Capítulo 10
Suspeitas
RITA SKEETER ATACADA NA NOITE DE ONTEM
Uma das repórteres mais famosas do “Profeta Diário”, Rita Skeeter, foi atacada na noite de ontem e teve a sua casa incendiada.
Os aurores investigam o caso, mas ninguém quer comentar sobre o assunto até algo concreto ser descoberto.
Sabe-se que ela foi encontrada do lado de fora de sua casa por vizinhos na madrugada de ontem. Ela estava desacordada e foi imediatamente encaminhada para o St. Mungus. Ainda não se sabe o estado de saúde dela, mas os curandeiros afirmam que ela não corre risco de morte.
Rita Skeeter é conhecida por...
Harry amassou o jornal. Fazia anos que não era chamado para uma entrevista e, agora, a repórter que o entrevistou estava sabe-se lá em que estado clínico. Ele tentava manter a calma e também ignorava, ou pelo menos tentava ignorar, a voz que havia em si. Ele sabia que precisava pesquisar qualquer coisa que o ajudasse, mas as suas pesquisas só eram completas com a ajuda de Hermione. E ela, de maneira nenhuma, poderia ajudá-lo.
***
Hermione teve seu corpo prensado contra a parede assim que entrou em casa. Quando sentiu os lábios dele sobre os seus, soube quem era. Sabia que não precisava ter medo. Não quando estava com ele. Retribuiu o beijo com a mesma intensidade.
Draco era aquele contraste de uma intensidade tórrida com uma calma inesperada.
Ele ficou afastado alguns dias, um trabalho qualquer na França. E alguns dias, para eles, era muito tempo.
Hermione gemeu. Draco conhecia cada centímetro de seu corpo.
- Senti sua falta. – ela falou, com a voz trêmula.
- Não mais do que eu senti a sua.
Ele acordou excitado e suando. Levou a mão ao membro e voltou a fechar os olhos. Queria voltar àquela lembrança que estava misturada com seu sonho.
Um sonho onde ele não fora afastado por tantos anos de Hermione. Um sonho onde podia tê-la quando quisesse. Um sonho onde ele não precisava dividi-la com ninguém.
O despertador tocou. Tentou ignorar, mas não podia fazer isso. Angustiado, e frustrado, colocou um dos travesseiros sobre o rosto e deu um grito abafado.
- Maldito seja, Potter!
***
- Primeiro você deve se acalmar. – Blaise falou, colocando a mão sobre o peito dele. O negro sentia as batidas rápidas do coração e o corpo tenso do seu amigo.
- Acalmar? – ele indagou, empurrando a mão de Blaise. – Acalmar? – repetiu a pergunta.
- Sim, Draco. Do jeito que está é capaz de matar a Parkinson. Nós precisamos dela viva. – após falar isso, foi até uma mesinha, pegou uma garrafa de uísque e encheu um copo, levando-o até o loiro. Notou que Draco tremia.
- Merda, Blaise! – Draco disse, jogando-se no sofá e bebendo o conteúdo do copo de uma vez. Eles ficaram em silêncio durante alguns minutos.
- O que está havendo? – Blaise perguntou.
- Já parou para pensar na merda que será se Potter estiver envolvido nisso tudo? Eu sei que ele mudou, mas para mim... – ele passou a mão pelos cabelos, enquanto o negro ocupava um lugar na poltrona na frente do amigo – Para mim era apenas uma paixão louca e obsessiva por Hermione... E se for mais do que isso? – eles se olharam, compreendendo-se. Se fosse mais do que isso eles não estavam preparados. A ajuda de Rabbit e Monkey seria pouca.
- Vamos partir do princípio que ele é culpado. – Blaise falou, friamente – Temos agora que traçar nosso plano para ligá-lo a todas as outras mortes, certo? – o loiro não respondeu, olhava para o copo vazio. – No entanto, se ele é o assassino, por que Rabbit e Monkey não disseram nada que o incriminasse?
Draco encarou as íris negras e falou:
- Por que, de alguma forma, ele envia outros para matar em seu lugar... – Draco levantou e serviu-se de mais uísque - Temos que encontrar a vadia daquela corvinal...
Só que seus pensamentos estavam fixos em uma pessoa: Hermione. Ela corria mais perigo do que ele imaginava...
***
- Essa busca é insana! – Harry exclamou.
Draco socou a mesa. Hermione segurou seu punho.
- Sério... Eu realmente não entendo o que faz aqui, Potter. Faça a porra do curso se quer ser um auror!
- Ele tem experiência...
-... Contra Arte das Trevas e blá blá blá... – Draco disse, sem esconder o sarcasmo – Poupe-me desse discurso, Quim! – ele voltou-se para Artur Weasley – Também acha que devemos fazer o que o queridinho fala?
Fez-se silêncio na sala.
- Draco! – Hermione exclamou, nervosa. – Não fale desse jeito!
- Sim, eu falo. – ele retrucou – Estamos falando de sei lá quantos assassinos matando sei lá por quais motivos. – o loiro continuava encarando Artur – Estamos falando do assassinato frio de três dos seus filhos, senhor Weasley.
O homem parecia ter envelhecido anos em poucos meses. Olhou para Harry, depois para Hermione e, por fim, repousou seus olhos em Draco.
- A nossa busca não deve encerrar enquanto os culpados não forem encontrados.
Draco encarou os outros funcionários do Ministério. Vários departamentos trabalhavam em conjunto, mas conforme o tempo ia passando e nenhuma pista era encontrada, os bruxos iam desistindo.
***
Hermione respirou fundo e sentiu náuseas conforme as peças daquele quebra-cabeça formavam uma imagem totalmente doentia e tortuosa.
Lançou um feitiço, abrindo sua gaveta, e puxou o arquivo de Jason Watts.
Crime: tentativa de roubo do arquivo de provas do Ministério Inglês. Departamento dos Aurores.
Causa da morte: envenenamento.
Suspeitos:___________________
Não havia suspeitos na ficha, mas ela sabia o nome de alguém se encaixaria muito bem ali. O nome da pessoa que ninguém desconfiou, o nome da pessoa que achou Jason Watts morto. O nome do seu antigo melhor amigo e atual marido: Harry Potter.
Minimizou o arquivo e colocou-o no bolso de trás da calça.
***
- Você não vai mesmo me contar? – Rony perguntou, olhando a mulher, irritado. – Saímos do Ministério e dei o tempo que pediu. Quando vai me contar o que está havendo? Quando vai me contar o que está escondendo de mim?
- Eu não queria que as coisas fosse assim, Ron. – ela disse, sem encará-lo – Espero que você me entenda quando eu digo que realmente não posso te contar.
- E por que não? – ele indagou, sem esconder sua impaciência.
- Hermione. Nós fizemos uma promessa bruxa.
- Um Voto Perpétuo? – o ruivo, levantou-se, passando a mão pelos cabelos.
- NÃO! Não isso... Não chegamos a tanto, mas mesmo assim eu não posso contar... – a loira viu o marido andando de um lado para o outro. Seus olhos se encheram de lágrimas. – Hermione estava... – ela pensou que palavra usar – Estava precisando tanto da minha ajuda que não tive como recusar, Ron!
O ruivo sentou-se ao lado dela, tentando se acalmar.
- Malfoy sabe o que está havendo?
- Ele sabe uma parte, mas não tudo... – Lilá pegou a mão do marido entre as suas – Ele nunca desistiu de duas coisas: encontrar aquele serial killer e provar que não traiu Hermione com Pansy Parkinson. Ele acredita que tudo foi um plano de Harry para separá-lo de Hermione.
- Do que você está falando? – ele levantou-se, num pulo – Harry jamais faria algo desse tipo! Nunca fui com a cara do Malfoy, mas até que estava aceitando ele com a Mione... Só que ele a traiu, Lilá!
- Não traiu, Ron! Foi um plano! Uma armação para separá-la do Malfoy!
- Não, não! – o ruivo andava de um lado para o outro. Lilá levantou-se, colocando-se na frente dele.
- E por que não? – Lilá perguntou, cruzou os braços – Por que Harry não faria isso? – eles se encararam e o ruivo passou a mão pela nuca, nervoso.
- Estamos falando de Harry, Lilá! Meu amigo desde a infância, o cara que derrotou Voldemort, que aceitou uma maldição da morte!
- E também estamos falando do cara que espancou... – ela mordeu o lado interno da bochecha, a magia fazendo com que ela suprimisse o nome da amiga – dois de seus jogadores e depois apagou a memória deles! O cara que teve a esposa atacada e não chamou os aurores!
Rony ficou em silêncio e disse, depois de um tempo:
- Essa promessa que fez com Hermione, não tem como ser quebrada? Se for quebrada, alguma de vocês... – ele não continuou, sabendo o que acontecia com quem quebrava um Voto Perpétuo.
- Não sei como quebrá-la. A magia impede que eu fale, ou escreva ou qualquer coisa sobre isso... Quem tentar acessar a memória, é expulso da minha mente. – Lilá deitou a cabeça no peito de Rony, que a abraçou – Eu não aguento mais carregar esse peso sozinha.
Rony apoiou seu queixo na cabeça dela. Pensou em um palavrão ao constatar uma coisa: Malfoy poderia ajudá-los.
***
- Vou começar a pensar que tem interesse por mim, Malfoy... – ela falou, quando ouviu a porta ser aberta e depois fechada. Apesar de ter olhos vendados, sabia muito bem onde estava, apenas uma pessoa a sequestraria e a deixaria amarrada.
- Tenho interesse sim. – ele disse, puxando a venda dela com força, sem se importar de arrancar juntos alguns fios de cabelo. A bruxa gemeu de dor. – Em saber por que continua escondendo coisas de mim.
- Do que está falando? – ela perguntou, o olhar com falsa inocência.
- Greengrass.
- O que tem Astoria? – Pansy perguntou, mexendo-se desconfortavelmente.
- Você sabe muito bem o que tem a Astoria, Parkinson! – Draco falou, enfurecido. A bruxa rolou os olhos. Viu quando a varinha foi apontada para si e seu corpo enrijeceu imediatamente.
- Você não perguntou sobre ela, então eu não disse. – a bruxa começou falar, com cautela – Astoria sabia do acordo entre Harry e eu. Não sei como ela descobriu. Potter veio me procurar, perguntando se eu tinha falado alguma coisa para ela, mas eu não tinha falado.
- E como ela descobriu? – Parkinson deu de ombros.
- Não sei. Sei que ela descobriu... Provavelmente espionando, como eu fazia com você.
- Ela foi assassinada.
- Sim, foi. O que você está pensando, Draco? – Pansy perguntou, conhecendo muito bem aquela expressão.
- Mas ela foi assassinada antes do meu rompimento com Hermione...
- Do que você está falando? Draco! – ela exclamou quando viu que ele não responderia, e apenas a vendou e retirou sua voz.
Foi até a cozinha e viu que Blaise preparava um lanche para eles. Encostou-se de maneira desleixada no batente da porta e cruzou os braços.
- Acha que Rabbit e Monkey acreditarão que Potter está envolvido nos assassinatos? – perguntou, encarando o amigo. Blaise parou de cortar o queijo por uns instantes, depois continuou e disse:
- Será difícil convencê-los sem uma prova concreta, Draco. Eu mesmo estou achando isso tudo muito... Absurdo. Como eles irão acreditar? – Blaise olhou o amigo, depositando a faca sobre o balcão – Falar isso é... – o rapaz fechou o punho.
- Eu sei o que quer dizer. Acha que podemos convencê-los?
Blaise Zabini encarava o balcão. Draco reparou na tensão do amigo, porém permaneceu em silêncio.
- Vocês sabe o acordo que fizemos com eles, não sabe? – o outro assentiu – Precisamos de provas concretas. Eles não têm pistas daquela corvinal filha da puta. E nós também, não. Agora ela é essencial.
- Através dela podemos chegarao Potter. – Draco afirmou.
- Sim, e através das memórias dela teremos provas para concordar com essa teoria maluca...
-... e colocar Potter atrás das grades.
***
- Não é possível que isso não terá fim! – Ron exclamou, socando a mesa. – Vocês não estão fazendo nada!
Todos estavam em silêncio, apenas ouvindo os protestos do ruivo. Draco encarou Harry, que estava ao lado de Artur. Uma mão sobre o ombro do patriarca da família. Depois, seu olhar dirigiu-se para o homem que emagrecera ainda mais. Mais calvo. Mais velho.
Outro filho morto. Outro assassinato.
- Estamos fazendo o possível, mas não há pistas. Não há nada com o que possamos trabalhar... – Quim falou, sem conseguir encarar o amigo de longa data.
- Rony tem razão. Não estamos fazendo nada! – Hermione saiu da sala, batendo a porta atrás de si. Logo em seguida, sentiu-se puxada.
Draco a abraçou fortemente. Não havia o que ser dito. Nada poderia amenizar aquela dor.
- Onde está indo?
- Vou ver o Fred. – ela disse, limpando o rosto. – Posso ir para sua casa hoje? – ela perguntou, sem querer entrar na sua sala e ver as imagens de Jorge sorrindo nos retratos. Mais um amigo que seria apenas uma recordação.
- Claro, Hermione. – ela afastou-se e seguiu até o Beco Diagonal.
A loja estava trancada, mas ela conhecia a senha para abrir a porta. Fez o feitiço com a varinha e entrou, em silêncio. Encontrou Fred sentado no chão, recostado no balcão.
- Como será agora, Mione? – seus olhos tão vermelhos quanto seus cabelos. Ela sentou-se ao lado dele, o ruivo deitou no colo dela. Hermione não falou nada. O que ela poderia dizer? Seus dedos passavam levemente pelos cabelos de Fred.
- Eu vou descobrir, Fred. – ela disse depois um longo tempo – Eu prometo. Mesmo que use meios proibidos, mesmo que demore anos... Eu vou descobrir quem fez isso.
***
Cumprimentava a todos, cordialmente. O fogo na casa de Skeeter dera um motivo para que encontrasse com Draco. Ele não estava em seu escritório, mas ela o aguardava, do lado de fora.
Soube, por outros aurores, que haveria uma reunião sobre o caso. Ela não estava ali sozinha. Várias pessoas esperavam do lado de fora. Era bem provável que Harry ficasse sabendo daquele breve encontro, mas era o preço que ela precisava correr.
Viu quando ele chegou e cumprimentou a todos. Draco realmente sabia fingir:
- A que devo a presença de uma Inominável no meio dos aurores? – ele perguntou, abrindo a porta da sala de reuniões e dando acesso para que todos os bruxos entrassem.
- Não ficarei aqui por muito tempo, Malfoy.
- Sente-se, senhora Potter. – um dos aurores falou, educadamente.
- Obrigada, mas não. Quero pedir apenas que vocês se certifiquem que esse caso não tem nada a ver com aquele maldito serial killer. Sabem que esse é o nosso fantasma e, em breve, os jornais estarão especulando sobre isso. – ela tirou um pergaminho do bolso, lançou um feitiço nele, depois, entregou-o a Draco. – Preencha essa ficha, explicando o porquê esse caso seria, ou não, autoria desse lunático que ainda está solto.
- Farei isso. – ele disse, sem deixar de olhá-la. Hermione saiu da sala, fechando a porta atrás de si. – Obviamente eu acredito que esse caso não tem nenhuma ligação com o serial killer. Alguém pensa o contrário? – ninguém se manifestou – Ótimo. Acredito que não passe de alguém insatisfeito com os artigos de Skeeter. Ela vem provocando muitas pessoas nos últimos anos.
- Sem dúvida... A lista de suspeitos será interminável... – um auror disse, pegando um pergaminho.
- O trabalho de vocês será transformar a lista de suspeitos em um ou mais culpados. – Draco disse, levantando-se – Reys, você lidera o caso. Escolha dois aurores para irem ao St. Mungus e saberem como a Skeeter está, se ela lembra-se de algo, etc.
Dizendo isso, saiu da sala de reuniões e foi para seu escritório onde abriu o pergaminho que Hermione lhe entregara. Era a ficha de Jason Watts. Ele viu algo escrito de forma bem discreta e sorriu de lado. Ela realmente era esperta. Com um floreio, apagou o recado dela.
***
Hermione andava na sala de um lado para o outro, entre aflita e ansiosa. Era um plano arriscado.
- Acho que esse foi um dos motivos por eu me apaixonar por você, Granger... Sempre me surpreendendo... – ela corou imediatamente, e sorriu.
- Sempre galanteador, Malfoy...
- Apenas com adoráveis bruxas inteligentes nascidas no mundo trouxa. – ele falou, puxando-a. Sorriu contra os lábios dela quando não ouviu protestos. Seu beijo foi forte e logo a boca dele percorria cada milímetro do rosto dela, até alcançar o ouvido – Nunca esperei que você, entre todas as pessoas, realmente lançaria uma maldição imperdoável em um funcionário dentro do Ministério...
- Não enche, Draco. – ela afastou-se, ajeitando a roupa, mas sem deixar de sorrir. - Era preciso mais que um obliviate. Ele não pode deixar ninguém entrar nessa sala.
- As pessoas só podem entrar aqui com sua autorização... – ele falou, sentando-se de forma desleixada sobre uma cadeira.
- O Ministro não precisa da minha autorização. Só que se a sala estiver sendo usada por mim, ele se manterá afastado. – Hermione falou, ocupando outra cadeira.
- E por que ele viria aqui?
- Skeeter. Preciso que seus aurores comprovem que esse caso não tem ligação com os outros. – ela falou, seriamente.
- Já cuidei disso. Eles estão em outra linha de investigação. E, de qualquer forma, não foi o serial killer. – Draco afirmou.
- Você sabe de alguma coisa que eu não sei?
- Muitas coisas, Hermione... – ele sorriu de lado, sem esconder a ironia. Ela balançou a cabeça. – Isso não interessa agora, tenho certeza que não me trouxe aqui para falar da Skeeter. – o loiro puxou o documento e entregou para ela. Jason Watts.
- Sim, ele foi o bruxo...
- Eu li o relatório, Hermione. – Draco a cortou.
- Harry foi o último bruxo a vê-lo vivo...
- E você acha... – Draco deixou a pergunta no ar. Hermione levantou-se, nervosa.
- Eu não quero achar isso, mas não me resta muita opção, resta?
Draco também se colocou em pé e foi até ela. Não, não restavam muitas opções.
***
Hermione achava que o jantar estava transcorrendo muito bem. Até bem de mais.
- Soube que foi ao Departamento dos Aurores hoje.
Ela estava certa: Harry tinha seus informantes.
- Sim, fui. Sobre o caso da Skeeter. O Ministro quer ter certeza que não é o serial killer que está de volta.
- E o que você acha? - ele perguntou, calmo.
- Que é outra pessoa. Rita Skeeter vem provocando e caluniando muitos bruxos nos últimos anos. Pode ser que alguém tenha se cansado. – Hermione respondeu, bebendo mais um gole do seu vinho.
- Você viu o Malfoy? – ela o encarou.
Até quando acha que consegue disfarçar? Até quando acha que pode me controlar, Potter?
- Sim, Harry. Ele é chefe dos aurores. Eu o vi numa sala com pelo menos mais 10 pessoas.
Ela está te desafiando.
Harry fechou os olhos. Abriu-os quando sentiu a mão dela sobre a sua.
- Você anda se encontrando com ele pelas salas do Ministério?
- Claro que não! – ela exclamou.
Mentira.
Potter... Você não está conseguindo afastá-los.
Mate os dois.
Harry levantou-se, derrubando a cadeira. Hermione sentiu o corpo enrijecer.
- Eu vou deitar. – ele falou, sem olhar para ela.
Tente me conter... Você não vai conseguir...
Hahahaha...
Irônico, não é, Potter?
Agora é você lutando contra uma profecia...
***
Blaise estava vendo televisão e comendo um lanche, engasgou-se quando Draco falou:
- Hermione suspeita que Potter está envolvido em um assassinato.
Quando o rapaz negro se recuperou, disse:
- Quem?
- Jason Watts. – Draco respondeu, vendo a interrogação na cara do amigo, explicou quem era. – Bom, meu amigo... Hora de conversar com nosso querido colega, Goyle... Quer participar?
- Claro... – Blaise engoliu o resto do sanduíche.
Os dois entraram na sala. Goyle estava aparentemente desnutrido. Estava sujo. Eles apenas aguentavam ficar no local graças a um feitiço que inibia os odores.
Blaise o desamarrou e tirou o feitiço silenciador.
- Quem são vocês? O que estão fazendo comigo? – Draco abriu uma porta, enquanto o bruxo era arrastado pelo amigo. Eles o jogaram dentro de um box e abriram o chuveiro. Potência máxima. A água gelada caiu como navalha no corpo de Goyle. Ele gritou, mas nenhum dos dois homens manifestou qualquer emoção.
- Um banho é bom, Goyle, você está cheirando à merda! – Draco falou. Um feitiço prendia Goyle embaixo da água, até que ele não aguentou a pressão em seu corpo, e caiu. Ao mesmo tempo, tentava bebê-la.
Blaise desligou o chuveiro, enquanto Draco levitou o corpo do ex-sonserino de volta para o quarto, amarrando-o à parede.
- Vamos começar com o que? A clássica cruciatus? – Blaise perguntou.
- Eu conheço a voz de vocês!
- Claro que conhece, Greg. – Draco falou, sem disfarçar seu sarcasmo. Tirou a venda do bruxo, sorrindo de lado – Saudades?
Gregory Goyle olhou para Draco e depois para Blaise. Vice-versa. Os dois amigos eram puro contraste. Branco e negro. Porém, Goyle sabia muito bem reconhecer impaciência no olhar dos outros. E ali, no cinza e no negro das íris dos seus antigos colegas, havia muito mais que isso.
- Eu conto tudo o que quiserem, mas não me matem.
- Claro que você conta... – Blaise falou, conjurando duas cadeiras. – Sente-se, Draco, será um belo monólogo...
***
Chegou ao escritório com dor de cabeça. E nada fazia aquela dor passar. Muita informação. Draco mal sabia que tudo iria piorar dentro de alguns segundos...
- Malfoy, vamos resolver isso de uma vez.
O loiro olhou para o casal que acabara de entrar. Ronald e Lilá Weasley.
- Do que estão falando? – ele perguntou, olhando de um para outro. Rony continuou a falar:
- Você e minha esposa acreditam que Harry armou para você e Hermione terminarem.
- Ultimamente eu acredito em muito mais que isso, Weasley. Sentem-se, por favor. – ele disse, apontando as cadeiras do outro lado da mesa. – O que querem?
- Hermione e eu fizemos uma promessa bruxa. – Lilá começou.
- Disso eu já sei.
- Quero saber como quebrar essa promessa. Deve haver um jeito... Qualquer coisa... Entenda, Malfoy, eu não aguento mais.
- É uma promessa bruxa, é magia! Não tem como ser quebrada. – Draco falou, olhando para ela.
- Tem que haver um jeito, Malfoy. – Rony falou, depois de um tempo. – Algo está acontecendo...
- Conte o que aconteceu com a Mione. – Lilá falou, cutucando o marido. Draco sentou-se na ponta da cadeira, os punhos fechados.
- Ela foi atacada... Harry não quis reportar aos aurores... – o ruivo começou.
- Atacada?
- Alguém tentou sufocá-la, Malfoy. Hermione disse que não viu quem a atacou, mas isso é... É mentira... – ele continuou.
- Mentira?
- Sim. Eu vi as marcas... Quem a atacou o fez pela frente.
Draco levantou-se. Foi até uma estante e começou a passar o dedo por vários títulos de livros. Puxou um deles. O casal Weasley observava Draco, em silêncio. Guardou-o. Depois pegou outro. A busca parecia interminável. Os olhos dele percorriam rapidamente títulos, sumários, páginas de livros antigos. Depois de um tempo, ele disse:
- Tem um jeito. – olhou para Lilá. – Só que você precisa fazer um acordo de sangue comigo.
- Acordo de sangue? Que merda é essa, Malfoy? – Rony indagou, levantando-se.
- Eu posso acessar as memória dela e saber o que está acontecendo com Hermione, mas preciso fazer um acordo de sangue com sua esposa. Eu corto minha mão direita, ela corta a esquerda. Há um cumprimento, nossos sangues se juntam e eu posso invadir a mente dela. Caso contrário, não há como quebrar.
- Eu faço. – Rony disse.
- Não, você não pode. Você assumiu uma aliança mágica com ela quando se casaram. – Draco afirmou.
Rony passou a mão nervosamente pelos cabelos.
- Eu faço. – Lilá falou, levantando-se. Pegou sua varinha e cortou a própria mão. Draco fez o mesmo com a dele.
Eles cumprimentaram-se, olhando-se nos olhos. Um estremecimento passou pelo corpo deles e uma tênue fumaça escura subiu pela mão de ambos, percorrendo os braços, ombros, pescoço, cabeça. Rodeando pouco a pouco o corpo dos dois.
Rony levantou-se, mas uma barreira mágica impedia que ele quebrasse o contato entre Draco e Lilá. Então, Draco sentiu como se pulasse em uma penseira, entrando na memória de Lilá e vendo todas as imagens que estavam aprisionadas devido à promessa bruxa.
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N.B.: Mais um capítulo maravilhoso. Mas será que só eu tenho a sensação de que essa autora perversa ao invés de ajudar só embaralhou mais as peças desse quebra-cabeça??? Ahhh, não adiantam vir com nenhum crucio para cima de mim. Está tudo na cabeça da autora. Ela não me revela nadica de nada. O único privilégio que tenho é ler antes de vocês. Bjos e até o próximo capítulo.
N.A.: é, eu sou mesmo bem perversa....