Na Praia
Uma brisa suave, fresca, de fim de tarde, começou a levantar, esvoaçando a saia do vestido assimétrico de Hermione.
Aquele vestido estava a enlouquecer Harry de um modo que, de repente, ele não conseguia mais concentrar-se nas palavras que a morena proferia. Sentia-se tão apaixonado por ela – um sentimento quase insuportável pela falta de coragem em declarar-se –, tão seduzido. Eram anos e anos de amor reprimido. Mas até mesmo ele, tímido, acabaria por revelar-se.
Olhando-a, tão bela naquele vestido esvoaçante, era difícil suportar não tocá-la, beijá-la, abraçá-la. Só conseguia pensar em afundar o rosto no seu pescoço delicado, sentindo a doçura do seu cheiro mesclada com os aromas da praia.
Que desejo!
─ Que dia lindo, Harry. Já tinha saudade desses passeios à beira-mar. ─ Ela fechou os olhos, virando o rosto na direção do mar, e inspirou profundamente, enquanto segurava as sandálias numa mão. Estava parada ali, vulnerável, tão ao seu alcance. ─ Adoro o cheiro do mar! É uma maravilha… não acha?
─ Sim… ─ ele murmurou, com o olhar fixo nos seus cabelos ondulados, que pareciam dourados sob o pôr-do-sol. ─ Muito lindos.
Ela abriu os olhos e virou-se, encarando-o. ─ O quê?
Harry piscou, momentaneamente perdido. ─ Os… ah… os seus cabelos ─ ele admitiu, após um instante, ao perceber que não tinha outra saída.
E, afinal, que mal havia em elogiar os cabelos de Hermione?
Não esperando aquela resposta genuína, Hermione pareceu surpreendida e, depois, maravilhada. Ele reparara nos seus cabelos. Que coisa extraordinária, deliciosa!
─ Obrigada. ─ Os seus lábios esboçaram um sorriso de humildade, com uma pitada de alegria. ─ Eu também gosto dos seus.
─ Sério? ─ Harry entoou, quase sem acreditar. Como alguém poderia gostar dos cabelos loucos dele?
─ São rebeldes, têm um ar sexy, e são tão negros! Gosto muito.
Num impulso que não conseguiu conter a tempo, Harry levou uma mão aos cabelos, enquanto a palavra sexy fazia ecos na sua cabeça.
─ Bom, obrigado eu também. ─ Os dois sorriram, e depois começaram a rir pelo descabimento da situação. Estavam a falar de cabelos!
─ Vou molhar os pés. ─ Ela pousou as sandálias na areia e avançou na direção do mar, que parecia calmo, com pequenas ondas que acariciavam a areia.
Oh, aquele vestido!, Harry pensou, observando-a pegar as laterais compridas do vestido e esticar um pé até a água. Imaginou-se a envolvê-la nos seus braços, sentindo as costas dela contra o seu peito.
─ Harry, vem. Está uma delícia.
Ele abaixou-se e dobrou a calça jeans até os joelhos. Tirou os sapatos e as meias e caminhou na direção da mulher que amava. Subitamente inspirado, e descontraído, pegou a mão dela de surpresa e puxou-a enquanto corria pelo mar adentro, pretendendo assustá-la e, também, admirá-la.
Cambaleando, Hermione soltou um gritinho, apertando a mão dele com força enquanto Harry a arrastava, salpicando água, e começou a rir descontroladamente.
─ Não acredito que já estou ofegando! ─ Os seus dedos permaneceram agarrados à mão grande, quente e ligeiramente áspera. Tinha o vestido molhado, mas não se importava.
─ E eu!
Em perfeita sintonia, os dois entreolharam-se, ela ofegante, ele com os olhos presos naquela boca tentadora.
Era agora ou nunca.
O coração de Hermione começou a bater com uma intensidade louca quando ela percebeu o olhar dele: brilhante e com sombras escuras.
Beijaram-se suavemente, degustando o sabor salgado do mar nos lábios frios. Parecia tão proibido e, ao mesmo tempo, tão certo, tão bom.
Erguendo a mão, ele segurou o rosto dela com brandura, os dedos acariciando a sua pele macia, tocando-a em um suave roçar de pele contra pele, venerando-a, respeitando-a com todo o seu coração.
Ela sentiu-se derreter com a magia daquele beijo, apoiando uma mão no seu peito, deslizando-a sobre o tecido fino da camisa, sentindo-o ali, tão perto e tão quente. Oh, como o queria!
Os lábios dele continuaram delicados com os dela, movendo-se lentamente, sem pressa, embora os pequenos suspiros se tornassem agora intensos e acelerados.
Hermione queria mais, muito mais.
Abraçando-o pelo pescoço, encostou-se contra o corpo dele, cortando a distância que os separava. Ele deliciou-se com a nova intimidade, sentindo as suas curvas delicadas contra os seus músculos trêmulos. O beijo começou a mudar… mais rápido, mais forte, mais profundo. Oh, que loucura tão doce e excitante!
Gemeram baixinho contra os lábios, buscando mais, sondando o prazer com as línguas, recuando pelo choque eletrizante do toque úmido, conhecendo e explorando, até que deixaram de pensar e se entregaram completamente ao beijo.
A mão dele perdeu-se nas ondas do cabelo dela, comprimindo a sua nuca, enquanto o seu cheiro sedutor o envolvia, atiçando-o ainda mais. Que vontade de deitá-la na areia e despi-la inteira!
─ Esperei tanto por esse momento ─ ela murmurou, ofegando, os olhos fechados. ─ Na verdade, não aguentava mais esperar!
E, com essa reclamação, procurou a boca dele novamente, beijando-o de modo apaixonado.
Dessa vez, foi Harry quem interrompeu o beijo, mirando-a com olhos brilhantes enquanto baixava as mãos, abraçando-a pela cintura.
─ De verdade que você… ─ Ah, mas que idiota que ele era! ─ Se eu desconfiasse, já a tinha beijado há tempos!
─ Nem mesmo com todas as indiretas que eu lhe lançava você me beijava. ─ Hermione encostou o rosto contra seu peito. Encaixavam tão bem. Tudo acontecia de modo natural. Só precisara acontecer, é claro. ─ Cheguei a pensar que, talvez, fosse você quem não gostasse de mim.
Harry esboçou um pequeno sorriso travesso.
─ Então eu disfarçava melhor do que eu pensava.
─ Talvez… ─ Entrelaçaram as mãos, felizes, e começaram a recuar até onde haviam deixado o calçado. ─ E agora? Está anoitecendo e meu vestido está molhado! Se eu pegar um resfriado por sua culpa…
Interrompendo-a, ele abraçou-a com força, deslizando as mãos pelo seu corpo, deixando-a sentir o calor que emanava de sua pele. ─ Isto responde ao seu “e agora”?
Ela quase perdeu a compostura.
─ É uma boa preliminar ─ conseguiu dizer, após um instante.
Um brilho divertido, quase malicioso, dançou nos olhos verdes, enquanto Harry arqueava uma sobrancelha.
─ Boa preliminar?
A morena soltou uma risada ante seu tom sugestivo.
─ Essa mente perversa!
─ Não me censure. A culpada é você.
─ Eu?
─ Você.
─ Acho que sua mente é que é muito fértil.
─ Vou ter de castigar você por isso.
─ Não me diga.
─ Digo… e faço ─ com isso, deu uma sapatada pouco carinhosa em seu bumbum, pegando-a completamente desprevenida. ─ Desafie-me agora.
─ Mas que atrevido você! ─ ela exclamou, meio chocada, meio divertida. ─ Nada tímido, portanto!
─ Somos os piores, meu bem.
─ Espere pela revanche! ─ foi a promessa. Soltando-se de seu abraço, pegou as sandálias e começou a afastar-se, de costas tão retas quanto sua dignidade lhe permitia.
Pegando os sapatos e as meias, Harry caminhou atrás dela, perseguindo-a lentamente, sem conseguir parar de sorrir enquanto a observava, tão linda e, agora, tão dele… Calmamente, ela seria dele, mais e mais.
Sim, tinham todo o tempo do mundo…
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N/A: essa oneshot surgiu de uma súbita vontade de escrever, novamente, sobre esse casal. Considerem isso então um surto. :D De qq forma, espero que tenham desfrutado!
Beijinhos,
Jan