ANTES:
- E você onde estava, Weasley?
- Desde quando isso te interessa, Malfoy?
Ouvi passos na escada e uma porta batendo com força. Me peguei pensando no que quase ocorrera minutos atrás. Eu, Hermione Granger, estive prestes a beijar Ronald Weasley. Isso era loucura. Eu estava ficando louca, e tudo era culpa daquele ruivo maldito!
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Capítulo 4- A Infeliz Detenção
Hoje o dia amanheceu cinza e o frio castigava qualquer um que fosse corajoso o suficiente pra sair do castelo. A aula de Herbologia havia sido cancelada devido a nevasca que estava pra chegar.
Estávamos sentados eu, Draco e Luna no Salão Comunal dos monitores. Conversávamos sobre amenidades enquanto tomávamos um chocolate quente. Luna era uma pessoa legal, só era meio estranha. Falava sobre zonzóbulos o tempo todo e eu não entendia nada.
Desde o episódio da ronda, a dois dias atrás, eu não havia falado mais com o Weasley e nem havia tocado no assunto “Snape” com Draco.
- Vou até a biblioteca terminar o trabalho de História da Magia pra semana que vem. Disse me levantando e vestindo meu sobretudo.
- Tem algum problema se eu for com você? - Disse Luna meio tímida.
- Não. - Respondi de má vontade. Não queria companhia.
Subi pra pegar minha mochila meio revoltada e acabei esbarrando no Weasley que descia a escada.
- Sai da frente! Que droga! - Gritei abrindo a porta e entrando, antes que ele dissesse alguma coisa. Vê-lo me fez lembrar da detenção que começaria hoje. Bufei irritada pegando a mochila no canto do quarto e descendo. Fui em direção a porta deixando Luna pra trás e não liguei quando Draco chamou meu nome.
Entrei na biblioteca e olhei em volta. Estava vazia do jeito que eu gostava. Me sentei na mesa mais distante e espalhei pergaminhos e penas sobre a mesa. Peguei na prateleira um livro sobre a história dos duendes e comecei a lê-lo, porém, alguns grifinórios entraram falando alto na biblioteca, tirando minha atenção.
- Amanhã terá a seleção dos novos jogadores do time da grifinória. Soube que o Weasley vai participar. Espero que o Potter não o coloque no time apenas porque são amigos, isso seria muito injusto. - Falou o mais baixo entre o grupo.
- Que isso cara, o Harry não faria uma coisa dessas… - Esse era Simas Finnigan se não me engano.
- Senhores, por favor, vocês estão numa biblioteca. Se quiserem conversar vão lá pra fora! - Disse Madame Pince praticamente os expulsando.
Terminei o trabalho mais rápido que o esperado. Nem Draco, nem Luna apareceram na biblioteca a minha procura, acho que eles acharam melhor me deixar em paz. Juntei minhas coisas e saí da biblioteca pronta pra ir pro meu quarto tomar um bom banho.
Andava totalmente absorta em pensamentos quando esbarrei em alguém. Era Lilá Brown.
- Não olha por onde anda, Brown? - Nunca gostei dela mesmo.
- Digo o mesmo, Granger!
- Tá, agora sai da frente. - Disse já perdendo a paciência. Ela deu uma risadinha típica dela e saiu andando.
Voltei pro Salão Comunal dos monitores e olhei a hora. Não daria tempo pra tomar banho, teria que correr até a próxima aula. Entrei na aula de Transfiguração e todos os olhares voaram para mim.
- Desculpe Profa. McGonagall eu não…
- Srta. Granger sente-se por favor. Espero que não haja uma próxima vez ou acabará em detenção.
Sentei na primeira carteira vazia que encontrei na 2ª fileira. Senti um olhar na minha nuca e quando me virei encontrei os olhos frios de Draco. Ele tentava me falar alguma coisa mas eu desisti de tentar entender quando a professora me olhou severamente. Não queria pegar outra detenção, já bastava a que começaria hoje.
Senti a raiva crescer em mim de novo. Só de pensar nessa maldita detenção meus nervos afloravam. Ou talvez eu só estivesse de TPM.
A aula terminou na mais completa paz. Consegui prestar atenção e fazer minhas anotações como sempre. Não poderia perder meu posto de melhor aluna de Hogwarts.
Saí pela porta sendo levada pelo fluxo de alunos mas senti uma mão puxar minhas vestes.
- Qual o seu problema hoje heim?
- Nenhum, Draco. Me solta.
- Nenhum? Você chegou atrasada, já gritou com metade da escola e fica desfilando por aí com essa cara de quem vai matar alguém.
- Se você não me soltar agora talvez esse alguém seja você.
- Tanto faz. - Ele me soltou e saiu andando a passos pesados.
- É, tanto faz. - Gritei vendo ele sumir ao virar no corredor. - Droga!
Voltei pro Salão Comunal dos monitores e fui logo pro meu quarto. Olhei a hora no relógio da cômoda e constatei que tinha 2 horas pra tomar banho, jantar e ir até a professora McGonagall pra saber sobre a detenção. Essa semana a ronda ficaria por conta dos outros, já que eu e o Weasley havíamos sido suspensos até o fim da semana.
Sentei na mesa da Sonserina pra jantar, ainda tinha alguns minutos até ter que ir pra detenção.
- Por acaso você viu meu Draquinho? - Fui despertada por uma voz aguda e enjoada. Era a Parkinson.
- Deixa eu ver se ele tá no meu bolso. - Tateei meus bolsos dramaticamente, sem tirar o olhar debochado. - Acho que ele não tá aqui. Então, tchau.
Ela ficou vermelha feito um tomate e eu tinha certeza que ia começar a soltar vários impropérios. Olhei a hora e não ia dar tempo de terminar o jantar mesmo. Levantei deixando uma Parkinson puta da vida pra trás. Se tinha uma coisa que ela odiasse, essa coisa era que debochassem dela. E eu tinha o prazer de fazer isso sempre que possível.
Caminhei com calma até a sala da Profa. McGonagall e cheguei lá alguns minutos mais cedo. Bati na porta e ela mandou que eu entrasse.
- Vamos esperar mais alguns minutos até que o Sr. Weasley chegue, tudo bem?
- Sim, senhora, sem proble…
Não consegui terminar a frase devido ao susto. A porta por onde eu havia passado alguns minutos atrás havia sido escancarada.
- Com licença professora, estou atrasado?
- Não Sr. Weasley, chegou bem na hora. Sente-se por favor. Mas tome cuidado pra não acabar arrancando a porta da próxima vez.
O Weasley ficou com as orelhas vermelhas e eu tive que controlar uma risada. Uma batida na porta e mais uma vez ela se abria.
- Que bom que chegou Hagrid. Aqui estão os alunos que irão com você hoje. Bom queridos, Hagrid irá lhes explicar o que farão. Podem ir.
Saímos da sala e andamos até a entrada do Castelo.
- Oi Rony, como você está? E o Harry? Faz um tempo que vocês não vão me ver não é? Canino sente a falta de vocês. - Disse o meio-gigante choramingando.
- Estou bem Hagrid e Harry também. Nós temos estado muito ocupados com os estudos.
Fiquei apenas ouvindo a conversa. Parecia que eu nem estava ali. Comecei a prestar atenção no caminho que fazíamos. Estávamos indo pra Floresta Proibida.
- Hagrid, por que estamos indo pra Floresta Proibida? - Perguntei preocupada. Não que eu estivesse com medo, apenas porque eu sei que não devemos entrar na Floresta Proibida.
- Por que essa é a detenção de vocês. Vocês vão me ajudar a vasculhar a área pra descobrirmos o que está matando os animais da floresta.
- Você está louco? Nós não podemos entrar aí. É perigoso!
- Ordens da Profa. McGonagall.
- Está com medo, Granger? Não sabia que sonserinos eram tão covardes assim. - Disse o Weasley e soltou uma risada sarcástica.
- Eu não tenho medo de nada, vamos acabar logo com isso Hagrid!
Ultrapassamos a orla da floresta, havia uma trilha quase imperceptivel por causa da quantidade de neve no chão. Hagrid andava à nossa frente, e nossas varinhas estavam em punho iluminando o local. De repente a trilha sumiu completamente e as árvores começaram a ficar mais densas, estavamos cada vez mais dentro da floresta. O silêncio era agoniante, havia apenas o som dos nossos pés na neve.
Um barulho de galho quebrando mais a frente nos fez entrar em posição de ataque. De repente, dezenas de centauros correram na nossa direção. Antes que eu pudesse pensar, minhas pernas começaram a trabalhar. Corri na direção oposta aos centauros, o medo estampado no meu rosto. Senti alguém me puxar pra fora do caminho deles. Com o impacto, caí por cima do ruivo que amorteceu minha queda. O silêncio voltou a reinar e a voz de Hagrid dizia que não havia o que temer.
- Eles não machucam os humanos, apenas deem passagem para eles e eles se vão.
- Você poderia ter dito isso antes. Respondi ainda agarrada ao ruivo, no chão. - Assim que notei onde eu estava “deitada” tratei de levantar, com o rosto pegando fogo. - Desculpe. Murmurei ajudando-o a levantar. O medo havia ido embora, dando lugar ao constrangimento.
- Bom, vamos continuar dando mais alguma olhadinha pra ver se encontramos algo. - Suspirei derrotada. Ele não nos deixaria sair dali nem tão cedo.
Andamos mais uns 20 minutos e não encontramos um animal sequer. Com a luz da varinha pude ver uma trilha de aranhas.
- Hagrid, aqui tem aranhas. Muitas aranhas.
- A-aranhas? Mu-muitas aranhas? - Ouvi o Weasley sussurrar ao meu lado. Estava escuro, mas pude ver que seu rosto estava um pouco pálido. Ainda com a luz da varinha, fui andando e iluminando mais a frente. O que eu vi, me deixou apavorada. Fui andando de costas até onde os outros estavam. Olhei pra Hagrid de soslaio e esse sorria.
- Aragogue! Quanto tempo!
Pera aí. Ele conhecia aquele monstro ali na nossa frente? Parei ao lado do Weasley e ele parecia em choque. Tinha os olhos arregalados e as mãos tremendo. Hagrid conversava com a aranha gigante a nossa frente como se fossem velhas amigas. Olhei em volta e várias outras aranhinhas cercavam a gente. Eu estava apavorada, mas nem de perto estava tanto quanto o Weasley. Eu acho que ele tem medo de aranhas.
Me lembrei do meu medo avassalador de baratas e soube como ele se sentia no momento. Decidi fazer uma boa caridade quando a aranha se aproximou ainda mais de nós e eu achei que ele fosse desmaiar. Me aproximei devagar e segurei sua mão. Estava suada e trêmula. Ele a segurou com uma força sobrenatural, achei que fosse quebrar meus ossos.
- São seus amigos Hagrid? - A aranha dizia olhando pra gente.
- São sim! Sabe como é né, detenção… Bom, minha querida amiga, preciso levá-los de volta. Podemos nos encontrar algum dia desses pra uma conversa, o que você acha? Pelos velhos tempos.
- Pra mim está perfeito!
A aranha se virou e foi embora. Hagrid voltou pra gente como se tivesse acabado de conversar com um amigo que encontrou por acaso.
- Vamos crianças? Já está tarde.
Segui Hagrid ainda assustada com a situação, com o Weasley ainda paralisado agarrado a minha mão. Puxei-o pra andar ao meu lado. Chegamos a orla da floresta e o Weasley olhou nossas mãos dadas, já recuperado do susto. Soltei nossas mãos rapidamente e saí caminhando na frente dos dois. Queria voltar logo pro meu quarto. A noite já tinha sido aterrorizante demais.
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N/A: Mais um capítulo hehe E obrigada pelo comentário e por estar acompanhando, willi santana. Beijosssss