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24. De volta a casa dos gritos


Fic: Não era para ser assim


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Draco estava deitado em sua larga e confortável cama, mas não conseguia dormir. Cada vez que fechava os olhos a imagem de Hermione segurando satisfeita o bebê que tivera com Rony o assaltava. Inconformado ele tentava pensar em qualquer outra coisa, mas não conseguia. A idéia de que estava tudo acabado, de que daqui para frente seriam Rony, Hermione e o bebê, o deixava desesperado.
_”Depois de tanto tempo... De que me adianta provar que não fui eu? De que me adianta limpar meu nome, se nada disso me trará Hermione de volta? Tudo por causa do Weasley! Eu nunca deveria ter me juntado a Ordem... Eu nunca deveria ter tentado brincar com a Hermione! Olha só como eu estou agora! Sozinho... Tudo que eu tenho é uma criança de seis anos que nunca me deixará esquecer do que um dia aconteceu entre Hermione e eu!”– ele se virou na cama inconformado com seu azar. – “Se eu tivesse saído um pouco antes! Apenas alguns dias e Hermione não teria engravidado. Tantos anos sem ter um filho com aquele paspalho e ela engravida justo quando eu saio!” – ele sorria lamentando-se de sua própria sorte. – “Se aquele bebê não existisse! Ela voltaria para mim... Ela quase não resistiu! Foi por pouco, muito pouco, mas o bebê...” – cansado ele se levantou. Trocou de roupa e saiu obstinado. Tinha que dar um jeito naquela situação. Não podia ficar se virando na cama sem conseguir dormir, apenas pensando no que queria e não teve.
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Hermione já se sentia muito melhor. Não conseguira dormir a noite inteira porque às vezes acordava sobressaltada com um pesadelo ou porque alguma curandeira vinha lhe acordar para dar de mamar para Philip. Ela já havia trocado de roupa, tomado seu café e esperava que Rony a viesse buscar para levá-los finamente para casa, mas ele estava atrasado. Draco também não aparecera. Se não viesse logo eles se desencontrariam. Também já passava da hora do bebê voltar para mais uma refeição. Entediada ela sentou-se numa poltrona e começou a folhear uma revista sobre cuidados com o bebê.
Na diretoria do hospital Rony conversava tenso com Marta, a doutora que fizera o parto de seus dois filhos.
_Eu não sei como isso pode acontecer, Rony! A segurança no hospital é rigorosíssima! Eu simplesmente não sei o que dizer!
_VOCÊ NÃO SABE O QUE DIZER?! – ele gritava desesperado. – E O QUE É QUE EU VOU DIZER PARA HERMIONE?! COMO É QUE UM BEBÊ SOME DE UM HOSPITAL? DO MAIOR HOSPITAL BRUXO DA INGLATERRA?! O QUE É QUE EU VOU DIZER PARA ELA?!!!
_Acalme-se Rony! Nós vamos resolver esse problema! – Marta tentava.
_NÃO ME PEÇA PARA ME ACALMAR! O MEU FILHO RECÉM NASCIDO SUMIU! VAI SABER QUE TIPO DE LOUCO O TIROU DO HOSPITAL?! VAI SABER EM QUE CONDIÇÕES ELE ESTÁ AGORA?!
Algumas batidas na porta anunciaram a chegada de um grupo de aurores. – Com licença doutora. – Lino Jordan entrara na sala seguido de mais três oficiais. – Nós seremos os responsáveis pela busca do menor. – só então ele notou Rony. – Rony? Não me diga que o bebê...
_É meu! Meu filho com a Hermione! – ele falou desesperado. Tentava esconder as lágrimas, mas elas rolavam sem permissão. – Até parece um castigo!
_Nós vamos fazer todo o possível, Rony! – Dino se aproximou dele. – Nós vamos achar o filho de vocês!
Outra batida na porta e dessa vez uma curandeira entrou no quarto: - Doutora Marta, a sra. Weasley está perguntando sobre o filho... O que eu digo para ela? – a moça perguntou emocionada.
Marta suspirou sem saber o que dizer. – Não diga nada... Eu vou até lá... Você vem, Ronald?
_Vou... – ele se levantou arrasado.
_Senhores... – Marta voltou-se aos oficiais. - ...por favor fiquem a vontade para fazerem seu trabalho. Lisandra? – ela chamou a curandeira. – Por favor, os leve onde eles precisarem e tente não alarmar os outros pacientes.
_Sim senhora... – ela falou abatida. – Por aqui senhores.
Os homens saíram da sala dando tapinhas encorajadores em Rony. Com medo da reação de Hermione ele seguiu a médica até o quarto da esposa.
_Finalmente, Ronald! Achei que tivesse me esquecido aqui! – ela se levantou brava e foi até ele. Só então notou seu semblante pesado. – O que houve? – perguntou preocupada.
_Hermione... – Rony se aproximou dela e a abraçou. – Você tem que ficar calma.
_Por quê?! – ela se desesperou. – O que foi que houve, Ronald?!
Mas ele não dizia nada. Apavorada ela olhou para a amiga.
_Nós não sabemos como, Hermione, mas...
_Mas o quê?! O que aconteceu?! – ela olhava para Rony preocupada.
_Alguém tirou o seu filho do berçário, mas nós já acionamos os aurores e eles vão encontrá-lo.
_Eu... Eu acho que não entendi direito...- ela sentiu as pernas enfraquecerem. Seus olhos arderam numa tentativa frustrada de não chorar.
_Eles vão encontrá-lo, Mione. Eu tenho certeza que vão! – Rony a abraçou forte.
Hermione se apoiou completamente em Rony. Sentiu a visão nublada, mas não desfaleceu. Chorava desesperadamente enquanto Rony tentava acalmá-la.
_Eu quero o meu filho! Eu o vi hoje! Ele não pode ter sumido! Quem roubaria um bebê?! Por que fariam isso?! – ela dizia desesperada. Rony conseguiu fazê-la se sentar novamente. Conjurou um copo com água e açúcar, mas ela não quis tomar.
_Hermione, se acalme... Eles estão fazendo tudo o que podem! Nosso filho vai voltar! Eles vão encontrá-lo, não se preocupe! – Rony tentava não muito convencido.
_Foi ela, Rony! Tenho certeza de que foi a Lilá! Eu te falei que aquela mulher era louca! Ela roubou o nosso filho para se vingar!
_Ela não faria isso, Herm...
_FARIA! – Hermione gritou assustando Rony. – ELA FARIA MUITO PIOR! EU SEI QUE FOI ELA!
_Eu vou avisar os aurores. – a medi-bruxa falou. – Pelo sim e pelo não eles têm que cercar todas as possibilidades.
_Marta isso não faz sentido! Lilá não faria mal ao nosso filho!
_NÃO DEFENDA AQUELA MULHER, RONALD! – Hermione gritou com os olhos vermelhos de raiva.
Pouco antes da medi-bruxa deixar o quarto alguém bateu na porta. A mulher abriu-a e teve que se desviar para não ser atropelada por Denis que passou correndo até os pais. Preocupado ele parou ao notar a expressão dos dois.
_Que foi, mãe? Por que você ta chorando? – ele limpou as lágrimas dela. Sentia seus olhos marejarem sem nem saber por que.
Emocionada Hermione abraçou o filho e voltou a chorar. Assustado Denis ficou quieto esperando até a mãe se acalmar.
_Oh meu Deus! Não me diga que aconteceu algo com o bebê! – Narcisa Malfoy exclamou de onde estava.
Rony olhou confuso para a mulher. Levantou-se e veio cumprimentá-la. – Como vai sra. Malfoy? O que faz aqui? – ele perguntou apertando a mão dela.
_Eu vim trazer o Denis! Draco não chegava e ele já estava ficando impaciente.
_Não chegava de onde?! – Rony perguntou desconfiado. Hermione se deu conta de que a mulher viera no lugar de Draco.
_Oh! Eu também gostaria de saber! Não vi a hora em que ele saiu, mas ainda não havia chegado quando nos levantamos. – ela falou preocupada.
A mente de Rony trabalhou a mil por hora. Com medo de expressar o que pensava ele apenas se concentrou em seus pensamentos: - “E é tudo por causa desse garotinho! – ele apontou com desdém para o pequeno. - Se não fosse por ele, ou se ele realmente fosse meu, aposto que ela teria me escolhido!”
_Ouça Ronald! Meu filho pode ter feito muita coisa errada, mas se algo aconteceu com o filho de vocês eu tenho certeza de que ele não tem nada a ver com essa história! – Narcisa saiu em defesa do filho ao notar a expressão desconfiada de Rony.
_Desculpe sra. Malfoy, mas eu não duvidaria de mais nada.
_Não, Rony! – Hermione levantou-se emocionada, mas mais controlada. – O Draco não faria nada com o nosso filho.
_Você não ouviu as coisas que ele me falou, Hermione! – uma raiva que misturava a sensação de que Draco era culpado e a decepção por Hermione defendê-lo o invadiu.
_Mas o que foi que aconteceu, pai?! – Denis veio até Rony preocupado e sem entender o que estava ocorrendo.
Paciente, Rony se abaixou e depois de dar um abraço no filho explicou o que havia acontecido. Em pouco tempo os aurores chegaram e colheram depoimentos de todos ali dentro. Rony teve que dar o endereço do apartamento de Lilá e Narcisa teve que falar sobre a última vez que vira o filho.
_Draco não seria capaz de fazer mal a uma criança, por favor! – Narcisa se indignava.
_De qualquer maneira senhora, temos que investigar todas as possibilidades. – um dos aurores, que já tinha certeza de que Draco era o culpado, explicou.
_Eu não vou ficar aqui parado! – Rony falou.
_Deixe esse serviço para nós, Rony!
_Eu também vou! Não vou conseguir ficar aqui esperando! Eu tenho que participar! – dizia nervoso.
_Acho melhor...
_Eu já fui auror, esqueceram?! Sei o que fazer!
_Eu não acho...
_Eu vou! – falou decidido.
Para não perderem mais tempo e, sabendo que não adiantaria discutir com Rony, os aurores partiram em busca de Philip. Mesmo achando que seria perda de tempo Rony fora obrigado a levar os aurores até o apartamento de Lilá. A porta da casa estava trancada, eles usaram um feitiço para abri-la, mas sem sucesso.
_Estranho... – Rony sussurrou a si mesmo. – Com certeza um truque para não me deixar levar o resto das minhas coisas! – falou tentando amenizar os rostos preocupados dos outros aurores.
_Bom... É contra as regras, mas a situação é de emergência. Vamos ter que invadir o apartamento! – Lino informou aos demais. Ele postou-se a frente dos outros e aparatou, mas não saiu do lugar.
_Feitiço anti-aparatação?! – Dino exclamou frustrado.
_Ela não aceitou muito bem o término do nosso relacionamento. Aposto que esta é mais uma de suas tentativas infantis de impedir que eu me vá de uma vez! – Rony explicou novamente, mas não tão seguro quanto antes.
_Mais um motivo para desconfiarmos que ela pode ter a ver com o sumiço do bebê. Uma mulher rejeitada é capaz de tudo, Rony! Você devia saber... – Lino completou.
_Daí a roubar um bebê é um pouco demais, não?! – Rony duvidou.
_De qualquer maneira precisamos de uma autorização para remover os feitiços do apartamento. – Lino afirmou. – Jake volte para o Ministério e providencie uma autorização para nós. Enquanto isso, vamos investigar o Malfoy. Ele também é suspeito!
_E na minha opinião é o culpado! – Rony afirmou categoricamente.
_Eu não quero me precipitar, Rony! Temos que analisar todas as possibilidades.
No Ministério, os poucos funcionários que faziam plantão no departamento de aurores trabalhavam no caso. A maioria era de antigos integrantes da Ordem e conheciam Rony e Hermione, portanto se empenhavam com esforço. Enquanto um grupo revistava o quarto de Draco na mansão Malfoy em busca de qualquer pista, outro grupo conseguira a autorização para entrar no apartamento de Lilá.
Rony seguia o grupo inquieto. Algo lhe dizia que não estavam na direção certa, mas ele não tinha idéia de qual seria esta. Já passava das 11 horas e nada. Nem sinal do pequenino ou de quem estivesse com ele.
Na maternidade, Hermione mantinha-se apreensiva. Quase em estado de choque, ela não conseguia conter as lágrimas. A todo o momento imaginava onde estaria seu filho, se estavam fazendo mal a ele, se estava com fome, porque já passara da hora dele mamar novamente. Imaginava que tipo de coisas uma mulher enciumada e descontrolada poderia fazer com o filho do homem que “amava” com outra mulher. Sempre que pensamentos desse tipo a acometiam ela abraçava Denis, que permanecia deitado na maca ao lado dela. Ele estava assustado com tudo que havia acontecido. Nunca imaginara que alguém pudesse querer tirar um bebê recém-nascido dos braços de sua mãe. Ver Hermione tão mal o deixava arrasado. Quando ele finalmente achou que tudo ficaria bem, mais uma coisa ruim acontecia.
Os pais de Hermione chegaram ao hospital minutos depois dos aurores terem saído. Chegaram ansiosos para conhecer o neto e tiveram a pior notícia de suas vidas. A mãe de Hermione tentava acalmá-la a todo custo, mas imaginava o quanto deveria ser duro para uma mãe não ter mais seu filho por perto. O pai de Hermione, apesar da insistência de Marta, acionou a polícia trouxa para o caso também.
O tempo passava e Rony não entendia por que estava sentado na sala de espera do departamento de aurores há tanto tempo. Ele abordava todos os oficiais que deixavam a área restrita, mas nenhum deles lhe dava informação nenhuma. Sem agüentar mais ficar parado ele pensou em voltar ao hospital e ficar com Hermione, mas a imagem de decepção no rosto dela quando o visse chegar sem Philip o fez desistir da idéia.
_Só volto àquele hospital com meu filho nos braços! – falou decidido. Sem mais demora deixou o Ministério sem ser notado por ninguém e começou sua busca sozinho. Andava a esmo, sem nenhuma pista, sem saber que direção tomar, mas ainda assim achava que era melhor do que ficar sentado esperando.
Ele já havia percorrido o Beco Diagonal e perguntado há algumas pessoas se viram uma mulher com a descrição de Lilá, ou um homem com a descrição de Draco andando por ali com um bebê de colo, mas ninguém prestava muita atenção em quem passava. O local era sempre tão apinhado de gente que ninguém fazia caso dos transeuntes. Rony seguiu para a Travessa do Tranco. Perguntou aqui e ali, mas a maioria das pessoas não vira nada, ou lhe pedia dinheiro em troca da informação. Seus instintos aguçados lhe diziam que seria perda de tempo pagá-los. Seguiu em frente em sua busca as escuras. Nada.
Cansado e desanimado ele resolvera se sentar um pouco e pensar. Aquela andança maluca só o estava cansando e não dava frutos nenhum. Num lapso de memória lembrou-se do feitiço localizador, o mesmo que usara para encontrar Hermione anos atrás. Pronunciou o feitiço dizendo o nome de Philip, mas a varinha dava voltas e mais voltas em sua mão sem apontar para lugar nenhum. Philip estava longe demais do alcance da varinha. Isso apenas aumentou sua preocupação.
Marta tentava a todo custo fazer com que Hermione tomasse uma poção tranqüilizadora, mas esta não aceitava de modo algum. Já não estava mais abraçada a Denis. Num ataque nervoso resolveu sair do hospital e procurar seu filho por conta própria, mas ninguém permitiu. Estuporaram-na, com muito pesar, mas era o melhor a fazer. Denis assustado com toda aquela confusão era consolado pela avó que tentava diminuir para o pequeno toda aquela tensão. Depois de tomar um pouco de poção do sono administrada em um docinho, ele pegou no sono. Poucos segundos se passaram desde que o silêncio recaíra no quarto. Ele fora interrompido por bicadas numa das janelas de vidro. Apressada Marta recebeu a coruja, mas a carta era endereçada a Hermione e a ave não queria soltá-la na mão de mais ninguém. Depois de desistirem de tomar a carta a força a ave apenas a depositou sobre uma Hermione adormecida e depois pousou sobre a cabeceira da cama, como que esperando a resposta do bilhete. Mais que depressa os pais dela pegaram a carta e a abriram. Tiveram que se sentar para não caírem para trás com o susto.
“VOCÊ SÓ TEM UMA OPÇÃO, NADA MAIS. SEU MARIDO OU SEU FILHO. QUANDO DECIDIR MANDE A RESPOSTA POR ESTA MESMA CORUJA. DECIDA LOGO! NÃO VOU ESPERAR MUITO TEMPO!”
_Que coisa horrível! – exclamou a mãe de Hermione quase desfalecendo. Quem faria uma ameaça dessas, meu Deus?!
_Vamos mandar isto para a polícia! – o pai de Hermione arrancou a carta das mãos da esposa e já se dirigia para a porta.
_Não faça isso, sr. Granger! Esse bilhete chegou por coruja! Mande-o para os aurores, mas não para a polícia! – Marta interferiu.
Muito longe dali, ainda buscando uma solução para seu problema, Rony sentiu garras firmes, mas delicadas pousando em seu ombro. Assustado e esperando o pior ele arrancou a carta do bico da ave e a leu com as mãos trêmulas.
‘SE QUER SEU FILHO DE VOLTA VENHA BUSCÁ-LO, MAS ESTEJA PREPARADO PARA SOFRER AS CONSEQÜÊNCIAS DE SEUS ATOS! VENHA SOZINHO! AGUARDO-TE NA CASA DOS GRITOS, EM HOGSMEAD!”
Sem pensar duas vezes Rony aparatou para a Casa dos Gritos.
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Uma pequena multidão de crianças e adolescentes estava parada observando de longe a construção mal-assombrada. Eles estavam aterrorizados com o que ouviam: um choro de criança.
_Meu pai uma vez me disse que um Sinistro assassinou três crianças aí dentro anos atrás! – um garoto de 13 anos falou. – Deve ser um deles chorando ainda...
_Não seja bobo! As pessoas mortas eram adolescentes, isso é choro de bebê! – uma menina da mesma idade, com jeito de sabe tudo, falou.
_De qualquer maneira isso aqui ta assustador! Eu vou embora! – um garotinho mais novo afirmou e se afastou da casa, sendo seguido logo pelos demais. Estavam tão amedrontados que não ouviram que alguém acabara de aparatar nas redondezas da casa.
Aquele lugar lhe dava arrepios. Desde criança ouviras diversas histórias a respeito daquela construção e, mesmo sabendo a versão verdadeira para os gritos ouvidos constantemente ali anos atrás, Rony ainda não se sentia confortável lá dentro.
Abriu a porta de entrada que fez um rangido assustador. Ele, assim como as crianças lá fora, podia ouvir o choro de uma criança. Seu coração batia acelerado. Pelo menos o bebê estava vivo, ele ainda tinha uma chance.
_Eu sabia que você viria!
Rony se assustou ao ouvir aquela voz. No alto da escada que dava para o quarto onde ele, Harry e Hermione estiveram anos atrás com o prisioneiro de Azkaban, Lilá o olhava com um sorriso amalucado e um embrulho agitado nos braços.
_Lilá! O que pensa que está fazendo?! – Rony perguntou tentando não se descontrolar muito. – Me devolva o bebê! – ele ordenou começando a subir as escadas.
Num impulso Lilá se aproximou do corrimão apodrecido da escada. Sinistramente olhava para o andar de baixo e sorria. Rony desistiu no mesmo momento de continuar subindo.
_Lilá... Por favor! Não faça nada a ele, é só um bebê!
Rony podia perceber que o bebê chorava, mas como mais nenhum som saia de sua boca concluiu que Lilá o havia enfeitiçado. Lutando contra o ódio e a indignação ele tentou negociar com ela.
_Não vale a pena, Lilá! Devolva-me o garoto.
_Você mesmo disse, Uón-Uón... – ela o olhou com um sorriso assustador. – É só um bebê! Bebês vêm e vão, um amor verdadeiro não...
Rony sentiu um frio na espinha ao ouvir aquelas palavras. Hermione estava certa, ela estava completamente louca. –“Como eu não notei isso antes?!” – perguntava-se arrependido. Depois de pensar um pouco ele falou: - Você diz o amor que você sente por mim? Se me amasse de verdade não estaria me fazendo sofrer colocando em risco a vida do meu filho!
_AAAHHH!!! – ela gritou com impaciência se aproximando mais do corrimão. – NÃO ME FAÇA LEMBRAR QUE ESSA COISINHA É SEU FILHO COM AQUELA SANGUE-RUIM! – ela o mirava com raiva. – DESDE O COMEÇO SEMPRE ELA, ELA, ELA! TUDO CULPA DELA! SE NÃO FOSSE PELA HERMIONE NÓS ESTARÍAMOS JUNTOS AGORA! ESSA COISA NÃO EXISTIRIA! – falou levantando o bebê e mostrando-o a Rony. – OU ENTÃO ELE SERIA MEU! NÃO DELA!
Rony percebia que ela fazia força para não machucar o bebê. Pelo menos não ainda.
_Lilá... A Hermione...
_NÃO ME DIGA O NOME DELA! EU ODEIO OUVIR O MODO COMO VOCÊ PRONUNCIA ESSE NOME! – agora ela andava em círculos no pequeno quadrado em frente a porta. Rony tentou subir, mas ela se aproximava demais do corrimão e ele recuava. – Eu tentei me livrar dela... – Lilá fixava o nada andando em círculos freneticamente. – Malfoy prometeu me ajudar com isso, mas ele estava me enrolando! Não sei por quê! Eu fazia tudo que ele pedia! Eu nunca entendi por quê! – lágrimas corriam de seus olhos agora. – Ele me prometeu dar um jeito nela!
_Do que é que você está falando, Lilá?! – Rony se enfureceu. – O que é que o Malfoy tem a ver com essa história?! – seu ódio por Draco crescia cada vez mais.
_Tudo começou no dia do casamento do seu irmão! – ela sorriu para ele como se fosse contar uma novidade muito boa.
Ela veio em sua direção sem se lembrar da escada e escorregou. Com agilidade conseguiu se segurar. Rony sentia seu coração na garganta, ela riu da cara de espanto dele. Agora segurava o bebê com apenas uma das mãos. Ainda sorrindo sentou-se na escada o que fez Rony se acalmar um pouco.
_Eu via o jeito como você olhava para ela! Fiquei apavorada achando que você finalmente se declararia, e era obvio que ela aceitaria! Todo mundo notava o que vocês sentiam um pelo outro! Mas eu não aceitava aquilo. Me arrumei toda para a festa, coloquei meu melhor vestido, curto e provocante, me maquiei, me perfumei, mas você nem notou!
Rony tentou se lembrar do dia da festa. Realmente não se recordava de como Lilá estava vestida. Apenas se lembrou com raiva do beijo que Hermione dera em Victor Krum e do arrependimento que sentiu quando acordou no dia seguinte e se lembrou que havia saído da festa e dormido com Lilá. Aquela tinha sido a primeira vez dos dois...
_Foi aí que eu resolvi tomar um ar no jardim e o encontrei! – ela sorriu. – Malfoy me ofereceu o que eu quisesse em troca de começar a espionar para ele. Lembro-me bem de suas palavras: “Não há ninguém de quem você gostaria de se livrar? Algo que você gostaria de ter e não pode?! Eu posso te dar o que você quiser, srta. Brown! Eu e o Lorde podemos te oferecer tudo, basta nos ajudar! Ninguém desconfiará de você! Será completamente seguro!” Então eu pensei um pouco. Tive medo, mas vi Hermione sair a procura de alguém e me decidi. Falei: “Tire Hermione Granger do meu caminho e eu faço o que você quiser!” ; “Só isso?!” ele perguntou. “É tudo de que eu preciso! Com ela fora do caminho minha vida estará completa!” E foi quando tudo começou! – sorriu novamente. Levantou-se e voltou para perto do corrimão no alto da escada.
_Quer dizer que foi por isso que o Malfoy se aproximou da Hermione?! Para afastá-la de mim! Ele só não contava que fosse se apaixonar por ela! – concluiu.
_Do que é que você está falando, Uón-Uón? Lucius Malfoy apaixonado pela Granger? – ela riu com muita vontade. – Malfoy a odiava com todas as suas forças! Por isso eu nunca entendi por que ele me enrolava tanto! Foi aí que eu fiz a grande descoberta: Hermione e Malfoy estavam tendo um caso! Corri e contei ao Malfoy pai e tinha certeza que para não permitir que seu filho sujasse o nome da família ele acabaria com ela de uma vez, mas não foi o que aconteceu... – falou melancólica.
Rony estava atordoado. Tudo que Hermione dissera fazia sentido agora. Lilá era realmente a traidora da Ordem e ele havia ajudado inconscientemente passando-lhe informações sigilosas desobedecendo às ordens de seu irmão mais velho.
_Agora... – ela continuou. Rony voltou sua atenção para ela novamente. – Quando eu achei que tudo finalmente estaria resolvido, Hermione aparece grávida e você decide ficar com ela de novo! Só por causa deste bebê! – ela ficou de frente para o corrimão agora. O coração de Rony acelerou. – Não é óbvio?! A única maneira de ter você de volta é me livrando desse bebê! Se ele não existir mais você não tem por que voltar para Hermione! – ela sorria esperançosa.
_Não faça isso Lilá! – Rony pediu desesperado. – Me devolva o bebê, eu o entrego para Hermione e depois volto para o seu apartamento. Eu prometo esquecer a Hermione, mas não faça nada com o Philp!
Ela pareceu ponderar a idéia. Olhou para ele com os olhos brilhando de alegria. Observou-o subir inseguro as escadas e se aproximar dela com os braços estendidos. Sua vontade era correr e abraçá-lo e não soltá-lo nunca mais, mas ela estava com um bebê no colo e não poderia abraçá-lo.
_NÃO! – ela gritou. Rony estancou no quarto degrau da escada. – É MENTIRA SUA! EU TE ENTREGO O BEBÊ E AÍ VOCÊ VOLTA PARA ELA! NÃO, RONALD! O ÚNICO MODO É SE ELE NÃO EXISTIR MAIS! – ela estendeu os braços para fora do corrimão. Um movimento em falso e o pequeno Philip cairia de mais de três metros de altura.
_Lilá, por favor! Não faça essa loucura! Não vale a pena! Você não vai sair impune disso!
Os braços dela tremiam, seus olhos ardiam para conter o choro. –“É só soltá-lo!” – ela pensava. Mas seus braços não a obedeciam. Aquilo que parecera tão fácil agora estava se tornando uma tortura. Faltava-lhe coragem.
Philip agora esperneava mais ainda. Rony podia ver seus bracinhos se mexendo livres do manto que o envolvia. Seu coração acelerado, sem saber o que fazer. Ele não conseguia imaginar a cena que poderia se seguir. Sentia que seria capaz de matar Lilá com as próprias mãos se ela cumprisse a ameaça.
_Pense bem, Lilá! Ainda haverá uma chance se você o mantiver vivo, mas se você fizer alguma coisa com ele! – ele ameaçava agora. Sua calma se extinguindo e o desespero tomando conta de seu ser.
Lilá o olhava tentando vislumbrar qualquer sinal que lhe dissesse que ele voltaria realmente para ela se ela deixasse o menino em segurança, mas seu coração cheio de ódio e decepção e seu cérebro não agindo mais como o de uma pessoa normal, não a deixavam optar pelo que seria mais certo. Decidida a acabar com a vida do pequeno ela se inclinou mais para ver a altura que ele percorreria. Aterrorizada ela deu um passo para trás, depois um para frente. Não sabia o que fazer.
_Termine logo com isso, Brown! – a voz de Draco soou fria assustando o casal. Ele a olhava com raiva. – Vamos! Faça logo o que você veio fazer!
_Malfoy! – Rony gritou. – Cale a boca!
_O que você está fazendo aqui?! – Lilá perguntou desesperada.
_Vim conferir se você teria mesmo coragem de fazê-lo! Vamos! Estou esperando... Acabe logo com isso! É a única solução para o seu problema, não é?! – ele perguntava indiferente. – Matar o bebê de Hermione... É só o que resta, não é?
_Cala essa boca Malfoy! – Rony se desesperara. – Lilá, por favor! – ele subia as escadas, seus olhos agora estavam marejados, seu coração a mil por hora.
Lilá foi para o corrimão novamente e estendeu os braços. Draco continuou aproximando-se da escada. Rony retrocedeu com medo da reação dela.
_Você é fraca, Brown! – ele parou na base quando a viu tremer de medo. – Você nunca termina o que começa, só sabe ameaçar! Vamos lá! Mostre do que você é capaz! – ele desafiou. Ela não se mexeu. – Imperius! – ele exclamou.
Lilá sentiu seu corpo ficar rígido como uma rocha, foi como se o ar tivesse fugido da sala. Também não ouvia os passos de Draco subindo as escadas ou o apelo de Rony para que Draco não continuasse.
_Malfoy! O que vai fazer?! – Rony gritava.
_Me dê o bebê, Lilá! – Draco ordenou.
Com os olhos vidrados de medo ela apertou o bebê contra o peito. – NÃO! – gritou. – É MEU! EU O ROUBEI! É MEU FILHO! – ela estava fora de si.
_Faça o que eu estou mandando. Me dê essa criança, agora! – ele estava sério.
Era visível que a mulher lutava contra o próprio corpo. Com os olhos fechados e o rosto vermelho por fazer força para não obedecer, ela estendia, trêmula, os braços para entregar-lhe a criança.
_Me dê logo! – Draco pedia.
Rony não sabia o que fazer. Se era pavoroso ver seu filho indefeso nas mãos de Lilá, era mais horripilante ainda vê-la entregando-o para Draco. Ele estava pronto para se humilhar diante do homem, prometer o que ele quisesse em troca da vida de seu filho. Tinha certeza de que Draco teria coragem para terminar o que Lilá começara.
Ele pegou o bebê nos braços e fez uma careta de desagrado para o pequeno. Era a primeira vez que ele via realmente o pequeno fruto do amor que atrapalhara seus planos. Seu coração palpitava de raiva, rancor, mas a razão falou mais alto. Tinha que fazer de uma vez o que se propôs. Apontou a varinha para o pequeno e pronunciou: - Finite incantaten! – Num instante a casa se encheu com o choro agudo e alto do pequeno.
Rony sentia as pernas trêmulas. Estava completamente anestesiado. Lilá caiu sentada atrás de Draco. Chorava descontroladamente. Draco guardou a varinha novamente e começou a descer as escadas com cuidado. Parou em frente a um Rony completamente surpreso, imóvel, praticamente em estado de choque. Ele lhe estendeu os braços.
_Tome Weasley!
Rony o olhava inseguro. –“O que ele está fazendo? Será uma armadilha? Vai acabar comigo e com Philip de uma vez só?”
_Pegue-o de uma vez, Weasley! Leve-o de volta para Hermione! – Draco dizia começando a ficar nervoso com a inércia de Rony.
Rony estendeu as mãos trêmulas para pegar o pequeno de volta. Com um alívio enorme percebeu que ele estava bem, apenas com fome, provavelmente. Ele olhou novamente para Draco como que para entender o que estava acontecendo.
_Vá de uma vez Weasley! – Draco gritou. – Hermione deve estar desesperada por ter o filho de volta! Não a faça esperar mais!
_Por quê? – foi tudo que Rony falou.
_Você achou que eu seria capaz de fazer mal ao filho de Hermione? – ele perguntou sério. – E fazê-la me odiar para o resto da vida? E dar motivos para ela me afastar do meu filho e deixar o caminho completamente livre para você? Não mesmo Weasley! – agora ele sorria cinicamente. – Não vai ser tão fácil você se livrar de mim!
Rony não conseguia nem sentir raiva com as palavras dele. Tentava apenas interpretá-las. Depois de alguns segundos fitando os olhos cinzentos de seu rival ele sentiu uma pontada de medo, insegurança. Pensou: - “Ele a ama de verdade... Nunca imaginei que ele soubesse o que isso significa, mas com certeza sabe...”
_Vá de uma vez! Em pouco tempo os aurores do Ministério estarão aqui já que eu usei uma Maldição Imperdoável! Acabe logo com o sofrimento de Hermione!
_Obrigado, Malfoy! – foi tudo que ele disse antes de aparatar daquele lugar.
Logo depois que Rony aparatou dali outros estalidos foram ouvidos. Uma dezena de aurores surgiu na casa, todos apontando ameaçadoramente suas varinhas para Draco. Sem outra opção ele levantou os braços.
_Draco Malfoy, você está preso por porte ilegal de varinha e uso de Maldição Imperdoável! – um deles afirmou.
Enquanto sentia suas mãos sendo atadas magicamente, um auror confiscou a varinha que ele tinha em seu bolso e dois mais se dirigiam a Lilá no alto da escada.
_Srta. Brown? A srta. está bem? – o primeiro perguntou.
Ela se assustou quando ele se aproximou, mas depois falou com a voz calma e amedrontada: - Não... Ele... Ele me obrigou! Ele me obrigou a roubar o bebê e trazer para cá! Eu não queria!
Draco ria melancolicamente. Sentiu as cordas ficarem mais firmes em torno de seus pulsos. Os aurores não entenderam do que ele ria, mas também não faziam questão de entender nada.
_Desculpe, mas... – um deles falou. - ...como ele te obrigou?
_Com a Maldição Imperdoável! Vocês mesmos disseram! – ela afirmou confusa.
Os aurores se entreolharam desconfiados, Draco riu mais alto, os dois que estavam junto de Lilá ajudaram-na a se levantar e o que havia prendido Draco falou:
_Lilá Brown, a srta está presa por rapto e tentativa de homicídio!
Cordas prenderam também os braços da mulher que se debatia sem entender o que estava acontecendo.
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Pouco mais de uma semana havia se passado desde o triste episódio do rapto do pequeno Philip. Rony voltara para casa depois de anular o pedido de divórcio e, assim como Hermione, tentava esquecer os maus momentos pelos quais passaram naquele dia. Rony contou envergonhado tudo o que havia acontecido na Casa dos Gritos. Fizera questão de explicar pessoalmente para Denis que Draco não tinha nada a ver com o sumiço de seu irmão, embora ele não entendesse como o homem havia chegado até lá. O menino não sabia que o pai estava preso, haviam inventado uma história qualquer.
No Ministério o movimento era incrível. Imprensa, funcionários, oficiais de justiça e curiosos se dirigiam ao grande salão onde se daria o julgamento dos dois criminosos. Embora o hospital tivesse tentado abafar o caso do roubo de Philip a imprensa havia descoberto e agora todos queriam saber como se desenrolaria a história. Rony e Hermione deixaram os filhos na casa da avó materna e foram também para o Ministério. Harry, Gina e vários outros Weasley, assim como antigos membros da Ordem também estavam lá. O burburinho que se espalhara no recinto com a chegada de Harry Potter se extinguiu quando o Ministro da Magia adentrou o recinto. Depois das palavras de praxe o julgamento finalmente começou.
_Que entre o primeiro acusado: Draco Malfoy. – o Ministro chamou.
Draco foi trazido para o meio do Tribunal ladeado de dois aurores. Hermione sentiu-se mal com aquela cena. Ela sabia que graças a ele seu filho estava salvo, mas acusações demais pesavam sobre ele.
_O réu é acusado dos seguintes crimes: - o Ministro informou em voz alta a todos que estavam ali.
1. Facilitação da entrada de Comensais da Morte na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts há nove anos;
2. Tentativa de homicídio do diretor Alvo Dumbledore, há nove anos;
3. Traição à Ordem da Fênix há sete anos;
4. Cumplicidade e omissão de criminosa perigosa;
5. Porte ilegal de varinha;
6. Uso de uma Maldição Imperdoável.
_O senhor tem algo a dizer em sua defesa a respeito dessas acusações? – o homem perguntou.
Draco se remexeu impaciente em sua cadeira. Olhou displicente para todos aqueles que o olhavam. Sentiu a tristeza nos olhos de sua mãe, o ódio nos olhos de Harry Potter e a pena nos olhos de Hermione. Foi o que mais lhe doeu.
_O senhor pode repeti-las para eu não me perder? – perguntou cinicamente arrancando risadas discretas de alguns que assistiam.
_Pois bem... Vamos lá: Facilitação da entrada de Comensais da Morte na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts há nove anos aproximadamente. – ele falou sério fazendo todos se calarem.
_Já faz nove anos?! – perguntou espantado. – Bem... Lord Voldemort ameaçou minha família se eu não me filiasse a seus aliados e desse um jeito de permitir a entrada de seus Comensais no castelo. Completamente perdido, levado pelo medo e pelo ódio que sentia por alguns naquela escola na época eu obedeci. É isso...
Algumas pessoas se admiravam com a frieza com que ele confessava aquilo. Batendo com um martelo o Ministro fez todos se calarem novamente.
_Segunda acusação: tentativa de homicídio do diretor Alvo Dumbledore, também há nove anos.
_A justificativa é a mesma: fui ameaçado, mas não tive coragem de ir até o fim!
_Senhor Ministro? – Alvo Dumbledore levantou-se de onde estava. – Como principal envolvido nesta acusação, gostaria de reiterar que não dei queixa a respeito do caso, pelo contrário, a tentativa do senhor Malfoy foi fundamental para o sucesso de meus planos na época! – sorrindo tranqüilamente para Draco ele se sentou novamente.
Olhando para o homem achando que ele finalmente havia ficado gagá Draco esperou a conclusão do Ministro.
_Muito bem! Que se retire a acusação de tentativa de assassinato! – mais uma vez o burburinho se instalou e mais uma vez o Ministro teve que agir com seu martelo. – Terceira acusação: traição à Ordem da Fênix há sete anos.
_Sou inocente dessa acusação. Não era eu o traidor da Ordem! – falou áspero.
_Diga-nos, então, por que é que seu pai insistia em dizer que você era o traidor. Que era com você que ele mantinha contato na Ordem! – desafiou uma das pessoas do júri.
_No dia em que Harry Potter e Lord Voldemort se enfrentaram a verdadeira traidora enfeitiçou meu pai numa última tentativa de se safar! – falou com raiva. – Ela fez alguns aurores acreditarem que eu era o traidor, quando na verdade era ela o tempo todo!
_Como é que o senhor sabia onde estava o caldeirão, a última horcruxe? – o Ministro perguntou na tentativa de fazê-lo se contradizer.
_Muitos comensais achavam realmente que eu era o traidor. Meu pai era o único que sabia da verdade. Quando chegamos ao local da batalha eu me distanciei dos aurores para falar com meu pai. Antes de encontrá-lo um deles veio até mim e falou onde estava o caldeirão e que portanto eu devia ficar incumbido de não deixar nenhum auror chegar até ele!
_Por que não destruiu o senhor mesmo o caldeirão? Você sabia que a pessoa que o fizesse poderia morrer?
Um burburinho de lamentação e espanto perpassou no local onde se encontravam os Weasley. Quando Draco começou a falar o silêncio dominou novamente.
_Não, mas imaginei que não seria possível destruí-lo sozinho. Além disso, eu queria provar minha inocência e não conseguiria fazer isso destruindo o caldeirão as escondidas!
_Muito bem! Mesmo que tudo isso seja verdade, o senhor afirmou aqui que mantinha contato com seu pai mesmo dentro da Ordem. Como podemos acreditar que não passava informações para ele?
_Meu pai sabia que eu era alvo fácil dentro da Ordem, portanto não queria correr riscos. Escolheu outra pessoa lá dentro para fazer o serviço. Essa pessoa contou ao meu pai sobre o relacionamento que eu mantinha com uma das aurores. Meu pai tinha muito orgulho do sangue puro da família e começou a fazer ameaças que eu sabia que ele cumpriria se eu não fizesse o que ele queria.
_Que era?
_Nada a ver com a guerra. Ele apenas queria que eu terminasse com ela, mas eu estava... Estava apaixonado e toda vez que tentava me afastar não conseguia. Ele me deu um ultimato! Sabia que o dia do assalto à mansão Riddle seria a oportunidade perfeita de cumprir o que ele prometera, então decidi forjar uma marca negra e de algum modo mostrar para ela. Depois eu me arrependi e então fui em busca do caldeirão para me redimir!
_Então... O senhor foi preso entre os comensais por engano? – o Ministro perguntou.
_Exato!
_Tem provas?
_Minhas lembranças! Eu as entreguei para a comissão julgadora há alguns dias. Eles me devolveram para que eu pudesse contar tudo pessoalmente.
O Ministro chamou um rapazinho de lado e perguntou-lhe algo. O rapaz saiu e voltou em seguida cochichando algo no ouvido do Ministro. Em seguida o homem continuou:
_Pois bem, a comissão assistiu suas lembranças e depois de alguns testes todos concordam que eram legítimas. Passemos a próxima acusação: cumplicidade e omissão de criminosa perigosa.
_Eu ia denunciá-la, mas ela me ameaçou. Seria muito difícil provar que ela era a culpada se ela mesma não admitisse. Além disso, ela me propôs um acordo que na época me pareceu vantajoso.
_Que acordo?
Ele hesitou um pouco. Sabia que o acordo não interferiria em nada no andamento do julgamento.
_Senhor Malfoy? Que acordo?
_Separar Hermione e o Weasley para que eu pudesse ficar com ela e criar meu filho!
Mais uma vez todos se espantaram.
_Filho? Que filho?
_Hermione teve um filho depois que a guerra acabou. Ele é meu filho, não do Weasley! – ele olhava desafiadoramente para Rony.
Rony e Harry olhavam para ele com ódio. Hermione estava envergonhada. Ele não precisava ter sido tão específico.
_Silêncio! Silêncio todos! – o Ministro pediu seguidamente. – Em resumo, o senhor afirma que omitiu da justiça uma criminosa confessa?
_Afirmo. Não porque não reconhecia a culpa dela, mas porque tinha outras prioridades!
_Quinta acusação: porte ilegal de varinha.
_Um bruxo não pode viver sem varinha! – afirmou tranqüilamente. Ninguém acreditava na calma dele, mas muitos pareciam concordar com sua afirmação.
_Sexta e última acusação: uso de Maldição Imperdoável.
_Foi a primeira coisa que me ocorreu para tirar o bebê das mãos da seqüestradora!
_O senhor não tem participação nesse crime, então?
_Não! Eu não fiquei feliz quando soube que Hermione teria um filho com o marido, mas depois de ter reconquistado a confiança dela eu não seria idiota o suficiente para jogar tudo para o alto com uma atitude impensada. Além do que minha experiência em Azkaban ainda estava bem fresca em minha memória.
_Como foi que o senhor chegou lá então, e porque não dormiu em casa na véspera do crime?
_Eu não conseguia dormir naquela noite. Minhas esperanças de ficar com Hermione haviam se esgotado e eu decidi que não podia continuar daquele jeito. Saí de casa para ir visitar uma amiga que eu sabia que me receberia, mesmo que já fosse muito tarde! – Hermione agora prestava muita atenção na história. – Como ela ainda mora com os pais eu a convidei para sair. Fomos para um... motel em Hogsmead e passamos a noite lá. Quando fomos embora no dia seguinte eu percebi que o povoado estava cheio de jovens alunos de Hogwarts. Resolvi andar um pouco pelo lugar e ouvir as conversas deles. Apesar de não querer admitir, eu sentia falta daquela época. Tudo que me preocupava na escola era provar que o Potter não era tão nobre quanto todos pensavam... Ouvi um dos grupos falando sobre choro de criança na Casa dos Gritos e a princípio não dei atenção, mas logo em seguida uma coruja veio ao meu encontro. Ela trazia um bilhete da minha mãe dizendo que o bebê havia sido roubado e querendo saber onde eu estava. Como a Hermione já havia me contado a verdade sobre a lenda da Casa dos Gritos achei que era coincidência demais e fui ate lá averiguar!
_Mais uma boa explicação para um fato suspeito! – alguém comentou.
_Muito bem, senhor Malfoy. Acho que é o suficiente. Aqueles que se acham prontos para começar o julgamento levantem as mãos.
Todos do corpo de jurados levantaram suas mãos concordando.
_Pois bem! – o Ministro falou: - Facilitação da entrada de Comensais da Morte na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts há nove anos. Aqueles que o consideram culpado levantem a mão!
Todos levantaram. Hogwarts era a escola em que a maioria de seus filhos ainda estudava. Não podiam permitir que alguém que ameaça a vida dos alunos saísse impune.
_Traição à Ordem da Fênix há sete anos. Quem o considera culpado, por favor...
Dessa vez ninguém se pronunciou, todos haviam se convencido com seu depoimento.
_Cumplicidade e omissão de criminosa perigosa.
Dos quinze jurados, onze levantaram as mãos.
_Porte ilegal de varinha.
Unanimidade novamente.
_Uso de uma Maldição Imperdoável.
Apenas sete levantaram a mão. Um burburinho se espalhou pelo recinto. O Ministro chamou os jurados e eles conversaram utilizando um feitiço que barrasse o som, de modo que ninguém podia ouvi-los. Depois de uns dez minutos confabulando o Ministro desfez o feitiço e voltou-se aos demais.
_Este júri decidiu que o réu, Draco Malfoy, é inocente das acusações de traição e uso de Maldição imperdoável. Entretanto pesam sobre ele as culpas por invasão de Hogwarts, acobertamento de criminosa perigosa e porte ilegal de varinha. Somando-se estas acusações todas o réu deveria cumprir no mínimo dez anos em regime fechado na prisão de Azkaban...
Draco sentiu um frio percorrer sua espinha. A imagem dos dementadores o atormentava. A sra. Malfoy, que também assistia, baixou a cabeça lamentando. Hermione levou as mãos a boca achando absurda a decisão do júri.
_Entretanto, tendo o réu cumprido cinco anos de pena em regime fechado sendo inocente, este tribunal entende que o acusado cumpriu metade de sua pena, portanto permite que ele cumpra os próximos cinco anos em regime aberto, ficando impedido de sair do país sem autorização deste Ministério. O réu perde também o direito de usar varinha ou aparatar nos próximos sete anos e deve pagar uma multa pelo porte ilegal de instrumento mágico. – o homem bateu o martelo e finalizou: - Declaro esta sessão encerrada. O Tribunal fará um recesso de quinze minutos e em seguida começará o segundo julgamento do dia.
Todos da sala se levantaram aliviados pelo fim do julgamento. A atmosfera era tensa e a quantidade de informações dada pelo réu tinha sido grande demais para algumas pessoas. Narcisa Malfoy foi de encontro ao filho com o semblante bem mais leve. Os Weasley estavam reunidos trocando opiniões sobre o caso. Hermione olhava para Draco com vontade de cumprimentá-lo, mas sabia que Rony estava de olho e achou melhor deixar para mais tarde. Preocupada procurou o marido para avisar que iria até a casa da mãe se certificar de que estava tudo bem com seus filhos.
Ela voltou poucos minutos depois tranqüila por saber que seus filhos estavam muito bem. Dirigia-se novamente para a sala do julgamento. Olhou ao redor em busca de Rony ou dos amigos, mas eles ainda não haviam voltado. Foi para o seu lugar e encontrou Draco esperando por ela. Sem graça se aproximou dele.
_Olá, Draco... Estou contente por ter dado tudo certo para você! – sorriu simpática.
_Quase tudo, Hermione... – ele respondeu melancólico. – Mas obrigada assim mesmo. – sorriu.
_Onde está a sua mãe?
_Já se foi. Ela não gosta muito de julgamentos.
_Imagino... – Hermione sentou-se ao lado dele. – Eu ainda não te agradeci como devia... – falou.
_Não precisa me agradecer...
_Não! Eu sou muito grata por você ter salvado meu filho! Tinha certeza de que você não seria capaz de fazer qualquer coisa contra ele!
_E não faria mesmo... – ele a olhou, expressivo. – Hermione eu não sou o monstro que vocês acham que eu sou, e nem o mesmo Malfoy que vocês conheceram na época de Hogwarts. A vida me ensinou muita coisa...
Hermione não sabia o que falar.
_Hum, hum... – Rony surpreendeu os dois. - Parabéns, Malfoy! Espero que você saiba aproveitar melhor sua liberdade agora!
_Aproveitaria bem mais se você não estivesse aqui, Weasley! – olhou para ele desafiador.
_Ah, por favor! Não comecem com isso, sim? – Hermione reclamou.
_Voltem aos seus lugares, por favor! – um funcionário do Ministério pediu.
O ruído de pessoas tomando seus lugares foi ouvido durante algum tempo. Quando Harry voltou se surpreendeu com a audácia de Draco, mas não pode falar nada porque Gina interferiu cumprimentando-o pelo resultado do julgamento. A sessão reiniciou.
_Que entre a acusada: Lilá Brown.
Assim como Draco, Lilá viera ladeada por dois aurores, mas ao contrário da pose conformada e desafiadora dele, ela estava completamente assustada, arrasada.
_A ré é acusada de: 1. Traição a Ordem da Fênix cometida há sete anos.
2. Seqüestro qualificado de um menor, seguido de tentativa de homicídio.
_O que tem a dizer em sua defesa, srta. Brown? – o Ministro perguntou.
Ainda com o olhar aterrorizado Lilá não falava nada. Passou os olhos por todos os que assistiam seu julgamento. Podia sentir o ódio nos olhares deles. Procurou por Rony e o encontrou de mãos dadas com Hermione. Seu sangue ferveu. Ao lado dela viu Draco sorrindo debochado. Seu olhar se encontrou com o de Hermione e foi como se faíscas surgissem daquele encontro.
_Srta. Brown?
_Eu só fiz o que me mandaram! – falou pela primeira vez com a voz carregada. – E teria feito tudo de novo, mas com mais eficiência!
Todos soltaram exclamações admiradas. Em momento algum ela desviou o olhar de Hermione. O ódio era perceptível em suas expressões. Era quase possível sentir a raiva que pulsava em seu corpo.
_A srta. admite então que era a informante dos comensais dentro da Ordem da Fênix?
_Admito!
_Admite também que roubou o filho de Hermione e Ronald Weasley do hospital Saint Mungus na madrugada do último domingo.
Ela se contorceu ao ouvir o nome de Hermione pronunciado juntamente com o de Rony, mas respondeu a pergunta: - Sim, mas eu tive meus motivos...
_Quais seriam eles? – o Ministro perguntou abismado.
_Não era justo, depois de tudo que eu fiz para ficar com Uón-Uón, aquele garotinho estragar tudo da noite para o dia!
Mais um murmúrio de admiração soou pelo recinto: - Está louca, só pode estar louca! – alguns diziam.
Rony sentia seu rosto ferver de tanta vergonha. Hermione não podia explicar o que sentia.
_Para mim já é mais do que suficiente! Aqueles que se sentem capazes de julgar levantem o braço!
Todos concordaram.
_Aqueles que acham que a ré é culpada pelos crimes de traição e seqüestro, levantem as mãos!
Lilá assistiu aterrorizada a todos os jurados, sem exceção, votarem a favor de sua condenação.
_Por unanimidade a ré é julgada culpada dos crimes de traição e seqüestro. Sua varinha será quebrada aqui, na frente de todos e ela será condenada a 50 anos de prisão, sem direito à fiança. Podem levá-la! – o homem ordenou.
Os dois aurores que entraram com ela a seguraram pelo braço. De longe era possível notar quão branca e apavorada ela ficara.
_O QUE ESTÃO FAZENDO?! – ela gritava. – ME SOLTEM! VOCÊS NÃO PODEM FAZER ISSO!
Mas os aurores não a soltavam. Ela se contorcia nos braços deles tentando desesperadamente se soltar, mas não conseguia. Sem alternativa ela apelou:
_NÃO PODEM! VOCÊS NÃO PODEM ME JOGAR PARA OS DEMENTADORES! NÃO FAÇAM ISSO! – os homens a arrastavam como podiam, tentando não machucá-la. – RONY! NÃO DEIXE QUE FAÇAM ISSO COMIGO!
Rony olhou para ela horrorizado. Como ela tinha coragem de lhe pedir ajuda depois de tudo que fizera?
_NÃO! RONY! POR FAVOR! NÃO DEIXE! NÃO DEIXE! ELES NÃO PODEM! NÃO PODEM! – quando ela já estava fora de vista da maioria das pessoas do recinto ainda reuniu forças para uma última tentativa: - UÓN-UÓN, EU ESTOU GRÁVIDA!
Rony, que estava em pé preparando-se para ir embora, sentiu as pernas bambearem. Não acreditava no que estava ouvindo, mas só podia ser verdade já que Lilá continuava gritando e agora toda sala olhava para ele indignada. Hermione mirou Rony com os olhos arregalados, ele notava, mas não tinha coragem de olhar para ela. Ela esperava um pronunciamento dele, esperava ouvi-lo gritar que era mentira, que não haveria possibilidade, mas o gesto dele a fez perder o otimismo. Rony tampou o rosto com as mãos e sentou-se pesadamente. Sem palavras Hermione desviou o olhar dele e encontrou o de Draco, rindo! Ela ficou mais chocada ainda.
_Não ria, Draco!
_Desculpe, mas é hilário! Agora é ele quem vai ter um filho com um comensal da morte! – ele ria satisfeito.
Rony levantou-se agressivamente e ia quebrar a cara de Malfoy, mas foi interrompido por um funcionário do Ministério: - Senhor Weasley?- ele falou inseguro. – Desculpe, mas... Era para o senhor que a ré pedia ajuda, não?
Rony olhava para ele assustado. Seus punhos ainda estavam fechados e o rosto ainda transfigurado de raiva. Ele não respondeu nada.
_Hum... Será que o senhor poderia me acompanhar?
_Pra quê?! – falou de repente assustando até o funcionário.
_Bem... É que... Precisamos saber se a afirmação da ré é verdadeira... – falou inseguro.
_E como é que eu vou saber?! – perguntou incrédulo.
_Ronald! Pelo amor de Deus! Acompanhe o homem! – Hermione interferiu. Rony a olhou sem entender. – Esclareça de uma vez esta história!
Resignado ele perdeu a pose de combate e seguiu o homem. No meio do caminho encontrou os olhares repreensivos dos pais e irmãos. Sentia-se como se tivesse roubado o carro do pai novamente, mas dessa vez a situação era bem mais grave. Inseguro olhou para Hermione novamente e captou seu olhar decepcionado. Para piorar, Draco permanecia ao lado dela, rindo de satisfação.
Aos poucos o lugar se esvaziara. Os Weasley acharam melhor não se envolver no assunto por enquanto. Era delicado demais e o casal tinha que se entender primeiro. Hermione andava impaciente de um lado para o outro, a raiva a corroendo. Sentiu alguém se aproximar cautelosamente e teve certeza de que era Rony. Virou-se para começar um sermão, mas não pode começar porque afinal aquele era Draco. O sorriso que ele tinha nos lábios e que em outra época a derreteria agora a irritava, também como em outra época.
_Como vai ser agora? – ele perguntou.
_Como assim? – ela questionou impaciente.
_Ele vai ter um filho com outra! Você vai aceitar isso?!
_Draco, eu não acredito no que você está fazendo!
_Por que não?
_Isso não é algo que se resolva de uma hora para outra! E mesmo que fosse, Rony aceitou o seu filho! Acho que é o mínimo que eu posso fazer, embora seja muito mais fácil falar do que fazer! – ela voltou a andar de um lado para o outro impaciente. – Draco!
Ele se assustou.
_Isso não é a última fase do plano de vocês dois para me separar do Rony, é?!
_O quê?! – ele se espantou. – O que você quer dizer com isso?
_Quero dizer que vocês andavam se encontrando e não seria nada difícil...
_Está dizendo que eu engravidei a Lilá para que ela dissesse que o filho é do Weasley?! Você sabe tão bem quanto eu que há grande chance desse bebê, se é que ela está grávida, seja mesmo dele! E depois... Eu aprendi minha lição, Hermione. Não iria tão baixo!
_Eu não tenho o direito de julgá-lo por ter um filho com outra...
_Ora, Hermione! Você não tinha nada com o Weasley quando engravidou, mas ele ainda era casado com você quando engravidou a Brown!
_Eu sei, Malfoy! Eu sei!
Draco recuou. Passara do ponto. – Ok, desculpe! – pediu. – Eu não devia tripudiar em cima do seu sofrimento, não é? Mas eu pensei que agora nós pudéssemos...
Hermione respirou fundo e pacientemente falou: - Draco entenda... Eu reaprendi a amar o Rony! Eu me decepcionei com ele, mas ele também se decepcionou comigo. Um erro dele, por pior que seja, não vai ser suficiente para me fazer voltar para você, mesmo porque você também já me decepcionou muito! Muito mais do que o Rony!
Ele se retraiu desanimado.
_Mas nós temos um filho e isso vai nos unir para sempre, se não como homem e mulher, pelo menos como amigos, ou o mais civilizadamente possível, para o bem dele! – ela se aproximou carinhosamente. – Não fique insistindo tanto! Não combina com você! Eu já lhe disse que o que se passou entre nós foi muito bom, mas ficou para trás! Você tem que se conformar com isso! Vá viver sua vida, encontre outra mulher... Quem sabe a tal amiga que você foi ver naquele dia!
Draco sorriu achando que tinha notado uma pontinha de ciúme na voz dela.
_Eu não guardo mais rancor de você, toda aquela decepção ficou no passado, assim como aquela paixão que eu senti... Por favor, não me faça dizer isso para você novamente!
Draco sentiu uma pontada de tristeza com as últimas palavras dela. Nunca tinha amado antes, por isso seria difícil dizer, mas ele tinha certeza de que o que sentia por Hermione não era apenas paixão, era amor. Mas ele se convenceu de que não teria chance. Estava tudo acabado.
Rony ouvira boa parte da conversa. Embora se sentisse inseguro no começo, agora estava mais relaxado e confiante. Fez-se notar pelos dois, satisfeito por mostrar a Draco que ele não podia afastá-lo de Hermione. Seu ar mudou completamente quando notou o modo como a esposa olhava para ele agora. A expressão de Hermione mudou de calma e carinhosa para raivosa, como se fosse explodir. Notando também a mudança na mulher, Draco virou-se para encarar Rony. Com a cabeça baixa ele se aproximou mudo.
_E então?! – ela perguntou firme.
_É verdade... Ela está mesmo grávida...
_Não acredito, Ronald!
_Hermione, me desculpe...
_Não venha me pedir desculpas, Ronald! Como vai ser agora? Ela vai ficar solta? Não é por estar grávida que ela se tornou inofensiva!
_Não! Ela vai ficar presa, mas não com os dementadores, com aurores de verdade, numa cela especial... Só que...
_Só que o quê?! – ela perguntou com medo da resposta dele.
_Disseram que ela só poderá ficar com o bebê até os seis meses de idade. Depois disso ela volta para uma cela convencional e se não houver quem se responsabilize pela criança ela será mandada para ad... – falou chateado.
_Nem termine! – interrompeu. – Em casa conversamos melhor sobre isso! Vamos embora daqui! – virando-se rapidamente para Draco ela se despediu. – Você vai buscar o Denis esse fim de semana?
_Claro! Se não houver problema...
_Não haverá! Ele vai gostar de saber que continuará tudo como antes, afinal você é o pai dele! – falou venenosa arrancando um sorrisinho satisfeito de Draco. – Até sexta, então! – despediu-se com um beijo rápido no rosto que quase fez Rony explodir de raiva.
_Vamos, Ronald! Estou com pressa!
_Ok... – ele a seguia, cabisbaixo.
_Acho que alguém vai dormir no sofá hoje, Weasley! – Draco zombou.
Rony fez menção de voltar para dar o soco que deveria ter dado mais cedo, mas Hermione o chamou: - Vamos logo, Ronald! Não me faça perder a paciência!
Insatisfeito ele a seguiu. Parcialmente satisfeito Draco observava os dois se afastarem.

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