Quando, ao fim de duas horas, já haviam praticado bastante, Harry agradeceu – outra vez - a presença de todos.
- Espero poder vê-los no próximo sábado, no mesmo horário.
- Só no sábado, Harry? – A Armada, em peso, protestou.
O garoto ficara surpreso. Não esperava tal reação.
- Bem... No próximo sábado sentamos e decidimos a regularidade dos nossos encontros, todos de acordo?
Sob a confirmação dos companheiros, Harry liberou-os em pequenos grupos. Restando apenas Juliet, Rony e Hermione.
- E então? Quando acham que eles devem saber?
- Harry, a minha irmã não vai desistir.
- E acho que o Neville e a Luna também não... E é isso que me preocupa.
- Amor, você não pode obrigá-los a ficar, mas também não pode obrigá-los a desistir! É uma opção deles. Assim como foi a nossa!
- Mas eles têm que ter a real dimensão do problema. Com certeza muitos deles encaram isso aqui como um clube de diversão quando, na verdade, a vida deles está em perigo!
- Eles vão saber, Harry. Como o Rony e a Juliet bem lembraram, alguns deles estão aqui porque realmente acreditam em você. Independente da situação eles continuarão do seu lado.
- Bem, é o que descobriremos na próxima semana. É melhor nós irmos...
A semana passava incrivelmente rápido – exceto nas aulas de Snape – e Harry mal tinha tempo para respirar. A sexta-feira chegou e Harry ainda pensava no que dizer aos colegas de Armada.
- Harry? Ocupado? – Juliet descia do dormitório. Harry sorriu ao vê-la nas escadas. Lembrara do dia do baile, nove meses antes.
- Eu nunca vou estar ocupado para você, Juliet! – E, sob o olhar reprovador da namorada, acrescentou – Exceto quando o Snape tiver me ocupando, claro!
Riram e a menina sentou-se ao lado dele.
- Ainda pensando no que dizer?
- Yep. Na verdade, só não sei como dizer...
- Harry, seja você e isso será o suficiente!
Juliet sorriu. E como ele adorava aquele sorriso. Abraçou-a.
- Eu não sei o que seria de mim, nisso tudo, sem você...
- E no que depender de mim, nunca saberá!
O treino de Quadribol transcorrera bem. Rony estava, surpreendentemente, inspirado e fazia boas defesas. Harry viera a descobrir que isso era o que Juliet chamou de “Efeito-Hermione”.
Ficava feliz em saber que os amigos estavam dando certo.
O jogo aconteceria, excepcionalmente, na próxima quarta-feira. Os jogadores estavam excitadíssimos ante a perspectiva de realmente começar o ano. Pois, como os amantes do esporte diziam, “O ano só começa depois do Quadribol”.
Harry e Rony tomaram um banho rápido e logo foram encontrar as respectivas namoradas na arquibancada para, juntos, encontrarem a Armada.
- Bom dia. Gostaria que, antes de começarmos, todos vocês sentassem. Preciso ter uma conversa definitiva com vocês...
Harry respirou fundo enquanto todos sentavam. Juliet sorria, encorajando-o.
- Nos dois últimos anos estivemos aqui treinando feitiços dos mais variados e tenho certeza de que alguns de vocês se perguntavam se um dia usariam isso... A verdade é que a hora está chegando e isso não será apenas um grupo de alunos treinando em Hogwarts. Nós faremos parte – querendo ou não – de uma Guerra que está marcada pra acontecer desde que... Desde que Voldmort caiu a primeira vez. Com o passar dos anos esse perigo está cada dia mais perto. Pode acontecer em uma semana ou em um ano. Ninguém, exceto o próprio Voldmort, sabe. E temos que estar preparados... O que peço é para que, a partir de hoje, só freqüentem a Armada aqueles que realmente acreditam que é possível derrotar o Lord e toda sua corja de servos. Não tenho o direito de pedir para que fiquem, mas posso pedir para que – continuando ou não – vocês acreditem. Todos nós sabemos muito bem que Dumbledore é capaz.
- E você também, Harry. – Acrescentou Juliet, sendo logo seguida por alguns membros.
E, de repente, um silêncio imperou entre os presentes. Harry olhava os rostos pensativos e suas mãos suavam frio.
As irmãs Patil foram as primeiras a levantar.
- Sentimos muito, Harry. Mas nossos pais vão para a Índia porque não querem se envolver nessa Guerra. Nós estamos com eles. – As meninas abraçaram Harry, desejando sorte, e saíram da sala.
O silêncio continuava. E o nervosismo de Harry crescia.
Foi a vez de Ernesto levantar.
- Olha cara, eu realmente desejo que o lado de Dumbledore vença, mas não posso ajudar em nada... – Apertou a mão de Harry e se retirou.
Por mais cinco minutos – que mais pareceram cinco horas – ninguém disse nada. Até que Juliet Rony e Hermione pararam ao lado de Harry.
- Estamos com você.
Logo foram seguidos por Gina, Luna e Neville.
- Eu não posso desistir. Pelos meus pais, por minha avó e pelo nosso mundo. – Neville, com a cara vermelha, sorriu para Harry.
Os irmãos Creevey levantaram-se.
- Meus pais confiam cegamente em Dumbledore. Estamos com você também, cara!
Reunidos em um abraço, a nova Armada de Dumbledore jurou que seguiriam juntos até o fim.
Com menos integrantes foi mais fácil administrar a reunião. E mesmo a quantidade diminuta não entristeceu Harry. Não dessa vez. Ele sabia que cada um daqueles que ali estavam dariam o melhor de si.
- Então nos encontraremos terças, quintas e sábados aqui. – Harry encerrava o treino do dia. – E, novamente, obrigada pela confiança.
O fim de semana foi dedicado ao planejamento das próximas reuniões. Harry, Juliet, Rony e Hermione, planejavam cada feitiço que treinariam. Hermione sugeriu, sabiamente, a inserção de poções no programa da Armada. Ministrar uma poção de cura seria crucial em batalha. Todos concordaram e, assim, a segunda-feira chegava outra vez...
Quarta-feira. A hora do jogo se aproximava e Harry já estava no vestiário, andando de um lado para outro. Os jogadores, pouco a pouco, chegavam e colocavam os uniformes. Harry conferia sua própria vassoura.
- Olha, não tenho muito o que dizer... Joguem o que vocês sabem e isso será mais que o suficiente. – Os jogadores olhavam-no atônitos. Os capitães tinham hábito de falar, pelo menos, por quinze minutos. – E não me olhem assim! Eu só estou nervoso demais pra falar!
Uma explosão de risos tomou conta do vestiário e silenciou quando duas meninas entraram.
- Não queríamos atrapalhar...
- ...só viemos desejar boa sorte!
Juliet e Hermione sorriam.
- Que surpresa agradável! – Harry beijava Juliet, agora.
- Melhor do que eu podia esperar. – Ronald resolveu seguir o exemplo do amigo.
- E começa a primeira partida de Quadribol do ano! Quem será que sairá vencedor? O audacioso Potter e suas espetaculares capturas da bolinha dourada ou Breagnet e seus mergulhos arrasadores atrás do pomo?
Quando Harry viu aquela bolinha dourada no ar, sua mente encheu-se de imagens passadas. O primeiro vôo de vassoura, os tombos, as poucas vezes que perdera, suas capturas mirabolantes diante dos narizes dos apanhadores adversários e o ano em que fora proibido de jogar pela megera da Umbridge.
- 90 x 70 para a Lufa-Lufa em mais um frango espetacular do Weasley! E o Potter? Está parado desde o começo do jogo! Nesse ritmo a casa do leão não tem chance não!
Harry fora chamado de volta pra realidade. Não tinha mais tempo a perder. Rony voltara a ficar nervoso e ele não tinha idéia de onde o pomo poderia ter ido... Começou a sobrevoar a arquibancada quando Ronald defendera uma bola espetacular e a Grifinória, em seguida, fizera um gol.
Por um breve momento seu olhar cruzou-se com o de Juliet. Sorriu. E quase instantaneamente começara um rasante em busca do pomo. Tinha acabado de vê-lo. E iria pegá-lo.
- 110 x 100 para a Grifinória! Ou Breagnet captura o pomo ou essa será a primeira vitória da Grifinória rumo à Taça de Quadribol!
Harry sorria, intimamente, o pomo estava ali, a centímetros de seus dedos... Mais um pouco... Só esticar-se mais um pouquinho...
- E POTTER CAPTURA O POMO! GRIFINÓRIA VENCE POR 260 x 110!
49 minutos. Esse fora o tempo que Harry levara até ter a bolinha entre seus dedos.
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