ANTES:
- Vamos crianças? Já está tarde.
Segui Hagrid ainda assustada com a situação, com o Weasley ainda paralisado agarrado a minha mão. Puxei-o pra andar ao meu lado. Chegamos a orla da floresta e o Weasley olhou nossas mãos dadas, já recuperado do susto. Soltei nossas mãos rapidamente e saí caminhando na frente dos dois. Queria voltar logo pro meu quarto. A noite já tinha sido aterrorizante demais.
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Capítulo 5- A seleção do novo time da... Grifinória?
A nevasca havia ido embora de vez mas o frio ainda estava por aqui. Acordei mais cedo do que pretendia e passei alguns minutos deitada na cama. Cansada de ficar ali deitada, levantei, coloquei um casaco por cima do pijama e saí do quarto. Estava no topo da escada quando encontrei Draco subindo. Ele passou por mim sem nem levantar o olhar. Lembrei de ontem e do quanto eu tratei ele mal. As vezes eu acho que vivo na casa errada. Não tenho o sangue sonserino quando se trata de não ficar com a consciência pesada.
Entrei atrás dele no corredor dos dormitórios masculinos. Vi a porta do quarto dele bater e parei. Respirei fundo e bati na porta.
– Draco? Posso entrar? - Silêncio no cômodo. - Desculpa vai.
Alguns minutos depois, a porta se abriu. Um Draco sem camisa apareceu na porta ainda de cara fechada. E a porta ao lado se abriu também. Um Weasley meio sonolento apareceu na porta me encarando.
– Desculpe por te acordar. - Murmurei pra ele me virando pro Draco.
Ele deu espaço pra que eu entrasse e voltou pra cama.
– Sério Draco, desculpa mesmo. Eu tava meio estressada ontem, não queria descontar em você. Você sabe disso.
– Desde quando você se desculpa com o Weasley? - Ele perguntou com uma sobrancelha arqueada. A pergunta me pegou de surpresa e eu fiquei sem reação. Abri a boca e fechei várias vezes mas não consegui formular uma resposta. A verdade é que nem eu mesmo sabia.
– Eu… quis apenas ser educada. Só isso, Nada mais.
– Tudo bem.
– Tô perdoada? - Disse indo me deitar junto com ele. Esse era o bom de termos quartos só nossos, podermos transitar de um pra outro sempre que quiser.
– Tá, tá. Agora me deixa dormir.
– Draco Malfoy, levanta dessa cama agora que a gente tem mais o que fazer hoje.
– Já vou, mãe. - Ele disse rindo e eu ri também. Deitei na cama ao lado dele e me cobri com o edredom. Tudo que eu queria era ficar ali, quietinha, quentinha, mas tinha uma reputação a zelar, tinha que ir a biblioteca terminar meus trabalhos. Draco levantou me expulsando do quarto e eu fui embora pro meu.
Tomei um banho bem quente, vesti uma meia calça preta por baixo da saia por conta do frio e coloquei o casaco mais grosso que tinha. Arrumei alguns livros na minha mochila e saí pra tomar café da manhã.
Sentei na mesa da sonserina e notei uma grande movimentação na mesa grifinória. Era hoje o teste pro time. Notei o Weasley num canto da mesa junto com o Potter e… uma garota. Lilá Brown. Ela parecia bastante feliz por estar ali e o Weasley também parecia bastante feliz por ela estar ali. Não entendia por que estava tão chateada mas resolvi deixar pra lá. Tomei meu café da manhã e fui até a biblioteca fazer minhas obrigações.
Em meia-hora terminei o trabalho de Herbologia. Peguei um livro qualquer e comecei a ler mas não estava conseguindo me concentrar. Meus pensamentos estavam voltados pro campo de quadribol. Com o livro na mão e a mochila nas costas fui andando até a parte externa do castelo. Dos jardins já podia ver as vassouras no ar. Fui até a arquibancada e me sentei sob os olhares dos grifinórios que estavam ali. Aliás, não é todo dia que uma sonserina vem assistir a um “treino” de quadribol da grifinória.
Sentei o mais longe possível de todos os grifinórios ali e abri o livro. Mesmo longe, pude ver o Weasley me observar. Enrubesci de leve e encarei o livro, como se tivesse muito interessada. Ouvi umas risadinhas ao longe e notei Lilá Brown sentada na arquibancada. Ela piscava e torcia veemente pelo ruivo nas balizas.
Mais uma vez tentei me concentrar no livro mas foi impossível. Comecei a assistir disfarçadamente o jogo que acontecia a poucos metros de mim. Ronald Weasley disputava a vaga de goleiro com Cormaco Mclaggen pelo que eu pude entender. Ouvi o Potter gritar que o placar estava 4x4 e o Mclaggen estava prestes a agarrar a última bola que poderia garantir sua vitória. Meio sem pensar, peguei minha varinha e murmurei: “confundus”. Vi o Mclaggen errar a captura da bola por poucos centímetros. Agora era a vez do Weasley. Ele agarrou a bola meio atrapalhado e todos foram pra cima dele em comemoração. Deixei um sorriso escapar pelos lábios. Saí de lá antes que alguém me visse. Peguei a mochila e desci a arquibancada, voltando pra biblioteca. Assim que pisei na biblioteca percebi que não carregava o livro comigo. Refiz todo o trajeto até o campo de quadribol, que já estava vazio, e olhei na arquibancada onde eu estivera sentada. Mas estava vazia. Que droga, não acredito que perdi o livro.
– Procurando por isso? - Todos os meus pelos da nuca se eriçaram sem minha permissão. Me virei somente pra dar de cara com dois pares de olhos azuis. Ele estava um pouco suado, sua camisa de time estava toda grudada no corpo definido me fazendo prender um suspiro.
– Ér… obrigada. - Tentei pegar o livro da mão dele mas o mesmo o puxou de volta. - Han, tudo bem, já pode me devolver agora.
– O que você veio fazer aqui? - Perguntou sério.
– Eu estava lendo. - Apontei pro livro nas mãos dele.
– E o livro estava tão interessante que você o esqueceu aqui? Entendi. - Senti meu rosto esquentar.
– É que… é que.. Ah, o que você tem a ver com isso, Weasley?
– Nada. Veio assistir alguém jogar? Estava vigiando o time pra nos delatar pra Sonserina?
– Não seja idiota. Não ME mandariam aqui, mandariam outra pessoa. Uma pessoa que realmente entendesse de quadribol!
– Então quer dizer que a Srta. Granger, a garota mais inteligente da escola, não entende de quadribol?
– Ah, vê se não enche! - Saí andando, mas não consegui dar dois passos, sua mão me puxou pelo braço me fazendo voltar e me chocar com força contra seu corpo.
– Eu sei o que você veio fazer aqui, Granger. Aposto que não esqueceu aquele dia na sala de aula. - Sua respiração quente batia no meu rosto, e a minha respiração estava ficando acelerada.
– A única coisa que eu me lembro foi da detenção que manchou meu histórico perfeito. - Por incrível que pareça, minha voz saiu forte, confiante. Ele riu e seu hálito de hortelã bateu no meu rosto me fazendo fechar os olhos. Ele, se aproveitando do meu momento de distração, acabou com a distância que havia entre nós. Esperei seus lábios encostarem nos meus mas isso não aconteceu. Num momento, ele mordia meu lábio inferior e no segundo seguinte ele havia se distanciado levando todo o calor do momento. Depois de alguns instantes parada ali, avaliando a situação, saí de lá xingando até a 10ª geração do ruivo.