesmo que preferisse não ter escutado nada do que escutara naquela noite, as palavras frias de Malfoy ainda ecoavam em sua mente, fazendo-a chorar silenciosamente. Ela acordaria, e ele não estaria mais lá, no quarto ao lado. Ela acordaria e nunca mais sorriria para seus olhos azuis ou sentiria o seu hálito fresco brincar em seu rosto. E aquela perspectiva era dolorosa demais. Tão dolorosa que enrijecia cada um de seus músculos, impedindo-a de se mexer. Com um pouco de tempo e esperança, talvez os músculos de seu coração também parassem de funcionar e ela pararia de sentir dor.

Muitos minutos foram necessários para que Hermione percebesse que o som que estava ouvindo não era apenas o vento de inverno entrando por seu quarto. Havia um a mais: uma respiração ruidosa e pesada, vinda da porta do aposento. Aquela respiração que ela sabia conhecer tão bem, que apreciava o ar frio, e que transmitia o prazer que seu dono sentia á ela por pura eletricidade. Ela respirou fundo, tentando guardar todo o ar que podia dentro de seus pulmões. Ela sabia que ele só iria se aproximar dela se ela pedisse. Porém, como se adivinhasse esses pensamentos, ele pôs-se a andar, os passos certos e determinados ecoando pelo chão de madeira. Parou apenas quando chegou ao tapete ao lado da cama de casal e ela não se virou para olha-lo. Continuou virada para a sacada, de olhos fechados, escutando. Escutando a respiração calma dele, cada músculo de seu corpo mexendo-se enquanto ele subia suavemente em sua cama e ajoelhava-se ao seu lado. Então, o único neurônio não embebido no frio e no cheiro de perigo que ele transpirava a alertou: havia algo mais que prazer sendo transmitido pela eletricidade entre seus corpos. Havia algo que conseguia ser mais forte, mais dominador. Havia raiva. E ao perceber isso, e ao sentir que ele também percebera, seu coração disparou em medo. E ele farejou seu medo no ar e antes que ela pudesse pensar em se mexer, já estava prensada á parede, os pés tentando se apoiar fragilmente na cama enquanto duas mãos apertavam seu pescoço com força.

- Tentando fugir, Christine?-ele sibilou em seu ouvido direito, mordendo o lóbulo em seguida.-Eu acho que não.
- Soc...Soco...-ela tentou dizer, sem conseguir respirar.
- Socorro, é o que tu queres? Mas o que estou lhe oferecendo, além disso, minha querida? Refugie-se em mim, somente em mim.
- Na...
- O futuro refletirá, no passado de seus ancestrais. Sua vida voltará, toda para trás.

O quarto começara a girar, o oxigênio se acabara. Hermione não conseguia enxergar, nem se mover. Sua cabeça cada vez mais sendo apertada contra o quadro em cima de sua cama. Se pudesse ter certeza de alguma coisa, tinha certeza de que estava sangrando. Talvez se afogasse no sangue grosso e espesso que escorria por seu rosto. Talvez se afogasse...Então, como se sua vida dependesse daquilo, ela abriu os olhos. E antes que ele pudesse se desfazer no ar frio, ela pôde olhar fundo em seus olhos demoníacos. E a maldade que viu neles era tão grande, que ela não pode evitar o grito sufocado pelo sangue e pela música ensurdecedora...

E então, fez-se a escuridão.


N/A: E aí, minha gente, gostaram? Espero que esteja á altura por tanta espera...Ah, e por favor, não me matem pela briga horrível entre o Draco e a Mione. Eu escrevi esse cap inteirinho ao som de BLACK BALLON do GOO GOO DOLLS. A música é a mais linda e mais triste que eu conheço, pessoal, e se encaixa perfeitamente nesse cap, por isso, quem quiser ler ouvindo-a ao mesmo tempo, não vai se arrepender.

Muita gente me pede meios de entrar em contato comigo, por isso, lá vão laguns links pra a gente se comunicar...ADORO BATER PAPO COM TODOS VCS!!

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E-mail: nvgradical@yahoo.com.br

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Fiquem á vontade para adicionar, ok?? Só não se esqueçam de m avisar q são leitores da fic pq de vez em quando eu sou muito rabugenta e não aceito ngn que eu não conheço. Beijos, Nath Malfoy!

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