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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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25. Passado e Presente


Fic: SEPARADOS PELO DESTINO, UNIDOS PELO CORAÇÃO


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Jota Quest - “O vento”

Voe por todo mar, e volte aqui...
Voe por todo mar, e volte aqui...
Pro meu peito.

Se você for, vou te esperar
Com pensamento que só fica em você
Aquele dia, um algo mais
Algo que eu não poderia prever.

Você passou perto de mim
Sem que eu pudesse entender
Levou os meus sentidos todos pra você

Mudou a minha vida e mais
Pedi ao vento pra trazer você aqui
Morando nos meus sonhos e na minha memória
Pedi ao vento pra trazer você pra mim

Vento traz você de novo
Vento faz do meu mundo novo
E voe por todo o mar e volte aqui...
E voe por todo mar, e volte aqui...
Pro meu peito.....

Mudou a minha vida e mais
Pedi ao vento pra trazer você aqui
Morando nos meus sonhos e na minha memória
Pedi ao vento pra trazer você pra mim

Vento traz você de novo
Vento faz do meu mundo novo
E voe por todo o mar e volte aqui...
E voe por todo mar, e volte aqui...
Pro meu peito... pro meu peito... pro meu peito...


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Sua cabeça doía, mas nada comparado a dor que havia profundamente dentro de si. Os últimos acontecimentos dançavam em sua mente como algo completamente fora de foco, e por vezes ele se pegava pensando se tudo aquilo não havia sido ilusão de sua cabeça, um truque de mal gosto, uma peça que seu cérebro lhe pregava.

Sentia agora pontadas agudas, e em um gesto mecânico, guiou a mão até a cabeça. Se lhe perguntassem naquele momento onde ele estava, Harry com certeza não saberia responder. Sabia apenas que estava recostado sobre algo macio, mas sua cabeça divagava e repassava cada momento da última hora.

Como pude ser tão idiota?

As palavras voavam, como ecos produzidos do interior para sua cabeça.

Era tudo uma armadilha, uma maldita armadilha, e eu não consegui protegê-las

O rosto de Mel e de Gina bailavam em sua mente perturbada. A visão de Gina conversando com um homem branco e asqueroso, ao qual imediatamente ele lembrou dos relatos dela sobre Quasar. Sim, ele não tinha dúvidas de que aquele era Quasar, e sentira algo muito estranho quando o vira. Harry bem que tentou se livrar dos idiotas que o impediam de chegar até elas, mas não conseguiu, era um completo inútil!

Mais rápido do que antes. Mais desesperadamente do que nunca, ele tentou, tentou e tentou... Mas, nada parecia ser o suficiente. Logo em seguida Mel corria para seus braços, por um breve instante ele sorriu aliviado por ter seu pequeno anjinho de volta, mas o sorriso esmoreceu assim que percebeu o que Gina havia feito. A quem ele queria enganar? Ele soube, desde o momento em que conseguiu focar suas atenções no rosto dela, ele soube... Aquela era uma batalha já perdida. Como um borrão, como uma linda miragem feita de puro ar, ela desapareceu com o vento... o vento que a levou embora, mais uma vez... mais uma vez...

-Harry, tome isso.

A voz preocupada de Hermione chegou aos seus ouvidos, mas ele nem mesmo se deu o trabalho de abrir os olhos. Estava sendo grosso, egoísta e mal-criado com a amiga. Desde o momento que tudo acontecera, ela estava ao seu lado. Ela e Rony, como sempre. Mas isso pouco lhe importava! Queria ser egoísta, queria pelo menos uma vez na vida, pensar apenas em si mesmo e na sua dor.

Repentinamente um humor negro se apoderou de seu ser e ele riu, por pouco não gargalhou. Alguém lá em cima deveria ter muita raiva dele e de Gina, estavam destinados a se separarem... sempre separados... parecia ser esse o destino.

Algo se abrandou em seu coração e tão rápido quanto ele havia tido o pensamento anterior, lhe veio outro, mas esse não era um simples pensamento, era certeza, tão certo como o raiar do sol.

Não! Não estavam destinados a estarem separados. Era completamente o contrário daquilo, o destino brincava de separá-los, ou melhor, pessoas tentavam separá-los, mas o destino, ou alguém muito superior que regia suas vidas, tornava a uni-los. Porque na verdade, eles estavam destinados a estarem sempre juntos! E ele trataria de resolver esse impasse, estariam novamente juntos, porque era assim que deveria ser.


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-Ele não está bem. - Um sussurro angustiado saiu dos lábios dela.

-Também, como você queria que ele estivesse?

Hermione se limitou a soltar um lamento e deitou-se na cama, magicamente ampliada, do antigo quarto de Rony na Toca. Em seguida, levantou-se novamente e foi até a porta.

-Mione...

A mulher voltou-se para o marido, com a mão fixa na maçaneta e o olhar desalentado.

-Ele precisa ficar sozinho. - Declarou o ruivo, apenas repetindo as palavras que o amigo lhes dissera alguns minutos antes.

Hermione deixou os ombros caírem e caminhou derrotada até Rony.

-Ah Rony... - Choramingou ela afundando a cabeça no peito dele. - É tudo tão... - Ela fungou, caindo em um choro angustiado - tão injusto... - Constatou com a voz embargada.

Talvez Ronald deve-se consolá-la, dizer que as coisas melhorariam ou algo do tipo, mas Rony não era tipicamente uma pessoa própria para dar conselhos ou acalmar alguém. O máximo que ele conseguiu fazer foi abanar a cabeça e apertar a esposa em seus braços, fazendo um carinho protetor em seus cabelos.Hermione aninhou-se nos braços de Rony. Ele sabia sim como consolá-la. Sem nem ao menos dizer uma só palavra, ele sabia exatamente o que fazer.

-Venha, deite um pouco.

Ela sorriu sem animação alguma, enquanto Rony se separava dela e tirava as cobertas da cama para que ela deitasse. Realmente as coisas haviam sido bastante difíceis naquele dia, todos estavam arrasados pelo sumiço de Gina, quase toda a família estava na Toca. Harry fizera questão de falar pouca coisa, e não querer muita gente por perto dele. Compreensível, concluiu Hermione. Sua mente ainda vagou por acontecimentos do dia, por Mel, por Harry, por todos... por último em Rony, em Rosa... Ela apertou a mão do ruivo na sua e a outra fixou em sua barriga. Ainda sentiu durante alguns segundos a mão quente e protetora de Rony passear por seus cabelos, não queria dormir, queria ficar acordada e ajudar Harry, mas não conseguiu resistir por muito tempo, logo caiu em um sono profundo.


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Os cabelos ruivos se espalhavam pelo travesseiro, compridos e ondulados, enquanto ele fazia um carinho preguiçoso para que ela não acordasse. Era linda, um anjo, uma mistura perfeita da mulher que ele amava com ele próprio. Existia coisa mais magnífica do que um ser que surgiu de você? Ou melhor, surgiu do seu amor?

Harry sentiu que poderia passar a noite toda acordado, pensando em sua família e velando o sono de Mel. Talvez não quisesse dormir. Talvez estivesse com medo de que levassem sua filha.

-Mãe...

Ele ouviu Mel sussurrar, enquanto se remexia na cama.

-Ela vai voltar meu amor, eu prometo.

Harry sussurrou para a pequena enquanto protegia o corpo dela com o seu, abraçando-a protetoramente.

-Ela dormiu. – Disse Rony escancarando a porta do quarto.

Harry fez sinal para que o amigo falasse baixo e saiu devagar da cama ao lado da filha, dando-lhe um beijo na testa.

-Que bom, a Mione precisa descansar. Você tem certeza que ela dormiu? – Harry lançou um olhar sério ao amigo, havia urgência em sua voz.

-Claro que tenho, afinal, ela é minha mulher.

-Sei, mas você não é nem de longe a pessoa mais atenta que eu já conheci.
 
-Vou fingir que não escutei! - Resmungou Rony.
 
-Se quiser voltar pro quarto, fique às ordens!
-E você acha que eu vou perder o melhor da festa? Nem pensar.

-Vamos. - Chamou o moreno já na porta no quarto.

-Vamos mesmo, eu não quero estar aqui, quando a Mione acordar e perceber o que fizemos.

-A idéia foi sua. - Acusou o moreno.

-Como se você fosse deixá-la ir conosco grávida.

-Não ia mesmo. - Concordou Harry.


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O candelabro contornado de cristais e fios dourados cintilava e tremia levemente com o efeito do vento que vinha de uma janela aberta. Por mais vistosa que fosse a peça decorativa, com certeza não tinha sua real utilidade aproveitada naquele lugar. Qualquer pessoa que olhasse, notaria claramente que ele estava ali por mera decoração. O tapete persa parecia ter a mesma função, e a escultura de cristal margeada de múltiplas pedras brilhantes, posta em um canto milimetricamente estudado, seguia o estilo requintado e até mesmo aconchegante. Uma rápida olhada na sala faria qualquer pessoa admirar aquele ambiente, decorado com tanto esmero e bom gosto.

De braços cruzados e exibindo uma expressão de relaxamento que estava longe de sentir, Gina continuava de pé ao lado do candelabro. Sua mente a mil, mas seus movimentos e sua consciência cientes de que aquela era uma situação em que ela deveria se manter serena, coisa difícil para alguém de seu gênio.

-Ainda de pé?

Gina não se deu ao trabalho de virar-se para ver a pessoa que acabara de entrar no aposento.

-Estou bem, do jeito que estou.

-Sei. Já disse que pode ficar a vontade.

-É só isso que tem pra me dizer? Que tal pularmos as gentilezas, que estamos longe de sentirmos um pelo outro, e irmos direto ao ponto? – A ruiva falou de forma controlada, mirando ao longe a lua prateada.

Quasar, que servia-se de uma bebida no pequeno bar em um canto da sala, terminou o que estava fazendo, fez surgir mais algumas pedras de gelo em sua bebida e sorriu.

-Também não gosto de perder tempo Gina. – Frizou o uso do apelido e degustou demoradamente um gole de sua bebida.

Gina apertou com força excessiva os braços que permaneciam cruzados. Somente Merlim sabia a força que ela estava fazendo para não azarar aquele cretino.

-Bom, o que quero de você é bem simples. – Quasar sorriu ao constatar que finalmente havia chmado a atenção da ruiva para si. – Que você abra o baú.

Gina abriu os braços e sorriu em deboche.

-Ah claro, tão simples e claro como voar de vassoura.

-Minha cara, não me diga que terei que contar toda a história para você? Que você é a detentora do poder de abrir o baú...

-Sou é? – Sim, ela sabia que era, mas também não estava disposta a facilitar.

-Eu disse que não sabíamos que íriamos precisar de você, mas que bom que mantê-la viva nos servirá de alguma coisa.

-Essa parte eu já ouvi.

-Claro, claro. Então venha comigo, tenho coisas mais urgentes para você fazer.

Quase automaticamente Gina pensou em negar, porém não havia como sair daquilo tudo. E se ela havia chegado até ali, não ia desistir. Passou pela porta aberta onde Quasar esperava por ela. “Quem está na chuva é para se molhar”.


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Os ruídos da noite quente de verão eram esquecidos pelo rangido alto dos portões de ferro sendo abertos. Passaram por ele dois homens com o semblante carregado e não deram a mínima atenção aos resmungos do velho zelador, provavelmente queixando-se do horário.

Subiram com rapidez as escadas de pedra que davam acesso ao interior do castelo, e embrenharam-se cada vez mais pelos corredores iluminados por archotes.

-Venham! – Chamou uma voz mais adiante.

O homem moreno e o ruivo caminharam ao encontro do outro homem e foram adentrando em uma sala.

-Tentei organizar as coisas assim que recebi sua coruja Harry. Eu sabia, as coisas estão piorando. – O homem negro correu até um dos muitos armários e puxou com força um mapa, ou possivelmente a planta de alguma coisa.

-É, por isso pedi para nos encontrarmos agora, não havia tempo para esperar até amanhã. – Respondeu o moreno.

-Sei, graças ao bom Deus eu já estava com a autorização para entrar nesse castelo. O controle do acesso a esse lugar fica com o departamento de mistérios, e é claro que o imbecil do Green não quis facilitar muito as coisas. Fez milhares de perguntas, mas acho que consegui despistá-lo.

-Foi daqui desse lugar que a Gina foi dada como morta? – Questionou o ruivo sem querer saber muito da burocracia do ministério.

-É, Pretick foi suficientemente idiota para montar uma armadilha no castelo de Bordon. Esse lugar sempre foi conhecido como o centro das reuniões dos Bruxos que fizeram aquele baú. Isso nos serve como confirmação para o que já sabíamos sobre a ligação dos Kataros com os Bruxos.

Afilen caminhou até uma mesa que havia na sala e desdobrou o mapa sobre ela.

-Olhem, esse é o mapa do castelo. Ele foi construído há muitos anos atrás e pertencia a Helioty Whity.

-Quem? – Questionou Harry.

-Helioty Whity, um renomado bruxo britânico, nasceu em berço de ouro, sempre teve muito dinheiro. Mas o que realmente nos interessa é que seu nome sempre esteve ligado aos bruxos que criaram o baú. E muito mais que isso, muitos dizem que ele era o líder.

-Por que nunca nos contou isso? – Perguntou Rony.

-Porque ainda estava procurando saber mais, afinal, tudo em relação a esses bruxos são rumores, nada é realmente confirmado. Mas a maioria dos poucos documentos que existem no ministério, apontam que esse castelo era o principal lugar de encontro deles.

-Então tudo aconteceu aqui? Mione nos contou que o ministério invadiu o lugar onde eles se reuniam. – Acrescentou Harry.

-Realmente o ministério invadiu o lugar onde eles se reuniam, porém há controvérsias a respeito da localização. Muitos dizem que tudo aconteceu em um outro castelo situado nas montanhas do povoado de Liderly, cujo dono era Peter Hugar, mas eu acredito que tudo aconteceu aqui. Existem muito mais coisas relacionadas aos bruxos ligando ao nome de Helioty do que o de Peter.

-Porém, é uma coisa que devemos considerar. Talvez tenham feito isso, justamente para despistar o ministério. – Sugeriu Rony.

-Pode ser, mas olhem o mapa.

Harry, Rony e Afilen se debruçaram sobre a mesa.

-O ministério fez uma busca minuciosa em todo o castelo e elaborou esse mapa.

Vários corredores espalhados, desenhados em miniatura, andares e mais andares espalhados por uma imensidão de escadas. Harry achou o mapa muito parecido com o mapa do maroto, com a diferença de que aquilo de maneira nenhuma havia sido feito para traquinagens de adolescentes, o mapa feito pelo ministério possuía claramente uma magia mais avançada e conforme Afilen batia com a varinha em um certo corredor ele se ampliava, permitindo que eles tivessem uma melhor dimensão de tudo.

-Faz algum tempo que estou analisando os documentos que o ministérios tem sobre esses bruxos. Eu já desconfiava que tinha alguma coisa acontecendo e desde quando você me confirmou isso Harry, eu pude me focalizar melhor em minha busca.

-E você descobriu alguma coisa que possa nos ajudar? – Harry perguntou sem querer perder tempo.

Afilen pareceu entender perfeitamente e apressou-se em ampliar magicamente uma das salas do mapa.

-Por tudo o que sei, o baú foi encontrado nessa sala. Depois disso foi levado até o ministério.

-Gina o viu em uma sala no departamento de mistérios. – Harry afirmou.

-Pretick me levou uma vez até lá. – Afilen tirou os olhos do mapa e fitou os dois homens a sua frente. – Durante anos fomos muito amigos.

-Você e Pretick? – Harry estranhou, Afilen sempre pareceu ter raiva do antigo chefe do departamento de mistérios.

-É, uma antiga amizade que acabou exatamente por causa desse baú. – Afilen soltou uma risada amarga – Pretick adorava saber sobre essas coisas, os mistérios sempre o deixavam excitado. Conversávamos muito sobre o baú, mas em um determinado tempo eu percebi que isso estava ficando sério demais, principalmente porque ele havia me contado alguma coisa sobre se reunir com essa seita dos Kataros que vocês me falaram.

-Então você já sabia de tudo? – Rony questionou.

-Não do jeito que vocês me falaram. Não sabia que a coisa tinha tomado essa dimensão, eu sabia apenas as coisas que Pretick me contava... – Afilen largou a varinha e puxou apressado um charuto de dentro das vestes antes de continuar. - ... ele estava maravilhado com essa tal seita. Eu aconselhei que ele saísse disso, que provavelmente era uma grande furada, até que um dia ele cansou de ouvir meus conselhos e nós deixamos de nos falar. – Havia amargura na voz de Afilen. – Mas o importante é que antes disso ele me mostrou o baú e me contou que a seita o havia incumbido de ser o responsável por ele. É claro, eles estavam mesmo era usando o pobre Pretick, afinal, ele era o chefe do departamento.

-Mas porque eles iriam querer proteger o baú? Era mais fácil eles terem usado Pretick para roubar o baú para eles.

-Não se o baú que estava no ministério fosse falso. – Declarou Afilen.

-Falso? – Harry pôde sentir o próprio pescoço doer ao virar bruscamente para olhar Afilen.

-Isso mesmo, no dia em que Pretick me levou até a sala do baú ele me contou. Claro que me pediu que nunca dissesse nada há ninguém, inclusive quis me convencer a entrar na seita. Acho que foi apenas por isso que ele me contou que o baú era falso, ele tinha convicção de que eu ia entrar nessa loucura.

Ao ouvir aquela afirmação Harry sentiu algo pegajoso e gelado descer vagarosamente por seu estômago e pressionou os dedos com força sobre a mesa de madeira.

-Eles estão com o baú. – Aquela afirmação saiu de sua boca com tanta convicção que até ele próprio se surpreendeu.

-Não podemos ter certeza Harry. – Contemporizou Afilen.

-Eles sempre estiveram com o baú, a única coisa que faltava era a pessoa certa para abri-lo. Faltava, agora não falta mais. – O moreno rodeou a sala, ruminando as próprias idéias, eles tinham Gina, tinham o baú, depois que ela fizesse o que eles queriam, eles não precisariam mais dela, não teriam mais porque mantê-la viva.

-Mas como eles descobriram que a Gina podia abrir o baú se nem ela mesma se lembrava até pouco tempo? – Rony questionou.

-Boa pergunta. – Foi a única resposta que Harry conseguiu arranjar naquele momento, seu senso de urgência gritando muito mais alto do que a pergunta feita por Rony.


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Novamente aquele mesmo lugar, a relva densa, o ar gelado passando por seus pulmões como pequenas agulhas e saindo por sua boca como uma nuvem de ar. Havia claramente chegado o inverno por ali. A vista estava um pouco diferente, mas ainda assim era o mesmo lugar.

-Pretick lhe mandou para essa missão, teoricamente você deveria descobrir o que as pessoas que aqui viviam estavam tramando contra o ministério.

Gina caminhava ouvindo o som dos pequenos gravetos se partirem em cada nova passada, algumas cabanas abandonadas podiam ser vistas ao longe.

-Eles não estavam tramando nada contra o ministério. – Ela retrucou subitamente, como que querendo lavar a alma das muitas pessoas que haviam sido mortas ali, naquele mesmo lugar.

-Muito bem Gina, vejo que você se lembra. Realmente eles não estavam tramando nada contra o ministério, mas nós precisávamos de algo deles. – Quasar sorriu.

-Me usaram novamente, mas pelo menos no fim não conseguiram o que queriam.

-É, podemos não ter conseguido tudo o que queríamos, mas uma boa parte foi possível. Nós conseguimos o baú, você deve saber da pequena limpeza que tivemos que fazer para isso, mas nossos motivos foram bons.

-Bons? Vocês cometeram uma chacina. – A ruiva podia quase ouvir os gritos dos fantasmas que viviam por ali.
 
-Purificação, unção, cruzadas... existiram tantos nomes, você pode escolher o que achar melhor. O importante é que você saiba que veio até aqui naquela época, para descobrir mais sobre essas pessoas não para o ministério, mas para nós. – Quasar apontou para si próprio. – Pretick seguia nossas ordens e através das informações que você nos passou, nós viemos depois e conseguimos o baú.

-Mas passaram todos esses anos com o baú como se fosse um entulho para vocês, afinal não tinham como abri-lo. – Gina retrucou.

-Sim, eu pessoalmente interroguei o chefe deles, e o imbecil me contou com todo o prazer que havia transferido o poder de abrir o baú, mas nunca consegui arrancar dele para quem ele havia passado.

Quasar contornou uma das muitas árvores e aproximou-se de Gina com um sorriso prazeroso.

-Eu sabia que Pretick estava começando a ficar temeroso quanto aos motivos benéficos dos Kataros e eu sabia que ele nos escondia algo, mas ele nos era muito útil, não podia me desfazer dele. – O rosto até então pálido do homem tingiu-se de algumas manjas vermelhas. – Tive a confirmação da traição de Pretick não faz muito tempo. Se aquele idiota tivesse nos contado, teríamos poupado muito tempo e esforço, afinal, você sempre esteve tão perto e nós nem ao menos desconfiávamos.

Gina recuou, ela sabia, Pretick havia sido morto não fazia muito tempo. A verdade era aquela, ele sempre quis poupá-la e eles procuraram o culpado no lugar errado.

-Quando não havia mais dúvida de que Pretick estava nos escondendo algo, eu mesmo o interroguei. Ele tentou negar, mas eu o forcei a beber veritasserum e a verdade surgiu como água. Ele havia nos escondido que você era a guardiã. Que você era a guardiã do baú.

Gina não pôde evitar que um arrepio agourento passasse por seu corpo, mas não recuou ao ver Quasar cada vez mais perto.

-Aquela seita que você estava investigando, aquelas pessoas, todas eram descendentes dos bruxos perseguidos há muitos anos atrás pelo ministério, dos bruxos que fizeram o baú.


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Sentou-se com fúria no sofá, para logo depois se levantar e voltar a andar pela casa, seguindo uma trajetória que não levaria a lugar nenhum, coisa que não lhe importava, porque na verdade ele nem mesmo havia se dado conta do que estava fazendo.

Sua atenção enfim mudou de rumo. Havia algo terrivelmente incômodo: o barulho de uma gota d’água caindo, pingando, pingando, pingando... Maldito barulho ensurdecedor! Como se fosse a coisa mais importante do mundo, ele correu veloz até a pia da cozinha e com certa brutalidade rodou e apertou a torneira. E apesar de ter conseguido eliminar os pingos chatos, ele continuou rodando, apertando e desprendendo todo o seu tempo com aquela tarefa.

-DROGA! – Xingou em altos brados quando a torneira escapuliu de suas mãos e ele foi arremessado para frente.

Fred fez um floreio com a varinha e consertou o estrago, saindo sem rumo definido. Ouviu um barulho vindo da sala e andou mais depressa. Quase correu na expectativa viciosa de encontrar quem imaginava.

-Esperando alguém? – Louise o encarou segurando o controle remoto de uma televisão que Fred havia comprado por sua causa.

Ele não respondeu apenas resmungou.

-Está zangado?

Ele poderia tentar mentir, sim, ele poderia, e usando todas as suas manhas de um dos gêmeos Weasley ele respondeu:

-Claro que não, estava apenas me distraindo quebrando a torneira.

Louise riu e ligou a TV.

-É por causa da minha irmã, não é?

Aquela pergunta, quase uma afirmação, com certeza o surpreendeu.

-Sua irmã? De onde você tirou isso mocinha? – Ele tentou brincar e tossiu baixinho.

-As pessoas se zangam com ela, mamãe diz que ela sempre acaba fazendo tudo errado...

Fred procurou alguma coisa para dizer, mas calou-se ao ver os grandes olhos luminosos de Louise se fixarem nele com propriedade.

-Mas quer saber? Nunca concordei com ela. A Loren sempre tenta ajudar, muitas vezes da maneira errada, mas no fim ela está apenas tentando ajudar...

-Ajudar? – Ele não pretendia ser grosseiro, muito menos com a garota, mas não conseguiu reprimir-se.

-Ela quer tomar conta de tudo, assumir as responsabilidades do mundo, mas no fim não consegue tomar conta de si mesma... - Concluiu Louise cheia de confiança. - Quando eu vi vocês juntos pensei que você pudesse ajudá-la a enxergar... enxergar que ela não vai conseguir...

-Conseguir o que?

-Viver sozinha.

Certo, ele devia ter chegado ao fundo do poço. Estava recebendo conselhos de uma garota de apenas 10 anos de idade. Será que deveria ser levado em consideração que essa garota muitas vezes parecia ser mais vivida que muitos adultos juntos, ou que talvez ela tivesse mais cérebro que ele e Jorge?

O barulho do baque na porta o sobressaltou e Fred demorou certo tempo para compreender o que aquilo significava. Tentou levantar-se o mais naturalmente possível e abriu a porta com cautela.

-Ah, oi Jorge.

-Nossa, quanta alegria em me ver, maninho.

Eles ainda trocaram olhares penosos, lembrando-se do ocorrido com Gina, mas Louise estava ali, não seria bom falar na frente da garota.

-Conversamos depois. - Jorge sussurrou.

-Certo, preciso saber direito dessa história. - Fred enfatizou, afinal ele havia viajado durante dois dias, resolvendo problemas da loja de logros, enquanto seu irmão cuidava da loja e Louise ficava com sua mãe, que fez questão de cuidar da garota.

Fred tinha sido informado do que acontecera a Gina durante sua viajem, tentou inclusive obter mais informações de sua mãe, mas ela chorava demais para poder lhe dizer alguma coisa, preferiu então chegar em casa para conversar melhor.

Jorge adentrou na sala, sentando-se no sofá ao lado da cadeira de Louise.

-Oi Jorge. – Cumprimentou a garota.

-Oi pequena grande mulher.

A menina riu e mudou a televisão de canal.

-A Karine sabe que você 'tá aqui? – Perguntou Fred.

-Eu vim pegar a bolsa dela que ela esqueceu na loja, aí aproveitei pra vir ver essa caixa maluca que você comprou. – Jorge ajoelhou-se no chão e chegou bem perto da televisão, examinando-a com cuidado.

Fred sentou-se ao lado de Louise, que passou a mudar os canais, enquanto eles riam das pessoas dentro da “caixa” e comentavam os programas.

-Eles não usam vassouras mesmo. – Constatou Jorge estarrecido enquanto passava um jogo de futebol na tv.

-Mas que coisa mais sem graça. – Fred fez uma careta.

-Minha irmã falou que vocês usam vassouras e jogam quadribol, ela disse que é muito legal.

-Garota esperta a sua irmã. – Jorge concordou sem saber realmente de quem se tratava.

-Ela disse que me levaria para ver um jogo de quadribol, mas nunca teve tempo.

-Pode deixar que a gente te leva. – Jorge prometeu.

-Passa pra outro canal. – Fred disse tentando desviar o assunto.

-Não espera, quero ver se alguém consegue enfiar aquela bola branca dentro da rede.

-Corta essa Jorge, tem coisa mais...

-A porta estava aberta, então eu... - Loren estacou no batente da porta assim que avistou a cópia de Fred sentado na sala, juntamente com o próprio e a irmã.

A seqüência de acontecimentos a deixou momentaneamente sem ação, seus olhos passaram de Jorge, que sacou a varinha e apontou para ela, para Fred que desarmou o irmão e daí para Louise que soltou um grito agudo.

-Ficou maluco?! - Jorge encarou o irmão como se não o conhecesse. - Você só pode estar sobre efeito da maldição Imperius!

-Jorge... eu... - Fred nem mesmo sabia explicar porque havia desarmado o irmão, fora algo automático, coisa de momento.

Jorge tomou a dianteira da situação e quando Fred percebeu, ele estava prensando Loren contra a parede, com as mãos fortemente apertadas no pescoço da loira.

Louise, com toda a agilidade que a cadeira de rodas permitia, chegou até os dois e tentou empurrar o ruivo para longe da irmã, mas Jorge parecia realmente não notá-la.

-ONDE ESTÁ A MINHA IRMÃ? - Gritou o ruivo.

Loren tentou livrar-se das mãos de Jorge, suas próprias mãos seguravam nas dele, tentando empurrá-lo para longe.

Assim que conseguiu esboçar alguma reação, Fred correu até a confusão e empurrou o irmão para longe.

-Você está bem? - A pergunta saiu antes que ele pudesse pensar em suas conseqüências, as marcas vermelhas no pescoço de Loren chamaram sua atenção.

Loren curvou-se sobre o próprio corpo e tossiu diversas vezes antes de erguer-se novamente, sorriu fracamente para Louise que olhava completamente assustada para aquela confusão.

-Não pode ser...

Fred fitou o irmão, e percebeu que o estrago já estava feito. Jorge olhava para ele como se fosse uma aberração.

-Não me diga que você... você traiu nossa família por um rabo de saia?!

-Não é nada disso...

-Não? - Jorge avançou para Fred com mais fúria do que havia avançado antes para Loren.

Os dois irmãos bolaram sobre o sofá que estava próximo e caíram do outro lado, no chão. Um emaranhado de pernas, braços e cabelos ruivos.
 
Louise olhava para tudo completamente atônita, seus olhos saltavam no rosto magro e era perfeitamente visível a expressão de pânico da garota.
-PAREM! - Loren gritou empunhando a varinha.

Jorge largou o irmão relutantemente, mas seus olhos fixaram-se com ódio e desprezo em Fred e Loren.

A loira foi até Louise e a ergueu do chão com facilidade, passou as mãos pelo rosto aterrorizado da irmã e beijou sua face, sem mais se importar com um possível ataque de Jorge.

-Ah não... espera, espera ai... - Jorge girava a cabeça de Fred, para Loren e Louise, um reflexo de compreensão enchendo sua mente.

-Jorge...

-Não acredito que você fez isso Fred!

-Ela está tentando ajudar. - Justificou-se o ruivo, nem ele próprio acreditando em suas palavras.

-AJUDAR? AJUDAR?!

-Jorge me escute. - Dessa vez era Loren quem tentava explicar alguma coisa.

-Como você está ajudando, hein? Você raptou a Mel para usá-la como isca para seqüestrar a Gina! - Jorge avançou novamente para Loren.

Fred estacou em uma frase de defesa para Loren. A fitou com espanto, tentando achar em suas feições a negativa para aquela afirmação de Jorge, mas não encontrou. Incrédulo, o ruivo balançou a cabeça negativamente e passou a mão pelo rosto.

-Você... você usou a Mel como isca...

-Fred espera!

-Esperar? - Fred não esperou, no segundo seguinte Loren estava presa por cordas. - Vamos para a Toca.

Jorge não achou necessário dizer mais nada, seu irmão enfim parecia ter recobrado o juízo.

-O que vocês estão fazendo? Larguem ela! - Louise gritou do canto onde estava, completamente assustada.

-Lois, fique calma... nós vamos conversar... – Falou Loren tentando acalmar a irmã.

-Conversar? Você não fez mesmo o que ele disse? Fez? - A voz da garotinha era um lamento baixo.

Loren abaixou a cabeça. Por muito tempo em sua vida ela pensou que suas lágrimas haviam secado, mas fazia pouco tempo que ela havia descoberto que não. A loira fechou os olhos, impedindo que as lágrimas caíssem.

Fred caminhou até Louise e segurou suas mãos.

-Você vai conosco para a Toca. Iremos ter uma conversa e você vai dormir com a Mel e as outras crianças que devem estar lá.

Louise não respondeu, virou o rosto para o lado e não expressou qualquer emoção.

-Vamos. - Fred caminhou na frente decidido.
 
 
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-Temos que agir. – Harry falou agitado, enquanto aparatava ao lado de Afilen e Rony nos jardins da Toca.

-Para isso precisamos primeiro saber para onde ir. – Afilen argumentou

-Certo, vamos primeiro convocar as pessoas de confiança. – Rony aconselhou caminhando para a porta da casa.

-Você quis dizer a Odem da Fênix. – Harry já puxava a varinha para entrar na cozinha da Toca, mas não foi preciso, a porta se abriu com um estrépito.

Rony gemeu baixo ao ver o rosto de uma enfurecida Hermione no batente da porta.

-Ah droga, eu 'tô ferrado.

-É, 'tá mesmo. – Concordou Harry. Ele sabia muito bem reconhecer o estado de espírito de Hermione, e aquele com certeza não estava nada bom.

-Você também não escapa. – Rony falou com prazer e não houve tempo para Harry retrucar, pois Mione não esperou que eles entrassem na cozinha.

-Por acaso vocês acharam que sumir no meio de toda essa confusão, sem nem ao menos deixar um recado faria bem para alguém? – Com as mãos nos quadris, os olhos de Hermione faiscavam na direção de Harry e Rony, sem nem ao menos lançar um único olhar para Afilen.

-Mione nós...

-Depois nós conversamos Ronald, aconselho que agora vocês entrem e vão até a sala.

-Mas...

-Na sala.

Harry nem ao menos tentou contrariar a amiga. Naquele momento ela estava muito parecida com a senhora Weasley e havia o fato de ter uma certa urgência na voz dela. Harry poderia jurar que deveria ter algo de muito sério os aguardando na sala, porque de forma alguma Hermione deixaria uma briga com Rony para depois.

Assim que chegou na sala o moreno constatou que era algo realmente sério, quase toda a família Weasley estava presente e em uma cadeira quase no centro da sala estava Loren. Harry ainda demorou um certo tempo para processar o que estava acontecendo.

-Fred e Jorge há trouxeram não faz muito tempo. Na verdade ainda nem sabemos direito o que aconteceu. – Hermione falou baixo ao seu lado.

-Ainda bem que vocês chegaram, estávamos preocupados. – Falou a senhora Weasley que estava sentada em um outro canto da sala.

O moreno tentou sorrir acalmando a sogra, mas falhou. Caminhou decidido até Loren, seus olhos fixaram-se na loira como os de um tigre que acha a presa. Ele não queria saber como ela havia ido parar ali, queria apenas saber uma única coisa.

-Onde está Gina?

-Eu não posso dizer, eu não conseguiria nem começar a falar. Você viu o que aconteceu com Marck e Clara.

Harry cerrou os punhos com força e desviou o olhar de Loren, fixando-os em Fred e Jorge.

-O que aconteceu?

-O que aconteceu foi que meu irmãozinho aqui, traiu nossa família por um rabo de saia.

A senhora Weasley se levantou horrorizada, enquanto todos encaravam Fred com espanto.

-Não foi nada disso. – Loren tentou defender Fred, mas ninguém na sala lhe dava ouvidos.

-Ele estava se encontrando com essa ai... – Jorge apontou para Loren. – E ainda colocou a irmã dela dentro da nossa casa.

-Louise é irmã dela? – Hermione cobriu a boca em espanto.

-É isso ai. – Jorge respondeu.

Fred não estava disposto a dizer nada em sua defesa, aquela era a mais pura verdade. Ele havia traído a própria família, traído por alguém que nunca merecera sua confiança. Na verdade Loren nunca quis ajudar, estava apenas usando-o. Além de ter sido um idiota, ainda havia decepcionado sua família, até mesmo Jorge que sempre esteve ao seu lado, não estava mais, e Fred não poderia deixar de dar razão ao irmão. O ruivo lançou um único olhar de desprezo para a loira e tornou a baixar a cabeça. Como havia sido tão idiota? Tão imbecil?

-Deve ter alguma explicação. O que aconteceu querido? – A senhora Weasley havia caminhado até o filho e o abraçara.

Fred não respondeu.

Harry continuava a mirar Loren como se ela fosse a única solução para seus problemas. E de fato ela era a única peça que podia ligá-lo a Gina, e ele tinha que achá-la.

-Se antes nós estávamos nos perguntando para onde ir, acho que ela é a nossa única resposta. – Rony sussurrou bem próximo do amigo.

-Acho que ela não vai poder dizer muita coisa. – Hermione respondeu do outro lado, parecendo esquecer a raiva que estava sentindo do marido por alguns instantes.

-Certo... tem que ter outro jeito de fazê-la falar. – O moreno continuou o diálogo com os dois amigos, ninguém na sala parecia muito atento a eles, fora Afilen.

-Podemos usar veritasserum. – Sugeriu Rony.

-Usar veritasserum não ajuda em nada, ela não vai conseguir pronunciar nem a primeira sílaba do nome dela. – Disse Hermione.

Harry continuou parado, os pensamentos a mil. Devia ter algum jeito, tinha que ter algum jeito. O moreno podia até mesmo ouvir o cérebro de Hermione funcionando ao seu lado, mas ao menos dessa vez ele conseguiu pensar mais rápido que a amiga, sem nem ao menos se dar conta ele já estava na frente de Loren.

Loren continuava sentada no mesmo lugar, imóvel, seu olhar ficou perdido durante algum tempo onde Fred estava, mas depois voltou a olhar para o nada, logo em seguida viu Harry parar à sua frente.

-Você pode acreditar ou não, mas eu nunca quis fazer mal para nenhum de vocês, principalmente a Gina. – Declarou a loira.

-Ah conta outra. – Rugiu Rony.

-Eu estava tentando ajudar vocês do lado que eu seria mais útil, entende? Estando do lado deles eu poderia fazer muito mais coisa, e eu não poderia simplesmente abandonar a seita e me juntar a vocês, isso traria conseqüências para a minha família, pra pessoas que eu tentei proteger todo esse tempo...

-Você nunca tentou proteger ninguém. – Falou Jorge de um canto.

-Não fale sobre o que você não sabe.

Várias pessoas falavam ao mesmo tempo na sala da Toca e Harry sobrepôs sua voz à balburdia, abaixando-se para encarar Loren de perto.

-Ótimo, se você sempre quis ajudar, então terá uma boa chance de nos provar que isso é verdade. – O moreno ergueu a varinha e com um floreio desamarrou a loira.

-O que você está fazendo Harry? – Alguém na sala questionou, mas Harry não deu ouvidos.
 
-Olhe para mim. - Foi tudo o que o moreno disse.
 
Loren esticou os braços dormentes e logo depois ergueu os olhos para fitar os dele, sem ter muita certeza do que ele iria fazer.
-Legilimens

Foi a única coisa que ela ouviu antes que a sala flutuasse diante de seus olhos e desaparecesse; imagens perpassavam sua mente, uma após a outra como um filme de cinema mudo, tão claro que ofuscava todo o ambiente que a cercava.

Ela tinha 12 anos e observava seu pai abandonar a casa onde viviam, sua mãe gritava no meio da rua esburacada, xingando em altos brados o homem que sumia de vista... Tinha 15 anos, estava em Hogwarts, sentada na mesa da Sonserina tomando o café da manhã... Tinha 17 anos e era a noite de formatura em Hogwarts, ela nem sequer descera de seu dormitório, estava chorando em um canto perto da janela...

Não!

Loren sentiu uma dor aguda na cabeça, a sala da Toca voltara ao foco e ela podia sentir o suor frio escorrendo por seu rosto.

-Não é isso... que você... precisa ver... – Disse ela arfando.

-Você estudou em Hogwarts? – Harry questionou sem se importar.

-Foi o que pareceu. – Respondeu ela raivosa.

-Mas temos quase a mesma idade, estivemos lá no mesmo período. – Constatou o moreno.

-Sou um ano mais velha que você.

-Se você estudou lá, nós devíamos nos lembrar.

Harry ouviu a voz de Rony em um canto da sala, havia até mesmo esquecido que tinham outras pessoas presentes.

-Não se eu fosse a garota mais sem graça da escola e ainda por cima da sonserina. – Declarou ela. – Existem muitos alunos em Hogwarts, porque vocês se lembrariam de mim? Nem participei do baile de formatura, minha família é completamente trouxa, e logo depois me mudei para a Austrália.
 
-Se concentre nas informações mais importantes, não temos muito tempo para perder. - Ordenou o moreno encerrando assim o assunto.
-Legilimens.

Tinha 20 anos, estava no meio da rua, toda a periferia de Londres parecia se aglomerar naquele lugar, os olhares das pessoas jaziam piedosos sobre ela, seu rosto queimava de vergonha.

-Vamos, levanta! – Ela pediu quase como um lamento.

-Me larga. Quem é você? – O homem que estava sentado no chão da rua se sacudiu, tentando livrar-se das mãos da moça que tentava ajudá-lo a levantar.

-Por favor... levanta. – Pediu ela novamente, ouvindo ao longe um som de sirene.

-Não vai ter jeito, dessa vez vão recolhê-lo. – Falou uma das pessoas com desdém.

-Esse inútil fica todo dia roubando coisas aqui da feira, tem mesmo é que ser preso. – Rugiu um homem gorducho.

-LADRÃO!

-BÊBADO IMUNDO!

-E você, SUA GORDA! – Gritou o homem para uma das feirantes que o xingava.

Os ânimos estavam ficando cada vez mais exaltados.

-Levanta pai, por favor. – Loren havia se abaixado e estava cara a cara com o homem.

-Ah sai daqui. – Resmungou ele dando um safanão nela.

Loren havia caído e estava de frente para o pai quando um carro preto parou a milímetros dela, seu sangue passou a correr mais rápido e antes que ela pensasse no que fazer a porta do carro se abriu, ao contrário do que poderia se esperar não desceu ninguém. Ela ergueu a cabeça e pôde ver um homem, ele trajava um terno escuro que contrastava com sua pele pálida, quando ele estendeu a mão a convidando para entrar Loren viu que a mão dele era branca como cera.

-Entre. – Foi tudo o que ele disse.

Se havia alguma dúvida sobre entrar naquele carro ou não, ela foi sanada assim que ela ouviu o barulho da sirene cada vez mais próximo. As coisas aconteceram rápido demais, em um minuto um outro homem que estava sentado no banco ao lado do motorista foi até seu pai, deu-lhe um soco certeiro e o arremessou desmaiado para dentro do carro sem nenhuma delicadeza. Em seguida a ergueu do chão sem que ela oferecesse nenhuma resistência e logo o veículo arrancou cantando pneu.

Assim que estavam em um lugar suficientemente longe ela achou benéfico falar.

-Obrigada por ajudar, mas acho que já podemos descer.

-Posso ajudar muito mais. – Ofereceu-se o homem.

-Já está bom.

-Posso conseguir o tratamento completo para sua irmã e uma clínica de reabilitação para seu pai. – Falou ele sem rodeios.

Ela o fitou temerosa. Como ele podia saber de seus problemas?

-Sei que você deve estar cheia de perguntas, responderei todas com o tempo...

-Você espera que eu aceite seja lá o que você quer, sem nem saber o porque?

-Não se precipite, tudo o que você precisa saber é que preciso dos serviços de uma bruxa nascida trouxa como você, não é nada demais, você terá até mesmo um emprego.

-Mas porque eu?

-Já disse que as respostas virão com o tempo, basta saber que posso resolver seus problemas, ou então pode continuar tentando resolve-los sozinha.

Na verdade não havia muito o que pensar, naquele exato momento sua irmã estava internada em um hospital público de Londres, enfrentava uma crise séria de anemia e tinha que se alimentar muito bem. O pai, depois de muita busca, ela havia reencontrado fazia apenas um mês, profundamente dependente de álcool, causava confusão por onde passava, fazendo pequenos furtos para alimentar o vício. Sua mãe fizera uma enorme confusão quando soube que ela estava atrás do pai e ainda por cima nunca cuidava da irmã.

-O que você quer que eu faça?

-Nada demais, apenas que você vigie uma pessoa para mim.


A sala havia voltado novamente ao foco e Loren fitou Harry profundamente, os olhos esmeraldas do moreno refletiam algo que ela não podia dizer o que era, mas definitivamente não havia mais todo o desprezo de minutos antes.

-Legilimens.

Estava no ministério da magia, teria que ser rápida, Quasar queria que ela e Clarck roubassem a pasta com o caso de Gina. Pretick parecia não estar mais querendo colaborar e a única solução encontrada fora essa. Um vigia do ministério Lino Abrahim, havia acabado de vê-los, mas Clarck tinha ido atrás do homem, parecia que o imbecil estava chamando alguém pela lareira.

Andou durante um tempo sorrateiramente pelo corredor, seus cabelos estavam curtos e negros, seu semblante era de um homem de estatura baixa, se alguém a visse não a reconheceria de maneira nenhuma, essa era a grande vantagem de ser metamorfomaga.

Já estava quase chegando no departamento de mistérios quando um grito a surpreendeu.

-PARE!

Sem mais se preocupar em ser cautelosa ela correu, correu e gritou feitiços para rebater a pessoa que a estava perseguindo, não podia ser pega ali. Entrou na sala do departamento de mistérios, escondeu-se atrás de uma estante e assim que fitou a pessoa que a estava perseguindo seus olhos se arregalaram, era ele, era Harry Potter. Sem pensar em mais nada e aproveitando-se do momento de distração dele, ela lançou um feitiço na estante que caiu por sobre ele. Saiu correndo pelo corredor do ministério, mas mesmo assim Harry ainda acertou-lhe um feitiço na perna.




As imagens passavam uma após a outra, ela estava agora no meio de uma batalha, mas precisava fazer o que havia planejado, não demoraria muito até que Harry e o pessoal do ministério aparecesse por ali.

Assim que avistou Harry, Loren transformou-se em um menino franzino e de aspecto amedrontado, ficou o mais próxima possível do moreno e fingiu chorar para chamar-lhe a atenção.

Tudo havia saído como planejado, Harry havia lhe descoberto atrás de um tronco, depois ela havia lhe entregado a chave como queria fazer. Enfim a chave rosnea estava em boas mãos, ela conseguiria um dia consertar todo o estrago que fez.




Estava agora na sala de visitas da mansão de Quasar, Malfoy estava sentado ao seu lado, Rockwood e Belatriz cochichavam algo próximo a janela.

-Essa animosidade entre você e Belatriz não faz bem para você, afinal, ela tem o dom de ganhar atenção especial dos chefões.

-Guarde seus comentários para você Malfoy. – Loren respondeu de mal humor.

A porta se abriu e Quasar passou por ela.

-Tudo certo, Belatriz você pode pegar a garota.

-Aquela amantezinha de sangue ruim vai adorar passar um tempo com a Tia Bela. – Disse Belatriz prazerosa.

-Não faça nada de tão grave com a garota, pelo menos não até eu ter o que quero da mãe dela.

-Vou me controlar. – Respondeu a mulher.

-Acho que a Mel não vai querer ir com ela. – Loren pesou suas palavras tentando parecer o mais desinteressada possível.

-E você acha que eu vou perguntar para aquela pirralha o que ela quer?

-Evidentemente que não querida. – Loren se levantou do sofá e sorriu sinicamente para Belatriz. – Mas acontece que aquela garota não é tão burra quanto parece, no mínimo ela vai fazer um escândalo e acho que nós ainda não queremos chamar atenção.

-Mas não vamos chamar realmente atenção, eu estuporo a fedelha e saio de lá com ela.

-Sem ninguém ver? Acho difícil. – Loren sorriu e cruzou os braços em escárnio.

-Tem uma idéia melhor? – Desafiou Belatriz.

-Deixe-me ver... – Loren fingiu parar para pensar. – Talvez eu pudesse ir lá visitar a filha de uma velha amiga minha e chama-la para passear comigo, simples assim.

-Escuta aqui sua...

-Belatriz.

Assim que Quasar a chamou, Belatriz calou-se no mesmo instante.

-Loren tem razão, não queremos chamar a atenção...

-Mas... – Belatriz protestou, evidentemente desesperada.

-Será mais prático se ela pegar a garota. – Quasar elevou a voz algumas oitavas para se interpor aos protestos de Belatriz.

Loren não sorriu, permaneceu com a mesma expressão séria, não queria que Quasar visse em seu rosto o menor vestígio do alívio que estava sentindo, por Belatriz não ficar nem mesmo um segundo sozinha com Mel, se aquilo deveria mesmo ser feito, era menos prejudicial para a garota que fosse ela quem o fizesse.




Um clarão e a sala da Toca estava novamente a sua vista, mas antes de qualquer comentário tudo havia sumido novamente.

Ela estava em um ambiente de uma sala requintada e luxuosa. Loren mexia distraidamente em uma belíssima escultura de cristal que havia ali quando a porta se abriu atrás de si.

-Ela virá para cá, é melhor você sair. – Avisou o homem.

-O que faremos?

-Isso tudo vai acabar logo, hoje mesmo a levarei para a Noruega, ela abrirá o baú e nós teremos o que precisamos. – Declarou Quasar.

-E depois?

-Depois não precisaremos mais dela, Gina terá cumprido sua colaboração para a seita e terá que pagar o preço por saber demais.

-Isso significa que? – Loren tentou não aparentar seu nervosismo.

-Loren eu mandei que você saísse, Gina está vindo para cá, não me faça perder a paciência.

No minuto seguinte Loren passou apressada pela porta da sala, quase cruzou com Gina no corredor, ela tinha que fazer alguma coisa, tinha que avisar alguém. Sem mais parar para pensar aparatou próximo a Loja de Logros.




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N/B (Pri): E eis que, depois de séculos, a Paty ressurge com mais um capítulo de nos deixar com o coração na mão. Levante a mão quem ficou com peninha do Harry. o/ Essas autoras que teimam em fazer nosso herói sofrer!!! Epa, é melhor eu mudar de assunto...
Mana, tava morrendo de saudades de você, das nossas conversas e das suas histórias. Te amo, e o capítulo não ficou ruim não. Ficou ótimo. Podia ser maior, né? Mas fazer o que, não é? Bjks
 
N/B (Pam): Ai, será que ainda dá tempo?? Não sei se você já atualizou. Bom, não custa arriscar. Mana, que saudade! Saudade da fic, saudade de você. Ainda bem que para compensar a demora você fez um capítulo grande! Grande, cheio de aventura e revelações. ADOREI! Não demora mais tanto assim tá?! E vamos ver se nos encontramos nos MSN para matar a saudade. Te amooooo! Beijoooo

N/A: Oi gente, sei que esse capítulo foi talvez o mais demorado de todos e que talvez tb não esteja tão bem elaborado assim, mas me encontro em uma crise total de tempo rsrsrs... até mesmo pra acessar a net está difícil e tô tendo que estudar muito, além do trabalho. Bem, vou pedir a compreensão de vcs por isso e tb pelas respostas aos comentários de cada um que eu sempre faço, mas que infelizmente não vou poder fazer novamente pela falta de tempo. Escrevi esse capítulo pq amo escrever e tb por todos vcs que leem e sempre deixam recados maravilhosos pra mim, saibam que estão todos no meu coração e que em consideração há todos vcs eu continuo escrevendo.

Beijos e amasso nas minhas irmãs Pri e Pam, obrigada pela ajuda manas.

Um abraço, um cheiro e um amasso bem apertado para todas as meninas maravilhosas da minha comunidade, AMO VCS MENINAS!!!! Vcs são 100000000000000000...

UM BEIJO NA BUNDA DE TODOS rsrsrsrs...

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