O exército de Avalon seguiu viagem por três dias sem pernoitar, parando apenas para alimentação e rotação de carga nos animais, o descanso só chegou quando alcançaram o porto de onde zarpariam em direção a Hogwarts. Navegaram por dois dias com vento favorável, havia sempre homens a observar o mar à procura de inimigos, mas chegaram sem maiores imprevistos a terra. Cavalgaram mais um dia e no início da noite, montaram acampamento para que os homens descansassem, pois no dia seguinte poderiam entrar em batalha. Harry estava mais preocupado que cansado e observava o fogo compenetrado, como se pudesse enxergar o futuro nas chamas avermelhadas, como o sangue que mancharia os campos no dia seguinte.
-Estás com medo? –Thiago perguntou ao se sentar ao lado do filho, seu tom era suave e compreensivo.
-Não, apenas não gosto da idéia de matar. Fui educado de modo a pensar que isto é errado. Mas é claro que sei que esta é uma situação diferente, onde se eu não lutar, pessoas que eu gosto poderão morrer. –Responde ainda preso em pensamentos, mas rapidamente garantindo que não havia mudado de idéia sobre lutar.
-É difícil para todos nós, no entanto não te deixes consumir por isso, será uma luta justa e, com sorte, poderemos vencer sem ter que destruir totalmente o inimigo. –Thiago falava de modo seguro e sua voz deixava transparecer a experiência em mais de uma batalha.
-Como assim não precisamos destruir o inimigo? –Harry pergunta confuso, mas antes que Thiago pudesse responder, Lupin faz sinal a ele e lhe sussurra algo, lhe entregando alguns documentos.
-Tenho que ler estes documentos, filho, mas Remus poderá lhe responder as dúvidas. Posso ser rei, mas Remus sempre foi o mais sensato dos marotos! –Thiago fala já se afastando e fazendo um cumprimento irreverente ao amigo, antes de se retirar.
-Às vezes me pergunto de onde ele e Sírius tiram tanto bom humor! –O homem fala ao se sentar ao lado de Harry, tinha um sorriso bondoso nos lábios, apesar dos olhos estarem escuros como se previssem um dia difícil à frente. –Quanto a tua pergunta, o importante não é matar ou aprisionar todos os inimigos, mas fazer isto o suficiente para aterrorizá-los e fazê-los recuar. Explicar-te-ei nossa tática, então entenderá melhor o que te disse. –Lupin pegara um graveto no chão e com os pés nivelou o solo para que pudesse fazer o esquema tático.
Harry rapidamente entendeu a tática, era bem simples e parecia muito eficiente, principalmente se eles realmente estivessem em menor número, como tudo sugeria, principalmente se a maioria dos inimigos fosse de não-bruxos. Durante as horas seguintes Lupin se mostrou bem mais descontraído do que costumava parecer, contou-lhe inúmeras aventuras juvenis dos marotos, todas cheias de aventura e humor.
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Hermione parou em frente à porta de um dos salões do castelo. Um dos criados dissera que encontraria a rainha ali. Para ter certeza, questionou a um dos homens que guardava a sala e, ao obter a confirmação, ela pediu que avisasse a rainha que gostaria de vê-la. O homem fez um reverência e adentrou no aposento. Um minuto depois, o guarda voltou e sorriu, abrindo completamente a porta em seguida.
- A rainha disse que podeis entrar alteza. – Ele falou fazendo uma mesura respeitosa.
- Obrigada. – Hermione agradeceu antes de entrar. Lílian estava de pé, perto de uma das imensas janelas do salão. Tinha o olhar perdido no horizonte.
- Olá, querida. Algum problema? – ela quis saber, finalmente virando-se para Hermione.
- Não, apenas gostaria de saber como vossa majestade está. – a ruiva deu um pequeno sorriso e se aproximou de um dos sofás. Hermione fez o mesmo, sentando-se ao seu lado.
- A ponto de enlouquecer. – ambas riram – Eu não vou sossegar enquanto não os ver retornando.
- Também estou muito preocupada.
- Antes eu já ficava bastante preocupada com Thiago, agora também tem meu filho. – ela suspirou – Tu não sabes o quanto eu rezo para que nada de ruim aconteça a eles... Eu acabei de reencontrar meu filho, acho que morreria se o perdesse novamente.
- Por favor, não penseis nisso. – Hermione segurou uma das mãos da rainha e viu uma lágrima escorrer na face da rainha – Temos que confiar neles! Temos que ter fé.
- Tens razão, querida. Apenas... É mais difícil agora que tenho duas das pessoas que mais amo em batalha.
- Eu compreendo, mas temos que ser fortes. – a menina sorriu. Estava igualmente preocupada, mas percebeu que a rainha precisava de apoio naquele momento.
- Obrigada, Hermione. Meu filho não poderia ter uma esposa melhor. – Lílian disse, sorrindo para a futura nora.
- Gostaria de estar com eles agora ao invés de ficar aqui de braços cruzados.
- Eu também gostaria muito poder lutar novamente, mas eles acham que somos feitas de cristal! – a rainha revirou os olhos.
- Novamente? Vossa majestade já esteve em batalha?
- Ah sim, algumas vezes. Já tive discussões sérias com Thiago por causa disso, mas várias vezes, eu consegui persuadi-lo. Em outros momentos, eu fui escondida, disfarçada. Thiago quase sempre ficava furioso ao me ver lutando.
- Tentei argumentar com Harry, mas foi inútil. – ela lembrou.
- Em parte, eu os compreendo. Os campos de batalhas são terríveis e, sinceramente, se eu pudesse jamais estaria em um novamente. Porém, o que eles não entendem é que esperar é muito angustiante. Sinto-me impotente e se acontecesse algo a um deles, sei que me sentiria culpada, pois sempre haveria a questão: “E se eu estivesse lá? Talvez, fosse diferente”.
- Então, por que vossa majestade não insistiu dessa vez?
- Porque se eu fosse, certamente tu irias querer ir também e Harry havia me pedido para tentar te convencer justamente do contrário. – ela deu um pequeno sorriso – Eu fiquei longe de meu filho por tanto tempo, Hermione, simplesmente não consegui dizer não a ele.
- Entendi. – ela suspirou, frustrada – Achas que ainda vão demorar muito?
- Rezo para que voltem o quanto antes.
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Draco sorriu ao ouvir as batidas em sua porta, já imaginando que seria Gina. Após pedir que entrasse, mirou à ruiva adentrar em seu aposento. Ela não parecia muito animada, o que o deixou ligeiramente preocupado.
- Que houve? – quis saber quando ela se aproximou.
- Meus pais... Estão resistindo mais que eu imaginava. – ela contou.
- Não podem impedir que nos casemos! Se quiseres, fugiremos!
- Não quero fugir, Draco! Quero a benção deles.
- Então, insistiremos. – ele a olhou bem nos olhos e sorriu – Ou estás pensando em desistir?
- Não sou mulher de desistir, alteza! – Draco riu.
- Ótimo. Porque eu não tinha a menor intenção de deixar-te livre do compromisso. – o loiro disse exatamente no momento em que novas batidas soaram pelo quarto. Ele ergueu a sobrancelha, confuso, pois quase ninguém o “visitava” – Entre.
Gina que estava ao seu lado deu um pulo ao ver os pais adentrarem no aposento e Draco arregalou os olhos, surpreso. Então, olhou para Gina, depois para os dois adultos que o fitavam seriamente e deu um sorriso nervoso.
- Papai? Mamãe? O que fazeis aqui? – ela questionou.
- Viemos conversar com... O príncipe Malfoy. – Arthur fez uma cara de repulsa ao falar com a filha. Draco, então, limpou a garganta e, após respirar fundo, os cumprimentou.
- Boa tarde. – disse polidamente.
- Alteza, estamos aqui para ter certeza de que não estamos ficando loucos. – senhor Weasley falou, visivelmente, contrariado.
- Garanto-lhe que se for em relação ao meu pedido de casamento à vossa filha, não estão loucos de maneira alguma. – Draco disse com firmeza e Gina sorriu, ainda ao seu lado.
- Por acaso, esqueceste que vosso pai é o rei da Escócia e que há pouco tempo estávamos em suas mãos? – Arthur olhou bem nos olhos de Draco.
- Não esqueci nenhuma dessas coisas, senhor, tampouco ambas têm relação com meu pedido de casamento. Estou ciente de que contrario as regras da nobreza ao desejar casar com uma plebéia, mas vos garanto que minha vontade é superior a essas tradições. Quero me casar com Gina e se me permitirem, assim o farei.
- Não crê alteza, que estás sendo impertinente ao...
- Arthur, querido, pelo amor de Merlim! – a senhora Weasley o cortou – Será que com estas palavras já não deu para perceber que o príncipe Malfoy tem sentimentos por nossa filha? – a mulher sorriu amavelmente para a figura do príncipe. As palavras dele foram suficientes para ter seu apoio.
- Ter sentimentos não é suficiente, Molly!
- Eu não apenas tenho sentimentos por vossa filha, senhor Weasley. – Draco ficou ligeiramente corado, mas ainda mantinha a postura firme. Olhou para Gina e deu um pequeno sorriso, antes de voltar a encarar os pais dela – Eu a amo. – tanto Gina quanto Arthur piscaram surpresos com tal confissão.
- É mais que suficiente, querido. – Molly falou, contendo um sorriso – E pelo que já conversei com minha filha, posso dizer que ela sente o mesmo.
- Não vejo motivos então para que não concedam o meu pedido. – ele insistiu. Sentiu a mão de Gina encostar à sua e viu as bochechas rubras dela.
- Está bem! - o senhor Weasley concedeu, contrariado. – Mas saiba alteza, que se faltar com vossa palavra na última hora ou desonrar minha filha antes do casamento, eu esquecerei a hierarquia existente e o matarei com minhas próprias mãos!
- Arthur! – a senhora Weasley o repreendeu, horrorizada.
- Compreendo, senhor. – foi tudo que Malfoy disse – Temos a vossa benção, então?
- Sim. – Molly respondeu, sorrindo para ambos.
- Será que... Eu posso conversar em particular com minha noiva por um momento?
- Claro que não! Só a verá no dia do casamento e...
- Papai! – Gina o interrompeu – Garanto-lhe que é questão de poucos minutos. Voltarei para casa convosco.
- Está bem! Apenas cinco minutos. – a ruiva revirou os olhos, mas concordou. Quando finalmente os pais deixaram o aposento, ela suspirou aliviada.
- Não esperava que viessem assim. – Draco comentou, também mais aliviado.
- Eu tampouco! Fiquei tão surpresa quanto tu. E sinceramente não imaginei que aceitariam. Mamãe deve ter conversado com ele antes, pois papai não conseguia acreditar que querias casar mesmo comigo!
- Não entendo o porquê, afinal, eles têm uma filha encantadora. – ela corou – Um pouco irritante, às vezes, mas ainda assim encantadora.
- Obrigada pelo irritante. – disse, ironicamente.
- Por nada, alteza.
- Não me chame assim.
- Por que não? Em breve todos te chamarão assim. – ele sorriu, mirando a face dela.
- Todos, exceto tu. – Gina segurou a mão dele e a levou aos lábios, beijando-a com carinho – Quero que me trates como Gina ou como “minha esposa”.
- De acordo, minha Gina. – a ruiva riu.
- É verdade que... Amas-me?
- Ainda tinha dúvidas, querida? – Draco perguntou, sorrindo – Sou o primeiro Malfoy a quebrar as tradições e pedir em casamento uma plebéia... Se não a amasse, estaria louco. E garanto que tenho todas as minhas faculdades mentais.
- Muito bom. – ela olhou ao redor e corou, antes de continuar – Porque eu também te amo.
- Eu já sabia. – Gina ia chamá-lo de convencido, mas Draco a silenciou com um beijo.
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Quando acordou e sentiu os raios quentes da manhã aquecer-lhe a face, Harry se esticou e se sentou observando o acampamento por uma fresta na barraca. Os soldados já se aprontavam, a maioria já se encontrava trajada com a armadura completa, os cavalos faziam muito barulho, sinal de que também estavam sendo preparados para o combate. A adrenalina da batalha que se aproximava começou a se espalhar pelo corpo de Harry, seus sentidos pareciam a mil e rapidamente já não havia traço de sono ou preguiça em seu corpo. Rapidamente vestiu sua armadura de prata, no peito os grifos que formavam o brasão dos Potter, a capa verde musgo simbolizava seu status de príncipe, enquanto a vermelha ficava para os generais e a negra para seu pai, o rei. Verificou Évagon e esta apresentava uma coloração avermelhada na lâmina, o que era sinal de que em breve começaria a batalha, colocou-a no suporte especial que fizeram junto à armadura e saiu da barraca para comer e ver a quantas andava os preparativos.
-Animado, garoto? –Sírius pergunta com seu jeito informal e bem humorado, o que fez Harry olhá-lo confuso. Não entendia como alguém poderia estar com aquele estado de ânimo momentos antes de entrar em batalha. –Sei o que deves estar pensando, mas entendas que já não é a primeira batalha de que participo, com o tempo te acostumarás também.
-Não imagino como poderia me acostumar a isto, toda esta tensão, as mortes que acontecerão em ambos os lados. –Harry tentava não se deixar afetar, mas estava apreensivo com todas as perdas que julgava desnecessárias.
-Apenas cuide para que não estejas entre os mortos, a vida de cada um dependerá apenas de si mesmo. Pense no beijo que ganhou antes de vir e nos muitos mais que ganhará se cumprir tua promessa. Pode parecer egoísta, mas é esse pensamento que faz a diferença entre os que vivem e os que morrem, não tenha piedade, não hesite, se alguém a teu lado precisar de ajuda, o ajude, mas não descuide de sua segurança.
-Entendi, vou manter o foco. –Harry garantiu cumprimentando o cavaleiro, antes de se dirigir até onde os suprimentos estavam. Mesmo sem fome seria necessário se alimentar bem para enfrentar um dia inteiro de combate.
Depois de se lavar se dirigiu até onde a comida fora deixada e encontrou alguns soldados se alimentando, todos pararam e fizeram uma mesura respeitosa, antes de se afastar um pouco, dando liberdade e privacidade para o príncipe.
-Vossa alteza, se me permite dizer, parece-me nervoso. –Um soldado que aparentava já não ser tão jovem fala em tom quase irônico, enquanto se aproximava da barraca que protegia a comida e onde Harry estava.
-Já enfrentei grandes perigos, mas nunca estive em uma guerra antes. –Harry fala observando atentamente o soldado, depois mordendo uma boa quantidade do pão que pegara.
-Estais certo. O lugar de um monge é em um monastério ou a frente de um altar rezando e não cometendo alguns pecados em meio a vários bárbaros. –O tom não deixava duvidas de que o soldado o estava desafiando e aquilo o deixou nervoso, odiava que zombassem dele e o bom temperamento não estava entre suas virtudes.
-Se tem algo a dizer, fale diretamente ao invés de iniciar joguinhos de palavras. –Harry fala em tom duro, o pão sendo esmigalhado na mão de aperto forte.
-Não só eu, mas todos os soldados sabem que aqui não é vosso lugar, monge. Não podemos negar que sois nosso príncipe, também reconhecemos vosso direito ao trono, mas não estamos dispostos a morrer servindo de escudo a um rapaz que não sabe seu lugar, então se vós estais querendo provar algo a vosso pai, deixe para fazê-lo em outro lugar, onde não obrigará vários de nós a dar a vida para ser um escudo humano. Se quiserdes fazer algo de útil neste conflito, fique escondido aqui e depois desça para encomendar as almas dos que se foram, confortar os moribundos e ajudar os enfermos.
-Pois diga a todos os soldados que não quero e nem aceitarei que ninguém sirva de escudo para mim, muito pelo contrário. Quero que todos mantenham distância para que eu por um engano não os mate pensando que é o inimigo. Quanto a ti, espero que sobreviva para que depois peça perdão por tudo que disseste, ajoelhado a meus pés e jurando lealdade cavaleiro. –Harry manteve a postura ereta e pronunciou as palavras calmamente, enquanto olhava-o ameaçadoramente nos olhos. –Agora estás dispensado, vá cuidar dos cavalos. –O tom de Harry não dava margem à contestação, então o cavaleiro apenas se curvou ligeiramente e saiu contrariado e resmungando impropérios.
Às duas horas seguintes passaram em um piscar de olhos, quando percebeu já estava em posição, ao lado de seu pai, sobre o monte que ficava a leste de Hogwarts. Sírius avançaria pela floresta que margeava o terreno do castelo pegando a tropa inimiga por trás, enquanto Lupin surgiria com sua tropa pelo lago que ligava a vila de Hogsmeade a escola de magia e bruxaria.
-Chegamos em boa hora, Godric é valente e forte, mas não tem homens suficientes para resistir, assim como Rowena e Helga apesar de grandes bruxas não podem se multiplicar e ativar todas as armadilhas mágicas do lugar. –Thiago fala para Harry, que olhava a batalha sangrenta e covarde que se desenrolava no campo abaixo. Sentiu seu sangue ferver, a adrenalina percorrendo seus músculos, Evan fazia o suporte de couro vibrar e era possível ver indícios da luz vermelha que a lâmina emitia. –Estás pronto?
-Quando o senhor ordenar! –Harry fala de modo firme, sua mão já sobre a empunhadura da espada.
-Chegou a hora homens, atacar! –Thiago brada a plenos pulmões, sua espada de lâmina de prata e com detalhes em ouro brandindo imponente e sinalizando o início do ataque.
Cerca de dez mil homens montados em potentes cavalos bem protegidos com armaduras, tão fortes quanto as que os próprios cavaleiros vestiam, desceram bradando feitiços que cruzavam a distância da colina até o centro da batalha. Imediatamente as dezenas de cavaleiros de armaduras arroxeadas e o brasão de Hogwarts vibraram e pareceram ganhar novo ímpeto, contra as centenas de milhares de cavaleiros de armaduras negras e prateadas, que carregavam o brasão dos Granger e dos Malfoy. Os cavaleiros negros tentaram ser pôr a frente dos cavaleiros prateados para executar feitiços escudos, que protegeriam os cavaleiros trouxas, que por sua vez tornavam a atacar ferozmente os cavaleiros de Hogwarts.
Quando Harry chegou próximo aos cavaleiros negros, viu um sinal vermelho tomar o céu e então os homens liderados por Sírius avançaram da floresta, lançando feitiços nos cavaleiros de prata, que caíam de dez em dez, totalmente desprotegidos por aquele lado. Contudo pouco pôde observar, pois logo foi atacado por três inimigos, mas bastou bloquear os feitiços com Evan enquanto se aproximou o suficiente para decapitar o primeiro cavaleiro, sua posição seria em meio aos cavaleiros trouxas, já que tinha mais experiência atacando com espada do que com magia.
A passagem pela barreira negra não foi difícil, pois logo estes se re-dividiram para proteger ambos os flancos, no entanto para onde olhava só via inimigos montados ou caídos, o cavalo mesmo bem treinado tinha dificuldade de pular e passar pelos corpos que já tomavam o chão, o sangue por vezes em poças se misturava a terra e obrigava Harry a manter as rédeas firmes, para evitar que o animal escorregasse, ao mesmo tempo em que brandia Evan contra as espadas e machados inimigos. Sempre que a lâmina vermelha batia nas armas inimigas ele sentia a espada vibrar e então romper o metal, o som do grito que se seguia ajudava a aumentar seus níveis de adrenalina e excitação, e quanto mais excitado se encontrava mais facilmente Evan quebrava espadas e atravessava armaduras, sua arma estava totalmente sintonizada ao seu corpo e ambos vibravam no mesmo ritmo, como se fossem um a extensão do outro.
Sírius havia se posicionado, tinha menos de cinco mil homens sob seu comando, mas seria o suficiente para causar um grande estrago. Observou que todos assim como ele, seguravam as varinhas com firmeza, as mãos tremendo não por medo, mas por ansiedade. Sentia seu corpo todo vibrar, a magia estava latente, ansiosa por explodir em feitiços. Sua audição captava os gritos e urros que ligavam todos os demais sentidos, seus olhos pareciam ganhar mais potência e a experiência lhe ajudava a identificar os guerreiros mais fortes, dos magos mais habilidosos, o cheiro da grama banhada por sangue deixava seu cavalo tão inquieto quanto ele, eram antigos companheiros de batalha. Quando o sinal luminoso explodiu no céu límpido, não precisou ordenar a seu cavalo que disparasse, junto a seu feitiço milhares se dirigiram para os inimigos, explodindo-os e fazendo seus pedaços se tornarem obstáculos no campo de batalha, que era pequeno demais para a quantidade de cavaleiros, logo os cavalos teriam de ser dispensados e a batalha se tornaria mais densa, mas também muito mais interessante a seu ver, no chão qualquer mago que não fosse bom guerreiro estava muito frágil e por isso o combate passava a ser mais físico.
Thiago distribuía feitiços com precisão e rapidez com uma mão, a outra empunhava a espada, dilacerando seus inimigos, desarmando-os e derrubando-os de suas montarias, uma combinação perfeita de magia e combate, somente possível graças ao animal que já o acompanhara vária vezes em todas as suas batalhas, ele sabia quando se mover, quando acelerar e os caminhos mais seguros a tomar, todos diziam que enquanto o Rei Thiago estivesse sobre sua montaria, seria invencível. E todos eles tinham razão, aquele garanhão negro e de olhos prateados era um fenômeno da natureza, filhote de uma égua e um unicórnio. A gestação fora muito difícil, a égua ficara viva a base de poções e tratamento especial, mesmo assim morrera antes de dar a luz, o que fez o tratador ter de abrir o corpo dela e retirar o potrinho, que por ser prematuro, não andava e nem tinha muitas forças. Thiago se mudará para o estábulo especial montado para a égua e seu filhote, dormia com o potrinho, alimentava-o e o estimulava a se exercitar, foram necessários dois anos para que ele pudesse ser tão forte quanto um cavalo de sua idade, no entanto meses depois ele já estava muito mais forte, seu treinamento, conduzido por Thiago, era diferente dos usados nos outros animais, muito mais rígido e completamente voltado para batalha. A primeira vez em que os dois lutaram juntos, Sleipnir tinha três anos e Thiago treze, ambos voltaram para casa sãos e salvos, Thiago possuía apenas leves arranhões e aquele feito fez a fama de tal dupla se espalhar por todos os outros reinos. Sleipnir era o reprodutor oficial do reino, apenas eles e seus filhos tinham permissão para procriar, também havia ganhado uma armadura especial mais resistente que a do próprio Thiago, mais pesada do que qualquer cavalo poderia carregar, mas ela o protegia dos feitiços e armas inimigos e isto era o suficiente para que o êxito nas batalhas fosse garantido.
Não demorou muito e Harry perdeu seu cavalo, o qual teve as patas arrancadas por um soldado aparentemente abatido. Após sacrificar o pobre animal, Harry explodiu o cavaleiro que ferira sua montaria e levou mais cinco junto. Voltou-se rapidamente e amparou um ataque de um machado com Evan, impulsionou o corpo para frente e desequilibrou o agressor, descendo sua espada para arrancar-lhe o braço e depois chutou-o, derrubando-o para depois subir em seu peito, para atacar mais um que estava para apunhalar por trás um de seus cavaleiros. A cada vez que Harry brandia sua espada, um inimigo morria, sua armadura já tinha a frente banhada pelo sangue, seus pés moviam-se sobre uma lama escura de sangue e terra que lhe retardava um pouco os movimentos, mas não o deixavam menos mortal e a pilha de corpos que se acumulava ao seu redor era o grande símbolo disto. A batalha já se enraizara tanto em seu ser, que seus sentidos estavam totalmente tomados, seus olhos procuravam diretamente o brasão no peito dos cavaleiros e em frações de segundos suas mãos se erguiam para ajudá-los ou feri-los, seus ouvidos estavam conectados ao seu redor e o alertavam quando alguém se aproximava para atacá-lo, sua respiração estava controlada e mostrava concentração, seus pés já sentiam pelo nível menos denso da lama quando estava próximo a um corpo ou ferido, permitindo-o saltar, quando precisava observar o campo ao redor, fazia uma cúpula que servia como escudo mágico e memorizava o local onde estava para saber onde poderia pisar ou não.
De repente viu que dois cavaleiros estavam acabando com seus homens, um possuía uma armadura negra e a capa branca estava manchada de vermelho, o outro parecia trouxa, mas era muito hábil, além de ser protegido magicamente pelo de negro. Resolveu enfrentar os dois, assim manteria seus homens vivos e permitiria que a parte da frente de Hogwarts ficasse mais livre para que as tropas do castelo pudessem se unir as de Avalon e assim formarem um bloco mais resistente.
-Deixem os dois comigo, tentem se unir aos cavaleiros de Hogwarts! –Harry brada, fazendo seus homens abrirem caminho para que avançasse e ficasse frente a frente com os dois homens.
-Então o fedelho desaparecido resolveu agir como príncipe e enfrentar um rei! –A voz arrastada e cheia de desdém lhe lembrava muito Draco Malfoy, portanto, não se sentiu surpreso ao ver o homem levantar por instantes parte do elmo que lhe cobria a face, revelando um homem de pele alva, cabelos loiros, olhos prateados e frios, cheios de soberba.
-Nada disso, és meu Malfoy! –Remus aparecera, seus quatro mil homens surgindo por trás dos inimigos e se unindo aos cavaleiros de Hogwarts. –Temos velhas contas a acertar. –O homem de voz calma e tom ameno, parecia um lobo furioso, seus olhos tinham um brilho assassino inconfundível, então Harry preferiu se afastar e lutar com o outro, que acabara de dar ordens aos cavaleiros trouxas que tentavam invadir o castelo.
-Creio que agora sejamos apenas nós dois. –Harry o desafia e este ri como se a sua frente houvesse um menino com um graveto e não um homem com uma espada.
-Será um bom descanso duelar contigo! –A voz do homem não era jovem e isto reforçou a opinião de que enfrentaria um general, alguém realmente forte e com quem poderia testar suas habilidades.
Sem esperar mais, Harry avançou com a espada na altura da cintura e perpendicular ao corpo, depois a movendo para cima diagonalmente, até que sua lâmina se chocou com a lâmina do oponente, que não se preocupou em rivalizar forças com Harry, apenas deu um passo atrás e para o lado, girando e atacando Harry nas costas, na altura do ombro. Harry flexionou o joelho e ergueu a espada bloqueando o ataque, usando sua força para impulsionar o corpo e desequilibrar o cavaleiro, mas este, apesar de dar dois passos para trás, impediu sua tentativa de ataque ao girar sua espada sobre Evan e lhe tirar do ângulo, tempo suficiente para que este se equilibrasse corretamente.
Cinco minutos depois Harry estava ofegante, o homem a sua frente além de experiente tinha uma técnica incrível, parecida com a de Hermione, mas ainda melhor e mais mortal. O viu avançar com novo ímpeto, seus passos eram apressados e a espada estava segura a frente do corpo pelas duas mãos, porém, em uma fração de segundos, seu joelho da perna de apoio flexionou levemente e o ângulo dos seus braços se alterou, Harry reconheceu o movimento, era igual a um dos melhores ataques de Hermione. Inverteu a base de apoio e firmou os pés no chão, lançando Evan em um movimento diagonal da esquerda para baixo e direita, bloqueando a espada inimiga e cravando-a na coxa do adversário, depois usando o pé esquerdo para acertar um violento chute na cabeça do cavaleiro, que caiu no chão. O elmo do homem saiu de sua cabeça revelando o rosto imponente de um nobre, os cabelos castanhos estavam ficando grisalhos e os olhos cor de mel, que possuíam um brilho que já vira antes, sempre que Hermione se via vencida.
-Quem sois vós? –Harry perguntou sentindo um nó se formar em sua garganta, os sons da batalha ao redor sumindo, sua concentração voltada apenas para aquele homem caído sob sua espada, manchada com o sangue deste.
-Philip Granger, Rei da Bretanha. –A voz estava cheia de orgulho, o homem não tremia e nem mesmo se mostrava levemente intimidado apesar de ter a ponta de Evan a centímetros de sua garganta.
-Pai da Hermione... –Harry murmurou atordoado, como se houvesse levado um duro golpe. Recuou um passo, tentando por os pensamentos em ordem, mas aqueles segundos lhe foram cruciais.
Esqueceu que em uma batalha não se deve baixar a guarda por um segundo que seja e permitiu que Philip lhe passasse um dos pés por trás das pernas, desequilibrando-o e fazendo-o cair ao escorregar no sangue dos cavaleiros que já haviam sido derrotados naquele local. Harry observou como em câmera lenta os borrões que eram os cavaleiros duelando, darem lugar ao azul do céu gélido de fim de inverno; piscou ao sentir as costas baterem algo mais duro que o chão e quando voltou a abrir os olhos, apenas visualizou uma lâmina descendo em sua direção, para instantes depois sentir sua carne sendo rasgada e penetrada pelo metal frio, seu sangue quente molhar a pele e uma dor lancinante ao ter o metal retirado com a mesma violência com que lhe atravessou, a sensação do sangue lhe fugindo e umedecendo a parte interna de suas vestes foi a última que teve antes que a escuridão lhe engolisse.
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Lílian estava de pé em seu quarto, terminando de se arrumar, quando viu pelo reflexo do espelho o falcão que deveria estar trazendo notícias da batalha. Sorriu e caminhou rapidamente até a janela, após abri-la pegou o envelope que o pássaro trazia. Todavia, seu coração afundou quando percebeu que não era uma resposta de Thiago, mas sim a mesma carta que ela havia enviado.
Suas pernas fraquejaram e ela sentiu-se tonta. Por que eles não haviam respondido? Alias, por que sequer haviam recebido a carta? A primeira coisa que pensou foi que estavam mortos, mas recusou a hipótese imediatamente, não poderia acreditar naquilo, não queria. Precisava fazer alguma coisa ou a dúvida a enlouqueceria. Deixou seu aposento e percorreu apressadamente os corredores à procura de um dos guardas do castelo.
Assim que o encontrou, pediu-lhe que requisitasse cerca de cinco guerreiros e todos se dirigissem para a sala de reuniões, pois também seguiria para lá em alguns minutos. Então, ela foi em busca de Hermione, pelas conversa que tivera com a moça, sabia que ela não a perdoaria se a deixasse de fora agora. Encontrou Hermione em um dos salões do castelo, ao lado de Gina e Draco, os quais pareciam estar contando alguma novidade à morena. Contudo, todos perceberam a expressão aflita da rainha.
- Algum problema, vossa majestade? – Hermione perguntou.
- O falcão que enviamos para o campo de batalha retornou. – a mulher respirou fundo antes de prosseguir – Contudo, retornou com a nossa mensagem.
- C-como assim? – a princesa sentiu seu coração disparar, já imaginando o que a rainha diria.
- Eles não receberam nossa carta, Hermione. Não quero pensar que foi porque estão mortos, preciso acreditar que apenas estão com problemas, por isso, estou indo agora mesmo atrás deles.
- Eu também vou! – Hermione disse prontamente e Lílian sorriu, pois não esperava outra atitude dela.
- Eu também, majestade. – Draco falou.
- Tu, Malfoy? A guerra é justamente contra vosso pai. – Lílian o lembrou.
- Eu sei, mas cedo ou tarde terei que enfrentá-lo!– o loiro disse – É o melhor momento para provar que estou de vosso lado e de provar a meus futuros sogros que mereço a mão de Gina, assim como Hermione, já que o pai dela também enviou tropas para lá.
- Como queiras. – a rainha falou e lhe sorriu, apesar de ter ficado preocupada com a reação de ambos ao estarem frente e frente com os exércitos de seus reinos.
- Também irei convosco! – Gina disse e Draco olhou alarmado para ela.
- De jeito nenhum! Tu ficas!
- Não podes me impedir, Draco. Aliás, melhor nem tentar! – a ruiva o encarou decidida – Lutarei como todos e ao teu lado.
- Já disse que não, Gina! Tu ficarás ao lado de vossos pais! Tenho certeza de que eles concordarão comigo de que é melhor que fiques! – ele insistiu e a noiva o fulminou com o olhar.
- Não sou uma boneca de louça, mas sim sua futura esposa! Tenho o direito de ir, Príncipe Draco Malfoy!
- Ficarás e nenhuma palavra a mais sobre este assunto. – o príncipe olhou para Lílian e Hermione – Como iremos?
-Gina, sinto muito, mas príncipe Draco tem razão, seus pais não permitirão que vá conosco, além disso todos os teus irmãos devem ir e tu tem que ficar para cuidar deles. –Lílian disse determinada e seguiu para fora da sala, lançando um olhar a Draco e Hermione para que a seguissem.
- Draco! – Gina o chamou, mas o príncipe não voltou atrás. Hermione murmurou um pedido de desculpas à Gina e então, seguiu com os outros dois – Então é assim? Não penseis que vos livrareis de mim tão fácil, alteza! – a ruiva deu um sorriso malicioso antes de seguir a direção contrária.
- Ela poderia ter vindo, príncipe Malfoy! – Hermione disse quando já estava pelos corredores.
- Não se meta, princesa. Verás só quando Potter vir-te no campo de batalha... Ele ficará uma fera. – Malfoy a alertou, mas mesmo assim a morena continuou.
- Não me importo com a reação dele. Quero ajudá-lo e isso é o que me interessa.
- Ainda não entendo por que vós, mulheres de hoje, insistem em coisas assim... – ele revirou os olhos, desaprovando completamente a ida das duas.
- Não é o momento de ficarmos discutindo sobre isso. – Lílian interveio e os três pararam em frente à sala de reuniões – Esperaremos aqui, logo os cavaleiros virão e juntos acertaremos os detalhes da partida para o pôr-do-sol, iremos via chave de portal.
N/A: Oi, a fic demorou um pouco a ser atualizada por uma série de problemas e talvez demore um pouco mais para ser atualizada novamente, devido à faculdade da Pink e a minha saúde que não anda muito boa.
N/A²: O próximo capítulo será o último e depois haverá um epílogo, agora é a hora de vocês apostarem em quem morre e quem vive, além do lado vencedor!
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