Olá pessoal, espero que gostem e comentem, pois o seu comentário, seja elogiando ou criticando, dá um ânimo maior para continuar escrevendo e postar o próximo capítulo. Até.
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Harry deixou a sala do diretor seguido por Ronny e Hermione em direção a sala comunal da Grifinória, mas quando chegaram as escadas o ruivo ficou parado olhando para baixo como quem decidisse o que fazer. Hermione notando a tristeza nos olhos de Ronny deu a mão para o amigo e começou a descer os degraus silenciosamente. Harry sabia que estavam indo para o salão principal onde provavelmente todos os sobreviventes deveriam estar e os corpos dos que perderam a vida lutando também, mas naquele momento faltava muita coragem para encarar a todos e principalmente a família Weasley que sofria com a perda de Fred. O casal de amigos descia em silencio até que quando já estavam no primeiro andar Ronny sentou na escada, com os braços dobrados sobre o joelho baixou a cabeça e se permitiu chorar. Um choro descontrolado de raiva por não ter conseguido fazer nada para evitar a morte de Fred e de alívio por terem conseguido derrotar Voldemort. Hermione assentou-se ao lado do ruivo, passou um dos braços em torno do ombro dele e fazia carinho nos cabelos ruivos sem falar, pois sabia que nada que dissesse faria a dor que Ronny sentia passar. Ficaram longos minutos daquele jeito até que depois de chorar muito o rapaz quebrou o silêncio.
- Por quê? –ainda suspirava puxando o ar e tentando conter as lágrimas.
- Não sei, Ronny. –ela queria poder dizer algo para consolá-lo, mas não sabia o que falar.
- Ele tinha tanta coisa para fazer ainda, Hermione. –uma lágrima escorreu e delicadamente a garota a limpou. – Eu não consegui proteger a vida do meu irmão. Eu falhei de novo, mais uma vez. Como sempre. Eu é que deveria morrer e não ele.
- Não fala besteira, Ronny! –o maior medo dela nos últimos meses foi de perder Ronny.
- É verdade. Eu iria fazer muito menos falta. –uma lágrima desceu pelos olhos de Hermione. – O Fred e o Jorge são a alegria lá de casa, todo mundo gosta dos dois e de tudo que eles criam e agora ele está morto.
- Não pra mim. –ela sabia que estava sendo egoísta, mas não negaria que Ronny estar vivo para ela era motivo de completa felicidade apesar de sentir muito pela morte de Fred. – Tive tanto medo de alguma coisa acontecer com você. –foi a primeira vez que o ruivo olhou para a amiga e viu que ela também chorava.
- Eu também. Tive tanto medo de te perder, de nunca mais poder te ver e te... –as lágrimas voltavam a cair compulsivamente e a garota deitou o rosto do amigo no seu ombro.
- Precisa ser forte, Ronny. Sua mãe e a Gina devem estar precisando muito de você, do seu carinho e da sua força. –falou enquanto fazia carinho no cabelo dele.
- Mas eu preciso disso tudo...
- Conta comigo para o que precisar. –Ronny passou os braços em volta da cintura dela.
- Promete que nunca vai me deixar? Que sempre terá um ombro pra eu chorar sem me preocupar com o que os outros vão pensar? –agora ele a olhava profundamente e Hermione podia ver o medo nos olhos azuis do amigo.
- Prometo! Sempre que quiser conversar ou chorar é só falar que estarei ao seu lado. –o rapaz se levantou e parou no degrau abaixo de frente para Hermione.
- Posso te pedir um abraço?
Hermione levantou e deram um demorado abraço. Limparam as lágrimas que antes manchavam os rostos e continuaram o caminho para o salão principal. O lugar estava cheio de pessoas que se dividiam em grupos em torno dos parentes falecidos, dos feridos ou das comidas. Ao fundo do salão no local onde ficava a mesa da Grifinória os Weasley se encontravam chorando muito ao redor do corpo de Fred. Ronny correu até os familiares e abraçou Gina, que tinha os olhos inchados de tanto chorar e o rosto vermelho, com todo o carinho que pode juntar.
- Gina... –o rapaz fazia carinho nos cabelos ruivos. – você lembra o que o Fred falava quando o assunto era a morte dele? –ela não respondeu. – “Não quero ninguém chorando e nem de preto. Eu vou finalmente conhecer Mérlin.”
- Como você pode pensar assim, Ronny? –perguntou em meio a muitos soluços ainda abraçada ao irmão.
- Lógico que ninguém queria que fosse tão cedo, mas ele queria que nos lembrássemos dele pelo bom humor e pela alegria que ele emanava. Chorar pelas saudades que ele vai deixar com certeza é normal, mas precisamos ser forte nos unir e continuar o que ele começou. O Jorge vai precisar da gente mais do que nunca.
Hermione deu um demorado abraço em cada um dos irmãos de Fred e se demorou um pouco mais quando abraçou Arthur e principalmente Molly. A matriarca da família parecia não acreditar no que seus olhos viam e chorava descontroladamente pedindo intimamente que aquilo fosse só um pesadelo. Os braços que sempre apertavam e confortavam a todos agora pediam encarecidamente que alguém fizesse isso por ela e Hermione tratou de fazer com que Ronny fosse esse alguém. A senhora de cabelos ruivos era amparada pelo filho caçula que buscava forças para pode apoiar sua mãe enquanto Hermione conversava com Gina.
- Estou preocupada com o Ronny. –falou a ruiva.
- Por quê?
- Parece que a ficha dele ainda não caiu, Hermione. É o Fred, o nosso Fred e mesmo que ele tirasse Ronny do sério eles se amavam muito e meu irmão parece que não entendeu que ele morreu. –os olhos castanhos de Gina também emanavam tristeza.
- A ficha do seu irmão já caiu sim e ele está muito abalado, Gina. –respondeu a morena enquanto segurava as mãos da amiga com força.
- Mas ele é o único que não está chorando. Me abraçou, falou um monte de coisas lindas com relação ao Fred pra mim e eu realmente não sei como ele está conseguindo pensar assim. Só a ficha não tendo caído mesmo.
- Eu e seu irmão conversamos um pouco antes de voltarmos pra cá e ele está muito mal com tudo que aconteceu. Está se sentindo culpado por não ter conseguido proteger a vida do Fred.
- Como ele pode pensar uma besteira dessas? Se tem alguém que tem culpa nisso tudo é Voldemort e não o Ronny. –Gina olhava para o irmão ainda abraçado a mãe.
- Mas ele não tá pensando assim, chegou até a dizer que era ele quem deveria ter morrido. –Gina a olhou descrente.
- Eu amo muito o Fred, mas se fosse o Ronny eu não daria conta, Hermione. Sempre foi mais nós dois, ele me protegendo dos meus irmãos, se preocupando comigo na escola e sempre cuidando de mim. –os olhos castanhos se encheram de lágrimas e o abraço apertado da amiga a fez acalmar um pouco.
Enquanto isso nos dormitórios Harry estava deitado em sua cama olhando para o sanduíche que Monstro tinha feito e levado para ele. Enfim a guerra tinha acabado, mas as dores das perdas causavam uma estranha sensação de incapacidade e incompetência. Sentiu uma lágrima escorrer, teve raiva de si mesmo por não conseguir proteger a todos que amava e por não estar no salão principal dando apoio a família que sempre o recebeu como um integrante. Resolveu tomar um banho para tentar se recompor e quem sabe conseguir ir ao encontro da família Weasley. No salão principal os Weasley foram se revezando para poderem tomar banho e se alimentarem, mas mesmo depois de todos terem ido Ronny insistia em não sair de perto do corpo do irmão.
- Ronny, você precisa tomar um banho, dormir e comer alguma coisa. –falou Molly e Ronny não respondeu.
- Seus irmãos trouxeram roupas limpas pra você, filho. Tome um banho e coma pelo menos. –disse Arthur, mas o garoto continuava impassível então Hermione se aproximou dele.
- Podemos conversar rapidinho? –juntos o casal de amigos se afastou um pouco. – Sua família está começando a ficar preocupada com você. Vamos lá em cima você toma um banho e come alguma coisa, depois voltamos pra cá.
- Eu não queria sair daqui, Hermione. –Ronny falava tão baixo que se não estivessem tão próximos ela provavelmente não teria escutado.
- Mas precisa.
De mãos dadas e sobre o olhar do restante da família os dois saíram em direção a sala comunal da Grifinória. Estavam parados de frente a porta para o dormitório masculino quando novamente o silêncio foi quebrado pelo rapaz.
- Será que os feitiços aqui ainda funcionam? –perguntou olhando para a escada que dava acesso ao dormitório feminino.
- Não sei, por quê?
- Não é que eu esteja com raiva, mas acho que o Harry deveria estar lá em baixo apoiando a Gina se ele a ama tanto quanto fala. E eu não queria encontrar com ele agora.
- Vem vamos ver se ainda funciona.
Quando o rapaz começou a subir as escadas nada aconteceu e Hermione o levou até o quarto onde dormia. O ruivo entrou para o banho, enquanto o esperava conjurou as comidas preferidas do amigo, depois deitou em sua cama e acabou adormecendo. Ronny saiu do banheiro renovado usando um jeans claro e uma camisa branca. Viu Hermione dormindo de maneira um pouco conturbada e depois de sentar-se ao lado dela ficou a observando pensando em como era bom ver que ela estava viva. A garota ainda estava suja, as roupas rasgadas e com várias marcas pelo corpo. Desde quando saíram de Hogwarts ela havia emagrecido muito e o semblante de determinação agora já não existia dando espaço para um semblante de sofrimento. Ronny levou os dedos até o rosto da amiga e quando encostou de leve ela se mexeu um pouco o fazendo tirar os dedos rapidamente. O rapaz ainda a observava quando de repente Hermione acordou sobressaltada e foi logo abraçando Ronny sem nem pensar.
- Calma, Mione.
- Sonhei que tinha dado tudo errado e que você, o Harry e meus pais tinham morrido. Foi horrível. –ela tentava normalizar a respiração.
- Foi só um pesadelo. –deslizou as costas da mão pelo rosto da amiga. – Acho que você também deveria tomar um banho para poder dormir e descansar.
- Um banho é até bem vindo, mas não pretendo dormir. –respondeu enquanto o rapaz a puxava para o banheiro.
- Depois que tomar banho vai dormir sim. –falou enquanto fechava a porta e foi sentar perto de onde Hermione tinha deixado as comidas.
Não demorou muito para ela sair do banho e juntos comeram quase tudo que Hermione tinha conjurado. Ronny insistia para que ela ficasse e dormisse um pouco, mas a garota teimava em dizer que ficaria com ele e a família.
- Não adianta discutirmos, Ronny, eu vou descer e ficar do lado de vocês. Até porque não vou conseguir dormir.
- Você precisa dormir, Mione. –passou alguns fios que teimavam em cair no rosto dela para trás da orelha. – Está cansada.
- Você também está cansado e precisa dormir. Só fico aqui e durmo um pouco se você também ficar e então? –Ronny sabia que ela dizia a verdade e que talvez fosse o melhor a fazer.
Antes de deitarem Hermione enfeitiçou o relógio para que despertasse dalí a uma hora. Ronny estava deitado na cama ao lado de Hermione, mas todas as vezes que fechava os olhos relembrava os momentos de pânico por quais tinham acabado de passar. Hermione dormia no cantinho da cama, o rapaz sem pensar muito foi até a cama da garota e se deitou ao lado dela que se ajeitou melhor. Ainda estavam dormindo quando Gina entrou um tanto preocupada no quarto e se assustou vendo Ronny e Hermione dividindo a mesma cama não podendo evitar um pequeno grito.
- Meu Mérlin! –os dois acordaram um pouco assustados e Hermione olhava sem entender como Ronny tinha para ao lado dela na cama.
- O que você ta fazendo aqui, Ronny?
- Não estava conseguindo dormir, aí deitei aqui do seu lado. –respondeu se levantando e indo em direção a irmã. – O que você tá fazendo aqui, Gina?
- Mamãe pediu para chamar vocês para o enterro. –falou com os olhos cheios de lágrimas.
- Hermione, pode ficar aqui e dormir mais um pouco pra descansar mais.
- Eu vou com vocês, vamos!
Não saberiam explicar o porquê, mas assim que a morena se aproximou de Ronny eles deram as mãos e desceram juntos com Gina para fora do castelo em uma área que tinham reservado para interarem todos os mortos que lutaram na guerra. A família de ruivos estava reunida, todos choravam e Ronny passou um braço pelos ombros da irmã para dar força. A diretora Minerva falou algumas palavras de conforto e a medida que os mortos iam sendo enterrados as famílias choravam a falta que eles fariam. Ronny abraçou Gina e Hermione ao mesmo tempo e segurou com todas as forças as lágrimas que insistiam em querer cair. Molly e Arthur tinham decidido que assim que o enterro acabasse voltariam para a Toca, ou para o que restará da antiga casa. Os oito ruivos e a morena voltavam para o castelo quando Molly quebrou o silêncio começando uma conversa com Hermione.
- Estamos indo para a Toca e quero muito que venha conosco, Hermione.
- Eu agradeço muito o convite Sra. Weasley, mas não posso aceitar. –Ronny que segurava sua mão parou abruptamente.
- E por que não pode aceitar?
- Tenho muitas coisas para resolver e não quero incomodar vocês. –desde quando terminara a guerra a morena não parara um minuto de pensar em uma maneira de encontrar os pais e desfazer o feitiço.
- Vamos lá pra casa e amanha você resolve o que tem de resolver. –falou Arthur. – Pomfrey me entregou algumas poções do sono para que todos tenham uma boa noite e amanha acordemos revigorados.
- Falando nisso me esqueci que Minerva pediu para que vocês e o Harry fossem conversar com ela quando pudessem. –falou Gui que ainda tinha o rosto vermelho por causa do choro.
- Por mim vamos lá agora. –disse o ruivo olhando para Hermione.
- Vamos chamar o Harry e depois que conversarmos com a diretora encontramos com vocês aqui.
Molly concordou com a morena que subiu acompanhada por Ronny e foram chamar Harry para poderem conversar com Minerva. Entraram no dormitório masculino e encontraram o amigo com o rosto vermelho e olhos inchados de tanto chorar. Assim que o menino viu os amigos se jogou em um abraço pedindo muitas desculpas.
- Para com isso, Harry. Não tem nada que pedir desculpas, agora anda levanta dessa cama e vamos falar com a Minerva. –falou Hermione com seu habitual tom mandão fazendo Ronny sorrir enviesado.
O trio sai da sala comunal para a sala da diretoria e pelo caminho viram o quão destruído o castelo estava. A gárgula que antes pedia a senha para que entrassem estava quebrada e os amigos subiram direto para a sala onde Minerva os aguardava sentada ao lado do retrato de Dumbledore.
- Licença. –falaram os três juntos.
- Entrem. –falou a professora se levando e dando um demorado abraço em cada um deles. – Devem estar se perguntando porque pedi pra vocês virem aqui, imagino eu.
- Com certeza. –respondeu Hermione.
- Então vou direto ao ponto. Esse ano era pra vocês terem cursado o sétimo e último ano aqui na escola, mas com tudo que aconteceu vocês acabaram não regressando. Eu gostaria que vocês soubessem que Hogwarts está de braços abertos para receber vocês no próximo ano letivo caso queiram concluir seus estudos. –Hermione sorria de contentamento enquanto Ronny e Harry continuavam impassíveis. – E tenho também uma proposta do Ministério para que vocês... –apontou Ronny e Harry. -...comecem a trabalhar no departamento de auror e para você, Hermione, trabalhar no Departamento de Execução das Leis da Magia depois de um mês de férias.
- Será uma oportunidade única diretora McGonagall e se meus pais concordarem eu pretendo voltar a estudar para somente depois começar a trabalhar. –respondeu Hermione.
- E vocês, garotos?
- Podemos pensar e responder depois? Acho que não estamos com cabeça para pensar nisso agora e dar uma resposta definitiva. –falou Harry quase sem emoção.
- Podem sim, mas quanto mais rápido puderem dar a resposta melhor para todos. Agora gostaria de dar uma palavrinha a sós com você, Hermione.
Um pouco a contra gosto Ronny deixou a sala acompanhado por Harry e ficaram esperando pela amiga do lado de fora. Agora na sala as duas mulheres estavam sentadas no confortável sofá enquanto conversavam.
- Fiquei sabendo de tudo que você fez para proteger seus pais, e mesmo estando admirada com sua atitude achei um pouco irresponsável de sua parte.
- Eu precisava protegê-los de Voldemort. A senhora sabe que ele não hesitaria um segundo em matar meus pais para descobrir o nosso paradeiro. –a morena segura para não chorar pois sabia que poderia ter problemas para remover o feitiço.
- Entendo a sua posição Hermione e quero que saiba que vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para que seus pais sejam encontrados o mais rápido possível e o feitiço seja removido.
- Estou pretendendo embarcar para a Austrália em busca deles no máximo até depois de amanha e agradeço muito a sua ajuda, professora Minerva. –a mulher deu um abraço na menina
- E quem vai lhe acompanhar nessa viajem? –quis saber a professora preocupada em Hermione fazer uma viajem dessas sozinha.
- Ninguém. –respondeu a morena um pouco triste e a mulher não pode deixar de perceber.
- E a que horas eu posso passar na Toca para te encontrar e seguirmos caminho para a Austrália? –a garota se surpreendeu e demorou um pouco a captar tudo que ela tinha dito.
- Eu agradeço, mas não precisa se incomodar com isso.
- Então amanha depois do almoço chego a Toca e de lá seguimos para a Austrália por uma chave de portal que vou pedir no Ministério.
- Não sei como agradecer tudo que está fazendo por mim, McGonagall. –as duas já estavam de pé.
- Agora é melhor você ir, porque a família Weasley e principalmente Ronny está precisando de você. –falou a mulher mais velha com um sorriso doce nos lábios enquanto a levava até a porta.
Enquanto Hermione conversava com Minerva, Ronny, tratou de intimar o amigo para ir para a Toca com eles e ficar por lá até decidirem o que fazer da vida. Os três amigos juntou com o restante da família Weasley aparataram na Toca e encontraram a casa praticamente destruída e os mais velhos começaram a lançar feitiços para reconstruir o local enquanto Hermione lançava feitiços de proteção.
- Já está craque nesses feitiços. –comentou Ronny recebendo um sorriso de Hermione.
- Bem que você podia lançar uns também, porque aí fica mais seguro.
- Voldemort está morto, Hermione! –falou Gina. – Não precisamos mais desse medo todo.
- Voldemort realmente está morto, mas os comensais continuam soltos por aí e acho que somos um pouco visados. –Harry olhou para a amiga se surpreendendo como ela ainda conseguia raciocinar depois dos dois últimos dias.
Não demorou muito para que a Toca estivesse toda recuperada e os feitiços de proteção lançados. Estar em casa sem Fred foi uma coisa que pesou muito para todos e não puderam evitar que mais algumas lágrimas caíssem. Para evitar ficar pensando no filho Molly tratou de ir para a cozinha começar a preparar o jantar e enquanto isso Ronny, Hermione, Harry, Gina e Jorge começaram uma conversa.
- O que Minerva queria com vocês? –perguntou Gina curiosa.
- Nos convidou a voltar para a escola e terminar os estudos ou aceitar um emprego no Ministério na área que cada um gosta. –respondeu Ronny pensativo sentado ao lado de Hermione.
- E o que você respondeu? –perguntou Jorge depois de passar quase todo o dia em silêncio.
- Eu e o Harry por enquanto nada, mas a apressada da Hermione já disse que se os pais dela concordarem pretende voltar a estudar.
- Apressada nada, Ronny! –retrucou a amiga com um olhar irritado. – Eu sei muito bem o que quero e se recebi uma proposta sobre o assunto não tenho no que ficar pensando.
- Quer dizer que vamos ser da mesma sala! –constatou Gina animada. –Esse sim será um ano muito bacana na minha vida estudantil.
Hermione estava muito feliz por estudar com Gina, já que não tinha nenhuma amiga em sua série. As duas amigas foram ajudar Molly com os preparativos para o jantar enquanto Gui conversava com Harry sobre o dinheiro que ele tinha no banco e Ronny conversava com Jorge sobre a loja de logros.
- Não sei qual foi a proposta que o Ministério te fez Ronny, mas eu tenho a minha proposta para te fazer. –falou o ruivo mais velho.
- E qual é? –perguntou Ronny muito interessado no assunto.
- Agora que o Fred foi conhecer Mérlin, preciso de um novo sócio. Sei que você não tem um nuque furado, mas gostaria de te ter como meu novo parceiro, o que acha?
- E o que eu teria que fazer?
- Me ajudar a criar os novos logros e fazer os balancetes no final do mês.
- Demorou, Jorge. Vai ser muito bom trabalhar com você maninho! –os irmãos deram um demorado abraço. – Conta comigo para o que precisar. –completou enquanto ainda estavam abraçados.
- Você também!
Durante o jantar a conversa foi mínima e depois de todos satisfeitos os filhos mais velhos do casal começaram a ir embora, restando na Toca o Sr. e Sra. Weasley, Jorge, Ronny, Gina, Hermione e Harry. Todos estavam muito cansados e aos poucos foram subindo para os quartos para poderem dormir. Hermione estava a meio caminho da escada quando sentiu a mão de Ronny segurando seu braço.
- Podemos conversar rapidinho? –perguntou o ruivo um pouco tímido.
- Pode falar, Ronny.
- Até a hora que Minerva pediu para conversar a sós com você não tinha me lembrado do seus pais, Hermione. O que você está pretendendo fazer? –ele parecia realmente preocupado e Hermione achou encantador.
- Amanha depois do almoço Minerva vem me buscar para irmos para Austrália atrás deles. –as mãos dele desceram do braço de encontro às dela e entrelaçaram os dedos.
- E tem alguma coisa que eu possa fazer pra te ajudar?
- Torcer para dar tudo certo. –Ronny notou o tom de tristeza e preocupação.
- Vai dar tudo certo, eu tenho certeza. Você e a Minerva são as bruxas mais inteligentes que eu conheço e aposto como tudo vai dar certo. –ouvir as palavras seguras de Ronny a deixavam mais tranqüila. – É melhor irmos dormir para descansar um pouco.
Os dois subiram juntos até a porta do quarto de Gina, deram um breve abraço antes de Hermione entrar no quarto e encontrar a amiga sentada na cama a sua espera. A morena não tinha muitas roupas, por isso tirou somente o jeans e foi sentar-se em sua cama de frente para a amiga.
- Você não tem nada para me contar? –perguntou Gina que tinha reparado durante todo o dia em como a amiga estava mais próxima do seu irmão.
- Não sei se é o momento de falarmos sobre esse assunto. –respondeu timidamente.
- Nem vem com essa desculpa. Todo mundo reparou em como você e o Ronny estão mudados um com o outro, andando sempre de mãos dadas e conversando baixinho como para evitar que os outros escutem. Aconteceu alguma coisa entre vocês nesses últimos meses?
- Não exatamente. A cada dia que passava tinha mais certeza do que sinto pelo seu irmão e só quando estávamos no castelo é que foi acontecer algo de verdade. –a morena estava ficando corada.
- E o que aconteceu? –Gina estava extremamente curiosa.
- Nós nos beijamos. –o queixo da ruiva caiu e ela olhava bobamente para a amiga. – Foi na sala precisa depois que o Ronny falou que os elfos precisavam ser avisados para poderem sair são e salvos. Corri até ele e o beijei largando tudo que carregava no chão.
- Você quem beijou o Ronny? –Gina estava aparvalhada. – E estão namorando? Quando vão contar pra toda família?
- Não estamos namorando, na verdade depois do beijo nem conversamos sobre o assunto. Não quero forçar a barra com ele, porque sei que vocês estão em um momento difícil e eu também então é melhor deixar as coisas como estão.
- A perda do Fred não pode influenciar num possível namoro de vocês! –falou a ruiva convicta. – Achei tão bonita a forma como você esteve do lado do Ronny, senti falta do Harry assim comigo.
- O Harry ainda não está aceitando muito bem todas as perdas que sofremos e a única coisa que eu te peço é que tenha um pouco de paciência até ele conseguir similar tudo que aconteceu. –a poção do sono começava a fazer efeito nas amigas.
- Prometo que vou tentar.
Foi a última coisa que conseguiram dizer antes de dormir sob efeito da poção do sono. Apesar da poção o sono a noite de todos na Toca foi um pouco conturbado, principalmente o do trio. Na manha seguinte Molly acordou, foi para a cozinha preparar o café da manha e deu de cara com Hermione sentada na mesa da cozinha de cabeça baixa. A mulher ruiva foi até ela e a abraçou com todo carinho perguntando se estava acontecendo alguma coisa.
- Estou com medo. –respondeu enquanto secava ás lágrimas.
- Medo do que, Hermione? –Molly sentou ao lado da menina e fazia carinho nas mãos dela.
- De não encontrar meus pais ou de não conseguir remover o feitiço que fiz. –somente agora a mulher se lembrou do que a garota tinha feito para proteger os pais.
- O Ministério irá te ajudar, fique tranqüila. Vou falar com Arthur para já solucionarmos isso o mais rápido possível.
Molly deixou a menina na cozinha e antes de voltar para o quarto e conversar com seu marido foi até o quarto do filho caçula o fazendo acordar. Ronny espreguiçava enquanto a mãe fazia sinal para ele a acompanhar até a porta do quarto e preguiçosamente ele obedeceu.
- Que foi, mãe? –perguntou em meio a um demorado bocejo.
- Tem alguém lá na cozinha precisando de você filho!
Ela mal terminara de falar e o garoto já descia apressado as escadas correndo em direção a cozinha. Parou na porta e sentiu uma pontada no coração quando viu Hermione olhando um mapa da Austrália, uma foto dos pais e chorando. Foi até onde a amiga estava e fez com que ela levantasse para poderem dar um demorado abraço em que ele se manteve em silêncio por um bom tempo para que ela pudesse chorar.
- Seus pais ficaram bem, Mione. –falou tentando acalmar a amiga enquanto fazia carinho no cabelo dela. – Eu te prometo que eles vão ficar bem.
Passaram longos minutos abraçados até que Ronny resolveu ir com a amiga para o jardim e lá sentaram na grama olhando em direção as montanhas. Ele fez com que Hermione deitasse a cabeça em seu colo e enquanto brincava com os cabelos castanhos da menina conversavam.
- Eu imagino como você deve estar se sentindo, Hermione, mas não esquece nunca de confiar em Mérlin e no seu tal Deus.
- Eu confio, mas mesmo assim ainda tenho medo do que pode acontecer. Imagina com será se eu não conseguir recuperar a memória deles? –respondeu observando uma nuvem no céu.
- Não consigo imaginar. Você sozinha eu já acho brilhante e tenho certeza de que consegue resolver o problemas, você e a Minerva juntas não há nada que não consigam dar um jeito e ainda tem todos os outros bruxos que te devem um favor por você ter ajudado a acabar com Voldemort. –o ruivo a olhava com tanto carinho e admiração que ela começou a corar ficando sem graça.
- Para de me olhar assim, Ronny! –pediu ficando ainda mais corada.
- Você fica ainda mais linda quando está tímida. –Hermione levantou rapidamente do colo do amigo. – Não vai agradecer o elogio? –brincou Ronny com um sorriso maroto dançando nos lábios.
- Eu não pedi, então não tenho que agradecer! –respondeu não tendo coragem de olhar para Ronny e fitando a árvore onde ele estava encostado.
- Mal agradecida. Eu vou te ensinar a pedir e agradecer as coisas!
Ronny começou a fazer cócegas na garota que se contorcia toda e tentava se defender. Hermione estava deitada na grama, com as bochechas vermelhas, sem fôlego e descabelada quando o ruivo parou e ficou a observando com um braço de cada lada do ombro da menina. O coração do rapaz batia acelerado e mesmo com medo da reação de Hermione, Ronny, foi se aproximando olhando fixamente nos olhos dela. Ambos tinham tímidos sorrisos estampados nos rostos e muito lentamente se beijaram. Um beijo diferente do ocorrido na sala precisa, já que não precisavam ter presa. Primeiro um demorado selinho para somente depois começarem a explorar a boca um do outro. Estavam se descobrindo, descobrindo o quanto é bom estarem juntos, o quanto é bom o gosto do outro e principalmente o quanto se gostavam. Um barulho vindo da entrada da Toca fez com que o casal se separasse e levantasse apressado, mas se tranqüilizaram quando viram Minerva caminhando calmamente em direção a casa. Encontraram com a professora já quase na porta da casa onde Molly e Arthur esperavam por ela. Enquanto se cumprimentavam Molly informou que o almoço estava quase pronto e os que já estavam acordados foram para a cozinha conversar.
- A escola ficará fechada por algum tempo, Minerva? –perguntou Arthur.
- Durante uma semana apenas, para que os alunos possam ficar um pouco com seus familiares e depois reabriremos para terminar o ano letivo.
A matriarca da família serviu o almoço e depois de saborearem a deliciosa comida, Minerva, viu que dentro de poucos minutos a chave de portal estaria liberada e aconselhou Hermione a começar se despedir. Arthur foi o primeiro de quem se despediu seguido de Molly e por último um demorado abraço em Ronny.
- Me manda notícias, promete? –falou o ruivo.
- Só se você também me mandar!
- Combinado então. –Hermione se afastou um pouco e deu um beijo no rosto do ruivo antes de sair com Minerva.
As duas mulheres foram até o alto de uma montanha e com uma lata de óleo como chave de portal foram para a Austrália. Hermione podia imaginar que fosse ser difícil encontrar os pais, mas não pensou que pudesse ser tanto.