Eu me rendo ao perigo
De tua doce invasão
E o que mais acontecer
Senti minha garganta seca. O medo tomou conta do meu corpo. Não sabia se realmente queria ouvir o que ele tinha a me dizer. Talvez fosse melhor não estarmos ali, tão próximos. Talvez fosse melhor o silêncio à uma conversa sincera, talvez fosse melhor fugir do que realmente sentia e somente eu sabia o quanto era difícil conviver com esse sentimento confuso dentro de mim.
Percebi que os olhos dele buscavam nos meus algo que o fizesse prosseguir, algo que lhe encorajasse a continuar o que havia começado a falar. Mordi os lábios, mudar de assunto seria muito indelicado, permanecer em silêncio seria torturante, mas o que fazer?
-Por que você tem medo de mim? – Ele me perguntou. – Por que tem medo do que eu possa lhe dizer?
Minha vontade era dizer-lhe a verdade. Que apesar de todos os insultos, de todas as brigas, eu não conseguia sentir raiva dele, pelo contrário, sentia-me atraída, vontade de estar mais próxima...
- Não sinto medo de você. – Afirmei falsamente. – Independente do que me disser, sei quem você é e do que é capaz e isso nunca mudará.
- Represento perigo para você não é Granger? – Percebi um sorriso irônico nos lábios dele.
- Você não representa nada para mim! – Elevei a minha voz, ele tinha o dom de me tirar do sério.
Ele aproximou-se de mim mais uma vez, senti o toque de seus dedos em meu rosto, senti o meu coração acelerar.
- Se não represento nada para você, por que fica tão nervosa quando me aproximo?
Senti meu sangue ferver. O empurrei para que eu pudesse sair da frente dele. De costas, não saberia mentir olhando para o seu rosto, respondi:
-Porque te odeio! – O tom da minha voz saiu muito baixo, quase inaudível.
Ele não respondeu. Não tive coragem de olhá-lo. Era óbvio que eu não sentia aquilo, somente Draco não percebia. A vela, mais uma vez, não derretia. Sua chama era forte, porém impotente.
- Sei que não está sendo sincera comigo.
- Como você tem tanta certeza disso? – Perguntei irritada.
- A vela. – Respondeu sorrindo.
Como não percebi antes? Essa era a moral do castigo! Sermos sinceros um com o outro. Snape havia sido bem claro: ficaríamos ali até a vela derreter totalmente.
Virei-me e sentei na cadeira, estávamos frente a frente novamente. Se ficasse calada, a vela não derreteria, se não dissesse a verdade, também. Que situação conflitante...
-Teremos que ser sinceros, pelo menos hoje...
Assenti com a cabeça. Meu coração batia acelerado, sentia as minhas mãos quentes, suadas. De repente ele as tocou. Um toque frio que me fez arrepiar dos pés à cabeça. Um misto de sensações tomou conta do meu corpo.
Bem devagar ele levantou-se, fez sinal para que eu me levantasse também. Aproximou-se de mim e me deu um beijo bem próximo aos lábios. Senti o seu perfume, era muito bom.
-Gosto de você. – Falou em meu ouvido. – Esse sempre foi o meu maior segredo, a minha única verdade e o principal motivo de toda a minha tristeza.
Senti os seus braços me envolverem, o seu corpo juntar-se ao meu, sua boca encontrar a minha. Me rendi. Entreguei-me àquele beijo sem pensar nas conseqüências, sem pensar que eu era a melhor amiga de Harry Potter, sem pensar em todas as ofensas que Draco já havia me feito.
Nada disso importava. O gosto dele em minha boca me fez perceber o quanto eu o queria, o quanto eu o desejava só para mim. Eu, Hermione Granger, era completamente apaixonada por Draco Malfoy.
Continua...