ANTES:
Fui direto pra biblioteca. Havia festa em toda parte do castelo e isso estava começando a me irritar. Pelo menos eu sabia que na biblioteca não haveria nada disso. Sentei na mesa mais distante, mais no fundo, peguei um livro e comecei a folheá-lo mas sem realmente lê-lo. Ainda podia ouvir a voz do ruivo ecoando na minha cabeça junto com a de Draco. ”Um grifinoriozinho idiota não pode se aproximar de uma sonserina não é?” “Você é uma sonserina, Hermione, e ele um grifinorio, isso não é certo”
Mas que droga! Se não é certo por que eu me sinto tão mal?
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Capítulo 8- Lembranças
As provas estavam chegando, e eu não saía da biblioteca. Precisava dar o melhor de mim nessas provas. Ou talvez só quisesse ficar longe do Salão Comunal dos monitores e do Weasley.
Ele e a Brown estavam namorando a umas 2 semanas e ela vivia trancada no quarto dele. Só de pensar no que tanto eles fazem lá, me dá náuseas. A biblioteca era o único lugar onde não se era possível encontrar casais se agarrando o tempo todo, e único lugar onde os dois não iam frequentemente.
Mas fora isso, eu estava realmente preocupada com minhas notas. Não me permitiria receber um Aceitável, nem com o Prof. Snape. Pelo menos eu não estava sozinha, Draco estudava tanto quanto eu. Passávamos horas a fio na biblioteca, lendo anotações e livros. Eu andava estressada e constantemente nós brigávamos.
- Draco, dá pra me dar essa droga de anotação que eu quero ler?
- Você acabou de ler isso aqui, Herms. Leia outra.
- EU QUERO LER ESSA DE NOVO! - Gritei atraindo quase todos os olhares pra nós. Ignorei o olhar feio de Madame Pince e continuei falando com Draco. - Sabe como é, ler nunca é demais. - Disse meio envergonhada.
- Tá, toma. - Peguei o pergaminho da mão do loiro mas meus olhos se voltaram pras vozes conhecidas que entravam na biblioteca. Logo os cabelos ruivos daquele que eu não queria ver hoje, entraram em meu campo de visão. Ao seu lado estava sua inseparável namorada, Lilá Brown. Nossos olhares se cruzaram mas eu rapidamente desviei. Não havíamos trocado uma única palavra depois do episódio do corredor e eu nem queria…
- Hermione? Alô!!! - Draco estralava os dedos na minha frente tentando me chamar atenção. - Tá dormindo?
- Desculpe, estava apenas pensando nas provas. - Menti descaradamente.
- Você tem que parar com isso, vai acabar ficando louca.
- Acho que já estou ficando. - Sussurrei de forma que apenas eu ouvisse.
- Vou dar um tempo. Quero aproveitar um pouco do sol lá fora antes que a loucura comece.
- Tudo bem.
Juntei minhas coisas, deixando apenas as anotações pra que Draco usasse e saí da biblioteca apinhada de gente. Todo ano era a mesma coisa. Dias antes das provas todos ficavam desesperados e lotavam a biblioteca, os corredores, os salões comunais como se todo o conteúdo dos livros fosse ser aprendido como mágica.
Desci as escadas até a entrada do Castelo e vislumbrei o jardim. Estava praticamente vazio, apenas alguns casais à beira do Lago Negro. Sentei embaixo de uma árvore e aspirei o ar puro da natureza. O sol brilhava lá no alto indicando que a hora do almoço estava próxima. Fique ali, sentada, apenas sentindo a grama embaixo do meu corpo. Era bom esfriar a cabeça de vez em quando. Olhei as poucas pessoas ali e eles pareciam não ter uma mínima preocupação com qualquer coisa que fosse, pareciam felizes. Olhei o jardim de Hogwarts e cheguei a conclusão de que nunca havia visto nada igual. Depois de 5 anos, eu estava realmente olhando a beleza do lugar. Meu olhar chegou até a entrada da Floresta Proibida e eu me lembrei da minha primeira detenção (e espero que última). Fora um verdadeiro fiasco. Tive vontade de contar tudo o que aconteceu ao Prof. Snape, mas o Weasley pediu que não fizesse isso.
Com todos esses pensamentos, acabei me lembrando do meu primeiro dia aqui em Hogwarts.
Flashback on
Havia conhecido Harry Potter e Ronald Weasley e Draco Malfoy naquele dia. A alguns minutos atrás, havia começado a seleção para as casas. Depois de tudo que eu havia lido, eu esperava ir pra Grifinória. O ruivo e o moreno que eu havia conhecido no trem, já estavam lá. O loiro, obviamente havia ido para a Sonserina, assim como era seu desejo. Sonserina era a única casa que eu não me conformaria de entrar, achava que não tinha nada a ver comigo, eu era uma pessoa boa.
Ouvi meu nome ser chamado pela Profa. McGonagall e engoli em seco. Todos olhavam na minha direção. Caminhei meio apressada até o banquinho e coloquei o chapéu na cabeça o qual cobrira meus olhos.
- Hum… Decisão um pouco difícil. Você é uma menina inteligente, se daria extremamente bem na Corvinal. Mas também é corajosa, poderia ir para a Grifinória. -minhas mãos suavam, minhas pernas tremiam- Mas também poderia se dar bem na Sonserina, você é um mocinha bastante astuta para sua idade e vejo que gosta de desafios. Eu posso ver um futuro brilhante para a senhorita na Sonserina-senti meu corpo inteiro endurecer e meu rosto perder a cor-, terá também um amigo verdadeiro que se tornará muito importante ao longo dos anos. Você o mudará e cuidará dele quando for preciso. -as pessoas me olhavam, interessadas, faziam alguns minutos que eu estava ali e nada- Está decidido: SONSERINA!
O salão inteiro estava chocado. Isso não era uma coisa nem um pouco comum. Eu era uma nascida-trouxa e tinha acabado de entrar pra casa dos legítimos sangue-puros. Quando eu tirei o chapéu, pude ver os rostos indignados da multidão a minha frente. Olhei pra mesa da Grifinória e os meus dois quase amigos não me olhavam diferentes. Ouvi alguns professores atrás de mim, puxarem aplausos e logo sendo seguido pelas pessoas presentes ali. Me forcei a caminhar até a mesa onde eu passaria os próximos 6 anos seguintes da minha vida. Todos ali me olhavam com espanto e nojo. Sentei o mais distante que pude. Aos poucos, o falatório no salão voltou a ser direcionado a Harry Potter, na mesa a frente. O banquete fora servido e eu comi, ainda tensa com o que me aguardava. Saímos do Salão Principal, sendo guiados pelos monitores da Sonserina, e eu ao fundo, para que ninguém notasse minha presença. Me sentia acuada e indefesa no meio daquelas pessoas. Descemos até as masmorras, abaixo do Salão Principal e paramos em frente a uma parede comum.
- Essa é a entrada para a Torre da Sonserina, não esqueçam do caminho até aqui. A porta só abre com a senha, que é: sangue-puro. - Dita a senha, uma porta se materializou na parede, dando passagem pra uma espécie de sala.
Conforme iam entrando, pude ouvir os primeiranistas a minha frente se deslumbrando com o lugar. Assim que entrei, tive a mesma reação. Era, sem dúvidas, um lugar maravilhoso. Uma enorme lareira iluminava o ambiente de paredes de pedra. Todo o lugar era de pedra, o que a primeira vista, não parecia nada acolhedor. Mas era realmente lindo e elegante. Luzes verdes presas ao teto, davam um ar sonserino ao lugar. Encima da lareira, havia um quadro. Era de uma cobra de olhos verde-esmeralda.
Olhei em volta, algumas pessoas já estavam acomodadas nos sofás colocando a conversa em dia. Ouvi a voz do monitor um pouco mais a frente.
- Estas são as escadas pros dormitórios. Lado esquerdo masculino e lado direito feminino. Cada quarto tem três camas, dividam-se como achar melhor. Os malões de vocês já estão no andar de cima.
Fui levada pelo fluxo de meninas até o andar de cima. Algumas delas conversavam, outras pareciam já se conhecerem de longa data. Uma delas viera na minha direção.
- Eu achava que Hogwarts estava decaindo, mas agora eu tenho certeza. Já é um absurdo termos que estar na mesma escola que uma sangue-ruim, imagina dividir o mesmo quarto.
Não fazia ideia do que significava o termo “sangue-ruim” mas boa coisa não poderia ser. Uma outra menina, de cabelos loiros, juntou-se a morena que falava sem parar.
- Acho que deve ter havido algum engano. Devíamos nos juntar e irmos falar com o diretor. Isso é realmente lastimável.
Sentia no ar todo o desprezo das duas em relação a mim. Já estava acostumada com isso, quando eu frequentava a escola trouxa as meninas me humilhavam pela minha inteligência.
Tentei me manter forte e impassível. Não deixaria que elas me humilhassem de novo. Lembrei da promessa que havia feito a mim mesma antes de vir pra cá: ninguém, nunca mais, pisaria em mim de novo. Olhei bem as duas garotas a minha frente e dei meu melhor olhar debochado.
- O malão de vocês estão bem ali ao lado da porta pela qual vocês talvez queiram sair, caso não estejam satisfeitas com a minha presença. De repente o Prof. Dumbledore dê quartos exclusivos só pra vocês duas já que são melhores do que todo mundo. Tentem a sorte, nunca se sabe. Agora se me dão licença…
Peguei meu malão e entrei em um quarto qualquer que não estivesse cheio. Havia duas meninas sentadas na cama. Me olharam estranho mas não disseram nada. Olhei pra cama que sobrara e parecia confortável. Os lençóis de cama eram verde e prata, assim como a cortina que dava privacidade a quem estivesse deitada nela. Olhei em volta e vi apenas mais uma porta, devia ser o banheiro. Coloquei meu malão ao pé da cama e desci até o Salão Comunal.
Havia uns meninos do 5º ano e um grupo de meninos do 1º ano que riam de algo. Sentei na poltrona de frente pra lareira, ainda tensa, e senti o estofado ao meu lado afundar. Me virei, dando de cara com um garoto loiro de olhos cinzas feito um lobo. Era Draco Malfoy, o garoto que havia feito piada comigo antes da cerimônia de seleção das casas.
- Oi, sou Draco Malfoy. - Ele disse esperando que eu apertasse a mão dele, coisa que eu não fiz.
- Sei quem você é. - Disse voltando meu olhar pra lareira quase apagada.
- Bom saber que sou famoso até no mundo trouxa. - Ele disse presunçoso. Rolei os olhos nas órbitas indignada com o convencimento daquele garoto.
- Nos conhecemos antes de entrarmos no Salão Principal, eu estava com Harry Potter e Ronald Weasley.
- Hum, me lembrei de você. Era a trouxa que estava com eles. Parece que seus amiguinhos não vão querer falar com você agora. Eles são grifinórios agora, não? Sonserinos e Grifinórios não se misturam. Nunca. Posso te ajudar a conhecer as pessoas aqui, mesmo você sendo uma nascida-trouxa, é uma Sonserina. Meu pai me ensinou que o Chapéu Seletor nunca erra, então o que está feito tá feito. - Ele deu um risada sarcastica e continou: - Soube do que falou pra Pansy Parkinson lá encima, ela passou por aqui feito um furacão dizendo que você não podia falar aquilo com ela…
- O que é sangue-ruim? - Perguntei subitamente interrompendo o que ele falava.
- Existem os sangue-puros, os mestiços e os chamados sangue-ruins. Os sangue-puros são aqueles que vem de uma longa linhagem de bruxos, os mestiços são aqueles que apenas um dos pais é bruxo e tem os sangue-ruins, que são os nascidos trouxas. Meu pai diz que esse é o nome que eles merecem ter, e que os nascidos trouxas nunca deveriam saber sobre magia. Ele acha isso uma ofensa.
- Aquela lá, tal de Parkinson me chamou de sangue-ruim.
- É bem típico dela. Você vai ter que aprender a sobreviver aqui, esse lugar é praticamente um ninho de cobras. Posso te ajudar se quiser…
- Adoraria. - Disse sorrindo junto com ele.
Flashback off
Quem diria que ele seria o meu “único amigo” anunciado pelo Chapéu Seletor naquele dia. Quem diria que eu, Hermione Granger, teria realmente um lado sonserino escondido em mim. O passar dos anos deixou isso comprovado. Mas eu também era leal, inteligente e corajosa. Eu não só tinha um lado sonserino, como tinha também um grifinório, um lufano e um corvinal. Eu era a mistura perfeita de todas as quatro casas de Hogwarts. Sorri com o pensamento e me senti leve. Nem as provas de amanhã me deixariam nervosa hoje. Eu estava num universo de nostalgia, mas fui bruscamente tirada de lá pelos chamados impacientes de Draco.
- Han, oi?
- Você tá bem dispersa hoje. O que tá havendo? - Ele perguntou me ajudando a levantar.
- Tava lembrando do nosso primeiro dia em Hogwarts. E em como eu fui parar na Sonserina. - Sorri e ele também.
- Vamos almoçar, Herms? - Balancei a cabeça afirmativamente e passei meu braço esquerdo pelos seus ombros e ele colocou o braço direito na minha cintura. Assim, fomos caminhando e rindo de volta pro castelo, relembrando das coisas que já passamos em Hogwarts, juntos.
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N/A: UH, dois capítulos seguidos, hoje eu tô inspirada! HAHAHAHA Boa leituraaaa