A sensação de estar novamente no Expresso de Hogwarts era muito estranha. Ele nunca imaginou pisar naquele trem novamente, muito menos como aluno, muito menos como Harry Potter! Seu humor não andava dos melhores há algum tempo. Desde o beijo sob a árvore, ele e Gina não tiveram mais nenhum minuto a sós. Seus planos de reviver a luxúria, deixada de lado há tanto tempo em nome do ódio que sentia pelos Potter, foram deixados para escanteio graças a iminência do início das aulas. Todos já sabiam que o namoro havia recomeçado, e ninguém fazia objeção, mas não havia tempo para amassos porque todos, menos ele, estavam ansiosos para comprar seu material, uniforme, livros, enfim, retornar a antiga escola que ficou fechada no último ano graças a ele mesmo. Para não chamar a atenção, pelo menos até ter certeza de que o corpo de Harry estava pronto para suportar toda magia que sua alma continha, Voldemort aceitou voltar para Hogwarts e viver novamente como um aluno de 17 anos. Sua surpresa foi maior ainda ao se dar conta de que agora era um aluno da Grifinória e não da Sonserina.
Com imenso desinteresse ele assistiu Minerva McGonnagal, a nova diretora, dar boas vindas aos novos e antigos alunos. Quase babando de tanto sono ele esperou o chapéu selecionar os primeiranstas e, com um entusiasmo que ele mesmo estranhou abocanhou com vontade as guloseimas que surgiram a sua frente. Ele recebeu com estranheza a sensação boa que tomou seu corpo quando se deu conta de que estava mesmo de volta a Hogwarts. Lugar que por tanto tempo fora a sua casa, a única casa que teve.
Quando o jantar acabou e os alunos começaram a seguir para suas casas ele se deixou ficar para trás e segurando Gina pela mão a atrasou também. Preocupada com a possibilidade do irmão notar a ausência deles Gina hesitou por instantes, mas Rony estava tão empolgado numa discussão com Hermione que com certeza não sentiria falta da irmã ou do amigo.
_Eu não agüentava mais ficar longe de você... – falou prensando-a na parede de um corredor vazio e marcando o corpo dela com beijos apressados.
_Eu também senti sua falta! – ela falou sorrindo e com o coração acelerado. – Nunca percebi como minha casa é lotada! – sorriu quando ele parou para fitá-la. – Não tinha como ficar sozinho.
_Concordo, mas isso não é problema agora! – ele a puxou pela mão e a levou para uma sala vazia do terceiro andar.
Gina estranhou a calma com que Harry ia até aquele andar. Todos sabiam que ele ainda era proibido. Fechando apressado a porta atrás de si ele sentou Gina numa mesa empoeirada e voltou a beijá-la ardentemente. Apesar de estranhar a ferocidade com que Harry a tomava em seus braços ela gostou da atitude dele e deixou-se levar pelo turbilhão de sensações que ele lhe causava.
Voldemort sentia que explodiria te tanto tesão, mas não queria se apressar. Queria saborear com calma o gosto doce da pele de Gina, apreciar com vontade o cheiro suave que exalava de seu corpo. Se controlando para não arrancar com violência a roupa dela e possuí-la ali mesmo ele voltou a beijar seus lábios com calma, para aproveitar ao máximo o sabor dela. Mais reservado, ele desceu os beijos para o pescoço, demorando-se um pouco mais em alguns lugares, sugando a pele dela com gosto cada vez que descobria como fazê-la gemer timidamente. Passava os dentes em outros pontos, dava-lhe mordidinhas na ponta da orelha depois de passar lentamente a pontinha da língua por ali. As mãos exploravam sem dó o corpo da moça. Enquanto uma delas apertava gentilmente uma das coxas, a outra passeava pelo lado do corpo, parando perto do seio e subindo vagarosamente por ali, para senti-la tremer ao seu toque. Sem se conter ele começou a abrir o botão da camisa dela, a outra mão explorava agora a barra da calcinha. Retomando a razão, quando sentiu os dedos gelados de Harry tocarem muito próximo de seu mamilo esquerdo, Gina o afastou ofegante.
_Calma, Harry... – falou com o rosto vermelho e a respiração descompassada.
_O que foi, princesa? – perguntou mais paciente do que esperava. Seu desejo visível sob a calça.
_Acho que já fomos longe demais, né? – ela sorriu docemente descendo da mesa e puxando o lado da calcinha que ele havia conseguido tirar do lugar.
_Como é?! – ele perguntou esforçando-se para não gritar.
_Eu acho melhor voltarmos para o salão comunal... – falou sem jeito arrumando o sutiã e depois os botões da camisa.
_Do que é que você tem medo, minha pequena? – ele se aproximou calmamente. No fundo estava gostando da resistência dela. – Ninguém vai nos encontrar aqui! Ninguém nunca vem aqui. – ele a abraçou por trás fazendo-a sentir a pressão de seu membro rígido.
_Eu sei... – ela riu nervosa. – É que... – ela se afastou suavemente sem olhá-lo realmente.
Voldemort sorriu malicioso. Aproximou-se de Gina e aproveitou-se de colocar uma mecha do cabelo dela atrás da orelha para fazer carinho em seu pescoço, ao que sentiu ela se arrepiar: - Você ainda é virgem, pequena?
Ela sorriu sem graça: - Você não é?
Rindo intimamente ele respondeu: - Claro que sim... Mas eu não achei que você fosse... Você já namorou antes... “Como eu posso saber disso?!” - perguntou-se espantado sem deixar ela notar.
_É mas... Eu não me senti a vontade para... Você sabe... Não sei se estou pronta, entende? – falou envergonhada, de costas para ele.
_Claro... – ele a abraçou novamente. A pressão ainda era grande. – Quem sabe outro dia, não é mesmo? – sussurrou ao ouvido dela.
_Eu vou me deitar... – falou. – Você vem comigo?
_Depois... – respondeu andando de costas e rindo malicioso. – Não estou em condições de andar muito... Por enquanto. – ele se sentou numa cadeira no meio da sala e pousou uma das mãos sobre seu sexo.
_Então ta! – Gina respondeu completamente sem graça. – Boa noite! – ela saiu rápida da sala. Aquele novo Harry às vezes a ofendia.
Voldemort jogou a cabeça para trás rindo com vontade. – Virgem! – fechou os olhos para buscar a imagem dela novamente. – Ninguém a tocou ainda! Eu não vejo a hora, minha pequena... Não vejo a hora! – deslizando a mão lentamente para dentro das calças Voldemort ficou ainda algum tempo naquela sala vazia.
O sorriso de Voldemort cada vez que seu olhar encontrava Gina era cada vez mais malicioso. Gina percebia aquilo e ficava envergonhada, mas acabava sorrindo de volta. Ela não ousava ficar muito tempo sozinha com ele, ainda não estava segura de que havia chegado a hora e não queria deixá-lo com esperanças a toa. No entanto, seus sonhos com Harry durante o sono se tornavam cada vez mais picantes e reais, mas ao invés de acordar assustada ou com vergonha, ela acordava completamente excitada e procurava dormir o mais rápido que conseguisse para se encontrar com ele novamente. De seu quarto, Voldemort sorria em silêncio quando percebia o efeito que sua magia causava. Ficava mais satisfeito ainda quando percebia que sua pequena o procurava em seus sonhos. Decidiu que se conteria a fim de deixá-la com cada vez mais vontade.
Voldemort percebeu com entusiasmo que não teria que fazer muito esforço para passar o último ano na escola ou tirar bons NIEM’s. Ele sempre fora um jovem inteligente e aplicado. Sua fome de conhecimento e poder fez com que os ensinamentos de mais de 50 anos continuassem vivos em sua mente. Entretanto essa ambição toda não havia deixado espaço para a diversão. O campeonato de quadribol estava prestes a começar e Voldemort foi pego de surpresa pela pergunta de Rony.
_E aí, Harry? Quando é que começa a seleção para os novos jogadores do time? – ele sentou-se na cama ao lado da de Harry no dormitório masculino.
_Que time?! – perguntou desinteressado lendo um livro de feitiços.
_Como assim?! – Rony se espantou. Tirou o livro da mão de Harry e continuou. – O nosso! O time da casa! Você foi escolhido como capitão, não foi?!
_Fui? – perguntou perdendo a paciência com a conversa e retomando seu livro das mãos de Rony.
_Você não recebeu o distintivo?! – Rony perguntou incrédulo lendo o nome do livro tão interessante que prendia a atenção de Harry. – “Novos feitiços – técnicas de aprimoramento de feitiços de proteção.” Que diabos você está lendo?!
_Tentando, você quer dizer! – ele deixou o livro de lado e levantou-se da cama. Foi até seu malão e procurou o tal distintivo lá dentro. Encontrou-o e ofereceu-o a Rony. – Tome! É seu! Eu não estou interessado em quadribol. Faça o que achar melhor! – jogou-se novamente na cama e pegou o livro de volta.
_Você não vai mais jogar?! – Rony perguntou boquiaberto.
_Não... – respondeu sem se desviar da leitura.
_Por quê?! – Rony quase gritou. Suas orelhas estavam vermelhas de indignação.
_PORQUE EU NÃO QUERO! – gritou fazendo Edwiges piar assustada em sua gaiola.
Rony percebeu que era a hora de parar. Saiu do quarto com o distintivo na mão e um bolo na garganta. Vermelho de raiva desceu até o salão comunal e chamou a atenção de Gina e Hermione que conversavam animadamente.
_Rony! O que houve? – Hermione perguntou preocupada.
_O Harry! Ele está esquisito! – ele estendeu a mão para mostrar-lhes o distintivo. – Ele não vai mais jogar quadribol e gritou comigo de um jeito que... Se não fosse seu melhor amigo e não soubesse da barra que ele está passando eu quebrava o nariz dele! – falou sentando-se alterado.
_Não pode ser! Harry adora quadribol! – Hermione exclamou.
_Faz dias que ele está... Diferente... – Gina concluiu.
_Acho que eu um de nós deveria falar com ele... – Hermione falou insegura.
_Quem melhor que a namorada?! – Rony jogou a responsabilidade para a irmã.
_Eu não sei... – falou constrangida. – Ele está sozinho lá no quarto?
_Está...
Hermione entendeu a preocupação da amiga e falou: - Talvez seja melhor eu ir... Faz tempo que nós não conversamos... Quem sabe eu não o convença a descer e conversar com os três?
_Pode ser! – Gina falou aliviada.
Voldemort respondeu com impaciência às batidas que ouviu da porta: - Sim!
_Oi Harry! – Hermione abriu a porta timidamente. – Podemos conversar?
Ele a olhou com raiva. Não gostava de ser incomodado. Preferia quando as pessoas tinham medo dele, assim só o procuravam quando ele chamava. – O que foi agora?!
Hermione se assustou com o tom dele, mas resolveu insistir. Quando ia entrar no quarto sua saia enroscou na maçaneta da porta deixando parte de suas coxas a mostra. Ela se livrou do enrosco e virou-se para o amigo a tempo de ver seu sorriso malicioso. Fingindo não notar ela sentou-se na cama dele e perguntou:
_Tem alguma coisa que você esteja precisando falar? Sei lá... Você anda meio tenso! Você sabe que pode sempre contar comigo, não sabe?
_Posso mesmo? – ele perguntou olhando de esguelha para as pernas dela, agora um pouco descobertas por causa do modo como ela se sentou na cama.
Incomodada Hermione puxou o travesseiro e colocou sobre as pernas: - Claro que pode! Para o que quiser! Sempre foi assim... – falou tentando sorrir.
_Sempre? – ele perguntou tentando entender o que ela queria dizer. Percebendo a expressão séria de seu rosto notou que estava passando dos limites. – Olha, Hermione... Eu estou ótimo, ok? Tudo que eu quero é um momento de paz para estudar, pode ser?! – perguntou voltando ao livro e tentando não sentir o perfume da garota.
_Estudar?! – ela riu com vontade. – Desde quando você e o Rony estudam?! – ela se aproximou para ver o que ele estava lendo.
Voldemort olhou intensamente para ela curvada sobre ele para enxergar o livro. Dos seus olhos desceu para o decote da camisa, sem querer sorriu de lado apreciando a curva dos seios da garota: - Desde que eu não tenha nada mais... gostoso para fazer!
Completamente desconcertada Hermione se afastou dele olhando-o séria: - Eu não sei o que é que está havendo com você Harry Potter, mas eu não estou gostando nadinha! Eu ainda vou descobrir o que é e espero que isso justifique muito bem essas suas atitudes... estranhas! – sem demora ela se virou e saiu do quarto batendo a porta.
Voldemort riu-se por dentro vendo aumentarem suas possibilidades de diversão naquela escola. No salão comunal Hermione comentou, parcialmente, o comportamento de Harry enfatizando que algo de muito errado estava acontecendo.
Alguns dias se passaram e ninguém retornou ao assunto quadribol. Gina foi eleita a nova capitã, o que frustrou e muito seu irmão, e eles montaram um time sem Harry, o que chocou os alunos da Grifinória e agradou os alunos das outras casas.
Voldemort jogou para o alto toda sua preocupação em fazer-se passar pelo verdadeiro Harry. Passou a se comportar agressivamente com todos, estava distante de Rony, Hermione e até de Gina, passava cantadas em algumas alunas, discretamente ou não e passou a ser mal-educado até mesmo com os professores. Gastava horas de seu tempo estudando novos feitiços e poções para manter-se atualizado. Já que conseguia executar tudo a que se propunha muito bem, ele achou que já era hora de deixar Harry Potter para trás. Durante uma aula de DCAT, que ele achava que dominava perfeitamente, o novo professor resolveu ensinar legilimência. Voldemort se voluntariou, ao mesmo tempo que Hermione, mas como o professor já sabia que ela provavelmente conseguiria bloqueá-lo, resolveu testar Harry Potter.
No meio da sala, em frente aos outros alunos, Voldemort escolheu bem os pensamentos que deixaria vulneráveis, embora tivesse certeza de que bloquearia com facilidade o feitiço do professor. Assim que o homem começou a penetrar a sua mente ele sentiu uma pontada incrível nas têmporas, se desconcentrou, visto que aquela dor era inédita para ele, e deixou o professor ver o momento em que ele traía Gina com uma aluna da Sonserina. O professor, não estando por dentro dos relacionamentos dos alunos, não achou nada de mais em um beijo, então continuou sua exploração. Voldemort sentia a dor aumentar conforme fazia força para limpar a mente. Seu corpo começou a ficar fraco, ele suava muito, mas por fim bloqueou o professor, mas sem penetrar na mente dele.
_Muito bem, Harry! Você ficou vulnerável no começo, mas depois me bloqueou! Devo dizer que é o primeiro que consegue fazer isso! Parabéns! – o homem apertou a mão suada de Harry e em seguida começou a bater palmas, no que foi acompanhado pelos alunos.
Atordoado Voldemort tentava entender porque sua barreira não havia sido efetiva. Passou o resto da aula refletindo e chegou à conclusão óbvia: “Ainda não estou pronto! O corpo e os poderes ainda não são compatíveis! Executar um feitiço sozinho é uma coisa, mas medir forças com outro bruxo é diferente! Preciso retornar à pele de Harry Potter até me aperfeiçoar!” - ele bateu o punho na mesa com raiva, depois apoiou a cabeça nas mãos. -“Não sei quanto tempo vou aturar bancar o bonzinho!”
_Harry? – Rony arriscou com cautela. – Você está bem, cara?
Num esforço para conter a raiva e voltar a interpretar ele respondeu: - Eu to legal! – sorriu fracamente. – É só uma dor de cabeça!
Depois do tratamento cordial que Harry o dispensou Rony voltou a falar normalmente com o amigo. Voldemort controlou seu humor e, sem saber como, pediu desculpas aos amigos pelo modo como os tinha tratado. Sua frieza com Gina também cessara e ele resolveu dar um tempo nas suas tentativas extraconjugais de apagar seu fogo. Agora precisava se concentrar em aumentar a resistência do corpo de seu hospedeiro.
Dias depois e era chegado o primeiro final de semana em Hogsmead. Ele havia se programado para aproveitar a tranqüilidade do castelo com seu aperfeiçoamento, mas percebeu que seria difícil se concentrar com Rony e Hermione gritando um com o outro. Ele desviou a atenção de seu livro para entender o que os fazia brigar dessa vez.
_Não é da sua conta, Hermione?! – Rony respondeu seco.
_Pois eu tenho certeza que é dela! Você não acha que está muito velho para ficar de bilhetinhos com uma aluna do quarto ano?! – Hermione perguntava com raiva.
_Não acho não! – ele respondeu vermelho. – E depois, eu não fiz nada! Ela que me procurou!
_Certamente porque você deu abertura para isso! – suas mãos se fechavam com força. O feitiço dos pássaros amarelos vinha a sua mente constantemente.
_E se dei?! Qual seria o problema?! – desafiou.
_Nenhum! – ela falou sem graça. – Se você não fosse tão velho para uma garota de 14 anos! – concluiu satisfeita.
_15! – ele respondeu vitorioso. – As alunas do quarto ano agora têm 15 anos, esqueceu? Estamos todos atrasados!
_Ainda assim! São três anos de diferença! A mesma diferença que você achou absurda quando eu era a garota de 14 anos e o Victor o cara de 17! – falou triunfante.
_Não se compara, Hermione!
_O quê?! Por quê não?! ...
Com certeza um bruxo como ele não precisaria ficar aturando aquelas coisas. Decidiu realmente voltar para seu quarto e continuar estudando. Não suportaria ir a Hogsmead com aqueles dois, mas ao ver a namorada em sua roupa de passeio que, ao contrário do uniforme de Hogwarts, não disfarçava suas curvas, seus planos mudaram.
_Não acredito nesses dois! – Gina afastou-se do casal e veio cumprimentar Harry com um beijo. - Você ainda ta assim, Harry?
_Assim como? – ele perguntou sorridente puxando a namorada para sentar em seu colo.
Mais rápida, Gina desviou para o sofá: - Assim! – apontou. – De pijama! Você não vai a Hogsmead?
_Hogsmead não tem mais graça! – ele sentou mais perto dela. – Por que você não fica também? Aposto como vai ser bem mais divertido! – falou depositando-lhe um beijo úmido no pescoço.
_Hum... Acho melhor não! – ela o afastou com um sorriso maroto. – O Rony pode não gostar. É capaz dele querer ficar também!
_É mesmo! – falou desgostoso recostando-se novamente no sofá. – “Preciso me lembrar de dar um jeito nesse moleque!” - pensou.
_E então?! – ela sorria.
_O que?!
_Vai se arrumar! – ela respondeu.
Em poucos minutos os quatro amigos passeavam por Hogsmead. O tempo não estava tão frio e eles puderam aproveitar bem o passeio pela maioria das lojas do lugar. Harry e Gina ficavam constantemente para trás. Às vezes para namorarem sossegados, às vezes para fugirem das discussões entre Rony e Hermione que se tornaram muito mais freqüentes aquele ano, por incrível que pareça.
_Não entendo por que estes dois brigam tanto? – Gina perguntava-se entre um beijo e outro do namorado. Ela tinha medo que Rony desse um escândalo embalado por seu nervosismo com Hermione.
_Não sei e nem me interessa, princesa! – ele falou rápido para poder tomar os lábios dela novamente. – Por que a gente não vai para outro lugar, hein? Seu irmão nem vai notar!
_Ai, Harry! – ela reclamou soltando-se dele. – Eu já disse que ainda não estou pronta pra isso!
_Mas eu nem toquei no assunto! – tentou.
_Mas era nisso que chegaríamos se eu te deixasse me levar para “outro lugar”. – ela respondeu marota.
_E qual é o problema? Você não me ama? Não tem vontade de transar comigo? – ele falava cada vez mais entusiasmado.
_Hum... Tenho, mas... Não agora! Eu queria esperar um pouco mais, sabe? Pra ter certeza!
Ele se irritou um pouco e resolveu apelar: - Eu acho que você não me ama o suficiente! Se me amasse de verdade não ia ficar me enrolando desse jeito! Fique sabendo que eu não vou esperar o resto da vida! Tem outras garotas nesse castelo que cederiam se eu quisesse!
_Nossa, Harry! Que grosseria! – os olhos dela marejaram. O coração dele se apertou.
_Ah, não! Desculpe-me pequena! – ele a abraçou. – Eu não quis te magoar! É que... Eu te desejo tanto! Você sabe! – ele levantou o rosto dela para encontrar seu olhar. Aqueles olhos tristes o fizeram sentir algo estranho. – Eu falei da boca para fora! Você sabe que eu te amo, não sabe? - ela sorriu mais animada. – Me perdoa?
_Perdôo! Mas nunca mais faça isso, Harry Potter! Nunca mais me diga essas coisas! Eu te amo e tudo que eu quero é escolher o momento certo para poder me entregar sem reservas!
Ele sorriu aliviado.
_Hei, vocês dois! Vão ficar aí parados, é?! – Rony gritou de longe ao lado de Hermione.
Gina puxou Harry pelo braço e sorridente foi ao encontro do irmão e da amiga.
_ “Eu te amo?! Me perdoa?! Você tem que acabar com isso, Voldemort! Esse corpo e essa menina estão te tirando do normal! Você tem que parar com isso o quanto antes!” - pensou. Olhando para frente para ver para onde Gina o levava ele passou os olhos pelo corpo dela. Um sorriso malicioso passou por seus lábios. - “E eu já sei como! Nada que uma noite de sexo com a namoradinha do Potter não resolva! E vai ser logo!”- ele apreciou os cabelos ruivos de Gina e falou baixinho: - Muito antes do que você imagina, Ginevra!
O passeio já estava quase no fim. Hermione, Gina e Rony voltaram a Dedosdemel para reabastecerem seus estoques de doces. Como não era muito fã dessas guloseimas, Voldemort ficou do lado de fora da loja lotada dando uma geral nas lojas ao redor. Um grupo de garotas parado em frente a uma loja lhe chamou a atenção. Suas calças jeans apertadas e blusinhas coladas o fizeram se aproximar da loja instintivamente. Ele ia puxar conversa com uma delas, mas parou abruptamente quando pousou os olhos na vitrine da loja.
_Não é possível! – ele falou baixo. As meninas a sua frente se assustaram. Olharam para trás, deram uma risadinha marota e saíram cochichando dali.
Ainda estupefato Voldemort se aproximou da vitrine para ter certeza. Só poderia ser ela. Não havia duas iguais! Havia sido feita sob encomenda por seu pai durante sua paixonite forçada por sua mãe. Ele tinha certeza de que era a mesma, mas resolveu entrar na loja assim mesmo. Aproximou-se da correntinha e segurou delicadamente o pingente em suas mãos. Ao primeiro contato uma corrente de energia passou pelo seu braço fazendo-o formigar.
_Linda não é, rapaz?! – o dono da loja veio falar com ele.
_Onde conseguiu isso?! – ele perguntou perplexo, sem desviar os olhos da jóia.
_Um mendigo me vendeu. Disse que havia encontrado jogado perto de uma clareira nas bandas do Beco Diagonal. Na certa alguém perdeu... Como achado não é roubado...
_Quanto quer por ela? – perguntou já colocando a mão no bolso em busca do dinheiro.
_Não creio que um jovem como você tenha dinheiro para comprar uma jóia como essa...
Voldemort colocou nas mãos do homem uma porção de moedas de ouro. – Acho que isso é suficiente! – afirmou.
Percebendo que era muito mais do que a jóia valia o homem saiu de fininho antes que o garoto se arrependesse. Mas Voldemort não se arrependeria. Ainda hipnotizado ele saiu da loja admirando o objeto. Aproximou-o de seus olhos e notou, com espanto, que as pedras que antes eram negras, agora estavam verdes. Um verde claro e muito brilhante. Um brilho diferente do brilho que uma esmeralda apresentaria.
_Potter! – sussurrou. – Então você não se foi com o meu corpo?
_Harry? – Gina o chamou carregando sacolas carregadas de guloseimas. – O que é isso?
_Nossa que lindo! – Hermione exclamou aproximando-se para apreciar a jóia.
_Acabei de comprar! – ele respondeu seco sem encontrar resposta melhor.
_Isso é coisa de mulher, cara! – Rony tirou sarro.
Sem saber o que inventar ele falou a primeira coisa que veio em sua cabeça: - É claro que é! – todos o olhavam com expectativa. – É... É um presente para Gina! – sorriu nervoso entregando com pesar a horcruxe a garota.
_Oh, Harry! É lindo! – ela segurou o colar nas mãos e depois o abraçou. – Não precisava me dar um presente. Eu já te desculpei, de verdade! – sussurrou para que só ele ouvisse. Sem querer havia matado dois coelhos com uma cajadada só.
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